terça-feira, 15 de junho de 2021

Eu Gosto do Clima Quente de Verão

 

            

 

            Mantenho o exemplo exemplar a seguir de evolução revolução revelação. Uma paisagem bem-nascida elevada é uma invenção de cartão-postal congressista fenomenal agridoce. Que nem tanto se mexe que nem tanto tem frio ou calor, nem vento ou sufoco, com musica funcional ou ativa e ambiental. Que assim nem altera horários nem falta comida sono e o mais por diante. Pássaros supertalentosos ricos cantores que nem param de falar e coletores de insetos frutinhas, anus-corocas, pica-paus-do-campo, pombões, perdizes e perdigões, gavião-pega-macaco, fevereiros, surucuás-variados, freirinhas, crispins... Conjuração de fatores conjugação de artigos mais as trocas e baldrocas ou berliques e berloques. E muito bem sem querer exagerar já porém mundial.

            Em verdade onde se caminha se passeia se pedala aos domingos e feriados, eu mesmo começo a passar pela rua larga avenida Eliseu Visconti e paro um instante de nada na ilha ou canteiro do meio e atravesso por completo em toda a extensão da zebra, praça João Antônio Guaraciaba, parque do Cocó, lago Itarim, porto de Santana do Tapará em Monte Alegre, Japeri, Nossa Senhora da Glória, Otacílio Costa, Água Santa, Porto da Folha, Tacima, Ipê... Vejo que nem falta mais nada, pássaros peixe-frito-pavonino sons estalos estalidos musicais arpejos choca-da-mata partituras escalas naipes codas de composições sinfônicas capitão-de-saíra e cigarras estourando de cantar abelhas jataís-da-terra zumbindo ziziando zinindo...

            O sol nasceu cedo madrugou esta manhã. E sem nuvens um pouco de orvalho sobre os vegetais e muitas associações cooperativas de falantes crepitantes mudando de lugar na paisagem vigorosos palradores sorridentes animados, udus-de-coroa-azul, surucuás-de-barriga-vermelha, pica-paus-de-topete-vermelho, pipiras-da-taoca, carcará-preto, marias-cavaleiras, periquitos-de-encontros-amarelos, beija-flores-de-orelha-violeta, paturis... Também acordei 4h e meia e presenciei o dia em início de carreira de temporada de verão janeiro desplumado ou desplumando. Tento entender tudo e o todo é muito complexo passageiro peregrino raro neoliberal.

            Veja Peri e Ceci no paraíso e desnudos já se igualando aos animais tatus-canastras raposas-do-campo e bichos vertebrados e invertebrados patos-corredores patos-mergulhões irerês marrecas-oveiras arrabios (estes estas com membranas interdigitais) desfrutando aproveitando do beirão da lagoa do Paru... Ele um passo à frente escolhendo caminho, ela menor e perto e quieta. E os dois passeando sem nada que desfazer aparecendo na praia outrora sem nome de Co-pa-ca-ba-na... Quando ele bem entender e quiser ele estende a mão e ela engancha. Quando ela está sozinha ela se manifesta de alguma forma e sem palavras puxa empurra e ele olha pra trás e para aguarda espera atende protege segura... Eles param descansar quando ele cansa se protegendo do sol sob o guarda-sol da candeia do pereiro da camajondura da mongubeira do jasmim-do-mato... O assunto o porquê o tema só Tupã que sabe e ou motiva com sua dose de diário:

            - Vamos reparar. O mar-oceano está sempre aí e regurgitando.

            - Isso é bom ou ruim, meu bem querer?

            - Porque na verdade temos 3 planetas: o ar a água a terra.

            - Por que temos três?

            Neste momento ele vê uma grande pedra lá na frente junto da praia e sugere indica:

            - Vamos até aquela pedrona que quero ver se vejo uma baleia com seu filhote. Parece que é época de baleias-corcundas andar amamentando aqui mesmo no litoral na costa.

            - As baleias são legais, é.

            - Elas navegam numa área de pouco mar revolto. Com filhotes acachapantes.

            - Descansando e veraneando, mamíferas...

            E foram andando até a pedra em a areia branca da praia. De um lado pro outro levou meia-hora. Lancharam araticuns-dos-grandes. Já podiam se demorar e perder tempo passatempo observando o infinito a imensidão. Acho que nem sabiam demorar ou se apressar. Ele olhou a própria sombra e a comparou com a sombra da mulher que o seguia. Olhou as sombras quase lado a lado. Viu o sol e nem lhe veio palavras que pudesse entender descrever. Estava disposto a chegar em a pedra e chegou. Ela seguia atrás e acompanhando. A mulher muito sensual de boa silhueta e faceira e escorregadia em nu frontal. Existiam pelo lugar amplo aberto andando ou nem andando. Acabaram nem fazendo mais nada por 2 horas e tanto sol calor vento inconstante contrário de encontro aos longos cabelos peles tostadas curtidas bronzeadas acobreadas...

            Ali sobre a larga pedra já encontraram um bando de aves marinhas com forte preocupação alimentícia e ou familiar. Alguns pássaros aves pilotos-brancos ou atobás-mascarados andorinhas-do-mar-pretas gaivotas fragatas grazinas ou rabos-de-palha... vieram conhecê-los reconhecê-los.

            - Parecem meio perigosas famintas famélicas, oi?!

            Peri sentou na pedra e ficou escutando tudo em volta. O mar e outras coisas, conquista e realização e descoberta. Ela sentou do lado, as mãos segurando os joelhos. E igual um cão perto sem perder de vista o seu dono e senhor e proprietário e guia. Ele ficou observando o vasto e profundo conteúdo de oceano, a profissão e a carreira, o futuro e o porvir, os projetos e objetivos, o agronegócio a infraestrutura a logística...

            O mar aparecia mexido porém em ordem e tranquilo líquido dono de si. Nem chovia há uma semana. Nem choveria tão cedo ou por uma semana mais. O mar estava alto embalado algo dentro do azul-marinho. Também cristalino sob os raios fúlgidos. E parecia vizinho do céu mesmo lá longe, certo, seguro, convencido, confiante, convicto, ciente, consciente... O oceano no dia após dia e tudo que pudesse recordar e comum e normal e presente. Um absurdo! Um portento!

            - Se eu fosse navegar até aquela ilha Grande fazer a trilha até o pico da Pedra d’Água...

            - Um peixe uma ave marinha excepcionalmente um atobá-marrom...

            - Nadar como peixe entre nós mesmos os peixes em cardume...

            - Abrir bem as nadadeiras as álulas os braços, assim!...

            Já os dois se concentravam ali aqui nisso naquilo. Nem cansavam de olhar o enorme mar verde azul esverdeado azul-marinho. Às vezes tudo outras nem tanto assim lhes chamava a atenção. De repente uma ave talentosa outras aves em bando e barulhentas insistentes exagerando entre o mar revolto escarcéu vagalhões vagas... Além das aves marinhas outros alados de terra firme arborícolas se transportavam do continente às ilhas e vice-versa, coleirinhos, tico-ticos-de-bico-amarelo, gavião-caboclo, gansos-do-orinoco, tujus, chimango, tempos-secos...

            - O que vai ser hoje... Eu nem planejei nada. Vamos aguardar e ver ou rever.

            - Sempre o que fazer acontece...

O casal fazia aniversário no mesmo dia e praticamente mesma hora h local. Comer e degustar uma série sequência das de frutinhas da pitangueira da jabuticabeira da goiabeira-do-mato do araçazeiro da ameixeira-da-mata da grumixameira... É um ambiente social civil, porém cada um cada qual está num lugar e depende do que faz e veio fazer.

            Se o mar fosse um vasto território inexplorado perigoso misterioso deserto de seres humanos... Acho que o mar vem de algum lugar da imaginação dos deuses e deusas. Por que o mar nem diz nada? Se escuta barulho nas pedras mas isso é sempre a mesma coisa e nem entendo. Somos todos excessivamente quadrados. Somos todos de pés no chão e ideias nas nuvens.

            Ele Peri cheirava o mar igual mesmo idêntico um cão. Ela Ceci cheirava o mar igual uma cadela. Nem tinham filhotes, ainda. Os tais e quais filhotinhos, em ninhada ou escadinha, viriam viriam e às pencas. As narinas abriam e fechavam como ventosas. E agora os dois estavam pensando no grande mar desconhecido e suspeito e enigmático. E pensavam ainda ver os fantasmas os seres subaquáticos os tubarões-vitamínicos moluscos crustáceos peixes-espadas decretos-leis postas-restantes abóboras-meninas sem-cerimônias pró-sindicatos tele-entregas...

            - Será que o rio São Francisco é caminho de volta do mar?

            - Parece ser. Sim, essa é boa e muito boa!

            - Eu acho que o rio alimenta o mar ou o mar alimenta o rio, é.

            - Porém o rio é doce e o mar é salgado, oi!

            De repente ele sentiu o sol forte e mudaram para debaixo de umas árvores frondosas. Vinte metros mais pra lá da pedra. Sentou no chão e ela fez o mesmo. Podiam brincar na areia, se quisessem. Seria bom correr na areia fofa, se fosse mais cedo.

            - As ondas vêm todas às vezes até a areia... É impressionante. O mar nem para.

            - Parece que é o vento que as empurra... E a maré, também.

            - Eu quisera andar sobre o mar e ir até lá longe e conhecer a entrada do céu o portal celeste. Deve de ser no fim do mundo... ou no princípio do planeta... Ir e vir democraticamente.

            - E mesmo assim muito fundo...

            Acho que havia um mundo atrás de novidades à procura e com necessidade de criatividade. O dia muito quente muito tope muito claro muito abafado muito autônomo. O mar as ondas e seu fremir marulho constante a mesma ideia sem fim. Assim estava a verdade e a vida. Bandos de periquitos-ricos buscando as ilhas do Atlântico as áreas dos manjares. Sobre as cabeças dos rebaixados bípedes cruzavam os céus bandos de papagaios-dos-garbes, papagaios-moleiros, papagaios-chauás, papagaios-do-mague, papagaios-diademas, araras-canindés, papagaios-de-bochecha-azul, urubus-de-cabeça-preta gavião-de-anta...

            O próprio Peri estava quieto e pensativo impressionado filosofando. Ceci olhava o mar todo chegando chegando o mesmo de sempre decente clemente. E eu queria saber se tudo isso era certo ou errado. Se tudo estava acontecendo ou pura minha imaginação. De fato completo tudo ou com exceções. Criado ou inventado, arte ou ofício, bem-criado ou couve-flor, monomotor ou bipolar...

            Sim, a dupla o casal era dali mesmo da redondeza Muitos Capões ou Campestre da Serra ou Mato Castelhano e de toda a sorte lá deles. Conheciam o lugar como a palma da mão. Vinham à praia todos os dias. Vinham se banhar e olhar o infinito. Se portavam como autóctones aborígenes silvícolas naturais do lugar filhos dos paracatejê-gavião dos timbira dos curuaia dos juruna dos xocó, como exemplos bem atuais.

            Era exatamente o que ocorria sorteava no mundo aí naquele exato momento. Os limites eram e pareciam superados insuperáveis insubstituíveis sofisticados sucessivos substituíveis. O mundo as ideias da natureza o sol refratário sobre tudo pareciam inevitáveis que nem podiam deixar de estar assim. Complô de bichos nem pareciam estar ali dando o ar da graça do destino, tatu-de-quinze-quilos, gavião-de-cauda-curta, pé-vermelho, anambé-de-máscara-negra, paulo-pires, macuquinho, águia-serrana, tucano-de-bico-preto, mãe-da-lua, carrapateiro...

            - Estou ocupado por hoje e isto já é muito.

            - Meus pés doem...

            - Vou me ocupar e pelo dia todo, uma vez.

            - E sem pular uma hora, sequer.

            Volta e meia e Peri achou um pedaço de embira cordinha assim mesmo jogada esquecida ali no chão. Parecia alguma coisa de utilidade necessária e útil. Nem pensou duas vezes decidiu rápido e carregou consigo. Passou o tempo depois de uma hora ou pouco menos. Ali teve a ideia de enrolar uma ponta na própria cintura e a outra na cintura da mulher. Pronto, a história da ligação. Agora nem mais se perderiam se desprenderiam um da outra. Para onde ele ia ela seguia junto e bem de perto, obrigatoriamente. E sempre um perto da outra, convenientemente. Como casais de araras-vermelhas-grandes, pica-paus-do-campo, gralhas-cancãs, beija-flores-de-garganta-marrom, trovoadas-de-bertoni, tietingas, frangos-d’água, jaçanãs...

            - O mar e a hora me dão muito sono. Depois o dia e a tarde já estão muito quentes acompanhados todos de sol forte. Porém, e também, a preguiça é boa. Cai bem, vai e vem.

            - Ahãaaa!...

            Um macaco veio puxar o cabelo de Ceci e ela se assustou e Peri riu. Ele riu mesmo muito com satisfação suficientemente alcançada. Vez ou outra, muito de vez em quando, riam juntos como faziam rir os namorados aprendizes de gente ou o casal de papa-arrozes-de-barriga-branca, maitacas-pardas, curicacas-de-pescoço-branco, corujas-orelhudas, quiriquiris... Assim que ele achava engraçado ela também se contorcia de dar risadas. Peri achou engraçado certas coisas diferentes opostas estranhas. Ela se irritou se assustou com o macaco, pronto ele achou superengraçado. E pensando bem, ela se sentiu ainda mais próxima dele parceiro e mais feliz. Riram muito e com algo em comum. E ele riu mais franco e solto gargalhando superando em muito o riso surpreso contrafeito dela. Um cascalhar que foi imitado e acompanhado pelo piar de maritacas-de-cabeça-azul trilar de sabiás-barrancos palrar de papagaios-campeiros trissar de surucuás-de-barriga-vermelha...

            Quando ele acordou da sesta já sentiu a fome apertar o estômago. Pensou rápido, nem pensou duas vezes. Se levantou e foram até o cajueiro carregado de cajus. Os frutos vermelhos e ou amarelos davam água na boca. Ele desatou a corda da cintura e subiu na árvore. Árvore baixa carregada de frutas tronco robusto galhos retorcidos longos.

            Sol distante morador das alturas impensadas sujeito genial rico ensolarado gigante soberano filho único... Era um jogo nem era um jogo... Quem começou...

            Peri, filho único, jogou algumas frutas no chão. Ela, filha única, pegou recolheu colheu e amontoou. Ele jogou mais e daí sempre desceu. Ceci havia recoletado já toda a carga. Comeram até fartar. Ali mesmo cansaram e deitaram no chão na sombra sobre as folhas secas e ervas os juás-amarelos para mais um cochilo merecido. E nuvens iam e vinham de mudar de lugar de direção sentido cores viajando pelo espaço sideral sensações térmicas cambiantes. De meia em meia hora tudo mudava alterava se transformava alternava. Tudo muito ao mesmo tempo.

            O dia inspirava normal tranquilidade e Peri mais Ceci nem tinham outro compromisso outra coisa a fazer naquela hora. E nem ele pensava muito e nem pensavam muito. Sentia frio ou calor e sentiam frio e calor. Realizavam o que dava na telha.

            Meia-hora depois ele acordou com aquela vontade de ir pra cima dela. Pegou ela de supetão e mais ou menos desprevenida perseguida requisitada de repentemente. No começo ela tentou escapar se fazer de difícil tentou dissimular, miou, miou... Mas daí um minuto ela também gostava encantada preferia escolhida e se enrolaram rolaram ambos na areia seca. Acho e me parece que isso os uniu de tal e qual forma e muito.

            - Nem sei o que se passa comigo, às vezes.

            - Eu também mudo de ideia e de repente...

            Ele respirou fundo e se sentiu se achou muito bem sucedido lá com sua batuta, enquanto ela se achou se encontrou se viu muito entusiasmada revigorada revisitada revirada. Um instante de nada e pronto. Complô de aves engraçadas se rindo às bandeiras despregadas presentes onipresentes o capitão-de-bigode a biquinho-de-sabonete o tangará-dançador o papa-taoca-do-sul o gavião-tesoura a corujinha-do-mato a marreca-rabo-de-espinho o sem-fim o pica-pau-anão-escamado...

            Justamente sempre haviam se conhecido e nasceram no mesmo grotão no mesmo instante no mesmo lote de barro amassado. E eram moços magros cheios de fé e esperança e graça, paradigmas modelos padrões. Rugiram como bichos do mato patuleia faz de conta escumalha deus nos acuda gatos-do-mato viravolta conscritos batiam asas como os já aprendizes arapaçus-grandes barranqueiros-de-olho-branco tamatiás seriemas pica-paus-do-parnaíba gaviões-peneiras...

            - Estou me sentindo bem. Eu me vejo bem e sem dúvidas. Eu estou bem igual um deus.

            - Se você se sente bem eu também estou bem e me sinto perfeitamente bem, veja!

            Peri gostava de tudo aquilo. Gostou de tudo aquilo o mundo o céu o mar a floresta... E minha sensação é boa também embora igual a hoje mesmo ainda nem sei de onde ou por que partiu tudo isto. O mundo é uma encomenda, me pergunto. Quem tirou como tirou isto tudo da cartola da manga da camisa. Embora, embora isto pareça coisa muito de longa data e pra lá de resolvida.

            - Tenho muito trabalho para resolver. Tenho muito trabalho para fazer e desfazer. E de uma hora pra outra, entende?!

            - É o destino, nem?!

            Setembro outubro novembro... iam se desfazendo entrando e saindo a melhor seiva da floresta dos bichos terrestres dos bichos aéreos dos bichos aquáticos... Havia festa nas árvores respeito subserviência atenção cordialidade reverência... Havia uma porção significativa de pássaros confabulando ricocheteando se esbaldando, tizius, rapazinhos, saís-andorinhas, borralharas, sanãs-pardas, choquinhas-carijós, anus-brancos, arapongas, tico-ticos-reis... Aves e bichos de todos os tamanhos se dirigiam ao açude natural e mais próximo e depois do desjejum matinal saboroso juçaras gabirobas uvaias cerejas-do-mato pitangatubas cambucis umbus...

Foi ali na época que um dia ele Peri acordou e viu ela Ceci do seu lado grinalda de flores na cabeça e se gostaram. Claro que ele gostou primeiro. Ele convidou e ela o seguiu. Se acostumaram com as idas e vindas. Iam até o mar e voltavam mais por perto da tardezinha. O mato a praia o mar. Passar o dia perto do mar e a noite no mato protegidos na caverna ou no alto da árvore jirau. E faz um tempinho que é assim e vem acontecendo.

- Hoje é um dia forte e decidido... Que que eu tenho em mente?

- Passear de mãos dadas...

- Também decidir alguma coisa. Me reinventar ou inventar alguma coisa...

- Um passeio pela beira-mar, um ex.

- Cada árvore no seu lugar, cada bicho no seu habitat, rorocorés, almas-de-tapuio, jaburus, tamanduá-bandeira, lebre, açuçuapara, tucanaboia...

            - Isto me encanta, sabia?!

Havia mais outras tantas coisas aí, lugares já demarcados, que eu reitero: Mesquita, Laranjal do Jari, aldeia dos tradicionais xucuru, Vila Lângaro, distrito de Capão Redondo em SP, Passa e Fica, Trombudo Central, Gararu... Pois havia bichos diferentes diversos pacas lobos-guarás lontras jacarés-açus... Eu mesmo conhecia pássaros de ver no urbano no rural e andando empoleirados voando sobrevoando, saíra-militar, maria-leque-do-sudeste, patativa-tropeira, falcão-de-coleira, arara-azul-de-lear, rabo-branco-acanelado, suiriri-cavaleiro, acauã, bem-te-vi-rajado...

            No meio da estrada do atalho da trilha encontraram aqueles miquinhos e tão engraçadinhos. Um dos macaquinhos seguiu o casal e Ceci o adotou. A mãe do bichinho tentou resgatá-lo porém o mascote xerimbabo foi categórico em escolher os novos patrões e donos. Pequeno fofo comunicativo engraçado cheio de grimaças trejeitos caretas palhaçadas macaquices peraltices. E o mumbavo nem esqueceu mais do cheiro da mulher do carinho também.

            - Já o bichinho me prefere a mim...

            Um dia começaram uma nova ideia uma nova situação um novo horizonte, vamos dizer assim. E eles iam até o mar e depois se alongavam em caminhadas pela orla. Iam longe e voltavam a tempo de dormir no mesmo lugar debaixo da mesma palhoça. No caminho de ida e volta encontravam novos pontos de vista outras árvores outras pedras outros morrinhos de sambaquis outras oportunidades outros seres convivendo, saíra-lagarta, maracanã-do-buriti, papagaio-de-cara-roxa, uiraçu-falso, águia-solitária, japuaçu, urubu-de-cabeça-amarela... Era tão tudo diferente e único que nem podiam reclamar. As coisas acontecendo independentemente. E associadas de maneira permanente como que enredadas enoveladas enleadas.

            - Pra começar bem, o mundo está com sorte. Está empreendedor. Veja os papagaios-da-várzea, as marrecas-toucinho, o falcão-de-peito-laranja, as capororocas, os chopins-do-brejo, os tuins... e apenas para citar os lembrados os mais famosos os comuns. Parece que reconhecem tudo isto como a palma da mão da pata lá deles. E se comunicam na linguagem deles pois com o resto das espécies tipos classes.

            - E tudo se encaminha de modo sério.

            - Quando o tempo resolve e se resolve...

            - O dia a dia...

            - De onde vem tanto sol e tanta lua e tantos mundos e fundos? Será o pé da cobra?

            - Literal, meu amigo!

            O mascote estava presente e até procurava interagir com os donos o pessoal da nova adotiva família. E atendia como um dependente um filhote exigente buliçoso desastrado destrambelhado. Totalmente ligado preso a Ceci pela comida pelo odor pela amizade pela conversa pelo cafuné. Para orientá-lo melhor ela começou a chamá-lo de Totó. Ceci disse pro amorzinho dela já empoleirado no seu braço esquerdo:

            - Você é meu, Totó!

            - Tcheste, tcheste!... - Totó imediatamente respondeu no seu idioma intraduzível rudimentar guinchado tartamudeado fremido.

            Totó subia se agarrando na perna de Ceci se enganchando no braço a cauda preênsil ao redor do pescoço. Vamos e venhamos, muito aclimatado ao corpo suave majestoso vertical da mulher.

            - Sou a sua mamãe e você Totó é meu filhinho, hein?!

            - Tcheste, tcheste!... - e ele Totó olhava xodó com muitos olhos abertos esbugalhados.

            Chegaram na entrada ou saída do rio Aquidauana. Delta do rio e que ali se transformava em pântano. Do alto da montanha (e desde a localidade de Monte Alegre de Sergipe) vinha chegando o rio e todo falante galopante se comportando zanzando riscando zona da mata. E mais a mata verde primitiva necessária organizada em vegetais originais vegetação, guaximas, beijos-do-mato, jatobás-pequenos, coaxixás, araribás-amarelas, ingapebas, gabirobeiras... Por dentro dela zona arbustiva serpenteava destilava vazava escorregava corria o já citado rio. De mais longo curso do alto e sempre e perene e perpétuo. Continuamente e constantemente do começo ao final como idêntico um destino um rio. Será que o rio faz fazendo o caminho de volta? E funcionavam funciona tudo muito profissional. Eu diria que o rio qualquer rio é a coisa mais engraçada da natureza, é. Porque o rio invade a paisagem.

            - Sim, como é interessante magnífico e único.

            - Nem qué?! O rio inteiro e magistral...

            - E pegando de onde sai para onde vai...

            - Demora mas chega em tempo récorde...

            Muito interesse por parte de Peri sobre tudo pelo mesmo rio e mais a parte da mata coberta de vegetação fechada densa misturada. Mato aglomerado compacto cheio de gritos cantos assobios jorros de palavras formas progressões dinâmicas sentidos mistérios e necessidades. Sentia que um dia teria que entrar aí e subir até o alto do morro. Confusão misto de espécies botânicas confrarias irmandades congregações associações. Chegaria o dia que subiria o rio até a montanha do Baú. Os alados e a sequência antinomia de sons cantares chorrilhos melômanos musicomaníacos. Classificados separados por espécies grifados sublinhados marcados assinalados, inhambuguaçus, martins-pescadores-verdes, beija-flor-de-fronte-violeta, periquitões-maracanãs, garças-brancas-pequenas, gavião-de-rabo-branco, anus-pretos, asas-brancas, corocoxós, urus, ananaís... Muitas árvores e sons clichês de pássaros simplesmente estavam aí e acontecendo se exibindo e barítonos tenores e sopranos contraltos, batuqueiro, tesoura-do-brejo, caburé, joão-bobo, pula-pula, frango-d’água-azul, gavião-belo, barbudo-rajado, apitau, cisne-de-pescoço-negro... Um tumulto uma confusão um parlamento e que a ninguém era indiferente.

            Era só isso tudo que estava à frente e por diante. E uma série de coisas acontecimentos tudo ao mesmo tempo: buscar e comprar, pegar ou comprar e pagar. De repente a paz, de súbito um animal se mexendo escarafunchando correndo voando, fogo-apagou, príncipe, ararajuba, udu, benedito-testa-amarela, miudinho, papagaio-charão... Uns peixes mergulhados uns tracajás descansando na ponta das pedras bando de camarões-d’água-doce pitus potis conduzidos pelo rio...

            - Te dê conta! Vou pescar no estilo xeripana, é.

            - Que é isso?

            Se aproximaram da água e as caras imagens no espelho do poço... Era estava bom tudo isso e aquilo. A hora do dia e o resto do tempo foram saíram o mesmo a mesma coisa dos outros dias e muito bom. Hoje na hora marcada.

            - Eu vou lá encima amanhã mesmo - ele disse e jurou apontando o céu a montanha. Deve ser fácil e nada difícil. Se os papagaios-de-peito-roxo podem conviver ali em algazarra na muvuca eu também posso. Nem abro mão da minha liberdade.

            - Posso ir junto contigo?

            - Vamos comendo e desfrutando do que a floresta nos permite nos brinda e nos presenteia...

            - A paisagem deve de ser deslumbrante e lendária...

            Vinham e saíam buscavam ali na areia os caranguejos e todos muito cuidadosos elétricos espertos rápidos e rasteiros. Vinham pequenos e assustadiços pela areia. Eram muitos e de ficar admirado da quantidade. Era espantoso e de ficar olhando. Era um entrar e sair dos seus esconderijos individuais casinhas buraquinhos os tais e quais caranguejos siris-chitas sirimirins chama-marés xiés vem-cá...

            - Eles sempre ficam tão em pânico e ansiosos... Olha, olha!...

            Depois, e conforme o passo, iam superando os obstáculos e subindo pelo meio do mato. Por um tipo de janela entre os ramos e as copas das árvores viam o topo da montanha. E prosseguiam. E alertavam as coruíras os peixes-fritos-verdadeiros os corocoturus os sanhaços-frades...

            - Tô ouvindo uns chocalhos outros xuatês, aí... Deve de ser cobras peçonhentas...

            - Cuidado com onde se pisa!...           

            Chegaram no topo no alto no tope mesmo. Olharam tudo e os 360° os 365 dias a rosa dos ventos e o que for. O sol pairando no ar e soberano imperador rei deus-criador e quase nem mantinha o equilíbrio. E descobriram umas vistas espetaculares como nunca com a idade de sempre. Após ficaram tranquilos, os namorados. E o panorama estava ali para admirar, adiar as horas e os dias. Favoráveis ao vento, contra o tempo. Conversas secretas ró-rós de passaredo alados, corocoxós, urutau, pintassilgos, saís-canários, curutiés, gavião-caramujeiro, rolinhas-roxas, sovi, murucututus-de-barriga-amarela... Paisagem agora possível. Paisagem ao alcance da mão. Panorama idílico e de verdes contrastando com azuis com brilhantes com cintilantes...

            - É primeira experiência real do surreal e extraordinário.

            - E tanto que é!

            - Pra onde vai todo este mistério deslumbrante e acaso, causa e consequência? Conforme o dia e a hora... Desnecessário ou tão necessário? Prático e incomum.

            - As coisas nem parecem ter dono e senhor D e senhor do universo...

            Já às quinze para as onze o casal ficou imóvel invisível impermeável e observando a natureza. Adoraram todos os outros animais árvores nuvens o sol o mar com o céu dossel. Quase nada se alterava. Acharam melhor ficar quietos interessados curiosos conhecendo reconhecendo. Os animais barulhentos se alternavam se alteravam camuflados e uma choldraboldra e umas artimanhas, jupará, águia-cinzenta, tatu-peba, polícia-inglesa, tangarazinho, dorminhoco, mão-pelada, bacurau-da-telha, anhuma, formigueiro-da-cabeça-negra, uirapuru-laranja, cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, topetinho-verde... Logo tudo ficou mais claro cheio de luz solar e adormeceram se recostaram no tapete de grama macia confortável.

            Quando chegar a hora de aprender a ler escrever contar interpretar votar. Quando chegar a hora de aprender a navegar velejar. Quando chegar a hora de voar. Quando chegar a hora das cidades, Altair, Rio Bananal, Seabra, Passira, Jandaia do Sul... Quando chegar a hora de pendurar satélites no espaço de fora. Quando chegar a hora de jogar o futebol de todos os sábados à noite.

            Uma hora mais e um momento, Peri se ergueu decidido e queria se exibir. E sobre toda a bela vista. O tempo estava bom para um voo de pássaro prevendo os aviões os jatos os aeroplanos surucuá-de-barriga-amarela, vem-vem, xicu, sabiá-una, gavião-do-banhado, arapaçu-beija-flor, curicaca-real, ariramba, papa-capim... Igual mesmo que um senhor no seu reino...

            Eu acho o se você acha que os alienígenas superiores já estão aqui pontuais ancorados em nosso ambiente envolvidos no meio de nós...