sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Terraplenagem


           



            Hoje sempre no começo da manhã nascem a lua as estrelas o sol e os bichos comuns. Raramente são simples cantam andam zumbem e voam até a cento por hora, é bom! entre as árvores. Tudo todos no mesmo tempo no mesmo lugar, praticamente.
            E nem conheço o santo a santa do bairro da rua em frente de casa. Estarei, sim senhor! vou estar fora da cidade muito na próxima semana. Já fiz minha mala reserva o suficiente e posso carregá-la mochila nas costas. Quanto tempo quanto distante várias histórias quanto tudo isso e aquilo, Maranguape, Luiz Alves, Pentecoste, Palmácia, Botuverá... Estrada vou andar o caminho distância pra lá correndo corrente como um riacho.
A árvore manopé tem uns 200 anos de idade, confere. E já cresce uma tal de indaiá-mirim. As incríveis embiras-de-folha-larga já estão flores e aguardam os frutos as frutinhas. Tão naturais! Inefáveis quinas-de-são-paulo. Versáteis coxas-de-frango. Sinceras algarobeiras-pretas. Safos juás-listrados. Espevitadas sucupiraçus.
            - É assim que trabalhamos - me diz um mulungu.
            Muitas crianças brincam na pracinha Murilo Mendes neste o dia de domingo pela manhã. Brincam de pega-pega, de balanço, de saltar trampolim e outras gritarias e correrias e berrarias. Passeiam as pacas-de-rabo voam os japus-do-bico-encarnado os anambés-pretos as pombas-de-espelho as mães-da-taoca as paturis os joões-botinas... Uma família urupá de sete pois eles brincam juntos trocando brinquedos e competitividades falta um para oito. Parecem todos integrados numa terra quente e promissora e animada. E riem mais outras tantas vezes. São brincantes de brinquedos em as brincadeiras. E o paraíso é equatorial tropical subtropical, compre agora!
            Já estamos no outro dia preciso 8h e 8min e 8s a chuva começa e desliza a despejar:
            - Chuá!... Chuá!...
            Moro ainda perto do prédio Sururu e conto os andares e pisos, isso sim! todos os dias úteis. Tenho feriados que até nem sei como fazer muitas coisas muitas vezes. O arranha-céu parece tão diferente, talvez. Seu terraço ajardinado com plantas transplantadas do morro do Cachorro o algodão-do-brejo o boi-gordo o marolinho-do-campo a coirana-de-minas... De manhã onda de espelhos de tarde desenho de sombra circular giratória de noite árvore de brilhantes comemorativa. E os minutos passando como relógio digital e programas de tevê e jogos de futebol. Está rodeado por ótimo excelente grameal.
            Nesse momento, vou atrás dos sonhos meus e são jogar bola meninas bonitas assaltos a banco visitas à aldeia tenharim praias espremidas entre dois morros nadar perto de cachoeira em Ewbank da Câmara, viajar. Deixo em casa e vou para a capital, certo! Tem pessoal que prefere o domingo prefiro a terça-feira dia de semana.
            - É assim com pouco que me divirto - me comunica a angélica-de-rama.
            Neste instante uns meses que as árvores olhos vistos crescem continuamente continuam. E do outro lado da rua da Assembleia aquele mar intransferível oceano cobertor líquido, versatilidade. A árvore é educativa verde alta folhuda quase aérea quase escada de ligação, repare.
            - Qualquer lugar dura pouco tempo, pra gente.
            A cidade acorda aérea com aviões bimotores e helicópteros e andorinhas e colibris-rubis. A rua das Missões acorda teatral e carnaval na buzina e os condutores de carros. O rio parece plausível e sujeito à gravidade. O que é panorama? O que foi pachola? Onde capela capelão de pequena igreja? Tem gente que puxa para etnologia? Em Piau é capital do doce de leite? Os cações-do-salgado veraneiam em Papanduva?
Que as nuvens são barcos barcaças botes em navegação, são casas que guardam lagos e lagoas e lagunas, são tubos ou quase naves espaciais extraterrestres catedrais, são portas janelas sacadas salões de baile salas de jogos e pontes.
- É assim que eu me divirto - me avisa uma babosa-de-árvore.
No começo deste novembro me ofereceram um convite de emprego num hotel para trabalhar no balneário Itapagipe e vou pra lá ainda ontem. Vou também narrar como vou, diletantismo.
E realmente é uma floresta principal com raças largas, capitaris, uafés, aroeiras-de-bugre, araçás-do-brejo, caçaús... Olhem as árvores olhem o rio olhem os bichos olhem o jurutau, assim! Este dia ouço sonata o que é sonata como sonata deixa de ser expectativa e nos desistir.
- Arredondada perto inexata deitada na rede na sombra dentro da enseada a aquarela?
            De repente tenho razões e visões e previsões. Onde nasce o sol na ilha Grande e onde deita o sol em Brasília, então. Em todo caso acontecem a praça os parques, confirme! os planetas a via Láctea os satélites naturais e artificiais as torres de rádio e telefone. Saio viajar porque mesmo assim são os dias e as noites. De súbito tenho razões e aeronaves e teletransportes.
            - Uma lua pra cada um e cada qual levar pra casa, emboralá!
            Estou em busca tranquilo e copiar 20 vezes a mesma frase: “Cabelos encachados orgulhosos que nem acabam mais”.
            Pois agradável é agradável. O tempo faz o café da manhã. Portabilidade atributo do que é portável. Há gente pra chuchu e chove pra burro. Basta bater asas para avião.
            - Hoje mesmo parece ser um dia forte, também.
            Agora manhã bem cedo levanto tomo banho visto tomo café me olho no espelho ando oito a nove quadras mãos nos bolsos chego à estação ferroviária Faranacaru quase desabitada esta hora aguardo o trem das 7 e meia, compare! Os olhos sempre derramados os cabelos linda e a boca de lábios grossos generosos aromatizados e festiva. Um sorriso infinito um abraço infinito um beijo infinito um olhar também uns olhos infinitos.
            Mais de 500 milhões de anos, é isso mesmo! e bela terra grande terra florestas mares ou rios montanhas ou vales e animais de todas as espécies.
            - Desse modo tipo que carnavalizamos - me noticia o marmeleiro-do-campo.
            Aprendo a jogar bola chutando na parede com a esquerda com a direita para mostrar habilidade com a esquerda principalmente que ninguém tem com os dois pés. Chove chuva como pingos de fartura limpa preciosa mas dinheiro que é bom nem cai do céu nem nasce.
            - Estou percorrer o caminho com as árvores e acompanhar as águas, conjunto.
            Os espigões de apartamentos com outras cavernas altas guardam plantão um e outro lado da avenida Cícero Dias, ditado. E parecem duas mulheres bonitas vestidas com trajes típicos das baianas, e cada turbante na cabeça. Dependem da hora do dia da noite são o fogo e a água. De um ou outro temos muita visão panorâmica da cidade e a foz o rio que desemboca delta no oceano Atlântico.
            - É preciso deste jeito assim que brincamos - me declara a oiticica.
            Ela está uma pitanga tem uns aromas e apetitosa como frutinhas doces folhas suaves, danças. Ninguém acredita mas eu digo e juro e sublinho que estou na praia no verão e São Sebastião do Rio de Janeiro rua Dona Mariana no Botafogo. Depois vem a festa e mais o depois da festa. Seus olhos explicam e já sabem do céu das árvores dos automóveis dos peixes das montanhas da baía, pacientemente. Um cabelo uns olhos compassados e dignos e originais e lhanos. Todos os pássaros conjurar e aves musicais músicos músicas gostam dela.