Cheguei
esperei na janela parado olhando o tempo o clima a visão das coisas e
titubeando, etc. Olhei três vezes o relógio 7:06 de pulso e 7:16 digital e 7:27
do dia 9 do mês 6 do ano da graça de 2018. E prometia que nada ia acontecer ou desaconselhar.
A chuva caía e rolava com gosto e parecia coisa pensada madura séria, e coisa
artística é a chuva. Chuva e sol patrimônios noite e dia da humanidade. O sol é
foguista até o dia da criação. E nem nada a ver da minha parte, está claro.
Esqueci
rapidamente o carro serelepe no guarda-chuva inefável.
O
manuscrito compreender analisar interpretar, ainda achado... “Meu caro querido
ex e sempre amigo... e nem dá mais para segurar esse porém rojão da filial
contornar até a sucursal fingir de matriz, etc... se vou embora... é assim ou
assado como outra coisa qualquer e inócua... então, t-chau!
E até
a próxima se D quiser e reencarnação ajustar, etc.
Assinada,
...a árvore que planta cresce.”
Fiquei
vendo vendendo as feéricas estrelas, pensando bem.
Mas um
dia desses acordei e fui merendar com meus fantasmas, figuras imortais do meu
passado, e tal e qual passado pretérito perfeito, etc. Às vezes me dão
saudades, outras quiçá e na maior parte são só figuras mesmo de aquário, de
álbum, de painel. Para falar toda a verdade sinto mais saudades de mim dos
lugares Jussari rio Fundão montanha 2002m do Itambé das tardes de domingo no
balneário Retiro que desses aí. Eu preferiria almoçar fora refeição num lugar
arejado barulhento, fazer o quê, mas eles preferiram a ceia noturna o jantar
mais chegado, música ao vivo. Uma prima outras primas a prima de miçangas no
braço no tornozelo quantas primas melhor e eu puder. São desenhos na parede
amarelecidos formas esquisitas manchas da memória de mapas cadernos antigos rascunhos
esboços ensaios esquissos linhas apagadas livros embasbacados roupas que nem se
usam mais poeira poeirada polvadeira danças zé-pereiras que todavia nem se
dançam conforme.
Fiquei
olhando a rua Capixingui como quem olha um terreno lavrado plantado crescer
caju e abio e amendoim e araticum-do-pará e outros.
Entrei
pela cozinha sem anunciar sem bater, antigo casarão dos meus avós muito antigos,
anoitecia na lenta. Um lampião a querosene preso pendurado à parede. Nem rádio.
Uma coisa que também é sonho é viagem é aventura são duas ou três. O cheiro de
bife e polenta na chapa do fogão a lenha pão caseiro marmelada de uva doce de
abóbora queijo derretido bem tostadinho crocante sopa de arroz e café e fumaça.
A boca do fogão iluminava a sua parte a lenha crepitava cada um no seu canto quase
na sombra se mexendo o menos possível e sossegado.
Comprei
duas malas enchi e fui correndo para o aeroporto mais ao sul.
Encontrei
avó óculos de armação opala e fala mansa sonolenta meias bordadas e sandálias franciscanas
de pescador nos pés. Comia no canto do fogão a lenha um café com bolachinhas maria.
Quebrava a bolacha na xícara e com a colherinha papava aspirando. Ela costumava
tomar café preto adorava de colherinha, demorava, chupava o líquido toda hora com
ruído, compenetrada. Avô tomava chimarrão e olhava através da janela
envidraçada o oiticoró carregado de gaturamos. Ou o verão. A área a cadeira de
balanço o cheiro de flores do mato o vento o horizonte dos morros lá longe uma
bombada e o olhar na distância rua Francisco Venâncio Filho bairro Sarabanda
afora e ou adentro. A estrada a faixa a RS a BR que vai passar um dia quem sabe
mas quando o governo quiser lá do alto do seu pedestal. O cão Avião, distinto e
ilustre e preclaro e insigne e nobre e respeitável e eminente, dormia fingido
entre os pés língua de fora nas chinelas pretas de couro cru fechadas na frente.
Avó trazia a chaleira de água ferventemente quente apitando fumegando sentava
na cadeira fixa tampa se debatendo sua preferida rente. Avô comia as refeições
de carne de gado e bife mal passado de palmo sem osso sem acompanhamentos
acompanhantes.
Eu
olhei o sol que depois da tarde em dezembro há milhões de anos luzes e os
maracanãs-nobres gritaria pulando da ilha Grande no Atlântico para o continente
serra do Mar mato da mata atlântica.
Depois
veio a prima Aráquis, que eu adorava, que eu vira nua uma vez na sua casa
tomando banho, que eu erguia as aleluias para o céu, pela porta aberta sem
querer e casual e visual. Não tinha pelos e uns dois botões tenros que tentou
esconder. No mesmo dia nos tornamos muito amigos e ela acabou narrando tudo pra
mãe dela minha tia-madrinha que me deu de presente de aniversário um dicionário
Aurélio. Queria sempre me ensinar brincadeiras que aprendia na escola bandeiras
dos países e que eu nem sabia, uma vez. Prima irresistível prisma a tanto mais
de 100 quilômetros por hora. Queria sempre desenhar e pintar margaridas, nuvens
com cara de caravela, casas de chaminé fumegante, ema e filhotes, jangadas na
baía de Todos-os-Santos, capororocas do banhado, losangos quadriláteros,
saguis-caratingas, sóis que riam ou espetavam o cabelo amarelo. Queria sempre
me chamar a atenção por qualquer coisa e ralhava. Coisas conspícuas. E a boca
mais bonita e bípede e bicolor e bimotor e trilegal.
A
minha vizinha da esquerda não fala com gato cão mãe-de-anhã capitão-de-saíra
embaúba-de-vinho e da janela cultiva lá fora mesma hora antes de sair todos os
dias para a fábrica uma família de jacuruxis, por quê.
Sempre
e quem sabe tinha que ter ou até a estrada que fosse de terra batida e mais
muito mais de ida que de volta, aliás, nem tinha retorno só partidas turismos
turístico, etc. A paisagem sem ser a mesma as árvores se revezando se
alternando revezar. Panorama repertório da janela do trem e que se desdobra em
lugares simultâneos instantâneos passageiros e tem rio Reis Magos e quando se
passa Muribeca e Escada e Igaraçu do Tietê e outra ponte. A visão de estrada
fugindo entrando saindo e trilhas e travessias. Quem pular na fogueira da festa
tropical como o macaquinho saá. A estrada tem nome as ruas o rio Moxotó as
cidades as serras a montanha. E por onde se passa rua Coelho Neto. E ora eu
corro de trem ou metrô ou avião, ora são o carro o trem o ônibus que disparam.
O bom o simples e o aberto ao sol se renovam a cada pouco a cada curva a cada
lombada e macio como uma aterrissagem de disco voador. E se tem sol ou chuva e
tudo é bom e noite ou minas melhor ainda. A bonita, bonita, sapato agulha,
sorriso largo, pernas aeróbicas, aromática e praticamente um alento e tanto. Quando
prefiro por princípio entrar pelas ruas das cidades Pomerode andar ir e voltar
dentro da teia da rede da trama íntima da municipalidade da Ilha de Itamaracá. Exageradamente
e como galinhas os automóveis seguem o leito a vala comum rumo de casa. Já na
estrada tem outras coisas e objetos e feiras livres, por exemplo. Cada coisa
estranha que se chama de aventura. Nos mudamos para a rua Henrique Martins
bairro Puava, simboralá! e como a minha alma a minha palma de todos de nós. E
cada passagem com seu passageiro sua paisagem e está bem assim.
Meu
cão Guita bicho de estimação engordou 6 quilos e não quer passear de coleira e
diz que nem prefere e justo cabeça torta me olhando um olhar humano late acoa
ladra porém entende o português brasileiro.
A
prima tinha carnes olhos boca sorriso risos cabelos principalmente também sabia
tudo. Eu já sabia que ela sabia assobiá como o sabiá-laranja. Eu sei que ela já
sabia tudo de vestir e pentear e assistir novela e passear no shopping. Eu gostava
da prima como continuo gostando também gosto das águas das árvores das ruas das
praças igualmente do parque Goiapaba-Açu das tartaruguinhas pitiús-aiaçás nascidas
e criadas e protegidas junto às praias e águas doces do rio Negro. Nós
gostávamos preferencialmente de uma árvore cedrorana e até subíamos nela de
manhã de tarde e procurávamos alcançar os tarumãs, azedinhas, jabuticabas,
pitangas... Tinha praça com acampamento aueicoma tinham canteiros do jardim
tinha estátua tinha árvore casca-preciosa ornada com enfeites de fim de ano.
Prima em atitude diferente, habitante deste lugar, acha tudo e não esconde
nada, obedece a tudo o sol a lua a chuva e mora na praia nas manhãs nos fins de
ano areia branca e tudo e o mar vento garapa roupas leves flor de maracujá-branco
no cabelo. A estátua tinha posição de soldado embora nem fosse marinheiro nem
general e ficava ouvindo os frequentadores escutando sempre em silêncio
estadual seja no dia do carnaval ou qualquer outro festival charangas
farândolas zabumbas comícios. Existia um alagado uma lagoinhazinha procurando
ninho de quero-quero procurando traíra sapo rã ovo de saracuraçu pisando no
molhado no barro procurando flor de gravatá cravo-do-mato procurando ainda.
Quando a prima tinha 8, 9 anos eu tinha 8, 9 anos de idade. Parecia que ela
tinha 12, 13 anos de idade e eu uns 6, 7 se tanto. Era de cabelos longos e
fofos e ondulados e eu tinha prima para o resto da vinda. Porém nem todas as
primas são iguais e transparentes. Ela era sem dúvida desigual e airosa. Feira
de frutas sumo de polpas coloridas e água na boca e sem escolher o ano mas aí
por novembro dezembro. Fomos na praia de Candeias e Jaboatão dos Guararapes e
ela sabia fazer casas ruas quintais e sumir água do poço no mar. Depois lembrar
olhamos o mar com espanto demoradamente o mar o navio o céu o vento mareiro a
nuvem gaivotas pandorgas o sol o navio as cores se pareciam e em si misturadas.
O
verão traz do mato umas frutinhas que quase ninguém conhece mangaba pitomba
cajá araçá guabiroba e assobios e pios de inhambu jacutinga mutum seriema.
Vieram.
Um tio contemplativo que queria ser monge budista vegano mas ficou muito mulherengo
língua comprida saci-pererê e babando. E outra prima que não gostava de brincar
mas escutar núbil as tias falando de tudo um pouco de maridos modas filhos
compras namorados vestidos baladas e lia minha palma no original um caminhar
andar rebolar cabrocha atualizado para os dias contemporâneos e uma alma
intransferível. Um primo que saíamos juntos para as matinês do cinema das festas
dos carnavais no clube Ibura para as conquistas das gurias das paróquias e
capelas e povoados e sítios e balneários e cabarés. Meu tio que matava boi com
uma arma branca especial facada sorrateira até o cabo. Minha tia muito forte, acomodada,
sempre sentada respiração ofegante riso comprido solto alto atriz. Ninguém até
hoje consegue imitar a água imitando a chuva a água o rio Itacanoeira a cor
verde a prima a atmosfera da primavera o raciocínio preciso dos cavapitãs
vespas. Dois quadros na parede que já não se pareciam com avó e avô e cada um
no seu quadrado moldurar dourado. Um time de futebol com tios uniforme
completinho, se diga de passagem!, e primos e parentes e aderentes próximos.
Uma festa de casamento na capela dos Três Mártires um sábado estrada da linha
General Osório uma manhã uma festa do sol dos jerivás das espelinas dos
anambés-brancos-de-bochecha-parda um casal de tios tirando fotos antigas com
risos e deboches dubla de violeiros duelando. Os olhos elétricos de chope
colarinho batatas fritas conversa jogada fora e fuzarca folia farra bagunça
bruaá. O dia a manhã a tarde da festa jogo de bocha e soneca na sombra do
jatobá. Minha primeira foto conhecida salva do naufrágio do incêndio dos
achados e perdidos das mudanças numa festa de padroeiro São João Batista com corrida
de cancha reta gineteadas e mais torneio de futebol na manhã e tarde de céu e
puro e cristalino e neopratense.
Aparece
uma árvore curuiri uma nuvem paralelogramo uma casa de singular colecionador
uma ideia geralmente e seus representantes no congresso reclamar pedir
dissertar sugerir objetar censurar.
Um
dia na hora tal local igual cheguei e pensei: será Aráquis que uma vez um dia
um futuro fará uma obra-prima e de arte para o mundo uma invenção com o nome
numa praça numa rua numa escola? A prima caminha até o espelho e para na imagem
refletida. Imaginou o sol na estrada com paisagem à vista, etc. Fazer turismo
em Amazônia Legal, tá certo assim!? Ela mesma natural em desenho animado. E
muito olhava para o horizonte dos olhos azuis. Onde desembarca lugar o trem o
barco e até o avião? O seu mundo de expansão. Falar bastante dos rios da
direita do rio Tocantins, então! E o sol perguntou se desejava mais alguma
coisa, enquanto isso.
Olha
onde o trilhozinho acostumado uma formiga caminha, outras formidáveis formigueiro
vão atrás determinar, lugar que dá perninhas apressadas de formigas, onde uma
formiga antenas ligadas volta e meia tenaz aparece.
Ao se
despedir ensolarado alotador proverbial no murmurante carro de bois, gavião-puva
flor-de-carnaval sapota jurema-da-pedra maria-mole, o sol se lembrou lembrar de
algumas coisas, falsa-erva-mate aipo-chimarrão bucha-dos-paulistas capitiú, e
deixar deixou estrelas prometeu no dia seguinte variar invariável os seus
golpes mas nem tanto. A lua mora na noite que quiser. O sol longe as estrelas
fixas arrebóis. A lua salta da copa do araribá-branco. O rio Pajeú hidráulico. E
quando eu conheci o mar tinha onda duna praia mina vendedor de chapéus e vento
nordeste. Depois a minha prima na rua avenida Caxangá e de bicicleta. Saiu
aquele dia concedível e entrou aquela noite inexplicável inalcançável.
Depois
do diálogo pronto sem compromissos ele ficou arbusto ingá-de-fogo foi na
entrada e saída de uma loja de sapatos bolsas e camisas e ela aconteceu erva
maria-gomes.