quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Muito Obrigado e Parabém, viu!

 

           

 

            Cada vez que conto isso aquilo mais além, as pessoas as árvores os bichos ou se derretem ou se encolhem ou se riem ou se perguntam ou se associam ou se salvam ou se entreolham... A variedade é boa a variação entusiasma e é infinita sobre o mesmo tema. Justamente o meu ontem agora futuro.

            Às vezes nem via Tânia. Então, esperava um pouco “peraí, ah ah ah!...”, e surgia uma aldeia caiouá a ilha de Boipeba e museus teatros espaços culturais fecundos diversos o conservatório de música Alberto Nepomuceno a praça Portugal no bairro Aldeota a Fonte Judite a península de Pernambuco a avenida Farias Brito onde se instalaram os maiores e melhores e mais luxuosos hotéis. Nunca lhe perguntei por que mas quando chovia dia ventoso Tânia, que era doce doce doce (três vezes), nem aparecia na aula ver as classes.

            Isabel, que nome nobre magnífico, me confessava: “Preferiria ter nascido homem, hum!” Pois nem me deu bola e nem cumpriu a ameaça proclamada declarada declamada. Casou jovem 23 anos e já lá se vão e vêm no vaivém 3 filhos em escadinha. Nem gosta de futebol, nem gosta de novelas. Acho que gosta, se for o caso. O marido, carcinicultor muito empenhado, gosta de um time aí e desgosta de novelas. Acho que também gosta, no caso.

            Para falar sério eu nunca voltei a ser amigo das minhas ex. Eu aqui e elas lá andando... Quando muito me perguntei: “Foi em sua homenagem o teatro Santa Isabel?” Os filhos a partir de Isabel (nome soberbo soberano este), assim como de resto toda a família nas férias suetos, corriam pela terra firme mas preferiam a água doce salgada a praia de Meireles a praia das Fontes a praia de Águas Belas a praia de Requenguela... O nome do primeiro filho Primórdio (fora o princípio e a origem) foi ela quem escolheu e também a profissão do pequeno do miúdo: oftalmologista. Este rebento tinha o cabelo de ouro. O segundo uma filha Alcatifa (fora como que numa alfombra ou tapete bordada) foi o marido o pai e também a sua arte e ofício lá dela ainda pequenina: psiquiatra. Tinha esta o cabelo em cobre. O terceiro um filho Batel (tipo de embarcação estranha por estes lados de dentro e de água doce estuário) nomeado pelos padrinhos com a profissão de navegante: bateleiro. Com o cabelo que tinha de bronze. E quando puderam compraram um sítio que já puseram o nome de Epigrama na localidade do distrito de Cabido uma cidade de Barra do Piraí. E este pedaço de terra propriedade particular tinha piscina artificial com açude pesca e pague montanha para escalaminhadas rochedo penedo fraga calhau grande pedra. Logo logo a filhota a do meio gostou de números e foi aprender matemática pretendendo já e já comprar vender trocar para todos os dias e semanas mês após mês abrir comércio: ferro, água mineral, calcário, argila, magnésio, granito, sal marinho, grafita, gipsita, urânio bruto... Logo e já o caçula nem gostou dos dias de preceito normas e regras e foi estudar teclado, pelo menos até os 22 anos. O primogênito (que fora ungido no pátio onde ergueram logo após a estátua de São Francisco lá em Canindé) se mudou para uma cidade do litoral e grande cidade municipalidade segundo destino mais procurado pelos brasileiros e a cidade primeira no gosto dos turistas estrangeiros e cidade sendo a terceira na rede de hotéis cinco estrelas. Cidade jovem aglomeração humana que é a sede da petroleira nacional ou a empresa mais importante do hemisfério sul, a cidade mais perto do continente da África apenas uns 6.758km, a cidade natal do craque da seleção em a atualidade, cidade da micareta mais comentada nas rede sociais com os insuperáveis 1 milhão de seguidores, cidade que nasceu na disputa saudável do forró pé-de-serra x forró eletrônico, e entre outras atrações.

            As cidades de tais e quais aglomerações gentílicas, Alto Santo e Pinheiral e Itaúba e Icapuí e Lagoa do Ouro... ficaram muito tempo aplaudindo de pé a glória de ter Aline como modelo internacional presente nas melhores passarelas do mundo da moda. Eu a conheci quando era capitã da seleção baiana de vôlei e empoderada requisitada candidata a mulher mais linda do hemisfério sul. Certo dia peguei Aline pela mão e fomos passear pela beira-mar praia de Flecheiras praia de Redonda praia de Morro Branco... Ela me pegou pela mão, chapéu trançado de palha da carnaúba, e fomos pela orla e me ensinando as construções o casario o centro cultural Bom Jardim a estação Parangaba do metrô a usina solar fotovoltaica Tauá a reserva da Serra Negra... E ela ia me contando também que sonhara sonhava me contava que sonhava com em ser uma astronauta ao mesmo tempo que ser a primeira mulher a pisar efetivamente na lua no lado obscuro da lua satélite natural da Terra. E como disse isso com olhar sonhador e como disse isso muito linda e como disse isso muito simpática! Confesso que fiquei sem entender muita coisa. Aline ainda me disse e completou, jogando uma das tranças lá para trás:

            - Nem nasci para ser menos que a mais famosa das mulheres. Nem mais ou menos que a melhor delas. Ainda bem!

            - Diga alguma coisa, meu! - completou, vendo que eu nem falava estupefato.

            Talvez este fenômeno encontre explicações das semelhanças entre elas ou dessemelhanças entre algumas a curiosidade entre tantas a originalidade por estas essas e aquelas. Posso dizer que vai por conta e risco da minha liberdade de expressão. Aquela tem um cabelo que somente e só ela tem; sicrana tem um olhar e um sorriso que rejuvenesce qualquer um; a maneira de dizer dessa aqui de se valer da palavra e tão genial que apenasmente ela aprendeu; a paraense solta o cabelo quando quer prender alguém e prende; vai ver e na realidade essa lá já nasceu sabendo como se vestir e tudo que usa lhe cai bem; a capixaba tem uma maneira o tom um som de rir que nem cansa e até é musical;

            Adoro Amanda porque ela tem amor aos gatos aos cachorros aos soldadinhos-do-araripe aos anacãs às queima-queimas aos camaçaris às cebolas-de-calango aos fetos-brancos às carobas-de-flor-verde às plantas aos animais em geral bem como aos adereços aos adornos aos enfeites aos ornamentos, e de tudo ao mesmo tempo um pouco. Com 22 anos cumpridos recentemente, uma graça uma chance de mais, se preocupa com temas relevantes e de interesse da comunidade mundial, bonita, prontinha para acabar o ano na faculdade de direito, original e prematura, e a formatura com festa memorável. Sim e isso mesmo, já inventando bordando jogando o quê, para quê, para quem, por quê, e os porquês.

            Um dia descendo o rio ou riacho Coaçu riacho do Navio e dentro do geoparque Araripe, vento bochorno, parei de tardezinha numa cidade tal e qual uma Fortaleza de Minas uma Piraí uma Ibimirim. Olhei em volta e já gostei. Entrei na cidade e fui almoçar, nunca me esqueço, num restaurante de nome Anacé. Por que Anacé? Veio me atender uma guria tão galante de nome Opa e que me deixou fiquei boquiaberto. Nunca ouvira um nome assim: Opa. “Ouvi mal? Ouvi bem? E por que Opa?”, eu me falei. E com o nome eu disse tudo, disse que a amava à primeira vista. Trocamos telefone trocamos mais algumas palavras peguei-lhe a mão e ficamos amigos ficamos para nos telefonar e trocar recados. Essas coisas nem se pode fugir. Visitamos subimos aquele morro todo até a Pedra do Telégrafo no bairro de Guaratiba, excursionamos interessados curiosos no museu do Eclipse em Sobral, passeamos no dia seguinte na praia do Titanzinho, o pôr do sol e vênus a deusa Afrodite boieira estrela da tarde estrela matutina e começou a chover no Chapadão da Zagaia ocorrência frequente de chuvas orográficas de vertentes sotavento e barlavento com vegetação típica do carrasco...

            Amei mesma coisa que adorei a Kátia ao mesmo tempo que a Tatiana no instante também da Helena e sua irmã gêmea sósia menecma Fernanda Fê Nanda. Cheguei umas 16h antes 15h depois 17h ainda 18h e 30min. Uma era charmosa e engraçada; a outra simples e cheirosa; a seguinte despachada e empreendedora; mais a índia dos lábios de mel. Por que nem ter a soma em vez da divisão diminuição? Quase sempre resulta em subtração: porque quem escolhe é escolhido, porque quem procura é procurado, porque quem encanta é encantado, porque um dia nem é uma semana. E pedi aos céus, sete céus: por que nem me fez em quadro e um mais dois igual a três quiçá quadrado que pudesse perceber para um quarteto?! E os dias cada minuto nem paravam de voar aves nadar peixes percorrer as nuvens as ondas as correntes quentes. Cada hectare é um 1 campo de futebol!

            Surge assim e sem aquela sem gala pompa e circunstância, e dentre todas as irmãs e primas, uma que absolutamente única linda criatura fascinante perene vertiginosa. Alguém se pergunta: “Como D quis assim e justo com ela?” E Camila era uma sorte sorteada uma aposta grande. Nova em folha e confiante no futuro que D dá. Fosse o que fosse custasse o que custasse nem lhe custaria nada andar sobre a terra sobre as águas diante do céu. Podia ser o que quisesse e ter o que solicitasse. Podia em sério conquistar Fernando de Noronha o arquipélago distrito estadual de Pernambuco. Polímata polígrafa conhecedora lente. Bastava pedir e seria atriz modelo interprete de axé empresária do setor culinário deputada federal jogadora da seleção de handebol epigrama fábula epígrafe éthos tenharim lundu periantã panamu das Dunas de Sabiaguaba beijupirá utuapoca soroca axioma movimento armorial ou manguebeat xangô do nordeste beija-flor-de-banda-branca alma-de-gato e etc.

            A natureza necessária e perfeita e os mistérios impensáveis transcendentais têm assim a sua Camila escolhida eleita excelente. O largo sorriso os dentes o rir à moda das bandeiras despregadas lhe dão Câmi ou Mila ou Milinha os superpoderes e a feminidade. Sendo assim mesmo, o tempo vai e vem e a eternidade de mãos atadas para com ela. Nem lhe passa o tempo. Nem por ela e nem ela por ele. Potência elétrica. Nada nada lhe faz a mínima. Nada nunca lhe faltará. E variável porém importante como a praia dos Carneiros os indaiás-mirins os ingás-do-mato os cajás-mangas os guegues os patos-de-crista as curiatãs as garças-pardas...

            Então, uma manhã carregada de estandartes lábaros bandeiras barraquinhas de coco gelado e cocadas pretas e brancas, Camila apareceu toda ungida lá na hípica que queria porque queria aprender montar andar a cavalo potranca. Nem só ela mas muitas delas Camilas. (Segundo o censo demográfico de 2010 realizado pelo IBGE - última contagem oficial -, a população do Estado era de 800 mil, sendo o oitavo Estado mais populoso do B, representando 8,8% da população brasileira. Destes dados, 388 mil eram menores e 412 adultas. Ainda segundo o mesmo censo, 280 mil viviam na zona rural e 520 na zona urbana. A maior concentração estava no aglomerado urbano da grande capital, que obviamente por possuir 8 municípios, é a décima oitava mais populosa do B e a segunda mais populosa da região nordeste.) E me tocou a mim dado a mim esse atendimento pessoal com Camila. Me disse toda delicada e do seu jeito que o B iria conhecê-la e também o mundo europeu asiático da moda: “Quero aprender tudo e desde o começo. Nem tenho medo do difícil que sei que é. Os desafios são importantes! Preciso aprender a pular obstáculos. Pode ser este mesmo alazão ou esta égua pampa.” Na hora eu pensei que era muito rica filha de alguém e de posses e assim pelo estilo. Mas nem. Eu estava enganado. Ela era assim toda positiva e empoderada porque já sabia desde o nascimento e por instinto e por caráter próprio que seria uma beldade internacional esbanjando sucesso fascinação. Ela Camila nascera sabendo que seria espetacular, uma das melhores do mundo, atriz e desejada. Pensei e repensei comigo: “Eu de mim só posso tocar-lhe os pés e olhe lá!” Criatura assim mesmo tem uma trajetória olímpica e meteórica. “E o que eu vim fazer aqui no meio do seu caminho? Tenho o poder o dever o direito de titicá-la retiticá-la ou cutucá-la recutucá-la?”, eu pensei e reparei. E as aulas de equitação eram contadas em barras de ouro em diamantes em esmeraldas em esperanças em panoramas tipo mirante do Soberbo em Guapimirim. Camila veio a primeira semana sem faltar um dia sem se atrasar uma hora igual o relógio da praça Baltazar da Silveira. Na segunda semana faltou três dias do total de cinco. Numa terceira semana já nem veio mais. Mês seguinte estava em São Paulo na mira de uma famosa grife e agência de propaganda muito conceituada. Depois disso a escalada o topo o auge o zênite o apogeu? Apenasmente pelos periódicos impressos pela tevê intervalos comerciais e nos melhores anúncios de roupa cerveja alimentos eletrodomésticos perfume e lançamento de carro novo.

            Gosto de lembrar de Camila como se fosse a melhor vitória na copa do mundo. Todos me cumprimentando sem eu saber causa de quê. O mundo que entende tudo parece às vezes nem entender de nada! Quando as imagens na memória andam jantam dormem acordam tomam café da manhã é porque nosso almoço será inteiro e em circunstâncias especiais. E Camila é uma delas: nome que é bonita de usar. Imagem que tem um antes e um depois, espetaculares.

            Uma por outra mais, Roberta nem era ambiciosa vaidosa fátua. Era expansiva e sociável. Para se ter uma ideia, era eleitora contumaz patriota cuidadosa e votava em todas. Escolhia seu candidato(a) e depois cobrava, por exemplo. Votava em quem achava melhor na pessoa fora o partido a ideologia. (Natural de Rio Bananal do Estado do ES, e segundo dados do programa das nações unidas para o desenvolvimento - PNUD -, o índice de desenvolvimento humano - IDH.M - é considerado alto.) Depois jovialmente sempre contra o governo. Por isso nunca tinha esses e outros tipos essas e outras espécies de ambições reles vulgares sem valor soezes nadirais nadir. Tinha suas ideias políticas sociais porém genéricas básicas simples democráticas à orça e a longo prazo. Falava muito pilheriava e ria muito quando precisava. Me perguntou rapidamente, olhos garços ou verde-azulados, o que era: “Qual que é, meu?!”

            Nem sempre as coisas se dão como se espera e Teresa foi tudo pra mim um período. Teresa renunciou a mim principalmente e a tudo à herança à riqueza ao conforto ao melhor bem-estar e foi viajar. E foi conhecer outros mundos e fundos: “O que poderá dar errado?”, de acordo com sua própria dúvida imediata. Por exemplo, o B tem três coisas que os outros nem tem: 1ª) o melhor futebol do mundo, e o único reconhecido pela camiseta que faz as vezes de bandeira ou embaixada ou consulado; 2ª) muitas festas e festividades e religiosidades, por todo ano o ano inteiro de norte a sul de leste a oeste; 3ª) é um país enorme e com uma diversidades incrível, ou vários países biomas ecossistemas dentro de um - B 5,7% da Terra ou 8.514.877km² e 5º no placar do tamanho. Concluo dizendo que Teresa me escapou por entre os dedos das mãos e foi embora, arribou avoou decolou descolou. Juro que nem cairei mais nesse conto, que aprendi e que já assimilei.

            Maria Carolina a Carol depois Karoll também estudou os astros e o céu noturno. Uma época isso era moda na visão de muitas pessoas preocupadas com o milênio milenaristas: eclipse solar quando ou onde a lua se interpõe diante da Terra sobre o sol, alinhamento de júpiter e saturno, constelações contempladas refulgentes cheias de luzes joias distâncias órbitas trajetórias... Então as pessoas criaram manias ritos receios e ficaram o tempo todo falando nisso palestrando e com livros importantes no prelo. E compravam aparelhos cada vez mais potentes e sofisticados inalcançáveis. Frequentavam o laboratório e observatório astronômico de Tejucupapo (o 2º do hemisfério sul) distrito dileto de Goiana. Um belo dia de noite quente prateada melíflua estrelas cadentes guias, chapeirão ou bioco floreado enrolado na cabeça e protegendo os longos cabelos lisos soltos, me confirmou me confessou desabafou já curvada derreada em meio às nebulosas espiraladas aos mistérios e quebra-cabeças:

            - Todos os astros estrelas meteoros etc., tiveram a mesma origem e começo. Nenhuma exceção. Sim, foi a famosa explosão. Porém ninguém sabe me detalhar o porquê e a razão. A detonação que todos sabem e ninguém me explica, uma vez.

            Penso e revejo e lembro as gurias do jeito que as sentia que as deixei. Nossa, meu! E eu batalhava batalhava lutava para chegar lá. Qual delas, e como, e quando? Estava uma vez certa vez aguardando por Juçara em a sala de estar e admirando tudo ali por dentro me distraindo com os quadros nas paredes os móveis estilo moderno contemporâneo funcionais altar para a tevê destaque para o guarda-louças com porcelanas originais de Aracati; antes também olhei o apartamento o prédio por fora o pátio as quadras esportivas e de lazer a piscina na sombra de algumas ocas cobertas de palha o estacionamento grande diante da lagoa da Precabura - cujo manguezal abriga moluscos crustáceos peixes répteis aves mamíferos; muito antes dias atrás me deslumbrava a cidade cheia de encantos mil os lugares já conhecidos de ouvir falar de ler de procurar os cartões-postais que o mundo também conhecia (o meio ambiente da cidade tem características semelhantes as de outras metrópoles do litoral do B. O clima é quente com temperatura anual média de 26°C. A vegetação predominante é o mangue e a restinga. Seu relevo é de planície litorânea e de tabuleiros pré-litorâneos. E olhe só! De acordo com estudos genéticos de 2017, a composição genética da população do município é 50,8% europeia, 38,9 africana e 10,3 ameríndia. Diante das informações da Funai, o Estado possui cerca de 35 mil índios nos dias de hoje); bem anteriormente ainda na minha cidade natal pensando em viajar em conhecer meio mundo e o mundo inteiro e já planejando aventuras convites visitas companhias encontrar pessoas compartilhar meação de passeios viagens descobertas nomes possíveis aventar juntar a Juçara a Naiame a Ana Paula a Salva a Patrícia a Kika...

            Nunca me esqueço de Ana Júlia. Era única e deve ser ainda e conforme. Era única e a meus olhos e ouvidos ria falava contava tudo que podia num segundo instantânea. E também queria saber mais isso e aquilo detalhes e ria mais falava gesticulava trejeitos desenhava no ar com as mãos nem sabia parar quase nem parava. Estava na semana de um março, ou de um fevereiro na terça-feira.

            Com 18 anos a Ana Júlia já começava a pensar em outro patamar e progressões. E aí chegar à faculdade de administração em negócios internacionais (com inglês e mandarim, no mínimo). E declarou certa feita:

            - Vou fazer 19 anos e preciso casar com o pai dos meus filhos. O melhor pai que eu puder lhes dar. Sujeito cem por cento que eu ame e que os possa criar muito bem.

Quando me reconheceu e nos vimos ela já tinha certeza que eu era parte um grão de areia do todo o tijolinho que faltava na sua construção. Depois pensaria se fosse o caso de procriar e quantos rebentos. Todas as coisas e muitas coisas ao mesmo tempo. Era um jogo um enigma a ser desmontado. Nem podia perder uma peça sequer. E mais começar umas relações no geral para ir se decidindo se acostumando pegando o jeito se preparando testando selecionar.

Pois a organizada Ana Júlia nem queria ser a rainha da bateria mas pretendia tudo calculado nos mínimos lances. Tudo na cabeça e bem pensado ordenado. Faculdade e namorado ao mesmo tempo. Depois de formados empregos e um apartamento no centro financeiro importante com dois carros avenida Boimé defronte ao parque da Coruja em Tramandaí. Cinco anos mais e tudo pago e um filho. Com mais três anos o filho ganharia uma irmã. A melhor escola para os filhos com dois idiomas. Nessa altura do campeonato olharia para trás e se sentiria realizada e imperatriz. E assim por diante dali pra frente desfrutando as saudades, sempre de férias na lagoa Opaia todo ano no natal e virada.

Ana Júlia nem pensou em ser rainha da bateria ou jogadora de futsal. Mas logo que entrou para a faculdade arrumou, na prática e de verdade, uma vaga concursada numa escola e foi lecionar matemática na EEEF historiador Gustavo da Cunha Barroso. O sucesso a riqueza a prosperidade da cidade se distribuía pelos setores primário secundário terciário. Que a mesma cidade a acolhia ela ali conurbação. Nos sábados de manhã o mercado público municipal no bairro do Mazombo e concatedral de São Pedro dos Clérigos e os frutos do mar pargos-vermelhos caranguejos camarões siris lagostas... a quarta-feira de tarde na feira livre da rua Guaxenduba cerca do sítio do Pai Adão terreiro Ilê Obá Ogunté as alfaces as berinjelas as batatas os tomates as morangas os queijos os pastéis com garapa as flores as rendas de bilros as cangas saídas de praia as mudas de plantinhas em vasos...

E para concluir da minha parte a respeito de Ana J., devo dizer que nunca mais a vi. A cidade se me lembro ou me esqueci ou para confundir mais talvez Irauçuba ou Pirambu ou Morada Nova ou Cláudia ou São Luís do Curu ou Glória do Goitá... É isso e o que vou dizer lá em casa?! Se o camarada for cristão apela para as 4 virtudes cardiais: fortaleza prudência justiça e temperança. Fortaleza é a mais concreta das demais. Temperança tem a continuidade da moderação e da sobriedade. A prudência já é um pouco mais velha e nem gosta de muita caçoada chalaça chufa troça. A justiça é como pão de queijo, melhor comer quentinho crocante aos bocadinhos acompanhado de suco de abacaxi. E os deuses e deusas, que são muitos e misteriosos(as), desapareceram com minha metade e a levaram atrás de si.

Então. Eu morrei no bairro Cepa rua Adolfo Herbster onde realmente nasci filho de calceteiro e professora de latim; Ângela nasceu no bairro Fausto rua José dos Reis Carvalho; a cidade a mesma de sempre e nunca esquecida de Barbalha, cujas principais atrações turísticas são ainda hoje a praia da Baleia e o parque de Ubajara e o sítio Furna do Estrago. (A instalação do mesmo município aconteceu em 10 de janeiro do ano da graça de 1737, data esta considerada oficial da fundação. A categoria de cidade foi conferida em 20 de maio, decreto de 20 de abril e carta de 18 de fevereiro de 1839, por meio da qual recebeu também a denominação atual tal e qual.) E me perguntei certa altura: “Que é esta Ângela?” Respondi pra mim mesmo e na lata: “Nem sei!”

Estudei do fundamental até o médio na escola municipal Mário Quintana situada na rua Calabaça do mesmíssimo bairro; ela na EEEF Cruz e Sousa do mesmo bairro e no ensino médio no colégio João Clímaco Bezerra este do bairro In-Fólio; a cidade a mesma perene perpétua e que ainda tem áreas de proteção ambiental quando umas 5 são federais 2 estaduais 8 municipais 3 particulares ou privadas. Além evidentemente das praças uma por uma arborizadas amplas com respectiva academia pública e internet gratuita.

Fui fazer faculdade de História (com H maiúsculo) na UFSC (cuja atração maior é seu templo ecumênico logo em frente da reitoria) bairro da Trindade, ano da graça de 2012, com residência mais ou menos fixa ruas incertas pelo bairro Tapeba; Ângela idem e ibidem, com casa ou apartamento na rua Calafate do bairro do Fac-Símile; a cidade de Florianópolis, que todos conhecem pelas suas praias mágicas e o melhor exemplo é a praia Mole (praia de nudismo parcial). São diversas as atrações eventos acontecimentos programas que a cidade da magia promove proporciona anualmente congressos palestras conferências seminários exposições shows festividades encontros; todo ano tinha uma greve de professores e ou funcionários por melhores salários saía ou entrava governo de esquerda direita centro centrão. Nos fins de semana, invariavelmente no bar Rabo-de-Maré, longos recitativos bate-papos informais conversas discursos comícios bugiadas arrufos música danças micaretas comes e bebes santo daime fumo alucinógenos em pó em cápsulas comprimidos e festas estupefatas. A indústria era assim e os setores vários os trabalhadores(as) vários (pessoas que sabem) variados e por setores e por etapas e por tribos e por faculdades. Num sorteio uma sorte é sorteada!

Ângela foi a chave de ouro e até aí. Praia de Pernambuco-sp as férias excursão aldeia dos aticum-umã parque do Catimbau recreio passeio folga repouso descanso. Ângela anja arcanja, doce moderna cristalina. Ângela tinha voo impulso de ave boa linda suave acrobata. Apreciei tudo na figura no começo no fim no meio no cabelo no andar nos trejeitos na inspiração. Nem queria o que ela pretendia, porém procurava o que eu entendia. Oito semanas despois nem estávamos casados, com que normal todos casavam já. E para dizer de alguma maneira, em!

      

quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Sou o Nome do Labirinto

 

           

 

(Quando deus abriu os olhos, litania e ladainha somando 1 e 1 igual a 3, foi era como se estivesse nas nuvens suas nuvens tipo colchão de algodão sobre as nuvens ou nadando no mar ou em pleno ar voando entre nuvens. Sonhava acordou como se fosse o sol a Terra a BR-101 a floresta da Tijuca a praia de Jurerê a cascata da Usina a praça da Bandeira o açude Castanhão. Hoje mesmo já lá se vão e vêm à minuta 200 mil anos. Nove meses e 7 dias mais divindade que o mundo.

Um dia ele deidade visagem pegou e saiu da estrada para se aventurar alimentar na trilha no atalho do campo dos morros e planaltos e cerrado e serra do Bongá e serra dos Cariris Velhos e serra de Teixeira... Pelaí assim ia fazia ali dizer anos que nem passava que nem pisava quando o parque Pedra da Boca a ilha de Areia Vermelha a reserva da nação tapirapé o rio do Cabelo a Baía de Macoripe... e desde a inauguração. E portanto deus insular, boralá!, disposto pelo caminho pelo trilho pela senda pela via rua São Clemente do bairro Botafogo-RJ e Casa da Torre de Garcia d’Ávila na praia do Forte em Mata de São João e praia Intermares e rio Iguatemi... respirando o verde o vermelho o amarelo-claro o azul todas as cores... o canto das aves dos pássaros dos alados dos passarinhos em geral os bem-te-vis-do-gado os sucurus os tucanos-do-peito-amarelo os pitiguaris as batuíras-de-coleira... o silêncio sem civilização e rural e campesino e mineiro e pernambucano e tocantinense e alagoano e Caicó e Baía da Traição e Muitos Capões e Joaquim Felício e Mataraca e Piquet Carneiro e rio Trairi... o sossego único da sombra das árvores caixetas e aiapanas e ervas-luísas e uvaias e baraúnas e mangabeiras e perobas...

Já divindade o senhor atravessou o mato passou a nado o rio Espinharas onde aprendera subiu e desceu as chapadas de pedras e árvores retorcidas enfeitadas elegantes centenárias... os patrimônios artísticos culturais históricos... danças bumba meu boi ou boi-bumbá coco-de-roda ciranda xaxado pastoril baião xote... já havia os bichos como os roedores mamíferos répteis nadadores sapos-intanhas... e pequenos seres escondidos espiando na camuflagem na metamorfose a sua passagem. De repente a queda Véu de Noiva a cascata do Caracol a cachoeira do Roncador o salto Ventoso a catarata dos Couros... que jamais esquecia a piscina natural feita de rio Sanhauá dentro das pedras cafuas lajedos lajeados onde se secava ao sol ou se jogava fazia as vezes como trampolins plataformas. Sorriso lhano sincero franco verdadeiro já pronto nos lábios.)

Durante o descobrimento do B por volta do veranico de 1500 as regiões áreas territórios, onde hoje rgs e ac e ms e ro e ap e df, nem eram mesmo colônias colonial colonizadas e sequer capitanias hereditárias.

            Eu o próprio forte sou o nome do dia e à vontade olho sem dizer nada. Porém o indicador segura sela os meus lábios. O mais incrível é porque de repente começo a soprar a falar pelos cotovelos e aos borbotões aos trovões e aos relâmpagos incandescentes rasurados estriados.

            Alguns e umas nem me veem e imaginam que sou o nome do sol e a lua, que sou parecido com ambos, gêmeo da noite do dia. Na verdade na verdade vos digo que é por aí e quase isso mesmo. Na realidade eles que se parecem, eles que foram informados. Melhor dizer, foram formalmente formados. E cada tal e qual com o seu quadrado caixa nível andar e com a sua alçada zona comarca.

            Eu invento as vinhetas os dias as estações porque sou amigo das minhas coisas. E isto é simples simplificado simplesmente como a minha água da chuva. Componho decomponho recomponho composições.

            Nem posso eu me conter nos meus intentos invenções inovações criações e criaturas dentro de mim mesmo limite. Por isso eu solto o meu verbo a minha imaginação. E nem é talvez que acaba sendo e no total algo chique bacanizado tudo bem muito legal e indicativo subjuntivo imperativo infinitivo. Nem me importo e sequer por um minuto.

            Desde a primeira vez que estive aqui nesta terra e eu nunca a esqueci. E aqui eu creio eu mesmo um sucesso que viraliza e vira sublime. Estou falando do tempo dos dias em todos os seus parênteses e tendências e quadrantes e telejornais.

            Plenitude nem falta mais nada pra mim. Embora a última palavra a primeira vez a última é minha. Cheio de graça e espírito sagrado santo. O vento sou eu o nome do vento o sestro a mania o trejeito o cacoete.

            Deísta eu confirmo que crio e criei o mundo teísta para os crentes de todos os matizes. Eu sou o que faço e apareço e aparento. Jamais faço estepe e desperdício e supérfluo que nem seja necessário.

            Eu nem sei que altura levo em este exato momento. Sei lá aqui ali acolá se sou alto ou médio ou pequeno ou gigante ou hiper ou par e ímpar. Ando o chão pacífico e sólido piso o solo os diversos solos cambissolos, regossolos, podzóis hidromórficos, terra roxa estruturada. Que longitude latitude magnitude. E me parece que deixo umas pisadas e pistas pegadas rastos cravados na rocha vulcânica basáltica sedimentar.

            Apressadamente converso comigo me entendo me reconheço deixo o cabelo crescer cofio a barba. Revejo o centro da cidade dialogo o muito de história arqueologia etnografia paisagismo a serra das Matas a praça Anthenor Navarro o largo de São Frei Pedro Gonçalves o jardim botânico Benjamim Maranhão o Casarão dos Azulejos a municipalidade de Travesseiro ou Senador Pompeu ou Santa Maria Madalena a nação dos sapará... e seguem outras com arquiteturas estilo barroco rococó eclético moderno colonial maneirista neocolonial.

            Tenho por mim que gosto é gosto. E interessantemente ainda assim que o todo principalmente nem é tudo. Nem tudo está por corrigir, nem tudo vai por linhas retas.

            Está sendo muito engraçado olhar durante os 360 degraus. Eu nem me pergunto nada que nem seja um tique de praxe nervoso para uma ideia um pensamento um conto de ficção. Eu sou o nome do capataz.

            A vantagem que eu acho de ser deus é total. Que sou e pronto, sem mais nada a fazer. Sou muito amigo de tudo que faço. E me acostumo a chamar de ‘meu deus!’ o meu próprio espanto.

Cara!, eu mesmo afirmo sem dúvidas. Cara que você tem cara que seja cara que venha ou vai, nem fuja de mim na montanha na cidade na praia na lua no futebol nos vídeos. Encontre minha assinatura nas pedras.

            Quando trato de bacias hidrográficas, esta região que lá um dia fui fazendo capitania província Estado o que for da pb ou ma ou go ou ce ou pi ou pa leva um conjunto de 15 bacias. A maior delas do rio Abiaí e ou do rio Madeira e ou do rio São Francisco e ou do rio Tietê e ou do rio Doce...

            Quero muito contentar e vou agradando a todos conforme os gostos as ideias os interesses livres de cada um e cada qual tal e qual gado tangerino feiras ‘sertões de dentro’ e ‘sertões de fora’. E sejam católicos protestantes candomblecistas umbandistas esotéricos religiosos orientais sem religião que nem sabem que pertencem à religião indeterminada ou múltipla. E muito importante, um povo étnico-racial-cultural que vai saindo sairá pardo na sua maioria e branco e preto e amarelo e vermelho e nem mesmo declarado.

            Quis fazer e ainda quero seguir fazendo outras coisas com seus nomes nomear e dar à luz. Mas porém tudo tem seu tempo e história e o porquê. Fico pensando e logo declaro e logo acontece aconteço. Sei apenas. E são palavras e verbos e nomes. Cada vez que viajo pra cá estas coisas engendro realizo acontecem. Lembro aceito e confirmo, às vezes justifico. Procuro fazer crer que escrevo na pupila do olho da harpia. Que faço do pó e da poeira as contáveis estrelas.

            Que sei deus sou eu que estarei no futuro. Um diamante muito cobiçado. Uma mina de diamantes na serra de Aratanha na serra da Ibiapaba na reserva ambiental Inhamum no riacho Pajeú na praia Porto das Dunas.

            No sorteio do jogo jogado é melhor ganhar 1 vez que sempre. E o eixo o pente o ponto a órbita o sistema sistemático solar do círculo sou eu.

            Sou o padrão e meu próprio patrão e dono. O meu trabalho nunca acaba. Vejo e revejo, visito e revisito, inauguro e reinauguro, confirmo e reconfirmo. O meu serviço nunca começa. Nem tomo notas e me lembro de todos. Aprovo tudo e começo tudo de novo. Prefiro assim e pinto em verdes as folhas verdes do verde das árvores verdes.

            O mundo se parece comigo ave vira-pedras embora nem pouco nem tudo ao mesmo tempo. O melhor está no porvir. Trabalho num escritório com vistas horizontes para os mares para a serra da Viração para a serra de Jabitacá para as cidades de Caaporã e Marcação e Aratuba e Marques de Souza e Paraibano e Guaramiranga o museu Ernani Satyro as docerias cafeterias confeitarias padarias da rua Pedro de Araújo Lima os doces bolo de macaxeira bolo de milho bolo de fubá canjica pamonha cuscuz de tapioca arroz doce sorvete de pitanga. Com o meu chão na nuvem das nuvens. Eu trabalho desde casa a praia do Seixas com esta nova perspectiva.

Em a tarde (16h horário oficial de Brasília) de 7 de Setembro do ano da graça de NS JC de 1822 o B se tornou independente de Portugal e o pr ou mt ou es ou se ou ba uma província do império brasileiro sendo o rei português Dom Pedro IV proclamado o I ou 1º ou primeiro imperador do país.

            Sim, concordo comigo em meu nome que a minha vontade prevalece. E sou todo sorte destino primeiro e último. E nem trabalho muito que eu deixo o mais grosso para o induzir o dissentir o escrutar o engrolar o conjecturar o instar o exortar o arguir o redarguir. Pois cada dia me acontecem transfigurações e mil mais uma coisas. Sou o nome do fatorial!

            Sim, estou contente comigo e me parabenizo me elogio me abraço com os tapinhas nas costas. E o meu admirado admirável sucesso nem é maior e melhor do que eu. E o progresso é a minha mais pura tradução, literal. E a ordem entra em harmonia num complexo problema matemático.

            Sim, estou aqui agora mesmo, olhem!, na varanda da nuvem reflexo espelho de mim infinito pra sempre eterno e mais além.

            Sim, é hora e dia de treinar. Venho notando que sou eu 1 e 2 e 3 total multidão.

            Sim, eu nunca desisto. Hoje mesmo estou por um mundo novo e útil.

            Sim, do céu espio se faltam esqueci alguma coisa um item um porém algo alguém. Penso logo que falta e então existo. De repente tenho certeza que nem falta absolutamente nada. Tudo já imaginado inefável. Talha da minha malha, ou malha da minha talha. Sou o nome da vaza.

            Sim, o meu teatro está ainda engatinhando. E sobre tal e qual falarei outro dia e mais tarde quando eu quiser. Quem estará verá.

            Sim, deixa te dizer e recomendo o palácio da Redenção a praça Aristides Lobo a avenida Ronaldo Cunha Lima sortida de arranha-céus os canhões desativados decorativos voltados pro alto-mar mar forte mar livre do forte Duque de Caxias no bairro do Leme.

            Sim, sou o prêmio do mundo. Sou o nome do presente. Sou o nome das 4 estações. Porém nem detonei a grande explosão.

            Sim, sou o nome do sofisma. Sou eu semelhante ao recife que, entre peixes algas cardumes frutos do mar, cresce no dia a dia quase invisível sem perceber imperceptível.

            Sim, em de quando em quando olho o que fiz o que faço o rio a montanha a floresta e realmente vejo que têm natureza própria e até autônoma autonomias. Nem preciso me preocupar em reparar ou aparar nada nada. Cada tal e qual com seu tempo e sua história, Guaiúba, Deputado Irapuan Pinheiro, Pouso Novo, Pacatuba, São Sebastião do Alto, reserva silvícola cagoã. A montanha sobe em serra o rio em bacia a floresta em ecossistema integrado. E todos criam seus necessários ambientes circuitos com árvores bichos pedras drenagens. A libélula pousa no remanso do açude do tanque e arredores e cercanias e periferias e imediações. A borboleta-oitenta pousa na pedra na flor e subúrbios e redondezas e arrabaldes e proximidades. A coleira-garganta-branca pousa na tatajuba-do-brejo na sete-casacas e vizinhanças e adjacências e marginais e entornos e contíguos.

            Sim, nem tenho preocupações com horas, conversas, diálogos, bate-papos.

            Sim, de um ângulo de vista ultraísta ultravioleta supersônico sou o titular e portanto executivo legislativo e judiciário. Com bandeira e brasão e hino próprios. De acordo com a primeira e segunda e terceira entrâncias. Publicado no diário oficial da união tatuado em mim mesmo.

            Sim, eu estou sempre disposto pronto pra ir. Vou hoje inaugurar sem falta pra Lassance e Palmácia e Alto Paraíso de Goiás e Milhã e JP ou João Pessoa (geograficamente sua própria imediata e intermediária).

            Sim, eu ensino as várias técnicas a técnica macramê de tecelagem manual e cheia de nós franjas para cortinas lençóis toalhas blusas cintos bolsas mantas mochilas tocas.

            Sim, quem pode andar de dia tudo bem e quem pode andar de noite tudo bem. O clima é tropical úmido parque Arruda Câmara (Bica) porque com elevados índices de umidade do ar.

            Sim, posso contar as estrelas todos os grãos de areia de todas as praias todos os raios de deus do sol solares e eu mesmo.

            Sim, e com muito gosto eu tenho outros nomes que ao longo. Nomes próprios que aos poucos vou imprimindo que é para nem empapuçar a vontade curiosa a audiência a teleaudiência a assistência: sou o nome da casa, sou o nome da fatuidade, o nome da matemática, o nome do rio, sou o nome do fogo, o nome do remoque, sou o nome da algibeira, sou o nome do brejal,

            Sim, gosto de eventos apresentações culturais exposições feiras praia Manaíra praia de Tambaba na Barra de Garaú em Conde teatro Santa Rosa parque Sólon de Lucena praça Francisco José do Nascimento homenagem ao Dragão do Mar e biblioteca Juvenal Galeno.

            Sim, eu escuto e ouço as preces orações rezas antífonas cantadas faladas recitadas peregrinadas tanto os cajás como os carambolas e os de esquerda centro direita volver.

            Sim, as coisas as lembranças os afazeres as desobrigas são minhas companhias. Nem sempre assim as mesmas. Nem mais nem menos.

            Sim, trabalho pela manhã passeio na tarde descanso de noite e acordo de madrugada: brilho reparo projeto transmito. Esse negócio sou eu de luzes das luzes fui eu que inventei as 24h.

O mais recente possível e precisamente em 15 de novembro de 1889 com a queda do regime monárquico e a consequente instituição da república no B, o am ou sc ou rr ou sp ou rj ou rn (assim todas as demais províncias) se torna mais 1 Estado oficial da federação.

            Foi um dia quando eu estava viajando de Riacho de Santo Antônio a Pilar, com um pernoite no parque pico do Jabre em Matureia, que ouvi uns rumores cicios lá fora. Pensei que fossem umas aves uns peixes uns répteis uns bichos do mato uns insetos umas formigas lava-pés. Mesmo umas árvores plantas quaisquer balançando ao vento, laranjinhas-do-campo, carobeiras, candeias, ingaranas... E prestei uma atenção intrigado suspenso alerta. Prestei o máximo de atenção e identifiquei ou indiquei ou intuí que podiam ser vozes piares tilintares risos galhofas caçoadas. Quem sabe uns vizinhos ou visitas passageiros transeuntes no convívio comum do dia a dia e festivos. Mas só que ridículos(as) sardônicos(as) e farfalhantes guinchantes. Já eram falas e risadas e zombarias e regougos mugidos. Já falavam e riam e latiam coaxavam por conta e risco. Muitos tons e sons de fala e riso e rechino rosnado e sim e nem e sequer falavam e riam de mim. Alguma coisa premeditada sub-repticiamente diferente oponente. Uma banda tocando violão pandeiro vatapi reco-reco gaita teiru tamborim berimbau.

A frota era tinha de ser pesada com veículos e motores, e aí automóveis motocicletas caminhonetes motonetas caminhões camionetas; os utilitários, ônibus micro-ônibus caminhões tratores; e outras categorias. Planejava já ônibus bi-articulados (brt) ou ainda um pequeno trem urbano veículo leve sobre trilhos (vlt) quem sabe mesmo aproveitando o ônibus-lancha no estuário do rio Paraíba do estuário do Guaíba.

            Bem, aí eu fiquei comigo até os olhos. E porque eu também me divirto divinamente. Vendia negocio coisas, alimentos bebidas automóveis bentonita cimento couros móveis papel pisos cerâmicos têxteis tecnologias de informática.

            Me pareceu, naquele ontem ou anteontem, que o tempo seria aliado e reconciliador. E falar de outra coisa. E nada como um dia depois o seguinte.

            Eu idôneo capaz e competente estava fechando o dia quando me ocorreu idealizá-lo idealizar, aqui ilha da Cotia, ali ilha do Algodão, mais pra lá a ilha Anchieta. Eu sou o nome do inveterado. Eu sou o nome do substantivo.

            Durante os primeiros dias fui desenrolando o gosto e o sabor e o apetite. No alto eu coloquei a montanha no baixo o rio entre uma e outro do terreno vasto plantei a várzea a mata as árvores arvoredo capões cultivos. E povoei os habitantes no alto no rio e no meio do mato. Os mais dos variados possíveis e disputando espaços hierarquias esferas cadeia alimentar. Eu nem tive muito o que pensar e nem penso muito. Mas seguia e sigo perfeitamente a mesma sorte intuição. À noite noturno menos pareceres menos novelas menos encontros para nem me distrair.

            E eu falei comigo e repliquei e trepliquei, tripliquei. Eram apenasmente uns minutos, embora sempre usei o tempo que quis o tempo que sou eu mesmo. Nem era a primeira vez ou a segunda ou a terceira que andava e passava em aquele rincão. Daí que molhei os pés no riacho Sonhava. Lugares longos longe tuaiás e também ao mesmo tempo de truz e bairros distritos arraiais aldeias povoados vilas cidades , Paty do Alferes, Coronel João Pessoa, Francisco Dumont, Cavalcante, Salgadinho, Bayeux (baiê), pátria dos icó, território dos janduí... Uma generosidade plantada de vegetação nativa preservada, araçaíbas, caicaus, muricis-da-mata, murureranas, cangalheiros... E compartia meus gestos de alegria ou divinos ou expansivos. Estava no lugar certo na hora certa. Tarefas curtas curiosas importantes práticas necessárias, e a mobilidade urbana e a logística - novo planejamento asfalto pavimento revitalização da avenida poeta Antônio Bezerra de Meneses, acredito que inaugurada em um fevereiro ou março de 2017.

            Fiquei um pouco matutando e teclando meu computador minha paciência. Eram umas 11h e uma sexta-feira com os compromissos todos assumidos assinados carimbados. Podia ser (e pode ser perfeitamente), porque o que eu decidia já estava decidido e resolvido. Voltei ao trabalho na hidroelétrica que queria terminar de construir em pleno rio Jacuí ou rio Camaquã ou rio das Velhas ou rio Aquidauana.

            Queria fazer outra coisa sublime e... me calei. Sou o nome do amigo. Reparei reparava fiquei nisso que acontecia e me voltei para mim mesmo senhor do céu da terra dos mares do lago Jacarey queda d’água Bica do Ipu praia Pontal de Maceió e com o rifão: “Já sei! Já sei!” Sou o nome do ortodoxo.

E talvez tenha sido, ainda acho que é, a minha melhor decisão irrevogável. Porque afinal as histórias precisam compreender aceitar entender e seguir em frente como se nem houvesse amanhã. Igual à chuva que cai sem que eu precise, idêntico o rio Cocó que corre pro mar, o oceano que circunda circula em torno de mim.

Eu estava aquele ontem já deixando a Terra absoluto em absoluto quando me veio à lembrança umas poucas e úteis coisas e o que mais por fazer e aplicar ou colocar a rodar, camacarés, tuapocas, bicos-chatos-amarelos, anhumas, galos-do-mato, chorozinhos-de-papo-preto, aiapás, timbatus, calungas, tribo ingaricó, monumento do chefe índio Piragibe, pico da Serra Branca, rio Salgado...

Ao longo do itinerário do caminho do percurso era normal e comum eu encontrar cascatas, quatis, canários-da-terra-verdadeiros, sabiás-do-campo, o mar bramindo e rebramindo, a cidade de Várzea da Palma e Fortim e Cruz do Espírito Santo e Colinas do Sul e a proto-regional Campina Grande.

Porque minuciosamente eu estava comigo em mim mesmo. Um dia semelhante ao outro mas nem tanto. Estava em Gameleira rua poeta Lúcio Lins praticamente em frente à candonga praça Otávio Tarquínio de Sousa. Pra mim nem era ou tinha de ser novidade e sempre está tudo bem. E puxo pela memória complacente benévola amável. Uma hora andava pela praia doce do rio Cuiá, mandis-pintados, candirus-vermelhos, piaus, galos-do-fundo... Assistia como a primeira vez o transporte dos bandos intermitentes papagaios-da-serra que iam do continente para as ilhas fluviais ou mais além a baía da Guanabara. Percebia comigo a visão do mar em verde-azul, tartarugas-de-pente ou tartarugas-de-escamas, golfinhos-rotadores, baleias-cantoras, manjubas, meros, tubarões-lixas... Observando o vaivém desdém das ondas por lá por sorte por instantes.

Nem nem, a maior parte do dia eu nem pensava em nada nem. Pois o que eu penso logo acontece instantâneo de bate pronto. Aí estava o meu limite sem rebuços e que já procurava ser muito sutil. Nem queria nem quero que acreditem acreditassem que estava estou à frente do meu tempo.  

                       

 

sábado, 5 de dezembro de 2020

O Home que queria Laçar D (juvenil, 2ª v)

 


 

            Lilás foi passar as férias de aula final de ano no sítio granja Buçal da Maniçoba propriedade particular própria registrada dos tios maternos. Interior do Estado de São Paulo, interior de Araçatuba, interior do distrito de Cincerro, linha sexta ou também conhecida como linha Coelho Neto - aliás, Estado da federação com as mais famosas linhas férreas ferrovias malha ferroviária do B do país. Por lá ainda brincavam lazer as amigas inseparáveis Rê, Esmeralda, Pérola, o primo Cajuí e o cãozinho Totó (este de tamanho médio e enfezado linguagem sotaque dialeto patoá compreensíveis).

            - Lilás: Eu conheci uma pessoa feliz que sabia 4 idiomas e entendia tudo, é.

            - Rê: Que blusa bonita e chamativa... É cara?

            - Cajuí: Sim. Mas ganhei de aniversário.

            - Esmeralda: Você gosta de Maceió?

            - Pérola: Nem sei, nunca estive lá. Porém pretendo um dia.

            - Totó: Auauau!... Qual o rio dessa cidade, Alexandria?

            E riam a bandeiras despregadas, “kkkkk!... Um povo vilão sertanejo que gostava de música caipira de raiz e que sabia curtia fazer artesanato nos alimentos bordados cerâmicas cestarias couros madeiras pedras rendas tecelagens trançados conchas plásticos metais... E riam a bandeiras soltas desprendidas, ah ah ah!...

            Porque ao amanhecer no dia a dia tudo estava em ordem e iniciando, em ordem e progressivo progredindo, os cascudos e jundiás e traíras no açudinho, coqueiros-pindobas e canelas-de-velho e folhas-largas no capãozinho, capivaras e cutias e cutiaras e acapitãs e maitacas e saracuras-sanãs e patos-crioulos... ao longo da mata ciliar. 

            Cajuí: Ocês sabem que lá no morro do Campanário tem um home querendo laçar D?

            Esmeralda: Seu mentiroso. Onde já se viu possível. Nem existe essa de laçar D. É impossível e antenatural e ancestral. É até artesanal patriarcal maternal.

            Cajuí: Uai, sô! Mais é pura verdade, gente. Vamos lá vê?

            Lilás: Pois então, vamos.

            Esmeralda: Nem vamos até lá por nada, né?! É muito longe, ora!

            Rê: Por que nem brincamos de gueime? De correr de roda de outras coisas normais de qualquer coisa mais saudável, hein?

            Pérola: Será que é o mesmo D que criou e fez acontecer os idiomas os climas as temperaturas as altitudes as ondas do mar o rio Piranhas-Açu?...

            Agarraram pegaram por enquanto a trilha o trilho que já os levava ao morro colina. Parecia uma subida fácil, porém o sol estava forte o calor era muito o morro era em rampa aclive. Nem passarinho piava para nem se cansar. Era hora muito quente do dia, sem vento, terça-feira, onze e vinte, conforme passo a passo. Árvores altas médias arbustos plantas orquídeas bonitas que se destacavam na paisagem, mutambas, carurus-bravos, sabugueiros, carvalhos-nacionais, gravatás, coqueiros-guarirobas...

            Pérola: Tá calor demais. Acho que nem vou aguentar e resistir, senhoras e senhores!

            Esmeralda: É só uma subida assim mesmo... um pouco mais aborrecida que a maioria das subidas, ufa!... Um dia chegaremos lá.

            Pérola: Nenhuma nuvem nesse nosso céu de anil.

            Rê: Esquecemos de trazer lanche e merenda e mantimentos. Vamos passar fome e sede. Já pensaram numa boa batida de várias frutas tropicais misturadas entre elas?

Totó: Auauau!... Eu também tou com fome e sede e vontade de dormir na sombra.

            Cão guaipeca Totó era um legítimo sombra e água fresca. Era novinho ainda. Um cãozinho pouco experiente e novato. Nem sabia nada das coisas ou do mundo ou da sorte ou mais além do seu faro. Era um pedinte contumaz. Vivia pechinchando alimentos. Aprendeu a falar a língua das pessoas porque sabia escutar com suas orelhas grandes. E balançava mais a cauda que a cabeça. E nem gostava de sol forte nem gostava de frio nem gostava de chuva nem gostava de noite de lua luar. Praticamente gostava de se sentir em companhia dos humanos da fazenda onde aconteceu nascer um dia e estar por acaso.

            Lilás: E o tal home, será que vai apreciar nossa visita incidental?

            Cajuí: Olha! Nem sei, nem.

            Totó: Auauau!... Intão vai sê perigoso.

            Rê: Eu por mim voltaria. Sabe, o pomar tá carregadinho de coisas ótimas pra comer. Tipo cajus amarelinhos e ou vermelhinhos, tipo pequis amarelinhos, tipo pitangas vermelhinhas ou amarelinhas, tipo araçás-de-coroa vermelhinhos, tipo guabirobas amarelinhas, tipo araticuns-do-mangue amarelinhos...

            Esmeralda: Nem me faz água na boca, por favor!

            Lilás: E o que a gente vai fazer se o home nem quiser nada conosco, galera?

            Cajuí: Nóis ficamos espiando do meio do mato apenas pra vê qual é a dele.

            Pérola: Vamos fazer uma,  ufa!... paradinha.

            Rê: E aproveitar pra ver se têm frutos silvestres por acá. Logo quem uns tarumãs, umas sete-capotes, umas amoras-do-mato, uns guabijus, uns taperebás...

            Cajuí: Tamo chegando, gente! Vamos aguentar o repuxo.

            Todo mundo pensou numa sombra preguiçosa com cadeira de balanço e de braços, e tudo. Todo mundo então pensou no seu suco de maracujá cheiroso geladinho, no seu suco de açaí madurinho geladinho, no seu suco de abio saborosíssimo. Se deliciando ao gosto e sabor da melancia estalando de madura ao mesmo tempo que manobrando na boca seus carocinhos sementes impertinentes assim até para cuspi-los na distância e só por esporte.

            Esmeralda: Tomara que chova, mas nem muito.

            Pérola: Chuva? Água? Muita água também nem, né!

            Rê: Preciso comer muito bem nestas férias. Estou magérrima. Nem devo sair pelo mundo assim toda magrinha magrinha igual um palito de picolé. Vou conhecer ainda Pacatuba e Pomerode e Maracanaú e...

            Pérola: Ufa!, como cansa subir este... morro, esta ladeira. Tudo muito íngreme.

            Lilás: Vamos pensar noutra coisa. Que g se a gente cantar pra chamar chuva?

            Pérola: Chuva? Água? Chamar chuva como silvícola chama chuva batendo tambor, é? Estou desanimando.

            Totó: Auauau!... Minha língua caiu da boca e nem qué mais voltar.

            Rê: A minha vai de arrasto e já há um tempão.

            Esmeralda: Alto!... Esperem!... Acho que vi uma cobra deslizando aí... - e apontou para algum lugar no meio da touceira ou ervas daninhas ou macegas ou barbas-de-bode...

            Totó: Auauau!... Onde? Donde? É das brabas? Posso atacar? Vô farejar? Onde ela se escondeu? Já fugiu? Já se foi?

            Esmeralda: Nem sei, meu! Nem sei mais. Vamos! Foi engano, acho.

            Rê: Sua exibida! Quer aparecer, é? Assustando a gente.

            Lilás: Tô acabando. E meus pés estão fritando, largando fumaça e chulé.

            Pérola: Se eu tivesse ficado com minha sombra lá em casa e descansadinha...

            Cajuí: Só mais um pouquinho. É pra já. É ainda hoje.

            Esmeralda: Ninguém nasceu caminhando. E este seu pra já vai longe longe até amanhã. O mundo virou uma subida e tanto...

            Rê: Nem aguento... dar mais um passo sem comer uma boa... sobremesa, hummmm!... de chocolate de abóbora de abacaxi de coco e mel natural, oi!... ora!...

            Pérola: Nem provoca a gula gulosina gulodice. Meu estômago já tá reclamando.

            O céu estava muito azul, bem azul, azul como era para ser, somente uns fiapinhos de nuvens. Nenhum bichinho do mato à vista. Nenhuma asa no céu todo bem azul. Todos escondidos na sombra. O sol reinava sozinho e firme e forte. O vento era um bafo de forno aceso. Região do Polígono das Secas e o clima semiárido quente. A escalada da turma comitiva subia o morro se agarrando quase de joelhos.

            Cajuí: Falta nadinha de nada. Ói!... Já estamos na área de atuação do home.

            Esmeralda: Eu mereço esta subida, gente?! Eu nem mereço esta canseira, gente!

            Rê: Vocês estão sentindo o cheirinho de... amendoim torrado na hora? Cartuchos de amendoim torrado acompanhado mais a garapa bem gelada? Servida na bandeja...

            Lilás: Nem apenas imagino como já estou vendo e prevendo e degustando. Também conhecida como caldo de cana...

            Rê: Oi!... Uma salada... de frutas... bem fresquinha tenra. Incrementada com rodelas de banana, picados de morango, fatias de mamão, gomos de laranja, pedaços de caju...

            Esmeralda: Coitada da menina! Ela tá delirando.

            Pérola: E eu... também... E eu também quero.

            Cajuí: E esse sujeito laçador... que nem aparece.

            Lilás: Será que ele...  existe mesmo, ou é coisa... da sua invenção, primo?!

            Totó: Auauau!... Deve de sê invenção bem inventada.

            Rê: Em vez... de comer comida... tô comendo poeira, pife! pife!...

            Pérola: Acho que... esse home... devia laçar D mais... perto de nossas casas.

            Esmeralda: O melhor... seria mesmo pela televisão... ou internet... ou uma live...

            Cajuí: Pois ora, gente, chegamos! E mais perto do céu!

            Então pararam um minuto para respirar melhor. E olharam em volta, o panorama, o horizonte, a paisagem, o que seja o que for o que fosse. A paisagem era tão nova tão calma e a sorte das coisas tão justa que parecia ser ali o centro do mundo do universo serra da Aratanha - pelo menos naquele exato instante.

            Lilás: Ufa!... Meus pés dizem amém e minhas pernas também.

            Totó: Auauau!... Tô com uns três quilos de menos, a goela seca, os olhos ardendo, as quatro patas queimando e largando borracha, as orelhas abanando como ventoinhas...

            Rê: E o meu estômago vazio e abandonado? Ninguém pensa nele, em?!

            Já no alto do morro, e mais animada, a turma procurou pelo home que desejava queria sonhava planejava imaginava laçar D. E o encontrou perto de uma árvore jequitibá, deitado e dormindo na sombra. A patota foi acordá-lo, reanimá-lo, instigá-lo:

            Lilás: Ei, home! Acorde, acorde!... Responde!... Reage!...

            Home: Quê? Que foi? É D? É NS? É o T-P?

            Lilás: Nada! Nem é D. É a tchurma.

            Esmeralda: Você ainda nem laçou D? Tá esperando o quê? Hoje é domingo, é feriado, é Sete de Setembro? D nem está trabalhando?

            Home: Nem estou esperando nada de especial. O caso é que nem estou com a sorte do meu lado. O tempo nem quer me ajudar. Olhem só para este céu imaculado e limpinho!... Nem há uma nuvem e fiapo de nuvem, sequer nuvenzinha esgarçada...

            Rê: Você tem um sanduba? Tô nas últimas. Nem aguento de tanta saudade de comida. Um sanduba com água de coco.

            Home: Nem e infelizmente comi o último lanchinho há duas horas. Mas eu ia dizendo que... O tempo nem está bom, sabem?! Sem nuvens nem tenho como chegar perto de D, entendem?! Ou Ele se aproximar de mim, também.

            Pérola: E o que a nuvem tem a ver com você laçar D? Esta eu nem entendi e me explique melhor. Esta eu quero saber. Esta é nova pra mim e eu quero entender.

            Home: Com a nuvem D vem olhar a Terra, senta ali, bonitão, distraído, e aí... Nesta pequena distração qualquer eu atiro a corda... tá laçado e feito a fatura, entendeu agora?!

            Lilás: Mas vai que Ele nem é bobo, ou então se vinga em você.

            Cajuí: Aí a porca torce o rabo! Aí o dia vira noite de repente eclipse total do sol!

            Totó: Auauau!... E um raio cairá na sua cabeça com faíscas coriscos, trans-tchem!...

            Home: Nem nada, gente! D gosta de ser laçado. D é calmo. D é da paz. D inventou este mundo de cá para se distrair. D gosta de inventar e inventou. D gosta muito de brincadeiras e brinca. D é da luz. D agricultou os solos latossólicos e de mangue, por ex.

            Rê: Quem falou isso tudo pra você? Um anjo? Uma anja? Um monge, uma monja?

            Esmeralda: Deve ter sonhado aí, já que uma vez estava dormindo e roncando...

            Lilás: Pois é. Acho que é impossível laçar D daqui da terra. Quem sabe se o senhor subir num helicóptero ou na própria estação espacial internacional...

            Pérola: É, aí pode até dar certo ou se tornar possível.

            Cajuí: O senhor pode expricá como faz pra laçar D e quais os apetrechos necessários? É uma mão de obra especializada.

            Home: Agora tô cansado. Foi o dia todo nessa lida, me dói o braço, me cansaram as costas, o ombro me lateja. Joguei quinhentas e mil vezes o laço no espaço. Passei perto de laçar D umas quinhentas vezes e nem quero mais conversa. Nem fotos e nem bate-papo.

            Totó: Auauau!... Mas é só uma vez, somente até a gente vê para crê...

            Esmeralda: É, uma amostrinha. Apenas pra demonstrar. Seus 15 minutos de fama.

            Home: Tá bom, mas só uma veizinha. Se tivesse nuvem quem sabe eu laçaria, mas hoje... Somente pra demonstrar e a pedido. Estou pensando trocar de sítio quem sabe tentar a Chapada da Serra Verde ou serra do Coqueiro, enfim!...

            Lilás: Claro, só uma atirada simples assim. Faz de conta que as nuvens estão ali e que D se sentou numa delas. E D de corpinho inteiro gigantesco e todo vestido de longas roupas brancas cabelos ao vento espiritual espiritualizado...

            O home, assim então, subiu no guamirim para ficar mais perto ainda do céu e elevado bem alto tope. Atirou a mão em pala para olhar mais longe que podia. Conformado, disse, explicou e narrou desde arriba:

            Home: Olha que estou vendo mais adiante e ao redor os 360 graus. Aquele é o rio Natal, junto com seus mananciais cascatinhas remansos sumidouros... Mais ali o bairro Cidade Alta com a praça Vermelha ou André de Albuquerque... Todavia para leste nascente ainda a imagem a aglomeração povoada povoado Rio dos Cedros...

Meio desequilibrado pelo vento impertinente ameaçador constante, e se segurando como podia lá no topo cume, o home se preparou para fingir laçar. Avisou que ia atirar rodou o laço no ar mirou uma nuvem imaginária logo ali, e D que poderia estar assim bem sentado sentadinho, e vrrum! vrrum!... rodopiou ainda vinte vezes o laço em volta da cabeça e o jogou para a nuvem lá pra cima no ar no espaço em o nada...

            Home: Viu?! É assim. Só que hoje o tempo nem tá pra peixe, quer dizer, nem tá pra D. Vocês entenderam ou querem que eu desenhe?! - declarou o home, já descido da aroeira.

            Depois da demonstração, o home desceu da árvore caroba-do-mato e veio descansar novamente, se deitando na sombra na esteira de palha trançada. Nem tinha nenhum bicho de estimação para lhe fazer companhia e amizade. Nem tinha nada para ler ou comer ou beber ou admirar. Se tivesse um cachorrinho vira-latinha ou uma arara-de-barriga-amarela ou uma juriti mesmo uns exemplares da flora selvagem podia passar o tempo teria com que distrair sua aposentadoria.

            Lilás: O que o senhor pretende fazer com D caso consiga laçá-Lo? Vai vendê-Lo? Vai colocá-Lo num programa de  tevê ou uma live? Vai exibi-Lo numa caixa de vidro colorido? Vai leiloá-Lo?

            Home: Acho que na live é bem pensado. Já me fizeram boas propostas. E eu prefiro mesmo a live ou a tevê, atinge mais público. Quero ficar famoso. Quero deixar um legado.

            Pérola: E se D tiver humor contrário nem quiser representar, hein? Como que fica?!

            Home: Vou fazer um contrato com Ele. Talvez de um ano ou dois. Ele receberá todos os direitos de imagem, etc. Se Ele cumprir direitinho, sem reclamações, eu Lhe darei passe livre depois de dois ou três anos.

            Rê: Mas nem é desaforo, em?! Claro está que é!

            Home: Nem, que nada! D nem sofre dessas coisas humanas e pequenas. D é calmo e bárbaro e onipresente. D é forte como um dragão de ficção. D é o que Ele quiser e mais além. D é a história contada de frente pra trás e de trás pra frente com prefácio e epílogo e apêndice. D é a agricultura dos solos neossólicos e argilosos, por ex. D é o raro e endêmico lagartinho-de-folhiço. D são as esplendidas orquídeas laranjinha e baunilha e catleia...

            Esmeralda: E tudo sucesso! E taí! Tomara que o senhor nem consiga seu intento.

            Lilás: É, tomara que Ele lhe lace primeiro. É minha opinião.

            Home: Que que deu agora? Estão contra mim? Chegam aqui na hora da sesta e ainda me contrariam? Nem quero nem saber. Cansei. Vão passeá! Vão veranear uma sugestão quem sabe em praia do Porto, Baía Formosa, e até sempre!

            Totó: Auauau!... Nem aguento estes caras que cospem no prato que comem. Nem aguento brincadeira sem graça. Afinal se a gente for contar D é tudo, D é caranguejo ostra siri molusco... D é rio Guariju e aves aratingas e formigas tocandiras...

            Cajuí: Que tal a gente se mandar pra casa, galera! Vamo deixar o home dormir sossegado e na paz de D.

            Esmeralda: Vamos. Deixemos aí este vaidoso insistente. Deixemos aí este pecador convicto. Nem se interfere assim sem mais nos planos do universo, uma vez.

            Home: Acho bom mesmo. Vão embora e nem atrapalhem minha paciência. Me deixem laçar D em paz. Tenho este direito. O parque do pico Cabugi ou serrote da Itaretama nem foi feito criado num dia único em 24h, tá certo?! E cada um tem o direito e o dever de ter seu próprio D, tão ligados?!

            Rê: Onde se viu querer humilhar D, principalmente. D tem mais o que fazer, meu!

            Esmeralda: É, e nem vale a pena mexer com quem tá quieto.

            Pérola: Sem coração. Sem razão. Sem crença. Sem vergonha. Sem escrúpulos.

            E a turma contrariada frustrada com a perspectiva da traquinagem do home para com D, resolveu descer o morro. Morro abaixo todo santo ajuda. Borboletas com olhos nas asas tentavam voar, sacudidas pelo vento. O sol ria amarelo cheio de raios perpendiculares pertencidos. Qualquer um poderia achar que estava muito calor, e estava mesmo. Marimbondos-chapéus eletrizavam o ar com seus voos elétricos. As árvores, coitadinhas, plantas de todos os tamanhos, de todos os verdes, as mucujês e as inajás e as andirobas, principalmente essas, derretiam debaixo do sol quente e seco. Para todo lado apareciam uns matinhos acompanhando o caminho, sambaíbas, pitombeiras, folhas-de-bolo, jatobás, copaíbas, leiteiras, favas-de-besouro, curuanas... O solo predominante de areia marrom baixa fertilidade e excessiva drenagem.

            Caiu a tardezinha. Já bem de tardinha, de repente. E a turma já sabia sem ter muita certeza, perto da noite, o sol sumindo atrás do horizonte, a turma já sabia de ver os passarinhos que voltavam para as árvores onde se hos-pe-da-vam. Tardezinha, começo de noite. Entravam no escuro das folhas das mil árvores e ali dentro piavam, rezavam, contavam, cantavam, chiavam, bibicavam, chilreavam, aguardando a noite bem escura para dormir. É isso mesmo, o sol se escondia atrás de morros e montes e elevações e promontórios com nomes distintos escolhidos conforme a localidade ou cidade ou departamento ou comarca, rio Gurgueia, Demerval Lobão, Ilópolis, monólito da Pedra do Cruzeiro, Baixo Guandu, Umarizal, ponte João I. França com estais assimétricas em harpa, São João da Urtiga, santuário Frei Damião em Guaratiba...

            À meia-noite o Cajuí ouviu barulho no pátio da casa fazendola e levantou da cama para ver o que era qual que era. Despertou aos poucos e bocejando, intrigado. Abriu a janela do quarto e teve um espanto. Totó, seu amigo de confiança, latia e acoava e gania e atiçava. O primo já correu acordar a turma, conjunto de pessoas amigas:

            Cajuí: Acorde, gente! Acordem!

            Lilás, sonolenta: Que foi, primo... no meio da noite, meu!...

            Esmeralda: Nem se pode, ooofe!... dormir, gentem!

            Cajuí: Uma mula sem cabeça!... Eu vi! No pátio e se mexendo!

            Totó: Auauau!... Eu também acho que vi e ouvi!

            Pérola: É mentira. É piada.

            Cajuí: Mas eu vi com estes olhos e binóculos que D me deu! Tá duvidando?! Vem lá fora vê! Vem dar uma olhada, gente! Nem custa!

            Foram até a janela, olharam o pátio e nada. Somente as estrelas espalhadas no céu escuro. Uma lua minguante, caco de prato prateado, o vácuo do infinito escuro, os astros muito longe no infinito. E um silêncio que estralava de insetos os mais variados. Mas Cajuí nem desistiu e voltou, e ficou conversando:

            Cajuí: Olhem lá no milharal!... Tão vendo?! A labareda dela... no milharal!...

            Lilás: Oh, gente! É verdade. Tem uma luz mesmo e se mexendo. Vamos atrás?

            Totó: Auauau!... Eu vô primeiro e corajosamente destemidamente!

            Pérola: É imaginação, minha galera! Os sonhos nem são verdades.

            Rê: É uma festa? Pode ser fogueira fogaréu de São João, gente!

            Esmeralda: Nem. Talvez seja uma estrela cadente... Vamos ver de perto e ao vivo.

            Enfim se largaram pelo milharal pimental pepinal trigal atrás da luz reluz fogacho ou da mula sem cabeça. Fosse o que fosse, vai saber!, um animou o outro, um encorajou a outra e se mandaram atrás daquele mistério obscuro ou brilhante. Mistério de arrepiar os cabelos. Mistério de ver enigmas em tudo que era canto.

            Rê: Vamos voltar e dormir, gente! É perigoso. É esquisito. É assombroso.

            Lilás: Que nada. Vai ser legal.

            Pérola: É assombração? É coisa do outro planeta? É minissérie?

            Cajuí: Que bem pode pegar a gente e todos nós.

            Rê: Então nem vou. É suicídio, é loucura, é... é o fim da picada.

            Pérola: Também acho. E tá muito escuro. Esqueci de botar passar perfume...

            Totó: Auauau!... Tem restinho de lua e ainda se pode vê. Sinto, isque! isque!... um cheiro de pessoa humana humano humanoide cachimbando cachimbo fumo fumarento...

            Muito importante que se diga logo o seguinte: ninguém da turma entendia de assombrações, mulas sem cabeça, sacis, juruparis, feiticeiros e outras coisas diferentes e ótimas que andam ou nem andam ou fingem andar nas noites de mistérios e esconderijos e encantamentos. Eles a turma iam investigar por puro prazer de mistérios e receio dos mistérios, e mistérios de mistérios mais os enigmas charadas suspenses intrigas.

            Pérola: Nem consigo ver com clareza. De repente pode aparecer uns morcegões, uns vampirões, umas corujas-diabo, umas narcejas-de-bico-torto, uns bacuraus...

            Lilás: Olhem, lá adiante... O clarão lumaréu da alma penada. Vamos sem barulho. Vamos sem muita pressa. Vamos pé ante pé.

            A noite nem parecia real oficial. Nem se via nada em volta. Noite muito tenebrosa ou sinistra ou tétrica ou confidencial. Iluminados médio e média pela lua e as estrelas pedaço de lua. A turma, vacilante ou nem ou talvez, seguiu a luz a chama largada na noite pela mula sem cabeça e tudo ali por dentro do milharal arrozal alfaçal sojicultural. Era passo a passo, muito cuidado, muita tensão para nem errar, sem fazer barulho, nem chamar a atenção. Olhando onde pisar encostar pegar passar...

            Esmeralda: Dá pra ver o rastro dela?  Eu nem tô vendo por onde ela passou.

            Totó cheirava o local com cuidado redobrado. Ia na frente. Ia e vinha. Parecia empolgado, impávido, interessado, determinado, valentão, heroico, brabo, nervoso. E Totó disse, a certa altura da investigação minuciosa:

            Totó: Auauau!... É aqui! Vamo seguir pra este lado, gente do céu!

            Lilás: Olhe pra cá, turma! A coisa está indo lá para os lados da ponta da roça!

            Pérola: E se essa mula sem cabeça ficar braba com a gente? Alguém já conhece como funcionam uns bichos desses tais e quais os acéfalos e... sem memórias?

            Cajuí: Ela pode se revoltar e atacar todos nós de uma só vez, é.

            Rê: É bobagem, é perda de tempo seguir este plano. Vamos voltar e dormir e deixar para hoje de manhã. Hoje já é outro dia, cambada!

            Pérola: Se ela vier pra cima da gente, como vai ser? Estamos todos desarmados. Somos todos de tenra idade, de menores.

            Esmeralda: Aí a gente corre até perder as pernas. E cada um por si e D por todos.

            Rê: Mas a mula sem cabeça corre mais que a gente, tem quatro patas, sabe trotar no escuro, vai a galope, dispara com velocidade... Vai até no hipódromo, se ela quiser.

            Totó: Auauau!... Pode deixar, gente boa! Eu mordo os cascos dela.

            Cajuí: Mas ocês esqueceram que ela nem tem olhos já também nem tem cabeça?!

            Lilás: Mas como é que tá indo aonde tá indo? Esta história é estranha, no mínimo.

            Quando chegaram do outro lado do milharal repolhal cajuzal cafezal chircal da horta do lavrado da plantação, se depararam com um casebre, um quitungo, um barraco feito de costaneiras e mata-juntas. Totó já cheirava o ambiente e nem estava gostando de nada nada. Foram até o pátio e bateram palmas, chamando a atenção de quem morava ali. Mas pra quê!... Logo vieram dois cães muito nervosos latindo e bramindo e fremindo sem parar. Eram já dois bichos impossíveis de controlar e muito dispostos, continuaram falando:

            Os dois cães: Auauau!... Auauau!... Eu mordo! Eu corto! Eu mordo e eu recorto!

            Lilás: Essa nem!... E agora, gente! É guerra!

            Esmeralda: Mula sem cabeça que nada. Tem é cachorro brabo, isso sim. Péssimo negócio. Incrível encontro. É um zoológico.

            Totó: Auauau!... Eu pego! Pode deixar! Eu pego e repego!

            Cajuí: Esta e a casa que mora a dona siá Rosa. A cachorrada é dela.

            O menino parou de falar porque os cães chegavam mais perto, intratáveis. E vinham que vinham para atacá-los. Totó se encolheu, ficou parado, paralisado, encolhido, nervoso, cheio de precaução, cheio de pontuação reticências... Muito nervoso e irritado resfolegante. Totó também latia, mostrava os dentes arreganhados, tremia de nervoso, queria brigar e nem queria apanhar sozinho. Era tudo muito nervoso nervosismo.

            Lilás: Correm! Correm! São os cães! São os cuscos!

            Esmeralda: D nos acuda... e muito mais!...

            Os dois cães: Auauau!... Auauau!... Eu mordo! Eu corto! Eu mordo e eu recorto!

            Pérola: Alguém diz pra eles parar e já!...

            Totó: Auauau!... Eu pego! Eu pego e repego!

            Cajuí, que conhecia a casa de siá Rosa, saiu pro limpo e tentou acalmar os bichos. Tentou separar o conflito. Depois tentou se fazer conhecer pelos cães da vizinha. O menino até já uma vez fizera amizade com aqueles cães superexaltados. Uma amizade de visita. Totó também. Nem eram cães grandes, eram até pequenos, mas estavam cegos de brabos, muito nervosos e histéricos e mandões e territoriais. Totó nem se acalmava. O primo se esforçava e suava frio e tentava conversar com os dois cães vizinhos de cerca.

            Cajuí: Calma, Preto! Calma, Pandorga! Quietos! Sosseguem!

            Preto: Auauau!... Eu corto! Eu corto e recorto!

            Pangorga: Auauau!... Eu mordo! Eu mordo e remordo!

            Totó: Auauau!... Eu pego! Eu pego e repego!

            Isso pouco adiantou. Preto estava muito bravo. Pandorga estava pra lá de impulsivo. O primo procurando inutilmente um entendimento. Totó nem queria saber nem queria pensar. Então, nem ia adiantando coisa alguma. Isso às vezes só piora a situação. A turma foi salva porque do nada de repente veio surgiu soou uma voz articulada e já na portinha da casinha bangalô:

Uma dona alguém que assobiou, e disse: Quieto aí, Preto! Quieto aí, Pandorga! Vem pra cá venham os dois e já e já! Donde se viu, seus bagunceiros!

            Aí até mesmo o Totó se pacificou, boca aberta e língua pendente. A voz era de uma mulher uma matrona uma senhora dona de casa. E os dois cães, meio a contra gosto e evidentemente, pararam de querer atacar os visitantes inesperados noturnos.

Depois que os cães se aquietaram, a turma foi se juntando e se aproximando da palhoça da oca do puxadinho do casebre de pau a pique. Suavam frio, visivelmente assustados, surdos tontos zonzos bobos traumatizados. Totó desconfiava dos anfitriões. Preto e Pandorga cheiravam as visitas e sempre prevenidos. E uma dona em trajes de dormir pijama estava à porta e segurava apontando uma lanterna a pilha.

            Siá Rosa: Mas ora se nem é o menino Cajuí, sô! Que faz aqui nesta hora, sô?

            Cajuí: Me desculpa, siá Rosa... ufa! Foi por pouco...

            Siá Rosa achou por bem, já que a turma estava espantada e meio que perdida confusa, chamá-los para dentro do lar e residência cafofo. Nem era bom ficar batendo papo no sereno ao relento. Preto e Pandorga viram Totó entrar na casa e foram no rastro. Preto e Pandorga ficaram quietos e olhando e cuidando e cheirando de perto o Totó. Totó nem dava as costas pros dois hospedeiros, nem falá! Pra começo de conversa, uma tensãozinha no ar.

            Siá Rosa: Sentem aí, pessoal. A casa é pobre nem reparem que é um puxado improvisado temporário no meio da plantação. Mas, menino Cajuí, que que veio fazer aqui esta alta hora da noite no meio da noite madrugada, sô?! Tua mãe sabe, teu pai sabe?

            Cajuí: Pois olha, siá Rosa! A gente veio atrás da tal e qual mula sem cabeça. Nós vimos ela passá com labaredas e chamas e tudo pelas ventas. Entrou se internou pelo milharal, canavial, feijoal, ervilhal.

            Esmeralda: É mesmo, siá Rosa. A gente seguiu a luz dela, sabe! As línguas de fogo que saíam e saem do pescoço cortado lá dela...

            Lilás: Infelizmente ou felizmente ela nos enganou e a gente a perdeu de vista. Foi aí que viemos parar no seu quintal.

            Siá Rosa: Pois olha!... Nem vi mula sem cabeça. Será que ocês nem tão enganados? Podia ser pode ser um zorrilho jaritataca jaguané jaguaré...

            Rê: Eu acho também que foi engano e um mal entendido pois eu duvido que ela exista. É pura superstição. É um conto muito antigo e fora de moda.

            Pérola: Quem viu foi o primo Cajuí.

            Cajuí: Mas vi, gente! Tava dormindo e aí ouvi um toque! toque! toque! toque!... (quatro vezes) e fui vê era ela, a mula sem cabeça. Tinha fogo no lugar da cabeça. Parecia um fósforo aceso e pegando fogo.

            Esmeralda: A senhora nem viu nada? Nem coisa parecida? Nem coisa nenhuma? Fogo nenhum? Os cães nem fizeram alvoroço e escândalo?

            Siá Rosa: Nada, nada memo. Ocês querem experimentar um bolinho de fubá? Um milho verde? Uma batata-doce bem assada? Umas pitombas? Um doce de abóbora? Pinhão na água no sapeco na chapa...

            Lilás: Obrigada. Mas sabe, siá Rosa, a gente seguiu a tal luz. Pois é, a luz existiu. O fogo corria pelo milharal, aboboral, chuchuzal, cevadal.

            Siá Rosa: Talvez e podia ser a lua as estrelas uma estrela guia ou cadente...

            Rê: Pois a luz eu também vi, mas a mula sem cabeça... já acho exagero e difícil.

            De repente um choro de bebê neném. Siá Rosa foi até o quartinho e o choro sossegou. Logo apareceu Siá Rosa com uma criança no colo de três ou quatro meses e acalentando e ninando e embalando. As visitas rodearam a mãe e o recém-nascido. O neném era uma trouxinha de gente mínima menorzinho e muito engraçado.

            Siá Rosa: Este é meu filho. Oi, nem é uma beleza?

            Esmeralda: Tá com fome, pelo jeito.

            Siá Rosa: Vou lhe dar o peito pra mamar. Toda noite é esta mesma história. Mas ocês fiquem, comam do bolo de fubá, do pão de milho, do biscoito de mel, da bolacha de castanha-do-pará... Comam umas bergamotas, uns cajus, umas jabuticabas e cajás...

            Totó estava mais tranquilo, parecia. Preto e Pandorga já cheiravam Totó, e numa boa. Faziam que já se conheciam de longa data e já podiam ser velhos amigos inclusive camaradas e parceiros. A qualquer momento poderiam trocar experiências e rir juntos.

            A menina Lilás nem queria aborrecer a dona da casa. A patroa governanta nem parecia muito aborrecida. Lilás procurou meio que se desculpar, filtrando:

            Lilás: Talvez fosse melhor voltar pra casa, nem é, gente?

            Siá Rosa: Pois fiquem até clarear o dia, ora! Caminhar por este milharal bananal peral pereiral parreiral tarde da noite nem é bom e aconselhável.

            Rê: Tô concordando. E até já sei: seu bolo de fubá é simplesmente um fenômeno, junto com a geleia de casca de pequi.

            Siá Rosa: Agradecida, menina!

            Pérola: Pensando bem... a caminhada pelo milharal abacaxizal umbuzal cupineiro cupinzeiro muricizal abriu meu apetite e minha vontade de comer.

            Siá Rosa: Então, pra passar as horas... ocês querem ouvir a história da mula sem cabeça? Uma história que eu já ouvi falar, ouvi dizer, ouvi contar e ouvi recontar...

            Lilás: A senhora sabe a versão da história da mula sem cabeça? Que barato!

            Siá Rosa: Sei de ouvir dizer.

            Esmeralda: Pois conte, siá Rosa!

            Cajuí: Vai sê de arrepiá.

            Rê: Então é melhor deixar a gente comê primeiro, senão pode embrulhar o estômago. Eu nem preciso perder o apetite nesta hora.

            Lilás: Que nada, gentem! É só uma história, uma lenda, um conto popular inventado. Qualquer coincidência com a realidade é mera semelhança e ou parecença.

            Pérola: Mas e se der receio, pavor, horror, terror, arrepios?

            Siá Rosa se ajeitou na cadeira de balanço de braços com acomodação pros braços. Cadeira boa de taquarapoca. Cadeira antiga ecumênica e confortável acolchoada. Siá Rosa partiu e deu o pontapé inicial, começamos, começando:

            Siá Rosa: Era uma vez quando JC ou NS ainda nem andava por estas bandas e terras e glebas e assentamentos. O causo que sei se passou em minha família mesmo. Um parente antigo falado (avô do meu avô) chegou em casa um belo dia com uma arca cheia de ouro bruto em pedra recolhido garimpado numas minas profundezas das Minas Gerais, e por onde hoje passam e andam os sítios cidades de Monsenhor Gil e Arvorezinha e Itueta e Anaurilândia e Pedro Avelino e o parque do Mocambinho e o rio Canindé... Todo mundo da família ficou feliz deu pulo de contente esfregou as mãos friccionou os dedos positivo e indicativo deu pulo de mais de metro, e já pensando que iam ficar ricos e mais pouco além de poderosos importantes. Mas o causo era que o tal e qual ouro tinha sido roubado e na mão grande na mão ligeira. Que sucedera sucedeu sucedia? Daí pra frente, que resultou? Bem, ocês sabem. Todo ouro roubado tem uma maldição por cima e por detrás e por debaixo e por meio pelo meio. Assim esse caso nem era diferente. Causo foi seguindo o curso e toda sexta-feira de lua cheia esse tal e qual parente da família esse tal e qual (avô do meu avô) virava mula sem cabeça. O coitado virava um mutante, mu-tan-te!... Saía pra noite como um perdido um louco um conde-nado atrás de fazer má-criação pra qualquer um que aparecesse pelo caminho e zurrando zornando e ornando ornejando... Fazia de tudo que era esconder desviar bicho doméstico, roubar arrasar produto da horta, roubar amendoim, roubar milho verde ou milho maduro, estragar a plantação, enterrar o que estava desenterrado e desenterrar o que estava enterrado... Voltava pra casa pela manhã as estrelas já apagando o sol já nascendo os pássaros cantando os mortais comuns indo ao trabalho. Aí, então, com o sol iluminando tudo, ele (avô do meu avô) passava a ficar bom de novo virava gente outra vez virava o legítimo reconhecível parente próximo. Essa maldição perdurou toda uma ou duas ou três ou quatro gerações da família. Mas foi um dia uma vez que... Aconteceu que um senhor fazendeiro botou capanga atrás de caçar a mula sem cabeça. Esperaram ele (avô do meu avô) chegar no galinheiro e quando chegou para roubar... bem de perto e de tocaia... tacaram fogo de espingarda e a queima-roupa. Com vários chumbos no corpo o meu parente próximo (avô do meu avô e sua tal e qual maldição) acabaram morrendo finando desaparecendo deixando esta para uma no além ou aquém. Para nem deixar pistas e indícios, os capangas jagunços jogaram o corpo do ex-mutante no meio do mato espesso grosso. Quando clareou o dia nossa família se perguntou apreensiva: “Cadê o coitado (avô do meu avô) do parente próximo?” Muitos dias semanas após essa pergunta indagação, foram encontrados os restos mortais do seu cadáver carcaça (avô do meu avô) e que os urubus-jerebas mais as formigas sarassarás-de-pernas-ruivas e os vermes e as baratas tinham deixado sobre a piçarra ou tapururuca. Foi um baque do destino com o horror. E esta é a história que conheço e reconto, sem cortes a partir do começo e com meio até o fim e verídica verossimilhante, e o causo narrativa que veio e vem desde sempre antanho (avô do meu avô) e que a minha família herdou entre os parentes contraparentes. Alguns tais e quais oriundos vindos chegando migrados emigrados imigrados de lugares do Estado ou de algumas regiões do país ou mesmo do exterior.

            Siá Rosa parou de contar, olhou o bebê inocente dormindo no colo, sorriu para as visitas esperando que elas se desligassem do causo e relaxassem. Lilás foi a primeira a falar logo na sequência:

            Lilás: Nossa! Deu pra assustar. Parece quase a história da iara ou a lenda do boto.

            Esmeralda: Apenas que esses nem são de labaredas e chamas e fogaréu.

            Siá Rosa: Querem mais uma fatia do bolo de fubá? Um copo de suco de abacaxi?

            Rê: É uma história antiga. Coitado do tal parente avô do seu avô, hem, siá Rosa?!

            Siá Rosa: Nem fale, menina! Uma maldição exemplar.

            O dia clareou e a turma se despediu de siá Rosa. Preto e Pandorga vieram acompanhar até o meio do milharal, algodoal, mandiocal, macaxeiral, batatal... Totó tinha outros amigos de hoje em diante? E a turma voltou pelo mesmo caminho cruzando o milharal, o tomatal, o cebolal, o morangal, o mogangal...

            A sorte e o mundo e o tempo e o sonho são um e único e mesma coisa conjunta conjunto agrupada. E nem consegue parar. Por que assim essa coisa? Nunca se saberá. Pois todo mundo tem sua sorte determinada colocada sagrada e já escrita. E as pessoas e bichos e coisas podem exportar importar morar nos diversos lugares sistemas ambientes como constantemente consta, Vila Segredo distrito de Ipê, Beneditinos, Teresina de Goiás, Resplendor, Fontoura Xavier, Machadinho, Poço Dantas, Santa Cruz com a estátua imponente de Santa Rica de Cássia, a praia da Lagoinha...

            E nem demorou muito minha gente. Na semana seguinte o home, o home que queria e sonhava laçar D o patrão, passou repassou pela fazenda Buçal da Maniçoba. Propriedade esta particular agronegócio solos luvissólicos e planossólicos agricultáveis. E puxando o próprio D da chuva do tempo pela corda pela soga pelo cabresto pelo barbante. Nem é que o tal havia laçado mesmo, sô!

            Home: Olhem! Reparem! Eu nem disse, eu nem redigo?! Estamos aqui pra todo mundo vê! Lacei D pessoa de todos nós compatriotas correligionários conterrâneos! Tal e qual! Este mesmo NS que inventou o céu a terra as pombas-pedreses os periquitos-dos-cáctus os aracuás os martins-pescadores-verdes as uvaieiras as cidrilhas os agriões-do-pará os solos férteis chernossólicos e cambissólicos o rio Catu a municipalidade de Guamaré e Nova Andradina a catedral NS de Apresentação...

            D NS e o home que o havia laçado cruzavam o pátio a eira naquele importante instante. D onipotente e home laçador pisavam o caminho do chão, a estradinha britada do sítio, a ruazinha de terra vermelha, o chão de pedrinhas friáveis. Cruzavam por baixo de cerca de arame farpado, avançavam por porteira de troncos de panã, enfrentavam por ponte pontilhão mata-burros feita de toras de mangabeira descascadas lisas...

            Sim, era D onipresente e cheio de graça. Reconhecível e reconhecido. D raro e parecido idêntico igual com os desenhos dos livros de as Bíblias e sagradas escrituras e novelas de tevê, nas decorações das capelas das igrejas dos templos dos santuários dos reformatórios. D universal e o home laçador. Faltavam os anjos e anjas e arcanjos santos santas do dia a dia. Mas sem sombras de dúvidas o D único número 1 pensador do universo do céu do mar dos alados das aves concrizes galos-de-campina cardeais chocas-barradas beija-flores bingas cuitelos colibris... dos grandes conglomerados aglomerados sufragâneos urbanos municipais novas edições revistas e ampliadas, Rio Tinto, Portalegre, Extremoz, Serrinha dos Pintos, Campestre da Serra, nação povo zoró...

O pessoal habitante todo da fazenda veio ver e arredores e vizinhanças. Muitos ficaram perplexos, assustados, alarmados com a cena inusitada. Os outros já ficaram com dor de cabeça dor de barriga dor de dente dor de omoplata dor de joelho...

Cajuí: Reparem que D está associado ao home, entendem?!

Rê: E vão fundar uma religião um clube uma agremiação um partido...

Mas vendo que a fisionomia de D super-herói era boa nem pensaram em libertá-Lo desatá-Lo. Afinal D planeta se quisesse teria poderes para fazer qualquer milagre, quanto mais se desprender daquela cordinha de barbante feita de algodão ou linho ou lã ou seda. D presente até sorria e fazia piada.

            Pérola: Mas é D mesmo e físico?

            Cajuí: Pois é, gente. D mesmo foi laçado pelo home. O tal do home laçou mesmo D.

            Rê: Que travessura, que banalidade, que erro enorme e descomunal.

            Esmeralda: Será que D gueime vai fazer alguma coisa? Quer dizer: um grande milagre, algum fenômeno, revolucionar, o paraíso na terra?

            Lilás: Parece conformado. Tá até gostando. É um personagem de ficção, quase.

            Totó: Auauau!... Eu vejo! Eu cheiro e revejo!

            E D sólido concreto ali mesmo, ao vivo, sim puxado pela corda, de cabresto, preso, roupa amassada, sem chapéu, rosto tostado de sol. Todo Ele, tudo meio estranho, esquisito e o mundo continuando muito à vontade. E olhando bem, D etéreo parecia meio aéreo, fora de si, confiante demais, quase um homem muito simples. O mesmo D que fez ou continua criando segue organizando as cabriúvas as quatindibas os mangues-brancos as marizeiras o bando de picaçus os pica-paus-barrados as cutiaias os sapinhos-admiráveis-de-barriga-vermelha o rio São Nicolau o teatro 4 de Setembro o monumento aos santos mártires de Cunhaú e Uruaçu as danças típicas do coco e do bambelô...

            Esmeralda: Vamos segui-los. Estão indo no sentido da cidade de Cachoeira do Arari ou mesmo a localidade de Capitão Gervásio Oliveira quem sabe Florânia e Arez...

Lilás: Seguimos nessa que é bom à beça. E estamos de férias.

Pérola: E cá pra nós, vai começando esta uma procissão devota.

E sempre, mais bom que se diga e repita, estamos plenamente no Estado do Maranhão que é um Estado da federação do B e que ainda muito se orgulha orgulhoso de suas antigas construções coloniais portuguesas decoradas em azulejos. Cuja capital sempre sob o efeito da maritimidade bastante perceptível e que onde se formam volta e meia alguns nevoeiros frentes frias ventos com rajadas mais ou menos fortes. E cidade numa razão sexual de 86, 25 a menor do nordeste e uma das menores do país e do hemisfério sul.

            Rê: Pensava que D pudesse ter roupa melhor, entendo. Tá com o cabelo sem pentear, chinelo de dedo batendo no calcanhar, plete! plete!...

Esmeralda: Muito pobrezinho pé no chão, coitadinho e  desarrumado, quase um mendigo homem de rua e comum e carente.

            Pérola: Vai ver que recém-saído acordado levantado da cama... ou da nuvem.

            Cajuí: Se dirigem para a cidade mais próxima e pelas estradinhas vicinais...

            Rê: Vão fazer o que na cidade de Viamão? Vão fazer o que em a aldeia dos xipaia? Dar entrevista na televisão? Fazer sessão de autógrafos? Rezar uma missa campal? Passear ocupar o tempo no largo Mozart Diógenes?

            A turma curiosa e a vizinhança curiosa seguiam os dois, D divino e home bípede, estrada afora debaixo do sol forte estradinha de poeira vermelha e quem sabe no rumo do parque ambiental da Macaúba ou o farol Mãe Luiza ou coluna da Pedra do Rosário... D presidente sendo guiado pelo home vice-prefeito. O home terráqueo na frente e D aéreo etéreo cosmonauta seguindo e ou sendo puxado pela corda.

            Era verdade verdadeira e verdade grande inédita pois D líquido estava ali no meio do povo. Todo Ele inteiro desfilando preso e diante dos olhos da turma dos olhos dos outros dos olhos de todos nós e vós. D o T-P e cabeludo e barbudo e bigodudo. Cabelos e barba e bigodes brancos e costeletas e suíças muito brancas totalmente brancos da cor do gelo geada. Vestido somente com branca túnica dos ombros aos pés como um pijama. Como alguém se veste de quimono de roupão ao sair do banho. E D infinito, quem se habilitaria?, ainda parecia um simples ser humano simples e mortal e camarada e cordial. Era impensável mas Ele mesmo já criara inventara as coisas da terra do mar e do ar tais e quais as guajuviras os camboatás os alecrins-de-são-josé o bando de soias a praça José de Barros as bibliotecas públicas municipais estaduais universitárias comunitárias a grande Teresina (a terra da cajuína) construída em traçado geométrico e que fica instalada desde sempre na área da Chapada do Corisco...

            Senhores e senhoras entoavam cantos sacros e com vozes harmoniosas afinadas postadas clássicas muito empolgantes vibrantes. Estrada rumo à cidadezinha de Jequitaí ou Miguel Leão ou Araruna, estradinha estendida na paisagem como cordão corda vermelha, caminho de passagem entre palmeiras buritis, aldeia cutaxó, cruzando os rios afluentes com a ponte metálica João L. Ferreira sobre o rio Parnaíba, campos, morros, bando de bois pastando mascando pachorrentamente.

Dado momento, vendo-se rodeado de bom ambiente fiel fidedigno, D principal e es-pe-táaaa-cu-lo mandou parar a procissão, a passeata, a multidão, a turbamulta, os fogos e morteiros, subiu numa pedra ali mesmo dentro do parque Lagoas do Norte e falou justamente naquele tom ou som ou voz natural dos deuses:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: ouros e espadas e copas e paus, tatu-galinha e tatu-de-folha e tatu-liso e tatuetê! Em verdade em verdade vos digo: virá o dia, sem demora, que um grande terremoto abalará toda a estrutura da terra! Cairão todas as casas e prédios e viadutos e torres! Tudo sumirá engolido para o interior do caldeirão aceso! As pessoas se perderão umas das outras; pai e filho nunca mais se verão, mãe e filha nunca mais se abraçarão! Tudo isso por causa do pecado e do rancor e da incerteza que tomaram conta dos vossos corações e mentes e sorrisos e atitudes! O dia do fim está próximo dobrando já a esquina, e breve virá o julgamento definitivo inapelável! Vocês querem ver o sol diminuir e apagar?

            Lilás: Que que D tá querendo explicar e ou ensinar?

            Rê: Que está brabo com as pessoas que derrubam árvores, prendem passarinhos, pescam na piracema, jogam lixo fora da lixeira, que se deixam corromper e corrompem...

            Esmeralda: Que já perdeu a vontade de olhar o mundo como jardim do paraíso.

            Dizendo tudo aquilo que disse, D itinerante e o home laçador continuaram pela mesma estrada avenida Café Filho ou Buarque de Macedo... O povo interessado, crente e assustado, seguia no rastro. Uma carroça ou carreto, puxado por quatro homens honestos, foi posto à disposição de D para a longa viagem jornada. A partir daí, D secular viajou de carreta tração humana 4x4. D inseto sempre sendo conduzido seguro pelo home laçador. O home traga-balas sempre guardando ou puxando ou amparando D super pela corda, também se aboletou subiu de carona. Um calor que ninguém daqui tem noção.

            D micareta olhava as pessoas ao seu redor e que o acompanhavam. Os pobres e as pobres os ricos e as remediadas que caminhavam matematicamente ao redor da carroça. D olhava e admirava essas tantas pessoas, mais que olhava e admirava as aves do céu, mais que olhava e admirava as cores do céu. D urânio e lâmpada de led que fez o mundo em poucos dias para as pessoas e os bichos e as coisas, assim mesmo: as canafístulas e as favas-de-bolota, os cutitiribás-grandes e as caapomongas, as urtigas-de-cipó e os chapéus-de-couro, as galinhas os galos os frangos as frangas os pintos... E acima de tudo mais outros parques atrativos e repositórios ambientais ecológicos com espaço harmônico autossustentável para os mercados supermercados hipermercados...

            Mesmo com céu nublado o calor era muito o mormaço insuportável a sensação de desconforto derretimento. A estrada de terra de pedras soltas, cansava o passo. A carroça mesmo tinha dificuldades para rodar manobrar e acompanhar planejar executar. Isso foi motivo suficiente para que D memorável e o home laçador e carroça tracionada estacassem no portão de uma casa de alvenaria e ali bebessem uma caneca de água h2o.

            Esmeralda: Será que D nem gostaria de pegar um automóvel táxi moderno, hein?!

            Lilás: D milionário é um ser um ente um tanto simples e sem luxos.

            A dona de casa, que serviu ao D exemplar e ao home laçador com água boa e fresquinha, foi por Ele mesmo o NS abençoada e recomendada e condecorada. A distinta senhora se ajoelhou se rebaixou se emocionou ao mesmo tempo que cobriu a cabeça com os braços e as mãos escondendo a testa entre os joelhos agradecida e agradeceu o prazer que D homo sapiens lhe dava com sua divina visita. Depois beijou várias vezes, com muito cuidado e gosto, a mão de D réptil suas vestes seu turbante. D dos deuses se ergueu na arrastável carroça de arrasto e falou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: sul e norte e leste e oeste, soim e sonhim e sagui e mico! Em verdade em verdade vos digo: um grande maremoto súbito subirá das profundezas do oceano Atlântico e inundará toda a terra firme toda a costa do B! Como um tsunami! E na forma de enchente enxurrada. O sertão virará mar e o mar virará sertão! Essa é a condenação pelos erros da luxuria e bruxaria e injustiça! (Aproveitou para colocar uma bala de menta na boca). Eu sou o P T-P, e afirmo que o juízo é amanhã! O final que ninguém quer se aproxima, todos baterão com a cabeça no chão e nem mais se erguerão! Nem haverá tempo para choro ou ranger de dentes ou prorrogação! O fim está próximo, muito perto mesmo, quase ali na esquina! Vocês querem ver o sol em plena noite?

            Pérola: D está brabo com D e todo mundo.

            Esmeralda: É, D perdeu a esportiva. D artesanato confecciona expõe e vende.

            Dizendo mais aquelas palavras locuções expressões frases, D campeão deu ordem para que a carroça prosseguisse andasse. A multidão crescia sem contar e a partir do pré-escolar até o fundamental e médio e técnico e universitário. Muitos nem se contentavam apenasmente em olhar, achavam melhor tocar as vestes, pegar na mão, tirar foto com celular, pedir autógrafo, gritar palavras de entusiasmo, vivar, lembrar, solicitar conselhos remédios recibos e outros tipos de pedidos...

            Rê: Eu nunca parei pra pensar que um dia D pudesse estar assim, bem perto de mim, ao vivo, se dirigindo a nós, se comunicando. Isto sim que é surreal e atípico.

            Pérola: D já vive uma eternidade. Antes de tudo, durante tudo, depois de tudo tudo.

            Lilás: D é assim e nem quer e nem pode mudar. Quem é que pode com D?

Devido ao caminho irregular, a carroça quebrou uma roda e pifou. Com o solavanco tropeço, D criador e o home laçador foram jogados para fora do veículo e para o chão. Felizmente nada de mais grave sofreram, e foram amparados pelo povo que os cercava. E para tirar o pó da garganta, o susto dos olhos, se sentaram na mesa do bar Regeira. Foi-lhes servido uma cerveja ou um chope e uma porção de batatas fritas por conta da casa. D peixe estava tão à vontade que ofereceu algumas batatinhas para as criancinhas que o rodeavam. Pegou criancinhas no colo, beijou no rostinho, acarinhou o cabelinho, sorriu, e prometeu praias mais limpas e menos povoadas jardins suspensos mais decorados e floridos parques de diversão grátis para menores de idade terceira idade agentes da saúde...

Logo logo, ainda hoje, D fiel se ergueu e olhou a multidão compacta. Deixou o copo de cerveja pela metade meio cheio e meio vazio e os amendoins torrados no pratinho sobre a mesa e foi falando com toda a razão cheio de razão absolutamente racional:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: terra e fogo e ar e água, aba e sopé e falda e fralda! Em verdade em verdade vos digo: do centro da terra explodirá um vulcão fantástico, e sua força e fogo derreterá tudo na superfície! Todos sumirão num piscar de olhos! Isso porque nem me obedecem, esquecendo minhas leis ou mandamentos minhas regras e ordenanças! (Um gole de cerveja geladinha trincada). O fim será amanhã! Eu sou o P dos pais e condeno todos aos esgotos profundos os subterrâneos do inferno! Vocês querem ver o sol implodir desmoronar?

            D vegetal tomou o último gole de suco de pequi uma rapadurinha na boca agradeceu a hospitalidade e seguiu caminho em fora. Agora iam todos a pé e passo a passo. D constante constantemente era presenteado com biscoitos, quindins, doces os mais variados e deliciosos, iogurtes, jabuticabas, gabirovas, potes de mel silvestre, geleias, bolinhos de chuva, tijolinhos de coco, paçoquinha, pé de moleque... Velhos e moços e crianças vinham para tocar suas vestes cumprimentá-Lo parabenizá-Lo... Os desassossegados e descamisados os viciados e desempregados gemiam tossiam choravam esperneavam e apertavam os dentes, e eram consolados. E eram acariciados recomendados diagnosticados. E todos abençoados recomendados. Assim porque D uniforme ali presente já era dono e proprietário de façanhas muito conhecidas muito importantes, rio Forqueta, camboatãs-mosquiteiros, caneleiros, perpétuas-do-brasil, jejus, gaviões-pombo-pequenos, tesouras-do-brejo, praça Pedro Velho ou Cívica, praia da Redinha, cachoeira da Mulada em o distrito de Criúva interior de Caxias do Sul, danças do forró pisadinha arrocha brega...

            Cajuí: Gente do céu e celestes! Será mesmo que devo pedir pra D ressuscitar a Merendinha, ex minha vaquinha malhada de estimação e que se foi no inverno passado?

            Esmeralda: Vá rapidinho, então. Ele tem muito milagre pra fazer. Olha só quanto povo pedinte. A fila é enorme. A procissão é gigantesca. É preciso muita sorte e comprar o bilhete com antecipação.

            Cajuí: Todavia sou jovem demais para ser um eleitor, tá ligada?!

            Rê: Meu modo de ser nem é de barco a vela, entendam?!

            O caminho, o dia de sol forte, o povo falando igual colmeia de abelhas nervosas exigia muita paciência de D pedra e seu laçador humanoide. O povo também sentia o calor, mas o populacho era curioso e acreditava e insistia e persistia e se contorcia. Nem se economizavam, uma vez.

Pararam todos tranquilos sob um branquilho centenário amparado por duzentas muletas de apoio escoras. D popular subiu o barranco, foi até o gramado, tirou os chinelos. Uma moça lhe refrescou os calos e bolhas dos pés com água da fonte. D padeiro e homem laçador beliscaram brigadeiros, quindins, salgadinhos diversos, pudins de macaxeira, beberam suco de açaí direto na cumbuquinha cuiambuquinha tigelinha... D como nunca se viu antes e quinze minutos a seguir cuspindo semente de melancia ali no chão tossindo preparando a garganta se preparando para falar preparado e disse falou, sem mandar dizer sem intermediário sem evangelhos tábuas da lei:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: círculo e quadrado e triângulo e retângulo, peixe-aipim e congro-real e vira-vira e tiravira! Em verdade em verdade vos digo: o dia que chega próximo inapelável está marcado para amanhã! A terra sem habitantes ficará inútil e sem serventia! Isso porque insistem em fugir da minha palavra, da minha lei, da minha mão, do meu caminho! Pecaram contra Mim (orque!... - arroto) desculpem... e contra vocês mesmos! Contra tudo e contra todos! Minha ira nem deixará pedra sobre pedra, estaca ao lado de estaca, ponte sobre rio, trens sobre trilhos! Eu digo e nem volto atrás! Eu digo e nem Me arrependo! Eu digo e escrevo preto no branco! Vocês querem ver o sol explodir emulsificar?

            Então pegaram em conjunto todos ao mesmo tempo, D especial e homem laçador e povo curioso (subindo no início o morrinho do Saraquá), e novamente a estradinha de vermelho rumo da cidade de Tabatinga ou Nova Santa Helena ou São José do Ouro ou Martins ou Mataraca... A procissão cada vez maior e barulhenta, acontecimento. Um homem se projetou em frente a D índio e ofereceu seus ombros largos para carregá-Lo transportá-Lo. Sobre os ombros do oferecido (que parecia alguém muito familiar), D arrecife se sentiu mais feliz quase imperador muito agradecido pra lá de contente e com disposição para cumprimentar abanar sorrir muito mais. Esse mesmo S do céu da terra dos oceanos e T-P do tempo e do espaço e também que era o voluntário inventor das coisas em geral existentes conhecidas, cardumes de charutinhos, bandos de tem-tens-de-estrela, matos de juquirizinhos, capões de itaúbas, ruas artérias logradouros avenida Frei Serafim...

            Lilás: Todos somos muito otimistas.

            Pérola: Tem uma linha de trem que faz este mesmo horário. Quem sabe, né!

            Quarenta e sete quilômetros à frente o pobre homem oferecido, já cansado esfalfado derretido sufocado, tropeçou e caiu caiu, foi pro beleléu. Pronto. E D gordo foi jogado sobre os fiéis, e ainda assim bateu o vértice o nariz no chão, taque!... Tonto e acidentado e doído passou a mão no machucado, ai! ai!... upa!... oi! oi!... e viu o sangue sujar sua túnica sua roupa de passeio domingueira. Imediatamente foi pronto socorrido e pensado e atendido. E em dois minutos estancada a ferida o defeito o problema.

Outrossim e em frente seguindo o previsto o imprevisto, D valente nem se deu por vencido ou vendido e foi se lavar o rosto as mãos os pés abluções e comeu doce de jaca mastigou doce de batata-doce bebeu uma água de coco passou um pano xadrez úmido na mancha da roupa olhou a multidão sem-número cada vez maior que o cercava e o conduzia e falou declarou sentenciou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: primavera e inverno e outono e verão, anambeúna e anambé-preto e anambé-una e mãe-de-tucano! Em verdade em verdade vos digo: cairá chuva e granizo os 40 dias e as 40 noites, sem parar. E dessa vez nem haverá um Meu filho JC! Um simples nariz quebrado nem impedirá que minha voz soe e voe aos quatro ventos! Eu vos digo e redigo: a condenação será amanhã! Isso porque a inveja e a avareza apodreceram todos os corações e decisões e razões! (Parou para comer um bocado de sanduíche e beber um gole de suco de abio). Podem ir chorando podem desde já arrancar os cabelos se cobrir de cinzas, porque nada se salvará! Nenhum tipo homem e ou bicho e ou árvore, ficará para semente! Cobrirei o azul de fumaça e toda a terra de lama incandescente! Vocês querem ver o sol quadrado?

            Lilás: O tombo foi muito feio. Machucou muito o bico, coitado.

            Rê: Pensei que o sangue de D fosse de outra cor, e pra variar. Sangue verde, por exemplo. Nem posso duvidar de nada na presença de D. Nem vamos esquecer que D criou e contém o parque das Dunas mais o rio Potenji, é.

            Pérola: Está doendo o machucado. Viram só como se incomodou, o dileto?

            Esmeralda: Mas D pode fazer um milagre a qualquer momento. E um mais rápido e genial que o outro. Nada nem nada pra Ele é fracasso.

            Cajuí: E pode recomendar ao povo população: “Olha, gente! Tenho um milagre!” E aí Ele diz a abracadabra... taí o milagre mais verdadeiro do mundo. Incomparável e normal igual o pão com geleia de pitanga, queijo com goiabada, açaí com tapioca...

            Prosseguindo na caminhada aventura, D difícil ou fácil foi e se apropriou duma bíci cor de prata nova em folha. Pedalando comodamente calmamente preferencialmente, D novo novíssimo passou por cima atropelou os ramos e flores e pétalas que o povo jogara na frente. E assim, com freios de pedal e nas mãos, entrou no perímetro urbano da cidade de Afuá ou Terra Nova do Norte ou Chapecó ou Colônia do Gurgueia ou Bataguassu ou aldeia território dos curuaia ou nação pátria dos cupinharó...

            Cajuí: Quem vai homenagear NS e nosso D o T-P, hein, gente?

            Lilás: Uma comitiva de médicos advogados professores parlamentares...

            Rê: Os sul-americanos em geral... acho quê.

            Pronto. Dito e feito. Logo na entrada da primeira rua da cidade avenida Fontes Ibiapina houve esse tradicional foguetório despertar de fogos exibição pirotecnia. E escolas de samba e danças de capoeira, berimbaus e tamborins, banda tocando marchinhas de carnavais antigos, acenos com bandeirinhas de cores e balões inflados coloridos, arcos feitos de flores diversas e folhas da bananeira, trios de rainhas princesas simpatias...

            Sempre o povo corria acompanhando, corria e ria e pulava, brincava de pegar, sem até mesmo saber o que fazer com tanta festa e descontração. Maravilhados, todos pulavam com o som do tambor dos pratos da percussão. Sabiam de ouvir falar que D sucesso era o dono e atual governador das coisas sobre a superfície da terra, ou suas cópias mais ou menos naturais, tais e quais: lagos artificiais e quadras poliesportivas ao ar livre e mirantes e trilhas de passeio e auditórios e anfiteatros e espelhos d’água e florestas fósseis e herbários e banheiros públicos e ciclovias e rampas de esqueite e galerias de arte santeira...

D capital primordial recebeu, das mãos do prefeito e autoridades locais presentes dos considerados dos nomeados dos escolhidos dos pretendidos dos conceituados dos justos dos honestos, a chave da cidade. A multidão que já o acompanhava e mais a que o aguardava, se somaram causando um tumulto nunca visto um engarrafamento uma greve geral. Parecia festa de padroeiro, todo o povo estava ali e desfrutando. Os sinos gravados e divulgados pelos alto-falantes da igreja matriz repicavam de alegria, e foguetório foguetes explodiam ribombavam no ar da tarde.

Pérola: Daqui um pouco já perdemos D de vista e mais a multidão compacta, é.

Esmeralda: Muita fama e progresso e carnaval fora de época, em?!

Cajuí: E tudo começou num simples passeio simplesinho, conforme.

Assim mesmo, D ator aglutinou a massa popular. O povo aplaudiu gritou vivas tirou o chapéu fez continência e se curvou. As mulheres murcharam as sombrinhas e guarda-chuvas e guarda-sóis e se curvaram, as crianças correram para frente e para trás procurando ficar por perto e ao mesmo tempo brincar. Todos Lhe jogaram os beijos as flores e os ‘ai meu deus!’. Sem contar os que desmaiaram, choraram, esperaram, acreditaram, testemunharam, penitenciaram, solicitaram... Era emoção única e inenarrável. D vera-efígie ao vivo na praça Saraiva. Nem olhavam para o céu, nem erguiam as mãos para o porvir. D turmalina paraíba estava ali na praça Vigário Antônio Joaquim e ao natural e presencial. A bandinha aproveitou e tocou mil e tantas músicas populares bem agitadas de axés e congadas e reisados e maracatus e hinos pátrios...

            Nas escadarias da igreja catedral da Sé, D apeou da bicicleta magrela subiu alguns degraus se voltou olhou a onda popular a seus pés, o home laçador por perto, a cidade de Divinópolis ou Putinga ou Galinhos ou Governador Dix-Sept Rosado ou Sananduva... ao alcance da mão na sombra de um abraço apertado fraterno na distância de um sorriso generoso franco e falou mandou nem delegou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: azul e verde e vermelho e amarelo, suinã e bico-de-arara e bucare e feijão-bravo! Em verdade em verdade vos digo: vossas próprias atitudes armadilhas estão sendo preparadas para se autodestruírem como numa guerra fratricida e sem precedentes! Dessa pandemia de Covid-19, de uma só batalha interminável perseverante, ninguém sairá com história pra contar! Eu vim para prevenir que o juízo será amanhã de manhã! Isso porque vocês todos são uns loucos, uns insensatos, uns sovinas, uns ‘cospem no prato que comem’ uns ‘reclamam do que têm’! Pra falar sinceramente divinamente e em primeira mão, já nem aguento mais! Nem querem me ouvir? Pois bem, largo de mão! Só nem vão dizer aqui e ali e além e aquém que nunca jamais foram avisados por Mim! Vocês querem ver o sol desconsertado? Vocês querem ver o sol golaço?

            Pérola: D tá irritado irado furioso perigoso escandaloso afrontoso insulso...

            Cajuí: Pura água boa límpida inodora incolor insípida...

            Rê: E nem manda dizer as coisas que têm que se dizer que precisam ser ditas...

            Acabando acabada essa falação discurso showmício, D entrou no templo igreja santuário passeou pela nave molhou dois dedos na pia de pedra basalto com água benta dobrou o joelho direito fez o sinal da cruz e passeou andou caminhou até o altar-mor. Ali diante do altar bonito e bem pintado e afrescos, imagens de outros santos e santas, tabernáculos e troféus e vasos com flores, diante do seu magérrimo filho JC crucificado, se ajoelhou de vez e baixou a cabeça e se entregou à oração à reza à missa ao culto ao ritual.

O povo crente o seguia seguiu discreto e discretamente. Pelos vitrais, coloridos com desenhos lembrando a passagem de JC pela face da terra, entrava um sol fraco de fim de tarde de fim de dia tardezinha de fim de estação verão. No teto esvoaçavam revoavam as andorinhas e corruíras e tico-ticos e rolinhas fogo-apagou e sabiás-laranjas... Volta e meia carimbando selavam a cabeça de um e outra devoto fiel seguidora penitente.

            Um pouco levado pela emoção empolgação D potiguar rio-grandense-do-norte norte-rio-grandense se ergueu satisfeito fez novamente o pelo sinal característico e saiu da casa consagrada sua própria casa representação na terra. Ladeado pelo padre o pastor o xamã o prefeito a porta-bandeira o procurador-geral o pró-reitor o primeiro-sargento e dezenas de políticos da situação e oposição, caminhou em frente direção à praça Coronel Tristão J. de Fraga em o bairro Partenon e palanque tablado rampa dos discursos coreto plataforma. A multidão espiritualizada o seguia quase em silêncio quase ao mesmo tempo quase em estase e quase libertando a catarse velas acesas nas mãos... Todos os presentes agradecendo fisicamente presentemente pessoalmente e reagradecendo.

            Esmeralda: Puxa, tá anoitecendo. Será que D vai fazer outro discurso? Será que D vai dormir no hotel Mangual três estrelas? Será que D vai visitar a creche Camacã?

            Lilás: Talvez na casa paroquial ou pensão dos franciscanos dominicanos.

            Pérola: D estrelejado estrelante pode muito bem pegar um cometa de vassoura e... em dois minutos aterrissar alunissar estrelissar(?) na estrela Aldebarã.

            Cajuí: E decifrar os escritos do sítio arqueológico Lajedo de Soledade na Chapada do Apodi. E de uma vez por todas definitivamente sem dúvidas.

            Totó: Auauau!... Inté mesmo de olhos vendados e prevendo o futuro dos astros.

            Rê: Queria muito saber como é que é o céu por dentro e no fofinho, hum!...

            Pérola: O céu deve ser nosso e como o imaginamos. Deve de ser uma planta jurubeba uma ave aquática aiaiá um rio Paraíba do Meio uma aldeia crixaná...

            D potamônimo iurimagua e as autoridades políticas chegaram ao palanque dos comícios das manifestações das festas de fim de ano. As luzes da cidade de Veranópolis ou Tombos ou Porciúncula ou Centenário ou Feliz Natal... se acenderam de repentemente. Parecia noite de natal ou ano novo ou carnaval, ainda podia ser de festa de santo padroeiro ou santa padroeira, até formatura entrega de prêmios aos melhores destacados. D eterno olhou o povo, ergueu os braços em parênteses, ia falar e soltar a voz o verbo... Ia dizer algo, mas nem pôde. E o tempo travou entre um tique-taque e outro.

Uma moça saindo do meio da multidão fechada, e muito nervosa apressada, cruzou atravessou o bloqueio das autoridades sociais, tropeçou na subida dos degraus da escadinha do púlpito ou altar, e chegou junto a D e S do céu da terra do mar e mais além proprietário campeão das árvores arvoredo, crindiúvas, marmeleiros-brancos, maçarandubas-vermelhas, curuatingas, bugres, pequiás... A guria e já muito enlevada toda ela transfigurada pela emoção saudosa e esperançosa cabelos formidáveis chegou com tudo e representou o seu papel na peça exclamou texto na ponta da língua decorado:

            Moça: Papai, meu paizinho do céu! Pois o que o senhor tá fazendo aqui, assim, preso a esta corda, exposto ao ridículo ao desprezo ao riso ao deboche dos outros? Que teatro popular sem pé nem cabeça é este? Eu te adoro! Então, vem comigo?!

            A multidão, e agora, que sempre acompanhara tudo crédula e satisfeita e crente, agora mesmo, e de boca aberta e olhos arregalados procura entender a cena fora das escrituras e figuras de linguagem. As pessoas ali se entreolham...

            Lilás: Quem é esta moça surpreendente e de arrepiar a pele?

            Esmeralda: Deve ser uma devota uma irmã de caridade uma enfermeira de plantão...

            Rê: Convenhamos que nem aguentou e foi lá agarrar o NS.

            Totó: Auauau!... Acho que é a própria Maria mãe de D. E ela tem direito.

            Pérola: Ou mesmo será uma rainha de bateria, uma musa de poeta, uma Iracema?

            As autoridades competentes e eleitas escolhidas no último sufrágio universal e ali presentes junto a D sideral cosmopolita, tentaram retirá-la tentaram agarrá-la e nem houve jeito. A moça parecia possuída por uma força impossível uma emoção ainda maior e mais outra coisa tipo sei lá o quê. Sempre segurando o progenitor pelo braço ou pela mão, a jovem jogou a corda no chão com muito empoderamento com ênfase, vazou pela multidão abrindo caminho, e nem se importou com mais nada.

Então os dois seguiram rua Vazulmiro Dutra abaixo acima ziguezagueando, andando sem parar passando em frente ao teatro Aricapu, virando a esquina na travessa do Barbaquá, já pela pracinha Faria Lemos, e desaparecendo no beco sem eira e beira do Carijo. Embora para sempre ou até o esquecimento dos tempos.

            Muita gente viu, e jura que ouviu, e conta que o que viu, e aumenta que ouviu, quando eles dois parentes familiares subiram para as nuvens no elevador do arco-íris ou arco-da-velha ou arco-de-deus... O último arco-celeste daquele dia junto ao forte de Santa Catarina. O último arco-da-chuva daquela semana e temporada. No último raio do sol caindo na tarde faceira. No último raio do astro caindo antes da noite climatizada. No exato instante que brilhava a primeira estrela e guia de nome divina na noite calorosa.