sábado, 5 de dezembro de 2020

O Home que queria Laçar D (juvenil, 2ª v)

 


 

            Lilás foi passar as férias de aula final de ano no sítio granja Buçal da Maniçoba propriedade particular própria registrada dos tios maternos. Interior do Estado de São Paulo, interior de Araçatuba, interior do distrito de Cincerro, linha sexta ou também conhecida como linha Coelho Neto - aliás, Estado da federação com as mais famosas linhas férreas ferrovias malha ferroviária do B do país. Por lá ainda brincavam lazer as amigas inseparáveis Rê, Esmeralda, Pérola, o primo Cajuí e o cãozinho Totó (este de tamanho médio e enfezado linguagem sotaque dialeto patoá compreensíveis).

            - Lilás: Eu conheci uma pessoa feliz que sabia 4 idiomas e entendia tudo, é.

            - Rê: Que blusa bonita e chamativa... É cara?

            - Cajuí: Sim. Mas ganhei de aniversário.

            - Esmeralda: Você gosta de Maceió?

            - Pérola: Nem sei, nunca estive lá. Porém pretendo um dia.

            - Totó: Auauau!... Qual o rio dessa cidade, Alexandria?

            E riam a bandeiras despregadas, “kkkkk!... Um povo vilão sertanejo que gostava de música caipira de raiz e que sabia curtia fazer artesanato nos alimentos bordados cerâmicas cestarias couros madeiras pedras rendas tecelagens trançados conchas plásticos metais... E riam a bandeiras soltas desprendidas, ah ah ah!...

            Porque ao amanhecer no dia a dia tudo estava em ordem e iniciando, em ordem e progressivo progredindo, os cascudos e jundiás e traíras no açudinho, coqueiros-pindobas e canelas-de-velho e folhas-largas no capãozinho, capivaras e cutias e cutiaras e acapitãs e maitacas e saracuras-sanãs e patos-crioulos... ao longo da mata ciliar. 

            Cajuí: Ocês sabem que lá no morro do Campanário tem um home querendo laçar D?

            Esmeralda: Seu mentiroso. Onde já se viu possível. Nem existe essa de laçar D. É impossível e antenatural e ancestral. É até artesanal patriarcal maternal.

            Cajuí: Uai, sô! Mais é pura verdade, gente. Vamos lá vê?

            Lilás: Pois então, vamos.

            Esmeralda: Nem vamos até lá por nada, né?! É muito longe, ora!

            Rê: Por que nem brincamos de gueime? De correr de roda de outras coisas normais de qualquer coisa mais saudável, hein?

            Pérola: Será que é o mesmo D que criou e fez acontecer os idiomas os climas as temperaturas as altitudes as ondas do mar o rio Piranhas-Açu?...

            Agarraram pegaram por enquanto a trilha o trilho que já os levava ao morro colina. Parecia uma subida fácil, porém o sol estava forte o calor era muito o morro era em rampa aclive. Nem passarinho piava para nem se cansar. Era hora muito quente do dia, sem vento, terça-feira, onze e vinte, conforme passo a passo. Árvores altas médias arbustos plantas orquídeas bonitas que se destacavam na paisagem, mutambas, carurus-bravos, sabugueiros, carvalhos-nacionais, gravatás, coqueiros-guarirobas...

            Pérola: Tá calor demais. Acho que nem vou aguentar e resistir, senhoras e senhores!

            Esmeralda: É só uma subida assim mesmo... um pouco mais aborrecida que a maioria das subidas, ufa!... Um dia chegaremos lá.

            Pérola: Nenhuma nuvem nesse nosso céu de anil.

            Rê: Esquecemos de trazer lanche e merenda e mantimentos. Vamos passar fome e sede. Já pensaram numa boa batida de várias frutas tropicais misturadas entre elas?

Totó: Auauau!... Eu também tou com fome e sede e vontade de dormir na sombra.

            Cão guaipeca Totó era um legítimo sombra e água fresca. Era novinho ainda. Um cãozinho pouco experiente e novato. Nem sabia nada das coisas ou do mundo ou da sorte ou mais além do seu faro. Era um pedinte contumaz. Vivia pechinchando alimentos. Aprendeu a falar a língua das pessoas porque sabia escutar com suas orelhas grandes. E balançava mais a cauda que a cabeça. E nem gostava de sol forte nem gostava de frio nem gostava de chuva nem gostava de noite de lua luar. Praticamente gostava de se sentir em companhia dos humanos da fazenda onde aconteceu nascer um dia e estar por acaso.

            Lilás: E o tal home, será que vai apreciar nossa visita incidental?

            Cajuí: Olha! Nem sei, nem.

            Totó: Auauau!... Intão vai sê perigoso.

            Rê: Eu por mim voltaria. Sabe, o pomar tá carregadinho de coisas ótimas pra comer. Tipo cajus amarelinhos e ou vermelhinhos, tipo pequis amarelinhos, tipo pitangas vermelhinhas ou amarelinhas, tipo araçás-de-coroa vermelhinhos, tipo guabirobas amarelinhas, tipo araticuns-do-mangue amarelinhos...

            Esmeralda: Nem me faz água na boca, por favor!

            Lilás: E o que a gente vai fazer se o home nem quiser nada conosco, galera?

            Cajuí: Nóis ficamos espiando do meio do mato apenas pra vê qual é a dele.

            Pérola: Vamos fazer uma,  ufa!... paradinha.

            Rê: E aproveitar pra ver se têm frutos silvestres por acá. Logo quem uns tarumãs, umas sete-capotes, umas amoras-do-mato, uns guabijus, uns taperebás...

            Cajuí: Tamo chegando, gente! Vamos aguentar o repuxo.

            Todo mundo pensou numa sombra preguiçosa com cadeira de balanço e de braços, e tudo. Todo mundo então pensou no seu suco de maracujá cheiroso geladinho, no seu suco de açaí madurinho geladinho, no seu suco de abio saborosíssimo. Se deliciando ao gosto e sabor da melancia estalando de madura ao mesmo tempo que manobrando na boca seus carocinhos sementes impertinentes assim até para cuspi-los na distância e só por esporte.

            Esmeralda: Tomara que chova, mas nem muito.

            Pérola: Chuva? Água? Muita água também nem, né!

            Rê: Preciso comer muito bem nestas férias. Estou magérrima. Nem devo sair pelo mundo assim toda magrinha magrinha igual um palito de picolé. Vou conhecer ainda Pacatuba e Pomerode e Maracanaú e...

            Pérola: Ufa!, como cansa subir este... morro, esta ladeira. Tudo muito íngreme.

            Lilás: Vamos pensar noutra coisa. Que g se a gente cantar pra chamar chuva?

            Pérola: Chuva? Água? Chamar chuva como silvícola chama chuva batendo tambor, é? Estou desanimando.

            Totó: Auauau!... Minha língua caiu da boca e nem qué mais voltar.

            Rê: A minha vai de arrasto e já há um tempão.

            Esmeralda: Alto!... Esperem!... Acho que vi uma cobra deslizando aí... - e apontou para algum lugar no meio da touceira ou ervas daninhas ou macegas ou barbas-de-bode...

            Totó: Auauau!... Onde? Donde? É das brabas? Posso atacar? Vô farejar? Onde ela se escondeu? Já fugiu? Já se foi?

            Esmeralda: Nem sei, meu! Nem sei mais. Vamos! Foi engano, acho.

            Rê: Sua exibida! Quer aparecer, é? Assustando a gente.

            Lilás: Tô acabando. E meus pés estão fritando, largando fumaça e chulé.

            Pérola: Se eu tivesse ficado com minha sombra lá em casa e descansadinha...

            Cajuí: Só mais um pouquinho. É pra já. É ainda hoje.

            Esmeralda: Ninguém nasceu caminhando. E este seu pra já vai longe longe até amanhã. O mundo virou uma subida e tanto...

            Rê: Nem aguento... dar mais um passo sem comer uma boa... sobremesa, hummmm!... de chocolate de abóbora de abacaxi de coco e mel natural, oi!... ora!...

            Pérola: Nem provoca a gula gulosina gulodice. Meu estômago já tá reclamando.

            O céu estava muito azul, bem azul, azul como era para ser, somente uns fiapinhos de nuvens. Nenhum bichinho do mato à vista. Nenhuma asa no céu todo bem azul. Todos escondidos na sombra. O sol reinava sozinho e firme e forte. O vento era um bafo de forno aceso. Região do Polígono das Secas e o clima semiárido quente. A escalada da turma comitiva subia o morro se agarrando quase de joelhos.

            Cajuí: Falta nadinha de nada. Ói!... Já estamos na área de atuação do home.

            Esmeralda: Eu mereço esta subida, gente?! Eu nem mereço esta canseira, gente!

            Rê: Vocês estão sentindo o cheirinho de... amendoim torrado na hora? Cartuchos de amendoim torrado acompanhado mais a garapa bem gelada? Servida na bandeja...

            Lilás: Nem apenas imagino como já estou vendo e prevendo e degustando. Também conhecida como caldo de cana...

            Rê: Oi!... Uma salada... de frutas... bem fresquinha tenra. Incrementada com rodelas de banana, picados de morango, fatias de mamão, gomos de laranja, pedaços de caju...

            Esmeralda: Coitada da menina! Ela tá delirando.

            Pérola: E eu... também... E eu também quero.

            Cajuí: E esse sujeito laçador... que nem aparece.

            Lilás: Será que ele...  existe mesmo, ou é coisa... da sua invenção, primo?!

            Totó: Auauau!... Deve de sê invenção bem inventada.

            Rê: Em vez... de comer comida... tô comendo poeira, pife! pife!...

            Pérola: Acho que... esse home... devia laçar D mais... perto de nossas casas.

            Esmeralda: O melhor... seria mesmo pela televisão... ou internet... ou uma live...

            Cajuí: Pois ora, gente, chegamos! E mais perto do céu!

            Então pararam um minuto para respirar melhor. E olharam em volta, o panorama, o horizonte, a paisagem, o que seja o que for o que fosse. A paisagem era tão nova tão calma e a sorte das coisas tão justa que parecia ser ali o centro do mundo do universo serra da Aratanha - pelo menos naquele exato instante.

            Lilás: Ufa!... Meus pés dizem amém e minhas pernas também.

            Totó: Auauau!... Tô com uns três quilos de menos, a goela seca, os olhos ardendo, as quatro patas queimando e largando borracha, as orelhas abanando como ventoinhas...

            Rê: E o meu estômago vazio e abandonado? Ninguém pensa nele, em?!

            Já no alto do morro, e mais animada, a turma procurou pelo home que desejava queria sonhava planejava imaginava laçar D. E o encontrou perto de uma árvore jequitibá, deitado e dormindo na sombra. A patota foi acordá-lo, reanimá-lo, instigá-lo:

            Lilás: Ei, home! Acorde, acorde!... Responde!... Reage!...

            Home: Quê? Que foi? É D? É NS? É o T-P?

            Lilás: Nada! Nem é D. É a tchurma.

            Esmeralda: Você ainda nem laçou D? Tá esperando o quê? Hoje é domingo, é feriado, é Sete de Setembro? D nem está trabalhando?

            Home: Nem estou esperando nada de especial. O caso é que nem estou com a sorte do meu lado. O tempo nem quer me ajudar. Olhem só para este céu imaculado e limpinho!... Nem há uma nuvem e fiapo de nuvem, sequer nuvenzinha esgarçada...

            Rê: Você tem um sanduba? Tô nas últimas. Nem aguento de tanta saudade de comida. Um sanduba com água de coco.

            Home: Nem e infelizmente comi o último lanchinho há duas horas. Mas eu ia dizendo que... O tempo nem está bom, sabem?! Sem nuvens nem tenho como chegar perto de D, entendem?! Ou Ele se aproximar de mim, também.

            Pérola: E o que a nuvem tem a ver com você laçar D? Esta eu nem entendi e me explique melhor. Esta eu quero saber. Esta é nova pra mim e eu quero entender.

            Home: Com a nuvem D vem olhar a Terra, senta ali, bonitão, distraído, e aí... Nesta pequena distração qualquer eu atiro a corda... tá laçado e feito a fatura, entendeu agora?!

            Lilás: Mas vai que Ele nem é bobo, ou então se vinga em você.

            Cajuí: Aí a porca torce o rabo! Aí o dia vira noite de repente eclipse total do sol!

            Totó: Auauau!... E um raio cairá na sua cabeça com faíscas coriscos, trans-tchem!...

            Home: Nem nada, gente! D gosta de ser laçado. D é calmo. D é da paz. D inventou este mundo de cá para se distrair. D gosta de inventar e inventou. D gosta muito de brincadeiras e brinca. D é da luz. D agricultou os solos latossólicos e de mangue, por ex.

            Rê: Quem falou isso tudo pra você? Um anjo? Uma anja? Um monge, uma monja?

            Esmeralda: Deve ter sonhado aí, já que uma vez estava dormindo e roncando...

            Lilás: Pois é. Acho que é impossível laçar D daqui da terra. Quem sabe se o senhor subir num helicóptero ou na própria estação espacial internacional...

            Pérola: É, aí pode até dar certo ou se tornar possível.

            Cajuí: O senhor pode expricá como faz pra laçar D e quais os apetrechos necessários? É uma mão de obra especializada.

            Home: Agora tô cansado. Foi o dia todo nessa lida, me dói o braço, me cansaram as costas, o ombro me lateja. Joguei quinhentas e mil vezes o laço no espaço. Passei perto de laçar D umas quinhentas vezes e nem quero mais conversa. Nem fotos e nem bate-papo.

            Totó: Auauau!... Mas é só uma vez, somente até a gente vê para crê...

            Esmeralda: É, uma amostrinha. Apenas pra demonstrar. Seus 15 minutos de fama.

            Home: Tá bom, mas só uma veizinha. Se tivesse nuvem quem sabe eu laçaria, mas hoje... Somente pra demonstrar e a pedido. Estou pensando trocar de sítio quem sabe tentar a Chapada da Serra Verde ou serra do Coqueiro, enfim!...

            Lilás: Claro, só uma atirada simples assim. Faz de conta que as nuvens estão ali e que D se sentou numa delas. E D de corpinho inteiro gigantesco e todo vestido de longas roupas brancas cabelos ao vento espiritual espiritualizado...

            O home, assim então, subiu no guamirim para ficar mais perto ainda do céu e elevado bem alto tope. Atirou a mão em pala para olhar mais longe que podia. Conformado, disse, explicou e narrou desde arriba:

            Home: Olha que estou vendo mais adiante e ao redor os 360 graus. Aquele é o rio Natal, junto com seus mananciais cascatinhas remansos sumidouros... Mais ali o bairro Cidade Alta com a praça Vermelha ou André de Albuquerque... Todavia para leste nascente ainda a imagem a aglomeração povoada povoado Rio dos Cedros...

Meio desequilibrado pelo vento impertinente ameaçador constante, e se segurando como podia lá no topo cume, o home se preparou para fingir laçar. Avisou que ia atirar rodou o laço no ar mirou uma nuvem imaginária logo ali, e D que poderia estar assim bem sentado sentadinho, e vrrum! vrrum!... rodopiou ainda vinte vezes o laço em volta da cabeça e o jogou para a nuvem lá pra cima no ar no espaço em o nada...

            Home: Viu?! É assim. Só que hoje o tempo nem tá pra peixe, quer dizer, nem tá pra D. Vocês entenderam ou querem que eu desenhe?! - declarou o home, já descido da aroeira.

            Depois da demonstração, o home desceu da árvore caroba-do-mato e veio descansar novamente, se deitando na sombra na esteira de palha trançada. Nem tinha nenhum bicho de estimação para lhe fazer companhia e amizade. Nem tinha nada para ler ou comer ou beber ou admirar. Se tivesse um cachorrinho vira-latinha ou uma arara-de-barriga-amarela ou uma juriti mesmo uns exemplares da flora selvagem podia passar o tempo teria com que distrair sua aposentadoria.

            Lilás: O que o senhor pretende fazer com D caso consiga laçá-Lo? Vai vendê-Lo? Vai colocá-Lo num programa de  tevê ou uma live? Vai exibi-Lo numa caixa de vidro colorido? Vai leiloá-Lo?

            Home: Acho que na live é bem pensado. Já me fizeram boas propostas. E eu prefiro mesmo a live ou a tevê, atinge mais público. Quero ficar famoso. Quero deixar um legado.

            Pérola: E se D tiver humor contrário nem quiser representar, hein? Como que fica?!

            Home: Vou fazer um contrato com Ele. Talvez de um ano ou dois. Ele receberá todos os direitos de imagem, etc. Se Ele cumprir direitinho, sem reclamações, eu Lhe darei passe livre depois de dois ou três anos.

            Rê: Mas nem é desaforo, em?! Claro está que é!

            Home: Nem, que nada! D nem sofre dessas coisas humanas e pequenas. D é calmo e bárbaro e onipresente. D é forte como um dragão de ficção. D é o que Ele quiser e mais além. D é a história contada de frente pra trás e de trás pra frente com prefácio e epílogo e apêndice. D é a agricultura dos solos neossólicos e argilosos, por ex. D é o raro e endêmico lagartinho-de-folhiço. D são as esplendidas orquídeas laranjinha e baunilha e catleia...

            Esmeralda: E tudo sucesso! E taí! Tomara que o senhor nem consiga seu intento.

            Lilás: É, tomara que Ele lhe lace primeiro. É minha opinião.

            Home: Que que deu agora? Estão contra mim? Chegam aqui na hora da sesta e ainda me contrariam? Nem quero nem saber. Cansei. Vão passeá! Vão veranear uma sugestão quem sabe em praia do Porto, Baía Formosa, e até sempre!

            Totó: Auauau!... Nem aguento estes caras que cospem no prato que comem. Nem aguento brincadeira sem graça. Afinal se a gente for contar D é tudo, D é caranguejo ostra siri molusco... D é rio Guariju e aves aratingas e formigas tocandiras...

            Cajuí: Que tal a gente se mandar pra casa, galera! Vamo deixar o home dormir sossegado e na paz de D.

            Esmeralda: Vamos. Deixemos aí este vaidoso insistente. Deixemos aí este pecador convicto. Nem se interfere assim sem mais nos planos do universo, uma vez.

            Home: Acho bom mesmo. Vão embora e nem atrapalhem minha paciência. Me deixem laçar D em paz. Tenho este direito. O parque do pico Cabugi ou serrote da Itaretama nem foi feito criado num dia único em 24h, tá certo?! E cada um tem o direito e o dever de ter seu próprio D, tão ligados?!

            Rê: Onde se viu querer humilhar D, principalmente. D tem mais o que fazer, meu!

            Esmeralda: É, e nem vale a pena mexer com quem tá quieto.

            Pérola: Sem coração. Sem razão. Sem crença. Sem vergonha. Sem escrúpulos.

            E a turma contrariada frustrada com a perspectiva da traquinagem do home para com D, resolveu descer o morro. Morro abaixo todo santo ajuda. Borboletas com olhos nas asas tentavam voar, sacudidas pelo vento. O sol ria amarelo cheio de raios perpendiculares pertencidos. Qualquer um poderia achar que estava muito calor, e estava mesmo. Marimbondos-chapéus eletrizavam o ar com seus voos elétricos. As árvores, coitadinhas, plantas de todos os tamanhos, de todos os verdes, as mucujês e as inajás e as andirobas, principalmente essas, derretiam debaixo do sol quente e seco. Para todo lado apareciam uns matinhos acompanhando o caminho, sambaíbas, pitombeiras, folhas-de-bolo, jatobás, copaíbas, leiteiras, favas-de-besouro, curuanas... O solo predominante de areia marrom baixa fertilidade e excessiva drenagem.

            Caiu a tardezinha. Já bem de tardinha, de repente. E a turma já sabia sem ter muita certeza, perto da noite, o sol sumindo atrás do horizonte, a turma já sabia de ver os passarinhos que voltavam para as árvores onde se hos-pe-da-vam. Tardezinha, começo de noite. Entravam no escuro das folhas das mil árvores e ali dentro piavam, rezavam, contavam, cantavam, chiavam, bibicavam, chilreavam, aguardando a noite bem escura para dormir. É isso mesmo, o sol se escondia atrás de morros e montes e elevações e promontórios com nomes distintos escolhidos conforme a localidade ou cidade ou departamento ou comarca, rio Gurgueia, Demerval Lobão, Ilópolis, monólito da Pedra do Cruzeiro, Baixo Guandu, Umarizal, ponte João I. França com estais assimétricas em harpa, São João da Urtiga, santuário Frei Damião em Guaratiba...

            À meia-noite o Cajuí ouviu barulho no pátio da casa fazendola e levantou da cama para ver o que era qual que era. Despertou aos poucos e bocejando, intrigado. Abriu a janela do quarto e teve um espanto. Totó, seu amigo de confiança, latia e acoava e gania e atiçava. O primo já correu acordar a turma, conjunto de pessoas amigas:

            Cajuí: Acorde, gente! Acordem!

            Lilás, sonolenta: Que foi, primo... no meio da noite, meu!...

            Esmeralda: Nem se pode, ooofe!... dormir, gentem!

            Cajuí: Uma mula sem cabeça!... Eu vi! No pátio e se mexendo!

            Totó: Auauau!... Eu também acho que vi e ouvi!

            Pérola: É mentira. É piada.

            Cajuí: Mas eu vi com estes olhos e binóculos que D me deu! Tá duvidando?! Vem lá fora vê! Vem dar uma olhada, gente! Nem custa!

            Foram até a janela, olharam o pátio e nada. Somente as estrelas espalhadas no céu escuro. Uma lua minguante, caco de prato prateado, o vácuo do infinito escuro, os astros muito longe no infinito. E um silêncio que estralava de insetos os mais variados. Mas Cajuí nem desistiu e voltou, e ficou conversando:

            Cajuí: Olhem lá no milharal!... Tão vendo?! A labareda dela... no milharal!...

            Lilás: Oh, gente! É verdade. Tem uma luz mesmo e se mexendo. Vamos atrás?

            Totó: Auauau!... Eu vô primeiro e corajosamente destemidamente!

            Pérola: É imaginação, minha galera! Os sonhos nem são verdades.

            Rê: É uma festa? Pode ser fogueira fogaréu de São João, gente!

            Esmeralda: Nem. Talvez seja uma estrela cadente... Vamos ver de perto e ao vivo.

            Enfim se largaram pelo milharal pimental pepinal trigal atrás da luz reluz fogacho ou da mula sem cabeça. Fosse o que fosse, vai saber!, um animou o outro, um encorajou a outra e se mandaram atrás daquele mistério obscuro ou brilhante. Mistério de arrepiar os cabelos. Mistério de ver enigmas em tudo que era canto.

            Rê: Vamos voltar e dormir, gente! É perigoso. É esquisito. É assombroso.

            Lilás: Que nada. Vai ser legal.

            Pérola: É assombração? É coisa do outro planeta? É minissérie?

            Cajuí: Que bem pode pegar a gente e todos nós.

            Rê: Então nem vou. É suicídio, é loucura, é... é o fim da picada.

            Pérola: Também acho. E tá muito escuro. Esqueci de botar passar perfume...

            Totó: Auauau!... Tem restinho de lua e ainda se pode vê. Sinto, isque! isque!... um cheiro de pessoa humana humano humanoide cachimbando cachimbo fumo fumarento...

            Muito importante que se diga logo o seguinte: ninguém da turma entendia de assombrações, mulas sem cabeça, sacis, juruparis, feiticeiros e outras coisas diferentes e ótimas que andam ou nem andam ou fingem andar nas noites de mistérios e esconderijos e encantamentos. Eles a turma iam investigar por puro prazer de mistérios e receio dos mistérios, e mistérios de mistérios mais os enigmas charadas suspenses intrigas.

            Pérola: Nem consigo ver com clareza. De repente pode aparecer uns morcegões, uns vampirões, umas corujas-diabo, umas narcejas-de-bico-torto, uns bacuraus...

            Lilás: Olhem, lá adiante... O clarão lumaréu da alma penada. Vamos sem barulho. Vamos sem muita pressa. Vamos pé ante pé.

            A noite nem parecia real oficial. Nem se via nada em volta. Noite muito tenebrosa ou sinistra ou tétrica ou confidencial. Iluminados médio e média pela lua e as estrelas pedaço de lua. A turma, vacilante ou nem ou talvez, seguiu a luz a chama largada na noite pela mula sem cabeça e tudo ali por dentro do milharal arrozal alfaçal sojicultural. Era passo a passo, muito cuidado, muita tensão para nem errar, sem fazer barulho, nem chamar a atenção. Olhando onde pisar encostar pegar passar...

            Esmeralda: Dá pra ver o rastro dela?  Eu nem tô vendo por onde ela passou.

            Totó cheirava o local com cuidado redobrado. Ia na frente. Ia e vinha. Parecia empolgado, impávido, interessado, determinado, valentão, heroico, brabo, nervoso. E Totó disse, a certa altura da investigação minuciosa:

            Totó: Auauau!... É aqui! Vamo seguir pra este lado, gente do céu!

            Lilás: Olhe pra cá, turma! A coisa está indo lá para os lados da ponta da roça!

            Pérola: E se essa mula sem cabeça ficar braba com a gente? Alguém já conhece como funcionam uns bichos desses tais e quais os acéfalos e... sem memórias?

            Cajuí: Ela pode se revoltar e atacar todos nós de uma só vez, é.

            Rê: É bobagem, é perda de tempo seguir este plano. Vamos voltar e dormir e deixar para hoje de manhã. Hoje já é outro dia, cambada!

            Pérola: Se ela vier pra cima da gente, como vai ser? Estamos todos desarmados. Somos todos de tenra idade, de menores.

            Esmeralda: Aí a gente corre até perder as pernas. E cada um por si e D por todos.

            Rê: Mas a mula sem cabeça corre mais que a gente, tem quatro patas, sabe trotar no escuro, vai a galope, dispara com velocidade... Vai até no hipódromo, se ela quiser.

            Totó: Auauau!... Pode deixar, gente boa! Eu mordo os cascos dela.

            Cajuí: Mas ocês esqueceram que ela nem tem olhos já também nem tem cabeça?!

            Lilás: Mas como é que tá indo aonde tá indo? Esta história é estranha, no mínimo.

            Quando chegaram do outro lado do milharal repolhal cajuzal cafezal chircal da horta do lavrado da plantação, se depararam com um casebre, um quitungo, um barraco feito de costaneiras e mata-juntas. Totó já cheirava o ambiente e nem estava gostando de nada nada. Foram até o pátio e bateram palmas, chamando a atenção de quem morava ali. Mas pra quê!... Logo vieram dois cães muito nervosos latindo e bramindo e fremindo sem parar. Eram já dois bichos impossíveis de controlar e muito dispostos, continuaram falando:

            Os dois cães: Auauau!... Auauau!... Eu mordo! Eu corto! Eu mordo e eu recorto!

            Lilás: Essa nem!... E agora, gente! É guerra!

            Esmeralda: Mula sem cabeça que nada. Tem é cachorro brabo, isso sim. Péssimo negócio. Incrível encontro. É um zoológico.

            Totó: Auauau!... Eu pego! Pode deixar! Eu pego e repego!

            Cajuí: Esta e a casa que mora a dona siá Rosa. A cachorrada é dela.

            O menino parou de falar porque os cães chegavam mais perto, intratáveis. E vinham que vinham para atacá-los. Totó se encolheu, ficou parado, paralisado, encolhido, nervoso, cheio de precaução, cheio de pontuação reticências... Muito nervoso e irritado resfolegante. Totó também latia, mostrava os dentes arreganhados, tremia de nervoso, queria brigar e nem queria apanhar sozinho. Era tudo muito nervoso nervosismo.

            Lilás: Correm! Correm! São os cães! São os cuscos!

            Esmeralda: D nos acuda... e muito mais!...

            Os dois cães: Auauau!... Auauau!... Eu mordo! Eu corto! Eu mordo e eu recorto!

            Pérola: Alguém diz pra eles parar e já!...

            Totó: Auauau!... Eu pego! Eu pego e repego!

            Cajuí, que conhecia a casa de siá Rosa, saiu pro limpo e tentou acalmar os bichos. Tentou separar o conflito. Depois tentou se fazer conhecer pelos cães da vizinha. O menino até já uma vez fizera amizade com aqueles cães superexaltados. Uma amizade de visita. Totó também. Nem eram cães grandes, eram até pequenos, mas estavam cegos de brabos, muito nervosos e histéricos e mandões e territoriais. Totó nem se acalmava. O primo se esforçava e suava frio e tentava conversar com os dois cães vizinhos de cerca.

            Cajuí: Calma, Preto! Calma, Pandorga! Quietos! Sosseguem!

            Preto: Auauau!... Eu corto! Eu corto e recorto!

            Pangorga: Auauau!... Eu mordo! Eu mordo e remordo!

            Totó: Auauau!... Eu pego! Eu pego e repego!

            Isso pouco adiantou. Preto estava muito bravo. Pandorga estava pra lá de impulsivo. O primo procurando inutilmente um entendimento. Totó nem queria saber nem queria pensar. Então, nem ia adiantando coisa alguma. Isso às vezes só piora a situação. A turma foi salva porque do nada de repente veio surgiu soou uma voz articulada e já na portinha da casinha bangalô:

Uma dona alguém que assobiou, e disse: Quieto aí, Preto! Quieto aí, Pandorga! Vem pra cá venham os dois e já e já! Donde se viu, seus bagunceiros!

            Aí até mesmo o Totó se pacificou, boca aberta e língua pendente. A voz era de uma mulher uma matrona uma senhora dona de casa. E os dois cães, meio a contra gosto e evidentemente, pararam de querer atacar os visitantes inesperados noturnos.

Depois que os cães se aquietaram, a turma foi se juntando e se aproximando da palhoça da oca do puxadinho do casebre de pau a pique. Suavam frio, visivelmente assustados, surdos tontos zonzos bobos traumatizados. Totó desconfiava dos anfitriões. Preto e Pandorga cheiravam as visitas e sempre prevenidos. E uma dona em trajes de dormir pijama estava à porta e segurava apontando uma lanterna a pilha.

            Siá Rosa: Mas ora se nem é o menino Cajuí, sô! Que faz aqui nesta hora, sô?

            Cajuí: Me desculpa, siá Rosa... ufa! Foi por pouco...

            Siá Rosa achou por bem, já que a turma estava espantada e meio que perdida confusa, chamá-los para dentro do lar e residência cafofo. Nem era bom ficar batendo papo no sereno ao relento. Preto e Pandorga viram Totó entrar na casa e foram no rastro. Preto e Pandorga ficaram quietos e olhando e cuidando e cheirando de perto o Totó. Totó nem dava as costas pros dois hospedeiros, nem falá! Pra começo de conversa, uma tensãozinha no ar.

            Siá Rosa: Sentem aí, pessoal. A casa é pobre nem reparem que é um puxado improvisado temporário no meio da plantação. Mas, menino Cajuí, que que veio fazer aqui esta alta hora da noite no meio da noite madrugada, sô?! Tua mãe sabe, teu pai sabe?

            Cajuí: Pois olha, siá Rosa! A gente veio atrás da tal e qual mula sem cabeça. Nós vimos ela passá com labaredas e chamas e tudo pelas ventas. Entrou se internou pelo milharal, canavial, feijoal, ervilhal.

            Esmeralda: É mesmo, siá Rosa. A gente seguiu a luz dela, sabe! As línguas de fogo que saíam e saem do pescoço cortado lá dela...

            Lilás: Infelizmente ou felizmente ela nos enganou e a gente a perdeu de vista. Foi aí que viemos parar no seu quintal.

            Siá Rosa: Pois olha!... Nem vi mula sem cabeça. Será que ocês nem tão enganados? Podia ser pode ser um zorrilho jaritataca jaguané jaguaré...

            Rê: Eu acho também que foi engano e um mal entendido pois eu duvido que ela exista. É pura superstição. É um conto muito antigo e fora de moda.

            Pérola: Quem viu foi o primo Cajuí.

            Cajuí: Mas vi, gente! Tava dormindo e aí ouvi um toque! toque! toque! toque!... (quatro vezes) e fui vê era ela, a mula sem cabeça. Tinha fogo no lugar da cabeça. Parecia um fósforo aceso e pegando fogo.

            Esmeralda: A senhora nem viu nada? Nem coisa parecida? Nem coisa nenhuma? Fogo nenhum? Os cães nem fizeram alvoroço e escândalo?

            Siá Rosa: Nada, nada memo. Ocês querem experimentar um bolinho de fubá? Um milho verde? Uma batata-doce bem assada? Umas pitombas? Um doce de abóbora? Pinhão na água no sapeco na chapa...

            Lilás: Obrigada. Mas sabe, siá Rosa, a gente seguiu a tal luz. Pois é, a luz existiu. O fogo corria pelo milharal, aboboral, chuchuzal, cevadal.

            Siá Rosa: Talvez e podia ser a lua as estrelas uma estrela guia ou cadente...

            Rê: Pois a luz eu também vi, mas a mula sem cabeça... já acho exagero e difícil.

            De repente um choro de bebê neném. Siá Rosa foi até o quartinho e o choro sossegou. Logo apareceu Siá Rosa com uma criança no colo de três ou quatro meses e acalentando e ninando e embalando. As visitas rodearam a mãe e o recém-nascido. O neném era uma trouxinha de gente mínima menorzinho e muito engraçado.

            Siá Rosa: Este é meu filho. Oi, nem é uma beleza?

            Esmeralda: Tá com fome, pelo jeito.

            Siá Rosa: Vou lhe dar o peito pra mamar. Toda noite é esta mesma história. Mas ocês fiquem, comam do bolo de fubá, do pão de milho, do biscoito de mel, da bolacha de castanha-do-pará... Comam umas bergamotas, uns cajus, umas jabuticabas e cajás...

            Totó estava mais tranquilo, parecia. Preto e Pandorga já cheiravam Totó, e numa boa. Faziam que já se conheciam de longa data e já podiam ser velhos amigos inclusive camaradas e parceiros. A qualquer momento poderiam trocar experiências e rir juntos.

            A menina Lilás nem queria aborrecer a dona da casa. A patroa governanta nem parecia muito aborrecida. Lilás procurou meio que se desculpar, filtrando:

            Lilás: Talvez fosse melhor voltar pra casa, nem é, gente?

            Siá Rosa: Pois fiquem até clarear o dia, ora! Caminhar por este milharal bananal peral pereiral parreiral tarde da noite nem é bom e aconselhável.

            Rê: Tô concordando. E até já sei: seu bolo de fubá é simplesmente um fenômeno, junto com a geleia de casca de pequi.

            Siá Rosa: Agradecida, menina!

            Pérola: Pensando bem... a caminhada pelo milharal abacaxizal umbuzal cupineiro cupinzeiro muricizal abriu meu apetite e minha vontade de comer.

            Siá Rosa: Então, pra passar as horas... ocês querem ouvir a história da mula sem cabeça? Uma história que eu já ouvi falar, ouvi dizer, ouvi contar e ouvi recontar...

            Lilás: A senhora sabe a versão da história da mula sem cabeça? Que barato!

            Siá Rosa: Sei de ouvir dizer.

            Esmeralda: Pois conte, siá Rosa!

            Cajuí: Vai sê de arrepiá.

            Rê: Então é melhor deixar a gente comê primeiro, senão pode embrulhar o estômago. Eu nem preciso perder o apetite nesta hora.

            Lilás: Que nada, gentem! É só uma história, uma lenda, um conto popular inventado. Qualquer coincidência com a realidade é mera semelhança e ou parecença.

            Pérola: Mas e se der receio, pavor, horror, terror, arrepios?

            Siá Rosa se ajeitou na cadeira de balanço de braços com acomodação pros braços. Cadeira boa de taquarapoca. Cadeira antiga ecumênica e confortável acolchoada. Siá Rosa partiu e deu o pontapé inicial, começamos, começando:

            Siá Rosa: Era uma vez quando JC ou NS ainda nem andava por estas bandas e terras e glebas e assentamentos. O causo que sei se passou em minha família mesmo. Um parente antigo falado (avô do meu avô) chegou em casa um belo dia com uma arca cheia de ouro bruto em pedra recolhido garimpado numas minas profundezas das Minas Gerais, e por onde hoje passam e andam os sítios cidades de Monsenhor Gil e Arvorezinha e Itueta e Anaurilândia e Pedro Avelino e o parque do Mocambinho e o rio Canindé... Todo mundo da família ficou feliz deu pulo de contente esfregou as mãos friccionou os dedos positivo e indicativo deu pulo de mais de metro, e já pensando que iam ficar ricos e mais pouco além de poderosos importantes. Mas o causo era que o tal e qual ouro tinha sido roubado e na mão grande na mão ligeira. Que sucedera sucedeu sucedia? Daí pra frente, que resultou? Bem, ocês sabem. Todo ouro roubado tem uma maldição por cima e por detrás e por debaixo e por meio pelo meio. Assim esse caso nem era diferente. Causo foi seguindo o curso e toda sexta-feira de lua cheia esse tal e qual parente da família esse tal e qual (avô do meu avô) virava mula sem cabeça. O coitado virava um mutante, mu-tan-te!... Saía pra noite como um perdido um louco um conde-nado atrás de fazer má-criação pra qualquer um que aparecesse pelo caminho e zurrando zornando e ornando ornejando... Fazia de tudo que era esconder desviar bicho doméstico, roubar arrasar produto da horta, roubar amendoim, roubar milho verde ou milho maduro, estragar a plantação, enterrar o que estava desenterrado e desenterrar o que estava enterrado... Voltava pra casa pela manhã as estrelas já apagando o sol já nascendo os pássaros cantando os mortais comuns indo ao trabalho. Aí, então, com o sol iluminando tudo, ele (avô do meu avô) passava a ficar bom de novo virava gente outra vez virava o legítimo reconhecível parente próximo. Essa maldição perdurou toda uma ou duas ou três ou quatro gerações da família. Mas foi um dia uma vez que... Aconteceu que um senhor fazendeiro botou capanga atrás de caçar a mula sem cabeça. Esperaram ele (avô do meu avô) chegar no galinheiro e quando chegou para roubar... bem de perto e de tocaia... tacaram fogo de espingarda e a queima-roupa. Com vários chumbos no corpo o meu parente próximo (avô do meu avô e sua tal e qual maldição) acabaram morrendo finando desaparecendo deixando esta para uma no além ou aquém. Para nem deixar pistas e indícios, os capangas jagunços jogaram o corpo do ex-mutante no meio do mato espesso grosso. Quando clareou o dia nossa família se perguntou apreensiva: “Cadê o coitado (avô do meu avô) do parente próximo?” Muitos dias semanas após essa pergunta indagação, foram encontrados os restos mortais do seu cadáver carcaça (avô do meu avô) e que os urubus-jerebas mais as formigas sarassarás-de-pernas-ruivas e os vermes e as baratas tinham deixado sobre a piçarra ou tapururuca. Foi um baque do destino com o horror. E esta é a história que conheço e reconto, sem cortes a partir do começo e com meio até o fim e verídica verossimilhante, e o causo narrativa que veio e vem desde sempre antanho (avô do meu avô) e que a minha família herdou entre os parentes contraparentes. Alguns tais e quais oriundos vindos chegando migrados emigrados imigrados de lugares do Estado ou de algumas regiões do país ou mesmo do exterior.

            Siá Rosa parou de contar, olhou o bebê inocente dormindo no colo, sorriu para as visitas esperando que elas se desligassem do causo e relaxassem. Lilás foi a primeira a falar logo na sequência:

            Lilás: Nossa! Deu pra assustar. Parece quase a história da iara ou a lenda do boto.

            Esmeralda: Apenas que esses nem são de labaredas e chamas e fogaréu.

            Siá Rosa: Querem mais uma fatia do bolo de fubá? Um copo de suco de abacaxi?

            Rê: É uma história antiga. Coitado do tal parente avô do seu avô, hem, siá Rosa?!

            Siá Rosa: Nem fale, menina! Uma maldição exemplar.

            O dia clareou e a turma se despediu de siá Rosa. Preto e Pandorga vieram acompanhar até o meio do milharal, algodoal, mandiocal, macaxeiral, batatal... Totó tinha outros amigos de hoje em diante? E a turma voltou pelo mesmo caminho cruzando o milharal, o tomatal, o cebolal, o morangal, o mogangal...

            A sorte e o mundo e o tempo e o sonho são um e único e mesma coisa conjunta conjunto agrupada. E nem consegue parar. Por que assim essa coisa? Nunca se saberá. Pois todo mundo tem sua sorte determinada colocada sagrada e já escrita. E as pessoas e bichos e coisas podem exportar importar morar nos diversos lugares sistemas ambientes como constantemente consta, Vila Segredo distrito de Ipê, Beneditinos, Teresina de Goiás, Resplendor, Fontoura Xavier, Machadinho, Poço Dantas, Santa Cruz com a estátua imponente de Santa Rica de Cássia, a praia da Lagoinha...

            E nem demorou muito minha gente. Na semana seguinte o home, o home que queria e sonhava laçar D o patrão, passou repassou pela fazenda Buçal da Maniçoba. Propriedade esta particular agronegócio solos luvissólicos e planossólicos agricultáveis. E puxando o próprio D da chuva do tempo pela corda pela soga pelo cabresto pelo barbante. Nem é que o tal havia laçado mesmo, sô!

            Home: Olhem! Reparem! Eu nem disse, eu nem redigo?! Estamos aqui pra todo mundo vê! Lacei D pessoa de todos nós compatriotas correligionários conterrâneos! Tal e qual! Este mesmo NS que inventou o céu a terra as pombas-pedreses os periquitos-dos-cáctus os aracuás os martins-pescadores-verdes as uvaieiras as cidrilhas os agriões-do-pará os solos férteis chernossólicos e cambissólicos o rio Catu a municipalidade de Guamaré e Nova Andradina a catedral NS de Apresentação...

            D NS e o home que o havia laçado cruzavam o pátio a eira naquele importante instante. D onipotente e home laçador pisavam o caminho do chão, a estradinha britada do sítio, a ruazinha de terra vermelha, o chão de pedrinhas friáveis. Cruzavam por baixo de cerca de arame farpado, avançavam por porteira de troncos de panã, enfrentavam por ponte pontilhão mata-burros feita de toras de mangabeira descascadas lisas...

            Sim, era D onipresente e cheio de graça. Reconhecível e reconhecido. D raro e parecido idêntico igual com os desenhos dos livros de as Bíblias e sagradas escrituras e novelas de tevê, nas decorações das capelas das igrejas dos templos dos santuários dos reformatórios. D universal e o home laçador. Faltavam os anjos e anjas e arcanjos santos santas do dia a dia. Mas sem sombras de dúvidas o D único número 1 pensador do universo do céu do mar dos alados das aves concrizes galos-de-campina cardeais chocas-barradas beija-flores bingas cuitelos colibris... dos grandes conglomerados aglomerados sufragâneos urbanos municipais novas edições revistas e ampliadas, Rio Tinto, Portalegre, Extremoz, Serrinha dos Pintos, Campestre da Serra, nação povo zoró...

O pessoal habitante todo da fazenda veio ver e arredores e vizinhanças. Muitos ficaram perplexos, assustados, alarmados com a cena inusitada. Os outros já ficaram com dor de cabeça dor de barriga dor de dente dor de omoplata dor de joelho...

Cajuí: Reparem que D está associado ao home, entendem?!

Rê: E vão fundar uma religião um clube uma agremiação um partido...

Mas vendo que a fisionomia de D super-herói era boa nem pensaram em libertá-Lo desatá-Lo. Afinal D planeta se quisesse teria poderes para fazer qualquer milagre, quanto mais se desprender daquela cordinha de barbante feita de algodão ou linho ou lã ou seda. D presente até sorria e fazia piada.

            Pérola: Mas é D mesmo e físico?

            Cajuí: Pois é, gente. D mesmo foi laçado pelo home. O tal do home laçou mesmo D.

            Rê: Que travessura, que banalidade, que erro enorme e descomunal.

            Esmeralda: Será que D gueime vai fazer alguma coisa? Quer dizer: um grande milagre, algum fenômeno, revolucionar, o paraíso na terra?

            Lilás: Parece conformado. Tá até gostando. É um personagem de ficção, quase.

            Totó: Auauau!... Eu vejo! Eu cheiro e revejo!

            E D sólido concreto ali mesmo, ao vivo, sim puxado pela corda, de cabresto, preso, roupa amassada, sem chapéu, rosto tostado de sol. Todo Ele, tudo meio estranho, esquisito e o mundo continuando muito à vontade. E olhando bem, D etéreo parecia meio aéreo, fora de si, confiante demais, quase um homem muito simples. O mesmo D que fez ou continua criando segue organizando as cabriúvas as quatindibas os mangues-brancos as marizeiras o bando de picaçus os pica-paus-barrados as cutiaias os sapinhos-admiráveis-de-barriga-vermelha o rio São Nicolau o teatro 4 de Setembro o monumento aos santos mártires de Cunhaú e Uruaçu as danças típicas do coco e do bambelô...

            Esmeralda: Vamos segui-los. Estão indo no sentido da cidade de Cachoeira do Arari ou mesmo a localidade de Capitão Gervásio Oliveira quem sabe Florânia e Arez...

Lilás: Seguimos nessa que é bom à beça. E estamos de férias.

Pérola: E cá pra nós, vai começando esta uma procissão devota.

E sempre, mais bom que se diga e repita, estamos plenamente no Estado do Maranhão que é um Estado da federação do B e que ainda muito se orgulha orgulhoso de suas antigas construções coloniais portuguesas decoradas em azulejos. Cuja capital sempre sob o efeito da maritimidade bastante perceptível e que onde se formam volta e meia alguns nevoeiros frentes frias ventos com rajadas mais ou menos fortes. E cidade numa razão sexual de 86, 25 a menor do nordeste e uma das menores do país e do hemisfério sul.

            Rê: Pensava que D pudesse ter roupa melhor, entendo. Tá com o cabelo sem pentear, chinelo de dedo batendo no calcanhar, plete! plete!...

Esmeralda: Muito pobrezinho pé no chão, coitadinho e  desarrumado, quase um mendigo homem de rua e comum e carente.

            Pérola: Vai ver que recém-saído acordado levantado da cama... ou da nuvem.

            Cajuí: Se dirigem para a cidade mais próxima e pelas estradinhas vicinais...

            Rê: Vão fazer o que na cidade de Viamão? Vão fazer o que em a aldeia dos xipaia? Dar entrevista na televisão? Fazer sessão de autógrafos? Rezar uma missa campal? Passear ocupar o tempo no largo Mozart Diógenes?

            A turma curiosa e a vizinhança curiosa seguiam os dois, D divino e home bípede, estrada afora debaixo do sol forte estradinha de poeira vermelha e quem sabe no rumo do parque ambiental da Macaúba ou o farol Mãe Luiza ou coluna da Pedra do Rosário... D presidente sendo guiado pelo home vice-prefeito. O home terráqueo na frente e D aéreo etéreo cosmonauta seguindo e ou sendo puxado pela corda.

            Era verdade verdadeira e verdade grande inédita pois D líquido estava ali no meio do povo. Todo Ele inteiro desfilando preso e diante dos olhos da turma dos olhos dos outros dos olhos de todos nós e vós. D o T-P e cabeludo e barbudo e bigodudo. Cabelos e barba e bigodes brancos e costeletas e suíças muito brancas totalmente brancos da cor do gelo geada. Vestido somente com branca túnica dos ombros aos pés como um pijama. Como alguém se veste de quimono de roupão ao sair do banho. E D infinito, quem se habilitaria?, ainda parecia um simples ser humano simples e mortal e camarada e cordial. Era impensável mas Ele mesmo já criara inventara as coisas da terra do mar e do ar tais e quais as guajuviras os camboatás os alecrins-de-são-josé o bando de soias a praça José de Barros as bibliotecas públicas municipais estaduais universitárias comunitárias a grande Teresina (a terra da cajuína) construída em traçado geométrico e que fica instalada desde sempre na área da Chapada do Corisco...

            Senhores e senhoras entoavam cantos sacros e com vozes harmoniosas afinadas postadas clássicas muito empolgantes vibrantes. Estrada rumo à cidadezinha de Jequitaí ou Miguel Leão ou Araruna, estradinha estendida na paisagem como cordão corda vermelha, caminho de passagem entre palmeiras buritis, aldeia cutaxó, cruzando os rios afluentes com a ponte metálica João L. Ferreira sobre o rio Parnaíba, campos, morros, bando de bois pastando mascando pachorrentamente.

Dado momento, vendo-se rodeado de bom ambiente fiel fidedigno, D principal e es-pe-táaaa-cu-lo mandou parar a procissão, a passeata, a multidão, a turbamulta, os fogos e morteiros, subiu numa pedra ali mesmo dentro do parque Lagoas do Norte e falou justamente naquele tom ou som ou voz natural dos deuses:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: ouros e espadas e copas e paus, tatu-galinha e tatu-de-folha e tatu-liso e tatuetê! Em verdade em verdade vos digo: virá o dia, sem demora, que um grande terremoto abalará toda a estrutura da terra! Cairão todas as casas e prédios e viadutos e torres! Tudo sumirá engolido para o interior do caldeirão aceso! As pessoas se perderão umas das outras; pai e filho nunca mais se verão, mãe e filha nunca mais se abraçarão! Tudo isso por causa do pecado e do rancor e da incerteza que tomaram conta dos vossos corações e mentes e sorrisos e atitudes! O dia do fim está próximo dobrando já a esquina, e breve virá o julgamento definitivo inapelável! Vocês querem ver o sol diminuir e apagar?

            Lilás: Que que D tá querendo explicar e ou ensinar?

            Rê: Que está brabo com as pessoas que derrubam árvores, prendem passarinhos, pescam na piracema, jogam lixo fora da lixeira, que se deixam corromper e corrompem...

            Esmeralda: Que já perdeu a vontade de olhar o mundo como jardim do paraíso.

            Dizendo tudo aquilo que disse, D itinerante e o home laçador continuaram pela mesma estrada avenida Café Filho ou Buarque de Macedo... O povo interessado, crente e assustado, seguia no rastro. Uma carroça ou carreto, puxado por quatro homens honestos, foi posto à disposição de D para a longa viagem jornada. A partir daí, D secular viajou de carreta tração humana 4x4. D inseto sempre sendo conduzido seguro pelo home laçador. O home traga-balas sempre guardando ou puxando ou amparando D super pela corda, também se aboletou subiu de carona. Um calor que ninguém daqui tem noção.

            D micareta olhava as pessoas ao seu redor e que o acompanhavam. Os pobres e as pobres os ricos e as remediadas que caminhavam matematicamente ao redor da carroça. D olhava e admirava essas tantas pessoas, mais que olhava e admirava as aves do céu, mais que olhava e admirava as cores do céu. D urânio e lâmpada de led que fez o mundo em poucos dias para as pessoas e os bichos e as coisas, assim mesmo: as canafístulas e as favas-de-bolota, os cutitiribás-grandes e as caapomongas, as urtigas-de-cipó e os chapéus-de-couro, as galinhas os galos os frangos as frangas os pintos... E acima de tudo mais outros parques atrativos e repositórios ambientais ecológicos com espaço harmônico autossustentável para os mercados supermercados hipermercados...

            Mesmo com céu nublado o calor era muito o mormaço insuportável a sensação de desconforto derretimento. A estrada de terra de pedras soltas, cansava o passo. A carroça mesmo tinha dificuldades para rodar manobrar e acompanhar planejar executar. Isso foi motivo suficiente para que D memorável e o home laçador e carroça tracionada estacassem no portão de uma casa de alvenaria e ali bebessem uma caneca de água h2o.

            Esmeralda: Será que D nem gostaria de pegar um automóvel táxi moderno, hein?!

            Lilás: D milionário é um ser um ente um tanto simples e sem luxos.

            A dona de casa, que serviu ao D exemplar e ao home laçador com água boa e fresquinha, foi por Ele mesmo o NS abençoada e recomendada e condecorada. A distinta senhora se ajoelhou se rebaixou se emocionou ao mesmo tempo que cobriu a cabeça com os braços e as mãos escondendo a testa entre os joelhos agradecida e agradeceu o prazer que D homo sapiens lhe dava com sua divina visita. Depois beijou várias vezes, com muito cuidado e gosto, a mão de D réptil suas vestes seu turbante. D dos deuses se ergueu na arrastável carroça de arrasto e falou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: sul e norte e leste e oeste, soim e sonhim e sagui e mico! Em verdade em verdade vos digo: um grande maremoto súbito subirá das profundezas do oceano Atlântico e inundará toda a terra firme toda a costa do B! Como um tsunami! E na forma de enchente enxurrada. O sertão virará mar e o mar virará sertão! Essa é a condenação pelos erros da luxuria e bruxaria e injustiça! (Aproveitou para colocar uma bala de menta na boca). Eu sou o P T-P, e afirmo que o juízo é amanhã! O final que ninguém quer se aproxima, todos baterão com a cabeça no chão e nem mais se erguerão! Nem haverá tempo para choro ou ranger de dentes ou prorrogação! O fim está próximo, muito perto mesmo, quase ali na esquina! Vocês querem ver o sol em plena noite?

            Pérola: D está brabo com D e todo mundo.

            Esmeralda: É, D perdeu a esportiva. D artesanato confecciona expõe e vende.

            Dizendo mais aquelas palavras locuções expressões frases, D campeão deu ordem para que a carroça prosseguisse andasse. A multidão crescia sem contar e a partir do pré-escolar até o fundamental e médio e técnico e universitário. Muitos nem se contentavam apenasmente em olhar, achavam melhor tocar as vestes, pegar na mão, tirar foto com celular, pedir autógrafo, gritar palavras de entusiasmo, vivar, lembrar, solicitar conselhos remédios recibos e outros tipos de pedidos...

            Rê: Eu nunca parei pra pensar que um dia D pudesse estar assim, bem perto de mim, ao vivo, se dirigindo a nós, se comunicando. Isto sim que é surreal e atípico.

            Pérola: D já vive uma eternidade. Antes de tudo, durante tudo, depois de tudo tudo.

            Lilás: D é assim e nem quer e nem pode mudar. Quem é que pode com D?

Devido ao caminho irregular, a carroça quebrou uma roda e pifou. Com o solavanco tropeço, D criador e o home laçador foram jogados para fora do veículo e para o chão. Felizmente nada de mais grave sofreram, e foram amparados pelo povo que os cercava. E para tirar o pó da garganta, o susto dos olhos, se sentaram na mesa do bar Regeira. Foi-lhes servido uma cerveja ou um chope e uma porção de batatas fritas por conta da casa. D peixe estava tão à vontade que ofereceu algumas batatinhas para as criancinhas que o rodeavam. Pegou criancinhas no colo, beijou no rostinho, acarinhou o cabelinho, sorriu, e prometeu praias mais limpas e menos povoadas jardins suspensos mais decorados e floridos parques de diversão grátis para menores de idade terceira idade agentes da saúde...

Logo logo, ainda hoje, D fiel se ergueu e olhou a multidão compacta. Deixou o copo de cerveja pela metade meio cheio e meio vazio e os amendoins torrados no pratinho sobre a mesa e foi falando com toda a razão cheio de razão absolutamente racional:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: terra e fogo e ar e água, aba e sopé e falda e fralda! Em verdade em verdade vos digo: do centro da terra explodirá um vulcão fantástico, e sua força e fogo derreterá tudo na superfície! Todos sumirão num piscar de olhos! Isso porque nem me obedecem, esquecendo minhas leis ou mandamentos minhas regras e ordenanças! (Um gole de cerveja geladinha trincada). O fim será amanhã! Eu sou o P dos pais e condeno todos aos esgotos profundos os subterrâneos do inferno! Vocês querem ver o sol implodir desmoronar?

            D vegetal tomou o último gole de suco de pequi uma rapadurinha na boca agradeceu a hospitalidade e seguiu caminho em fora. Agora iam todos a pé e passo a passo. D constante constantemente era presenteado com biscoitos, quindins, doces os mais variados e deliciosos, iogurtes, jabuticabas, gabirovas, potes de mel silvestre, geleias, bolinhos de chuva, tijolinhos de coco, paçoquinha, pé de moleque... Velhos e moços e crianças vinham para tocar suas vestes cumprimentá-Lo parabenizá-Lo... Os desassossegados e descamisados os viciados e desempregados gemiam tossiam choravam esperneavam e apertavam os dentes, e eram consolados. E eram acariciados recomendados diagnosticados. E todos abençoados recomendados. Assim porque D uniforme ali presente já era dono e proprietário de façanhas muito conhecidas muito importantes, rio Forqueta, camboatãs-mosquiteiros, caneleiros, perpétuas-do-brasil, jejus, gaviões-pombo-pequenos, tesouras-do-brejo, praça Pedro Velho ou Cívica, praia da Redinha, cachoeira da Mulada em o distrito de Criúva interior de Caxias do Sul, danças do forró pisadinha arrocha brega...

            Cajuí: Gente do céu e celestes! Será mesmo que devo pedir pra D ressuscitar a Merendinha, ex minha vaquinha malhada de estimação e que se foi no inverno passado?

            Esmeralda: Vá rapidinho, então. Ele tem muito milagre pra fazer. Olha só quanto povo pedinte. A fila é enorme. A procissão é gigantesca. É preciso muita sorte e comprar o bilhete com antecipação.

            Cajuí: Todavia sou jovem demais para ser um eleitor, tá ligada?!

            Rê: Meu modo de ser nem é de barco a vela, entendam?!

            O caminho, o dia de sol forte, o povo falando igual colmeia de abelhas nervosas exigia muita paciência de D pedra e seu laçador humanoide. O povo também sentia o calor, mas o populacho era curioso e acreditava e insistia e persistia e se contorcia. Nem se economizavam, uma vez.

Pararam todos tranquilos sob um branquilho centenário amparado por duzentas muletas de apoio escoras. D popular subiu o barranco, foi até o gramado, tirou os chinelos. Uma moça lhe refrescou os calos e bolhas dos pés com água da fonte. D padeiro e homem laçador beliscaram brigadeiros, quindins, salgadinhos diversos, pudins de macaxeira, beberam suco de açaí direto na cumbuquinha cuiambuquinha tigelinha... D como nunca se viu antes e quinze minutos a seguir cuspindo semente de melancia ali no chão tossindo preparando a garganta se preparando para falar preparado e disse falou, sem mandar dizer sem intermediário sem evangelhos tábuas da lei:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: círculo e quadrado e triângulo e retângulo, peixe-aipim e congro-real e vira-vira e tiravira! Em verdade em verdade vos digo: o dia que chega próximo inapelável está marcado para amanhã! A terra sem habitantes ficará inútil e sem serventia! Isso porque insistem em fugir da minha palavra, da minha lei, da minha mão, do meu caminho! Pecaram contra Mim (orque!... - arroto) desculpem... e contra vocês mesmos! Contra tudo e contra todos! Minha ira nem deixará pedra sobre pedra, estaca ao lado de estaca, ponte sobre rio, trens sobre trilhos! Eu digo e nem volto atrás! Eu digo e nem Me arrependo! Eu digo e escrevo preto no branco! Vocês querem ver o sol explodir emulsificar?

            Então pegaram em conjunto todos ao mesmo tempo, D especial e homem laçador e povo curioso (subindo no início o morrinho do Saraquá), e novamente a estradinha de vermelho rumo da cidade de Tabatinga ou Nova Santa Helena ou São José do Ouro ou Martins ou Mataraca... A procissão cada vez maior e barulhenta, acontecimento. Um homem se projetou em frente a D índio e ofereceu seus ombros largos para carregá-Lo transportá-Lo. Sobre os ombros do oferecido (que parecia alguém muito familiar), D arrecife se sentiu mais feliz quase imperador muito agradecido pra lá de contente e com disposição para cumprimentar abanar sorrir muito mais. Esse mesmo S do céu da terra dos oceanos e T-P do tempo e do espaço e também que era o voluntário inventor das coisas em geral existentes conhecidas, cardumes de charutinhos, bandos de tem-tens-de-estrela, matos de juquirizinhos, capões de itaúbas, ruas artérias logradouros avenida Frei Serafim...

            Lilás: Todos somos muito otimistas.

            Pérola: Tem uma linha de trem que faz este mesmo horário. Quem sabe, né!

            Quarenta e sete quilômetros à frente o pobre homem oferecido, já cansado esfalfado derretido sufocado, tropeçou e caiu caiu, foi pro beleléu. Pronto. E D gordo foi jogado sobre os fiéis, e ainda assim bateu o vértice o nariz no chão, taque!... Tonto e acidentado e doído passou a mão no machucado, ai! ai!... upa!... oi! oi!... e viu o sangue sujar sua túnica sua roupa de passeio domingueira. Imediatamente foi pronto socorrido e pensado e atendido. E em dois minutos estancada a ferida o defeito o problema.

Outrossim e em frente seguindo o previsto o imprevisto, D valente nem se deu por vencido ou vendido e foi se lavar o rosto as mãos os pés abluções e comeu doce de jaca mastigou doce de batata-doce bebeu uma água de coco passou um pano xadrez úmido na mancha da roupa olhou a multidão sem-número cada vez maior que o cercava e o conduzia e falou declarou sentenciou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: primavera e inverno e outono e verão, anambeúna e anambé-preto e anambé-una e mãe-de-tucano! Em verdade em verdade vos digo: cairá chuva e granizo os 40 dias e as 40 noites, sem parar. E dessa vez nem haverá um Meu filho JC! Um simples nariz quebrado nem impedirá que minha voz soe e voe aos quatro ventos! Eu vos digo e redigo: a condenação será amanhã! Isso porque a inveja e a avareza apodreceram todos os corações e decisões e razões! (Parou para comer um bocado de sanduíche e beber um gole de suco de abio). Podem ir chorando podem desde já arrancar os cabelos se cobrir de cinzas, porque nada se salvará! Nenhum tipo homem e ou bicho e ou árvore, ficará para semente! Cobrirei o azul de fumaça e toda a terra de lama incandescente! Vocês querem ver o sol quadrado?

            Lilás: O tombo foi muito feio. Machucou muito o bico, coitado.

            Rê: Pensei que o sangue de D fosse de outra cor, e pra variar. Sangue verde, por exemplo. Nem posso duvidar de nada na presença de D. Nem vamos esquecer que D criou e contém o parque das Dunas mais o rio Potenji, é.

            Pérola: Está doendo o machucado. Viram só como se incomodou, o dileto?

            Esmeralda: Mas D pode fazer um milagre a qualquer momento. E um mais rápido e genial que o outro. Nada nem nada pra Ele é fracasso.

            Cajuí: E pode recomendar ao povo população: “Olha, gente! Tenho um milagre!” E aí Ele diz a abracadabra... taí o milagre mais verdadeiro do mundo. Incomparável e normal igual o pão com geleia de pitanga, queijo com goiabada, açaí com tapioca...

            Prosseguindo na caminhada aventura, D difícil ou fácil foi e se apropriou duma bíci cor de prata nova em folha. Pedalando comodamente calmamente preferencialmente, D novo novíssimo passou por cima atropelou os ramos e flores e pétalas que o povo jogara na frente. E assim, com freios de pedal e nas mãos, entrou no perímetro urbano da cidade de Afuá ou Terra Nova do Norte ou Chapecó ou Colônia do Gurgueia ou Bataguassu ou aldeia território dos curuaia ou nação pátria dos cupinharó...

            Cajuí: Quem vai homenagear NS e nosso D o T-P, hein, gente?

            Lilás: Uma comitiva de médicos advogados professores parlamentares...

            Rê: Os sul-americanos em geral... acho quê.

            Pronto. Dito e feito. Logo na entrada da primeira rua da cidade avenida Fontes Ibiapina houve esse tradicional foguetório despertar de fogos exibição pirotecnia. E escolas de samba e danças de capoeira, berimbaus e tamborins, banda tocando marchinhas de carnavais antigos, acenos com bandeirinhas de cores e balões inflados coloridos, arcos feitos de flores diversas e folhas da bananeira, trios de rainhas princesas simpatias...

            Sempre o povo corria acompanhando, corria e ria e pulava, brincava de pegar, sem até mesmo saber o que fazer com tanta festa e descontração. Maravilhados, todos pulavam com o som do tambor dos pratos da percussão. Sabiam de ouvir falar que D sucesso era o dono e atual governador das coisas sobre a superfície da terra, ou suas cópias mais ou menos naturais, tais e quais: lagos artificiais e quadras poliesportivas ao ar livre e mirantes e trilhas de passeio e auditórios e anfiteatros e espelhos d’água e florestas fósseis e herbários e banheiros públicos e ciclovias e rampas de esqueite e galerias de arte santeira...

D capital primordial recebeu, das mãos do prefeito e autoridades locais presentes dos considerados dos nomeados dos escolhidos dos pretendidos dos conceituados dos justos dos honestos, a chave da cidade. A multidão que já o acompanhava e mais a que o aguardava, se somaram causando um tumulto nunca visto um engarrafamento uma greve geral. Parecia festa de padroeiro, todo o povo estava ali e desfrutando. Os sinos gravados e divulgados pelos alto-falantes da igreja matriz repicavam de alegria, e foguetório foguetes explodiam ribombavam no ar da tarde.

Pérola: Daqui um pouco já perdemos D de vista e mais a multidão compacta, é.

Esmeralda: Muita fama e progresso e carnaval fora de época, em?!

Cajuí: E tudo começou num simples passeio simplesinho, conforme.

Assim mesmo, D ator aglutinou a massa popular. O povo aplaudiu gritou vivas tirou o chapéu fez continência e se curvou. As mulheres murcharam as sombrinhas e guarda-chuvas e guarda-sóis e se curvaram, as crianças correram para frente e para trás procurando ficar por perto e ao mesmo tempo brincar. Todos Lhe jogaram os beijos as flores e os ‘ai meu deus!’. Sem contar os que desmaiaram, choraram, esperaram, acreditaram, testemunharam, penitenciaram, solicitaram... Era emoção única e inenarrável. D vera-efígie ao vivo na praça Saraiva. Nem olhavam para o céu, nem erguiam as mãos para o porvir. D turmalina paraíba estava ali na praça Vigário Antônio Joaquim e ao natural e presencial. A bandinha aproveitou e tocou mil e tantas músicas populares bem agitadas de axés e congadas e reisados e maracatus e hinos pátrios...

            Nas escadarias da igreja catedral da Sé, D apeou da bicicleta magrela subiu alguns degraus se voltou olhou a onda popular a seus pés, o home laçador por perto, a cidade de Divinópolis ou Putinga ou Galinhos ou Governador Dix-Sept Rosado ou Sananduva... ao alcance da mão na sombra de um abraço apertado fraterno na distância de um sorriso generoso franco e falou mandou nem delegou:

            D: Apocalipse! Apocalipse! Os quatro ases estão na minha mão! Os quatro ases são: azul e verde e vermelho e amarelo, suinã e bico-de-arara e bucare e feijão-bravo! Em verdade em verdade vos digo: vossas próprias atitudes armadilhas estão sendo preparadas para se autodestruírem como numa guerra fratricida e sem precedentes! Dessa pandemia de Covid-19, de uma só batalha interminável perseverante, ninguém sairá com história pra contar! Eu vim para prevenir que o juízo será amanhã de manhã! Isso porque vocês todos são uns loucos, uns insensatos, uns sovinas, uns ‘cospem no prato que comem’ uns ‘reclamam do que têm’! Pra falar sinceramente divinamente e em primeira mão, já nem aguento mais! Nem querem me ouvir? Pois bem, largo de mão! Só nem vão dizer aqui e ali e além e aquém que nunca jamais foram avisados por Mim! Vocês querem ver o sol desconsertado? Vocês querem ver o sol golaço?

            Pérola: D tá irritado irado furioso perigoso escandaloso afrontoso insulso...

            Cajuí: Pura água boa límpida inodora incolor insípida...

            Rê: E nem manda dizer as coisas que têm que se dizer que precisam ser ditas...

            Acabando acabada essa falação discurso showmício, D entrou no templo igreja santuário passeou pela nave molhou dois dedos na pia de pedra basalto com água benta dobrou o joelho direito fez o sinal da cruz e passeou andou caminhou até o altar-mor. Ali diante do altar bonito e bem pintado e afrescos, imagens de outros santos e santas, tabernáculos e troféus e vasos com flores, diante do seu magérrimo filho JC crucificado, se ajoelhou de vez e baixou a cabeça e se entregou à oração à reza à missa ao culto ao ritual.

O povo crente o seguia seguiu discreto e discretamente. Pelos vitrais, coloridos com desenhos lembrando a passagem de JC pela face da terra, entrava um sol fraco de fim de tarde de fim de dia tardezinha de fim de estação verão. No teto esvoaçavam revoavam as andorinhas e corruíras e tico-ticos e rolinhas fogo-apagou e sabiás-laranjas... Volta e meia carimbando selavam a cabeça de um e outra devoto fiel seguidora penitente.

            Um pouco levado pela emoção empolgação D potiguar rio-grandense-do-norte norte-rio-grandense se ergueu satisfeito fez novamente o pelo sinal característico e saiu da casa consagrada sua própria casa representação na terra. Ladeado pelo padre o pastor o xamã o prefeito a porta-bandeira o procurador-geral o pró-reitor o primeiro-sargento e dezenas de políticos da situação e oposição, caminhou em frente direção à praça Coronel Tristão J. de Fraga em o bairro Partenon e palanque tablado rampa dos discursos coreto plataforma. A multidão espiritualizada o seguia quase em silêncio quase ao mesmo tempo quase em estase e quase libertando a catarse velas acesas nas mãos... Todos os presentes agradecendo fisicamente presentemente pessoalmente e reagradecendo.

            Esmeralda: Puxa, tá anoitecendo. Será que D vai fazer outro discurso? Será que D vai dormir no hotel Mangual três estrelas? Será que D vai visitar a creche Camacã?

            Lilás: Talvez na casa paroquial ou pensão dos franciscanos dominicanos.

            Pérola: D estrelejado estrelante pode muito bem pegar um cometa de vassoura e... em dois minutos aterrissar alunissar estrelissar(?) na estrela Aldebarã.

            Cajuí: E decifrar os escritos do sítio arqueológico Lajedo de Soledade na Chapada do Apodi. E de uma vez por todas definitivamente sem dúvidas.

            Totó: Auauau!... Inté mesmo de olhos vendados e prevendo o futuro dos astros.

            Rê: Queria muito saber como é que é o céu por dentro e no fofinho, hum!...

            Pérola: O céu deve ser nosso e como o imaginamos. Deve de ser uma planta jurubeba uma ave aquática aiaiá um rio Paraíba do Meio uma aldeia crixaná...

            D potamônimo iurimagua e as autoridades políticas chegaram ao palanque dos comícios das manifestações das festas de fim de ano. As luzes da cidade de Veranópolis ou Tombos ou Porciúncula ou Centenário ou Feliz Natal... se acenderam de repentemente. Parecia noite de natal ou ano novo ou carnaval, ainda podia ser de festa de santo padroeiro ou santa padroeira, até formatura entrega de prêmios aos melhores destacados. D eterno olhou o povo, ergueu os braços em parênteses, ia falar e soltar a voz o verbo... Ia dizer algo, mas nem pôde. E o tempo travou entre um tique-taque e outro.

Uma moça saindo do meio da multidão fechada, e muito nervosa apressada, cruzou atravessou o bloqueio das autoridades sociais, tropeçou na subida dos degraus da escadinha do púlpito ou altar, e chegou junto a D e S do céu da terra do mar e mais além proprietário campeão das árvores arvoredo, crindiúvas, marmeleiros-brancos, maçarandubas-vermelhas, curuatingas, bugres, pequiás... A guria e já muito enlevada toda ela transfigurada pela emoção saudosa e esperançosa cabelos formidáveis chegou com tudo e representou o seu papel na peça exclamou texto na ponta da língua decorado:

            Moça: Papai, meu paizinho do céu! Pois o que o senhor tá fazendo aqui, assim, preso a esta corda, exposto ao ridículo ao desprezo ao riso ao deboche dos outros? Que teatro popular sem pé nem cabeça é este? Eu te adoro! Então, vem comigo?!

            A multidão, e agora, que sempre acompanhara tudo crédula e satisfeita e crente, agora mesmo, e de boca aberta e olhos arregalados procura entender a cena fora das escrituras e figuras de linguagem. As pessoas ali se entreolham...

            Lilás: Quem é esta moça surpreendente e de arrepiar a pele?

            Esmeralda: Deve ser uma devota uma irmã de caridade uma enfermeira de plantão...

            Rê: Convenhamos que nem aguentou e foi lá agarrar o NS.

            Totó: Auauau!... Acho que é a própria Maria mãe de D. E ela tem direito.

            Pérola: Ou mesmo será uma rainha de bateria, uma musa de poeta, uma Iracema?

            As autoridades competentes e eleitas escolhidas no último sufrágio universal e ali presentes junto a D sideral cosmopolita, tentaram retirá-la tentaram agarrá-la e nem houve jeito. A moça parecia possuída por uma força impossível uma emoção ainda maior e mais outra coisa tipo sei lá o quê. Sempre segurando o progenitor pelo braço ou pela mão, a jovem jogou a corda no chão com muito empoderamento com ênfase, vazou pela multidão abrindo caminho, e nem se importou com mais nada.

Então os dois seguiram rua Vazulmiro Dutra abaixo acima ziguezagueando, andando sem parar passando em frente ao teatro Aricapu, virando a esquina na travessa do Barbaquá, já pela pracinha Faria Lemos, e desaparecendo no beco sem eira e beira do Carijo. Embora para sempre ou até o esquecimento dos tempos.

            Muita gente viu, e jura que ouviu, e conta que o que viu, e aumenta que ouviu, quando eles dois parentes familiares subiram para as nuvens no elevador do arco-íris ou arco-da-velha ou arco-de-deus... O último arco-celeste daquele dia junto ao forte de Santa Catarina. O último arco-da-chuva daquela semana e temporada. No último raio do sol caindo na tarde faceira. No último raio do astro caindo antes da noite climatizada. No exato instante que brilhava a primeira estrela e guia de nome divina na noite calorosa.

 

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