quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Rio Parecido

 

                                                          

 

            É natural honesto bonito realizar um sonho assim. Por que é um sonho, então! Pegamos um barco voar as corredeiras e cascatas e remansos e furos e paranás e igapós, e vamos por este rio caudaloso aos carinhos ao vento. Trocamos beijos na proa.

            Navegávamos felizmente o rio Acre, país dos kaxinawá.

 

            Um barco a vela, como soltos ao vento teus cabelos toucados bonitos. E teus cabelos arranjados adornados lindos. E teu bonito nariz de asa-delta. De tua boca de pitanga amarela. Olhos grandes bonitos grátis. Rosto pele fruta caju amora-do-mato. Flores de chuva-de-ouro e sempre-viva-da-serra na orelha.

            Velejávamos imensamente o rio Apurema, terra dos cariú.

 

            Sol azul vento calmo noroeste árvores verdes céu gorjeio de catataus ‘tsi-tsiiii!...’ assobio de arapongas ‘vri-vri-vri!...’ grito de papagaios-diademas ‘cláu-cláu!...’ flauta de chora-chuvas-pretos ‘fli-flê-flêeee!...’ cicio de saís-beija-flor ‘es-tri-riiii!...’ trilo de saíras-sapucaias ‘fiu-fiu-fiiiiu!...’ e bate rebate bater de asas ‘plá-plá-tê!...’

            O vento toca enfuna enche as velas os toldos do barco como touca adorna teus cabelos bonitos como desloca roda gira um cata-vento ataca-vento. Somente os pássaros sabem de tudo. Teus cabelos lindos eriçados cacheados como um precioso acata-vento.

            Embelezávamos panoramicamente o rio Maués-Açu, habitação dos ticuna.

 

            Asas transparentes de jataí, juruaçu trapeja, enseada caprichosa, zumbidos zunidos ‘ztê-ztê-ztê!...’ que estão uma coisa demais, outras enseadas, toucás floreadas, comandatubas floridas, begônias-de-folha-estreita florescidas, mais baías e enseadas, nhambuanhanga canta ‘rá-tau-tau!...’ E a ordem em que está o ambiente diz fala retine ‘blim-blim-blim!...’ isto mesmo.

            Visitávamos classicamente o rio Miriti, localidade dos marubo.

 

            Ariscas aves pescadoras pipilam chirriam trinam ‘tchi-tchi-uuuuh!...’ berram arrulham alertam trincam ‘bri-têm!, bri-têm!...’ marrecas-cricris biguás tachãs socós-bois-baios colhereiros tero-teros guiratingas tuiuiús e atacam invadem o barco e nós dois. Treinamos beijos no convés.

 

            Árvores rumorejam coisas impossíveis existentes. Casais de passarinhos brincam de pega-pega esconde-esconde anda-corre-voa treme-treme. Aroma cheiro cheio no ar de salsa-do-campo araçá-do-brejo cipó-camarão. Tudo total completo e repleto.

            Singrávamos magnificamente o rio Cabixi, pátria dos krahô.

 

            O mundo - o mundo todo e todo o mundo e todo mundo - se assim sendo. O barco solto tonto passageiro de passagem sobre pororoca ao vento. Trocamos delicadezas táteis beijos encontrados e abraços e lambidas e carícias e risos ‘gar-gar-gaaaar!...’ e resmungos e muxoxos e respostas e amassos e cócegas, consumidos os dois. Depois sim, mais beijos com delícias olhares quentes e ósculos.

            Percorríamos principalmente o rio Paratari, território dos kaxarari.

 

            Pousamos pontuamos uma ilha dos tantos arquipélagos do rio, o sol cai parte desce atrás na cascata dos teus lindos cabelos adornados, olhos esmeralda certa, e teus cabelos melenas crinas mechas bonitos naturais endêmicos orgânicos bem arrumados.

            Dormimos o sono cansado das investidas, abraçados, agarrados, boca com boca aos beijos, sorrisos ao leve da brisa, sobre nós as nuvens, sem uma nuvem, e depois as estrelas duplas ou múltiplas e o arquipélago a constelação.

            Nadávamos olimpicamente o rio Aponiã, área dos machineri.

 

            Ancoramos o barquinho na enseada a prainha limpa várzea mangues-de-água-doce mangues-brancos. Quase se nota. Revoltam voam em ondas revoam bandos de papagaios-do-peito-roxo periquitos-de-encontros-amarelos revolucionam sobrevoam o rio Aporé o rio Grão-Mogol, que estes sim fazem as divisas limites naturais favores entre Cassilândia e Itaquaquecetuba e Mogi das Cruzes e Arujá e Guarulhos e Suzano e Poá e Ferraz Vasconcelos e Bicas e Belmiro Braga e União dos Palmares e Piau... Estalamos beijos ‘plé-pléque!...’ debruçados junto à alheta de boreste.

 

            O rio navega o rio nada o rio mergulha. O rio habita o caminho do rio. O rio junta o rio. E mais rio com rios fluentes fluminenses. O rio funda a cidade à beira-rio. Meia dúzia de quatro ou cinco rios fluem confluem afluentes. Rio que transborda em o rio profundo. Rio que pensa cachoeiras e desperta cascatas e descobre corredeiras.

            Veste conjunto pouca roupa duas peças biquíni, teu pescocinho lindo e saudável, caprichosa, diferente, boca desenhada em coração em arco. Um sorriso que igual concorda. Uns cabelos nos olhos e os cabelos apetitosos lindos fáceis perpendiculares.

            Aportávamos divinamente na coroa do rio Corumbiara, nação dos waiana apalaí.

 

            O rio anda e vai e volta, o rio desce e sobe e acredita. O rio de uma forma ou de outra. Os lambaris podem fechar a boca. Bacuris, muricis, bacuparis e o besouro de capa de couro passeia ‘tripetrepe!...’ na folha verde. Sendo por si só o melhor menor de uma cor metálica. E um verde com pintas pretas e antenas agitadas e motorzinho que azoina ‘ih-zê-zêeee!...’ Falamos dialogamos doçuras abelhas irapuãs ‘txi-txi-txi!...’ mel doce e as palavras vocábulos açúcar cristalino. Despojamos beijos na popa.

 

            Movimento movimenta movimentamos trejeitos rápidos o beija-flor-rajado, descansamos um instante o uirapuru-de-chapéu-azul, se volta transigente para todos os lados a juruva-verde, atende a todos os ruídos e a todas as sombras o uí-pi, estala gorjeia ‘pside!, pside!...’ o bagageiro, limpa o bico nos ramos a solta-asa-do-sul, ensaia passos o tijerila, voa rufla trissa ‘pli-pli-cli!...’ o lenheiro, interroga a alma-de-gato...

            Deleitávamos esportivamente em a praia branca do rio Quatro Cachoeiras, Estado dos jaminawá.

 

            O sol esquenta o café da manhã com a primeira coivara do dia, as árvores arbustos cipós ervas trocam ideias, os pássaros pulam do acolchoado edredom. O dia amanhece mais cedo. O sol reina impera comanda o ritmo do mundo do planeta.

            Acorda noiva nova quase nua, ou inteiramente nua, a penugem que arrepia, envolta em sonhos sonâmbulos e preguiça e ressaca. Os cabelos nas costas. Estica os braços, lindos cabelos soltos, boceja e me olha sem que eu perceba. Sempre já imediatamente me ligo me acordo me mexo me desperto me felicito me espreguiço.

            Cantávamos plenamente o rio Paru, vila dos ianomâmi.

 

            Pela praia, assim, pés lindos e leves e descalços, urucá no tornozelo, esperta e flexível, admira os tracajás os quero-queros os guarás que balançam nos mangues-amarelos, os cabeças-secas as saracuras-lisas as garças-reais e os pés de juquiris-mansos, aprova o sol, cabelos acostumados com o vento doce, aproveita as estrelas que ainda, ouve escuta os gorjeios ‘ti-ti-tiiii-éeee!...’ os zumbidos ‘zi-zêeee-ziiii!...’ mira admira o sol, cabelos pintados à manhã, alma serena, respira inspira árvores verdes amarelas vermelhas azuis, espera esperança o calor, manhã transparente e tudo mais, aguarda guarda o dia. Degustamos beijos em o cesto da gávea.

            Olhávamos oniricamente o rio Nhamundá, reserva dos nhandeva.

 

            O vento toca sopra como sempre os teus cabelos suaves, os teus cabelos bonitos, e então olha para trás, me aguarda - e sem que eu pressinta, pois estou dormindo como ninguém -, e teus cabelos pegam fogo do dia amarelo, cabelos orquídea amarela.

            Continua pisa anda na praia do rio, o sol no início, estrelas saem em curva acentuada. Deseja que o dia irradie dardeje brilhe e que eu me apegue me levante. Teus pés passeiam pegadas na areia branca e macia e morna e branquíssima e fofa. Umas flores amarelas de azedinha-do-campo brincos-de-princesa. Cabelos compridos bonitos camuflam os seios simples lindos harmoniosos aromáticos luminosos aconchegantes.

            Inaugurávamos absolutamente a cachoeira da Belinha no rio Piumhi, departamento dos embiá.

 

            Se acaricia se toca nos seios dourados e quase cai e mais arrepia e na manhã de toda matinada. Um casaca-de-couro fala canta gargalha ‘kjá-kjá-kjá!...’ Um bando de periquitos-testinhas conversa dialoga gargalha ‘ahahah!...’ Um pé de caixeta fru-frua balança gargalha ‘hi-hi-hiiii!...’ Um curutié quica saltita gargalha ‘ri-ri-riiii!...’ Um pé de sucupira-branca tru-trua ensaia gargalha ‘djá-djá-djá!...’ Uma patativa ronca assobia gargalha ‘quá-quá-quá!...’ Um enxame de guiruçus zoa ressoa gargalha ‘zu-zu-zuuuum!...’ Um calango-verde tilinta gralha gargalha ‘blá-blá-blá!...’

            Se deixa puxa repuxa assim mesmo distrai retrai as pontas dos próprios cabelos lindos e bonitos escorridos até a cintura. Pés na água fria e borbulhante ‘ditáaaa!, ditáaaa!...’ do córrego do corgo rindo. Lajedo liso e as mais pedras polidas roladas. Descontamos ‘es-pleque!...’ beijos na balaustrada.

            Partíamos diariamente do rio Jamanxim, patrimônio dos kaingangue.

           

            Começamos o riso ‘dchá-dcháaaa!...’ ela ri ‘ih-ri-riiii!...’ como crianças na brincadeira palhaçada divertidos. Cidades ribeirinhas ou até conurbadas ou endereçadas e Edeia, Coronel Pacheco, Edealina, Santana do Mundaú, Indiara, São Sebastião do Caí, Porteirão, Acreúna, Pedro Teixeira, Turvelândia... O salto das Bananeiras em o rio Ivaí e o parque da Lajinha no rio Jiboia. Olhamos indicamos juntos para o mesmo lado universo anverso anteverso e etc. Precisamos beijos no peitoril coluneta ornamental.

 

            Sempre, e se toca os cabelos caracolados, a boca, os braços, os seios, a barriga, as coxas, o refolho, o triângulo de três lados iguais equilátero. Barriga baixa reta trincada, e côncava dos lados. E seus cabelos mais leves bonitos mais o perfume cor de uma flor amarela de bromélia de orquídea. A jaçanã berra de lá, ri de si para si ‘tê-tê-têeee!...’ O jacamaraçu chia de lá, ri de si para si ‘tri-tri-tri!...’ O tururu assobia de lá, ri de si para si ‘dom-sê!, dom-sê!...’ A catirumbava pipia de lá, ri de si para si ‘ih-ró-róooo!...’ O piui-preto alardeia de lá, ri de si para si ‘mbó-mbóooo!...’ O chibante fiu-fiua de lá, ri de si para si ‘ka-lá!, ka-láaaa!...’

            Copiávamos magicamente o rio Caripetuba, comarca dos xavante.

 

            A noiva nova me aguarda deitada na praia branca deserta anônima, se apoia no lajedo, se acomoda na esteira tupé, se pendura no barranco afofado de capim-marmelada, mão que segura o queixo bonito, cabelos para trás, olhos no nascente, em sombra de um tingui-capeta, seus cabelos espertos lindos magnéticos, e de frente pro vento a corrente do sul e que sempre vem e sobe o rio acompanha a jusante a montante.

            Púnhamos espertamente o rio Pitinga, parque dos caripuna.

 

            Vegetais vizinhos de árvores, jaribaras junto de plantas, caputunas-pretas, guaianãs, olhos-de-boi, cutiúbas, muirajubas, jerivás ainda mais verdes que as mandapuçás, turubis, cumaís, leques de palmeiras buritis. Árvores que visitam aves, cateretê escolhe tucanuçu, passuaré estreita com saí-verde, indaiá-guaçu estima com macuco, aricuriroba bica com maitaca-curica, marajá-do-igapó cumprimenta com bem-te-vi-da-copa, jequitibá-rei ataca risonho ‘eieieieih!...’ com tocava-estriada.

            Telefonávamos telepaticamente do rio Crepori, aldeia dos Cariri-xocó.

 

            O sol que sabe sobe às sete horas já esquenta a cerração, e as nuvens altas afinam, e matraqueiam maracanãs, guincha o gavião-peneira, rebate o pica-pau-barrado, assobia o tipio ‘tiroli-tiroliiii!...’ brinca a caçula, finge o surucuá-de-coleira, ri a rolinha-caldo-de-feijão ‘aiá-aiá-iaá!...’ palpita o cardeal-amarelo, imita o sabiá-barranco... e deixa pintar pintura pinta tudo de azul-azul ou azul-verde ou azul-ouro e do alto a baixo de baixo a cima e pra cá pra lá e do topo à base ou vice-versa; por que eu já estou já tenho já sou já voo de viagem?

            Curtíamos expedicionariamente o rio Arapiuns, comunidade dos uassu.

 

            A biju ainda aguarda por mim, segura o joelho com as mãos, acaricia óleo de babaçu no corpo todo, os cabelos penteados à manhã, seios futuro, seus cabelos apetitosos cheirosos, e seus cabelos perfumados bonitos, os modos os gestos os jeitos os beicinhos trejeitos estudados lindos, seus cabelos em ondas de sol solar solares.

            Uma vez por minuto e pega seu punhado de cabelos lindos e os joga para trás. Um penteado tipo coque estilo trunfa. Olha ao redor e espreita espia por mim. Cabelos de ouro dourados, cabelos brasa acesa, cabelos de asa de beija-flor-brilho-de-fogo besourinho-de-bico-vermelho, e seus cabelos lindos pintados de sol raios amarelos, cabelos cor de bronze aceso natural.

            Pedalávamos extraordinariamente o rio Curuá, praça dos uru-eu-uau-uau.

 

            O vento sempre assim arrepia a penugem, os seios, a pele do braço, o sumidouro do umbigo, e seus cabelos mexidos e os jundiás debatem na margem, os sarapós em nado livre, as pirapetingas de queixo caído, os saguirus de boca aberta, as aruanãs que aprendem a camuflar, os icangas brincam de corre-corre, os pirapeuaua degustam açaí no café da manhã, as mandiaçus contam pedras na beira, as arraias varrem o chão atolado entulhado atulhado de folhas secas e o barco no remanso (com epígrafe, ‘mania de velejar’) sonha balança embalança dorme desperta à brisa ao som ambiente.

            Ouvíamos infinitamente o igarapé Caipuru, jurisdição dos tsunhum-djapá.

 

            Eu voo solto alto uma alma em espaço contínuo e eu sei, eu sou eu estou eu tenho eu hei, eu sinto! Eu aqui agora hoje presente e imagino imaginoso imaginativo imaginável imagem miragem!

 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Março em a Estação

 

                                                          

 

            O começo aí de tudo está bem está sempre. O mundo confeita padarias abertas 6h e 30min, café com leite pão bolo de chocolate quindim tapioca sorvete de pitangas. A cidade existe as avenidas movimentos o rio Doce puxa atrai córrego Figueirinha corga do Onça corgo Capim riachinho do Tapinoã corguinho Caramancho... O tempo ideal inicia alerta acende conecta apruma quando o tempo real reacende recomeça.

            - Credes! Em vista da chuva ver a chuva de chuá!... e é um show.

            - Ateies! De canal troca o vento e fala assovia muda cambia tudo.

            Menina Lilás e bíci Felpa pedalavam assim mesmo na soberba sorte da manhã, Governador Valadares valadarenses rua Israel Pinheiro a praça Serra Lima rua Eduardo Carlos Pereira o estádio Mamudão o distrito Chonin de Baixo. O dia cedo amanhecendo nublado e os raios relâmpagos ‘pside!, pside!...’ os fleches ‘blêeees!...’ faíscas ‘tlé-que!, tlé-que!...’ espocando atroando estalando chicotes relhos de fogo ‘es-tcháaaa!...’

            - Eu já sei. Eu já vi dias de chuva chuvosos e sei o que é isso – comenta a Lilás.

            - Oi!... Será hoje ou daqui a pouco. Ouviremos mil descargas tensões elétricas – range grunhe derrapa os pneus a bíci Felpa, proativa antecipatória prevenida.

            - Uh!... Pode vir e cair uma rajada de granizo, entende?!

            - Altas voltagens! O céu carregado de muita força de vontade e atitude.

            - Serve bem. As torres as igrejas os templos as estátuas possuem com eles o para-raio – detecta recomenda a guriazinha, conduzindo a amiga pela ciclovia.

            - Muito grata. E mesmo as grandes árvores macucus-da-terra-firme amapás-doces molongos cariperanas... – debate a bíci, conduzindo a amiga em a ciclofaixa.

            Um lugar comum nem indiferente tipo São José do Rio Pardo e Tapiratiba e Tambaú e Sorocaba e Gravataí e São Geraldo da Piedade e Fernandes Tourinho com os postulantes às vagas de pedreiro motoboi pizzarolo atendente de farmácia farmacêutico padeiro açougueiro torneiro mecânico... Um dia exilado exílio apelidado irônico apodo apodadura alcunha. O dia prensado achatado pensado entre o ontem e o amanhã, hoje.

            - Quem, eu? O meu tempo livre encaixa direitinho com a cidade e tudo – escolhe a Lilás, um gosto enorme maiúsculo de dirigir andar pedalar no parque linear Exoaladi.

            - Quem é esta? Eu também prefiro escolho visualizar olhar as aves as plantas os animais as pacas cutias jaguatiricas capivaras... – descreve a Felpa, veículo atraente.

A estrada Costa Gama a avenida Belém Velho a praça Dalton Trevisan, áreas tranquilas residenciais comerciais arborizadas bairro Bela Vista já próximo a outros bairros Teresópolis, Cavalhada, Campo Novo, Moinhos de Vento, Menino Deus... Casas e lojas e magazines vitrines esbanjando produtos artesanais. Confeitaria oferecendo sucos e sorvetes. Uma mulher doceira vestida de touca branca guarda-pó bordado atendia pra cá pra lá e detrás do reposteiro do balcão de madeira de lei.

            - Ora e ora! Queria muito controlar mandar na chuva, eu – comemora a Li.

            - Tal e qual! Andar na chuva é um privilégio, entendo – conta a Felpa.

            - Aleluia! Passear na chuva se molhar é um milagre e um mistério.

            - Oxalá! Sim, excelente, e a chuva que cai respeitando a pura gravidade.

            Verão chuva época de carnaval. Centro da cidade bem movimentado e comercial e os serviços. Milhares de pessoas trabalhando labutando por um ordenado um salário assalariadas. Morrinha a chuva fina chuva débil tímida chuvisco e prometendo entregar mais e contando despencar mais. As silhuetas de estátuas na praça Apócrifo. Servidores colaboradores laboriosos. Janelas e portas envidraçadas de vidros trabalhados pedras paralelepípedos entremeados bordados camuflados organizados entre ervas daninhas.

            - Confere? Antes da chuva tenho um pedido a fazer – lembra a menina.

            - Quero saber. E também tenho um pedido a postular – relembra a bíci.

            - Qual o seu pedido. O meu é que nem trouxe capa de chuva – está a mina muito elegante camiseta com paisagem estampando cataratas do Iguaçu, bermuda, tênis.

            - Bom o seu e bem o meu. O meu é que nem tenho para-lama, é – está a bíci e bem ótima, as peças as partes originais de fábrica e cromadas pintadas de verde-mar.

            Embarafustaram as duas amigas pela rua afora o beco do Patíbulo. De certo modo um tanto raro incomum insólito. O bairro Chácara das Pedras, o arroio da Areia correndo macio quase quieto por dentro da praça Geraldo Zaniratti. Estavam por dentro do que o ambiente oferece oferecia. Sem dúvidas estupendo e estupefato. A calçada a fila indiana das plantas arvoredo e coajerucus, imburis, imburanas, patiobas, buris-do-campo... Todo um ambiente acomodado e familiar e coletivo e comunitário e faceiro.

            - Hem, guria! Vamos tirar umas fotos e registrar sem perder nada – condiz a Li.

            - Xis!... Quero dizer que fico isto e aquilo muito feliz triz giz – rediz a Felpa.

            A matemática é a matemática dos matemáticos materialistas demiurgos. Estas senhoras e senhores majestades nem podem com o tempo e suas horas passageiras. O tempo parece existir, e existe como ave curicaca-de-pescoço-branco peixe soguaguá planta meladinha-verdadeira ilha dos Araújos rio Corrente Grande pico da Ibituruna... O tempo parece história, e cresce como cidade Açucena, Mathias Lobato, Sardoá...

            - Oie!... Aqui ali tinha uma fábrica de roupas e funcionando, havia – comenta a menina, sempre mantendo as pedaladas e de olho na rua na calçada rumo oeste.

            - Já vi! Agora mesmo está abandonada e é cenário de filmes e documentários – desconta a bíci, rodando sobre as pedras o asfalto a grama a areia o saibro.

            O teto do céu ali acolá por todo lado onde se via muito acabrunhado sombrio chuvoso fechado prometendo água dia aguado no decorrer do período e pra logo logo.

            - Gente! Tudo vai dar certo – promete a mina, olhar matreiro esquivo.

            - De repente e nem mais que de repentemente – cotiza divide reparte a bíci.

            - Pois eu digo e repito: é sol ou chuva, as alternativas.

            - Digo e mantenho dito: chuva e sol casamento do girassol em Mirassol.

            Uma cidade empinada. Um lugar no mundo esperando chuva para breve brevemente. Nuvens inquietas estufadas grandes pesadas enormes e parecia que a promessa prometia chuva e aguaceiro; com ideias da meteorologia. A temperatura o clima as previsões todos com a pele engelhada pregueada encolhida encurtada enrugada.

            - Já sei. Já sei de onde sai a chuva e a vontade de chover! – exalta a guria.

            - Duvido. Duvido que você saiba ou pesquisou a respeito disso – provoca a bíci.

            - Ká e dábliw e ípsylon. Sendo bem o segredo secreto arcano enigmático que vem e vai do céu pra terra, mora! – disca discute a Lilás, lábios pintados de rosa.

            - En-gas-te caro caríssimo! Uma joia com pedras preciosas e correntinha de ouro quilates – destaca difunde a Felpa, correia bem azeitada engraxada sem grilos.

            A menina Lilás colecionava moedas pequenas embalagens de bala e símbolos carinhas emojis, etc. A bíci Felpa de aço suportava o peso da carona em ouro. E se transformavam transubstanciavam metamorfoseavam em uma só pessoa pedalando.

            O bairro Petrópolis, a rua Neusa Goulart Brizola a avenida coronel Lucas de Oliveira, a praça Breno Vignoli. Ruas de alta qualidade seguras arborizadas e de ótima e muito boa infraestrutura. A praça da Encol ou Carlos Simão Arnt o rio Tronqueiras. Homens gargalhando ‘kjá-kjá-kjá!...’ sinos tocando ‘dim-dom-toooom!...’ buzinas ensurdecedoras ‘béeee-bóooo!...’ campainhas triturando ‘tiu-tiu-tiiiiu!...’

            - Opa! Lá no horizonte já é noite anoitecendo quase azul-escuro – debate a Li.

            - Tão tá! Se é pra vir chuva que venha e com tudo – acorda a Felpa.

            - Legal. Dizem que a chuva vem do mar e desce no rio que deságua no mar...

            - Muito bom. O mar devolve pro ar que devolve pro rio que devolve pro mar...

            - Que natureza! O rio das Antas chega no estuário Guaíba que alaga a lagoa dos Patos que por sua vez desemboca no mar oceano Atlântico. E fim de p-papo.

            - Que magia! A chuva chove dentro do arroio das Polacas que desce no rio Sabia que carrega o rio Carreiro e este enche emenda com o rio das Antas.

            - Puxa! O rio Suaçuí Grande banha Nova Módica e Coroaci e Frei Inocêncio...

            - Bravo! O rio Pirapora banha Galileia e Santa Efigênia de Minas e Periquito...

            Num dado momento o ambiente o céu estalou ‘es-pláaaa!...’ em estrondo fogo ‘chis-páaaa!...’ ocasionando o tremor ‘bri-briiii!...’ da terra do chão do solo do piso dos alicerces. Quase um terremoto de escala mundial exagerada. O que alarmou se alarmaram as aves sobressaltou sobressaltaram-se os transeuntes humanos, tanto.

            - Veja! Parece que D está pronto pra chover e súbito – alardeia a guriazinha, a franja um pouco instável devido o ventinho que já vinha chegando chegava soprando.

            - Confirmo. Justo justamente D e seus poderes divinos criativos – confessa a bíci, passeando rodando sobre as pedras basalto as lajes emparelhadas da calçada.

            De pronto uma chuva imediata uma chuva memorável documentada comprovada alagada estudada e muito amiga dos agricultores e pecuaristas e hortifrutigranjeiros.

            - Minha cara! A chuva é nossa amiga, nem acha Felpa? – distribui a garota.

            - Sim, e pois nem. Porém cai em pé e corre deitada – brinca a magrela.

            - Quer ver? Eu amo e adoro a chuva porque ela é obra e lei de D.

            - Escute e ouça esta. Eu aprecio e festejo a chuva pois ela é seca enxuta e deusa.

            Aí mesmo e aí sim, sem mais aquela ou nada pra fazer ou ainda nada a ver e sem delongas, D pensou que podia chover. Decidiu que era hora e por que nem? E então aí local mandou chover. E choveu chovia encharcou chovendo o que Ele mandou.

            - Ora, meu! Se D quer Ele que manda, nem é Felpa – comemora a guria.

            - É isso mesmo. Quando D quer ninguém segura – declara a figuraça.

            - O poeta já dizia: ‘Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa’.

            - O dito já correspondia: ‘O jogo é jogado e o lambari é devolvido ao banhado’.

            A garotinha olhava a chuva e a chuva aproveitava a gravidade caindo e caía. Caía ali aqui e rolava. A guria admirava a chuva e se perguntava o porquê e etc:

            - Hem!... Mas por que temos que aproveitar a chuva? E vem sempre do céu.

            - Creio... Bem, eu creio que tudo tem um porquê pedagógico – indica a bíci.

            - Aleluia! Chove o bom pra encher uma piscina olímpica e mais.

            - Oh!... Este planeta Terra muito aguado e inundado e oceânico, tá certo?!

            Devemos se deve muito respeitar a chuva. Respeitem a chuva! E quem fez a chuva ser o que ela é até hoje? Temos ou nem temos receio de descobrir a verdade da chuva?! A chuva veio pra ficar. É um fenômeno que se impõe. E assim como se impôs.

            - Quer ver?! Eu gosto de mostrar a língua pra chuva, uuuuh!... – indica a Li.

            - Parabéns. Pois é divertido e original, djá-djá-djá!... – ri a Felpa.

            - Olhe bem. Chove que chove mais e muito no território da Amazônia Legal.

            - Confere e confirmo. Aí mesmo temos os rios aéreos e flutuantes navegantes.

            - Oie!... O rio que mais agradece águas é o rio Amazonas, do mundo inteiro.

            - Repare! As cidades que mais alagam avisadas reconfirmadas são Jampruca e São Félix de Minas e Divino das Laranjeiras, confirmadíssimas.

            - Lembrar-me-ei. As originais originárias índias amazônidas habitavam moravam guerreavam bem em a beira do rio Miranda, bravas.

            - Tenho-me lembrado. Já eram da tribo dos antigos chuala-chavarana e tinham levavam pintado o cabelo prateado platinado, gentis.

            Prédios com andares mezaninos portas janelas terraços ou mesmo calçada da fama. Bairro Vila Nova, zona sul. A praça Berenice Baptista, a avenida Teixeira Mendes, a rua Monte Alverne. Sem pensar em nada. Reparando o olhar e se vê pelos olhos das janelas, abertas ou fechadas, que a casa é antiga é nova é moderna é habitada é relíquia. Umas enormes mansões casas-grandes palacetes majestosos e rodeados de muros com ervas floridas perfumosas atraentes displicentes verdoengas e ainda prédios arranha-céus parados empedrados físicos bombados atarefados ociosos icônicos.

            - Uaaaau!... Meus cabelos molhados e tudo mais a vestimenta o calçado – confere a Lilás, cara sem maquilagem maquiagem sorriso de satisfeita satisfação.

            - Que que é! E pense bem, meu chapa! – dedilha a Felpa, rodando pegando poças e água empoçada na beira da calçada ladrilhada de pedrinhas portuguesas p/b.

            Era tanta chuva que D só podia devia estar presente e ali por perto dentro ou fora de algum lugar principal. Era tanta água que nem as duas podiam parar pra almoçar. Tudo alagado como enchente se formando. Por todos os lados que se olhasse. Era um lago uma lagoa um rio um córrego que precisavam queriam muito inundar a cidade e até ilhá-la. Fazer um balneário uma laguna ou estuário. Tanta água surgindo do nada de todo lugar que parecia estava se vendo um novo dilúvio o arroio Dilúvio, este acompanhando a avenida Ipiranga e banhando bairro Praia de Belas bairro da Azenha.

            - Quê!... Parece tudo um mundo de água e aguaceiro – debate a mina.

            - Então! Será que devemos pedir um barquinho? – faz boa ideia a magra.

            - Credo! Deve ter um barquinho aí no ancoradouro cerca a usina do Gasômetro.

            - Gente nossa! Uma canoa ubá com remo e leme confeccionada feita tudo a mão artesanalmente artesanal por grande artista artesão.

            - Se-gu-ro seguramente. Em terra com os carros, no ar com os aviões, na água com os navios. Todos muitos destemidos veículos transportadores e automóveis.

            - Ato contínuo. E madeira de lei madeira de ordem madeira de qualidade dura durável cor rosa rosinha rosada parda amarelada.

            Tanta água pra lavar tanta quantidade de cidade, é. O bairro da Urca e a avenida João Luiz Alves a praça Raul Guedes a pedra dos Cachorros. Depois o que sobrará? E aí empós rolará irá aonde e sítio lugar onde parará a enxurrada? O mundo fazendo água.

            Havia solução em pé ou dava pé? Vinha correnteza de todos os lados e as ruas estavam tomadas. Chuva torrencial. Cada rua um rio e se encontravam nas esquinas. Ruas de Viamão, a rua Marcelino de Figueiredo a rua Julieta Pinto Cesar o distrito de Itapuã a praia das Pombas e já na beira do lago ou estuário Guaíba (‘encontro das águas’, em tupi), corpo hídrico completo complexo fundamental indispensável.

            - Simples assim, querida! Vamos nos adaptar ao banhado ao alagado – dispara a Lilás, muito molhada enxaguada igual pinto molhado se divertindo na chuva.

            - Sim e sinceramente, carinha! A chuva a água este fenômeno é um elemento agradável e de fácil assimilação – compreende a Felpa, bem lavada bem disposta.

            - Chispa! Vamos beber toda a água da chuva, que acha Felpinha?!

            - Oie!... A ideia é boa e a água é bem boa mesmo. E concordo, santinha!

            - Ué! Por isso que nascem os rios e correm desaguar noutro lugar, longe.

            - Importa. Por isso que o mar nunca afunda e sim se expande se dilata, é.

            - Oba! Perfeitamente muito bom e mais ótimo ainda.

            - Sub-ma-ri-no! E aparece parece aparentemente.

            E a menina tão galante vinha chegando ia em frente empurrando a bíci. Do nada e absolutamente de imediato de repente caíram sentadas. Nisso mesmo foram carregadas levadas e já deitadas aos trancos e barrancos pelo fluxo da água ‘chuáaaa!...’

            - Que é isso, gente! Estamos sendo sugadas tragadas amadas... – alerta a Li.

            - Pois é. Acho que vamos sendo dragadas pela enxurrada... – fala a Felpa.

            Estavam sendo estavam tendo, elas vivenciando, uma cena um momento de escorregar tipo um toboágua escorregador aquático e por dentro do rio improvisado na sarjeta. O rumo? No sentido sudoeste, talvez. No sentido fundo do poço, quem sabe.

            - Uta!... Precisamos nos erguer nos posicionar, Felpa! – berra a menina.

            - Credo!... Necessitamos regressar ao bom passeio, Li! – grita a bíci.

            - Veja. Pode ser ou nem ser uma tragédia ou algo trágico ou até cômico.

            - Seguinte. Nem digo nada porque isso nunca me aconteceu, sabe como é!

            - Por favor! Só sei de uma coisa: nem sei de nada, minha colega de passeio!

            - Escute! Talvez a enxurrada aguaça esteja só querendo brincar, então!

            Moradoras do bairro Três Figueiras e esperançosas de futuro. Rodavam giravam os 360º rodopiando como pião veloz e uma velocidade alucinante. Foram sendo carregadas ou sugadas pelo despejo pelo jorro  do rio improvisado rio de água da chuva. Iam sendo arrastadas de arrastão e escorregando deitadas levadas como pedaços de coisas como coisas leves ‘cló-cló-cló!...’ Nem podiam se segurar em lugar algum desequilibradas de cabeça pra baixo boiando ‘bló-bló-bló!...’ e ‘plu-plu-plu!...’

            - Ora!... Pra onde esta corrente nos levará e por quê? – exclama a Lilás.

            - Tal e qual!... Tá estranho este negócio e nem parece certo – comenta a Felpa.

             Quando o rio fala é porque leva água. E ali caía muita chuva chuvosa. E tudo transbordou transbordava que fazia sem dúvidas uma boa e gorda enchente. Onde estava a rua agora o curso de água, onde passavam carros agora só de barco ou bote inflável.

            - Xi!... Foi que a cidade inundou e está debaixo d’água, quer ver?! – desabafa a linda Lilás, sem poder ficar de pé sem poder manter a posse de menina bípede.

            - Ué!... Tá tudo até o tatu tudo mesmo está debaixo da água, glu-be!, glu-be!... – manifesta a estupenda Felpa, já desde sempre derrapando na água na lama na trama.

            Barcos de papel jornal corriam pelas valas das ruas pela sarjeta e buscando o fim do mundo. Tanto tudo muito rápido e desorganizado aleatório corrido uma bagunça. Casas prédios pela metade e outra metade já inundando inundada e vazando água.

            - Estamos sendo levadas e pra onde, meu D! – reclama a Lilás.

            - Ah!... Devemos dever parar em um poço bem cheio, né?! – declama a bíci.

            - Hein!... De repente já vamos virar sapos ou rãs anfíbios ou peixes, né?!

            - Hum!... Vamos indo e no mais virar decoração de aquário e, pló-pló-pló!...

            - Qual delas?! Será que vou ser estrela-do-mar ou água-viva, hem?!

            - Uma onda, né?! Sempre pensei em respirar como os peixes e botos e arraias.

            Passaram passavam aos trancos e escadas escadarias já levadas pela enxurrada. Em poucos minutos a cidade inundou e pronto. A cidade já vivia a enchente e nem tinha mais como frear e segurar e evitar. Já perdera já se perdeu o sossego e até ficava tudo todo mundo assombrado assombração. Porém a cidade estava sendo ficando já era multimilionária. Todavia mais, estava bombando de águas da chuva e transbordando de águas saindo pelo ladrão. A água começou enchendo a garagem e foi subindo.

            - Qual o quê! Temos que nos agarrar em algum bote subir no telhado de uma casa encontrar o corpo de bombeiros – planeja a Lilás, já sem vau para se equilibrar.

            - Que pena! Sempre gostei de água de me lavar porém isso é inundação, meu!

            - Duas coisas mais: tenho que aprender a nadar de costas e borboleta, entende?!

            - Sei disso. Vou pedalar rotar rotação as rodas no mesmo impulso, assim sendo.

            Mais pra frente, os cães desciam nas águas lavadas barrentas levados sem apelação, embora latissem ‘rau-rau-rau!...’ Os gatos sofriam o mesmo esquema e desciam na enxurrada balançando as caudas mexendo as orelhas miando ‘mi-mi-miaaaau!...’ E a maioria dos animais irracionais pedestres descia ‘bló-bló-bló!...’ a enchente descia as ruas/rios tomado pela voragem. E nem havia apelação pois a defesa civil ainda nem tivera tempo ocasião de se apresentar para tentar salvar ou socorrer ou resgatar a cidade os cidadãos.

            A chuva grossa nem tinha tanta razão assim. E discursava ‘chou-chou!...’ e contestava tudo ‘mos-mos-mão!...’ e cantava ‘tchá!, tchá!...’ alto e em boa voz.

            - Epa!... Temos que pensar boas ideias e ter otimismo e ser otimistas – comenta a mina, admirada admirando vendo passar tudo tão rápido pela frente a paisagem.

            - Te digo! Se a chuva se a enchente é de D... então Ele sabe o que faz – reza a bíci, vendo revendo passar súbito pela frente as esquinas as praças as casas as lojas.

            - Xi!... A enxurrada me leva nos lava até um encontro com as águas, né?!

            - Nem qué! O encontro das águas forma lago lagoa estuário balneário, psiu!

            Outras pessoas muito boas geniais gabaritadas famosas ou amadoras tinham o mesmo sentido ou direção na enxurrada. Ou seja, eram também tragadas tomadas pelo remoinho avassalador. E uns iam pro leste outros pro oeste conforme a correnteza.

            Havia estavam aí os tantos os muitos apegos encontrados ao longo do banhado do pântano e ensaboados lavados com sabão. Um distrito de Capão Redondo a malha ferroviária o parque Santo Dias a rua Manoel José Pereira a calçada com piso tátil a rua Miguel Lopes. Os espaços muito ricos com hortas e jardins e árvores frutíferas...

            - Sim, senhora! Eu vou me deixar levar, e você Felpa?!

            - Assim mesmo! Que se pode fazer e que que podemos fazer, hem, Li-Lás?!

            Passavam agora mesmo bem em frente de uma confeitaria já quase submersa. Tudo inundado e naquela hora a loja boiava com toda a mercadoria em sobressalto. Tanta coisa boa e por comer já navegando rua/rio afora abaixo. Nadavam e boiavam sem dar pé os quitutes os doces as guloseimas as rapaduras as massas-folhadas os brigadeiros os bolinhos de chuva os baurus os bolos de fubá os pudins as broas...

            - Vê bem. Fico aqui pensando enquanto navego... – deduz a Li. Como seria bom parar na confeitaria/padaria/lancheria e desfrutar de um sorvete de açaí, né?!

            - Uaaaau!... E os sucos e batidas e torradas pão de queijo, nossa! – encena a bíci.

            - Bom dia! Queremos quereríamos apreciar uma boa talha de melancia, vai!

            - Boa tarde! Degustaremos degustaríamos saborear um milk-shake, vai!

            Por ocasião da sorte ou acaso, embarcaram numa câmara inflada de pneu de caminhão. Assim puderam navegar à vontade. E desceram desciam uns 200m na valeta.

            - Ué, né! Nem conseguimos um bote com remos mas temos uma boia, hem?! – anima a guria, tentando relaxar esperando qual que seria a nova surpresa do destino.

            - Um dois três e... já! Pra baixo todo santo ajuda e sempre mais rápido, vê?! – lembra a magrela, procurando se acomodar e se segurando na câmera de ar.

            Como referência um pouco fora da rota, o morro do Pasmado. Mas no mais sempre escorregando escorrendo acompanhando dispersando aglutinando espalhando apoiadas sobre a câmera do pneu seguindo o deságue o fluxo do escoamento o ritmo do descarte da sabotagem. E canais bueiros bocas de lobo. Drenagem sarjeta erosão baldeação. No aéreo no alto as nuvens já sobrevoavam rios voavam rios de tanta água e umidade os rios voadores nuvens em ondas chacoalhando o ambiente, cerração nebulosidade névoa neblina umidade relativa do ar.

            Na passagem em toboágua, vamos dizer assim, elas viram de relance outras coisas outras pessoas outras comunidades sendo afetadas pela enchente. E no horizonte desfilando a cidade de Mococa ‘casa de mocó’ mocoquense a rua Zequinha de Abreu a rua Julieta Lima Dias a praça frei Inácio Stenico (bairro Vila Quintino). As silhuetas de um antigo chafariz na famosa praça Diogo Garcia da Cruz. E mais carcaças ferros-velhos móveis objetos alquebrados estruturas arcabouços fardos caixas-pregos mesas-ninhos... sendo arrastados levados conduzidos esgoto abaixo e em espiral redemoinho.

            - Oie!... Seguro você nos seguramos pelo guidão pela mão – conduz a menina, dando assim certo suporte certa tranquilidade confiança a sua amiga. Estamos juntas!

            - Oquei!... Tá sim um pouco periclitante vacilante estonteante enjoativo balançante – responde a bíci, enquanto a câmara do pneu descia arrastada empurrada.

            Num determinado ponto numa hora qualquer a rua/rio afunda e entra por um túnel profundo obscuro e ruidoso ‘glum-pe!, glum-pe!...’ Como um ralo gigante adutora tubulação. E tudo sendo tragado sugado ‘vruuuu-pe!, vruuuu-pe!...’ Uma descida ao fundo do poço ao fundo do submundo e sem volta. Já a caída sem qualquer recurso de volta. Será pode ser que tudo desaguaria num dispositivo em o piscinão Jaboticabal, é?

            - Ei!... Será o pé da cobra, meu?! – questiona a menina, e preocupadíssima.

            - Talvez com certeza um ralo sugando ao fundo do mar ou da terra – diz a bíci.

            - Uta, né! E vamos que vamos já sem mala sem cuia sem endereço sem razão.

            - Meu D! E é pra lá que toda esta água aguaceiro vai parar e sem explicação.

            E foram sem delongas levadas lavadas encharcadas para o fundo do poço. Seria talvez quem sabe um rio subterrâneo. Entrando pelo subsolo da metrópole. E tão rápido tão sem volta tão profundo tão enjoado que era um sonho um pesadelo um minuto.

            - Oito ou oitenta, bela! Agora que eu quero ver aonde vai tudo isso, então – comenta reflete concorda discorda a Lilás, super se agarrando à câmara de borracha.

            - Te digo e repito. É assim que são as coisas e que acontecem – destaca a Felpa.

            O ralo super mega ia soprando ‘es-bruuuu!...’ com tudo com elas as duas com toda a água possível e impossível sorvendo em barulhinho ‘es-fruuuu!...’ Um escoar de líquido mundo afora e talvez do outro lado do mundo ‘es-pruuuu!...’ Talvez ainda do outro lado do hemisfério ‘es-truuuu!...’ do outro lado do Equador do outro lado de quê.

            - Enfim! E eu nem vejo a porta, meus amores! – debate a Lilás.

            - Demais! Absolutamente sem freios nos pés nas mãos! – discursa a Felpa.

            Uns fleches uns ensaios de paisagem panorama ilusão de vista de ótica e et cetera ou de perto de longe no rolo rolando pela correnteza e puxadas pela enchente, as duas a menina a bíci, iam passando ou sendo puxadas conduzidas por lugares e oportunidades. Observando pouco dava pra ver. E ficaram ficavam olhando ao redor conhecendo ou reconhecendo enquanto eram levadas sugadas pela força das águas e morro abaixo ladeira abaixo. Desfilando sobre as águas ainda avistavam localidades e Guaranésia, Monte Santo de Minas, Cajuru, Casa Branca, Arceburgo, Cássia dos Coqueiros... Fugindo descendo pelos canos do esgoto ou quem sabe talvez um rio subterrâneo e profundo e longo longínquo muito bem logístico resultado da logística.

            - Minha amiga! De repente já passamos por Alpercata e Marilac e Cotia e Itapecerica da Serra ‘pedra achatada escorregadia’ – conta desenha a Li.

            - Creio! Mesmo os lugares municípios de Tumiritinga e Casca e Embu-Guaçu e São Lourenço da Serra e Embu das Artes... – revê escreve a Felpa.

            A força da onda a enxurrada as levou para um outro mundo e paralelo. E um lugar da noite pro dia. E da tempestade do aguaceiro pra bonança o dia firme céu azul.

            No mais e em última moda último modo caíram de uma altura dentro de um lago uma lagoa um estuário uma baía e ‘tchuáaaa!...’ Como se tivessem caído da cascata catarata queda-d’água cachoeira... e dentro de uma represa.

            - Ulaláaaa!... Que coisa maluca, meu! – desabafa a Lilás, e subindo à tona na piscina olímpica com bordas bordadas enfeitadas verdinhas viçosas vegetação.

            - Ora, ora!... E eu que nem sabia nadar... até que nado bem! – descalça a bíci.

            - Sucesso! Por que viemos parar aqui, gente?! – supera surpresa a menina.

            - Digo e redigo. Por que viemos a este lugar tão abaixo e fundo e fora dos esquemas e precipitadas expulsas – externa interessada a Felpa, as rodas ainda girando.

            As duas saíram da água morninha da piscina do açude da sanga e para tomar consciência do lugar e fazer um reconhecimento. E foram parar estavam efetivamente num lago numa lagoa calmo de água doce limpa transparente translúcida e com aguapés floridos densos e iapunaqueuaupês grandes forno-d’águas bem dispostos mururés viçosos e já tudo florescendo esbanjando saúde.

            - Que forte! Vou descolar uma foto um vídeo e já-já no meu perfil e demais redes sociais – organiza a guria, sacando do bolso de trás o celular e disparando.

            - Que sorte! Isso mesmo, e descole uma foto sorrindo e um vídeo divertido e que eu quero ver rever triver – prepara a bicicleta, já se preparando em modos e poses.

            O lago a lagoa todos tudo inundado de sol o dia inteiro os meses o ano completo. Ao redor mato ciliar árvores crescidas graúdas bem desenvolvidas e muirajubas, grapiapunhas-brancas, coajinguvas, maúbas, oitibás, cambarás-de-meia-légua...

            - Olhe tudo isso, meu! Se assemelha a uma foto bem filmada, é – admira a Lilás, muito se contendo se segurando olhos bem arregalados apaixonada pelo cenário.

            - Incrível mesmo! É um conto de ficção é um quadro plástico é uma aquarela – outorga a Felpa, apreciando um panorama como de cinema como de descoberta.

            - Uh-ruuuu!... Sim, é tanto quanto um jardim de praça bem cuidado preparado.

            - Legal, muito massa! Me recorda me recordo lembra gravuras bem bonitas, né?!

            Na natureza durante a natureza no meio começo e recomeço mais pra lá horizonte da natureza; havia já estava muito conflito conflagrado. E a natureza assim como a beleza natural nem negam espaço e florescem com flores diversas espontâneas.

            - Que bom! É toda uma natureza exigente e ao mesmo tempo completa – afirma a menina, caminhando aqui e ali cheirando flores amaciando cores testando folhas.

            - Suavíssimo! As árvores as aves as abelhas buscando néctar elaborando o mel voando sobrevoando por todos os lugares, o perfume que envolve o ambiente – devolve a bíci, rodando pedalando cheirando aí ao redor e deslumbrada empolgada enfeitiçada.

            Que alegria que oportuno e nem demorou muito, a Lilás mais a Felpa encontraram ali mesmo assim mesmo as amigas de sempre as melhores a Rê a Pérola a Esmeralda. E que encontro realmente compartilhado e feliz, como se diz dizendo:

            - Oi!... Vocês aqui! Que massa! Que absolutamente! – manifesta a Lilás.

            - Sim e yes! Que grata surpresa! Que aliança interminável! – edifica a Felpa.

            - Olá!... É o que meus olhos veem e eu estou acordada?! – destaca a Rê.

            - Que que é, né! Uma alegria e satisfação de encontro – enaltece a Esmeralda.

            - Mas bah, tchê! É um sonho realizado, uma surpresa ótima – justifica a Pérola.

            E assim e depois dessas expansões as 5 meninas contando com a bíci se abraçaram com alegria e olhos brilhantes. Foi um acaso mais um encontro muito bom e sensacional. Um lugar bonito com amizades muito queridas e expansivas e divertidas.

            - Oxente! Que este lugar nem existe ou existe e ninguém já sabia – deixa a Rê.

            - Propriamente! O lago a lagoa um e outra lisos bem parecidos, meu! – concorda a Esmeralda, chegando perto da água se agachando em a beira junto da prainha.

            Dia disposto aberto homenageado homenageando os pontos turísticos as belas vistas os alados beija-flores-de-garganta-verde guainumbiapiratis borboletas-do-manacá (insetos volúveis) borboletas-corujas (insetos lepidópteros). A mata o mato viçoso verdinho verde-esmeralda as plantas capim-flecha muiraquatiaras guapebaçus vitibás.

            - De onde vocês 2 vieram e por quê? – questiona a Pérola.

            - Oquei! Nós descemos pelo ralo e fomos empurradas pela enxurrada, é – explica a Li, os cabelos ajeitados em rabo de cavalo ou coque com grampos de aço.

            A Lilás aponta os olhos aqui ali acolá... e cheios de luz... já consegue vislumbrar visualizar ao redor e um pouco mais longe o ambiente mais sossegado. Pássaros debicando frutinhas e sabiás-unas, flautins, udus, águia-serrana, tiês-bicudos, corruíras...

            - Oie!... Este lugar é mesmo um paraíso muito fofo – declara a Li.

            - Pois tá aí! E é mesmo e magnificamente ideal onírico – completa a Pérola.

            - Bravo e bravas! Perto disso e já é um sonho sonhado – dita a Esmeralda.

            - Autenticidade! Tenho certeza que já sonhei que estava aqui, sim – debate a bíci, saindo ao redor dando um giro pedalando por conta própria apreciando.

            Ao redor das águas pacíficas paradisíacas já umas plantações naturais endêmicas com jabuticabas murtinhas goiabas-do-mato buritis-palitos araticuns-de-espinho araçás-do-brejo butiás guabirobas uvaias pitangas-traíras guaimbés quatro-patacas...

            - Eu, hem!... Estes dias eu estava sonhando acordada e viajando voando aqui ali e se parecia com este lugar, entendem – destaca a Rê, tocando flores folhagens ramos.

            - É visto! Como se fosse um dia na cascata um dia na sanga – conta a Pérola.

E o tempo transcorrendo nítido certo quieto sem cuidados sem sobressaltos e aos pulinhos organizados. Insetos apócritos formigas-cortadeiras marimbondos-cavalos vespas-caboclas cavapitãs abelhas-mulatas libélulas borboletas-brancas (insetos ropalóceros) borboletas-rubis (insetos dobradiças unidas) estaladeiras (insetos dobradiças de duas asas; panapaná)... e outros aladinhos de cinturinha delgada e fina.

            - Xi!... Eu logo vi que aqui é muito macio o caminho a estrada a trilha – repara e explica a bíci Felpa, andando rodando circulando bem no meio sobre a grama verde.

            - É isso! Saímos da cidade grande pro campo florido florescendo na floresta – deixa diz condiz a menina Lilás, uns olhos curiosos observando tudo em derredor.

            - Aleluia! Basta ver e verificar o quanto tudo é lindo e bonito e agradável – confere a Rê, apontando mostrando com gestos as mãos o olhar o sorriso.

            - Olê! A natureza gosta de si mesma e gosta de naturalizar – compara a Pérola.

            Que elas todas estavam bem, sim, estavam. E bebiam água mineral quando entendiam e pelo menos 1 litro por dia e todos os dias ao dia diariamente.

            - Olá!... Por todo o dia hoje o ambiente é mesmo magnífico – destaca a Li.

            - Puxa!... Um lugar sem dúvidas mais cheio de territórios – pousa a Esmeralda.

            A enseada abraçava o lago a lagoa e toda a praia que vinha e ia com ondas finas pequenas mornas úteis iguais. Pela borda as plantinhas samambaias orquídeas bromélias alcaçuzes-da-terra juncos-bravos juquirizinhos... Mais sobre as águas os aguapés fornos-de-jaçanã fornos-de-jacaré iaupês-jaçanãs mururus milhos-d’água rainhas-do-lago açucenas-d’água...

            - Opa!... E como vocês chegaram até aqui, gente boa?! – indaga a Li, e ela olha e se detém olhando as amigas esperando resposta e uma resposta com novidade com surpresa com novidade rara com jovialidade eufórica.

            - Oxalá! Chegamos de barquinho. E um barquinho de papel jornal – dedica a Rê.

            - Avante! Jornal diário manchetes urgentes velas de pano sem remos e leme e o fluxo a força uma vontade da rua/rio – comenta a Esmeralda, em nome das três amigas.

            Estavam ali bem perto do lago a lagoa esta aquele dedicados a recolher a água da chuva a água proveniente dos rios afluentes rios grandes e importantes o rio Canoas o rio Jacuí o rio Tietê o rio Trombetas o rio Solimões o rio Madeira o rio Guarapiranga... e que banham ou onde se banham peixes animais vertebrados peixinhos e bagres-de-lagoa e traíras e charutinhos e cascudos e jejus e peixes-cachorros...

            - Oi!... O jeito o modo do meu coração. É assim o que digo – explica a Rê.

            - Uau!... Agora desta vez eu descobri o sol o campo o rio as plantas as aves e tudo num lugar bem maneiro – respira a Esmeralda, olhando ao redor e comentando.

            - Significa tanto, é. Esta paisagem merece o conhecimento que eu tenho dela e ela mesma fala comigo – conta a garotinha Pérola, olhos brilhantes suaves ternos.

            - Ma-ra-viiii-lha! Um lago uma lagoa com peixes dentro e nadando divertidos mergulhados mergulhando emergindo – confere a Felpa, se debruçando perto da água.

            - Muito legal e chique, né?! Tudo é tão nosso e dedicado. Está perfeito e foi feito perfeito e à perfeição. Quando já estava criado e perfeito. E ainda está ótimo e perfeito – empolga a menina Lilás, recebendo o vento leve a brisa nos cabelos as longas crinas.

            Estava aquela mesma manhã calma de sol formidável. O lago a lagoa calma espelhada água pura purificada. Uns rios molhando a represa e outros saindo viajando.

            - Muito oquei mesmo! Vocês chegaram de canoa descendo o canal até desaguar neste paraíso do campo? – pergunta a Lilás, molhando os pés na beira do lago ou lagoa.

            - Certo e correto. Pois devemos aproveitar os dias de férias, né?! – coloca a Pérola, sandálias na mão e molhando os pezinhos até os joelhos na água morna.

            - Oxalá! Uma hora e meia um dia e outro uma vista boa vista – adquire a Rê.

            E aí mesmo no lugar já-já as 4 meninas mais a bíci viram um dia claro e ótimo. À  beira de um lago ou lagoa com um barco maiorzinho esperando encalhado ali dando bobeira esperando por elas. Um barco com motor com cabine e pronto pra navegar.

            - Ei, gurias! Vamos navegar e quem é que sabe manobrar o barco? – procura saber indaga a Lilás, sempre de olhos bem abertos diante das atrações do paraíso.

            - Modéstia à parte... Eu sei porque aprendi com meus pais, é – afirma a Rê.

            - Ótimo! Então já-já vamos embora, ou seja, emboralá navegar – aclama a Pérola, muito empolgada e os cabelos soltos longos ondeados voando espanando.

            A embarcação tomou forma e se agitou e saiu navegando fazendo ruído de motor à explosão movido a combustível fóssil. Estavam no lago ou lagoa com plantas aquáticas ilhas flutuantes e sapos e preás e patos-corredores e marrecões e picaparras e socós-bois e tovacas-campainhas e biguás e garças-brancas... A região a área da tribo matsé o vale do Javari o igarapé do Jaraua. Tinha expansão no superlativo e muito mais.

            Quem sabe quem viu, D estava parado no mesmo lugar e fazia muito tempo muitos anos e séculos. O tempo esticado ao máximo. Nem chovia nem ventava forte nem fazia calor em demasia. E tudo conforme como no verão dos dias quentes.

            - Pormos. O sucesso do ambiente está bem ao alcance de nossas mãos – comenta a Rê, estendendo os braços arrumando o cabelo para trás das orelhas e etc.

            - Oi! Puderam vir os peixes as aves o dia todo as árvores as flores perfumosas... – enaltece a Pérola, comemorando o lazer no ambiente com o prazer do momento.

            O voo fácil os acauãs e pitiguaris e tapaculos-ferreirinhos e arapongas e curicacas-reais e capitães-castanhos... a decolagem certa ágil das corujas-orelhudas e bacurauzinhos-da-caatinga e pica-paus-de-banda-branca e biguatingas e tizius... o pouso a aterrissagem consciente e ótima dos papagaios-charões e inhambus-chororós e sururinas-da-serra e coleirinhos-do-brejo e patativas e casacas-de-couro-da-lama...

            - Hem!... Aqui parece e ainda é tudo muito barato perto imenso melhor – lembra a menina Lilás, os olhos vasculhando o mundo um mundo ao redor e contando.

            - Oi! Podemos vir aqui e veranear e curtir aqui neste lugar todas as nossas férias e os dias todos dos nossos veraneios – exalta a Pérola, os braços abertos abraçando a brisa cheirosa perfumada de passagem sobre o lago a lagoa vinda do campo do mato.

            - Sim e mais! É tudo tão esperto e acolhedor – dedica a Esmeralda.

            - Oxalá! Tranquiliza um lugar sem começo sem fins lucrativos, é – indica a Rê.

            - Alô, alô!... Vamos fotografar divulgar compartilhar e recomendar até mais.

            Um lugar um lago uma lagoa que todo rio aspira e vem descansar das longas logísticas andanças. Então é um paraíso já criado e satisfeito sossegado. Tudo integrado de natureza excelente endêmica florescida e muito verde e muito nadar e muito trilar.