quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Contos de Santa Luzia (2)

                                              

               
        
         O sol uma fogueira um incêndio derretendo as coisas todas as coisas. Os meses seguiam os meses. As pedras de coração duro. As ex-árvores quietas e cansadas e queimadas. O sol esquecido por trás das pesadas nuvens de terra. Ondas de vento rolando a poeira vermelha do deserto.
         Tudo devastado pelo calor. Alguns anos que nem nem chovia. Lugar interrompido desprovido afanado terminado.
         A trôpega família Araés chegou à aldeia de Santa Luzia, de poucas casinhas cobertas de sapé, de poucos tugúrios estragados, lá pelas onze e pouco. Dias mormacentos irrespiráveis enrolados em cinzas. E eles chegaram de pé no chão; pé ante pé; pés requeimados, escalavrados, crestados. Estacionaram na pracinha, do lado das ex-paineiras consumidas pela soalheira.
Os quatro cinco Araés davam a impressão que haviam andado caminhado todo um planeta. Era bem possível que tinham dado a volta ao mundo. E cruzado um imenso aterro vermelho inóspito. E a aldeia de Santa Luzia de única rua poeirenta com poucas casinhas de pau-a-pique cobertas de palha maquiladas de vermelho.
Avanhandava, a mãe, observou:
- Oxalá, hein! Uma capela em honra e graça e glória à santa Luzia!
Se acomodaram à margem das paineiras moribundas, calorosas, calorentas, derretidas, petrificadas. Essas ex-árvores e seus esqueletos pretos e pontudos indigitando o espaço contaminado. Também, por que tanto calor? Nem chovia há meses. Nenhum morador da aldeia se atrevia a andar à vista. O dinhanhinho galopava os redemoinhos. Um sol encoberto pela poeira constante enfadonha.
         Anhembi Araés, o pai, facão três listas na mão, se encaminhou para a capoeira esturricada. A mãe se dirigiu para um dos casinholos ali perto, carregando o bebê nas cadeiras. Cajuru, o menino, foi até a palhoça vazia onde antigamente funcionava um açougue. Camapuã, a menina, seguiu para a choça onde uma vez funcionava uma padaria.
         O pai pensou ter visto um rasto antigo de cutia, noite e dia. A mãe tentou farejar um resto de merenda, e o bebê apenas apontou, aqui e ali, uma coisa e outra coisa com a mãozinha encardida solta no ar. Cajuru sonhou ter visto uns pacotes de leite na prateleira abandonada. A menina jurou ter vislumbrado uns pacotinhos de biscoitos de chocolate na vitrina empoeirada do balcão abandonado.
         O céu estava imensamente contagiado da terra vermelha. O vento pouco soprava, ou nada soprava, soprava um bafo quente dos caldeirões dos fornos. As ex-árvores da praça extenuadas de fadiga e calor. As pedras já cavoucaram as próprias sepulturas. A aldeia em ruínas no meio do nada. As coisas cobertas de poeira vermelha. O lugar todo isolado banido do mundo.  
         Os poucos moradores escondidos e encolhidos e encarquilhados e envelhecidos dentro dos casebres. Nem vinham espiar para fora por nada. Nem se expunham fugindo das intermitentes tempestades de terra vermelha.
         Nem chovia mesmo há vários meses. Terra esturricada, trincada, rachada, torrada, sob o efeito de altas temperaturas. O pó vermelho contaminava o ar, tapava os olhos, entrava pelas vias respiratórias, parava na garganta, travava a voz. Nenhum ser se arrastava mal e mal além dos poucos moradores esquivos morinhas. Uma cerca de varas tortas demarcava separava um que outro casebre da rua Única.
         Os aldeões e as aldeãs e os aldeõezinhos se escondiam do mundo no fundo do deserto inóspito. Uns assobios uivos do vento fazendo a terra para lá para cá.
         Anhembi, o pai, nunca mais viu a cutia que passara uma vez ali entre as manjeronas-do-campo destroçadas pelo calor. Avanhandava, a mãe, nem conseguira trazer as tais sobras de comida, e o bebê nem falou mais nada e nem apontou mais nada com a mão vazia no ar. O menino nem conseguiu sequer um pacote de leite. Camapuã, a menina, voltou sem nem sequer o cheiro das bolachinhas sortidas.
         A família Araés na pracinha, concentrada amarrada do lado da grande ex-paineira. Todos sentados na terra vermelha, abraçados aos joelhos, os queixos nos joelhos, sempre desassossegados, olhos provocados de poeira, inevitavelmente desanimados. Sopros de poeira quente, céu todo entupido turvo. E sacis reinando tricas fuxicos tretas remoques pegas nos redemoinhos da rua Única.
O vento baforando, rangendo, redemoinhando, brigando com o pó vermelho. As pedras dormindo o sono lá delas de pedras requentadas. No meio da capoeira, um cadáver de curupira em atitude de espantalho degringolado. Escapava do chão um fumo escuro tóxico que subia preencher as nuvens densas e incertas.
         As paineiras nasceram no Brasil já diziam as lendas antigas, as agendas passadas, as crônicas antanhas, os mitos ancestrais dos macurape dos tucuju dos cariai dos tenharim dos iuberi dos zoé. Muitos nomes possuíam aqui e ali pelo país afora, paineira-embiruçu, paineira-do-mato, paineira-do-brejo. Fora fora frequentemente plantada, por seu perfil exibido e destacado e faustoso, tanto em áreas de floresta como em áreas de campo.
As várias espécies podiam causar problemas aos pulmões fracos irritadiços. Bastantes agressivas, causavam frustração aos arquitetos quando plantadas em lugares apertados urbanos, no meio de casas e prédios e praças e avenidas. Flores quase entrando pelo vermelho ou rosa ou branco.
         Madeira clara e leve, de uns 260kg/m³, era usada em canoas, aeromodelos, tamancos, gamelas, rolos de massa, pás de mexer cozidos, colheres de pau, cabos de foice, pés de mesas e cadeiras. Da sua casca e folhas se faziam uns chás ou pastas usados na prevenção de hérnias e ínguas, e isso desde os tempos do paraíso nos trópicos. Os índios paiaiá tinham a árvore como sagrada. Os índios piratapuia a tinham como mágica. Os índios carútana a tinham como afrodisíaca. Os índios majubim a tinham como feiticeira. Os índios jeripancó a tinham como facilitadora.
         Dispersadas pelo vento, as sementes da paineira-do-campo brotavam e apareciam muito bem, sendo já espécie por demais agressiva.
         Fora fora árvore caducifólia de grande porte grande presença alta eloquência.
         O gênero ocorria com mais sorte nas regiões sudeste e sul do imenso multifacetado país. Tinha folhas alternadas digitadas. Crescia sim rapidamente. E em 10 anos já fazia sua sombra se esparramar, mérito dos muitos e extensos galhos. O tronco se revestia de espinhos curtos e espessos. Os frutos se pareciam a pepinos, e continham muitas sementes entre os filamentos sedosos que formavam a paina. Essa paina muito utilizada para abastecer travesseiros, almofadas, bichinhos de enfeite ou de agrado e bonecas de pano. A planta também tinha servido ainda para matéria-prima na fabricação do papel, muito útil já a partir e pelos inícios do século XVI.
         Paineirinha ou barriguda ou mamica-de-cadela, e outros nomes, fora uma árvore que eventualmente atingia 30m, própria da família bombacácea. Exportada para os países frios ou temperados na fabricação de encostos de cadeiras, tampos de mesas, cabeceiras de camas, gavetas de cômodas e balcões, portas de armários e molduras de quadros.
         Entre março e abril, as paineiras perdiam quase que obrigatoriamente todas as folhas, substituindo-as pelas flores, que lhes davam lhes davam extraordinária beleza e magnificência. No princípio da primavera setembro sempre voltavam a chamar atenção quando seus frutos se quebravam e liberavam os flocos brancos da paina que, bastantes brancos e leves e soltos e tontos, se desfiavam e voavam e eram levados sob as pretensões do vento.
         Nem assim mesmo. A família Araés, requeimada de sol, curtida ao sol, parara ali na pracinha feita de sol e poeira e paineiras extintas. Desorientados desassossegados nem tinham noção e por quê. Aportaram ali e nem sabiam o que dizer. Dominava o silêncio ou um cuidado por tudo por nada. Aldeia parada e mínima e esdrúxula.
         O lugar nem via chuva há dois ou três séculos. Os dias eram aqueles sempre iguais de destroços e mormaço e entorpecimento. Assim, as horas nem contavam mais nada. As pedras se derretiam, a terra se desagregava. As ex-árvores viravam pó na paisagem isolada.
         Pela rua Única, casinholos tortos e escorados e desgastados. Nenhum morador no buraco da loca. Vinte e uma casinhas de pau-a-pique.
         O pai Anhembi Araés, bufou:
- Oxalá, hein! Os casebres...
O menino Araés mirou a ex-paineira-branca e a escalou. O pai sacou um canivete do bolso. E distraído a apontar um pedacinho de madeira encontrado ali. A mãe foi ver a capela da santa Luzia por dentro, segurando o bebê acavalado nas ancas. A mãe fingiu lavar o rosto e os olhos na pia seca em frente da santa Luzia, e fingiu lavar a cara e os olhos do bebê. A menina desenhou uma sapata no chão, foi pegar uma pedra chata, jogaria na casinha da frente, pularia numa perna só, e com cuidado para nem se queimar.
         Muitos meses sem cair chuva ali no lugar. Tudo sucumbira. Assim, de repente e no mais, caiu um raio sobre o capoeirão seco, sequíssimo. Somente isso? O céu estava meio perdido no revoluteio no rebuliço da poeira vermelha. O vento vinha tocando ondas de fuligem. E o estrondo da descarga elétrica ainda repercutiu, zuniu, latejou, pulsou, ecoou pelo fundo vazio do coco de cada membro da família Araés.
Assim mesmo foi que começou o incêndio no seco capoeiral atrás da ex-ferraria. Surgiram, então por assombro, os aldeães e as aldeãs. Eles vieram correndo das choças tortas e esburacadas. Chegaram com tacapes, picaretas, pedaços de borracha pregados em cabos de pau, pedaços de lona, enxadas, foices, machados, facões, martelos, vassouras, baldes de lata, espingardas. E todos se esforçaram. Nem faltou ninguém da vila. Também mantinham um desassossego preocupado aborrecido. Se empurraram, se pisaram, se acotovelaram, se atropelaram, se xingaram na busca afobada por terra seca e jogar no fogo.
O padre, sujeito arqueado, dobrado, bastante magro, mofino, em sandálias franciscanas de pescador, bermudão, camisa de manga curta, arrostava, gritava alto as ordens que era para todo o mundo ouvir e obedecer:
- Ao combate! Ao combate do fogo!
O fogo estalava de fome e sede e horror. O fogo fazia crepitar a ex-capoeira. O fogo estralejava com os gravetinhos secos. Os cabelos do fogo obedecendo ao vento quente e terroso. Fagulhas subiam bem alto. Já quinze horas, nem eram mais. O fogo rechinava na palha.
O fantasminha de uma perna só surgiu do nada, pulou no centro da rua Única, inventou bobagem, gargalhou, hi hi hi!... dentro de um remoinho de pedrinhas soltas e poeira vermelha. Depois rodou ainda mais e para cima e para baixo na rua. E já foi embora rasteiro instantâneo soltando risinhos debochados, hi hi hi!... e outros ruídos excêntricos.
         A família Araés se chegou mais perto para ver o sinistro. Depois, resolveu se integrar ao esforço coletivo de apagar o fogo. A fumaça atacava o os pulmões os olhos, e os sujeitos ficavam tontos e lagrimosos e enjoados. Pedras saltavam dinamitadas para os lados. Chiavam as secas barbas-de-bode, as macegas torradas, as extintas guanxumas, as assadas ipecacuanhas, os poejos fritos, as esgotadas favas-de-santo-inácio-falsas, os acabados vindecaás, as plantas anônimas estorricadas e típicas de capoeira.
         Os aldeões e as aldeãs e as aldeãzinhas cavaram uma valeta em volta do ex-capoeirão. Suados e pretos de fumaça, cuidaram para que o fogo perdesse força, perdesse espaço, nem tivesse mais o que consumir. O ambiente ardia nos olhos, nuvem de fumaça encobria o sol e fechava o tempo.
         Os Araés retornaram para perto das ex-paineiras-rosas. O dia parou aí, sucumbiu, nem era de noite, se derreou. As horas nem interpretavam tinham extrema dificuldade de alternar o dia. Caiu uma noite áspera e fosca e predatória. De onde, de onde?! O céu, constantemente tomado de fumaça, tomado de poeira vermelha, escurecia antes da hora. Noite acachapante descera e pronto, de tampão. Tudo seco e enfumaçado e horrível. As ex-árvores-de-lã fincavam pontas torturadas para o céu escuro. Os ex-manipuçás indagavam do espaço aéreo com suas secas e queimadas estacas. As ex-maubás-amarelas destacavam suas hastes nocivas corroídas decompostas. A aldeia se encolhia mais ainda. Tudo um cheiro insistente de carvão requeimado.
         Duas horas após, sete ou oito aldeões e aldeãs se achegaram para perto da família. Traziam um caldeirão de sopa, sopão, um fervido de pedras soltas, pedrouço, pedras pouco mais grandes, pedras pouco mais pequenas, brita. A família Araés se entreolhou com certo paradoxo.
         O padre, calçando as desgastadas remendadas sandálias franciscanas de pescador, acabou recomendando, pregando, acrescentando, falando em nome dos aldeões e das aldeãs e dos aldeõezinhos:
         - Os famintos famélicos da fome... Os sedentos sequiosos da sede...
A família Araés e o bródio de pedras entraram num acordo conformado e íntimo e prático. A noite pela noite assombrada de ondas intempestivas de terra seca. O preparado pelo bucho adentro. A noite em volta do fogo-de-chão. O ar acostumado pegado do cheiro de fumaça e poeira vermelha. Silêncio na noite e no lugar todo. Noite de lobisomem. Estrelas ausentes. Caldeirão ao fogo sopa quente de pedras requentadas. Lua meia-lua será que ia meio alta entre nuvens pesadas de terra. As horas iam e voltavam, as horas nem saíam do chão mesmo lugar.
Dez horas a menina Camapuã Araés olhou a noite, nem viu umas estrelas mais altas que outras, nem umas mais longas que outras, nem umas mais para lá que todas. Vontade de se mexer caminhar. Para onde?!... Se ergueu e foi andando, talvez passeando, fazia um calor impaciente, saiu do clarão da fogueira, foi tateando, entrou na escuridão. Ouviram ainda seus passos se ausentando e diminuindo, estalando quebrando com as folhas secas, e nem jamais voltou mais.
Talvez um pio de martinta-pereira. A mãe esperou meia-hora, e depois disse:
- Oxalá, Cajuru! Vai buscar sua irmã.
O menino sentiu passar pela pele um arrepio cabelos em pé pela espinha dorsal uma raiva insustentável. Nem vontade de caminhar. Para onde?!... Se ergueu meio ensonado, pesado, alarmado, indeciso, modesto, olhou a noite sem quase reconhecê-la, viu aquelas fumaças lá no alto ondeando cá para baixo, olhou a mãe cuidando do bebê, saiu andando, foi pego pela noite, saiu do clarão das labaredas, sumiu bateu a cara na escuridão mais pesada, escuridão aleatória, seus passos reticentes... e nem nunca mais voltou.
         Nenhum grilo existia ali para cricrilar, nenhum sapo-ferreiro morava ali para urrar, nenhum vaga-lume para lanternar, nenhum sariguê para grunhir, já nem ninguém dos mutuns-do-sudeste para bisar. Uns juruparis, esses sim, talvez, passaram soprando dentro do vento empoeirado. A mãe aguardou meia-hora mais, depois falou:
- Oxalá, pai! Já percebeu que os dois nem voltaram?
Anhembi Araés, o pai, estava para cochilar, abriu um olho sem vontade de caminhar. Para onde?!... O pai abriu os dois olhos, se ergueu, ouviu o sopro do vento enfumaçado, admirou a noite de nuvens pesadas de terra vermelha, e sem pensar o porquê que a lua e estrelas já nem nunca estavam, andou, olhou para os lados, saiu do clarão da fogueira, entrou resvalou na noite pegajosa, ficou por lá, foi andando mais, mãos às costas, foi com os próprios passos e sumiu na escuridão para nunca mais voltar.
Nenhum morcego ou murucututu trilava revoava ali ou acolá. A mãe se segurou por trinta minutos, mais ou menos. Após o quê, se ergueu querendo entender aquela noite pesada pesada. E disse para o filhote:
- Oxalá, bebê! Nem estranhe mas que a mãe já volta.
Avanhandava, a mãe, aconchegou o bebê quase junto à fogueira, entre uns pelegos gastos rasgados. Reparou se o bebê parecia estar sossegado. Vontade de caminhar ela nem tinha. Para onde?!... Aí olhou a noite a cercá-la, se decidiu ir por ali, noite acachapante, foi andando sem certeza, saiu do clarão da fogueira, foi passeando sem rumo, tropeçando nos calhaus, reparou que a fogueira fazia uma ilha de pouca luz na vastidão do escurão. E andou, contou os passos, nem iria longe, ouviu os próprios passos na única rua poeirenta, andou para o nada da escuridão, foi para o desconhecido, caçada pela noite, se repartiu em mil assombros, tragada pela poeira grudenta e nem nunca mais voltou mesmo.
Quando o quarto membro da família desapareceu, se desorientou, e todos já perdidos por dentro da escuridão, desarticulados, foi que se apresentaram os aldeões e as aldeãs e os aldeõezinhos ali por perto do clarão da fogueira. Era um número deles. Talvez todos os habitantes da vilinha. Chegaram quietos e lentos e trêmulos e quase sorrateiros. Chegaram diante da fogueira, esfregaram as mãos, repararam na trouxa junto a uns pelegos carcomidos. Cercaram o bebê. Uma aldeã se encolheu para cima do neném e o juntou. Coxim, o nome do bebê, ainda dormia. Então, lentos lentos como vieram, os vilões e as vilãs e as vilãzinhas foram saindo para suas casinhas de sapé.
O dia vinha se esgueirando da madrugada aterrada, todo envolto em fumaça de fuligem, todo pesado e sujo de terra. Tudo quietude conformada um silêncio de coisas já queimadas espantadas e espalhadas no ar poluído. O dia prometia ser mais um outro dia sufocante sufocado abrasador. As ex-árvores-de-paina espetando o céu vermelho com pontas pretas. As ex-baleeiras-brancas apontando os ossos pretos para o alto. Os ex-putumujus atacando com lanças aguçadas as nuvens grossas pesadas de terra. Os ex-iriribás espetando os ares enfumaçados com suas garras pretas nocivas. As ex-iperanas desafiando atacando os tempos e contratempos de sombras cerradas. As pedras estudando jogos mutretas artimanhas de xadrez. A vilinha de choças esparsas arruinadas empalhadas lado a lado na única rua.


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