O sol uma fogueira um incêndio
derretendo as coisas todas as coisas. Os meses seguiam os meses. As pedras de coração
duro. As ex-árvores quietas e cansadas e queimadas. O sol esquecido por trás
das pesadas nuvens de terra. Ondas de vento rolando a poeira vermelha do
deserto.
Tudo devastado pelo calor. Alguns anos
que nem nem chovia. Lugar interrompido desprovido afanado terminado.
A trôpega família Araés chegou à aldeia
de Santa Luzia, de poucas casinhas cobertas de sapé, de poucos tugúrios
estragados, lá pelas onze e pouco. Dias mormacentos irrespiráveis enrolados em
cinzas. E eles chegaram de pé no chão; pé ante pé; pés requeimados,
escalavrados, crestados. Estacionaram na pracinha, do lado das ex-paineiras consumidas
pela soalheira.
Os quatro cinco Araés davam a impressão que haviam
andado caminhado todo um planeta. Era bem possível que tinham dado a volta ao mundo.
E cruzado um imenso aterro vermelho inóspito. E a aldeia de Santa Luzia de única
rua poeirenta com poucas casinhas de pau-a-pique cobertas de palha maquiladas
de vermelho.
Avanhandava, a mãe, observou:
- Oxalá, hein! Uma capela em honra e graça e glória à santa
Luzia!
Se acomodaram à margem das paineiras moribundas,
calorosas, calorentas, derretidas, petrificadas. Essas ex-árvores e seus
esqueletos pretos e pontudos indigitando o espaço contaminado. Também, por que
tanto calor? Nem chovia há meses. Nenhum morador da aldeia se atrevia a andar à
vista. O dinhanhinho galopava os redemoinhos. Um sol encoberto pela poeira
constante enfadonha.
Anhembi Araés, o pai, facão três listas
na mão, se encaminhou para a capoeira esturricada. A mãe se dirigiu para um dos
casinholos ali perto, carregando o bebê nas cadeiras. Cajuru, o menino, foi até
a palhoça vazia onde antigamente funcionava um açougue. Camapuã, a menina,
seguiu para a choça onde uma vez funcionava uma padaria.
O pai pensou ter visto um rasto antigo
de cutia, noite e dia. A mãe tentou farejar um resto de merenda, e o bebê apenas
apontou, aqui e ali, uma coisa e outra coisa com a mãozinha encardida solta no
ar. Cajuru sonhou ter visto uns pacotes de leite na prateleira abandonada. A
menina jurou ter vislumbrado uns pacotinhos de biscoitos de chocolate na
vitrina empoeirada do balcão abandonado.
O céu estava imensamente contagiado da
terra vermelha. O vento pouco soprava, ou nada soprava, soprava um bafo quente
dos caldeirões dos fornos. As ex-árvores da praça extenuadas de fadiga e calor.
As pedras já cavoucaram as próprias sepulturas. A aldeia em ruínas no meio do
nada. As coisas cobertas de poeira vermelha. O lugar todo isolado banido do
mundo.
Os poucos moradores escondidos e
encolhidos e encarquilhados e envelhecidos dentro dos casebres. Nem vinham espiar
para fora por nada. Nem se expunham fugindo das intermitentes tempestades de
terra vermelha.
Nem chovia mesmo há vários meses. Terra
esturricada, trincada, rachada, torrada, sob o efeito de altas temperaturas. O
pó vermelho contaminava o ar, tapava os olhos, entrava pelas vias respiratórias,
parava na garganta, travava a voz. Nenhum ser se arrastava mal e mal além dos
poucos moradores esquivos morinhas. Uma cerca de varas tortas demarcava
separava um que outro casebre da rua Única.
Os aldeões e as aldeãs e os
aldeõezinhos se escondiam do mundo no fundo do deserto inóspito. Uns assobios
uivos do vento fazendo a terra para lá para cá.
Anhembi, o pai, nunca mais viu a cutia
que passara uma vez ali entre as manjeronas-do-campo destroçadas pelo calor. Avanhandava,
a mãe, nem conseguira trazer as tais sobras de comida, e o bebê nem falou mais
nada e nem apontou mais nada com a mão vazia no ar. O menino nem conseguiu sequer
um pacote de leite. Camapuã, a menina, voltou sem nem sequer o cheiro das bolachinhas
sortidas.
A família Araés na pracinha, concentrada
amarrada do lado da grande ex-paineira. Todos sentados na terra vermelha, abraçados
aos joelhos, os queixos nos joelhos, sempre desassossegados, olhos provocados
de poeira, inevitavelmente desanimados. Sopros de poeira quente, céu todo entupido
turvo. E sacis reinando tricas fuxicos tretas remoques pegas nos redemoinhos da
rua Única.
O vento baforando, rangendo, redemoinhando, brigando com
o pó vermelho. As pedras dormindo o sono lá delas de pedras requentadas. No
meio da capoeira, um cadáver de curupira em atitude de espantalho degringolado.
Escapava do chão um fumo escuro tóxico que subia preencher as nuvens densas e
incertas.
As paineiras nasceram no Brasil já diziam
as lendas antigas, as agendas passadas, as crônicas antanhas, os mitos
ancestrais dos macurape dos tucuju dos cariai dos tenharim dos iuberi dos zoé. Muitos
nomes possuíam aqui e ali pelo país afora, paineira-embiruçu, paineira-do-mato,
paineira-do-brejo. Fora fora frequentemente plantada, por seu perfil exibido e
destacado e faustoso, tanto em áreas de floresta como em áreas de campo.
As várias espécies podiam causar problemas aos pulmões
fracos irritadiços. Bastantes agressivas, causavam frustração aos arquitetos
quando plantadas em lugares apertados urbanos, no meio de casas e prédios e
praças e avenidas. Flores quase entrando pelo vermelho ou rosa ou branco.
Madeira clara e leve, de uns 260kg/m³, era
usada em canoas, aeromodelos, tamancos, gamelas, rolos de massa, pás de mexer cozidos,
colheres de pau, cabos de foice, pés de mesas e cadeiras. Da sua casca e folhas
se faziam uns chás ou pastas usados na prevenção de hérnias e ínguas, e isso desde
os tempos do paraíso nos trópicos. Os índios paiaiá tinham a árvore como sagrada.
Os índios piratapuia a tinham como mágica. Os índios carútana a tinham como
afrodisíaca. Os índios majubim a tinham como feiticeira. Os índios jeripancó a
tinham como facilitadora.
Dispersadas pelo vento, as sementes da
paineira-do-campo brotavam e apareciam muito bem, sendo já espécie por demais
agressiva.
Fora fora árvore caducifólia de grande
porte grande presença alta eloquência.
O gênero ocorria com mais sorte nas
regiões sudeste e sul do imenso multifacetado país. Tinha folhas alternadas
digitadas. Crescia sim rapidamente. E em 10 anos já fazia sua sombra se
esparramar, mérito dos muitos e extensos galhos. O tronco se revestia de
espinhos curtos e espessos. Os frutos se pareciam a pepinos, e continham muitas
sementes entre os filamentos sedosos que formavam a paina. Essa paina muito
utilizada para abastecer travesseiros, almofadas, bichinhos de enfeite ou de
agrado e bonecas de pano. A planta também tinha servido ainda para
matéria-prima na fabricação do papel, muito útil já a partir e pelos inícios do
século XVI.
Paineirinha ou barriguda ou mamica-de-cadela,
e outros nomes, fora uma árvore que eventualmente atingia 30m, própria da
família bombacácea. Exportada para os países frios ou temperados na fabricação
de encostos de cadeiras, tampos de mesas, cabeceiras de camas, gavetas de
cômodas e balcões, portas de armários e molduras de quadros.
Entre março e abril, as paineiras perdiam
quase que obrigatoriamente todas as folhas, substituindo-as pelas flores, que
lhes davam lhes davam extraordinária beleza e magnificência. No princípio da
primavera setembro sempre voltavam a chamar atenção quando seus frutos se
quebravam e liberavam os flocos brancos da paina que, bastantes brancos e leves
e soltos e tontos, se desfiavam e voavam e eram levados sob as pretensões do
vento.
Nem assim mesmo. A família Araés, requeimada
de sol, curtida ao sol, parara ali na pracinha feita de sol e poeira e
paineiras extintas. Desorientados desassossegados nem tinham noção e por quê. Aportaram
ali e nem sabiam o que dizer. Dominava o silêncio ou um cuidado por tudo por
nada. Aldeia parada e mínima e esdrúxula.
O lugar nem via chuva há dois ou três séculos.
Os dias eram aqueles sempre iguais de destroços e mormaço e entorpecimento. Assim,
as horas nem contavam mais nada. As pedras se derretiam, a terra se desagregava.
As ex-árvores viravam pó na paisagem isolada.
Pela rua Única, casinholos tortos e
escorados e desgastados. Nenhum morador no buraco da loca. Vinte e uma casinhas
de pau-a-pique.
O pai Anhembi Araés, bufou:
- Oxalá, hein! Os casebres...
O menino Araés mirou a ex-paineira-branca e a escalou.
O pai sacou um canivete do bolso. E distraído a apontar um pedacinho de madeira
encontrado ali. A mãe foi ver a capela da santa Luzia por dentro, segurando o
bebê acavalado nas ancas. A mãe fingiu lavar o rosto e os olhos na pia seca em
frente da santa Luzia, e fingiu lavar a cara e os olhos do bebê. A menina
desenhou uma sapata no chão, foi pegar uma pedra chata, jogaria na casinha da
frente, pularia numa perna só, e com cuidado para nem se queimar.
Muitos meses sem cair chuva ali no
lugar. Tudo sucumbira. Assim, de repente e no mais, caiu um raio sobre o
capoeirão seco, sequíssimo. Somente isso? O céu estava meio perdido no revoluteio
no rebuliço da poeira vermelha. O vento vinha tocando ondas de fuligem. E o
estrondo da descarga elétrica ainda repercutiu, zuniu, latejou, pulsou, ecoou pelo
fundo vazio do coco de cada membro da família Araés.
Assim mesmo foi que começou o incêndio no seco capoeiral
atrás da ex-ferraria. Surgiram, então por assombro, os aldeães e as aldeãs. Eles
vieram correndo das choças tortas e esburacadas. Chegaram com tacapes, picaretas,
pedaços de borracha pregados em cabos de pau, pedaços de lona, enxadas, foices,
machados, facões, martelos, vassouras, baldes de lata, espingardas. E todos se
esforçaram. Nem faltou ninguém da vila. Também mantinham um desassossego preocupado
aborrecido. Se empurraram, se pisaram, se acotovelaram, se atropelaram, se
xingaram na busca afobada por terra seca e jogar no fogo.
O padre, sujeito arqueado, dobrado, bastante magro, mofino,
em sandálias franciscanas de pescador, bermudão, camisa de manga curta, arrostava,
gritava alto as ordens que era para todo o mundo ouvir e obedecer:
- Ao combate! Ao combate do fogo!
O fogo estalava de fome e sede e horror. O fogo fazia
crepitar a ex-capoeira. O fogo estralejava com os gravetinhos secos. Os cabelos
do fogo obedecendo ao vento quente e terroso. Fagulhas subiam bem alto. Já quinze
horas, nem eram mais. O fogo rechinava na palha.
O fantasminha de uma perna só surgiu do nada, pulou no
centro da rua Única, inventou bobagem, gargalhou, hi hi hi!... dentro de um
remoinho de pedrinhas soltas e poeira vermelha. Depois rodou ainda mais e para
cima e para baixo na rua. E já foi embora rasteiro instantâneo soltando
risinhos debochados, hi hi hi!... e outros ruídos excêntricos.
A família Araés se chegou mais perto
para ver o sinistro. Depois, resolveu se integrar ao esforço coletivo de apagar
o fogo. A fumaça atacava o os pulmões os olhos, e os sujeitos ficavam tontos e lagrimosos
e enjoados. Pedras saltavam dinamitadas para os lados. Chiavam as secas barbas-de-bode,
as macegas torradas, as extintas guanxumas, as assadas ipecacuanhas, os poejos
fritos, as esgotadas favas-de-santo-inácio-falsas, os acabados vindecaás, as
plantas anônimas estorricadas e típicas de capoeira.
Os aldeões e as aldeãs e as aldeãzinhas
cavaram uma valeta em volta do ex-capoeirão. Suados e pretos de fumaça, cuidaram
para que o fogo perdesse força, perdesse espaço, nem tivesse mais o que consumir.
O ambiente ardia nos olhos, nuvem de fumaça encobria o sol e fechava o tempo.
Os Araés retornaram para perto das ex-paineiras-rosas.
O dia parou aí, sucumbiu, nem era de noite, se derreou. As horas nem
interpretavam tinham extrema dificuldade de alternar o dia. Caiu uma noite áspera
e fosca e predatória. De onde, de onde?! O céu, constantemente tomado de
fumaça, tomado de poeira vermelha, escurecia antes da hora. Noite acachapante
descera e pronto, de tampão. Tudo seco e enfumaçado e horrível. As
ex-árvores-de-lã fincavam pontas torturadas para o céu escuro. Os ex-manipuçás
indagavam do espaço aéreo com suas secas e queimadas estacas. As
ex-maubás-amarelas destacavam suas hastes nocivas corroídas decompostas. A aldeia
se encolhia mais ainda. Tudo um cheiro insistente de carvão requeimado.
Duas horas após, sete ou oito aldeões e
aldeãs se achegaram para perto da família. Traziam um caldeirão de sopa, sopão,
um fervido de pedras soltas, pedrouço, pedras pouco mais grandes, pedras pouco
mais pequenas, brita. A família Araés se entreolhou com certo paradoxo.
O padre, calçando as desgastadas remendadas
sandálias franciscanas de pescador, acabou recomendando, pregando,
acrescentando, falando em nome dos aldeões e das aldeãs e dos aldeõezinhos:
- Os famintos famélicos da fome... Os sedentos
sequiosos da sede...
A família Araés e o bródio de pedras entraram num
acordo conformado e íntimo e prático. A noite pela noite assombrada de ondas
intempestivas de terra seca. O preparado pelo bucho adentro. A noite em volta do
fogo-de-chão. O ar acostumado pegado do cheiro de fumaça e poeira vermelha. Silêncio
na noite e no lugar todo. Noite de lobisomem. Estrelas ausentes. Caldeirão ao
fogo sopa quente de pedras requentadas. Lua meia-lua será que ia meio alta
entre nuvens pesadas de terra. As horas iam e voltavam, as horas nem saíam do chão
mesmo lugar.
Dez horas a menina Camapuã Araés olhou a noite, nem viu
umas estrelas mais altas que outras, nem umas mais longas que outras, nem umas
mais para lá que todas. Vontade de se mexer caminhar. Para onde?!... Se ergueu
e foi andando, talvez passeando, fazia um calor impaciente, saiu do clarão da
fogueira, foi tateando, entrou na escuridão. Ouviram ainda seus passos se
ausentando e diminuindo, estalando quebrando com as folhas secas, e nem jamais voltou
mais.
Talvez um pio de martinta-pereira. A mãe esperou
meia-hora, e depois disse:
- Oxalá, Cajuru! Vai buscar sua irmã.
O menino sentiu passar pela pele um arrepio cabelos em
pé pela espinha dorsal uma raiva insustentável. Nem vontade de caminhar. Para
onde?!... Se ergueu meio ensonado, pesado, alarmado, indeciso, modesto, olhou a
noite sem quase reconhecê-la, viu aquelas fumaças lá no alto ondeando cá para baixo,
olhou a mãe cuidando do bebê, saiu andando, foi pego pela noite, saiu do clarão
das labaredas, sumiu bateu a cara na escuridão mais pesada, escuridão
aleatória, seus passos reticentes... e nem nunca mais voltou.
Nenhum grilo existia ali para cricrilar,
nenhum sapo-ferreiro morava ali para urrar, nenhum vaga-lume para lanternar,
nenhum sariguê para grunhir, já nem ninguém dos mutuns-do-sudeste para bisar. Uns
juruparis, esses sim, talvez, passaram soprando dentro do vento empoeirado. A
mãe aguardou meia-hora mais, depois falou:
- Oxalá, pai! Já percebeu que os dois nem voltaram?
Anhembi Araés, o pai, estava para cochilar, abriu um
olho sem vontade de caminhar. Para onde?!... O pai abriu os dois olhos, se
ergueu, ouviu o sopro do vento enfumaçado, admirou a noite de nuvens pesadas de
terra vermelha, e sem pensar o porquê que a lua e estrelas já nem nunca estavam,
andou, olhou para os lados, saiu do clarão da fogueira, entrou resvalou na
noite pegajosa, ficou por lá, foi andando mais, mãos às costas, foi com os
próprios passos e sumiu na escuridão para nunca mais voltar.
Nenhum morcego ou murucututu trilava revoava ali ou
acolá. A mãe se segurou por trinta minutos, mais ou menos. Após o quê, se
ergueu querendo entender aquela noite pesada pesada. E disse para o filhote:
- Oxalá, bebê! Nem estranhe mas que a mãe já volta.
Avanhandava, a mãe, aconchegou o bebê quase junto à
fogueira, entre uns pelegos gastos rasgados. Reparou se o bebê parecia estar
sossegado. Vontade de caminhar ela nem tinha. Para onde?!... Aí olhou a noite a
cercá-la, se decidiu ir por ali, noite acachapante, foi andando sem certeza, saiu
do clarão da fogueira, foi passeando sem rumo, tropeçando nos calhaus, reparou
que a fogueira fazia uma ilha de pouca luz na vastidão do escurão. E andou,
contou os passos, nem iria longe, ouviu os próprios passos na única rua
poeirenta, andou para o nada da escuridão, foi para o desconhecido, caçada pela
noite, se repartiu em mil assombros, tragada pela poeira grudenta e nem nunca
mais voltou mesmo.
Quando o quarto membro da família desapareceu, se
desorientou, e todos já perdidos por dentro da escuridão, desarticulados, foi
que se apresentaram os aldeões e as aldeãs e os aldeõezinhos ali por perto do
clarão da fogueira. Era um número deles. Talvez todos os habitantes da vilinha.
Chegaram quietos e lentos e trêmulos e quase sorrateiros. Chegaram diante da
fogueira, esfregaram as mãos, repararam na trouxa junto a uns pelegos
carcomidos. Cercaram o bebê. Uma aldeã se encolheu para cima do neném e o
juntou. Coxim, o nome do bebê, ainda dormia. Então, lentos lentos como vieram, os
vilões e as vilãs e as vilãzinhas foram saindo para suas casinhas de sapé.
O dia vinha se esgueirando da madrugada aterrada, todo
envolto em fumaça de fuligem, todo pesado e sujo de terra. Tudo quietude
conformada um silêncio de coisas já queimadas espantadas e espalhadas no ar
poluído. O dia prometia ser mais um outro dia sufocante sufocado abrasador. As ex-árvores-de-paina
espetando o céu vermelho com pontas pretas. As ex-baleeiras-brancas apontando os
ossos pretos para o alto. Os ex-putumujus atacando com lanças aguçadas as
nuvens grossas pesadas de terra. Os ex-iriribás espetando os ares enfumaçados
com suas garras pretas nocivas. As ex-iperanas desafiando atacando os tempos e
contratempos de sombras cerradas. As pedras estudando jogos mutretas artimanhas
de xadrez. A vilinha de choças esparsas arruinadas empalhadas lado a lado na
única rua.
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