segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Isto assim aqui está o começo do mundo

           
           
            Também que deuses que deusas olharão a terra se aqui no chão nem andar andam as mulheres? As mulheres têm algo alguma substância dentro de si nem sei em que órgão que as faz despertar propícias para o dançar. As gurias são a coisa mais passarinhas do mundo.
            Os rios são diferentes das carnaúbas. Os macacos-de-bando são diferentes das montanhas. As mulheres são diversas das juruvas das ilhas dos andirás-açus das florestas dos tambiús das praias dos bichos-preguiças dos carros de passeio.
Quem falou primeiro? Quem deu o primeiro passo? Foi a mulher ou a lagoa do Vapabuçu?
O tempo passa muito devagar: a mãe do ouro saiu da tarde tardezinha perto do córrego do mato de catanduvas chamando prometendo ouro e esmeraldas e riquezas sem termo.
            Até mesmo os divinos as divinas olham para as mulheres caprichadas. E porque são belas sorridentes desenhadas jovens viram parte dos mitos. Simplesmente isto.
            As raras elegantes sofisticadas conversadoras altas por acaso ou porque querem. Parabéns!, nem devem chorar já que possuem o mundo a seus pés. Vestidas de qualquer jeito, nuas, palmeiras piaçabas perfumadas ou suadas são imortais, aladas e atletas. As gurias são a coisa mais elogiáveis do mundo.
            E Camuá é uma esta linda andando simples displicente e frequentemente a rua Vidal de Negreiros passo sistemático depois da aula e a avenida Presidente Lucena raios diagonais do sol. Atravessa a praça Cauaíbe movimentada, olhando o chão apenas se cuidando dos cocôs de cachorro, sem ligar a mais nada, e entra em casa. Vai para o quarto ficar sozinha. Sente o coração nem sabe de quê. Uma sensação maravilhosa enigmática, e lhe falta alguma coisa? Aparentemente um altar com taça e suco gelado de abacaxi. Um espelho do tamanho de corpo inteiro. Bebe o copo cheio e desaparece das vistas.
            - Eu, indeciso, somente a conhecia de vista e olhe lá.
            Desde criança já pensava em ser jogadora de vôlei na posição de atacante saída de rede. Remendada de fitas fisicoterápicas no ombro nas pernas, e mergulhando na quadra num movimento de hiperextensão. As gurias são a coisa mais estéticas do mundo.
            O labirinto do sentimento nem é esta falta de conhecer o mundo, Estância Velha, Orizânia, Anhembi, Carinhanha, rua Itambé em Santo André... Nem curiosidade de uma profissão para preencher o tempo. Então, que viagens teriam? Não se sabe, ainda. Coça um bichinho um espinho ali irrequieto. Quanto mais pensa mais sonha e mais lhe penetra. Nem será a descoberta de uma ilha da Trambioca uma lagoa da Fortaleza uma praia da Daniela uma tribo tuiúca um morro Itacolomi uma rua Ibitiguaia em Juiz de Fora uma gruta da Torrinha? Afinal, que rio Jauru em que barco a fará navegar voar correr sem perceber sem querer?
            Um vento chato ameaça chuva para mais tarde. As gurias são a coisa mais elétricas do mundo. O tempo está bom e cairá uma chuva em breve tromba de água muita com ventos fortes quem sabe granizos. Elementos gigantescos em reboliço com chicotadas de fogo e barulho roncos de tremer os alicerces. Pingos grossos acertam o telhado o toró despenca a enxurrada limpa as valas alaga a rua.
            - Era bem isto o que eu estava pensando.
Com a mão livre baixa a lâmina de plástico flexível da persiana e olha a rua Curiboca. E admira a rua. O que está conjeturando? E memoriza a rua.
Quem plantou a folha-de-santana? Quem semeou a de Cáceres? Foi a mulher ou foi o parque ecológico do Guarapiranga?
            E se recorda que esta sensação nem nasceu agora recém, mas já há alguns dias. E apareceu também do nada ou do pensamento com a justa fantasia. Talvez coisa de gente mesmo. Ansiedade que nem precisa nem requer explicação. E asas de araponga-do-horto. E cores de borboleta-oitenta-e-oito. E frutas do araçá-de-coroa. E sons de membixuê. E banhos na cascata D’água Grande. E passeios por dentro de Goiana.
            O tempo passa muito depressa: e o rio Ipiranga e o rio Tamanduateí e o rio Anhangabaú deságuam no Tietê que correm.
            Está cochilando. Com vontade de escalar guaraçaí e tomar um banho no rio Aporé, ou melhor, com alegria de rolar na areia fina.
            A lua se esconde atrás da montanha do meio. A mão imobiliza a rua. A iara vê a tua lagoa. Ainda paisagem de vales e águas roncando como por entre as pedras as lajes a cachoeira das Andorinhas. As gurias são a coisa mais livres do mundo.
E se despe, afunda na cama Camuá quente macia, toca os travesseiros como se fossem maritacas casas aviões peixes Guarapari arbustos, os olhos já mareados, e só procura nem sentir as estrelas os anéis de Saturno.
Como isto se realiza. Parece e só parece que o mundo tem se transformado.
Dorme 22h e 10min profundamente. As aves gorjeiam a matinada e com satisfações ao sol esfuziante. Abre a porta 05h e 15min em dia que acontece ali e pronto. E caferana farfalhuda. E quaresmeira pintada. Olha o céu de poucas nuvens com cara de bichos onde acabam de chegar.

             

Um comentário:

  1. Boa tarde Elton
    Meu nome é Katia Dal Bello, sou funcionária da Biblioteca Pública Municipal Jornalista Paulo Falzetta, do município de Novo Horizonte/SP. Venho por meio deste entrar em contato para agradecer os livros que enviou e aproveitar para comunicar nossa mudança de endereço.
    Estamos na Avenida Coronel Junqueira, 684 - Vila Patty - CEP: 14960-000 - Novo Horizonte/SP. Quaisquer dúvidas coloco-me à disposição através do e-mail de nossa Bibliô: biblioteca@novohorizonte.sp.gov.br

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