Era aquela vez que o menino o guri
queria ser cão ou lobo-guará (nota de 200 reais) ou cachorro-do-mato-vinagre. E
ninguém tinha à mão, e em parte alguma da ideia da imaginação do livro sagrado do
rio, a explicação desse desejo-inspiração. Ninguém tinha nada com isso e aquilo
aquele outro. Nem o cachorro vira-lata sabia por que queria ser cão ou cachorro-d’água.
Mas teimava em sê-lo. Selo sela cela seletivo selecionado seleção. Sabia que
queria ser cachorro ou cusco - menos cachorro-quente e ou cachorro-magro (tipo
de formiga).
A timbrada mamãe progenitora,
imediatamente no mesmo instante antes que acontecesse o inevitável e prevenindo
o irremediável, lhe perguntou ralhando mãos nas cadeiras e emocionada com
ênfase e ascendência:
- Aí é que tá! Mas que besteira é essa e aquela e
aquele outro, Arnaldinho?! Cachorro é um bicho cheio de pulgas piolhos carrapatos
moscas varejeiras bernes e anda de quatro patas farejando tudo e quaisquer! Cachorro
é um canídeo comedor de osso ou ração pra cachorro! Cachorro é um ser doméstico
que balança o rabo quando vê o dono(a)! Cachorro nem é gente, no máximo o
melhor amigo do homem! Quando crescer se desenvolver e maior você vai ser
médico cardiologista ou mesmo engenheiro civil ou ainda técnico da informação e
esmerilhador, estou certa disso!
O garotinho baratinado e sonhador teimava nervoso e
convicto e taxativo, eloquente:
- Nem essa e aquela e aquilo lá, tá! Eu quero ser
cachorro com orelhas grandes cauda abanando e dentes afiados pontiagudos,
pronto cainhei, au au au!... e nem me amole!
- E confesso - continuou o piá moleque todo cheio de
si e conversas - que gosto muito de praia e rios e mar e piscinas naturais ou
artificiais. Confesso que quero morar pertinho da lagoa do Araçá, em a península
de Maraú, na ilha de São Simão. Preciso passear às pelas galés de Maragogi.
Quero pescar peixes com arco e flechas no rio Real igual o cacique Serigy.
O bichinho queria ser legendário e ou lendário. Parecia
ter estofa laia classe. Ele queria ver longe e um horizonte perdido longe
distante entre o céu e as montanhas, o céu e o mar, o céu e os arranha-céus. E
gostava de chocolate... crocante em barra... croque!... Durante os fins de
semana visitava o mercado público São José (onde havia e pertencia o lavabo
mais antigo do país) e adorava ver as disputas políticas conflitos na praça Nélida
Piñon entre os lisos (conservadores) versus os cabeludos (liberais). No cais
José Estelita, entrando ou saindo barcos abarrotados toneladas-quilômetros de
mármore madeira barrilha sal-gema clínquer petróleo cana-de-açúcar cosmético
vassoura máquina pesada... (e entre uma compra e outra numa barraquinha ou
tendinha ou quiosque e um dois três pratos típicos uma duas três bebidas sucos
da região) assistia o teatro de bonecos do Mamulengo a apresentação das bonecas
de Calunga a exibição desfile dos bonecos gigantes de Olinda. Na avenida
Eusébio de Queirós, a mais comprida e larga da cidade, o desfile de 7 de
Setembro com parada militar grupos escolares e grêmios esportivos e clubes
recreativos e associações beneficentes assistencialistas. Parava um instante em
o reabastecimento lambia desfrutava na sorveteria Arcaz... açaí com mel natural
de abelhas mamangabas... hum!...
- Quanto custa? - apontou o focinho úmido.
- Quanto é? - apontou a pata ou a mão direita da
frente.
- É produto natural, naturalmente? - indagou para
desencargo de consciência, água na boca.
- Me vê outrossim uma porção de abacaxi outra de
pitanga mais além de cupuaçu...
- Total R$10,50! Mais alguma coisa? - colocou a
atendente de guarda-pó ou jardineira.
Então e de acordo, o menino saiu por aí dizendo a todo
mundo que estava aguardando algum dia desses ser cachorro ou guapeva. Disse
para os vizinhos e colegas, seus amigos(as) de folia e farra e jogos de bola na
escola colégio estadual Aurelino Leal (CEAL), e estes correram avisar suas mães
e tias e avós que Arnaldinho queria trabalhar de cachorro ou cão quando
crescesse ou o mais rápido possível ou o mais tardar semana que vem. No clube Esportivo
Recreativo Ânfora, o Arnaldinho falou e espalhou disse pra todo mundo aos
sócios em geral que queria ser cachorro ou guaipeca. Uns riram às gargalhadas,
ah ah ah!... algumas deram azo à imaginação outros ficaram sérios pensativos analisando
o que poderia ser uma transformação metamorfose em cachorro ou lobisomem (lenda
ou crença ou pena) uivante uivador, uive! uive!... As meninas pediram para que
ele latisse o tradicional, au-au-au!... Arnaldinho ficou vermelho azul amarelo
branco - nem sabia latir em português ou traduzido para o brasileiro. Nem podia
negar nada às meninas e garotas e gurias tão galantes galanteador. Nem sabia
ladrar acoar na frente dos outros e quanto mais de alguns estranhos. Outra
coleguinha de turma Terê lhe explicou que era entendida em cachorro ou cadela de
estimação animal dócil e caseiro, que existiam vários tipos de cachorro
espalhados pelo mundo e regiões e mais com suas profissões ofícios, que a tia
dela Teresa moradora de General Maynard tinha um cachorro ou cão chamado Bidê,
que o Bidê gostava de brincar correr na areia e um dia se perdeu na praia de
Mosqueiro, que o Bidê nem tinha medo receio de nada somente de trovoadas e
fogos de artifício e sons detonações do escapamento escape de motos...
- Hei de viajar um monte uma montanha uma cordilheira.
Havemos - desabafou o cão.
- Tenho de andar de trem de passageiros. O trem
maria-fumaça passa pelo vale do rio Cotinguiba, to-tem! to-tem!... a gruta do
Capim Branco, Pirambu, cânion do Xingó, Neópolis... - contou o cachorro de suas
visitas programadas idolatradas previstas.
Já eram umas oito ou nove da manhã, desde cedo cedinho
na rua em procura do café da manhã, o cachorro sentiu frio um ar resfriado um
arrepio pelo corpo arrepio no pelo. E olhou para o tempo o clima para o topo
dos prédios os mais altos (bairro Jaraguá na avenida da Paz diante do museu
Théo Brandão de antropologia e tradição). Sair na chuva ele podia e devia,
porém nem era preciso e podia ficar com cheiro mais. Pluviosidade média anual
de 1800mm na cidade, com maior intensidade de chuvas entre maio e julho. Instinto
privilegiado canino e ele já sabia sentia, declarou:
- Vai chover - disse de si para si e comparativo.
- Quando muito pra já - novamente conferindo
investigando o céu os céus.
- E de repente supetão e de chuá!... - convencido e
pensativo e convicto.
- Até onde nem sei - agora sim, definitivo peremptório
pra concluir mesmo.
Numas férias de meio de ano em junho, o Arnaldinho foi
visitar (fazia tempo que nem visitava) sua avó que morava no parque Francisco
Brennand o bairro do Recife na cidade de Recife cheio de diques e pontes e canais
e igupás, ilhas e penínsulas e alagados e manguezais, planície aluvional ou
fluviomarinha, pura beleza e beleza natural. A avó do menino se espantou com a
atitude a ousadia e o sonho peralta do neto estiloso. E o porquê disso,
perguntou:
- Que história é essa aquela aqui e ali de cachorro
bravo, hein?! Você morde ou quer morder, é?! Foi esta a educação que lhe dei,
em?! Da noite pro dia, oi?! Por que e causa de que você sabe farejar e vigiar
uma casa uma propriedade noturnamente?! Que mais?! Me diga!
- Porque é mais fácil ser cão ou cachorro que ser
gente ou pessoa, vovó! Cachorro nem precisa estudar nem precisa tomar banho
todo dia nem precisa dormir cedo e levantar cedo... É mais conveniente ser cachorro
que gente ou outro bicho qualquer... Na verdade verdadeira, vó, eu queria ser
um cachorro que soubesse subir trepar escalar em árvores em prédios em muralhas
em paredões de pedra... Eu também adoraria morar no alto das árvores
cerejeiras-do-paraná e olhar o mundo... Depois do que eu adoro primeiramente pontes
estaiadas a ponte do Guaíba a ponte do Abunã a ponte construtor João Alves
entre Aracaju e Barra dos Coqueiros...
Ele costumava pedalar até o parque nacional de Ubajara
na ciclovia identificada pintada de vermelho interditada aos veículos. O cão ia
ao parque da cidade? Preferia andar de porta em porta antes que estudar a
física a química a biologia. Arnaldinho gostava de outros animais? Nem sabia
responder. A lei estadual 12.678/12 de 6 de agosto de 2012 instituiu o sistema
estadual de unidades de conservação da natureza (SEUC). Para se ter uma ideia e
como exemplo, em 2019 o Estado possuía 160 unidades de conservação estaduais
(UCE): 80 de proteção integral (PI); 62 refúgios da vida silvestre (RVS); 10
parques estaduais (PE); 6 estações ecológicas (ESEC); 2 monumentos naturais
(MONA). Então havia muitos parques e retiros e praças e pontos de vista no
caminho na rota na trilha na história do cusquinho.
- Amanhã - começava dizendo o cão ele mesmo e a si
sozinho, agora guiando a bíci morro abaixo quando a velocidade é controlada é
preciso controlar.
- Amanhã é - já fazendo uma curva fechada em a
ciclovia e com atenção redobrada.
- Amanhã é tempo - no plano planalto cômodo da pista e
já pedalando comodamente cadenciado sem forçar as pernas.
- Amanhã é tempo suficiente - nessa altura da ciclovia
o cão já podia aproveitar melhor a paisagem o meio ambiente ouvir os pássaros
estes arapaçus-do-bico-preto titicuãs guaxes... e contar as árvores estas
tentos-das-campinas avencões cabos-verdes capins-andacaás... e pedalar à
vontade.
O guaipeca costumava pegar o ônibus, embora lotado
entupido lata de sardinhas, e ir à praia entre elas dentre as quais e tais a praia
de Burgalhau a praia de Muro Alto a praia do Gunga a praia de Aruana... Queria
morar em Estrela de Alagoas ou Conceição das Alagoas ou Marajá do Sena ou
Araripina, porém conforme a época a estação do ano conforme a lua a bola a onda
a moda. Aguardava na parada do acostamento da rua frei João de Santa Ângela.
Qual diferença entre o interior e o litoral, os chapadões e as montanhas? O
cachorro achava tanto faz como fez e fará. Gostava de um pouco de cada clima e
região, então visitava o interior Paulo Ramos ou Pindaré-Mirim ou Graça ou
Manari. Colinas e morros argilosos, solos ricos, topografia ondulada, planícies
aluviais, solos renovados por cheias periódicas, depressões mamelonares,
várzeas, deltas. Trânsito pesado na avenida Clara Camarão logo diante do
edifício da municipalidade. Táxis de cor vermelha placa identificando acima do
capô e adesivos nas latarias. Depois optava pelas cidades com frente pro mar e
praias largas, Marechal Deodoro ou Lago da Pedra ou Reriutaba ou aldeia tal
qual dos jeripancó. Subindo o viaduto Pontes de Miranda e na esquina com a
Barão de Traipu trocar de bairro aproveitar passar de uma ave bairro Suiriri até
uma ravina bairro Sorocabuçu. Nesse dia calorento que todos resolveram ir à
praia, o cachorro se deparou com um espelho de vitrine ali no centro de compras
Herberto Sales. De repente se viu diante de alguém que nem podia fugir ou
fingir ou iludir ou simplesmente ganir. Diante de si e frente a frente cara a
cara focinho a focinho, literal.
- Escuta!... - falou alto o cachorro.
- Eu gosto de sorvete no verão... chocolate no inverno...
suco de abacaxi em todas as horas com especial atenção na manhã - disse o cusco.
- Você sabe onde fica o forte São João Batista do
Brum? - indagou o cão.
- É descendo a avenida Adelmar Tavares Cavalcanti no
sentido norte. Funciona de terça a domingo - recomendou o guaipeca.
- 1 aventura do século 21: viajar! - concluiu o vira-lata.
- Que mais?! - ainda declarou o Arnaldinho.
Um dia desses ou daqueles e quem sabe quem viu,
Arnaldinho o guaipé saiu de casa e foi por aí pelo mundo afora e adentro e na superfície.
Virou senhor virou etê virou x virou comando camarada alienígena compadre
sicrano... Em viagem de conhecimento pegando estrada fazendo instintivamente
seu próprio roteiro itinerário, uma trilha no parque estadual Dois Irmãos
(PEDI), aldeia da tribo uitoto, Guaraciaba do Norte, Vicência, Japaratinga, rua
Joaquim Moreira Cardozo do centro antigo tombado pelo Iphan onde habitava uma
casa com culinária local e de sabores cores odores aromas bolo de rolo cartola
beiju bolo de milho pamonha mungunzá doce bolo de fubá canjica, praça Olímpio
Campos onde aconteciam eventualmente acontecem os eventos apresentações
culturais teatro de rua cordel bandas populares quadrilhas juninas... Parou na
entrada na porta no acesso na bilheteria e ficou olhando, já sem convicção de
entrar de vez. O comerciante proprietário empreendedor empresário viu
reconheceu e perguntou:
- Más bá tchê guri! Alguma coisa necessariamente,
amigo velho gaudério e companheiro?
- Pra falar a verdade eu queria algum fiapo de picanha
churrasco, tá ligado?! Pode ser de hoje e no sal grosso, sem problemas! Se nem
tiver uma paleta assada e gorda pode me favorecer uns 100 reais, tá certo?! Nem
sou muito de luxos e chiques e sobremesas!
O negociante do comércio gastronômico continuou
olhando pro Arnaldinho e pensando com seus botões do uniforme branco. Um minuto
e veio com estes argumentos alimentícios:
- Se eu te favorecer um osso suculento, você pega come
e desaparece? E nem volta daqui meia hora buscar outro? E nem volta amanhã mal
acostumado, por ventura?
- Tá feito o trato. Aceito.
Arnaldinho aguarda o coletivo o latão na parada dos
ônibus numa altura da rua Presidente Augustinho da Silva Neves. Quem anda de
ônibus neste país? Também inclusive outras pessoas e alguns conversando
(comentavam reputavam distorciam aviltavam os artigos dos deístas contra os dos
agnósticos) e outros ouviam música ou rádio ou aula de idioma. A localização da
região metropolitana da cidade sempre entre os paralelos de latitude sul e os
meridianos de longitude oeste. O cão fatigado deitou na calçada ali, entre os
pés das pessoas faustosas, e já a condução atrasava em 5min e 10min e 15min. Por
que os cães saem da sua zona de conforto? Para se ter ideia e nem fique e restem
dúvidas, em 2020 o Estado tinha e possuía 80 unidades de uso sustentável
distribuídas da seguinte maneira bem catalogadas mapeadas: 36 áreas de proteção
ambiental (APA); 26 reservas particulares do patrimônio natural (RPPN); 16
reservas de floresta urbana (RFU); 2 áreas de relevante interesse ecológico (ARIE).
- O meu destino é errante - dizia convicto e relaxado um
senhor de bigodes e costeletas brancas, ali mesmo aguardando o transporte. Já
foi um pouco e está sendo e mais além, né!
- Sim. É como levados pela corrente de um rio tipo o
rio Capiá ou o rio Pirapama... - colaborou um senhor careca ou corte zero coberto
pelo boné do time de coração.
- Igual às folhas às flores aos frutos às frutas das
árvores carobas-brancas ou cajueiros-bravos-do-campo ou tamaquaris ou caranás...
e que vão e vêm - a vez de colocar plausível sua pitada de opinião um senhor de
guarda-chuva, prevenido que vale por dois.
- Nem criamos nada. Uma ou outra anedota sarabanda pra
dar risadas, pode ser. D sabe o que faz com todos com os cupins-cabeção as
formigas-cobras os enxus as siçuíras os marimbondos-de-bunda-amarela... - agora
mesmo resaltando o senhor empreendedor empresário profissional do setor de
roupas e calçados e afins com uma lojinha em frente à praça Xukuru-Kariri.
- Olhem reparem este cão jovem solteiro zãibo e jogado
atirado no chão na poeira no cisco e que nem pode nos entender compreender uma
só palavra, o coitadinho. Quem tem cachorro e nem tem filho, gosta de cães e
filhos. Quem tem filho e cachorro os tem porque os filhos e cães se gostam -
afirmou declarou quase declamou o senhor acompanhado da esposa casal e pareciam
se dar especialmente bem sempre abraçadinhos juntinhos fofinhos um com a outra,
ele levemente maior que ela e ela mais elegante que ele.
Ademais um cão a pé nem chama a atenção. Por quê? Uma
cidade boa (e há muitas por toda parte aqui e ali acolá) respeita seus animais
vadios e soltos e vagabundos. Por quê? Uma cidade má (e há algumas por toda
parte ali lá mais além) come seus cachorros seus gatos seus ratos e faz os tais
espetinhos nas entradas dos estádios de futebol. Por quê? Um cão farejando lata
de lixo nem incomoda muita gente. Incontinente se fosse uma anta ou uma família
de capivaras incomodaria muito mais. Por quê? Um cachorro ou cusquinho de
carona num automóvel nem chama a atenção. Por quê? O cão está acompanhando o
seu dono(a) e ninguém tem nada com isso e aquilo ou aquele outro. Por quê? O
cão cachorro no máximo põe a cabeça a cerviz pra fora da janela e pega um vento
na cara e se diverte com a língua de fora as orelhas abanando balançando. Mas
um cão guaipeca dirigindo um trator um avião uma máquina qualquer é no mínimo
surreal e ninguém em sã consciência aceita tal coisa. Por quê? Nem todo cão é
treinado pra dirigir um caminhão uma caminhoneta uma motocicleta uma bicicleta
um quadriciclo. Por quê? Com toda certeza se pensa se sabe que o canídeo (suas
orelhas o caracterizam) nem tem carteira de habilitação permissão para conduzir
automóveis. Pois que a pé ou de carona ou guiando seu próprio carro novo em
folha, Arnaldinho chegou ao paraíso na terra. Cidade preocupada com a
mobilidade urbana e a acessibilidade. Por quê? Já chegou em Fernando de
Noronha, morro Dois Irmãos, baía dos Porcos, praia da Cacimba. Nada de bairro
verticalizado maiormente majoritariamente bairros térreos. Cidade pequena aglomeração
urbana e município área territorial. Olhou em volta e desabafou sozinho simples
assim:
- A 1ª aventura do século 21: viajar!
- Que beleza cristalina e pura, meu!
- Trabalhadores trabalhadoras banhistas civis
seculares eclesiásticos...
- Meninas e moças donas com grinalda de flores
naturais adornando entre os cabelos...
- Se fosse eu de D, em?!
Uma semana depois do próprio aniversário uma
terça-feira de verão em fevereiro, o cão recebeu uma mensagem de texto pelo
celular:
“Venha à festa de fim de ano na praça Juliano Moreira
que assim nos conhecemos melhor. ela. ” De assinatura nada mais que este
pronome ‘ela’ em letras menores.
E cão cachorro ficou logo muito olhando o céu e
fantasiando e esperançoso criando bolhas e nuvens e mil e uma aventuras,
sugerindo:
- O barco a vela a jangada de vela de cor anda veleja
pela baía de Todos-os-Santos...
- Seguramos as mãos fomos dançar ao ar livre na ilha
Coqueiro Só e rindo muito...
- Há mais o que fazer viajar rio Poxim estudar e
ninguém tem pressa...
- Por exemplo a praça São Francisco em São Cristóvão e
festas e danças para homenagear São João São Pedro Santo Antônio juninas reisados
caboclinhos cacumbis taieiras sambas de parelha são gonçalos...
Aventurando e andando na lua, praticamente, um
cachorro vê e ouve o que os outros mortais nem se dão conta. Quem mortais? O
que foi que ele viu na paisagem e investiu pela praia de areia branca aspirou
correu fez coisas comuns espantou assustou saracuras-da-praia... E tem duas
vozes, uma para latir e outra para traduzir:
- Au-au-au!... Admiro que ainda coexistam tudo isso e
aquilo aquele outro. Admiro a praia o mar o sol o conjunto habitacional
Paumelenho e todos os outros personagens aqui presentes. Aliás, um sol
brilhante e muito bem disfarçado de bom ou ótimo porém rebrilhante!
- Au-au-au!... Aqui sentado na areia fina, de frente
pras marolas ondas maresia, ouvindo as ondas as gaivotas os atobás-mascarados
as crianças rolando a bola de plástico mais baldinho e pazinha de plásticos...
Um cachorro simples assim prefere publicar nas redes
sociais nos diversos canais. Um cão, quem diria animal irracional temperamental
fiel, prefere ir de carro de barco de parapente de dirigível de bicicleta.
Pilotando o próprio helicóptero? Um cão nem é paciente e tranquilo. Um cachorro
comum esquece até os melhores amigos. Tanto que foi acompanhar o bloco
(reformado modernizado ampliado) do Galo da Madrugada, manhã afora. Multidão
empacotando compactando a ponte Duarte Coelho entre os bairros Boa Vista e
Santo Antônio. Ritmos acelerados fortes borbulhantes efervescentes frevo (pcih)
cavalo-marinho coco de embolada cavalhada maracatu nação e maracatu rural.
Definiu tudo numa esperança numa certeza numa alegria numa frase com 6 palavras
6 espaços e 44 caracteres:
- Provavelmente hoje mesmo encontre minha preferida!
Andando displicentemente pela bonita praia da Lagoinha
em Bombinhas resolveu parar na sombra de uma peroba-tabuada para beber uma água
gelada água de coco caldo de cana suco de cacau. Se acomodou ali na areia clara
e milenar acomodado língua de fora sentado na cauda e apenas observando a
paisagem o panorama o movimento das pessoas no vaivém constante relaxado
assintomático. Ninguém lhe dirigia a palavra porque nem era o caso. Um cão na
praia nem chama atenção. Depois de meia hora sem nada de acaso acontecer, eis
que surgiu uma menina sozinha e procurando o que fazer. Ela o descobriu e ele a
encarou amigavelmente boca aberta calorento. Sorriram um para a outra. Criança
e animal, normal. E começaram um diálogo iniciando com ela:
- Por que você nem está nadando e pegando uma onda com
a prancha, em?!
- É. É uma, né?! Eu poderia se eu quisesse.
- E você nem sabe nadar?
- Somente sei nadar cachorrinho e acho que serve, uma
vez.
- Você nem é aquele cachorro do comercial de pneu?
Parece.
Na linha finíssima do infinito entre o céu azul e o
mar verde, passava lentamente um petroleiro e parecia dos grandes banheira e
além-fronteiras já em alto-mar. Talvez chegando de São Miguel dos Campos para
Olho d’Água das Flores. Exercitando natação as baleias-mirins baleias-pamonhas
baleotes e ou filhotes bebês recém-nascidos(as). Nem sobrava mais que uma nuvem
no firmamento. O cão primeiro se adiantando no negócio:
- Onde você passou o natal? Você nem é de Rosário do
Catete?
- Viajando no más. Conhecendo os caminhos.
- Por onde andou e aonde foi? Já viu o morro do
Gritador em D. Pedro II?
- Aventurando no mais. Era a ilhota da Coroa do Avião.
Toda verde de cajazeiras. Um dia você também deve chegar e conhecer por lá.
- Qual sua comida preferida e predileta? Eu prefiro
tapioca co carne seca e queijo ralado.
- Com quem você mora? Meus pais se separaram ano
passado em 2020, ano da pandemia.
- Você prefere avião ou ônibus? De noite ou de dia?
- Outra hora te mostro o cartão-postal, riquíssimo, do
monumento dos Arcos da Orla de Atalaia. Muitas fotos selfies com a galera a
turma os colegas os irmãos(ãs) do colégio militar.
Depois o sol foi esquentando ainda mais cada vez mais
incendiando. O oceano logo ali e indo e voltando como sempre sem parar
ininterruptamente sacolejante precisava ver. A menina foi fazer cavou um buraco
na areia cor areia. O cachorro ou guaipeva foi conferir e se intrometer:
- O que você pensa que tá fazendo, hein, tipo?! Quer
encontrar um tesouro de pirata lá detrás antigamente do B Colônia?
- Um buraco, ora essa e aquela! Nem mais nem menos!
- E por que, posso saber?! Quer encontrar o caminho
para as índias? Quer descobrir petróleo ou gás natural?
- Para brincar de D.
- Como assim, brincar de D?
- Simples como simplesmente. Eu faço um buraco e pego a
água do mar vou pegando. Quando encher o buraco ou esvaziar o mar eu me canso eu
paro e vou embora. Só isto e isso e aquilo. Entendeu?
O ofegante cachorrinho Arnaldinho pensou um pouco e
prosperou na ideia:
- Eu posso tentar a façanha? Isso parece coisa muito
boa: imitar D.
- Claro que sim. Recomendo. E D fez o mar-oceano no 1º
dia. E D é possível.
Os meses mais quentes são dezembro a março e com a
temperatura média de 27°C, sendo que a média das máximas são 30°C e a das
mínimas 23°C. À noite a temperatura pode cair para 20°C. Aí os bípedes os
próprios quadrúpedes, saem a passear margeando o rio do Sal avenida Inácio
Joaquim Barbosa contornando a praça Fausto Cardoso, sentido sul ou norte,
dependendo. O ciclismo é foi e ainda vai ser o meio de transporte para as
classes mais baixas e menos favorecidas.
Quando cresceu um pouco mais, Arnaldinho pensou que
podia também ser um bom jogador de futebol. Apenas com detalhe por menor um
probleminha porém bagatela. Como um cachorro podia ser craque de futebol no
mundo do futebol humano, em?! Era difícil e ele tinha de se reinventar se
adaptar fazer das tripas coração.
Assim pensando e sonhando, chegou a um clube de futsal
Sociedade Futsalense Tonante (SOFUTO) muito famoso no Estado e cheio de torcida
e sala de taças e troféus e títulos de campeonatos. Entrada toda interessante
de caramanchão e latada amparando a batatarana a azedinha-de-corumbá, belezas
de plantas. As pessoas e alguns cães passavam ali por debaixo na sombra no
fresco no perfume no aroma no sabor no visual aconchegante. Bateu à porta na
portaria na recepção e foi atendido imediatamente prestativamente:
- Pois sim?! Vossa Mercê deseja? - perguntou o recepcionista
guia cicerone.
- Eu queria ser um jogador de futsal e dos bons, tá
certo?! Aqui é o lugar da minha primeira chance, tou certo! - exaltou o cão
visitante.
O diretor do clube, exalando trescalando bondade e
serenidade e lealdade, olhou para Arnaldinho com simpatia admiração interesse. Aventou,
sorriso transparente cordial temperado:
- Mas... Mas eu nunca vi um cachorro jogar futsal e
quanto mais ser craque gênio fenômeno!
- Ora, meu! Sempre tem uma na história pela primeira
vez, né?! Eu só preciso de uma chance! Confia em mim! - latiu o cão, pelo arrepiado
orelhas em pé cauda agitada.
Sexta-feira passada, oh! que espanto, Arnaldinho pegou
o avião comercial de uma empresa aérea aí em Abreu e Lima até Vitória de Santo
Antão. Ali nesta localidade legal e aprazível foi fazer um rolê pela rua
principal mais importante avenida Manoel de Oliveira Lima, o mercado público
Sebiubu, o instituto científico-cultural Jorge de Lima que apoia o ensino a
pesquisa e a extensão, a praça Visconde de Sinimbu... Andando a pé pela calçada
sem incomodar ninguém pegando de leste a oeste entre pessoas e cidadãos cidadãs
nada mais e nada menos. A maior minoria dos cães domésticos canzoada eram
grandes grandões cachorrões canzarrões. Até porque para existir viver em
apartamento sempre é preciso ser e estar compatível com o meio com o lugar ou a
falta de.
- O brasileiro pré-histórico já andou pelo PI - o cão
lembrou as aulas de História.
- O sertão era mar - antigo refrão de canção de
cantiga que o cachorro canta volta e meia.
- O B era apenas uma árvore - Arnaldinho já tem
decorado de onde veio o nome do país.
Como um autômato maquinalmente à procura como um robô
o cão farejou indagou andou (em as nuvens ou em o mar ou em a terra)
compenetrado pela rua Ciro dos Anjos e meio alheio ao trânsito de veículos. O
cachorro como um cão contou as árvores vegetação passou foi passando assim foi
plantando replantando ervas flores arbustos, jupiedis, tinamalus,
favas-contras, cervejas-de-pobre... Isso durou um tempo.
- A leve brisa agita sim os ramos da sucuuba -
constatou o cão, olhando os canteiros o jardim da praça General Valadão.
- Estes vindecaás chegaram quando ontem anteontem via
aérea de RR? - o cachorro chegou perto e farejou as ervas tenras viçosas
verdinhas.
Mas o Arnaldinho ia pela avenida Rosalvo Ribeiro quando
notou a entrada do parque Dona Lindu e resolveu encurtar caminho atalhar cruzar.
O lugar ótimo e otimista cheio de árvores e animais, braço-de-mono,
saíra-pintor, samambaia-da-amazônia, anu-de-enchente, unhas-de-gato, joão-teneném,
caapomonga, marreca-pintada, pacurina... e monumentos Torre do Zeppelin
esculturas de José Corbiniano Lins espalhadas pelos canteiros gramados e outros
enfeites públicos chamou sua atenção e começou a tirar fotos com o celular
registrar...
- Somos gratos a D pelo que temos e fazemos!
- Poupemos a água doce! Que o mangue é o melhor dos
mundos!
- As palavras algumas das mais fortes do mundo: hipertônico
superprodução suprassumo!
- Quatro é o dobro de 2 sendo que um e uma igual a 3!
De repente nem fez três dias, Arnaldinho olhou da
janela do seu quarto uma árvore tapaiúna carregada de passarinhos em festa
sebinhos saíras-sapucaias saís-guaçus... Uns iam e outros voltavam até alcançar
as árvores escolhidas, angelimpinima conami cacho-vermelho arco-de-pipa-miúdo...
Os que vinham traziam as asas abertas de sol; os que iam pareciam anjos ou
anjas mágicos(as) monges monjas. Mas era um trânsito de ir e vir, se dissolver
ou reencarnar.
Fato acontecido e (sagrado
sacramentado jurado) no mesmo dia Arnaldinho conheceu a Beatriz e esqueceu
tudo. Olhou pra ela e ela já olhava pra ele um tempão. Que mais a fazer? Já se
mostrou esquecido que queria ser cachorro guapeca ou que pediu à mamãe para lhe
comprar um par de asas tipo asa-delta asas de pássaro de rapina e dos grandes. Um
tempo que passou. O caso acontecido que Arnaldo contemplou Beatriz e perguntou
por perguntar:
- Posso carregar você nas minhas
costas? Upa!...
Ela Beatriz riu e aceitou e
continuou prestando atenção na brincadeira. Arnaldo ficou contente com ele
mesmo com a aventura com a explicação de cachorro. Caso que nem pensou mais
duas vezes. A praia do Carro Quebrado. O cânion do rio Poti. Tiraram fotos
acrobáticas diante do letreiro-monumento ‘Eu coração Satuba’, ‘Eu coração
Messias’, ‘Eu coração Paripueira’. Os folguedos do ano inteiro de todos os
tempos caboclinho chegança coco alagoano reisado guerreiro...
- Eu te vi em algum lugar, eu bem te
vi! - disse ele ou ela.
- Já te conhecia e já te conheço há
muito tempo! - conversou ela ou ele.
A partir daqui assim vai além supera
esta história mega-sena diz, que giz com tanta importância atriz bissetriz
matriz imperatriz e outras em iz.
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