segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

Contagem ...3 2 1 Regressiva

 

           

 

            Era aquela vez que o menino o guri queria ser cão ou lobo-guará (nota de 200 reais) ou cachorro-do-mato-vinagre. E ninguém tinha à mão, e em parte alguma da ideia da imaginação do livro sagrado do rio, a explicação desse desejo-inspiração. Ninguém tinha nada com isso e aquilo aquele outro. Nem o cachorro vira-lata sabia por que queria ser cão ou cachorro-d’água. Mas teimava em sê-lo. Selo sela cela seletivo selecionado seleção. Sabia que queria ser cachorro ou cusco - menos cachorro-quente e ou cachorro-magro (tipo de formiga).

            A timbrada mamãe progenitora, imediatamente no mesmo instante antes que acontecesse o inevitável e prevenindo o irremediável, lhe perguntou ralhando mãos nas cadeiras e emocionada com ênfase e ascendência:

- Aí é que tá! Mas que besteira é essa e aquela e aquele outro, Arnaldinho?! Cachorro é um bicho cheio de pulgas piolhos carrapatos moscas varejeiras bernes e anda de quatro patas farejando tudo e quaisquer! Cachorro é um canídeo comedor de osso ou ração pra cachorro! Cachorro é um ser doméstico que balança o rabo quando vê o dono(a)! Cachorro nem é gente, no máximo o melhor amigo do homem! Quando crescer se desenvolver e maior você vai ser médico cardiologista ou mesmo engenheiro civil ou ainda técnico da informação e esmerilhador, estou certa disso!

O garotinho baratinado e sonhador teimava nervoso e convicto e taxativo, eloquente:

- Nem essa e aquela e aquilo lá, tá! Eu quero ser cachorro com orelhas grandes cauda abanando e dentes afiados pontiagudos, pronto cainhei, au au au!... e nem me amole!

- E confesso - continuou o piá moleque todo cheio de si e conversas - que gosto muito de praia e rios e mar e piscinas naturais ou artificiais. Confesso que quero morar pertinho da lagoa do Araçá, em a península de Maraú, na ilha de São Simão. Preciso passear às pelas galés de Maragogi. Quero pescar peixes com arco e flechas no rio Real igual o cacique Serigy.

O bichinho queria ser legendário e ou lendário. Parecia ter estofa laia classe. Ele queria ver longe e um horizonte perdido longe distante entre o céu e as montanhas, o céu e o mar, o céu e os arranha-céus. E gostava de chocolate... crocante em barra... croque!... Durante os fins de semana visitava o mercado público São José (onde havia e pertencia o lavabo mais antigo do país) e adorava ver as disputas políticas conflitos na praça Nélida Piñon entre os lisos (conservadores) versus os cabeludos (liberais). No cais José Estelita, entrando ou saindo barcos abarrotados toneladas-quilômetros de mármore madeira barrilha sal-gema clínquer petróleo cana-de-açúcar cosmético vassoura máquina pesada... (e entre uma compra e outra numa barraquinha ou tendinha ou quiosque e um dois três pratos típicos uma duas três bebidas sucos da região) assistia o teatro de bonecos do Mamulengo a apresentação das bonecas de Calunga a exibição desfile dos bonecos gigantes de Olinda. Na avenida Eusébio de Queirós, a mais comprida e larga da cidade, o desfile de 7 de Setembro com parada militar grupos escolares e grêmios esportivos e clubes recreativos e associações beneficentes assistencialistas. Parava um instante em o reabastecimento lambia desfrutava na sorveteria Arcaz... açaí com mel natural de abelhas mamangabas... hum!...

- Quanto custa? - apontou o focinho úmido.

- Quanto é? - apontou a pata ou a mão direita da frente.

- É produto natural, naturalmente? - indagou para desencargo de consciência, água na boca.

- Me vê outrossim uma porção de abacaxi outra de pitanga mais além de cupuaçu...

- Total R$10,50! Mais alguma coisa? - colocou a atendente de guarda-pó ou jardineira.

Então e de acordo, o menino saiu por aí dizendo a todo mundo que estava aguardando algum dia desses ser cachorro ou guapeva. Disse para os vizinhos e colegas, seus amigos(as) de folia e farra e jogos de bola na escola colégio estadual Aurelino Leal (CEAL), e estes correram avisar suas mães e tias e avós que Arnaldinho queria trabalhar de cachorro ou cão quando crescesse ou o mais rápido possível ou o mais tardar semana que vem. No clube Esportivo Recreativo Ânfora, o Arnaldinho falou e espalhou disse pra todo mundo aos sócios em geral que queria ser cachorro ou guaipeca. Uns riram às gargalhadas, ah ah ah!... algumas deram azo à imaginação outros ficaram sérios pensativos analisando o que poderia ser uma transformação metamorfose em cachorro ou lobisomem (lenda ou crença ou pena) uivante uivador, uive! uive!... As meninas pediram para que ele latisse o tradicional, au-au-au!... Arnaldinho ficou vermelho azul amarelo branco - nem sabia latir em português ou traduzido para o brasileiro. Nem podia negar nada às meninas e garotas e gurias tão galantes galanteador. Nem sabia ladrar acoar na frente dos outros e quanto mais de alguns estranhos. Outra coleguinha de turma Terê lhe explicou que era entendida em cachorro ou cadela de estimação animal dócil e caseiro, que existiam vários tipos de cachorro espalhados pelo mundo e regiões e mais com suas profissões ofícios, que a tia dela Teresa moradora de General Maynard tinha um cachorro ou cão chamado Bidê, que o Bidê gostava de brincar correr na areia e um dia se perdeu na praia de Mosqueiro, que o Bidê nem tinha medo receio de nada somente de trovoadas e fogos de artifício e sons detonações do escapamento escape de motos...

- Hei de viajar um monte uma montanha uma cordilheira. Havemos - desabafou o cão.

- Tenho de andar de trem de passageiros. O trem maria-fumaça passa pelo vale do rio Cotinguiba, to-tem! to-tem!... a gruta do Capim Branco, Pirambu, cânion do Xingó, Neópolis... - contou o cachorro de suas visitas programadas idolatradas previstas.

Já eram umas oito ou nove da manhã, desde cedo cedinho na rua em procura do café da manhã, o cachorro sentiu frio um ar resfriado um arrepio pelo corpo arrepio no pelo. E olhou para o tempo o clima para o topo dos prédios os mais altos (bairro Jaraguá na avenida da Paz diante do museu Théo Brandão de antropologia e tradição). Sair na chuva ele podia e devia, porém nem era preciso e podia ficar com cheiro mais. Pluviosidade média anual de 1800mm na cidade, com maior intensidade de chuvas entre maio e julho. Instinto privilegiado canino e ele já sabia sentia, declarou:

- Vai chover - disse de si para si e comparativo.

- Quando muito pra já - novamente conferindo investigando o céu os céus.

- E de repente supetão e de chuá!... - convencido e pensativo e convicto.

- Até onde nem sei - agora sim, definitivo peremptório pra concluir mesmo.

Numas férias de meio de ano em junho, o Arnaldinho foi visitar (fazia tempo que nem visitava) sua avó que morava no parque Francisco Brennand o bairro do Recife na cidade de Recife cheio de diques e pontes e canais e igupás, ilhas e penínsulas e alagados e manguezais, planície aluvional ou fluviomarinha, pura beleza e beleza natural. A avó do menino se espantou com a atitude a ousadia e o sonho peralta do neto estiloso. E o porquê disso, perguntou:

- Que história é essa aquela aqui e ali de cachorro bravo, hein?! Você morde ou quer morder, é?! Foi esta a educação que lhe dei, em?! Da noite pro dia, oi?! Por que e causa de que você sabe farejar e vigiar uma casa uma propriedade noturnamente?! Que mais?! Me diga!

- Porque é mais fácil ser cão ou cachorro que ser gente ou pessoa, vovó! Cachorro nem precisa estudar nem precisa tomar banho todo dia nem precisa dormir cedo e levantar cedo... É mais conveniente ser cachorro que gente ou outro bicho qualquer... Na verdade verdadeira, vó, eu queria ser um cachorro que soubesse subir trepar escalar em árvores em prédios em muralhas em paredões de pedra... Eu também adoraria morar no alto das árvores cerejeiras-do-paraná e olhar o mundo... Depois do que eu adoro primeiramente pontes estaiadas a ponte do Guaíba a ponte do Abunã a ponte construtor João Alves entre Aracaju e Barra dos Coqueiros...

Ele costumava pedalar até o parque nacional de Ubajara na ciclovia identificada pintada de vermelho interditada aos veículos. O cão ia ao parque da cidade? Preferia andar de porta em porta antes que estudar a física a química a biologia. Arnaldinho gostava de outros animais? Nem sabia responder. A lei estadual 12.678/12 de 6 de agosto de 2012 instituiu o sistema estadual de unidades de conservação da natureza (SEUC). Para se ter uma ideia e como exemplo, em 2019 o Estado possuía 160 unidades de conservação estaduais (UCE): 80 de proteção integral (PI); 62 refúgios da vida silvestre (RVS); 10 parques estaduais (PE); 6 estações ecológicas (ESEC); 2 monumentos naturais (MONA). Então havia muitos parques e retiros e praças e pontos de vista no caminho na rota na trilha na história do cusquinho.

- Amanhã - começava dizendo o cão ele mesmo e a si sozinho, agora guiando a bíci morro abaixo quando a velocidade é controlada é preciso controlar.

- Amanhã é - já fazendo uma curva fechada em a ciclovia e com atenção redobrada.

- Amanhã é tempo - no plano planalto cômodo da pista e já pedalando comodamente cadenciado sem forçar as pernas.

- Amanhã é tempo suficiente - nessa altura da ciclovia o cão já podia aproveitar melhor a paisagem o meio ambiente ouvir os pássaros estes arapaçus-do-bico-preto titicuãs guaxes... e contar as árvores estas tentos-das-campinas avencões cabos-verdes capins-andacaás... e pedalar à vontade.

O guaipeca costumava pegar o ônibus, embora lotado entupido lata de sardinhas, e ir à praia entre elas dentre as quais e tais a praia de Burgalhau a praia de Muro Alto a praia do Gunga a praia de Aruana... Queria morar em Estrela de Alagoas ou Conceição das Alagoas ou Marajá do Sena ou Araripina, porém conforme a época a estação do ano conforme a lua a bola a onda a moda. Aguardava na parada do acostamento da rua frei João de Santa Ângela. Qual diferença entre o interior e o litoral, os chapadões e as montanhas? O cachorro achava tanto faz como fez e fará. Gostava de um pouco de cada clima e região, então visitava o interior Paulo Ramos ou Pindaré-Mirim ou Graça ou Manari. Colinas e morros argilosos, solos ricos, topografia ondulada, planícies aluviais, solos renovados por cheias periódicas, depressões mamelonares, várzeas, deltas. Trânsito pesado na avenida Clara Camarão logo diante do edifício da municipalidade. Táxis de cor vermelha placa identificando acima do capô e adesivos nas latarias. Depois optava pelas cidades com frente pro mar e praias largas, Marechal Deodoro ou Lago da Pedra ou Reriutaba ou aldeia tal qual dos jeripancó. Subindo o viaduto Pontes de Miranda e na esquina com a Barão de Traipu trocar de bairro aproveitar passar de uma ave bairro Suiriri até uma ravina bairro Sorocabuçu. Nesse dia calorento que todos resolveram ir à praia, o cachorro se deparou com um espelho de vitrine ali no centro de compras Herberto Sales. De repente se viu diante de alguém que nem podia fugir ou fingir ou iludir ou simplesmente ganir. Diante de si e frente a frente cara a cara focinho a focinho, literal.

- Escuta!... - falou alto o cachorro.

- Eu gosto de sorvete no verão... chocolate no inverno... suco de abacaxi em todas as horas com especial atenção na manhã - disse o cusco.

- Você sabe onde fica o forte São João Batista do Brum? - indagou o cão.

- É descendo a avenida Adelmar Tavares Cavalcanti no sentido norte. Funciona de terça a domingo - recomendou o guaipeca.

- 1 aventura do século 21: viajar! - concluiu o vira-lata.

- Que mais?! - ainda declarou o Arnaldinho.

Um dia desses ou daqueles e quem sabe quem viu, Arnaldinho o guaipé saiu de casa e foi por aí pelo mundo afora e adentro e na superfície. Virou senhor virou etê virou x virou comando camarada alienígena compadre sicrano... Em viagem de conhecimento pegando estrada fazendo instintivamente seu próprio roteiro itinerário, uma trilha no parque estadual Dois Irmãos (PEDI), aldeia da tribo uitoto, Guaraciaba do Norte, Vicência, Japaratinga, rua Joaquim Moreira Cardozo do centro antigo tombado pelo Iphan onde habitava uma casa com culinária local e de sabores cores odores aromas bolo de rolo cartola beiju bolo de milho pamonha mungunzá doce bolo de fubá canjica, praça Olímpio Campos onde aconteciam eventualmente acontecem os eventos apresentações culturais teatro de rua cordel bandas populares quadrilhas juninas... Parou na entrada na porta no acesso na bilheteria e ficou olhando, já sem convicção de entrar de vez. O comerciante proprietário empreendedor empresário viu reconheceu e perguntou:

- Más bá tchê guri! Alguma coisa necessariamente, amigo velho gaudério e companheiro?

- Pra falar a verdade eu queria algum fiapo de picanha churrasco, tá ligado?! Pode ser de hoje e no sal grosso, sem problemas! Se nem tiver uma paleta assada e gorda pode me favorecer uns 100 reais, tá certo?! Nem sou muito de luxos e chiques e sobremesas!

O negociante do comércio gastronômico continuou olhando pro Arnaldinho e pensando com seus botões do uniforme branco. Um minuto e veio com estes argumentos alimentícios:

- Se eu te favorecer um osso suculento, você pega come e desaparece? E nem volta daqui meia hora buscar outro? E nem volta amanhã mal acostumado, por ventura?

- Tá feito o trato. Aceito.

Arnaldinho aguarda o coletivo o latão na parada dos ônibus numa altura da rua Presidente Augustinho da Silva Neves. Quem anda de ônibus neste país? Também inclusive outras pessoas e alguns conversando (comentavam reputavam distorciam aviltavam os artigos dos deístas contra os dos agnósticos) e outros ouviam música ou rádio ou aula de idioma. A localização da região metropolitana da cidade sempre entre os paralelos de latitude sul e os meridianos de longitude oeste. O cão fatigado deitou na calçada ali, entre os pés das pessoas faustosas, e já a condução atrasava em 5min e 10min e 15min. Por que os cães saem da sua zona de conforto? Para se ter ideia e nem fique e restem dúvidas, em 2020 o Estado tinha e possuía 80 unidades de uso sustentável distribuídas da seguinte maneira bem catalogadas mapeadas: 36 áreas de proteção ambiental (APA); 26 reservas particulares do patrimônio natural (RPPN); 16 reservas de floresta urbana (RFU); 2 áreas de relevante interesse ecológico (ARIE).

- O meu destino é errante - dizia convicto e relaxado um senhor de bigodes e costeletas brancas, ali mesmo aguardando o transporte. Já foi um pouco e está sendo e mais além, né!

- Sim. É como levados pela corrente de um rio tipo o rio Capiá ou o rio Pirapama... - colaborou um senhor careca ou corte zero coberto pelo boné do time de coração.

- Igual às folhas às flores aos frutos às frutas das árvores carobas-brancas ou cajueiros-bravos-do-campo ou tamaquaris ou caranás... e que vão e vêm - a vez de colocar plausível sua pitada de opinião um senhor de guarda-chuva, prevenido que vale por dois.

- Nem criamos nada. Uma ou outra anedota sarabanda pra dar risadas, pode ser. D sabe o que faz com todos com os cupins-cabeção as formigas-cobras os enxus as siçuíras os marimbondos-de-bunda-amarela... - agora mesmo resaltando o senhor empreendedor empresário profissional do setor de roupas e calçados e afins com uma lojinha em frente à praça Xukuru-Kariri.

- Olhem reparem este cão jovem solteiro zãibo e jogado atirado no chão na poeira no cisco e que nem pode nos entender compreender uma só palavra, o coitadinho. Quem tem cachorro e nem tem filho, gosta de cães e filhos. Quem tem filho e cachorro os tem porque os filhos e cães se gostam - afirmou declarou quase declamou o senhor acompanhado da esposa casal e pareciam se dar especialmente bem sempre abraçadinhos juntinhos fofinhos um com a outra, ele levemente maior que ela e ela mais elegante que ele.

Ademais um cão a pé nem chama a atenção. Por quê? Uma cidade boa (e há muitas por toda parte aqui e ali acolá) respeita seus animais vadios e soltos e vagabundos. Por quê? Uma cidade má (e há algumas por toda parte ali lá mais além) come seus cachorros seus gatos seus ratos e faz os tais espetinhos nas entradas dos estádios de futebol. Por quê? Um cão farejando lata de lixo nem incomoda muita gente. Incontinente se fosse uma anta ou uma família de capivaras incomodaria muito mais. Por quê? Um cachorro ou cusquinho de carona num automóvel nem chama a atenção. Por quê? O cão está acompanhando o seu dono(a) e ninguém tem nada com isso e aquilo ou aquele outro. Por quê? O cão cachorro no máximo põe a cabeça a cerviz pra fora da janela e pega um vento na cara e se diverte com a língua de fora as orelhas abanando balançando. Mas um cão guaipeca dirigindo um trator um avião uma máquina qualquer é no mínimo surreal e ninguém em sã consciência aceita tal coisa. Por quê? Nem todo cão é treinado pra dirigir um caminhão uma caminhoneta uma motocicleta uma bicicleta um quadriciclo. Por quê? Com toda certeza se pensa se sabe que o canídeo (suas orelhas o caracterizam) nem tem carteira de habilitação permissão para conduzir automóveis. Pois que a pé ou de carona ou guiando seu próprio carro novo em folha, Arnaldinho chegou ao paraíso na terra. Cidade preocupada com a mobilidade urbana e a acessibilidade. Por quê? Já chegou em Fernando de Noronha, morro Dois Irmãos, baía dos Porcos, praia da Cacimba. Nada de bairro verticalizado maiormente majoritariamente bairros térreos. Cidade pequena aglomeração urbana e município área territorial. Olhou em volta e desabafou sozinho simples assim:

- A 1ª aventura do século 21: viajar!

- Que beleza cristalina e pura, meu!

- Trabalhadores trabalhadoras banhistas civis seculares eclesiásticos...

- Meninas e moças donas com grinalda de flores naturais adornando entre os cabelos...

- Se fosse eu de D, em?!

Uma semana depois do próprio aniversário uma terça-feira de verão em fevereiro, o cão recebeu uma mensagem de texto pelo celular:

“Venha à festa de fim de ano na praça Juliano Moreira que assim nos conhecemos melhor. ela. ” De assinatura nada mais que este pronome ‘ela’ em letras menores.

E cão cachorro ficou logo muito olhando o céu e fantasiando e esperançoso criando bolhas e nuvens e mil e uma aventuras, sugerindo:

- O barco a vela a jangada de vela de cor anda veleja pela baía de Todos-os-Santos...

- Seguramos as mãos fomos dançar ao ar livre na ilha Coqueiro Só e rindo muito...

- Há mais o que fazer viajar rio Poxim estudar e ninguém tem pressa...

- Por exemplo a praça São Francisco em São Cristóvão e festas e danças para homenagear São João São Pedro Santo Antônio juninas reisados caboclinhos cacumbis taieiras sambas de parelha são gonçalos...

Aventurando e andando na lua, praticamente, um cachorro vê e ouve o que os outros mortais nem se dão conta. Quem mortais? O que foi que ele viu na paisagem e investiu pela praia de areia branca aspirou correu fez coisas comuns espantou assustou saracuras-da-praia... E tem duas vozes, uma para latir e outra para traduzir:

- Au-au-au!... Admiro que ainda coexistam tudo isso e aquilo aquele outro. Admiro a praia o mar o sol o conjunto habitacional Paumelenho e todos os outros personagens aqui presentes. Aliás, um sol brilhante e muito bem disfarçado de bom ou ótimo porém rebrilhante!

- Au-au-au!... Aqui sentado na areia fina, de frente pras marolas ondas maresia, ouvindo as ondas as gaivotas os atobás-mascarados as crianças rolando a bola de plástico mais baldinho e pazinha de plásticos...

Um cachorro simples assim prefere publicar nas redes sociais nos diversos canais. Um cão, quem diria animal irracional temperamental fiel, prefere ir de carro de barco de parapente de dirigível de bicicleta. Pilotando o próprio helicóptero? Um cão nem é paciente e tranquilo. Um cachorro comum esquece até os melhores amigos. Tanto que foi acompanhar o bloco (reformado modernizado ampliado) do Galo da Madrugada, manhã afora. Multidão empacotando compactando a ponte Duarte Coelho entre os bairros Boa Vista e Santo Antônio. Ritmos acelerados fortes borbulhantes efervescentes frevo (pcih) cavalo-marinho coco de embolada cavalhada maracatu nação e maracatu rural. Definiu tudo numa esperança numa certeza numa alegria numa frase com 6 palavras 6 espaços e 44 caracteres:

- Provavelmente hoje mesmo encontre minha preferida!

Andando displicentemente pela bonita praia da Lagoinha em Bombinhas resolveu parar na sombra de uma peroba-tabuada para beber uma água gelada água de coco caldo de cana suco de cacau. Se acomodou ali na areia clara e milenar acomodado língua de fora sentado na cauda e apenas observando a paisagem o panorama o movimento das pessoas no vaivém constante relaxado assintomático. Ninguém lhe dirigia a palavra porque nem era o caso. Um cão na praia nem chama atenção. Depois de meia hora sem nada de acaso acontecer, eis que surgiu uma menina sozinha e procurando o que fazer. Ela o descobriu e ele a encarou amigavelmente boca aberta calorento. Sorriram um para a outra. Criança e animal, normal. E começaram um diálogo iniciando com ela:

- Por que você nem está nadando e pegando uma onda com a prancha, em?!

- É. É uma, né?! Eu poderia se eu quisesse.

- E você nem sabe nadar?

- Somente sei nadar cachorrinho e acho que serve, uma vez.

- Você nem é aquele cachorro do comercial de pneu? Parece.

Na linha finíssima do infinito entre o céu azul e o mar verde, passava lentamente um petroleiro e parecia dos grandes banheira e além-fronteiras já em alto-mar. Talvez chegando de São Miguel dos Campos para Olho d’Água das Flores. Exercitando natação as baleias-mirins baleias-pamonhas baleotes e ou filhotes bebês recém-nascidos(as). Nem sobrava mais que uma nuvem no firmamento. O cão primeiro se adiantando no negócio:

- Onde você passou o natal? Você nem é de Rosário do Catete?

- Viajando no más. Conhecendo os caminhos.

- Por onde andou e aonde foi? Já viu o morro do Gritador em D. Pedro II?

- Aventurando no mais. Era a ilhota da Coroa do Avião. Toda verde de cajazeiras. Um dia você também deve chegar e conhecer por lá.

- Qual sua comida preferida e predileta? Eu prefiro tapioca co carne seca e queijo ralado.

- Com quem você mora? Meus pais se separaram ano passado em 2020, ano da pandemia.

- Você prefere avião ou ônibus? De noite ou de dia?

- Outra hora te mostro o cartão-postal, riquíssimo, do monumento dos Arcos da Orla de Atalaia. Muitas fotos selfies com a galera a turma os colegas os irmãos(ãs) do colégio militar.

Depois o sol foi esquentando ainda mais cada vez mais incendiando. O oceano logo ali e indo e voltando como sempre sem parar ininterruptamente sacolejante precisava ver. A menina foi fazer cavou um buraco na areia cor areia. O cachorro ou guaipeva foi conferir e se intrometer:

- O que você pensa que tá fazendo, hein, tipo?! Quer encontrar um tesouro de pirata lá detrás antigamente do B Colônia?

- Um buraco, ora essa e aquela! Nem mais nem menos!

- E por que, posso saber?! Quer encontrar o caminho para as índias? Quer descobrir petróleo ou gás natural?

- Para brincar de D.

- Como assim, brincar de D?

- Simples como simplesmente. Eu faço um buraco e pego a água do mar vou pegando. Quando encher o buraco ou esvaziar o mar eu me canso eu paro e vou embora. Só isto e isso e aquilo. Entendeu?

O ofegante cachorrinho Arnaldinho pensou um pouco e prosperou na ideia:

- Eu posso tentar a façanha? Isso parece coisa muito boa: imitar D.

- Claro que sim. Recomendo. E D fez o mar-oceano no 1º dia. E D é possível.

Os meses mais quentes são dezembro a março e com a temperatura média de 27°C, sendo que a média das máximas são 30°C e a das mínimas 23°C. À noite a temperatura pode cair para 20°C. Aí os bípedes os próprios quadrúpedes, saem a passear margeando o rio do Sal avenida Inácio Joaquim Barbosa contornando a praça Fausto Cardoso, sentido sul ou norte, dependendo. O ciclismo é foi e ainda vai ser o meio de transporte para as classes mais baixas e menos favorecidas.

Quando cresceu um pouco mais, Arnaldinho pensou que podia também ser um bom jogador de futebol. Apenas com detalhe por menor um probleminha porém bagatela. Como um cachorro podia ser craque de futebol no mundo do futebol humano, em?! Era difícil e ele tinha de se reinventar se adaptar fazer das tripas coração.

Assim pensando e sonhando, chegou a um clube de futsal Sociedade Futsalense Tonante (SOFUTO) muito famoso no Estado e cheio de torcida e sala de taças e troféus e títulos de campeonatos. Entrada toda interessante de caramanchão e latada amparando a batatarana a azedinha-de-corumbá, belezas de plantas. As pessoas e alguns cães passavam ali por debaixo na sombra no fresco no perfume no aroma no sabor no visual aconchegante. Bateu à porta na portaria na recepção e foi atendido imediatamente prestativamente:

- Pois sim?! Vossa Mercê deseja? - perguntou o recepcionista guia cicerone.

- Eu queria ser um jogador de futsal e dos bons, tá certo?! Aqui é o lugar da minha primeira chance, tou certo! - exaltou o cão visitante.

O diretor do clube, exalando trescalando bondade e serenidade e lealdade, olhou para Arnaldinho com simpatia admiração interesse. Aventou, sorriso transparente cordial temperado:

- Mas... Mas eu nunca vi um cachorro jogar futsal e quanto mais ser craque gênio fenômeno!

- Ora, meu! Sempre tem uma na história pela primeira vez, né?! Eu só preciso de uma chance! Confia em mim! - latiu o cão, pelo arrepiado orelhas em pé cauda agitada.

Sexta-feira passada, oh! que espanto, Arnaldinho pegou o avião comercial de uma empresa aérea aí em Abreu e Lima até Vitória de Santo Antão. Ali nesta localidade legal e aprazível foi fazer um rolê pela rua principal mais importante avenida Manoel de Oliveira Lima, o mercado público Sebiubu, o instituto científico-cultural Jorge de Lima que apoia o ensino a pesquisa e a extensão, a praça Visconde de Sinimbu... Andando a pé pela calçada sem incomodar ninguém pegando de leste a oeste entre pessoas e cidadãos cidadãs nada mais e nada menos. A maior minoria dos cães domésticos canzoada eram grandes grandões cachorrões canzarrões. Até porque para existir viver em apartamento sempre é preciso ser e estar compatível com o meio com o lugar ou a falta de.

- O brasileiro pré-histórico já andou pelo PI - o cão lembrou as aulas de História.

- O sertão era mar - antigo refrão de canção de cantiga que o cachorro canta volta e meia.

- O B era apenas uma árvore - Arnaldinho já tem decorado de onde veio o nome do país.

Como um autômato maquinalmente à procura como um robô o cão farejou indagou andou (em as nuvens ou em o mar ou em a terra) compenetrado pela rua Ciro dos Anjos e meio alheio ao trânsito de veículos. O cachorro como um cão contou as árvores vegetação passou foi passando assim foi plantando replantando ervas flores arbustos, jupiedis, tinamalus, favas-contras, cervejas-de-pobre... Isso durou um tempo.

- A leve brisa agita sim os ramos da sucuuba - constatou o cão, olhando os canteiros o jardim da praça General Valadão.

- Estes vindecaás chegaram quando ontem anteontem via aérea de RR? - o cachorro chegou perto e farejou as ervas tenras viçosas verdinhas.

Mas o Arnaldinho ia pela avenida Rosalvo Ribeiro quando notou a entrada do parque Dona Lindu e resolveu encurtar caminho atalhar cruzar. O lugar ótimo e otimista cheio de árvores e animais, braço-de-mono, saíra-pintor, samambaia-da-amazônia, anu-de-enchente, unhas-de-gato, joão-teneném, caapomonga, marreca-pintada, pacurina... e monumentos Torre do Zeppelin esculturas de José Corbiniano Lins espalhadas pelos canteiros gramados e outros enfeites públicos chamou sua atenção e começou a tirar fotos com o celular registrar...

- Somos gratos a D pelo que temos e fazemos!

- Poupemos a água doce! Que o mangue é o melhor dos mundos!

- As palavras algumas das mais fortes do mundo: hipertônico superprodução suprassumo!

- Quatro é o dobro de 2 sendo que um e uma igual a 3!

De repente nem fez três dias, Arnaldinho olhou da janela do seu quarto uma árvore tapaiúna carregada de passarinhos em festa sebinhos saíras-sapucaias saís-guaçus... Uns iam e outros voltavam até alcançar as árvores escolhidas, angelimpinima conami cacho-vermelho arco-de-pipa-miúdo... Os que vinham traziam as asas abertas de sol; os que iam pareciam anjos ou anjas mágicos(as) monges monjas. Mas era um trânsito de ir e vir, se dissolver ou reencarnar.      

            Fato acontecido e (sagrado sacramentado jurado) no mesmo dia Arnaldinho conheceu a Beatriz e esqueceu tudo. Olhou pra ela e ela já olhava pra ele um tempão. Que mais a fazer? Já se mostrou esquecido que queria ser cachorro guapeca ou que pediu à mamãe para lhe comprar um par de asas tipo asa-delta asas de pássaro de rapina e dos grandes. Um tempo que passou. O caso acontecido que Arnaldo contemplou Beatriz e perguntou por perguntar:

            - Posso carregar você nas minhas costas? Upa!...

            Ela Beatriz riu e aceitou e continuou prestando atenção na brincadeira. Arnaldo ficou contente com ele mesmo com a aventura com a explicação de cachorro. Caso que nem pensou mais duas vezes. A praia do Carro Quebrado. O cânion do rio Poti. Tiraram fotos acrobáticas diante do letreiro-monumento ‘Eu coração Satuba’, ‘Eu coração Messias’, ‘Eu coração Paripueira’. Os folguedos do ano inteiro de todos os tempos caboclinho chegança coco alagoano reisado guerreiro...

            - Eu te vi em algum lugar, eu bem te vi! - disse ele ou ela.

            - Já te conhecia e já te conheço há muito tempo! - conversou ela ou ele.

            A partir daqui assim vai além supera esta história mega-sena diz, que giz com tanta importância atriz bissetriz matriz imperatriz e outras em iz.

 

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