domingo, 20 de fevereiro de 2022

Avião como ser mascote

 

           

 

            Uma pesquisa encomendada e de utilidade pública acadêmica científica amplificada, e é uma faculdade oficial séria de universidade sem suspeita porque da esfera intelectual federal e do Estado e orientada aplicada por doutores de dois nomes e três sobrenomes cujas famílias renomadas, já achou provou concluiu que os cães preferem a música clássica europeia antiga complexa tradicional às outras canções mais comuns e fáceis populares nacionais comunitárias brejeiras férteis ocasionais repentes improvisadas caipiras sertanejas. Bem, então é e tá certo, até aí alguém foi correndo procurar junto ao mercado Itupava em a esquina frente à praça Veiga Cabral adquirir comprar fósforos enquanto o restante da família ainda aguardava dormindo no sono dos justos. Mas que raça de cão - guia, adua, acoar - é essa essas e tão sinfônica preparada de peluda orelha em pé? Será a do fox paulistinha? Será de um fila? Quem sabe o pastor ou policial?  Nem é a de um vira-lata tridimensional qualquer, tô vendo e tô ligado!

            O cão adueiro balsar cachorrada, que nem tosse ou cospe meia-voz porque é nobre e fino e polido e educado, fica escutando sentado pose a sonata para teclados pratos tambores banjos e demais cordas bem esticadas. Se cai um samba ou um baião ou um axé ou um sertanejo de raiz, o cão uiva irritado e boceja e vai até a caixa de areia ou o poste fazer xixi e ou outros dejetos obscenos. Uns poucos assinalados privilegiados - desses obesos mascotes fidalgos -, bem ou mal afeitos a morder e vigiar e até avançar no chefe ou chefa e no dono ou dona, saem estudar no exterior com bolsa integral ou meia bolsa paga financiada por instituição educativa filantrópica multinacional. Vão e voam abanam a cola desde cima partem zarpam com roupas quentes cachecóis xadrezes idiomas traduções e óculos escuros para os frios ensolarados das neves altas.

            Também e ainda, todos concordam concordamos humanos e batemos palmas, o mundo está cheio desse pessoal canídeo os cães cachorros guaipecas guaipevas cuscos. Daí todos eles gostam da música clássica com orquestra bem ensaiada refinada com maestro(a) descabelado desvairado mal-humorado pretensioso fanático. Eu nunca tive um cão para provar nada disso, tá certo! Olho o povo em estrato e te digo que tipo e espécie de cão meus contemporâneos patrícios(as) merecem se parecem. Meus conterrâneos se divertem em demasia diariamente com seus filhos filhotes caninos na calçada à margem do rio Acaraú rio Cunani rio Turvo rio Carreiro... e bola de tênis mania indômita de agarrar pegar apanhar segurar abocanhar puxar capturar prender arrebatar... Já eu mesmo, coisa particular e exclusiva inédita, nem gosto de música de ouvir sentado sobre minha própria cauda ou rabo. Muito abichornante e chata a delicada música de se ouvir em silêncio concentrado sem mexer um músculo sem olhar pro lado sem tossir ou mugir olhando o nada pensando um mantra, hum!... Outra coisa séria, é que mesmo em casa doméstico eu nunca tive cachorro ou cadela. Meu avô teve um cão - zagal ou pegureiro, maticar - chamado Avião (parente próximo dos cachorros-do-mato) que o seguia olhar enviesado sem perder de vista para todo o lado concomitante e era um exemplar doce de pessoa da família mascote companheirismo de boa sorte felicidade sorte.

            Esse cão do meu avô foi o cão (em a presença de garbo e elegância que nunca ouviu falar de cachorro-quente) mais amigo amigável prazenteiro que conheci. Oito dias e noites de chuvarada chuva água da chuva e 8 dias de puro sol e nunca, mais nunca que obviamente, se comportou como o selvagem cruel brutal sangrento bárbaro violento feroz animal... O cão - armentário, barroar, cainça - mais amigo festivo que conheci. Entendia de 2 línguas ou idiomas e falava 1 e escrevia nada zero. Como bom cão, entendia tudo e falava nada. Nunca rosnou pra mim e até onde sei nem mesmo para as visitas inesperadas vendedores de frutas cobradores de impostos entregadores de gás. Nem sei se gostava das clássicas ou das tais e quais populares regionais gauchescas baiões maracatus frevos congadas festas juninas... Meu avô também nem percebi até onde gostava de música seja lá de que tipo fosse pintasse religiosas ou profanas carnavalescas de aniversariantes dobrados ou marchas militares. Só ouvia o rádio na hora da Voz do Brasil para saber o que o governo (independentemente do gov em plantão: cutitiribá, abacaterama, aroeira-do-rio-grande, uxirana, vassourinha, buçuí...) fazia ou queria fazer e construía ou prometia asfaltar, enquanto tomava seu chimarrão quentíssimo e amargo olhos no longe bombeando o horizonte. E nem se dava conta e permitia deixava o Avião na boa e feliz sossegado em paz dormindo dormitando ensimesmado debaixo da espreguiçadeira ou cadeira de balanço. Me dizia e com razão, eu ouvia: “Olha, guri, que a estrada vem aí e asfaltada e mais tarde ou mais cedo já passando por Durandé e Alto Jequitibá e Borá e Lutécia e Darcinópolis...”, fecha aspas.

            Todo e qualquer cão é um mundo em si mesmo e à parte santo androide eremita filósofo neoliberal subchefe antiaéreo anti-inflacionário coproprietário microssistema... Individual individualmente (o cão), mistério de calma simples, procura o mesmo comportamento todos os dias e estável constante contínuo regular firme consistente permanente invariável estabilizado seguro equilibrado efetivo... E também se afeiçoa procura procurar os mesmos objetos pessoas as mesmas comidas e mais idas e vindas. Age conforme e nas brincadeiras ou se acaso uma briguinha ele usa decididamente somente sempre uma força recíproca. Faz progressos por se acaso e anda por todos os lugares possíveis do planeta Terra nosso de cada dia e cachoeira do Firmino no rio Santa Clara em Ibitirama ou Iúna e comunidade Santa Luzia do Baré no lago Amanã com o rio Japurá em Maraã e Uarini e Fonte Boa e RDS Mamirauá e Camacã e Mascote e Potiraguá e Serra da Saudade e trilha ecológica Pedreira da Prata em Carmo...

            Até onde pesquisei e apurei e busquei pesquei informações, o cão (rabadão, cainhar, canzoada) nem tem pensamentos necessariamente retos direitos ou oblíquos. Certo momento instantes uma alma empedrada empedernida algo parecido com a rocha basáltica itaúna diabásio diorito e etc. Só faz festa com a cauda e olhando dentro dos olhos do freguês. No estágio de cão (dentro do compromisso peremptório encarnação e do vaivém...), a pessoa nem sente mais o estresse e tudo são lindas bonitas maravilhosas e amplitude variedade envergadura abrangência gama alcance liberalidade... Quando está preocupado carnívoro no encher o bucho, no seu jeito de comer rápido sem me olhar e sem olhar a nada, nem se pode falar com ele e ou chegar perto. Tentamos conversar durante a refeição, porém ele é difícil ou sonha com coisas diferentes estranhas pragmático guarda-noturno não fumante unha de fome conclusivo coronel debiloide... Comer sem prestar atenção no prato de entrada ou saída e sem talheres terminando antes dos outros esperando mais e famélico esfomeado convicto inspetor antiquado... Nem aprecia verduras legumes e come a sobremesa com ou sem tanto faz a gordura. Retira o café pacientemente com a pata afasta mas nem perde de vista a sopa. Osso duro de roer, o meu vizinho compadre!

            Um cão (cadela) nem lê catálogos jornais livros revistas gibis; o Avião nem lia livros de ficção novelas de aventura. O cão detesta visitas inesperadas inéditas inauditas; Avião se entediava com visitas interessadas interesseiras agradáveis. O cão basicamente nem tem muito tempo; o Avião tinha o tempo que queria o tempo do mundo. Um cão procura por comida o resto do dia e sempre cheirando o ambiente esperando mais; Avião nem ligava para essas coisas de fora de hora ou no horário habitual. Um cão escuta o tal de senhor e senhora hertz (hz) e fica todo agitado adepto averiguativo eloquente onomatopeico paranoico verborreico altruísta; o próprio Avião previa o futuro em ondas de rádio e sonoras e de luz. O Cão pernoita e vigia a acolhedora praça Monsenhor Ivo Sante Donim; Avião já tirava férias veraneava no rio Paquequer e cascata Conde D’Eu em Sumidouro. O cão ou cadela quer ser famoso(a) e rico(a); Avião queria ficar mais famoso que rico. Cão gosta de tudo que tem carne e ossos no meio misturados; o Avião gostava de bolo de chocolate (quente ou frio) feito pela minha avó, principalmente e em primeiro lugar. O cão vai e enterra um osso um joelho de porco; o Avião tinha mania de enterrar sapatos usados pelas pessoas gente da família familiares.

            Dormir nem dorme bem e em horas incertas, embora prefira cochilar relaxar. ‘Estar sempre alerta’ é o seu lema o mote motivo do cão de guarda sentinela. Importunado por cachorrinhos-de-nossa-senhora treme o pelo todo bate as orelhas e a cauda, e lá vez em quando sempre depois do banho perfumado. De olhos fechados eventualmente mas as orelhas sempre sensíveis ativadas ligadas sintonizadas antenadas. O cérebro lugar-comum sempre em rotação e abrangente amplo vasto geral extenso aberto global genérico lato...

            Claro que o cão - brandeiro, cuincar, canzoeira - é um mamífero estelar oriundo da constelação do Cão Maior ou Cão Menor. Desceu ao planeta para povoar e virar o melhor amigo do amigo melhor. Você sabe o que eu quero dizer! E na sua (cão) particular mania costume hábito (que acho que os cientistas ainda nem descobriram nada ou nem se deram conta) corre atrás dos automóveis que passam na rua Placidina de Araújo esta enfeitada quase cinquentenárias de bacabeiras e sananduvas e canelas-de-cheiro e ouricuris... Decerto por certo certamente que acha que esses bichos-máquinas nem devem invadir seu território. Aí na hora nem negocia e persegue e corre atrás. E os tais e quais fugitivos fogem velozes estrada afora passam roncando zunindo descargas espocando abertas atrozes. É a única explicação que sei que alcanço a única coisa que o tira do sério da modorra da mordomia da letargia da preguiça das férias sempre prolongadas.

            Caminha vigia ronda 4 patas pela área pelo pátio na varanda com a mesma roupa com que veio ao mundo. E aparentemente aparece parece que pouco sente o frio ou o calor. Segue ou observa os outros integrantes transeuntes da família e acompanha preferentemente o seu melhor tratador e por onde este for desde os passeios da manhã fim de tarde início do anoitecer pôr do sol ciclovia. É sempre assim durante alguns anos. Tempo permitido de cão e cachorro e domesticado.

            Nem está acostumado a vencer corridas competições olimpíadas. Chegar e ficar e obter. Parte da decoração ou paisagem da casa do sítio e familiar membro da família. Por isso mesmo nem é corredor de fundo de longas distâncias resistência maratonas revezamento 4 por 4. E uma excelente memória canina. Aliás, 1 memória que esgota o verbo: au-auar!...

            É o que ele decide fazer quase sem pensar. Perto e junto entre igual os humanos? Passeia passeou pela vizinhança e voltou volta. É possível até onde foi. Foi passear nem sei o porquê e ainda volta em tempo de  cheirar a localização dos familiares. Como um cão preocupado procurando. Visitou e comparou e a rua da Sega e rio Caciporé na serra Lombarda e Careiro da Várzea e Irupi e Lajinha e Borba e praça Otaviano de Melo em Autazes e praia do Goiabal em Calçoene... O cão nunca sai ao crepúsculo à noite e nem abandona o lar equilátero lar. Ladrar pode ladrar mas é muito raro. E por boa causa. Vai e volta passa pelos terrenos baldios próximos enluarados pesquisar coisas objetos ambientes sem dono. O que o intriga muito são os bichos que voam morcegos borboletas libélulas aviões pássaros e ararajubas (guarubas) - psitacídeos verde-e-amarelos -, tangarazinhos (estaladores), patativas-goladas (brejais), corocoxós (corotéus), saíras-sapucaias (sairaçus), tico-ticos (jesus-meu-deus), irerês (marrecas-apaís)...

            Hoje em dia (se o tempo o clima a temperatura o ambiente estiverem desacomodados meio ensaboados desequilibrados ou nem preferidos) se chover chuviscar, o cão vai passear na chuva na garoa margeando o rio Ibirapuitã quando possível ribeirinho beiradeiro. Nem gosta de nadar ou de água em demasia, porém pode nadar e sabe nadar e nada muito legal nada nadar cachorrinho muito bem e obrigado. E é preciso no pouco que tá a fim de nadar e a cauda como leme as orelhas acesas. Depois na continuidade se sacode espiralando espargindo borrifando salpicando aspergindo, e dissemina difunde espalha derrama e cheira a cachorro molhado.

            Acho hoje que esse amigo malhado branco e preto de meu avô o cão Avião - brazagal, ganizar, matilha - parente próximo, teria gostado de clássicas se a oportunidade de aprender a ouvir (ou seria escutar?) com outros ouvidos lhe tivesse sido oferecida ofertada chegasse até ele. Era bom para decifrar todos os sons até a décima parte do bel decibéis e os mais finos possíveis. Se tivesse nascido num berço de músicos acadêmicos e estudado na UFSC ou UNICAMP ou ITA perceberia muito mais atento condicionado e isso sim com certeza. Poderia até ter nascido e sido criado e educado mais talentosíssimo virtuosíssimo interprete ao piano de cauda ao violino à guitarra ao violão à sanfona ou gaita ou acordeão cítara de arco ao violoncelo à viola-de-cocho... E era o que foi sem dúvidas sem aspas sem asteriscos - como se fosse do jeito do mascote -, pacífico pacifista paciente apaziguado para todos os acordes ritmos trovoadas foguetórios carnavais bandas e paradas cívicas.

 

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