Olhe comigo veja, e olha a visão o
panorama a vista do balcão! Olha o que lembro o que te mostro, definitivamente
efetivamente preferencialmente. E o tempo tira, te digo! Quando eu lembro de
vovo e vova, paternos. Eu necessito ir lá amanhã! Vício de viajar, dromomania,
impulso mania mais determinado e valente que eu. Vem que vou te ensinar, meu
guri e minha guria! O sol como referência do relógio. Olhe pro sol e que é o
mesmo sol de nossos todos os dias, e é meio-dia!
Então eu vejo como alguém que olha
um mapa cartografia, vestígios pegadas registros inscrições rupestres. Então eu
vi como alguém que vai relatar e conta e canta contar jorrar de contos. Logo
agora, patrício! E dê uma boa olhada aí, meu chapa!
Viajar é superar conhecer por acaso
o que deveria ser meu, por lei e por natureza. E ser meu por falta e ausência
de mim mesmo ali, de minha própria sorte e sina. Bússola de encontrar buscar
buscando busca-pé lá aonde for e conseguir chegar. E por quê? Porque sim!
Lembro de coisas das coisas que vi e
fiz refiz as trocentas mil vezes repetidas. Quase nem?! E de outras que fiz
pela primeira e última vez. As que aconteceram poucas vezes outras vezes nem
recordo nem me vêm à memória cerebral consciente da mente.
Eu queria olhar por tudo bem mais
melhor que todos e saber, oh!, mais que qualquer um mais que todo mundo. É
isso!
É preciso que se diga, é preciso se
dizer, e que eu te diga. Desde logo! Embora nenhuma matemática lógica de
precisão, né?! Sim, porque agora é isso mesmo e eu sei. Sei e nem entendo, sei
sem entender. Mas preciso hablar.
Sei nem imagino que acreditar nisto
tudo que vou dizer digo dizendo direto é muito grande confiança em mim. Sei
mesmo e obrigado!
Mas nem contarei tudo de imediato de
pronto, falto faltarei faltará perder omitir muitos relatos. Contarei o
indispensável direi um e dois três (causos vindos de lá e de boca em boca),
somente que me cabem. Espero nem me contradizer e divergir do bom-senso.
Divertir e me divertir no plano A do bem-humorado. Estou disposto a utilizar o passatempo
e ganhar emparelhar economizar o meu tempo (se é que se pode, em?!).
Que o mote é (motivo motejo motete),
pois aqui estamos e que viemos os Licks e Cia para confeccionar as botas! E também,
incluído incluso inclusive incluível, toda descendência vale e tem sua
consequência!
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Saímos de casa os três ou quatro (será
que o caçula já estava pra acá?), mãe e irmão e eu, pegando desde já a rua
Itália dentro em o bairro São Cristóvão. Tomados de profunda alegria! E guiados
pela estrela D’Alva ou Vênus ou Vésper ou do Pastor. Simples assim. No sentido
do Distrito Industrial e linha 5ª. Um dia qualquer e ou à escolha, o 22 de
abril ou o 7 de abril (efemérides do “Terra à vista” ou da abdicação de Dom
Pedro I). Era muita sensação num meu corpinho puro nervos cerne madeira de lei franzino
miúdo liso liso (capeba-do-mato, violeta-do-brasil, maricaua,
bacupari-de-capoeira.
Estrada de chão, terra supervermelha,
mato de um lado e outro com roçados roças de milho (o milho é um cereal e
gramínea cientificamente identificado e conhecido com o nome latino de zea
mays) plantações de mandioca arroz (orizicultura) matinhos de pitangueiras
araticuns-folhas-de-salgueiro araticuns-alvadios goiabeiras-do-mato
goiabas-de-anta araçás-felpudos sete-capotes guabirobas-bravas batiputás. Umas
poucas casas e conhecidos vizinhos. Beira de barranco palanques de cerca e
arame farpado macegas aracutas macelas flechilhas ervas-lancetas e uruçus e
passarinhos, coleiros-de-garganta-branca, pintassilgos, curiós, tiês-pretos,
urus, vinte-e-um-pintados, corujas-buraqueiras, patos-do-mato,
bem-te-vis-de-três-riscas.
Certa altura pegamos um velho atalho
no meio do capão de mato. A trilha logo terminava noutro trecho de estrada
(hoje de nome rua do Oleiro), desembocava ali e de cara num pequeno capitel em
nome e louvor e oferendas ao Santo Antônio. Tudo já conhecido e revisto e
ampliado catalogado. Capitel que já havíamos frequentado e rezado algumas
novenas para o santo, mês do santo e anualmente. Uns santos(as) lembrados e
visitados idolatrados em estátuas ou imagens iconográficas iconografias ícones
simbólicos. E que um dia na idade média foram gentes pessoas humanos, agora
santificados santidades padroeiros(as). Nos postávamos concentrávamos quietos ajoelhados
ou em pé ali do lado diante do portãozinho (principalmente mulheres mães
senhoras algumas crianças) em preces orações repetidas, pedindo lembrando
pagando prometendo relatando agradecendo ao santo(a) do coração e devoção
predileção.
E nesse dia naquele dia, continuamos em
frente e nem paramos. Mais ou menos porque fizemos cada qual o seu sinal da
cruz e tocamos adiante seguimos. O que se pensava o que conversávamos o que
esperávamos... ficou no fundo esquecido olvidado e inútil do passado. Faz tempo
ou quase nada. Um 1 km tem apenas um 1 milhão de milímetros. Quase, quase!
O objetivo nosso era São Paulo, Rio
de Janeiro, Campo Grande (Morena), Caxias do Sul, Guaporé, Carlos Barbosa, Dois
Lajeados, Abdon Batista, Videira, Nova Prata (óbvio). Melhor e mais perto que
isso. Ao comprido e ao largo do país. Era atingir a casa de um parente, minha
tia e sua prole moradores de lá longe. E caminhando pela estrada precária
poeirenta verão calor muito sol e uma lua para cada um ao ar livre. Borboletas-do-manacá
borboletas-amarelas têm 2 asas com membranas cobertas de escamas que apresentam
formas e cores diferentes variadas. Que sucesso, meu!
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A ansiedade e que euforia. E eu
estava livre me libertando, e junto com as plantas que nem sabia o nome as aves
e a estrada. Assim, literalmente aberto. E sequer sabia que era só o começo. Há
dois mundos para que isso se efetive efetivar-se ou dê certo: a) a tevê (hoje a
internet) a leitura. b) viajar, pessoalmente presencialmente e na real. Uma nem
exclui a outra e se acrescentam. Uma virtual e outra praticamente.
O simples de olhar e ver coisas fora
do cotidiano doméstico comum corriqueiro, além do conhecido caseiro, sempre me
atraiu sempre. É a ilusão a esperança o futuro. E buscar ou encontrar mesmo um
sentido. Jogando o jogo do sagrado do acaso do imponderável. E mesmo D. Tudo
isso, então, faz parte de sair de casa da zona de conforto. O dna a molécula é
constituída por 2 cadeias separadas enroladas (que capotam, cambalhotam) em si
mesmas na forma espiral - helicoidal dupla. Sen-sa-ci-o-nal!, separada em
sílabas quebradas destacadas secionadas despedaçadas fatiadas.
Acho que os livros o cinema vídeos
(o que hoje é a internet) foram e são meus laboratórios e guias de pesquisas
para os meus achados, seja lá o que for aonde eu for como for onde eu estiver. Percebo
que foi o que aconteceu ou acontecia. Porque acontece o que acontece no sorteio
pelo caminho, subindo e descendo serras, o pico Ibituruna e os trilhos do trem
cremalheira. Aí e por acá e aí vem o de fora o alheio o novo. E a salvação, a
consagração. Uma visão ampla de regiões relevos recantos: Santa Salete, Dirce
Reis, Santana da Ponte Pensa, Aspásia, São Francisco, Urânia, Xaxim.
Sim, porque a invenção nem sempre
deve e pode partir da minha cabeça. O receio dos lugares profundos escuros
fechados, batofobia. O temor pé atrás dos lugares altos alturas precipícios,
acrofobia.
Escrever, para mim, é esta invenção
de passar a limpo. Tudo vai passar pelo meu filtro crivo peneira joeira. E
passou e está passando. Se é que precisa ser tão necessário e urgente. O
cérebro na memória, atenção, raciocínio, emoções, comportamento:
neuropsicologia. É, sim!
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E perto das casas dos meus tios
(muitos tios tias primos(as) que viviam aproximados, antigas terras do vovo e
que havia doado aos filhos filhas), o momento era mais interessante e me enchia
de expectativas e orgulho. Orgulho?! De um lado da estradinha o meu tio NN e do
outro o meu outro tio AL, e a gurizada correspondente. Este último parente com
a olaria em pleno apogeu de funcionamento e pegando fogo. Extração de barro no
banhadão com carroças tração nas quatro patas dos burros e mulas. Um cheiro de
barro cozido e lenha do mato queimada, olaria cerâmica irmãos Licks (esta
onomástica - linguística - que estuda lista cataloga os nomes próprios,
onomatologia. E com as subdivisões especializadas, antroponímia e astronímia e
mitonímia e toponímia).
Minhas primas e filhas de NN moradoras
ali moravam ali e eram formidáveis. E acho que naquele dia nem paramos abanamos
pouco proseamos e seguimos fomos em frente. Agora mesmo nem sei se as primas
eram 2 ou 3; deviam ser mesmo 3; mas recordo somente de 2, naquele momentinho.
Nosso destino era mais pra frente casa de outra tia primos(as). A pé e no passo
de quem vai pra roça? Era muita parentada num curto espaço de terras. Mas com
certeza a prima um dia me falou me relatou que tinha vaga lembrança de vovo passando
na estradinha e embarcado no Petiço e seguido de perto pelo Avião. E vendo
reconhecendo o velho no trote manso do cavalinho é que elas excelentes gritavam
sem parar, “vovo! vovo!...” O vô olhava sorria e seguia seu caminho rumo da
olaria de outro tio e filho dele dizendo sempre repetindo meio alegre sem apear,
“oh oh oh!...” Cada “vovo!...” das gurias admiradas ele respondia, “oh oh
oh!...” E a vida assim mesmo na casa das isoladas primas logo logo voltava ao
normal continuava desenrolava pacífica monótona calma como água de tanque de
poço depois do mergulho, plooofe!... da rã.
Me vinha uma extrema sensacional sensação
elétrica de guri que quase nem saia de casa liberdade ar livre solto energia
pra gastar e gastar. As casas dos tios e a olaria, os barracões de depósito de
telhas. Passando aí por dentro como num túnel meio escuro nem quente nem frio. No
meio intervalo do nosso destino final. Continuando. Olaria que fabricava telhas
e com os barracões lotados de prateleiras abarrotadas de peças e os fornos torrando
pegando fogo rodeados de montes de lenha unidades metro e meio mais
trabalhadores falastrões gozadores implicantes. Passando pelo meio disso tudo e
tomando nota (pra lembrar depois). Os fulanos e sicranos e beltranos ajudando
na fabricação fabricando as cerâmicas. Por que nem um mundo distópico
diferentíssimo diferenciado anormal distorcido irregular fora da ordem anômalo
surreal.
Nosso destino era mais adiante aproximadamente
a casa de outro parente, uma tia e seus trocentos filhos e filhas todos meus
primos(as). Nos aproximando como de um parque de diversões um circo circense.
Já nas proximidades minha mãe apontou o carijo onde antigamente se torrava a
erva-mate. Naquela altura o negócio estava falido entulhado de objetos
descartados e tudo desativado obsoleto. Mas era o que tinha. O galpão paiol do
carijo parecia um ovo de óvni. E que veio de Marte, um planeta consolidado
sólido definitivo. Parecia o lugar um sítio lunar ideal para pousos de naves
intergalácticas interplanetárias. E aqueles seres palhacinhos bonequinhos de
olhos grandes e mãos enluvadas com luva verde, né?!
Tudo, por favor!, tão súbito
indescritível ousado e alheio e aleatório. Os primos(as) diziam tudo falavam ao
mesmo tempo e riam de todos. Nunca tínhamos nos visto tão gordos, empáticos
simpáticos. Se pareciam comigo com o mundo com todo mundo, mas eram diferentes
e oblíquos ou transversais. E eles estavam sabendo de coisas que eu nem
imaginava. E eles e elas sabiam de aventuras que eu nem contava na minha
imaginação. Tinham cavalo para andar a cavalo, encilhado ou em pelo. O cavalo
Barão (Barão de Homem de Melo, Barão do Jacuí, Barão do Triunfo, Barão de Mauá),
para lazer diversão cultura recreação divertimento. E sabiam montar a cavalo e
andar a cavalo e atiçar o cavalo, pupupu!... E subir em árvores e colher
bergamotas amarelas eu também sabia, correr, pegar, jogar bola de caçador,
pular corda com muita rapidez. Estas alegrias conhecidas. Eu nem sabia lidar
com vacas e porcos e pavões e galinhas galos cocoricar ovelhas bodes balir
perus grugulejar. Cunicultura, pois é o ramo da zootecnia que trata da criação
de coelhos. Eu sabia da minha saúde mental e da minha presença confiança na
esperança que vem depois. À espera de algo alguém alguma coisa loteria que
sempre vem depois e após e amanhã. Com toda gana e certeza, tá!
Me recordo da casa simples e para
uma família já estava boa, o barracão do carijo e que servia de paiol para
guardar utensílios e etc., da roça, baias para porcos e galinhas, tirar leite
das vaquinhas, jogar o esterco no carrinho de mão e levar na horta. Uma horta
um roçado e o mato presente em todo trajeto em todo caminho e por tudo. O pátio
com plantas ornamentais, jardim de flores amarelas e vermelhas, algumas
exóticas outras nativas. Pé de jabuticabas butiazeiros que ainda dependiam da
época. Laranjeiras já apontando projetando as verdes laranjas, bergamoteiras,
limoeiros, laranjas-limeiros, laranjas-serra-d’água, laranjas-de-umbigo,
laranjas-do-céu. Provar os doces caseiros obrigatórios de abóbora bolos de
milho torta com recheio de amendoim geleia de pêssego sagu com creme de
chocolate língua de sogra e bolachas maria.
Nem lembro o que mais fizemos ou menos
deixamos de fazer. Provavelmente corríamos por tudo um pouco e aí como loucos,
eu e meus novos amigos amigas primos e primas. Alguns cachorros e cabritos
ovelhas terneiros galinhas de angola poedeiras garnisés pequenos galináceos
procriando pintinhos amarelos, pipipiu!... Com certeza subíamos em caquizeiros
ameixeiras coqueiros-catulés coqueiros-buritis. As mães sempre alertas e
preocupadas gritando pela nossa segurança e atenção aos perigos.
De repente era isso: querer aquela
alegria ali entre presente as primas e primos os parentes. Nem sei como eles
parentes me viam. Riam muito, achavam tudo engraçado, e por quaisquer coisas
tipo “dá aqui aquela palha seca!” O sol nem me via, porém todavia entretanto eu
via o sol diário diariamente. Zombarias chacotas chacoteavam como sempre e como
nunca. Arteiros, pois artistas os que vivem de fazer arte, os arteiros os que
preferem fazer coisas arriscadas gauchadas difíceis ousadas desaconselháveis
besteiras doidices. E digo de mim a vocês todos e exatamente onde estão e me
ouvem, que eu era e fui um moleque de rua.
Vou e volto com a paisagem o
programa o cenário. Eu tinha de estar ali e hoje (ontem anteontem). Isso mesmo,
eu estava abismado. Às vezes eu ficava quieto no meu canto, às vezes atento, às
vezes eufórico acelerado energizado e demais.
Sempre de dia minhas férias. E meus
olhos nem se acostumavam a ver de noite, lua estrelas constelações cometas. De
noite na casa dos parentes somente eu sentia falta das minhas coisas e rituais.
Eu somente conhecia o dia, e com meus próprios olhos.
Uma hora da tarde e já depois de um
tempo por casa aí no paiol em brincadeiras em correrias, subimos para o mato e
pegamos uma trilha. Todos e a gurizada na frente, claro! Pela trilha do mato e
adiante, para onde. As mães alertavam para o perigo de cobras e répteis e
aranhas caranguejeiras e outros bichos no meio do sujo das folhas secas do
capim barba-de-bode capim-de-burro capim-flecha capim-gomoso erva-de-lagarto
erva-de-santa-luzia.
Olha que saímos num potreiro, um
espaço um terreno desmatado e pequenos escombros e restos antigos de construção.
Apareceram algumas laranjeiras e outras árvores ornamentais. Nos explicaram que
ali era a primitiva residência a casa grande dos nossos avós. E nem existia
mais nada. Poucos e raros vestígios. Um pedaço de forno a lenha para cozinhar o
pão e bolachas e biscoitos. Pilha de tijolos meio enterrados. As árvores e
plantas de jardim resistentes ao avanço do mato selvagem. E chamavam aquilo
tudo e o lugar abandonado de... Tapera. Até porque já era um ermo. Lugar
abandonado em ruínas onde o mato tomou conta e antes existia uma casa uma
moradia uns cercados de taipa para o gado doméstico. A propriedade já nem mais
pertencia ao nosso clã e família.
A Tapera era um lugar lendário ou
icônico ou sagrado? Me parecia, me consta. Ali era a antiga e passada casa dos
avós e onde nasceram os tios tias, graciosa ou alegre ou garrida ou jubilosa ou
festiva. E andaram por aí em todos os cantos e recantos do nascer do sol até
que se punha. Ali fora plantada originalmente mais ou menos a família mais
poderosa da redondeza mais poderosa das cercanias. No reino vegetal a botânica
pura e ou aplicada ainda tem a ficologia (estuda algas), micologia (fungos),
dendrologia (vegetais lenhosos).
Fui e passei por lá, A Tapera,
muitas vezes e em diferentes ocasiões tempos e tamanhos e idades. Umas vezes
para ir buscar laranjas, uma boa desculpa para passear. Já meio adolescente eu
e amigos parentes primos primas fomos buscar laranjas e cheios de alegria,
contando vantagens e fazendo folia rebelião pelo caminho. Tinha um parente que
queria porque queria colher muita laranja e bergamota. E de fato tinha, e
colhemos algumas arrobas. O duro foi carregar nas costas e trazê-las para casa.
Nem tenho os detalhes do ocorrido. Mas me lembro que escalávamos escalamos
trepamos subimos nas laranjeiras nos pés de laranjas cerrados espinhentos.
Alguém subia e sacudia e as laranjas caíam e o resto do bando recolhia. Um
misto de aventura molecagem e colheita. Com muita fome de laranjas e
principalmente de bergamotas. Umas macieiras, a gente chamava maçãs-de-ferro, e
comíamos até fartar. Plantas palmas do butiá, palmeiras-barrigudas, juçaras, paineiras-embiruçus,
aroeiras-mansas, pitombeira (que encontramos um dia ninho de pixoxós), romãs,
cactos com aqueles figos espinhentos, etc. É só lembrar. Cada um comia o que
podia e enchia o saco ou a bolsa até onde podia carregar.
Eu mesmo preferia bergamotas e subia
no meio dos pés espinhentos enfrentando os arranhões para conseguir as mais grandes
polpudas e maduras suculentas. E me preparava para saboreá-las com calma e
circunstância, fruir gozar desfrutar usufruir com vantagens. Era um vasto
espaço de jardim horta quintal pátio e verde clorofila de vegetais e núcleo e
fértil florido arborização, os arborícolas. Devia correr água por aí em algum
riachinho fio de água ali por perto aqui embaixo no meio da vegetação pequena
baixa guanxumas guaximas embiras-bravas malvas-do-campo cansanções-de-leite
arre-diabos. Muita curiosidade e curioso porque a água é boa. Açudezinho suave
manso monótono povoado de plâncton rãs sapos e traíras e cascudos. Espectro de
cores, a refração da luz solar em as gotas gotículas de água suspensas elevadas
no ar na atmosfera o arco-íris. Anemofilia e polinização das flores em que o
pólen é levado carregado transportado pelo vento. E me contaram, juro!, pois o
que nem duvido nem sei nem vi nem estudei nem comprovei nem confirmo.
Era ou foi da família mas nem me era
familiar, A Tapera. Como já disse, queria reconhecer e me era tudo novo ao meu
olhar modificado repaginado pela natureza que soterrou tudo. Onde e quando
aconteceram fatos e eu nem aí. E se passou aquele tempo que eu nem imagino nem
mensuro. De uma hora para outra voa uma nuvem que tapa o sol, de umas décadas
pra outras passam gerações e amarelam enegrecem as fotografias. A lei do tempo
é conhecida à vista irreverente irredutível obedecida de todos. A lei as regras
a sentença que é de D (quando se acredita ou se quer acreditar).
Outras vezes passei ali ou compareci
ao local porque nas imediações fizeram um campo de futebol e volta e meia se
praticavam os torneios tensos enrijecidos retesados do arranca toco (epíteto).
Muitas equipes da redondeza vinham disputar os prêmios: porco, peru, caixa de
cerveja, garrafão de vinho, espetos de churrasco, etc. Vários foram os torneios
ali disputados. E me lembro comprometido dos tantos misturados fatos.
A gente reunia uma turma galera e ia
para o torneio com o intuito de participar jogar pelear e festar farrear. Confronto
de equipes do mais alto quilate e ou gigantes da várzea local (Os 11 a Fio,
Santa Cruz, Campinho, Maragata, Hermes da Fonseca, 18 de Julho da Coroação,
Tiúbas, Atlético Cafundó, Rocódromo Clube Recreativo...). Meio dia churrasco e
à tarde mais jogo de futebol bem varziano varzeano (bico pro mato que o jogo é
de campeonato). O legal era que a gente interagia com muita guria de outras
paróquias comarcas vilas distritos bairros capelas nacionalidades províncias
irmandades. O campo de jogo riscado e as goleiras com as redes estendidas, o
estacionamento de carros no potreiro, o local de convivência, o lugar do
tira-teima nos pênaltis, mais afastado o lugar de assar o churrasco, o resinto
de venda de bebidas e lanches. Era um acampamento precário um circo uma feira
com barracas e toldos e mais ou menos ordenado e ou desorganizado. Por acaso
chovesse ventasse, o caos se instalava imediatamente. Mas quase nunca chovia.
Eu nem deixava chover. Quando eu comparecia nem chovia. Quem mandava a chuva,
mandachuva. Aquela anedota: se chover hoje então eu antecipo e programo pra
ontem, sabe como é?!
Volto no tempo, voltei, e o lugar onde
eu poderia existir ali. Muitas coisas me surpreenderam. O sol sempre anda
neutro ocupado um pouco, e a cada hora cada dia cada acontecimento. E se eu
fosse D (ou Tupã o trovão) inventaria o sol e colocaria o astro-rei todos os
dias. Nem somente o sol a lua (mais de 384,400 kms entre a Terra e a lua e logo
após 5 camadas atmosféricas, troposfera estratosfera mesosfera termosfera
exosfera) o mar o vento os quelônios ovíparos a tartaruga-verde
tartaruga-cabeçuda tartaruga-oliva tartaruga-de-pente tartaruga-de-meio-pente tartaruga-de-couro
a ilha de Tinharé em Cairu a raiz cúbica de 8 ou 2x2x2-8 com 8 na 3ª = 2 a cor
vermelha magenta carmim escarlate o Tocantins ou bico de tucano ou bico do
Papagaio.
Me pego lembrando de um ou alguns outros
torneios que participei. Eu jogava no time dos Imprevistos Sport Clube ou ISC
(com as letras enroladas encavaladas tramadas como no escudo do S. C.
Internacional, de Porto Alegre - e cores azul e vermelha para contentar os dois
lados do grenal). Todo integrado na turma os amigos e moradores originários desde
o bairro São Cristóvão. E com essa intenção divertida jogueira de brincar.
Jogador de futebol? Joguei na linha? Me lembro que uma vez eu joguei e foi
muito rápido porque as partidas eram de 20 minutos (no par ou ímpar se escolhia
o lado ou a bola). Eram muitos times e tudo tinha que acontecer começar e
terminar num dia. Então, eu joguei e nosso time empatou e fomos para os
pênaltis e perdemos. Nem lembro se havia repescagem. Pouco importou, nem
importa. A festa os encontros as gurias sim que eram o jogo jogado e o lambari
pescado, a sorte grande, o que falar, a resenha, os causos, a vaidade vanglória
vangloriosos façanhas. A medida do sucesso ou do fracasso, dos talentos ou
méritos no namoro. Sempre a expectativa e os acontecimentos. O que vou contar
lá em casa, meu! Um sucesso!
Olha que eu e meus amigos conhecidos
estávamos olhando uma partida muito renhida. Acho que eu nem prestava atenção
nos lances do jogo, acho. Eu me conheço e reconheço. O que eu queria era chamar
a atenção de uma das gurias ali presente. Uma linda linda mesmo magnífica deusa
(a estrela Spica representa o Estado do Pará, e está na bandeira nacional acima
da expressão “Ordem e Progresso” - linha ou paralelo do equador). Coisa
difícil, meu! Entidade arte ser de extrema beleza. E tinha um olhar muito meigo
e princesa e cartão de visitas. Uns olhos azuis um penteado um cabelo loiro
solto até as costas uma alegria uma jovialidade sempre rindo e feliz
aconchegante. Peguei comigo que tinha precisava chamar sua atenção. Eu a vi e
sabia soube na hora que era ela! E como? De que forma maneira? Lançar jogar a
sorte e esperar que ela mordesse a isca. E a peixe grande grandota.
Nem me olhe agora, leitor(a)! Eu
deveria, devia?, ter percebido nela anteriormente e me antecipado, é. O lindo
sorriso grátis e o riso sorriso da graça inerente. Que D inventa essas beldades
e nem me avisa e nem me previne e nem nos promete nada. E eu me prometia uma
namorada assim. Naquela altura do campeonato, eu me prometia uma namorada assim
e sem coragem de tê-la. Sem ferramentas sem habilidades para conquistá-la
constelá-la, D meu!...
Depois de pensar muito e nem saber o
que falar e como fazer, eu disse que ela me parecia tão linda quanto uma atriz
de novela uma ginasta uma modelo uma estrela cantada em prosa e verso. E joguei
assim mesmo de qualquer jeito o anzol. E o que me surpreendeu que ela aceitou e
sorriu. Nem só aceitou como agradeceu e me sorriu e riu comigo. Me disse que
morava ali pertinho e apontou a casa, coberta de telhas pintadas de verniz
vermelho. Ali mesmo do outro lado da estrada pouco além do campo de futebol. E
de fato. Um jeito fofo de me olhar direto reto sem pestanejar (secar) que caí
como um patinho e deveras. Espetáculo!! Batendo no peito do coração o barulho
ensurdecedor que nem me deixava ver mais nada. Ma-ra-vi-lha!!
Agora ainda me lembro e recordo com
satisfação e saudade. Era linda e até nem acreditei. Nos olhamos e ela me olhou
com interesse desfraldado. Eu nem sabia o que fazer com as mãos os pés se ia ou
ficava se me despedia ou me aproximava mais. Vou eternizar este momento e na
memória! Nem sabia o que fazer de tanto merecer aquele olhar. Como uma guria
tão linda podia parar e me ouvir falar as coisas banais que eu inventava. Disse
pra ela que era bonita e querida como uma figura linda de álbum. E ela sorriu
me agradeceu me ouviu e acho, acho que piamente, que parou na minha. E aí isso
mesmo, me encheu de coragem e autoestima autoconfiança. Do nada do deserto
cheguei ao paraíso, num instante. Subi a duna avistei o oásis repleto de água
limpa piscina e palmeiras coqueiros-aracuris coqueiros-dicoris inajás pindobas
buritis. Nem havia nem tinha prece oração reza oratório deuses sagrado(a)
promessa bondade salvação transcendência bendito remissão. Mas sim havia de
fato um grande vale verde ideal esperança e aconchegante tentação.
Ainda mais, eu vejo e suponho. Uma
bela tão boa e de alma boníssima. Agora eu amo aquela guria e mais e mais ainda.
Mas tenho tudo isso e pouco mais ou mais nada do passado que nem volta. Até
porque tudo certo, recordado, revisto, revoltado, resolvido. Apenas ficamos nisso.
Foi assim e é assim, atualmente. Era já foi. Estamos aqui e pra frente. O que
passou nem tem futuro na esperança. Nada de suspiros e ou emoções. Mas tenho
que ser maior e mais valente que a lembrança. Nem, mentira!, é mais do que
isso. Saudade é uma palavra com vontade de abraçar e ficar tomando café num bar/café
e juntos na mesma mesa e bem acompanhado.
Nem sei se no mesmo dia na mesma
hora ou outro torneio, sei que me lembro que logo pela tarde mormacenta, sei
que aconteceu e houve um entrevero nervoso exasperado um pega pra capar. Tenho
que dizer que um meu tio por parte de mãe era um dos árbitros juiz daqueles
desafios aloprados irados. E de repente num átimo de segundo os dois times
elencos, o jogo que meu tio apitava, começaram a se provocar se digladiar se
esgrimir desaforar insultar e perigosamente. E o circo se desmantelou e começou
a pegar fogo. De imediato se atracaram numa bruta força tarefa de socos e
pontapés pauladas pedradas corpo a corpo. Dois bandos de cães brabos em disputa
em conflito e um contra o outro uma guerra. E a gritaria e aplausos e
corre-corre. Eu fiquei afastado atento precavido. Nada de nada tinha que ver e
fiquei só esperando a alopração terminar no, “deixa disso!” e “calma gente!” e
“onde se viu, galera!” e “por favor!” E houve correria para o mato e
perseguição, e escaparam para os lados da Tapera. O motivo da revolta de um
time inteiro (Futebol Esporte Clube Agroboi), juízos à parte, era contra um
elemento da equipe contrária (Recreativa Esporte Clube Chapadão). O time
revoltado contra um jogador adversário e nem sei por quê. E agora José, a festa
acabou o doce que era doce abalou a tarde espirou no meio o falso cognato nem
se identificou o sub-reptício fraudulento furtivo mal se ouviu se escutou a
cariátide nem suportou arquitetonicamente a forma de estátua o clímax a gota
foi o bastante suficiente para entornar o caldo para todo mundo deitar o cabelo.
Tradução, para meio entendedor boa palavra basta: o Palmeiras nem tem título de
campeão mundial!
Depois se soube melhor que a encrenca já
vinha de outros carnavais e torneios e paradas e bailes e festanças. Como na
lenda das cataratas de Foz do Iguaçu, envolveram-se um índio caingangue e uma
índia xoclengue de tribos etnias diferentes que nem respeitaram as tradições hábitos
costumes de suas respectivas aldeias. E o mundo veio abaixo, periclitante. Os
astros e deuses nem concordaram, os raios trovões fizeram o caos universal, etc.
Quer dizer e digo, bola pra frente que atrás vem gente!
Agora ainda me vem e claro separado
distinto na minha mente. O dia facetado organizado em etapas. Entre todas as
pessoas ali presentes e, eram muitas muita gente, vi uma gatinha uma guria
muito cobiçada e linda subir na mesa (a festa era ao ar livre e campestre) e
gritar muito incentivar torcer pular de satisfação pela briga e até aplaudir os
fatos e acontecimentos brabos que ocorriam. Aprendi ou me tentaram ensinar, ser
flexível transigir contemporizar. Mas cara, meu! Fiquei chocado com a moçoila.
Que isso, Jesus Maria José?! Estou vendo o que vejo!, me perguntei chocado. Mocinha
doidinha verde plena vibrante cantante dançante delicada artesanal. Uma jovem
de qualidade aspiração de todos e todas favorita tenra úmida de carne e ossos
rainha nobre. Nem acreditei. Me acorda pro mundo, por obséquio!
Né nem, meu?! Com 4 fusos horários,
a maior parte do B ainda estava estávamos no fuso em questão das 9h e 44min.
Aquela moça me decepcionou e foi escândalo. E de tal forma, meu! O que eu
presenciei foi o começo do mundo o fim dos tempos o início dos humanos sobre a
terra. Sinceramente eu queria entender a luz o horizonte o azul o açúcar o sal
o triângulo escaleno (lados com medidas diferentes) o positivo e negativo e
neutro o porquê da região centro-oeste interior vizinha de todas as outras
regiões mas sem litoral o átomo do hidrogênio tem número atômico 1 ou carga
positiva de 1 próton. Um mundo os acontecidos extintos em extinção. Conclusivo
e se concluir que conclusão houver: pouco, se se consegue; muito, quando nem ao
menos se atinge. E a menina cabelos longos iguais aos de uma menina linda,
bermuda da hora, relógio de pulso ganho no último natal... pulando pulando
de... de quê?! De alegria!
Olhe lá! Pois a menina era uma
beldade recomendável terapêutica higiênica salutar. E coisas assim eu custo
acreditar. E mais, expressiva eloquente fascinante. É difícil crer que uma
linda moça pudesse se sentir empolgada por uma briga um arranca rabo um D nos
acuda. E era uma senhora peleia danada tipo de briga de foice no escuro. Podia
sair muita gente machucada e até pior. E ela ali torcendo e pulando e vibrando
com se fosse uma jogada feliz do time que ela torcia, hein?! Negligente
descuidada desleixada distorcida. Nada e por demais nada a ver, meu!
Eu conhecia a menina tão galante, e
delirante. Reconhecia como reconheço algo alguma coisa boa ótima bótima. E por
isso mesmo me impressionou até hoje vem me assombrando. Nem sabia que isso
poderia existir, ou seja, alguém tão linda de tão bonita se mostrar nesse papel
anti-herói. Mas e enfim, coisas virão e acontecerão, nem é?!
Outros carnavais outros anos lugares
diferentes, e como disse venho dizendo, conhecia reconheci a menina do show na
mesa (passarela, palco, tablado, vitrine). Tinha irmã e irmão e posteriormente àquele
episódio, nos topamos outras vezes e em circunstâncias diferentes. Uma vez fui
na casa dela (hoje agora a rua Emílio Ribas do mesmo e já retratado dito bairro
Três Mártires), junto com um vizinho, fomos fazer uma obra na granja (produziam
queijo do leite de ovelhas, pecorino) dos pais dela da família. E ela estava lá
firme linda linda e bela e sorridente de bota cano longo simpática como D a
criara, na sua divina luxuosidade e competência complexidade. Estava em a casa
e normal normal como se nada houvesse por de lá do amanhã. Tinham 2 cães da raça pinscher, um casal, o cão se chamava
Radar (nome original mágico) e a cadela Lua (aliás, muito prenha e com
barrigão). Um outro abrir e fechar parênteses adendo anexo digressão. (Meu
vizinho nosso vizinho lá de casa - onde morávamos antigamente minha família
pequena nós -, tinha um cão muito meu amigo vira-latinha que no batismo foi
nomeado Cachorro e a facilidade diminuiu para Cacho). Quanto aos proprietários
e sem tirar nem pôr e sem mentir ou aumentar e sem fingir ou alquimiar, caso se
você olhar os pais dela o irmão dela, que diferença de perfis de estilo de
linhagem de dinastia de físico de padrão (tanto de perfil como de frente e
verso): ela e a irmã pareciam misses perto dos etês. Simplesmente isso, meus
amigos amigas!
De outra feita foi num baile em
Veranópolis, uma tarde de domingo e ela até conversou com os mortais comigo com
meus amigos amigas dançou sorriu e até me convenceu que era linda acima das
outras e fora da nossa alçada de homens baixinhos bobos precários. No pedestal
da beleza realeza, oito metros acima. Um meu amigo ficou apaixonado por ela e
fez de tudo o coitado. Vamos chamá-lo de Infrenes, o otário. Pois o Infrenes
teve a colaboração da irmã para uma tentativa de aproximação. Lembram do baile
em Veranópolis? Eu lembro. Pois é, ali houve uma tentativa. E outras que nem
presenciei e somente suponho. O Infrenes tinha 2 triunfos ou trunfos na manga
da camisa: a irmã que era amiga próxima íntima da beldade e o ajudava ajudaria
no que podia no que fosse e em tudo que necessitasse; e um carro um automóvel à
disposição para passear sair no domingo nos feriados. Um carro facilita, meu!
A esperança (foi naquele então ontem
igual a hoje) é o futuro adiantado! Que quer se adiantar. E o que podemos
adiantar? Todavia nem foi suficiente até onde eu registro, até onde eu
alcancei, até onde eu fui com minhas pesquisas. Nem deu certo, infelizmente
para meu amigo o apaixonado da beldade. Mas o que fazer? Perder a cabeça se
perde por menos que isso. Se conformar com a sina, né?!, Infrenes. Voltar ao
mundo dos miniaturizados. Desacreditar de D e de todos os santos(as). A verdade
verdadeira é que ela (se eu sei o nome dela?) era muita areia pro nosso
caminhãozinho. Ela e a mesma filha legítima de Adão e Eva (berloque dixe
enfeite bibelô e bergamota tangerina vergamota) nem reconheceu nem devia
reconhecer as formigas os besouros os lagartos os teiús tejus tejuguaçus tiús os
bichinhos rasteiros rastejantes répteis que rastejam e marcam o rastro na
poeira do chão onde fazem buracos vão e vêm de rojo. Certas gurias bonitas já
nascem pra outro patamar. E apontadas por D.
Seis bimestres, 4 trimestres, 2
semestres e 1 ano de 365 dias e sem contar as horas minutos segundos. Depois, com
e como o tempo, tudo foi indo e de respeito no que diz respeito a ela acho que
casou bem casada e foi feliz filhos enquanto a coisa durou. E pode durar sem
problema algum. Nem sei mais nada a seu respeito da fulana. O ser e a persona
(que já fazem parte o sigilo mistério segredo enigma). O que é estranho, nem
é?! O que é a mecânica dos acontecimentos, tá certo?! Foi professora de
psicologia (conforme sua formação e vocação e profissão) e trabalhou passou
pela EEEFM Lima Barreto. O que é o destino, nem é?! Eu nem entendo. Prometeu se
doar em prol dos cães e gatos abandonados(as) depois que se aposentar. Muito
risonha cabelos caracolados soltos ao vento, prometeu cuidar fez promessa aos
abandonados desprezados agredidos bichos de rua.
Bem, e voltando ao tema da Tapera,
me parece que hoje virou uma roça de milho e batatas-doces e amendoins ou pasto
para gado de corte. Com estufas de plástico para cenouras alfaces couve-flores
berinjelas nabos chuchus morangos. As coisas se modificam e vão e vêm. Ainda
bem! Sim, é isso, A Tapera foi e será um... relato na nossa história de
família. E uma lenda, também. O que se passou ali foi intrigante ou normal?
Existiu e nem existe mais. Se existiu nem existe e por que eu insisto nisso?
Deveria me interessar por um ambiente que nem conheci? Olha, a Tapera já era e
já foi. Quantos lustros e quinquênios. Um lugar dos avós que aprendi a palavra
tapera. Embora lá no fundo, isso de nostalgia me faz um pouco igual ou tal e
qual tanto como se me dá. A duração do tempo cronômetro e a velocidade do vento
anemômetro.
Cite uma coisa que viu numa tapera,
como a mesma dos avós: buracos de tatu. Que viu numa capelinha capitelzinho:
vasos de vários tamanhos com flores de diferentes formas cores tipos espécies
cheiros perfumes aromas olores. Que viu numa árvore-do-papel, corujão
mocho-mateiro murucututu murucututu-de-barriga-amarela. Que viu na rua Itália,
ainda por calçar: a patrola da prefeitura ajeitando a estrada, depois da
enxurrada. O que viu no pinheiral frente do casarão, que ainda lá está e como
se nada: psitacídeos louros os papagaios-da-várzea, papagaios-do-peito-roxo,
papagaios-charões, papagaios-dos-garbes, papagaios-moleiros,
papagaios-de-cara-roxa, papagaios-do-mangue, papagaios-diademas,
papagaios-de-bochecha-azul, papagaios-chauás, papagaios-campeiros,
papagaios-verdadeiros. O que viu no potreiro frente de casa: as corcovas de cupim. O que viu e ouviu
na serraria dos beltrano e de frente pertinho do casarão da propriedade de vô:
toras de araucária sim senhoras enormes virando tábuas.
Assim está bom? Assim está bom. Nem
sei se é pergunta que se faça ou certeza. Que se note que se anote e se
perceba. Doadores universais do grupo 0- negativo, receptores(as) universais do
grupo ab+ positivo. Vó tinha um astigmatismo com visão reduzida para o perto e
o longe; ela estiva o braço para ler uma receita de bolo.
Por que alguns já sabem de antemão
que são melhores e conseguirão as coisas? Existe realmente o dedo de D? Existe
D? Eu mesmo nem sei nem percebo e nem alcanço. Disseram dizem aí e escrevem
(ontem e hoje) que uma vez tínhamos rabo e éramos símios exímios perfeitos
arborícolas (com medo de predadores terrestres) e comedores de frutos flores
folhas brotos macacos-pregos macacos-de-cheiro macacos-da-noite juparás
barrigudos parauaçus bugios micos-leões-de-cara-preta saguis-de-duas-cores. Um
milhão de oportunidades para desaparecer 1 vez pela primeira vez e na primeira
chance. Quem te vê e quem te viu!
E que razão é essa do universo
conspirar? Que época é essa, meu?! Nunca se sabe. O grafite é um mineral
hexagonal feito de átomos de carbono. Quiropterofilia com os morcegos mamíferos
quirópteros agentes polinizadores. A primeira vez que vi um morcego de perto
pertinho, sem pegar nas mãos (revirando o defunto com uma ponta de vareta), foi
num atropelo. Jazia o bicho no chão (lá estava o noctilionídeo corpinho
estendido largado soçobrado) da rua Itália e, quem sabe como e se imagina, fora
atropelado de noite por um automóvel. Parecido com um rato e todo rato voador,
porém de asas de couro leve espécie de membrana patágio ligando dos pés às mãos.
Dentes à mostra pontiagudos de agulha e todo vestido em capa preta de preto e
negro. Pequenino feio brabo mortinho da silva horrível perigoso vampiresco
comedor de frutas néctar frugívoro frutívoro. Os morcegos-pescadores têm mistérios
com as luzes os refletores os faróis as lanternas as fogueiras que os atrai os
distrai os trai, é.
Nem sei o que presenciei o que vi ou
se sonhei. Desse modo o certo é o errado, o visto é o sonhado ou vice-versa. Os
ingênuos infantis são geniais porque creem naquilo que querem crer. E tudo lhes
parece possível fácil. Nem há segredo pois tudo acontece no íntimo secreto
segredo da imaginação.
E vamos de possível em impossível.
Como no ritual de uma missa que o deus deusa homenageado e que se crê, ainda
nem se consolidou.
Juro que sempre tentei prever me
antecipar jogar nas coisas e acontecimentos. Mas isso também é fantasia desfile
de carnaval na avenida, miragem. E lidar com o imponderável é literalmente
estar num picadeiro de circo de teatro. E sempre.
Vamos presenciar. Vamos adiante. E
vamos naturalizar. Vamos seguindo a pé para nem cansar as asas.
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“Saímos de madrugada bem cedo antes
do raiar do sol rumo do distante sítio em o Paraí. Cada um e cada qual no seu
cavalo (ross), eu no Coronel - animal amarronzado escolhido de pouca fala e
muito bom de trote. O Mutuca (mosca em tupi-guarani) o nosso cão (hund) sempre
de olho nas cobras do caminho vigilante alerta batedor. Íamos eu e mais os dois
agregados apalavrados que estávamos contratando. Os dois cabras (chegavam o
Tomás e o Edgar, que vinham a ser irmãos) naturais de Bom Princípio e muito bem
recomendados indicados pelo compadre amigo do peito e de muita data o Belmiro
Fogacho. Caso gostassem do paradeiro residência posteriormente viriam buscar a
família mulher e filhos e se fixariam lá junto da serraria.
Seguíamos toda vida. Seguimos uma precária
difícil picada ou trilha de carretas por entre matos e capoeiras abertos com
facão e ou foice. Jornada longa e com perspectiva de calor e muito sol no
caminho o dia todo uma lua para cada. Quantos kms até o destino final? O dia
todo no lombo da alimária e uma parada para almoço, pequenas paradas para dar
água e comida milho farelo pasto aos cavalos. Com sorte nem choveria, embora o
calor abrasador do pleno verão.
No meio da jornada paramos para
almoço e na beira do rio Carreiro, linha Francisco Manuel da Silva. Um bom
lugar na sombra e até para um cochilo esticado sobre uns pelegos mantas
cobertores de campanha. Almoçamos uma carne assada na brasa ali na hora com pão
caseiro (brot) e deixamos os cavalos no capim-flecha já com uma porção de milho
no bornal. Sempre bom conferir a arma de fogo a arma branca pra mor de quê,
hein?! Vai que aconteçam coisas de repente e a gente é prevenido, vai quê! Uns
cigarros de palha palheiros no bolso alto da camisa, prevenido vale por dois ou
três.
Por volta das 14h seguimos em frente
ainda e novamente. O dia ensolarado céu aberto e o calor o mormaço nem davam
tréguas e jamais. O caminho a trilha seguia meio que pela sombra já no meio do
mato do capoeirão algum perau mas pouco adiantava. Por outro lado se fosse um
dia de chuva seria pior e até com o caminho intransitável interditado. Nem
víamos a hora de chegar e faltava muito. Mutuca acoando ladrando marcando
território sempre prevenido adiantado concordante discordante precavido, e já
deu a varrida pelo ambiente em total. Coronel sempre disposto sempre garboso
valente destemido incansável.
Era verão final de verão em março.
Poucas raras casas pelo caminho e alguns cachorros brabos que assustavam de
repente as nossas montarias. Um cachorro tem direitos e deveres de um cão cachorro
(hund). Cruzando sangas e rios e banhados por entre propriedades cercadas de
arame farpado taipas e outros obstáculos pinguelas mata-burros. Pouco
conversávamos papeávamos e a animação, que começara mais ou menos diversificada,
já passava por emburrado arrependido ou constrangido. Saíam mal e mal soavam
precárias as palavras da boca e nem interessavam e quase nada se dizia, como se
comentários os pensamentos pesassem muito. O negócio já era difícil de levar e se
manter atento firme no lombo das montarias. Os mosquitos nos acompanhando
embora e nem se importando com o crioulão sempre aceso fumegando baforando
pitando. O tempo se armava para o sul nuvens pretas carregadas pesadas e isso
poderia provocar chuva no final da tarde.
Então, finalmente, lá pelas 17h e
40min chegamos ao destino e fomos direto e reto ao acampamento. Entregamos os
animais para o caseiro e fomos comer algo para matar quem nos queria matar.
Agora também o sono que nos abatia o ânimo o vigor. Eu só pensava em me lavar e
me atirar nos velhos palas ponchos sobre a manta me enrolar ali nos trapos para
dormir. O lugar do alojamento e também das máquinas de serra, eram barracões
galpões feitos improvisados das costaneiras de pinheiro araucária e cobertos
cobertura de zinco. Todo aquele monte de torras troncos de madeira puxados por
parelhas de bois nos carros de bois, às vezes 2 ou 3 pares na canga. Um
trabalho de gigantes titãs titânico bruto tosco primitivo pioneiro, na fé na
cunha e no cabo de machado. Nem choveu, graças a D. Ficou o horizonte negro
escuro pesando de nuvens baixas trovejou troou relampejou, mas nem choveu ou
por enquanto. E sempre chove nos fins de tarde de um dia comum tão mormacento,
etc.
Tão cansado eu estava que nem
sonhei. Pedras nem sonham. Um tiro bastou e babau! Um tiro só e já era já foi.
Com prazer. Onde estou? Os apetrechos jogados pro lado pro chão, o revolvão
perto da mão, e mais o quê? Um banho de gato e berço. Nem ânimo de amassar um
crioulo, dar uma pitada. Como os 3 macaquinhos, nem ouvi nem vi nem falei mais
nada.
E essa coisa sem nada que é a noite
escuridão; aqui e no resto do mundo. E o sono a entrega e o mesmo sobrenatural
o mundo submundo interior da terra. Me encanta o encantado dos contos infantis
exemplares com final feliz. Para onde vamos e por onde andamos? Por onde andei?
E isso ocorre sempre todo dia ou toda noite e dá certo. É um risco se entregar
ao nada definitivo imenso incomensurável intransponível. Familiar comum, mas
estranho estrangeiro desconhecido. Por trás das pálpebras cílios fechar os
olhos córneas pupilas íris retinas.
E olho vejo o céu fechado e para
balanço dos créditos e débitos, ônus e bônus (irmãos gêmeos). Mesmo em
pensamento mesmo perdendo o raciocínio a razão as horas os sons e tons. Ao
encontro de algo de D do céu do infinito do sensacional. Rezo todas as noites
antes de apagar antes de desligar o lampião, “Pai nosso!...” e “Ave Maria a mãe!...”
“Salve rainha!...” que minha mamãe me ensinou desde tenra idade ajoelhados
diante da capelinha portátil abençoada em honra à Virgem Maria Mãe de D. Uma ou
duas velas acesas cheiro de folhas de oliva queimadas e penumbra e fim de tarde
dias santos. Muito tempo horas ajoelhados sinal da cruz trançado várias vezes
ocasiões mãos postas juntas olhar consternado semblante concentrado em direção
do chão e beijar a ponta dos dedos finalmente, amém!
Abro caminho no escuro ilumino para nem
ficar sozinho, é. Tudo no mundo aqui fora perdendo a claridade natural.
Vaga-lumes, entomologia dos insetos, bioluminescência emissão de luz fria e
visível. Sons de grilos e corujas, ruuu-uuh!... corujas-diabo corujas-do-mato
corujas-pretas corujões-orelhudos suindaras bacuraus e morcegos, creees!
creees!... voando baixo rente voos cegos temerários mariposas enormes rodeando
candeeiros lampiões fogueiras e muitas mariposas perdidas tontas.
Se pego logo no sono o sono pela
cola pelo cangote, nem sei nem me dou conta. Imagino que sim, que sim. Se
demoro um pouco volto para trás e revejo revisto reviso o dia que foi cansativo
ou pródigo. O caminho trajeto duro perdido no meio dos brejais lotados de
gravatás vales penhascos e as poucas falas necessárias as descobertas achados rastos
de cobra nas quebradas da mata selvagem.
Por que vim de tão distante até este
lugar este pouso no fim do mundo onde Judas perdeu as botas e o facão três
listas? Para ajudar a explorar a madeira. Para pegar primeiro o que outros
estranhos poderiam se apropriar roubar. E para trazer uns agregados e ver se
eles gostem e se ajeitem fiquem aqui tratando da madeira e tocando a empreitada
a serraria. Por que eu e nem um dos meus irmãos? Por que papai quis assim. Por
que papai preferiu a mim me escolheu me confiou: “Vai mesmo você, Francisco!” -
mandou ele. Manda quem pode e obedece quem deve favor respeito obrigação e tem
juízo! E o velho nem quer saber de falas desculpas e reticências. Mandou tem
que obedecer e aceitar e baixar a cabeça e meter o rabinho a rabiola a cauda
entre as pernas. Pai sabe o que faz e filho obediente obedece, sempre.
Vou, sinto menos força vigor nas pernas
no corpo todo na mente, vou e já me libertando do material pesado para
encontrar o nada o invisível o horror o esquecimento. Volta e meia a visão do
que fui ou fiz durante o dia o que me aconteceu uma fala um resmungo um pequeno
riso, certas coisas. Parece que navego um voo um barco um pássaro alto
sobrevoando os meros mortais a terra a mata os rios os caminhos os elevados
suaves aproveitando os sopros as correntes de ar quente e logo abaixo da nuvem,
um gavião-carrapateiro falcão-de-peito-vermelho urubu-rei.
E pronto, acho que navego me sinto num
barco de pesca estou numa embarcação no meio do lago do açude da represa. E
logo é ótimo e calmo seguro estável. Do tamanho das horas que espero os peixes
se dignarem a comer a isca. Sobretudo e soberbo, vejo minha sombra a minha
própria sombra assombrar a terra.
A hora da verdade? Então a verdade é
tamanha? A verdade fora de mim. E uma verdade verdadeira que nem me protege.
Uma verdade que me perde? A verdade é muito gigante? O mito minto estilo da
verdade. A verdade (wahrheit - varraite!) sem nome sobrenome endereço telégrafo
código codificada. A palavra verdade.
Ando sonâmbulo e a pé ou a cavalo pela
mesma estrada de horas atrás trilhas que viemos e chegamos. Mais rápido voando
nas asas. E desacompanhado e na sombra das árvores da noite da névoa da
cerração. Nem sei nem pressinto nem prevejo se tem uma ponte de pedra se
passarei uma pinguela ponte pênsil se atravessarei por dentro do rio do córrego.
Sem guia e no rumo incompleto do mapa. Contornando a serra e desviando das
pedras rochas apontando dentre a vegetação entre as grandes araucárias.
Me afeta a linguagem de sombras e quieta
do meio ambiente noturno. Nem olho para trás e o caminho a percorrer, ando voo
circulo. Estou próximo de chegar e aonde vou? Nesse tempo parado ou andando aprendi
e já fui caixeiro-viajante mascate cientista físico matemático arquiteto
engenheiro escultor alfaiate pedreiro marceneiro guarda-civil oleiro curtidor
de couro cru bovino ovino. E andei pela redondeza da serra Gaúcha serra Geral
abrangendo um todo do vasto império. Mutuca se adiantando um pouco mais, eu
mais Coronel parando na sombra das jabuticabeiras carregadas; espetáculo! E
penso em outros rincões acessíveis inacessíveis mais parentes pra lá e pra cá,
por que nem: Barbacena, Alfredo Vasconcelos, Barroso, Carandaí, Ressaquinha,
Antônio Carlos, Ibertioga, Desterro do Melo, Santa Bárbara do Tugúrio, Oliveira
Fortes, Prados, São João Del-Rei. Quando saio e vou a cavalo (ross) cavalgar,
sempre levo meu laço enrodilhado na anca do bicho cavalgadura do baio. Mas bá
tchê, guri!
Escuto um ruído novo e puro corrente
corriqueiro. Olho firme e vislumbro uma fonte de água doce. Vou me aproximar me
aproximo vou parar e paro um instante e bebo e encho o cantil. Me refresco os
pés lavo a cara. Dou tempo permito os animais. Os bichos se alegram relincham
rincham e pedem nitrindo zurrando ornejando que eu os deixe em paz e retire os
arreios os apetrechos as correias e os deixe chafurdar na água em o lodo
cascalho húmus argila fósseis debaixo da cascatinha. Faço um cigarro bem
fornudo, acolhendo amassando apertando preparando na mão côncava os fiapos do
crioulo. Lajes e pedras com musgos liquens samambaias de alturas pré-históricas
caniçada taquaral.
Se a pessoa tem sono, então se eleva e
flutua. Se a pessoa tem sono, então ela é ave e ou peixe (por dentro da sopa do
açude). Se a pessoa sente o sono chegando tomando conta, então ela sobe nas
nuvens e respira o ar rarefeito das camadas altas atmosferas. Se a pessoa
adormece dentro desse mundo onírico virtual, então ela conta e se ocupa em
contar os astros as estrelas os meteoritos os satélites. Se a pessoa dorme e
sonha um sonho sonhado elevado, então ela se parece com uma criatura criada divina
criatura original com raízes em D (sucupira-do-campo, cipó-chumbo,
cambará-roxo, araçari-arrepiado, mandi-chorão, peroba-café).
Paraíso parecido, céu de muito
espaço, animais em festa e D o que precisamos necessitamos suficiente
suficientemente. E tudo me parece pureza bonito demais e tropical: o cavalo
(ross) bebendo água corrente do riachinho, a queda-d’água, os tantos tapiás em
plena época de flores (blumen) florescendo floração, japucanimpiuns,
beija-flores-grandes-do-mato, irapuãs colmeia enxame, perobas-bravas,
perobas-iquiras, perobas-tabuadas. O mundo a gente eu e tudo ao mesmo tempo.
Isso sim é intenso hipertensão alta-tensão obra-prima bem-me-quer
pica-pau-do-campo bem-te-vi-do-bico-largo gato-do-mato erva-de-passarinho
aperta-ruão.
A distância a paisagem os números entre
um planeta e outro vizinhos no sistema solar a profundidade do átomo a
neutralidade da sorte a continuidade do plasma do silêncio por dentro do
universo do meu físico. O carro embalado do tempo permitido a velocidade da luz
dos astros das horas dos sonhos.”
------
E já te digo, meu mestre e minha
maestrina! O sobrenome Licks (bom apelido e de 4 costados) se registra em
Feliz, Montenegro, Tupandi, Harmonia, Salvador do Sul, linha Bonita Baixa em
São José do Sul, São José do Hortêncio, Teutônia, Bom Retiro do Sul, Lajeado.
Mais Licks que nada!
Os irmãos Pedro e Guilherme Licks
(de Montenegro), isso por volta de 1905, compraram 31 colônias (medida antiga
de terras) na linha 5ª/Bento Gonçalves - então antigamente naquele tempo
Alfredo Chaves (hoje Veranópolis) -, compreendendo as áreas dos atuais bairros
do Retiro e Três Mártires e São Cristóvão em Nova Prata (que no começo fora
Capoeiras e, logo em seguida, Prata).
Guilherme se estabeleceu na linha
denominada de Silva Paes e região do hoje município de Nova Bassano. Compondo
no total 140 colônias (1 colônia de terra equivale a 250.000 metros quadrados
ou 25 hectares que são 250 mil metros quadrados) cobertas de pinheiros
araucária e onde montou serraria.
Os denominados Licks, tanto em Nova
Prata como em Nova Bassano, são do tronco de Pedro.
Pedro casado com Maria Lermen, ambos
moradores da linha 5ª (quinta). E tiveram estes filhos relacionados: Francisco
(meu avô), João Leopoldo, Adão, Emílio, Afonso, Maria Rosalina.
O bisavô Pedro comprou em 1928 um
dos primeiros automóveis da região, um Lan Rover. Automóvel que muitas das
vezes ficava sem gasolina, outro artigo muito difícil e raro de conseguir. Pois
além de serrarias os Licks tinham olarias (muito raro difícil diria quase
impossível que um Licks fosse trabalhador braçal empregado agregado meeiro) e
outros tipos de negócios com animais de corte açougues ambulantes e curtumes
curtição de couro de boi ovelha (explorando casca de árvores da zona,
jatobás-vermelhos, carvalhos-do-brasil).
------
Vamos ver e rever (de soslaio) a
foto. Minha mãe carrega um bebe muito novo (6 meses) dentro de um retrato
tirado atrás da casa dos avós paternos. Dizem que sou eu. Ele certamente já me
entendia. Ele me vê! Ele me observa atento atento desde longe.
Olho a foto e vejo um mistério. Como
dizer?! O enigma me olha curioso. Eu o olho e ele me olha de volta. Em
silêncios. E há uma profunda ligação com meu ser meu nome. Aquela pessoa sou
eu, e eu um dia ainda serei aquela pessoa. Transpassados. Ele nunca vai
envelhecer e eu nunca vou rejuvenescer.
Eu sou eu na foto em preto e branco
com bico seco de bebê na mão esquerda. Estamos na pré-história, antes ele do
que eu. Do meu próprio futuro cuida ele. Aquela criança descendente de mim e
que sou eu mesmo. Ser crescente e logo logo me procura. Nem somos estáticos no
tempo no espaço. Olhando a foto (e chego hoje), tenho a impressão entendo quem
sabe a sensação e vejo também muito mais do que está ali. Além disso e de quê,
já me achava longe esquecido passado e iludido. A foto me pega desprevenido e
me atinge me origina. Que problema!
Vejo o que os outros nem veem. Vejo
o que eu me vejo e o que ele vê. Existe, sim, um vácuo e um abismo e uma parede
e uma etapa entre as duas imagens entre nós. Aí está ele o que eu fui e era e
continuo a ser. Que é mágico!
Quem sou e por quê? O passado merece
o futuro. O presente tem passado. Eu me olho. Eu olho e me vigio, ele me olha e
me espia. Como de cães se vigiando se cuidado se espreitando e desconfiados.
Vigiando D e a casa a lei a ordem a verdade.
Dentro de um espelho de tempo e
pendurado na minha mãe. Será que sei se ele é real? Entre eu e ele, eu prefiro
ele. Que mágica!
Uma ponte entre nós um tempo: o
mundo nem sou eu nem é ele o da foto. Na realidade o mundo se criou a partir de
nós, juntos e ao mesmo tempo. Que tempos!
Somos invenções do universo ou de
nós mesmos: eu o inventei a partir da invenção dele de mim. Se eu olho a foto
tirada retirada alhures, eu sou uma história a ser narrada cumprida; se eu olho
o meu reflexo no espelho, agora mesmo, eu sou um presente com futuro na foto no
passado. Tá vendo, em?!
Me assustei com ele e ou comigo, me
olhando. Tenho medo receio de mim comigo ou dele. Já trocamos olhares
significativos e informações variadas. Cada um é o outro (ampliado). Eu sou 2
de nós e ele nós dois. Ele tem mais sorte que juízo mais futuro que eu. Tenho
certeza de quê. Que viagem!
Ele tem lembranças? Ele vive sem
saber? Se ele pudesse me dizer o que aconteceu, em?! E nós dois ainda fomos
para onde e paramos onde em muitos lugares. Aconteceriam as paragens nos
intervalos da caminhada pelo caminho andado: Marilândia do Sul, Apucarana,
Arapongas, Assaí, Cambé, Ibiporã, São Jerônimo da Serra, Sertanópolis,
Tamarana. Ei, cara da foto! Ei, cara sério! Me diga o que se vê por trás da
foto. Mágica!
(5 segundos cinco toques, pibes!... para
pular o anúncio!) Você já viu a distância percorrida 840 kms do rio Tapajós
(afluentes influentes rio Juruena e rio São Manuel ou Teles Pires e rio
Arapiuns e rio Curucu - passando por Itaituba e Santarém), do MT ao PA,
desaguando no rio Amazonas. Você amadurece (em amarelo ou vermelho) como as
frutas no gás etileno amadurecimento combatendo a fotossíntese. Você já viu os
anfíbios em terra na água nos charcos nos pântanos nos banhados mangues. Você
sente a proteína mais abundante importante o colágeno, 35% e 30 tipos, no seu
corpo humano morada terna. Você viu a forte força dos ventos, energia eólica e
limpa. Você reparou na carga carregada dos átomos, elétrons nêutrons prótons.
Você se reconhece nos animais que se alimentam nutrem, frugívoros ou carpófagos
onívoros carnívoros herbívoros (seres autótrofos produzem seus próprios
alimentos, algas e bactérias - bactérias do reino monera). Você se espanta se
admira por que um ciclone extratropical turbilhão furacão tornado tromba-d’água
vendaval furrasco ecnéfia tufão devassa e ganha tanta velocidade de um dia pro
outro e leva tudo de roldão de baldão.
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“Me
nomearam e desde já me chamo Francisco (original) - casado com Augusta (que
adora aprecia acompanha lista de biografias históricas: Amélia de Leuchtenberg,
a imperatriz 2ª esposa de Dom Pedro I; José Bonifácio, patriarca da
independência; regentes do período imperial do B: Francisco de Lima e Silva,
Nicolau Pereira Vergueiro, José Joaquim de Campos, José da Costa Carvalho, João
Bráulio Moniz, padre Diego Antônio Feijó, Pedro de Araújo Lima - cito todos
estes nomes potentes da história porque deles resultaram resultam os nomes dos
filhos(as) e netos). Tenho e sustento uma distância enorme de Assis na Itália e
nem quero ser santo. Mas nem sei se prefiro mais o convívio dos animais ou das
pessoas (humanos organismos complexos). Minha consciência, e até onde sei. Os
cavalos (ross) os equinos os cachorros (hund) e os bichos selvagens de todos os
tipos e finalidades. Estes últimos eu os encontro e encontrei por aí por acaso
e no meio da estrada do mundo do mato e me são surpresas. Cachorros sempre os tive
e me são muito companheiros e fiéis e honestos. Cavalos tenho dois, um para
passeio e outro para trabalho. A passeio o Petiço, sujeito pequeno rápido
elegante trote de acordo; a trabalho o Vermelho, sujeito forte potente sério
trote poderosíssimo incansável. Ambos comprei de um sujeito renomado muito Ambrósio
Mourão Titara (de a linha 6ª/Teixeira de Melo). Na verdade troquei por umas
colônias que eu tive lá em o bairro Retiro. Baita negócio, por falar nisso.
Todo mundo tem terras e menos de menos cavalos, neste país. Como posso andar
por minhas terras largas terras sem um cavalo desmontado a pé desembarcado? Faz
favor e tenha paciência, hein?!
Toda semana e faça chuva ou sol, lá em
casa da 5ª, carneamos um boizinho uma novilha outro leitão. Preparo tudo em
boas postas e vou até o açougue, eu no lombo do cavalo e o agregado Leôncio na
carrocinha puxada pelo Queimado (um burrinho todo amarelo amarelento amarelado),
até o centro da cidade no Prata. E mais galinhas vivas ovos embutidos charque.
Sempre comigo inseparáveis, precisando sabe comé!, o bom trezoitão (já digo que
este era meu xodó, com apelido de Bagunceiro) e a adaga de prata. Quando muito
levo uma manhã bem trabalhada, às vezes umas horas da tarde, para me livrar da
responsabilidade. Vendido tudo ou quase tudo, voltamos. Sempre algumas compras
para compensar o que se tira vendendo a carne o mantimento de boca aos
fregueses os produtos tantos.
O que quer que eu faça ou deixe de
fazer, os cachorros estão comigo e me seguem desinteressadamente cegamente
caninamente incondicionalmente tanto de dia como de noite. Me obedecem sem
perguntar e pronto. Parece que nada mais precisam de mim que me obedecer e
serem fiéis. Vão na frente e abrem o caminho sempre atentos a quaisquer perigos.
Nem se importam com horários e dificuldades. Esteja eu a pé ou no lombo do
cavalo (ross). E falo com eles e eles me olham me escutam me falam sinalizam
com as orelhas a cauda riem ou latem explicam acoam. Nos entendemos
perfeitamente seriamente humanamente caninamente. Com amizade sincera e troca
de respeito e troca de favores. Com ajuda recíproca e às mil maravilhas.
Perto deles junto deles com eles
comendo no mesmo prato, nem tenho cagaço de nada do mundo e das pessoas bichos
ou fantasmas saci boitatá fogo-fátuo almas do outro mundo olho gordo macumba. E
agora mesmo, independentemente do tempo em que estou ou estamos, tenho 5 cães:
Avião (com manchas grandes de preto e branco e amarelo), Latinha (Tinha), Tupi,
Preta, Bugra. Acompanhado dos cães e junto centauro com os 2 cavalos (em casa
ou nos passeios e reconhecimentos), é tudo que eu quero necessito como
companhia no dia a dia.
Ajo
com eles naturalmente e sem cerimônia sem papas na língua sem preocupação com a
economia as finanças a reputação a sociologia a religiosidade. É o que alcanço
a respeito desses tais e quais animais domésticos familiares. Eu me sirvo deles
e eles esperam de mim o trato a ração a fatia a parcela do bocado o osso do
filé. Nem querem abiscoitar a cereja do bolo, como de fato muitos(as) de a
prole e descendência cá do degas que vos fala. Somos demasiado justos um com os
outros. E sem vaidades humanas cognitivas, somente instintivas. Nos comportamos
nos conduzimos com respeito duração e olhares dependentes. Talvez algo de
imanência imanentes. Somos ignorantes quanto a tudo, por isso acreditamos em
tudo que vemos ouvimos ganimos. E é difícil ser bicho e é difícil ser gente.
Acho razoável e até humano ter, como
tenho e comprovo, o dom de gostar de animais de quatro patas. Eu brinco e eles
retribuem brincando mas ninguém é artista. O mundo é um lugar que se convive com
animais e pessoas de todas as raças e espécies e procedências e camadas e
origens e profissões. Uns jogam e outros fazem jogar.
Sim, são cachorros de crenças pelos
diferentes países e ideias e ideais. Somos responsáveis uns pelos outros e o
patrimônio comum compartilhado. Nem sei precisar se têm espírito, mas são
espirituosos. Uma alegria simples dentes à mostra língua balançando pra fora da
boca. Riem muito quando balançam a cauda o rabo a cola. Uma economia simples de
toma lá, dá cá. Bondade canina e simples, até que o rio nos separe. Se somos
necessários? O mundo seria mais ou menos sem as nossas presenças? Eu acredito
que nem interessa ou mais pra lá que pra cá ou sim e nem. E já te digo tudo!”
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A colonização alemã chega à linha
5ª, em torno de 100 famílias, por volta de 1890 a 1897. A maioria imigrou da
Alemanha depois de passarem um pequeno período de adaptação e ou espera em São
Leopoldo, até adquirir os prometidos lotes.
Cada família recebia, por sorteio de
localização, 1 lote de uns 30 hectares. E esses imigrantes vinham com poucas
posses e muitas esperanças. Variava muito de família para família, mas alguns
traziam ferramentas da profissão que exerciam. Nas colônias eles trabalhavam
coletivamente em mutirão união associação.
Por exemplo, aos domingos se
encontravam na capela São Pedro (esta capela nem existe mais e se encontrava
nas proximidades da hoje capela Três Mártires). Sendo a maioria de religião
luterana mas com alguns católicos apostólicos romanos.
Os moradores locais tinham poucos
recursos e se moviam a pé ou no lombo de cavalos. Na realidade poucos tinham
condições de possuir um cavalo uma mula um boi e assim por diante. Faziam todos
os trabalhos obedecendo cumprindo a boa e velha relação de troca escambo.
Faziam roças os roçados a construção de uma casa um puxadinho (de troncos
coberto de palha ou folhas de palmeiras), carijo, chiqueiro ou pocilga,
estrebaria, etc., sempre em parceria troca de favores.
Logo depois da 2ª Grande Guerra,
algumas dessas famílias se mudaram para outras áreas do Estado e mesmo a outros
países da América. E a guerra na Europa causou muitos transtornos e mudanças de
comportamento aqui no B. Alguns até queriam voltar e lutar pela pátria. Outros
preferiram tentar esquecer e torcer de longe. Todos sofreram algum tipo de
preconceito ou perseguição (naturais de lá ou descendentes), todos saíram
perdendo. Nem deviam falar alemão ou manter suas tradições costumes festas
missas, etc., escolas nem pensar. Mais os da cidade que os do interior das
colônias. As notícias eram escassas e de longe em longe desinformações
contrainformações.
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Os intermináveis dias longos eram
trabalhadores trabalhados trabalhosos pesados e cansativos: bons e vazios. Inda
bem que nem se tinha o hábito de se parar para pensar. Ou se pensava em
movimento no meio do serviço pesado. Dias longos e obrigados. Se trabalhava
labutava como os animais e no lugar da falta de alimárias. As gentes os colonos
pioneiros puxavam carroça como as bestas na falta de animais.
Muita coisa do dia a dia faltava ali.
Faltavam pessoas animais peças ferramentas conhecimentos habilidades
profissionais gente de ofício. A arrumação de tudo se improvisava. Tudo
precário e mais ou menos adaptado, a pau e corda. Nem existia governo, presença
do Estado da lei da ordem. Tudo por conta e risco do pioneiro(a) do aventureiro
do desbravador. Com armas na cintura e à mão, revólver faca facão adaga punhal.
No fio do bigode e na palavra empenhada.
E claro que se reservaria o fim de
semana o domingo para D e rezar orar. Todos à capela e com a mesma roupa
escassa e rota e suja que se usava para o trabalho. Iam com o que tinham e era
sempre quase nada. As armas de fogo, principalmente (artigo de primeira
necessidade), ficavam em casa ou escondidas no cavalo na charrete (e estes
sempre de perto bem vigiados). Missa em alemão e com versões para luteranos e
católicos. Missa repartida e assim a capela o cemitério a festa o trabalho na
roça na pedreira no mato derrubando árvores gigantescas represando o riacho para
fazer uma sanga um bebedouro para os poucos animais (quem os tivesse).
A região era rica em múltiplas
ofertas. A natureza muito generosa e inicial primordial. A natureza exuberante soberana
sobrando esfuziante. Se podia se poderia plantar qualquer coisa que daria
frutos e frutas. Terra disponível excelente e muita, de sobra rica ricaça
latifundiária. Demais para qualquer um. Demais para uma família mesmo numerosa.
Criações da natureza música milagres
dádivas ofertas coisas grátis e azedinha-da-baía, imbé-são-pedro,
limpa-folha-coroado, caeté-vermelho, iraúna, jalapão, paricá-de-curtume,
uirá-angu, caçaú, tipuana. As 4 estações definidas, o inverno tão frio como na
Antártica o verão tão quente como na Amazônia as chuvas sazonais intensas as
secas esporádicas duradouras.
Quantas famílias e posses, e
hipóteses. E daqui e dali, das suas ricas terras, poderiam prosperar. E
principalmente os descendentes. Tinha-se a garantia do futuro. Então, muita
ansiedade por produzir plantar construir prosperar empreender. Propriedade com
tesouro na terra e em mãos, a água em abundância pura potável e mesma de sempre
inodora incolor insípida. Ansiedade sonhos fantasias suntuosos palácios
principescos no ar, ao mesmo tempo que falta de condições.
D em movimento perene de boniteza
bondade realeza o sistema a terra o céu o mar rios as florestas árvores bichos
do mato a identidade das criaturas e macaibeira, trinca-ferro, ferro-velho ou
gaita, grilo-toupeira ou paquinha-das-hortas, sepipira, iapunaqueuaupê ou
milho-d’água, piririma ou jatá, taraguira ou camaleão-de-pedreira.
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Saímos de casa do casarão na manhã
seguinte. Vamos simbora e pra lá! Dia antes avisei lá em casa que iria com vovô
até a roça na linha quinta. E de noite fiquei em claro toda noite na
expectativa e até onde pude esperar o nascer do dia. Por razões e por certo que
tudo seria novo, praticamente. Andando com o vô por dentro de caminhos e matos por
fora longe de casa, quase em outro planeta. Que explicava novamente: “Vamos pra
lá de Porto Alegre e quase quase em Belém do Pará, meu fio!”
De manhã bem cedo, já programado
organizado preparado, despertei e subi a encosta do morrinho para a casa de vô
(grosvatar, opa) e vó (grosmutter, oma). E aguardei o tempo necessário para o
embarque. Umas 8h e 30min. Finalmente que vovo resolveu se mexer se mover e
decidiu (chapéu grande largo com barbicacho, lenço branco no pescoço, esporas
douradas, adaga embainhada atrás na cinta, guaiaca gaúcha de couro cru,
cartucheira com coldre e porta munição vazios, relho cabo de cambuizinho com
tentos de couro transados). Ele tossia muito pigarreio, ah-cãaa!... ele cuspia
no chão, resmungava ficava bravo com dá pra cá aquela palha? Tinha bigode curto
e um tanto calvo na frente entradas onde a calva os mosquitos aterrissavam.
O velho foi até a porteira junto do
potreiro e chamou o Petiço. Que logo veio, e antenado cola agitada. Um
cavalinho firme e manso e simples e sucinto. Encilhou o bicho (cavalinho baixo
ou médio e já adestrado de antemão pelo vendedor), eu observando ali por perto,
e era muito tranquila a operação. Cavalinho pardinho paciente pacífico
tolerante acostumado e esperando na expectativa de passear. As rédeas os
pelegos sela estribos e upa, upa!... Volta e meia o bicho soprava uns relinchos
bufos batia as patas no chão, ansioso. Pois o tipo cavalar me cheirava me
olhava, tentando me reconhecer, e ria balia cascalhava, ehihihih!... zurrava
fremia rechiava.
Em pouco tempo nem era mais nada e
embarcamos rumo da roça, e lá pros lados da linha 5ª as terras do avô repartidas
dissolutas emprestadas doadas presenteadas ou nem. Embarquei na garupa e me
segurei no velho pançudo. Nós quatro, eu vô Petiço e Avião. Estrada de chão
batido e rua Itália e depois mais uma picada um travessão (hoje rua pavimentada
Francisco Licks), grotões cafundós de o bairro São Cristóvão.
No caminho até a roça, que nem era
muito longe, uma casa duas três no máximo quatro moradias e já conhecidas
famílias. Bem dispersas ao longo do trajeto. Mato de um lado e de outro,
capoeirões, roças pequenas com mandiocal milharal, melancias melões abóboras
batatas-doces batatinhas inglesas (tubérculo, porção caulinar subterrânea de
forma oblonga ou arredondada). Revoada de alguns pássaros da estação, sabiás-caras-de-gato,
grimpeiros, arapongas, chupins, coleiros-brejal, tietês, gaturamos, sebinhos,
tesoureiras, tchintchorrintchos, almas-de-gato, pombas-carijós,
pica-paus-amarelos, sanhaços-de-coqueiro. Verão de calor e sol firme o dia
todo. Valetas de beira do caminho da estrada, barrancos erosados. Chuva (pensar
em chuva súbita ou repentina, enxurrada) no costado do entardecer, e olhe lá!
Fomos andando, topo-topo!
topo-topo!... no passo da pessoa do Petiço. E a paisagem a estrada era toda
novidade para mim. Minto, era mais que isso. Era raro a gente vir até aquela
distância e conhecer aquelas bandas. Acho que foi e era a primeira vez. Com avô
foi com certeza a primeira e última vez. E ainda me parece, com certeza me
pareceu mais na época, uma grande aventura e que nem cabia em mim. E me lembro
de alguns episódios e lances ainda hoje. O panorama visto da garupa do Petiço e
agarrado na cintura do vovo. Alguns pastos com vaquinhas de raças distintas ou
misturadas. Uns potreiros com macegas e barbas-de-bode e gravatás prosperando
mais que a grama gramínea capim-rabo-de-raposa, por ex.
Meus olhos abrasados e meus olhos
ofuscados secos diante de tanta luz da intensidade da luz e da paisagem. Fazia
a mão punha o braço em pala mesmo para olhar mais longe. O que naquele dia era
e me pareceu e de repente o dia nem pra cá nem pra lá. O touro bravo era o
cavalo picaço, a pompa-rola era a saracura, o japué era o tico-tico, a
borboleta-oitenta-e-oito era a corruíra, o jacarandá era o guaranhém-do-campo.
O que D queria de nós e de mim. O
que o S queria do Avião, que se adiantava seguindo ia na frente farejando
auscultando o caminho alerta alegre atônito orelhas e cauda agitadas focinho
sujo de terra vermelha e carrapichos e mordido de urtigas. O que Ele pretendia
com o regatinho ali peneirando (onde paramos um instante para dar de beber ao
Petiço) os banhados andando cruzando por baixo do bueiro e passo a passo sempre
a sina de continuar encontrar lá no fundo uns kms abaixo o rio Retiro (que
desaguava no rio das Antas que vai até o Taquari e este no Jacuí e ainda hoje
no estuário Guaíba e o próprio na lagoa dos Patos que tinha ligação com o mar
Atlântico). O que o Divino pensava planejava com o povo do campo que povoava os
potreiros gado as vacas de leite que nos miravam o cavalo tubiano de pelo
agateado que bateu os pés relinchou saudando o Petiço. O que D pensava fazer
com as seriemas ali piando espantadas saracoteando cernindo rebolando ciscando enquanto
passávamos proseando eu vô Avião Petiço (ginetes e firmes e empolgados
cavaleiros). Vó me descansava me distraia ainda mais dizendo quê: “Amanhã já e
já chegaremos em o Recife, capital dos pernambucos!” E poderia ser mais e
esperar mais e ter mais paciência.
Conversávamos mais outras algumas
coisas que esqueci, perguntas e respostas do velho. Claro que eu perguntava
coisas e apontava coisas. O lugar era comum, porém. Os potreiros das distintas
propriedades, o gado leiteiro um ou outro animal doméstico no pasto, as vacas
olhando curiosas que a gente passava passar. Uma casa uma família no meio do
nada a estrebaria o paiol. Na estrada chegamos a ver alguém, encontrar um
conhecido ou desconhecido? Vovô conhecia todo mundo e saudava a todos com uma
continência ou tirando o chapéu e um resmungado, opa!... buenas!... inté!...
Cruzamos com alguém um carro dois ou três, automóvel ou carroça charrete montado
no alazão a pezito no más? Quase nem me lembro, mas acho que sim com certeza.
Pois a estrada nem era tão movimentada, poeirenta, subidas e descidas, curvas,
na junção da rua Itália com o travessão (hoje rua Francisco Licks) o capitel em
honra a Santo Antônio (as mães faziam novenas ali do ano anualmente, se
consertava se reparava o pequeno santuário se adquiria doações esmolas para o
santo. Além do santo preferido a santa preferida, NS do Perpétuo Socorro) com o
sinal da cruz pelo-sinal os santos e santas lá dentro seus vasos de flores
decorados. Ora!, por que se fez uma capela logo ali no meio do nada, distante
de todos e de tudo? “Em poucas horas estaremos passando por Brasília, capital
federal!”
Olha que estávamos perto e já batia
aquela ansiedade uma grande curiosidade. Uma diferença entre a novidade da
estrada e a expectativa da chegada. Logo ali. Subida de morro com estrada
frequentada por carroças e automóveis viaturas, pessoas a pé e em cima de
animais. Carroças puxadas por bois (lentos e pesados carregados de produtos da
horta para venda no mercado do bairro ou de porta em porta, legumes verduras aves
domésticas lenha frutas salame banha de borco), charretes puxadas por burros
cavalos de gente que ia à cidade ao centro para consultar um médico um dentista
comprar negociar visitar, poucos carros caminhonetes também com os produtos do
sítio e seus ocupantes procurando os serviços na cidade. “Já vejo daqui estou a
ver logo ali a cidade do Passo Fundo, meu gurizão!” E este senhor empinado meio
obeso encavalgado montado no perissodátilo equino, e que ali passa e vai
montado no seu baio manga-larga, pototoque! pototoque!... tem algumas extensões
de terra família grande numerosa posses onde planta muito trigo trigais (trinta
e três tigrinhos tridimensionais num campo trilegal tradicional de trigo
tripartido) e ou milho milharais.
Recebi o aviso que chegávamos: “Estamos
chegando, modo de quê!” Entramos por uma estradinha no meio do milharal verde
verdinho verdejante verde-água verde-escuro verde-esmeralda verde-garrafa
verde-cré verde-bandeira. Era a plantação completa de vô. Terreno ou roça
coberta de milho com espigas boas já bem alto milharal espigas barbudas ou
cabeludas. Era ali mesmo e chegamos de visita em nosso destino de viajantes viagem.
Cavalinho cansou, reclamou do passeio? Petiço nem parecia preocupado com algo
alguma coisa alguém, nada. Que nada, seu! Tava acostumado predestinado ensinado
domesticado.
No meio do milharal foi que vô parou
puxando o freio e desembarcamos apeamos boleamos a perna. Fomos ver uma toca de
tatu-mulita ou tatupeba ou tatu-de-rabo-mole ou tatu-galinha ou
tatu-de-mão-amarela ou tatu-de-folha ou tatu-cascudo. Um tatu mamífero xenartro
e dasipodídeo que era da região e nem sei o apelido específico espécie mas que tinha
toca ali no meio do plantio e vovô sabia. Tinha até colocado armadilha na porta
da toca. Fomos ver e conferir e comprovar. “Aqui, aqui!...”
Entramos entre os altos pés de milho
e fomos adentrando, apeamos do Petiço, fomos andando todos pisando o chão de
terra vermelha, o cavalinho nas rédeas, o Avião todo excitado (que sabia também
do caso do tatu, “tatu Marambá nem venha mais cá, que o pai do menino te manda
caçá!”). Até acharmos a toca com a armadilha enfiada na porta do túnel na porta
da casa do bicho na porta do dito cujo. E se verificou que o científico
estudado escolado, esperto e maroto e antenado, havia feito um buraco paralelo
à entrada e conseguido e conseguira evitar a arapuca a gaiola a armadilha. Se
escafedeu se isolou o malandro manhoso articulado.
Deixamos tudo no lugar e continuamos
nosso caminho pela roça até encontrar uma casinha improvisada no meio da
plantação. Era a habitação do agregado, sujeito que fazia por biscate bico
gregueu encomenda. Talvez ou com certeza cuidava do lugar para ninguém invadir fossem
pessoas ou animais. Encontramos o homem e nos cumprimentamos e coisa e tal e
qual. Ele e vô conversaram um tempo que nem sei, entre talvez meia hora ou um
pouco mais. O acampamento do homem o milharal como milhões de soldados em
posição de sentido um mato a mata mais por trás e o céu.
A casinha era pequena barraquinha e
feita de costaneiras, sobras de madeira araucária, coberta de cinco e ou palha
folhas secas de palmeira. Nem vi cachorro ou outro bicho doméstico por perto.
Vivia sozinho isolado afastado no mais, porém acho que nem pernoitava no lugar.
Era uma habitação muito mal-ajambrada e no meio da roça. Um lugar de descanso
da lida na horta, fugir da chuva do sol forte almoçar. Alguém o homem combinado
servidor que vigiava cuidava a propriedade.
Nem ficamos para a parte da tarde. E
viemos embora. Vô deve ter conversado com o agregado o guasca de nome Hortêncio
(trabalhador de empreitadas) e indicado alguma coisa algum procedimento coisas
por fazer ou desfazer, coisas desse tipo recomendações. Enfim, avô marcou
presença e embarcamos no Petiço para a volta. Ao todo uma manhã completinha,
acho e suponho.
Entendo eu ainda hoje que era o neto
que mais convivia conviveu com avô. Mesmo convivendo pouco ou quase nada e já
no fim da idade deles, pros finalmente. Saíamos juntos envolvidos partidários parceiros
como foi dessa vez. E ali na casa deles, bairro São Cristóvão onde viveram os
últimos anos. Eu tinha as duas casas como lugar de brincadeiras traquinagens
merendas das tardes 4h. Às vezes as primas os primos compareciam ali no casarão
e comíamos o delicioso insubstituível disputado pão (pão-d’água que o padeiro
deixava trazia ali toda manhã com a cômbi) com chimiê chimíer (palavra de
origem alemã. E o pessoal falava chimia e ou imitando uma tia que dizia, esmia.
Como exemplo seria significa geleia para barrar passar no pão) marmelada
cobertura de abóbora. A gente era pequeno, ou miúdo (como soem dizer os
portugueses de Portugal).
Vó sempre tinha a dispensa lotada de
comidas, as caixinhas de marmelada, os potes de mel, embutidos dependurados do
teto, queijos, latas de banha. Sempre à farta e pra dar pras noras e netos
netas. Uma vovó típica avó e das mais atentas e atenciosas. E quando chegávamos
sapecava ou tinha já pronto amendoim batata-doce no forninho do fogão da
cozinha, pinhão na chapa (quando época de pinhão), pudim de leite, bolachas com
cobertura de açúcar. Mesa ampla preparada de pães e doces e bolachas rodeada de
tias tagarelas e da gurizada meninada em polvorosa agitada buliçosa. Também
briguenta.
Um dia como outro qualquer, upa
upa!... fomos a cavalinho, eu na garupa como sempre frequente, até a ferraria
na rua avenida Buarque de Macedo (estrada que atravessa a cidade e vai).
Passamos os 2 postos de gasolina abastecedoras de combustíveis, um do lado do
outro, até a ferraria. Na época 3 eram as ruas do bairro São Cristóvão, rua Itália
(onde morávamos e o casarão de vô e vó), estrada Buarque de Macedo (que fazia
sozinha o que hoje faz compartilhando com a BR-470) e a Cristo Rei (que atravessa
cruza as duas perpendicularmente formando assim uma cruz de dois troncos. Esta
última liga a linha Severino Ribeiro - leste, lados do rio da Prata (este rio
da Prata cai e encontra o rio das Antas que se incorpora ao rio Taquari que se
junta ao rio Jacuí que avoluma o estuário Guaíba que se perde no todo da lagoa
dos Patos que pinga no oceano Atlântico) - com a linha General Osório e ERS-441
- oeste, que vai à cidade de Vista Alegre do Prata). Mais ou menos de casa até
lá na loja já dava um km e pouco ou 20min. Nada nenhuma rua calçada, nem
paralelepípedos asfalto. Com as boas paradas em meio do caminho, na ida ou
principalmente na volta. As 2 bodegas\armazéns dos irmãos italianos lado a lado
concorrentes entre eles vizinhos e que na volta onde com certeza se fariam faríamos
as compras. Umas outras casas comerciais ou residenciais (a casa onde morava a
moça que cortava cabelo tricologista especialista em cabelos unissex e
principalmente morava e residia a irmã dela a caçula a linda a admirada difícil
bela Irina - abelha cabatatu, em tupi-guarani), marmoraria, moinho (de uns tios
parentes por parte de mamãe), açougue (as enormes postas meia parte de boi e
porco penduradas dos ganchos), pousada\restaurante (de nome comum em caixa
alta, Hotel Marambaia), barbearia, cantina (de dia de noite ao redor entranhado,
um cheiro sempre de vinho e uvas pisadas fermentando), mais pra lá uns 300
metros principal avenida Presidente Vargas a escola estadual de ensino médio e
fundamental (na época somente o fundamental) 11 de Agosto - onde eu ainda iria
estudar o ensino fundamental e a partir dos 7 anos, (11 de agosto de 1924, dia
de emancipação de NP da cidade de Veranópolis - cidades hoje em dia rivais em
tudo no futebol amador nos outros eventos em os cidadãos ilustres, etc.).
No meio cruzando a rua Itália havia,
atualmente aterrado fechado submetido liquidado, um fio de água e passava por
dentro dum bueiro. E descia em zigue-zagues desde o campo de aviação aeródromo
cruzando terrenos de horta e potreiros e ia embora para o fim do mundo descia
mais descia para o que é hoje o que seria hoje acompanhando a BR-470 (e
longinquamente escorrega até em o arroio Não Sabia e este cai no rio Carreiro
mais abaixo no próprio rio Taquari que deságua no já volumoso todo-poderoso rio
Jacuí e no espalhado estuário Guaíba com esta enorme lagoa dos Patos e o charco
Atlântico). NP é uma rampa com 3 caimentos, rio da Prata e rio Retiro e rio Não
Sabia. No fim das contas, chove chove e devolve tudo ao Atlântico.
Escaldante com o sol, ondas
onduladas suaves escaldantes ondulantes calor mormaço. E a memória
tranquilamente cintilava se perdendo na enorme distância extensão amplidão do
tempo do tempo. Umas fotografias recolhidas agora aqui e ali superam em número
e cor e tamanho minha memória milênio ou engrandecem um país um império com
montanhas verdes cavernas estalactites estalagmites majestosas rios caudalosos
cascatas deslumbrantes cartões-postais pontos turísticos imperdíveis: Guarda-Mor,
Campo Alegre de Goiás, Ipameri, Cristalina, Unaí, João Pinheiro, Lagoa Grande,
Vazante, Paracatu (rio bom, em tupi-guarani). As 3 Marias constelação no céu de
Órion, a corda a pérola a cinta.
Que dia, né, meu! Devia (pois eu
sinto e tenho esta sensação) ser pleno meio-dia e sol branco e andarilho
andando, ou as horas amplas andando tiquetaqueando, o planeta mobilizado
rolando no eixo. Um tempo que se recorda ou quase ou nem e sem lógica. E que se
perde se perde. O capitel em honra e graça do São Cristóvão (missas campais,
festas com muito foguetório procissões e bênçãos aos motoristas e caminhões
fazendo fila) estava está ali na junção entrevero cruzamento xis da Cristo Rei
com Buarque de Macedo (mais atualmente também a Placidina de Araújo - esta
senhora homenageada antiga grande proprietária doadora histórica das terras
onde começou e hoje é continua sendo o centro da cidade de NP).
Nem sei o que vô foi fazer na
ferraria e comprar o que ou mandar fazer qual. Ferrar o Petiço? Pode ser, ou
muito talvez. E nem sei que foi assim porque me aconteceu um feito fato inesquecível.
Estávamos ali no interior da loja, eu estava perto de vô, e à toa de bobeira
curioso observando tudo nem entendendo de nada nada. Vi um negócio no chão, de
cor vermelha, e peguei!... Mas pra quê, otário!
Era um ferro incandescente vivo
queimando quentíssimo que fora displicentemente jogado ali pelo ferreiro ou seu
ajudante filho dele, quem sabe quem viu? Coisas que me aconteceram acontecem.
Nem lembro dos detalhes mas berrei
bramei rugi cuinchei rosnei urrei com gosto e com raiva tartamudeei ziziei e
com muita dor concentrada. Ninguém merece a queimada, tá sabendo! Bem sei por que
me senti e ainda me sinto haver cometido uma idiotice total. Porém, o que
aquele pedaço de ferro avermelhado estava fazendo ali no chão dando sopa em vez
de no lugar correto e dentro do balde de água? Resfriando num tonel ou pipa com
água, por exemplo. Nem acredito e me xinguei me xingo até os dias de hoje.
Atualmente ainda me coça a palma da mão direita (sinal de fortuna dinheiro à
vista cabedais poncho forrado!).
Vovô se decepcionou com seu neto
arteiro traquinas moleque? Eu me decepcionei mesmo comigo e profundamente
preocupadamente. Uma saída com vovô e uma experiência tola que nem teve nenhum
sentido. E me pergunto, humildemente, por quê? Talvez e tão somente para me
lembrar do ocorrido. Para saber que o fogo queima é incandescente e faz mal pra
saúde mental. Que numa ferraria se moldam metais com fogo, a ferro e fogo,
assados na brasa de carvão e altamente perigosos. Que nem precisa olhar as
coisas de perto e pegá-las na mão. Que se olha com os olhos e nem se pega e se cheira
com as mãos. Bem antes e recém-nascido iniciado recém-nato recém-plantado
recém-convertido aprendiz no reino humano pré-humano primário, ainda longe do
adulto e pró-homem maduro capacitado civilizado humanizado super-homem.
A experiência me ensinou para cuidar
ter cuidado com os lugares dos outros estranhos indiferentes alheios. E até
hoje os lugares diferentes assim me desagradam crispam encrespam contraem meu
espírito e fico dominado pelo receio transido transidez; caldeiras, fornos,
fogões, sopas borbulhando borbulhantes, água pro chimarrão fervente
fervilhante, incêndio, inferno, sabás de feiticeiros(as), chapas para grelhados
assados, trens locomotivas a vapor marias-fumaças, usinas nucleares.
Antes de chegar em minha casa e
mostrar o feito malfeito pra mãe, passamos direto e fomos até o casarão. Ali vô
relatou o ocorrido falou e vó disse, do seu lado: “Estende a mão, vai filho.
Deixe ver sua mão, guri mexeriqueiro.” Disse isso falou com calma e paciência e
bondade e interesse. Eu mostrei a mão cheia de calos das feridas ainda esquentando.
Vó pegou minha mão e ficou olhando e falando. Depois passou uma pomada ou algo
assim, foi.
A gente voltava, eu e minha mãe (nem
lembro se meus irmãos estavam, 1 ou 2, nem sei), voltávamos de visita a uns
parentes. Acho que eram os mesmos parentes que visitávamos sempre, os da olaria
ou próximos aí. Uma vasta parentada toda nas cercanias da olaria do tio mais
velho irmão de meu pai. E voltávamos, como dizia e digo. No meio do caminho,
estrada poeirenta e hoje rua do Oleiro, passou o tio 4º e nos ofereceu carona.
Muito bem e ótimo, obrigado! Embarcamos, eu embarquei com mãe na frente,
sentamos na frente. Aí mesmo que veio o perigo perigoso... Nem sei por que
cargas-d’água, botei minha mão no vão da porta do carro antes de fechá-la. E
minha mãe nem viu e fechou a porta... Nossa, meu! Esmagou minha mão e fiquei
preso os dedos prensados, etc. Um gritaria, um desespero, uns pedidos de
socorro!... E todo mundo apavorado e a porta minha mãe nem conseguia abrir por
dentro. O tio teve que dar a volta no carro até, com mais força repelões e
empuxões, conseguir destravá-la. Chorei chorei? Mais de vergonha que de dor,
mais de ódio que de sofrimento. E quanto sermão, meu pai do céu! E por que isso
e por que aquilo e por que mais outras coisas. Sinceramente, nem sei por que
botei a mão ali e onde nem devia. Acho que gostei da lataria toda azul lisinha
bacana moderna carro quase novo, isso. Onde a curiosidade está que vai a mão
atrás, hein?! E a mão do degas aqui ficou paralisada doída esperta precavida
escaldada até hoje. Como diria uma velha e querida amiga minha: “Que ota, meu!”
É e sei lá, né!, pois já foram dois casos parecidos que quase quase perco a mão
e os dedos. Segurava minha mão com a outra e olhava os dedos vermelhos
apertados doloridos esmagados... E dedos valem ouro mais muito melhor que
anéis, tá ligado?!
É muito neutro. E legal ter dor de
estômago e é compreensível ter dor de barriga, porque é muito bom êxtase
culminância se livrar da dor de estômago. É muito platônico. É muito planalto.
É muito equivalente. É muito igualitário.
Ufa, meu! Quanta coisa ao largo largueza
e na profundidade da caminhada!
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A casa dos avós o casarão se
defrontava aí com o pinhal o pinheiral (que ainda hoje, ano renovado de 2023, lá
está e por certo firme e frondoso). Entre a casa e o pinhal, passa a mesma
estrada a rua Itália, hoje asfaltada. Também a BR-470, próxima e na diagonal em
a direção sentidos sudeste e noroeste. O casarão o lugar do casarão, tudo
atualmente já está destruído ou modificado (temos aí os galpões de uma empresa
de borrachas). Esta mesma rua Itália liga o bairro São Cristóvão ao parque
industrial ou Distrito Industrial. Dali em diante modernamente, rumo do bairro
Três Mártires, a rua Francisco Licks (uma luta do meu primo até os políticos
reconhecerem marcarem a rua com o nome do nosso avô) via linha 5ª.
O porão (ou o intervalo) da casa
sempre trancado, para evitar mexeriqueiros e ou animais bagunceiros. Com vô e
vó vivos, ficava aberto ou apenas com a porta encostada durante o dia. Havia a
ligação usual pela escada em caracol dentro da dispensa na cozinha. Ali abaixo se
carneavam os porcos o boi as aves e sempre na comunidade coletividade mutirão
da família. Assim, o porão teve dois tempos distintos, a meu ver: durante os
avós e depois. Como sempre eu misturo tudo no liquidificador do tempo
indeterminado impreciso colateral.
Durante todo o período foi o lugar
dos guardados de se guardar as sobras os objetos descartados porém nem muito
descartados (vai que um dia se precisa e se necessita). Do lugar no fundo do
subsolo (digamos assim), vinha um cheiro pesado de umidade mofo poeira travo na
garganta no cérebro e indelevelmente. Coisas inúteis escondidas da luz do dia
antigas antiquário museu depósito de achados e perdidos, quebrados e
inutilizáveis. Tinha uma carreta ou carroça de bois inteirinha enfiada ali
estacionada, e esperando os bois o condutor (que já se foram com o ontem
anteontem).
Um só lugar isolado no mundo e do
mundo da ampulheta. Uma porta enorme e duas janelas que nem davam conta da
ventilação e estrategicamente mal colocadas. Consumia o cheiro de podridão numa
penumbra constante e assustadora, moscas varejeiras (moscas-domésticas
sobrevivem até um mês e proliferam prole prolíferas prolíficas prolificidade
prolificentíssimas proliferativas) caracóis lesmas (invertebrados, nem têm
ossos como crânio e coluna vertebral) lagartixas mariposas tontas cegas escuras
indecisas escaravelhos velhos besouros ensimesmados carregando antigas carcaças
formigas tarapés ou curupés. Metade com piso de madeira e outra no terrão de solo
chão batido. Brechas buracos nas paredes por onde ou como entravam e saíam
aqueles tipos obscuros que iam desde os lagartos até os insetos de longas
pernas e altas antenas e pré-históricos ou alienígenas. Os tipos epidêmicos
endêmicos enamorados (renegados descrentes abjurados renunciadores) verdes
azul-escuros grã-finos secretários-gerais sem-números ex-hospedeiros
pós-simbolistas inter-raciais.
Com toda certeza por onde passava o
vento soprando, uuuuih! uuuuih!... fugiam entravam se refugiavam se escondiam
os fantasmas de animais sacrificados perturbados atacados carneados, uivar e
regougar e mugir e grulhar e cuinchar. Outra certeza que o vestuário a roupa o
vestido branco da noiva (deixada preterida abandonada em pleno altar da igreja
Matriz) vinha e vem e vai ruge-ruge voando sobrevoando (no virtual da imagem
apagada silenciosa dos antigos fantasmas, gargalhando cachinando arrulhando
ruflando zunzunando frufrutando) procurando o namorado o prometido o bem-amado
o esposo o consorte. Sempre tinha e havia, pois que os há!
Vó e vô (os traços fisionômicos os
rostos feições semblantes com as já dobras de estilo plissados) guardavam
coisas como fazem guardar as pessoas que têm mania de colecionar inutilidades
que lhes parecem úteis e apropriadas. O quebrado que esperará eternamente para
ser concertado, o fora de moda roto rasgado, o pedaço o caco útil que ninguém
utilizará. Coisas boas que nem serão necessárias. Um bazar de quinquilharias um
depósito ferro-velho, isso sim! E atravancado de desordem cheio de descartes da
família dos encontrados ao acaso e que se encontram aí na rua no lixo lixeira sobras
retalhos peças soltas pedaços. Uma mistura improvável e em nível também
impróprio para menores de idade.
Minha avó nossa vova Augusta, tinha
medo de trovoadas relâmpagos coriscos raios estrondos trovões ventanias
granizo. Medo de anfíbios sapos, especialmente; batracofobia. Imediatamente já
queimava folhas de oliva no fogão a lenha e se recolhia à sala de estar
acendendo uma vela junto em companhia de NS Aparecida, estatuazinha dentro da
capelinha portátil. E aí o vovo fazia de pouco e se ria e dizia que nem era pra
tanto e jurava que eram tambores surdos atabaques caixas zabumbas taróis
tocados por anjos arcanjos mandados por D. E tirava sarro se divertindo provocando
assustando pilheriando, mesmo se a casa toda tremia treme-treme balançada pelo
forte ribombo do trovão: “É um terremoto, uuuh!...” “O fim dos tempos está
chegando, mia véia!” “Olha o sapo!” “Olha a rã, uuuh!...” E cascateava a
surrada e tradicional risada, ahahahah!... entremeada de riso tremida de tosse
com direito ao catarro e cuspidas grossas horríveis pelo vão da janela até
aterrissar a gosma gosmenta lá fora no chão do pátio, tá certo?!
E de parecido comparecido, assim e muito
típico, tinham problemas da idade; o fôlego ao descer e subir a escada pra fora
da casa, os soluções que atentavam de vez em vez (curavam com um bom susto ou
um copo de água), as articulações as engrenagens as dobradiças as juntas (vovó
dizia, se rindo e fazendo rir: “Junta tudo e joga fora!”).
Naquele dia qualquer, eu abro a
porta da cadeia chaveada com cadeado e depois da desistência do olvido da
despedida dispersão dos avós. Queria ver o que restara o que havia deixado para
trás dos restos mortais de diferentes e muitos anos de guardados das relíquias
tesouros perdidos e reencontrados. O que foi deixado para a posteridade os
netos os arqueólogos os detetives investigadores. E era mesmo um entulho do
muito que se colecionou mercadorias selecionou conservou: caniços para pesca,
castiçal, tenaz, alicate para cortar grama, espingarda de dois canos (marca e
fabricação alemã, que alemã é importada sai cara e é melhor), pás, picaretas, pé
de galocha preta feita em matéria plástica com buracos na sola furada no
solado, pregos e o caixa-pregos a caixa-preta do casarão.
Nem procurei nada em específico e ou
recomendado pré-determinado. Apenas por casualidade curiosidade e conferir o
prejuízo dos tempos, o balanço do crédito e débito do ocorrido, a sobra do
olvido. Ciscando aqui e levantando ali e derrubando de lá. O imemorial
imemorável imêmore que nem se tem memória. O que se ousou deixar para trás, o
cadáver o presunto o finado. As inutilidades que seguraram, com mão de vaca, os
que têm essa mania de guardar debaixo de 7 chaves. Utensílios domésticos
vasilhas panelas frigideiras caçarolas espetos de pau faianças e todo tipo e
forma de vasos para flores folhagens jarros odres tubos canos e conexões.
E uma estante e prateleiras
abarrotadas com apetrechos e ferramentas e utensílios de carpintaria. Tudo
obsoleto antigo enferrujado. Se a porta se fechasse atrás de mim, eu gritaria.
Seria um horror ouvir um grilo mugir e um besouro sibilar e um gafanhoto
trissar um sapo-martelo blaterar ou guinchar e morcego farfalhar. Estava no interior
da baleia no estômago no escuro sozinho frio abandonado. Ou algo sagrado
religioso hierático. Cada objeto coisa (palavra substantivo mais usado no país,
e que significa qualquer coisa) contando uma história de qualquer pessoa. Começando
na caliça de parede reboco e avidez de microrganismos empedernidos impessoais
imbatíveis formas espécies processos, vermes germes sementes de micróbios
(parecendo algas ervas coisas opacas neutras), ávidos ávidas.
Vou me lembrado (imparcial) dos fatos e
acontecidos dos achados e esquecidos. Vou me lembrando de tudo que pretendia
ainda encontrar e rever, quem sabe e quem viu. Parede de tijolos à vista,
nódoas manchas polução poluição fuligem. Hesitava em pegar as coisas sujas
empoeiradas presas às teias de aranha. Invólucros de bichos peçonhentos. O
esqueleto de ferro da cama de solteiro. Um amontoado de malas e maletas de
couro, urnas cofre baús e já descascados sem alças. Um guarda-roupa gretado
rachado lotado de roupas penduradas em cabides, e esperando o dono para sair. Roupa
vestuário panos imitando desenhos de cobra ou escamas estratificadas de jacaré,
tudo petrificado lotado de sujeira. Pronto para entrar em um museu colonial e
da pré-história. Turíbulo, lanterna de parede, ferro a carvão de passar roupa, telefone
de teclas. Indícios pegadas mínimas pegadas riscos de insetos vadios andando
pelaí.
Estava na minha ideia e sim era
aventura por lugares sombrios profundos túneis cavernas em o interior da terra.
Uma mina de tesouros nem muito valiosos, a nem ser para mim. Cheiro de enxofre(S)
nem metal cor amarela. Silencioso pacífico lento desgarrado das horas. Me
olhavam objetos estranhos e indiferentes independentes, olhos parados. Que
existiam para mais nada, soçobraram. De repente podia surgir um inseto mágico
ou gigante ou encantado, um bicho diferente dinossauro. Talvez debaixo daquela
sela de montaria esfolada esturrada tostada torrada brotasse uma concentração
ninhada de piolhos percevejos-gaudérios ou barbeiros carrapatos micuins. Pra
conferir dizer e contar e seguir dizendo, sobrevivi soberbo para contar!
Um mundo distante apartado à parte
que eu nem entendia e sem noção de continuidade. Pra que tanta bugiganga e
quebra-cabeça, meu?! Está no dna de dupla-hélice dessa gente daquelas gentes. Impressão
e sensação do mal-assombrado miasmas resíduos sólidos e líquidos hálitos. Com
hologramas clássicos baixos-relevos altos-relevos talhados em madeira ferro e
afrescos improvisados riscados a carvão na parede por mãos aleatórias anônimas
e palavras declarações temas figuras desenhos inanimados. Nada para ter ou
vender ou guardar de relíquia e tudo para desfazer e jogar no lixão. Nem havia
mais ou menos e mais coisas que pudessem caber. Coisas sobre coisas incontáveis
teres e haveres.
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Até minha avó Dona Augusta (ela tinha
predileção por biografias de poetas seus ídolos e personagens e figuras
parecidas: Maria Firmina dos Reis, Olavo Bilac, Inglês de Sousa, Oliveiros
Litrento, Nísia Floresta, Casimiro de Abreu, Graça Aranha) se esconder desaparecer
debaixo do tapete mágico - interrompida e desligada e parada e proibida -, a
família festava muito e todo ano fim de ano ou aniversário dela tinha uma
churrascada em algum lugar. Geralmente no bairro Retiro, casa do meu tio 5º. Me
lembro (ou quero me recordar) de uma ou duas destas vezes. Muita família
reunida e um almoço campestre entre as árvores na sombra muitas risadas e
correrias de primos e primas e cachorros jaguapebas. No meio do potreiro do
mato sob as árvores o gado as ovelhas no pasto o lago de traíras o riacho
barrado o açude para nadar e aprender a nadar. Muito depois aprendi a nadar
(ali por um ou dois açudes do próprio rio Retiro) e andar de bicicleta (ali na
época que se abria definitivamente a estrada BR-470 e nos seus aterros, assim
mesmo) e eu já sabia de cor e salteado subir em árvores jogar bolita ir à
escola sozinho e me cuidar dos automóveis.
Um parêntese e digressão pra cachorros.
Por aqueles tempos e depois, eu queria por demais ter um meu próprio cão (seu
nome eu já tinha na cabeça e deveria se chamar Vento - no começo era Ventania
mas me disseram me convenceram que este nome era bom e apropriado pra cavalo,
então desisti e acabei simplificando para duas sílabas bem mais prático pra
cachorro) e mãe achava demais de nem e que só ia dar trabalho pra ela. Esta
tentativa de adquirir e ter um jaguara me abateu várias vezes ao longo, é.
Algumas tentativas aconteceram mas todas frustradas fracassadas e por um ou
outro motivo. Conto rapidamente 2 delas. A primeira vez; uma noite de chuva e
temporal, apareceu lá em casa no pátio um cãozinho e abandonado. Mãe disse que
apareceu por acaso modo que alguém deixou ali pra gente adotar. Adotamos, nem
havia outro jeito. Durou uma semana e era muito bem visto e querido pela
família. Demos o nome de Tico porque era pequeno e muito boa praça. Uns dias
depois desapareceu... assim, do mesmo jeito que aparecera... assim, no mais.
Fomos procurar e nunca mais. Muito estranho. A segunda vez; foi que ganhamos um
cão (já grandote e criado na corrente, vigia de propriedade) de uma amiga de
mãe e amarramos o pobre bicho no pátio (nosso lote terreno de casa era aberto
sem cerca) com casinha pra cachorro e tudo. Alimentávamos muito bem e o
queríamos mais ainda. Já veio com o nome de Negão, porque era bem preto e todo
ele negrão. De dia Negão se comportava com estrema nobreza, porém à noite nem
parava de ganir uivar e arranhar o chão. Seu comportamento chamou nossa
atenção. Isso nem parava mais e ficou preocupante vexatório. Acabamos tendo
muita pena do cão e devolvemos o choramingas. Enfim, me recordo desses 2 casos
e fatos que com certeza houve e existiram por demais ainda e etc. Hoje
atualmente em nossos dias atualizados nem temos qualquer bicho de estimação ou
mesmo pet. Nem temos nem autorizamos nem recomendamos. Temos ótimos vizinhos
que optaram por ter um mascote cachorro em casa e dentro de casa como membro
efetivo da família com direitos e deveres. Nada contra, compadre comadre, mas
daí a dar bom dia pra cachorro?! Nem tô entendendo!
Então acontecia o seguinte e
aconteciam surgiram situações. Que a maior parte das oportunidades era ali
mesmo no casarão dos avós e entre o pátio o porão o paiol. O tio mais velho
esfaqueava um boi e alguns porcos e se fazia a carneada a carneação o salame a
banha as divisões por postas fatias longitudinais corte transversal à espinha
do bicho nacos talhadas. Uma força tarefa de toda a facção família familiar
familiaridade familiarização familismo familístico clã unido conjugado integrado.
Comparecia toda a parentada da redondeza proximidades e essencialmente, São
Cristóvão e Três Mártires e Retiro. A carneada era ali no porão do casarão
sobre uma mesa grande pesada feita de puro cerne madeira dura de lei durável,
cambuci cambuí-preto canela-braúna canela-da-serra. Um mutirão superprodução de
tios e tias que começava muito cedo num sábado de manhã e levava o dia todo
(com opção excepcionalmente para prorrogar até o domingo dia consagrado, até
mais tardar o meio-dia também conhecido como 12h). Um time uma equipe num
esforço conjunto conjugados assim como formigas abelhas cupins enxame bando
irmandade batalhão rancho rebanho matilha. Chuva ou sol, muita gente envolvida
muito trabalho e cortando postas de carne com facas afiadíssimas (bem passadas amoladas
em o esmeril portátil, relim! relim!... ou roda amoladeira de pedra abrasiva
movida a pedal).
Uma hora um dia mandaram toda a
gurizada entrar na casa que iam matar o boi. O meu tio mais velho com a faca de
ponta na mão. Somente os tios no paiol ou galpão onde ocorreria o abate. As
mulheres e crianças e adolescentes (o jovem a jovem e substantivo
comum-de-dois-gêneros) todos para dentro de casa. E por favor, segurem o
cachorro que é o acontecimento do ano envolvendo a família!
Me lembro de um ou dois desses dias tensos
apocalípticos. Nos recolhemos nos escondemos no casarão e espiamos atrás dos
vidros da janela na cozinha. Todos sabiam o que ia acontecer, e os animais
todos da casa (culpados ou nem) todos sabiam souberam na hora. Nem se via muita
coisa mais que a movimentação do boi até entrar no interior da cobertura do
galpão. O animal berrava muito já prevendo algo trágico pra sua sorte e
existência. E a gente esperando de olhos e ouvidos na vidraça da janela, a
única que dava para aquele lado da estrebaria. Um eclipse solar, um trem lotado
de cargas e puxando centenas de vagões, um circo passando propagandeando e
mostrando animais exóticos estrangeiros elefante zebra camelo lhama vicunha
pônei avestruz urso.
Chegava a hora da facada fatal e o
animal cada vez mais alerta berrando sapateando escorneando as paredes. Outros
animais também sentiam fisicamente o momento trágico iminente, os perus as
galinhas o cachorro o gato a vaquinha no pasto, e berravam juntos assustados
solidários. Algumas pessoas ali nem queriam ver e ouvir, enjoadas nauseadas
vomitando. Se esconderam debaixo da mesa da cama da saia da mãe ouvidos
fechados olhos tapados com as mãos tremendo. E de repente como um grito uma
bomba um tiro um estrondo um pânico. A guerra detonada a enxurrada que leva
tudo embora e inapelavelmente o incêndio da casa a queda do centenário pinheiro
araucária e tudo rebentando estalando, claaaaque!... blaaaaque!... e bem na
nossa frente aos nossos pés e olhos e ouvidos.
Depois do terremoto do trágico acidente
do animal, todos nós a gente fomos foi ver o local do crime o palco da execução
o cadafalso. Junto de uma janela na parede de entrada do galpão, haviam amarrado
fortemente o pobre animal para que nem se mexesse e deixasse o pescoço à
disposição do carrasco. Restou uma tinta tintura bem vermelha uma mancha
precária malfeita malvista (embora subjetiva e arte) de sangue de suco de sumo
de líquido de suor escorrido esguichado na parede de madeira. Como um filme de
horror numa cena que ninguém quer ver e vê por entre os dedos das mãos
assistindo espiando atraído curioso incontrolável e horrorizado.
Poderiam podiam me contar mais tarde
e bem depois, então. Aterrados e escondidos acovardados ressabiados, nós morríamos
de vergonha e curiosidade ao mesmo tempo. Crianças e mulheres em alta tensão e
ansiedade. O negócio demorava. A execução a luta o fuzilamento o enforcamento ia
acontecer de verdade? O negócio nem poderia deixar para outro dia? Era justo? Um
frio invernal de tremer de febre tremer no calor do verão consumidos de terror universal
abraços abraçados. Eu poderia me ausentar voltar mais tarde chegar na hora do
almoço do churrasco. E pronto acabado tudo retornado retornando à normalidade
tudo dito e feito.
Porque tinha que acontecer para o boi,
se ouviu o seu um berro muito agoniado longe e cada vez mais rouco asfixiado
engasgado gago espasmódico. Foi o que se pendurou no espaço aéreo entre a cena
do crime e nós dentro da cozinha ao redor do fogão perto da janela de onde e que
mal e mal se via o paiol. O boi ou touro tinha sido criado no pasto do tio mais
velho e nem tinha nome. Meus tios se movimentando atabalhoadamente. É o que
ouvíamos principalmente. O boi tinha sido trazido amarrado puxado na soga a
cavalo pelo meu tio velho. E diziam que o boi era brabo criado solto nervoso
livre intempestivo temperamental. Vermelho avermelhado todo de pelo vermelho e
aspas ou guampas de cornos virados para fora desafiadores desafiador perigoso
violento briguento. Víamos muito pouco e de longe como moscas na vidraça.
Entendendo sem querer compreender.
O boi trágico teve esposa vaca vacas
teve filhos filhotes terneiros(as) irmãos boizinhos novilhos bezerras bovinos.
E mais que teve paixão e pasto e água boa. Sabia do dia da noite da chuva e da
sombra debaixo do pé de guatambu. Certa hora mugia significativamente e
meditava sobre tudo e nada, irracionalmente. Nem subia em árvores, nem
aprendera a nadar, voar era um risco muito grande e inusitado. Convivendo com
outros animais anônimos e sendo ele secreto mesmo e também. A linguagem do boi
mugir urrar rugir bramir escornear o ar patear coçar no tronco seco de
araucária. Porque existia outros animais como ele e diferentes no potreiro. A
hora do sal no cocho da invernada a ração balanceada o milho na espiga em grãos
e moído farelo. Tinha o boi sem nome e o boi sem nome havia. Seu preço no pasto
e peso em arrobas.
E o boi finalmente instantaneamente
transcendeu e teve contato com o esplendor e chegou ao paraíso dos animais
(terráqueos e nem terráqueos). Que era e vinha a ser um pasto vasto campo
eterno e verde e primaveril utópico. Sempre toda hora nascendo o amanhã de
manhã bem cedo e musical. E dia premiado ensolarado. Exatamente isso aí. E como
alguém um boi que acabava de voltar de uma viagem. Em as férias pra sempre
perenes e esperadas e ansiadas justificadas merecidas.
O boi parou no portal porteira
totalmente despersonalizado purificado e viu o paraíso tão aguardado. Leu a
senha do ultrapassamento para o 7º céu. Um Jardim maiúsculo pra ele e pra ele
mesmo chamar de seu. Um meio ambiente ecologicamente preservado e
economicamente viável. Reserva da bioesfera e imanente permanente constante e
perdurável. E o boi chegou confiante franco novo em folha deseroizado despessoal
solto sem dono(a). E viu que um rio existe uma árvore os pássaros e lhe foi
revelado, imburana-vaqueira quina-da-serra catingueira-de-porco
caperiçoba-branca ubacaiá canela-de-ema sapupira-da-várzea. Achou tudo que sim
e claramente.
Depois de enganarem ludibriarem o
boi era a vez de alguns porcos ovelhas cabritos coelhos, bem terra a terra e chão
a chão. Se aproveitaria a ocasião para fazer muita reserva de carne e de todo
tipo e feitio de embutidos. Cada família levaria um monte para casa, cada
família com sua parte no mutirão. Tudo se aproveitaria do boi e dos suínos, o
pelo a pele o couro a capa da gaita a casca a couraça. A gurizada jogaria bola
com a bexiga inflada do pobre bovino que já passara na brasa e foi churrasco.
Mesmo ao meio-dia já tínhamos o
churrascão na mesa ali mesmo da carneação. Onde há poucos instantes se cortou
em postas o boi e os porcos, ali mesmo a refeição farta e concorrida e regada a
vinho (feito por algum parente ali presente) cerveja de garrafa para os adultos
e jarros de xarope groselha e ou guaraná ou laranjinha furado na tampinha para
os moleques sobremesa de sagu ou compota de abacaxi.
Sempre havia milhares de primos e
primas (crescidos em fascículos) nessas festas de matança e comilança. E as
mães viviam assombradas cuidado dos rebentos e ajudando no trabalho carneação.
Todo cuidado era pouco para cumprir com as tarefas e missões e os filhotes
arteiros que nem paravam quietos sempre aprontando. Um olho no peixe e outro no
gato. Uma loucura! Ninguém podia! E a forma de governo governar era e é a
república.
Me lembro que fazíamos todo tipo de
brincadeiras e só pensávamos nisso. Era o caçador, que consistia em jogar a
bola no oponente e eliminá-lo matá-lo com uma bolada. E esconde-esconde e
pega-pega sem limites para correr e se esconder. Invadíamos a casa a área de
carneação a horta a lavoura e todos os espaços existentes disponíveis ou nem. A
latrina a casinha patente escritório de despachos a cloaca ao pé da maria-mole
ou farinha-seca. Meu tio, nem lembro qual deles, pegou a bexiga do desaparecido
boi e fez uma bola para jogarmos. E a pelada foi muito apreciada pela turma
envolvendo guris e gurias, concorrida.
Quando acabava a função todos iam
embora até a próxima até a volta, e voltariam no ano seguinte no atentado
seguinte na próxima carneação. Os mais distantes pegando o seu devido espólio
de guerra e saindo emboralá bem cedo para chegar em casa ainda no clarear do
dia. Eu morava perto era sempre o último. E via todos se despedir me despedia que
se despediam pegar suas coisas carregar no carro ou na carreta (quem tinha
carreta ou tinha carro). Era muito chato me despedir da turma, uma galerinha
sem fingimento disfarce simulação contrafação.
Depois e no outro dia o
reconhecimento rescaldo dos grandes feitos e acontecimentos. O porão por
ajeitar, o lugar do crime dos animais, os restos mortais de couros guampas
cascos cabeças ossos fragmentos entranhas miudezas sujeira bagunça utensílios
desperdiçados descartados esquecidos. Aqui e ali recordações da função os
restos do fogo o carvão que cozinhou a pele do porco para o torresmo, e ou das
brincadeiras com os primos e primas (mais tão somente primordialmente
principalmente necessariamente as diversões, obviamente e graças a D). Uma
gente um pessoal um povo que encanta seduz atrai o olhar conquista, uarixi.
Apostas chances altas, ótimos prêmios e resultados!
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Ora, meu! Eu nem entendia e nem
queria parar para pensar, e para quê?
Era nada era aquilo e era muito? Foi
um tremendo susto no escuro, uiuuuh!... Um dia muito louco e mesmo marcante
incrível inesquecível zero grau. Lembro do cenário as cenas fotografadas pela
polícia os peritos os detetives os oficiais agentes e bastante coisas, plasma
plaquetas leucócitos hemácias. A carne comida e é recíproca. A carne animal e
feroz era mansa.
Na casa tinha quantos cachorros
naquele episódio, dentro desses acontecimentos? Nem sei. Mas o Avião estava. E
até um cachorro pode ser vigiado. Porque meus tios nem trouxeram os seus, claro.
O que quero dizer é que mataram boi porcos perus frangos(as) patos pombos, mas
cachorro nem e passou longe. Ninguém os tocou ou os tocaria. Gatos e aves de
estimação (seres relutantes indecisos hesitantes, eu diria) acho que nem os havia.
Minha avó nem preferia gatos e meu avô só queria bem aos cachorros. Mesmo as
duas vacas leiteiras e os dois cavalos que estavam lá no pasto do potreiro
atrás do paiol e estavam a serviço da casa domésticos nomeados apegados dos
humanos os donos.
Fizeram banha embutidos retalharam
torresmo. Esta iguaria é muito sensacional. Torresmo apetitoso cheio de sal
torradinho e um perigo para a gula e o estômago. Muitos produtos que foram
repartindo as postas dos indivíduos macetados golpeados matados assassinados.
Foi todo um grande longo procedimento em larga escala, enorme força tarefa num
pequeno espaço em poucas horas menos de um dia. Pacífico(a) para os humanos (nem
me lembro se havia rádio música - acho que nem), mas terrível horrível terminante
nefasto lutuoso fúnebre fatal funesto para os animais. E animais escolhidos
sentenciados. (Teve seu tempo e época e situação que a matança a carneação era
contínua seriada ininterrupta e fazia parte corriqueira do dia a dia o ganha
pão da família, pois avô era açougueiro carneador. Todo mundo já sabe). E umas
tias fazendo tachos de marmelada figada uvada (a rapa de tacho era muito
concorrida apreciada, meu!) e assando bolos de coco nega maluca compotas de
pêssego pera mousses de chocolate bolachas biscoitos caseiros com sabor de
canela cravo nós moscada. Muita conversa e risos e deboches, isso sim!
Sol estrela mais próxima da Terra,
translação. Pangeia milhões de anos luz o supercontinente. Qual o teu clima,
irmão irmã?! É clima tropical, subtropical, semiárido, equatorial, tropical de
altitude, tropical atlântico. A camada
de ozônio afetada pelo cfc, clorofluorcarbono. Chão de calcário feito por milhões
de anos e moluscos peixes corais, quando havia mar aqui mesmo aqui ainda. E
aqui está!
Nem conheci vô e vó como gostaria e
merecia. E nunca os vi ou ouvi. Me falaram me falaram deles e coisa e tal
histórias causos. E as fotografias. Mas nem os conheci mais gordos. Estranho e
eu estranho porque nem estou aí. O mundo e as coisas objetos eram mais do que
eu e nem dependiam independiam de mim.
Vó era genial gênio e nem geniosa, de
poucas palavras e tiradas sérias conclusivas certeiras como soem entender ser os
filósofos(as) de fim de semana. Vô deixava cuidava com esmero das suas unhas
longas dos dedos mindinhos que eram preparadas para coçar os ouvidos e ou
limpar os salões do nariz. Vó curtia homenagear e prestigiar adorar os santos e
santas, uns e outras prediletas e que recomendava enfeitava adoradora
reverenciava: NS Aparecida, Santo Antônio, São Francisco de Assis, Santo
Expedito. Pois os santos(as) procuram e acham a bondade humildade o valor no
sacrifício pessoal; nem se importam e se despojam da boa bonita e cômoda
fortuna. Vô já era mais exagerado exaltado remoqueador e de atitude de
iniciativa; tinha já andado muito e cansara, rengo vertiginoso vertigem quase
como sonâmbulo; encostava na parede respirava fundo vacilava se apoiava no
encosto das cadeiras segurava nos móveis, etc., e ia andava devagar e olhando o
chão o assoalho de parquete. Vó e as mãos cruzadas sossegadas e o corpo
relaxado as feições os olhos quase dormindo cochilando cochilando; as mãos
cruzadas quietamente no regaço no colo; me pegando no colo, upa!... e eu tímido
encabulado constrangido angustiado cheio de pudor. E o carro/cavalinho, nas
suas rodas/pernas de vovó, andava trotando trepidando pelaí ninado acalentado
embalado aconchegado, rom-rom! rom-rom!...
Pois é assim conforme e assim rola a
humanidade moderna contemporânea contemporaníssima velocíssima. A maneira
tradicional humana de se servir dos animais e caçá-los pescá-los e confiná-los
e derrubá-los e comê-los. Rapacidade infamante inconsciente potencial
potenciada. Somos como carnívoros felinos predadores. Manchas líquidas
liquefeitas vermelhas e coágulos sujos encardidos de sangue. À tona do tempo e
ao nível da natureza, garra e focinho, eu me sinto me reconheço me vejo
impróprio para humanos. Seja assim na terra como no céu e amém!
Já minha prima Flor-de-Babado, uma prima
ótima e fofa que estava ali naquele dia glorioso sem glórias, recentemente virou
vegana (palavra trissílaba). E por quê?! Te digo e nem faço de menos nem minto
nem escondo. Caso que ela certo dia me contou confidenciou, e orgulhosa ou
aliviada repaginada. E segundo ela própria em pessoa, estava num restaurante
universitário e se servira de um bom e nutritivo gorduroso transgênico pedaço
de frango feito em série em o aviário. Chegou na mesa coletiva e olhou o prato/bandeja
lotado de diferentes comidas repartidas em porções separadas por produto. Olhou
o peito frito de frango (proteína arfante tostada e pura) e parou. Parou por
quê, minha cara?! Travou dura dura na beleza como um poste de concreto na esquina,
segundo ela. Pensou nos vivíparos que nascem em embriões se desenvolvem desde
dentro do interior das mães progenitoras. Foi se sentindo diferente
constrangida grande ampla e antiga, como uma infalível harpia (pássaro de
garras afiadas, raptora arrebatadora e dona dos ventos tempestades. Vive na
natureza amazônica e quase está em extinção). Viu a si mesma praticando o mal e
um protozoário, e infâmia ignomínia desonra. Se sentiu um ser pior que um bicho
rastejante, jacaré-de-papo-amarelo taraguira tejuguaçu lagarto lagartixa
lagarta-de-vidro iguana camaleão. Se perguntou se indagou se questionou,
duvidou duvidou. Olhou o prato e nem conseguiu mais comer, nem raciocinar nem
respirar. Disse confidenciou pra mim meses depois: diante daquele acontecimento
degradante pra mim, virei vegetariana vegana (palavra importada) imediatamente
e urgentemente e antes tarde que mais tarde. E hoje é vegana (paroxítona) e
recomenda exemplifica relaciona razões. Diz que é feliz feliz giz ajustada e
sorri para os autorretratos manda beijinhos “Brasil nosso aí, oh!” e mostra a
barriguinha trincada reta verão como tábua de passar ferro.
Enfim, praticamos a lei do mais
forte desde os hieróglifos os pergaminhos as letras cuneiformes os códigos
dente por dente e olho por olho as tábuas da lei. As regras de sobrevivência, o
domínio humano sobre a terra e sobre os outros tipos de animais (matéria-prima
sem documentos e sem direito a voto inelegíveis). Foi baseado nisso (nesses
atos ínfimos) e nesse procedimento peculiar e autoritário e impositivo
arrogante (de pouco valor), que se criou (óbvio) a lei natural e macabra da
evolução das espécies.
Olho e vejo, de volta em retorno,
para o interior da memória. Vagueio meu olhar, daqui do fundo no poço do tempo,
por dentro do cenário da matança. Era uma bagunça de carnes retalhadas e
azáfama e pessoas com pressa e todos envolvidos atarefados determinados.
Obedecíamos algo alguém, algo alguém pediu e ou mandou.
O acaso o imponderável, uma miragem
e um dia assustador como aquele, foi o secreto segredo do destino. E todos
esses atos e afazeres se localizaram num dia na casa casarão dos avós. Por
incrível que ainda guardo no escrínio da memória me lembro, um lugar apontado e
bem localizado pra mim. Como se fosse minha culpa. Meu sacrifício. Uma expiação,
purificação. Eu e meu dia o lugar a cidade o país o mundo a galáxia o universo
em expansão. Próximo de acontecer, iminente; pessoa em destaque de relevo que
vai ser alguém na história deste país, eminente. Nem somente eu, mas coisas e
pessoas envolvidas conviventes partícipes.
Com que calma o tempo monitor
monitorando e seus seguidores e seus interpretes chegaram àqueles
acontecimentos. Bem próximos de mim e me envolvendo até o pescoço só a cabeça
de fora para respirar. Que dia! Dia amanheceu e nós todos ali convictos e
rezando para tudo dar certo. Impulsionados por que e nem sei por qual força estranha.
Uma motivação coletiva e imprescindível urgente, antes do inverno chegar. Um
dia marcado no calendário e justificável. Um dia como se nada. E o dia correu
liso plano calçado como se merecêssemos.
Para mim as horas passaram muito
cheias de emoções impressionantes valorosas descabidas. Para os patéticos animais
as horas eram as últimas e derradeiras e mortais fatais. Pra mim e os animais
tudo determinado no tempo no espaço com a força de uma entidade muito mais
forte e potente e grande. De cima para baixo apontando e contando. Sei lá! Dedo
de D. Um dê(d) sonoro de dado, dia, de nada; desde, dente, cidade; duvidado,
dúplex, dubiedade, dotado, donadio, dodrante, dobrado, didução, dedo-de-dama,
dedudo, dadaísmo, dádia, dádiva.
Assim, o dia me chamou muita a
atenção e enfático. Um espanto infantil e um dia desconhecido irreconhecível
irregular. E fiquei o dia todo atento e suplantado, suspendido. Prestigiando a
aventura, vamos dizer. Nem cansei. Um momento, para falar outra palavra, que
nem se pode definir ou desembaraçar ou resolver: indestrinçável, inextricável.
Suspeitoso que desperta suspeita, desconcertante que desorienta.
E antes de me ir e antes de esquecer
e antes de mais nada, outra coisa: as pessoas atualmente unanimemente comem
carne branca vermelha condimentada ao molho pardo. E comem carne assada como
pessoas que comem e comem carne crua como animais que comem, com os dentes
perfeitos e a boca engordurada dedos gordurosos. E com as garras ganas que têm
e com regozijo êxtase prazer gozo se espojando se revolvendo se refestelando e
requintes e copos de cerveja temperos óleos comestíveis condimentos. Esperando
a sobremesa o cafezinho alcançando o palito de dentes e guardanapo bordado com
iniciais. Afastando com a mão satisfeita satisfeitos os talheres louças e
etiquetas de bom comportamento à mesa.
E nem para por assim dizer aí. É no
dia do aniversário de vova, no dia de São Cristóvão (padroeiro da capela do
bairro e protetor dos caminhoneiros e caminhões e viajantes em geral), no dia 7
de Setembro, no natal (nascimento do JC), no fim do ano e bom princípio do novo
ano. Os nascimentos as comemorações e regozijos. Bodas de prata de ouro e
outros metais condutores nem condutores ou utensílios.
Nem comer carne aos domingos é nem
ter a carne de comer nem ter o domingo pra descanso em nome do dia do S. E uns
morrendo e outros vivendo, literal. O nascer viver morrer nascer. Num ciclo
completo serpentina espiral cachorro querendo morder a cauda. Com e sem
indiferença, indiferentemente. Você sabe o que vai acontecer e o que fazer, mas
vale a pena!
Assim eu pergunto e indago: isso é
de D? É generosidade de D. É estação de férias. E nem há punição nem fome, mas
salvação impunidade e apoteose. Nem som ou tom definido, atonal. E há os que
falam comendo e os que nem falam à mesa. E há os que separam direitinho no
prato os alimentos por tipos e espécies ou cores sabores, e os que misturam
tudo porque tudo vai pro mesmo lugar.
Igual aos povos às aldeias e nada
diferente, comendo carne e a alma depois da prece da oração. Para me tornar
mais valente corajoso livre inalcançável. E interestelar e cósmico e que surge
e se vai com o sol. Mais importante que o sol, filho de D.
Como se tivesse passado uma noite em
claro na caverna uma madrugada mal dormida insone no inferno na penitenciária o
pesadelo macabro e pagando por roubos mortes crimes maus tratos maus
procedimentos manobras ilícitas falcatruas maracutaias.
Em vez disso e por fim, passando a
régua, está feita a festa e com carnaval com risos risadas gargalhadas e
brincadeiras vivas e o ideal. A festança do ventre forrado da barriga cheia da
pança gorda dos bofes nutridos ensebados, das piadas e anedotas deboches,
quando nem os despiques. Onde eu entrei e nem queria mais sair. Onde se viu! Um
país pleno de cervejarias cervejeiros rodízios vozes pães e saladas. E em coro
uníssono, machos e fêmeas separados (bebendo bêbados bebuns, parecendo galo
galinha burro bode porco peru, glugluglu!...) e entoando cantando espantando os
cachorros pra baixo da mesa, a cima a bajo a frente a dentro!
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Olhe pra você ver um minuto!
Os imigrantes alemães começaram a chegar
aportar no Rio Grande do Sul em 1824. Antes em São Leopoldo, região do vale dos
Sinos, junto de Porto Alegre. A maioria artesãos da metalurgia têxtil comércio
ceramistas, marceneiros pedreiros alfaiates sapateiros caixeiros-viajantes
oleiros e outros ofícios carreiras profissões afazeres trabalhos negócios e
empreendimentos.
Por volta de 1874, depois de várias
vindas levas de imigrantes, já havia mais de 16 mil novos oriundos. Fugiam
exatamente da pobreza e falta de emprego na Europa. E a população já residente
aqui aumentara muito e rapidamente, com 5 a 6 filhos em média cada família.
Sempre ao redor cerca próximos dos vales se expandindo sem parar aproveitando a
navegação pelos rios Caí e Taquari e Pardo e Pardinho e Sinos e Jacuí. Muitas colônias assentamentos
enfrentavam dificuldades de toda ordem ou permaneciam com a economia estagnada
de subsistência.
Os alemães que chegaram em Nova Prata
eram católicos ou luteranos (protestantes). Estes últimos eram pomeranos. Então
a religião dizia muito da origem de cada grupo vindo da Alemanha.
Os casamentos eram preferencialmente
da mesma etnia (no caso, tinha que ser alemã). Famílias alemãs em NP, que
vieram na primeira leva: Pletsch (família da minha avó Augusta), Schneider,
Klein, Fischer, Gnadt, Lotz, Krüger e outras. De Nova Prata até Montenegro o
transporte era no dorso de cavalos ou burros (nem mesmo carroças trafegavam) e
de lá pra Porto Alegre via fluvial. Dos que chegaram a NP, muitos deles vieram
da cidade alemã chamada Darmstadt (Darmestádio, Estado de Hesse), região
sudoeste, Rheinland-Ptalz ou România-Platinado. A cidade de Darmstadt fica
(como referência) ao sul de Frankfurt e tem atualmente hoje em dia 150.000
habitantes.
Na linha 5ª, em 1942, fundou-se a
capela dedicada aos Três Mártires Rio-grandenses. Esses mártires eram jesuítas
espanhóis que estavam em missão na região do Estado do Rio Grande do Sul (na
época colônia espanhola) e por volta de 1628. Eram os padres Roque González,
Afonso Rodrigues, João Castilhos.
Esses padres foram mortos por índios
revoltados com a presença de estranhos em suas terras. Em 1934 (sempre de
acordo com os relatos colhidos em pesquisas na internet), o papa Pio XI
declarou a beatificação dos três mártires das missões. E em 1988, o papa João
Paulo II os canonizou e os declarou santos. No lugar das mortes há um santuário
onde o povo peregrino faz homenagens, Santuário do Caaró (caaró em tupi-guarani
é erva amarga). E se localiza exatamente no município de Caibaté-rs (caibaté em
tupi-guarani é mato em lugar elevado), região missioneira.
Os sócios fundadores da capela, já mencionada
- misturados aos alemães (alguns luteranos) os poloneses e italianos ali
instalados -, e que doaram madeiras pedras dinheiro serviços em mutirão, foram
os Grizon e Ghering e Loch e Simion e Busatto e Ghidolin e Francisco Licks
(nosso avô).
Filhos de Francisco e Augusta (na foto
que anda por aí em mãos de parentes): Alzírico, Maria, Silfredo, Pedro, Luís,
Rodolfo, Neolindo, Adolfo, Valdemar, Lindolfo, Laide e Eliria, (nem necessariamente
em ordem de chegada ao mundo e ao planeta e em a família).
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Tem muita lenda e tantas falas e controvérsias
e causos a respeito do nosso avô Francisco, também da nossa vova Augusta. Tudo
todos fazem por torná-lo um herói diferenciado empedernido quase mitológico
universal. E ele ia, segundo consta, facilmente do altruísmo mais desprendido e
generoso e voluntário ao egoísmo egocentrismo egocêntrico exigente doentio
vingativo irado. Era o cacique da área da região, armado e destemido e mandão.
Meu avô nosso vovo, era o contrário
daquele metido na política que dizia se diz: “Haja governo, eu sou contra!”
Nada disso e nem falar, ele sempre gostava do governo e o aprovava e o bem
dizia. Ou seja, até onde fui e até onde cheguei nas investigações, vovô era de
direita moderado e convicto. Tipo assim: o governo é que tem razão e sabe o que
deve ou nem ser feito. E apostava no governo governante, nomeado ou eleito.
Queria o governo, fosse de beltrano ou sicrano ou fulano. Jogava todas as fichas
nos governos de personalidade autoritários mandachuvas.
Lembro dele e muito sim senhor (
cacoete do pigarro e língua sempre na mania enfiando espetando o buraco do
dente na frente e embaixo que faltava), torcendo muito e aguardando com alegria
e falando com muito entusiasmo da estrada que passaria por suas terras.
Passaria, e passou mesmo, por suas terras pelo potreiro bem debaixo do seu
nariz. Agora me pergunto, ele estava vivo ou já havia se retirado quando a
estrada (hoje BR-470) aconteceu realmente foi inaugurada? Aquela profusão de
máquinas maquinário tratores patrolas carros fora de estrada gigantes marcianos
barulhentos amarelos, indo e vindo desbarrancando aterrando socando a terra
vermelha.
Quando a estrada foi aberta e
asfaltada, minha família (eu meus irmãos meus pais) já nem estávamos mais
morando na aba nas terras de avô. Ainda no bairro São Cristóvão, mas um pouco
afastados uns 200 metros. E vovó (uma velha senhora de óculos grandes e pesados
sorriso sempre alerta) também estava já desaparecida, ela que fora se retirara
se retirando muito antes. Demorava pra se levantar na manhã e se queixava ao
andar se sentar, ãaah! ãaah!... do calor do frio do ruído dos autos na rua.
Me
contaram que o nosso desligamento separação afastamento foi um pouco difícil e
meio controverso. Estava meu pai fazendo uma pequena garagem para seu
fusquinha, quando vô desceu lá do casarão e (a modo de quem ia para a bodega/armazém
tomar um trago ou simplesmente papear prosear passear) parou ali na beira do
lote e falara: “Você me pediu autorização e licença para a garagem? Nem tô
lembrando, hein?!” E seguiu seu caminho seu rumo pela descalçada rua Itália,
trecho ainda ladeado de potreiros pequenas hortas estrebarias pra vacas
leiteiras galinheiros de galinhas caipiras chiqueirinhos pra porcos. E o velho
ia em busca do seu chináps (como ele dizia, às vezes rindo outras nem tanto
falando sério), água-que-gato-nem-bebe, alicate, lisa, birinata, café-branco,
tiúba, caianarana, dindinha, mindubinha, supupara, virge, zuninga, tome-juízo,
cachorro-de-engenheiro, acuicui.
Assim sendo e constando nos anais da
minha particular família, nos mudamos de mala e cuia para uma casa de aluguel a
uma quadra dali. E foi melhor assim (embora pagando aluguel), pois tinha água
encanada, calçamento na rua e estrada Buarque de Macedo, luz elétrica e
vizinhos novos e mais próximos vizinhos de cerquinha (vizinhos com filhas
interessantes interessadas). E pudemos comprar uma tevê (a primeira foi mesmo
em pb), sonho de consumo do mundo inteiro naquela altura da história.
Principalmente nem ia mais incomodar vizinhos e parentes para ver tevê copa do
mundo seriados desenhos animados (meu entretenimento lazer favorito meu vício
minha loucura predileção perdição, naquele então da idade).
Sim, isso mesmo e mais. O velho vô
era ácido quando queria e teve alguém a quem aquém puxar. Era sem papas na
língua, mandão autoritário prepotente chefão aspão. (O mesmo nosso bisavô Pedro
era muito terrível. Meu primo - este que cuida dos documentários da família,
das fotos - já me avisara uma vez: “Penses tu num homem bravo... e terás esse
tal e qual nosso bisavô Pedro.”) Meus pais ficaram os anos seguintes sem visitar
o vovo, até seu desaparecimento. Os parentes que frequentavam ambas as casas,
diziam que ele tinha se arrependido ou pelo menos levado na esportiva o
episódio e nem era para tanto. Queriam e torciam para a reaproximação e coisa e
tal. Todavia meus pais ficaram irredutíveis e teimando.
Menos nós, eu e meus irmãos, que
éramos muito pequenos e nem sabíamos o que estava acontecendo. Nós três irmãos
seguíamos nossa rotina de arteiros. As Formigas (insetos himenópteros da
família dos formicídios, com várias espécie pelo B: formiga-caiapó,
formiga-cortadeira, saúva, içaúba, picadeira, formiga-carregadeira), apelido
generoso ou menos generoso que avô nos atochou rifou colou, depredadoras
depredadores das hordas. E antes de frequentarmos a escola, andamos rondamos
por todo o bairro a redondeza em geral atrás de aventuras. Sendo que algumas
vizinhas senhoras vizinhos senhores nem concordavam com essas e outras
traquinagens, é.
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Por que tudo isso? Pensando nisso e
indo além, por quê?! A matéria do nada. Eclipse solar na lua nova ou lua cheia,
a lua entre nós a terra e o sol. O ônus e o plural de bônus.
E mesmo interrogando ou mesmo sem as
respostas ótimas oportunas, o mundo continua e está gritando por definições
conclusões verdades razões. E tudo se repete, o mundo se repetindo. E se
multiplicando dentro dos regulamentos naturais e ou civilizados. Se você nem
acredita, pois olhe e te digo e veja e acompanhe o meu raciocínio: São Luís do
Quitunde, Flexeiros, Barra de Santo Antônio, Passo de Camaragibe, Matriz de Camaragibe,
Joaquim Gomes, Paripueira, Divino das Laranjeiras, Sardoá. Assim ali como cá e
aqui acolá em todo lugá!
Dentro do mesmo mundo, a experiência
de preenchê-lo e se preencher é muito estranha. E isso todo dia. Nem temos a
garantia, embora uns e outros seguem seguimos seguiremos de carro de navio a pé
de mecânico de caminhões de cientista de medicina de matemático de estatístico
de pesquisador sanitário de atleta de alto rendimento de executivo de empresa
de alimentos de arquiteto-paisagista de produtor rural em Canoinhas, Três
Barras, Major Vieira, Bela Vista do Toldo, Timbó Grande, Irinópolis, São Mateus
do Sul, Paula Freitas, Paulo Frontin.
O que eu queria? O que eu quero
sempre nessas horas de tensão? Ora, o que fui aprendendo a querer! O que fui
ensinado a querer e reivindicar e buscar. Seja em que campo for. Seduzido pelo
movimento em si mesmo, pela natureza exuberante, pela chuva que D manda, pelo
caminho interminável, pela menina que sorri e me olha. As 4 válvulas do coração
humano: válvula mitral e aórtica do lado esquerdo, válvula tricúspide e
pulmonar do lado direito.
Enfim eu estava realmente existindo
e convicto e abraçado na causa e por mim mesmo. Aqui e ainda, completamente, eu
sempre estive assim. O aprazível que apraz, que tem gosto e aspecto agradável e
causa um ameno prazer.
O mundo se reinventando se cuidando
se olhando como uma gata olha os seus gatinhos, miau! miau!... e se lambendo
como uma vaca lambe o terneiro, meeeé! meeeé!... e como ensina a nadar a baleia
ao seu filhote de mil toneladas, tchibum!...
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Agora eu vou para dentro da casa do
casarão dos avós. Uma casa para morar uma família enorme e próspera. Mas
moravam vô e vó mais uma parente que cuidava deles nessa alta idade
terceiríssima idade. Esta parente morou ali com os avós até que a avó
desaparecesse. Depois veio uma outra família de parentes (casal com duas
crianças) para ficar com o vovo. E moraram com avô até o ocaso desistência
deste. Eram parentes gente próxima da família e que recebiam obtinham
resultados pelos cuidados ao velho.
Eu e meus pais meus irmãos morávamos
ali pertinho pertinho nas terras do vô, morrinho abaixo e uns 100 metros, até
que houve a tal desconversação controvérsia. A vó já estava desaparecida, por
essa altura. Como já disse em outra parte, quando vó sumiu toda a vida da
família como grande família também minguou escasseou desagregou despedaçou
acabou. Parou tudo e cada um foi seguir seu particular caminho. Interrompeu-se
tudo. E nunca mais fomos os mesmos. Ou pelo menos, nunca mais nos encontramos
de novo. Alguma exceção excepcionalmente excentricamente em a hora do adeus e
além, coisa e tal, amém!
Pois o que eu me lembro do tempo dos
avós - as tosses os resfriados dores de garganta de cabeça terçóis (terçol ou
hordéolo infecção na pálpebra, vem e vai em alguns poucos dias), receio de
envelhecer (gerascofobia) -, é da minha relação com eles (o tempo que mais me
vem à memória), o tempo que ainda existia a vova. Os dois velhos se arrastando
pela cozinha ampla cozinhando algo ou preparando o chimarrão. O vô era muito do
chimarrão, de manhã pela tarde depois da sexta pela noitinha. E almoçava
somente carne, um bifão e mais nada. Carne pura e um palmo de pura carne de
gado. Vovó comia outras coisas e diversificava. Tomava café em vez de
chimarrão, por exemplo. Adorava e era muito fã da História do B e me dizia as
suas preferidas preferências preferenciais e na frente de outras: as capitanias
hereditárias e os donatários, o ciclo da borracha, ciclo do açúcar, ciclo do
café, guerra guaranítica, a soldado Maria Quitéria de Jesus na guerra da
independência.
E a que se dedicavam, no fim e ao cabo
das contas dos anos da idade, essas figuras incríveis? Avó se dedicava a nós,
os netos netas e noras e parentes em geral que iam lhe visitar. Sempre
encontravam boa vontade e coisa doce pra comer nas 4h da tarde, infalivelmente.
Avô se dedicava a tomar chimarrão, ali sentado na cadeirinha petiça, e a
chaleira de ferro pelando de quente á mão. Profissionalmente... bem, tinha
sempre uma colônia pra negociar e o dinheiro no banco continuar rendendo. Um
pedaço de terra pra arredar alugar e tirar um valor a mais uns cobres fundos
chinfres caroços parnaus tustos jabaculês felpas roços bagalhoças caliques.
Sendo que assim era e foi.
Tenho de contar esta, por favor! Um
dia, num dos cômodos da casa, acho que foi na sala de estar das visitas,
preguei um susto no vô, huuuu!... O velho quase caiu no chão e se escorou na
parede, coitado! Minha avó deu risada, ahahah!... e eu achei superengraçado e
mesmo digno de nota. Meu avô nem tanto, eu acho. Só que nem! Ao chegar em casa
(a cem metros do casarão, e para dar a nota a notar), contei pra minha mãe e
ela me repreendeu. Ué!, se a vó gostou e mesmo me deu os parabéns, o que foi
então que nem era bom e perfeitamente legal? Me perguntei, questionei.
No mais das vezes eu subia ali no
casarão para vê-los e ficar com eles no ócio lá deles e etc. Vô sentado ali na
área sua plataforma em a cadeira móvel olhando a distância o bairro a rua Itália
a serraria o aeródromo, quiçá o passado. Tinha o Avião que lhes fazia
companhia, sempre aos pés principalmente de vovô. Aliás, por que Avião? Me
conta e me diga!
Caso era e foi que perto dali, longe
um olhar comprido e uns mil metros ou algo assim, tinha e há um aeródromo. Que
se via perfeitamente da varanda da casa do vô. E volta e meia, embora a cidade
de NP nem merecia tanto movimento aéreo, apareciam no campo da aviação sim os
teco-tecos que pousavam dormiam moravam e iam embora no dia seguinte. Nós
chamávamos campo de aviação e os entendidos de aeródromo. Era na época um
terrão vermelho rodeado de potreiros e matinhos e ou capoeiras. Nem havia
cercas terra de ninguém lugar de corrida carreira de cavalos cancha reta
deserto.
E assim, a gente conhecia e
reconhecia os voos interessantíssimos dos aviões. Surgiam do nada e era aquele
deus nos acuda de barulhão estrondando pelo ar. Uma alegria, também. E
corríamos ver a máquina de perto. Uma maravilha! Como pode um objeto voar e mais
pesado que o ar. Nem cai, como se equilibra, anda e vai e voa com que força.
Quando teve mesmo uma inauguração do
aeródromo campo de aviação, apareceram muitos milhares e muitos aviões. Foi
mesmo. Foram mais de 200. Nem contei nem deu pra contar, eu nem ia na escola,
mas com certeza eram mais de 100, talvez uns 60 e com absoluta humildade assim
por baixo de baixo pra cima e mais de 150. Que chegavam davam uma volta no ar e
iam embora. Outros davam rasantes e voltas e círculos e piruetas
extraordinárias temerárias suicidas inimagináveis e pousavam para que o povo
batesse palmas assobiasse vivasse cumprimentasse. Levantavam uma poeira uma
nuvem fechada que esta eu me recordo sinceramente de olhos entupidos. Pilotos
vestidos de piloto e diretamente naturais originais de distantes plagas e
rincões e cidades distintas procedências procedentes: Governador Valadares, São
Geraldo da Piedade, Santa Efigênia de Minas, Coroaci, Marilac, Mathias Lobato,
Frei Inocêncio, Jampruca, Nova Mônica, São Félix de Minas, Galileia, Alpercata,
Fernandes Tourinho, Tumiritinga, Açucena, Periquito. Outros lugares nem
decorei, que eu era menino e nem podia erguer a cauda de peixe leve leve dos
bichos máquinas voadoras aeronaves barulhentas incríveis fascinantes
inesquecíveis interplanetárias intergovernamentais superestimadas
hiper-requintadas pan-americanas ultra-aquecidas transcontinentais
anti-imperialistas. Meus amigos até tentaram se esforçaram forcejaram, eu nem
me meti nessas gauchadas de machochô.
E o que dizer que era coisa muito
fantástica e do outro mundo. De onde vinham e para quê, esses aviões? Máquinas
voadoras e com nomes próprios, coisa inédita para mim: Caracará!, Zebra de
Aço!, Pirata do Céu!, Arribação!, Canarinho!, Milongueiro!, Latino!,
Gavião-Real!, Mariposa-Espelho (minha mãe diz farfalha para mariposa. E
farfalha é vozerio ou coisa insignificante bagatela. Então, nem vejo a relação
literal de sentido significado ou de onde ela tirou isso, ué!), Predileto!,
Trovão-dos-Ares!, Guiratã!, Senta a Pua! Os pilotos nas cabines ou em terra,
eram seres artistas homens especiais astros sacerdotes. Quem nem queria ser
piloto e pilotar os aviões, rooooom!... E apareceu de aí e foi dali e da festa
impressionante, que aterrissou a ideia a lembrança de nomear o cachorro recém-vindo
comprado adquirido novinho em folha pelo vô. Um cão veloz e rápido contente
sempre alerta (quando nem estava dormitando cochilando ao pé do dono -
melatonina que é responsável pelo sono diretamente do cérebro) e leal
condescendente pacífico com os amigos os netos um Avião (o pelo coalhado de
manchas grandes em pretas e brancas e amarelas).
O vovo (que nem era metido a facão
sem cabo, aliás um polímata - pessoa que sabe muito e de tudo um tanto e embora
sem exagero) me perguntou ou nos perguntou, eu e meus irmãos que estávamos
sempre por ali no casarão enchendo os tubos: “Que nome vamos dar ao cachorrinho,
hum?!...” Alguém falou, eu falei imediatamente: Avião! E foi aprovado pela
autoridade competente, pegou e assim ficou nosso cachorro do avô nomeado
devidamente batizado de: Avião! E era chamá-lo que levantava as orelhas. Era
dócil manso tranquilo acomodado atento vigilante e, prazerosamente
conscientemente espertamente risonhamente, junto aos garrões calcanhares do vô.
Um momento depois me recordo do
velho vovo tomando chimarrão na área varanda. Sentado na cadeira de pernas
serradas a petiça (para alcançar a chaleira) ou a de balanço (quando para tirar
uma soneca). E o Avião a seus pés do outro lado longe da água quente assim
também nós: “Nem vem que tá quente, guri!” Bebia seu chima muito muito quente
pelando, a tampa da chaleira chegava fazia balançar tagarelar rebater, taráaa-tatatá!...
de tanto vapor quente e quentíssimo muito.
E a vova sentava do lado, na outra
cadeira de balanço (nem sei se era igual ou uma cadeira comum fixa), e também
bebia chimarrão ou menos. Acho que bebia menos chimarrão que vô. Minha vó nossa
vova tinha amor e predileção pelas plantas medicinais e gostava de muito chá
pra todo tipo de problema. Nem havia chá de remédio no mundo que nunca nem
tivesse conhecimento e feito tratamento. E conhecia e plantava em vasos
espalhados pela casa área ou nos canteiros do jardim. Generosamente fornecia
para os que a visitavam, esclarecia orientava presenteava trocava recebia e
mandava buscar. Um sem-número de ervas curativas flores folhas sementes raízes
cascas brotos talos. Nós ainda garotos, na pré-história da vida e inesquecível,
saíamos bem de manhã na sexta-feira santa (crenças religiosas), o orvalho ainda
nem evaporara da planta (que era muito importante), para colher a egletes
viscosa (da família das compostas) pelos barrancos de beira da estrada do
caminho. A macela-da-terra (que ajuda muito na digestão boa para o estômago e
outros distúrbios), ou macela-do-campo ou macela-do-sertão ou losna-do-mato.
Todo um preparo um ritual de colheita dia hora e secagem para que o chá e ou
remédio realmente funcionasse com propriedades curativas fizesse efeito de
verdade. Era divertido então um acontecimento uma festa e participavam
realmente a família os vizinhos os conhecidos da rua Itália. E mesmo mais as
seguintes plantas para todos os males e sequelas (físicos ou psicológicos),
babosa (cicatrizante), assa-peixe (combate a tosse e a rouquidão), beldroega
(inflamação dos olhos), broto de goiabeira-do-mato (para anular a diarreia),
cipó-de-cobra (contra mordedura de cobra), espinheira-santa (boa e ótima como analgésico),
funcho (também para a digestão), girassol (dor de cabeça), guaçatonga (anti-inflamatório
e cicatrizante das feridas da pele) e camomila (plantinha de flor aromática e
cheiro agradável cheirosa para usar na roupa no travesseiro), cabelo de milho
excelente para os rins.
Mas os velhos aproveitavam as tardes
olhando o infinito do bairro ali de cima do morro ótimo ponto de vista
trampolim. Poucas casas na vizinhança naquela altura de campeonato. A rua
Itália (poeira nos dias secos e barro lama atoleiro nos dias de água da chuva),
a serraria dos fulano (especializada em cortar e beneficiar madeira de
araucária e ou outras árvores nobres e de lei) fazendo limites com o potreiro
do avô, o aeródromo (descascado ao sol, terrão vermelho), e muito mato capoeira
potreiros banhados dos conhecidos vizinhos os beltrano os sicrano, os gringo,
os polaco. Do outro lado da rua (e pela esquerda de quem olha da plataforma de
vovo), poucos metros da casa, o pinheiral onde no inverno íamos catar pinhão
pelo chão entre as grimpas secas caídas. Era muito pinhão, meu! E muitos
periquitos-reis periquitos-ricos periquitos-verdadeiros ou gralhas-azuis ou
curicacas que passavam por ali comendo (e comentando gritando palrando piando)
pinhão a dar com pau e fartura dos pinhões. Pegávamos toda manhã bem cedo,
antes dos animais das vacas, e corríamos pegar os pinhões caídos. Enchíamos um
saquinho plástico desses de açúcar cinco quilos. Esse pinhal que recordo é o
mesmo que ainda está hoje ali, à beira da estrada e cheio de aves arrulhadoras
chilreadoras gralhadoras palradoras. Tá entendendo, amigo e amiga?! Tá ligado,
meu caro e minha cara?! Confere, minha gente!...
Tenho em minhas mãos uma foto de
aniversário de vó. Na mesa, servida ao ar livre atrás da cisterna, vovo e vova
com as demais convidadas(os). O detalhe que era aniversário de vó e estavam ali
todas as mulheres, as minhas tias e esposas dos meus tios. E uma penca de
filhotes correspondentes a cada tia. Eu pouco existia, tem foto no colo de mãe,
que eu tinha 6 meses. Onde eu estou que nem me vejo nesta foto de família?!,
perguntei. Me responderam que eu devia estar dormindo em algum lugar por ali
num berço no colo de alguém, pois eu era muito bonito e querido e sossegado.
Vó muito apreciava ler biografias
histórias hagiografias de santos(as) e as lendárias exemplares heroicas sagradas,
que narrava a própria Bíblia. Cada história com uma figura na introdução
ilustração e pra início de relato. O antigo testamento era história pra mais de
metro. Ler as passagens mais conhecidas e emblemáticas. Ela tinha um livro
compilado resumido com essas fábulas façanhas. Entre as escolhidas, no livro de
capa dura, aquelas de sempre: A arca de Noé e o dilúvio (pares de bichos
terrestres e bichos enormes ou nem, entrando em fila indiana no navio de
madeira enjanelado e exemplos: o cavalo e a égua, o elefante e a elefanta, o
perdigão e a perdiz, o leitão e a leitoa, o tigre e a tigresa, o cão e a
cadela, a onça macho e a onça fêmea, o bode e a cabra), o Sansão (quase quase o
Hércules) e a Dalila, o Davi (com a funda ou a atiradeira ou o estilingue ou o
bodoque) e o Golias, Daniel na cova dos leões e leoas, a passagem do mar
Vermelho, os dez mandamentos ou decálogo (escritos em 2 tábuas de pedra). E
contava comigo para ouvi-la? Narrava pra mim? Lia alto e me olhava rapidamente
ao fim de cada parágrafo. Eu preferia curiosar curiosear ficar com as histórias
dos animais e a arca de Noé era um prato cheio, vamos contar assim!
Na verdade este compêndio (de umas
300 páginas) veio parar e chegar chegou até minhas mãos meus dias recolhido
como despojo relíquia espólio herança na partilha partilhado do inventário
(entre os herdeiros ou legatários filhos filhas netos(as) dos desaparecidos). E
foi que vi meu pai ler e foi que aconteceu de ser um dos primeiros livros que
li e reli (trocentas vezes em um ano dois anos três anos, logo logo que aprendi
aprendia a ler e a ver as figuras desenhadas em ponta bico de pena). E parece
pouco, mas foi muito! E parece tarde, mas foi ontem! E parece eterno, mas foi
mágico! E parece sonho, porém existe!
Enquanto vó (que já nos anos
derradeiros sofria de misofonia, alta sensibilidade aos sons) era e estava
sempre interessada nas noras netos e famílias em geral, vô era mais reservado
direto firme nas suas teimas estoico impaciente. Vó nem saía de casa e por
nada; as noras é que iam até ela. Avô ia no máximo até a bodega; talvez beber
um trago (schnaps, chinaps!) e com certeza bater-papo prosear contar vantagens.
Mesmo porque o vô (vovo e vova, sem acento como chamávamos na nossa linguagem
familiar) também nem era de jogar cartas transtorno ludopatia mania hábito
vício. E cada um com seu bê-á-bá abecedário decreto-lei arco-íris bem-me-quer
abre-latas auto-hipnose.
Um era acumulador compulsivo, outra
acumuladora impulsiva. E o porão (2 etapas no tempo - durante a estada dos meus
avós e depois) cheio de objetos escombros: copos e garrafas de muitos tipos
vinhos e cachaças, frascos de remédio e de perfumes, louças e cerâmicas e potes
de vários tamanhos finalidades e travessas, espelhos cobertos com lençol para
que os fantasmas nem voltassem a assombrar os vivos, bisnagas de pasta de dente,
couros de animais e curtindo estaqueados pendentes das traves. Um zoológico de
pequenos animais, baratas e aranhas e escorpiões e centopeias e lacraias e
ratos (muitos ratos correndo fugindo pelos caibros e desvãos) e mais os
bichinhos miniaturizados indistintos como pulgas percevejos vermes minhocas.
Sim, e agora lembro perfeitamente como
se fosse hoje: vó tinha um gato pedrês carijó malhado branco e preto (que se
chamava? Poderiam ser estes os nomes: o Marajá a Juma ou Pituba. Era gata ou
gato? Um gato xadrez, quer que te conte outra vez?!) e ele aparentava sempre
opulento obeso gordo bebendo leite no pires (o seu imc - índice de massa
corporal - estava sempre acima de 30). E o felino reinava na casa e miava,
miaaaau!... com pachorra pachorrento e ainda tinha autorização para ir e vir
descer e subir a escada caracol da despensa pegada na cozinha.
Porão o lugar de sobras e restos de construções,
tijolos e telhas e lajes de basalto, pilhas de sarrafos madeiras costaneiras
tábuas beneficiadas ou nem; produtos friáveis, insetos xilófagos cupins
comedores arrasadores da madeira de tecido de couro. Um lento acúmulo
empilhamento acumulado ao longo dos séculos e séculos. Tinha que ser um inferno
um sarcófago um mausoléu uma comédia uma folia um resto de carnaval. Mesas e
cadeiras carecendo de uma perna ou duas, armário sem a porta ou com a porta
destroncada, cristaleira sem os cristais, porta-retratos sem os retratos,
apetrechos de montaria, canga de bois, guarda-chuvas negros e rotos, calçados
sem um pé ou de um pé só, porta-chapéus, brinquedos e bonecas e bonecos
desmembrados descabeçados.
Vó e os milagres de JC. Seu mote
preferido e mais alguns deles: “Fazer o bem sem olhar a quem!” “Se pode viver
sem ouro, mas nem sem pão!” “Nunca diga desta água nem beberei!” “Nunca diga
nunca ou jamais!” “O que se sabe e o que se pode!” “Quem vai à Roma eterna e
nem vê o Papa, quase nem conhece Roma!” “Muitos os que abandonam tudo luxos
fortunas tesouros realidade e procuram D!”
Vovô estava sempre procurando a
autorreflexão ensimesmado (ora olhando as mãos ora olhando os pés ora olhando
as nuvens); viajando pelo interior de seus pensamentos e recordações,
procurando resgatar atualizar na ideia na mente um caso dois casos. E outros
causos com umas mulheres solteiras ou viúvas ou abandonadas entre os seus
agregados (muito já se insinuou sobre uns episódios dele com umas moradoras
namoradas lá em suas terras, a Teresinha Maria de Jesus ou a Hermelinda Cotecá;
o livro de registro das suas contas de débito e crédito das carnes e couros e
madeiras, propriedades colônias hectares.
A avó com suas referências bíblicas; avô
com suas anotações políticas: Jânio da Silva Quadros foi o 22º presidente e
governou de 31-01 a 25-08-1961, quando renunciou; e geográficas e logísticas -
conhecidas hoje em dia como: Nova Bassano, Paraí, Nova Araçá, Veranópolis,
Guaporé, Protásio Alves, Antônio Prado, Vista Alegre do Prata, Lagoa Vermelha,
Guabiju, André da Rocha, São Jorge, Vila Flores, Fagundes Varela, Cotiporã. Por
menos e mais em essas bandas quebradas andou a cavalo procurando negociantes
negociadores negócios negociar. Os atributos as qualidades positivas atrativos
de cada qual, tal e qual. Sempre tinham uma boa palavra para mim e meus
primos(as) os netos(as) e assim por diante recomendações dizeres sermões
ditados, faísca ruína coronel bacharel claraboia tipoia autoestrada minissaia
erupção.
Se eu quiser lembro nitidamente as
correrias, recupero as brincadeiras de esconde-esconde com os parentes
primas(os) pelo amplo pátio do casarão. E quero, embora desorganizadamente
desordenadamente afobadamente. E durante os dias, durante horas. Horas de sorte
grande loteria muita alegria e satisfação e graça. Sempre que o tempo passa ele
é muito que engraçado, nem é?!
Vovo e vova tinham linguagem
diferentes e ou especiais especializadas. E que nem lembro mais os detalhes, os
fios e pavios. Mas um era mais distante, a outra mais fofa meiga interessada
prestativa parceira. Mas nem lembro com detalhes. Eram diferentes no trato no
tratar. Vó com o jardim de flores ervas curativas em canteiros protegidos rodeados
de meia telha. Os alemães em geral gostam de plantas e suas casas sempre têm os
jardins cultivados e flores de todo tipo e origens folhagens ornamentais,
margaridas-amarelas ou malmequeres-amarelos, rosas de todo feitio, camélias,
cravos de muitas cores, cravinas-do-campo, sempre-vivas-da-serra, sensitivas ou
malícias-de-mulher, buganvílias ou três-marias ou primaveras ou rosas-do-mato,
jetiranas ou mata-me-embora, cristas-de-galo ou bredos-de-espinho,
amores-crescidos, amores-do-campo, açucenas-do-campo, manjeronas-do-campo,
alfazemas-bravas, rosmaninho, os cactos e xiquexiques mandacarus coroas-de-frade.
Vô sempre ligado mais aos animais,
gostava do seu cachorro Avião (uma vez me disse uma coisa séria triste e muito
bravo, passado de irado, exaltado e praticamente furibundo: “O Avião foi atrás
de perseguir o carro na estrada e o auto pegou ele, é! O Avião foi atropelado
por aquele filho de uma ronca e fuça, é! Isso é o fim do mundo, é!” E foi
desabafando, emocionado lacrimejando pela perda do seu cão mascote preferido
companheiro seguidor incondicional, etc. “Mas D tá vendo, entende?!” Foi um
baque uma bomba um golpe. E olha, meu! O auto levara o Avião e agora nem nunca
mais. Nem teve mais cachorro, e isso até desaparecer ele vovo mesmo também. Eu
nem pude acreditar, meu! Fui lá ver a cena do crime e nem vi nada. Tinham
carregado escondido o Avião. Era mais ou menos por aí, no topo do morrinho. Ali
onde ele costumava apostar carreira e latindo. O Avião, e seu sorriso de cauda
balançando e olhar atento.
Ainda morávamos na terra de vô,
quando aconteceu a mais alta das nevascas de todos os tempos por estas bandas
neste mundo que conheço. Talvez e se nem me engano, por volta de 1963. Então eu
tinha quê... uns 4 anos de tenra idade? É isso?! Foi um inverno no ápice no
auge e uma neve inédita até hoje. Fazíamos rastos no chão indo e voltando de
algum lugar. Tinha um rasto longo (na manhã bem cedo, inusitada) até a fonte no
poço da vizinha aonde buscávamos água para beber para cozinhar e mãe lavava a
roupa. O tanque de água corrente e o quaradouro cercado de arame farpado pros
animais nem entrar. Era um mundo muito todo branco, incrível e nunca visto por
estas terras e plagas e pagos e rincões e querências. Frio sempre acontecia,
mas com tanta neve nem nunca mais. Nunca mais vi tanta neve igual, neve neve mesmo,
meu!
Mas por que vó e vô? Auspícios bons
e presságios. Por que nem eles. Por que nem eu e eles. E a fala do velho ouvida
também do vô materno (o nono Fioravante): “Aqui mando eu!” “Quá comando mi!” E
as avós, vova e nona, sempre foram ótimas pessoas e em tudo. Chegávamos perto,
eu irmãos primos(as), tínhamos sempre um doce nem faltava nunca nunca jamais de
maneira nenhuma um bolo de coco uma cuca uma torta uma bolacha caseira feita na
hora pudim pão de ló papo de anjo umas cuecas-viradas sagu creme de leite pão
de forno barrado de marmelada pastéis de queijo rapaduras pés de moleque
amendoins torrados. E a gente sabia. E aparecia aí pelas 10h (depois das
brincadeiras e aventuras e arteirices) porque sabia e era gostoso e era servido
sem cerimônias sem perguntas e ou muito antes pelo contrário. Era um prazer (de
ambas as partes). Porque vó Augusta e ou nona Amélia é vó e ou nona, é!
Quanto tempo, em? E o tempo um
tempão. Camadas e camadas de arqueologia. Seriam toneladas sobre toneladas. A
pré-história, idade antiga, idade média, idade moderna, idade contemporânea.
Escombros sobre escombros, construções sobre construções. O rasto as pisadas em
supinadas neutras e pronadas. E séculos e séculos, amém! Dados históricos sobre
eles mesmos. A era do cobre do ferro do carvão do manganês do estanho. A
extinção dos dinos. Lá no horizonte a idade da pedra polida ou neolítico. A idade
era do gelo. Etapa no tempo do alfabeto latino os números romanos: I, V, X, L,
C, D, M. O sol que aparece no leste e desaparece no oeste. Colônia império
república. Mistura contra mistura. A revolta e a revolução e a revolução da
revolução e a contrarrevolução.
E avancei avanço mais um tanto um
tento um pouco um passo em o espaço.
É o que tinha e é o que temos pra
hoje, assim!
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