O Mundo Era Pequeno Porque
Maior Que Hoje
A
noite e a aula à noite nem eram os meus próprios fortes apropriados. Aula nem
era o meu fraco para ser o meu forte? E o forte Duque de Caxias, fortaleza de
Santa Cruz da Barra, fortaleza de São João...
Eu divagava
com lerdeza. Esperneava a mente para onde por sobre por onde. Comparava preços.
Pescava em plena aula. Ficava preocupado com as conversas paralelas, as
piadinhas, o ar das meninas, o talhe das gurias, a ideia de família das minas. Ficava
ouvindo e olhando o mais fácil. Nos poucos encontros com a geografia ou a
História e as histórias... Eu sonhava em debandar evadir. E quanto mais cedo
melhor.
Queria sair da
cidade e ir muito mais longe. Nem só sair da aula. Queria sair para bem longe.
Desse mundo e do outro mundo e mais outros. Talvez até das estrelas das
galáxias das dimensões. Sair para sempre, ir andando, como marinheiro sem porto
fixo, como andarilho levando somente bornal a tiracolo e sandália de couro com
tiras atravessadas, como fugitivo, como caminhoneiro, como representante
comercial das Casas Caiabi Pirajá, como alma despenada, como o caipora, como a
macaxera. Pegar uma bicicleta e subir o país pelas beiradas bordas. Pegar um
barco a vela e singrar a costa de Chuí ao Oiapoque, aportando em Santos,
aportando em Rio de Janeiro, bairro Realengo. Sem noção inclusive das quatro
operações dos quatro pontos das quatro estações. Pôr uma mochila nas costas e
subir morros e montanhas de estradinhas de pedregulho, Nova Friburgo,
Medianeira, Arroio dos Ratos...
Me
sentia me via numa cilada pronto a cair na arapuca. Nada acontecia. Já estava
perdendo os cabelos. Um vazio de dobrar o corpo ao chão. Tinha mocó que
viajava, eu era mocó e nem viajava. Tinha juriti que viajava, eu nem era juriti
e nem viajava. Tinha suruí-aiqueuara que fazia caçuá de cipó-caboclo para
vender e viajar viajava, eu queria ser índio nem sabia fazer cesto para
negociar nem viajar viajava.
Até
porque quando penso em ir já digo que vou e quando digo que vou nem vou mais fugir
de que já fui, assim eu tinha que pensar e eu pensava.
No
segundo ano, Enigmática era ainda a minha preferida distante joia rara. Olhava
pra ela e queria saber o futuro. Quieta simples disciplinada. O meu futuro, o
futuro dela, o futuro do país. Meiga e cativante. O nosso futuro? Tem gente que
acredita em futuro. Assim como tem gente que acredita em disco voador loteria
esportiva amor para sempre reencarnação nota de 3 reais.
A
bela Enigmática, a louçã, a risonha, a tentadora, toda fatiada como fatias de
abacaxi trescalante no café da manhã da manhã.
Me
atirei para os lados da rua Mogi-Guaçu, bairro da Santa Cruz. Nem por mal nem
por bem nem em cima do muro. Para caminhar, dar um passeio, esquecer, andar,
ler nome de rua. Uma caminhada. Comer goiaba de goiabeira-do-mato na calçada.
Rua Júlio de Castilhos e tinha uma cidade com esse nome, avenida Santa Rosa
tinha uma cidade com esse nome, Capibaribe tinha um rio com esse nome.
Nem
era todo dia toda hora que aparecia em nossa frente, nossa senhora!, uma guria
tão bonita linda como a feminina Enig. Mas às vezes era inevitável.
Aí, então, um
cão saiu na minha frente simplesmente. Para cá, para lá, ele cruzava a rua,
descruzava a rua. Como se eu o seguisse, íamos no mesmo itinerário. O focinho
muito rente ao chão, a cauda alta, malhado de preto e branco. Cheirando postes,
árvores e latões de lixo com tanta atenção que me vinha de rir. Muito
concentrado num cheiro de um rastro qualquer. Ele parava e cheirava muito interessado
qualquer coisa ali e tal. Coisa urgente. Parou num pé de vinhático da calçada e
fez xixi.
E quando nos deparamos
ele foi que leu meus pensamentos?
Eu
o alcancei na altura da casa pintada de verde. Ou ele se demorou nas suas
investigações e conclusões. Assim mesmo ele se virou para mim, me olhou,
acendendo as orelhas, me olhou. Talvez só aquela horinha reparava na minha
pessoa. Me conheceu, nem me reconheceu?, vai saber! O cão desistiu de me
encarar, de me pensar, nem disse nada e continuou andando, às vezes até
correndo na minha frente. Sempre na mesma rua a rua Esteio. Ia num trotezinho
de cachorro sem dívidas a pagar e sem dono e de pouco pensamento, achei. Cão nem
olha, cão cheira, e mas isso sim!
Eu
quero ser um cachorro assim, andar sem dono pelas ruas livres, voando, procurando,
catando o de-comer, e beber, livre, e depois descansar, deitar no
capim-de-planta, eu pensei.
Pensava,
pesava, orava e me dizia: Olha essa, cara! Eu mesmo e tu também nós dois que
somos um só porque eu sou de NP interior cidadezinha do interior do RS e você agora
hora e que dia é?, está aqui (eu agitava eu batia o dedo apontando pro chão pro
lugar no meu peito nervoso para o chão do lugar) nesta lanchonete comendo bauru
com guaraná sendo servido por garçonete apetitosa e vai pagar e olhando a rua
ali fora passar em manhã de verão uns 26°C na sombra enquanto lá em NP são os
parcos míseros 2.6°C e olhando a rua João Pereira de Vargas passar aqui porque
por quê?, porque o mundo é pequeno meu garoto, eu pensava, eu pensei me dizer que
me falaria.
Mas
diante do grande portão do cemitério o cão travou. Ou fez um suspense. Olhou o
portão, olhou a entrada, olhou em volta, foi mijar nos ferros retorcidos do
portão. Se é que pensou, quando pensou alguma coisa. Baixou a cabeça, farejou
em volta outra vez, muito preocupado em saber farejar. Era um instante de
transição. Talvez tenha farejado alguém alguma coisa. Eu olhei o jardim eterno.
Nem sei o que eu poderia pensar além disso aquém daquilo.
Por
aquele dia nem tínhamos certeza de entrar. O cão entrou no cemitério e eu fui
reto direto. Me esforcei para passar ao largo e ir ao incerto, pela calçada da
rua Casca. O cão entrou no cemitério em minha vez e eu ainda evitei fiz que nem
era comigo. Vi quando o cão farejava um túmulo em aberto de pedra escura e
polida mais o jarro pintado de branco sem as flores.
***
Estava
na farmácia chapéu de palha cavado dos do tipo seresteiro parecido. Muito bem.
Nem muito bem. Pensava as minhas manias, os meus calafrios, as vicissitudes, os
meus engulhos, as minhas viagens aéreas intermináveis aleatórias profundas,
Angra dos Reis, Águas Belas, Santa Cruz Cabrália, rio Mundaú... Pensava as
minhas queridas gurias como Aracitaba ou Guidoval ou Catuti ou Curuatinga...
Mas pensava
com certo cansaço desassossego dor no braço. Ia vender tudo que nem possuía e
comprar a tal da bicicleta ou moto para viajar, subir o mapa de bíci de
lambreta carro de bois. Perfeito, era o mais certo a fazer. Havia mil pessoas
que faziam tal coisa todos os dias. Eu era gente, logo podia cometer também aquela
aventura. Se tinha até mamoneira-miúda que viajava, por que eu nem viajava? Se
tinha caboje que viajava, por que eu nem viajava? Se tinha tamari que viajava,
por que eu nem ia?
Para
ver aonde ia e ou de onde vinha.
Estava
às 16 horas em ponto na rodoviária preocupado pra cá pra lá com destino
intransferível para Amparo, Tocantins, às 4 horas da tarde no voo marcado a
partir do aeroporto Salgado Filho sem escalas e nem tinha ainda comprado
passagem de ônibus.
Catuti
se apresentou estudou e sempre há de andar morando pelaí, Nova Prata, bairro
São Peregrino. Se formou profissionalmente na UFSM, campos de NP. Teve outros
empregos uns bons outros menos bons inclusive uns péssimos e encardidos. Detestava
revelar verdade verdade e meia verdades sobre sua nobre e particular pessoa,
coisa única e insubstituível no mundo. Foi prefeita da cidade em dois mandatos seguidos
pelo pmnmnd (partido do movimento nacional da mulher nota dez). Mas sempre
gostou de natureza verde, plantas árvores frutíferas frugíferas com aves canoras
frugívoras, matia, galo-da-rocha, marianinha, gralha-branca... Trocaria tudo
pelo mato pelo campo pela montanha pela encosta. Gostava de tudo no mundo,
menos de políticos. A família compartilhava a mesma casa todos no mesmo casarão
da avenida Itatiaia frente com a praça São Sebastião. Quando podia ia pedalar
pelas ruas até o aeródromo cinco quilômetros lá no bairro São Cristóvão e fazia
isso desde que ganhou bíci lá pelas voltas e idos dos seus 13 anos. Um sonho
impossível: completamente solta livre natural entre os índios cuxitineri lá em
o Amapá. Olhos claros instantâneos dominadores. Trabalhava de segunda a sexta,
pois o fim de semana era sagrado. Se definiu pela arte de casar e apaixonar na
primeira vista. E o primeiro casamento foi aos 16. Seu coração se acelerou
assim, tum! Tum! TUM!... e progressivamente. Porém se apartou dois anos depois
1 filho Cajati e 1 apartamento bem localizado 3° andar no Centro rua General
Osório. Depois veio o segundo e nem quis mais engravidar e ficou com uma bolada
no banco. Nem chorava nunca chorou nunca nunca preferia gritar gritava. No
terceiro casamento engravidou da filha Maipuré e um terreno baldio nas
imediações do bairro Retiro, quase um sítio e com arvoredo nativo, balata,
ouricurizeiro, braúna-preta, araticum-do-mato... Os filhos ficaram com ela e
mais ninguém. Os ex’s vinham visitar os filhos de 15 em 15 dias e olhe lá ou
dias que ela agendava. Aos 43 nem declarados casou pela quarta vez e com um
rapaz da idade do filho. Catuti tinha uma irmã mais bonita a Rabaçã, e a outra
menos bonita da família a Macambira, e caso de ela Catuti o meio termo. De D
preferia nem opinar nem pensar deixava isso para os outros, por enquanto. Nem
gostava de ouvir falar de livros faculdades ex-maridos como amigos partidos
políticos times de futebol e mais outros entre outros e escrevia com erro de
coreografia. Teve um parêntese e foi morar por 2 anos em Quebrangulo, mas sem
se adaptar voltou correndo com os filhos e para os braços de NP. Gostava de
bolsas comprava adquiria todas que seu dinheiro podia colecionava bolsas
sacolas sempre levava uma ou outra para onde fosse. Foi precisamente aqui nessa
altura que eu a conheci e ela dona do bar-café Jasmim-do-Mato e com cabelos
soltos meio louros meio ruivos e eu pensei na hora: até que a coroa está é
enxuta, meu! E o que sonha fazer Catuti ou o que pode fazer por este ano que se
inicia se anuncia?, pensei.
Todo
mundo quer fazer barulho hoje em dia e se deixar fica até amanhã segunda-feira.
***
Consegui
por especial deferência e num dia que todos os astros do céu se combinaram a
meu favor o carro da família e convidei Cotia para ir até a ponte do rio das
Antas. Ver a ponte, passar a tarde, subir nos arcos, passar a ponte, só nós
dois e o domingo de tarde. E Cotia falava muito baixinho que pelo amor dos céus
azuis infinitos impagáveis promissores. E parecia ter nojo asco ojeriza de mim.
Ou certo charme, sabia eu?! Um pé atrás meio indefinido e sem explicação. Eu
nem entendia de bicho muito menos de gente. De repente de inopino subitamente ela
disse:
-
Por que que você nem deixa de fumar, meu?!
Realmente,
Cotia merecia coisa melhor, hálito melhor, beijo melhor, hábito melhor, palavra
no ouvido melhor. Pelo pouco que eu a conhecia, ela merecia coisa mais caprichada,
capacitada. Merecia um futuro de segurança. E tinha um perfume muito bem
cheiroso, obrigado. Merecia um país mais estável no beijo. Ela caprichava demorava
no beijo de gosto de açaí maduro. E ela merecia um futuro ali mesmo em
Veranópolis, cidade de veraneio, às margens do rio sinuoso paisagem de arvoredo
mata ciliar, taquaruçus, guacos, canas-de-macaco, camaradinhas...
Era
uma vez no interior do Estado do RGS. Linguagem universal sexo violência
gratuita uso de drogas lícitas e ilícitas nem recomendado para menores de 18 e somente
para maiores de 18. Então descobria que o barato no Rio era o Pão de Açúcar.
Mistérios
no espaço soçobrando... A lua estava falando bem de nós, escorpianos? Era tempo
de ressurreição. O que era ontem podia voltar. Escorpianos, eu e Cotia,
sabíamos ler e prever o que estava oculto. Bom para ir bem devagar. Havia
controvérsias? Os sergipanos eram os sergipanos, os goianos eram os goianos... galo-da-serra
ave símbolo de RR.
Chegamos
perto de uma tenda para comprar qualquer coisa que o jeito era consumir.
Olhamos as bergamotas e laranjas e guabirobas e jabuticabas e pequis e pinhas...
E gamamos. Bergamotas cheias, gordas, enormes, de boa pele, grandes e amarelas
e suculentas e tentadoras, de segura e ótima procedência local. Repartidas em
gomos davam água na boca, agridoce, acredite. Até brincamos de se atirar
pedacinhos de cascas em voos de combate. Ela nem me perdoou:
-
Para com isso, seu ratão-do-banhado!
Nem,
ela nem falava por mal ou por bem ou por outro qualquer interesse. Uma fofura. Ela
nem era agressiva como à primeira vista podia parecer. Ela nem era de pedir
desculpas. E tinha uma explicação. Era que Cotia aprendeu tudo aquilo, seu
jeito e tal, tudo em casa lá dela. Vou dizer que tinha umas covinhas charmosas
no sorriso maroto. Era seu vocabulário do dia a dia, suas expressões usuais,
sua linguagem corrida, sua educação que ninguém tinha nada com isso. Eu nem
compreendia, mas entendia. Ou vice-versa. E se estava comigo era porque
gostava, pelo menos um pouco, pelo menos naquele momento. Cabelos para trás das
orelhas. Eu gostava dela e estava aprendendo a gostar muito mais. Os belo-horizontinos
iam para Vitória, os curitibanos iam para Floripa... bando de pipiras para as
matas de Itaboraí.
As cascas de
bergamota atravessavam o espaço aéreo como bumerangues, praticamente. Ela corria
das minhas cascas, eu esquivava das cascas dela. Cotia ria muito com aquilo
tudo. Ela alegre e eu por um giz. Se escondia atrás do assa-peixe, da
pata-de-vaca, do guatambu-de-sapo, da chita-crespa... E era boa como pessoa,
tinha olhos quase de santa. Chorava de alegria ou de tanto rir. Suspirava uns
gritinhos histéricos, bobos, talvez até exagerados, mas era boa de se lidar,
seios bons de cutucar, uma bunda conforme, uma cintura fina, umas ancas de
guria. Eu tinha um ano mais velho e me escondia atrás do sessenta-e-dois, da
galinha-choca, do jacaré-do-campo, da folha-santa... Solicitei:
-
Vamos até ali, na amurada da ponte?
-
Tu tá loco, né?!
Ela
tinha receio de olhar de cima da ponte os arrepios calafrios e ansiedades. E eu
nem queria matá-la, e nem queria me suicidar, e nem queria que ninguém me
empurrasse da ponte. Por isso que eu entendi o pânico, a fobia lá dela. E nem
insisti. Era melhor assim. Peguei a mão. Passavam carros de Cotiporã para Palmares,
passavam carros de Sertão para Tupandi, excursão de Mendes para Barra do Piraí...
O barato sai caro de São Paulo era a avenida Paulista.
Depois
me lembrei da minha amiga Acaiaca... Seria a Acaiaca ou a Angelândia? Bem, me
lembrei da Acaiaca que me dizia, bem me dizia: “Favorito!” E eu destacava esta
palavra como uma das melhores do repertório. E para se chegar a Paranatama
daqui pra lá ou de lá pra cá tínhamos que passar por Bayeux e Terezinha e
Correntes, no mínimo.
Nem
me sentia muito confiado com a Cotia? Ela me saía como outra pessoa. Nem uma
pessoa que eu conhecesse e soubesse como agir e lidar. Outra pessoa, uma pessoa
com olhar de segredo, uma pessoa que nem estava inteiramente à vontade comigo.
Uma pessoa com ganas de me falar coisas, mas com receio de descobrir minhas
reações minhas falhas. Sei lá. Tinha uma barreira entre nós. Tinha um gelo, um
muro, um morro baixo mas tinha, um perau, uma cerca de arame. Talvez o pouco
tempo de namoro. Talvez nossa diferença escolar intelectual, ela sabia tudo de
português e até me dava umas dicas:
-
Nem é amarom que se diz, meu! Marrom, é marrom, entende?!
-
...
-
E outra coisa, na boa! Nem aponta o dedo assim assim que é feio, viu?!
Principalmente em público na rua na frente das pessoas!
Muitas
andorinhas trissando pelo ar, entrando pelas pedras, talvez fazendo ninhos
naqueles paredões que dão abismo ao vale, serra Gaúcha. Bocaina de Minas já era
aqui, Bom Conselho já vinha aí, Alegrete já estava de volta, Monte Belo do Sul
já passou sem pressa...
Paramos
diante de uma grutinha feita de cristais de rocha com santa lá dentro. Era para
os mortos de acidentes de carro. Muitos tocos de velas fotografias frases dos
versículos e parágrafos e capítulos. Flores em pequenos vasos. A santa,
sozinha, que nem sabíamos o nome, uma senhorita de vestido azul e longo até os
pés, olhar parado no alto, fazia a gente pensar em rezar para o céu. Mas eu nem
rezei. Cotia fez o sinal da cruz juntou as mãos inclinou a cabeça ficou parada
quieta voltada para dentro de si. Talvez até tenha falado alguma coisa baixinho
e em sentimento. Quem sabe tenha feito os pedidos normais nessas horas. Buzinavam
saudando os caminhões de Garanhuns, de João Neiva, de Itabuna, de Pinto
Bandeira e passavam com oito dez doze eixos e acima do peso...
Quando
havia um mundo entre nós dois e para cada um. Eu e Cotia éramos dois pedaços
sem vontade de se tolerar definitivo definitivamente. Quem sabe a gente se
encontrava uma hora, estávamos tentando. Quem sabe nunca nos entendêssemos de
verdade profundamente amadamente. Quem sabe nem tivesse importância alguma
aquele mútuo descaso. Quem sabe o mundo era aquilo mesmo, as pessoas e seus
modos vários variáveis, os acasos. Quem sabe o amor nem existisse, mesmo com
toda a insistência, mesmo com toda a mídia, mesmo com toda a boa vontade dos
amantes e romances e escuros de cinemas. Quem sabe o sonho era muito futuro e o
amor nem podia resistir a tanto. Entre Juarez Távora e Muniz Freire ficava a de
Palmeira dos Índios...
Como
juntar as partes? Ainda ninguém previa. A verdade já estava nos olhando, mas nem
se mostrava, era invisível, camuflada, louva-a-deus na folhagem. A verdade ia
na frente, olhava as coisas para além do que se sabia e se podia. Cantavam os
pássaros empoleirados nas árvores do paredão, pipiôs, surucuás-miudinhos,
jacarinas, chitadinhas... A verdade olhava do alto, lá na frente, lá no futuro,
pelas costas, por cima do ombro. A nossa verdade nos antecipava. A verdade nos
enganava nos iludia nos amava fazia a gente seguir uma pista. Depois saberíamos
onde foi que erramos o caminho erramos a viagem erramos tudo os beijos o norte
e o sul. E eram turistas viajantes pedindo informações eram de Catende,
turistas de Alto Rio Novo...
Me
aproximei com gosto cheguei perto faltando um metro falei me olhou cabelos
caindo nos olhos fui avancei mais meio metro falei pousei a mão falei assoprei
e ela riu nem cuspiu nem chutou socar arranhar nem mordeu.
***
Quando
cheguei junto ao mar vi o mar pela primeira vez... O azul parecia nem ter
horizonte... nem ter nascido... E tinha chuá!... de onda espumosa na praia
branca, pessoas fazendo nada andando sob o sol, pios de pássaros marinhos, ilha
das Enxadas no arquipélago Santa Bárbara...
Se eu ouvi se
eu cheirei? Mas vi, sonhei que os animais felinos rosnavam bramavam esgaravatavam
ao redor da nossa casa e das casas. Nossas casas, minha casa, são sempre os
modos de dizer. O que eu queria era sair para fora do meu pequeno cais. Eu ia
um dia. Mas por que felino, gente?! Vou jogar no bicho. O leão o tigre a onça
rondavam a casa, a casa dos da família, onde eu dormia de favor o sono dos
incomodados. Mas os felinos querendo me matar? Pois se foi que sonhei, então o
negócio era comigo. A casa estava cercada sitiada hipotecada. O leopardo a leoa
a jaguatirica lambiam os beiços com sede e fome e pressa de sangue. Previam
sentiam, com toda certeza, meu cheiro, água na boca do meu bom bocado. Por que bicho
do alto da cadeia alimentar? Por que nem um cachorro, por exemplo? Tamanduá-bandeira,
outro exemplo. Devem ter fugido de circo. Eu odeio circos e zoológicos. Devem
ter fugido do Ibama. E essas feras poderosas devem me odiar até em sonhos meus.
Eu torço para os animais selvagens nos documentários de tevê, nos
pesca-e-pague, nas expedições, nas aulas de biologia. Os felinos são
preguiçosos. São como o sol no verão. São como o domingo na tarde. São como o
rio na estiagem. São como nós todos, como as gentes. Eu nem curto muito esse
negócio de feras e seus instintos de sobrevivência, coisas ferozes e naturais.
Nem entendo por que carecem de comer sempre coisa boa tenra pulsante sangue
escorrendo da boca. Eu até viajaria para a Amazônia, para o pantanal mato-grossense,
mas nem suporto as variedades rastejantes cobras e lagartos e jacarés.
***
A
cidade às nove da manhã de uma terça-feira, das muitas. O inverno chegando com
o dia nublado. Os pensamentos congelados, as ideias congeladas, o futuro tão
longe das mãos e das garras e dos dentes. Isso já me acontecera só umas 50
vezes na história bíblica da minha sorte do meu rio.
A cidade às
dez da manhã de uma terça-feira registrada em folinha gentileza do armazém A
Gomeira. Passava um carro, passava outro carro, passava um caminhão, nem mudava
nada. A farmácia ao meio-dia da terça-feira. Dia nublado, eterno, dor nos
joelhos, desconforto, cansaço da preguiça, alguém alguns da universidade de Itu
descobriram que a folha do guajará-branco tem função anestésica.
O dia o frio
se encontraram desanimadamente o dia procurou falou gesticulou o frio pediu
conversou nem fizeram acordo dois bicudos nem se beijam. E cada um foi prum
lado.
A cidade às duas
da tarde da mesma terça-feira que eu via passar que eu vigiava. Assim eram os
dias, assim eram as coisas, assim eram as pessoas, assim eram as feiras de
artesanato, assim eram os países do hemisfério sul, assim foram as avoantes que
migraram para o norte avoante símbolo da Paraíba.
Um insólito
tempo tampão nem se mexeu, e mais de menos.
***
Me
contaram, nem invento nem inventando. Uma moça chamada Nanuque, talvez apelido,
ou diminutivo, me contou contando na farmácia. Ela disse que um carinha passava
passando de carro pela frente da casa dela deles, e buzinava buzinando. Passou
passando várias vezes, e buzinava toda vez. Era provocação. Nanuque me disse e
me falou:
-
Queria era provocar provocando o meu irmão.
O
irmão da Nanuque, o Patis, segundo a Nanuque me disse, falou para ela Nanuque,
Nanuque destacou:
-
Pode deixá deixando que o dele tá está guardado aguardando.
Pela
manhã, pela tarde, certo cair de tarde. Bem cedo, clareando ainda o dia,
ouvindo grilos e vaga-lumes luzindo cores de verde. Então, foram ao baile ao
arrasta-pé.
Por que a
balada. O baile era na capela da comunidade Lagamar, no salão do galpão da associação
dos motoristas, umas poucas telhas translúcidas para ver a lua as estrelas as
nuvens o sol. Ali todos se conheciam se conhecendo. Mas podia vir gente de fora
que seria muito bem-vinda benquista aprovada, independia independendo.
Aí,
lá pelas horas foram andando pela noite adentro. E o baile era de toda música e
tal e qual. Mais gente nova, mais gente solteira, mais bicho malandro. Uns dois
ou três seguranças andando no meio do povo. A música era para todos os gostos e
tipos de corno. E as horas da noite continuaram continuando.
Sentia
sentindo fome? Quem sentia sentindo fome ia até a copa e comia comendo sopa de
capelete bofe de vaca com pão e queijo ralado linguiça no espeto com salada de
batata e maniva macaxeira jerimum, tudo regado a vinho cerveja caipirinha.
Depois
houve uma briga e o segurança bateu batendo num garoto. O garoto tinha uma
turma que correu correndo para cima do segurança e bateram batendo no segurança
com chutes e pontapés. Os seguranças perderam a segurança e chamaram chamando a
polícia. A polícia demorou demorando meia hora para chegar. Quando chegaram os
home o baile estava no fim. A polícia entrevistou dois ou três e levou levando dois
bêbados para a delegacia.
Nanuque
nem arrumou nada no baile. Eu sei por quê. Nem vou dizer. O mano dela, o Patis,
ele já estava estando com a namorada, uma tal de Taparuba. A Nanuque segurava segurando
o irmão para ele nem brigar com os seguranças. Nem adiantando adiantou. O Patis
brigou com dois ou três que nem eram seguranças mas que estavam do lado dos
seguranças. Após o baile continuaram continuando meio assim assim ressabiados.
Depois
ainda os conhecidos da Nanuque, com a Nanuque, foram embora porque a Nanuque
estava bêbada e já tinha tendo vomitado no salão. Vomitou vomitando mais duas
três vezes, uma na saída do baile, outra pela janela do carro em movimento outra
nem sei em que altura da estrada estreita sinuosa curva da morte. A Nanuque
gostava de beber aquela caipirinha que vem numa garrafinha individual se sabe
sabendo.
Nem
estavam mais no local quando a polícia chegou chegando, conferiu conferindo,
tomou tomando um cafezinho e levou levando os tais drogados.
Amigos da
Nanuque e a própria Nanuque chegaram chegando em casa umas cinco e meia. Ela
vomitou os bofes na ponte pelo rio Pipiripau abaixo.
A Nanuque
depois, dois dias depois, me contou contando com o muito humor e o gosto e as risadas
lá dela, vá lá, ih ih ih!...
Nunca mais a
vi. Pois eu nem podia prever que um dia me casaria com ela. E nunca mais eu
soube do seu paradeiro. Poderia alguém me falar mas ninguém me falou nada.
***
Subiu
do monte acendeu agitou andou andou, imenso comprido esticado, subiu parou
desceu andou andou cansou apagou, dormimos ou nos escondemos de nós mesmos que
somos gente como a gente.
À
hora e dia e horas marcados chegávamos em a quarta-feira 26 de outubro 15h e 22
minutos do ano da Copa do mundo de 1994?
Foi
então o curioso fenômeno teve lugar a hora o vexame a plateia o planeta, etc.,
a lua.
Uma deusa,
amante belíssima, de nome Iara, tinha somente ela o privilégio de morar numa
ilha flutuante chamada Maiandeua. Esta ilha mãe da terra, que foi um presente
dado à deusa mãe da água por um poderoso deus, chamado Ibaca, que nem podia se
expor abertamente, etc.
Iara,
vaidosa vaidosa, acordou e invocou com os próprios cabelos, despertou e nem
reconheceu os pés, abriu os olhos à flor da água e nem gostou das plantas
aquáticas, cheirou mordeu os cabelos, espiou e detestou as mãos, os dedos, as
unhas, e principalmente os longos e negros e escorridos cabelos molhados.
Então,
Iara recebeu mais tarde o arco-íris e teve um filho. Este curumim de nome Pirá,
cresceu nos morros, campos, mangues, praias e matos da ilha, descampados de capim-bambu,
baunilha-falsa, catingueira, piri, caroá... Ilha essa que já nem era pequena
nem plana nem quente nem fria nem arenosa nem pedregosa. E ele se revelou um
deus da sorte e bom no arco e flecha até mesmo no tacape. Adolescente,
ofegante, o guerreiro já passou a roubar capivaras e cutias e lebres e teiús dos
índios da tribo temiminós. E Pirá vendia essas caças e as peles aos corsários piratas
franceses em troca de espelhinhos e ferramentas como canivete faca facão foice.
Um
certo dia recebeu em troca por uma onça-pintada ainda viva uma viola e começou
a tocar e cantar suas façanhas que nem podiam parar. A viola mudou sua lenda
para melhor. Pirá cantava como pássaro uirapuru, no mínimo. Assim, foi Pirá
aventurar longe distante da ilha flutuante da mãe, numa nação distante com
lagoa Itapeva mais serra do Caparaó um país estranho chamado Pacajus. E lá tudo
por lá era bonito e verdejante tinha rio Taquari e plantas tenras floridas
paqueviras, cipós-chumbos, bambus-trepadores, bananas-do-brejo...
Nessa
altura a deusa Iara, cabelos até a cintura, mãe dos peixes, bagre, matrinxã,
barbado, graviola, jeju, sapo-intanha e de tudo que nada e de Pirá, já se
tornava vaidosa vaidosa. Esta deusa da ilha flutuante, conversou com um pajé de
nome Tatajuba que morava de favor numa das suas cavernas. Este o pajé mágico tamarana
enfeitiçado sempre na mão transformou a deusa mãe das águas doces das pedras
preciosas dos peixinhos de aquário em três onças diferentes e distintas e
felinas. As onças foram sorteadas soltas nas matas e campos e campinas. Sendo
que de noite as três dormiam na gruta da ilha. Numa gruta espaçosa sossegada somente
para elas.
As
onças, que eram as três irmãs Jagueretê, Canguçu e Suçuarana, nas primeiras
horas das manhãs, antes do sol passar os montes, o sol ainda no banho, entravam
nos banhados e roubavam as caças as antas e as pacas e os jacarés-de-papo-amarelo
dos guerreiros temiminós. As irmãs predadoras faziam artes e mágicas para nem
serem descobertas deixar pegadas, mas foram.
Sabendo
da recompensa pela captura ou morte das três onças ladronas, Pirá voltou do
estrangeiro pela ponte Colombo Sales sentido terminal rodoviário Rita Maria e para
caçá-las. E uma manhã muito cedo sol de uma luz neutra as espreitou e as matou
surpreendendo-as dormindo numa caverna.
E
quando o caçador Pirá cocar enfeitado de penas de gavião-real percebeu que
havia assassinado três vezes a própria mãe nem acreditou nem aguentou mais nem
suportou o fardo, mas já era tarde.
***
Eu passava por uma
sala... sala ou vitrina?, sala de reuniões de um clube ou de um conglomerado?, era
uma sala com mesa de madeira polida envernizada e ali os caras, todos senhores
bem vestidos e já meio antigos, fumavam seus charutos e bebiam seus copos de
uísque vinho ou pinga de Minas ou outros até mais coloridos. Eu olhei para eles
e me perguntei nem sei o quê. Olhei de novo, nem sei se eu ia falar... a coisa
se esgarçou... se esgarçou... virou vapor e cerração e nevoeiro... parecia dia,
podia ser iluminação noturna...
Já
estava dentro do estádio de futebol do mega time da capital. Que cor? Fui para
as arquibancadas ver o treino, mas nem tinha ninguém no gramado. Ali pelas
arquibancadas na sombra das pitombeiras uns torcedores viciados em futebol conversavam
conversando, esperando trocavam impressões. Num grupo de moleques, rindo e
conversando, um repórter... de jornal, de rádio?, que provocava a galera. O
repórter provocou:
-
Que centroavante, então?
-
Um fortão bem alto e sem habilidade já serve pro time - respondeu um
garoto.
-
Nem. Um mediano e habilidoso é melhor - disse outro moleque.
-
Um que mete pra dentro da casinha e nem interessa se é isso ou aquilo. O
importante e o essencial é que balance as redes adversárias, ah ah ah!... -
falou um terceiro piá.
E
o repórter ria, provocava, instigava a galerinha. Eu olhando e ia ouvindo e nem
me metendo. Eu tinha minha missão na terra e minha opinião minha razão e em
breve ia meter a colher, mesmo nem convidado. Por quê? Porque eu me conheço, só
isso. Mas aí... a coisa começou a esgarçar... e se esgarçou... virou uma fumaça
sem cor sem cheiro... repórter perguntou ao culepe... nem mais ouvi... a nuvem
tomou conta abafou...
Cheguei
em casa sobrevivente da fome e corri para a cozinha preparar um bagulho para
comer. Olhei na geladeira nem tinha bagulho que pudesse utilizar. Olhei pelaí e
nada de bagulho para comer. Pensei que eu mesmo tinha que inventar usar a
criatividade e preparar algum bagulho e pronto. Procurei jogar uns bagulhos
sobre a mesa e joguei o que encontrei e seja lá o que for. Procurei o bagulho
para o café e nem achava o bagulho apropriado. Onde estava o tal bagulho, meu?!
E procurei até achar o tal bagulho e quando me preparei para esquentar a água...
que dê o bagulho de ferver a água? Nem vi bagulho nenhum, olhei pela janela e
despejei lá embaixo qualquer coisa e sujei todo o pátio de um bagulho de
gordura ou de cinzas ou de outra coisa, sei lá, sei lá. E fechei a janela e preparei
para continuar... mas cadê o outro desses bagulhos... que bagulho?... A coisa
começou a esgarçar... a se esgarçar... a ficar muito longe... em longe longo...
o tempo o espaço se degringolando...
Apenas
então quando me lembrei quanto me custou quando estava na livraria
Taboca-Gigante - e isso era lá com eles ou elas as proprietárias donas do
negócio - andando entre edições e prateleiras repletas de lançamentos,
mochilas, cadernos, livros, revistas... uma família pai mãe e garoto de boné ao
contrário...
-
Escolhe que livro você quer, meu filho. Diga aí pra moça.
-
??
-
Que tipo será que você quer?
-
Vai e fala pra moça, meu filho. Seria bom um livro que se usa no colégio, né.
-
Eu gosto de livro de filme.
-
Tem livro de filme? Que tipo de filme?
-
Temos muitos livros de filme, aliás, todos estão aqui até os últimos
lançamentos e todos esses aqui, ó. Veja este que é o mais recente porque se
passa num lugar surreal...
-
Qual que você quer, meu filho?
-
Um com sangue.
E
me senti incomodado por mim por mim e tudo começou a esgarçar... se esgarçou...
foi sendo triturado no ar pelo tempo pelo espaço... sugado para dentro do tempo
do espaço... a livraria vendia estatuetas de deusas pagãs anônimas inexatas
pagáveis no cartão...
***
Meu
primo Mbéru telefonou àquela horinha em que todo mundo se atrapalha:
-
Ei, meu! Tenho um corpo exponencial aqui para abater ali...
-
Conheço?
-
Nem, nem conhece. Bem, talvez conheça. Mas isso nem importa nem desimporta nem
desporta, né, meu?!
De
distante longe baixinho:
-
Fiiiiiuuu!...
Mais
perto e alto:
-
FIIIIIUUU!...
Minha
família de casa tinha ido visitar outros parentes lá na linha Casimiro de
Abreu, capela São Miguel, algo bucólico e até rústico e primitivo e caipira
muito bom por sinal arvoredos de amburanas de tamaquaris capoeirão de cajuçaras
banhados de capins-navalhas noturnos de guácharos, etc., país pacífico das
formigas jejás. E eu estava sozinho em casa e cuidando da casa solito no más.
Meu primo esse o Mbéru, prolixo, sabia disso. Ele, um tanto por isso mesmo,
continuou:
-
Aí, eu pensei comigo que... que você poderia me fazer o favor de... de nem
tenho grana para ir a um hotelzinho, entende?! Até porque...
Deblaterar
em quê, em quê, hem?!, me diga!
-
Nem me diga que ela é casada, meu!
-
Tô te falando, cara!
Eu
pensei e pensei com um, zuiiiiiiim!... no ouvido e bem por dentro do cérebro e
soltei esta:
-
Se eu ficar olhando...
***
Ali
no bar Periquito-Tuim de propriedade do Embaúba e dentro do perímetro urbano
desta cidade. Pois eram quatro bobos, dois casais que ainda ou nunca nem
namoravam. Ficávamos juntos quando nos encontrávamos, o de vez em quando. O
problema o motivo a desculpa era a... cachacha.
Eu
estava sentado pela direita perto da Capixaba, a Capixaba sentada perto do Tamaquaré,
o Tamaquaré sentado perto da Potiguar, a Potiguar na esquerda perto de mim
mesmo. Assim dando a volta na mesinha do bar. Uma tevê ligada no canal de variedades,
zoeira normal de pessoas conversando alto em as outras mesinhas, cervejas,
guaranás, batatas fritas, risos soltos no ar meio tapado gorduroso do bar-lancheria,
ramerrão, etc.
A
decisão de acertar tudo com o rio e arrumar pegar a mala a cuia...
Eu
gostava de Capixaba e olhava a Potiguar como para disfarçar o verdadeiro interesse
o viés. Capixaba gostava de Tamaquaré e olhava Tamaquaré com as mãos segurando
o queixo e os olhos miudinhos. Tamaquaré gostava de Capixaba e gostava de
Potiguar e olhava Potiguar e Capixaba (esta a mais bonita das duas) e sorria
para Capixaba e lambia os beiços para ambas e tomando servia cerveja para
Potiguar esta pegando o cigarro da boca dele esta mesma a mais desinibida e de
riso agradável...
Então,
tá.