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terça-feira, 14 de janeiro de 2020

Ana Paula na Paisagem, 29




O Mundo Era Pequeno Porque Maior Que Hoje

            A noite e a aula à noite nem eram os meus próprios fortes apropriados. Aula nem era o meu fraco para ser o meu forte? E o forte Duque de Caxias, fortaleza de Santa Cruz da Barra, fortaleza de São João...
Eu divagava com lerdeza. Esperneava a mente para onde por sobre por onde. Comparava preços. Pescava em plena aula. Ficava preocupado com as conversas paralelas, as piadinhas, o ar das meninas, o talhe das gurias, a ideia de família das minas. Ficava ouvindo e olhando o mais fácil. Nos poucos encontros com a geografia ou a História e as histórias... Eu sonhava em debandar evadir. E quanto mais cedo melhor.
Queria sair da cidade e ir muito mais longe. Nem só sair da aula. Queria sair para bem longe. Desse mundo e do outro mundo e mais outros. Talvez até das estrelas das galáxias das dimensões. Sair para sempre, ir andando, como marinheiro sem porto fixo, como andarilho levando somente bornal a tiracolo e sandália de couro com tiras atravessadas, como fugitivo, como caminhoneiro, como representante comercial das Casas Caiabi Pirajá, como alma despenada, como o caipora, como a macaxera. Pegar uma bicicleta e subir o país pelas beiradas bordas. Pegar um barco a vela e singrar a costa de Chuí ao Oiapoque, aportando em Santos, aportando em Rio de Janeiro, bairro Realengo. Sem noção inclusive das quatro operações dos quatro pontos das quatro estações. Pôr uma mochila nas costas e subir morros e montanhas de estradinhas de pedregulho, Nova Friburgo, Medianeira, Arroio dos Ratos...
            Me sentia me via numa cilada pronto a cair na arapuca. Nada acontecia. Já estava perdendo os cabelos. Um vazio de dobrar o corpo ao chão. Tinha mocó que viajava, eu era mocó e nem viajava. Tinha juriti que viajava, eu nem era juriti e nem viajava. Tinha suruí-aiqueuara que fazia caçuá de cipó-caboclo para vender e viajar viajava, eu queria ser índio nem sabia fazer cesto para negociar nem viajar viajava.
            Até porque quando penso em ir já digo que vou e quando digo que vou nem vou mais fugir de que já fui, assim eu tinha que pensar e eu pensava.
            No segundo ano, Enigmática era ainda a minha preferida distante joia rara. Olhava pra ela e queria saber o futuro. Quieta simples disciplinada. O meu futuro, o futuro dela, o futuro do país. Meiga e cativante. O nosso futuro? Tem gente que acredita em futuro. Assim como tem gente que acredita em disco voador loteria esportiva amor para sempre reencarnação nota de 3 reais.
            A bela Enigmática, a louçã, a risonha, a tentadora, toda fatiada como fatias de abacaxi trescalante no café da manhã da manhã.
            Me atirei para os lados da rua Mogi-Guaçu, bairro da Santa Cruz. Nem por mal nem por bem nem em cima do muro. Para caminhar, dar um passeio, esquecer, andar, ler nome de rua. Uma caminhada. Comer goiaba de goiabeira-do-mato na calçada. Rua Júlio de Castilhos e tinha uma cidade com esse nome, avenida Santa Rosa tinha uma cidade com esse nome, Capibaribe tinha um rio com esse nome.
            Nem era todo dia toda hora que aparecia em nossa frente, nossa senhora!, uma guria tão bonita linda como a feminina Enig. Mas às vezes era inevitável.
Aí, então, um cão saiu na minha frente simplesmente. Para cá, para lá, ele cruzava a rua, descruzava a rua. Como se eu o seguisse, íamos no mesmo itinerário. O focinho muito rente ao chão, a cauda alta, malhado de preto e branco. Cheirando postes, árvores e latões de lixo com tanta atenção que me vinha de rir. Muito concentrado num cheiro de um rastro qualquer. Ele parava e cheirava muito interessado qualquer coisa ali e tal. Coisa urgente. Parou num pé de vinhático da calçada e fez xixi.
E quando nos deparamos ele foi que leu meus pensamentos?
            Eu o alcancei na altura da casa pintada de verde. Ou ele se demorou nas suas investigações e conclusões. Assim mesmo ele se virou para mim, me olhou, acendendo as orelhas, me olhou. Talvez só aquela horinha reparava na minha pessoa. Me conheceu, nem me reconheceu?, vai saber! O cão desistiu de me encarar, de me pensar, nem disse nada e continuou andando, às vezes até correndo na minha frente. Sempre na mesma rua a rua Esteio. Ia num trotezinho de cachorro sem dívidas a pagar e sem dono e de pouco pensamento, achei. Cão nem olha, cão cheira, e mas isso sim!
            Eu quero ser um cachorro assim, andar sem dono pelas ruas livres, voando, procurando, catando o de-comer, e beber, livre, e depois descansar, deitar no capim-de-planta, eu pensei.
            Pensava, pesava, orava e me dizia: Olha essa, cara! Eu mesmo e tu também nós dois que somos um só porque eu sou de NP interior cidadezinha do interior do RS e você agora hora e que dia é?, está aqui (eu agitava eu batia o dedo apontando pro chão pro lugar no meu peito nervoso para o chão do lugar) nesta lanchonete comendo bauru com guaraná sendo servido por garçonete apetitosa e vai pagar e olhando a rua ali fora passar em manhã de verão uns 26°C na sombra enquanto lá em NP são os parcos míseros 2.6°C e olhando a rua João Pereira de Vargas passar aqui porque por quê?, porque o mundo é pequeno meu garoto, eu pensava, eu pensei me dizer que me falaria.
            Mas diante do grande portão do cemitério o cão travou. Ou fez um suspense. Olhou o portão, olhou a entrada, olhou em volta, foi mijar nos ferros retorcidos do portão. Se é que pensou, quando pensou alguma coisa. Baixou a cabeça, farejou em volta outra vez, muito preocupado em saber farejar. Era um instante de transição. Talvez tenha farejado alguém alguma coisa. Eu olhei o jardim eterno. Nem sei o que eu poderia pensar além disso aquém daquilo.
            Por aquele dia nem tínhamos certeza de entrar. O cão entrou no cemitério e eu fui reto direto. Me esforcei para passar ao largo e ir ao incerto, pela calçada da rua Casca. O cão entrou no cemitério em minha vez e eu ainda evitei fiz que nem era comigo. Vi quando o cão farejava um túmulo em aberto de pedra escura e polida mais o jarro pintado de branco sem as flores.
                                                                       ***
            Estava na farmácia chapéu de palha cavado dos do tipo seresteiro parecido. Muito bem. Nem muito bem. Pensava as minhas manias, os meus calafrios, as vicissitudes, os meus engulhos, as minhas viagens aéreas intermináveis aleatórias profundas, Angra dos Reis, Águas Belas, Santa Cruz Cabrália, rio Mundaú... Pensava as minhas queridas gurias como Aracitaba ou Guidoval ou Catuti ou Curuatinga...
Mas pensava com certo cansaço desassossego dor no braço. Ia vender tudo que nem possuía e comprar a tal da bicicleta ou moto para viajar, subir o mapa de bíci de lambreta carro de bois. Perfeito, era o mais certo a fazer. Havia mil pessoas que faziam tal coisa todos os dias. Eu era gente, logo podia cometer também aquela aventura. Se tinha até mamoneira-miúda que viajava, por que eu nem viajava? Se tinha caboje que viajava, por que eu nem viajava? Se tinha tamari que viajava, por que eu nem ia?
            Para ver aonde ia e ou de onde vinha.
            Estava às 16 horas em ponto na rodoviária preocupado pra cá pra lá com destino intransferível para Amparo, Tocantins, às 4 horas da tarde no voo marcado a partir do aeroporto Salgado Filho sem escalas e nem tinha ainda comprado passagem de ônibus.
            Catuti se apresentou estudou e sempre há de andar morando pelaí, Nova Prata, bairro São Peregrino. Se formou profissionalmente na UFSM, campos de NP. Teve outros empregos uns bons outros menos bons inclusive uns péssimos e encardidos. Detestava revelar verdade verdade e meia verdades sobre sua nobre e particular pessoa, coisa única e insubstituível no mundo. Foi prefeita da cidade em dois mandatos seguidos pelo pmnmnd (partido do movimento nacional da mulher nota dez). Mas sempre gostou de natureza verde, plantas árvores frutíferas frugíferas com aves canoras frugívoras, matia, galo-da-rocha, marianinha, gralha-branca... Trocaria tudo pelo mato pelo campo pela montanha pela encosta. Gostava de tudo no mundo, menos de políticos. A família compartilhava a mesma casa todos no mesmo casarão da avenida Itatiaia frente com a praça São Sebastião. Quando podia ia pedalar pelas ruas até o aeródromo cinco quilômetros lá no bairro São Cristóvão e fazia isso desde que ganhou bíci lá pelas voltas e idos dos seus 13 anos. Um sonho impossível: completamente solta livre natural entre os índios cuxitineri lá em o Amapá. Olhos claros instantâneos dominadores. Trabalhava de segunda a sexta, pois o fim de semana era sagrado. Se definiu pela arte de casar e apaixonar na primeira vista. E o primeiro casamento foi aos 16. Seu coração se acelerou assim, tum! Tum! TUM!... e progressivamente. Porém se apartou dois anos depois 1 filho Cajati e 1 apartamento bem localizado 3° andar no Centro rua General Osório. Depois veio o segundo e nem quis mais engravidar e ficou com uma bolada no banco. Nem chorava nunca chorou nunca nunca preferia gritar gritava. No terceiro casamento engravidou da filha Maipuré e um terreno baldio nas imediações do bairro Retiro, quase um sítio e com arvoredo nativo, balata, ouricurizeiro, braúna-preta, araticum-do-mato... Os filhos ficaram com ela e mais ninguém. Os ex’s vinham visitar os filhos de 15 em 15 dias e olhe lá ou dias que ela agendava. Aos 43 nem declarados casou pela quarta vez e com um rapaz da idade do filho. Catuti tinha uma irmã mais bonita a Rabaçã, e a outra menos bonita da família a Macambira, e caso de ela Catuti o meio termo. De D preferia nem opinar nem pensar deixava isso para os outros, por enquanto. Nem gostava de ouvir falar de livros faculdades ex-maridos como amigos partidos políticos times de futebol e mais outros entre outros e escrevia com erro de coreografia. Teve um parêntese e foi morar por 2 anos em Quebrangulo, mas sem se adaptar voltou correndo com os filhos e para os braços de NP. Gostava de bolsas comprava adquiria todas que seu dinheiro podia colecionava bolsas sacolas sempre levava uma ou outra para onde fosse. Foi precisamente aqui nessa altura que eu a conheci e ela dona do bar-café Jasmim-do-Mato e com cabelos soltos meio louros meio ruivos e eu pensei na hora: até que a coroa está é enxuta, meu! E o que sonha fazer Catuti ou o que pode fazer por este ano que se inicia se anuncia?, pensei.
            Todo mundo quer fazer barulho hoje em dia e se deixar fica até amanhã segunda-feira.
                                                                       ***
            Consegui por especial deferência e num dia que todos os astros do céu se combinaram a meu favor o carro da família e convidei Cotia para ir até a ponte do rio das Antas. Ver a ponte, passar a tarde, subir nos arcos, passar a ponte, só nós dois e o domingo de tarde. E Cotia falava muito baixinho que pelo amor dos céus azuis infinitos impagáveis promissores. E parecia ter nojo asco ojeriza de mim. Ou certo charme, sabia eu?! Um pé atrás meio indefinido e sem explicação. Eu nem entendia de bicho muito menos de gente. De repente de inopino subitamente ela disse:
            - Por que que você nem deixa de fumar, meu?!
            Realmente, Cotia merecia coisa melhor, hálito melhor, beijo melhor, hábito melhor, palavra no ouvido melhor. Pelo pouco que eu a conhecia, ela merecia coisa mais caprichada, capacitada. Merecia um futuro de segurança. E tinha um perfume muito bem cheiroso, obrigado. Merecia um país mais estável no beijo. Ela caprichava demorava no beijo de gosto de açaí maduro. E ela merecia um futuro ali mesmo em Veranópolis, cidade de veraneio, às margens do rio sinuoso paisagem de arvoredo mata ciliar, taquaruçus, guacos, canas-de-macaco, camaradinhas...
            Era uma vez no interior do Estado do RGS. Linguagem universal sexo violência gratuita uso de drogas lícitas e ilícitas nem recomendado para menores de 18 e somente para maiores de 18. Então descobria que o barato no Rio era o Pão de Açúcar.
            Mistérios no espaço soçobrando... A lua estava falando bem de nós, escorpianos? Era tempo de ressurreição. O que era ontem podia voltar. Escorpianos, eu e Cotia, sabíamos ler e prever o que estava oculto. Bom para ir bem devagar. Havia controvérsias? Os sergipanos eram os sergipanos, os goianos eram os goianos... galo-da-serra ave símbolo de RR.
            Chegamos perto de uma tenda para comprar qualquer coisa que o jeito era consumir. Olhamos as bergamotas e laranjas e guabirobas e jabuticabas e pequis e pinhas... E gamamos. Bergamotas cheias, gordas, enormes, de boa pele, grandes e amarelas e suculentas e tentadoras, de segura e ótima procedência local. Repartidas em gomos davam água na boca, agridoce, acredite. Até brincamos de se atirar pedacinhos de cascas em voos de combate. Ela nem me perdoou:
            - Para com isso, seu ratão-do-banhado!
            Nem, ela nem falava por mal ou por bem ou por outro qualquer interesse. Uma fofura. Ela nem era agressiva como à primeira vista podia parecer. Ela nem era de pedir desculpas. E tinha uma explicação. Era que Cotia aprendeu tudo aquilo, seu jeito e tal, tudo em casa lá dela. Vou dizer que tinha umas covinhas charmosas no sorriso maroto. Era seu vocabulário do dia a dia, suas expressões usuais, sua linguagem corrida, sua educação que ninguém tinha nada com isso. Eu nem compreendia, mas entendia. Ou vice-versa. E se estava comigo era porque gostava, pelo menos um pouco, pelo menos naquele momento. Cabelos para trás das orelhas. Eu gostava dela e estava aprendendo a gostar muito mais. Os belo-horizontinos iam para Vitória, os curitibanos iam para Floripa... bando de pipiras para as matas de Itaboraí.  
As cascas de bergamota atravessavam o espaço aéreo como bumerangues, praticamente. Ela corria das minhas cascas, eu esquivava das cascas dela. Cotia ria muito com aquilo tudo. Ela alegre e eu por um giz. Se escondia atrás do assa-peixe, da pata-de-vaca, do guatambu-de-sapo, da chita-crespa... E era boa como pessoa, tinha olhos quase de santa. Chorava de alegria ou de tanto rir. Suspirava uns gritinhos histéricos, bobos, talvez até exagerados, mas era boa de se lidar, seios bons de cutucar, uma bunda conforme, uma cintura fina, umas ancas de guria. Eu tinha um ano mais velho e me escondia atrás do sessenta-e-dois, da galinha-choca, do jacaré-do-campo, da folha-santa... Solicitei:
            - Vamos até ali, na amurada da ponte?
            - Tu tá loco, né?!
            Ela tinha receio de olhar de cima da ponte os arrepios calafrios e ansiedades. E eu nem queria matá-la, e nem queria me suicidar, e nem queria que ninguém me empurrasse da ponte. Por isso que eu entendi o pânico, a fobia lá dela. E nem insisti. Era melhor assim. Peguei a mão. Passavam carros de Cotiporã para Palmares, passavam carros de Sertão para Tupandi, excursão de Mendes para Barra do Piraí... O barato sai caro de São Paulo era a avenida Paulista.
            Depois me lembrei da minha amiga Acaiaca... Seria a Acaiaca ou a Angelândia? Bem, me lembrei da Acaiaca que me dizia, bem me dizia: “Favorito!” E eu destacava esta palavra como uma das melhores do repertório. E para se chegar a Paranatama daqui pra lá ou de lá pra cá tínhamos que passar por Bayeux e Terezinha e Correntes, no mínimo.
            Nem me sentia muito confiado com a Cotia? Ela me saía como outra pessoa. Nem uma pessoa que eu conhecesse e soubesse como agir e lidar. Outra pessoa, uma pessoa com olhar de segredo, uma pessoa que nem estava inteiramente à vontade comigo. Uma pessoa com ganas de me falar coisas, mas com receio de descobrir minhas reações minhas falhas. Sei lá. Tinha uma barreira entre nós. Tinha um gelo, um muro, um morro baixo mas tinha, um perau, uma cerca de arame. Talvez o pouco tempo de namoro. Talvez nossa diferença escolar intelectual, ela sabia tudo de português e até me dava umas dicas:
            - Nem é amarom que se diz, meu! Marrom, é marrom, entende?!
            - ...
            - E outra coisa, na boa! Nem aponta o dedo assim assim que é feio, viu?! Principalmente em público na rua na frente das pessoas!
            Muitas andorinhas trissando pelo ar, entrando pelas pedras, talvez fazendo ninhos naqueles paredões que dão abismo ao vale, serra Gaúcha. Bocaina de Minas já era aqui, Bom Conselho já vinha aí, Alegrete já estava de volta, Monte Belo do Sul já passou sem pressa...
            Paramos diante de uma grutinha feita de cristais de rocha com santa lá dentro. Era para os mortos de acidentes de carro. Muitos tocos de velas fotografias frases dos versículos e parágrafos e capítulos. Flores em pequenos vasos. A santa, sozinha, que nem sabíamos o nome, uma senhorita de vestido azul e longo até os pés, olhar parado no alto, fazia a gente pensar em rezar para o céu. Mas eu nem rezei. Cotia fez o sinal da cruz juntou as mãos inclinou a cabeça ficou parada quieta voltada para dentro de si. Talvez até tenha falado alguma coisa baixinho e em sentimento. Quem sabe tenha feito os pedidos normais nessas horas. Buzinavam saudando os caminhões de Garanhuns, de João Neiva, de Itabuna, de Pinto Bandeira e passavam com oito dez doze eixos e acima do peso...
            Quando havia um mundo entre nós dois e para cada um. Eu e Cotia éramos dois pedaços sem vontade de se tolerar definitivo definitivamente. Quem sabe a gente se encontrava uma hora, estávamos tentando. Quem sabe nunca nos entendêssemos de verdade profundamente amadamente. Quem sabe nem tivesse importância alguma aquele mútuo descaso. Quem sabe o mundo era aquilo mesmo, as pessoas e seus modos vários variáveis, os acasos. Quem sabe o amor nem existisse, mesmo com toda a insistência, mesmo com toda a mídia, mesmo com toda a boa vontade dos amantes e romances e escuros de cinemas. Quem sabe o sonho era muito futuro e o amor nem podia resistir a tanto. Entre Juarez Távora e Muniz Freire ficava a de Palmeira dos Índios...
            Como juntar as partes? Ainda ninguém previa. A verdade já estava nos olhando, mas nem se mostrava, era invisível, camuflada, louva-a-deus na folhagem. A verdade ia na frente, olhava as coisas para além do que se sabia e se podia. Cantavam os pássaros empoleirados nas árvores do paredão, pipiôs, surucuás-miudinhos, jacarinas, chitadinhas... A verdade olhava do alto, lá na frente, lá no futuro, pelas costas, por cima do ombro. A nossa verdade nos antecipava. A verdade nos enganava nos iludia nos amava fazia a gente seguir uma pista. Depois saberíamos onde foi que erramos o caminho erramos a viagem erramos tudo os beijos o norte e o sul. E eram turistas viajantes pedindo informações eram de Catende, turistas de Alto Rio Novo...
            Me aproximei com gosto cheguei perto faltando um metro falei me olhou cabelos caindo nos olhos fui avancei mais meio metro falei pousei a mão falei assoprei e ela riu nem cuspiu nem chutou socar arranhar nem mordeu.
                                                                       ***
            Quando cheguei junto ao mar vi o mar pela primeira vez... O azul parecia nem ter horizonte... nem ter nascido... E tinha chuá!... de onda espumosa na praia branca, pessoas fazendo nada andando sob o sol, pios de pássaros marinhos, ilha das Enxadas no arquipélago Santa Bárbara...
Se eu ouvi se eu cheirei? Mas vi, sonhei que os animais felinos rosnavam bramavam esgaravatavam ao redor da nossa casa e das casas. Nossas casas, minha casa, são sempre os modos de dizer. O que eu queria era sair para fora do meu pequeno cais. Eu ia um dia. Mas por que felino, gente?! Vou jogar no bicho. O leão o tigre a onça rondavam a casa, a casa dos da família, onde eu dormia de favor o sono dos incomodados. Mas os felinos querendo me matar? Pois se foi que sonhei, então o negócio era comigo. A casa estava cercada sitiada hipotecada. O leopardo a leoa a jaguatirica lambiam os beiços com sede e fome e pressa de sangue. Previam sentiam, com toda certeza, meu cheiro, água na boca do meu bom bocado. Por que bicho do alto da cadeia alimentar? Por que nem um cachorro, por exemplo? Tamanduá-bandeira, outro exemplo. Devem ter fugido de circo. Eu odeio circos e zoológicos. Devem ter fugido do Ibama. E essas feras poderosas devem me odiar até em sonhos meus. Eu torço para os animais selvagens nos documentários de tevê, nos pesca-e-pague, nas expedições, nas aulas de biologia. Os felinos são preguiçosos. São como o sol no verão. São como o domingo na tarde. São como o rio na estiagem. São como nós todos, como as gentes. Eu nem curto muito esse negócio de feras e seus instintos de sobrevivência, coisas ferozes e naturais. Nem entendo por que carecem de comer sempre coisa boa tenra pulsante sangue escorrendo da boca. Eu até viajaria para a Amazônia, para o pantanal mato-grossense, mas nem suporto as variedades rastejantes cobras e lagartos e jacarés.
                                                                       ***
            A cidade às nove da manhã de uma terça-feira, das muitas. O inverno chegando com o dia nublado. Os pensamentos congelados, as ideias congeladas, o futuro tão longe das mãos e das garras e dos dentes. Isso já me acontecera só umas 50 vezes na história bíblica da minha sorte do meu rio.
A cidade às dez da manhã de uma terça-feira registrada em folinha gentileza do armazém A Gomeira. Passava um carro, passava outro carro, passava um caminhão, nem mudava nada. A farmácia ao meio-dia da terça-feira. Dia nublado, eterno, dor nos joelhos, desconforto, cansaço da preguiça, alguém alguns da universidade de Itu descobriram que a folha do guajará-branco tem função anestésica.
O dia o frio se encontraram desanimadamente o dia procurou falou gesticulou o frio pediu conversou nem fizeram acordo dois bicudos nem se beijam. E cada um foi prum lado.
A cidade às duas da tarde da mesma terça-feira que eu via passar que eu vigiava. Assim eram os dias, assim eram as coisas, assim eram as pessoas, assim eram as feiras de artesanato, assim eram os países do hemisfério sul, assim foram as avoantes que migraram para o norte avoante símbolo da Paraíba.
Um insólito tempo tampão nem se mexeu, e mais de menos.
                                                                       ***
            Me contaram, nem invento nem inventando. Uma moça chamada Nanuque, talvez apelido, ou diminutivo, me contou contando na farmácia. Ela disse que um carinha passava passando de carro pela frente da casa dela deles, e buzinava buzinando. Passou passando várias vezes, e buzinava toda vez. Era provocação. Nanuque me disse e me falou:
            - Queria era provocar provocando o meu irmão.
            O irmão da Nanuque, o Patis, segundo a Nanuque me disse, falou para ela Nanuque, Nanuque destacou:
            - Pode deixá deixando que o dele tá está guardado aguardando.
            Pela manhã, pela tarde, certo cair de tarde. Bem cedo, clareando ainda o dia, ouvindo grilos e vaga-lumes luzindo cores de verde. Então, foram ao baile ao arrasta-pé.
Por que a balada. O baile era na capela da comunidade Lagamar, no salão do galpão da associação dos motoristas, umas poucas telhas translúcidas para ver a lua as estrelas as nuvens o sol. Ali todos se conheciam se conhecendo. Mas podia vir gente de fora que seria muito bem-vinda benquista aprovada, independia independendo.
            Aí, lá pelas horas foram andando pela noite adentro. E o baile era de toda música e tal e qual. Mais gente nova, mais gente solteira, mais bicho malandro. Uns dois ou três seguranças andando no meio do povo. A música era para todos os gostos e tipos de corno. E as horas da noite continuaram continuando.
            Sentia sentindo fome? Quem sentia sentindo fome ia até a copa e comia comendo sopa de capelete bofe de vaca com pão e queijo ralado linguiça no espeto com salada de batata e maniva macaxeira jerimum, tudo regado a vinho cerveja caipirinha.
            Depois houve uma briga e o segurança bateu batendo num garoto. O garoto tinha uma turma que correu correndo para cima do segurança e bateram batendo no segurança com chutes e pontapés. Os seguranças perderam a segurança e chamaram chamando a polícia. A polícia demorou demorando meia hora para chegar. Quando chegaram os home o baile estava no fim. A polícia entrevistou dois ou três e levou levando dois bêbados para a delegacia.
            Nanuque nem arrumou nada no baile. Eu sei por quê. Nem vou dizer. O mano dela, o Patis, ele já estava estando com a namorada, uma tal de Taparuba. A Nanuque segurava segurando o irmão para ele nem brigar com os seguranças. Nem adiantando adiantou. O Patis brigou com dois ou três que nem eram seguranças mas que estavam do lado dos seguranças. Após o baile continuaram continuando meio assim assim ressabiados.
            Depois ainda os conhecidos da Nanuque, com a Nanuque, foram embora porque a Nanuque estava bêbada e já tinha tendo vomitado no salão. Vomitou vomitando mais duas três vezes, uma na saída do baile, outra pela janela do carro em movimento outra nem sei em que altura da estrada estreita sinuosa curva da morte. A Nanuque gostava de beber aquela caipirinha que vem numa garrafinha individual se sabe sabendo.
            Nem estavam mais no local quando a polícia chegou chegando, conferiu conferindo, tomou tomando um cafezinho e levou levando os tais drogados.
Amigos da Nanuque e a própria Nanuque chegaram chegando em casa umas cinco e meia. Ela vomitou os bofes na ponte pelo rio Pipiripau abaixo.
A Nanuque depois, dois dias depois, me contou contando com o muito humor e o gosto e as risadas lá dela, vá lá, ih ih ih!...
Nunca mais a vi. Pois eu nem podia prever que um dia me casaria com ela. E nunca mais eu soube do seu paradeiro. Poderia alguém me falar mas ninguém me falou nada.
                                                                       ***
            Subiu do monte acendeu agitou andou andou, imenso comprido esticado, subiu parou desceu andou andou cansou apagou, dormimos ou nos escondemos de nós mesmos que somos gente como a gente.
            À hora e dia e horas marcados chegávamos em a quarta-feira 26 de outubro 15h e 22 minutos do ano da Copa do mundo de 1994?
            Foi então o curioso fenômeno teve lugar a hora o vexame a plateia o planeta, etc., a lua.
Uma deusa, amante belíssima, de nome Iara, tinha somente ela o privilégio de morar numa ilha flutuante chamada Maiandeua. Esta ilha mãe da terra, que foi um presente dado à deusa mãe da água por um poderoso deus, chamado Ibaca, que nem podia se expor abertamente, etc.
            Iara, vaidosa vaidosa, acordou e invocou com os próprios cabelos, despertou e nem reconheceu os pés, abriu os olhos à flor da água e nem gostou das plantas aquáticas, cheirou mordeu os cabelos, espiou e detestou as mãos, os dedos, as unhas, e principalmente os longos e negros e escorridos cabelos molhados.
            Então, Iara recebeu mais tarde o arco-íris e teve um filho. Este curumim de nome Pirá, cresceu nos morros, campos, mangues, praias e matos da ilha, descampados de capim-bambu, baunilha-falsa, catingueira, piri, caroá... Ilha essa que já nem era pequena nem plana nem quente nem fria nem arenosa nem pedregosa. E ele se revelou um deus da sorte e bom no arco e flecha até mesmo no tacape. Adolescente, ofegante, o guerreiro já passou a roubar capivaras e cutias e lebres e teiús dos índios da tribo temiminós. E Pirá vendia essas caças e as peles aos corsários piratas franceses em troca de espelhinhos e ferramentas como canivete faca facão foice.
            Um certo dia recebeu em troca por uma onça-pintada ainda viva uma viola e começou a tocar e cantar suas façanhas que nem podiam parar. A viola mudou sua lenda para melhor. Pirá cantava como pássaro uirapuru, no mínimo. Assim, foi Pirá aventurar longe distante da ilha flutuante da mãe, numa nação distante com lagoa Itapeva mais serra do Caparaó um país estranho chamado Pacajus. E lá tudo por lá era bonito e verdejante tinha rio Taquari e plantas tenras floridas paqueviras, cipós-chumbos, bambus-trepadores, bananas-do-brejo...
            Nessa altura a deusa Iara, cabelos até a cintura, mãe dos peixes, bagre, matrinxã, barbado, graviola, jeju, sapo-intanha e de tudo que nada e de Pirá, já se tornava vaidosa vaidosa. Esta deusa da ilha flutuante, conversou com um pajé de nome Tatajuba que morava de favor numa das suas cavernas. Este o pajé mágico tamarana enfeitiçado sempre na mão transformou a deusa mãe das águas doces das pedras preciosas dos peixinhos de aquário em três onças diferentes e distintas e felinas. As onças foram sorteadas soltas nas matas e campos e campinas. Sendo que de noite as três dormiam na gruta da ilha. Numa gruta espaçosa sossegada somente para elas.
            As onças, que eram as três irmãs Jagueretê, Canguçu e Suçuarana, nas primeiras horas das manhãs, antes do sol passar os montes, o sol ainda no banho, entravam nos banhados e roubavam as caças as antas e as pacas e os jacarés-de-papo-amarelo dos guerreiros temiminós. As irmãs predadoras faziam artes e mágicas para nem serem descobertas deixar pegadas, mas foram.
            Sabendo da recompensa pela captura ou morte das três onças ladronas, Pirá voltou do estrangeiro pela ponte Colombo Sales sentido terminal rodoviário Rita Maria e para caçá-las. E uma manhã muito cedo sol de uma luz neutra as espreitou e as matou surpreendendo-as dormindo numa caverna.
            E quando o caçador Pirá cocar enfeitado de penas de gavião-real percebeu que havia assassinado três vezes a própria mãe nem acreditou nem aguentou mais nem suportou o fardo, mas já era tarde.
                                                                       ***
            Eu passava por uma sala... sala ou vitrina?, sala de reuniões de um clube ou de um conglomerado?, era uma sala com mesa de madeira polida envernizada e ali os caras, todos senhores bem vestidos e já meio antigos, fumavam seus charutos e bebiam seus copos de uísque vinho ou pinga de Minas ou outros até mais coloridos. Eu olhei para eles e me perguntei nem sei o quê. Olhei de novo, nem sei se eu ia falar... a coisa se esgarçou... se esgarçou... virou vapor e cerração e nevoeiro... parecia dia, podia ser iluminação noturna...
            Já estava dentro do estádio de futebol do mega time da capital. Que cor? Fui para as arquibancadas ver o treino, mas nem tinha ninguém no gramado. Ali pelas arquibancadas na sombra das pitombeiras uns torcedores viciados em futebol conversavam conversando, esperando trocavam impressões. Num grupo de moleques, rindo e conversando, um repórter... de jornal, de rádio?, que provocava a galera. O repórter provocou:
            - Que centroavante, então?
            - Um fortão bem alto e sem habilidade já serve pro time - respondeu um garoto. 
            - Nem. Um mediano e habilidoso é melhor - disse outro moleque.
            - Um que mete pra dentro da casinha e nem interessa se é isso ou aquilo. O importante e o essencial é que balance as redes adversárias, ah ah ah!... - falou um terceiro piá.
            E o repórter ria, provocava, instigava a galerinha. Eu olhando e ia ouvindo e nem me metendo. Eu tinha minha missão na terra e minha opinião minha razão e em breve ia meter a colher, mesmo nem convidado. Por quê? Porque eu me conheço, só isso. Mas aí... a coisa começou a esgarçar... e se esgarçou... virou uma fumaça sem cor sem cheiro... repórter perguntou ao culepe... nem mais ouvi... a nuvem tomou conta abafou...
            Cheguei em casa sobrevivente da fome e corri para a cozinha preparar um bagulho para comer. Olhei na geladeira nem tinha bagulho que pudesse utilizar. Olhei pelaí e nada de bagulho para comer. Pensei que eu mesmo tinha que inventar usar a criatividade e preparar algum bagulho e pronto. Procurei jogar uns bagulhos sobre a mesa e joguei o que encontrei e seja lá o que for. Procurei o bagulho para o café e nem achava o bagulho apropriado. Onde estava o tal bagulho, meu?! E procurei até achar o tal bagulho e quando me preparei para esquentar a água... que dê o bagulho de ferver a água? Nem vi bagulho nenhum, olhei pela janela e despejei lá embaixo qualquer coisa e sujei todo o pátio de um bagulho de gordura ou de cinzas ou de outra coisa, sei lá, sei lá. E fechei a janela e preparei para continuar... mas cadê o outro desses bagulhos... que bagulho?... A coisa começou a esgarçar... a se esgarçar... a ficar muito longe... em longe longo... o tempo o espaço se degringolando...
            Apenas então quando me lembrei quanto me custou quando estava na livraria Taboca-Gigante - e isso era lá com eles ou elas as proprietárias donas do negócio - andando entre edições e prateleiras repletas de lançamentos, mochilas, cadernos, livros, revistas... uma família pai mãe e garoto de boné ao contrário...
            - Escolhe que livro você quer, meu filho. Diga aí pra moça.
            - ??
            - Que tipo será que você quer?
            - Vai e fala pra moça, meu filho. Seria bom um livro que se usa no colégio, né.
            - Eu gosto de livro de filme.
            - Tem livro de filme? Que tipo de filme?
            - Temos muitos livros de filme, aliás, todos estão aqui até os últimos lançamentos e todos esses aqui, ó. Veja este que é o mais recente porque se passa num lugar surreal...
            - Qual que você quer, meu filho?
            - Um com sangue.
            E me senti incomodado por mim por mim e tudo começou a esgarçar... se esgarçou... foi sendo triturado no ar pelo tempo pelo espaço... sugado para dentro do tempo do espaço... a livraria vendia estatuetas de deusas pagãs anônimas inexatas pagáveis no cartão...
             
                                                           ***
            Meu primo Mbéru telefonou àquela horinha em que todo mundo se atrapalha:
            - Ei, meu! Tenho um corpo exponencial aqui para abater ali...
            - Conheço?
            - Nem, nem conhece. Bem, talvez conheça. Mas isso nem importa nem desimporta nem desporta, né, meu?!
            De distante longe baixinho:
            - Fiiiiiuuu!...
            Mais perto e alto:
            - FIIIIIUUU!...
            Minha família de casa tinha ido visitar outros parentes lá na linha Casimiro de Abreu, capela São Miguel, algo bucólico e até rústico e primitivo e caipira muito bom por sinal arvoredos de amburanas de tamaquaris capoeirão de cajuçaras banhados de capins-navalhas noturnos de guácharos, etc., país pacífico das formigas jejás. E eu estava sozinho em casa e cuidando da casa solito no más. Meu primo esse o Mbéru, prolixo, sabia disso. Ele, um tanto por isso mesmo, continuou:
            - Aí, eu pensei comigo que... que você poderia me fazer o favor de... de nem tenho grana para ir a um hotelzinho, entende?! Até porque...
            Deblaterar em quê, em quê, hem?!, me diga!
            - Nem me diga que ela é casada, meu!
            - Tô te falando, cara!
            Eu pensei e pensei com um, zuiiiiiiim!... no ouvido e bem por dentro do cérebro e soltei esta:
            - Se eu ficar olhando...
                                                                       ***
            Ali no bar Periquito-Tuim de propriedade do Embaúba e dentro do perímetro urbano desta cidade. Pois eram quatro bobos, dois casais que ainda ou nunca nem namoravam. Ficávamos juntos quando nos encontrávamos, o de vez em quando. O problema o motivo a desculpa era a... cachacha.
            Eu estava sentado pela direita perto da Capixaba, a Capixaba sentada perto do Tamaquaré, o Tamaquaré sentado perto da Potiguar, a Potiguar na esquerda perto de mim mesmo. Assim dando a volta na mesinha do bar. Uma tevê ligada no canal de variedades, zoeira normal de pessoas conversando alto em as outras mesinhas, cervejas, guaranás, batatas fritas, risos soltos no ar meio tapado gorduroso do bar-lancheria, ramerrão, etc.
            A decisão de acertar tudo com o rio e arrumar pegar a mala a cuia...
            Eu gostava de Capixaba e olhava a Potiguar como para disfarçar o verdadeiro interesse o viés. Capixaba gostava de Tamaquaré e olhava Tamaquaré com as mãos segurando o queixo e os olhos miudinhos. Tamaquaré gostava de Capixaba e gostava de Potiguar e olhava Potiguar e Capixaba (esta a mais bonita das duas) e sorria para Capixaba e lambia os beiços para ambas e tomando servia cerveja para Potiguar esta pegando o cigarro da boca dele esta mesma a mais desinibida e de riso agradável...
            Então, tá.