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quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Algumas Histórias Devem Ser Mais Ou Menos Curtas Que Outras



        
         E uma manhã já adiantada de sol bem forte debaixo de uma árvore candeia-de-caju. E tinha vento e tinha nuvem e tinha borboleta-da-coronilha e outras coisas. De sublimar.
Mas aí e por favor, pela pele do mundo pelaí, sorrateiramente, manhosamente, camufladamente, despontaram brotaram afloraram, miou uma jaguatirica, latiu um graxaim, pulou um sagui-de-tufos-pretos, assobiou um serra-serra, nadou rolou revirou volteou um curimbatá-da-lagoa... No visível invisível alaram soaram urgente repentino umas aves de banhado alagado alarmaram entre moitas de plantas encharcadas aquáticas, ciganas, saracuras-do-mangue, chacurus, marias-faceiras, irerês, garças-do-mato...
         O tempo engatou uma marcha acelerada e veio o mistério o verão a idolatria do sol e da lua... E pajé Tori dos avá-canoeiro transformou enigmático chá de samambã em culto... Ao alcance da luz o sol sim senhor fez o mundo rodar em as aparências que enganam...
         Sem ouro nem vontade sem dita com ouro e com pedras preciosas as felizes eram todas satisfeitas, uma vez.
         Curiosou a infância e agarrou a juventude, de juventude se distanciou e se acercou na maturidade, com maturidade deixou quase tudo para passear a velhice. Na velhice passou para a terra em tanto tempo e assim ou assado acabou por que se termina logo logo morrendo.
         - As duas jovens gêmeas primeiras dadas e ainda em tempo uma mais combinada elegante elevada num total de três irmãs.
         Pouco por dia a dia e mês e ano foi conhecendo e reconhecendo e prevendo. Perdendo de tudo e ganhando um pouco de nada e deixando para trás o que naufragava o que mais queria e almejava.
O que nunca aconteceu nem poderia ter acontecido. O melhor o mais que melhor o pouco de melhor que era prêmio premiado muito comemorado.
         - Que devo ou nem devo fazer?
         D-Grande como Ele sol candente camisa aberta saiu pelaí pés descalços anotando coisas inventadas a serem criadas, sapinho-pingo-de-ouro, pitiú, parauacu, xexéu-de-bananeira, candimba, acará-bobo, guácharo, beija-flor-azul-de-rabo-branco, enxu, timbó-taturuaia, parque Barigui, cabeça-de-cuia, santuário do Bom Jesus de Matosinhos...
         Passou ali e almoçou a refeição mais predileta e bebeu a cerveja bem estúpida colarinho e loira dourada sorrindo em cartaz. E a cidade ainda comportava as mulheres mais lindas e queridas. Escolheu para si a mais bela simpática inteligente ativa divertida cabelos soltos selvagens olhos gulosos brilhosos de jabuticaba pri-vi-le-gia-do e se abraçaram no dia mais longo ainda ininterrupto.
O dia progrediu o mundo de tantas imaginações as árvores os automóveis os aviões de carreira os barcos a serra do Tabuleiro o rio Apiaí-Guaçu...
- O que é, por que é, como é?
         Andou andou andou pelaí, continuou o caminho a rua a estrada e os lugares por onde passava passou, Borebi, Centenário do Sul, Pacatuba, Esperança do Sul, Tartarugalzinho, São Martinho, ilhas Três Irmãs, praia do Campeche. Quando enrolava um carretel para desenrolar outro...
         Num mágico menos de um segundo o esplendor resumiu tudo nem coube em palavras e de novo limpo nascente até hoje. De espiritual.
***
         O lugar distante que procurava andou andou andou ficava mesmo assim muito longe o lugar que persistia. Colecionava ruas praças usinas hidrelétricas pedras nomes de bichos sementes de plantas.
         Um cavalo crioulo potototó-popopotó!... e também nem alado que assistia a parada de 7 de Setembro mesmo assim tinha com br muitas dívidas.
         E imenso o sol apareceu riu acendeu árvores riu se despediu fechou a paisagem. Os bichos do campo do mato da selva agraciados gostaram imenso agradecidos, periquitos-estrelas, dançadores-de-cabeça-dourada, birros, casacas-de-couro-amarelo, tachãs, bigodinhos, curicas-urubus. As estrelas as supernovas enfeitaram primeiro o infinito.
         - E, olha gente, então, sucesso!
A moça sentou na sombra da árvore e refletiu e quase nem fez mais nada o dia todo. A cabeça repousada no braço cabelo liso claro ultra-alinhamento com brilho 3d. Estava iluminada dormiu rápido a noite toda imaginou que ondulava numa jangada voando igual gente-de-fora-vem lugar verde lá embaixo e sabia cantar e bater asas igual pica-pau-lindo chegou a pousar no centro da montanha aparentemente mais distante.
Fomos e viemos a montanha soprou as horas o vento o azul-claro Tejupá Piraju Avaré Crissiumal Corumbá rio Palmital os ventos as árvores as nuvens para além dos morros azuis longe imenso qualificado prestimoso.
- Vai dar chuva ou sol na sua cidade tal de Balneário Pinhal?
As histórias longas mas são as histórias curtas ainda as melhores e mais viajantes, uma vez!
Dali ficou ela mesma olhando tudo em volta sem saber mais nada sem prever coisa com coisa alguma.
No giro luminoso diário responsável do sol aconteceu a noite remoendo manducando mastigando a lua, depois da mangabeira alta insuflar o ovo de prato. 
***
         Falou a porta falou a mulher de Rio Verde de Mato Grosso falou o cavalo falou a árvore, emitiram, calou atenta atenta a lagartixa-da-areia:
         - Vou sair de Três Passos até o mundo.
         - Atravesso o sertão a ilha das Pedras Brancas as colinas a floresta.
         - Consigo chegar tapiti bem mais muito longe e distante endereçada.
         - Aconteço me espalhar por ali acolá embora pelas cidades e me esbaldar mesmo praia do Quintão em a casa do parente.
         Oito meses depois os dois casais se apartaram com tranquilidade com testemunha e separação de bens. Ele foi para o céu em dia de azul anil, ela foi para o universo em noite de estrelas.
Até hoje de-boa se cumprimentam nas horas boreais, se bem que entram os dias e saem as noites. É daí assim que surgem conforme rotineiros partem os quatro tipos cardeais, uma amostra:
         Algumas histórias são longas ou estendidas enquanto são curtas ou breves já as outras.
***
         Chegou uma nuvem e foi logo para o fim da tarde mormacenta meteorologia suarenta temperatura sufocante pegajosa. Depois de lá de cima de longe suave conclamou o vento. Mas pra quê!
Os dois trovejaram rilharam ribombaram eletrizaram bombardearam. Fizeram e desfizeram deixando tudo no escuro e no dia precipitado. Armaram uma grande cachoeira uma cascata com ondas de banho de água fria e que rosnavam e quebravam e enxaguavam e levavam tudo de roldão.
Pensou calculou aprovou pôs a mão no queixo na memória o dedo nos lábios fez biquinho e acabou se decidindo. Foi fácil encontrar uma nuvem disponível disposta desembaraçada embarcada navegante. Foi gênio captar um vento oxigenado desnorteado destelhado precipitado.
Nem sabia se era para fazer a pergunta, mas perguntou:
De começo diziam muito e cada um dizia uma coisa. Ninguém embora sabia o que fazer ou desfazer ou confraternizar. Sem ter para onde ir ou sem saber quem obedecer ou o que aventurar a nuvem aceitou e fez que sim. Tudo funcionando como num relógio num jogo de cartas marcadas o remoinho se espreguiçou o vento assobiou.
As histórias curtas levam uma eternidade e outras histórias longas histórias levam uma vantagem com os sete indispensáveis requisitos diários.
Assim sendo, secretamente, e da noite pro dia, tudo foi dito combinado novo leve alto revolucionário:
         - Quero te propor um negócio.
         - Diga que vamos lá ver o que é.
         - Quero justiça e nada de conversa com mais ninguém.
         - Vamos ver o que posso fazer, então.
         - Aposto que conseguirá.
         - Sim pois devo fazer isso.
         Ouviu o vento respondeu a nuvem, por fim.
         Uma coisa e outra coisa os dois fenômenos tinham muito a ver com ambas as suas partes. Ficaram pensando sem falar uma pro outro, uma vez: “É, foi um dia complexo e uma noite e tanto”.