O amor que tenho por essa guria não é
amor propriamente dito propriedade minha. É um sonho de consumo de beleza de
modelo de exibição de palmeira juçara de high tech de horizonte. De longa data.
Nasci aqui e sou do mundo.
Somos amigos os dois das plantas, quer um
ex?, cajueira-bravo, taioba, sapucaia-branca, piuveira, cumaru-amarelo,
faveleira, biribá...
Foguetes sem parar e a virada para o
2011.
E mesmo porque duvido de tudo o que me diz,
principalmente desses seus olhos de Capitu. Será que não leu Capitu. Não leu,
mas sabe mas entende mas presta muita atenção.
Não sou, não adianta que não sou a ilha da Gipoia!
O sol toca o ponto da manhã com estratégia carícia
delícia. O vento sai pulando de arco em arco. O vento pergunta às folhas. E um
rio milagreiro de nome Verde em Mato Grosso cachoeiras horizontais cai na minha
balança.
Já tinha acontecido assim mesmo em lá as tantas outras
vezes.
O astro na sua sina atômica tem a vida ganha. O rio tem
a vida ganha. As estévias a vida ganha. Os capitães-de-saíra a vida ganha.
Conto as horas conto os dias conto as árvores da avenida Casemiro de Abreu. O
quiriquiri não sabe se está certo. A paciência e eu busco principalmente a
paciência. Lua cômoda e acolá em cima, aquela lua branca do prato ro-lan-do em
câmara lenta.
Pago um táxi para me levar até a esquina vender milho
verde. Quem não gosta? Cinco reais. A rua completamente comprida e muitas das
vezes sem necessidade. Milho para agradar a noite toda.
E seus cabelos que meses atrás tinham mechas
esbranquiçadas e lhe acrescentavam quatro ou no mínimo três anos?! E dias após as
mesmas crinas que ficaram vermelhas como fogo?! Agora são melenas negras como a
asa da graúna.
Depois de passarmos a limpo, descemos e fomos ao
quintal cheio de árvores. Japus-verdes faziam ensaios trapezistas em a
tamboril. Uma pixoré ouvia o outro. O vim-vim fazia jus fazia por merecer. As
setes-sangrias os ipês-da-várzea ajudam na cura do estômago, se for o caso. Os
aipês super protegem a garganta. As pitangas-brancas combatem a febre. As
capororocas previnem inchaço dos pés. As orelhas-de-burro úteis para uma boa sombra.
Uma figueira-branca perto da casa excelente para guardar dos grandes ventos
noroestes.
Já nem sei se lhe deixo uma das minhas fotos
ou se fico devendo prometendo e negando adiando fingindo esquecer.
É árvore ver o tempo, é rio ver o tempo,
é tejo-do-campo ver o tempo. É olhar uma uvaia e ver o tempo.
O que se faz para amanhã? O que faz o
povo da aldeia aisuari?
Comentada no mundo inteiro, consumida pelas
tribos na região da Amazônia Legal, comemorada nacionalmente como do norte, a
castanha-do-pará atingiu a curva do universo. Eficaz para o corpo e a inteligência.
E faz bem a todos que é boa toda hora.
Que o rio cresceu até as nuvens plácidas.
E povoa as margens de Santo Amaro da Imperatriz, Águas Mornas, Brotas, Riachinho,
Imbé.
Hoje dia 8 de maio de 2016 cinco meses
antes da minha viagem de férias para tal Junco do Seridó e São José de
Espinharas.
Essa fruta é tentação, tentação. Outro
dia, por exemplo, peguei o colarzinho que trazia, tipo esses que os índios
ticuna usam, e ela me pareceu preocupada e expectativa com a opinião que eu
iria manifestar.
Isso tudo, contudo, não parece provável.
São só detalhes que tudo bem que se
repare, mas que não contam em nada, nada.
Atitudes como de crianças no recreio. Sem preocupação com o sentido que
os olhares tomam que os gestos carregam que as palavras incitam que os outros
maliciam.
Ao nascer o sol em o dia 17 mês novembro
ano de 2002 peguei e fui a pé mesmo até o centro da cidade reparando as ruas as
árvores em linha de fila coisa natural coisa normal coisa minha. Todos na rua olharam para mim assim as pessoas
os bichos as árvores as cadeiras os automóveis os acampitás. O céu azul as
árvores verdes, pequiá-do-mato, estriveira, peribi, canela-pinho, sapupema,
granixinga e o vento que sempre vem de longe. Bando de peririguás, juruebas,
também os jaós, fogos-apagous. Ficaram as casas, ficou a rua, ficaram as árvores
com flores comestíveis. As lojas seus atendentes tranquilos seus fregueses
ausentes indiferentes escassos. Os prédios de vidro sob o sol quente,
mandaçaias-do-chão, tinguis-da-praia, nhumbus. A partir da praça Aimoré, a paca
atravessou o canteiro central entrou pela sapieira no terreno baldio virou
cutia virou preá virou cadeira virou taquaruçu virou pacova-sororoca etc vira
virou por aí afora ou coisas aparecidas.
Não sou, não adianta que não sou o caiouá!
É fácil saber o que ela está pensando neste
minuto. Que horas são? Está por lá na sua casa na praia da Joaquina pensando em
mim como eu penso nela daqui de Pirapora.
É a minha natural veleidade. É mania a
veleidade. É a veleidade.
No shopping no ginásio na missa de domingo tentamos super
disfarçar. Dia 20, 7 horas da tarde e o ano de 2004. Sempre quando nos vemos
preferimos aquela troca de gestos e palavras amistosas, um beijo no rosto e
tchau, um beijo só no lado do rosto e tchau mesmo.
Minha irmã do meio me recomendou uma certa viúva
recém-recém moradora no bairro São Peregrino e eu fiquei para olhar para ver de
pesar de ponderar e cotejar e comparar.
A rua ou avenida das árvores enormes em arco em túnel,
jatobá, vassourão-de-cavalo, cumbaru, monjolo, embiruçu, formigueira,
fruta-de-pomba...
Isso tudo, porém, parece provável.
Não se sabe aonde essa história vai
parar. Parará um dia no rio da Farinha, no rio Pardo, no rio Itanhaém. Alguém
vai embora, ou arruma outra, enfim. Até se pode sonhar que dará certo, que
lenda de índios sapará ainda conquistará a moda, que o cine Turumã ainda
funcione nas tardes de domingo, que sobrevivem ainda os passeios de mãos dadas
pela praça da Bandeira, que os pôr do sóis ainda podem ser festejados e revistos
aos sorvetes aos algodões-doces aos mates. Que perda de tempo!
Não sou, não adianta que não sou o camboatá-branco!
Nesse momento não ouso pensar em mim. Não
me preocupo. Vou pela rua avenida Flores da Cunha sentido do Horto Florestal.
Olhando os pés das árvores uma do lado da outra árvores altas amarelas verdes
roxas, goiaba-verde, guamirim, cerejeira-do-mato, cássia-branca, batinga, guaretá,
angico-vermelho. Pitoresco. Quando é época de frutos carregadas de frutas. Os
maracanãs sabem que estão certos. É, sim, por que não?!, 2008 foi um ano e
tanto.
De novo céu sem nuvens sem pássaros sem
pandorgas sem sapos-martelos onde uma nave extraterrestre interestelar se desloca
numa disposição de imaginária resplandecência.
Ninguém precisa me dizer que é rio pois é
rio.
Passou
o dia, foram dois três dias, passaram meses, passou o ano, o lento rio do tempo
ao vento, e já eram começos do 8 de janeiro de 2014.
Perdi o meu tempo perdi tempo e fiquei livre aéreo leve
e leviano. Não sobra mais tempo para mais nada. Só as coisas mudas do passar do
tempo. Penso cismo e não abro a boca. Só os climas, sem os lugares sem os nomes
no transcorrer do tempo. O relógio faz-que-fez os ponteiros e vai contando as
montanhas de minutos as horas. É possível mesmo que não seja provável!
Vou comprar uma cidade que acha? da cidade de Mormaço,
quero adquirir Ibiaí, vou ver se posso com o preço de Patos, me interesso muito
por Piquerobi, faço negócio compro vendo troco São Mateus do Sul, tenho preferências
por Lajeado Grande, vou ganhar muito dinheiro com Itobi, Juquitiba, Natividade
da Serra, Guaxupé, levo fé nos planos para Ribeirão Preto.
Correram os dias após dias, se passaram
os meses, super águas da chuva, e quantos anos, quinze dezesseis, depois já em maio
de 1996 quando a população já ficava sabendo da inauguração da ponte. Dois
invernos após, aconteceu o fato insólito: a ponte amanheceu pintada de azul.
Mais ou menos quatro anos de águas sob a ponte, uma Copa do Mundo, uma grande
crise no ministério dos transportes, uma seca na região nordeste do país, uma
olimpíada de vinte medalhas, e a ponte com sua pintura definitiva em verde-amarelo.
Agora recentemente, uns dois meses para trás, ocorreu o fato esquisito
sobrenatural e clandestino da ponte ter aumentado em mais doze arcos. Onde está
D para tudo isso?!
Se chover paga um pinto, se levar
guarda-chuva paga um mico!
Quero dizer que já passei pela mesma rua
muitas vezes, de casa para tal ponto de tais pontos para casa, indo e vindo,
muitas vezes essa mesma rua passei repassei e passarei e que ainda nem sei.
E depois, por analogia, veio o vento o
rio a chuva o sol as árvores da praça nessa ordem de piaçaba, milho-cozido,
espinheiro, sete-capotes, umbu...
Na verdade na verdade o que o h. mais
aprecia e gosta e preza e leva em conta, antes de dinheiro mulher futebol (não
exatamente nessa ordem e progresso), é de um bom e salgado churrasco.
Que um pequeno motor suficiente bastou o
pequeno motor que acionou todo o carretel. Pois no princípio era água era fogo
era combustível.
Estava de tarde. Quando a tarde passava da 5h e 30min.
Uma beleza ágil onisciente onipresente. A garça-branca desceu do céu rajado. À
beira do rio, e que ali desliza numa mansidão de vida ganha. A garça-branca
atravessou o banhado, voo baixo, em curva para cá, e a restinga atravessada na
sua garganta. Pousou num tronco caído de amarelinho. A ave ali mesmo se acomodou,
se acomodou, encolheu uma perna, fechou os olhos, dormiu. Outras aves
apareceram que elas vêm ali para pernoitar, costumam abrir muito bem as asas,
não batem as asas, abrem bem as asas como paraquedistas pousando, pousam no
chão alagado com leveza e calma e já saem caminhando, pararam também olhando
tudo em volta, guanaco, coió, mutum, chocão-carijó, boiadeiro, rexenxão, um
carpinteiro com palito seco no bico. Poucas nuvens passaram sem a lua. O
bacurau estagiando. O sol o sol despontou. A garça-branca já não estava mais.
Do lugar do tronco inclinado caído brotaram capim-rabo-de-gato, açoita-cavalo, juciri,
arapapá, beija-flor-de-papo-branco, inxu, formiga-correição, jaritataca, marigui,
tracajá, saíram andando nadando voando entoando uma vez por ano todos os anos.
O sol, que todos conhecemos, sabe demais.
Muito o céu é bonito, muito os véus de
cachoeiras entre pedras e verde são bonitos, muito as árvores são
perobas-tabuadas, cuitelos, mulungus, ajurus, salgueiros-do-mato, piriris,
pinheiros-das-missões...
Não sou, não adianta que não sou o gavião-de-penacho.
E o sol lá em cima, e sem nos dizer nada,
sem se ver por achado. No outro dia a mesma coisa. Ao meio-dia o sol irá beber junto
ao rio debaixo da taxizeiro na sombra. De tardezinha tomará mate com as
gralhas-picaças. De noite assistirá televisão no vigésimo oitavo se possível ou
no quinquagésimo sétimo andar apartamento da irmã manduri. O céu galáctico. No
lar doce lar da irmã apreciará tevê no sofá verde da sala predileta comerá bolo
de chocolate com cerveja artesanal de Blumenau. Acordando na madrugada bem cedo
tomará mate com os neineis. Descerá até a rua comprar pães cacetinhos para o
café da manhã. Em seguida embarcará numa caravela cheia de velas ao vento
demanda do oceano mais precisamente o arquipélago de São Pedro e São Paulo.
E isso tem que acontecer com qualquer um.
É assim e tudo isso e exatamente o que acontece comigo nesse momento aqueles
momentos todos os momentos.
Olha!, como eu gostaria de trabalhar
aqui. Um garção neste restaurante frente da praça Panará. Servir os pratos
pedidos. Oferecer as bebidas. Recolher as mesas. Cumprimentar pessoas que
chegam saem salamaleques mesuras ademanes. Saber o nome das comidas das bebidas
dos pontos turísticos dos famosos frequentadores. Em pé num canto esperando um
gesto mãos às costas solícito e atento a tudo que se passa. Que bom! Sim ou não?
E terei aqui outros garçãos e garçonetes outros fregueses. Certa hora cansado
pés doloridos tarde da noite irei para casa no bairro São Cristóvão, dormir até
meio-dia ou mais, retornarei mareado pálido no começo da noite seguinte. E seria
a mesma coisa. Eu só pensaria nisso.
Não vou me perder. Faz parte a fantasia. Não
vou correr atrás de coisas que não posso ter, que não me pertencem, que me
fazem mais tolo do que sou. A ilusão da ilusão da ilusão da revolução. Não me
vejo não vão me ver no encalço dessa linda e bela Marília de Dirceu.
- Isto é o que sempre digo e lhe digo.