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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

O Sol em Torno da Terra



            Tupã, o raio, tem asas tem mãos tem folhas tem rios tem asas nos pés tem fantasmas... e sempre no plural. E Tupã, o verão, anda com as árvores com os rios nas montanhas na escuridão no Raso da Catarina por dentro das árvores dos bichos nas cores no vento nos pássaros...
            Pajé Paracambi atravessou a nado o pequeno estreito canal que hoje ainda separa o continente da ilha de Boipeba. Preso na cintura o maracá cabeça diminuta de inimigo enfeitado de penas miçangas pedras coloridas fazendo barulho por dentro ruídos. O abaré índio temominó espadanou pedalou respingou a água de braçada em braçada nem titubeou nem piscou.
            Uei! Uma enorme e centenária tartaruga-aruanã desanda a repor ovos na areia quente fina da praia branca enseada nas dunas.
            O filho do pajé Pocema voou sobre o pequeno canal até a ilha onde sempre ia fazer suas orações e retiros e meditações, uma vez. Apetrechos a tiracolo, a quicê na cintura, a membixuê presa no pescoço, cobertor de couro de anta, outros. Olhou em volta as ilhotas abrolhos até onde a vista azul-esmeralda alcançava almejava Maragogipe, Itacaré, Camamu, Jacobina, Aquidabã, Piraí do Norte, Uibaí, Guarapari...
            Uei! O japucanimpium repassa no alto em torno espalhando o ar nas asas arrulhos trilos grulhos sombra rasteira no chão.
            Andou andou o pajé sobre as águas do canal entre continente e ilha paradisíaca e como um milagre dos sete dias e sete noites. Levou no ombro o maracá o arco e o carcás de flechas. Procurou pelo ambiente e ver com quem estava negociando lidando. Almoçou na casa da mãe guaçatunga.
            Uei! Uma nuvem um enxame de arapuãs vizinhas do rio de Contas chegam surgem também por este dia por este caminho a este lugar a este repasto.
            Paracambi remou a igara feita de tronco de cacaurana e atravessou o canal que o separava da ilha Boipeba. Levava no fundo da canoa os mantimentos utensílios de sempre para rezas feitiços magias milagres pajelanças.
            Uei! O cametaú se ergue nas perninhas arrepia as penas olha a rota de fuga preferida e pressentindo invasão de território se esconde camufla entre os tufos de juçapés.
            Oito horas o xamã orgulhoso apeteceu sorver o ar a longos goles de pulmões cheios e plenos tórax peito pra frente de pombo-anambé. Se faziam harmonias ouviu de viola flauta assobio apito sino teclado pandeiro e batuques em geral. Vestido despido como índio na tradição da tribo temominó. Conhecia de muito o país da ilha. O território predileto esperava por ele desde sempre. Ilha tomada de mato manguezais por todas as praias, cercado de amigos amigas árvores aves em todos os recantos. A ilha a mãe a terra e das legítimas endêmicas tapaciribas-brancas. Foi agitou os braços velozmente para voar, se apoiou na apojitaguara, balançou as pernas vibrou com o corpo total tentando voar sobre a praia e o resto do mundo. Agora tinha o mar ao redor. E uns rochedos altos para aproveitar o horizonte.
            De repente na noite de lua cheia o feiticeiro acordou. Caminhou na praia branca, levou de comum acordo o mascote taiaçu. Este o seguiu sem perguntar nada, embora roncando e farejando sem parar, comendo tudo que encontrou pra comer. A lua nua trapaceira aventureira falcatrua. Depois os montões de estrelas em desenhos joias cordões laços coroas cruzes tiaras...
            Uei! Uma guarapiapunha-do-banhado agita a cabeleira verde a marreca-cricri alerta o arapapá acorda no esconderijo a acauã pressente vem espiar, olhos acesos, arregala os olhos, segue o transeunte de perto em voos curtos silenciosos rasantes por perto por dentro entre os arbustos o carrascão.
            Tupã, o caracol, tem frequentemente se arrastado se arriscado diariamente pela terra dos papagaios. Aragens brisas ventos o que for buscam no oceano sobrevoam a ilha temperam o continente. Bate aquela aragem de fim de tarde. E aquele par de tesoureiras se beijando no ar, e vão sossegar pousar no alto da mangabeira. E depois? O tempo que nem chega suficiente e já parte reparte.
Paracambi, o pajé temominó, se sacudiu, se mexeu e se remexeu nos seus pensamentos - e há três dias e três noites, ansioso, nervoso, agitado, sem comer e fumando sem parar, bebendo vinho das raízes do alcaçuz-da-terra -, procurou por uma saída conforme seu desejo e correspondente necessidade. Queria ser sauá queria ser graxaim queria ser coruja-preta pretendia ser jiboia-vermelha...
Um olhar que não era possível traduzir logo e de pronto de fera felino carniceiro feroz predador. O sentido fixo num ponto da mesma ideia e surdo cego obscuro para o completo mundo exterior. Riscou o chão com a ponta do pé direito com a pata com um graveto seco de aroeira com a ponta do dedo indicador da mão esquerda com a garra de unhas enormes retráteis.
Parava assim aí antevendo escutando as árvores... o passaredo... e respondia:
- Oê! Se formam grupos de oito ou de quatro e as duplas os pares os casais como de araras-canindés!
            Tupã, a praia, e mais uma época de sol forte e céu branco e tudo invadido de algazarra, etc. Já acontece como numa estreia. A brisa sopra calma do sul, no entanto. O barulho inconveniente das ondas do mar. Já existem nos adaptamos os galeões sumacas caravelas naus.
            As estrelas saíram correndo por todas as regiões para todos os lados para todas as direções quando uma delas ricocheteou escorregou e foi capturada destinada guiada para satisfazer o feitiço de Paracambi. Se desprendeu do zodíaco distante, vejam só! O pajé caiu para trás e se fingiu de morto. A nova no céu noturno riscou uma parabólica magnífica infinita e supersticiosa.
            Tupã, o trovão, pertence à natureza das árvores plantas cupiras besouros libélulas aromas betarus-amarelos... Os dias tão perfeitos como os de ontem hoje e amanhã. O sol responde a lua as pedras as águas da chuva. Tem rio que começa na chuva da montanha e deságua na barra do Atlântico. E Tupã, o uei!, volta e meia retorna aparece trazendo exclusividades bicudinhos-do-brejo, cipós-tripas-de-galinha...
E o pajé Paracambi viu, sorriu, assobiou, parou para acender seu cachimbo forno feito de barro cozido braço de taquara-mansa. Suspirou e foi um pouco de alma para fora. Fantasmas esvoaçaram, figuraram, viraram coisas concretas risonhas falantes intrometidas no ambiente presente. Quantos acontecimentos, ações, mudanças, transformações, alterações, pretensões.
            O pajé dos temominó cuspiu pros lados, consultou o vento com a ponta da língua, rosto com traços tensos preocupados, ergueu o dedo indicador lambido. Para onde sacudia o vento? Quanto tempo até a chuva chegar na hora certa? Viria como quase sempre do mar de ondas altas regulares pequenas.
            Uei! Gaivotas-marias-velhas retocam a tarde, balançam no ar, sopradas pelo vento do mar, desequilibradas sobrevoam o pedregulho os esqueletos de rocha. Ao longe, nem tão longe, vez e outra, passam lá longe, na sombra do meio do horizonte, um petroleiro, uma jangada de vela vermelha ou amarela, um navio de cruzeiro radiante de sol, a ponta telescópica de um submarino.
            Olhou para si mesmo pajé, olhou para fora de si, olhou o caaetê, olhou o céu, olhou a praia branca de espuma branca. Olhando para todos os lados como passarinho irrequieto assustado. Agitou os braços em helicóptero. Fez de tudo fez tudo até que um raio caiu aos seus pés. Cabelos desgrenhados. Olhos arregalados que mandaram chispas faíscas coriscos relâmpagos. No rosto assombraram segredos da consciência.
            Tupã, o oceano, conta e desconta as ondas empurrando para a areia branca devolvendo puxando. As baleias jubartes viajam pelo final do ano descansar aqui e ali por perto fugir dos predadores dos pescadores e amamentar os bebês de trinta e uma toneladas.
Uei! O pato-de-crista se protege atrás da moita de timbó-do-campo, o sapo-cururu canta rouco entre os aguapés, a irara sobe na rampa natural do tronco caído de tajurá, e cardumes de anus-pretos revoluteiam demorado trissam no céu de um azul íntimo.
O filho de Pocema rumou pela trilha, pediu licença para o curupira, o sumé, o cabeça de cuia, a iara, o anhangá, o jurupari, o saci, a macaxera, o ipupiara... todos os entes e seres do chão do ar das cavernas dos ocos das árvores. Pediu licença pediu paz pediu acordos e foi ingerindo beberagem apropriada para a ocasião.
            Cocar de penas de nandu, vários colares miçangas de caroços e grãos e ossos, Paracambi comeu folha de vinhático-testa-de-boi, casca de andá-açu e raiz do caapiá-da-lagoa-santa porque tinha fome e já iam três dias e três noites que não comia nada. Precisava de ganas agora em diante para não fazer feio nem desmerecer o pedido do desejo balançando o maracá nem do gosto nem do instinto nem do lazer bajulando os antepassados.
            Uei! Diversos sauins-unas almoçam no alto da pitanga-traíra jogam as cascas as sementes os bagaços na cara dos fregueses e riem os dentes pontiagudos os risos guinchados.
O mágico, que via tudo conhecia tudo não tinha mais surpresa, viu que já era hora de alcançar o seu alvo o seu presente o seu tesouro o seu bem-bom. Procurou um espelho-d’água para caprichar nos cabelos negros longos escorridos índios ornados de penas. Fez muque de braço duro cheio de energia testosterona adrenalina, etc.
Tupã, o arquipélago, sorte dos búzios jogados despertados ótimos satisfeitos interessantes e naturalizados. Os raios do sol infiltrados de cores em cores. Nem é possível tanta riqueza! O beija-flor-de-topete amigado das flores beijando as flores de diversas cores da flor-da-quaresma. Dia chega e as ilhas ficam de aniversário e comemoram, parabéns!
            O pajé chegou no cemitério antigo e se sentou, farejou e investigou como um lobo-guará, se preparou, sentou na laje aguardando. Ali os camucins dos avós, ancestrais, antecedentes, etc. As árvores respiravam com o movimento do vento, sussurravam. Estalavam cigarras com pedidos em casamento. Desde muito desde colomim que Paracambi conhecia visitava o sítio cheio das mensagens boas e não tão boas e perigosas. Vinha ao lugar sagrado da tribo temominó com o pai pajé Pocema o avô pajé Guajaraí e outros índios antigos índias antigas e sempre consultar os espíritos.
Quando foi o feiticeiro sentir sentiu o chão tremer tremer, terremoto, movediço. A terra se rachou se zangou em zigue-zagues. O rio subterrâneo de magma se movimentou explodiu e as ubás feitas de fogo vieram naufragar e carregadas de esqueletos contentes incontestes insensatos brancos armados de tacapes tições fumegantes.
            Uei! O macuquinho-da-várzea se joga do galho da anavinga e voa com o pescoço retorcido os braços esticados a cauda em leque, o sapo-boi exercita pulo de meio metro e desaparece na poça-d’água, o nhambibororoca reúne a família no capim-rabo-de-gato.
Assim uma cunhantã nuinha, nuinha como uma flor de almecegueira, saiu de dentro da terra da beira da água do fundo do oco do babaçu. Passou as mãos nos cabelos e o perfume comparado à flor de uruá se espalhou por tudo aí. Estava bonita e querida. Vinha do fundo do pensamento, do comando das ideias, estava sarada e trincada, dos altos anseios nervosos inconscientes.
O Paracambi falou:
A cunhantã disse:
Abriu os braços que a recebia dádiva como uma conquista taça anunciada esperada prometida presente merecido, caminhou para ele e leve como a borboleta e suave como a uiramiri e aérea como um sorriso. E dois flancos exclamativos. Olhos de água. Cabelos negros lisos longos pelas costas. O dia todo o tempo completo os guainumbis fazendo festa. Olhos magnéticos, hipnóticos, bonitos, infinitos. Cabelos desmanchados sobre as costas. E muito legal e emocionante também.
            E quantos beijos compartidos abraços beijos nos olhos nos braços nos cabelos na boca nos braços no queixo na boca nas mãos... Se ataram e se desataram algumas vezes. Se completaram e se desacoplaram oito vezes. Passearam por aí rápidos e vagarosos, interessados desleixados, comportados histéricos. Comeram coquinhos de murumuru. Nadaram no rio Camaquã. Deitaram festivos no meio das flechilhas. Se deram as mãos e olharam o céu.
            E ela na sua nudez estava bem e estava normal e amiga. Sem falar e olhando muito com calma. Cabelos espalhados e o pescoço inundado de suor. Presenteada com flor de guaçatunga. Olhando como araciuirá olhando em toda parte para toda parte um pouco por tudo olhando soldadinho ouvindo cantar assobiando muito bem equilibrado no raminho da axuá.
            Tupã, o presente, por hora volta e meia pra casa. Há muito tempo que não se faz um dia como o de hoje. Parece fácil mas nem é. O cardeal-do-sul anda por aí solto elétrico saudável e namorando. Irmãos irmãs arborícolas macacos-de-cheiro caminham as árvores escalam as copas arqueiam os ramos bebem os méis néctares comem as polpas amêndoas pendurados como enfeites brincam macaqueiam e cada macaco no seu galho fazem desfazem de cabeça pra baixo pela cauda preênsil.
            O sangue do pajé ferveu e tumultuou as veias alagando todo o tronco os galhos as folhas os olhos interessados. Um furor pelos olhos certeiros e ferozes e valentes, etc. Um calor tomou conta do rosto afogueou. O sangue estrugiu de gosto limpando a mente e iluminando o olhar consumindo os olhos de fome e sede bastantes. Olhos injetados olhar de predador onça-vermelha felino gato-do-mato pé ante pé no tremembé.
Uei! Atita a saíra-de-papo-preto quando faz o voo de reconhecer de enxergar de visualizar a beira do açude... pousa interessada na pedra escolhida bebe bebe... e pula para a haste de capim-marmelada equilibrista.
            Eram impressionantes quatorze horas quando a cunhantã tornou a si e fugiu se refugiou. Um dois três correu nove passos e... ela cunhantã pulou para dentro de uma utuaba. Abanou a cauda satisfeita. Ainda olhou para trás com um para lá de circunstancial sorriso.
            Tupã, o sobrenatural, comportado em cada coisa. O vento revoluteia sobre as copas os topes. O sol o mesmo que sempre. E mais e mais iruçus-do-chão promovem a colheita da estação. E o que já pronto se vê de Tupã, o groçaí-azeite, são os seus maiores poderes dentro dos limites deste aquário.
            Arrebol da tarde, o pajé se abraçou cruzando os braços, aniquilado, olhou em volta como um gavião-preto, estropiado, riu de si para si, a flecha que morreu, riu com embaraço, nem sempre acertando, confirmou consigo mesmo, nem sempre satisfeito:
            - Oê! Eu fui e já voltei!
            Tupã, o verde, fala mais alto e responde com o Cruzeiro do Sul o cardeal-do-brasil o matrinxã a baía do Guajará... Os perfumes misturados os cheiros misturados os zumbidos misturados os voos confundidos dos pequenos pitos-de-saci. Com vistas para o oceano. Horizonte de sobre azul no verde no verão. Tudo sim envolvido nas ondas dos verdes ou dos azuis. A uva-do-mato perfumando uvas maduras. O cupuaçueiro oferece cupuaçus.
            Pajé temominó caminhou pelos galhos de árvore em árvore. Subiu na copa da andiroba e observou o panorama sempre ali entre céu e mar. E rodeios, evasivas, palpites, comentários secretos, rumores de pura sabedoria, perguntas sem resposta. Ilha para encontrar segredos. E procurou coisas visíveis entre as cores do dia os sons os cheiros os rastos, etc., no vento que vinha e passava, os fundamentais raios de sol de flor em flor como de cor em cor. Um céu limpo azul fenomenal.
            Índio lembrou um tempo passado de jovem guerreiro de lutas peleias enfrentamentos combates guerras com os carajá, ali por volta das terras disputadas da serra do Sinfrônio. Mais entreveros com os guaianá, em a beira do rio Canoas. As desavenças com os pacaá-nova, já na profunda floresta reserva do Alto Juruá. As surumbambas e assaltos e correrias e tropelias contra os reriú, pelos capões e banhados e guaritas de Caçapava do Sul.
            Uei! É tudo sim ao mesmo tempo agora. Umas nuvens se mostram são cunhantãs nuas bonitas em plena forma. Lindas cunhantãs aéreas, empoderadas, asas nas costas nos pés nos braços nas asas nos cabelos longos longos. Infladas de vapor sopradas de nordeste fazem caras e gestos de bichos caretas carrancas.
            Paracambi manejou raízes de almecegueira-de-minas, atiçou o fogo, sacudiu o maracá, cuspiu, mexeu com penas de diversos passarinhos e pássaros e aves, olhos graves, desgrenhado, suarento, a pele do rosto marcada de tempo tostada de sol forte riscada de espinhos nos caminhos da selva. Fazia o que queria, quando queria, onde achava melhor.
            O filho mais velho de Pocema convidou as jarinas, os urus, etc., tinha sempre os seus planos e desejos plenos. Remexia os lábios frios, galrador, erguia os braços acima das árvores, sentava no chão de laje de terra vermelha de areia fina, esperava o dia clarear. Mergulhava entre os peixes apaiaris, tucunarés, curimbatás, piavas, jurupocas... brincava de boiar de buscar no fundo as pedras redondas seixos rolados diferentes engraçados preciosos.
            Se abriu outra cratera num outro ponto e subiu da fenda, e como não assim, uma cunhantã nova e feliz e flexível e rara. Olhos garços como num sumidouro. Asas trocando plumas verdes amarelas vermelhas. Sorriu tanto e ideal com seus eternos trinta e dois dentes. E vinha para ficar ou até onde pretendia. Concreta palpável e sessenta quilos menos duas costelas.
            E cunhantã pisando as gramas e se rindo das pequeninas queimaduras, os cabelos seguros na mão para o alto da cabeça procurando não embaraçá-los. Em volta dela a nebulosa cerração azul suave irisada da cascata do Avencal.
            Tupã, a tempestade, cresce nos verdes nos azuis nos colibris nos pios da inhumapoca na trilha dos caititus dos ouriços-pretos nos ninhais de jaburus... Tupã, a utopia, completa o longo dia, passa a noite, despenca estrelas, entra na manhã e tudo desperta com gritos e alaridos de arapaçu de juruva de anhuma de concliz... As árvores esfrolham as folhas. Sabiá-do-campo também gorjeia como sempre se vê.
            Se abraçaram pajé e cunhantã aos agarrões e rolos e rechinos fingidos. Ela fez cócegas na sola dos pés arranhou a palma das mãos lambeu as axilas despenteou o pajé. O pajé cruzou os braços acima da cabeça, cunhantã pôs a mão na cumbuca-de-macaco; Paracambi ria bem humorado, cunhantã esbanjava otimismo: eles reviveram assim.
            Uei! A juriti tudo quanto existe em torno de si. A patativa-do-sertão já vem fazer oito anos este verão. O zorrilho pisa mansinho folhas ciscos focinho no ar tentando entrar em contato procurando caçando o almoço.
            O sangue do neto de Guajaraí queimou as carnes e incendiou os olhos. Órbitas fundas. Corpo emagrecido. Olho de animal acuado, faróis ligados. Seu sangue pulou nas veias como um rio de enchente despejando no olhar um fervor de incêndio. O fogo esquentou o sangue e os olhos se exaltaram com tudo de força indomável. Olhos rutilantes. Olhar de coivara.
Uei! A lua quase se enrosca numa palmeira guriri, e um susto. Oitibó voa para lá em plumas suaves e sem ruído, e um sopro noturno.
            No dia seguinte os enamorados despertaram ao mesmo tempo e envolvidos nessa cantoria dos alados dos zumbidos dos apressados. E tudo ocorreu como tinha de ser. O dia apresentava ao mundo todos os seus convidados. De instante foram aí comer amoras-verdes maduras. E tudo harmonia e calma sons organizados e orvalho na ponta das folhas tenras. A asa do vento empurrou as respostas das folhas. O tico-tico-do-biri escondido na sombra da timboúva. Despencavam as flores amarelas do ipê-amarelo. Dia alvacento. Dia comparativo. Dia contemplativo.
            Quando a cunhantã esfregou os olhos, fez aquele esforço de memória, balançou a cauda, voltou a olhar tudo por tudo e foi se jogar se jogou de encontro ao tronco da embaúba-vermelha. Pronto, alguma coisa extraordinária já acontecia. Ela abraçou a árvore encostou o rosto ficou abraçando por uns minutos. O fenômeno sugeria a transferência de matéria de um ser para outro ser.
            O pajé, totalmente um pouco surpreso, prostrado e fraco e sucumbido, arco e flechas descansando, dores nas juntas, não obstante falou para alguém, o braço dormente de abraçar cunhantã, jogou verde para colher maduro, esboçou um sorriso:
            - Oê! Daqui a pouco ou logo mais!
            Então, ele fez e refez umas beberagens incomuns extravagantes absurdas naturais experimentais quase nocivas. Esconjurou várias diversas vezes tais e quais. Marcou rastos na areia fina. Comeu broto de poaia-do-campo, paricá-de-curtume, mascou folha de begônia-de-folha-estreita, fumo-de-jardim, cheirou flor de sapucaia-de-flor-grande, degustou fruto de araticum-folha-de-salgueiro... Parou um pouco para ouvir o canto chamativo do guiratã. Assim, buscando entender os espíritos superiores e avançados do chão e do ar, subiu o morro e abriu os braços para o céu. Do alto do rochedo gritou de sobre o oceano:
            - Oê! E de novo outra vez até onde for!
Olhos veementes, Paracambi não descansava não dormia não parava, e já iam mais de dois três dias diretos.            Chegou perto de um laguinho admirável lago de Serra da Mesa. Tudo calmo que era um dia bom. As aves aquáticas ali catando e bebendo e aninhando. E caminhavam devagar, paravam, caminhavam devagar, estacavam, caminhavam automaticamente, esperavam, e ora vejam! bicavam o chão vez em vez, e eram umas porções de marrecas-piadeiras, colhereiros, garças-brancas, guarás, macuquinhos-da-várzea...
            Tupã, o temporal, acredita na previsão dos caraipés-verdadeiros, dos ingás-de-quatro-folhas, das gravatás-da-lagoa-santa, das flores-das-almas...
            Naquele dia complexo, por volta das três e meia horas da tarde local, a terra rachou entre as árvores e surgiu de surpresa uma cunhantã sem malícia alguma nem pintura cabelos negros soltos desenastrados, cunhantã nascendo da terra fofa germinada.
            Uei! Passam as fases da lua, e mais uma lua crescente. Quando eclodem os ovos das tartarugas-verdes. A ilha oferece concede as oportunidades opções das águas do rio Doce ou das águas do mar.
            A cunhantã não tinha nome e parecia de tão linda uma jacina. Flor de cacho-de-mosquitos na orelha esquerda. Tão importante como o sol e a chuva juntos. Linda e macia por todos os lados que se desejasse. Olhos incomparáveis e gázeos gázeos. Uma elegância silhueta que contagiava provocava os espectadores.
            Tanto tanto o pajé e a cunhantã foram seguindo de mãos dadas para uma tapera uma aldeia desabitada e mal-assombrada ali perto um antigo acampamento abandonado dos temominó. Tinha uma vegetação crescendo nanica praticamente chavasqueira palravam papagaios-de-cara-roxa nos copados abricós-de-macaco ziniam os enxames múltiplos tipos de insetos residentes.
            O casal conversou muitas perguntas e respostas fáceis, por enquanto. Apontaram o dedo com inocência ingenuidade, por hora. Depois muitas respostas e perguntas bem longe no infinito, etc. Ficaram cismando à vontade. Acomodados nas ervas paracaris. Magnífico o pajé tinha memória ótima infalível e a cunhantã mocinha uma curiosidade trescalante, praticamente.
            Na grande ocara deserta debaixo do pé de flor-de-coral pararam um momento para ouvir os assobios da ana-velha. Ficaram ouvindo o canto da ave por muito tempo. O tombo de chuá do mar nas pedras. Mas tudo era motivo para abraçar. O tempo primitivo e andava uma eternidade circular. Tudo era motivo para olhos nos olhos mão na mão dedos nos dedos língua na língua...
            O tempo comprou embira e amarrou os dias o dia nas horas da esquecida dupla. Os guaracavuçus fizeram ninho colocaram chocaram alimentaram e foram embora para a serra das Três Orelhas, e a família numerosa. Tudo isso que o tempo puxou embira para pajé e para cunhantã sossegar. Uma coçando o pé do outro. Um trocando tarumã na boca da outra.
            A cunhantã o canto expressivo eloquente sentimental e mais os cabelos longos. Uns olhos sempre surpresos pela luz pelos pássaros pelas árvores pelas pedras do caminho. Uma boca voluntariosa. Olhar insistente. Correndo para a beira do córrego e mergulhando de peixinho.
            O sangue vermelho do rio das veias do pajé gargalhou estrepitoso e foi desaguar enxurrada em cascata rubra no céu dos olhos do mar. Os músculos se crisparam se retesaram e nuvem vermelha tapou a vista o pensamento. As veias requeimaram. Os olhos pastaram mil fogos vivos e o sangue galopou mil jaguatiricas felinas. O vermelho queimando nas brasas fervendo. As chamas refletidas nos espelhos dos olhos.
- Oê! É nosso dia de nadar com os aruanãs, acarás, piaus, charutos, lambaris!...
Os dois em um completos em uma salada mista. Um mês uma hora uma semana um dia um segundo um pensamento, agora. Mais sede que fome. E o tempo complexo passou sem que se dessem conta. Dia de chuva torrencial olhando a chuva cair com estrondo. Língua de fora delícia de beber os pingos da chuva. Noite de estrelas lavadas. Manhã de matinada para acordar antes do sol aparecer.
            De repente a cunhantã se ergueu, balançou, correu e se jogou com tudo para o oco da icica, vinte passos dali. Parecia irmã da árvore. Parecia a natureza do vegetal. Parecia afilhada da madrinha. Parecia o dever da salvação.
            O pajé abriu os olhos seus olhos se abriram e se espalharam preguiçosos, entregue, armas no chão, incompleto, que acabou dizendo sozinho sentado nos garrões no cantinho da ocara, o sorriso constrangido, a mente dormente:
            - Oê! O que tenho a dizer, por mim, é bem pouco!
            Paracambi saiu para rever umas amigas amigos e ele tinha muitos todas a escolher por ali. Se lavou na sanga escorrendo água pela cintura. Amiga amigo tesoura-de-fronte-violeta, e estendia o braço. Amigo amiga irapuá, e colhia um bocado de mel. E assim o araçá-branco a goiaba-do-mato o cajueiro a jabuticabeira o tarumazeiro o jambuaçu...
            Uei! A brisa do mar desfila ampla e sossegadamente mansamente equilibradamente. Conforme o dia as horas do dia e estas que vão passando. O tempera-viola-de-asa-verde almoça guabirobas. As jandaias amarram o cardume de canas-do-rio. O meio ambiente mesmo procura se adaptar ao mundo nativo.
            O pajé cumprimentou as amigas e amigos de plantão que ia encontrando reconhecendo revendo apreciando, embaúba-puruma, peroba-açu, uirari, araputanga, macucu-do-rio-negro, curuatinga... umas plantas com ideias de verão nas folhas, olho-de-gato, cabeça-de-preguiça... descendo um morrinho subindo uma elevação, sete-sangrias-amarela, ubiratã, gameleira-de-veneno... E se enroscou hesitante avançando sossegado e quieto e anônimo se ocultou.
            Tupã, a amajouva, põe o sol no seu lugar do dia põe a lua no seu lugar da noite põe as estrelas por perto dos planetas redondos as espirais nos primeiros capítulos do universo. Bate palmas e faz as estrelas brilhar com o pó de diamante. Lava os pés as mãos arquitetônicas nas algas marinhas e derruba pérolas no fundo do mar.
            O filho principal de Pocema sentiu um tremor no lábio inferior, duas lágrimas descendo uma para cada face, não podia dizer nada de si para si tentando segurar a forte emoção, etc., garganta presa, voz embargada, pensamentos atropelados, nervos à flor da pele e que o consumiam por inteiro. O que sorrir numa hora dessas?
Pois um vento agitou muito as copas das amigas e dos amigos do pajé e a terra se abriu para dar passagem uma cunhantã bem empolgada e parecida e fina como nova palmeira buriti. Vinha de mãos dadas com o verde da mata com o azul do céu com a esmeralda da água e com os cabelos ao vento até com o sorriso o mais espontâneo possível.
            Uma cunhantã alta e bem lançada, sofisticada, seios formidáveis e favoráveis e empinados e eficientes, olhos verde-azulados, farejando o ar com seu narizinho de meia cuia. Ela mesma ainda na oca dos seus dezenove anos e bonita como uma azedinha-de-corumbá como a tamiarana como a sabiá-da-serra como a avoante como a beija-flor-de-bochecha-azul... Os cabelos flutuantes arremessados ornamentais luminosos explosivos.
            Uei! A manhã em folha então vibrante vibra agitada de fortes comensais exercitando os braços e conversando, voos, gorjeios. O barulho do mar que comparece no ouvido das ondas longas médias e curtas. Os maracanãs-guaçus que trocam de ilhas. Os guaguaçus que agitam as palmas os leques.
            A cunhantã pulou nas costas do pajé e brincaram por muito tempo de cavalinho, upa! upa!... Cunhantã segurou o pensamento com o dedo no queixo. Pés descalços. Acariciando volta e meia a própria cauda de peixe esguio voador. Correu na frente olhando para trás e se rindo como nunca riu e se viu. Deixando marcas descalças na areia úmida macia branca foz beira do rio Acará.
            O sangue do pajé subiu até seus olhos vidrados atônitos famintos. O efeito do calor no sangue se manifestou no olhar parado perverso furioso furibundo. O sangue vibrou e os olhos como setas romperam o ar atrás da presa. O sangue se revolveu revoluteou e transpareceu nos seus olhos penetrantes. Sangue novo ganancioso. Olhar frenético. As narinas se dilataram imensamente. Sangue incandescido. Se jogou no açude para nem pegar fogo.
            Tupã, o calanguinho, diz uma vez e já basta. Toda árvore vem de uma árvore, todo rio vem do rio, toda ave vem da ave. E depois cada dia é um dia. E por isso mesmo o círculo o quadrado o triângulo na matemática da natureza.
            Os bípedes, os olhos escolhidos, o sonho, a ressaca, os olhos cunhantã Paracambi colhidos num olhar. Treparam na altura da utuaúba e se acomodaram na forquilha. E se enroscaram e se desenroscaram. E treparam e se deixaram trepar. Uns macacos pulando brincando comemorando de macaco-aranha.
            Uei! A jipoúba tem comportamento de árvore, o manimbé tem comportamento de pássaro, o untanha tem comportamento, a ilha tem compartimentos, o mundo todo tem comportamento de obedecer o solar.
            De ímpeto a cunhantã, e mais rápida que um veado-campeiro ou mesmo uma potiri, correu como nunca correu voou como todos os tais e quais até o manacá-da-serra sacudiu a cauda formosa e se jogou para dentro do tronco furado onde se apinchou.
            O pajé caminhou mais uns metros, de ânimo perdido e caído e vencido, tacape derretido e obsoleto, resmungou vencido, sem uma sombra para se apoiar, arrasado de asa ferida, preso de pés e mãos atados, constrangido com a cara que sempre tinha:
            - Oê! Agora estou calmo, mas amanhã!
            O sexagenário Paracambi subiu no alto dos galhos do cupuaí, entre os galhos, deitou e sonhou com todos os amores passados e futuros. Urutago ficou de sentinela do outro lado do território. Então, os sonhos do pajé foram de fantasmas e ancestrais, espíritos do bem que vinham aconselhar e dar opinião, entes das grutas e grotões que queriam abraçá-lo, etc. Sonhou as coisas pensadas esperadas e até as extraordinárias. Conversou durante o sonho e falou com as imagens do sonho, ouviu também os conselhos, as recomendações de boa conduta, falou com elas:
            - Oê! Uma suave canção pra dormir na rede carijó!
            Tupã, a baía, atende o temominó como atende o uirina como o tingui-botó e o panati até o chiquena mais o mundurucu ainda o taguari igualmente o maraguá também todos os outros índios do pindorama o paracanã o aracadaini o embaiá... Tupã, a nuvem, nasce e recria e transforma a terra o mar o gavião-pega-macaco os rios os guaraçaís-pardos e tudo mais que existe aqui ali acolá. Faz isso tudo de novo renova e encerra diário os trabalhos os afazeres os encargos as tarefas as empreitadas.
            Quando foi sexta-feira às 10:01 hora local o lugar se agitou e o pajé caiu do galho da siparuna e se estatelou no chão. De dentro de uma cratera feita de fumaça azul, do perfumado vapor azulado, foi surgindo uma cunhantã muito formosa verde completa e alada. Apareceu batendo asas voando cautelosa como borboleta-do-manacá. Outro sim parecia uma flor da guapeba-vermelha. Bonita como jandaia. Aerodinâmica como jurupensém.
            Uei! Tropa de nuvens sobre nuvens aeronaves máscaras de animais no alto do céu sobre o nascente sobre o poente sobre o mar desde a corda bamba do horizonte.
            Tupã, a chuva, começa a chover. Finalmente começa a chover e riscos de fogo relâmpagos e estrondos descem à terra com tudo sem parar. É festa de São João. As florestas nem podem acreditar nem esperar. Os rios súbitos mais importantes enchem a caixa. O mar com ondas grandes intermédias e pequenas faz vai chia como no começo do mundo no princípio dos mortais.
            A índia cunhantã que era mesmo uma imagem vaporosa e transparente e estimulante e recreativa. Objeto de cobiça. Uma beleza nua a escolher. Apetite de esteira jirau e banho. Molhada de toda a água e que linda. Crescia seu sorriso com brilho e alegria em cascata. Toda esperta indomável insaciável atlética e cabelo colado ao corpo. Cunhantã qualificada doida acelerada.
Uei! A atmosfera toda importante da ilha a chuva que não passa chuva engraçada independente vertiginosa, etc. Assim pronto como chove do lado da guarapicica. Como chove na serra da Barriga e vem e vai se alastrando.
Tupã, o amuri, tamborila pingos de água da chuva nas folhas teclados dos mangues-da-praia. A ilha se lava de uma vez só e a chuva parece ficar para a noite e os dias seguintes. A ilha redonda e bem coberta de água por todos os lados.
            E correram uma para o outro como se aguardassem por isso há muito tempo. O pajé a beijou nos cabelos, primeiramente. Se abraçaram cheios de ternura dramaticidade grande urgência. A bonita cunhantã um pouco mais alta e o mesmo corpo que a mãe a avó a bisavó a tataravó.
            Uei! Muita coisa na lama no barro no lodo e chove mesmo para amainar o tempo. As árvores batem copas no meio da borrasca. Os pássaros se agarram dentro dos ocos e furos e buracos e outros esconderijos. Vento com chuva e as árvores aproveitam dançam no gingado no molejo.
            Os dois namorados se sentaram na grama-de-pernambuco e ficaram lado a lado. Conversando e elogiando o pio da carana, o assobio do capuchinho, a migração das marrecas-rãs, as flores molhadas do inimbó, as folhas bem mais verdes da baunilha-falsa, a placidez lavada da dedaleira-amarela.
            O sangue descendente de Pocema espadanou dentro das artérias e veias até fazer espuma. A vista se turvou. Seu motor cardíaco mais bateu por dentro do peito, tum! tum!...  Olhos de vaga-lume. O sangue batendo volumoso borbotando dentro do peito, os olhos furibundos, a atonia geral. Devorava com os olhos. E seu sangue se revolveu e seus olhos se abrasaram como morcegos no escuro, como cachorro-do-mato-vinagre afrontando a noite.
            Nadaram na poça-d’água da chuva animados pelos beijos. Pararam mesmo de se provocar por um espaço mínimo e passageiro. Se cuidando de não piscar primeiro. E logo lutaram com força e furor de bichos brincando. Quase perdendo ou ganhando. Um puxando o pé da outra. Se morderam muito principalmente no pescoço na carótida. Uma se jogando para cima do outro. Às centenas de fagulhas faíscas milhares de centelhas lampejos dos olhos chispantes.
            A cunhantã se ergueu, sacudiu os cabelos longos e apetitosos e escorregadios, vibrou a cauda, correu pela passagem de areia e pedras e macegas como ninguém e se atirou de encontro ao tronco do jequitibá-vermelho. Parecia a repetição de outros carnavais de outros sonhos de outros teatros ao ar livre.
            O filho de Pocema pensou que essas partidas intempestivas e duvidosas e inquietantes e incríveis... mas essas misteriosas situações nem podiam continuar e continuavam... mas contava com a sorte que o envolvia e desenvolvia e devolvia e revolvia...
            Se passaram alguns minutos, chilreios de saíra-sapucaia sofisticando o ambiente, e o pajé Paracambi falou, debilitado e partido, armas a tiracolo, agastado, formigamento nas pernas, caíram essas palavras do cérebro, os braços cruzados abraçado a si mesmo ensimesmado:

            - Oê! Poucos minutos uma hora depois se separam mais uma vez e novamente!