Mostrando postagens com marcador joia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador joia. Mostrar todas as postagens

domingo, 13 de agosto de 2017

A Joia da Cabeça das Soluções

         

        

                                     
         O hábito de falar assim começou quando muito menininha cheiro agradável olhos pretos quase livre de receios murmurou:
         - O sol reaparece material de cores de tempo cheio de dia de sol. Nem sei ignoro como cheguei até aqui a vista aérea da Paraíba do Sul sobrevoando. A não ser o frei José de Santa Rita Durão...
         Uma coisa a Jaci sabia como nunca: o que era um sorvete de abacaxi. O que foi que eu fiz: existe então árvore caroba?
Alvejei a árvore e fiquei. Barrou nossa saída logo na minha entrada. Estávamos rodando pela estrada BR-470. Fazia um tempo, e era um tempo. Olhei a estrada e fiquei. Apareciam do nada do nada as horas da noite. Vínhamos conversando normalmente e os assuntos. Coisas corriqueiras e banais e nem estava alcoolizado nem corríamos muito. A pista os traços na pista tudo bem desenhado como um jogo um vídeo gueime. Nem sei o que a árvore estava fazendo ali exatamente ali naquela hora nem sei o que pensar a árvore pensava fazer o que no meio da estrada. Olhei a árvore e parei. Passava uma ponte uma mensagem um convite sobre o rio Coruripe. Uma árvore invisível ou um toco. Procurei alguém para passar a bola porém não encontrei e olhei direitinho em milionésimos de segundo mas não encontrei. Chegamos tão perto da parada que bem que a vi de cortiça e casco de jabuti. Mais que olhar eu vi a árvore e fiquei. De repente de súbito do nada sem razão um grosso e imenso tronco pulou na nossa frente e nem pude desviar. Reparei que a planta... Bem na frente surgindo irrompendo e inesperadamente. Noite fechada sem ultrapassagem sem câmera lenta e chovendo a cântaros. Almejei a árvore e fiquei. Topamos o papangu a carranca dessas dos barcos no rio São Francisco fuças brabas chifrudas dentuças. Pechamos bem no meio de cheio e sobrei desacordado. Deparei a árvore e fugi. Nem estava com celular telefonando e o empecimento de grosso calibre porque se aproximou absurda e solidamente e com destroços. Em que se emitiram sons horríssonos vozes contraditórias e simultâneas e sobrepostas. E isso alongou ou encurtou o tempo.
         Voz firme cadenciada como o rodar do tráfego na rua professora Souza Leão:
         - O rio Jaguarão cidade Quiterianópolis: 70 por cento de cidade mais 30 de rio. A não ser o Afonso Pena Júnior... 
         É possível que venha chuva, é impossível que apareçam os tais e quais óvnis. Existe árvore tipo iauácano?
         Telefonei numa manhã verão quinta-feira: vou a Serro e Dores do Indaiá talvez ainda por São José de Espinharas: já estou indo de partida: quer ir junto mais comigo? Quer.
         A suçuarana soberana monarca abriu a boca e rugiu tão forte que fez tremer os alicerces as pilastras as paredes derrubando com a poeira do teto.
         Além do mais agora em boa hora, entráramos na cidade Bela Vista de Goiás para aprender, porque é isso sempre alguma coisa. A praça da Liberdade para as plantas, beija-flor-vermelho, jacutinga, avoantes e as aves sambambaias, são joão, feijão-do-campo...
         Uma coisa ela a Jaci sabia: o que era um sorvete de pitanga. Eu de minha parte meu modesto mundo: existe árvore sapucaia?
A sua voz cava e larga rolava pesadamente:
- Quero muito viajar. Quero por demais Rio Pardo, Mata de São João, Paulo de Faria, ilha Trinta Réis, praia do Cassino... A não ser o Cornélio Pires...
Estava a pé e descia pela rua Uruçumirim onde moro bairro Rocha Miranda, distraído pensando em outras coisas como tocar um concerto para piano frente à igreja São José em Tauá, quando, em meio do lixo da caçamba, vi uma perna direita de mulher e ali jogada displicentemente. Claro que parei surpreso abobalhado. Olhei em volta à procura de alguém. Vai que gente fulana me ache um vira-latas, né! Só a perna indisciplinadamente. Peguei e saí correndo a toda agora bem contente e de volta pra casa.
De repente ela via coisa além aquém do nosso espaço e tempo. E então mandava parar tudo parar o sol as estrelas o rio do Salto a rua da Glória no bairro Glória... E com sua revisão e previsão... ela via.
Ela sempre sim sempre sim tinha estes sonhos e voz melíflua:
- Aonde vai, hein?, seu bará-tucano. A não ser o Marcelo Gama...
E uma coisa sabia a Jaci: o que era um sorvete de mangaba. E eu nem sabia: existe árvore tipo borragem-brava?
A anta rosnou em tom de tédio e desassossego e impertinência.
Quando chuva caía de chuá na calçada na avenida Sete de Abril. Chuá. O vento fustigava os altos frondosos sebastiões-de-arruda, mulungus, juazeiros, muçambês... Frondosos. Parecia um dia imperdível. Dia. Me contou que viu disco voador. Disco. E não só viu como falou. Falou. Amizade respeito veneração. Divinal.
Na sua linguagem clara e impecável assim declarou com bonomia sorridente ela mesma:
- Desatado do chão de Cabaceiras do Paraguaçu o sol saiu de casa e na carreira aérea tórrida. E os feriados sábados domingos santos facultativos. Penso pergunto recomendo concluo. A flor-de-babado é planta que aparece em todo lugar, praticamente. A não ser o Diogo Álvares Correia o Caramuru...
Voltamos de Encruzilhada do Sul expansivos bem acima do solo e já ali mesmo pelo primeiro andar empolgados cheios tomados de novidades superioridades imagens informações notícias. O sol do dia era o próprio ás de ouro e zabelês, príncipes, téus, araris, lavadeiras... Floridas arborizadas belíssimas cidadezinhas.
O lobo-guará uivou com grande eco com forte voz até a liberdade.
Uma coisa ela sabia a Jaci: o que era um sorvete de pitomba. E eu nem sabia: existe árvore o que seja espinho-de-juvu?
         Ainda não confessei pra ninguém, mas estou montando um manequim de mulher. Meu desejo é colocá-la, quando inteira e completa, atrás da janela e de frente para a rua Macuxi e os prédios do outro lado. Portanto, esse achado da perna foi importante porque o conjunto está quase completo e falta pouco. Por hoje estou satisfeito com o achado mais importante da sorte. E pois tenho esta mesma perna que acabei de encontrar por acaso (é assim que prefiro). Já consegui uma peruca ruiva (por enquanto só ruiva, mas gostaria de uma loira uma rastafári uma encaracolada uma alçada estilo xaxim, etc). O busto com seios pequenos (um dia se achar seios maiores poderei ter opções) foi o começo de tudo. Ainda tenho os 2 abraços, sendo que o esquerdo é de uma madeira esbranquiçada chá-de-soldado, o direito de plástico pintado de amarelo. Me faltam uma perna esquerda e a cabeça. Manequim só de carne e ossos e materiais recicláveis.
         Contou disse tornou a falar e rosto rejuvenescido agradável redondo até insistiu ensinou:
         - E muitos céus todos extensos idas e vindas todos os dias largos longos relaxados. Eu tinha cinco anos e era natural que fosse assim e se bem me lembro e mais por aí a fora. E pronto, eu tinha de contar os autos as árvores maiores as aves as pessoas as casas; no outro dia daqui pra lá recontaria, se me lembrasse se estivesse a fim. A não ser o Emílio Guimarães Moura...
         Os roncos e os grunhidos e os cuinchos do porco-do-mato se elevaram acima da mata na serra da Tromba.
         Eu a encontrei na noite dentro do bar Pacanaua frente à praça Pádua Dias. De manhã nem mais a olhei cheirei toquei pensei. Quando parti já eu a havia esquecido.
         Fazia vento baixo começou a chover forte palavra chave: transformação abri as asas mesmo assim como os aviões os pássaros 8ª casa astrológica e as pessoas olharam das casas das lojas dos automóveis signo escorpião e acharam graça planeta regente Plutão e eu estava quiçá especulei engraçado.
         Uma hora após saímos à desfilada. A estrada era nova lisa reta bonita de se dirigir. As placas sinalizantes amarelas destacadas e novas. Perfeitamente no trecho entre Itaara e Bonfinópolis de Minas. Entradas de estradinhas vicinais e os nomes dos sítios pitorescos. Parecia que nem tinha fim meio começo e etc.
E ela falou em linguagem simples e precisa o seguinte:
         - A ave matia de duas cores gazinou o que gostava de gazear e compreendi. A São Mamede fica pra lá da Frei Lagonegro. A não ser o João da Silva Tavares...   
         Até completar o manequim vou colecionando as partes debaixo da cama ou no armário ou em cima da mesa. Na verdade na verdade, se eu fosse atrás e procurasse bem logo encontraria todas as peças faltando e até umas sobressalentes. O lixão da cidade deve ter de montão e para todos os gostos e fins. Podia comprar na loja ou mandar fazer. Mas não, prefiro o meu jeito, prefiro do modo mais difícil ao acaso e engraçado, esbarrando com o indeterminado e engraçado, a surpresa, a coincidência, a esperança.
         Em Rio de Janeiro, Arraial do Cabo, rua Barão de Macaúbas, bairro Ricardo de Albuquerque, sete de agosto de 2011, 10h com sol encomendado recomendado.
         O grande professor capincho e já sábio e profeta declamou em voz alta.
         Depois da festa queríamos chegar e dormir sossegados como as duas pedras irmãs do fundo do poço. O devido tempo lugar litoral e circunstância. Existe árvore tipo canela-guaiacá?
         Voz remansada e firme e dela assim contou olhos brilhantes e indecisos solfejou:
         - Um problema uma equação outra questão mais uma fórmula. Se considera sempre que o pi continua um escore irracional e transcendente. Onde e convenhamos os mais renomados cientistas se acercam. E a resposta é Rosário do Sul. A não ser o Quintino AFS Bocaiuva...
         O jacaré-de-papo-amarelo já falou tá falado sobre as praias de rio que conheceu as lagoas que navegou os barrancos que madrugou os aguapés as baronesas os gravatás-das-rãs que visitou e até indicou umas coroas de areia que mais gostou.
         Uma coisa ela sabia a Jaci: o que era sorvete de açaí-pequi-caju.
         Quando a completar (já falei do manequim) já pensei, vou usá-la como amostra grátis atrás da janela e de frente para a avenida e os prédios vizinhos do bairro Taquarembó. Então, fiquem tranquilos, não me passa na cabeça ter manequim para fins devassos. Talvez para afastar os espíritos maus, aí sim. Alguém para xingar na hora certa: ora bolas! Ou se for muito bonita nos olhos bonitos, para trocar olhares.
         Surgia a manhã e Entre Rios do Sul. Pouco mais era de meio-dia. Visitamos a cachoeira da Jiboia. Nuvens com fisionomia de santo santa e até de D. Conhecemos a gruta de Maquiné. Cinco motivos para visitar a serra da Borborema. Aborígenes sanumá. O sapo-intanha é batráquio que aparece em todo lugar, praticamente. Existe a árvore tipo almecegueira? Anoitecia.
         A harpia se aproximou de repente de frente de frente e perguntou com a voz firme e pausada.
         Uma das 200 mais belas do país a de Porto Real, um dos 20 maiores do Estado do Maranhão o de Santa Bárbara, uma das 100 maiores em habitantes a de Cândido Rodrigues.
         Eu ainda escuto a sua voz de entonação nervosa arrebatada e até apreensiva:
         - A Redução São João Batista até Entre-Ijuís apareceu em 7 de setembro 1697 com 2.840 habitantes, e depois em 5 de maio do ano da graça de NSJC de 1768 com seus 4.016 habitantes. Todos brincam de índio e bandeirante. A não ser o Martim Afonso de Sousa o Arariboia...
         O colibri uma colibri qualquer colibri que atravessa pra cá pra lá vaivéns os dois mundos basta ser colibri. E por que colibri? A alma eterna. Continua linda e a cara espaçosa. Um sol interessadíssimo. O azul diáfano do céu com infinito com universo inefável.
         Segundo me disseram segundo eu li por aí a cabeça de manequim é mais difícil. De repente terei de comprar ou mandar fazer artística artesanalmente. E com que material. Mas pretendo ter várias e ir trocando com outros colecionadores idiotas.