Vinha tão perto, a tarde estava linda,
era de admirar.
Durante a tarde pela manhã em casa no apê
do quinto andar do edifício Timburé, mentalizou mentalizou projetou a noite que
desejava que procurava que queria que teria que precisava. Uma noite de
sexta-feira produtiva e boa e calma. Santa paciência, sempre sempre, pelo amor
de Deus! Sem chuvas sem ventos fortes sem atropelos sem embaraços sem
galimatias. E acendeu uma vela azul de laço azul para a Nossa Senhora da
Aparecida, odor de santidade, e outra vermelha de laço vermelho para o São
Cristóvão.
Ora essa! Aos 14 de junho de dois mil e
treze... Saiu a tarde inefável e entrou a noite.
Embarcou purificada na estação
Itaquatiara do metrô às 20 horas. Ela foi, à hora aprazada, ao encontro do
promissor acaso imprevisto futuro, batom sabor bombom. Por um triz ia perdendo
o trem. Noite metropolitana, luzes pela cidade, ruídos do trânsito incessante,
gente voltando na maioria. Procurava por um programa leve que possibilitasse ir
às compras na segunda-feira e ao shopping no domingo.
Preferência por preferência tinha em
princípio suas preferências por homens de barba rala, homem de bigode era ridículo, homens de cabelo
natural, homens dos trinta para baixo, homens grandes esses que é bom. Imaginava
sonhava aquela e várias outras coisas.
Chegou ao centro às 20:30 e foi para a
rua Itajubá. Escolhida a rua pela calçada larga arborizada da esquerda as
árvores alternativas, cambará-do-campo juazeiro jacarandá-pitanga pindaúba.
Caminhava devagar. Adianta muito sorrir e fica bonito bonita. Com aquele jeito
tanto de quem está sozinha procurando companhia diversão entretenimento lazer
distração. Nem séria, nem espetacular. Pensamentos contra ideias. Jeito
distraído, abordável, suave, limpa, cunhantã, arzinho sério, jeito perfeito de
passatempo, perscrutadora, cinturinha estreita, um sorriso muito lindo.
Esclarecimentos completos. Vestida com tênis e meiões de listras verdes e
amarelas, um número ímpar, cabelo bem caído sobre os olhos, saia curta lilás plissada
com babados incríveis, miniblusa tomara-que-caia com enseadas e lajes e
cascatas do rio Paraibuna e uma pochete à tira colo. Uma beleza concentrada, um
número, pura verdade, ótima ideia, criativa, beleza matriculada, criatura
privilegiada, bonita maravilhosa que nem se fala!, esguia como palmeira
guacuri, sadia, inesquecível, madeixas douradas. Pelo formato, pelo tipo, pelo
jeito, pelo andar, pelo sabor e parando à frente de cada vitrine, fumando,
displicente, simples, solene, formalizada: uma putinha fresca.
Parou um carro no meio da rua bonito de
vidro fumê placa de lugarejo distante, ora se viu!, de Itamonte o vidro
elétrico desceu e uma das duas mulheres a convidou:
- Quer um programa, linda taguari?
Aceitou o amável convite. Ela embarcou
calculando o preço o babado a noite de romance o baile as horas de folguedo as
libações. Cobraria alto, em dobro, mais que com homens e seria até melhor.
Tem bom!
Pegou um táxi na madrugada de volta para
casa. O dinheiro dinheiro na pochete. Daria para fazer e ainda sobraria. Como
foi e como não foi. Não é todo dia que as coisas vão tanto bem.
Tomou um banho de água quente doce e se
perfumou com aroma de andirapuampé. O sol espiando ainda calculando o mundo
novo. Agora sentia o corpo pisado, esfregado, lambido, estapeado, as mordidas
deixaram marcas. Teve um rápido e terno olhar para com a santa e o santo seus
associados e prediletos. Se cobriu até os olhos com o lençol branquinho.
Apareceu na cabeça o fantasma a voz do professor de História. Ele era engraçado
e ele ficava jovial e ele narrava desfilando na frente do quadro olhando para
além da janela envidraçada, às vezes.
Estava com sono e se virou na cama
tentando se abandonar, deixar coisas para pensar amanhã, ou nunca. Um último
olhar, de esguelha, para aquele professor de barba rala e grisalha que tinha
assunto de sobra. Havia tanta coisa a fazer! As dores nas partes mais
sensitivas davam um gemido gostoso totoso, hum!... As duas coroas pegaram
pesado, foi. O professor de História falando falando gesticulando andando pela
sala de aula colocando assim algo como e aleatoriamente sobre se referindo ao
farol do Cabo Branco ou Ponta do Seixas, na João Pessoa... Teve que
acompanhá-las na cocaína. Beijos na boca. Faz parte.