A história de uma pessoa já está escrita
antes de partir antes de chegar antes de qualquer coisa. O papel cada um
procura o seu no modo de encontrar. Uma Mãe totalmente maior é que dirige o
sol, a terra, o mar, as plantas, etc., o rio, a chuva, o catita, o pitu, o cujubim.
O teatro que assistimos tende a nos motivar movimentar calibrar; mas o teatro
sempre o palco.
O dia obrigatoriamente sempre dividido
entre uma manhã uma tarde uma noite.
Um homem amava muito seu cavalo seu carro
sua moto sua cerveja gelada seu chute de esquerda. Que certa hora já amava mais
que a própria esposa. E o convidou para almoçar todo dia com ele na sua mesa.
Depois lhe ofereceu um quarto e roupa lavada.
Simplesmente o que se viu o que se disse.
Esse homem logo logo não se deu bem com
os seus 5 filhos. Então, uma noite incendiou a casa com todos ali dentro
dormindo, a esposa e os 5 filhos e o cãozinho Catabi. Foram morar no paiol ele
e a barba, sem remorsos. Para os vizinhos e a polícia disse que foi acidente ou
desgraça.
Se sentou na varanda em sua cadeira de
balanço. Cofiando a barba espessa. Alisando a barba negra. Acariciando a barba
grande de profeta.
Na sombra de uma copaíba. Nuvens em movimento. Um
pouco mais distraído com as taperás em seus voos trançados e de telhados para o
ar e para as abas das casas. Um besouro fez mais ruído que um trator.
Em minutos as taperás voaram décadas.
Pois o homem sonhou com um anjo em forma de peixe camurim
saindo a partir de um poço. Com a surpresa acordou e ergueu uma prece pedindo
mais 50 anos pela frente.
E foi uma longa noite de espera que se arrastou.
O guaipequinha Catabi poderia ter uma
sorte menos compilada e mais ampla. Solto pela casa dentro de casa pelo terreno
em torno da casa. Poderia ter continuado a ser o xodó da família, com a
família. Um cão tipo vira-lata que se interessava por tudo da casa e por tudo
que chegava na casa. Seu território era sagrado, e competente. E passeava na
coleira com o caçula quase todo dia pela tarde. Era seu momento de lazer,
cheirava cada poste cada janaguba cada latão de lixo cada entrada de garagem. Gostava
que lhe coçassem a barriga e especialmente que lhe dessem de comer. Um olhar
amigo e cauda vibrante e língua de fora. Catabi gostava muito e balançava para
ir até o armazém da esquina, para ir até a padaria, para dar volta na quadra,
para cheirar as espécies.
A filha mais velha do homem que amava sua
barba se chamava Juçara ou Jussara. Tinha 16 primaveras, em ponto de bala. Poderia
ter sido o que não foi. Poderia ter casado aos 17 com o João Bangalafumenga. O
João já tinha um carro e um emprego na transportadora Mangabeira. Eles poderiam
morar ali mesmo, com os pais dela, fazendo um puxadinho nos fundos. Ou com a
mãe de João no bairro Cariú, onde ficariam tão ou mais à vontade.
Nesse minuto o mundo andou outra década.
Vieram diretamente de Paraty e Abadiânia
e Piracanjuba e Cururupu e Palmares e Poção de Pedras, em visitas de férias
escolares outra vez, os 3 sobrinhos e as 3 sobrinhas do homem que amava sua
barba.
Acari era uma dessas meninas sobrinhas.
Num total ainda de doze para treze anos, olhos tenros pele tenra cabelos tenros
sorrisos prediletos passos tenros. Que aos dezoito para dezenove poderia sair
de casa para estudar em Porto Alegre ou Florianópolis. Iria morar com uma tia
que era até parenta do homem que amava sua barba. Lá em Porto ou Floripa, estudaria
odontologia ou engenharia e namoraria muito. Pensaria em ser modelo, que altura
e beleza e charme e natureza tinha de sobra. Suas saídas à noite para beber
cerveja e jogar conversa fora com os amigos num barzinho da Cidade Baixa ou da
Lagoa da Conceição. Quando chegasse aos trinta para trinta e um se mudaria para
o interior de Pernambuco cidade de Penalva, ou zona rural do Maranhão lugarejo
de Catende. Haveria ali de ganhar um filho e nunca mais retornar para rever
parentes ou aderentes ou etc. da família. Regressou voando na pele de um
passarinho, mais precisamente conhecido como uma xexéu.
O que tem de ser que seja. Desde o
primeiro mundo. E um dia tem que ser o dia.
A paciência que foi aprendendo, deu ao homem a ideia
de prender os sobrinhos para engorda. Esperou que se estufassem de gordos.
Assim, convocou os parentes próximos, e em especial desenterrou a família a
esposa e os 5 filhos e o mascote, para se refestelarem no churrasco. E assou os
sobrinhos e as sobrinhas deliciando a todos os convidados. A esposa queria
tomar chá de jasmim-do-mato, queria pratos decorados com motivos indígenas da
tribo anambé, queria uma nova marca de máquina de lavar louças, queria conhecer
nas próximas férias a praia de Olhos D’água, queria morar perto da mãe na ilha
de Atalaia. No final, para sobremesa, o homem apresentou os cérebros dos sobrinhos
sacrificados nas suas respectivas cabeças separadas destampadas com direito a olhos
arregalados olhos estrelados olhos esbugalhados.
- Direi o quê?
- Que gosto e me divirto com essa lógica?
- Que já estava desconfiado disso?
- Pra quê, pra quê?
- Ah, por favor!!!
E foi um longo dia de espera que se
arrastou.
O homem e sua barba ficaram zanzando pelo
centro da cidade, entraram nos museus nos açougues nas igrejas de todo tipo nos
quiosques de garapa nos hotéis da rua principal nos botecos. Sentaram no balcão,
ele pediu a cerveja espumante e começou a olhar o chão sem parar. Pelo sim pelo
não, mergulhou em si. E bebeu e fumou, mais que o costume, e cochilou.
Mas era como nos outros dias, os bruaás
do trânsito, o sol perseguido por nuvens, as lojas desertas, as manchetes de
crimes bárbaros, as japarandubas da rua em fila indiana. Lá um minuto sentiu
fome pediu 3 pastéis de queijo e os engoliu em 3 bocados. E todas as mulheres e
meninas, umas mais outras mais ainda, sorridentes, sorrisos de modelo nova, não
olhavam diretamente nos olhos nos olhos. Seu coração de homem que amava sua
barba, embora, seu coração flutuou sobre, como uma pandorga de cores abertas,
sobre a cidade pontiaguda.
O homem e seu cavalo e seu cabelo
encaracolado e seu dourado relógio analógico de pulso saíram do palco e de cena
aplaudidíssimos. Centauro parou em todas as manchetes de revistas de
telejornais de sítios. Marcou época, bateram boca os que disseram escreveram.
Ninguém guardou a imagem ou o nome das vítimas, só do algoz. Logo logo teve uma
rua com seu nome. Um dia terá uma escola um bairro um chafariz num lugar
qualquer desse vasto país.
Eu mesmo saí do teatro orgulhoso do nosso
teatro. Ah, como foi higiênico o desempenho do principal! Ah, o seu cavalo mangalarga
puro-sangue, brilhoso, garboso, esportivo, quadrúpede, bandeira, só faltava
cantar em italiano! Ah, como meu país é bom nisso! Ah!, e outras coisas, etc.,
etc.