quinta-feira, 23 de julho de 2020

Cidade Fantasma (juvenil)




            Um, due, three, cuatro, quinto... começamos!
            Lilás tinha dez anos menina quando começou esta história em Pacajá. Ela ia ao mercado público sozinha ia ao parque Mangal das Garças ia ao açougue sozinha ia à escola sozinha, tanto de a pé como de bicicleta ou ônibus escolar. Era muita independência nas mãos da garotinha guriazinha.
            - Pois digo e me apego que a fortaleza dos Reis Magos é uma das 7 maravilhas brasileiras!
            E naquela mesma tarde (que parecia domingo, mas era de terça-feira) que os sabiás-laranjas nem paravam de cantar e assobiar e arremedar, foi que Lilás encantou. Ela mesma se perguntando perguntou indagar:
            - Será que vai chover, uma vez? Quando choveu pela última oportunidade? Foi sábado, acredito.
            Por que a menina se perguntou isto? É que ela olhou para o ambiente ali na rua Pinaré e descobriu que o mundo estava todo parado amortecido mais ou menos empedrado congelado e esquisito.
            - Qual o 3º planeta planetário do sistema solar? A Terra.
            E tudo estava parado mesmíssimo e paradão sem explicação concentrado. Como explicar? Tava tudo parado como só é parado o que está realmente paralisado concretado. Parado tudo pacífico. O mundo parado e firme e engessado e fixo, estátua.
            - Nossa Senhora de Belém  do Grão Pará e Feliz Lusitânia e Mairi!
            Tudo estacionado e travado e pronto tudo caído meio de lado as árvores paradas o ambiente frisado como se fosse realmente o fim do mundo, e era mesmo o fim dos tempos. Parado como um relógio parado, como um carro parado no meio da via, todo o mundo parado assustador. Gestos parados movimentos no ar e jeitos.
            - O que aconteceu, meu? Faltou luz? Hino Nacional?
            Toda a gente todo bicho juipongas pitiguaris uiramiris abelhas-da-terra... toda coisa todo algo. Tudo estátua. Muito legal. Quer dizer, muito estranho.
            O mundo era um museu paralisado e firme no mesmo lugar e sem pagar imposto. E mais nada funcionava. Esperando o quê? Cidade cosmopolita sendo um dos municípios mais chuvosos do B e mesmo assim quiçá do mundo.
            E quem viu isso? E alguém duvida? E como pode, hein?! E quem olha?
            - Quais os principais continentes que rodeiam o oceano Atlântico? A América a Europa a África a Antártica ou Antártida a região Ártica.
            Para falar a verdade e somente a verdade correta reta direta, somente um ventinho circulava vindo do fim do mundo. Um ventinho quase nem era nada. Mas apenas o vento andava aí. Que lugar nasceu para ser o fim do mundo e começo do vento dos quatro cinco ventos?
            Uma calamidade. Gentes todas estátuas, bichos tipo empalhados, as coisas pregadas ou coladas ou emperradas. O que era calamidade pública? Uma realidade.
            - O pelo das ovelhas o casaco como se chama como chamam? Lã.
            Lilás saiu pedalando sua magrela pela rua Placidina de Araújo, bairro Basalto e procurando e olhando a apatia da cidade. Eram os finalmentes do verão. Acontecimento tudo calado em posição de sentido respeitoso até demais. Baía de Guajará pedindo vela remo motor voadeiras catraias escaleres catamarãs...
            Nem havia mais a cidade se mexendo presumida. O que a menina via da sua magrela panorama era uma cidade parada no tempo e com os pés de galinha bem firmes no chão no solo do pago no torrão natal. Pronto, isso mesmo, desenhada pintada esculpida como estátua monumento casario tombado portas e janelas cerradas.
            - Qual a causa e o porquê, hein?, meu! Então me é difícil compreender!
            Lilás foi de bicicleta, já que nem havia ônibus, metrô, trem, avião ou mesmo charrete com cavalo de aluguel. E quando pôs os olhos na cidade, assim paralisada, sentiu o que se sente e viu o que viu: nem tinha cidade se mexendo, era o fim terminal. Tudo quieto e apenas aquele ventinho arteiro carpinteiro minuano. Nenhuma formiga-correição nem abelha mandaçaia-grande nem tuco-tuco...
            Por assim dizer. A menina andava pelas ruas desertas, abandonadas, desoladas, vendo carros parados no meio da rua Cacique Guaimiaba, vitrines maravilhosas em lojas de porta aberta. Sentiu pena da cidade. Viu o tempo sendo desperdiçado à toa.
            - Oh, que calma demais! Será o equinócio passando aí ou o solstício mais pra lá?
            Seguiu embora a menina, olhando tudo que surgia, quando viu a anta e o tuiuiú pastando a grama da praça da Bandeira. Parou no meio de tudo parado e falou:
            - Olá, anta! Olá, tuiuiú!
            - Tudo bem, Lilás a menina? - perguntou a anta.
            - Tudo legal, Lilás a cunhantaim? - perguntou o tuiuiú.
            - Lugar estranho, nem é sô?! Nada se mexe, tudo parado, tudo estacionado, tudo dormindo em pé, tudo estáutua - declarou a menina. E então encontro vocês e... que estranho encontrar vocês... assim... sim senhor e sim senhora! Lugar particularmente parado e firme como poste no banhado, em?! Tem ou nem tem uma explicação?
            - O quê? A cidade? - perguntou o pinante tuiuiú.
            - Pois é, gente - dizia Lilás. Eu nunca tinha conhecido um lugar assim, e abandonado, cidade pela hora h, paralisada, tudo em estado de espera aguardo. Dá pra sentir o intervalo a pausa o silêncio da cidade. Parece mesmo outro mundo.
            - Que nada, a gente se acostuma - disse a anta. Ruim que nada. Tá é ótimo. Vou atravessar a rua sem olhar pro lado fora da faixa de validade. Conhece os índios coripó?
            - É, é isso aí - completou o tuiuiú. Somos donos do pedaço. Nem tem ninguém para nos perseguir e nos pedir e nos servir. Somos uns poucos privilegiados. Tupã escolhe seus eleitos nobres privilegiados.
            - Já pensou? Morou? - indagou a anta.
            - Deixe assim que assim está bótimo!
            Depois de dizer isso, o tuiuiú deu umas ciscadas, ciscou e ciscou, até encontrar umas raízes brancas desterradas ou sementinhas perdidas confundidas com terra humosa preta de boa procedência.
            - Sabe, menina... Agora que nós os animais sobreviventes estamos sós e largados, eu gostaria de te dizer que vou fundar uma escola de samba - declarou o tuiuiú. E muito batuque! Quer ser a moça da bateria?
            - É uma boa ideia, dou a maior força, e pretendo prestigiar - apoiou Lilás.
            - Essa escola de samba poderia se chamar: Sobreviventes da Praça Mindubi. Que acha? Aceita? Comparecerá? - retornou o tuiuiú.
            - Sensacional, original. Vá em frente - incentivou a menina da cor lilás. Estaremos lá quando for a hora, “tomara que chova... três dias sem parar... tomara que chova... quatro dias sem parar!...”
            - Só falta o chefe o cabeça o líder o cacique. Estou pensando num comandante carismático alegre positivo pra frente - discursava a ave gigante pernalta.
            - É, um líder é preciso. Quem seria? - quis saber Lilás. Pode ser o Tira: Tiradentes. Pode ser o Pedrinho. Pode ser a líder. Pode ser a carismática Ceci: Cecília.
            - Eu mesmo, de repente, e sem essa de modestiamente - respondeu o tuiuiú. Sou a ave símbolo e original do Pantanal Mato-Grossense, nem é?
            Mas aí, epa!... Mas pra quê!... Quando o tuiuiú se autoelegeu líder da futura, e ainda nem inaugurada, escola de samba Sobreviventes da Praça Mindubi, a anta berrou, zurrou, ror-ror-rooor!... e mugiu, mu-mu-muuu!... discordando, é claro.
            - Nem concordo - disse ela. Nem mesmo concordo. Sabe, amigo tuiuiú autóctone do Pantanal Sul-Mato-Grossense, nem dê uma de vantagem que ainda nem chegou o seu tempo. Na minha opinião, o líder, ou a líder, tem de ser um cara de peso, útil toda vida, mais herbívoro, que se faça respeitar e que nem coma pescado peixes da lagoa.
            - E por acaso você quer dizer com isto que se candidata, minha querida anta? - perguntou, muito sério, o tuiuiú. Você está se colocando na oposição?
            - Sim, senhor! E eu mesma - replicou a anta.
            - Era só o que me faltava - se contrariou se contraiu todo o tuiuiú. Deixe de bobagem. Onde se viu e em que gibi! Anta nem tem talento, cintura, molejo, requebro. Anta é anta, e ponto - discursou o tuiuiú, vermelho de nervoso, pegando fogo fogo.
            Lilás os deixou discutindo discursando pregando e foi. A menina nem queria dar mais palpite pitada pitaco. Logo mais esqueceriam esse assunto e inventariam outro pra poder conversar. Nada de importante, nada de mais. Nada de nadar de braçada. A importância está no que se acredita.
            - Ouro Preto capital do Estado e uma das 7 maravilhas brasileiras, sim!
            Na continuação da jornada do caminho, a menina viu uma loja de roupas e calçados e afins. E tudo parado justamente pegando pó. A dona da loja, a atendente, todos parados, manequins imobilizados, uns sentados outros em pé. Parados e fixos olhando uma coisa ali na frente diante deles e nada. Era até engraçado. Era até meio assustador. Era até mesmo horrível e extraordinário. O mito cainamé? Incompreensível e transformador. Uma paisagem lunar.
            Ao virar a esquina deu de cara com um cara esquisito ou aloprado inverso:
            - Opa, o descuido!
            - Opa, sem querer!
            - Conheço o senhor de alguma banda, pois nem? - perguntou Lilás.
            - Claro...
            - Claro que sim?
            - Claro que nem. Ninguém me conhece na realidade na verdade bem da verdade. Me apresento agora e honestamente: sou o profeta, me chamo Profeta com P gigante.
            - Ah, já nem ouvi falar! Sou a Lilás! Venho da ilha Combu e gosto de chocolate. Porém sem açúcar artesanal e natural, é.
            - Também nunca ouvi falar de nenhuma Lilás. Nunca a vi mais gorda ou magra ou talvez. Mas nem se decepcione e antes de casar, sara. Já embarcou navegou velejou rio Ia abaixo rio Caburaí acima, uma vez? Sim, é possível! Eu navego muito e conheço pouco e conheço muito e navego pouco. Já ouvi dizer de Portel e Novo Repartimento?
            - Esperança que é a última que nos abandona - lembrou a menina.
            - Quem espera sempre alcança e como balança a balança vaivém!
            - Sei. E o mundo parado. Você viu? Onde nós estamos, meu?!
            - Bobinha. Saco vazio nem para em pé! Quer almoçar comigo? Deixe pra lá a riqueza o apogeu o requinte o luxo. O teatro da Paz foi feito para ser construído em Olinda em 1 ano e meio, sabia?
            - Convidou, pagou! Simboralá!...
            - Certo e vambora!... O difícil se faz hoje; o impossível, amanhã!
            - Já ouvi dizer. Quem escreveu esta daqui: “altas precipitações pluviométricas são grandes e muitas chuvaradas chuvas”, hein?!
            - Corpo são em mente sã! O que quer comer? Tapioca com bolo de fubá? Tapioca com doce de abóbora? Tapioca com açaí? Tucumã com tapioca?
            - Sorvete de açaí de pitanga de abacaxi, pipoca caramelada salgada doce, salada de frutas da Amazônia, água de coco, pupunha...
            O profeta era um legítimo profeta pensador estudioso cientista sábio pesquisador. Ficava e gostava de o tempo todo dizer verdades, ditos e profecias. Muito consciente do mundo ao seu redor realista. Trajava pobre, como um mendigo esfarrapado pedinte, e via longe lá no horizonte distante longínquo. Era de cabelo desgrenhado emaranhado amarrado estopa em rabo de cavalo, roupa amarrotada, tênis soltando a sola e sem cadarço. Mania de levar sempre junto de si um cajado ou bengala para se apoiar na subida na descida, conforme. Nem gostava de frio ou de uma chuvinha de vez em quando nem nada de nadar era do seu agrado sagrado do seu estilo.
            - Onde vamos comer alguma coisa, profeta? Oiapoque cidade AP sendo o 1380º município mais populoso do B e a 1645ª maior economia, juro!
            - No melhor hotel da cidade o Caleidoscópio. Lá ainda tem coisas na geladeira. O mundo paralisou mas a fome continua. Nem nunca te falei mas porém o rio Amazonas é meio de locomoção e transporte e tem regime quase inédito sendo pluvial e também nival.
            - Bom, muito bom. Assim nem se precisa pensar duas vezes, né?!
            - Outra coisa deixa dizer e antes que me esqueça: sou vegetariano ou até vegano, se D quiser!
            - E Ele há de querer como sempre desde o além até o aquém daqui pra lá de lá pra cá e em todos os tempos quer e quis e quererá.
            Foram para o restaurante do hotel Caleidoscópio, prédio na esquina desmobilizada avenida logradouro Boulevard Castilhos França com a arborizada via Visconde de Maracaju, e se instalaram na ampla cozinha higienizada asséptica bem arrumada. Descobriram, prepararam e comeram. Uma fome profunda, nhame! nhame!... batatas-do-rio assadas e ameixas-do-brasil doces e araticuns-de-espinho maduros e amendoins-rasteiros em cartuchos... comeram muitos vegetais, taças de saladas de frutas, doces agridoces coloridos diferentes, palmitos da inajá, castanhas-do-brasil...
            Depois descansaram, fizeram a sesta, cochilaram na beira da piscina azul infinita paisagem panorama monte Karupina no horizonte da serra do Imeri. Caíram de corpo esticado numa sesta longa e lenta e bacana. Por vezes poética.
            E logo logo veio a noite temperada de estrelas, umas até cadentes, os astros corteses gentis cordiais educados polidos atenciosos e até mesmo iluminados. Constelações em formas infantis de brincadeira desenhos artísticos.
            Nem optaram por sair do hotel Caleidoscópio, ficaram, e assistiram um vídeo, um filme, uma história alucinante de aventura, e pipoca perfumada, é claro. E retornaram os tais e quais os bocejos, ofe! ofe!... e o mergulho nas almofadas fofinhas.
            - Vamos nos recolher ao berço, menina. Eu costumo me hospedar no 1616 ano da inauguração fundação de Belém. O seu você mesma escolhe e por conta própria. Nem fica assistindo tevê até mais tarde, tá certo?!, recomendação.
            - Pode ser no quarto ao lado. Eu fico no quarto ao lado pegado.
            - Falou. Boa noite. Tenha os sonhos que preferir e a sua escolha.
            - Idem e ibidem.
            - Ilha Brigue ilha Curuá ficam no arquipélago do Bailique em AP, confirma?
            - De que em que se troca o bandeirão sempre hasteado lá em Brasília? De uma vez por mês de tempo, te digo!
            - Bem mais alto que você.
            - Bem mais forte que você.
            Tarde da noite, madrugadão, Lilás acordou ouvindo passos pelo corredor do hotel, toque! toque!... se ouvia e nem se via nada. Os ruídos, toque! toque!... dos passos vinham do corredor ou da imaginação? Procurou entender aquilo, pensou que fosse o profeta, e levantou para ver ao vivo. Espiou abrindo a porta e viu um fantasma miraculoso. Era uma alma um véu branco sobrando soprando ao vento à brisa e que aparentava brilhante de uma velha e baixinha senhora antiga. A menina, então, assombrada trancou a porta os pelos do corpo todo em pé eriçados ouriçados. Mesmo assim o barulho da tal coisa incomum prosseguiu, cada vez mais perto e grosso e fatal. Uma alma barulhenta? Quem já viu? Um espírito insone? Quem já presenciou?
            - Que vou fazer? Que posso fazer? - se perguntou baixinho a menina. Uma vez eu já vi isto em algum outro lugar mas nem me lembro? Duvido.
            Segundos depois a maior surpresa. Grande surpresa. Surpresa de fato. A aparição, se sabe lá o que era aquilo, a alma de alguém fidalga ou algo, atravessou a parede, atravessou a parede de concreto do quarto do hotel o Caleidoscópio:
            - Que que é isso, meu! - exclamou Lilás, arregalando os olhos até nem poder mais. Quê... o quê... quem... de quem?!... in-com-pre-en-cí-vel!...
            - Quem sou? É isso que a menina quer saber e me pergunta? - falou a alma do outro mundo paralelo extraordinário.
            - Pois é... Quem.... quem é você? O que quer? E por quê?
            - Sou a fantasma do hotel Caleidoscópio. Fui hospede desse hotel durante muito tempo. Morri, estou morta e mal enterrada. Agora passo as noites por aqui, a andar, me distraindo, a pensar a meditar... Mas nem tenha receio, nem tenha sustos, pode piscar os olhos, eu nem mordo eu nem arranho...
            Lilás fechou a boca, engoliu seco, piscou os olhos. Depois perguntou:
            - A senhora é... uma senhora?
            - Ah! ah! ah!... Ih! ih! ih!... - riu a alma, riu com gosto de alma penada. Eu existo? Se eu sou eu e estou aqui? Essa me pegou desprevenida. Essa é boa, eh eh eh!... Oh oh oh!... Acho que nem, né?!
            O riso da alma penada ou despenada foi um riso sem corpo, portanto sem boca, sem dentes, sem matéria-prima, sem resonância, sem graça... Se ouvia as gargalhadas da senhora, mas nem se via coisa com coisa concreta andando ou acontecendo. Só uma fumacinha patética tipo cerração ou nem isso. O corpo da velhinha (fora realmente uma senhora idosa?) era só fumaça, na forma de gente, uma fumaça também sem cheiro, uma fumaça azul em forma de gente, quem te viu e quem te vê.
            Essa velhinha, essa nebulosa, quase quase o quê, esse fantasma na verdade levitava como sopro de fumaça de cachimbo, uma cachimbada das boas e num lugar proibido de fumar. E sem aquele lençol branco e outras coisas tradicionais como correntes arrastando, outros barulhos horripilantes arrepiantes, etc., tipo escrava acorrentada e condenada.
            - Quede as correntes, o lençol, as madeiras estalando, senhora?
            - Que nada, neném. Isso é tudo folclore. Nada disso passa pelo real e fiel e hoje em dia. Um fantasma de verdade é como um sopro, uma ondinha de fumaça azul e só apenas somente. Uma fumacinha e olhe lá. Se tiver vento, nem fumaça e sem fantasma.
            - Mas assim, bem explicado, nem assusta ninguém e é difícil de acreditar. Somente uns, toque! toque!... é  muito pouco, é pouco demais.
            - Os acordes de, toque! toque!... vêm dos tamancos que carrego para me prender ao solo. São como âncoras.
            - Você... quer me dizer se os fantasmas molham na chuva?
            - No meu caso eu prefiro os tamancos de madeira. Por causa do piso frio, é.
            - Legal e g de genial.
            Aí, a menina perdeu um pouco o fio da conversa, o tal fio da meada, a velhinha fantasma pensou um pouco, pensou com seu pensamento feito de fumaça caprichada, resolveu depois:
            - Pois é. Mas... me responda e me diga. Você quer dar uma volta comigo, passear pelo hotel, espairecer? Sinto tanta falta de um papo gostoso, de um sopro novo e amigo. Gostaria de olhar a lua e conversar com alguém, topas? Tem um parque Cabo Orange aqui por perto um rio o rio Caciporé território nação dos índios pimenteira, vamos nessa?! Uma rua avenida Brandão formosa casario bonito funcional social arquiteturas, aceita? A terra firme o vento calmo pacato... e um que demais.
            - Adoraria! Vamo nessa que é bom à beça!
            - Então... simboralá, comadre minha!
            - Descemos pelas escadas ou de elevador?
            - Subiremos até o terraço. Nem sei até onde esticará o horizonte. Vamos olhar o céu noturno e voar... oxalá!
            Lilás seguiu o brilho rasto da fantasma pelo corredor, depois o elevador, andar por andar subindo, até o terraço. Quis pegar na mão dela, mas nem havia mão alguma. Era uma magia absurda, isso sim. Uma sensação de espírito folgado. Embora tudo bem.
            Já no terraço, sentadas ao redor da piscina, noite calma, tranquilas, sem frio, olhando horizontes meio distantes e tal, admiravam as estrelas, os prédios, o trânsito lá embaixo todo parado, etc. Nem corujas nem bacuraus nem morcegos, somente o globo platinado da lua em suspensão num fio suspensa.
            - Que coisa, nem?! - comentou a fantasma senhora. Eu, em?!
            - O quê? A noite? A lua? A rua? - perguntou a menina, sem saber o que a velhinha queria dizer exatamente.
            - A sorte o rio a estrada o caminho. Tudo é uma coisa só e muito estranha e vagal. Antes eu tinha corpo, agora sou ainda somente uma fumaça. E isso é estranho ou muito estranho. Logo logo aqui um dia ensolarado sem as nuvens habituais.
            - Como se chama a capital do Estado de São Paulo? São Paulo.
            Assim, Lilás aprendeu que também fantasmas pensam. E sopram e andam e espairecem e interpretam. Tal e qual como as pessoas de carne e osso e cabelos e relógio no pulso. Nem muda muito de mudar, pra falar a verdade.
            - Uma pergunta - falou Lilás.
            - Chute.
            - E a senhora já pode voar sobre a cidade? Digo, sobrevoar? Do ponto de vista de... uma coruja corujão-orelhudo, por ex?
            - Claro, que dúvida! Quer me ver pelas costas, é? Quer me ver de drone ou de pandorga ou de balão de gás?
            - Outra coisa, dona senhora... Todos se tornam fantasmas depois?
            - Nem, nem todos. A maioria volta logo pra terra outra vez. E viram em plantas em animais em outros seres, etc. O mundo é pequeno porém nem simples como parece à primeira olhada, tá entendendo?
            Um morcego parente dos ratos-de-pentes desceu da noite e veio ali se aboletar a um metro e comendo sementes de abóbora ou amendoins com casca e tudo. Depois, vendo um pequeno público, tirou da bolsa a tira colo um violão afinado um cavaquinho e ensaiou uma música de baile alegre dançante ligeira ovante vitoriosa. Tocou muito bem, obrigado! A velhinha fantasma se lembrou recordou coisas com os olhos parados no tempo no espaço no horizonte na linha do céu com a terra... E convidou a Lilás para ser seu par numa contradança. As duas rodopiaram, rodaram e flanaram à beira da piscina. O som do violão era afinado e limpo e simples... tre-tri-tru!... pre-pri-pru!... e dedilhado a dedos longos, vre-vri-vru!...
            - Isso já me lembra dos meus bons e passados tempos. Eu arrumava namorados a três por quatro. E que gentilezas... Pará é 1 das 27 unidades federativas do B e paraense ou parauara. E o que é saudade?
            - Conte uma história com este tema, por que nem?!
            Foi uma ou foram duas horas e Lilás achou de descansar um pouco. E se recostaram numas cadeiras espreguiçadeiras. As nuvens passavam por cima e eram poucas e sofisticadas.
            - Quantas piscinas olímpicas o rio Amazonas despeja e deságua no delta marajoara em cada segundo de competência? Inúmeras.
            Amanhecia e o vento levantava poeira e mais nada. O vento tem a ver com as chuvas. Os prédios se descobriam ao sol, as árvores, os carros parados por tudo que era canto, as pessoas de pernas estendidas e braços estendidos no ar, tudo paralisado e quieto e parado e bairro Curió-Utinga e bem firme na terra de Pindorama. Sim, era verdade!
            - Da cidade região metropolitana (RM) é oitava mais populosa da Amazônia e a Trigésima oitava do B e a trecentésima octogésima terceira do planeta.
            - Qual a vitamina proveniente do sol e dos raios solares? D.
            Pois tudo isso tinha um preço de mercado e haver o peso. Na horta e lavoura temporárias eram recolhidos principalmente arroz (100 mil toneladas), abóbora, mandioca, milho... Agora na horta cultivo permanente se destacava a produção de bergamotas (3 mil e quatrocentas toneladas), banana, maracujá, coco, abacaxi... Dentro da aquicultura de água doce foram selecionados aos mostruários aquários públicos 2.600.480 exemplares tipos espécies de peixes, tambaquis, matrinxãs, bagres-pintados, pirararas, peixes-agulhas-d’água-doce...
Lilás acordou ainda na cadeira, olhou pro lado, olhou pro outro e nada da claridade do espírito fantasma. A procurada velhinha senhora tinha sumido e desaparecido. Ela e seus tamancos, toque! toque!... Desaparecera sem dizer: “água!...” ou “terra à vista!...” ou “gooool!!...”
- Eu já estava me tornando uma fã real da boa senhora, é. Mas tudo bem e um passo de cada vez.
            A menina então desceu com o elevador e foi à calça da rua central Borges de Medeiros. Subiu a rua, rua de carros parados, pessoas paradas, estátuas. Descobriu mais uma loja toda de vitrine espetacular e abandonada. Cidade do equilíbrio paisagístico ecológico: construções e preservações e restaurações.
            Na altura da Borges de Medeiros com a avenida Presidente Vargas, mesmo com o celular ouvindo música sem parar, a menina percebeu que alguém a chamava, gritava, chamava por ela. Desligou o aparelho, tirou os fones e procurou identificar de onde vinham aqueles apelos, gritos e berros e aleluias. E vinham sim. Vinham de uma mansão, a poucos passos do passeio público, entre palmeiras comportadas de batauás e árvores frondosas de pitiás e arbustos remoçados de caiatés-açus e ervas renovadas brilhantinas-dos-telhados... Motivada mobilizada, foi até lá.
            Chegou perto do jardim arborizado e balançante agitado ao vento e olhou lá pra cima, lá pro alto da ponta do prédio de sete oito andares. Do alto vinham uns miados e chamados e murmúrios e resmungos. Deu pra ver mais ou menos, deu pra ouvir assim assim, tal e qual se ouviu alguém berrar e alardear:
            - Ei, olhe aqui, ó! Ei, menina, venha cá! Tá me ouvindo?! Terráquea!
            No alto do prédio empoleirada e espiando pela janela aberta uma guriazinha espetacular, braços e mãos desenhando coreografias rápidas inovadoras, fazia de tudo para ser notada e percebida e mesmo gritava:
            - Ei, você embaixatriz, ali embaixo no chão no térreo!
            - Sim, o que foi?! O que deseja?! - respondeu a Lilás da rua e gritando.
            - Pode vir até aqui?! Sobe até aqui! Preciso falar contigo! É urgente! - gesticulava e falava a guria com as mãos em concha na boca.
            Lilás entrou no prédio, subiu oito ou nove andares até entrar no quarto da menina implorativa solicitante. Pegou o elevador admirando os números se alternando no painel luminoso. Entrou. Achou. Viu. Conferiu.
            Daí, as duas menininhas se encontraram... se olharam... cumprimentaram com garbo e entusiasmo trocaram de nome:
            - Eu sou Lilás.
            - Eu sou Tocandira. Sabe soletrar? Fiquei sabendo que sou natural de Pará de Minas, já ouvi falar?
            - Já visitou a ilha Caratateua ou Outeiro? Provavelmente que fica perto.
            - É, mas eu conheço o rio Aurá. Conhece?
            Foram olhar a vista que tinha da janela e a serra do Acari. Um lugar muito alto que dava pra olhar muito longe na cidadezinha e lonjuras. Era tudo muito parado, já se sabe. O mundo parado. Elas ali e conversando na paisagem pintada parada porém bem pintada bem paradinha:
            - Que livro você tá lendo? Tem tempo pra ler? Você gosta de ler ou folhear revistas? Prefere ler ou assistir?
            - Eu leio um pouco e outro pouco eu olho as figuras e observo as legendas. Depois eu escuto música e olho a internet. Eu nem sei o que fazer com esse mundo parado intervalos comerciais. Você está passeando? Você está indo pra donde? Você já conhece já pesquisou caiapó-quicretum e Marituba e rio Cauaburi ou mais além? Tem festa na praça Batista Campos?
            - Estou passeando e olhando o que resta pra olhar. Tá mesmo tudo parado e desorganizado. Queria voar de parapente, conhece? Tem gente que tem sorte e voa.
            - Por isso te chamei. Preciso tanto trocar ideias com alguém! Bem, aí os dias foram passando, passaram as semanas, um mês, dois meses... O tempo é isso é isto?
            - Precisaria de um detetive para investigar esse mundo estacionado, né?! Quando eu penso muito eu já imagino milhares de kms e rios navegáveis e ilhas e atóis...
            - Eu gostaria de ser detetiva. Pelo menos parente de detetives.
            - É uma. Eu mesma queria entender de geografia, em?!
            - A gente poderia fazer uma dupla. Uma mais inteligente e outra menos inteligente, uma mais esperta e outra um pouco burra. Daria certo. Uma faz perguntas a todo momento e outra responde com eficiência e ciência de acerto, tá ligada?!
            - Eu gosto das detetivas que investigam os mínimos detalhes, é. Às vezes acham coisas muito boas ou muito legais ou muito engraçadas. Uma maravilha.
            - É, seria bom. Ninguém sabe de coisa alguma. O pior vem no primeiro capítulo, depois vai que vai. Acho que investigação é melhor que pesquisa, você entende?
            Mais um pouco e Lilás e Tocandira sentaram no chão. Ficaram folheando alguns livros com capa dura e histórias e figuras e asteriscos. Umas mais de trezentas páginas.
            - Vamos ouvir música? Que músicas? Que sons? Que ritmos?
            - Acho que é bom... uns maracatus. Cara!... É muito bom ouvir frevo. E principalmente dançar frevo axé maracatu toada baião...
            Lilás já pensava em se despedir da amiga. Perguntou lá pelas tantas e quantas e depois de vasto repertório:
            - Se a gente fosse pedalar pela cidade paralisada, hein?! É uma. Faz uma cara que nem vou mais ao zoológico!
            - Eu tou com preguiça. Acho melhor...
            - Eu acho legal e super g.
            Mais meia hora e mais nada, Lilás se despediu de Tocandira e desceu para a rua. Tocandira quis ficar sozinha com a rede virtual e seu quarto cômodo qualquer e ficou. Lilás desceu com o elevador, saiu na rua Caeté.
            Faltavam 793 dias para o dia 22 de abril do ano 2000, 500 anos do descobrimento. Quem diria?! E quem descobria?
            - E as abelhas transformam as flores e seus ingredientes em mel, tranquilamente.
            Duas horas em seguida, numa esquina qualquer da cidade congelada rua Augusto dos Anjos com avenida Abaetetuba, Lilás se deparou com a Tinguá e Picuá, mãe e filha. Elas estavam em frente de casa no quintal no pátio. A mãe cuidava de um caldeirão, e a filha pegava no colo o um mascote vira-lata folgado de cauda balançante e de nome Pingue. Lilás se aproximou para perguntar:
            - Esquentando um sopão, dona Tinguá? É este o seu nome, suponho.
            - Nada como um personagem de ficção com visão de futuro. Você acertou em tudo, no nome e no produto - respondeu a boa senhora.
            Sem cerimônia, com ou sem cerimônias, Lilás pegou e se enturmou com a guriazinha mais o cãozinho serelepe. Brincaram de lançar a bolinha de tênis e ver o guaipeca pegar, correr atiçado e pegar de volta. Sim senhor! Depois corriam dele, ele latia, botava a língua, se escondiam, o cãozinho achava, etc., o cusquinho se escondia elas o achavam, e assim por diante. A Tinguá recomendava os cuidados de mãe pedia isso e aquilo dava as gargalhadas, ria, ahahah!... ah ah ah!... e sempre envolvida no vapor do sopão. Alguns passarinhos vieram conferir e ver de perto ali pousaram nos galhos secos do pé de tauari e ficaram espertos observando saltitando famintos curiosos. Nem demorou muito a mãe chamou a filha e convidada:
            - Filhinha! Venham cá. Chegam mais as duas.
            - Que que é, mãe?!
            - Preciso de uns temperos pra condimentos e molhos e etc. Quero que vão a um supermercado buscar pra mim. É coisa importante, é urgente, tem de ser rápido.
            - Diga lá, diga logo!
            A mãe mandou escrever no celular:
            - Vou precisar de... anotem: feriado, festa, missas novenas ladainhas, procissões, marabaixo, cantos e batuques, passeatas, mais algumas encenações teatrais ao ar livre, bailes populares caipiras típicos quadrilhas, carimbó, danças rituais... Acho que é só. Ah!... mais uns ingredientes que nem podem faltar, bandeira, brasão ou escudo e hino, tá legal?!
            - A gente pode tomar sorvete ou picolé?
            - E vão num pé e voltem noutro.
            As duas meninas tão galantes embarcaram nas magrelas, botaram os capacetes, e chisparam, pela rua, na avenida, no paralelepípedo, na sombra do palácio Azul, quase tão rápidas quanto o vento que levantava folhas secas e poeira e cisco.
            Quando viram o prédio do super a Picuá deu ordem:
            - Estacionar naquele estacionamento!
            As duas entraram no supermercado Jacutinga, capacetes atados à cintura, e foram logo escolhendo as compras tradicionais: metal, couro, cortiça, madeira, plástico, vidro, borracha, cerâmica...
            Como se pode compreender, nem havia vendedor, nem havia dono, nem proprietária, e mais ninguém na loja. Tinham, portanto, tudo à mão e à feição. De frente pro negócio, lógico, sem ter a quem pagar, as duas se baldaram, se esbaldaram, se maxibaldaram.
            - Olhe, Lilás! Prove desse chocolate sem açúcar. Sucesso!...
            Tinha de tudo ali e dentro do prazo de validade. Somente nem se encontrava o que nem havia sido inventado e ou produzido.
            - É caju com suco de limão, meu!...
            - E este é o sorvete de marimari!...
            Nem mesmo pensavam em outra coisa, queriam ver tudo, provar o máximo do consumo, olhavam com as mãos, reviraram todas as prateleiras, artesanatos e biojoias de conchinhas de palha de sementes de madeira... encheram o carrinho.
            - Vou carregar o que tiver.
            E foram, iam de corredor em corredor, por aqui e por ali, procurando ver os ingredientes que faltavam, olhando tudo, tocando tudo, conversando sem parar, elogiando as ofertas as opções os preços a qualidade a procedência, seção de cama mesa e banho, seção dos brinquedos e jogos...
            - Este é originalmente de onde? Mojuí dos Campos.
            - E mais de todas as suas cidades-irmãs.
            Depois se encontraram, e se acomodaram, na seção de produtos de beleza como para cabelo pele sombras brilhos cores... Foi outro pânico nos olhos. Aí sim as duas piraram de vez, amoleceram os braços as pernas e se sentaram no chão para curtir.
            - Olhe esse batom, uau!... Gente!... Tem gosto e sabor de... cacau na chuva! - alucinava a Picuá.
            - Hum!... Ah, e esse perfume... estou levitando... é de beldroegas é de lilases... ui! - ria feliz a Lilás.
            - Perfume de lilases? Combina com a sua cara, querida amiga.
            - É, nem sei o porquê da questão.
            - Aaaaah!... Olhe esse quite de maquilagem! Vou levar. Nem é todo dia que encontro algo assim e em oferta.
            - Nem nada jamé! Afaste isso tudo de mim! É muita tentação!
            - Para o cabelo, para a pele mais macia, sombras, etecétera.
            - Me acorde e me belisque, por favor!
            Anoitecia quando voltavam, pedalando lentamente... rua Barão de Marajó e bairro Itapeba em Maricá. No horizonte já caindo o sol a serra do Mendanha e o maciço do Gericinó, pontos turísticos ecológicos sítios de trilhas e escalaminhadas. Em casa entregaram à mãe todo o pedido, item por item, de a até z, de fio a pavio:
            - Hum!... Vamos ver... isso... aquilo... o outro... é, tá tudo aqui. Obrigada, minhas meninas.
            Com os produtos nas mãos, a Tinguá foi ao caldeirão dar continuidade à sopa sopão substancioso. Colocava uma coisa lá dentro e mexia, rindo, engraçada, ah! ah! ah!... Acrescentava um sabor de pimenta-do-mato, um dente de alho, um pozinho de guaraná ralado e mais outra coisa... e sorria como sempre já antevendo prevendo o sucesso, eta! eta!... A fumaça subia para o céu noturno, até a lua, as diferentes divisões da atmosfera, alimentando estrelas, empanturrando cometas de vassoura, capitanias gerais províncias Estados... O cãozinho Pingue descendente em linha incidental dos cachorros-do-mato-vinagre, uivou pra dona lua, cauuum! cauuuuum!...
            As meninas foram dormir, e precisavam. Volta e meia Lilás ouvia, e achava estranho, os ruídos soltos que vinham da rua da avenida do bairro das plantas. Estranhas imagens invadiam sua cabeça, figuras carnavalescas povoavam seus sonhos e fantasias, desfiles de festa e missa e procissão e arraial e quadrilhas em pleno baile bailão com casamento na roça o moço convidando a moça. Nem podia ser mas parecia antes bem antes no tempo dos cacicados complexos entre os índios baníua a ilha de Cotijuba os caboclos os mamelucos antes ou pouco depois do descobrimento, etc.
            No dia seguinte as duas meninas acordaram com planos e aventuras e sagas e histórias e expedições. Viram a Tinguá estirada na rede, na varanda ou sacada, a resonar, rom! rom!... muito cansada ou ainda cansada. A seus pés o cãozinho também relaxava e curtia uns raios de sol nascentes. Voavam outros pássaros trabalhavam andavam labutavam outros bichinhos pelo pátio, sapo-martelo, sauins-de-coleira, rato-espinhoso, caiararas-brancos, ouriços-pretos, sanãs, beija-flor-preto-e-branco... mas sem dar notícias do mundo dos homens e mulheres e acompanhantes.
            - Vamos passear de bíci? Tá um dia como outro qualquer - sugeriu Picuá.
            - É, é uma. Uma muito que ótima, bótima.
            - Faz um tempão que nem faço isso de andar por tudo e passatempo!
            - Vamos nessa, então. Chegou a hora. Tô adorando!
            As meninas pegaram das pedaletes quase voadoras e chisparam.        E pedalavam, pedalaram... nossa!, como pedalavam... parecia que iam cair e derrapar e resvalar na brita da próxima esquina. Que nada! As duas eram muito velozes e profissionais. Volta e volta e meia, mercado de São Brás, lado a lado e apostando carreira...
            - Apesar do B ser muito de clima tropical, o Pará (Estado) é de equatorial.
            Entravam numa rua ali por trás do cemitério, era a estrada Buarque de Macedo, depois a rua 7 de setembro, uma rua coberta de flores de jacarandá-cabiúna rua Bannach, descendo o morro da famosa praça Castro Alves, freando na descida que o morro era alto e a velocidade era descontrolada, faróis ligados o tempo todo...
            - Olhe o Horto, Lilás! Lá o perigo anda à solta e é grande. Pode ser ou nem ser, mas acredito que muitos animais grandes e ferozes foram se esconder ali. Vivem como se nem houvesse amanhã como se estivessem na floresta como se fosse no pantanal mato-grossense, em estado primitivo, selvagem, predando, caçando e sendo caçados. Comem, capturam, se escondem, se protegem, correm, etc., procuram fazer o dever de casa. Os grandes comem os pequenos, e os carnívoros papam os mansos, igual de antes, como sempre foi, como se vê no documentário da tevê, uns com fome outros famintos. Impera aquela velha e batida lei do mais forte. Grama alta, mato fechado, água cristalina, cavernas e esconderijos. Uma selva com floresta com mangue com igapós. E vivem onças-pretas, jaguatiricas, gatos-do-mato, lobos-guarás, sucuris, jacarés-de-papo-amarelo, muriquis, macacos-prego e mais macacos, muitos micos, tamanduás-bandeiras, tatus-canastras, mais cobras e lagartos e lagartixas e lacraias, peixes de muitos estilos de nado e tipos de couro de escamas e aves aquáticas arborícolas... e realmente muitíssimos insetos aos milhões zumbidores...
            As duas meninas entraram pela estradinha do Horto e foram lá pro fundo do mato do capão grotão cafundó. Era tudo mato e mato bem fechado. O vento sacudia as copas das árvores muito lentamente, corticeiras-da-serra, frutas-de-burro, milocas, jardineiras, piripiriocas... Nem se ouvia pio de passarinho, nem se via voos de borboletas ou besouros ou joaninhas, nem se entendia o zumbido das ferozes vespas, nem se captava nada assim de extraordinário ou que se pudesse levar em conta.
            As gurias travaram as bícis ali no meio do mato, no meio da trilha. Olharam em volta e se arrepiaram, exultaram, quase quase aplaudiram:
            - Que que é isso, meu! - se admirou a Picuá. Veja esta sumaumeira e que grande!
            - Nem tem ninguém para nos receber e nos guiar e nos informar, será?
            - Acho brabo. Nem lembra que o mundo parou, guria?! Parou, tá parado!
            - Então, vamos voltar, né?! As histórias nem nunca falam da volta, né?!
            Ficaram aí se coçando, olhando uma árvore e outra árvore, uma árvore mais alta que a outra, o vento mexendo com as copas, o sossego, o clima, o espaço, uma erva botão-de-ouro, cipó-d’alho, caruru-de-espiga, inhame-de-folha-roxa-pintada... e quase quase somente o silêncio. Estavam no meio do Horto e mais nada. Estavam no mato sem cachorro vira-lata. A Lilás achou de pensar alto:
            - E agora? Nem é perigoso andar por aqui? A natureza é que manda, nem é?!
            - Se é! Nem me fala - arrepiou a Picuá. Vamos alimentar de quê?
            - É melhor a gente ir embora. Procuraremos sem pressa uma sorveteria pacífica e aberta já nesta hora, é.
            - Estamos longe de casa, também. Onde passa e vai o rio Maguari?
            - Bastantinho. E temos que cair fora antes que alguma dessas feras nos tire pra dançar. Já ouviu falar em jurupari? Já sabe da lenda do saci?
            E as duas saíram pedalando na calma. Voltando pelo caminho que entraram. Saindo pelo portão da entrada. Passando pela bela ponte do rio Guamá. Olhando para mais além a ilha de Tatuoca.
            - Nem me imagino sendo caçada no dia a dia por um bicho do mato e predador. Isso nem combina com a minha ideia de progresso. Seria até sem graça e até ridículo e sem sentido - arrepiou a Lilás.
            - E sem contar os mosquitos...
No meio da floresta a lei era da selva selvagem. Precisavam fugir antes que uma fera pressentisse a presença delas. Antes que uma onça em perigo de extinção as ameaçasse e com justiça.
            - Agora eu imagino quanto pena e despena um passarinho quando um malvado tenta prendê-lo na gaiola - disse a Picuá.
            - Estas coisas ainda acontecem, meu?
            De repente se viram alcançadas. Foram cheiradas por quatro onças uma de cada cor, quatro irmãs, uma onça-pintada, uma onça-parda, uma onça-vermelha, uma onça-preta, geminação de felinas. As feras femininas já vinham de água na boca e babando, gruuu!, gruuuuu!...
            - Ah, nem falá! - exclamou Lilás.
            - Minha nossa, meu! - exclamou Picuá.
            - Onde estão a polícia o corpo de bombeiros, gentem!
            - E a lei orgânica da cidade e sua constituição, é pedir muito?!
            Eram quatro onças potentes, de dentes de grandes e ótimos, olhos amarelos, olhos amarelos, olhos brabos e fixos, um corpo felino e forte formoso. Sempre de boca aberta e rosnando, grrraaa!... a cauda batendo no ar sem parar, a língua de fora já sentindo o gosto da presa da carne tenra, orelhas estalando, troque! troque!... Muito apetite lá com as quatro irmãs de quatro patas e bocarra.
            - Vamos subir na árvore mais próxima mais alta!
            - Estou me sentindo um prato andando e bípede!
            As meninas suavam frio, batiam os queixos, batiam os joelhos, arrepiavam o pelo, olhavam em volta pedindo: “por favor!...” Talvez seria melhor dialogar com as feras, quem sabe! Será que negociariam? Aceitariam um suborno uma propina uma gorjeta? Será que levariam em conta a paciência?
            - Vamos falar com as feras... Talvez falando com calma e no idioma delas...
            - Você... você fala a língua delas?
            Ficaram ali as duas tremendo trêmulas meninas abraçadas estáticas sem coragem de dar um passinho pra trás pro lado pra onde fosse e olhando as quatro onças que arreganhavam os seus dentes potentes branquinhos feitos de marfim. Quatro onças, uma do pantanal outra da amazônia outra do pampa outra da caatinga... (faltavam do cerrado e da mata atlântica). Que neste exato momento davam os primeiros e lentos e definitivos passos pateavam, lete! lete!... em direção às pequenas duas medrosas.
            - Elas querem talvez falar, falar mais perto... - observou Lilás.
            - Tô ligada.
            - Cheias de dentes, pelos bonitos manchados de cores...
            - Vou correr como nunca, talvez.
            - Sim, temos que fazer alguma coisa urgente.
            - O quê? O quê, por exemplo? O quê, por favor!
            - Pois é, pedir o... por obséquio!
            E as felinas iam se aproximando com o jeito de gatas perigosas, olhos amarelos fixos nas gurias, felinas, perigosas, bonitas e lindas. Corpinhos de gatas ágeis. Figuras de álbum ou selfies.
            - Ah, cara, elas nem gostam de lero-lero bate-papo conversa fiada e coisas desse tipo. Olhe só como balançam a cauda em atitude de ataque. E vão dar o bote...
            - Muita calma nesse minuto... pe-ri-cli-tan-te!...
            - Eu sempre quis morar numa ilha tipo Urubuoca e comer açaí no pé, sabe?!
            Aparentemente nada podia deter as quatro bem poderosas feras e seus dentes pontiagudos mandíbulas e suas garras retráteis. As quatro felinas soltas insociáveis eram e estavam donas do pedaço. Donas do  mundo. Donas de tudo e da situação. Davam as cartas e conferiam o jogo. Apostavam jogavam acertavam conferiam e recolhiam as fichas, é.
            - Sou tão mocinha... manhêêêê!... - foi a Picuá.
            - Vou virar goma de mascar de... de... eu quero minha mãaaae!... - era a Lilás.
            O despreparo tomou conta das duas, e para sempre. Nem entendiam nada que estava acontecendo e muito. Olhavam o caminhar das felinas de grande porte, os dentes afiados, as garras potentes quadradas e... iguais as mesmas e mais e mais perto. As onças bufavam, frou! frou!... muito próximas e roncando, ronque! ronque!... às vezes rugindo, grrraaa! grrraaa!... e nem paravam de avançar, avançar a passos lentos, torturantes, pedantes pesados... chegando, devagar e devagarzinho, e sempre. Tão sempre quanto ferozmente. Deixando pegadas marcas firmes onde pisavam tatuagens no chão de terra fofa.
            - Nem consigo desviar os olhos dos olhos das feras ferozes felinas.
            - Somos a caça, o almoço, o lanche da tarde, o tira-gosto, o manjar...
            - Vou rezar na igreja na catedral na basílica na capela no capitel e no santuário...
            - Vou fazer vou me apresentar em romaria fluvial romaria rodoviária moto-romaria procissão transladação recírio...
            Nem adiantava mais esperança alguma. E até ali D nem atendera ou nem quisera ouvir as preces das garotinhas. As feras já muito perto das gurias e daí?
            - Mas ah!...
            - A qual!...
            As onças chegavam perigosamente, muito próximas, e já há algum tempo. Tão perto que as meninas cheiravam as feras contavam  suas pintas sentiam o forte peso do bafo o ronco, ronque! ronque!... dos seus estômagos vazios as línguas vermelhas lambendo os beiços beiçudos bigodudos. E uma do lado da outra a canguçu a jaguar a suçuarana a jaguaretê e as quatro avançando personagens protagonistas.
            Mas aí... surgiu do céu, do chão, atrás de uma jaracatiá, e como um raio de relâmpago, mais rápida que um corisco, surgiu muito rápido mesmo uma mãe com vassoura na mão, a dona Tinguá com uma arma perigosa na mão, uma vassoura de folhas de piaçaba e caiu em cima das onças felpudas. Foi um espanto, ora!... A Tinguá espantou logo as felinas e salvou da carnificina as duas meninas de tenra idade.
            - Simboralá, meninas! Pegam das bícis e vamos embora definitivamente! - foi dizendo a Tinguá. Sem demorará!
            E as meninas se salvaram das garras daquelas poderosas e famintas onças de várias cores e temperamentos e temperaturas. Aliás, as tais onças, que fugiram para o interior mais interior do Horto florestal, foram correndo e comentando uma com outra:
            - Nem acredito... - começou a dizer a onça-parda, original da serra da Seringa.
            - ...que uma simples mamãe... - continuou a onça-preta, autóctone mandatária da ilha de Maracá.
            - ...tenha nos enxotado com uma vassoura... - dizia, indignada, a onça-vermelha habitante ocasional passeadora no porto de Itaqui.
            - ...pra nos levar a rica refeição suculenta - completou a onça-pintada, natural da beira do rio Curuá-Una.
            - Nem acredito, nem acreditamos!! - urraram em coro as quatro felinas irmãs gêmeas e preciosas e manhosas e pertencidas e caprichosas.
            É as onças teriam que procurar outro repasto outro lanche da tarde. Uma pena para as felinas, uma salvação para as meninas elegantes. Total: a sorte continua, assim e conforme como o rio Itacaiúnas desliza vai para o mar.
            Enquanto isso, pedalando pela cidade parada no tempo e no espaço, as meninas iam sorrindo, um riso no rosto denunciando aventura futuro... E o celeste azul com passagens de nuvens brancas aqui e ali mais altas nas 5 camadas que constituem o céu troposfera estratosfera mesosfera termosfera exosfera, e a orla de Icoaraci.
            - Uau!... Foi por um giz aquelas tais e quais feras - comemorou Lilás.
            - Uau!... Foi por um triz por nós e por elas as feras - festejou a Picuá.
            - Catedral da Sé, uma das célebres maravilhas brasileiras.
            - Qual o resultado de uma multiplicação? O produto.
            - O que comem e bebem comidas em Santa Izabel do Pará? Caruru, chibé, maniçoba, moqueca, tacacá...
            - Com que como dançam e festejam em Canaã dos Carajás? Marujada e siriá e lundu marajoara e tecno brega, calypso...
            É, as meninas tiveram sorte de sair ilesas das garras das onças brabas bravas. Pois era assim mesmo, havia aventuras e havia perigos e havia o que contar.
            - Uma coisa, dona Tinguá - pergunta de Lilás - Como foi que a senhora nos encontrou e nos descobriu e nos salvou?
            - Simples. Pingue foi seguindo os rastos das bícis e eu fui seguindo o Pingue. Só fiquei preocupada em chegar a tempo e em tempo na hora.
            - Toda família deveria ter um Pingue nos dias de aventuras - concluiu Lilás.
            Chegando em casa de Tinguá e Picuá e Pingue uma surpresa uma novidade uma nova peça teatral. O que foi? Por toda parte bacuris, muitos bacuris frutos. Ora, ora quanto bacuri! E bacuris verdes ou maduros, bacuris pequenos e grandes, bacuris de roça ou de jardim ou do campo. Uma plantação de bacurizeiros, milhares deles, uma festa de bacurizeiros, país do bacuri, rechonchudos e fortes bacuris. E pra que tanto bacuri? E todos os bacuris de bem com a sorte lá deles de bacuris, rindo à toa, conversando coisas entre si. Bacuris de todo lado, bacurizeiros vindos da ilha dos Papagaios e da biblioteca Arthur Vianna e mais da praça Siqueira Campos do território dos tucuju ainda principalmente de Maripá e Floraí e São Carlos do Ivaí... Eram bacuris nos seus devidos bacurizeiros e se comportando como gente honesta justa importante.
            - Que é isso, dona Tinguá? Que bacuris são esses? - perguntou, pra lá de espantada, a Lilás.
            - São meus bacurizinhos combatentes, ora essa!
            - Como assim? Por quê? Nem entendi.
            - Lembra dos ingredientes que vocês me trouxeram?
            - Era pra isso? Era tudo isso?
            - Sim, era pra isso, pra fazer essa mágica, essa criação, essa plantação de bacuris fruto amazônico. De vários e variados ingredientes produtos especiarias fiz essa tropa de elite, os bacuris revolucionários.
            - Bacuris soldados? Nem entendi, nem caiu a ficha. E que é isso, meu?
            - Bom, explico. São bacuris voluntários e pra combater o avanço terrível, assustador, avassalador dos incêndios florestais. Nem sei se você reparou, mas depois que a cidade parou, os focos de incêndio aumentaram e tomaram conta, e se multiplicaram além do tolerável, bilhões deles. Os incêndios também merecem consideração, mas nem em tão alto número, entende?! Esse é o papel do batalhão de bacuris: conter a invasão dos incêndios florestais matagais e capoeiruçus.
            - E se os frutos bacuris tomarem conta do mundo? Nem será outra mania?
            - Eles têm prazo de validade, nem poderão se reproduzir e só comerão incêndios descontrolados. Tá satisfeita, menina Lilás? Pensei em tudo, nem?!
            - Nem há como comparar. Parabéns e muito obrigada!
            Daquele dia em diante, pelos dias e noites da cidade fantasma, os frutos bacuris iriam pelear contra os focos de incêndio em guerras quentes, em lutas noturnas e diurnas aéreas e subterrâneas. Bacurizeiros plantados aqui e ali acolá em muitos lugares estratégicos. Uma peleia longa, talvez de anos, mas que tinha tudo para ser vencida pelos rechonchudos frutos carnudos. E bacuris versus fogaréus.
            - Que idioma se fala e um norte-rio-grandense em RN? O potiguar.
            - Qual a capital mundial do bagre-catinga? O rio Paru.
            - Eu mesma olho o sol a lua o açude o camapu a cutiaia a Ourilândia do Norte...
            - Eu já admiro as estrelas os planetas as nebulosas os jutaís-do-alagado os caxinguelês a Água Azul do Norte...
            O tempo passava, parecia passar, nem passavam. Nem passava o tempo porque o mundo estava estagnado e preso ao chão como uma estaca. Mas o tempo sempre passa, mesmo quando nem passa e nunca passa. Então, o tempo passava. O tempo se multiplicava ou se dividia em partes.
            - Alguma coisa como ver um labirinto, o quê?!
            Dois dias depois desses episódios valorosos, Lilás foi embora, saiu da aba da Tinguá e da Picuá, caiu fora da sorte daquelas duas boas criaturas. E andou pela cidade parada, foi pedalar sua magrela por outras áreas da cidade e Casa das 11 Janelas e palácio palacete mansão casarão sobrado. Pedalava à toa.
            - Já plantaram árvores frutíferas nesta cidade das frutas, cupuaçu, pupunha, acaiá, muruci, bacaba, uxi, indaiá...
            E num viaduto, o tal viaduto Chuí, altíssimo e com jardim e com chafariz, a menina encontrou três folgadas graxains. Elas três praticavam aquele jogo, aquele brinquedo que parece esporte, o tal de pular da corda elástica. E a menina quis se meter também, quis experimentar a sensação vertiginosa vertical.
            - Ei, amigas! Posso? Me permitem?
            - Nem. Saia, sai fora! - disse a graxaim nº 1.
            - Vamos ver. Talvez - disse a graxaim nº 2.
            - Claro que pode. Nem só pode como deve - disse a graxaim nº 3.
            Lilás nem entendeu a discórdia lá entre elas aquelas três graxains. Cada uma dizia uma coisa diferente, cada qual decidia uma coisa oposta e contraditória. E isso era bom ou ruim? Vai saber! Uma confusão. Uma política.
            - Que baralhada é essa, sô? - reclamou a menina. Posso, nem posso, talvez... hein, qual é?
            - Já lhe disse que pode! - respondeu a graxaim número 3.
            - Já lhe falei que nem! E nem, é nem! - respondeu a graxaim número 1.
            - Já nem sei mais nada! Decidam vocês duas! - respondeu a graxaim número 2.
            Tudo na mesma. Nada decidiam. Eram três opiniões diferentes, discordantes, modificadas, desiguais, bem repartidas. Seriam três irmãs alopradas? Cada graxaim dizia uma coisa. Cada graxaim no seu galho no seu quadrado na sua casinha.
            - Vocês parecem políticos em época de eleição: falam um monte, dizem tudo e nem confirmam nada! Ficam nesse empurra-empurra, deixa que eu deixo!...
            - É, pois é! - disse a graxaim nº 3.
            - É nem, nem é! - disse a graxaim nº 1.
            - Talvez é e quem sabe e vai saber, né?! - disse a graxaim nº 2.
            A menina perdeu a vontade de rir? Mais ou menos. A guria Lilás perdeu a esportiva de brincar? Também, em! Deixa pra lá!
            E Lilás tomou uma decisão aventurosa sensacional radical e esta:
            - Vou experimentar esta corda elástica e seja o que for, custe o que custar. E pra baixo todo santo ajuda. Eu sou corajosa como cunhantã galibi.
            Disse e se apresentou na brincadeira para brincar. Se deixou prender na corda elástica, se afivelou, bem amarradinha, respirou fundo, ia se jogar, começou a rir muito, estava um pouco nervosa, um tanto ansiosa, queria muito voar em cruz...
            - Ufo! ufo!... lá vou eu... ufo! ufo!... - eram os suspiros da Lilás.
            E se jogou do alto do viaduto Chuí, se jogou com fé, coragem, receio, gritos, iaeiouuuuh!... cabelos arrepiados... braços abertos como uma papagaio-de-fronte-azul, pulou no ar como um pássaro feliz igual como um bem-te-vi, como uma gralha-azul, como um gavião-de-bico-de-gancho ou caracoleiro, como um tiriba...
            - Uai!... Nossa!... Ufa!... Que frio na barriiiiga... que... valeu meeeesmo... - desabafava ela em pleno ar, em meio ao pulo, no espaço, terminando o vai e vem do elástico e de cabeça pra baixo.
            E ficou lá, balançando, balançando, solta no vácuo, atada e presa ao elástico, dependurada como abóbora de feira, como se estivesse plantando bananeira no ar, nem caía nem subia, ninguém puxava de volta. Lilás ficou assim... como um i invertido...
            - Quem vai resumir esta história pra mim?, por favor!
            O caso continuou o seguinte. Na verdade um problemão. Seguinte. É que as graxains saíram fora, sacanearam a Lilás e a deixaram ela lá pendurada como ioiô como fruta madura como pingente e por um fio.
            - Minhas mãos estão abaixo da minha cabeça, cara!
Pergunta. Quem tiraria a menina dali, daquela posição incômoda? Outra coisa. Outra coisa grave e urgente. Debaixo do viaduto, já foi dito, havia um lago também estagnado. Pois é. E nesse lago de chuvas passadas, dentro desse olho-d’água... jacarés-açus, muitos jacarés-de-papo-amarelo, etc. Talvez uns seis ou sete. E famintos, com esse bocão cheio de dentes. Então, novamente o perigo na sorte da menina. E como Lilás se salvará desse mais um aperto? Ela poderá sair dessa enrascada? Alguém chegará a tempo de socorrê-la? Convoquem os bombeiros voluntários de Tamboara e de Palotina e Nova Aliança do Ivaí! Chamem os índios passé! Ou contem até 10! Ou rezem se quiserem rezar se souberem rezar!
            - Oh, meu D! O que vai ser de mim? Se fosse um filme a história nem acabaria até eu me salvar. (pausa) Já estou ficando com enjoo e chateada. As ideias já estão escorrendo todas pra fora da cabeça dos casco do coco. Eu estou com sede... muita sede... toda a sede do mundo... Eu estou por um fio... Eu nem estou...
            Lilás reclamava e com razão pois afinal a situação, a posição dela, ali de cabeça pra baixo, naquele perigo, nem estava pra qualquer um, nem era fácil. Ossos do ofício.
            E, como já se disse e se diz se sabe, “pouca sorte é bobagem”, eis que aparece ali no lago artificial pantanal a turma dos jacarés-de-óculos. Grandes e cheios de dentes, bocões abertos, e babando. E chegaram os jacarés-curuá com tudo. Falou o maior deles mandachuva mais forte mais réptil mais papudo:
            - Nem tenha preocupação e desassossego. Nem precisa arregalar os olhos e se contorcer torcer distorcer. Pode se soltar, eu lhe pego aqui em baixo, desça, desça... solte, se solte...
            A menina olhava os jacarés-coroa famintos lá embaixo, olhava de cabeça pra baixo, olhava de maneira invertida. E era difícil. Se caísse chegaria direto na goela dos bichos boquiabertos e famintos. Se nem saísse dali, pendurada como uma fruta no galho da árvore, iria apodrecer e arruinar. Então, como vai ser? Como foi?
            - Pode se soltar, menina. Nós aqui embaixo estamos com muita fome. Faz dias e dias que estamos famintos passando fome. Desça. Se deixe cair. Deixe de morcegar ao sol e se deixe cair, menina apetitosa... Vamos almoçar agora mesmo!
            É, os jacaretingas tiravam um sarro da garotinha e esperavam, esperavam com esperança e boca aberta e paciência. Esses tipos de rastejantes duram mais de 20 anos na natureza selvagem, embaixadores do rio Ivaí.
            - Vamos, menina teimosa. Desça que estou faminto...
            - Vê se me esquecem. Alguém virá pra me salvar - falava a menina, com muita fé. Isso nem vai acabar assim...
            - Duvideodó! A cidade está deserta, esqueceu? - retrucava o jacareúna.
            - Vou esperar até o último momento.
            - Você tá no papo. É apenas questão de tempo minutos segundos... Contagem regressiva, dez, 9, oitavo, siete, six...
            Lilás continuava assim e interessante, presa à corda elástica, balançando no espaço como uma fruta no galho da árvore predileta. E de tanto desconforto, cansaço, falta do que fazer, chegava a envelhecer e a inchar e a criar bolsa sob os olhos. Era mais que uma novela de tevê ou seriado de livro.    
            Tinha outra. Somente para assustá-la ainda e mais, os répteis, vez em quando, davam uns saltinhos, uns pulinhos tentando abocanhá-la, altos exercícios. É, eles sempre fazem isso quando querem alcançar alguma coisa importante. Nem conseguiam alcançá-la mas amedrontavam de montão a coitada.
            - El-Rei! El-Rei!... Socoooorro!... - pedia ajuda a menina.
            Correr aventuras é difícil, umas vezes até insuportável. E Lilás nem podia fazer nada, ali presa de cabeça para baixo, a uns dois metros da boca dos aruás, completamente sem ânimo ou quase sem destino. O jogo parecia no intervalo.
            E nem resolvia nada a menina fazer escândalo polêmica. Nem tinha ninguém mais perto que lhe pudesse valer. Somente o eco, lá longe, lhe respondia. Um eco vazio e liso e limpo...
            - Pode gritar, pode berrar, pode perder a voz que ninguém virá para salvá-la.
            - Essa história só acaba quando termina, ou seja, quando eu sair daqui, e numa boa, e sã e salva como uma grande alma. Esta história apenas acaba quando eu quiser, entenderam, pescaram?!
            - Nem. E dessa vez nem vai ser bem assim.
            - Vai, claro que vai.
            - Tem certeza, neném?
            - Tenho. Nasci tendo muita certeza, por que perderia agora?
            - Absoluta, absoluta certeza que será salva?
            - Tenho! Tenho! Tenho!...
            Será que o ururau tinha razão? Seria mesmo o caso do fim de Lilás a menina? Por que Lilás nem podia se salvar, ou nem tinha nenhum salvador, ou nem tinha condições de se safar sozinha? Os arurás almoçariam a garotinha, mais cedo ou mais tarde? Como se fosse um manjar? Como se fosse numa festança de fim de ano? Como se fosse carimã um mingau bem preparado?
            Nem esqueçam de deixar os comentários no final do episódio.








quinta-feira, 9 de julho de 2020

Eu Trabalho de Casa


           

            Nem sei o porquê se alguém pode me dizer pode me ver nem entendo onde fico justifico mistifico ratifico. Agora mesmo nem sei o porquê desta minha rara história útil. Equinócio na terra capital do meio do mundo Macapá, mãe dos deuses. Uns dizem que me conhecem outros nem me olham e têm aqueles tantos que passam e sorriem e falam e gesticulam e jogam. Distante 2.343 km de Brasília e se localiza no litoral margem do rio Tocantins e de repente é cortada pela linha do Equador. Desenhada igual como fractal planejada artérias retas e longas rua Ajuricaba comprida avenida Manoel Santiago calçadas de paralelepípedos de pedra basalto e asfalto largos praça da Polícia junto ao Palacete Provincial centenária fachada principal arquitetura dominante estilo eclético praia da Ponta Negra parque do Mindu casas condomínios com jardins bem tratados monumentos busto de Aníbal Beça teatros hotéis bonitas mansões neoclássicas e lojas galerias requintadas. No tempo e no espaço o clima o solo o relevo a hidrografia a sociedade e seus domínios. Em 7 de setembro é o 250º dia do ano no calendário gregoriano e já faltam 115 dias de 24 horas para o fim do ano e ano novo. Isto assim posto no entanto ainda procuro olhar tudo e muita coisa curiosidades características idiossincrasias circunstâncias, pois nem?!
            Um dia destes, acho que foi ontem ou amanhã, estou andando no paraíso e me deparo com uma lagoa bonita e tal lagoa... como mesmo se chama a chamam? Desculpem mas depois eu lembro lembrarei. Estou estava indo assim descendo uma trilha avenida Eduardo Ribeiro e me dou com a enseada boa baía... estendida de margem a margem através e toda rodeada de vegetação exuberante, canelas-braúnas, jarinas, ranúnculos-brasileiros, cipós-guirás, puruís-grandes-da-mata, patauás... um ambiente variado diferenciado ecótono parque Nhamundá. A cidade que é a 5ª mais rica do Estado e a 26ª do B. Estudo interessantes científico os métodos silvicultura naturais razoáveis sustentáveis de exploração da floresta nativa frutíferas frutas camu-camus, pupunhas, tucumãs, taperebás ou cajás, araticuns-do-mato, araçás-de-coroa, cupuaçuzeiros... A área do município é de 6.348 km² representando 6,417% do Estado, efetivamente. Cidade metrópole que eu gosto de graça, como se diz. Uma maravilha como nadar no rio Uatumã.. e que sutileza somente falta a Ana Paula a insolente que é aí você mesma e onde está(?) minha querida. Parei de parada aqui porque aqui está o tempo contente conforme quase frisante.
            Depois do meio-dia fui pescar no afluente do São Francisco velho Chico, e coincidindo com o porto de Manaus fluvial flutuante já com navios de grande calado. Tempo-clima com intervalos ensolarados temperatura 23°C umidade 77% direção do vento sul sudeste velocidade do mesmo 21km/h ao ar livre aberto magnífica praia Dourada. Debaixo da árvore frondosa bacurizeiro, na sua boa aba, me recostei e assim por diante. Armei as esperas compassivamente, esperei aguardei pensei fiquei na expectativa olhando o futuro que vinha, vai saber!, numa nuvem natural. Nem coloquei nenhuma isca primeiro porque nem me interessa buscar peixes, quero mais é que driblem nadem se exercitem brinquem se divirtam busquem o que querem buscar se multipliquem os cardumes as piracemas; e segundo porque tiro uma sesta deitado na rede ar condicionado ao ar feliz e nem quero ser acordado de supetão sonhador e por nada deste mundo tão cativante mundéu. Este Estado está subdividido em 3 partes geográficas intermediárias e 8 partes geográficas imediatas, com 6.2 milhões de habitantes ou cerca de 4,3% da população brasileira sendo o 2º Estado menos povoado do norte ou o 12º mais populoso do B. Segundo um estudo genético de 2019, a ancestralidade dos habitantes de é 26,5 europeia e 40,8 africana e 32,7 indígena (ainda podemos anotar lembrar que 7 pessoas nem declararam etnia). O território com as regiões está coberto faz muito em sua totalidade pela maior floresta tropical exuberante do planeta, simplesmente.
            Mas estou dentro do paraíso terrestre e olho ao meu redor como sempre como desde meu primeiro dia o parque dos Bilhares, mais outras coisas a praça Tenreiro Aranha, quando nem sabia nada de cor e salteado, arapapás, gurundis-azuis, juruvas, gavião-das-taperas, inhambuxororós... A sensação térmica no verão pode passar dos 40°C. As temperaturas mais altas se registram nos meses de janeiro e fevereiro (segundo os mesmos dados do Inmet - instituto nacional de meteorologia). Pronto, a temperatura média compensada em fevereiro foi, acreditem, de 27,5°C. Na porção nordeste do Estado a estação seca ocorre principalmente na primavera. Em a vegetação se destacam matas de terra firme várzeas e igapós. Sobressalta o setor terciário da economia correspondente às atividades de comércio de bens e à prestação de serviços que vão e vêm pela vasta gama da administração pública transportes finanças turismo e demais negócios. Olá!... Os pontos melhor avaliados pelos visitantes em grandes navios cruzeiros de passagem pelo Estado são as opções de lazer e entretenimento, informações turísticas, internet, festas de carnaval e religiosas, comidas típicas e atendimento personalizado.
            Nas noites me acostumei de verão me acomodo junto à janela ampla janela e procuro estrelas cadentes com a noite aberta côncava, os sons dos carros ligeiros intrépidos, as estrelas contadas, o ruído do trânsito e da tevê no outro cômodo o dos vizinhos. Uma ou outra filha vem me olhar, se enroscar, se encantar, e se ir; chegam ainda outras, se riem, até que todas passam desfilam e se manifestam me desejando o “boa noite! bom dia! boa tarde! como está?! tudo bem?!”. Quando querem ouvir histórias inventadas elas me pedem e conto reconto. Nem é raro que me contam das suas os causos de aula os jogos de vôlei os poracés tribais as andadas pedaladas de bicicleta pelo parque Senador Jefferson Peres na beira da praia do Tupé ou da lagoa do Japiim as amigas virtuais em Uarini em Boa Vista do Ramos em Faro em Silves em Eirunepé... E isso passa.
            Basta dar um passo e estou no meu no meio do paraíso já conhecido e cheio de frutas amarelas, sessenta-e-dois, carindibas, jamburanas, panheiras... e hortifrutigranjeiras. O esporte é sim uma boa maneira de como sentir o passar do tempo passatempo descendo o rio Purus. Eu mesmo prefiro ir de trem ou voo. Era 8 de fevereiro e nós morávamos em Beruri eu estava mais minha até então esposa cunhãporanga com quem estava recém-casado. Me acompanhem! Ali nesse exato lugar local cachoeira do Paricatuba já pousaram andaram moraram guajá cruzaram muitos baré povos cupinharó originais baníwa grupos puruborá de gente paleoindígenas caçadores coletores pescadores canoeiros e há 11 mil anos. Quase nada.
            Naquele domingo saí com a tropa toda rebanho até o shopping Urucará, bairro do Escopo. As meninas me alertaram que seria um programa... mais leve justo social, todavia. Dito e feito, mas e daí?! As zonas geográficas que dividem a cidade, norte a mais populosa, sul menos povoada, central mais antiga e colonial, leste com maior número de bairros, oeste mais rica e rural-ribeirinha maior área territorial. E fizemos tudo que estava já sabido, deliciamos um sorvete para cada na mesma hora e mesmo lugar, todo mundo lambendo os sabores diversos, como se fosse ali, e era, o fazer essencial do rio corrente rio Juruá. É melhor ir de avião por cima em voo. E fomos ao jogo de futsal em o ginásio do Cinescópio somente pra comer pipocas doces e salgadas. Agora melhorou!
            Dou um passo pro lado ou pra frente e estou dentro do meu chão em pleno paraíso conhecido e que sempre me surpreende. Ora veja! Um lugar espraiado amplo chamado sempre de Amazonas: Estado do Amazonas, rio Amazonas, Porto Amazonas, avenida Amazonas, teatro Amazonas, universidade federal do Amazonas, etc. O descobrimento mapeamento da região ficara a cargo e responsabilidade dos tuxauas espanhóis e portugueses. Eu mesmo nem prefiro dizer mais nada agora. Está no norte do B e tem uma área enorme superior a muitos países como... sim, muitas nações. Seria sem dúvidas o décimo sexto país do globo terrestre em área territorial. É maior que a região nordeste do B total e maior que todos juntos os países do Caribe... É milhares de vezes gigante que o Estado de Alagoas. O maior dos seus municípios em extensão territorial é superior a vários países, e o menor também supera já outros tantos países importantes. Sua capital Vila da Barra do Rio Negro depois Manaus (dos manauaras manauenses valentes e resistentes) se localiza está bem em frente do encontro das águas que deste ponto recebem o nome de rio Amazonas. A fortaleza de São José de Macapá, com sua arquitetura peculiar de redentes e revelins e fosso artificial circular e ponte suspensa, é uma das 7 maravilhas brasileiras e a 2ª fortificação mais cara construída no país durante o império. É um dos 4 Estados da federação com mais de 2 fusos horários em seu território juntamente com ES e PE e RN. Conferia em o censo de 2018 milhares de cabeças de rebanhos de bovinos bubalinos equinos asininos muares suínos caprinos ovinos coelhos aves e produzia negociava muito leite manteiga mel e ovos. Sim, isso se passa também!
            Assim, para que mostrasse mais pedras preciosas ribeirinhas caboclas silvícolas do meu dia a dia precisaria saber contar e de olhos cerrados até mil ou mil e cem, Alvarães, Maraã, Fonte Boa, Careiro, Autazes, Urucurituba, Itapiranga... Acho que posso carregar mais sorte que tenho e os bens duráveis são geladeira rádio tv máquina de lavar roupas micro-ondas voadeira... E no fim do gibi antever a sorte, e que ela me inclua fora desta e dentro daquela história com H. Seria melhor viajar que é melhor aproveitar o rio Içá com os amigos conhecidos, sim. A região mesma é de uma grande porcentagem de terras baixas se compararmos com outros Estados do B. O planalto desce assim suave para dentro de si mesmo e se divide em 3 departamentos: o planalto a depressão interior e o planalto oriental que somados constituem as unidades morfológicas do vasto território. Viajar e correr aos lugares sempre tem sido a melhor maneira de destacar o mundo permitido. Prefiro pegar um trem um barco um voo. Sétimas das maravilhas brasileiras o Ver-o-Peso, recentemente restaurado. As casas particulares são feitas de alvenaria com ou sem revestimento e outros domicílios feitos com madeira aparelhada ou em palha em taipa e até mesmo outros materiais. A maioria das casas possuem 6 cômodos com garagem ou atracadouro. Foram notificados as casas e apartamentos, condomínios, cortiços, vilas, ocas e malocas. É mesma coisa como o mesmo que voar voo ave sobrevoar como alado asado do alto igual um pássaro privilegiado, Santa Isabel do Rio Negro, Itamarati, Terra Santa, Balsa Nova, Pauini... e bem melhor deste ponto de vista.
            Saio de casa opcionalmente sobre andando os pés no chão do paraíso terrestre aqui na terra e penso comigo mãos às costas e meus pensamentos alertas translúcidos e modéstia à parte também formidáveis cenográficos: que trilha tomar para andar pelo território eleito sofisticado aprendido? O relevo de Canutama e Manaquiri e Careiro da Várzea e Coari e Tapauá e praia da Lua... é de formação rochosa com grande e ótimo potencial turístico com uma altitude de 230 metros acima do nível do mar. A principal cidade capital possui mercado público Mercadão Adolpho Lisboa e mais ainda 44 feiras locais 12 feiras volantes 18 mercados populares. Oxalá!...
Bem, digo presente e que todo lugar é um lugar e fantasia história lenda mito... pedalo ando simplesmente caminho. Eu me permiti terminar voo já a faculdade para agora estar com o trabalho focado no que gosto e escolhi.