Que
será que o poeta anda fazendo planejando e passeando de bicicleta na fazenda numa
hora igual ao sol em pleno dia ideal de domingo? Arapongas retinindo e outros
pássaros aves aladas, chorões, coleiros-do-brejo, golinhos, caboclinhos-do-pantanal...
palrando piando ruflando trilando e flauteando flautar membitarará membixuê
membi membé memi mibu mumu...
-
Hoje eu nem sou ontem nem amanhã ou mais tarde além aquém, aliás.
Ele é o poeta eminente completo
líder classificado proeminente: esquisito, tímido, caricato, escorregadio,
linguarudo, camuflado, teimoso, intemerato, expansivo... As pessoas nem o
consideram normal e só o cumprimentam pela manhã, “bom dia!” e olhe lá! Se
comporta à toa como coaxa um sapo um santo de qualquer religião oriental
pedindo esmola uma árvore sem espinho guaraçaí caingá graçaí groçaí uma sombra
de quiosque no verão uma cor gris amana caliginoso uma pedra solta na rua
Manoel Lopes de Carvalho Ramos um vento nordeste que sopra frases diversas comprometidas
aleatórias polêmicas machadianas renomadas...
- Hoje é outro dia,
quinta-feirona. Um dia a ser preenchido com poucas coisas por fazer e desfazer.
Raros amigos e amigas amizades calor humano. Então, vou comer chocolate na loja
Catira/Cateretê do shopping Amapá-Ingapeba. Mereço um regalo um presente para
mim mesmo, e obrigado! É uma loja tradicional e ao mesmo tempo original
nacional internacional multinacional universal. E nem devo comer muito, no
entanto portanto. Sei certo que vou de carro e sei dirigir. Vou conduzir até
lá. Uns poucos kms e uns poucos 20 minutos, 60 por h, via dupla e orla marítima.
Nem tem vaidade humana nem
nostalgia ou saudade do passado com Alice ou Aline ou Ana Carolina... Nasceu
num mês de setembro em Montividiu, logo cedo a família se mudou para Perolândia
(aprendeu a nadar e nadou muito no rio Verdão rio Pacoti) e completou seus
primeiros estudos na instituição pública EEEFM Caiapó pertencente ao município
de Caiapônia. Madurou de corpo e mente e alma preferindo fazer faculdade de
direito em Guimarânia. Teve várias oportunidades de emprego e de diversos
ofícios e profissões passando por obreiro empregado colaborador em Catalão e
Coromandel e Alfredo Marcondes e São João da Barra...
- É uma região cheia de empreendedorismos,
sim!, e muito legal. Quantas coisas eu queria ser e logo ali e pra ontem, um
peixe, astro, ave, rio, pedra, coró carapicu morotó... Cinquenta coisas eu
queria ter e pra já pra ontem, uma obra-prima, uma filha, uma praça, uma
avenida, uma biblioteca, livraria igreja museu fundação busto monumento
condomínio parque aquático... Trem que pula, uai!...
Daqui onde nós estamos e
sobrepisando observando o mundo, parece que o poeta exemplar está sobrenadando
em supremacia humana e semântica tônica paráfrase lírico linguística onírico réplica
tréplica léxico semiótica vernáculo adverbial maiêutica metáfora intrínseco
oráculo sinonímica particípio amálgama... Nem procura os velhos amigos(as), nem
os possui muito e tanto assim, nem os quer, nem precisa de ninguém. Prefere
consumir muita verdura legumes gosta mais de frutas cítricas. Talvez esteja precisando
de energia solar eólica hidráulica atômica e tudo ao mesmo tempo intensamente
completamente brasileiramente. Acho mesmo que é mais pagão que supersticioso e
crente cheio de crença e fé com a sorte o acaso natureba naturista naturopático
naturoterapeuta...
- Vocês sabem que poeta nem
perde palavra. Quando morava em Domingos Martins costumava ficar num banco ali bem
perto de casa na praça Arthur Gerhardt ouvindo os vendedores ambulantes os
passantes pedestres os pregadores os aposentados os jogadores de dominó damas
carteado par ou ímpar... Aos sábados dia todo eu também corria percorria uma
feira livre e venda troca negócios de roupas usadas sapatos blusas sacolas
cintos redes de deitar esteiras para a praia relógios celulares...
- Num
escritório da famosa avenida ensolarada Monteiro Lobato. Onde trabalho agora
atualmente conforme? E moro bem pertinho conformado e aproximadamente. Gosto
preferencialmente das terças e nem sei o porquê, por quê?
- Ele
gosta de passear na grama entre as árvores. Onde levar meu cachorro e cão para
passear? Tupi anda ao meu lado e me olha de relance me controla nem desiste e
escolhe algumas árvores suas preferidas troncudas. Sempre pela manhã e está
todavia um passeio comum normal necessário e etc. Ele Tupi já teve família. Eu ainda
tenho. Justamente Tupi procura por amigos amigas cheirando todo o mundo atrás e
debaixo da cauda. Chegando ao parque, ele corre desesperadamente e reconhece
suas árvores favoritas aleatórias ou específicas quase sempre as mesmas e nem
troca. A natureza de um animal, no caso o cachorro Tupi, é muito placa lugar-comum
corre-corre bem-falante adjetiva sota-vento poli-hídrico morfologia radioamador
autoestrada...
Um
dia o memorável poeta, por esses acasos da sorte que só D sabe faz e acontece,
me emprestou seus caríssimos joias originais escritos. Aí ali estava eu lia e
relia as revelações dos seus gostos sabores poderes preferências animais de
estimação ocultismos orixás aleluias. O bicho rato de bibliotecas nem era
leitor empedernido dos clássicos e coisa alguma do estilo, ora bolas! Mais ou
menos, eu diria. Se aborrecia com ler poesias de outros versejadores, era mesmo
um satírico crítico corrosivo sem papas na língua sem partido sem paciência sem
vergonha. Gostava preferir de troçar dos políticos de plantão sem-vergonha, dos
artistas bacanas e chiques, dos acadêmicos aposentados que moravam no exterior e
ou às custas das Federais públicas. Uma mania peculiar de acompanhar os jogos
de futebol e assistir às mesas redondas da tevê os pitacos apostas pílulas soltas
e sem lei dos youtubers esportivos. E fanático por um time do Estado onde
nasceu e morou boa parte da história pessoal. Além de ler os filósofos antigos
pré isso e aquilo, e os chatos intragáveis linguistas modernos de faculdades
renomadas ranqueadas. Relia isso tudo e até outras coisas como bulas de remédio
cochilando batendo de propósito a mão nos beiços de babão. Surpreendentemente,
eu rediria. Acintosamente, eu complementaria. Diversamente, eu ajuizaria. Abusivamente,
eu completaria.
- É necessário
sempre refazê-los e repará-los e racionalizá-los. Que está acontecendo com meus
versos livres? Em minha real opinião isto é muito caro e metro prefácio
discurso sonoridade ritmo medida pronome cesura feminina...
- Do
mesmo ponto de vista que olho o mundo e minha querida metade da laranja, vejo
uma montanha a cordilheira umas ondas gigantes que chamam serra do Mar. Penso
pensamentos suaves de água pura limpa como uma nave boiando no espaço
atmosférico e assim que voa nada navega sonha fantasia ilha de Maracá reserva
biológica lago Piratuba rio Aporema rio Uraricoera...
- O
dia na ilha tem uma cômoda praia ou enseada de areia fofa águas cristalinas
gente falando com pessoas e sorvetes de açaí muitos doces de açaí pamonha pequi
pitanga jabuticaba araticum-do-mato araticum-de-jangada...
- Que
bagunça nas ideia e visões e desejos, meu! Converso comigo. Sim, estou confuso.
Eu nem lembro. Isto de gostar de viajar é bem da minha idade tenra,
Tartarugalzinho, Ferreira Gomes, Pracuúba, Pedra Branca do Amapari...
Outra
faceta escondida ou reservada camuflada. Entendia muito do romance, paixão, das
estudantes de filosofia mulheres comuns ou deusas musas. Era capaz de dar
metade da fortuna crítica por uma noite de rolo sem fim sem término nos braços
agora da estagiária desejada terna macia praticamente incauta. Sabia dos
gemidos e anseios da carne fraca saborosa igual como um galã de novela
televisiva. E escrevia quilômetros de saborosos contos satisfeitos picantes
enovelados recheados de causos. E descrevia namoros encontros na praia na
piscina na floresta misturados aos autóctones verdadeiros donos da mata e onde
mais condicional se nem com a presença da natureza intocável.
- Parei
mesmo sem demora instante atrás de trabalhar um afazer doméstico corriqueiro
aqui a ver com hortifrutigranjeiria e corro ainda ao atelier ou escritório para
fazer poema poesia versos. Longos inéditos exclusivos versos ou muitos
quadrinhos de versos de 4 em 4 e todo espírito alma pele sensação.
-
Alice ou Aline é uma estagiária da biblioteca pública Olavo Bilac. É claro que
eu já sei de tudo. Vou sair e o que vou vestir. Prefiro ser um ser puro como um
puro ser e simples esportivo. Sou um poeta e admito que sou um poeta tropical
urbano. Nem gosto do frio e sufixação sestro sintético metalinguagem ortografia
analítico bibliófilo inspiração analógica reflexão invocação parábola evocação
inventário metamorfose caligrafia... E prefiro tomar banho de rio Araguaia ou
Tocantins. Agora mesmo, minha cara!
Olhe
em volta e veja o que sobrou restou permanece. De repente o tímido e inútil
poeta se revela aparece no céu anil como um falcão-de-coleira falconiforme falconídeo
um gavião-relógio gavionar gavionice. E melhor que nosso todos nós. Quem
pensava que ali nem existe um ser prático? Bem e assim quebrou a cara mordeu a
língua escorregou tropeçou no tapete da sala de estar, óbvio. Será nome de nova
rua e num futuro próximo. E vai casar com a aluna mais inteligente, tirará pelo
menos 2 filhos e passear todo domingo de sol no parque público esportivo
recreativo comunitário da linha Amanaié. E nos esquecer peremptoriamente. É
melhor um todavia. Porque ele merece voar e porque precisa navegar além-mar
espaço sideral afora.