quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Ao Léu das Aventuras

 

          

 

            Nem lembro direito por isso acho que devo de repente já começar indeterminando. Estava sossegado no meu canto ilha do Caju se bem me lembro ou nem me recordo e parado profissional oficial imagine o motivo conto quando Cecília e ela as duas uma em duas ou duas em uma apareceu apareceram... Por aquela porta entram na minha pauta quando na minha frente sorriram de um modo muito dado bipolar, e ternas e oferecidas. “Está 1 belo bom dia! aqui em a nação cadiuéu.” De pronto lhes acariciei a boca com o gosto de mil amores então que mais se abriram em expansões acostumadas e engraçadas. “O jabota tenta escalar a árvore até que aprende a desistir.” “Nós moramos na mesma rua Visconde de Taunay do bairro dos Tembé.” Me senti hipossuficiente dono capacitado da situação informação satisfação repartição contemplação constituição plantação transformação edificação...

            “Vamos começar relembrando de novo recordando repaginar...” “Sim, agora vai!” Uma manhã preguiçosa e choveu de chuvas inopino de chuá!... O mês de maio a estação entrando no inverno pela aba do outono. Naquela mesma manhã andamos ela Cecília e eu os nossos bichos do chão de estimação Pastoral e Brandão e Nigela, respectivamente, andando tanto muito, trotando tanto e nos perguntamos um instante “em que mês estamos?, “de que mês falamos?” A lembrança se alternando com as ideias. “O que você está pensando ou deixando pra lá de pensar?” Na esquina da rua dos Alfarrábios com a travessa do Aproche, e Cecília usa uns óculos de grau e conforme para cruzar o trânsito movimentado faixa preferencial descobrir as coisas pitorescas da região e principalmente as ofertas das lojas vitrines mostruários; e ela leva leve uma camiseta com estampas de aves do pantanal mato-grossense, catirumbava, beija-flor-cinza, bem-te-vi-barulhento, pipira-preta, sanhaço-rei, benedito, falcão-de-peito-vermelho... todas desenhadas e pintadas à mão e contornos adornos contornadas de fios de ouro e prata; eu mesmo ando de mão no bolso outra segurando a guia e a rua do Trópico as ruas a farmácia os botecos a banca de jornais na praça Guaicuru contando até 10 pensando alto “quantas pessoas vieram a este lugar e que eu conheço me falaram, o João migrante de Vargem Bonita, a Maria nativa de Calmon, a Ana Carolina lá de Jaciara, a Tatiana nascida em São Desidério perto do rio Arinos, a Alínea em a nação apurinã a Maiara saudosa de Paulino Neves... e desse no que desse, fosse no que fosse, hein?!” Nem silenciosos nem festivos, mas andávamos os seis e ela estava comigo Cecília estava comigo e eu estava no que posso me lembrar hoje em dia o que me aparece o que me anima. “Que história foi esta?” Andando vamos fomos subindo as escadas degraus escadaria de um templo que tomava toda uma praça adro os vitrais esplendidos as rosáceas umas cinco uma de cada cor rebrilhantes ao sol das 11h e do lado de fora um cochinho de água para os bichos animais do chão. “Quando é bicho do chão caminha, quando é bicho do ar canta ou guincha, quando é bicho do mar peixe.” “O que você quer quando pensa algo impossível?” Muitas pessoas que nem recordo direito fizeram ali o templo acharam o lugar aqui e em volta nasceu e foi surgindo e está a cidade perto do seu rio Juruena predileto servida das suas ruas plantada com suas plantas petúnias conambins pinhas-do-brejo lírios-verdes arumbavas chapéus-de-couro marianeiras...

            Lembrança rememorações que nem saem da mente. “Ninguém acha as coisas onde perdeu por acaso, ninguém perde por acaso onde achou, ninguém encontra ao acaso quando quer e seja o que for.” O rio Jiquiá cada vez mais cheio e reservado descendo na chuva e com o futuro. Fazia um tempo um ano um verão que nem via uma chuva dessas copiosa e talvez vinte minutos. De poucas palavras letras gestos e sinais. “Desde aquela hora que chove pouco.” “Desde aquele dia que chove no limite.” “Desde aquele mês que cai pluviométrica.” Porque sim que ela e Cecília gostavam de procurar ver ouvir camufladas nos papiris quando muito os alados livres galos-de-campina os esportivos de alto rendimento gravatazeiros os irrequietos agitadíssimos besourinhos-de-bico-vermelho as organizadas faceiras saudades-de-asa-cinza os arrojados intrépidos mergulhadores patos-mergulhões os endêmicos joões-gravetos... Me vem com lembranças boas plenas ela ou Cecília cabelos enormes sempre ajeitados e ela cabelos em franja finos diante dos olhos ou Cecília trança única até o meio da cintura e “por favor!, nem puxe meu cabelo”, uma ela deste meu lado ou a outra Cecília do meu lado de cá. “Que surpresa!” “Um jogo é um jogo.” “O sol é dourado a lua é prateada as estrelas são toque-toques.”

            Me lembro que há 50 e 75 e 120 anos, e estamos sempre no mês de fevereiro quase em março de 2020... Recém, outro sim, cedo vai começar a estação boa maravilhosa da chuva e das chuvaradas abundantes torrenciais aqui na serra do Cipó e tudo mais. O lugar é sempre preservado quase como no primeiro dia, borboleta azul-seda, papa-formiga, viuvinha, gralha-cancã, galo-do-mato, bigode, asa-de-sabre, perdiz... “Na volta passaremos na loja dos cachorros as rações os brinquedos as casinhas as coleiras...” Tem o vento tem o sol tem a natureza na Floresta Nacional do Caçador já no distrito de Taquara Verde e são 10h e 10 min. Descemos o rio Peixoto ou riacho como a corrente. “Me liga!” “Eu ligo!” Lá na frente já um outro rio Pirapama e suas cascatas verticais radicais extremas cachoeira do Potreiro represas hidroelétricas reservatórios cidades, Dom Aquino, Santa Rita do Trivelato, Itaiópolis, Matos Costa, Aguiar, Barreirinhas... Tenho visto uns pássaros típicos da região, obviamente, as noivinhas-brancas os sabiás-do-campo as marias-faceiras os pica-paus-do-campo os papagaios-moleiros e alguns tipos variedades de guainumbis... No outro plano e  patamar têm as árvores, cambarás-de-cheiro, buchos-de-boi, acuris, catingas-de-porco, pereiros-da-serra... vegetação de beleza campos rupestres os chapadões com sementes e frutas, mangabeira e mangaba, jabuticabeira e jabuticaba, pitombeira e pitomba, umbuzeiro e umbu, pitangueira e pitanga... para o regalo dos chupins-do-brejo dos joões-grandes dos tangarás-rajados dos acrobatas das narcejas das cobras corredeiras-lisas dos gorgulhos-dos-cereais dos aracnídeos escorpiões-brancos dos primatas guigós das queixadas... e mais um ambiente cheio de ridículos seres que somente encontraram parada por acá por ali e acolá, corujas-buraqueiras, cochichos, periquitos-reis, galitos, papagaios-poaieiros... cavam as paredes dos barrancos dos paredões mastigam argila fazem tocas e locas e ninhos. “A jabuti tenta escalar a escala até que necessita desistir.” O próprio capim-de-pernambuco está alto nesta zona do parna Pau Brasil onde os presentes autóctones nativos autênticos politizados ecológicos caxarari vez em vez vêm comparecem veranear pajelança em pajelança tirar um sarro acampar...

            Para um rio Preguiças em nome de um rio vazante e cheia nem hora nenhuma importa. Sempre as convido convidei-as mabaça para sentarem ao meu lado irmãs gêmeas os dois lados ilhargas e fomos conversando assuntos tranquilos bombordo boreste que por hoje agora mesmo nesta hora já esqueci. Ela cada vez mais oferecida e eu mais atrevido. Beijei ela na boca como sei beijar. Cecília cerrava os olhos sei lá de que maneira vã para nem ver. Peguei na mão de Cecília para confirmar minha proposta de entretenimento. “Eu vou comprar um novo carro, é.” “E se fôssemos passear uma tarde um dia um fim de semana em Santa Maria da Vitória ou Araioses?” “Demora muito será um curso virtual sobre empreendedorismo?” Ela trouxe a sombrinha na expectativa do ‘vai que chova ou faça sol’. “Sim, eu devo logo comprar um carro novo em folha.” Cecília prometeu se comprometeu de protetor solar repelente para mosquitos pernilongos ou borrachudos e moscas-porco-espinho e vespas enxuís...

            Eu estou chegando e estaciono em frente canal do Itajuru entre as maçarandubas e verônicas-do-igapó renque de palmeiras-barrigudas... no meio-fio pintado de branco a calçada juncada de folhas caídas amareladas. Ela quer me ver e verá ainda hoje. “Vou comprar uns trajes de praia biquínis topes cangas e hábitos.” Cecília abriu a porta fechou com chave por dentro. “Vou repetir este sorvete de pitangas.” A tríade tríplice com o plano estendido mapa sobre a mesa de jantar sala de estar mesinha de centro ar condicionado em 22°. “Eu quero sair hoje até a praia do Peró ou praia de Genipabu.” Ela nem foi pra cama cedo e acordou tarde. Cecília precisa de dinheiro um pouco para as despesas necessárias domésticas triviais perfumes desodorantes aromáticos e hábitos. O trio triblex tripleto triângulo sempre faz as compras no shopping Palmeta-Acanto da famosa rua Risca-de-União junto da praça Porto Rocha e da laguna de Araruama. “Quem conhece conhece!” “Tu você consegue conhece ouvir entender prestar atenção notar no que as pessoas humanas estão dizendo falando?” O ponto nervoso valor agregado as lojas o comércio o carnaval da cidade mais em conta para todas as alturas ou degraus de classes. Lugar agitado me fez lembrar o ir e vir ou vão e vêm das embarcações iates catamarãs praia do Foguete barcaças lanchas barcos de passeio fretado e hábitos. E ela conta a lenda da iara moça indígena de com seus longos cabelos pretos lisos e alvitres, Cecília conta o causo do boto no inseparável com seu chapéu de palhinha e hábitos, eu me recordo que ela coleciona relógios de pulso em diversas cores e tipos e feitios enfeitados hábitos e Cecília aprende rapidinho os melhores penteados para cada estação cada ocasião encachados arrepiados lisos frisados e hábitos. “Que horas são?” Se dissolve se dissipa enquanto caminhamos pela avenida dos Guararapes ora na calçada de pedras retalhadas até o quiosque de informações turísticas e ora na ciclovia até a sala vip do hotel Égide um cinco estrelas favorável digno de cartão-postal e hábitos. “O céu de Louveira e Itupeva é muito conforme e limpo de noites. Você verá poderá ver todas as estrelas astros galáxias satélites e hábitos.”

            “Qual o nome do seu cão de mumbavo?” Eu relembro por hora pra mim pelas duas moças as nossas imen-cidades, Nova Mutum, São Pedro da Cipa, Canudos, Bodoquena, Coremas, Santa Isabel... Que bom dizer e ela gosta de localidades próximas ou distantes, Irani, Lebon Régis, Morpará, Catolândia, Arujá... porém nunca morou por lá. Cecília já ouviu falar pelos veículos da mídia, Tapurah, Barra de Bugres, Colíder, Ibitiara, Biritiba Mirim... e irá por lá algum dia breve pouco distante nesta mesma encarnação. “Você quer morar lá em casa? Tem e há e existe um quarto e sala somente pra você personalizado individualizado.” Eu mesmo já reconheço lembro por nós por mim cidades bem-vindos bem-vindas, Carlinda, Carrapateira, Oliveira dos Brejinhos, Jaborá, São José da Lagoa Tapada... sendo que as ruas as avenidas principais centrais têm cheiros perfumes espalhados flores árvores prédios apartamentos jardins suspensos e o que nem é escusado dizer, massapês, cascudos, mamoneiras-miúdas, cactos-trepadores, guachamacas... e numa memória de um tempo se me recordo já aquém da Revolta Paulista e Comuna de Manaus datadas de 1924.

            “Como deve ser.” “Você sabe onde.” “Você sabe quando.” “Você sabe como.” “Você procura os porquês de tudo.” “Tipo assim igual tarde noite madrugada e dia claro.” O prédio famoso da rua Artur Índio do Brasil e recuperar requalificar restaurar adequar e hábitos. Casarão tombado do tempo colonial memorável (porão térreo 3 andares sótão terraço) e patrimônio histórico arqueológico artístico e turístico da cidade. “Na verdade que nem posso disfarçar, eu nunca usei chapéu, nem na praia.” “A jabuti tenta escalar a escada até que chega a desistir.” “Como uma amazona no seu cavalo ajaezado.”

            Uma lembrança me apareceu rememorador por hoje cedo rememoração. O sonho um momento sensacionalmente recordado e... emboralá! “Nem me recordo a última vez que li ouvi a palavra ‘preponderante’.” Assim íamos um duas total de três por um caminho engraçado estreito entre folhagens e plantas pedras tocando as pontas das folhas ramos ramagens brotos pétalas na sombra ora na sombra ora no céu azul descendo ouvindo o som o ruído da cascata o canto o sonoro dos pássaros, udus-de-coroa-azul, surucuás-de-barriga-vermelha, bicos-de-veludo, juruaçus, tachãs... e que mais ouvidos atentos observando atentos 1 copioso povo, saíras-sapucaias, curiós, graúnas, xexéus, aracuãs... Presto atenção ao tráfego o sentido a direção dos ônibus 1 copioso público na avenida escritor Goulart de Andrade as nuvens enormes uma cobertura de nuvens enormes uma capa de nimbos-cúmulos interrompendo o sol... “A gente nós que eu digo podemos temos direito a ir quem sabe escolheremos talvez comer uma pizza de queijo e mais no restaurante Epopeia.” Os prédios laicos altos físicos materiais nos últimos andares 1 copioso cenário com varandas janelas de correr cachorros leigos latindo crianças sem religião gritando rádios pentecostais no sertanejo universitário...

            “Pois o nome do meu cão é de xerimbabo Épico.” O grande ruído único dos automóveis carros veículos transportes aéreos nas avenidas mais próximas viadutos espaços, estrondos fragores estampidos estrépitos... nos parece que a cidade acorda manhã de segunda-feira despertando insopitavelmente impertérrita. Estamos procurando o suserano ou labirinto desvendar. “Assim entendido, ente: Vitória é uma ilha no Atlântico.” “Mesmo agora temos uma rua com marquês Marquês do Herval avenida com visconde 2º Visconde de Pelotas e uma praça com brigadeiro Brigadeiro Antônio de Sampaio.” “Pegaremos hoje mesmo o trem locomotiva de Tiradentes até Baianópolis. A ponte recém novidade nova sobre o rio Apa já é uma presença, em?” As respostas reações das plantas fisicamente nomeadas, magnólias-do-brejo, alfazemas-bravas, açucenas-do-mato, arapatis, congonhas-do-rio... Pedalando as bícis vadeando o córrego Páramo e ela e Cecília e eu as magrelas sinceramente na ciclovia rumo do aeroporto Salgado Filho o monumento do Laçador com máscara tapando as vias respiratórias...

            Não sei por que e que horas depois nos separamos tripartite tripartido. Fiquei desgarrado saudoso querendo revê-las sem falta ao mesmo tempo sem ter a coragem de procurá-las dar o abraço a torcer a torcer. “Você dirige carro?” Eu esperava ser procurado e muitas vezes. Quem me dera esperava assim ela também e Cecília idem. “Ontem fiquei sabendo que em Alto Paraguai havia anteontem minas de ouro e pedras preciosas e hoje nem mais nem nada, sabia?” Desse modo ficou irresolvido mas mil horas extraordinárias paradoxalmente passavam o tempo da minha expectativa e corrente rio a jusante a montante para o mar. “Eu nunca uso guarda-chuva na chuva.” A ave observa da pedra pico Agulha do Diabo e alça voo resoluta e alcança caçar faina em a água foz do rio Palmital, Itapoá, baía Babitonga, ilha São Francisco do Sul...

            Nem me recordo motivo por quê. Eu lembro que sozinho quando as encontrei Cecília e ela na praça General Olímpio da Silveira passeavam continuamos a passear todos guiados guiando cachorros cães ela com seu vira-mundo Pastoral eu com minha vira-lata Nigela mais Cecília com seu vira-casaca Brandão. “Estou devo estar seriamente pensando em nunca mais comer carne e virar vegetariana quiçá vegana. Dia desses eu fui ao restaurante me servi no bufete e escolhi uma mesa para sentar. Aí eu sentei e fiquei pensando e seriamente. Olhando o prato com a perna do frango me olhando e pra mim. E nem mais sabia nada do que fazer pejada em transe. Procurei fatigada alguém para desabafar e não vi ninguém mais ou menos preocupado(a) comigo.” Em bando em grupo um vermelho-telha outro preto-e-branco o terceiro tricolor vermelho-verde-amarelo os três mascotes. Embora nem penso muito em cães tanto assim quando estou com ela com Cecília. De manhã vamos à feira quando for à feira livre avenida Coronel Moraes Camisão e vamos comprar o necessário tudo que for preciso nem muito talvez metade, ingás, maracujás, goiabas-do-campo, araticuns-do-campo, pequis... Animais bons dóceis obviamente sedentos de passeio passear e sempre à procura de razão social de novas amizades de lixeiras de pneus caudas felizes praticamente felpudos correndo disparando latindo tão espertos moderadamente controláveis. Um padrão erguido em forma de prisma vertical obelisco Monumento aos Heróis da Laguna e Dourados, praça General Tibúrcio, praia Vermelha, e o mérito da medalha ‘Constância e Valor’. Os bichinhos canídeos bichos sempre estranhos e volta e meia escuto suas vozes ou resmungos elogios ou pensamentos soltos hábitos. Vagarosos a cada árvore tembetaru ou planta abutua-grande ou touceira de macega macegal, Pastoral olha Cecília ela admirada por Brandão e Nigela me vigia como que ninguém, já me cheiraram o suficiente param aguardamos indecisos línguas de fora água na boca babando frente da loja armarinho Palmeirim cruz florenciada na fachada moderna cochinho do lado de fora com água mineral oferta da casa em promoções tentadoras nacionais locais importadas sarjas tunicelas casulas bornais e bisacos gregas rocas e fusos com e demais produtos de corte e costura tricô crochê pontos laços fitas decorações.

            Finalmente talvez quem sabe “o dito e nem ditos estão porfiar nos indo e vindo palavras” se me vem à memória (foi durante entrementes o transcurso da coluna Miguel Costa-Prestes de 1924 a 1927, período e fato dentro do movimento tenentista?) no fim do expediente ao cabo enfim por fim sopitar quem sabe no limite do sono nos encontramos de novo eu ela Cecília. “Feliz aniversário por mais um ano e muita sorte saúde dinheiro!” E todo aquele abraço apertado voltou abraçou confraternizamos... Eu a querendo por dentro e por fora da minha sorte superstições e ela se deixando estrangular e beijar na boca engraçada cheia de toques cacoetes e Cecília ainda procurando me prender nas suas manias garras retráteis maleáveis me sufocar. “É que realmente era novo de novo moderno.” Eu sempre provido resoluto platinado (general almirante tenente-brigadeiro) e as desvanecidas desvanecidíssimas gurias.

            O tempo das distâncias até a Terra planeta dos terráqueos(as). “Quem quer lembrar e nos facultar os meios?” O templo do sol até os planetas até as constelações diante das órbitas desenhadas com esquadro, hectare alqueire acre are tarefa e as demais agrárias. Os ouros dos tesouros escondidos no fundo dos arrecifes corais atóis plataformas! Os ouros das viagens à serra do Espigão e Serranópolis de Minas e Riacho dos Machados! “Amanhã iremos e vamos à festa desfile parada de aniversário do B na avenida Padre Azevedo festiva enfeitada com bandeirinhas de papel verde-amarelas.” Os ouros dos cajus sazonados! Os ouros dos coriscos relâmpagos! “De mata em mata, palmeiras palmares de cor esmeraldina.” “De azinhaga em azinhaga, soroca sorocabuçu e toca da onça.” “De corrente em corrente, bátega aguaceiro pancada de chuva.”

            A essa época, me recordo e a pele arrepiada, na quadra seguinte a loja de ferragens ferramentas cordas cordame sogas martelos rolamentos ferrolhos gaxetas dobradiças grades gavetas de aço pintadas ou revestidas em verniz ou como se fosse e roldanas pesos escadas portáteis e o já conhecido e oferecido cochinho de água mineral do lado de fora da porta de correr automática com sensor de presença (dotada de alerta para evitar os impactos mecânicos acidentais) e que era grátis para cães e gatos e porcos bichos de estimação mascotes animais de criação se servirem beberem se refrescarem. “Aceitamos uns pequis para levar.” “Provamos manauê uma fatia do bolo de fubá de milho para encomendar.” E lembro que saímos do parque Peruaçu namorando a orla areia da praia dos Milagres e mais a mais um passo por vez os três os seis calçadão da rua larga arborizada recém-inaugurada José de Ataliba Nogueira com sentidos duas mãos movimentadíssimos. “O que era mais importante?” Relembro assim fácil como alguém que pode ser eu mesmo olhando as horas no celular ou no relógio digital de pulso. Imagens lembradas e apenas mais uma coisa quero destacar em lembrança ‘vamos ver!’: e nem esquecer os encantos do casario a praça o museu onde estava em exposição o famoso tal e qual grandão meteorito Bendegó o mercado público municipal e o movimento dos que iam e vinham os pró-labores prêmios bônus propinas salários promoções recompensas obséquios ordenados que recompensam todos os esforços da jornada e do dia a dia labuta serviço emprego. “Ainda nem compramos passagens para Belém que do Estado é a capital bem Pará.” Por leve alto que parecia o céu, as árvores o arvoredo as plantas em fila indiana plantavam verde vegetais, araticum-cortiça, erva-preá, caruatá, copaibeira, cedrorana, juá-amarelo... que lembram os seres alados sempre dispostos, gralhas-do-campo, tiribas, araçaris-bananas, mineirinhos, beija-flor-de-topete, xem-xens, soldadinhos... ainda mais ou menos quando por acaso chove chovia chovendo chuviscava. Agora todos os casos requerem pontes estaiadas ou treliças ou pênseis: os rios os vales os viadutos os cafundós os engarrafamentos as passarelas para pedestres a logística até o famoso pico do Urubu em Mogi das Cruzes... “Algumas pessoas interessantes, hein?!, no carnaval de inverno da S. E. R. Mangrulho.”

            Se me recordo onde foi reminiscências quase longínquas vagas incompletas a rua que desembocava cruzamos todo o bairro Sapuiá e é das mais longas da cidade com árvores centenárias, angicos-de-cortume, rabugens, palmeirinhas-de-petrópolis, jatuaúbas, farinhas-secas... E que sol havia que céu que universo que infinito universo dimensão distendido como uma tenda plástica soprada pelo vento quente. “A jabuti tenta escalar a calçada até que acontece desistir.” “Sei que você tem uma boa notícia e um ótimo pedido.” Ela e Cecília vão e vêm costumam ir e vir à faculdade juntas estudam comigo quase todos os dias nos encontramos ali aqui acolá ou no restaurante universitário. Eu de pasta debaixo do braço ela de óculos de grau arregalando os olhos castanhos Cecília camiseta com imagens efígies retratos dos alados mais bem desenhados em bico de pena lápis preto, periquito-rico, saí-guaçu, coruja-católica, chauã, cigarrinha-de-peito-branco, bicudinho-do-brejo... O sol os sóis pouco a pouco o bando de patos-arminhos as estrelas quase nada muito e muitas as constelações pouco a pouco cadentes grupo de patativas-boiadeiras vai e vem povoar as ruas saltadas das poças de água da chuva tombada do céu tombar tombou na cidade de Francisco Sá. “E bom que se diga antes de esquecer e que cada estrela cada luzinha no céu é uma galáxia, tá certo?!” Olho para cima centenas de vezes copiosas milhares de estrelas e números matemática para nem dizer milhões o infinito o por vir o espaço cosmos perdido. “Porque já entramos em terras dos amigos suruuarrá e de floresta da biodiversidade ecologicamente preservada autossustentável e assim por diante até o fim dos séculos, amém!” Ando sob as árvores sapucaias-brancas mais verdes subo os morros escalaminhadas escaladas trepa-pedras ou mesmo impérvios lugares e reparo que a cidade povoou do rio Tapajós que se fez costurando costurar Chiapetta e Nova Ramada e Santo Augusto e Porteirinha por mais circunvizinhanças de 18 ou 25 mil km Itaituba e Aveiro e Jacareacanga e Janaúba de modos que sempre nos dias do sol solar ensolarados.

            Tivemos tempo, se bem me lembro, outro sim. Eu pude olhar melhor para ela e acariciar seus cabelos negros ondulados principalmente nas pontas que caíam junto aos ombros. Imergi na água cristalina do castanho claro de Cecília e como na limpa lagoa do Portinho (em Luís Correia) que se vê os peixinhos apaiaris, piraputangas, caranguejos-do-rio, arapuçás... e as pedras do fundo e as algas balançando dançando no ritmo das ondas mexidas mecânicas marés. Mas originais distintas e demais. Tão galantes que o pulso bater sensação vinha de nenhum segredo muito a descobrir. “Maceió é a capital do sorriso o ano inteiro.” “Para mim a terça-feira é o dia da semana mais frutífero profícuo a melhor parte da semana predileta mimosa rara escolhida.”

            No embalo da memória a mnemônica nem por nada para sempre todavia. Uns 45 minutos andando e monumento ‘aos 18 do forte de Copacabana’ e pessoas e animais as ruas sob as fileiras cerradas das simarubas e ou frutas-de-manteiga, calçadas com piso tátil, quem falou a última frase pergunta?, e ela de rosto bonito em ângulos lisos certos precisos diferentes em certos sentidos com Cecília as bochechas pômulos rosto de beijos meigos fofos risonha, “beijos! beijos!...” e ambas fatacaz meigas singelas bons gênios. “Qual a sua memória mais distante e ou principal?” Embarcamos no metrô em a estação do Címbalo apegada bem junto da ponte Duarte Coelho nuvens poucas bem brancas se fazendo refazendo para o contraste com o céu azul e mais a correria com os cães todos curiosos sôfregos resfolegantes eu mesmo controlando Nigela puxando pela coleira e Cecília com Brandão deitado aos pés e ela com Pastoral no colo sendo que nem pensar um pequeno disponível cochinho com aquela água fresquinha mineral indispensável tão necessária. Fomos viajando mais adiante determinados furamos túnel um morro elevação eminência, “que horas serão?”, no escurinho barulhento e do chão móvel números passageiros cardinais. A paisagem em cavernas admiráveis plataformas estações Cambriano e Permiano e Siluriano ao total são umas 10 paradas se nem me equivoco e Devoniano e Carbonífero e Cretáceo e Eoceno ou nem me lembro todas às vezes parece que sim outras nem e outras o tempo falta até descermos alcançarmos em a Trilobita e o ditoso bairro do Tanoeiro (que lembra pra mim a era e pra muita gente uma vez tonéis pipas dornas barris) onde mesmo chegamos ao destino na praia dos Artistas aos pés do farol do Calcanhar. “O que você pretendia queria ser quando adolescente?” “Quando alguém procura nunca deve parar.” Um sábado conflagrado fervoroso de sol daquele jeito esplendido qualificado que brilha pra tirar fotos e filmes e que esquenta também a boa imaginação excitação privilégio e regalia e apanágio dos que sabem curtir e se soltar à beira-mar. Os cachorros se parecem com cães e se igualam aos donos com mascotes caninos proprietários amantes de cães. E nem preciso fazer esforço pra lembrar dia clássico de verão areia cheia de banhistas as ondas que vêm e vão iam e vinham idas e vindas fluxo e refluxo na lógica antiga do mar talássico, etc., estrugindo retumbando estrondando. Vamos passeando farejando cães seguros na guia pisando o chão fofo e engraçado encontrando nos sobrevinha gente de todas as classes idades crianças edificando arquiteturas em prédios e condomínios e fortes e castelos na areia... De chofre como se diz se me lembro bem era sábado e ela preferia a segunda-feira com Cecília apostando na quarta na quarta. “Por quê?” Se lembro bem e tenho de reconhecer, íamos invasores gastando assuntos conversando no caminho para o nada mulheres deitadas nas esteiras chapéus de palha trançada cada vez mais negras ou sob os guarda-sóis com seus óculos grandes escuros raios refratados rutilantes. “Olha que minha cor preferencial primeira-ministra diretora-presidenta pós-moderna supercampeã é a cor verde.” Sedentos de sol de sal de mar e praia vindos dos mais distantes de todos os rincões do país da cidade Guarantã do Norte, Augusto Pestana, Diamantino, ponte da Caxangá, ilha do Retiro, bairro Iputinga, pico do Cauê, nativos naturais oriundos da ‘política do café com leite’ ou na aba da ‘república velha’ e ou ‘primeira república’. E eu mesmo nem uso pente e ela usa uma correntinha de prata com medalha de santa Clara e Cecília um anel com pedra ametista baiana ou ametista topázio-rio-grande. Reconheço Roberta nativa de Peixoto Azevedo mais a Aline nascida em Nobres mais a Talita natural de Barreiros mais a Joana de origem em Romelândia que esta nem me cumprimenta a Patrícia nascida em Ajuricaba... E nós sempre andando enfrentando as multidões de banhistas naturalmente contentes por pisar a areia fina e branca cor de açúcar cristal macia, rumo da lagoa de Pitangui e logo ali. Na subidinha um conjunto de dunas móveis fascinantes incríveis estranhas lunares e ponto obrigatório para ver e rever o pôr do sol. “Um dos tantos milhares de pôr de sóis mais lindos do país e reconhecido até no exterior.” “Quando o aniversário de Cajueiro da Praia? Nem lembro, pra falar a verdade. Em maio ou será em março? Sendo que nem é uma cidade muito grande.” E como nenhum outro lugar do mundo, ali estavam o mar a praia o sol o dia aberto suco de caju picolé de mangaba água de coco pastel e suco de cana gelado. Ainda sem ver os navios ao largo na barra e minha lembrança quase se apaga “quanto sol, minha gente do céu!” e a luminosidade tipicidade do nordeste. O mar porfiando nas pedras pedregulho das insignificantes ilhas pequenas territórios de crustáceos. Me consolando e erguendo a memória egressa das profundidades esplendentes do oceano ali ao alcance da mão o mar Atlântico e continuamos nos misturando com o sucesso dos veranistas entre humanos interagindo progredindo com os terráqueos bípedes terráqueas. “O que você acha?” Se escuta se ouve tudo bramir um oceano e as pessoas e os animais cães aves pelágicas conforme silvos relinchos mugidos urros grasnares... Os navios modernos grandões transatlânticos que nascem em “qual o nome deste rio?” rio Miranda cerca de Porto Real do Colégio e rio Tejipió à beira São José da Coroa Grande e rio Encantilado que brota perto de Flor da Serra do Sul e rio Braço Norte junto de Nortelândia e rio Claro bordando Jardim e Caracol e Tavares... Um deus sol para cada um, “sim senhores e senhoras!” um sol sem sombras sem asas e toalhas de banho esteiras tubos de filtros solares e mais luz do astro-rei superior sendo que às vezes se ouvia aviões militares “será o KC-390?” Sinceramente reconheço muitas pessoas e me custa muitíssimo logo os Maia de em a bela Lucas do Rio Verde ou logo os Machado de em a bela Palma Sola ou já os Malacacheta de a bela Nova Guarita desde as alturas da serra do Cachimbo os Rampante moradores da bela Primeira Cruz os Magarefe de a bela Barroquinha esta por sua vez na serra das 3 Cruzes... Três leis regras universais tritongo convivem nem necessariamente excludentes ditas da sobrevivência assim determinadas pela mãe-natureza: e ela a beleza e Cecília a inteligência e eu o que falta ou sobra da força. As turmas famílias nadam dentro das pequenas formações de corais piscinas barreiras naturais circulares uma dádiva da misteriosa natureza que nos globaliza. E vitória do sol proêmio deslindador demiurgo, em si e por si, todo convertido numinoso logaritmo. “Eu iria possivelmente para Tutoia e Condor nas férias de meio de ano.” Que será por acaso e se pode comprovar. “Eu nem posso ler sua mente.” “O que você gostaria de comer no café da manhã? Tapioca com mel das famosas trabalhadeiras abelhas uruçus?”

            E me recordo que me animei e me aninhei junto de Cecília até quando ela assim precisou de mim e mais. Porque comprometidos que ela também Cecília estão conforme comigo. “Nós vamos fazer uma festa de arromba e convidar convidar todos os amigos vizinhos e parentes gente casais de Princesa Isabel e Chaval e Sério...” E se eu vim do sol pelo tempo rio Jordão até o mar sou também bem lembrado pleistoceno plioceno mioceno da pedra e da areia e da praia de Barra Grande...

           

 

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

a Matemática das Fórmulas e ou Problemas (juvenil)

 


 

            Esta história de ficção brasileira que vou contar um conto daqui um pouco, se passou perto do mar à beira-mar praia areias finas falésias barachas ilha da Laje ilha de Araçatuba e ondas muitas ondas, chuá, chuá!... e perto e junto do mar-oceano Atlântico Sul. Numa cidade banhada pelo mar mais comprido do planeta global. E nesta cidade, onde vive Lilás, se passou a história com ela mesma suas melhores amigas e demais companhias limitadas. Talvez numa destas longas e brilhantes e materiais e cinematográficas comunidades de Torres, Crisópolis, Pedro Gomes, Ipu, Ilhéus, São Luís, Búzios, Reriutaba, Itajaí, Aurelino Leal, Ubatuba, Chuí...

- Maaaaanhêeeee!...

Lilás abandonou o quarto de dormir, e surpresa e chateada e surpreendida, clamou:

- Oh, maaaaanhêeeee!...

- Que é? Tô aqui! Cada uma, meu!...

A menina encontrou a mãe na cozinha e atarefada. A mãe de Lilás fazia um belo bolo de fubá? Fazia pudim de leite condensado com receita da vovó materna? Ralava uma ou duas orgânicas cenouras cruas? Fatiava abacaxi trescalante importada rodoviariamente de Eldorado do Sul? Temperava salada de tomates diretos da horta ali do lado? Colocava mais água no feijão pretinho e típico da feijoada brasileira? Mexia o refogado suculento? Coloria o prato de salada com alfaces pepino chuchu repolho couve-flor?...

- Manhê!... - exclamou a guriazinha.

- Que é, fale! É importante tanto assim?!

- Nem sei, mas acho que perdi minha joia gargantilha que você me deu no natal e ano novo! Nem sei e nem a encontrei, etc. e tal!

- Como assim, perdeu?! Nem brinque, filha!

- Perdendo, ora! Nem a encontro mais! Revirei tudo! Olhei mais de uma vez! Espiei debaixo da cama do armário da cômoda da mesa do computador!...

- Nenhuma pista onde como por que foi? Aqui em casa, na rua, no colégio, no clube Marquês de Olinda? Pense bem, meu tesouro a minha imagem e semelhança!

- Acho que foi no meu quarto mesmo! Nem saí com ela! Tenho certeza. Quer dizer, pode ser, né?! Onde mais?!

- Ah, então você a extraviou! Uma hora você acha! Tudo bem! Está em casa!

- Mas preciso dela agora! Imediatamente, entende?!

- Calma, procure melhor! Se está extraviada no quarto logo logo você a encontrará! Pode estar debaixo do seu nariz, e daí?! Volte lá e procure melhor e procure com calma! Pare, respire e procure!

- Nem tenho essa calma, ocê sabe! Pra mim eu mandava comprar outra e pronto!

            O vento inodoro asséptico incolor, que vinha universal entrando pela janela da cozinha da casa da família da menina Lilás, era também vento do mar era vento igualmente do oceano maresia era vento que passava liso deslizando pela lâmina do mar. O sol enigmático também. O sol que ilumina e reina e clareia e governa tudo. O sol confundido às vezes com deuses com D com uma estrela de primeira magnitude. Astro orbitado luminoso estudado que aqui neste lugar procura aparecer sempre de manhã e por detrás do morro dos Cavalos ou da Pedra do Altar.

- Que que eu faço, meu? E isto nem é legal, né?!

- Procurou bem mesmo? Procurou debaixo da poltrona? Procurou sem intenções de encontrar? É mais fácil encontrar quando nem se quer encontrar, entendeu?! Quer uma fatia de abacaxi? É pra ti, minha preciosidade incalculável!

- Q-quero! Hum!...

Lilás pegou a fatiazinha de abacaxi simples única e correu para o quarto. Ia aproveitar para ajeitar aquilo tudo, a bagunça a zorra a revolta a contrarrevolta, etc. a revolução a contrarrevolução, a reforma da constituição. Fatia frágil de abacaxi tão seriamente doce e agridoce, com água na boca, ife! ife!...

A menina começou outra vez a vasculhar o quarto, todos os cantos, debaixo disso e daquilo, gastando horas, ouvindo um som escolhido a dedo, trabalhando dias inteiros, parando num caderno já preenchido, folheando revistas com figuras estelares, pensando em reformar o mundo as batalhas as escaramuças as oligarquias e ou a cadeia alimentar...

- Quem comprou esta casa da esquina e telhado de telhas de barro?

- Quem mandou fazer esta rua Cláudio Manuel da Costa?

- Quem plantou na calçada em fila indiana estas muitas mudas de árvores de lei?

- De que horizonte estamos falando?

            O velho e natural som das ondas do mar, muá! muá!... e que se ouve de onde for num raio de 3km ao redor. Lilás ouvia som de garagem som-barulho-ruído som enlatado som de trator fora de estrada som de escola de samba e bateria som de moto acelerada. Mas se ela quisesse mais, de vez em quando na sorte lá dela ela queria, podia ouvir o som que vinha desde o mar-oceano, truá! truá!... como um rumor de bicho gigantão pré-histórico. Bem melhores os sons do mar, vuá! vuá!... e buliçosos efervescentes.

- Onde será? E para quê? Que D me preste atenção! Também isso se paga?

Quando esgotou a paciência, cansadona de procurar, Lilás teve vontade de sair para passear em plena transversal Osman Lins na esquina em frente rua Barão de São Gabriel, e saiu. Foi logo avisando aos interessados pais, no caso a progenitora:

- Tô saindo, gente!

- Onde você vai?, Lilás! - perguntou a mãe. Terminou de fazer o que precisava fazer e arrumar e organizar e estudar dobrar a roupa as tarefas escolares!...

- Já volto já!...

Lilás pegou a bíci e foi visitar a amiga Rê. Uma ou duas quadras aí por perto bairro Capistrano de Abreu amarrado junto unido à lagoa das Custódias. Parecia terça-feira, o dia mais preferido da menina tão galante. Nem era quarta-feira. Era, sim, uma boa e dourada quinta-feira. Lilás pedalava pela calçada já condicionada à acessibilidade. Passava casas, prédios de apartamentos no máximo oito andares, cães sem família, cães acompanhados, levas de carros estacionados, paineiras, pitangueiras, umbus, tarumãs... que mais, pindaíba-vermelha, anajá-mirim, airiaçu, imburana-vaqueira, inhaíba... Pedalava, ria um pouco sozinha, olhava outro tanto, olhava um pouco de tudo, olhava tudo um pouquinho... ouvia os pássaros conforme o canto e mantendo o território particular, saíra-pintor, araçaripoca, piaçoca, saudade-de-asa-cinza, garrichão-de-bico-grande... e mais as coletivas associadas frenéticas marrecas-do-pará, arirambas-de-cauda-ruiva, andorinhas-serradoras...

            Se fosse domingo as pessoas da cidade onde se passou esta história, as pessoas iriam à praia e algumas praias a escolher, praia do rio da Barra, praia do Cassino, praia do Campeche... De aéreo de carro de lotação de carona de apezinho no mais. Vão e vêm de qualquer dia ensolarado, mas principalmente nos domingos e sábados ensolarados quando nem de feriados assoalhados. E o mar desta cidade, onde vive Lilás, estava um bom mar salgado ancestral austral. Aliás, o mar é bom e verde aconchegante mexido móvel hexagonal hialino ebúrneo evento bordão navio álgebra elipse submarino macaco...

Chegando em casa da Rê, residência metida entre árvores oitis na região compreendida entre os bairros de Marquês do Herval e do Barão de Itapevi, foi pra já:

- Rê! Perdi minha gargantilha, tá ligada? Me dá uma ideia de achar e nova!

- O quê? Nem! Que problema!

            - Tô preocupada! Você nem sabe como e quanto! Nem tenho vontade de rir!

- Mas onde? Na praça Gonçalves de Magalhães no recreio na sorveteria no calçadão no trajeto no ônibus no parna Serra das Lontras?

- No meu quarto e cômodo particular, praticamente! Suspeito que perdi no meu quarto mesmo, tá ligada! Só que nem consigo achar! Deve estar debaixo do meu nariz! Ou entre os lençóis as fronhas os cobertores...

- Que tipo! Tem certeza?

- Que perdi? E que perdi no meu quarto?

- É!... Me explique melhor!

- Sim, claro que tenho! Nem só digo como afirmo! Nem saí com a gargantilha, juro! É algo inédito pra mim, entende?! Coisa que aconteceu comigo e hoje!

Então, Rê ficou matutando e moendo ideias no cinzento coco. Procurava imaginar hipóteses, possibilidades, acontecimentos, acasos fortuitos, tratados, teses. As duas garotinhas, mesma idade, dez anos, escutavam música mpbu, desligavam o som e ligavam a internet ou vice-versa. Às vezes cantavam em conjunto em coro com a dupla de cantoras sertanejas universitárias irmãs gêmeas de maior sucesso preferidas no momento na mídia.

- E nem foi o cachorrinho? Você tem o Atro, pois é? Ele é arteiro ou brincalhão!

- Ah!, mas ele é um cão respeitoso, jamais faria um erro assim comigo. Nem pisaria na bola! Sim, com certeza, Atro tá fora dessa!

- É, tá difícil e ao mesmo tempo complicado! Um mistério e nenhum suspeito! Eu acredito que vamos resolver até amanhã de manhã!

Rê amiguíssima queria ajudar a amiga hoje mesmo. Sugeriu e de puro coração:

- Reze prum santo que ele acha pra você! Eu acredito!...

- É mesmo! É possível! Que santo? Que santa?

- Hem?!...

- Qual santo é melhor pra achar coisas perdidas, São Cristóvão, Santa Clara?

- Nem será São Expedito? Ouvi falar na tevê e muita explicação com testemunhas!

- Ah, é, é!

- Confie! Quem sabe!… Olhe que milagres acontecem, né, meu?!

Então, Lilás saiu da casa de Rê agora mesmo com essa ideia religiosa balançando no cérebro da massa gelatinosa. E era uma saída ou uma entrada sublime divina elevada até os céus. E o que mais pensar, enquanto andando pela rua da feira livre, bonecas de pano de olhos bem abertos, vasos de barro argila ou porcelana ou cerâmica, verduras, legumes, Josés, Marias, tapetes fabricados em Coxim, esteiras artesanais dos índios tirió, tecidos de chita e chitão, ervas medicinais como por exemplo o pipiri o maracujá-branco a arnica-da-chapada a jurema-mirim, mel das abelhas aramás, flâmulas e plumas e fitas e bandeiras e estandartes e pendões:

- Agora... o seguinte! Onde tem padroeiro Santo Expedito? Na igreja mais próxima? Posso ir e pedir na igreja mais catedral? Vou à igreja mais deslumbrante? Quando precisamos carecemos, se encontra uma igreja próxima e perto de casa? Um templo uma igreja ou um altar?

Assim a menina andou pela rua Tomás Antônio Gonzaga, pedalou, cruzou por grupos de pessoas indo ou voltando do trabalho, pares de pessoas, filas de pessoas esperando acertar na loteria esportiva... e assim pelo estilo, cruzou na faixa do pedestre para a avenida Exoaladi, bancas de revistas e jornais impressos, bancas de flores folhagens maracujá-azul olhos-de-cabra-verde... mudinhas de pinhão-roxo e begônias-sempre-floridas e estévias... esquecendo quase de olhar o caminho de casa. Pensando em santo Expedito sem nunca ter rezado pra ele pra ninguém.

- Eu posso ir e vir se eu quiser?

- Eu posso ficar de bobeira se eu assim quiser e me permitir?

- Eu posso aguardar por uma hora ou mais se eu precisar?

- De que cidade você é?

            A decidida Lilás morava numa cidade turística balneário perto do mar-oceano Atlântico Sul. Então, jamais moraria numa cidade longe do mar nas montanhas serra campos floresta. Quais cidades longe do mar, quais cidades que Lilás nem estaria morando no tempo desta história? Vamos ver, assim como exemplos. Algumas cidades longe do mar, e que nem são cidades à beira-mar litorâneas: Lajes, Pelotas, Solidão, Cuitegi, Marília, Sorriso, Teresina, Rio Branco, Apucarana, Teotônio Vilela, Juazeiro do Norte, São Mateus do Maranhão, Alcinópolis... Pois está dito que estas cidades nem são cidades à beira-mar. Assim, nem eram nessas cidades que se passava se rodava se filmava se encenava se narrava narrativa esta história.

            - Você mora em cidade de Argirita ou Bequimão ou Vitória de Santo Antão?

            - Você mora neste município perto do rio Capivari?

            - Você mora no bairro Pedro Kilkerry da receptiva Chã de Alegria, entendo?

            - De que lado da serra da Bodoquena ocê morava?

            Quase chegando, Lilás estava pedalando a sua magrela e feliz e giz e imperatriz. Se quisesse poderia espichar os olhos e olhar o mar. O mar logo ali à direita. E cheirar o ar que vinha do mar. O rio Corrente recém-chegado de GO. E ainda escutar o mar com o mangue com a enseada com o cais com o píer. Era possível ainda ver barcos sobre o verde do mar. Coxilhas do mar, porque o mar balançava um pouco galopava corcoveava. O rio Campo Belo também se junta ao mar. E por que barcos gostam do mar? Talvez pelo inverso motivo dos trens nem gostarem do mar. Nem os carros, caminhões e ônibus gostam do mar. Os aviões talvez nem gostem do mar. Os navios navegam o mar desde longe e vêm aportando, Santa Cecília, Alfredo Marcondes, Escada, Mirinzal, Olinda Nova do Maranhão, São José do Rio Claro...

            Nesta cidade aqui neste lugar específico, que vivia e ainda vive perto e à sombra do mar, desfilavam desfilam convivem amigos, conhecidos, estranhos, vizinhos, turistas, visitantes, migrantes. E o mar passa tranquilidade. Então, custe o que custar, o mar é meu é seu é de todos e muito nosso!

            Na cidade da beira-mar, cidade esta da história que se conta e se passa adiante, tem insetos marinhos, frutos do mar, cheiros marinhos, pessoas do mar marinheiros, aves marinhas, barcos que pescam na costa costeiros. Um porto onde ancoram navios iates transatlânticos petroleiros as embarcações.

            - Que você pretende ser quando crescer?

            - Que estádio de futebol você visitou e tirou fotos?

            - Que havia de novo no shopping Contraforte?

            - De que a partir de que time de futebol você vê o mundo?

Ao chegar em casa Lilás encontrou o almoço na mesa e bem servido organizado sobremesa e tudo mais. Muito bom. Mas nem ligou pra comida nenhuma e sorvete de açaí. Só pensava no mistério que era achar a tal e bendita gargantilha feita de diferentes materiais exclusivos. Um objeto caro para ela e que era ainda seu enfeite de festa preferido.

- Que tá pensando, Lilás? - perguntou a mãe. Acuda, acuda!

- Na minha gargantilha extraviada e preciosa e colorida!

- Nem se preocupe! Se você nem achar a gente te compra outra! Nem era nenhuma joia rara, ou lá tão cara assim! Deixe disso!

- Mas eu gosto dela! Talvez gostava, então! Talvez eu faça uma romaria até o morro de São Jerônimo! Talvez eu vá até a lenda do chapadão da Zagaia, em?! Quem sabe eu peça ao tal Santo Expedito em troca de um donativo!

- O santo das causas impossíveis? É uma, hein?!

            Quem olha bem olhado um copo cheio de água cristalina pode pensar até que está diante de um exemplo de mar. Se um copo cheio de água nem dá impressão de mar pelo menos de lago ou lagoa com certeza que se assemelha. Que é uma lagoa? Um lago faz sentido? Que faz de um estuário uma laguna? Um monte de água ali reservatório açude atrai muitos peixes e outro bichos afins, curimbatás, piabas, cobras-de-vidro, sapos-flamenguinhos, minhocoçus, marrecas-grandes-de-marajó...

À tarde parte do dia, poucas horas após o almoço, a menina ainda nem tirara da cabeça a ideia fundamental de encontrar a relíquia. Até com a ajuda do Santo Expedito. Virou o prato do dia, para dizer de alguma maneira, achar a joia relíquia. Pegou e foi atrás do santo achador e custe o que custar.

Passeou sem rumo pelo centro da cidade procurando o endereço do santo. Estava na rua Nina Rodrigues e muito atarefada e apressada e confusa e ansiosa. Como qualquer criança, louquinha para resolver o caso do sumiço do colar e ainda hoje. Alguém sabia como? Descansou cinco minutos na praça Marquês de São Vicente. Alguém estava preparado preparada para resolver a charada?

Já no calçadão Manuel Balaio se deparou com várias barraquinhas tendas e mostruários. Uma delas chamou sua atenção para sempre. Parecia parecida com um sonho. Um sonho porque a mulher da barraca prometia milagres transformações quimeras utopias metamorfoses com o que vendia.

- Venha, se aproxime, olhe, olhar nem paga nada... Se achegue, olhe, admire, mire, observe, compare, adquira... - apregoava a vendedora ambulante de lenço estampado na cabeça segurando o longo cabelo preto.

Lilás parou mesmo e prestou toda a atenção que podia nas mercadorias ali oferecidas em exposição multiplicidades. Falava a vendedora e sem parar acostumada:

- Veja, minha senhora, meu senhor, minha menina, todo o mundo que me escuta e mais além... Estes sacis são os melhores sacis do mundo, muito espertos, mágicos e bebem pouco... Para falar a verdade, estes sacis nem comem nada nem gastam nada com comida e comilança... Vejam, comprovem como são elegantes, espertos, serelepes, mágicos, atômicos, aflogísticos, sáxeos, milimétricos, alferes, paraquedistas, antológicos, dietetas, sobrinhos, célebres, antiquados...

Aí a vendedora dona Ara Antífona falou a coisa certa, definitiva e capital importante que Lilás esperava ou que lhe bastou para se convencer se converter:

- Esses sacis são especiais de mágicos... Eles acham objetos perdidos, trazem sorte para quem os adquire, comem pouco e se afeiçoam muito muito aos donos ou donas... São excelentes companhias, e mascotes sem igual... Nem reclamam de nada e favorecem muito muito e até demais... No mínimo são até melhores que quaisquer santos ou santas...

- Senhora Ara! Estes sacis acham mesmo coisas perdidas ou extraviadas?

- Claro, claríssimo, sem dúvida, nem falham nunca, cem por cento de garantia comprovada... A menina perdeu algum objeto de estimação... Uma joia rara... Uma gargantilha... Um presente de aniversário... Algo alguma coisa que quer recuperar...

- É, eu perdi uma gargantilha! Como adivinhou?

- Tudo bem, berembembém!... O saci vai te encontrar essa gargantilha, pode confiar cem por cento... Vai, compre, leve, que você nem se arrependerá nesta e noutras perdas extraviadas... O saci é mágico para essas coisas mesmo e sem contra indicação sem prazos de validade de qualidade...

- É certo? É batata? É garantido? É legal?

- Tô te falando e bem alto, minha linda... Mistério resolvido e de um dia pro outro, minha cara... Só três reais e que baratíssimo... Baixo preço por muito favor...

Lilás puxou as três moedas e comprou o saci já feito em série. Esqueceu o Santo Expedito ou a Santa Clara. Nada também de amolar o santo divino e que com certeza tinha um céu e uma terra inteira para pesquisar. Correu para casa guiando a bíci numa mão só, passarela sobre o rio Salobra e à jusante da avenida das Verbenas.

- Maaaaanhêeeee!... comprei um saci...

A mãe e o pai foram apresentados alertados ao pequeno mágico, ao unípede feiticeiro, ao pequeno míni mínimo moleque ao guri travesso folclórico imaterial:

- Esse é o saci! Ele vai me auxiliar a encontrar a minha joia perdida extraditada!

            - Mas parece apenas e somente um enfeite de mesa, filha! - disse o pai.

- Só parece enfeite! Na verdade ele age! Ele age invisivelmente telepaticamente! A camelô me garantiu me disse que ele tem poderes poderosos e fortes! Ele atende ao pedido da dona, no caso eu mesma! É prestativo! É obediente! É indiferente! É diurno e noturno! E mágico como um mago xamã! Faz pajelança como faz lambança!

- Nem sei nada! Um bonequinho de dez centímetros de horizonte, filha... Nem se iluda nem perca seu tempo, acorde - falou a mãe.

Bem, chegou a noite e os escalavrados sacis agem automaticamente de noite noturnamente madrugada insones. Lilás colocou seu novo sobressaltado amigo sobre a mesinha de cabeceira e disse pra ele disse com palavras simples claras únicas:

- Seguinte, saci por quê! Eu vou dormir, tá legal?! Vou deixar um recado escrito e pra você trem pessoa! Vê se trabalhe pra encontrar minha gargantilha tão necessária! Até amanhã! E boa noite e boa sorte!

Lilás, como humana que era, e atuava principalmente no período do dia, foi pra baixo dos lençóis, pensou duas ou três coisas inevitáveis, principalmente torcendo que o prematuro saci funcionasse, e aterrissou no sono profundo uma nuvem aconchegante. Como igual mergulhar no fundo do mar e nadar nadar nadar... (três vezes).

- Era lá um saci zagal ou uma saci fogo-fátuo?

- Era lá um pajé dos chuala-chavarana ou uma pajé dos xavante?

- Era lá um feiticeiro bombordo ou uma feiticeira estibordo e boreste?

- De que divindade autoridade você faz parte ou representa?

A própria menina partiu para o mundo da ficção idealizada, e deste planeta prático, porque o sono tem o poder de carregar as pessoas para os cafundós do fantástico sonhado fantasiado inimaginável. E é como cair num poço sem fundo. Lilás então já nem mais sabia o que se passava deste lado do planeta Terra que, ora vejam!, se parece com uma bolinha de gude climática e fechada em si mesma ensimesmada. E o fundo do mar só fazia, convenhamos, assim: blublublu! blublublu!...

            O mar é um ente masculino e verde; a lua é um ser feminino e espacial. Depois a lua influencia o mar as marés. Mais além o mar tem conteúdos muito calculados e variados e enquanto que a lua passeia no céu mais alto sideral. Os divertimentos das estações.

            O mar vem pelo ar. O ar é muito de mar e oceano. O mar sopra o ar. O mar muda o que ele quiser. O mar tem portos espalhados pelo mundo conhecido, Glória do Goitá, Poções, Campo do Tenente, Álvares Machado, Pedro do Rosário, Estância Velha, Guapimirim... Nos portos desembarcam marinheiros e marujos, turistas e pescadores.

            - Assim nem me conhece então ainda?

            - Tem como acenar pro mar e sorrir?

            - Como eu poderia imaginar um engano da minha parte?

            - De que espécie você é?

            Existem acontecem, neste país que nasci, muitas cidades que nunca viram o mar. Mas nem é por causa dessas cidades distantes da costa que a história vai e se passa à beira-mar. Esta história se passa perto do mar porque aconteceu perto do mar. E quais cidades, outras cidades, chegam perto do mar via rio Cachoeira? Talvez numa delas ainda se passa esta história outras histórias causos anedotas, Garopaba, Osório, Macaé, Igarassu, Bom Jesus do Itabapoana, Areiópolis, Rio Grande, Santana do Ipanema, Varzedo, Aracaju, Santo Antônio de Jesus, Casserengue...

E demais de mais a mais, enquanto a menina dormia um sono justo, e por causa disso, aproveitando esse detalhe viajante ao país dos sonhos lá dela, o personagem saci acordava destampava a garrafinha vinha a este mundo surgia subia despertava levantava do estado de estátua desinibia. Para agir conforme os mistérios do aquém os enigmas do além as dúvidas do porém as interrogações do por quê.

- Hã!... hã!... ooofffe!... - bocejou o finório o somítico o avarento.

O licenciado saci santo, ente fora de uso, acordou e olhou em volta. Assim fácil. A luz do quarto estava apagada e tudo meio que na penumbra na moita opaco. Mas ele bodega aberta via mesmo no escuro; tanto no claro, como no breu; tanto dentro como fora da garrafa; tanto paralisado como energizado.

- Hum!... Um cômodo dormitório de gente pessoa humana! Gostei!

Foi e se virou de lado olhou observou e reconheceu um pires com balas de mel uma barrinha de chocolate e bolachinhas marias acompanhadas de um copo de leite gelado.

- Opa! Legal! Nada mal! Prazer em conhecê-las! - disse ele, esfregando as mãos. Tô mesmo com fome e sede! Em frente!

Bebeu o leite todo, como fazem os gatos ou os cachorrinhos, com a língua, leeepe! leeepe!... aceleradamente. Um pouco de leite e uma bolachinha maria. Um gole de leite e uma mordidinha no chocolate apetitoso. Uma balinha de mel com gole de leite escorrendo pelo queixo esfomeado.

No final deu um baita arroto, uooorque!... lambeu o prato e o copo e se sentiu mais feliz giz motriz, disposto a trabalhar, disposto a qualquer coisa, capaz de andar andar... Um saci antes e depois igual um sino desconfia sabe que tem uma missão a fazer. Um saci sábio dantes sabe e entende e compreende quando tem coisas a cumprir. E que pode acontecer tudo por menos que nada.

- Ah!, deixe comigo, deixe eu ver o que está escrito... sim, é isso: procurar uma gargantilha assim assim. Assinado: a Lilás! Sei, é esse o nome da menina aí dormindo! Bonito nome! Simpatizei!

Bem alimentado e disposto cheio de energia e vigor, o saci-pererê entidade e sacerdote arrumou a garganta, hum! hum!... e foi quicando ao trabalho labutar.

- Deixe ver... por onde começar... o que podemos fazer... vamos a ver!...

Sua tarefa era encontrar uma joia típica de gente, no caso uma gargantilha de menina. Portanto, começaria a vasculhar em primeiro lugar o quarto da pequena.

- Vou começar por aqui mesmo! Quem sabe a coisa nem esteja mesmo aqui bem perto, hein?! E bem debaixo do nariz da garotinha!

Como se sabe, já foi dito, o contemporâneo saci era pequenininho, uma perna, uma camiseta amarela, uma bermuda verde sem bolsos, um cachimbo aceso, um gorro vermelho na cabeça. Assim seus movimentos pelo quarto seu trabalho de procurar tarefas são lentos são pacientes são pula-pulantes são silenciosos e suaves e sutis.

O quarto da menina, aliás, era um armazém de coisas: móveis, roupas, brinquedos, cadernos, livros na estante, computador, bola de vôlei, guarda-sol, mochilas, vasos, ornatos em geral... A menina tinha lá sua coleção de bonecos imitando sapinhos, sapinhos de porcelana, sapinhos de pelúcia, sapinhos de plástico e sapinhos grandes e médios e pequenos. Sapinhos de todas as cores, sapinhos amostra grátis, sapinhos de vária procedência. Só nem tinha sapinhos de verdade - porque seria mesmo maldade com o bicho e o Ibama nem autoriza.

O sétimo saci mito era sozinho, vivia somente, trabalhava por conta própria, obedecia um instinto primitivo natural dos entes mágicos invisíveis criativos. Ia vasculhando todos os cantinhos recantos pedaços do quarto embalados em sombras e ou mais ou menos iluminados. Debaixo de qualquer coisa, sobre os móveis, dentro dos bolsos da roupas, dentro das bolsas, dentro das caixas, dentro das sacolas, dentro dos sapatos, sob os diferentes objetos, atrás dos poucos quadros da parede. Andava pra cá e pra lá pelo cômodo todo subia e descia os móveis escalando com auxílio de barbantes pulando numa perna só sumindo e aparecendo em golpes de mágica, sendo para ele mesmo uma brincadeira superdivertida superacessível intercontinental.

O saci engenheiro civil era o tipo de ser que já se acostumara a trabalhar sozinho em toda sua história. Nem tinha com quem perguntar e responder, trocar uma ideia, bater um papo, levar um lero-lero, ouvir e resmungar. De repente, fazia isso com os botões, com qualquer objeto a sua frente, nem que fosse para um bibelô, um buraco de fechadura, um quadro na parede ou um espelho.

- Seguinte! Palavrão: inconstitucionalissimamente! Ufa!... Tô falando! Essa aí sim foi demais! Essa foi e é palavrão!  

Talvez o saci prata da casa conseguisse vasculhar o quarto todo da menina essa noite mesmo. Mas se precisasse terminar outro dia, quer dizer, na noite seguinte, nem haveria tornaria problema. Única coisa era que a menina Lilás teria que ficar aguardando pacientemente.

- Vejo isto, isso e aquilo, viro, reviro, observo mais atentamente um pouco mais e vejo aquele outro e mais outras coisas, todas, sem exceções, uma por uma, etc., até o final da lista! E por mim mesmo um o eu gênio!

Esse saci singular pós-moderno um nada pouco vaidoso presunçoso, procurava o espelho do quarto, se olhava, se repetia, se ajeitava, fazia micagens, mostrava a língua, fazia fumaça com o cachimbo. Os sacis sotaventos e barlaventos, e esse aí era assim mesmo, se vestem com bermudas comuns camisa normal e comum roupas vestimentas informais populares baratas encontradas sortidas nas feiras de camelôs. Uns usam gorro vermelho; esse usava um gorro vermelho. Outros já usam cachimbo, coisa de largar fumaça; esse fumava cachimbo para poluir o ar imaginário. Encontraremos ou encontraríamos sacis lendas tipo abaçaí em diferentes partes abaçás e lugares do mundo deste globo terrestre ou quem sabe quem viu quem teve sorte, Tarabai, Anastácio, São João Batista, São Vicente Férrer, Tamboril, serra Crueiras, rio Araranguá, cascata Boca da Onça, travessa Barão de Palmares...

Então o saci hábito saudável e puro parou junto à janela e olhou a lua colada no céu. Pensou sobre o satélite natural da Terra encanto dos terráqueos e terráqueas:

- Sim, por que nem! A lua é um prato decorado alto-relevo baixo-relevo; está sempre de frente!

Sentia ele, saci 9 e 99 ribeirão, coisas no peito olhando a lua. Então ficava enfeitiçado e parado e de olho arregalado... se sabe lá o quê, por quê, até quando quê.

- Tô aqui pra olhar e xeretar! Tô aqui pra achar uma relíquia de estimação, também! Nem tô com pressa! Nem sei se vô achá! Nem sei se devo achar!

Nem teve mais ânimo para procurar vasculhar, enfim, em toda durante a noite comprida malhar trabalhar. Esperou o dia chegar; e a menina despertar. Esperou olhando as estrelas e pronto. Teve uma cadente que caiu rente da parede do firmamento. Ou seria um satélite artificial? Outras algumas e nem caíram e ficaram por lá presas e suspensas parecendo pontos iluminados marcas aromáticas, Boa Nova, Ipaporanga, Monsenhor Tabosa, Dário Meira, rio Coxipó, cachoeira 7 de Setembro...

            Se ouvia, sim senhor e sim senhora!, muito bem o marulho do mar, vuuublu! vuuublu!... Mar com espumas nas dobras e flutuantes. Os peixes, pensando bem, os peixes voam no corpo líquido e verde do mar. O céu voa, e voa alto, o céu voa se espelhando no suco verde do mar. E há peixes no mar como estrelas no céu no céu. Confira se for capaz: o mar e o céu são a mesma coisa com o horizonte separando os irmãos gêmeos.

            Quando uma onda afunda, plantas e coisas e bichos de todos os tipos são jogados no fundo do mar, blublu! blublu!... Aí, então, o mar-oceano vira um mar com tesouro de náufragos naufrágios. Nesta cidade, deste mar e desta história junto ao mar, faziam muitos anos que nem apareciam mais monstros marinhos. Uma vez aparecia um monstro a cada seis meses. As lendas ainda nem estavam sobreviventes. Hoje em dia nem aparece mais nada e nem nada. Quem somente viu monstro marinho na tevê documentário: polvos gigantes, esponjas gigantes, arraias marinhas gigantes, plataformas de petróleo gigantescas, baleias mega-hipergigantes amamentando filhotes ultragigantes.

Tá bom. Quando Lilás acordou pela manhã, o proto-humano feiticeirinho garatuja estava junto à janela e paradinho e comportadinho aproveitando uma réstia de luz do sol. Completamente boneco completamente estátua, sem história, desencantado, sem espírito, sem alma, como um enfeite, como um afoxé, como um acessório, instrumento, autarquia, ferramenta e em si mesmo assentado.

- Hã!... que... que... p-preguiça... hum!... Que faz aqui na janela, imaginário mineral saci analista de sistema? Comeu gostou dos doces... é... hum!... Encontrou a joia, recuperou a gargantilha? Comeu todas as bolachinhas marias, hem?!... Procurou espionou pesquisou a relíquia da família?

Claro que o saci múltiplo ganzá nem ouvia a menina. Nem ela mesma queria isso. Só falava por falar. Porque era seu hábito costume falar com suas coisas, seus personagens, seus sapinhos de mentira, seu mundo em volta. Lilás nem mesmo acreditava que seu saci metálico estampilha fosse encantado desencantado divino adivinho e quiçá.

            Achar a gargantilha tão caríssima? Lilás nem sabia por onde começar. Ela nem sabia o que iria achar o que iria acontecer ou deixar de acontecer. E Lilás pensava levemente encontrar sua gargantilha de estimação, ou seu objeto precioso.

            - Nem suporto pensar minha gargantilha que resolveu me abandonar, se esconder de mim, de mim desaparecer, escafeder-se!

Acostumada Lilás foi para o chuveiro depois café da manhã, pouco mais a escola. Rotina e sempre praticamente as mesmas coisas úteis ou nem tão úteis. Com ela iam seus movimentos ora estudados ora decorados ora gestos preferidos ora habituais.

- Esta manhã eu posso sair de bicicleta até a rua Gervásio Pires?

- Esta manhã eu posso fazer compras no mercado Marrafa?

- Esta manhã eu já posso assistir tevê até o meio-dia?

- De que matéria incandescente foi e é perfeito o sol?

            O mar cheira a peixe de couro de escama de sal. O mar são os olhos fundos de alguém. O mar é sempre bonito da serra do Mar. O mar é uma gota de água no fundo dos céus de alguém. O mar é verde-limão. O mar nem é de ninguém. O mar só cabe dentro dele mesmo e de mais ninguém. O mar sempre existiu no litoral de Francisco Beltrão, Catunda, Manfrinópolis, parque da serra do Papagaio... O mar é o exército e confessa ou afirma declara reclama: “braço forte e mão amiga!” E ninguém tem nada com isso!

            O mar desta cidade, onde passa agora esta história, onde mora Lilás, este mar é internacional é federal é estadual é municipal é local e é endêmico. Nesta cidade, cidade litorânea, somente existe um hotel à beira-mar. E o prédio deste hotel está sempre rodeado de coqueiros tortos palmeiras tortas soprados pelo vento que vem, entre idas e vindas indo e vindo, das ilhas marítimas.

            - Que altura você tem? Assim, até ontem ao meio-dia, um (1) metro e oitenta (80) e cinco (5), mais ou menos.

            - Você mora em apartamento ou casa? Moro no condomínio Zimbório bairro Barbeta avenida Marechal Hermes da Fonseca número tal e qual de 1 a 10.

            - Sua cidade natal fica à margem de um lago lagoa ou rio riacho? Precisamente no lado esquerdo do rio Perdido à cerca do parque Ibitipoca.

            - Quanto tempo você leva de casa até o aeroporto de Viracopos-Campinas? Coisa de menos de cinquenta minutos, sem engarrafamento.

            Quantas pessoas moram numa cidade paradisíaca junto ao mar? Que pessoas gostam de morar à beira-mar? Há pessoas que sonham morar na costa e aproveitam vir de outros rincões para ali se instalar, por exemplo, Dom Macedo Costa, Conceição do Almeida, Pirapemas, Abreu e Lima, Angelândia, Verê... Que nomes essas pessoas carregam desde criança e que vêm namorar na praia na enseada? São as Anas Carolinas, Margaridas, Antônios, Marias do Carmo ou Carminhas, Alines, Fernandas, Fernandos, Joanas, Antônias, Fátimas, Tainaras...

No pátio da escola estadual de ensino fundamental Conde de Porto Alegre, Lilás se encontrou com suas melhores amigas, Rê, Esmeralda e Pérola.

- E aê? - começou Rê. Onde D cravou a serra de Tianguá?

- Nem acredite! Mas imagine imagine! Adquiri um quartau saci-pererê radioamador! - disse Lilás.

- É bom? Valeu? - interrogou Pérola.

- Na verdade nem sei e desconheço! Sacis telecomunicações autoescolas por isto apenas trabalham à noite na moita camuflados! Nem passam relatório! Desconfio que até nem querem se mostrar! E também espero que nem me espiem dormindo, tá ligada?!

- E nem é o caso de mesmo ficar de olho? Como acontece, então? - Esmeralda se terminava cheia de dúvidas.

- Sacis rés-do-chão são seres sensacionais e simpáticos e mágicos! Trabalham sozinhos! Nem compartilham com gente, com pessoas, com bípedes! Ainda bem!

- Nem se misturam, é? Por quê?

- Difícil de dizer! Talvez sejam lá diabinhos mafuás sossegados, tá!

Esse foi o único assunto que Lilás teve no dia: sua gargantilha de estimação extraviada, e o litúrgico saci interposto investigador. Dois tentos a zero.

- Você conhece minha história e do meu caro torçal de ouro?

- Você reconhece meu perfume de nome Bramante essências fundamentalmente?

- Você concorda comigo e em tudo que eu disser?

- De que seguir estrada rio você pretende?

            Bem, então, o mar nunca vai acabar. O mar engole rios e rios. O mar engole baleias-brancas, baleias-azuis, baleias-jubartes, baleias-francas, tubarões-baleias... O mar carrega transatlânticos, superpetroleiros, megapetroleiros, plataformas de petróleo, submarinos nucleares, ilhas flutuantes... O mar cria pororocas onde encontra o rio-mar. O mar rufa tambores de aço.

            Uma criança que sempre viveu em cidade bem perto do mar será que gosta de comer chocolate? Claro que sim! Gosta de sorver sorvetes de açaí? Evidente que sim! Gosta de guaraná no sorvete de chocolate? É óbvio ululante! Já subiu em árvores altas, cedro-cheiroso, cambará, manacá-da-serra, araribá-vermelho, cutucaém... e tem interesse em ver outros bichos e animais e seres vivos, saruês, saguis-leãozinhos, cuís, guirás-acangataras, limpa-folhas-coroados, gralhas-brancas, pássaros-frades...

Veio a tarde para a cidade de a beira-mar. Veio a tarde do mar até a cidade. Chegou a tarde para as pessoas e as coisas. Veio a tarde para a menina Lilás. Foi passando a tarde. Tudo passando em ritmo de rotina conhecida. Veio o pôr do sol requentar radiar sobre o gigantesco mar revolto.

            Lilás sabia andar de bicicleta e com os braços cruzados. Sabia porque fazia já um tempo que aprendera a pedalar bícis. E Lilás andava, parava, sempre de cabeça nas nuvens. Nem falar que fosse muito absurdamente alta. E também cheirava o mar e sem querer. Quem vive numa cidade de beira-mar escuta o mar sem querer e constantemente. Plantas que sabem respirar conviver com a responsabilidade de abraçar os tempos que sopram do mar, comandás, sapatinhos, gameleiras-de-pinga, sorveiras, acauás...

De dia o saci desenho arqueólogo se comportava como um bibelô comum, todo concreto, estático, boneco, enfeite de mesa, peso de papel, pedra-sabão, manequim, cristo-redentor, procurador-geral, guarda-mor... Acordava depois que todos já puxavam o ronco. Era isso normal, era de lei, da ordem das coisas que fazem de conta e que fazem o mundo mágico. Ele burlador carrapato cassaco ressuscitava aí pela meia-noite em diante.

Então, o tipo emblemático sobrecomum esperou que todos roncassem para voltar a agir a acontecer a atacar. A casa estava totalmente em paz, quieta, estalando de quietude, cricrilando de parada no ar, vazia de sons.

- Hã!... hã!... ooofffe!... que horas? - se perguntou o serelepinho o cambão.

O saci 100 anos colecionador acordou, resmungou, tomou o copo de leite gelado acompanhado de bolachinhas marias. E foi trabalhar, o são pega. Como um morcego voou como um morcego literal voo baixo parcial. Nessa noite procuraria o objeto perdido em outro canto noutro cômodo da casa na sala de estar, como exemplos.

Enquanto assim e se aproveitando do sossego geral, o travesso soca ressoca espiou o relógio digital sobre a mesinha de cabeceira e opinou aparteou:

- Olhe só! Essa gente dorme tarde pra dedéu! Depois querem o quê? Que eu ache as coisas em um piscar de olhos? Que nada! Vou fazer o serviço que e se eu quiser! Se cansar no meio do caminho, nem faço! Vou fazer o possível e somente o que eu puder! Se terminar, terminei; se nem terminar, nem terminei!

Mais mas era mesmo isso aí. O saci miração trabalhou e correu atrás da gargantilha pela madrugada toda. Saci primeiro-sargento afro-brasileiro correu, subiu e desceu, quicou como bola quicando no gramado no piso sintético no assoalho, sumiu no ar e apareceu de surpresa. Resmungou se sabe lá com quem e como, indignado ou nem:

- Tá difícil, cara! Tá brabo, meu! Pior mesmo são as gavetas e estantes e os samburás os pacotes os embrulhos!... Gavetas modernas são luxos e dificuldades a mais! Gavetas e prateleiras e estantes, tá entendido!

Era o exercício de sempre. Procurar todos os cantos, ângulos, recantos, repartições, subir em móveis, espiar tudo, descer, se acautelar, quicar daqui e dali, pensar, descartar, sumir no ar, aparecer como por mágica, abrir e fechar portinholas. Atrás dos espelhos e quadros e debaixo dos tapetes por dentro dos sofás e poltronas e almofadas e cadeiras estofadas e baús e fundos falsos...

E o tipo entidade sacro procurava sempre trocar ideias com ele mesmo solilóquio:

            - Nem sei por que faço esse serviço de procuras! Eu nem gosto disso! Nem sei se vou conseguir! Acho que nem! Talvez desista! Acho que nem vou desistir de nada! Será que vale a pena ou eu nem nasci pra essas coisas? Tenho dúvidas! Desistir nem é comigo... dou-lhe uma duas três!...

O bicho manhoso obra-prima nem encontrou nada na sala. E no fim do trabalho da noite preferiu tomar um banho morno. Debaixo de uma boa e suave ducha, chuá! chuá!... E, claro, claro como água, que o saci vice-governador extraclasse tomou banho numa perna só. Ele livre-pensador era bom nisso. E quem sabe um dia seria um mascote de time de futebol e campeão nacional mundial de tudo.

            O mar corre até o mar mais próximo. O mar chega a entrar no mar e para. O mar se cansa e dorme no hotel do mar-oceano avenida principal Coronel Gomes Carneiro. Aí, no outro dia, na outra semana, no próximo mês, o mar volta carregado para casa. O mar, todos sabem, quer se queira ou nem, carrega rios de longe em longe rio Siriji rio Mearim rio Marombas, lagoa de Cima... e desde as últimas cidades das montanhas quais sejam, Matões do Norte, Muniz Ferreira, Ladainha, Alto Longá, Querência do Norte, Ipatinga, Itaara... E mês após cruzando mês distâncias inacessíveis... Quando todo mundo acha que devem existir muitos bichos vivendo soltos nas praias das cidades que vivem à beira-mar. Bichos domésticos que as pessoas usam como bichos de estimação ou filhos ou irmãos: cachorros, porcos, cavalos, ratos, gatas, galinhas, patos, perus, ovelhas, cabritos, bodes...

Quando o pessoal da casa levantou da cama e chegou ao banheiro quarto de banho... opa!, chuveiro funcionando magicamente e aquela surpresa estava lá esperando, toda esperando, aguardando, chocando, sob um longo chuá!... em cascata, estatuazinha da silva e esperando que caísse a mala do céu:

- Oh, Lilás! - berrou a mãe.

Lilás gritou lá do próprio quarto e ainda toda ensonada e sonolenta:

- Hum!... Que é?!

- Olhe aqui! Venha até o banheiro ver uma coisa muito estranha!...

- Quê? Que estranha?

Lilás se ergueu da cama, lentamente e sem pressa e devagarzinho, foi e encontrou seu saci neolatino anti-herói no meio de uma chuva artificial organizada. Já estava estátua escalavrada em pedra-sabão ou basalto ou arenito ou granito.

- Mas como veio parar aqui, mãe do céu?

- Pra mim que você olha e pergunta, fia?

- É ou nem é o barão de Jacuí? É ou nem é o visconde de Santa Teresa?

Como sempre já era domingo de manhã posta e Lilás pegou da bicicleta (sem para-lamas e ou para-barros) e foi se encontrar com seus colegas da Sociedade Amigos Amigas da Pitangueira - SOAAPI. E era um grupo instruído ali do bairro que protegia e amava e apreciava idolatrava as pitangueiras e as pitangas e o pitangal. Tinha uma florestinha delas na praça do bairro. Tinha e há uma porção delas espalhadas pelas casas e ruas e jardins do bairro Miranha misturadas sem preconceito a outras espécies plantas endêmicas que fazem companhia, arrudas-do-campo, arrozes-do-campo, cravinas-do-campo, sombras-de-touro, cipós-de-gota... e tudo parecia bem se percebia ótimo e moravam ali em harmonia, capim-sapê, campainha-branca, alfazema-brava, clúsias...

Ficou a parte da manhã toda por lá e aprendeu coisas de flores, frutos e comportamentos das pitangueiras. Conheceu outras experiências de cultivadores de pitangueiras sementes enxertos universidades de São Martinho, Campos dos Goytacazes, Damião, Nova Russas... Visitaram uma chacrinha ali por perto, propriedade de um sócio da SOAAPI, almoçaram por lá, comeram pitangas, pitangatuba, pitanga-preta, pitanga-da-praia, pitanga-traíra... e experimentaram doces e bolos de pitangas, sucos de pitangas, geleias de pitangas, variedades de pitangueiras, pitangueira-comum, pintangueira-de-jardim, pitangueira-do-campo, pitangueira-vermelha... os pássaros e passarinhos interessados nas pitangas e também companheiros das pitangueiras pacíficos comportados presentes onipressentes, anus-brancos, sabiás-do-mato-grosso, arapongas, coleiros-do-brejo, pés-lavados, marrecas-apaís... e todos muito bem passaram o dia e mais riram e ou cantaram um montão.

            O mar é ele mesmo em pessoa sempre saudável e jovem. O mar é gente é vizinho é parente é bicho de estimação e é exigente. O mar é um deus sonoro líquido autossuficiente. O grande verde mar o tão falado mar, nem é azul. O mar é verde. O céu sobre o mar é que é azul. Então, o céu azul cai no mar verde. Também debaixo de chuva. Grandes cidades industrializadas preferem o mar e seus limites a lápis com o céu, Volta Grande, Cedral, Condado, São Miguel das Matas, Altos, nação da tribo terena, país da nação marabitana...

            Tal e qual mar que vem olhar a cidade onde mora a Lilás, este mar assim este belo mar é sempre o mesmo mar. E por perto o mar nem é cara-raiada nem é um biguatinga nem é um bem-te-vi-pato nem mesmo um caititu atolado até o pescoço nem é um boto-cinza ou boto-comum namorador de Janaínas... e pronto.

            - Quem pode imaginar hoje em dia ali o tiom-tiom?

            - Quem pode voar e dar asas à fantasia carnavalesca igual os sovis?

            - Quem já viu de manhã o que esperam os da turma dos pitanguás ou neneis?

- De que parte senda promontório vem a chuva torrencial?

Na parte da tarde, já em casa caseira doméstica, a menina curtiu a companhia das amigas de colégio, Rê, Esmeralda, Pérola. Levaram as horas ouvindo axé, comendo pipoca com guaraná, provando roupas estilos modas tendências comportamentos e rindo à toa. Muito som, tevê e planos para o futuro. Essas meninas aí esperarão impacientemente estarão ali aguardando o dia em que poderão ler “Iracema” de J. de Alencar e ou a trajetória do beato José Lourenço no Caldeirão da Santa Cruz do Deserto.

            Este mar que já se falou, mar que vive banhando a cidade onde mora esta história, este mar sensacional tem dono? Quem é o dono do mar por além do mar ser dono de si? É o Ariovaldo? A Juvenilda? O Hélio? A Alzira? Fora um poeta Alberto de Oliveira? Seria o Joaquim de Sousândrade? É o tubarão-lixa, o mero, o peixe-voador, a tartaruga-marinha, a borboleta-corujinha, as muitas abelhas borás-bois? Um tal e qual marquês do Paraná? Seria o marquês de Monte Alegre? Os valorosos descendentes dos heroicos caiapó-cararaô? O exército do general Hipólito Ribeiro? Os cidadãos cidadãs de Igaraçu do Tietê e Solânea e Coruripe e Pires Ferreira e Uauá e?...

            - Eu mesmo conheço Santa Maria Madalena e Feliz Deserto e Chorrochó!

            - Eu ainda nem conheço Pilões e Pilõezinhos e Hidrolândia!

            - Eu já ouvi falar de conhecer Boa Viagem e Senador Rui Palmeira e Macatuba!

            - Quando for a vez de Algodão de Jandaíra e Ampére e São Martinho da Serra!

Madrugada sem sandálias, duas horas da madrugada de uma quarta-feira, o saci pé no chão antilógico caranguejo (às vezes com uma sandália de tiras de couro trançadas) acordou e cheirou os ruídos internos interiores estomacais da casa. Estava sozinho e responsável vigilante igual como sempre nestas horas mortas. Pronto para sua missão de encontrar a tal gargantilha joia e objeto perdido. Bebeu todo o copo de leite pasteurizado e comeu todas as bolachinhas marias deixados produtos pela menina Lilás. E, sem mais preâmbulos e delongas, foi trabalhar. Vasculharia em aquela noite a cozinha e a dispensa lotada de víveres mantimentos quinquilharias alimentos e outros alguns artefatos.

Num canto do cômodo viu um violão, dedilhou, tirou uns acordes quase harmônicos, umas notas avulsas, uns sons ao acaso da sorte, assobiou, fiu-fiu-fiu!... e desistiu desistiu. Meio que brabou bramou consigo mesmo insistindo:

- Nem estou a fim de! Apesar que cantar faz bem e espanta os pensamentos insistentes ou chatos ou medonhos!... Nestes casos e somente nestes casos, é!

Largou a viola e procurou investigar, espionar, observar, bisbilhotar, calcular, considerar. Abriu a cristaleira e espiou potes, copos, xícaras, jarras, pratos, travessas, subiu e desceu estantes prateleiras, verificou utensílios alguidares e garrafas e frascos.

Certa altura saci deus da mecânica estampa gandaia parou diante de um livro ali esquecido... e se interessou pela história saga original:

“Um dia diferente aquela uma gaivota de sorte comum, que acompanhava o rio Maciambu até a localidade de Goiana no litoral, colocou um ovo na rampa de um certo morro ladeira cabeço declive com aclive. Este ovo tipo órfico terso meio redondo nem teve companhia de outros irmãos ou irmãs, restou sozinho e perdido ali por dias e noites. Logo logo o sol tombaria como uma tarde tombaria de tardinha enquanto continuaria entardecendo lenta lentamente banho-maria.

“Nem foi sequer o ovo caçoleta hino assediado por bicho predador, papa-ovos, chupins, tucanos-de-peito-amarelo, ratos-de-pentes, caranchos, lagartos, sorros, ouriços-cacheiros, tanajuras-manteigas, homens ou mulheres nada veganos... No entanto, nem se sabe que motivo, que situação, se a terra tremeu e se o pico Escalavrado oscilou ou sei lá que força estranha no ambiente, o fato é que o ovo acólito rolou rolou rolou... e ainda rolou em meio às plantas avencas-de-espiga e velózias... outros tantos tinhorões e facheiros-pretos... mais pra baixo em derredor das sambaíbas-da-baía e cravinas-do-campo... e caiu dentro do mar, plooou!... Abrindo o caminho inóspito seu próprio caminho estrada como um ser um monstro já vivo natural e fazendo sorte caminho estrada rio rua Barão da Passagem e numa velocidade qualquer nem muita ininterrupta, plooou!...

“Então, por mágica ou nada, o mar se confundiu com o céu junto do horizonte fininho. O horizonte do mar e o horizonte do céu, imexíveis, prensados, se juntaram num risco só: verde-azul. O azul era vidrado, água com tinta azul, luminoso. O verde era espelhado, água com tinta verde, brilhante. O céu e o mar foram confundidos irmãos em uma apenas entidade identidade mundial.

“Mas o ovo lenda oitão ou outão, que nem é redondo redondo ou novidade... e este pousou no chão do fundo do mar e submergido, blu-blu-blu!... Quando muito este mundo e seus poucos pormenores. Fosse o que fosse o ovo óvni, nem estatura nem costura, maior ou menor que a Terra governada pelo sol. Que obstáculos lhe podiam ser úteis com muitas árvores e plantas, copaié, buchinha, araçá-congonha, tucaiá... separando os pássaros dos cantos interpretações, tovacuçus, gaviãozinho, cararás, arapapás... alados que aterrissavam sobrevoavam as cidades, Itapissuma, Guimarães, Patis, Capitão Enéas... que moraram ao largo e de perto e próximas do mar.  

“Uma tainha analfabeta, e de pronto de repentemente curiosa, se amarrou dele gostou do ovo oval ovocélula e veio chocá-lo adotá-lo. Foi amor à primeira vista, coisa impulsiva de mamãe maternal materna desde o tempo que morava no cardume. Tudo bem. E tudo normal como no primeiro dia do mundo e, blublublu!...

“Poucas horas mais tarde nasceu uma gaivotinha do tal ovo girândola rolante importante palimpsesto. A pequenina avezinha nem piou... por enquanto. Nem piou porque estranhou, ainda de fraldas, o fundo líquido do mar banho no azul banhada. Onde se viu e se enxergou?! Conheceu a mãe peixe tainha e achou que tudo estava cem por cento como no conto da história. A gaivotinha adornada foi bem servida, bem cuidada, bem tratada com frutos do mar tenros do fundo do mar-oceano. Ninguém a visitou ninguém apareceu com presentes enfeites brinquedos doces. Se acostumou a princípio com aquele meio ambiente submarino úmido aquático aquoso muito aquoso encharcado líquido. Se acostumou a viver mergulhada e lá de vez em vez de quando em quando ir ou vir à superfície para dar uma pouca respirada uma olhada. Adorava a mãe tainha que nem a largava vinte e quatro horas, dia e noite sete dias da semana, feriados e dias santos liquefeitos e incluídos.

“E os poucos nada nadar dias foram passando subaquaticamente temporariamente reticentemente... As noites nadando natação foram existindo mergulhadamente ensopadamente cronologicamente... Claro que se podia dizer que era uma rotina, apesar de gaivotinhas submergidas e tainhas nem saberem se explicar sobre o que é um dia igual ao outro um dia puxando pelo outro. Se sentiam felizes, comiam bem, e isso era tudo, tudo e muito principalmente. Gaivotinha avezinha dentro da água e com a mãe peixe tainha, blu! blu! blu!... e parecendo tudo parado azul paradas.

“Vamos dizer que passou um mês e tanto ou mais de 31 dias marítimos. A gaivotinha já adquirira uma certa autonomia, treinava caminhadas, batia as asas, nadava e vivia mergulhada subaquaticamente como um peixe-papagaio. Era o orgulho da mãe tainha. Era a surpresa do lugarejo atol das Rocas a lés-nordeste da cidade de Afogados da Ingazeira e Poço das Trincheiras e Olho d’Água das Flores e Natal-RN. Se divertia entre as algas corria buscar estrelas-do-mar guaiamus brincava nos arrecifes e corais e plataformas petroleiras... A gaivotinha ensopada curtia as primeiras penas que nasciam, crescia um bico com força e seus olhos abertos viam mais longe aguados no fundo do mar e mesmo até kms de profundidade e glugluglu!...

“Aí, um belo dia subaquático e qualquer, blu! blu! blu!... a gaivotinha molhada sentiu uma ansiedade inexplicável de partir e nadar e sumir no céu do outro lado do mar. E pedalou, bateu as perninhas, as asinhas, embalou velocidade e partiu... E surgiu emergiu, voou para o céu como um anúncio de propaganda de creme dental. Saiu do mar subiu para o céu feliz sorrindo e refrescante. E o céu parecia outro mar com intervalos comerciais. Se soltando respingada respirando pelos pulmões decolando pinga e pingando, alçou voo... O sol se sentindo ocupado ou de fato culpado caso nem podia se comportar com tanto calor. E foi o que foi o sonho da humanidade voar.

“Era agora ou nunca um mar azul e alto, e muito mais leve. Em vez de bater pernas e asas como nadadeiras para nadar, a gaivotinha bateu asas para voar para secar enxugar e navegar no espaço éter aéreo. Ainda aprendendo e desajeitada. Ficou imensamente feliz com a paisagem, a liberdade, o ar solto, os pulmões abertos, o panorama, essas outras paisagens sem nuvens. Olhou tudo, viu muito mais, o horizonte ampliado, outros bichos, outras aves, e muitas aves parecidíssimas com ela mesma. Reflexos de mar tons marinhos correntes de ar aviões comerciais. Era outro país, outro continente, outro planeta. Uma luz caleidoscópica que nem parava de rebrilhar e se revolver e se mostrar. Sentiu o sol forte nos olhos o calor nas penas a brisa suave no bico, tudo tudo. Encontrou outro mundo e definitivamente praticamente vazio espaço aéreo nordeste sudeste. Uma vitória fantástica ao ar livre em cartaz. Aérea em movimento paisagens panorama descontínuas pouco transformadas e sensacionais, etc. Praticamente pertencente aos astros celeste divina sideral ecológica.

“A avezinha cansou de orbitar e pousou morro do Couto na primeira ilha de pedra na frente do caminho do voo da aventura. Parecia uma rainha de céu e mar. E era mesmo. Com almofadas de nuvens ainda pouco cheias esgarçadas. E sentiu fome e mergulhou flecha rapidamente. Pescou de cara por acaso do cardume uma enorme tainha patriota. Nem ficou sabendo nem lhe passou pela ideia nem lhe contariam que aquele peixe tainha que aquela tainha bicada ocasionalmente pelas costas poderia e talvez quase com certeza altas probabilidades fora mesmo sua mãe adotiva.”

O saci entretempo antanho ou oitibó desligou o livro e voltou as suas funções e preocupações e investigações. Continuou a trabalhar e a procurar até a madrugada e o resto do fim da noite. Uma rotina. Ouviu o canto do galo, mas nem soube onde. Lá fora, o mar batia nas pedras da orla lambia a areia da praia Mole. Lá fora também, no alto do céu e do orbe, D podava cortava roçava o mato do céu noturno com uma foice de lua crescente.

O nume o disfarce o banguê ou saci chegou até uma guloseima de abacaxi, que encontrou na geladeira no fundo da prateleira, e começou a saboreá-la degustá-la. Falou para ele mesmo, firme e convicto:

- Hum!... totalmente pra você, meu estomagozinho predileto! Hum!... somente para nós os dois, é claro! E bom apetite! E boa noite!

Em casa de Lilás quem acordava antes de todos cedo de madruga era a mãe e atarefada. Era ela que vinha sempre na frente de todos expulsando das camas. E foi ela ainda que descobriu e revelou e conversou:

- Hei! Quem comeu minha guloseima e doce de abacaxi? Que que esse brinquedo está fazendo aqui na geladeira e congelado? Lilás esquece tudo jogado, assim, aí, claro!...

            Um mar é importante porque nem desiste nunca. E até uma vez nos anos mais antigos da história do mundo as pessoas acreditavam que o vento nascia dentro do mar-oceano. Que o vento nascia no meio do mar. E as pessoas, uma vez e isso faz uma cara, acreditavam em ilhas de coqueiros tortos no meio do mar. As pessoas, tempos atrás e perdidos na história, acreditavam em tesouros de piratas no fundo do mar, blublublu!... É que as pessoas de antes e da pré-história, pessoas continentais, de agora da era moderna, de sempre, acreditavam, acreditam e vão levar ainda a acreditar que basta querer admirar olhar para sair por aí a navegar a velejar.

E Lilás saiu para o seu dia de rotina comum original pacífico oficial. Pela manhã, colégio Barão de Ivinheima distrito de Inhaí em Diamantina. À tarde passeio no parque das Emas e rio Formoso e rio Jacuba, emboralá!, deveres tarefas de escola e pouco mais. Mais tarde aldeia dos bará-tucano em plena reserva território e remar em canoa prática rio Una e ilhas flutuantes de aguapés e madressilvas-verdadeiras e baronesas rainhas-do-lago...

- Você viu minha joia intensamente brilhante?

- Você pode me ajudar a abrir a janela e a porta?

- Você me passa o arroz e a salada?

- De que futuro estaremos lá?

            O mar é verdinho e maravilhoso e muito mais. O sol é amarelo-laranja. A lua é prato queijo louça. O vento é assobio intermitente na copa das árvores. A cidade, perto do mar, longe do sol, longe da lua, corrida pelo vento, a cidade nem é nada, a cidade é grande, a cidade é pequena, a cidade nasce e tem e se enamora de outras cidades limítrofes coirmãs, Central do Maranhão, Descoberto, Leopoldina, Cocal de Telha, Agrolândia...

No fim da tarde requentada tocou o telefone, triiim! triiim!... Era a formosa e exuberante Esmeralda, das melhores amigas e Lilás recebeu:

- Oi, comadre!... 

- Alô!... - respondeu Lilás. Pois nem! Quem deseja?

- Alô digo eu, Lilás! É Esmeralda, a linda!

- Hum!... Como vai? Como está? Onde está?

- Esqueci de perguntar como vão as investigações! Você achou a gargantilha? O saci iconoclasta entretanto é bom detetive?

- Ah!... Assim que vai nem vai, né!

- São sem dúvidas reimpressionantes!...

            Lilás estava preocupada com a demora e teimosia do seu objeto de estimação. E Lilás deu um suspiro, ora!... E depois já falou articulando:

- Sabe o que é, Esmeralda? Vou esperar mais um ou dois dias! Quer dizer, noites! Se em daí para diante nem aparecer uma simples e pequena novidade contranovidade eu troco de investigador e feiticeiro e pajé, pois nem?!

- Que você pensa de pedir a Santo Expedito? - perguntou Esmeralda. Pede vai já lá várias coisas para ganhar uma, né?! Onde será que ele mora e habita base aérea?

            Lilás ficou pensando. Um pensamento... Que pensando bem os pensamentos são mesmo extraviados. Extraviados ou extravagantes? A amiga tinha certeza ou nem tanto? Lilás continuou na mesma e filosofando. Ideias extraordinárias e extraoficiais. E Esmeralda voltou com outras razões sempre da fantasia dela mesma e puxando:

- Eu acho, de minha parte, que santo é melhor que sacis exóticos, sei lá!

- Tô achando também, Esmeralda! Tô achando e me convencendo! De acordo!

Na noite seguinte naquela noite mesmo como de costume como era costume ao saci pergunta em resposta porta e janela divindade, ele particularmente esperou que todos na casa adormecessem para apenas então começar a agir e se acionar se movimentar. Dessa vez bisbilhotaria a varanda o pequeno pátio a garagem e arredores. Antes de sair tomou o copo de leite geladinho e comeu as deliciosas bolachinhas marias barradas com geleia de abóbora esta importada de Sobradinho-BA.

O bacurau relógio de pulso ou saci passou por debaixo da porta e chegou na área, lá pra fora da casa. Na varanda mexeu em vasos, plantas, cadeiras espreguiçadeiras, redes de deitar. No pátio, o cão Atro cochilava o sono da madrugada. Atro dormia com os olhos fechados e as orelhas abertas. Nesse espaço de terreiro, pequeno pátio quintal, o saci pífaro pela primeira vez quicante olhou uma bergamoteira, uma pitangueira, umas bromélias perto do muro da casa, grama cortada, outras plantas, barbatimão, lixeira, maracujá-suspiro, ixora-brasileira, sempre-viva-da-serra... passando os olhos acesos por tudo. Na garagem o automóvel, um pneu careca encostado na parede, uma tevê antiga esquecida num canto, um armário cheio de ferragens ferramentas de jardinagem e de mecânicas, uns produtos de limpeza sobrados esquecidos, uns tarecos por consertar, garrafas vazias de vidro ou plástico, móveis antigos descartados, produtos de beleza fora dos padrões da estética atual e ou televisiva... E o saci xereta matéria-prima desabafou destrambelhou:

- Onde estará essa bendita joia ou gargantilha quatro voltas, hein?! Se eu tivesse uma sorte de detetive de primeira viagem!... Vou subir no topo da copa alta desta guajiçara para ver mais longe adiante e de um todo os 360°.

O saci cateto recomendado chegou perto do Atro e sorrateiramente detonou um soprão com baita barulho de permeio imediato, barritou:

- Vruuuu!...

Atro cão cachorro cusquinho acordou, pulou, saltou e se ergueu no sobressaltado e já pronto pra briga pro confronto. E Atro canídeo ainda sapateou, balançou a cauda, mexeu as orelhas e nem acreditou no que viu a sua frente. Esfregou os olhos mais cara amarrada ainda dentes molares sisos caninos incisivos à mostra e acoou, ganiu, latiu, perguntou:

- Auauau!... Quem é você, seu enxerido alto-falante?!

- Tô a trabalho, sossegue! Calma! Respire! Deixe explicar, seu mané! - dizia o saci, figura bastante decreto-lei.

- De que mundo você veio, seu pezinho?

- Nem precisa saber! E porque nem é da tua jurisdição!

- Hum!... Que esnobe, o tipinho! Todo cheio de si e mais alguma coisa que nem sei identificar! Eu, hein?! É príncipe dos altos coturnos, naturalmente!

Então o pequeno feiticeiro resolveu bancar o perguntador detetive investigador:

- Sabe, Lilás tá tão chateada com o desaparecimento da gargantilha! Nossa! Tá um trapo de preocupação! Foi você, seu Atro, que escondeu a gargantilha da nossa amiga amigável? Pode dizer, eu compreendo e nem revelo segredos!

            O cão Atro ficou preocupado e sentido. Baixou a cabeça, mexeu as orelhas, encolheu a cauda, andou em roda da própria cauda, etc. Nem se sabia já se era de raiva ou espanto ou pena da bela Lilás menina tão galante. Atro, nome esquisito e diferente, bradou com razão canina:

- Auauau!... Você tá querendo me sujar com a menininha Lilás, é?! Porque eu sou um cachorro de palavra, tá ligado?!

            Saci senador deputado morador de garrafa entidade forçou a barra. Nem foi na onda do melhor amigo da menina. Disse com todas as letras pertencentes às palavras sonoras e faladas na língua das gentes do lugar:

            - Foi você que surripiou, levou, tascou, escondeu, aliviou, abiscoitou, bispou a gargantilha joia objeto de estimação da nossa amiga menina Lilás! Confesse, vai! Erros assim podem ser perdoados! Confesse, vai! Faltas e descuidos acontecem com qualquer pessoa, tá claro?! Diga a verdade e nada mais que a verdade! Confesse vai e que ainda é possível remediar e botar os panos quentes os pingos nos is, uma vez!

            Atro ficou superchateado supersaturado e hipertenso. Atro correu atrás do saci bisbilhoteiro detetive de primeira ordem. Mas o saci acadêmico professor oficial era mágico além de muitas outras coisas exóticas e tal. Atro cansou de representar o cão superaudacioso. Atro nem quis esconder mais. E Atro, o cão amigão da menina Lilás, resolveu abriu o jogo e esclarecer a peraltice. E que já era hora, afirmou:

- Hum!... Hum!... Confesso! A gargantilha tá aí na caixa de areia e bem protegida!

- Ah, na caixa de areia! Como nem adivinhei! Somente um cão poderia esconder um objeto furtado numa caixa de areia! Bem muito original!

- Vai contar pra Lilás que fui eu? Pode contar, eu mereço todo e qualquer desprezo que vier, tá ligado?! Cães e cachorros cometem sempre estas coisas peraltices!

- Nem sei. Tô pensando. Que você acha? Me convence do contrário, mané!

- Sabe, fantasiei comigo que Lilás nem precisava mais desse objeto de enfeite! Afinal é apenas uma quinquilharia, né?! Encontrei a gargantilha jogada pelo chão, ali na varanda e... bem, pensei que Lilás nem queria mais saber da gargantilha, etc., e tal e qual! Talvez já vou lá pensar melhor da outra vez, em?!

O feiticeirinho fotomontagem papel-jornal voltou para o interior da casa e com a missão dada por finalizada e encerrada e resolvida. Recuperara o objeto da menina Lilás. Trabalho feito e fechado. Aí era só esperar o dia amanhecer. Missão dada, missão cumprida. Ao acordar a menina olharia sobre a mesinha de cabeceira e daria com a preciosa e afetiva gargantilha.

Sendo o fim do trabalho fim da história, o saci extraterrestre religioso cientista retornaria ao mundo dos invisíveis impossíveis indescritíveis. Esperaria sua nova missão. Fosse naquela mesma casa ou em qualquer outra residência ou apartamento ou mansão ou palácio ou escritório ou cabana ou barraca ou meio ambiente ou gruta. Fosse lá onde fosse que seja que será. Qualquer coisa o federal ministro secretário saci voltaria, desencantaria e procuraria encontrar o que fosse.