quinta-feira, 22 de julho de 2021

Se a Reconheço

 

           

 

            - Pretendo quero deixar o hábito o legado o patrimônio da natureza, flores-da-esperança.

            - Quando planto eu mesmo uma árvore, jacarandás-de-flor-amarela, tenho o dia ganho. Mais ou menos distintas raras importantes majestosas(os).

            - E atrai curiosos(as).

            - Um caminho corredor decorado atrativo.

            - Há de haver uma emoção que explique o surgimento o nascimento das plantas.

            - E a solução espetáculo quanto mais bosques melhor.

            Até hoje em dia eu mesmo compreendo o sol a lua a terra o mar o fogo a água partindo de um certo tempo e certo modo e certo ponto de vista, oi! Porém o sol ilumina pelo mesmo modo por que se iluminam as noites de luar de lua, ou quase quase! Manhã madrugada povoada namorados conúbios casamentos matrimônios e dividida em partes zonas rincões territórios e avesinhas abre asas, pariris, tchintchorrintchos, sabiás-gongás, caturritas, fim-fins, arapapás, casacas-de-couro-amarelo, marias-faceiras, bacuraus-tesouras, tururins...

            Dessa maneira que vai a moda, se se bem renovar diariamente. De um certo lugar no céu púlpito tribuna, nasce o sol nascem as estrelas nasce tudo nascem aforismos ditados sentenças máximas apotegmas... Num lugar do céu e de certa elevação desenvolvida bem sucedida. E já nem é possível ir mais longe ou além ou aquém. Depois das nuvens esgarçadas e abaixo da astronomia astrologia. Tutorial programa que fornece instruções de um todo tutoria amparo apoio defesa tutela.

            A menina Clavija (já vacinada com segunda dose contra a covid-19) estava aérea e ao mesmo tempo sentada na carteira olhando pela abertura ampla da janela estação do verão. É preciso uma escola e primária para criar um passado com futuro o porvir. A figura excepcional dela no espelho exponencial do dia inspira qualquer um. Sublime encanto arte fantasia que lhe pertencem. E seus cabelos são os mais sedosos do século. Sem perder a memória a justiça deste mundo. O futuro é uma questão de estudos primários e ler escrever contar. Ter sentido e orientação, nem ter direção. Lugar e hora onde ninguém esquece os seus primeiros passos e sempre ali quer voltar voltar, e cabelos e olhos e sorrisos e pensamentos ao vento.

No gramado e quintal da EEEFM Afonso Schmidt, um jardineiro profissional que aparava a grama e com seu cortador motor de hélice e sonoro parecia e estava mais feliz. A menina pensou que cortar grama era melhor e mais bonito que quaisquer outras profissões ofícios carreiras modalidades esportivas ou recreativas. Melhor que estudar pra médica e dentista ou psicóloga e advogada, que a mãe quer e deseja recomenda. Por quê? Sim, o aparador de grama era livre, trabalha ao ar livre, um dia em cada jardim ou gramado, e se chover pode ficar muito bem em casa dormindo. A princesa abriu o bico como sonha fazer e proferiu:

            “Profe!... Quero escrever uma redação sobre a liberdade, sobre tudo que é livre ao ar livre igual a passarinhos e alados e voadores sobrevoantes esvoaçantes avoamentos avoantes em geral.”

            Um costume de podar as plantas, cordões-de-são-francisco, moldenhaueras, trevos-de-quatro-folhas, mocajás, cardos-melões, lava-pratos, capitães-do-mato, feijõezinhos-bravos... Se cultivam muitas flores hortaliças os legumes as ervas medicinais as plantinhas ornamentais os pequenos campinhos de futebol sete jardins botânicos jardins de infância jardins olímpicos jardins suspensos... Um conjunto congresso companhia o trouxe-mouxe de biodiversidade bioconsciência bioclima biociclo bioatividade... Há o que se quer e as coisas desse tipo relacionadas e tudo a ver, preás, moças-brancas, guirás, carrapichos-miúdos, jaritatacas, marianinhas, truirapevas, mocós...

            Hoje de manhã agora ao ar livre, querendo ou nem e ao que parece, a praça Monsenhor Fabrício está agradável bonita arborizada multipovoada ondulada de gente carros trânsito bufarinheiros pecúnias faluas curabis descantes cuviaras longas-metragens solecismos empulhas curacas adágios anexins ditados provérbios charadas... Notícias gerais de Ipuiuna, Senador José Bento, Borda da Mata, Congonhal, Wanderlândia, ilha do Viana, tribo nação dos issé e mais toda aquela área pagos região de arrendatários habitantes locatários alugatários...

            - Cocidadãos concidadãs!... Por educação e princípio, o vegetarismo é legal.

            - Fechar todos os desertos intratáveis obscuros e sem verde... com verdes.

            - Quando no começo do início, as plantas adotaram os devidos lugares principais. Pois nossas plantas são comuns nativas autóctones endêmicas. Hoje já nem é assim, os lugares que se adaptem às novas plantinhas que oriundas estrangeiras vêm do cerrado da caatinga do pantanal...

            - Globalização e outros indícios modernos internet telefonia móvel, sobreiros, buçuís, falsos-paratudos, enxadas-verdes, embiruçus, xixás ou farinhas-secas, salgueiros-do-mato...

            - Necessitam elas verdinhas tenras de carta de apresentação passaporte atestado de vacinação e boa conduta. A imigração é também um fenômeno dos novos tempos paisagísticos.

            - Podemos e devemos porém abrir uma exceção excetuar e plantar, tucum-mirim, salta-martinho, aningaúba, louro-de-mato-grosso, fel-da-terra, alfazema-brava... Você com os alunos desta instituição vão produzir plantar umas hortaliças uns outros legumes hortifrutigranjeiros. Inclusive que eles alunos(as) possam plantar colher e se servir à mesa.

            - Pelo menos uns seis ou sete indefectíveis que eu recomendo consumo e aprovo pois são ótimos nutritivos para o desenvolvimento da razão do tirocínio da lógica.

            - Quem são eles os tais e quais? Frutos de todas as cores, se recomenda.

            - Conhecidos e convivem no meio de nós do nosso normal dia a dia e fazem parte, lograr, mentir, embair, iludir, seduzir, tapear, zombar, mofar, cacofoniar ou cacofonizar...

            - Um bom jardineiro sempre está aí para suas plantinhas vitaminadas saudáveis...

            - E elas preferem sol e chuva, frio e calor, dia e noite, vento e brisa, insetos e beija-flores...

            - Qual a sua estação favorita colírio dos olhos, pergunta!

            - Praticamente eu abraço todas. Meu interesse são todas sem distinguir a cor o cabelo a classe a religião o partido a agremiação a linhagem...

            - Precisamos usar produtos nem poluentes e que sejam também biodegradáveis.

            - Cada vez mais as pessoas preferem consumir produtos da lavoura orgânica.

            - Boa vegetação para longo descansado quente e claro verão.

            - Em seguida.

            Ela começou a escrever sobre o jardineiro padrão oficial clássico modelo, então. Que o cara poderia ter sido um grande jogador de futebol se tivesse treinado mais acreditado mais tivesse tido oportunidade num grande clube da capital do Estado. Que nem frequentava baladas nem fumava seja lá o que for nem cheirava e nem bebia álcool destilado. Somente socialmente uma cervejinha porque ninguém é de ferro. Que aos domingos assistia pela tevê o seu time jogar ou ia ao shopping mais os amigos(as) comer pipocas acarajés pizzas doces sorvetes tapiocas salada de frutas... Tinha colegas e todos ótimos gente boa onda. Depois e mais tarde num certo janeiro o jardineiro, especialista em plantas ornamentais do pampa gaúcho, se apaixonou por uma guria que ele viu no pátio do colégio. Que lhe pareceu a menina mais cunhantã do mundo. Mas a garota nem sabia e nem ficou sabendo tão cedo. Assim o jardineiro gramador, aparador de grama-de-jardim, sempre quis cortar gramar o capim-grama daquele colégio e até de grátis.

            Por trás das nuvens lisas altas ou baixas escritas descritas no ar, mistérios de pureza limpidez clareza e puridade, os jardins públicos e jardins de verão e jardins zoológicos e Jardim de Angicos e Belmonte e João Câmara e Itaqui e Ubá e Canavieiras e praia da Barra do Albino e ilha de Comandatuba e lagoa do Rocha e rio Patipe e praça Saldanha Marinho e guaratiba ou ajuntamento de guarás-pitangas... E difusão confusão abstenção de aves do paraíso da mata atlântica profissionais cantarinas cantatrizes cantoras interpretes, trinta-réis-pequenos, trinta-réis-grandes, talha-mares, acuranas, encontros, casacas-de-couro-da-lama, arirambas-de-cauda-ruiva... O primeiro rio que os olhos viam passar andar existir perene contínuo fértil eterno... Nem é tão raro como se possa pensar, uma vez.

            Mais que um jardineiro esturrado pelo sol de dezembro a março, o agregado era um contador de histórias engraçadas um piadista um contador de piadas. Muito piadista e a tal ponto que a pessoa podia ficar dias perto dele que dificilmente ouviria a mesma piada duas vezes. E contava anedotas e chistes em todos os possíveis ambientes e com diferentes públicos e por distintos temas. O jardineiro empregado servidor agradece o palmejar dos ouvintes e tudo que criou e trocou pelas folhagens que nascem aí, grama-do-pará, catulé-babão, trapoeraba-verdadeira, capim-flecha, trombeteira, avenca-de-espiga...

            Mais ali e sempre por perto, a rua 21 de Abril com o colégio de NS Aparecida a igreja de São Paulo Apóstolo proprietário e senhorio locatário e inquilino e morador. A aventura por que muitas plantas nascem felizes é colocar suas raízes voltadas para o infinito aberto e num dia de céu satisfatório sério limpo exato franco cordial imediato. Sendo muito que a verdade das coisas passa perto de sementes estudadas complexas retas diretas corretas: bimetalismo, cordovão, padixá, canzá, debênture, chapista, carrilhão, exegeta, cantochão, pacu-do-sarã, opa ou sobrepeliz, volapuque, espadilha, rapé... Certas noções de matérias-primas zombarias gestos motejos macacoas pensamentos alocuções consistórios e assembleias estaduais e câmeras municipais e moções e decretos e prebendas ou sinecuras... Nuvens que se mexem que viajam que despejam que nem pisam o chão, taxas, impostos, câmbios, finanças, economias, tarifas, ágios, outorgas, poupanças...

            - A questão da jardinagem está na ordem do dia. Aqui e no mundo.

            - É o bem que faz o ar livre de ruídos, bom de dormir, acordar, legislar, educar e ser educado. Hoje em dia se prioriza a natureza, é. O mesmo que pedir, requerer, instar, discutir, clamar e conclamar.

            - Procuro outros valores e recordo outros tempos e empresto outros lugares, Serra do Ramalho, Araguaína, Babaçulândia, ilha de Santa Cruz, complexo cultural Evaristo da Veiga...

            - Eu também vejo Nova Friburgo, Manoel Viana, Rodeiro, Franco da Rocha, Jundiaí bairro de Anápolis em GO. E eu olho represento escuto penso aguardo sonho idealizo...

            - São ótimas ideias e notícias.

            - São excelentes razões e conclusões.

            - Se custa algo e algo vai se custar.

            - Por que nem trabalhos hercúleos e escolher carregar, hein?!

            - Conversam e dizem e escrevem que as mesmas plantas gostam de carinho música...

            - Que tipo de música e ritmo e harmonia: músicos musicistas e peças de teatro concertos bailes pagodes batucadas paradas militares...

            - Oxalá se crie e se conserve um bosque um arvoredo, bastão-de-velho, quina-de-cuiabá, angélica, pupunha-verde-amarela, diambarana...

            - Uma pequena floresta e o rio Poxim... De manhãzinha envolto em nevoa nevoeiro.

            - Que diferença quando um bosque margeia uma avenida Barata Ribeiro uma praia de Jatiúca e aclimata esfria tempera uma praça Poeta Ascenso Ferreira...

            - Faz nascer um riacho e faz chover faz nascer e evoca a natureza toda completinha. E de águas que vêm e vão com o clima na estação quente. Competitivo.

            - É como no sinal dos bons tempos e todo dia a qualquer hora.

            - Nosso acerto é colaborarmos e copiarmos bem a natureza que está aí e que D criou da própria cachola. Em tipos espécies, classes subclasses, grupos e unidades, séries categorias hierarquias, quilos arrobas toneladas, capoeira e roçado...

            - Andamos certos e em boa companhia.

            - Verdes verdejantes esverdeados buscando o sol e a luz.

            - Boas e corretas licenças com outras verdadeiras naturais.

            - A gente nem se cansa de admirar e se iludir.

            - É um programa que as pessoas nunca esquecem. Já é uma história que venho contando e recontei muitas vezes.

            - Vamos levar em conta os perfumes e aromas melhores que queremos cheirar.

            - Oh, sim, uma realidade!

            - E a hora dias do ano que as flores brilham intensamente. Canteiros formais e informais.

            - É típico!

            E por que um jardineiro o jardineiro de grande e ótimo e genial talento? Já a esta hora da tarde foram plantados os tais e quais chapéus-de-frade, guibás, mororozinhos, pupunhas-marajás, dedaleiras-pretas, paricás-brancos, mucuris, brádeas... A trama está sendo feita no prelo é feita em processo de edição impressão e trâmites para cercar tudo e soltar uma onça-parda das bem brabas. No recreio deixar os alunos(as) se virar. Faz parte do aprendizado em o jardim da infância: quitute comida alimento vianda... Desde cedo original fonte os trambiques inadvertências inépcias adversidades são ótimos para ensinar a se defender. A provocação a causa desencadeia detona explode o conjunto das coisas das políticas. E o rio Passuí caminha por destino incomparável determinado ou indeterminado, Divinésia, Pedra Preta, Jandaíra, Santa Luzia, Pavão, Aceguá, distrito de Honório Bicalho em Nova Lima, praia da Oiticica, ilha de Mocanguê, aldeia dos jarauara... E já na plantação perdurando na safra posteriormente na colheita, há teias de aranhas e balões de abelhas-da-terra e ninhos de passarinhos e reminiscências de murmúrios e versos figuras imagens ou gravuras desenhos. Luz dourada ar transparente comércio do mundo enchendo tudo cigarras canções e danças de anus-brancos, anambés-pretos, cardeais, tiês-pretos, sanhaços-reis...

            Hoje tem mais calor. Mais determinação dos povos. Todos os olhos têm suas pestanas todos os rios, temos visto o rio Itapicuru, os nossos rios com suas matas ciliares transidas de frio. Muito mais longe mais enorme de distante estão os rios os olhos dela. Em todo caso eu juro eu vou traduzo mostro eu lembro eu fantasio destino eu renovo comprovo...

            Já o jardineiro morubixaba foi pedir emprego se apresentar foi recebido pela diretora numa entrevista marcada para a manhã de outubro preparada na secretaria da instituição educativa:

            - Você é daqui da serra Geral e as cidades de Pedras Altas ou Dores do Turvo?

            - Cheguei com estes dias lá de Caiçara do Rio do Vento. Mas antes passei por Cascalho Rico e Astolfo Dutra.

            - Já verifiquei esta última municipalidade. É ali mesmo a linda e maravilhosa praia da Barra Velha? Acredito que sim!

            - Nunca ouvi falar. Talvez mais adiante...

            - Um lugar conforme e muito aprazível, eu diria. Matas nativas com árvores carregadas de grinaldas guirlandas guirnaldas diademas ramalhetes cachos e outras típicas coroas de flores.

            - As pessoas que se acomodam aí nesta localidade têm quimera esperança prêmio gratificação justiça recreio recompensa...

            - Com que então você é jardineiro formado pela escola técnica de Romaria divisa com a saudosa Piraúba, de concreto?

            - Pois ali se formaram gerações de prelados cônegos monsenhores párocos ou vigários de extensas paróquias. E eu mesmo tenho larga carreira com vasto currículo. Faculdade de muito porfiar labutar contender discutir disputar altercar e competir.

            - Quero saber se você gosta principalmente de plantas da Amazônia Legal.

            - Devidamente cuidadas transplantadas são ótimas moradoras inquilinas para jardins e canteiros e estufas, e no sul e no sudeste e no centro oeste...

            - Você compreende e sabe e prevê o período as épocas de poda de cada muda?

            - Tenho comigo que ninguém entende o meu ofício de plantar flores mais do que eu. Eu falo com elas eu as escuto e até brinco conto piadas. É típico!

            - Suponho que você tem lá o teu lado espiritual ou espírita, acertei? Engajado.

            - Sou vegetariano até debaixo d’água. E sem exagerar o brio soberba vaidade jactância altivez ufania ostentação pretensão...

            - E pode trabalhar de segunda a segunda?

            - De segunda a sábado, já que domingo é do Senhor da criação ou o Renovador dos sistemas dos programas dos elementos, centáurea-do-brasil, braço-de-mono, jacitara-de-espinho-grande, cajazeira-de-fruto-grande, rabo-de-lagarto...

            - E vamos pro céu com as belas famosas grinaldas-de-noivas, cacaus-brancos, cachos-de-mosquitos, sorveiras, jerivás...

            - Eu vou pro céu e com certeza absoluta.

            - Assim mesmo que o céu chove e promove e abençoa.

            - Faz o costume o calendário o melhor do verão. Sol que aqui é rei e presidente.

            O jardineiro o cultivador preparou dois canteiros com terra preta previamente adubada. Teve ideia de regar com regador de mão. E seguiu cuidando. De tarde trocou cambiou mudou por si só a incerta temperatura ambiente e quase choveu. Que aconteceu ontem de manhã uma terça-feira? O preparador de paisagens plantador seguiu plantando, e ouvindo:

            - De que mais gosto e aprecio nos vegetais, senhor jardineiro, é a perfeição.

            - Mas tudo depende da aclimatação: dedicação, bondade, generosidade, justiça, louvor, fidelidade, ternura, comprometimento... Tanto das abelhas-mulatas como das aves tuins-santos, patativas-do-sertão, guiraguaçuberabas...

            - Perfeição máxima e maior, superior.

            - E a paz completa universal. Me convenço.

O tempo foi passando e a paixão dele jardineiro somente aumentando aumentando rendendo respeito preito homenagem... Para explicar melhor, o incidental tratador de jardins era tímido escorregadio perspicaz. E ele nem esquecia de olhar a menina como se fosse convencer uma guloseima uma torta uma sobremesa. Até que certa tarde no recreio, de um sol bonito e atômico, a guria correu buscar a bola que escapara lá por perto junto do felizardo hortifrutigranjeiro. Eles se olharam par e dupla e parelha e foi amor à primeira vista. A guria de nome peculiar Clavija que escreve a crônica em nome da melhor amiga e colega menina Pacurina - que existe inventada a partir da narrativa da redação da fabulação da ficção.

            - Encontramos nossas melhores amigas nos lugares mais elementares da terra e do século.

sexta-feira, 2 de julho de 2021

Espaços Abertos

 

       

 

            D está olhando interessado constantemente e com razões e com certezas e com emoções bem de perto bem equilibrado bem paternal bem maternal, uma vez. Por quê? Porque pode.

            Eu estava olhando admirando e admirado, me pegou de surpresa. A menina tão galante - sem o que fazer àquela hora - foi até a linha pista do trem junto aos trilhos, mas ali em cima do barranco, e comodamente se sentou se prontificou. Escorou os cotovelos nos joelhos e as mãos segurando o queixo como uma repousada flor de marmelada-bola e ou mangaba e ou jacarezinho, dia da ioga. Olhava os trilhos de ferro que cruzavam o seu mundo conhecido diário diurnal diurno diuturno. Falavam em nomes d cidades para lá e para cá cardinais sem que conhecesse apenas de ouvir falar bem como ideias ventiladas contos fábulas lendas, Pinhal, Craíbas, Amaral Ferrador, Ibitiúra de Minas, Santa Maria da Vitória, Ataleia... Todo dia era dia de comboio, um cara especial e paquiderme, sentido poente/nascente e vice-versa. No meio da noite ele volta cruzando o clássico escuro escuridão meia-noite fantasma. O mundo era para cá e para lá. O mundo era no meio do mundo. O mundo estendia os braços como quem abraçava o mundo inteiro. Centopeia locomotiva lacraia de 300 metros puxando estranho silogismo mais que um mais de dois mais que 60 vagões e cabines e caçambas e carroças.

            De fato quando eu vendia pipocas na rua Bendengó em frente na praça 15 de Novembro diante do colégio Raquel de Queiroz, tudo ali perto arredores. A garota gazeteou aula, sozinha, cabisbaixa, chutando pedras do caminho, foi rumo dos trilhos do trem. Passando por mim já parecia que desejava ir embora para lá ou para cá e ou mais além, Quatis, Araricá, Delmiro Gouveia, Japonvar, Itabela... Ela esperou aguardou ali sozinha a hora certa do trem maquinário pesado colosso de ferro. O que ela aprendia todo dia e aprendera desde sempre era que o trem nem parava nunca no distrito de Nhandeva, e só somente apenas num caso sério emergencial grave excepcionalmente. Agora já se sabe!

            A garota via o trem passar como na hora precisa marcada. E respirava tranquila. Era sempre e desde sempre como costumava ser e sempre fora. O monstro passava ia e vinha carregado e voltava sempre para buscar mais e mais. Altos fôlegos! Todo dia diziam que era minério de ferro manganês bauxita terra preta bem negra da melhor qualidade ferruginosa. Vinha de derrubar uma montanha quilômetros a oeste e ia para uma tal e qual siderúrgica ao sul no leste a oriente ou no sudeste. Um trem tão acostumado que já sabia o que fazer e em que porto aportar. Deixava no ar um cheiro persistente de óleo queimado um fedor de suor uma grossa nuvem de poeira um rastro de som pesado violento duradouro maduro excruciante. Um gigante adulto forte um animal exótico neutro falante falando grosso atroante. Este mesmo móvel movente rasteiro ao qual me refiro.

            O conjunto ferrugento criou cria na sua rua de rodagem os espaços públicos sempre inovando entrepostos e justificando, São Desidério, Colniza, Marco, São João da Ponte... De onde você é? Entre Rios, Nossa Senhora do Livramento, Coreaú, Ilicínea... Qual a sua nacionalidade? Camacã, Brasnorte, Acopiara, Poço Fundo... Qual o seu endereço atual? Quijingue, São José dos Quatro Marcos, Brejo Santo, Carmópolis de Minas... Carregando mercadorias carregado de incentivos fiscais procuradores-gerais bichos-da-seda paraquedistas mestres-d’armas pós-datas...

            Uma noite eu estava em casa ali no pátio de casa, quando ouvi passos pela rua Ribeiro Couto. Era a tal moça do cabelo alçado e encachado. Se encaminhava mais uma vez, lentamente moderadamente pensativamente nacionalmente, para o lado proximidade dos trilhos férreos. Parecia prestes a cair uma grossa bomba-d’água em o nosso pequeno mundo um interior qualquer do país. Daí a meia hora dito e feito, com direito aos relâmpagos chicotes de fogo riscados na tela do céu... Porém o trem passou como por dentro de um forte trovão fortes trovoadas sopros de vento látegos azorragues de chuva e vento temporal. Talvez mais demônio e feroz e bonito e magnífico que nunca. A moça moderna contemporânea conterrânea, todos os que acaso andavam nas ruas sob a chuva forte de verão, ouviram o trem passar e presenciaram o céu se manifestar. Depois de uma hora e meia a moça, sem guarda-chuva sem guarda-sol sem impermeável sem chapéu sem bata, voltou andando devagar e olhando o chão pisando com delicadeza os paralelepípedos. Ainda parou no pátio para reparar as cascatas dos telhados sob a luz artificial dos postes. Quem sabe sentiu um arrepio imaginando o belo trem enfrentando heroico toda a tempestade toda a água que D mandava que D destinava que D destilava que D liquefazia...

            Beijei Patrícia na boca como merece linda amadora fofa e dengosa. Que delícia! Então, ela me pediu sorrindo que fôssemos prestigiar a passagem do trem noturno. A noite estava prometendo e carregada de estrelas pirilampos vaga-lumes e mais uma brisa suave retocada de mel e pólen vindo das árvores em geral, poconés, angélicas, marinheiros-de-folha-larga, jaranas, cipós-de-imbé, frutas-de-guariba, batãs... Tudo parecia bem como D deixara fazer e acontecer. Ouvimos o barulho da máquina ainda escondida longe no escuro o brabo motor a óleo e apressamos. Páti parou no alto do barranco e feliz e giz e imperatriz. O trem a matilha nos viu e passou assoviando falando alto cantando vantagens contando vagões, sei lá!, mais de 50 cubículos tipo casinhas de cachorro... Aplaudimos de pé, cumprimentamos, abanamos dando tchau! tchau! até logo! até a vista!... O demônio endeusado comboio de aço locomotiva puxando vagões de carga contêineres de rocha minério era nosso parente mais próximo o nosso convidado mais esperado.

            São 8h e eu tenho de ir agora, oi! Recentemente parceiramente brasileiramente, se planejou arquitetou motivou empreendeu plantar replantar árvores, angicos-jacarés, lixeirinhas, abobreiros, tapaciribas-amarelas, lençóis-de-santa-bárbara... e passagens ecológicas túneis verdes, 1 e 2 e 3 e 4... lado a lado dos trilhos, 15 e 16 e 17 e 18... sons caprichados das aves diferentes, cavalo-melado, bico-de-latão, dragão, gaúcho-chocolate, canção-de-anta, araponga-da-amazônia, japacanim, japu-preto, caldo-de-feijão... para que o trem nem seja visto como vilão nesta história comprida, 26 e 27 e 28 e 29... nem seja criticado pela poluição pelo barulho a lengalenga cantilena, 32 e 33 e 34 e 35...

            Acho que Páti mima demais o nosso cachorro. Percebi que o cão é muito adorado e faz o que bem lhe dá na telha na veneta na ideia e etc. Ele o canídeo nem era bom de matemática e com os números arábicos inteiros. Preferia música relaxante e qualquer instrumento musical de cordas. Várias vezes na Escola Estadual de Ensino Fundamental e Médio Camargo Guarnieri nem foi bem de química e física e quântica e matemática comercial e mercado financeiro e regra de três. Sempre sambava na hora dos testes dos exames e demais vestibulares. Passava o tempo de conversas com os amigos amigas na praça José Molina e pra cima pra baixo da alameda Bela Cintra com a rua Matias Aires e deste modo fazendo moda blusa gola rulê tirando troças motejos larachas chalaças. Disparado disparado o mais visto o mais vira-lata do pedaço. Nada levava a crer que teria uma situação fácil um dono ou dona atenciosa um convite para ser mascote doméstico.

            O trem que passa sozinho e quieto nem é único isolado. E todos que passam ali são muito concentrados cônscios dos seus deveres. O bicho parece um raio catastrófico. Um animal de fauna material manufaturada. Um dia 1 manhã durante meia hora, a máquina colossal estacionou ali e ficou parada parada. Estacionada dormindo esperando acomodada pensativa. Passado o tempo o momento pegou e foi embora, seguiu o seu rumo já traçado, pisando seu trilho normal cotidiano. Acho também que o motor se sentiu estranho estrangeiro migrante ali. Algo ou alguém muito simples, na verdade. Algo mecânico e viciado e domado e policiado. Tem um compromisso com a sociedade. Vi quando anotou algo alguma coisa no seu bloquinho ou agenda. Por onde passa e para onde for diga o destino a que vai, Araioses, Triunfo Potiguar, Três de Maio, Assis... Nem parece ou aparenta ser o mesmo trem multiuso oficial carreirista procurador-geral viravolta pau para toda obra arquimilionário de todas as semanas. Um trem de ferro para a existência...

            Será um trem obrigado? Um bicho obrigado escravo censurado torturado? Nunca parou ali para dizer isso aquilo e nada. Reclamar de nada. Declarar afirmar de nada. Somente foi num dia que deu uma bruta freada causa de uma vaca malhada solta que acabou atropelada que acabou atropelando. Foi sem querer foi obrigado a atropelá-la, coitada!, coitado! Depois desse episódio difícil começou preocupado a apitar mais forte andar mais devagar quando passava pela sede do arraial: fosse de dia ou de noite, carregadíssimo ou vazio, molhado ou seco, apressado ou cômodo. Nem se sabe bem por que o trem resolvera ir por esse caminho, cruzar ali no meio do nosso distrito do nosso bairro da nossa comunidade Nhandeva. Nos obrigamos de certa maneira a conviver com sua passagem diária demoníaca assustando a primavera as árvores os pássaros, juriti-gemedeira, bico-de-brasa, nhapim, xexéu, beija-flor-de-papo-branco, ferro-velho, surucuá-de-cauda-preta, fim-fim... O trabalho do trem e seus horários decididos além-mar autarquia multinacional. Passando rugindo e depois quase tudo em silêncio silencia. Eu mesmo vejo os pássaros os viventes, nhampupês, abelhas-borás, rapazinhos-carijós, queixadas, gatos-mouriscos, galinhas-de-índio, iraras, sapos-bois, chocas-do-planalto, jacus-de-barriga-castanha... os bois no pasto as pessoas nos seus afazeres o trem passa e após tudo volta ao normal. Às vezes eu sentia que a fera se parecia como tal e qual a natureza o ambiente o normal integrada na natureza. Ele detestava passar aos domingos e feriados sacros e nacionais. Sempre sério experiente e de poucas ou nenhumas perguntas e respostas monobloco autodidata anti-inflacionário cosmopolita bicampeão. Pouca opinião e nada de risotas ou galanices. Uns jargões inevitáveis e fábulas nada lacônico nem breve menos sucinto mínimo de concisão ainda sem paciência. E de muito fôlego, diga-se de passagem! Que a melhor atividade a maior aventura é viajar. E um funcionamento invejável de todo esse supracitado fenômeno organismo estrutura arcabouço finca-pé.

            É claro que nem sempre foi assim, minha gente! O trem liga regiões cidades nações capacidades ambientes querências, Chopinzinho, Carmo do Cajuru, Tanque d’Arca, Caldas Brandão... E independente de nós, o trem passa passava. Nem havia ou há qualquer ligação entre o trem e a comunidade. Quando 99,99% do minério da ex-montanha passava passaria diariamente aí sob nossos olhos acostumados. E para o dia a dia do trem, aquilo nem era problema mas sim trabalho e meta e comprometimento e hipertensão e geo-história e autobiografia.

            Minha namorada tem ganhou um dia um cão vira-lata encontrado um dia na rua Ciro dos Anjos ou que a encontrou. Ele é o oposto de um cachorro feroz e temperamental e agitado. O nome que o avô da minha namorada colocou no bicho se chama Corricho. Como eu frequento a casa ou comecei a frequentar, ele já me conhece me reconhece e vem me receber no portão. Às vezes tenho um tempinho e brinco com Corricho ali na área na varanda no pátio no jardim na sala de espera ambos sentados no sofá da sala de estar. O cachorro se sente alegre com nossas divertidas partidas de futebol e reitera as risadas gargalhadas late ri muito mostrando seus dentes preparados caninos pontiagudos, kkkkkkkk!... É um amigo que fiz na casa mais além do resto da família de humanos. Já teve uma semana que ele desapareceu saiu de casa e ficou duas semanas sumido. Voltou como se nada e mais magro e mais humilde mais dependente. Também mais assustado e atencioso e enigmático. Dizem discutem que fora visto pra uns lugares tantas províncias deste mundo grande, Biritiba Mirim, Leme, Salesópolis, Guararema, pico da Pedra em Camboriú, parque de Taiamã, parque das Esculturas em Brusque... Eu nem acredito, já que a distância é enorme e desvantajosa para quem nem tem carro próprio. Tenho a certeza que foi procurar outra coisa que fazer e acho que nem encontrou o que pensava encontrar. Mas o quê? Será que visitou sua cidade natal? Andou muito de trem? Pediu carona? Foi pedir arrego em alguma parte desconectada da internete? Acho mesmo que no verão que vem pensa ir às praias e ilhas de Paraty ou Trancoso em Porto Seguro.

            Faz tempo alguns anos que ainda ouvimos o trem passar e repassar. O que você está fazendo aí? E nós levantamos todas as manhãs preparados esperando ouvir passar o trem. Que nos explica como circula como capitaliza como estuda a humanidade como lubrifica os ossos. É como se o mundo fosse confirmar. Disposto conselheiro consultor orientador. Por que mudaríamos daqui? Como cruza e descruza pela ponte do rio Sararé. Por que trocaríamos isto? Estamos no meio do mundo. Estamos até mais agradáveis que nunca, pois hoje em dia já temos tevê a cabo e satélites artificiais e 5g e parabólicas. Bem no meio do mundo dividindo tudo o mar do continente a floresta do árido o nacional do exterior o meio ambiente do agronegócio. É mesmo assim. E por que morar em tal lugar, Colônia Leopoldina, Alcantil, Medina, Laranjeiras do Sul... Sim, sim, se pode! Um pé no acelerador de partículas e outro na economia poupança parcimônia comedimento temperança moderação sobriedade controle de gastos.

            É um muito demais de locomotiva de trem passagem sonora puxando os seus associados vagões coletivos alcateia bagagem tertúlia elenco hoste fauna tropilha cáfila repertório xiloteca chorrilho milênio... Agora e antes sempre funcional mobilizado e que sabe o roteiro o teatro. É preciso ver passar ouvir passar de bandeja de travessa de tabuleiro. Isso o completa como trem como locomotiva como réptil. Algo acontece por lá por aqui ainda ali. A carga sob controle atrelada aos seus apetrechos em comboio confraria bando caravana plêiade maquinaria pente grei boiada legião... A vila Nhandeva trabalha o dia todo, dorme à noite. Negocia o quê, investe o quê, compra e vende o quê? O que você está fazendo aqui? É uma história comprida carregada de novelas sem o fim e do jeito dele deles. Quem está estava estará por trás dos seus atos dos seus feitos dos seus patrimônios líquidos materiais rebocando acorrentando réstia batalhão cartuchame cordame renque leva miríade cordoalha...

            Este animalão de aço toma café da manhã em o Paço do Lumiar, Arês, Vera Cruz, Ferraz Vasconcelos... Um trem um mamífero peçonhento e feliz que andava anda deslizando ligeirinho rasteiro e na superfície sem altos e baixos. Assim mesmo o motorzão se comportando durante o dia a noite a semana o ano. Há sempre um cenário e um ensaio a cada dia. Bicho de ferro que existe em todos os rincões e países e hemisférios. Quer dizer, mais ou menos! Durante meses e meses trabalhando muito de sol a sol. Na subida na descida espantando o voo dos pássaros, catinga-de-cachorro, marreca-pé-na-bunda, coró-coró, maria-faceira, inhambu-preto, tovaca-campainha, araponga-do-horto... E absolutamente rápido e mais rápido bem apressado resfolegante hedonista.

            O próprio cão e sozinho encontrou o caminho de volta de casa longe após 14 quinze dias mais além de se extraviar se perder. Pois na verdade o cão Corricho fora à praia pegar um sol e veranear com seus amigos amigas canzoada cainçalha do bairro da zona da rua Herberto Sales. Era começo promissor de verão final de ano época de fartura de festas e carnaval batucada na lata. Ali por perto de serra dos Caiapós em a confluência das localidades de Alto Taquari e Costa Rica e Santa Rita do Araguaia e Mineiros, rio Sucuriú, cachoeira Salto Majestoso... Até para se sustentarem em a praia e por tantos dias, eles amigos(as) pegaram serviço num restaurante à beira-mar cujas especialidades da casa eram as variedades de peixes e camarões cozinhados cozidos fritos assados e de todo jeito sempre com acompanhamentos esquisitos.

            Eu já sou proprietário de uma pequena lancheria ali apegada aos trilhos do trem. Por quê? Porque eu posso. Combinamos nos encontrar depois do expediente e ela Páti prometeu vir me ver: com emoção com fé com ternura com disponibilidade com heterorrelação... No programa do dia do nosso momento juntinhos: ‘ver o trem passar’. É a atração da vila Nhandeva. Mais que isso apenas todos os pássaros incidentais cantores exemplares, gaturamos-de-bico-grosso, cavalarias, biguatingas, saudades, rabos-brancos-de-barriga-fulva, bicudos, beija-flores-tesouras-verdes, baguaris... Portanto esperei e esperei, dei razão ao relógio, me preocupei, nem dei razão a nada, perguntei ao celular, perambulei andei e o trem passou sem ela vir me resgatar. Se atrasou perdeu o horário esqueceu de mim? Nesse mesmo meio tempo começou a cair uma chuva insistente intermitente. O trem ultrapassou carregado produtivo rentável lucrativo proveitoso vantajoso útil profícuo frutífero satisfatório progressista... Ao menos para mim e do meu ponto de vista, passou sem graça sobre os trilhos molhados e se foi. Sacudindo as plantas no seu vaivém de viajante, utuapocas, uvas-do-rio-apa, rabos-de-lagarto, diambaranas, imburanas-de-cheiro... No outro dia perguntei a causa e o que tinha acontecido.

            Perguntávamos um a outra se sairíamos dali de trem ou de carro de ônibus... Se iríamos viajar de trem de avião de barco de carona... Era melhor e ríamos como dois aventureiros mochileiros. O trem sempre no seu passo frenético maneiras de bater ferros um biriba saído do interior do B. E muito macro e animal sem palavras engrolando grunhindo. Ao mesmo tempo que o centro de interesse da nossa vila. Falando alto e seus protocolos sua catarse idiossincrasias. Trem de ferro e de coração. Ainda conhecido no mundo inteiro, Areia de Baraúnas, Passo de Camaragibe, Arcos, Palotina... Completo de realizações concretizações feitos proezas sucessos consecuções façanhas consumações. Por quê? Porque ele pode e nem deve nada a ninguém. Porque é proprietário de ferrovia de 6 mil km e um porto em Ilhéus para nutrir.

            Ali mesmo no restaurante onde o cão trabalhava já de cara conheceu uma cadela fofa (quiçá descendente de uma e um cachorro-do-mato-vinagre) de nome Obra-Prima que vinha almoçar todo santo dia. E cruzaram os mesmos olhares insinuantes significativos. E começaram a sair de noite pela noite malandramente jovialmente. Lado a lado como convém a um casal e par. E passear pela praia De Cima (Pinheira). Durante a madrugada olhando o mar as estrelas os signos do zodíaco. Parando aqui e ali para uma cheirada uma esfregada uma e duas lambidas. Alguns uivos latidos ganidos e curtidas roladas dançadas na areia branca. E muito au-au-au!... De mais interagindo e brincando. Moravam e passavam as noites chuvosas dentro de um carro alugado estacionado num terreno baldio da isolada rua Viana Moog. Despertando acordando antes das 5h em meio ao bucólico ambiente cantante aromatizante, iraúna-de-bico-branco, goiabeira-brava, rapazinho-do-sertão, imbé-de-comer, carão, tempera-viola, olho-de-gato, gente-de-fora-vem, berici, pai-avô, marmelada-de-espinho, cambada-de-chaves...

            O trem já era rico naquela altura e hoje nem se fala. Por isto e aquilo passa sem deixar rastros sem mais cumprimentos e salamaleques. Nem fingir que nem quer nada de nós e com a gente daqui. E é isso que o trem nem tem o que dizer. Ao mesmo tempo que passa aí e nos é indiferente. Nos ignora sem precisar de nossa ajuda. Nem se interrompe por nada, incrível! O trem pode passar pela eternidade e além, caso ele mesmo queira. Se pegarmos o trem podemos reconhecer pelo caminho durante o trajeto, Aroazes, João Neiva, Campo Erê, Arraias, Canindé de São Francisco... E por quê? Sim, porque se pode.

             E esses lugares e sítios que passa o trem agora de tardezinha a serra das Araras. São municípios são distritos são fazendas cidades endereços pontos marcados no mapa pontos de vista, Tomar do Geru, Colinas do Tocantins, Abelardo Luz, Iúna, Gilbués... Como teria escolhido este caminho fura-bolo? E estes trilhos e bitolas? Trabalha muito trabalhou pesado e assunto resolvido expediente encerrado. Sem dúvidas deixando uma coisa lá por outra de cá. Quando nem mais ou menos as coisas mudam e mudaram pouco desde então. Mas nós da vila Nhandeva nos sentimos bem com tudo. E o comportamento é individual.

             

terça-feira, 15 de junho de 2021

Eu Gosto do Clima Quente de Verão

 

            

 

            Mantenho o exemplo exemplar a seguir de evolução revolução revelação. Uma paisagem bem-nascida elevada é uma invenção de cartão-postal congressista fenomenal agridoce. Que nem tanto se mexe que nem tanto tem frio ou calor, nem vento ou sufoco, com musica funcional ou ativa e ambiental. Que assim nem altera horários nem falta comida sono e o mais por diante. Pássaros supertalentosos ricos cantores que nem param de falar e coletores de insetos frutinhas, anus-corocas, pica-paus-do-campo, pombões, perdizes e perdigões, gavião-pega-macaco, fevereiros, surucuás-variados, freirinhas, crispins... Conjuração de fatores conjugação de artigos mais as trocas e baldrocas ou berliques e berloques. E muito bem sem querer exagerar já porém mundial.

            Em verdade onde se caminha se passeia se pedala aos domingos e feriados, eu mesmo começo a passar pela rua larga avenida Eliseu Visconti e paro um instante de nada na ilha ou canteiro do meio e atravesso por completo em toda a extensão da zebra, praça João Antônio Guaraciaba, parque do Cocó, lago Itarim, porto de Santana do Tapará em Monte Alegre, Japeri, Nossa Senhora da Glória, Otacílio Costa, Água Santa, Porto da Folha, Tacima, Ipê... Vejo que nem falta mais nada, pássaros peixe-frito-pavonino sons estalos estalidos musicais arpejos choca-da-mata partituras escalas naipes codas de composições sinfônicas capitão-de-saíra e cigarras estourando de cantar abelhas jataís-da-terra zumbindo ziziando zinindo...

            O sol nasceu cedo madrugou esta manhã. E sem nuvens um pouco de orvalho sobre os vegetais e muitas associações cooperativas de falantes crepitantes mudando de lugar na paisagem vigorosos palradores sorridentes animados, udus-de-coroa-azul, surucuás-de-barriga-vermelha, pica-paus-de-topete-vermelho, pipiras-da-taoca, carcará-preto, marias-cavaleiras, periquitos-de-encontros-amarelos, beija-flores-de-orelha-violeta, paturis... Também acordei 4h e meia e presenciei o dia em início de carreira de temporada de verão janeiro desplumado ou desplumando. Tento entender tudo e o todo é muito complexo passageiro peregrino raro neoliberal.

            Veja Peri e Ceci no paraíso e desnudos já se igualando aos animais tatus-canastras raposas-do-campo e bichos vertebrados e invertebrados patos-corredores patos-mergulhões irerês marrecas-oveiras arrabios (estes estas com membranas interdigitais) desfrutando aproveitando do beirão da lagoa do Paru... Ele um passo à frente escolhendo caminho, ela menor e perto e quieta. E os dois passeando sem nada que desfazer aparecendo na praia outrora sem nome de Co-pa-ca-ba-na... Quando ele bem entender e quiser ele estende a mão e ela engancha. Quando ela está sozinha ela se manifesta de alguma forma e sem palavras puxa empurra e ele olha pra trás e para aguarda espera atende protege segura... Eles param descansar quando ele cansa se protegendo do sol sob o guarda-sol da candeia do pereiro da camajondura da mongubeira do jasmim-do-mato... O assunto o porquê o tema só Tupã que sabe e ou motiva com sua dose de diário:

            - Vamos reparar. O mar-oceano está sempre aí e regurgitando.

            - Isso é bom ou ruim, meu bem querer?

            - Porque na verdade temos 3 planetas: o ar a água a terra.

            - Por que temos três?

            Neste momento ele vê uma grande pedra lá na frente junto da praia e sugere indica:

            - Vamos até aquela pedrona que quero ver se vejo uma baleia com seu filhote. Parece que é época de baleias-corcundas andar amamentando aqui mesmo no litoral na costa.

            - As baleias são legais, é.

            - Elas navegam numa área de pouco mar revolto. Com filhotes acachapantes.

            - Descansando e veraneando, mamíferas...

            E foram andando até a pedra em a areia branca da praia. De um lado pro outro levou meia-hora. Lancharam araticuns-dos-grandes. Já podiam se demorar e perder tempo passatempo observando o infinito a imensidão. Acho que nem sabiam demorar ou se apressar. Ele olhou a própria sombra e a comparou com a sombra da mulher que o seguia. Olhou as sombras quase lado a lado. Viu o sol e nem lhe veio palavras que pudesse entender descrever. Estava disposto a chegar em a pedra e chegou. Ela seguia atrás e acompanhando. A mulher muito sensual de boa silhueta e faceira e escorregadia em nu frontal. Existiam pelo lugar amplo aberto andando ou nem andando. Acabaram nem fazendo mais nada por 2 horas e tanto sol calor vento inconstante contrário de encontro aos longos cabelos peles tostadas curtidas bronzeadas acobreadas...

            Ali sobre a larga pedra já encontraram um bando de aves marinhas com forte preocupação alimentícia e ou familiar. Alguns pássaros aves pilotos-brancos ou atobás-mascarados andorinhas-do-mar-pretas gaivotas fragatas grazinas ou rabos-de-palha... vieram conhecê-los reconhecê-los.

            - Parecem meio perigosas famintas famélicas, oi?!

            Peri sentou na pedra e ficou escutando tudo em volta. O mar e outras coisas, conquista e realização e descoberta. Ela sentou do lado, as mãos segurando os joelhos. E igual um cão perto sem perder de vista o seu dono e senhor e proprietário e guia. Ele ficou observando o vasto e profundo conteúdo de oceano, a profissão e a carreira, o futuro e o porvir, os projetos e objetivos, o agronegócio a infraestrutura a logística...

            O mar aparecia mexido porém em ordem e tranquilo líquido dono de si. Nem chovia há uma semana. Nem choveria tão cedo ou por uma semana mais. O mar estava alto embalado algo dentro do azul-marinho. Também cristalino sob os raios fúlgidos. E parecia vizinho do céu mesmo lá longe, certo, seguro, convencido, confiante, convicto, ciente, consciente... O oceano no dia após dia e tudo que pudesse recordar e comum e normal e presente. Um absurdo! Um portento!

            - Se eu fosse navegar até aquela ilha Grande fazer a trilha até o pico da Pedra d’Água...

            - Um peixe uma ave marinha excepcionalmente um atobá-marrom...

            - Nadar como peixe entre nós mesmos os peixes em cardume...

            - Abrir bem as nadadeiras as álulas os braços, assim!...

            Já os dois se concentravam ali aqui nisso naquilo. Nem cansavam de olhar o enorme mar verde azul esverdeado azul-marinho. Às vezes tudo outras nem tanto assim lhes chamava a atenção. De repente uma ave talentosa outras aves em bando e barulhentas insistentes exagerando entre o mar revolto escarcéu vagalhões vagas... Além das aves marinhas outros alados de terra firme arborícolas se transportavam do continente às ilhas e vice-versa, coleirinhos, tico-ticos-de-bico-amarelo, gavião-caboclo, gansos-do-orinoco, tujus, chimango, tempos-secos...

            - O que vai ser hoje... Eu nem planejei nada. Vamos aguardar e ver ou rever.

            - Sempre o que fazer acontece...

O casal fazia aniversário no mesmo dia e praticamente mesma hora h local. Comer e degustar uma série sequência das de frutinhas da pitangueira da jabuticabeira da goiabeira-do-mato do araçazeiro da ameixeira-da-mata da grumixameira... É um ambiente social civil, porém cada um cada qual está num lugar e depende do que faz e veio fazer.

            Se o mar fosse um vasto território inexplorado perigoso misterioso deserto de seres humanos... Acho que o mar vem de algum lugar da imaginação dos deuses e deusas. Por que o mar nem diz nada? Se escuta barulho nas pedras mas isso é sempre a mesma coisa e nem entendo. Somos todos excessivamente quadrados. Somos todos de pés no chão e ideias nas nuvens.

            Ele Peri cheirava o mar igual mesmo idêntico um cão. Ela Ceci cheirava o mar igual uma cadela. Nem tinham filhotes, ainda. Os tais e quais filhotinhos, em ninhada ou escadinha, viriam viriam e às pencas. As narinas abriam e fechavam como ventosas. E agora os dois estavam pensando no grande mar desconhecido e suspeito e enigmático. E pensavam ainda ver os fantasmas os seres subaquáticos os tubarões-vitamínicos moluscos crustáceos peixes-espadas decretos-leis postas-restantes abóboras-meninas sem-cerimônias pró-sindicatos tele-entregas...

            - Será que o rio São Francisco é caminho de volta do mar?

            - Parece ser. Sim, essa é boa e muito boa!

            - Eu acho que o rio alimenta o mar ou o mar alimenta o rio, é.

            - Porém o rio é doce e o mar é salgado, oi!

            De repente ele sentiu o sol forte e mudaram para debaixo de umas árvores frondosas. Vinte metros mais pra lá da pedra. Sentou no chão e ela fez o mesmo. Podiam brincar na areia, se quisessem. Seria bom correr na areia fofa, se fosse mais cedo.

            - As ondas vêm todas às vezes até a areia... É impressionante. O mar nem para.

            - Parece que é o vento que as empurra... E a maré, também.

            - Eu quisera andar sobre o mar e ir até lá longe e conhecer a entrada do céu o portal celeste. Deve de ser no fim do mundo... ou no princípio do planeta... Ir e vir democraticamente.

            - E mesmo assim muito fundo...

            Acho que havia um mundo atrás de novidades à procura e com necessidade de criatividade. O dia muito quente muito tope muito claro muito abafado muito autônomo. O mar as ondas e seu fremir marulho constante a mesma ideia sem fim. Assim estava a verdade e a vida. Bandos de periquitos-ricos buscando as ilhas do Atlântico as áreas dos manjares. Sobre as cabeças dos rebaixados bípedes cruzavam os céus bandos de papagaios-dos-garbes, papagaios-moleiros, papagaios-chauás, papagaios-do-mague, papagaios-diademas, araras-canindés, papagaios-de-bochecha-azul, urubus-de-cabeça-preta gavião-de-anta...

            O próprio Peri estava quieto e pensativo impressionado filosofando. Ceci olhava o mar todo chegando chegando o mesmo de sempre decente clemente. E eu queria saber se tudo isso era certo ou errado. Se tudo estava acontecendo ou pura minha imaginação. De fato completo tudo ou com exceções. Criado ou inventado, arte ou ofício, bem-criado ou couve-flor, monomotor ou bipolar...

            Sim, a dupla o casal era dali mesmo da redondeza Muitos Capões ou Campestre da Serra ou Mato Castelhano e de toda a sorte lá deles. Conheciam o lugar como a palma da mão. Vinham à praia todos os dias. Vinham se banhar e olhar o infinito. Se portavam como autóctones aborígenes silvícolas naturais do lugar filhos dos paracatejê-gavião dos timbira dos curuaia dos juruna dos xocó, como exemplos bem atuais.

            Era exatamente o que ocorria sorteava no mundo aí naquele exato momento. Os limites eram e pareciam superados insuperáveis insubstituíveis sofisticados sucessivos substituíveis. O mundo as ideias da natureza o sol refratário sobre tudo pareciam inevitáveis que nem podiam deixar de estar assim. Complô de bichos nem pareciam estar ali dando o ar da graça do destino, tatu-de-quinze-quilos, gavião-de-cauda-curta, pé-vermelho, anambé-de-máscara-negra, paulo-pires, macuquinho, águia-serrana, tucano-de-bico-preto, mãe-da-lua, carrapateiro...

            - Estou ocupado por hoje e isto já é muito.

            - Meus pés doem...

            - Vou me ocupar e pelo dia todo, uma vez.

            - E sem pular uma hora, sequer.

            Volta e meia e Peri achou um pedaço de embira cordinha assim mesmo jogada esquecida ali no chão. Parecia alguma coisa de utilidade necessária e útil. Nem pensou duas vezes decidiu rápido e carregou consigo. Passou o tempo depois de uma hora ou pouco menos. Ali teve a ideia de enrolar uma ponta na própria cintura e a outra na cintura da mulher. Pronto, a história da ligação. Agora nem mais se perderiam se desprenderiam um da outra. Para onde ele ia ela seguia junto e bem de perto, obrigatoriamente. E sempre um perto da outra, convenientemente. Como casais de araras-vermelhas-grandes, pica-paus-do-campo, gralhas-cancãs, beija-flores-de-garganta-marrom, trovoadas-de-bertoni, tietingas, frangos-d’água, jaçanãs...

            - O mar e a hora me dão muito sono. Depois o dia e a tarde já estão muito quentes acompanhados todos de sol forte. Porém, e também, a preguiça é boa. Cai bem, vai e vem.

            - Ahãaaa!...

            Um macaco veio puxar o cabelo de Ceci e ela se assustou e Peri riu. Ele riu mesmo muito com satisfação suficientemente alcançada. Vez ou outra, muito de vez em quando, riam juntos como faziam rir os namorados aprendizes de gente ou o casal de papa-arrozes-de-barriga-branca, maitacas-pardas, curicacas-de-pescoço-branco, corujas-orelhudas, quiriquiris... Assim que ele achava engraçado ela também se contorcia de dar risadas. Peri achou engraçado certas coisas diferentes opostas estranhas. Ela se irritou se assustou com o macaco, pronto ele achou superengraçado. E pensando bem, ela se sentiu ainda mais próxima dele parceiro e mais feliz. Riram muito e com algo em comum. E ele riu mais franco e solto gargalhando superando em muito o riso surpreso contrafeito dela. Um cascalhar que foi imitado e acompanhado pelo piar de maritacas-de-cabeça-azul trilar de sabiás-barrancos palrar de papagaios-campeiros trissar de surucuás-de-barriga-vermelha...

            Quando ele acordou da sesta já sentiu a fome apertar o estômago. Pensou rápido, nem pensou duas vezes. Se levantou e foram até o cajueiro carregado de cajus. Os frutos vermelhos e ou amarelos davam água na boca. Ele desatou a corda da cintura e subiu na árvore. Árvore baixa carregada de frutas tronco robusto galhos retorcidos longos.

            Sol distante morador das alturas impensadas sujeito genial rico ensolarado gigante soberano filho único... Era um jogo nem era um jogo... Quem começou...

            Peri, filho único, jogou algumas frutas no chão. Ela, filha única, pegou recolheu colheu e amontoou. Ele jogou mais e daí sempre desceu. Ceci havia recoletado já toda a carga. Comeram até fartar. Ali mesmo cansaram e deitaram no chão na sombra sobre as folhas secas e ervas os juás-amarelos para mais um cochilo merecido. E nuvens iam e vinham de mudar de lugar de direção sentido cores viajando pelo espaço sideral sensações térmicas cambiantes. De meia em meia hora tudo mudava alterava se transformava alternava. Tudo muito ao mesmo tempo.

            O dia inspirava normal tranquilidade e Peri mais Ceci nem tinham outro compromisso outra coisa a fazer naquela hora. E nem ele pensava muito e nem pensavam muito. Sentia frio ou calor e sentiam frio e calor. Realizavam o que dava na telha.

            Meia-hora depois ele acordou com aquela vontade de ir pra cima dela. Pegou ela de supetão e mais ou menos desprevenida perseguida requisitada de repentemente. No começo ela tentou escapar se fazer de difícil tentou dissimular, miou, miou... Mas daí um minuto ela também gostava encantada preferia escolhida e se enrolaram rolaram ambos na areia seca. Acho e me parece que isso os uniu de tal e qual forma e muito.

            - Nem sei o que se passa comigo, às vezes.

            - Eu também mudo de ideia e de repente...

            Ele respirou fundo e se sentiu se achou muito bem sucedido lá com sua batuta, enquanto ela se achou se encontrou se viu muito entusiasmada revigorada revisitada revirada. Um instante de nada e pronto. Complô de aves engraçadas se rindo às bandeiras despregadas presentes onipresentes o capitão-de-bigode a biquinho-de-sabonete o tangará-dançador o papa-taoca-do-sul o gavião-tesoura a corujinha-do-mato a marreca-rabo-de-espinho o sem-fim o pica-pau-anão-escamado...

            Justamente sempre haviam se conhecido e nasceram no mesmo grotão no mesmo instante no mesmo lote de barro amassado. E eram moços magros cheios de fé e esperança e graça, paradigmas modelos padrões. Rugiram como bichos do mato patuleia faz de conta escumalha deus nos acuda gatos-do-mato viravolta conscritos batiam asas como os já aprendizes arapaçus-grandes barranqueiros-de-olho-branco tamatiás seriemas pica-paus-do-parnaíba gaviões-peneiras...

            - Estou me sentindo bem. Eu me vejo bem e sem dúvidas. Eu estou bem igual um deus.

            - Se você se sente bem eu também estou bem e me sinto perfeitamente bem, veja!

            Peri gostava de tudo aquilo. Gostou de tudo aquilo o mundo o céu o mar a floresta... E minha sensação é boa também embora igual a hoje mesmo ainda nem sei de onde ou por que partiu tudo isto. O mundo é uma encomenda, me pergunto. Quem tirou como tirou isto tudo da cartola da manga da camisa. Embora, embora isto pareça coisa muito de longa data e pra lá de resolvida.

            - Tenho muito trabalho para resolver. Tenho muito trabalho para fazer e desfazer. E de uma hora pra outra, entende?!

            - É o destino, nem?!

            Setembro outubro novembro... iam se desfazendo entrando e saindo a melhor seiva da floresta dos bichos terrestres dos bichos aéreos dos bichos aquáticos... Havia festa nas árvores respeito subserviência atenção cordialidade reverência... Havia uma porção significativa de pássaros confabulando ricocheteando se esbaldando, tizius, rapazinhos, saís-andorinhas, borralharas, sanãs-pardas, choquinhas-carijós, anus-brancos, arapongas, tico-ticos-reis... Aves e bichos de todos os tamanhos se dirigiam ao açude natural e mais próximo e depois do desjejum matinal saboroso juçaras gabirobas uvaias cerejas-do-mato pitangatubas cambucis umbus...

Foi ali na época que um dia ele Peri acordou e viu ela Ceci do seu lado grinalda de flores na cabeça e se gostaram. Claro que ele gostou primeiro. Ele convidou e ela o seguiu. Se acostumaram com as idas e vindas. Iam até o mar e voltavam mais por perto da tardezinha. O mato a praia o mar. Passar o dia perto do mar e a noite no mato protegidos na caverna ou no alto da árvore jirau. E faz um tempinho que é assim e vem acontecendo.

- Hoje é um dia forte e decidido... Que que eu tenho em mente?

- Passear de mãos dadas...

- Também decidir alguma coisa. Me reinventar ou inventar alguma coisa...

- Um passeio pela beira-mar, um ex.

- Cada árvore no seu lugar, cada bicho no seu habitat, rorocorés, almas-de-tapuio, jaburus, tamanduá-bandeira, lebre, açuçuapara, tucanaboia...

            - Isto me encanta, sabia?!

Havia mais outras tantas coisas aí, lugares já demarcados, que eu reitero: Mesquita, Laranjal do Jari, aldeia dos tradicionais xucuru, Vila Lângaro, distrito de Capão Redondo em SP, Passa e Fica, Trombudo Central, Gararu... Pois havia bichos diferentes diversos pacas lobos-guarás lontras jacarés-açus... Eu mesmo conhecia pássaros de ver no urbano no rural e andando empoleirados voando sobrevoando, saíra-militar, maria-leque-do-sudeste, patativa-tropeira, falcão-de-coleira, arara-azul-de-lear, rabo-branco-acanelado, suiriri-cavaleiro, acauã, bem-te-vi-rajado...

            No meio da estrada do atalho da trilha encontraram aqueles miquinhos e tão engraçadinhos. Um dos macaquinhos seguiu o casal e Ceci o adotou. A mãe do bichinho tentou resgatá-lo porém o mascote xerimbabo foi categórico em escolher os novos patrões e donos. Pequeno fofo comunicativo engraçado cheio de grimaças trejeitos caretas palhaçadas macaquices peraltices. E o mumbavo nem esqueceu mais do cheiro da mulher do carinho também.

            - Já o bichinho me prefere a mim...

            Um dia começaram uma nova ideia uma nova situação um novo horizonte, vamos dizer assim. E eles iam até o mar e depois se alongavam em caminhadas pela orla. Iam longe e voltavam a tempo de dormir no mesmo lugar debaixo da mesma palhoça. No caminho de ida e volta encontravam novos pontos de vista outras árvores outras pedras outros morrinhos de sambaquis outras oportunidades outros seres convivendo, saíra-lagarta, maracanã-do-buriti, papagaio-de-cara-roxa, uiraçu-falso, águia-solitária, japuaçu, urubu-de-cabeça-amarela... Era tão tudo diferente e único que nem podiam reclamar. As coisas acontecendo independentemente. E associadas de maneira permanente como que enredadas enoveladas enleadas.

            - Pra começar bem, o mundo está com sorte. Está empreendedor. Veja os papagaios-da-várzea, as marrecas-toucinho, o falcão-de-peito-laranja, as capororocas, os chopins-do-brejo, os tuins... e apenas para citar os lembrados os mais famosos os comuns. Parece que reconhecem tudo isto como a palma da mão da pata lá deles. E se comunicam na linguagem deles pois com o resto das espécies tipos classes.

            - E tudo se encaminha de modo sério.

            - Quando o tempo resolve e se resolve...

            - O dia a dia...

            - De onde vem tanto sol e tanta lua e tantos mundos e fundos? Será o pé da cobra?

            - Literal, meu amigo!

            O mascote estava presente e até procurava interagir com os donos o pessoal da nova adotiva família. E atendia como um dependente um filhote exigente buliçoso desastrado destrambelhado. Totalmente ligado preso a Ceci pela comida pelo odor pela amizade pela conversa pelo cafuné. Para orientá-lo melhor ela começou a chamá-lo de Totó. Ceci disse pro amorzinho dela já empoleirado no seu braço esquerdo:

            - Você é meu, Totó!

            - Tcheste, tcheste!... - Totó imediatamente respondeu no seu idioma intraduzível rudimentar guinchado tartamudeado fremido.

            Totó subia se agarrando na perna de Ceci se enganchando no braço a cauda preênsil ao redor do pescoço. Vamos e venhamos, muito aclimatado ao corpo suave majestoso vertical da mulher.

            - Sou a sua mamãe e você Totó é meu filhinho, hein?!

            - Tcheste, tcheste!... - e ele Totó olhava xodó com muitos olhos abertos esbugalhados.

            Chegaram na entrada ou saída do rio Aquidauana. Delta do rio e que ali se transformava em pântano. Do alto da montanha (e desde a localidade de Monte Alegre de Sergipe) vinha chegando o rio e todo falante galopante se comportando zanzando riscando zona da mata. E mais a mata verde primitiva necessária organizada em vegetais originais vegetação, guaximas, beijos-do-mato, jatobás-pequenos, coaxixás, araribás-amarelas, ingapebas, gabirobeiras... Por dentro dela zona arbustiva serpenteava destilava vazava escorregava corria o já citado rio. De mais longo curso do alto e sempre e perene e perpétuo. Continuamente e constantemente do começo ao final como idêntico um destino um rio. Será que o rio faz fazendo o caminho de volta? E funcionavam funciona tudo muito profissional. Eu diria que o rio qualquer rio é a coisa mais engraçada da natureza, é. Porque o rio invade a paisagem.

            - Sim, como é interessante magnífico e único.

            - Nem qué?! O rio inteiro e magistral...

            - E pegando de onde sai para onde vai...

            - Demora mas chega em tempo récorde...

            Muito interesse por parte de Peri sobre tudo pelo mesmo rio e mais a parte da mata coberta de vegetação fechada densa misturada. Mato aglomerado compacto cheio de gritos cantos assobios jorros de palavras formas progressões dinâmicas sentidos mistérios e necessidades. Sentia que um dia teria que entrar aí e subir até o alto do morro. Confusão misto de espécies botânicas confrarias irmandades congregações associações. Chegaria o dia que subiria o rio até a montanha do Baú. Os alados e a sequência antinomia de sons cantares chorrilhos melômanos musicomaníacos. Classificados separados por espécies grifados sublinhados marcados assinalados, inhambuguaçus, martins-pescadores-verdes, beija-flor-de-fronte-violeta, periquitões-maracanãs, garças-brancas-pequenas, gavião-de-rabo-branco, anus-pretos, asas-brancas, corocoxós, urus, ananaís... Muitas árvores e sons clichês de pássaros simplesmente estavam aí e acontecendo se exibindo e barítonos tenores e sopranos contraltos, batuqueiro, tesoura-do-brejo, caburé, joão-bobo, pula-pula, frango-d’água-azul, gavião-belo, barbudo-rajado, apitau, cisne-de-pescoço-negro... Um tumulto uma confusão um parlamento e que a ninguém era indiferente.

            Era só isso tudo que estava à frente e por diante. E uma série de coisas acontecimentos tudo ao mesmo tempo: buscar e comprar, pegar ou comprar e pagar. De repente a paz, de súbito um animal se mexendo escarafunchando correndo voando, fogo-apagou, príncipe, ararajuba, udu, benedito-testa-amarela, miudinho, papagaio-charão... Uns peixes mergulhados uns tracajás descansando na ponta das pedras bando de camarões-d’água-doce pitus potis conduzidos pelo rio...

            - Te dê conta! Vou pescar no estilo xeripana, é.

            - Que é isso?

            Se aproximaram da água e as caras imagens no espelho do poço... Era estava bom tudo isso e aquilo. A hora do dia e o resto do tempo foram saíram o mesmo a mesma coisa dos outros dias e muito bom. Hoje na hora marcada.

            - Eu vou lá encima amanhã mesmo - ele disse e jurou apontando o céu a montanha. Deve ser fácil e nada difícil. Se os papagaios-de-peito-roxo podem conviver ali em algazarra na muvuca eu também posso. Nem abro mão da minha liberdade.

            - Posso ir junto contigo?

            - Vamos comendo e desfrutando do que a floresta nos permite nos brinda e nos presenteia...

            - A paisagem deve de ser deslumbrante e lendária...

            Vinham e saíam buscavam ali na areia os caranguejos e todos muito cuidadosos elétricos espertos rápidos e rasteiros. Vinham pequenos e assustadiços pela areia. Eram muitos e de ficar admirado da quantidade. Era espantoso e de ficar olhando. Era um entrar e sair dos seus esconderijos individuais casinhas buraquinhos os tais e quais caranguejos siris-chitas sirimirins chama-marés xiés vem-cá...

            - Eles sempre ficam tão em pânico e ansiosos... Olha, olha!...

            Depois, e conforme o passo, iam superando os obstáculos e subindo pelo meio do mato. Por um tipo de janela entre os ramos e as copas das árvores viam o topo da montanha. E prosseguiam. E alertavam as coruíras os peixes-fritos-verdadeiros os corocoturus os sanhaços-frades...

            - Tô ouvindo uns chocalhos outros xuatês, aí... Deve de ser cobras peçonhentas...

            - Cuidado com onde se pisa!...           

            Chegaram no topo no alto no tope mesmo. Olharam tudo e os 360° os 365 dias a rosa dos ventos e o que for. O sol pairando no ar e soberano imperador rei deus-criador e quase nem mantinha o equilíbrio. E descobriram umas vistas espetaculares como nunca com a idade de sempre. Após ficaram tranquilos, os namorados. E o panorama estava ali para admirar, adiar as horas e os dias. Favoráveis ao vento, contra o tempo. Conversas secretas ró-rós de passaredo alados, corocoxós, urutau, pintassilgos, saís-canários, curutiés, gavião-caramujeiro, rolinhas-roxas, sovi, murucututus-de-barriga-amarela... Paisagem agora possível. Paisagem ao alcance da mão. Panorama idílico e de verdes contrastando com azuis com brilhantes com cintilantes...

            - É primeira experiência real do surreal e extraordinário.

            - E tanto que é!

            - Pra onde vai todo este mistério deslumbrante e acaso, causa e consequência? Conforme o dia e a hora... Desnecessário ou tão necessário? Prático e incomum.

            - As coisas nem parecem ter dono e senhor D e senhor do universo...

            Já às quinze para as onze o casal ficou imóvel invisível impermeável e observando a natureza. Adoraram todos os outros animais árvores nuvens o sol o mar com o céu dossel. Quase nada se alterava. Acharam melhor ficar quietos interessados curiosos conhecendo reconhecendo. Os animais barulhentos se alternavam se alteravam camuflados e uma choldraboldra e umas artimanhas, jupará, águia-cinzenta, tatu-peba, polícia-inglesa, tangarazinho, dorminhoco, mão-pelada, bacurau-da-telha, anhuma, formigueiro-da-cabeça-negra, uirapuru-laranja, cachorro-do-mato-de-orelhas-curtas, topetinho-verde... Logo tudo ficou mais claro cheio de luz solar e adormeceram se recostaram no tapete de grama macia confortável.

            Quando chegar a hora de aprender a ler escrever contar interpretar votar. Quando chegar a hora de aprender a navegar velejar. Quando chegar a hora de voar. Quando chegar a hora das cidades, Altair, Rio Bananal, Seabra, Passira, Jandaia do Sul... Quando chegar a hora de pendurar satélites no espaço de fora. Quando chegar a hora de jogar o futebol de todos os sábados à noite.

            Uma hora mais e um momento, Peri se ergueu decidido e queria se exibir. E sobre toda a bela vista. O tempo estava bom para um voo de pássaro prevendo os aviões os jatos os aeroplanos surucuá-de-barriga-amarela, vem-vem, xicu, sabiá-una, gavião-do-banhado, arapaçu-beija-flor, curicaca-real, ariramba, papa-capim... Igual mesmo que um senhor no seu reino...

            Eu acho o se você acha que os alienígenas superiores já estão aqui pontuais ancorados em nosso ambiente envolvidos no meio de nós...