domingo, 24 de março de 2024

É, Pode Ser

 

                       

 

            E conheci tal porta, coisa e qual. Já entrei por uma porta, sabe como é! E eu fui a essa uma palestra no auditório do teatro Logaritmo, e sentei na plateia. No meio mais para o lado intermediário junto a determinada escadinha entre e ou de acesso aos acentos. Estava bom e cômodo acomodado. Livre arbítrio. E vi a porta na paisagem no cenário. Na ponta do palco bem para o lado e discreta e uma boa porta, aparentemente visualmente disciplinarmente. Daquelas de par em par, como se diz. Porta de madeira e bem pintada de cor cinza, justamente um cinza metálico um cinza sem pompa sem graça reles ou mesmo quiçá porém chauvinista. Uma bela porta objeto local.

            A mediadora apoiadora fiandeira paraninfa, Mandi Plangente Manda-Tudo (escritório fixo frente a praça Jerônimo Monteiro, Cachoeiro de Itapemirim) apresentou sem muita preleção delongas os dois palestrantes, o cabo de guerra: um homem de madura idade, Calunga Asbesto do Vissungo (residência no bairro da Liberdade, rua Vergueiro com a rua Pirapitingui); e uma mulher de média idade, Poita Estrovenga Jacundá-Verde (atelier na avenida Augusto Meyer com Plínio Brasil Milano, bairro Auxiliadora). E a mediatriz intermediária começou adiantou com as perguntas, a fazer perguntas inquirir provocar atacar flechar pungir incitar impacientar:

            - Como estão as coisas aqui e ali? Pode ser agora e já? Será que teremos mais chuva hoje a partir da tardezinha, hein? Querem comer alguma coisa enquanto pensam, enquanto escutam? De que arquivo vocês falam e argumentam? Vocês dois gostam de mascotes mais que de pessoas mais do que viajar mais do que livros? Podemos nos fixar nas dificuldades da safra de verão? Falam quantas línguas? A lei é a lei e o resto é o resto? Teria que ser obrigatoriamente uma loja de eletrodomésticos linha branca (demanda reprimida)? Alguns frutos do mato que vocês tomam a sério, literalmente? E procuram especulam encontrar exatamente o quê?

            Então o primeiro palestrante começou a falar, logicamente a mulher, nessa ordem de praxe. Mulher esgalgada escanzelada e cabelo curto estilizado. Olhar iluminado, sobrancelhas travadas grossas. Despejou a capa de chuva no encosto da cadeira de ferro. Um talismã amuleto em forma de sapo verde (poder mágico das índias guerreiras da Amazônia, lenda) preso a uma correntinha suspensa do pescoço. Vinte anos já prestados à UFSC. Por um sagrado momento atenuou o seu semblante carregado, crispado, tenso. Prefere alimentos de baixo teor calórico e sem glúten sem lactose. Nem é de beber álcool mais que uma taça de espumante nas viradas de ano:

            “Eu quero e eu posso, meu lema! Os escroques obtém as coisas às custas dos outros e abiscoitam ganham com intrujices e manhas. Temos os imperfeitos atrapalhados misturados alérgicos. Comida improvisada nem é comida, comigo. Verdade clara, insofismável intransferível indiscutível. Os impostos mordem abocanham ignominiosamente qualquer pessoa. Isso passa e repassa. Nas margens do rio Jabuti com árvores mata ciliar e mutambos, olhos-de-boi, cravos-do-campo, vassouras-das-feiticeiras, poaias. Mais importante que tudo é o legado de cada uma.”

            Aquele segundo palestrante, senhor de cabelo rebelde, puxou a fala e disparou. Fala num timbre com energia ranço polidez. Sujeito dispéptico. Em mangas de camisa e colarinho folgado, um olhar de leve faceiro, nariz ossudo comprido, vinco na testa, as sobrancelhas enormes tufadas. Passou o lenço de papel pela testa banhada em suor. Ouvido afiado. Fora anos atrás da hierarquia do exército, tenente-coronel. Concertou a garganta, coçou a orelha direita, mexeu com o pé esquerdo no piso de ladrilhos:

            [Por mim, tudo bem! Meus parentes querem escrever um livro contando a saga da família e desde a Europa. Nem somos de todo infensos ao exercício físico diário. Acho que sim. O lagostim o crustáceo na água, a ave no ar gavião-puva, o tinhorão a paracuuba-cheirosa-da-várzea o cunabim o sururucujá na terra. De tudo mesmo ficou aquela viagem turística a Serra, o bairro Jacaraípe, as lagoas Juara e Jacuném. Meus dois filhos, um casal, nem seguem a profissão do pai. Ora, além de um lustro quinquênio que nem mais abro e leio as revistas e os jornais impressos!]

            Eu estava me comportando na palestra e inserido na plateia a claque. Enquanto rolava a conversa conversação o debate ou sei lá o quê, eu olhava a porta existente na plataforma no tablado na parede oposta. Uma tábua em pé atrás dos palestrantes, estes sentados em poltronas fofas e vermelhas de desenho moderno. Tinha um aviso na cara da porta, um adesivo colado carimbado adesivado, e que eu nem conseguia ler direito assim distante. Eu ouvia a conversa e olhava a porta, esse o meu jeito de esperar. Porta fechada contrastando com a língua solta dos dois debatedores mais a mediadora inquiridora atiçadora predadora incentivadora. Eu aguardava que a porta se abrisse a qualquer momento, é. Contava com isso. Contagem regressiva. A porta devia ter um sabor próprio ou característico. Porta corta-fogo ou anti-incêncido. Porta doméstica caseira plebeia objetiva.

            - Que história retroativa é essa, senhor e senhora? A subvenção é uma forma de crocodilagem ou sabotagem? Que tal ajudar auxiliar os filhos dos sumidos na enchente do último ano? Há manual pra isso? O que vocês sabem ou duvidam sobre a descoberta desse novo planeta? Pode que fora mesmo uma tramoia trapaça chicana dos imigrantes?

            Sobrancelhas contraídas. Cabeça baixa. De repente mordiscava a tampa azul-escura da caneta azul de tubinho branco transparente. O olhar passeava das luminárias à plateia às paredes em torno lisas sem adornos. Lenta, procurando se acalmar. Face contente com leve rubor. Duas covinhas quando ria. Uma compressão na garganta. Fala doce suave, melindrada. Nas tardes de chuva, ia à biblioteca Júlio Afrânio Peixoto a ver se se interessava por velhas revistas de informação geral e economia em particular.

            “Gosto de visitar aeroportos. Chegou a hora de descobrir e parar com achar pensar imaginar. Parem com o carnaval fora de época, micareta! Socorram os aviltados desonrados rebaixados envilecidos deslustrados. Sei como é. Acordo cedo no verão com pios de aves e sanhaço, sabiá-laranja, papa-capim, saíra, pomba-rola, anu-de-enchente, tchintchorrintcho, guaruba. De visita nas férias do meio de ano em Guaçuí e Varre-Sai e Nanuque. Meu sobrinho vai casar e eu nem sei o que dar de presente. Eu que o diga!”

            Contraindo os maxilares, sobrancelhas travadas, olhos caliginosos. Disfarçou um bocejo com jeito de cansado. Pensava, enquanto nem ouvia a debatedora oponente, em tirar férias navegar pelo rio Benevente. Seus lábios estavam ficando mais frios. Compenetrado. Raramente ficava zangado com as opiniões contrárias. Xilofonista nas horas vagas de descanso de relaxamento de desconexão.

            [Sentia alumbramento de um êxtase renovado. É, pode ser! Ter vontade é ter sorte. Facultar a saída facilitar dar permissão. Minuto: unidade de medida de tempo equivalente a 60 segundos ou 1/60 da hora (fonte, d.h.). São muitos os roteiros e eu me interesso e Turiaçu, Guariba, Conceição da Barra, Piúma, Linhares e a lagoa de Juparanã. Escolhos abrolhos arrecifes. Fosse onde fosse. Me dou os parabéns.]

            Eu olhava a porta e a mesma fechada. Porta portão portinhola portal. Era o jeito da porta dela. Entrada de palco de casa de prédio de cidade. Imaginei a porta se abrindo e aparecendo umas aves gurinhatás sabiás-do-piri uns micos saguis-leãozinhos uns peixes lambaris bagres charutinhos. Aparecerá uma pessoa e me dirá: “A porta que se abre e eu apareço estou aqui e só você percebe esta minha presença neste palco. Você me vê primeiro. Por esta epifania você ganha um milhão.” E por acreditar e esperar esse milhão, eu olho a porta e nem tiro os olhos da mesma. Ouvindo a palestra os palestrantes e olhando espreitando espiando a porta. Quase esqueço de pensar na fala abalizada dos conversadores conservadores. A qualquer momento a palestra abre a porta e eu escuto alguém entrar. A porta parada em pé. A mesma devia ter um gosto por algo. A mesma devia ter um sabor por algo. Porta comprometida e compenetrada de si. Alguns rabiscos na pele da porta rasuras riscos escarificação, sempre os há, marcas a canivete ponta de chave unhas cascos garras dentes.

            - Que é passear descalço na areia da praia de Regência? Que querem? Vamos perder a caminhada? Vão subir e se elevar aos céus? Há jabuticabas na praça Coronel Horácio, em Curuçá? Quantos rios servem e alimentam o lago do Guariba? Bolacha ou biscoito nevados ou nem de açúcar? Feijão por cima ou por baixo do arroz? Salada com cebola ou pimentão?

            Descalçou os sapatos salto agulha e os pés vestidos com meias pretas ambos apoiados nos respectivos pés da cadeira. Olhos contentes brilhando. De momento repentinamente se empolgou riu nervosamente e bateu a mão direita no joelho correspondente. Alteou o busto. Cabelo trançado em forma de rolete coque no alto da cabeça. Vergada sobre a mesa, o cotovelo direito apoiado, a mão esquerda segurando a cabeça. Pronto, era o que precisava aí, esboçou um sorriso. Bisavô arrieiro tropeiro. Respirando rápido coração acelerado. Bem acomodada satisfeita na cadeira de encosto alto e de couro tauxiado.

“Sigo o viso do meu pai. Agora, é aguentar o rojão. É, pode ser. Já cruzei cidade como esta daqui. Com minhas palavras é isto. Nem almejo vida nova. Sim, paciência disciplina estudo. Vou plantar uma sibipiruna no quintal e ver como se vai. Paro pra pensar nestas coisas aleatórias e então me conformo com a sorte. A palavra conjuntura é um termo adequado. Faço vitaminas do mandapuçá ou munduru ou jabuticaba-do-cerrado (frutinhas de bagas globosas), pindaíba, jaracatiá, pixirica, ameixa-da-terra, cambuci. Se D existir estarei salva, é.”

Movimento ágil dos polegares curtos grossos nas mãos entrelaçadas inchadas. Olhou a oponente pelo canto dos olhos. Rosto sombreado, bochechas frouxas. Sobrancelhas alteadas e tentando espichar o corpo, principalmente os membros tanto inferiores como superiores. Rosto afogueado. Um rilhar dos dentes briquismo ameaçador. O suor a lhe escorrer das têmporas. Atirava momentaneamente o corpo para trás no encosto da poltrona, isso quando tinha obrigação de ficar atento ouvindo sua contendora. Cruzava os braços numa atitude instintiva psicológica de defesa. Quando escondia a boca com a mão estava precisando falar alguma coisa urgentemente.

            [Iguais parecidas idênticas e com a mesma causa comum e consequência. Muita gente na festa. Tive o gosto e hoje pago. Iba ou haste de planta como de assa-peixe e ingá-bravo e jenipapo-rosa e paricá-de-esponjas e manjerona-do-campo. Prefiro as árvores frutíferas. Sagu mais musse de chocolate mesclado com bolachas maria, meu doce sobremesa de infância predileto. Entre frio e calor prefiro este último. Nem deixo por menos que isto. Já consultei o médico fiz todos os exames obtive os resultados, por este ano basta.]

            Um momento e a porta olhou nos meus olhos e disse, juro que ouvi: “Miau!...” Minutos hora olhando a porta. Tanto que minha memória a reconheceria futuramente em outros lugares e ambientes e eventos. Parada imóvel como uma porta fechada. A porta e suas circunstâncias. Se eu fosse falar com ela... Vou tentar lhe falar de todo modo. Tenho coisas curiosas para conversar com ela. Tem sim uma cadeira ali bem perto dela e de um vigia de um guarda de um servidor de um assistente de palco. O silêncio fechado da mesma porta e sempre muito mais longo monótono. Para inibir a passagem de alguém. Para indicar que os ambientes são distintos.

            - Será que vai ficar mesmo legal? Querem um café? Onde e como vocês moram, com quem? Os salários estão bons? Que idades? Vocês, o que acham? Que altura e idade pode ter esse jequitibá-vermelho aqui em frente no meio da praça Carlos Gomes? Comem angu no desjejum? Acham que o rio Turi vai subir quanto neste mês de março? Será que estaremos retornaremos para casa antes das 23h?

            Tatuada nos antebraços, tatuagens que lembram ideogramas chineses e frases em árabe. Rascunhava minutava num pequeno bloco alguns tópicos da fala do adversário e que depois na vez iria discorrer. O rosto enrugado, as sobrancelhas grisalhas contraídas. Escondia vez a vez o rosto com as mãos, então se defendendo como podia de um bocejo mais ameaçador afrontoso. Respirava, inspirava expirava.

            “As abelhas aramás fazem sim suas surtidas ataques assaltos investidas no nosso parreiral. Vamos falar falamos dos ignóbeis hediondos desprezíveis. De tudo mesmo ficou aquela viagem a Santa Leopoldina, o rio Mangaraí. Tenho sim que ler mais poesia contemporânea. E viajar de transatlântico está na moda.”

            Uma cara enorme e vincada. Consentia anuía muito frequentemente sacudindo sim com a cabeça. Corpo achatado amplo, pomo de adão saltado, pescoço curto e largo. Voz baixa e seca. Braço cabeludo descansando sobre o braço da poltrona, olhos fixos sobre a mesa e num ponto qualquer aleatório pensativo distraído. Sério calado obscuro. Seu bisavô fora componedor do jornal Maratimba, gazeta local da cidade natal. Aflito chateado dispersivo audacioso. O olhar passeava pelo abajur de bronze que lhe lembrava lembrando um candelabro ou um lustre.

            [Me sinto positivo. Os peixes da água capturados na puçá ou pari paritá e piaus, cascudos, carás, aracutingas. Assim eu ajudo meu sonho a acontecer. Em Iconha (água ardente ou montanhas personificadas, em tupi) desce o sol junto com as 18h e 45min; ali acontece a disputa da praia de Areia Preta e a praia de Meaípe entre respectivamente a terceira idade e a galera jovem; ali mesmo a noite é muito mais próxima de nós; ali sim os vaga-lumes acendem vibram nos tufos de grama da praça José Geraldo Vieira; ali ainda o jantar fica para depois da passagem do trem das 20h. É mais ou menos isto. Nossa avó materna já nos deixou faz tempo e agora é lembrada com nome de rua nesta cidade.]

            A porta tinha a ver com a salão. Uma porta dormindo fechada trancada em pé. Se a porta se abrir a qualquer momento é porque alguém pode entrar entrará nesta história. Porta de madeira de lei feita da ibabiraba. Porta iluminada pelas luminárias lâmpadas e a claraboia, cúpula envidraçada e praticada no teto. Um exemplo paradigma modelo que serve como padrão. Grave, fechada em si e sem cumprimentar ninguém. A porta devia ter cheiro, talvez um óleo de peroba, que de onde eu espiava e olhava nem ouvia nada. A porta merece todos os aplausos que ouve e escuta.

            Que encontro estamos promovendo? Vocês conhecem a praia Barra de São João, a ilha Barra do Serinhaém? Dirigem carro? Tocam música? Explicam a física quântica? Seria uma abordagem tipo de professores acadêmicos de engenharia civil? Querem conhecer a foz do rio Jacuí? Estão cansados, senhora e senhor? Terminamos logo com isto? Quanto vale 15 dias nas montanhas ou serra do Cipó?

            Bebia o cafezinho numa pequena xícara branca de porcelana decora com flores e servido por um garção fardado empertigado e surgido do nada de repente. Seus irmãos, maiores que ela mais velhos, têm uma retífica retificadora de automóveis em Guarapari. Mecha de cabelo preso no laço de fita azul. Acaba de reler, e pela terceira vez na década, o romance “A Maçã no Escuro” de Clarice Lispector.

            “Já tenho estrada suficiente para entender nem me surpreender com nada e um pouco de tudo. As pessoas são assim e mais. A manjuba, peixe marinho Atlântico; um lagarto, a lagartixa-das-dunas; mamífero xenartro e ventas narinas estranhas, tamanduá-colete; marreca ave, apaí ou irerê ou paturé ou piadeira. Antes nós nem víamos a ponte Canoa Boieira sobre o rio Jacuné, antes nem tínhamos a fábrica de brinquedos Almofariz, antes nem tínhamos esta ralé escória choldraboldra parasita apegada ao governo do Estado. Meu cão Xodó está bem amestrado e dança sobre as patas traseiras sobe em árvores carrega chinelos e sapatos deita e rola na grama do jardim atende com brandura ao carteiro.”

            Desconfiado lento oblíquo modesto cauto. Tossiu, concertou a garganta, as pálpebras semisserradas. Entroncado, um pouco deslocado na cadeira de palha trançada. Muito sisudo com cacoete sempre toda vida repuxando os cantos da boca. Ruga forte no meio da testa. Gestos com o braço a mão direita, solene solenemente. Bigode ralo e hirsuto, cerdoso. Vai ao barbeiro cortar o cabelo duas vezes por mês ou de 15 em 15 dias, e sempre aos sábados pela manhã com hora marcada às 10h.

            [Por agora na praça da Bandeira temos e muito bem povoada as plantas ipecacuanhas-pretas araribás cúbios marmelos-do-campo pojós e pássaros os curiós cambaxirras coleirinhas pucaçus pintassilgos bentererês macucos. Hoje está o dia que madruguei. Antes que me esqueça, parabéns e regozijo pela efeméride que se avizinha. Tenho minhas batidas e sucos de croada ou coroa-de-frade, cabeludinha-do-cerrado, puruí ou goiaba-preta, mangaba, cagaita, murici, gabiroba. Nem nunca imaginaria que uma coisa desse porte pudesse estar relacionada com outra tão mínima insignificante miúda. Podemos ir todos ao baile de formatura, óbvio. Assim é que eu gosto. Já falei pra minha senhora, vou trocar de marca de erva-mate.]

            A porta estava a minha espera, eu adivinho. A porta me encarava e sem olho mágico. Uma espécie de epifania presença entidade e presa à parede à moldura pelas dobradiças. Típica mocoronga tabaroa rústica. Com trinco maçaneta chave de ouro. Porta passagem para um corredor e que daria acesso aos banheiros aos vestiários e para outras dependências e portas e portões. Longe o dia que a porta fora gente na floresta.

            Se se ofereceram, por que nem continuam articulando? Já vão quantos dias sem chuva? Que lhes devo prometer ou pagar para que fiquem mais 30 minutos? Nem haverá consequências? Como vai a humanidade? A que horas sai o voo para Caxias do Sul? Como nem percebemos há mais tempo? Que temos de novidades? Ordens superiores de quem superior? O que encontraram? Quem mencionou formulou esta frase com suas nuances subliminares? Isto é possível hoje em dia?

            Enquanto espera ouve aguarda sua vez de falar, rabisca algo aleatoriamente no caderninho ou um desenho uma palavra que outra uma firma assinatura jamegão. Legista especialista em leis de trânsito. Rosto iluminado e as pupilas radiantes, tanto pelas luminárias pendentes do teto de telhas de acrílico como por uma luz interior. Peitos arrojados altos. Gesticula e fala pelos cotovelos, vai fazer 50 anos em julho. Olhos austeros, fazendo beicinho biquinho para sorver o café da xicrinha. Se aposentará em breve pela UFSC e cairá na compulsória. Tem sempre razão no que diz. Está acima da verdade verdadeira. Sempre posicionada ao lado da ordem e do progresso. Em teoria considera tudo e na prática o possível.

            “Como nunca vi ou nunca se viu, eu garanto. Sempre fui assim. Sim, compromisso é compromisso. Me lembro de tudo e como se fosse ontem. Seria bom uma chuvinha para refrescar. Benza-o D, caro amigo debatedor! Na festa congada ticumbi alardo, no rio Santa Maria da Vitória o cardume de anujás ou cumbacas, em terra os teiús, nas árvores os monos ou muriquis, no ar nas asas os cumatangas e jacus e corrupiões e xeréus. As horas e os minutos voam. É uma boa história. A notícia mais rica milionária é que vão construir edificar no bairro Cambucá desta cidade um resorte superpovoado de coqueiros-aracuris e juçaras e babaçus e buritis.”

            Pálpebras risonhas. Pescoço encordoado avermelhado. Rugas vincadas nos cantos da boca. Espinha dorsal curvada reverente. Provedor de instituição beneficente hospital São José. Rodava os olhos pelo palco pela plateia verificava o teto as paredes a porta que dava para os sanitários. Calva luzidia, mãos impacientes, pernas elásticas dobráveis, pés apertados dentro de sapatos de couro marrom. Alteava alternava olhares pra cá pra lá. Coçava o queixo, refletia, olhava a assistência e falava na sua vez.

            [Nem se pode deixar que outros, pessoas estranhas, façam por nós. Se nem chover firme e forte por uma hora ou duas, dentro do prazo de 15 dias, faltará água na cidade. Tudo como antes e o tempo passando. Monopolizar açambarcar o mercado de laticínios. Na juventude na época universitária, fomos muito de carraspanas porres bebedeiras tiorgas e essas coisas tontas. Foi um sonho que tive esses dias. Conjugo que a cidade de Muqui (tupi, “entre morros”) tem parte de casas tem parte de água o rio Mucuri tem parte de terra isolada a ilha de Itaputera tem parte de mato com rochas enrocado o parque Pedra do Fritz. Me falta visitar viajar para Roraima, antes de ontem.]

            Difícil arrombar a porta, robusta. Por trás as fauces goela garganta de bicho selvagem. Que nem se move facilmente, perra emperrada. Aponta pra o corredor que vai dar em outra porta envidraçada automática de correr ou giratória de sensor e saída saindo na rua Bambina com a Vicente de Sousa, bairro do Botafogo. Uma passadeira de linóleo conduz a partir da porta até a mesa e as cadeiras do palco onde a apresentadora e os dois palestrantes debatem. Passam da porta os com reserva pessoas convidados. Sólida respeitável e duradoura. Uma porta idêntica a esta é algo inesperado. Totalmente concreta ignorante calhorda zorra indolente. A porta ali é diferente do mar da praia do dia da lua do cardume de uararas da plantação de pitas da geleia de pitangatubas. Detém o vento a chuva mas nem o ruído da rua as buzinas dos automóveis o atrito do trânsito.

            - O que é que vocês nem sabem? E agora? O que é que vão dizer lá em casa? Vocês estão fugindo da verdade? Que é que está sucedendo com o mundo? Como vão as coisas em a praia da Cruz, Marataízes? Vejam, o instituto Chão Limpo nem pode colaborar conosco? Vocês sabem e reconhecem que são os outros filósofos atuais? Sabem como é? Que árvores da flora nacional devemos plantar no jardim botânico local: goiabeira-serrana, cereja-do-mato ou purga-de-gentio, pitomba, jatobá?

            Sincera impressionada e sempre pronta esperta atenta a dar seu veredito sobre tudo sobre qualquer coisa. Movimentos graciosos e elementares. Quase muita maquiagem. A mão ossuda escorregando pelo rosto e já atirando as pontas dos cabelos aos ombros. Às vezes ensaia aquele gesto pudico. Leve preocupar frisar da testa.

            “Sim, óbvio, as pessoas em geral hão de ficar intrigadas. E agora mesmo é que são elas. Aqueles dias foram perdidos, eu sei. Pois o parque da Redenção lotado de árvores perobas-de-gomo e pitangas-traíras e cajás-mangas e urucuns-da-mata e muriris e guaximas e bocaiuvas, por exemplo. Nunca é tarde. Um alqueire de terra boa já para plantar cultivar, gleba roça já cabrocada junto ao debrum da mata, está valendo cerca de R$800.000 no interior às margens do rio São Domingos em a cidade de Pedro Canário. Sim, ao som da orquestra, dancei em o casamento de a minha prima Ana Paula.”

            A fala cheia, as mãos enérgicas, os olhos claros atrás das lentes fortes. Enfarpelado em a roupa nova. Respiração ansiada, nariz grosso, colarinho duro, camisa de mangas curtas e engomadas, sujeito alto quase do tamanho da porta. Repuxa os lábios, crispa os dedos, um sorriso pleno que vem e vai, enche o copo descartável com a água mineral da garrafinha de plástico, o celular sobre o tampo da mesa e ao alcance da mão direita. Fisionomia contraída. A larga caixa torácica sobe e desce com o esforço da respiração.

            [É, se passaram uns quantos tantos dias de lá pra cá. Nem tenho motivos para o suspense. Nessa época eu trabalhava de noite e estudava de dia. Sei tudo como é. Na faculdade todo mundo sabia disso. Será o que D quiser! Nem posso e nem vou responder dizendo mentiras ou chistes ou frases feitas. Eu era muito conhecido, foi uma fase boa da vida e existência, e um mundo conservado reservado passeando pela avenida Antônio Bardella pontezinha sobre o córrego Popuca e logo a rua Maria Garcia Utrila, Guarulhos. Até hoje nem sei. Gosto especialmente do mês de janeiro, o verão meteorológico.]

            Porta tranquila boa simples amena silenciosa. Apenas uma porta necessária, de fechar e abrir quando se quer. Porta, quem diria porta, esse apelido intransponível ultrapassável insuportável intransigente. Talvez se o lugar da porta fosse outro, oxalá!, quem sabe. Eu acho que saberia se a porta fosse minha, se a porta falasse. Porta persuasiva agressiva esquisita com cara estupefata. Porta passagem amiga natural da pugna peleja combate prélio. Acho também que a porta percebeu que eu a estava mirando admirando. Com conselho de uma oniromante, a porta foi comprada na loja Catambá da rua Américo de Queirós Facó e trazida embrulhada embalada com plástico-bolha até aqui a este local de trabalho. Porta, substantivo feminino empoderada.

            - Como vieram parar aqui? Se pode isso, meu D? Será um sonho, estamos sonhando? Tem alguém batendo à porta? Pra que que serve o telefone? Donde vêm estas dúvidas cabulosas? Já lhes soa bem este argumento? Vai um licor de uvaia?

            Engraçada, cabelos ruivos e sempre assim. Tinha um sorriso riso risada gargalhada que levava às vezes a lhe faltar o fôlego. Lenço de cabelo cendal tecido de seda ou lã fina em volta do pescoço. Sempre de dieta a partir das segundas-feiras.

            “Olha, sinto resuscito a música do vento farfalha nas plantas e mais o pássaros cantando interpretes e joão-teneném, jacucaca ou jacupemba, bicudo, mutum, graúna, jauá. Postes de tensão e árvores paus-de-pilão acompanhando o traçado do meio-fio da rua Caboclo Bernardo, bairro Ariovaldo Favalessa. O negócio lucrativo que me diz: “Nem tenho pressa de chegar”. Minha bela horta no fundo da propriedade com amigo milho feijão inhame araçá amiga grumixama taioba mandioca alface. Sim, posso me conformar.”

            Sério e cordial e voz um pouco grossa e alta. Olhar vago. Mergulhado pasmado para dentro de si. Camisa de mangas curtas com o primeiro botão aberto. Rosto fechado de rugas cavadas. Era o palestrante de hoje, sem tirar nem pôr. Quase falando num tom musical estilo de comício. Sentia as fontes pulsantes a latejarem.

            [Havia tempos que eu vinha pensando lendo repensando nisso e mais ou menos de acordo com a contemporaneidade. Uma ideia mais pra lá de nova para mim. Venho do oeste, missioneiro. Tenho muito a fazer. Com perdão do clichê, caí como um pato um marrequém-do-igapó ou tiriba. Sim, longe enormemente geograficamente as soluções evasivas. Pois as estimativas variam muito. Vou plantar uma floresta no meu terreno do lado do rio Itaúnas, e ubás embaúbas sapucaias copaíbas perobas jacarandás abio-do-mato ou acá ou curiola. Hoje só acompanho esportes olímpicos, deixei de lado o futebol. Quero descobrir um tesouro que nem precisa ser de ouro prata pedras preciosas relíquias religiosas.]

            Se eu fechar os olhos a porta fica. A porta de força fortaleza perigo sacrifício energia e fabricada pelo homem nos arredores arrabaldes de São Mateus e Conceição da Barra. Compenetrada da sua função, nem participa de brigas arruaças assuadas motins. Com cara de circunstância e à paisana. Solidária sóbria digna radioativa. Descerebralizada. A porta que esconde e protege, convém e interfere intervém. Disposta realizada ancha vaidosa. Por hoje chega, então, e a porta nem tem mais nada que dizer.

 

domingo, 3 de março de 2024

Atávico e Atavismo

 

                                                          

 

            Minha vovó morava perto de nossa casa. Minha avó morava perto do meu colégio. Então, quando eu queria vê-la ficava restava fácil. Saía de casa atravessava a rua da Vaca Bordada e pronto. Quando voltava do colégio, diante do meio-dia, eu atravessava a rua do Vernáculo e pronto. Muito à mão e pegar pela mão. Estava tudo em casa e próximo. Ela nona estava sempre perto de nós e diariamente.

            - Tem sorvete sabor caju e limão e pequi! Qual te agrada mais, meu coração?!

            Do almoço, aí pelas 12h e 45min e até 16h, minha avó nem estava para ninguém. Era a sua hora da sesta. Depois acordava levantava abluções e tomava seu café com muitos doces a escolher. Maioria das vezes com visitas esperadas. E sempre o convidado(a) bem recebido e festejado. Eu vinha sozinho (ou com mamãe) e me espalhava pela casa. O alçapão do porão sempre fechado com a taramela. Nem queria entrar aí. A entrada era proibida e eu nem me atrevia. Via aquilo como uma armadilha armação para capturar caça. E nem ousava.

            Vova também assistia ao desenho animado somente para me manter tranquilo comendo os quitutes e guloseimas que ela mesmo fabricava em casa, pão caseiro barrado com marmelada de uva ou de figo ou de abóbora e bolo de chocolate coco e sagu com bolachas maria e pudim caramelado e geleia de laranja e rapadura e pé de moleque e cocadas e manampanças ou beijus. Alguns tipos de sonhos com muito açúcar por cima. Outras bolachas com geometrias variadas pasigráficas e que eu achava muito engraçado. Quando muito vó assistia um seu programa favorito no canal escolhido exclusivo sobre Amazônia (como antípoda nosso do sul). Por exemplo, tinha muita predileção e muito material sobre arquipélagos: a ilha de Marajó, a ilha de Tupinambarana ou Parintins.

            - Eu amo vocês!

            - Nós também!

            - Eu amo mais!

            Fomos colher uvas no parreiral pertinho um passo da residência. Eu segurava uma bacia esmaltada de ágata, esmalte azulado. Fazia um sol forte em pleno dia das 17h. Ela cortava o talinho que prendia o cacho e o colocava aí. Ficava esperançoso com vontade de fazer o mesmo, mas nem alcançava. Quando se enchia a bacia, íamos entravamos pra casa. E compartilhando carregando juntos o peso todo e que parecia mercadoria muito valiosa rica cara valorizadíssima.

            - Vamos pôr essas uvas na água fresca um instante. Assim já nem provocarão dor de barriga. É só esperar uns quinze ou vinte minutos. E ficarão muito saborosas.

            Alguns anos pra cá, vovó Amélia já tinha e fizera uma família numerosa e em escadinha. E teve um casamento e 6 filhos, 3 de cada gênero (esta gente marcada assim de tumulto alvoroço algazarra celeuma, e até vitupérios insolentes). Sempre tinha o tio Jotabê, morando em BH e já se vão outros onze anos, que cuidava perseguia ia atrás desse negócio de estirpe árvore genealogia tronco da família.

Vó tinha uma coleção de sombrinhas. Eu chamava assim porque eram muitas. Na verdade sombrinhas e guarda-chuvas (estes com ponta de aço), que usava de acordo com diferentes momentos oportunidades ocasiões estações. As sombrinhas eram de cores (sem aguilhão) e uma e outra com desenho artístico muito atraente chamativo. Uma tinha mesmo uma paisagem do bairro da Lagoa da Conceição, Florianópolis.

            - Nem nunca fui aí, mas me presentearam. Foram seu tio Urucá e sua tia Cinética. Eles vão muito à ilha de Florianópolis. Sempre me trazem um regalo mimo.

            Voz calma agradável suave palavras bem si-la-ba-das. E nunca seria enganado. Quase nem falávamos sobre nada, nem predicava. Conversávamos pouco quase nada seja sobre isso ou aquilo. Ela (vestia tipo de saia bolonê) preferia que eu comesse. Queria que eu comesse. Ficava sentada na minha frente me vendo comer ou fingindo comer para me incentivar a comer. Às vezes quando eram sementes ou frutas, bergamotas melancia pipocas melão pitangas pinhões batata-doce amendoins torrados, preparávamos e comíamos juntos. Eu com mais fome, óbvio. Eu mais apressado guloso glutão, assim mesmo.

            - Vou comprar umas compotas de pêssego. Aprecia abacaxi em calda? Temos opções, compotas caseiras ou industrializadas. De qualquer maneira é de dar água na boca. Nem se pode resistir. Nem se deve resistir, mas comer com moderação.

            Vovó Augusta tinha construiu uma família numerosíssima (em diversos estratos sociais, inclusive). E teve um casamento e 12 filhos, 4 foram feitas meninas (essa gente marcada assim de sutileza humor escárnio ânimo hilaridade, às vezes sem demora aflorava uma já tendência obsessivo-compulsiva por dinheiro plata manei e bens pecúlio). Supracitada praticava ioga e meditação e os pilates e as caminhadas e já cuidando muito da sua coluna dor lombar lumbago e consultava mês a mês o seu doutor preferido (este quiroprático entendido em dores da coluna nervo ciático). Recitação de mantras e orações de calma e conforto e sossego: “Eu adoro o sol a chuva o rio a árvore assim os passarinhos que cantam pela manhã e entardecer!”

            - Somente nem achamos o que é infinito!

Ela tinha uma coleção de lenços de cabeça. A maioria com cores suaves finas sutis neutras. Tinha um violeta magenta de babados e com motivo religioso, uma imagem de NS Aparecida (a padroeira da cidade, junto com São João Batista). Este acessório de pano era muito vistoso e causava sensação nos domingos de sol e missa. E havia ganhado num aniversário justamente da tia Joquempô.

            - Sua tia me comprou quando foi a São Paulo. Disse que achou bonita a peça e entrou na loja Teorema Peculiar em a rua Zavuvus com avenida Santo Afonso (Vila Missionária ou cidade Ademar). De averiguar, viu e pensou em mim e comprou. A própria ela mesma que me confirmou.

            Eu sim já estava acostumado com ela vovó. Tanto assim que nem pensava, por quê? Por que era minha avó? Por que ela estava ali? Por que o tempo nem passava? Por que confiava nela como em minha mãe? Por que eu era o seu melhor neto?

            Avó gostava ou nem gostava de mascotes? Ela tinha na casa um cachorro cara de pidão e que deram o nome de Vicário (que ficou Vique). Nem nada de mais. Até porque nem era dela exatamente efetivamente. O cachorro era carinhoso com todos, mas vó nem fazia tanto caso com ele. Nem tinha nada com isso. E dizia do alto da sua serenidade existencial, chinelos de pano fechados na frente, óculos de grau desproporcionais e sem sombras de dúvidas ou impedimentos:

            - O caminho satisfatório satisfeito é o caminho do meio. Façam suas apostas!

            Esta minha avó era 2 em 1. Ponto convergente. Sabia esperar seus netos(as) e os pegava pelo estômago. Era na hora do lanche. No meio da manhã ou da tarde. Todos os dias da semana como vinte e quatro por sete. Os domingos eram mais concorridos na parte da tarde, mas nem por isso se perdia na azáfama aglomeração. Já o natal e ano novo eram festas de superação superar-se e de remoinho vórtice voragem turbilhão de hóspedes. Clientela barulhenta. Vó centro alvo das atenções e todo mundo apressado ansioso por fotos e vídeos. Para-raios porto-seguro e as mais diversas justificativas reivindicações demandas e ou embates hostis. Cabelo solto curto e preso pelo lenço de cabeça. Cabelo à vontade e mechado no contraste do preto e branco. Uma ou outra vez com tiara e ou grampos pequenos de aço.

            - Seus tios Lisérgico e Síncope me telefonaram de Navegantes. Estão passando as férias de verão aí. Acham muito agradável fenomenal e até me mandaram estas imagens... E outras histórias distóricas. Já conhecem Balneário Piçarras e Jacinto Machado e a serra do Imeri. Diárias de hotel indexadas atreladas ao dólar. Pretendem ir adiante e ainda conhecer Ilhota e Penha e Luis Alves e Ermo. Mais ou menos nesta ordem. Juram que virão me visitar quando puderem e um dia desses, é.

            Vova tinha um fraco por passear em o centro da cidade, o município todo. E por que de manhã? Programava as coisas para que tivesse de sair toda semana e pelo menos 3 vezes. Aí podia escolher um cardápio, sacar o dinheiro no banco eletrônico olhar os dentes arrumar o cabelo comprar algo para uso pessoal parar numa loja de sapatos escolher um presente para o aniversariante da semana visitar o médico ou algum parente hospitalizado. Vestida elegantemente, pimpona. Chuva ou sol. Um passeio pelas ruas, a rua Maria Marcolina com esquina na Conselheiro Belisário em o bairro Brás; a pé ou de carro. Setores repartições escritórios de atividades contábeis administrativas financeiras produtivas.

De carro alguém conduzindo porque nunca aprendera a dirigir. E lhe fascinava o automatismo obstinado dos motores das máquinas, mas nem podia com as alienígenas. Uma das suas grandes frustrações. O que implicava ir contra a normalidade social e as prerrogativas atuais atualizadas de sucesso e ou empoderamento feminino. Pescoçando em plena rua Rodolfo Miranda com a rua Prates, distrito do Bom Retiro. Procurando encanador jardineiro dedetizador despachante cabeleireiro. Setores da cidade assim confusos anacrônicos engraçados. Armarinhos bem municiados e sutiãs, pijamas, rolo de cetim, camiseta regata, edredom, cachecol, tules, flanelas, veludos, aviamentos de costura, botões, forros, linhas, barbantes, agulhas, zíperes, rendas de bilros, tapetes.

Se convenceu lhe convenceram a fazer um curso gratuito de apicultura, duas vezes por semana, em a sociedade do agricultor artesanal. Talvez mais por causa das suas flores, polinização. Plantas que atraem mais as abelhas ou mais aos beija-flores e quipás ou guibás, feijões-do-mato, tripa-de-galinha, carrapichos-da-calçada.

Passava o tempo e se divertia. Lojas de alimentação, higiene pessoal, farmácia ou drogaria, jardinagem, carpintaria. O distrito de Mandaqui, rua Coronel Joaquim Ferreira de Souza e ainda a avenida do Guacá. Tratar as unhas asseio ungueal unguiculado. Buscava um profissional hidráulico eletricista mecânico. Tratamento do pé, podologia ortopedia. Pagava em dinheiro pix boleto carnê. De repente a confeitaria Brigadista (alcunha qualificativo epíteto comercial) e um café expresso com bolo de fubá. Comes e bebes doces salgados amargos ácidos ou azedos, saborosos palatáveis suaves combinados. Estar aí era muito divertido. Buscava encontrava umas colegas e palestra conferência debate colóquio narrativa prolixa (manifestações de cunho argumentativo-reflexivo com circunlóquios labirínticos). As atendentes sabiam que daí vinha gorjeta lambuja troco.

            Segundo pesquisas recentes atuais em este ano mesmo e feitas pela secretaria de assuntos municipais, a população está em 18 mil habitantes moradores. Dentre os quais e tais, 56 por cento mulheres; 38% acreditam piamente que D existe, uns 20% estão em dúvidas suspirosas, o restante só na hora do... “vamo vê!”; 10% vão ao dentista semanalmente, 15% uma vez a cada 6 meses, o restante em cima do laço ou na hora que necessitar urgente; 53% são gremista, 1% nem gosta de futebol e sim de outros esportes olímpicos; 44 por cento prefere música caipira, destes 60% a nativista gaúcha, 23% a música caipira paulista de raiz e 17% o sertanejo estilo goiano; 90% das crianças até 11 anos preferem bala de goma (jujuba); 6 por cento joga um carteado (biriba) às sextas-feiras pela noite; 20% preferem o frango ou o peru laqueado no almoço de natal; 45% das famílias possuem carros próprios, destas somente 11% possuem mais de um veículo na garagem; 42% possuem mascotes, destes mascotes 88% são cães (míseros 5% cuidam ou se preocupam com os pormenores intestinais dos seus animais preferidos quando passeiam nas vias públicas); 60% habita em casa ou apartamento próprio; 19% são católicos praticantes, 11% protestantes em geral, 0,7% são de religiões afro, o restante fazem o sinal da cruz porém somente por superstição e na hora diante da morte, amém!

            Vó tinha especialização prática especialidade empírica em culinária recreativa. Eu seu acólito assistente ajudante auxiliar e provador oficial. Preferencialmente as massas-folhadas. Bolachas de coco. Eram muito boas as broas de milho. Uma fama enorme na família o pão de ló. Pasteizinhos de queijo. Aprendera com a própria mãe (bisavó) e já em tenra idade. Muito talentosa. Uma vez por mês e durava uma semana. Até que presenteava toda a família que morava cerca. Que vinham visitá-la.

            - Gostou? Sim! Então come mais!

            Ela tinha um jardim e cultivava plantas folhagens flores hermafroditas vegetais folhosos colhia folhas nomofilas e ramos raízes rizomáticas rizomas domesticadas para os chás infusões que curam tudo para tudo e qualquer coisa. Ervas muito úteis e eficazes e recomendadas (associadas a outros ingredientes) para banho de descarrego e contra assuntos encrenqueiros venenosos maledicentes futriqueiros. Alguém tinha um problema ela ia buscar a solução no jardim na horta no pomar. Os temperos os legumes as verduras para a sopa total completa poderosa. No centro em meio aos canteiros bem cuidados e preparados, tinha uma dessas plantas chamativas destacadas um arbusto que dava flores de 2 ou 3 cores diversas... acho que de nome nomeiam manacá-da-serra.

            - Fomos buscá-la ali no horto municipal. A mudinha tinha um palmo de altura e precisou de muita atenção no princípio. E agora é isso, esbanjando confiança e floração.

            Semeadas ou plantadas e espalhadas pela propriedade estavam ali alguns ipês-amarelos. E depois exemplares avulsos de umbuzeiro, marianeira, camaradinha, urucurana-vermelha, caparrosa-silvestre, sapucaia-mirim. Preferia os pés de butiá para fazer doces ou geleias, bergamoteiras laranjeiras abacateiros ameixeiras. Chamavam atenção os diversos pés de araticuns-do-mato ou araticuns-da-mata ou araticuns-do-morro ou araticuns-grandes, árvore de até 8 metros da família das anonáceas.

            Sempre conheci vovó. Quando conheci vovó? É, desde sempre que me lembro dela. Nem mudou muito com o tempo. Até hoje. Vontade lá dela de convencer, converter, agradar, agraciar, presentear, encantar, cativar, cuidar, alimentar. Nem perdia por nos esperar.

            Minha relação com vó, principalmente que me dei conta que me ocorre, foi a partir e no início e no primeiro dia de aula. Dia da bravata. Pela manhã estreei nos intestinos da EMEFM Caleidoscópio Ditirâmbico, junto da praça Dom José Gaspar e na rua Dr Bráulio Gomes (logo após passar o arroio Dilúvio, na altura da ponte de pedras). Foi meu dia minha vez de pular rastejar rolar voar. Dia pacífico amigável unânime. Dia de sorte exemplar. Dia e hora no lugar certo.

E logo de tarde fui lhe mostrar o caderno de anotações. Ela olhou o pouco que eu tinha copiado do quadro-branco. Depois as fotos do celular feitas na entrada no recreio na saída. Nem permitiram tirar fotos em sala (sem calefação ou ar condicionado), assim para que tudo fosse mais tranquilo. Se me lembro que esquadrilhas de aves migratórias voavam revoavam entre árvores e casas e postes de tensão. Era uma revelação e uma revolução transformação. Eu teimei com uma palavra que vó me explicou melhor: Missa, mis-sa! Por que tinha duas letras dobradas? Porque sim.

            Acompanhei vó ao porão. Por acaso. Uma escada de madeira desde o interior da despensa. Uma luz fraca pendente de umas poucas lâmpadas antigas cobertas de pó e teias de aranha. Tema enigmático grífico difícil obscuro soturno. O acaso vir ao caso. E ali estavam armazenadas algumas pipas de vinho. Nem todas repletas de vinho tinto caseiro. Trazíamos uma grande jarra de latão para abastecer encher e pôr na geladeira.

            Quando quê, eu ficava examinando as coisas ali. Velhos artefatos coleção de coisas antigas inúteis quebradas fora de uso ou data de validade, essas bugigangas quinquilharias. Surpreendido e amuado e silencioso e angustiado e confuso. Tem gente acumulador que detesta jogar fora o que já se utilizou e nem presta mais, mesmo coisas ultrapassadas ou estragadas. Monte de cacarecos da família da casa ou que se achou aí fora em outro lugar na rua. Eletrodomésticos pifados e pedaços deles, revistas e jornais e gibis aos montes, engradados caixas de garrafas vazias, fogão a lenha obsoleto, máquina de costura, cadeiras, sofás e outros móveis destroçados. Ambiente ostensivamente desarrumado. Espaço lugar para a garagem do velho carro enferrujado o primeiro da família e que precisavam restaurar (jamais entregariam ao ferro-velho).

            - Nem há final dos tempos. Assim que nem existe vida fora da Terra. E se vive uma vez. E convivemos assim e com isso tudo. Sem previsões. E oremos!

            Eu sempre tive atração por esses lugares noturnos soturnos obscuros. E de sustos assustadores enfadonhos também. Alguns bichos horripilantes sub-reptícios e morcegos vingativos sacanas (devia haver um pequeno escape um buraco qualquer em algum lugar perdido escondido retirado recôndito para que esses bichos pudessem ir e vir), aranhas magoadas rudes furiosas pacientes, lagartixas coniventes cúmplices taxativas, lesmas tranquilas macabras, sapos-de-chifre condescendentes tolerantes, lacraias espiãs traidoras enfáticas, lagartas-do-cartucho silenciosas desonestas sonâmbulas, escorpiões  excêntricos estoicos resignados dissidentes, formigas-de-ferrão permanentemente ultrajadas e que por isso mesmo cuspiam berravam xingavam gingavam gritavam. Nem morto que descia ali sozinho. Caracóis catassois introspectivos introvertidos monótonos, malemolências, malacologia. E outros bichos visíveis invisíveis presentes ausentes que possivelmente povoavam o lugar. Fantasmas já camuflados que davam propina gorjeta gratificações além do estipulado somente para pegar os visitantes desavisados os inocentes os marotos os que nem gostam de estudar matemática ou física. E me arrepiava cada vez toda hora com os pelos dos braços em pé. Me sentia estressado. Entrava depois e saía na frente, acompanhado.

            - Nem se preocupe. Fique perto de mim. Sempre teremos uma ao outro.

            O porão nem era tão grande assim. Parecia uma caverna e cheirando como tal. Um subterrâneo um buraco uma lapa uma gruta. O vinho jorrava direto na jarra de uma asa, chuáaa!... e tinha um cheiro odor forte (metabolismo ou propriedade que têm certos corpos de emanar partículas voláteis capazes de afetar os órgãos olfativos e cuja percepção se manifesta em sensações diversas - fonte: dh). Quando o recipiente enchia já nem tínhamos nada que esperar ali. Voltávamos e vó carregava o peso com tudo. Era um mundo que precisava ser investigado mas nem agora. Mesmo em detrimento da valentia. Mesmo com a prerrogativa privilégio vantagem da escolta escoltado.

            Minha avó era sempre a mesma e de muito lisonjar lisonjear envaidecer enaltecer. A maioria das vezes de saia ou vestido. Quando frequentava a missa de domingo de manhã, usava vestido sóbrio manta no ombro ou o lenço de cabeça. Tinha um livrinho de orações e imagens de santos santinhos. Cada dia ela curtia lembrar os aniversários dos santos e santas. Os horários das orações dedicadas às festas religiosas mais importantes, laudes noas matinas. Sempre igual no sorriso na atenção no carinho. Em tudo sempre sendo ela mesma com elogios lisonjas bajulações.

            - Depois de 15 minutos ajoelhada diante da capelinha, me ergui, olhei o relógio de parede e já se haviam passado 2 horas.

            Vovó idolatrava alguém? Um parente morto ou vivo, santa ou santo? Tinha seus quadros como do coração de J e uma pequena estátua de NSA na capelinha. A paciência de rezar antes de dormir. Tinha um terço de puxar orações repetidas. Nem faltava um domingo na igreja matriz (ocasião que aproveitava também e muito para fazer novas amizades). Na primavera e no verão andorinhas-pequenas entravam e saíam. Corruíras um ou dois casais sempre tomando conta em quaisquer estações. Sabiás-cavalos cantando louvando laudatórios como sempre como nunca, tchirrichóooo!... tchirrichóooo!... A nave dava boa resonância bom som boa acústica e eco expandido dilatado alegre catedrático.

            Avó nunca viajou de avião ou barco ou trem. Aqui é cidade do interior e pequena. Nem temos rios grandes ou lagoas nomeadas ou montanhas de escalada. Vó sempre morou nasceu cresceu viveu aqui nesta pacata e tacanha cidade. Silhueta de edifícios ao horizonte (skylines), são os cinco andares permitidos pelo poder público municipal. Neve mesmo só caiu uma vez e foi memorável (inverno de 1963). É, pode ser!

            - Vem, vem tomar um suco! Você prefere batida de mamão ou abacate? Pode ser vitamina com seus índices de ferro, ácido fólico, potássio, cálcio, fósforo, iodo, betacaroteno. Um negócio muito saudável rentável aprazível.

            O tempo nem muda ou eu que nem vejo nem percebo. O tempo diz tudo? E isso vem ou nem vem ao caso?

            Vovó sempre me agarrava com força e paixão. Cada vez que nos visitávamos nos víamos, cada vez que ela chegava ou eu chegava na sua casa, me abraçava como se fosse a primeira ou a derradeira. Me abraçava e me beijava, me abraçava para me beijar. Me beijava para me abraçar. Ajoelhava para me abraçar melhor. Muito e extremamente aconchegante.

            Ela nem fazia palavras cruzadas ou calemburgo trocadilho ou mesmo lia o horóscopo. Era de peixes ou gêmeos? Nem nunca apostou em loteria e nem precisava desse tipo de sorte. Sua mania coqueluche eram os netos(as). Os olhos cansados de óculos grossos e grandes. Preferia assistir novela, ora a bíblica ora a urbana, as duas ao mesmo tempo à noite porém os horários nem competiam. Sem escândalo algum desespero lancinante nada nenhum nunca vi ou ouvi. As portas janelas com dobradiças azeitadas atarraxadas, nem rangiam. Intervir, comentar, causar, protestar, opinar... nem tinha nada disso. Com otimismo para todas as horas em todos os momentos.

            Minha avó nem enganava ludibriava mentia. Afastada disso. Nem maluca nem tonta nem louca. Contrário disso. Nem cizânia desavença rixa discórdia. Longe disso. Minha vó via o mar a partir da janela da cozinha. Conquistadora de paladares e incentivadora de apetites. De noite ela via a distribuição de estrelas a partir da varanda. De supetão e conforme a noite em a volta e meia chegava a lua redonda cheia e suas marcas de crateras. Com presença de espírito.

            - Temos astronautas e cosmonautas. Mas temos óvnis, que é o que interessa. Dias de chuva os extraterrestres preferem o bom tempo e a noite estrelada.

            E isso nem é o fim ou o início.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

Tambor-Mor

 

                                                          

           

            Um sol quente de fevereiro bronzeava todo mundo e também o mundo inteiro. Uma manhã azul e verde, gostosa saborosa apetitosa. Terminava arrebol um cre-pús-cu-lo! Combinando todos os nossos pensamentos e sonoras e movimentos. Impressionantes fosforescências. E nuvens leves esgarçadas transparentes e trajando a cote, cotidianamente diariamente. Eram horas de sair, ignição.

O astro escolhido do dia, que comanda o diário, fala com razão para toda gente e ilumina: “Ao tamanduá-mirim se deve ao menos 30 000 trinta mil insetos térmitas cupins formigas lava-pés por jornada.” É e está uma inscrição epigrama em bronze colocado monumento em a praça Debrum do Cairel, comunidade de Nova Roma do Sul,  suponho e aprovo: “Se teve ou tem o sonho de morar ali ou aqui, agora temos alguns dados concretos: a tentação de mudar de zona de conforto e conhecer o exótico o desconhecido pode chocar fortemente com a realidade”. O ruge-ruge das folhas e ramos de jarás, icicas, cambucás, cacaus-azuis, babunhas, carajurus, algarobeiras-pretas. A referida praça de toda uma vida, recatada modesta retirada escondida.

Veremos tudo, afeição pensamento lembrança. Sem medir ou esperar retribuição. Efusão expansão de sentimentos. Veremos tudo, o mundo o tempo a sorte. Os estos do mar e o vaivém, flutícolas. Veremos tudo, a beleza gentil e mimosa e garrida. Veremos tudo, ressumbrar ressumar revelar transparecer. Nem é verdade?!

O guasca atrevido, Jô Aljube Troca-Tintas, saía de casa neste exato momento hoje. Tipo assim já nove horas e o sol mandando ver mandando brasa escarlate pleno verão. Pegou o carro na garagem do prédio condomínio Pólipos de Crisólita. E rumo certo do trabalho do serviço na agência de turismo de sua propriedade cia ltda Reposteiro Diorama s. a. A esposa Ana e dois filhos (a guriazinha Táti Querena Carena, o piazinho Tato Pórfiro) já mais cedo se aprontaram e foram eles miúdos pra escola a creche Coração de Maria Escorço e ela pra labuta na fábrica de laticínios Tacaniça da Dorna, em o bairro Granadeiro. Assim a família, identificados e amigados com a rotina.

- Aproveitem as aulas e nem desobedeçam a profe, tá certo?! - sempre esta recomendação da mãe, gestos pudicos e graça inefável e sorriso enlevado de agradar.

- Sei me interessar pelas aulas de geografia e estudar os afluentes do rio Tocantins. Pode deixar! - resumia a Táti, fita precintada atada amarrada no pescoço.

- Quero lembrar de todos os 20 ou 40 times e seus respectivos Estados da federação. Pode confiar! - declarava o Tato, chibante altivo orgulhoso futebolista.

            Assim mesmo e ao natural lapuz rústico grosseiro, o Jô se mexia deslizando pela rua Joaquim Serra Sobrinho e aresta quina esquina com Salvador Furtado de Mendonça. Luz esplêndida. O sol hélio greco-latino, divino eterno e que comanda o dia desde cedo gotas de orvalho aljôfares, diz e com razão racional: “Plante e que se engendrem façam umas frutas!” E gotejado rorejado orvalhado em gênero classe família dos vegetais, tais e quais. O trilar de aves e águia-pescadora, marrecas-rãs, anuguaçus, gaitas, bem-te-vizinhos-ladrões, pica-paus-amarelos, tesouras-do-campo ou bandeiras-do-campo.

            Ali nos arrabaldes da cidade - avenida beira-mar norte Afonso Celso de Assis Figueiredo Júnior -, o Jô personagem protagonista deste episódio, olhou para o mar desde sua nave o auto esportivo e avistou as mesmas águas calmas bonançosas sopitadas emolientes brandas. As baleias-jubartes já chegadas e que vinham parir e amamentar suas crias nesta baía da Ilha Grande. Arquipélago e ilhas pequenas algumas, navios de carga repletos de mercadorias acondicionadas em caixas de aço e barcos a vela jangadas canoas iates de todo preço.

O condutor Jô, grande pensador e de largos horizontes, teve de parar o carro e ficar admirando o fenômeno mais natural e colossal e gigantesco dos últimos meses. E abrir os olhos aos bugalhos, franzir o sobrolho sobrancelhas. Documentado comentado nas redes sociais e aplicativos. Pequenos exíguos acanhados barcos de borracha e a motor dos cientistas da Universidade Trolha Vasqueira (UTV), rodeavam os soberanos desprecatados desprevenidos imprecatados cetáceos: provável mãezona e filhão. Esguichavam em jato de oito metros de tempo em tempo com o seguinte mergulho heroico exibindo a cauda embandeirada identificada. Horas de fazer o quilo, vamos dizer! Será que roncavam? Será que era conversa ou canto?

Nem escapou a perplexidade ao Jô, sujeito cultural e pronto para o coice o chasco e o gracejo mordaz. São os melhores específicos, ínclitos ilustres celebrados. São os melhores específicos, embair lograr iludir seduzir. Nem escapou a ele este encabrestamento, desgraça azar desdita vil mofina. São os melhores específicos, trêfego astuto trefo sagaz. É necessário que eu te diga, digo: é preciso o tempo.

            Vamos com Jô. Como ele conheceu e escolheu o emprego de guia na agência de turismo que agora lhe pertence com propriedade registrada em cartório. Sempre quis viajar e gostava desde tenra idade de geografia. Fez o curso de turismólogo, pra início de conversa. Como assim e tudo, começou de baixo pra cima e de menos a mais. Sazonado amarelecido no gosto impretérito de conhecer novos lugares. Até se tornar o dono da empresa especializada em excursões turísticas e esse estudioso de assuntos no ramo na arte no tema no que for. Sugiro um roteiro?

            - Vamos a um passeio já sonhado! E com muito gosto! - sempre completava Jô, depois de cada negócio e frente a frente com cada cliente.

            A que te dedicas? E lhe perguntavam frequentemente. Mostrava mapas e imagens ao vivo de cidades e lugares cheios de sol. Praias de areia lisa branca e mar azul céu anilado. Oásis paradisíacos sibaritas santuários da flora e fauna. Pontos turísticos célebres verdadeiras celebridades ícones. Orgulhosos mostruários de civilizações antigas milenárias e modernas avançadas. Todas as idades excursões ranchos grupos cobertos ou nem por pubescências lanugens penugens, as idades primeiras segundas terceiras. Símbolos e emblemas de caminhos de destinos jornadas imperdíveis. Sol sal sul e bem arrebicados cosméticos. Passeios de segunda a segunda de dia canícula de noite plenilúnio por serras socalcos plataformas por montanhas lançantes vertentes ladeiras parques cidades e Caravelas, Prado, Vereda, Teixeira de Freitas, Porto Seguro, aldeia pucobié-gavião. Terramarear! Daqui ao céu!

            - Nem ande tropeçando! Nem reproche ou reprove reprovação! - eram seus dizeres e lemas e frases soltas feitas para entusiasmar os fregueses(as).

            Como este Jô, agradecido da geografia, conheceu a sua esposa Ana Jaque Tira-Linhas e começaram a namorar. Foi uma escolha ou um acidente incidente do destino. Com estrondo estrompido estrépito e chuva no decorrer do dia. Ele a escolheu ou foi escolhido. Foi flechada à primeira abordagem ou um estudo a prazo? Veneração reverência. Vamos supor que foi uma procura uma escolha um estudo do próprio e fleumático estorvo aristocrático impassível e mesmo frio estafermo Jô. Achou descobriu a mina (no duplo sentido de ouro e menina) e resolveu pesquisar estudar analisar. E com afinco empenho levar seu tempo para adquirir conquistar agarrar o tesouro. Pachouchada ou investimento empreendimento. E tudo começou na faculdade de veterinária, que ambos frequentavam e eram colegas. Um acercar-se acercamento com zelo desvelo dedicação vigilância e continuidade. Ganhou 10 na nota da persistência. Como a rapina do gavião-relógio, à sorrelfa à socapa de sorrate sorrateiramente. Igual ao zorrilho jaguané, teima birra teiró. Idêntico ao camaleão-de-pedreira, liso achatado camuflado.

            Então, alguém ou D sabe!, foi o acaso que os meteu na mesma sala de aula. Assim mesmo lado a lado e ele olhou pra ela e ela já estava de olho nele. O primeiro encontro e o que dizer no primeiro encontro do primeiro do ano novo:

            - Eu queria estudar mesmo era a tal da hipiatria, conhece? - proseou ele, sempre metido em dobadoura pressa correria afobação.

            - Sempre quero fisiologia ou biofisiologia. Nem sei o que faço aqui - disse ela, lenço colorido trespassado nos ombros.

            - Acho que foi bom e valeu para nos conhecermos - respondeu ele.

            - Sim, e o destino sabe melhor que nós mesmos. Assim está escrito em algum lugar que nem sabemos ou por que tinha de ser - declarou ela, voz fagueira meiga carinhosa.

            Ambos tomaram atitudes ou gestos pensativos. Ambos espíritos atilados hábeis esmerados apurados. Cada qual do seu ponto de vista e origem e sexo e ideologia e teologia, etc. Assim trocaram mais meia dúzia de palavras ali e naquele momento. E ele neófito aprendiz iniciante principiante neste negócio de amor; e ela cândida inocente ditosa pura. Ambos obrigados a alcançar os haveres riquezas posses divícias. Na vontade e na moleza, no inverno ou no verão, na tertúlia passatempo divertimento ou no cacaréu beleléu escarcéu. E, oxalá!, nada de condescender consentir ceder no primeiro revés. E a partida estava empenhada comprometida. Dia ou menos dia e o mês de maio.

            E os dois se reconheceram no mesmo dia? E ele a reconheceu bastou vê-la. Ela era carioca. Toda carioca é fluminense. Frequentava a praia de Ipanema. E todo dia de domingo azul sol mar. E era assim a correta correção das linhas e a harmonia fácil dos contornos.

            - Compreendo quanto deve ser o ganho de uma admiração - disse ele a ela.

            Assim e então, vejamos esta como é a ascensão do astro ígneo do sistema solar. O astro mitrado finório astuto. Ondas marinhas verdes que se esfrolam se estrompam se rompem de encontro às pedras do cais no porto de Alforreca, em Niterói. Na rua Joaquim Nabuco de Araújo levantando os tais e quais turbilhões de poeira e papéis, forte vento Aracati. O vento estouvado imprudente e talvez agastado aborrecido. Metendo à bulha tumultuando provocando os outros todos elementos. E isso tudo junto e livre... deleita a vista e outros sentidos. Quando a natureza quer ela organiza e protagoniza. Quando a natureza quer ela cria constrói e destrói.

            Nem vejo a porta! Era pecha vício falha ou encômio elogio gabo? Era enxacoco ou xacoco? Era beócio ou ignorante? Era praia Alcobaça ou rio Itanhém? Era cabedal ou haveres? Era tarlatana ou bocassim? Era remoque caçoada zombaria ou ninharia inutilidade nuga? Era homúnculo ou mesquinho? É de arromba!

            Jô pegou a bíci e saiu. Estamos em março. O dia prometia altas temperaturas ato de queimar combustão e desde tenra manhã. Pegou a avenida da Terebintina frente do museu do Rico Marchante da Sinecura. Pelo acostamento e com cuidado, ali nem havia a tal e qual ciclovia. Mais adiante a rua José Cesário de Faria Alvim, os carros açodados ligeiros acelerados apurados. Pretendia, o travesso maganão, chegar e chegaria na colina na atalaia pináculo do morro Escaramuça. E aves em bando ali retalhavam o espaço aéreo com voos intermitentes intermináveis e rápidos e circulares e precipitados precisos. Solfejavam os tais e quais pássaros e joões-arredios, ferros-velhos, cais-cais, anus-corocas, bicos-roxos, juritis-azuis, saís-guaçus, canários-do-chão.

Sempre que ele podia procurava ver e sentir a força estranha daquelas pedras pedronas, blocos colunas placas verticais. Favoreciam transmitir uma energia do céu dos deuses. Que deuses e deusas divindades? Um fato. O morro a colina e seus espíritos de pedra dentro da força empedrada. Um cemitério de mártires um lugar de martírios. Uma breve jaculatória oração pedido e, “oh, meu S!”, aos espíritos indivíduos que governam e moram nos montes e peraus e rochedos. E tenho pra mim e comigo que é algo negócio decidido. É algo forte. É fogo da terra feito força.

            Chegando no alto saiu da trilha escabrosa e acidentada, própria para escaladas de bíci, e foi até aquelas umas rochas monolíticos estelas gigantes fazer sua doação. Entregar as oferendas os ex-votos e abraçar as rochas. Subiu por um talude uma rampa. Terra sáfara deserta cheia de pedras pedregulho penhasco. Uma dessas pedras grandes, em força de sino campânula campanuda, sempre lhe chamou mais a atenção e era sua favorita para enterrar o tesouro o doário. Já lhe deu o nome de Campanário, lugar dos sonoros sinos sons chamados em rufar e urrar e atroar. Foi abraçá-la com saudade e esperança. Abraçou com força e sentimento, rosto colado e olhos fechados.

            - Minha convicção perto da esperança - lembrou dizer ele, ideia pensamento persistente e merencório melancólico sorumbático sombrio.

            Em um altar em que muitos aborígenes mais e mais vinham adorar. Prometer para amanhã é fazer menos que hoje! Ali um escasso fio-d’água ribeiro rumorejante descia sim enrolado desenrolando serpejante entre pedras sim e musgos e outra vegetação alguns alegretes vasos de barro para plantas e jalapas-vermelhas, bisturis-do-mato, muirapixunas, coiranas-amarelas, pacaís, mancenilheiras. Mas as pedras estavam aí nas formas dos deuses e deusas. E essas estátuas comunicavam falavam as coisas altas profundas aos ouvidos dos humanos. Lugar tão bom e livre limpo escoimado. Se possível e sim se podia contemplar e entrever bispar avistar a orla do mar a praia de Copacabana.

            Andava pelo meio das pedras e cumprimentando Jô a todas e suas conhecidas. Sempre um abraço uma palavra, que podia ser um pedido de conselho. Concorrência influxo influência do deserto do sossego do silêncio e afastado do rebuliço da cidade. E escutava ditos e recomendações bendições favores dicas e outros pareceres. Talvez os índios silvícolas sabiam da força do lugar e davam nomes àqueles monólitos monumentos. E quem sabe precisavam peregrinar até aí assim como ele. Sentir receber vozes do além ou do aquém. Sempre é possível sempre é possível zombar. Sempre é possível escamotear encobrir. Sempre é possível apoio forção espeque escora auxílio.

            E a alma íntimo âmago estava precisando de um dilema, no primeiro dia do ano. E a garrida estava precisando de uma regalia, no primeiro dia do ano. E a galhofa e o deboche estavam precisando de chasquear e escarnecer, no primeiro dia do ano. E a festa estava precisando um carnaval folia brincadeira, no primeiro dia do ano. E a coquete faceira graciosa namoradeira estava precisando rir gargalhar riso risada cromática, no primeiro dia do ano. Que te digo?!

            Este Jô começou a perceber que nos dias de muito calor e muita luz, no verão em pleno reino do sol, a amada perseguida Ana Jaque nem comparecia às aulas da faculdade. Que que era o motivo? Nem demorou muito. Já entendeu. Eram as 20 praias do lugar. Umas dúvidas simples o assaltaram então depois dessa certeza e conclusão:

            - Onde? Em que praia? O dia todo? Tantas pra escolher!

            Quando os filhos tiveram certa idade, um de 4 e uma de 3, já foi e foram e lhes perguntaram os pais:

            - Que mascotes vamos ter? - perguntou a Ana, mãe amorosa terna participativa.

            - Vocês querem cachorro ou gato? - indagou o Jô, pai participativo terno carinhoso brincalhão.

            Eles os rebentos escolheram ambos os bichos. Ela a Táti escolheu gato e ele o Tato escolheu cachorro. Assim a família teve de buscá-los. E era bom trazer animais para os filhos porque estes podiam brincar aprender e a cuidar ter certas responsabilidades. Toda criança merece um amiguinho de estimação com quem possa conversar. Chamando sim pelo nome o fuão o fulano a sicrana a beltrana.

            Foram ao veterinário na loja veterinária Taçuíra, localizada local à rua Rodrigo Otávio de Langgaard Meneses com o bairro Pirueta Azoada. E pediram informações e demais tais e quais procedimentos e hábitos e sistemas e aritméticas e álgebras de conduta. Com rações e acepipes e petiscos e remédios e atendimentos as horas e os dias da semana. Os quantos e tantos melindres exagerados e impertinências nicas de cada raça ou espécie, tamanho e sexo. Os animais domésticos são protegidos por lei. Os animais domésticos têm direitos e seus donos deveres. A população dos mascotes cresce muito exponencialmente e em todo o mundo.

            - Temos cachorros grandes calmos e agitados, cães pequenos calmos e agitados - descrevia o atendente veterinário, senhor Falbalá Estojo Milho-d’Água.

            - Temos gatos com pedigree e outros os mesmos vira-latas - destacava o mesmo balconista veterinário, senhor Falbalá Estojo.

            - Temos os mascotes da fauna local, pelo pele casco pluma escama, e devidamente registrados e autorizados pelas autoridades competentes e as mixilas, as jacupemas, as cutias, os tracajás, os mandis-bandeiras, os bacuraus, as curicas-urubus - anunciava o atencioso veterinário, senhor Falbalá.

            - Temos xerimbabos altos e fortes e que podem carregar nas costas um certo peso ou seu dono(a) e assim os cavalos as vacas os bodes as cabras os porcos os camelos ou dromedários - discorria esperto o veterinário, Falbalá Milho-d’Água.

            Quando escolheram de comum acordo e todos opinando, ficaram com um cão vira-lata manchas marrom-claras com branco e rapaz sujeito idôneo apto capaz adequado. Uma gata pedrês ou carijó ou malhada ou salmilhada e moça sujeita sincera lhana franca afável. Durante o caminho de volta, entre a loja e casa, já debatiam os diversos palpites de nomes próprios. Pois nomear é dar uma identidade, e efetivamente colocar alguém no mundo.

            - Vou chamar minha gata de... Sanefa! Gostei do nome... Sanefa! - dizia repetia e reforçava a menina Táti.

            - Vou nomear meu cão de... Teiru! Gostei do apelido... Teiru! - falava repetia e teimava o menino Tato.

            No fim das contas e já dentro de casa sabiam o que pretendiam apelidar. Com cartazes e rascunhos e desenhos e vídeos já rasurados. Com testes de paternidade e maternidade. E cada bicho com seus brinquedos brincar e trebelhos trebelhar. Cada ente ou ser animal com seus côvados de limites de território e abrangência de atuação. Achavascados rústicos grosseiros, porém usurários agiotas onzenários. Comilões glutões galfarros. Horários pontuais junto com a família, comida adequada balanceada e cada qual com sua caixinha de areia localizada no pátio.

            - Au-au-au!... - latido tradicional de Teiru e já traduzido ao português brasileiro arrevesado: “Quero comer cinco vezes por dia e água mineral sempre ao alcance!”

            - Miau!... Miau!... - miado padrão de Sanefa e já traduzido ao português brasileiro atravessado: “Vocês sabem que quero e aceito e só durmo à noite após beber meu rico leite morno, tá certo?!”

            Em uma messe em que nem mais se poderá colher a safra. Veja o que lhes digo! Um dia já chamaram corimbo o cacho; tasquinhar o beliscar; serrazinar o cacetear; proêmio o exórdio; mosquear o vagabundear; crivo a joeira; atonia a inércia. As ondas do mar vagas parece que têm origem na lua fases.

            O rio Barueri-Mirim está impagável. Sapos-da-areia coaxam engazopam iludem mentem. Cardume de igangas consertam rápidos apressados atamancadamente atabalhoadamente o dique rasgado. Jaçanãs, rêmiges verde-amareladas, se barafustam adentram com ímpetos impetuosas pelo alagado caçando vermes bichas ruguinhas barrigudinhos sanguessugas girinos sambacaçotes rapa-colheres sapos-conchos. As marias-lecre, possuem exuberante penacho em forma de leque, já ali desse modo apoiadas apiadas ao esteio dos caramanchões naturais. As juruvas jiribas uritutus, aves coraciiformes da família dos momotídeos, quase sempre representando o estado de torpor abatimento delíquio desfalecimento.

            Seriam dez 10 horas passadas. No dia do casamento na festa em pleno clube Cápsula Especial e os convidados os presentes, ou melhor, os que compareceram. Jô convidou e compareceram uns 120, entre h e m. Ana convidou e compareceram 100, entre cervejeiros e cervejados(as). Sala varanda e pátio. Salão em cubículos separados por tabiques de vinháticos-do-campo, os tais e quais diferentes ambientes.

E havia como apareceram os distintos tipos, falas e conversas farelórios mais bemóis e sustenidos, uns personagens emblemáticos ou provectos jurisconsultos. E assim quanto ao mais e profissões forenses advogados bacharéis e verrinas e emprazadores desafiadores provocadores estelionatários rábulas e chicanas rabulices. Os pelotiqueiros mágicos ilusionistas trapaceiros arredios falazes fraudadores fraudulentos. Mestres de alto coturno de alta importância social e, com toda razão, irritadiços irritados arrufados amuados. Cidadãos cidadãs pilhados nas esparrelas. Risos e gargalhadas soltas, línguas delgadas bífidas protáteis cobras malacatifas, assim prontas para macetar zurzir açoitar vergastar chicotear golpear. Cotejos indecisões rodeios inclinações e demais muitas periclitantes deliberações de escolha. Sagitarianas librianos virginianas geminianos. E outras proclamas e pregões e exclamações.

            - Ei, querida!, fala por mim. Por que você nem deixa de torcer por esse time teu aí de três colores? Nossos filhos devem torcer pelo time meu e nem pelo time teu! - dizia iterava o Jô, no sentido de constranger constringir comprimir apertar estringir.

            - Vou lhes ensinar a aguentar o rojão e aguentar as pontas com o time meu e acompanhar de longe secando o time teu! - comentava colocava a Ana, no sentido de veleidade impulso desejo extravagância.

            Assim, ergueram sublevaram sobrelevaram a flâmula da branca harmonia. Num mastro acima do morro no tope no cume no auge e com vistas de 360º. Que luz luzida luzidia brilhante conhece a montanha e o caminho as quebradas do alto do morro Escaramuça. Subindo em escala escada espiral em zigue-zague. E parece hoje mesmo.

            Decorreu mais um mês. Um apagar da luz natural do sol um suave entardecer este crepúsculo lotava toda a atmosfera. A lua redonda fez valer sua fama e sinaliza: “Morcegos de impressão ou sensação, cacem insetos e comam frutas maduras aromáticas.” Os bacuraus ouvindo a disciplinada lua foram motejar gracejar chasquear. Agora os porcos chauvinistas xenófobos podem dizer: “Chove a cântaros!” Cavalo isabel de nome Abegão, azêmola e cor baça e celhas pestanas fortes, e alambicado pretensioso presumido, professor professoral professou: “Se eu disser alguma coisa você pode crer e acreditar!” Estes os papagaios-da-serra ou os charões sempre chalrando frivolidades futilidades ridicularias. Nesse ambiente cumpre estar sempre ligado!

            Era o ar do amanhecer ar bom a luz cobrindo a expansão expansiva. Uma opípara magnificente suntuosa diáfana limpidez. O resplendor celebrando celebrava a paisagem. Diante dos olhos se antolha antoja afigura todo o cenário prócero alto gigantesco do reino dourado governado pelo mesmo deus-sol e demais logísticas e harmoniosos profundos sistemas. Vou te dizer!

            Já montado no seu petiço Abegão, Jô rumava para o morro da Escaramuça. Levando na mochila o último pedaço da ex-esposa. Ia direto e reto sem perda de tempo pelo caminho esplendoroso para chegar o quanto antes ao topo e evitar o derretimento da peça e consequente derramamento de sangue. E assim a cavalgata cavalgada pegou a ponta do macadame da rua Luís Caetano Guimarães Júnior para num pequeno trote chouto andadura e já entrar no parque Estiva de Varas. Pássaros grazinavam tagarelavam cantavam com 1 ou 100 alegrias repassadas de euforia. Nimbos nuvens de chuva ameaçavam para o horizonte leste. Nuvens recortadas nas figuras de animais objetos peças e instrumentos chochos vazios murchos engelhados. Está bom!

Agarrado ao arção da sela e vascolejado sacudido chocalhado pelo passo cadente da alimária, o Jô também apreciava o panorama físico do litoral e dependendo da sinuosidade da trilha. A garupa as ancas do Abegão iam lotadas de mantimentos apetrechos ferramentas. O caroneiro pungia picava espicaçava incitava o quadrúpede nas ilhargas ilhal flancos conforme o necessário ou conveniente. Por dentro do território do parque o cavalinho andava melhor mais tranquilo. Logo logo alcançariam a trilha para subir o morro área restrita. Dia do seu aniversário, e que coincidência!

- Compreendo quanto deve ser a ausência ou falta de uma ilusão - disse ela a ele.

Até onde a vista alcançava e era de cartão-postal, senhoras e senhores! As vistas as regras da perspectiva e técnicas de representação tridimensional, convenhamos! O cavaleiro sempre ia abastecido e prevenido com o farnel fardel bogango merenda, tanto para si como para o animal. Consciente dos quatro elementos, cabeça coração estômago bolso. Nem podia conter os raptos arrebatamentos enlevamentos que seus olhos comprovavam. Mar e céu, céu com céu. Casal normal de beija-flores-de-banda-branca e irisados pelo prisma brilhante das penas plumas. Vai vendo o resto restante!

            Como ele pergunta a ela se se encontrariam logo mais de noite, ela (ilhó anilho objeto em forma de olho preso a uma correntinha em volta do pescoço) nem respondeu, disse que ia embora: “Vou embora porque aqui nem é o meu sítio preferido!”

            Em quem teimar que Pelé nem fez mais de mil 1.000 gols, errada é a Bíblia! Em um regaço colo em que nem mais se pode dormir. No afã afobação de sair, esqueceu o celular sobre a mesinha de centro na sala de estar. Ou seja, cerveja venera condecoração comenda medalha insígnia. Fonte fácil de lucros pepineira mamata. A montanha por quê? Havidos e por haver!

            Faltava um bom pedaço para o tope da montanha sagrada consagrada. O equino sabia seguir as ordens do tratador do dono e senhor. Aproveitando o ensejo, o caminho coberto de mato sombras nemorosas fazendo favores mimoseando obsequiando o peregrino o maratonista o romeiro e mirindibas, pacaris-do-mato, enredeiras-de-borla, rodriguézias, cominhos-bravos, murtas, rabos-de-rato, marupapirangas, guaricangas.

Já tinha Jô outras alternativas de passeio, a moto a bíci o triciclo. O animal, caraça carão, tinha lá suas manias apagões e medo de cobras lagartos e portanto ginja avarento velhaco. Tinha suas cismas e porém de caráter dúctil manejável flexível moldável. Assim como o gato, estes diferentes do cão. Os cachorros mais barulhentos sempre querendo vingar compensar latir se desforrar se esforçar competir. Ou nem por isso ao contrário, se me permite!

            Tranquilo, nem passa nada de mais! Já estamos em meio e muito comprometidos com o mês de janeiro. Se houve traição, se se pode falar em traição, foi dele para com ela, que nunca jamais deixara de amar. Vamos nos mandar mudar daqui?

            Um dia era meio-dia, uma noite era meia-noite. Era um cair no goto em que nem mais se pode motejar. Era um dístico em que nem mais se pode prefaciar. Era um laurear em que nem mais se pode eivar infectar contaminar. Era sueto ócio folga em que nem mais se pode afrontar chofrar bater de chofre e em cheio. Que mentira, senhores!

            Descoberta científica abala o mundo científico da ciência na autópsia necropsia necroscopia exame de cadáveres ou o que restam deles: cientistas dissecadores da Universidade Sarja & Riço (USR) - já famosa no mundo inteiro por estas e outras descobertas -, da cidade de Paulínea, destacaram a data exata do enterramento dos sacrifícios humanos e animais em o morro da Escaramuça. Então, nada mais importa?!

As poucas amostras dos cadáveres encontrados (seriam fósseis?) comprovaram por a mai b e como 2 e 2 são 4 que os rituais (seriam inteiramente e somente feitos praticados pelos silvícolas?) eram já anteriores à chegada de Cabral, e até (pasmem!) modernos contemporâneos como aos dias atuais. Alguém acredita que isso, assim, se pode e se deve? É preciso ou nem é preciso?

Me deixem falar com os deuses e demais interessados. Nesse momento conduzir o animal o machinho era com diplomacia. Morro acima é mais fácil com um burrico. Completar o passeio até o topo rechã a plataforma platô. Que coisa bem feita, meu!

            Agora sim estamos vivenciando fevereiro. E por que transportar arroz ou batatas ou abóboras em caixotes de madeira de lei sucupiras-mucunas se se pode levar e trazer tudo isso em sacos de aniagem? Encomenda recomenda comenda. Este o ponto que queria chegar e cheguei!

            Era boa ou séria? Era infantil ou pensativa? Era capoeira ou cesto de varas emborcado? Era chulipa ou piparote? Era exprobração ou censura? Era chorumela ou ninharia? Era praça Francisco Otaviano de Almeida Rosa ou avenida Aureliano Cândido Tavares Bastos? Era ornar ataviar arrear ou joeirar peneirar separar? Era vedeta sentinela ou bonifrate fantoche títere? Nem vejo a janela!

            E o morro estava precisando de um guarda-sol, no primeiro dia do ano. E o sol estava precisando de uma lua, no primeiro dia do ano. E a cidade estava precisando de um rio caudaloso, no primeiro dia do ano. E o mar estava precisando de uns transatlânticos, no primeiro dia do ano. E a mangalaça lassa frouxa cansada população estava precisando de abusões enganos ilusões, no primeiro dia do ano.

            Nesse momento Jô tinha adquirido oito ou nove responsabilidades: ubiquidade ou ubiquação ou onipresença, bater o pacau, de um ápice, libar, consignatário ou destinatário, tática ou estática, sancionar, garrulice ou tagarelice. Era sempre assim!

            Dessas imagens e figuras decentes já se fazem ainda o dia de amanhã e por vir.

            - Que D te abençoe e te inspire!

            - Então fico alegre! E estou!