Era um cara e uma cara. Homem e uma
mulher. Uma esposa e esposo. Eles estavam juntos havia onze (11) anos. E eram tranquilos
e felizes. A felicidade não existe. Assim, felizes para sempre. Para sempre será
(?) um tempo suficiente. Mas poderiam compensar em ter filhos, uma vez.
No começo, não havia noite nem
estrelas não havia lua. Noite que não era noite, murucututu que não era
murucututu, lua que não era lua. Para onde ia a lua?, ninguém sabia para onde
ela ia. E a índia Naiá saiu correndo braços erguidos pela mata atrás de
alcançar a lua. Nem tanto à rua nova nem tanto à lua cheia. Os barulhos da
noite foram o tem-tém!... o cre-cré!... multidão de vozes sapos jias grilos
vaga-lumes galos corujas-buraqueira mulas-sem-cabeça. Foi uma noite, a lua
refletida, Naiá chegou à beira do lago e mergulhou para nem nunca mais voltar.
Incerta hora, os três (3) bandidos passavam
em frente da casa verde com persianas marrons e um espaço para jardim na
frente. E resolveram entrar entrar. Bem armados até os dentes. O Diagonal o
Oblíquo o Transversal, originais em muitas coisas. Ocultos ou do conhecimento
de poucos. E cheios de confusão.
O casal estava em meio ao show de
calouros assistindo e se assustou. Quem será a essa hora?! Compulsivamente,
ladrou ladrou no corredor a cadela salsicha
Algeria. Pouco antes dos comerciais, um barulho suspeito a ser
investigado na janela da cozinha.
- Te liga, otário! Quero as chaves do
carro cartões dinheiro joias, etc.
- Não tenho cartões nem tenho
joias...
- Cartão?! Carro?!
- O carro tá na oficina...
- Tá brincando?! Tá de brincadeira, oh
meu?! Eu não entrei aqui pra perder o meu tempo! Quero grana, a grana, senão
mato os pombinhos!
O chefe dos inclinados e mais seus
dois comparsas apontavam as armas para o casal.
- E daí, primo?! Desenvolve ou te apago?!
- Não tenho dinheiro...
- O que que é, mano?! Ocê tá de gozação?!
Procurando a tua hora?!
O homem sentado no sofá verde...
- Te entrego a minha esposa...
Os tripulantes da nave interplanetária
os três (3) se entreolharam. O chefe o Diagonal já foi que concordou:
- É isso, compadre! Prezamos os melhores
acertos com a maior oferta!
Os visitantes intrusos indigestos amarraram
o homem bem amarrado numa cadeira de balanço com apoio para os braços. Desembaraçados
engraçados famintos risonhos brincalhões abraçados, foram levaram com a carne de
primeira para a ceia no quarto de dormir. A tevê da sala de estar ficou com as
ofertas eletrodomésticas torra-torra da rede de lojas Baré.
A lua passeava pela rua Cariúa. Não
era agosto nem sexta-feira muito menos dia treze (13), mas o dia consagrado ao
padroeiro São João Baptista. Lua original como nunca se viu antes imortal
universal e tal qual. É difícil separar as coisas das coisas. Vos segui, vos
encontrei, vos deixei e vós o sabeis!
A única vez, primeira e última
eternidade.
Depois de quatro (4) horas, os famigerados
satisfeitos cansados suados deram o fora por encerrado e foram embora. Mas se
mudaram para muito longe. O homem ficou amarrado mais um tampão. A mulher dada
como limonada.
Quem anda? A lua. Que lua? Pois a lua
anda de trás para frente.
Então, muito mais tarde, o homem
conseguiu se livrar das cordas das cordas.
As pessoas boas morrer cedo! Os bons
viver pouco!
Vamos esperar outro dia para ver o
que que se faz.
E outra vida, outra disposição.
Vai morrer e desaparecer e sumir do
mapa sem conhecer a praia de Guaiú, morro Cara de Cão, baía de Guajará, rio Una,
cerro do Jarau, parque Itapoã, ilha de Boipeba, Itajubá cidade?! Um pouco por
passeio outro por superstição mais um tanto por respeito e curiosidade, sempre
leva a algum lugar o Caminho dos Passos de Anchieta, Vitória, Vila Velha,
Guarapari.
Enquanto isso, os números possuem
vários problemas ao mesmo tempo e durante o percurso do de sempre. Já o sete
(7) é uma exceção, não tem problemas ou tem pouquíssimos entraves.
A lua escalava percorria convidava a
noite de Nova Prata. Espalhava prata por onde andava. Aqui ali no céu, a
estrela corria à procura de outro lugar. Um cão talvez preto com malhas
vermelhas, etc. A noite era três (3) ou quatro (4) vezes mais noite. As árvores
pisoteadas pela lua, sabugueiro, lixeira, aroeira-periquita, cumanã, iaguá,
rabo-de-macaco, contando com mais algumas outras, árvore-de-coral, cuaxinguba,
pacova-de-macaco. Entre tanta tanta coisa curiosa, o bacurau arrepiava os
cabelos. As pessoas mais velhas do lugar recomendavam recomendavam que ninguém
fosse sozinho à noite se aventurar por estradas e outros caminhos e ruas e
becos. Aquela noite havia sim lua na terra.
Levou todo o resto da noite. Multiplicou
o corpo em oito (8) partes. Embrulhou papel laminado cuidadosamente pedaço por
pedaço. Cada posta dentro do seu caixote. Os parentes escolhidos a dedo. Os endereços
lançados aos quatro (4) cantos do país.
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