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quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Aqui Del-Rei!


 

Era um cara e uma cara. Homem e uma mulher. Uma esposa e esposo. Eles estavam juntos havia onze (11) anos. E eram tranquilos e felizes. A felicidade não existe. Assim, felizes para sempre. Para sempre será (?) um tempo suficiente. Mas poderiam compensar em ter filhos, uma vez.

No começo, não havia noite nem estrelas não havia lua. Noite que não era noite, murucututu que não era murucututu, lua que não era lua. Para onde ia a lua?, ninguém sabia para onde ela ia. E a índia Naiá saiu correndo braços erguidos pela mata atrás de alcançar a lua. Nem tanto à rua nova nem tanto à lua cheia. Os barulhos da noite foram o tem-tém!... o cre-cré!... multidão de vozes sapos jias grilos vaga-lumes galos corujas-buraqueira mulas-sem-cabeça. Foi uma noite, a lua refletida, Naiá chegou à beira do lago e mergulhou para nem nunca mais voltar.

Incerta hora, os três (3) bandidos passavam em frente da casa verde com persianas marrons e um espaço para jardim na frente. E resolveram entrar entrar. Bem armados até os dentes. O Diagonal o Oblíquo o Transversal, originais em muitas coisas. Ocultos ou do conhecimento de poucos. E cheios de confusão.

O casal estava em meio ao show de calouros assistindo e se assustou. Quem será a essa hora?! Compulsivamente, ladrou ladrou no corredor a cadela salsicha  Algeria. Pouco antes dos comerciais, um barulho suspeito a ser investigado na janela da cozinha.

- Te liga, otário! Quero as chaves do carro cartões dinheiro joias, etc.

- Não tenho cartões nem tenho joias...

- Cartão?! Carro?!

- O carro tá na oficina...

- Tá brincando?! Tá de brincadeira, oh meu?! Eu não entrei aqui pra perder o meu tempo! Quero grana, a grana, senão mato os pombinhos!

O chefe dos inclinados e mais seus dois comparsas apontavam as armas para o casal.

- E daí, primo?! Desenvolve ou te apago?!

- Não tenho dinheiro...   

- O que que é, mano?! Ocê tá de gozação?! Procurando a tua hora?!

O homem sentado no sofá verde...

- Te entrego a minha esposa...

Os tripulantes da nave interplanetária os três (3) se entreolharam. O chefe o Diagonal já foi que concordou:

- É isso, compadre! Prezamos os melhores acertos com a maior oferta!

Os visitantes intrusos indigestos amarraram o homem bem amarrado numa cadeira de balanço com apoio para os braços. Desembaraçados engraçados famintos risonhos brincalhões abraçados, foram levaram com a carne de primeira para a ceia no quarto de dormir. A tevê da sala de estar ficou com as ofertas eletrodomésticas torra-torra da rede de lojas Baré.

A lua passeava pela rua Cariúa. Não era agosto nem sexta-feira muito menos dia treze (13), mas o dia consagrado ao padroeiro São João Baptista. Lua original como nunca se viu antes imortal universal e tal qual. É difícil separar as coisas das coisas. Vos segui, vos encontrei, vos deixei e vós o sabeis!

A única vez, primeira e última eternidade.

Depois de quatro (4) horas, os famigerados satisfeitos cansados suados deram o fora por encerrado e foram embora. Mas se mudaram para muito longe. O homem ficou amarrado mais um tampão. A mulher dada como limonada.

Quem anda? A lua. Que lua? Pois a lua anda de trás para frente.

Então, muito mais tarde, o homem conseguiu se livrar das cordas das cordas.

As pessoas boas morrer cedo! Os bons viver pouco!

Vamos esperar outro dia para ver o que que se faz.

E outra vida, outra disposição.

Vai morrer e desaparecer e sumir do mapa sem conhecer a praia de Guaiú, morro Cara de Cão, baía de Guajará, rio Una, cerro do Jarau, parque Itapoã, ilha de Boipeba, Itajubá cidade?! Um pouco por passeio outro por superstição mais um tanto por respeito e curiosidade, sempre leva a algum lugar o Caminho dos Passos de Anchieta, Vitória, Vila Velha, Guarapari.

Enquanto isso, os números possuem vários problemas ao mesmo tempo e durante o percurso do de sempre. Já o sete (7) é uma exceção, não tem problemas ou tem pouquíssimos entraves.

A lua escalava percorria convidava a noite de Nova Prata. Espalhava prata por onde andava. Aqui ali no céu, a estrela corria à procura de outro lugar. Um cão talvez preto com malhas vermelhas, etc. A noite era três (3) ou quatro (4) vezes mais noite. As árvores pisoteadas pela lua, sabugueiro, lixeira, aroeira-periquita, cumanã, iaguá, rabo-de-macaco, contando com mais algumas outras, árvore-de-coral, cuaxinguba, pacova-de-macaco. Entre tanta tanta coisa curiosa, o bacurau arrepiava os cabelos. As pessoas mais velhas do lugar recomendavam recomendavam que ninguém fosse sozinho à noite se aventurar por estradas e outros caminhos e ruas e becos. Aquela noite havia sim lua na terra.

Levou todo o resto da noite. Multiplicou o corpo em oito (8) partes. Embrulhou papel laminado cuidadosamente pedaço por pedaço. Cada posta dentro do seu caixote. Os parentes escolhidos a dedo. Os endereços lançados aos quatro (4) cantos do país.