Agora
mesmo é que eu nem durmo e muito cuidado com o visível invisível... Conjunto de
ideias iluminadas previstas imprevistas entrevistas, essências almas dimensões
memórias... Morando onde D quiser que eu more, e sem família apêndice dna, só
eu sei quantas estrelas por lá incontáveis e distantes umas das outras planetas
multiplicados corpos celestes e Japeri e Paracambi e lago Javary e rio Santana
e serra Tiguá e cachoeira de Santa Branca em Miguel Pereira...
- De onde você é?
- Você é de onde?
- O
que você faz hoje?
- O
que você fez ontem?
Me
aproximo me acerco, dia claro sol manhã de verão encanto substâncias, e devagar
crente perto da igreja de Ouro Branco e Senador Modestino Gonçalves e Dores do
Campo e Itaverava e Baldim... Porque tenho este meu sentido de turista
deslumbrado que já vinha tendo de antes que já havia passado aqui perguntas na
ponta da língua mapa na mão roteiro estudado centro cultural maestro José
Figueira em Paty do Alferes. O canto original da matéria da luz... Nem imagino
quantas e tantas maravilhas ainda por vir. São de séculos passados e do barroco
do Aleijadinho de pedra-sabão rococó e lavadas pela chuva vento e o sol.
Enquanto outros tiram fotos com sorrisos de férias despojados e de verões
veraneios, eu me cubro de silêncio e ladeiras e morros mar de Minas. Tenho a
ilusão que alguém me compare perfil me confunda com algum santo estatuário ou
desenho desenhado por mestre Ataíde. Eu uma figura de propósito. Biografia
local nem faz milagres, hein?!
De repente
por mágica no presente e ao rés-do-chão o sonho no material se solta se
concretiza. E faz sentido. Significante e significado ulha agulha tulha
borbulha debulha cambulha fagulha grulha... A animação a sorte a linguagem das
cores e cachoeira Serra Morena e imburanas-vaqueiras e falsas-quinas e cedroranas
e praça George Jacob Abdue e uiraçus e coró-corós e curiangos-comuns e juruvas...
Olha
o que tenho pra sugerir. Vamos contando as capelas as esquinas os balcões os
dias de santos santas escadarias bicas chafarizes os becos onde nem entram
carros a Marília de Dirceu... Me habituei a morar a salvar a aparecer em
Santana do Riacho e Santana de Pirapama e Itambé do Mato Dentro e Conceição do
Mato Dentro... Os tempos incontáveis as horas abertas os outros momentos as
regalias de translado indicam o apoio suporte respaldo sustentação aval
proteção auxílio endosso patrocínio assistência...
Me
sinto espiritual calor nuvem e algo transparente transcendente fantasma... Aos
poucos me acabo mesmo acima do bem e do mal. Já esta casa de D é que os anjos
dizem, “amém!”. E sua portada fachada magnífica trabalhada talhada está saindo
ainda nos catálogos e destinos de viagem. Seus vitrais tirados do Livro sempre
mais representativos e deixando o sol através, eu ao contrário me ofusco e
sendo camuflado pela terrena proximidade. O que fui nunca mais. O que sou mais
além. A idade que me compete que me alcança me blinda dos fenômenos temporais
ordinários... O que passo e repasso nem me dá majestade nem riqueza mas um
poderoso ar da graça. Eu durmo sabendo do amanhã - e vamos dizendo de algum
modo.
Pássaro
araponga que vira tracajá e gente que vira quássia-do-pará e capivara que vira
escorpião e iara que vira peripetinga e beija-flor-dourado que beija orquídea
bromélia... Caminho me exercito pela calçada da rua Poeta Cassiano Ricardo
Leite e paredes desenhadas vasos floridos dependentes dos muros janelas
inexistentes estátuas segurando símbolos humanos mosaico nacional bandeiras
estaduais municipal federal barracas de comida gastronomia e tendas de
artesanato e variedade leque gama escala série margem espectro amplitude cadeia
sortimento âmbito variação sortido escopo miríade miríada... Caminho socialmente
outra vez e o nome da praça Visconde de Sousa Fontes e os números das habitações
casario casas acolheradas e o museu Visconde de Inhaúma...
Atravesso
esta parede e entro no templo que é meu ambiente aclimatado e o lugar público
de todos a casa do domingo os altares a cúpula as relíquias... Agora sou um
mucuri e já fui guirá. De parte da águia-pescadora voei e voltei e aterrissei
lume fulgor fogo brilho clarão luzimento claridade e candeeiro vela tocha
candeia lustre lanterna... Parcelas que vão e vêm parceladas primaveras
pintando o sete. Irara era uma vez e vira retornei um poraquê, e soma sumo sema
suma.
Agora
mesmo o meu ser tomba aos poucos gota a gota inexoravelmente e isto somente
favorece os milagres para toda a gente crente aqui ao redor ao pé do altar em
frente dos ex-votos sacristia pia batismal, etc. A igreja de duas torres se
agiganta sempre e acende aureolada. Cada vez mais no interior desta nave, D se conecta
deveras com seu rebanho e limpo simples claro liso puro franco modesto normal
sóbrio comum singelo... Os anjos se falam se escutam se exercitam todos ao
mesmo tempo e cada vez mais para o alto. Nem precisam de padres sacerdotisas
pastores bispos acólitos sacristãos intermediários beatas teólogos ministros
vigários-gerais...
De
que campeonato vou me orgulhar se cada vez me eternizo mais e mais e de tudo
ter nascido de tudo ter pertencido de tudo ter colaborado? Sou estou e vou e volto
pela avenida do ar estratosfera autossuficiente perfeito rico fantástico
supergalático extra-humano suprapartidário pentacampeão ultrarrápido
ex-primeiro-ministro... Uns nem me olham nem menos nem mais e nem me veem - por
este acaso sublime dádiva -, o que me deixa exageradamente atemporal intemporal
acrônico e pronto breve célere expedito urgente diligente ágil imediato rápido...
Minha
última aposta cartada, enquanto olho este documento monumento erguido em pedras
e praça Manoel Congo, é chegar sem demora e se for o caso quando for se D estiver
se D quiser se D escrever certo por linhas tortas... Nem espero mais que
milagres iguais ou superiores aos que a igreja o templo continua já vem pregando
divulgando propagando.
Continuarei pagando quantas minhas
contas créditos com débitos e tudo em dia e muito bem pago resolvido.
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