Se nos dirigirmos à história da guriazinha
Vinda, irmã igual irmanada com a bicicleta Magrela, outro sim pronto
propriamente dito e feito, podemos iremos começar do início e desde o princípio
já no começo comecinho da era cristã. Quando tudo era reino animal quando tudo era
mato quando tudo era barro quando tudo era barranco quando tudo era pedra sobre
pedra quando tudo era plaga sem país quando tudo era quício gonzo dobradiça sem
internet quando tudo era cepáceo e cheiro gosto forma de cebola... Já e quê!
Uma história que abraça entre e entram nações
autóctones coroado carijó charrua assurini-do-xingu e felinos onça-pintada
canguçu jaguaretê e rios rio Capim rio Iriri rio Acará rio Moju. Sem declinar
evitar desviar, muito em antes pelo contrário jamais, dos pontos turísticos e
Pedra Maria Antônia e rua Barão de Ladário e parque da Gare e cascata da Usina e
parque do Caracol.
A chuva cai em a montanha, a montanha se
prepara para descer o rio, o rio corre até a cidade mais próxima e Joanópolis e
Pedra Bela e Cubatão e Toledo, a cidade se enfeita pro mar/oceano, o mar
escolhe todas as praias de areias brancas e finas e praia Itaquitanduva e praia
do Gonzaguinha e praia de Itararé e praia Parnapuã, as areias brincam com
Iemanjá no princípio do ano novo. Falando assim.
Muito sol muito calçamento muita
construção muito a pé e pedestres. Lojas ao longo das artérias da cidade desde
a rua Mostardeiro com a rua Mariante na Vila Mato Sampaio do bairro Bom Jesus,
zona leste. E lojas de derivados de cimento, moinho, máquinas e equipamentos
agrícolas, madeireira (com venda de lambrequins ou rendilhados de madeira para
decorar beirais), comércio de couro e calçados, malharia confecção tecelagem
(especializada especialista em moda de vestidos de noiva e festas), vidraçaria,
magazine (tecidos vestuário de roupas de lã capas de inverno sobretudos leves e
pesados blusas e blusões ternos femininos e masculinos jaquetas de couro),
óptica, livraria papelaria gráfica, marmoraria. A rua Andrade Neves com
vitrines soberbas e atraentes, os pacotes de presentes feitos com estilo e elegância
luxuosos bem desenhados prateados enlaçados enastrados enfeitados com tiras com
fitas douradas em ótimo acabamento. Um conjunto de ofertas pra fazer a festa!
A brisa soprando vem e passa arrastando
a própria família de ventanias. E tudo mais que vem segue com vendavais juntos
unidos e as nuvens o clima a temperatura o tempo o fenômeno da chuva, ou seja,
a família familiar inteira de ventos carpinteiros.
No apartamento da família em casa, rua
Tronca com a rua Alfredo Chaves, ela Vinda só sabia só podia ver tevê vídeo
jogos telefonar uatsape fotografar. Escovar os dentes 4 vezes por dia durante 5
minutos, quatro x cinco total vinte minutos (todo mundo achando exagero mas era
assim mesmo). Andar pela casa toda com as prediletas meias bicolores branca e
verde calçando as chinelinhas de tiras. Parar e se espiar se olhar se admirar no
espelho bisotado biselado cuja borda é cortada chanfrada em bisel (exoticamente
tomado de adesivos alusivos aos melhores carnavais infantis/juvenis no clube da
família o Clube Recreativo Despenseiro/Uchão, frequentadora apaixonada). Já a
guriazinha enfurnada no seu quarto de repouso atirada na cama ortopédica. Comer
maçã semiverde mastigando cadenciado demorado len-ta-mente, ‘crooooche!
crooooche!...’ Vestuário vestir calça jeans escuro sofisticado destruído
amassado com acessório de cinto de tecido trançado de duas cores azul e verde. E
talvez só isso somente essas tentativas experiências e mais nada de
significativo, como destacar em específicos detalhes minúcias. Amena!
- Algo está sim que se passa. As coisas
estão aqui mesmo no mundo.
O sol pegando no pé do dia do mundo da
esfera global globalizada. O sol no verão nacional de norte a sul e de leste a
oeste, crucificado ou polichinelo. Rua Jeju e praça Otávio Rocha em pleno meio-dia
ensolaradas rebrilhantes. Labaredas chamas espadanas línguas de fogo. Sabor
saibo de primavera. Isso faz parte dos conceitos!
- Eu curto o sol em apoteose em ápice. O
que é apoteose? O que ápice?
Menina xendengue e distraída. Menina
conformada com os deuses masculinos e femininos, panteão. (Pai de profissão ou
ofício baleiro ou batedor aplicador de tinta e tanoeiro competente dos bons
artesão de vasilhames em geral tonéis balsas barris barricas corotes pipas
tinas gamelas ofurôs baldes mastelas bigunchos, estabelecimento e loja junto à
praça Dante Marcucci ou praça da Bandeira.)
Uma menina tão galante destacada
franzina. Um cabelo escorrido selvagem. Um jeito amiga meiga de ser. (Mãe
lojista com loja joalheria ourivesaria oficina de joias que fabricam pulseiras
melindrosas, correntinhas folhadas a ouro ou prata, anéis de grau com rubis
para formandos em advocacia medicina engenharia e bem situada na avenida
Visconde Ribeiro de Magalhães em frente da praça Coronel Virgílio Rodrigues da
Cunha.) Vamos jogar com dados estatísticas informações oficiais, pois sim!
Garotinha taquariça 10 idas aos jardins
floridos (flor na idade das flores). Sorriso com dois dentes mais grandes na
frente. Menina fina desinteressada ainda desinformada dos planos da ciência
quântica física mecânica teoria das partículas subatômicas.
- Eu vejo o rio Macauã e o navego em
sonhos. Sonhos que me vão leve-mente.
A chuva no mundo inteiro. Já chove lá
fora. Deve abrir a janela para a chuva entrar. Chove desde ontem. A mesma chuva
da cidade. Molha e umedece, umectar. A idêntica chuva identificada sobre o
parque Getúlio Vargas ou dos Macaquinhos. Engrossa o rio Tega o arroio Pinhal a
cascata dos Molin a cachoeira da Mulata. Chuva organizada. Estridor do raio,
que nem cai duas vezes no mesmo lugar.
- Eu me navego aérea em as asas da águia
harpia. Que soa harpa toca harpista.
Assim que a impúbere esbelta menina Vinda
já era a dona do ouro. Dona da prata da mesa posta do chocolate do sorvete de
açaí. E dona da imaginação. Encontrava tesouros de insetos de folhas das
árvores das frutas silvestres dos ninhos de passarinhos.
- Eu abraço as árvores pelos troncos. Simpatizo
com ipê-de-flor-verde.
Posto pasto pasta basta bastante. Entrar
numa casa antiga e ver a escada corrimão balaustrada sótão porão claraboia
fachada balaústre colunas sala de estar. Sobre a mesinha de canto um
porta-retratos antigo com fotografia de avós preparada impressa em emulsão
gelatinosa tonalidade sépia. A avó assando pinhão no fogão a lenha, a cozinha
quente protegida do minuano, a janela envidraçada olhando o quintal.
- Eu revejo o passado nem tão passado e comento
comendo pinhão na chapa.
O sol podia estar em qualquer parte e a
lua também. O sol metido pretensioso autoritário, gravata bege e calças jeans
esfoladas nos joelhos. A lua charmosa altiva delicada, vestido verde-azul com
riscas azul-claras plissado. Que a lua podia associar encaixar deduzir. Que o
sol podia ameaçar suspender atacar. O sol podia vir com mentiras fraudes farsas
falsidades. A lua podia vir com milagreiros mães de santo filhas de santo
iadagãs dagãs vudus médiuns taxidermistas. Um sol, procedente do distrito de
Santa Lúcia do Piaí em Caxias do Sul, profissão securitário. Uma lua,
originária da cascata dos Bugres em Alto Feliz, profissão confeiteira de mão-cheia.
Lua que pratica natação com esnórquel. Sol que se exercita pratica corrida junto
da praça Carmem Cinira. Sai caro sair de sol ou lua no disputado concorrido
carnaval da cidade, luxento luxuoso luxuriante faustoso luxuário suntuário. Lua
luar aluada lunática e satélite, sol irial iriante iriado iriando e iriar. Lua
interminável, sol impensável.
- Eu sou esta fantasia encantada cantando,
“Alá lá ôh ôh ôh... mas que calôooo... estou atravessando o deserto do Saara,
Alá lá ôh ôh ôh!...”
Se o rio Carreiro cruza lado a lado ponta
a ponta a cidade e a cidade cruza de banda a banda margem a margem o rio
Carreiro. Acampar no bosque ao lado do rio Carreiro e natureza vegetal animal
mineral vegetoanimal vegetomineral. Um domingo de sol em pleno verão de férias
fazer churrasco com os amigos as famílias amigas parentes na beira do rio
Carreiro. Rio Carreiro rio das Antas rio Taquari, nesta ordem.
- Uma vez eu já usava lenço para prender
o cabelo, usava uma tiara para segurar o cabelo. Uso palito de madeira com
ponta redonda para realizar o cabelo, sucesso.
O sono que dorme pode dizer o onírico que
sonha a paisagem. E o sol salva a cidade na manhã de estro inspirado
inspiração. A cidade vocaliza o trânsito de autos metálicos. As máquinas
asseguram que as pessoas cheguem ao trabalho. As pessoas turba apoiadas nos
telefones fones de ouvido. O sol conseguido, muito conseguido.
- A canícula a ardentia do sol. O que é
ardentia? O que é canícula?
Gosta de aviões. Enaltece os inventos
voadores. Aeronaves de verdade e aviões de brinquedo. Caças de combate e aviões
comerciais. Base aérea de Canoas, rua Augusto Severo, estação Fátima do trem de
superfície. Teco-teco com motor de combustão interna. Aviãozinho de papel
reciclável. Aviões a jato com motores a jato, mais velozes e mais altos. Aviões
com motores a hélice tanto velozes e mais baixos.
- Aviões que parecem peixes. Navegando
como astros matizados irisantes...
Tão perto da menina Vinda as figuras e
artesanatos da tradição. Clube social e educativo Herma do Herói, alameda
Doutor Carlos de Carvalho com a rua Francisco Rocha no bairro Bigorrilho. Hoje
ela aprenderá a fazer a cozinhar arroz soltinho com carne seca charque
carreteiro tropeiro. Fogo de chão. E sem pressa nenhuma.
- Superalimentada e amargo amaríssimo,
doce dulcíssimo, boa ótimo apetite.
Os temas relatam maravilhas da serra do
Sincorá, os assuntos mostram belezas de Ibiam, Balneário Gaivota, Abdon
Batista, Calmon, Flor do Sertão. A paineira-branca barriguda vistosa flores
vermelhas ou rosas, assomou apareceu surgiu se mostrou.
Esta cidade de Nova Prata e rica em
história festas cultura. O que faz a cidade tão fascinante é sua famosa
arquitetura o patrimônio missioneiro e que se reflete em seu casario antigo de
importância secular. Lojas de diferentes atendimentos e prestadoras de
serviços. Bares e restaurantes (com saborosa polenta brustolada), padaria (com
pastel feito na hora), armazém de secos e molhados, hospital, farmácia, escolas
e instituições de ensino, associação e sindicato, sorveteria (com o melhor
picolé de açaí), loja da tradição (tudo dos apetrechos para um bom mate, bomba
de chimarrão em prata com pedras semipreciosas incrustadas na pitanga), bancos,
hotéis e pousadas, revendedora de automóveis (novos seminovos usados),
bombeiros, delegacia de polícia, comando militar do sul, duas universidades
faculdades campus graduação mestrado doutorado.
- Acompanho de perto a entrada e saída e
entrada de pessoas no congresso...
O dia tinha sim um azul-celeste
tonalidade clara azulada e ar puro e aura celestial. Uma impressão de vidro vasilhame
vazio limpo polido transparente contente. Exatamente como as pessoas gostam
adoram. Infinito onde por onde os pássaros ‘irori!, irori!, iroriiii!...’
deslizam já familiarizados, aventurando aventuravam.
- Estou ouvindo todas as coisas, hoje. Escuto
ouço também o que nem se vê.
A menina Vinda a Vim viu isso na
internet e juntando, plantação de milho milharal e praias remotas perdidas
povoadas de multidões de siris-candeias siris-da-areia siris-chitas
siris-chingas siriaçus e arquipélago e ou ilha da Galheta e ilha do Boi e
estrada rodovia br-116 com túnel de um km e meio (1,5).
- Eu me vejo festejando o carnaval fantasiada
surpreendentemente de soberana.
Avião é uma ave turbinada em metal e
elétrico e supersônico. Capivara um mamífero roedor na beira do lago artificial
da usina Serra da Mesa e praça Barão de Iguape. Cadeira objeto feito
manufaturado para sentar comodamente no ócio ocioso.
- Chegou minha vez e a parte um 1
primeiro episódio da série sequência...
O rio das Antas parece uma estrada
líquida todo em zigue-zagues anafado nédio entre montanhas peraus escarpados
ribanceiras. O rio parece uma serpente jiboia calada separando a cidade uma
metade da outra e cidadãos cidadãs, muita ideia milenar. O rio corre corrente e
parece taciturno quando feliz coas 8 cidades da sua jurisdição e Itanhandu,
Itamonte, Jundiaí, Pouso Alto, Cataguases, Virgínia. O rio parece esta uma
embiricica e bambo tolo sarango fátuo espapaçado mole frouxo num trajeto
trajetória inevitável que o leva obrigatoriamente ao estuário Guaíba. O rio aparece
e gera energia por onde passa paragem por onde avança por onde anda onde para barrado
barragem.
- Por isso é tão fundo, por isso é tão
distante esticado elástico até o limite.
Vinda a boa menina brilhante domina o
seu amor e distribui, curtindo. Ama as árvores, idolatra os pássaros, curte as
ruas e o nome das ruas e praças, adora a música das abelhas de zumbir zunir
zinir, ‘zu-iiiim!...’ apaixona amando os típicos fimatídeos as orquídeas e as
tantas cores das flores do jardim.
- Agora eu já escrevo ‘essa’ com dois
esses e azeite baliza bazar prezar vazão.
O sol quer ser o céu antes de bater o
pacau no ponto-final. O mar quer ser onipotente. O mundo a orbe quer rolar no
universo. O sapo a rã querem pular na lua ou estrela da Alva. O domingo quer
ser o Todo-Poderoso onipresente onisciente onissapiente oniromante. O médico a
doutora querem a consulta o estetoscópio a ausculta cardíaca e respiratória o
diagnóstico o bisturi escalpelo lanceta. A igreja no adro pátio exterior o
templo no átrio pátio interior o campanário alto esguio guia farol e fanal do
bem, querem a procissão cortejo préstito dos filhos filhas fiéis fidedignos
assíduos peregrinos romeiros devotos.
- Algo que tocar harpa harpejar harpejo
harpear harpar.
As férias de verão e fim de ano podiam
ser no litoral orla a praia do Laranjal, em Pelotas, e a praia do José Menino, em
Santos. As férias boas e bem-vindas, aventuras. Pensava em praia areia duna,
nem pensava em cabelos trajes tênis compras cinemas. Agora sim cabe e vinha bem
um suco de abacaxi. Nunca tinha com quem falar e mais que um monossílabo. Nem com
quem brincar. Veja um riso alegre e sonoro da menina em plena alegria de rir
com ela mesma, ‘ah-jáaaa! ah-jáaaa! ah-jáaaa!...’
Um haras coudelaria aprimora e apresenta
cavalos. O passeio uma visita à fazenda haras Galope, em Anta Gorda. Imagens
velozes cinéticas, cavalos e éguas deixam todos os outros bichos para trás. O
hotel/fazenda o paiol a estrebaria o curral o potreiro. Um cavalo de raça vale
seu peso em ouro. Aposta corrida e ganham. Apostam entre eles mesmos com amigos
com adversários. Um cavalo veloz ele foge ou vem?
O
custo/benefício de R$1.500,00 (cifra montante soma números totais) por mês e
nem incluindo baia alimentação piquete vermifugação vacinação ferrageamento e
veterinário cobrado à parte. A raça mangalarga e ou quarto de milha. Pelagem
baio baia tordilho tordilha rosilho rosilha azulado azulada.
Como chama se nomeia um cavalo ou fêmea
de cavalo? Este cavalo puro-sangue batizado: Cerra-Baile. Esta égua pampa
apelidada: Tacipitanga. Correm mais que quaisquer coisas. Correm galopam transpõem
obstáculos. Voam na lenda legenda na história no causo que era um alazão dos
mais formidáveis. Come pasto e pasta capim.
- Os equinos chegaram vieram pro B de
barco a vela caravelas galeões naus...
Cavalos são automóveis carros autos
veículos quatro por quatro. Talvez nem buzinam ou apitam. A voz de piafar
relinchar rinchar nitrir. Faz acordo acórdão aresto concorda em servir uma
missão ao trabalho. Corre com veloz no campo descampado no prado na campina
mundão afora no potreiro na cancha reta no hipódromo.
Bravo bravio corcel corredor. Crinas ao
sol do meio-dia e garboso vistoso destemido valoroso vitorioso. As botas os
sapatos os cascos fazendo pegadas escarvando a terra e tirando faíscas das
pedras centelhas.
- Quando aprender a dirigir equina quero
ser centaura.
Rompante e resfolega sopra bufa e empina
as mãos nas patas traseiras. Nem teme nem receia a noite a tempestade a
assombração as matas densas sarças os bichos rasteiros os animais grandes e
pequenos. Corajoso e valente alazão alazã intrépida.
Aprochega se abeira sofrena junto ao
tanque à beira diante da sanga para beber água e nem se deslumbra com a própria
sombra a imagem refletida reflexa. Corre e se solta e vai e relincha porque
quer. Atravessa o rio corrente e nada como ninguém como nunca. Anda sobre as
águas com satisfação e elegância e milagre.
- Se quando tenho cobertura eu telefono
pras melhores amigas? Foto autorretrato com fundo cenário paisagem tocante e
impressionante e paradisíaca.
Pois aqui chegam 10h e meia. Nunca é
tarde para melhorar o que pode ser excelente. E quantas manhãs tem a pedra a
montanha rochosa pedra da Marcela. Quantas tardes tem a cachoeira a catarata de
Iguaçu. Quantas noites tem a estrela Aldebarã a constelação Taurus. Quantas
manhãs tem a palmeira-piaçaba palmeiral palmar. Quantas manhãs tem o saguiru
peixe do rio Madeira o cardume aglomeração.
- O sol esplende cintila luze. Que é
esplende, faz o favor?
Os dias da janela do quarto e contando
cenas e episódios e carros veículos na rua Afonso Lana esquina da rua João
Garcia. De noite contando estrelas. Na chuva contando relâmpagos raios trovões.
Contando tipos e somando coisas e situações.
Passava avião no ar espaço e andorinhas-do-barranco
voavam asavam surfavam atrás de insetos. Nem ideia. E que triunfo. Que
sen-sa-ção!
- Que seja ramalhete e buquê de flores,
ramalho ramalheteiro.
Sobe o rio até beirar a cascata a
cachoeira. Sobe a queda-d’água até alcançar o pé da montanha as árvores
frondosas. Sobe a montanha até o disco alucinantemente dourado do sol. E o sol
buscando o gol o lugar mais alto a apoteose o zênite golaço.
Menina Vim tranquila altiva corajosa.
Aluna mocinha filha. Estudante jovem neta. Está contemplativa contemplando a
idade de ouro, presenteada contemplada.
- Quase todo mundo respira. Vejo que as
árvores respiram. As aves idem. Os peixes imagino que sim e até dentro da água.
As pedras nem tanto.
A tarde tão leve. Tudo tão gigantesco. O
dia foi o dia vai indo repousar. Repousa com a cabeça no travesseiro do morro da
montanha. A lua leve como tampinha de refrigerante chutada na calçada. Hoje
platina tão quebrada e está crescendo. Sobe de vagar justamente do chão para o
céu estrelado expandido. Esplendores gigantescos que vêm de tempos arcaicos sem
fim. Céu celeste pensado planejado projetado concebido licitado leiloado
contratado concedido trabalhado entregue no prazo de uma semana.
Você vê, você tem, você viu, você eu,
você pergunta, você resposta, você estimada, você afago, você frenética, você
balsâmica, você tranquila, você broto.
O prédio parecia um gigantesco
paquiderme dinossauro do tempo das eras antigas pré-históricas antes da escrita
conhecida existente. O prédio casa-grande da prefeitura, bem localizado diante
da praça Rildo Michel Martho no bairro Vila Rio Branco, parecia uma
preguiça-terrícola com caixa-d’água na cabeça e do tempo que o sertão estava
mar e o mar estava sertão a era glacial. O edifício construção se assemelha
ainda a um elefante verde sem tromba sem orelhas com olhos gigantescos tipo
típico das janelas quadradas envidraçadas sem persianas ou cortinas e uns
parafusos a menos.
- Sim, tenho cobertura. Devo nem nego,
vou tirar uma foto maiúscula.
Pássaros piavam brincavam de voos e
pega-pegas entre as árvores e os telhados das residências. Que pássaros?,
tangarazinhos e corujas-baratas e sabiapiris e formigueiros-de-cabeça-negra e
marias-leques-do-sudeste e viuvinhas e capitães-de-saíra e bico-chato-grande;
que árvores?, araticuns-cortiça e anjubas e cajuaçus e pacos-serocas ou
cardomomos-da-terra e cinco-folhas-do-campo e carurus-miúdos e buritis-do-brejo
e alecrins-do-mato e línguas-de-sapo...
- Acho que vou tocar um telefonema. Vou
telefonar às amigas de sempre!
Um sol caminha na luz limpa do céu azul,
miragem. O mundo conhece o dia tudo o mundo. O horizonte cresce de cidades. As
cidades de ma-ra-vi-lhas. As cidades carregadas de tesouros. As cidades cheias
de pão com goiabada de Minas.
- Já vou contar como vai ter. Já conto
como vai ser. Tudo que se passa se passará. Seja tanto quanto em o ar na terra
no mar, terramarear.
O perfume das plantas ornamentais. O
ouro famoso do sol famigerado. O firmamento de asas livres. O oceano descrito
nas histórias antigas e modernas.
Mestre e campestre, escultura e cintura,
poeira e ligeira, renda e legenda, perdida e repetida, pedia e repetia, perdiam
e repetiam, fronte e fronde, pilão e limão.
Dois meses mais tarde, 61 dias de 24
horas.
A menina esguia biciclista Vinda e a bíci
enxuta meio de transporte e lazer Magrela, esta sem bagageiro/garupa, foram
procurar o ovacionado cantor em o portão de sua mansão condomínio de alta gama.
Bem ali exatamente na rua Manoel Quirino dos Santos com a rua Benedito Mariano,
Campinas. E foram até lá pedalando atravessando a cidade e logo simplesmente
pela tarde de fevereiro fevreiro (estas duas palavras diferem na epêntese vogal
da letra ‘e’), que mais e mais esquentava abafada mormacenta. Já no pórtico
estilizado da morada do artista simpático carismático e diante do porteiro
uniformizado em uniforme azul-claro com detalhes em preto e boné também
azul-escuro de pala dura. As duas fãs incondicionais do famoso interprete
popular, decidiram:
- Deixe comigo e pra mim que eu falo,
Magrela.
“Estou de acordo e estou contigo e toda pendente
de ti.”
A boa menina Vinda preparou a garganta ‘rã-hãaaa!...’
e atou reatou atuou:
- Ei, moço da farda! Nós queremos falar
com o cantor. Ele está em casa?
- E por quê? E por que deveriam? E por
que ele a vocês 2 duas dupla?
- Pretendemos vê-lo a gosto. Precisamos
vê-lo em vivo e ao normal. Seria bom imediatamente e agora mesmo urgente. E
hoje ainda ou daqui a pouquinho sem falta. É nosso precioso ídolo A1.
- Será que a Voz sabe de vocês? Nem
duvido, nem acredito, nem faço pouco.
- Vamos entregar um rolo de cartas
preciosas que muito o elogiam e o admiram. Seria uma oferenda ao nosso deus,
uma digna oblata. Na verdade uma carta longa em demasiado de muitas fãs. Uma
carta tão recordista. Uma carta coletiva uma juvenília de poemas enrolada em si
mesma e compriiiida espichaaaada loooongaaaa!...
- E isso é bom para o cantor? O que é
bom pra vocês 2 é bom pro intérprete?
- São enormes e muitos depoimentos de
eternos fãs. Muitos elogios vitoriosos.
- É contagioso? É necessário? É
predominante? É corriqueiro? É gênio?
- São frases fáceis e bonitas e desenhos
de corações e beijos beijados com batons ou bocas amorosas de amor de carinho
de respeito a ele ao cantor intérprete vozeirão.
- Isto faz mesmo sentido?, quer dizer...
- Tudo faz sentido sim e nem tem mentira
nenhuma, juramos de mãos postas.
- E se o cantor nem entrar nessa onda de
fãs e apreciadoras do seu talento? Nem seria um exagero da parte de vocês
esmagriçadas? Se a Voz nem quer saber de nada.
- O cantor vai ler porque os depoimentos
das fãs são sinceros e amorosos.
- E se o Gogó d’Ouro nem tiver tempo de
ler estas declarações de amor eterno?
- Mas o senhor, seu guarda fardado e
quepe na cabeça, sabe o que nós as fanáticas somos e queremos ser hoje em dia?
Somos o resultado da fama do cantor, é.
- Nem consigo perceber, digo sério.
Vocês são... fanáticas?!
- Essa troca da gente de nós fãs para
com o cantor é muito séria e urgente!
- Ué!... Cada duas que parecem quatro,
seu! Vocês duas... são duvidosas.
- O senhor, seu guarda de farda clarinha
em azulzinho, sabe ou pensa que somos tolas ou exageradas? Diga o que for e sincero
mas que seja justo e verdadeiro, hem!...
- Sei pouco sobre isso e aquilo de fãs e
cantor, garganta de ouro e fãs. É difícil pra mim decidir o que é melhor pro
cantor e pra vocês fanzocas. Já e quê!
São coisas de ouvir e coisas de falar.
Por isso o guarda, bem fardado na portaria do prédio do condomínio do cantor,
subiu ao oitavo andar a cobertura falar com o cantor intérprete da mpbu e
pessoalmente e sem intermediário de interfone ou telefone ou uatsape. E sim
conversa privada face a face frente a frente tête-à-tête.
E o guarda subiu pelo elevador de
serviço. Ia pensando o que dizer ao excelentíssimo imodesto famigerado cantor
das multidões nacionais internacionais. Bateu na porta de madeira trabalhada
talhada cara (feita de lenho robusto bem nutrido végeto) e com os fortes nós
dos dedos, ‘toque! toque! toque! to-toque!...’ E já arrumando a garganta, ‘hã-rãaaaa!...’
Que depois de cinco tempos intermináveis
a porta compacta pesada rica se abriu e o poeta/músico em pessoa deu o ar da
sua graça. O guarda tirou o quepe e o pôs debaixo do braço. E o guarda/porteiro
encanecido atou desatou reatou declamou:
- Senhor cantor Uirapuru! Olhe só e me
compreenda. Estão aí uma menina esgalga e uma bíci seca se dizendo incondicionais
fãs de vossa senhoria vozeirão e as mesmas aguardam lá em baixo do prédio
querendo lhe falar. Desculpa me desculpe incomodá-lo, a Voz e voz das vozes e cantor
cantando e vencendo!
- Estou ciente. São tantas quanto, em
números? Percentuais? Duas representantes de uma multidão multitude multitudinárias?
Seria uma seleção?
- Umas dez ou doze uma dúzia e meia,
talvez mais talvez quem sabe... E o que eu faço? Deixo lá deixo subir, faço o
quê? É difícil pra mim, me entende?!
- Acho que elas podem esperar mais um
pouco. São jovens e estudam. Aliás, estudam em colégio público-privado ou
nacional-internacional? São importantes estes os máximos detalhes significantes.
- Hum!... Até quando vão esperar,
menestrel e trovador? Calculemos...
- Que tal uma hora ou duas horas e
meia... O tempo voa... O tempo soa...
- É meu trabalho ficar esperando
aguardando e posso sim, farei mesmo...
- Ficam lá esperando até eu ficar feliz
aqui descansando, tá oquei?!
- Eu entendo e acho justo estou de
acordo e por que nem, né?!
- Sabe que hoje, especificamente hoje e
este dia em específico, nem estou a fim de declarar a minha simpatia e de ser
simpático e acolhedor e receptivo e popular.
Vinda a menina de 10 idades já na faixa
aritmética dos dez ganhou a bíci no dia do aniversário e riu muito, ‘ah-ah-ah!...’
Posou fazendo dois vês ou coraçãozinho, uma parte em cada mão repartido ou um
pedaço em cada mão para juntar, ao lado da elegante metálica de selim
ergonômico em boa cor verde-água. Admirando como se fosse milagre ou mesmo uma
própria feiticeira feitiçaria. Uma bicicleta ressequida magra que ao acaso veio
verdinha verdecida. E com pneu balão e freio a pedal e farol e lanterna. O pezinho
de sustentação apoio já esticado apoiado apoiando no chão para deixá-la apresentável
em pé no piso da área de serviço. A bíci em posição de sentido em rodas e sem
muitos acessórios ou apetrechos tipo desnuda descaracterizada dos para-lamas a cestinha
o porta-bagagem ou grade do carona, etc. E o diálogo no primeiro encontro
primeiro dia que se conheceram, ainda se lembram:
- Já gostei de você, bicicleta conjunto
de tubos metálicos.
“Prazer em conhecê-la, menina dos longos
cabelos ajeitados em rabo de cavalo.”
Vinda a Vim (sobrenome Tariana, da tribo
dos tariana) elegante displicente tomou autorretratos junto da nova amiga
esfanicada e inoxidável. Lado a lado com ela as duas a menina mirrada a bíci
descarnada a Magrela (com marca da empresa fabricante e origem na fábrica em Cachoeirinha-rs,
cerca do rio Gravataí). Tomou tocou foi pegando lenta len-ta-men-te... cada
parte do presente, amiga colega sócia. As rodas de borracha o guidão o acento
os pedais as sinaleiras a sineta as luvas do guidão os raios das rodas. A
menina entrezilhada e a bíci desmedrada e os sentimentos paixão carinho amizade
se formando. Irmãs e identificadas, conversando interagindo e animadas:
- Vamos dizer que você tem um nome e se
chama... Magrela!
“Então, tá! Você me batizou e me chama
de Magrela, amizade Vim!”
A menina abraçou a bíci ainda
estacionada e esperou. Puxando assuntos. Pensando. Tentando os primeiros
movimentos. O fôlego. O caminho conjunto e compartilhado. O calor humano, o cheiro
de novo em folha. A tradução para o português brasileiro, com ou sem gírias
sotaques. O entendimento telepático:
- É você mesmo, bíci?!... Como se a
nossa amizade fosse de muito tempo.
“Uma se acostumando com a outra e isso
vai ser fácil, prevejo.”
- Ah!... Você minha amiga... Magrela. É
um bom nome, magra sarada físico leve ágil sem glúten... E ainda por cima
escuto seu pensamento metálico, ué!...
“Sim, gostei do nome e ou apelido. Pode
continuar... Podemos prosseguir...”
A gloriosa glória vê a magia e escuta as
estrelas e sente o universo e acredita em D. A luz o feitiço procuram as cores
das flores vivas e as flores perfumadas transferem o néctar o pólen o mel para
as abelhas os besouros as borboletas os guanumbis.
E empós os dias, as melhores amigas foram
ao zoológico de Sapucaia do Sul e ver os tatus e outras atrações. Antes
passando no quiosque Supremo Sumo, rua Adelmar Tavares Cavalcanti, comprou um
pastel de queijo e bebeu um copo de garapa. Olhando do chão para o alto e da
Terra ao deus-sol avermelhado. Aspecto que este astro solar parecia uma bola de
fogo labareda chama incandescente furioso muito luminoso e difícil de vê-lo a
olho nu. Sim, comovente. Sim, paradoxal. Sim, abissal.
- Se eu tivesse em mãos um livro agora
na palma da mão, eu procurava procuraria ia procurar folhear o significado
de... feérico fe-é-ri-co.
“Se eu já fosse uma mestra sábia em
sabedoria absoluta eu te diria, sem perder perda de tempo.”
No caminho pela ciclovia ciclopasseio, na
cor laranja e do lado da pista asfaltada em azul-escuro, as árvores replantadas
e caraíbas tamburis frutas-de-cascavel urundeúvas dedaleiras-pretas... As
passageiras se fixaram na fumaça cruzando o céu um rasto branco de vapor feito
pelo avião, rumo norte ao sul e de Uberlândia a Uruguaiana. Uma flecha no céu e
uma pergunta no chão terráqueo entre elas duas as excursionistas:
- Quer também um pastel com suco de
pequi ou caju ou murici?
“É bem melhor descobrir rincões e terras
e lugares desconhecidos, é.”
- Por que os aviões passam? Quase deuses
ou milagres ou extraordinários!
“Vai ver que são sujeitos e sujeitas com
altas sortes e os escolhidos(as).”
O bem-te-vi-de-coroa-vermelha e um
pensamento cantando arrulando ruflando trissando. Estrela um pensamento
esplendor. A estátua de Dom Pedro I e seu cavalo anônimo em a praça José Félix
Pacheco pensamento parado congelado bronzeado. A pergunta um pensamento
franco-atirador. A cor pensamento de flor. A resposta pensamento de auto carro automóvel
autônomo.
No parque popular Vascolejar, dentro do
jardim do paraíso animal, viu viram tatus específicos e tatus-de-mão-amarela ou
tatupebas. Uma família de macacos símios e os macacos-da-meia-noite ou juparás.
Fez fizeram refizeram um pedido pedidos e esperou ali na tenda ambulante apreciando
tomando suco de cupuaçu, sanduíche sanduba pão fatiado com queijo fatiado e
batata frita douradinha e cubinhos de goiaba vermelhinha dentro. Diferentes
árvores para diferentes andares de mata e frutos que os pássaros buscam buscavam
e os tizius os canarinhos-da-terra os tchintchorrintchos as jaçanãs os
uirás-angus os cricriós... Nuvens gordas com bochechas largas barrigas cheias.
Onça-pintada de óculos escuros sorvendo um sorvete de açaí num copo plástico
decorado com motivos festivos de carnaval micareta maracatu. Tantas bícis irmãs
parentes similares à extrovertida Magrela e movidas à força de pedais outras
elétricas as casas rua Alberto Faria e mesmo paralela à ciclovia posto de
gasolina hotel Milênio motocicletas prédios de cinco andares com garagens
subterrâneas com portas de ferro automáticas levantando descendo basculantes.
Hoje e pontualmente.
- Reconhece algum animal bicho destes
aí? Alguns vieram da Amazônia Legal.
“Já ouvi falar já vi em algum lugar,
mas...”
Agora mesmo as nuvens voam voavam bem
altas na altura. Havia uma cidade com prédios baixos no máximo 5 andares. O
ambiente respirava uma música com melodia ritmo harmonia de samba-pagode. O som
ecoava até o céu e mais além. O som fazia latejar o sangue nas veias. Uma
colina que chamam chamavam morro Da Campana e sua encosta várzea. A descida
todos os santos ajudam.
- Quanto pio canto cantar solto
‘rio-rio-riiiio!...’ de passarinho territorial, hem?!
“Quanta nuvem que vai que passa gira com
o vento o clima, cata-ventos.”
Cada qual com seu saraquá, cada galho de
macacaúba com sua macaca ou seu macaco-prego-do-peito-amarelo, cada batente e
ombreira com seu bedelho, cada pescador(a) com seu carapó ou sarapó-tuvira.
Cada perdiz e perdigão com seus sete ou oito perdigotos filhotes por temporada.
Estridulando as cigarras... ‘ih-réeee!...’
E foi menina e bíci pedalando na boa
de-boa até a casa das primas e primos os parentes mais próximos. Quando
chegaram à rua Antônio Constâncio Alves. Estavam todos em casa, e ali sob as
árvores na sombra e ora sol e ora vento e ora sonoras resenhas do dia. As
diferentes e indiferentes ideias procuravam as amigas/parentes. Sensacionais
anedotas e comédia drama farsa tragédia. Sempre se divertir em brincadeiras de
brincar pular assobiar correr voar dizer contradizer tirar sarro:
- Vamos brincar de neutralidade? Eu fico
encima do muro - era a prima Tina.
- Eu já vou subir na pitangueira e
colher pitangas - dizia a prima Mara.
- Vamos pular carniça e outras coisas,
hein?! – lembrava a prima Lilás.
- Já eu sei nadar e nado cachorrinho, é
- falou a Ana Paula.
- Brincamos de caçador com a bola de
borracha, então - atava o primo Jota.
- Com bola mas jogando futebol. Eu nem
vou de goleiro - pedia o primo Kako.
- Acho que pega-pega é mais divertido -
convocava a prima Vinda.
“De duas rodas e pedais pedalando quem
chega mais rápido e rápidas ao fim e em torno à praça da Restinga.” - comunicava
a prima Magrela.
As crianças iam até a praça Bacharel e
ou Largo das Forras brincar com vários brinquedos interessantes. As crianças
são assim: de noite sonham com bicicleta e de dia brincam com vários variados
tipos de brinquedos. Os brinquedos podem ser modernos ou já conhecidos. Os
brinquedos podem ser eletrônicos ou artesanais feitos à mão. Os brinquedos
podem vir rodando desde Criciúma ou voando desde Sorocaba ou navegando desde
Santarém.
O sol, pra resumir, estava em dia e
cintilante brilhante fulgurando. O sol, fanático de fogo, estava nas alturas, e
educado. Aparecia entre nuvens esgarçadas e parecia um disco voador. Parecia uma
bola de fogo. Parecia um vulcão ativo expulsando gases turvos lava
incandescente. Parecia uma pirâmide voltada para D. Parecia uma pira olímpica
nas olimpíadas. Parecia um meteorito meteoro em trânsito no cosmos. Parecia um
fogo de chão assando o churrasco e o tempo o clima a temperatura.
E brincou brincaram as meninas com
vários artefatos de várias coisas variados modos e artes. Fazer festas com os
cães da família. Subir em árvores, especialmente as frutíferas e caquizeiro
jabuticabeira pessegueiro pequizeiro butiazeiro. Nadar no açude e lagartear secar
na laje de basalto. Se embalar no balanço que ia e vinha do horizonte sobre o
topo do barranco do morro, sensação de vertigem e pular no espaço e voar.
Escalar a montanha até encontrar o cruzeiro religioso. Descer até o leito do rio
Pipiripau no vale abarga vargem veiga várzea banhado pântano. E com o dia todo
para fofocar:
- Vim, você prefere almoçar aqui em casa
mesmo? Me diga! - Mara perguntava.
- Eu nunca como tomate no almoço, nem
sei por quê - retrucava Vinda.
- Vinda, nós almoçamos sempre em ponto
assim pelas 12h e 30min. Seguro - esclarecia a Ana Paula.
- Eu pensei em almoçar aqui inda mais
com um cheiroso carreteiro ou tropeiro.
- Vim, ocê almoça aqui e vamos ter pudim
caramelado na sobremesa, hum!... - provocava o primo Kako.
“Então eu fico de guidão braços
cruzados” - pensava a bíci Magrela.
- Eu quero almoçar aqui, porém esqueci
de trazer a escova de dentes. Nem me importo ou importa, vai ser bom.
- Vinda, você almoça com a gente e
depois logo em seguida podemos ir todos ao morro do Crânio e ver investigar
brincar de invadir a caverna da Caveira, isso tudo já no meio da mata do
Esqueleto - instigava o medo o receio a prima Tina.
- Dizem que ali foi enterrado um tesouro
jesuíta - ajudava o primo Jota.
- Dizem que uma menina entrou ali e nem
saiu mais - lembrava a Mara.
- Dizem e recomendam que nem é bom
entrar ali para nem se perder pra sempre - ficava com esta a Ana Paula.
- Eu nem sabia que depois da refeição se
podia e se pode ir lá no meio da mata entrar no oco do morro se esconder no
poço conhecer reconhecer a casa furna do tatu. Tatu gigante megafauna tipo gliptodonte.
- Vinda, você almoça conosco e será a
convidada de honra ao mérito. Com direito a repetir, se gostar - decidia a
prima Mara, humor significativo.
- Eu nunca esperei ou esperava almoçar
com tanta gente boa e outra família.
- Vim, tu gostarias de almoçar algo
especial que tu aprecias muito? Um arroz com tempero diferente, um feijão com
arroz por cima, uma feijoada com fatia de abóbora - razão porque o primo Jota
falava alto e em bom tom.
- Eu gosto de comer cachorro-quente com
queijo ralado prensado. É o que é.
“Eu mesma vou e mereço óleo base natural
purificado de baraúna ou braúna nas juntas e eixos e molas e correia” - já relatava
relacionava a Magrela (braúna ou baraúna são ex de palavras suarabácti ou
anaptixe, neste caso foi acréscimo de vogal a).
E pedalar pra casa junto do acostamento ou
na calçada da rua e olhando os carros na contra mão. Sem pressa nenhuma que o
sol ainda estava aí. Jovialidade de uma pandorga atada ao vento no ar no espaço
mais perto do céu. Uma nuvem se fazendo de macaco, uma nuvem se fazendo de casa
com chaminé, uma nuvem se fazendo de roda-gigante com 20 cabines, uma nuvem se
fazendo de flor margarida com sépalas brancas dispostas ao longo em torno do
capítulo parecendo bem-me-quer ou malmequer, umas nuvens parecendo tropa de
boiada gado ou cavalgada de equinos, uma nuvem de violão seis ou oito cordas
bem esticadas. Quem viu, viu!
Onde uma menina tem a cabeça, pergunta?
Nas nuvens, seria a resposta mais correta e adequada. E uma bicicleta, onde
teria a cabeça? No guidão. E por que as meninas gostam de andar de bicicleta? E
por que as bicicletas foram feitas para pedalar?
- Eu brinquei tanto que cansei de rir.
“Todo mundo quer andar de bicicleta,
esta é a verdade.”
- Temos teremos cobertura? Vou telefonar
pra alguém, garanto.
“Estou de acordo. Telefone que sempre é bom
telefonar de onde se está.”
Mesmo uma ave saíra-pintor e mesmo o sol
megalomaníaco nem ficavam no ar para sempre. O sol, dentro de uma redoma de
vidro fino e claro, tentava tratava de se encontrar com a lua. Montes de nuvens
pequenas, parecendo montes de feno ou montes de capim ou touceiras moitas buquês
de flores ou capelas grinaldas, passeavam no céu azul. Vivificantes horas
benéficas horas e dia almo. O mar fazendo renda nas ondas, movimento do abismo
do oceano chamado pélago pego.
Temos hora e horário diário em o tempo.
Que por isso mesmo nem nos esquecemos. Que aí mesmo vamos cumprindo de vagar
vagarzinho.
- Por que pélago? Quem teve ideia de
nomear pego e pélago?
“Há ideias boas e ideias que desaparecem
no meio da poeira ou fumaça.”
- Você, Magrela, nunca se queixa nem se
aborrece nem se distrai. Tô te conhecendo. Nem investiga nem questiona, só
responde quando perguntada.
“Nem nada me atrapalha. Nem nada me
interessa tanto.”
- Sou eu que vou no teu rastro.
“Eu sou sua companhia agradável e
simples, simplesmente.”
- Um dia uma noite te levarei iremos ao
teatro Guaíra, respeita.
“Se o dia chegar e a peça me esperar nos
esperar, assim iremos.”
Desconfiada e surpresa, divertida e
curiosa, tímida e preocupada. Às vezes gostava de ir outras de ficar. Uma hora
pensa e outra faz. De dia ação de noite sono.
- Eu sou tu, tu és eu?
“Sou ou nem sou?”
- Que tu pensas de mim, na verdade?
“É ou nem é.”
Agora uma casa com cachorro brabo
cheirando alguma coisa perdida ou que deixou rasto ali no pátio de areia e
plantas de ornamentação. Diante da porta principal com caramanchão de
trepadeira florida flores vermelhas bem vivas chamativas cheirosas balançando
com o leve toque do vento. Soprava uma brisa amena. Quem soprava a brisa suave?
Quem empurrava a brisa leve? Quem pesava a brisa doce?
- Por que D fez ver isso e aquilo? D
fala sério? Já penso.
“Sim, porque D é rio é montanha é
floresta é toda a paisagem e panorama.”
A sorte enche a alma. Todos têm alma boa
e limpa. Os ares enchem os pulmões. As pessoas têm dois pulmões para encher.
Respire o ar puro uma e outra vez. A paixão enche o coração de todo o coração.
Quem decora decora alguma coisa.
- Já vou seguir e escutar e fazer e
descrever e deslizar.
“Já vejo e já acompanho cintilo rodo
corro tenho retenho.”
Existem coisas que se podem ver e rever
e comprovar. Assim de noite na noite e a lua as estrelas e seus pedaços
cadentes. Coisas objetos do céu. E vem o vento veio o vento. O vento vem de
madrugada na calada da noite. Demorou mas veio sem muita refrega, um pé de
vento. Sopro fôlego que sempre sempre varre o céu a Terra de sul a norte. Sim
que se percebia agitando a coma a copa das árvores mais altas e carvão-vermelho
e cipó-guira e paco-paco e umbuzeiro... Assanhando sobranceiro elevado os
jardins hortos vergéis plantados de plantas esquisitas plantas ornamentais e
analisando perfumes eflúvios aromas. O que mais demora no mundo é o tempo.
E quando tudo se acostumou com o vento ‘vu-vu-ruuuu!...’
nasceu ascendeu acendeu definitivamente o sol. A Terra banhada de dourados
raios fazendo as cores. E sorriram todas as melhores praias e praia do Sapê e
praia das Toninhas e praia da Enseada e praia do Itaguá (fonte: lá e aí na internet).
As aves acordaram contaram até dez e surucuás-variados e miudinhos e
juruvas-verdes e cuiú-cuiús e tico-ticos ‘tchueeee! tchueeee!...’ já voando
despegando dos ninhos e saíram sair saindo a colher recoletores recolher com o
bico as garras. O vento mesmo ainda em desjejum, soprou e disse bufando, “vu-vu-ruuuu!...
me deixem varrer bem limpo... deixem o tempo o passatempo passar... que logo e
logo veremos... varremos...”
Um dia no passeio passear normal
corriqueiro rotineiro, e daqui até ali, foi que a guriazinha derrapou com a
bíci e caiu caíram... Foi que a bíci com a menina aterrissou aterrissaram
debaixo de um caminhão-truque. O bicho máquina bruto brutão tredo traidor
parado bem ali estava no posto de gasolina abastecedora A Tormenta, tá!
E daí, o ocorrido da realidade de fato.
A menina Vinda se levantou... verificou,
se verificou, se conferiu se certificou... que estava bem... ou mais ou menos.
Talvez assustada e empoeirada. Meio atordoada. Reparou na amiga Magrela, o
esqueleto de metal, a pintura, as sinaleiras... Bateu a poeira, limpou o pó,
acariciou os braços, verificou a correia, reparou em tudo mesmo.
- Eu, hein!... Como foi isso? Como viemos
parar assim no chão? Isso pesa.
“Acho que estou descadeirada... quebrada
ou destroncada... Já nem me dói, mas me sinto outra bíci... As minhas peças
estão... desarticuladas... descompensadas.”
- Eu planejo me comportar melhor de hoje
em diante.
“Que se aprende dando cabeçadas. Que se
aprende tropeçando.”
Por sorte e pura sorte, a menina e a
bicicleta estavam bem. A magérrima precisou de um ajuste no guidão, só isso.
- Pronto. Tudo bem, amiga. Já nem passa
mais nada. E tranquilas.
“Eu derrapei na brita e no cascalho, é.”
- Foi até perigoso, se viu.
“Sim, sorte que o caminhão animalão
bitrem estava parado.”
- Pro futuro teremos mais este cuidado e
este alerta, né?!
“Acho que já estou melhor. Logo passa
esta sensação de incidente, é.”
- Isto foi uma aventura que fizemos
juntas e no mesmo barco, hem?!
“Como se o destino precisasse disto,
gente!”
- Acho que vou telefonar pras amiguinhas
de colégio. E tirar aquela foto.
“Sim, faça isso. E sem delongas ou
demoras ou de-mo-ra-da-mente.”
- Compartilhem com os amigos. Assinem o
canal. Apertem o sininho de curtidas. Deixem o joinha. Comentem nos
comentários. Espalhem para os conhecidos e parentes fazendo que o iutúbi, lá
nos seus logaritmos, reconheça a relevância do conteúdo. Acompanhe-nos,
enquanto lhes digo... até a próxima!
“Deem o laique, que aliás nem custa nada
e é de-grátis... Nos ajuda muuuuito!”
Os olhos estão por fora e ao redor, uns
360º. Os ouvidos, idem e também. O pensamento que é aquele que está por dentro,
no interior da cabeça e das coisas. São assim os sonhos. O espírito anda longe
e roda o mundo, já o coração bate perto.
Coisas do outro mundo e além
conhecimentos sérios. As luas tantas de Saturno, pra quem?! Planetas e luas
jogadas no cosmo no espaço sideral e pra quê?!
E três meses assim se passaram. Assim se
contaram no calendário.
A menina e a bicicleta são um luxo.
Contornaram a praça Vespasiano Corrêa, seguiram a rua Salgado Filho e
consequentemente a rua Manoel Francisco Guerreiro e já dentro do suposto por
suposto o bairro Vigário Geral. E ser alguém, ser assim, ser conforme e justo
justa, ser bom de garfo, ser serena sereno, ser porque é, ser por quem, ser estado,
ser de Nova Prata ou neopratense, ser em si, ser individual.
A Vinda foi de bíci ela e a Magrela até
o clube de lazer Clube Regatas Aurinegro Solicitude. E nadar na piscina, uma
tarde de segunda-feira, e muita gurizada piazada e sol alto na temperatura da
altura dos 35ºC. Aprender a nadar nem carecia, ela já sabia. Mas os outros amiguinhos
aprendiam na hora. Nadar seria como andar de bicicleta. Melhor que a Magrela
podia e tinha autorização da sociedade dos associados também para se banhar. Sublime
sublimidade e nadar no raso mergulhar no mais fundo.
- Queria te pedir uma coisa, Magrela!
“Pode pedir e já vejo se posso te
atender.”
- Me sinto com desejo de aproveitar o
calor e saborear um sorvete, oquei?!
“Claro que eu entendo. O calor e eu nem
estamos em contradição. Pode pedir.”
A menina linda Vim chegou na borda da
piscina (de dimensões olímpicas e meia-lua na geometria). Olhou um espaço
despovoado. E flexionou a pernas abriu os braços em asas e pulou de cabeça no
caldo no molho no líquido morno e transparente. Mergulhou por dentro da sopa de
crianças por dentro do mar sem cor sem gosto sem sabor insosso, e submersa.
Batendo a cauda com as pernas e pés nadando as barbatanas com os braços e mãos
nadando de biquíni verde de duas peças e 4 triângulos. Exatamente igual fazem
seus parentes os peixes os frutos do rio os frutos do mar os
golfinhos-rotadores bagres-moles bagres-de-lagoa bagres-ariaçus guarijubas
bagres-caiacocos bagres-de-areia bagrinhos-roncadores burevas...
A bíci Magrela chegou e desceu foi
descendo a escadinha concreta azulejada da piscina. Cada degrau lhe dava mais
água nos pneus. O primeiro pneu borrachudo. O segundo pneu balão. Até ficar um
tanto e mais ou menos submersa. Depois se jogou com tudo e foi pedalando na
água limpa azulada preparada para conter muitos frequentadores ao mesmo tempo.
Exatamente igual e equilibrada como fazem os peixes as algas marinhas os
cavalos-marinhos piraputangas as arraias-de-fogo arraias-araras arraias-pintadas
raias-gerereras raias-chitas acarapixunas cascudos-pretos...
- A água faz bem pra pele e acaricia os
músculos. A água tratada com cloro faz bem pro metal inoxidável.
“E olha, amiguinha, nem dá sono,
bu-blu-vuuuu!...”
E a guriazinha apontou do outro lado da
piscina e já se agarrando à borda, cansada. Pulou fora de um golpe e se sentou
para descansar relaxar. Toda molhada e brilhando ao sol. Se secando lagarteando
ao sol. E se ouviam também e ainda por cima os gritos aleatórios e palavras
pronunciadas no calor da euforia e tudo em voz alta e urgente já também
denunciando alegria explosão teimosa teimosia e berros risos. E mais e mais
raios de sol ricocheteando nos azulejos azuis e brancos molhados. Ouvir tudo.
A própria bíci pedalou nadando sem tocar
no chão propriamente dito. Parecia uma bicicleta marinha adaptada. Fazendo
barulho estranho fora do comum ‘frou-frou-frou!...’ espirrando água pros lados
pra tudo que era lado. Isso enquanto todo mundo via viu ouvia e fazia o maior
auê. Muita criançada em volta e somente ela a Magrela bicicleta pedalando
sozinha. Como uma alienígena bastante magra e esforçada. Como uma ferramenta na
água e guidão de fora respirando. Como um bicho mecânico robô de outro planeta
e sem olhos sem nariz sem cabelos sem cauda sem carnes. Da espécie veículo de
duas rodas.
- Nade pra lá até lá que eu quero ver
com meus próprios olhos, bíci!
“Vou aprender rapidinho rapidinho a
nadar borboleta.”
E a Magrela, bíci que gosta de fazer
amizades e amiga de sempre, atendeu o pedido dos amiguinhos(as) e companheira amigona
humana a Vim. E nadava, nadou.
- Parabéns! Nadou como os peixes de
aquário e sem deixar rastos - gritavam os frequentadores amiguinhos meninos e
meninas crianças.
“Mais cedo ou mais tarde e mais tarde
que cedo, aprenderei a nadar de costas.”
Estes os incentivos os elogios dos
amiguinhos pra bicicleta Magrela. Coisa de artes de artista que eles e elas
nunca tinham visto. Que nadou pedalava como peixe vivo água-viva, reluzindo ao
sol. E todos falando alto aos berros e gestos largos no ambiente festivo. Que
estava uma alegria efervescente. Que estava uma fraternidade contagiante.
- Agora eu mesma vou nadar de costas e
tentar boiar bem ali no meio, repare - era a Vinda tentando ampliar seu repertório
de natação.
- Bata mais os pés e nem pare de dar
braçadas... sem parar... sem parar! - apoiavam aos berros a plateia de
apoiadores amiguinhos(as), pintos molhados.
Tantos berravam a plenos pulmões e no
meio da algazarra da piscina coletiva a guriazinha Vinda. E queria ser ouvida
pela amiguinha Magrela. E estava em boa hora e num momento de euforia e extremo
deleite. Muita felicidade encontrada nadando. Nadando de braçada, boiando,
plantando bananeira.
- Acho que vou pegar um pouco de sol e
me bronzear. Você vem?
Convite de Vinda pra Magrela. E ambas
saíram da água, escorrendo.
- Já estamos de molho mais de meia hora,
nem acha?!
“Nem só acho como adquiro uma cor
intermediária pra lá ou pra cá do verde.”
Sentadas nas toalhas sobre a laje. Elas
já podiam e gostavam de nadar mais ou menos. Eram já maiores que outros e outras,
em altura e velocidade. Por razões desconhecidas ou reconhecidas, elas eram
melhores que outros e outras na água. Elas eram tão boas na água nadando como
fora dela andando e pedalando, andando a pé ou rodando nos pneus. Faziam uma
amizade um par tão unido que já eram irmãs de carne e osso, ou melhor ou seja,
de carne com cartilagem e metal com borracha.
- Gosto de nadar como nem sei. Já fui
peixe um dia? Peixe de rio ou mar?
“Eu mesma que sou feita de metal aço
inoxidável inferrujável, se esta palavra existe.”
Disse e mentalizou a Magrela, olhando a
piscina cheia de água e alegria de muito miúdo piazada pré-adolescentes brincando
com boias objetos infláveis inflados. Todos querendo aparecer e aos berros e
urros e uivos. Como na tribo. Tipo bicho.
- A sensação de mergulhar é de virar
peixe. Como voar para os pássaros.
“Nadar na superfície ou mergulhando
afundada no líquido.”
- Por que nadar? Porque é bom.
“Que nadar é pertencer a outro elemento,
a outro fenômeno da natureza.”
E a tarde preencheu as horas e terminou
no anoitecer. Como sempre e como exatamente todos sabem e sabemos. O sol se
despedindo desde a cabeceira da montanha mais próxima. Um sol vermelho colorado
internacional. Igual que sempre.
Coisas naturais. A pedra idêntica da
pedra. O vento na pedra vira pó. A água na pedra vira areia. O homem na pedra e
pedra cortada vira era da pedra lascada.
Um minuto é tão pouco. Tem gente que
nasce aqui. Uma família mora ali. Alguém de repente faz 10 anos de idade 10
voltas ao mundo 10 primaveras floridas.
A aragem é irmã da folhagem. Mata com
cascata tem de ver com meio-dia. Lugar palmar macaúbas-mirins a enseada tem que
ver com recreio santo sagrado.
E menina tão galante Vinda pedalou sua bíci
a Magrela feita de ferro e alumínio em direção sentido rumo da casa do avô
Francisco. E sempre com ele a avó Augusta. As duas amigas de aventuras sempre
perto uma da outra. Chegando na hora da tarde 16h que era do café da tarde com
bolo e outros quitutes, e por acaso. A guriazinha e a bíci sentadas acomodadas
expectativas e crentes curiosas. Os avós nas cabeceiras da mesa e as duas
visitas nas laterais. E muito todos todas acomodadas, sim senhor e senhoras!
Vamos contar estamos aqui para contar como foi:
- Conte as histórias de casarões casas-grandes
antigos e ou abandonados, pesca noturna, homem-macaco, noite de ventania, poço
dos uivos, árvores-ambulantes, cachorro louco, o mendigo na antiga ponte de
madeira, quando a porca torcia o rabo...
- Vou contar a história de um engenho
antigo movido à água de açude. Este engenho trabalhava com gente e durante o
dia e dia após dia. Causo que de noite trabalhava se movia sozinho e
misteriosamente. Relaxem! História que se passou num engenho arruinado caindo
aos pedaços e que produzia moía farinha de trigo e farinha de milho e farinha
de mandioca. Dúvidas? De dia o prédio parecia um galpão e de noite, com o
clarão da lua, parecia uma mansão. Se acaso chovia nem aparecia a lua e nem
ninguém ia lá ou de lá saía, obviamente.
Acompanhem através desses destinos e
roteiros esquecidos até ver vislumbrar as paisagens personagens assombrosos
exóticos(as) turísticos e mergulhar submergir nos mistérios e magias e mesmo
descobrir os segredos de cada espaço ou lugar ou região. Venham que a aventura
vale a pena e a missão nem é pequena.
Antes de nos metermos a fundo profundo,
nem se esqueçam de assinar se subscrever ao canal ao sítio ativar as notas
notificações para se manter em dia com as atualizações renovações últimos
lançamentos. E agora, sem mais delongas, vamos aos nossos temas e histórias e
sinas e dados e lendas e legendas. (fonte da internet: porque todo mundo diz
isso e fala assim e escreve dessa forma já padronizada clichê - quando
recomenda convida ao seu próprio canal no iutúbi.)
- Narre vó conte vô, sobre o caso do
roubo ao trem pagador. Um trem que levava muito dinheiro e barras de ouro para
a capital e foi interceptado pelos ladrões cambada.
- Vou contar o caso do roubo
cinematográfico à joalheria Juquirirana - Ceilândia, região administrativa do
distrito federal -, seguida de perseguição da polícia atrás dos 5 bandidos
mascarados e que resultou em fracasso total totalíssimo. Os quatro 4 larápios
desapareceram sumiram sem deixar vestígios e rastos e levando toda a mercadoria
todos os objetos de valor roubados. Até hoje nem se sabe quem foram e onde
estão os fugitivos e o produto milionário do roubo. E do arco da velha!
As meninas os olhos ouvidos perguntas
dúvidas, enfim, tudo com elas duas:
- Faz o favor de contar uma história de
buscar lenha no mato com lenhos e galhos e árvores como madeiras-novas, limões-do-mato,
moquínias, caranás-brancas – incentivou pediu esquentou a menina netinha.
- Vou contar sim a história de um
entalhador um escultor em madeira madeireira madeiramento e que fazia as xilogravuras,
ou seja, paisagem na tábua de madeira – reportou emendou compilou a avó.
Sentados na área na varanda e cada qual
na sua cadeira predileta olhando mirando bombeando o horizonte os morros
distantes que sempre estavam ali. Perguntas e ouvidos atentos, na expectativa:
- Conte uma história histórica de pedra
e pedreira e pedraria e pedras preciosas.
- Contarei sim a história do tesouro da
herança da aliança entre índios charrua e os jesuítas da campanha do pampa
gaúcho. Cujo tesouro foi deixado numa caverna funda e perdida e anônima. Guarda
esta caverna, ainda hoje em dia, uma família de lagartos encantados que vigiam
o lugar consagrado. Haja vista os livros de H.
Assim pelo menos esse óculos de osso da
avó já lhe caía bem e também funcionava tanto perto como longe pra leitura e
pra descanso. Com muita luz esfumaçava com bom luar ou sombra aclarava. E o
bate-papo e o plá:
- Conte a história com final resolvido e
que se passou numa noite de chuva chuvarada muito forte tempestade tropical
furacão tornado tufão e apagão – incentivou a menina Vim.
- Sim, e esta é uma história com desejos
ansiedades e dúvidas pra lá de arrepiantes com detalhes horripilantes
horrorríveis. Quando de noite chegou alguém e bateu na porta da frente da casa
que dá pra rua esta nossa mesma rua Itália, toque! toque! toque! to-toque!... 4
vezes. E eu fiquei na dúvida duvidando duvidava se deveria atender. Contei até
dez... – narrou narrava o avô.
A menina sentada na cadeira de palha, os
avós cada qual na sua cadeira de balanço balançando balançantes. A bíci
encostada na parede da área. Todos olhando em frente como se olha uma paisagem longa
larga e pacífica.
- Conte um episódio com bolo de
chocolate e aniversário e muitos convidados vindos de longe que terminou em
pizza e gargalhadas, kjá-kjá-kjá!...
- Contarei esta história que começa
quando termina um casamento festivo e vai aí afora sem nunca se saber ao certo
o porquê nem que nunca se concretizou. Os noivos se conheceram e de repente rapidamente
se separaram para nunca jamais. O casal o par se separou se divorciou antes de
casar na igreja no civil e antes de fazer a festa.
O cão da família, atendendo pelo apelido
de Avião, sempre ali por perto e raramente longe dos pés dos donos. Cheirando
os pés da visita os pneus da visita.
- Conte a história dos óvnis e dos
extraterrestres que eram pequenos mesmo em tamanho como de ratos camundongos. E
nem tinham mascotes ou brinquedos de brincar. E nem tinham amizades entre eles
e nem eram casados ou família. Todos robôs com os movimentos tremidos
periclitantes espaçados cadenciados em câ-me-ra len-ta...
- Contarei a história de alienígenas
feitos de fogo que vieram para o nosso planeta Terra em busca de sobremesa de
sagu com pudim de leite condensado cascão. Comeram saborearam degustaram
lamberam os beiços pediram a receita e se mandaram lá para o lugar profundo do
universo e de onde vieram e foram voltaram num fleche.
Os pássaros ali de árvore em árvore
frutíferas. E havia jabuticabas de jabuticabeira e araçás de araçazeiro e
pequis de pequizeiro e butiás de butiazeiro e guabirobas de guabirobeira. E
tinha povo dos sanhaços-frades sanhaços-amarelos sanhaçus-verdes sanhaçotingas
ou tietingas sanhaços-pardos.
- Conte a história do escaravelho
gigante que adorava adorador da lua nova – lembrou alertou a guria Vinda.
- Contarei a luta histórica a escaramuça
do escorpião-amarelo contra o gavião-do-mangue (moradores da Pedra da Gávea, a
montanha monolítica) pelo domínio pela hegemonia do território fluminense ou
carioca. Foi num momento crucial da nossa H, época de Dom Pedro II e princesas
Isabel e Leopoldina – relatava dizia a avó.
O casarão dos avós era do tamanho mais
tradicional das famílias das gentes pobres porém numerosas comuns de
antigamente no passado distante pena depois da era Vargas. Tudo da casa e do
lar e que eles sempre eternamente sonhavam almejavam curtiam em família
familiar e que podiam deviam ter ao alcance e com cama mesa e banho. Exatamente
tudo sendo muito luxuoso perfumado funcional. E um quarto cada cômodo com duas
camas de solteiro para cada dois solteiros(as) da família.
- Conte a atualizada história de
suspense policial do cão buldogue que se perdeu do dono numa caçada e foi parar
no meio de um jogo de futebol tendo que apitar arbitrar um clássico Gre-Nal.
- Contarei a história de uma cadela
vira-lata que se escondeu no nosso porão e deu à luz uma ninhada de oito
cãezinhos guaipecas com manchas malhados de marrom e amarelo. Foram 3 machos e
5 fêmeas, todos acima do peso ainda cegos e sem pelos.
Os donos da casa a dona o dono a vovó o
vovô sabiam e queriam contar histórias dos demônios dos animais irracionais dos
tropeiros dos pioneiros. As crianças a menina a bíci estavam aí nem só para
comer bolo de chocolate de fubá de coco de amendoim mas para ouvir causos
estranhos estapafúrdios verticais horizontais prediletos originais.
- Conte a história do mundo que chegou
ao seu fim inesperado devido um terremoto seguido de tsunami. Com o tsunami
veio mais maremotos e mais tsunamis.
- Contarei a catástrofe do prédio de
apartamentos Jiporoque e 28 andares que caiu tombou colapsou sem aviso prévio
uma noite tropical de carnaval e suspendeu interrompeu o desfile do bloco Oito
ou Oitenta em a rua Caparro-Caparu. Nas contas dos bombeiros e da polícia e do
exército, pereceram sumiram sem deixar vestígios uns mais ou menos 2.045
pessoas e 1.054 mascotes xerimbabos (na maioria cães e gatos e peixinhos de
aquário). Uma tragédia sem precedentes. Uma catástrofe que jamais se esquecerá.
Um caso verídico verificado e real. Virou documentário livro de mestrado peça
de teatro filme de ficção baseado em fatos reais. E que barbaridade, meu!
Hotel grande, hotel vazio, hotel férias,
hotel milagre, hotel compacto, hotel estrela, hotel avenida, hotel século,
hotel figueira, hotel rafeiro, hotel ilha, hotel novo.
Existe o mundo da Terra o planeta.
Existe o mundo do futebol e Maracanã e Beira-Rio e Morumbi e Mané Garrincha.
Existe o mundo unido no mesmo fruto da parte boa do saborear o abacaxi e a
parte do descascar. Existe o mundo grudado de dois irmãos gêmeos que nem separa
o sofisma do silogismo. Existe o mundo conhecido do positivo e do negativo.
Existe o mundo parecido da menina e da bíci. Continuamos.
Um pai sábio, um pai santo, um pai rio,
um pai mãe, um pai alma, um pai deus, um pai filho, um pai ele, um pai tio, um
pai irmão, um pai pai, um pai artista nato.
Tomar banho a bíci. A Magrela toma banho
pelo menos uma vez por dia, faça sol ou faça chuva. Levar a bíci pra lavar,
lavá-la, molhar como em toda tudo, passar sabão e xampu, enxaguá-la, passar
pano flanelinha, secá-la ao sol ao sol de verão, engraxá-la, perfumá-la, passar
perfume óleos aromáticos. Conversar. A menina de carnes conversando com ela a
bíci inoxidável e titânio (elemento químico de número atômico 22, símbolo Ti -
usado em aços e ligas leves), elas amigas em diálogos:
- Você vê o que te digo e te mostro o
que estou vendo e vejo? Olhe!
“Minhas lanternas olhos olham e veem
perfeitamente e alertam e avisam, é.”
Plantas replantadas na praça da
Bandeira, alcaçuz-do-brasil e figueira-de-lombrigueira e marmelada-de-cavalo e
ingás-de-flor-vermelha e azedinhas-da-baía.
- O infinito é feito de espaço reservado
e luz, hem?!
“O infinito é desfeito descartado
distribuído de finitos.”
- Eu te guio com os pés pedalando ou com
as mãos pegando no guidão e vamos andando rodando, eu pé ante pé e você roda
após roda. Olha com as lanternas acesas, olhe! Repare bem por onde andamos por
onde você roda e aonde queremos chegar.
“Me dirijo pela calçada ou via de
ciclistas ciclovia que é bem bom chão liso.”
O parque Itapeba e as aves aterrissando
pousando voando saltando de galho em galho de árvore em árvore em todas as
direções com as penas e feitios e cantos palração palraria tagarelada,
tesoureiras e cambaxirras e birros e pintassilgos e sabiás-laranjeiras.
- Quem diria que vamos comer pinhão na
casa da tia irmã de minha mãe Leia, sentar na caixa da lenha atrás do fogão a
lenha. O pinhão na chapa quente pegando fogo fogo, bater o pinhão para melhor soltar
a casca. Olhe pra fora da janela olhe o mundo todo e o que você pensa o que
você nota o que você sente o que você vê, olhe!
“E eu olho por mim. Olho e vejo que o
mundo está feito para ver e ouvir.”
As formigas indo e vindo no parapeito da
janela envidraçada, um quintal com árvores frutíferas e paiol para o pasto do
gado doméstico e a grande caixa-d’água cisterna e os telhados vizinhos e a rua Cecília
Meireles. O que se vê e se nota olhando pela janela. O inverno valente lá fora
intempestivo frio, muitos meses de recolhimento e talvez chuva fina geada
matutina. O sol no frio queima mas nem esquenta.
Dia que chove. A chuva é boa mas para
tudo e tudo para com a chuva. Olhar a chuva desde a janela no quarto e ver o
mundo mergulhado ali. O mundo na chuva.
A menina (doçura anja) e a bicicleta
(flor uva) esperando a chuva passar. E se nem passasse? E por que nem na chuva?
Vai ver que sim.
- Eu olho a chuva cair e isso é bom é
legal é justo é assim mesmo.
“Antes de vir pra cá, eu era a favor da
chuva e podia chover 3 dias sem parar.”
Quanta dúvida na chuva. Mas a chuva e
chuva eram são boas. Como caía cai do céu uma chuva em gotas aceleradas
enchendo de água e corrente até o rio Retiro. Que saúde de rios o rio São
Mateus (rio Cricaré) ou seu defluente o rio Mariricu (Marerike).
Já a guria e a bíci apreciavam a chuva e
gostariam de se molhar. A chuva sim das altitudes do céu celeste. O mundo da
chuva. A chuva no mundo. O mundo de chuva.
Agora mesmo as duas garotinha e
bicicleta foram de mãos dadas irmãs na chuva. Fazer o quê! Estava a chuva na
chuva. Por dentro (dentro, de-intro: nomeada elisão ou sinalefa) do fenômeno da
chuvarada. A água empoçada o que estava molhado e alagado a chuva caindo na
cara. A menina de língua de fora bebendo a chuva e a bicicleta lavando o
esqueleto de ferro, lavadas ensopadas encharcadas.
- Temos cobertura e sim. Um
autorretrato, hein?!
“Pode telefonar às melhores amigas, quem
sabe!”
Os índios autóctones silvícolas
aborígenes de todas as tribos de muitas nações apreciam cercam comemoram
santificam a lagoa do Bacuri. São etnias originárias povos naturais e tupinambá
e barauana e anapuru e juma e bororo.
Depois as duas juntas pedalando uma em
duas e duas em uma se divertindo na chuva debaixo da chuva. Como imaginaram.
Como haviam combinado. Passando correndo poças de água e valetas de água corrente.
- Hoje chove no sul no norte e em todas
as partes do mundo redondo.
“Que vamos conhecendo e conheceremos um
dia desses, hem?!”
- E rios arroios ribeirões córregos.
“Sobre pontes ou passarelas suspensas ou
pontes pênseis.”
Numa altura da sorte passaram de
passagem por dentro atravessaram um fio-d’água corrente ali na sarjeta. Que alegria
das duas! Com certeza a menina pensou em rios maiores e rio Sepotuba rio
Piquiri rio Paraíso rio Poxoréu (este do tupi, “rio de águas escuras”) em
cascatas cachoeiras mar ondas marinhas vagalhões escarcéus e pororocas. E
depois de tanta água, veremos.
Um menor regato corria ali corre.
Acompanhado de árvores plantas êrvedo medronho ervas saivá vegetação ciliar e
orabutãs, carvalhos-brancos, clavijas, jutas-paulistas, ipecas-cinzentas... E
desviando pedronas com a forma de cavalo casa aeronave trator barco... Uma vez
ao ano, uma 1 semana em março, ele o riacho enche e sobe e encorpa até a rua
Conde de Bonfim. É justamente quando se lembra do nome que é rio Canoinhas e
diz dizendo: “O fulano Canoinhas está cheio enchido e enchendo”.
Uma mãe maracá, uma mãe proba, uma mãe
mãe, uma mãe tia, uma mãe procaz, uma mãe alcácer, uma mãe elegia, uma mãe
topos, uma mãe anáfora, uma mãe flébil.
Tem a rua das flores, rua Visconde de
Mauá (feira floriculturas flores em vasos e recipientes de barro cozido ou
plástico ou madeira). Tem a rua da copa do mundo, rua Capoeiras (toda copa de
futebol os moradores a enfeitam de verde-amarelo e na criatividade
extrovertida). Tem a rua da eletrônica, Onze 11 de Agosto (todo tipo de
aparelhos relacionados computadores roteadores cabos tomadas fiação parabólicas).
Na manhã seguinte elas pessoa física e
veículo pedestre acordaram cedo. Muito cedinho. Fazia outro dia agradável de
verão, fazia. O horizonte grande medido em largo e profundo como se as cortinas
tivessem sido retiradas. Que belo horizonte!
- Que dia sem nuvens, hein?!, Magrela.
“Um dia pra pensar em sair da toca,
nem?!”
- Um belo dia sem perigo sem sustos sem
ameaças sem deus nos acuda.
“Num céu sem contrastes.”
Da avenida Placidina de Araújo vinha o
som intermitente treme-treme dos carros passando ou até buzinando. Das casas de
comércio vinha o fru-fru ou ruge-ruge das mercadorias de todos os tipos e
utilidades. Do universo/vácuo vinha a ideia de D.
- O que é proscênio? É uma atitude nova?
É o nome de uma série de tevê?
“Deve ser uma... algo como uma gôndola.
Gôndola de aço ou de madeira.”
As duas iam aonde? O que importava é que
estavam juntas e andando. Juntas e pedalando. O passeio era melhor que tinham
pensado. Pensando bem. Pensado assim.
- Eu queria todas as praias ao nosso
alcance ao nosso redor, praia de Jurerê.
“Eu já sei andar na areia fofa. Eu deixo
marcas pegadas rastos, para trás.”
Reparavam nas pessoas nos bichos de
estimação que viviam passeando com as pessoas e com os animais domésticos.
Reparavam nas casas de diferentes tamanhos com cômodos de tabiques e anexo à
garagem. Reparavam nas ruas a rua Ianam e a rua Malali e uma encontrando a
outra na esquina. Reparavam nas árvores. Que árvores?, camboatãs-mosquiteiros,
espelinas, itapicurus, marajás, jipoúbas... Reparavam nos pássaros. Que aves?,
corruíras-de-casa, parurus, papagaios-moleiros, maracanãs-nobres, tachãs,
cavalarias, saíras-verdes, saíras-vermelhas...
- Temos que inventar alguma coisa para
hoje, é. Andar por andar é pouco.
“Já eu me contento em andar no asfalto e
sem pressa.”
O sol queimava sem nenhum problema. O
sol queimava sem nenhum inconveniente. O sol queimava sem nenhum dilema. O sol
requeimava sem nenhum discurso. O sol queimava sem nenhum inconveniente. O sol
queimava sem nenhum til.
As duas garotinhas, uma de carne e ossos
e a outra de metal polido, iam felizes risonhas soltas livres. Uma na companhia
da outra. Eram amigas, amizade fraterna. Guriazinha de bermuda rafada, bíci sem
nênia. Garotinha de cabelos rabo de cavalo, bíci com luvas verdes anatômicas.
Menina sem tatuagem sem brincos, bíci sem para-lamas.
- Me acompanhe no passeio, Magrela.
Vamos pela rua da Caçoula, tá liga?!
“É o que eu mais gosto neste mundo,
Vinda: acompanhar as pessoas de bem.”
- Sim, é legal a gente ouvir e ver as
árvores os passarinhos. É muito bom.
“Como também ir contra o vento e sentir
a brisa em contra.”
- Vamos procurar vamos procurando uma
aventura, das difíceis e nervosas.
“Eu vou eu iria até o fim do mundo e dos
tempos, imagine.”
- Acho que telefono. Será que telefono
pra alguém? E assim no mais?!
“De repente você pode telefonar ou a
qualquer momento.”
- Será que paro que paramos e reparamos
numa foto autorretrato?
“Bem ali na rua José Higino e praça
Gabriel Soares, repartindo coraçõezinhos.”
E a estrada se estendia e rude quieta
pavimentada desenrolada. Pássaros volitando esvoaçando e carcarás, oracas,
tuques, menininhos-do-banhado, pombas-do-meio, sacis, tizius... Cães vira-latas
com semblantes contritos abatidos pesarosos e analisando o próprio futuro
assim: “Se se tratasse eu você de um espírito positivo de uma alma genial,
dir-lhe-ia que esperasse esperasse”. Ou seja, o mundo debatendo quê.
O sol se fazendo de frente carudo no
lado leste do mundo. E sério severo famoso brilhante. E empenhado atento de boa
vontade. E espantoso estranho inacreditável. E amparado arrimado arrumado
apoiado no diário. E de repente no cume cimo topo cacume. O sol se fazendo de
deus e senhor e soberano e pegureiro pastor de gado.
- Vamos andando e pensando bem. Você me
ajuda a pensar e raciocinar.
“Quando eu penso eu vejo coisas e vejo o
céu multiplicado. Pra valer, é!”
Este nosso sol nem vem da terra ou do mar,
este mar nem vem do céu ou da terra, esta terra nem vem do mar ou do céu, este
céu nem vem da terra ou do sol. Todos vêm de algum lugar para onde, e vêm e
vão.
Demorou ainda um pouco mais. Demorou o
tempo necessário.
E já as duas elegantes conversando foram
pensando. E pensando foram dialogando. De súbito do nada viram uma ilha
apareceu uma ilhota. Seria uma ilha fluvial. No meio do rio Ribeirão do
Itororó. E por simples saber, que nome? A ilha podia se chamar, nomes próprios:
Convênio ou Conselho ou Epicédio ou Epiceno. Um riachinho quase um pouco
relativo fluviátil. E a ilha era habitada, por acaso? Sim, havia árvores
bastantes para encher uma mata intocada. E voavam aterrissavam alados(as). Para
as duas pedestres chegar lá tinham que pegar um barco barcaça canoa. Pedir
ajuda a um barco a motor ou a remo ou a vapor ou a vela ou a magia.
- Vamos procurar a ilha e explorá-la. Eu
adoro isso. Eu sempre quis isso.
“Eu temo raptos temo bichos grandes e
pequenos temo a noite escura temo o frio temo o deserto de areias escaldantes
movediças. Eu receio enferrujar.”
- Que nome tem a ilha? Aceito sugestões.
“Eu chamaria ilha... da Eternidade, que
ficará aqui pra sempre. Ou ilha 10 de Março, que hoje é esta data. Ou ilha do
Mel, que temos muitas abelhas aqui e zangões.”
- Tenho e prefiro telefonar e mandar uma
foto, que solução bonita!
“Telefone pras amigas as mais
preferidas, pelo menos e convenhamos.”
- Será que teremos piratas ou corsários
e tiroteios e raptos e sequestros?
“Será que vamos ver bichos diferentes e
ou pré-históricos ainda preservados?”
Pegaram a embarcação remaram as duas
remando uma pela esquerda outra pela direita. Fizeram um esforço danado e necessário
e prático. Chegaram à ilha do Arvoredo ilha Galés ilha Deserta e calhau de São
Pedro, e foram andando. E aceitando percorrendo cumprimentando os moradores.
Conhecer o pedaço de terra rodeado de água do rio ou do mar. A menina a pé e a
bíci rodando. Pé ante pé, roda girando. Uma de mão com a outra. Por uma trilha
no meio do mato e com sombra desde o início. Observavam a paisagem toda
integrada e pássaros e árvores plantas flores e cipó-una, vaquinhas-das-flores,
erva-preá, ipequis, ingá-doce, neguças, jatobá-de-casca-fina...
- O que a gente veio fazer aqui,
amizade? Veio curtir o panorama ideal.
“A ideia é procurar uma aventura. Uma
aventura com sorte no final.”
- Será que tem alguém morando, digo
pessoa? Só se vê árvores plantadas e aves voando. Som de aves e do vento.
Ruídos cricris de grilos e sons zumbidos de abelhas.
“Se encontrarmos uma gruta... vamos
entrar, entraremos? Ou devemos evitá-la?”
As duas amigas foram andando e olhando
pra todos os lados. Era novidade e estavam, aparentemente, sozinhas no pedaço. Sossegadas
no espaço. Iam andando sem mais preocupações. Nem se davam conta. Nem viram que
o tempo passava. O tempo cronometrado. Assim meio longe do porto distante da
embarcação. De repente no meio de um labirinto. E perdidas por perdidas e meio.
Um labirinto em xadrez ou em espiral.
- Ei!... E agora, Magrela?! Vamos correr
ou vamos de vagar cadenciado?!
“Vamos chamar por socooorro! Vamos ter
que encontrar a saída, e antes do meio-dia. Bem antes antecipadamente das 12h.”
O receio chegou cedo ou tarde. Antes
tarde do que nunca. E o medo tinha nome feio sobrenome, desordem confusão
inferneira. E quando se está perdido perdida se pensa em bobagens, cruel atroz
malvada infanda. As horas nem passam e deveriam passar. Deveriam passar assim
tão rápidas, as horas tique-taques?
- Sim, já passam das 11h. Já me dá uma
certa fome com vontade de dormir.
“Você tá com fome, amiguinha?”
- Acho mesmo que vou telefonar.
Telefonar para as amigas de ótima hora.
“Deve sim telefonar e pedir orientação.
Telefonar é óbvio.”
O sol queimava sem nenhum problema. O
sol queimava sem nenhum mistério. O sol queimava sem nenhuma dúvida. O sol
queimava sem nenhuma consideração.
- Vamos pedir informação às árvores.
Pode ser qualquer árvore. Toda árvore tem sentimentos. As árvores deste lugar
também têm compaixão e devem ter paixão por duas gurias perdidinhas.
“É isso mesmo. Vamos falar com uma
árvore ou duas, as comadres.”
Se sentiram confiadas no começo da
caminhada. Daí umas duas horas já se perdiam no meio do mato. Internadas num enleado
labirinto de plantas e vegetais anônimos. Um lugar de poucos recursos. Quem
sabe um lugar de poucos amigos(as).
Quando ouviam um pio ou dois, era bom ou
mau? Logo logo ouviam um ou dois rugidos, estava bem ou mal? Cantos
interpretações assobios graves agudos esdrúxulos.
- Era ótimo precisava necessário ter um
vulcão nesta ilha acolhedora, hem?!
“Um vulcão fumacento fumoso e
incendiado.”
- Seria forte que aparecesse aqui um
tufão. Que se criasse por conta própria.
“Desses que uivam sem cessar e fustigam
vapulam flagelam vergastam.”
- Mesmo um terremoto por demais
malfeitor sicário facínora.
“Provocasse em toda parte as trevas
bulcões escuridões.”
Logo encontraram uma árvore grande e
pediram licença e perguntaram:
- Aponte-nos um caminho até nosso bote,
dona árvore... Como se chama, oi?!
A árvore olhou com olhos múltiplos.
Olhou com unanimidade das folhas. E mexeu os galhos musculosos orgulhosos. Se
ouvia uma música que era o vento esbarrando nos cabelos soltos da árvore. E ela
se dignou responder, respondendo:
- Que passa, gente boa?! Podem me chamar
de simplesmente de Ode Grei, da espécie iaguarataí. Estão perdidas de horas, é?
Vieram e nem sabem como voltar, né?! Entendi. Suspendo preocupada tudo que eu
estava fazendo para atendê-las.
- Isso mesmo e faz meia hora. Como
chegaremos ao porto do rio da Barra?
Ode Grei, a árvore, se agitou agitada
com tudo. Planta bem enraizada na terra profunda. Um ser feliz por estar preso
à terra boa e também por ter raízes que vão ao subsolo buscar água e nutrientes
para crescer firme forte e verde. Plena na fotossíntese. E o enorme vegetal de
oito metros e sombra disse com voz distribuída por todo esse seu tronco robusto
de músculos rijos e peitoral e busto magníficos halterofilista:
- Suba nos meus braços que vou te alçar
e mostrar o horizonte. Assim você pode ver mais longe e quem sabe se orientar.
Vivo aqui mesmo faz um tempão. Aproveite.
A menina subiu realmente escalou a
árvore. A bíci ficou olhando do chão. Tudo foi muito rápido. A menina tinha o
dom de saber subir em árvores. Era ótima nisso.
- Eu sei subir em árvores. Eu adoro
subir em árvores. Aprendi de faz muito.
“Suba com os pés bem plantados e se
agarre com as mãos bem agarradas.”
Enquanto
a menina subia até o mais alto que podia, alguém dos arbustos ali por perto ali
por baixo e sorrateiramente, pegou e arrebatou a bíci Magrela. Foi tudo muito
rápido rapidamente. E o arbusto rasteiro nem identificado saiu com a Magrela
nos braços nos ramos e pedalando. A Magrela pensou em socorro, mas já era
tarde:
“E agora, gente boa? E agora, amiga Vim?
E agora eu mesma?”
A menina captou o chamado telepático da
sua companheira bíci e vendo assistindo aquilo tudo ficou assustada e intrigada
e intranquila. Procurou voltar retroceder descer imediatamente da árvore. Queria
atender ao chamado urgente da colega de brinquedos. Mas porém, assim que tentou
voltar, foi impedida e abraçada totalmente envolvida. A árvore Ode G procurou barrou
queria atrapalhar a menina.
- Ei!... Qual é, meu?! Me deixe descer,
por caridade! Por obséquio e imediatamente! É um caso de polícia, gente!
Assim a guriazinha ficou presa e
embaraçada enredada enleada nos galhos e ramos da árvore Ode Grei. Nem tinha
como convencer a árvore a soltá-la. Caiu na armadilha. Caíram como patinhas na
arapuca, as mesmas duas intrépidas aventureiras.
E aí veio mil coisas horríveis absurdas
e assustadoras na cabeça da menina Vinda. Parecia o fim dos tempos. Parecia uma
calamidade. Parecia um despropósito. Parecia uma falta de respeito sem medida
sem medida. O mundo cheio de ódio grima raiva. Um contra a outra, todos contra
todos, ninguém por ninguém e D só observando.
- Ei!... Me deixe, me libere! Qual é o
babado, dona árvore?! Que gastura!
A prisioneira já estava nervosa perdendo
a cabeça e nem sabia o que pensar nem entendia onde estava. E o pânico começou
a aumentar imensamente... E o enjoo começou a tontear e a tontura a fazer mal
pra guriazinha. Os cabelos despenteados...
- Qual o quê!... Me coloque me devolva
ao chão da teeeerrrrraaaa!...
- Fique calma e tenha paciência, menina.
Já eu te solto. Deixe meu filho arbusto dar uma volta na tua bíci, né! O meu
dileto filho nunca nunca brincou de bíci. Sabe o que é isso? E eu te peço por
favor, por obséquio obsequiosa obsequiosamente!
- Isto é um rapto, isto é um atentado,
isto é um roubo de bicicleta!
A árvore Ode Grei da espécie iaguarataí
tentou procurou convencer a menininha, tentou retê-la no meio dos seus galhos
enleados tramados de enlear tramar mas nem foi possível. A menina discutia discutiu
até onde podia com o grande vegetal:
- Pensa o quê?! Me liberte, hem?! D me
livre e guarde!...
- Calma, garotinha rebelde! Eu tenho
cifra eu tenho somas eu tenho números eu tenho montante eu tenho, pra
finalizar, eu tenho dinheiro dinheiros. Sou árvore da grana da moeda do cobre
da bolsa do ouro. E sou a árvore rica que tem dinheiro pendente das folhas. E
posso pagar o que você pedir o que você quiser o que você somar e multiplicar. Tá
pensando que quero de graça?! Dinheiro nem é problema, minha cara!
Quando o grande plantão foi ver já era
demasiado tarde e a menina escapulia. Por entre os galhos por entre os dedos
dos ramos. Se agitou se torceu distorceu e finalmente, ‘ufa!...’ se soltou e
pulou fora no chão. A guria gritou a guria bradou em tom de desabafo e
despedida e até nunca mais:
- Adeus e já vou embora! Já vou mesmo e
já vou tarde! Onde é que se viu, meu!
Assim, então, a guriazinha Vim correu ao
encontro encontrar com a amiga a Magrela. Que esta já estava em mãos ou brotos
tenros do arbusto que a tinha raptado. Este vegetal rapineiro de raízes aéreas
e folhinhas miúdas e galhinhos finos e flexíveis tinha muita vontade de brincar
de bicicleta. Mas peraí, né, meu irmão!
- Magreeeelaaaa!... - chegou chegando
correndo gritando a Lilás - Estou de volta e agora vamos embora daqui! Solte a
bíci, arbusto arbustivo! Sooool-teeee!...
Quando se aproximou da Magrela, a menina
Vinda já estava muito decidida e convicta. Disposta a qualquer briga, se fosse
o caso. Aí o arbusto olhou pra trás e viu a revolta nos modos nos gestos nos
jeitos nos olhos da guriazinha. Assim o arbusto pequeno e filhotinho, nem bobo
nem nada, saiu correndo e se atirou se apinchou se escondeu no meio da capoeira
e ali por perto. De lá só ficou rezando e olhando para que nem o vissem e mesmo
o deixassem em paz, amém!
- Solte e libere minha amiga, seu
arbustinho! – já ia exigindo a garotinha.
No exato momento que o arbusto já
largava a bíci Magrela, a Vim chegava perto e nem a deixava cair no chão. E
assim foi. As duas se encontraram novamente e tudo bem. Muita trapaça mutreta
engano que poderia ter acontecido nem aconteceu. Agora estava tudo bem tudo em
casa tudo acertado tudo bem mesmo.
- Ufa... e que bom! Tudo bem e tudo em
ótimas condições, Magrela?!
“Quando vi já estava sendo raptada. É
tudo sempre muito difícil de prever, é.”
- Uta!... Olha como estou tremendo de
nervosa, tirititiiii!... Geeeente!...
“Inda melhor que você me salvou das
garras do arbusto atrevido, arre, amiga! Inda bem que você chegou em tempo de
nem me deixar cair no chão e me amassar, né, guria?! Inda ótimo que tudo nem
passou de um pequeno susto, hem, Vim!”
As meninas iam atentas e já entendiam
sabiam decorar as árvores e outros vegetais aí por cerca cercanias cerqueiro rente
e sapucaia-pequena, oeirana, maúba, ipê-amarelo-do-brejo, oitizeiro... Sabiam
das aves pelo canto ou pela roupagem penugem plumagem e saracura-do-brejo, pica-pau-branco,
chorão, bem-te-vi-rajado, golinho...
- Temos cobertura? Justamente vamos
telefonar pra alguém importante.
“Sim, eu acho bom e legal que mais gente
fique sabendo disso tudo.”
Pegando daí, as duas inseparáveis e cada
vez mais parceiras e amigas, foram andando procurando uma maneira de sair do intrincado
labirinto. Que a ilha era pequena mas o mato era enorme e onde já era fácil de
se perder. Perdidas por perdidas e meio, foram se afastando da árvore e do
arbusto sequestradores mancomunados e que lhes haviam atentado contra a
liberdade de ir e vir. Esquecer dar as costas deixar para trás.
- Acho que é melhor irmos por acá, tá
certo?!
“Qualquer lado é melhor que ficar perto
daqueles vegetais monstrengos, hem?!”
- Tenho ideia de telefonar pra alguém.
Acho sim que devo telefonar, é.
“Sim, ligue pra ver se chega algum
resgate bem na hora em boa hora.”
A grande maioria das árvores eram gente
boa e de bem com a paisagem. Então nem precisavam se preocupar todo o instante
com coisas alheias. A mata o mato o capãozinho ali de todos os tipos arbustivos
e grandes e médias e pequenas plantas. Era uma comunidade uma sociedade de bem
com a existência enraizada e verde clorofila na fotossíntese. Aparentemente nem
gostavam de mudar de posição ou de lugar no mundo. Uma árvore nasce e
desaparece sem sair do sítio sem largar o rincão natal.
E as meninas andavam procurando a pista
para voltar ao barco no portinho. Estavam longe? Só D saberia dizer naquele
instante. E as horas passavam. Chão seco mistura de pedrinhas com terra solo
esturrado estorricado torrado calcinado.
- Vamos ter que nos informar melhor e
com segurança, né?!
“Viemos atrás de acontecimentos
aventurosos e estamos indo bem, hem?!”
- Uma coisa é certa: D sabe o que faz e
desfaz, né?!
“A sorte grande dos metais e das pessoas
de metal é procurar. E vai ser sempre se preservar com óleos e tintas e lubrificantes
para nem se engripar, entende?!”
- Os humanos nós humanos vivemos e
sobrevivemos dos alimentos que comemos, de modo quê.
“Os metálicos nós os metálicos(as) somos
de ferro e aço e alumínio e borracha e outros produtos químicos duráveis como o
plástico.”
Seguiram sensacionalmente, e sem se
darem conta, por uma picada estreita embrenhada no meio da vegetação espessa.
Terreno íngreme e uma trilha coberta meio encoberta pelas árvores. Embora lá no
alto astral, o sol iluminava muito e dourava demasiado e aquecia boa parte do
mundo atual. Sol sempre perfeito. Sol tipo antípoda oposto colocado posto em
lugar distante.
- Você sabe que eu acho o sol uma
presença estranha?! Sim, eu acho surreal.
“Agora que você falou... Sim, o sol a
lua a Terra... são surreais.”
Iam andando rodando e sem incomodar
ninguém. As plantas presas na existência delas. As aves trinando o repertório
de cantos e canções que já sabem de muito tempo atrás desde o nascimento
aprendendo dos pais. Pássaros endêmicos e ou migrantes.
O dia cheio de espíritos de confiança,
as horas enfeitadas de tintas cores verdes-esmeraldas, todas os seres correndo
atrás da matéria-prima, o instinto sem parar como algo ou alguém sublime; todas
as coisas acontecendo ao mesmo tempo.
Cedo ou tarde, daquele jeito e naquela
mesma manhã ensolarada e limpa e sonora, deram de cara a cara com um túnel. Era
bem em frente do caminho. Nem havia como fugir. Daí voltar?, impossível. Daí
pra frente?, era o que tinha. Total: entraram pé ante pé e roda ante roda no
escuro túnel e já apertando os dentes. Pouca luz meio escuro apertando os olhos
a atenção fixada no caminho. Um caminho indigesto.
- Como é diferente aqui dentro, gente!
Até difícil de respirar.
“Assim tão escuro e úmido, hem!”
- Na verdade um túnel ou uma caverna sem
saída? Temos que ver, né!
“A trilha deve indicar um túnel com
entrada e saída, estou certa.”
- É uma prova de mistério e par ou
ímpar.
“Quem fez todo esse túnel vazio e
esquecido? Foi um trem de ferro carregado de minérios? Foi uma mina de ouro?
Foi um verme grandão comedor de montanha?”
Era mesmo o interior subterrâneo de um mundo
mágico. Nos intestinos na barriga de um estupendo e fantástico e imenso animal
carnívoro. Como se estivessem sendo engolidas diretamente e inteirinhas. Uma
montanha com seu corpo enorme engolindo e goela abaixo. Enfim, como se a
montanha precisasse disso.
- Acho que é uma prova muito difícil,
esta. Arrepiei os pelos dos braços, olhe!
“Se a gente cruzar e escapar e se
libertar desse monstro estupendo, eu prometo que vou ser mais boazinha. Eu
prometo rodar sem cansar sem me queixar sem falar gírias sem pedir água.”
As gurias ligaram as lanternas. Era
extraordinário o interior da montanha. As gurias iluminaram o caminho. O túnel
despertava ecos ‘pê-pê-pê!...’ dos passos das falas dos resmungos murmúrios
feitos pelas aventureiras. E também assim acordavam os bichos médios e pequenos
aí existentes e já camuflados ou escondidos nas gretas escuras. O acaso a
contingência de cobras serpes aleivosas caluniadoras cascavéis da família dos
viperídeos com guizos ou chocalhos na ponta da cauda ‘ti-li-liiiiim!...’ Pois
sim, pois é, pois quê, horrível e horripilante e alucinante e acachapante!
- Quando me vejo no escuro eu penso
em... de repente... uns fantasmas.
“Eu ligo automático automaticamente
minhas lanternas de sinalização.”
- Acho ainda que vou telefonar. Vou
telefonar pra alguém, é.
“Isso mesmo. Telefone pra alguém saber
onde estamos e por quê.”
As aventureiras andavam devagar e
sempre. E mal e mal a bíci Magrela tinha os faróis acesos, o que nem melhorava
muito. A Vinda com a luz do celular. Iam tateando e acreditando na sorte no
acaso. Tanto era difícil e periclitante que de repente...
- Ei!... Que foi isso!... Ouviu?
“Acho que tem alguém nos seguindo...”
- Devemos olhar pra trás? Devemos
esperar? Devemos começar a correr?
“Deve ter sido uma pedra que caiu e
rolou sem querer.”
- E se tem alguém nos caçando? E se tem
mais de um alguém?
“Só se a gente apagar as luzes... Mas aí
ficaremos nas trevas e sem rumo...”
- Será que chegaremos no fim do túnel,
na luz aberta do fim do túnel?
“Chegaremos na pré-história da Terra ou
no futuro do mundo o porvir?”
Pararam tudo que estavam fazendo,
pararam de caminhar e rodar... e tentaram escutar ouvir... Tinha alguém ou algo
ali? Estava alguém parado na frente delas? Vinha por trás tentando agarrá-las?
Estava ali do lado e à espreita? As aventureiras tentavam iluminar pra cá pra
lá, etc. O túnel era quase baixinho e dava para uma pessoa andar mais ou menos
sem precisar se agachar. Dava pra correr muito bem. Dava pra correr muito
rápido. A altura a largura do buraco da toca dava pra correr de montão.
- Eu juro que tenho receio de encostar
em vermes e pulgas e percevejos...
“Eu tenho precaução cuidado com goteiras
e coisas pegajosas, juro!”
Meu, quantas dúvidas bem na hora do
escuro bem na hora do susto! O mundo é tão cheio de perigos, hein?! Tanta coisa
dentro do mundo e sem explicação. Lugares escuros sempre povoados de aranhas e
teias, morcegos e cacas, escorpiões e veneno, cobras e peçonhas,
baratas-do-mato araués cascudas, lacraias e centopeias, ubiraçocas ou gusanos
da madeira podre.
- Nestas horas que é bom estar em casa e
no quentinho do lar doce lar, hem?!
“E eu digo que nem precisava ter saído
de casa, né, meu?!”
- Nem consigo controlar minha mente. O
que penso se transforma em horror.
“Acho que precisamos de uma chance um
motivo pra correr, né?!”
Tinha uma presença ali por perto no
escuro que elas nem viam, mas que pressentiam. Um ser horrível e estranho e
melequento. Um algo diferente animalesco feroz. Uma entidade monstruosa
horripilante assassina. E já se ouvia se identificava um ruído de... ‘peeee-te!...
peeee-te!...’ Seriam passos de animal arisco? Seria uma goteira? Algo com um
suspiro... ‘seeee-te!... seeee-te!...’ Seria o respirar o fôlego do demônio?
Seria o eterno resfolegar da montanha? Seria o estômago faminto da montanha?
Seria um trem de ferro bufando chegando na direção? Seria o medo fazendo suas
brincadeiras de malcriado de mau gosto? Seria a força da imaginação criando
monstros disformes verdes azuis gelatinosos sarnentos babosos empedrados
escamosos rabudos?
- E se a gente tentar falar com a coisa
estranha, hein?! É uma! Podemos fazer amizade com a criatura, né?!
“Se nossa presença for ideia de comida...
nem sei se teremos chance.”
- Pode ser uma criatura baixa rastejante
e de se pisar em cima, hem?!
“Deve ser uma criatura impactante e oxidante,
será?!”
- A minha ideia é mostrar nossa
simpatia. Vamos ser simpáticas com ele ou ela?
“Talvez nem seja ela ou ele, mas a coisa
o ente o diabo anhangá pé de gancho...”
- Então peraí que vamos gritar as duas e
ao mesmo tempo, concorda?
“A minha ideia é sair correndo seja como
for e pra onde for...”
Pararam, então. Elas visualizavam mais
ou menos o caminho. Assim mesmo na penumbra no escuro na pouca iluminação que
vinha das lanternas na frente da bíci e do celular. Pelo menos uns oito ou nove
metros adiante. Era arrancar e correr.
- Eu conto ou você conta? Contagem
regressiva?
“Você me leva ou eu te carrego? Você me
guia ou eu te acompanho?”
Se entreolharam com razões bem
definidas. Melhor correr que ficar pensando no mesmo lugar. Precisavam se
livrar logo e logo daquele buraco amedrontador. Era tudo medo e receio e o
pensamento estressante só aumentando. A covardia às vezes vem do nada. A
incerteza às vezes vem do nada. A dúvida sempre vem do nada. Quede ideia!
- Vamos sair correndo como se nem
houvesse amanhã, tá legal?!
“Sem demora, menina!”
- Contagem super-regressiva... um 1 dois
2 três 3 e já!...
“Já fui já vamos agora e simboraláaaa!...”
As duas se mandaram pra frente e no rumo
que apontavam os narizes. Correram como nunca. Ambas a pé e rodando. Que era
assim mesmo que se deixava o medo pra trás. Uma levando a outra pela mão. A
outra guiando uma pela lanterna de pilhas novas. O túnel era sim a garganta da
montanha. Pisando rodando sobre pedras soltas brita chão de terra seca solo de
argila resvalando no barro derrapando nos seixos rolados. Se cuidando
seriamente para nem pisar em palavras difíceis de significar e retrusão,
plectro, moponga, fuste, dossel, etc. Correr mais rápido que um bicho ou dois
que correm muito melhor e mais depressa. Pernas e rodas buscando a luz bendita
do dia.
- Ora essa!... Falta pouco, eu acho.
“Hum!... Eu acho que falta pouco, sim.”
- Pois sim!... Deste momento, de agora,
dagora.
“Uau!... Sinhá maracujá ubá gravatá
manacá arapuá hiapuá mairá.”
Sem parar para descanso adivinhando o
rumo que só existia pra frente. Aguardando a qualquer momento o fim do túnel.
Esperando na curva já a luz no fim do túnel. Querendo que a luz do sol
aparecesse e as salvasse do sufoco. Tudo por uma luz. E ‘ple-que!, ple-que!...’
correndo trotando andando ligeiro ligeirinhas.
- Eu, hem?!... Nessa hora que D deve
ajudar a gente, né?!
“Ah!... Eu tenho fôlego mas me preocupo
por você, menina Vim.”
- Oxalá!... Nem acho que falta muito. Sim,
já devíamos estar fora do inferno.
“Apoiada e muito! Sinto um ar fresco e
renovado e uma brisa vindo na nossa direção. E parece que vem pela frente.
Parece...”
- Ué!... Eu aposto que estamos quase porém
salvas.
“Francamente! A montanha parece nos
rejeitar nos cuspir nos enxotar, então.”
- Apre e arre!... Uma montanha é sempre
uma montanha.
“Eia, eia!... Uma montanha é uma onda
uma corcunda da natureza natural.”
Num segundo já aparecia uma luz e a luz
aumentando exponencialmente gradativamente maiormente espetacularmente
sensacionalmente sentimentalmente. E tudo se aclarou como se amanhecesse como
se a janela do quarto se abrisse pela manhã de sol diante da luz solar e
deixasse entrar a luz do grande astro com tudo com força com deslumbre
iluminando clareando tudo e até ofuscando a visão. E muita luz e tanta luz, de
tanta luz. Uma ideia de luz amarela plena completa. Claridade natural comum.
- Quê!... Esta luz forte que nunca vi
mais clara e abençoada.
“Uma! Minhas tintas e cores ficam voltam
chamativas, veja!”
Viram a estrela do sol admiraram todo o
esplendor a luz total e pensaram, qualquer um pensaria, que chegavam de sorte
pelo paraíso e estava ali a felicidade. Tanta e qualificada saudade do dia
(sau-da-de ou sa-u-da-de, tipo de separação hiato por diérese). E por assim
dizer a salvação. E era mesmo, que a escuridão ninguém merece.
- Pretendo nunca mais fazer uma passagem
assim. Os túneis são bichos perigosos. Os túneis são estômagos quase famintos
que nos engolem, é.
“Nunca que devemos arriscar nosso metal
ou nossa pele, né?!”
- Sim, estamos perdidas. Continuamos
perdidas e bem desorientadas. Por quê? Simples. Nem nunca que me lembro já um
dia passamos por este sítio. Assim é. Nem conheço. Você conhece reconhece este
lugar, hein, Magrela?
“É, devemos encontrar o porto o portinho.
Devemos reencontrar nosso barco e sair da ilha. Custe o que custar.”
- É boa! A aventura vale a pena quando
termina bem.
“Tão bem como foi bem e perfeito no
começo.”
- Ei!... Temos cobertura? Mas posso
tirar uma foto.
“Entenda! Porque a beleza nunca...
so-bra!”
Em seguida se desenhou pela frente uma
rota entre o arvoredo viçoso passiflora. A menina nem tinha muito problema para
andar. A Magrela também nem era problemática. As duas iam pelas mãos da menina
e muito concentradas no caminho novo. Nunca que conheciam aquelas paragens e
entranhas e sítios e endereços e lugares e glebas. Agora a mata o mato as aves
canoras voando à toa.
- Oi!... Acho que devo telefonar pra
alguém, você concorda?
“Sim, sempre concordo com tudo que você
faz. Deve telefonar pra alguém do teu agrado e conhecimento.”
- Alguém que diga: “Amei amar amo ouvir
você!...”
“Acho oquei!... Justamente
preferencialmente esquisitamente melhormente.”
Árvores plantas flores sem perfume com
perfume ligeiro perfume acomodado perfume discreto perfume evidente perfume
forte. Vegetação vegetais ervas com abelhas borboletas besouros colibris,
beija-flor-tesoura-verde, beija-flor-de-banda-branca,
beija-flor-azul-de-rabo-branco, beija-flor-preto-e-branco... Que tudo e
todos(as) são atraídos pelas cores e aromas e fragrâncias e olores. Nem há
silêncio na natureza bela. Trechos fragmentos excertos extratos vale val de
mato capão e mancenilheiras, árvores-do-papel, juremas-de-pedra,
bugres-brancos, guacos-falsos, batatas-de-caboclo (que estas têm raízes
comestíveis tuberosas tubérculos túberas tuberoides).
Numa altura do caminho do campeonato
encontraram um riacho e o mesmo descia acompanhava a direção ou o sentido que
as garotinhas queriam. Iam para o mesmo destino, ou seja, o riacho corria para
o mar. E quem sabe desaguava no cais tão querido tão procurado tão esperado tão
ameno tão legal tão requerido?!
- Ora!... Vamos acompanhar o rio que ele
nos levará até nosso porto e nosso barco. Assim nos salvaremos e devemos nos
salvar. Assim diz o destino.
“Assim devemos fazer para nos salvar
ainda hoje. Assim diria o ditado.”
- Oh!... Talvez com tempo de ver a praia
de Zimbros, em Bombinhas.
“Isso! As praias de Biguá e Canto Grande
Fora, estas já são aconchegantes.”
O riachinho era tímido e já dava pé vau a
todo momento. Corria limpo faceiro pequeno entre as pedras pedregulho seixos
rolados serpenteava torcicolava coleava. Era muito cristalino e ondulante
serpeante. E sorria sinuoso para as árvores para a luz do sol para as paisagens
para as aves. Ainda nem era um rio navegável por falta de mais corpo encorpar
afluentes mais carne mais águas mais robustez mais líquido e liquidez. Parente
de rios espalhados pelo mundo e fazendo história e rio Passa-Cinco e rio
Cabeça...
- Uma vez. Devemos seguir o destino das
águas. O rio nos levará ao oceano, que também é nosso país. Ver se o mundo é
pequeno ou pra lá de grande.
“Talvez nem demorará muito. Talvez meia
hora, mais ou menos.”
- O rio piscoso. As águas estão boas, as
pedras estão rolando seixos rolantes.
“Te digo! A imaginação coloca barcos
embarcações navegações a Marinha.”
Umas árvores convidaram as garotinhas
para um desfrutar de frutas. A menina estava com uma fome e comeu jabuticabas.
Depois achou pitangas. No mesmo lado da trilha encontrou amoras-do-mato. Terreno
estreito e acidentado. Uma cerejeira-do-rio-grande, enorme e carregada de
frutos, convidou as aventureiras:
- Olá!, gentes boas. Sobem para cá e
sobem para meus galhos e colham mais colham meus frutos minhas cerejas maduras
apetitosas suculentas nutritivas, hein?! Querem mais? Venham, subam, escalem
meu tronco o cerne de madeira de lei.
O convite prometia muitas frutas maduras
e bonitas e atraentes, mas as viajantes já tinham experiência de nem se enredar
em árvores e depois ficar presas. Assim, ficaram com água na boca e recusaram o
convite. Agradeceram, mas declinaram:
- Olha, dona árvore cerejeira,
agradecemos mas temos pressa e já vamos...
- Nem umas de amostra? Nem um punhado de
frutinhas? De-grátis!
- Outra vez! Deixamos pra próxima, né!,
tia cerejeira.
“Sim, o custo benefício nem vale a pena.
Vai quê!”
O mato era estreito estreitado ali
naquela altura do caminho e de vez em quando fazia assim como que uma pérgula
ou caramanchão recobrindo o passeio. Eram plantas trepadeiras que iam de um
lado ao outro da trilha deixando que as pessoas ou os animais passassem embaixo
e por entre seus ramos e raízes. Fazia uma espécie de galeria encoberta de
raminhos folhas lianas. Algumas dessas plantas até despejavam flores igual tais
e quais umas maracujás-suspiros, batatas-do-campo, canas-de-passarinho,
nhambuís, guajuviras-da-baía, paracuubas, coiranas-do-rio-de-janeiro...
- Caso se tenha cobertura ou nem?
Devemos tirar uma foto autorretrato, Magrela! Uma foto para fins turísticos e
promocionais.
“Que riqueza! Seria uma foto fotogênica
e peculiar. Uma estampa estupenda.”
O riacho descia contínuo para oeste, as
aventureiras também desciam confiantes para oeste e acompanhavam a vontade da
gravidade. Tudo levava a crer que chegariam ao porto ao barco e ainda hoje. O
mais tardar daqui a pouquinho. Logo ali. O riachinho parecido e
fisionomicamente comparável aos primos irmãos rio Jacu rio Corumbataí...
- Eu preciso e precisaria descansar
porém deixo pra amanhã, sabe?!
“Eu nem preciso descansar, mas te
compreendo. E você nem quer uma carona?”
- Bravo! O mundo começa onde termina e dá
início.
“Sim, sinceramente. O mundo nem acaba em
barranco, eu sei. Vejo daqui.”
Uma hora e foram andando quando em uma
hora, à beira-riachinho ribeirinho, encontraram uma família de capivaras. Este
roedor semiaquático único da família dos hidroquerídeos, cauda vestigial, maior
roedor do mundo (fonte: d.h.). Estavam ali em família mesmo e pastando pasto
verdinho relva tapiz tapete de gramíneas em as ermas plagas: capim-grama,
capim-de-cheiro, taquarilho, capim-da-colônia, capim-amonjeaba.
- Olhe só aqui! Animais selvagens
parecidos com capivaras!
“Roedores comedores de pasto. E vestindo
um casaco de couro de pelo duro.”
A menina Vinda e a Magrela, lado a lado
e caminhando pé a pé e roda a roda, viram identificaram a família capivara. Que
a família toda ergueu a cabeça ao ver passar as duas aventureiras. A menina
chegou e indagou e xeretou:
- Oi!... Bom dia! Pra que lado pra onde
eu chego nós chegaremos encontraremos o porto, hem? Faz tempo que estamos
perdidas e sem cobertura de telefone, eu e a bíci.
A capivara mãe se adiantou à tropa e
respondeu no balido grunhido nitrido:
- Hu-lalá!... Se vocês continuarem
seguindo para oeste já logo logo encontrarão a saída pro mar. Fica a menos de
8km e umas 15h no passo de animal quadrúpede.
- Parece que é longe e difícil, né?
- Então, antes do meio-dia vocês
dificilmente chegarão. Podem apressar o passo, se quiserem. Podem descansar na
sombra de uma árvore, se assim acharem melhor.
- Oquei!... Acho que já vamos andando
para nem perder tempo, é.
- Nós capivaras nem vamos naquela
direção porque nem nos interessa chegar ao mar. Gostamos mais da água doce,
entende?
- Então, tá! E obrigada! Que o deus das
capivaras lhes favoreça e lhes ajude no que for preciso. Agradecidas pela dica
e pela atenção. Tchaaaaau!...
“As capivaras são gente boa, né?!,
menina. As capivaras são simpáticas, é.”
O dia estava ali e pedindo para entrar
em recesso, juridicamente e naturalmente. O caminho estava correto e era ainda
por percorrê-lo a pé. Quase hora do almoço e a menina estava ficando com fome
de comida boa e feita na hora. Onde um restaurante? Assim bem longe de casa? E
isso e aquilo iam demorar. A fome nem espera e as horas passavam de lado na
tangente.
- Vamos que vamos, né, Magrela?!
“Que afinal estamos no caminho certo e
mais cerca do que afastadas.”
- Claro que sim, gente! Nenhuma parada
até o fim da jornada.
“Pode ser, hem! Sempre posso te oferecer
uma carona.”
O céu estava bonito, limpo. O sol
queimava deveras, estuante fervente fervilhante. As aves eram cantoras e
apaixonadas pelo meio ambiente e saurás, ajurujurás, passarinhos-de-verão,
taperuçus... As árvores fincadas na margem da trilha cuidavam da própria vida
delas vegetais e canafístulas, moacãs, braços-de-preguiça, mangues-de-água-doce,
guaiacãs, gameleiras-de-pinga, rabos-de-rato...
Havia som, havia cores, havia mato,
havia pássaros, havia riacho, havia sauís. As plantas, roupas verdes camufladas
na vegetação, ainda lutavam lutando com o vento. Os arbustos remoçados moços
inteligentes famosos prestigiados e já na idade de pleitear requerer discutir
debater. Capoeira de personalidade revel rebelde insurgente. Sem-número de
espécies de ervas daninhas à feição com ânimo e humor favorável para derrotar
profligar derrubar arruinar verberar.
- Se a gente pudesse se fosse possível...
se desse pra pedalar, né, amiga?!
“O convite já foi feito e estamos à
disposição para uma corridinha, sim?!”
Já o preço da manhã custava a passar. O
preço e uma hora já era tarde. O preço de uma palmeira paxiubamirim estava
alto. O preço de uma árvore catiguá estava frondoso. O preço de um casal de
pintassilgos estava valendo muito. Quem somar?
O próximo passo as próximas horas era
andar pra frente. E caminhando rodando que a trilha nem deixava pedalar. Assim
ia o tempo a cronologia dos fatos. Hélio o sol heliografia antélio anti-hélio,
tudo em ordem e atendendo aos requisitos da hora.
- Se temos cobertura pra telefonar.
Posso tirar uma foto e autorretrato.
“E a beleza nunca... des-faz.”
- O mundo empacotado do jeito que está
em doutrinas problemas emoções.
“Uau!... Carretel anel marnel laurel
pastel parcel esparcel batel farnel coronel.”
Num dado instante num lugar qualquer,
apareceu um gavião e já pousado acomodado num galho bem alto do jacarandá. Sim,
bem à beira do caminho das duas passeadoras. O gavião-telha estava aboletado e
pacífico, sim senhor!, no galho mais alto maior especial do jacarandá-cabiúna.
E cuidando quem passava na estrada no caminho. E a ave de rapina se adiantou,
saiu na frente e piando alto maioral:
- Oi-nhéeeee!... Como aparecem, gente?!
Aceitam uma ajuda? Posso servi-las?
- O quê?! Boa tarde, gavião-caburé!
- Oie!... Nem sou caburé. E aonde vão
com tanta pressa, gentes boas?!
- Eu, hem!... Nos dirigimos pro mar, gavião-carijó.
É longe, me diz!
- Oi!... Olhe, nem sou carijó. Vocês
estão perdidinhas, é? Bem que desconfiei.
- Só uma informaçãozinha, bom
gavião-caboclo. Para que lado fica o portinho?
- Olêeeee!... Que o porto fica pra lá,
justamente pro oeste. Querem uma carona? Eu mesmo estou indo naquela direção.
Posso levá-las sem preço algum, de-grátis! Aceitem e aceitem. Se nem aceitarem,
azeite e oi-nhéeeee!...
A menina ainda pensava na oferta da ave
de rapina. Mas aí como ela iria transportar duas pessoas, ela e a bíci? Parecia
que era mentira. Nem ia dar certo. As duas nem seriam muito pesadas para a ave?
Mesmo sendo uma ave grande e predadora? Mesmo sendo e parecendo uma ave enorme
e teimosa e rábida raivosa? Mesmo sendo uma ave das mandachuvas e hipócrita
mendaz mentirosa? Ave de ótima envergadura.
- Acho que nem dá certo, seu
gavião-azul. Nem será pesado demais pra ocê?
- Oi-nhéeeee!... Que nada. Eu tenho força
nas asas nas garras, quer ver?
- Talvez fica pra próxima vez,
gavião-indaié. Fica pra próxima oportunidade.
- Oi!... Que nada. Pode ser hoje mesmo.
Nem cobro nada e ainda faço com gosto. Meu jeito de servir pode lhes ser útil,
hem?! Deixem de nove horas, meninas!
A oferta estava tentadora. E mas parecia
promessa muito fácil. Parecia algo que nem podia ser realizado. Como uma ave
carregaria duas pessoas, uma pessoa e uma bíci? Sim, era demais e em demasia.
Tinha cheiro de arapuca. E assim pensando rapidamente, a menina rapidamente
disse que nem precisava de ajuda:
- Nem nada, seu gavião-de-penacho. Nós
duas vamos a pé e rodando mesmo assim. Nada de mais. Obrigada e até logo e até
outro dia. Bom e ótimo descanso.
- Oie!... Mas nem me custa nada, gurias!
É um voo sobrevoo. Daqui até ali. Um voo bem rápido e tranquilo. Um pulo e mais
o quê. Tipo como igual voo de drone.
Aí a ave saltou no ar e veio voando
planando bem perto por cima das duas aventureiras. Enquanto as duas andavam a
ave acompanhava voando, lentamente sobrevoando. E suas longas asas faziam um
vento considerável no entorno. E seu corpo grande fazia sombra no chão e até assombrava
quem via de perto ou estava ali por perto. De asas abertas tinha uma
envergadura de mais de dois metros e meio. Tinha força suficiente para fazer e
dar e vender. Podia percorrer 60km em um ou dois segundos.
- Oi!... Sabe o quê, aventureiras! Vocês
estão perdendo uma boa oportunidade de ir mais rápido e cômodas, hem?! Iremos
em linha reta e por cima do mato de tudo.
- Nem tem de quê, gavião-puva. Fica pra
próxima e quem sabe, né?! Fui!...
A ave florestal ainda teimou acompanhar
sobrevoando as duas passeadoras e por mais uns 200 metros. Aí revolteou tipo psicopata
revoltou no ar e foi pousar retornar ao galho alto da árvore timboúva. Pareceu
ter cansado de tentar convencer as garotinhas. E desistiu. Desistiu ou deixou
para mais tarde, vai saber!
- Então. E lá se foi escafedeu-se a ave
de bico torto aquilino aguilenho.
“É ave das altas copas de árvores. É ave
dos penhascos fragas calhaus penedias.”
- Talvez uma ave de gosto duvidoso e que
adora muito muito carne humana, é.
“Brava e bravíssima! Uma colecionadora
de bicicletas, quem sabe!”
Muda o vento, muda tudo. É assim que
funciona a natureza isso mesmo os fenômenos naturais o clima o tempo a
meteorologia. Veio chegaram voando também as nuvens carregadas acendradas
cinzentas e de supetão. E o céu escureceu fechou e meio claudicante. Entornou o
caldo. Umas nuvens pesadas agitadas e já anunciadoras apregoadoras
proclamadoras apedrejadoras pregoeiras de... tem-pes-ta-de tropical.
As meninas ficaram preocupadas,
evidentemente. E caso fossem obrigadas a correr e se molhar sob a chuva,
obviamente. Preocupação de resfriado e tosse e voz rouca, consequentemente
precisamente repentinamente visivelmente:
- Eita!... Vai chover de montão e ainda
agora. Quer ver?!
“Oito ou oitenta! Acho que vai ser bom e
refresca refrigerante, prima Vim!”
- Eu gosto de chuva de verão. Eu adoro
tomar banho de chuva, chuáaaa!...
“Sim e iés! Pegar chuva e se molhar na
chuva e pular poças-d’água, ótimo!”
Foram obrigadas a se abrigar debaixo de
uma árvore camacamará que faria podia fazer as vezes de guarda-chuva ou
cobertura para cobrir colmar tapar toldar. E pronto, o firmamento o céu
enfureceu encardiu. Se ouviram os trovões trovoadas ribombos tonitroares
estampidos ‘tru-tru-tuuuu!...’ Sempre vindo do lado noroeste. De imediato os
raios riscaram espocaram os relâmpagos chicotearam faiscaram iluminaram ‘estlaiáaaaa!...’
e isso bem instantaneamente imediatamente intempestivamente. Tudo acompanhado
de tremores de terra e terremotos de baixíssima magnitude porém assustadores e
difíceis de compreender naquele momento e naquele lugar.
- Ora, meu! Será que a árvore nem vai
atrair raios, hein?!
“Ufa!... Periga que meus metais atraiam
mesmo, tá!”
- Tem muita gente que detesta raios e
relâmpagos e trovões e trovoadas.
“Pensando bem... Tem muito raio que joga
com gente de metal, é.”
- A gente bem podia agorinha estar
passeando em Rio Claro ou Itirapina, que lá nem cai tanta chuva nem eletriza
tanto raio nem soa tanto trovão, né?! Ora quê!
“Existem lugares calmos e tranquilos
tipo Santa Gertrudes e Leme e Iracemápolis e Ipeúna que o céu brilha
transparente e pra sempre todos os dias e noites.”
A menina escanifrada modelada e a bíci
magrizela delgada ficaram olharam pro céu tormentoso. Chuva caindo era bom de
se ver. Chuva que chove é bom de se olhar. E os raios iluminavam de supetão e
de repente. Os trovões abalavam a terra e tudo em volta. Raios chicoteando ‘zipe-zipendeeee!...’
com trovões ‘tra-bla-bruuuu!...’ faziam a terra tão mais comum que se parece
que podia parecer. Como se fosse de noite, o dia escureceu por todo e
completamente. As aves piando alopradamente.
- Oi!... Promete chover a cântaros.
Muitas águas vão rolar e rolam e rolarão.
“E pode durar meia hora como hora e meia
ou mesmo meio-dia e resto da tarde.”
- Chuva que chove. Se chover em demasia
ficaremos ilhadas, é.
“Sim, ilhadas na ilha e kjá-kjá-kjá!...
Tão bom!”
- Água e fluvial. Se chover a chuva pega
e se pegar a chuva molha.
“Eu fui feita de material moderno e de
alta tecnologia anteferrugem, chapa!”
A chuva que D mandava. Ficaram as duas
olhando a chuva. Mirando para o mesmo lado um mesmo fenômeno. A chuva caindo a
mando de D. E a chuva descansava os nervos a chuva caia de pé e corria deitada
a chuva encharcava o solo a chuva molhava o mundo inteiro. Que era assim mesmo
que D queria chover. Tudo muito natural e charmoso e chique (paragógico
paragoge ou epítese). Que sucesso!
- Hem! Se chover bem feito vai alagar
tudo e provocar enchente acima do nível.
“Primeiro chove depois chove muito e aí
sim a enchente alaga e invade casas.”
- Como seria morar perto de um rio que
alaga todo ano e no fim do verão, hem?
“Seria bom morar perto de um rio como o
rio Solimões rio Caí rio Uruguai.”
- Atravessar a ponte com o rio cheio
enchendo rumoroso furioso encorpado.
“Sério! Seria o rio Canoinhas o rio
Tamanduá o rio Negro o rio Paciência...”
Após o mistério da chuva, e das árvores
e plantas e aves adorarem as águas caindo caídas, a chuva parou parou. Como
começara, já parava. Durou o quê, uma meia hora? Um pouco mais e parou de chover.
As nuvens saíram e deixaram o reinado do sol. As águas pequenas da sarjeta
ainda correndo apressadas e se movimentando para outros lugares, aproveitando a
queda terrestre da gravidade.
- Ué!... Vamos embora que já a chuva
parou. Vamos embora que o sol pintou outra vez. Vamos embora que é já passado
de meio-dia e 12h.
“Vamos embora, embora o chão todo
molhado e embarrado e enlameado.”
- Te digo. Eu adoro pisar no barro na
terra encharcada, te contei?!
“Sempre eu deixo rastro na poeira ou na
lama. E pegadas sem interrupção.”
A chuva deixou tudo mais verde e mais
feliz. As árvores agradeceram agradeciam festejavam. As aves, nem se fala nem
se pia, cantavam mais e melhor. Na valeta corria um fio-d’água bem mais
confiante valente valorizado. O próprio céu mais lavado do que nunca. O próprio
mundo mais azul e uma transparência lavada.
- Eu respiro tu respiras... Que pureza,
meu!
“Suspendido suspense. Nós respiramos
pelos poros pela pele pela tinta plástica.”
Fazia horas que estavam andando e
rodando com certo cansaço. A menina tinha as costas doloridas. A bíci tinha os
pneus balão cheios de grãos de terra uma terra arenosa gandra gândara. Para a
frente que atrás nem vinha gente!
- Ora essa, minha amigona! Um dia
chegaremos lá, hein?!
“Oi!... Quando menos se espera, quando
menos esperamos esperarmos.”
- O que é hipótese? Deve ser mais de uma
escolha, é. Um ou dois lugares.
“Outrossim! Qual a diferença entre
código e senha, hem?”
Contornaram umas pedras grandes em forma
de bichos pré-históricos. Deixaram de lado e para outro dia o agreste o
selvagem o silvestre. Subiram um morro e no alto da colina no topo avistaram o
mar, lá embaixo e azul ou verde. O porto com o barco a canoa embarcação
estacionado no pequeno cais píer feito de pedras. Um barquinho sozinho e
esperando pelas aventureiras. As duas imediatamente comemoraram como um gol um
ponto uma joia uma taça uma medalha um troféu um prêmio um presente:
- Olhe, olhe!... Olhe só, Magrela!
Chegamos ao nosso barquinho e sãs e salvas!
“Sim, estou vendo com minhas lanternas e
sinaleiras automáticas! Obrigada!”
- Uau!... Vamos que já vai pela
tardezinha e ainda temos que remar.
“Estou com saudades de rodar no trecho
da ciclovia pavimentada, é.”
- Tchau, árvores e pitumbas e
sempre-vivas-da-serra e canelas-brancas-do-brejo... Tchau, aves e juruvas e
sanhaços-cinzentos e pombas-de-santa-cruz e príncipes e tesoureiras... Tchau,
animais e cutias e antas e ouriços-pretos e cangambás e maracajás e preguiças
preguiçosas preguicentas preguiças-reais...
“O quê! Adeus ao túnel e sua quietação e
falta de interesse e indiferença e placidez. Adeus ao rio e afluentes e seus
peixes e boto-cinza e peixe piratantã e tracajá. Adeus ao sendal e senda e
atalho e rota e sendeiro e caminho.”
- Adeus e até daqui a pouco. O mundo é
pequeno e redondo.
“Confere! Até logo e nos veremos em
outra oportunidade.”
Sol comum simples natural normal
conhecido e de vida complexa. Algumas gaivotas e atobás-pardos ou
pilotos-pardos e trinta-réis-de-bico-vermelho... Era tudo festa de chegada.
Tudo festa de triunfo e conquista. Tudo festa de ano novo.
E assim, como sempre, as meninas
aventureiras passeadoras chegaram ao barquinho. Embarcaram no bote e remaram
com gosto e satisfação. Uma com o remo da direita outra com o remo da esquerda ‘pla-fe!
pla-fe!...’ No rumo do continente, no rumo de casa. Que já era hora. E logo
ali. Perto daqui.
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