Sobre todos, embora,
o tempo pode fazer tudo o que bem entender.
Há quantos anos... se
perde. Quem diria! Por este tempo, aquele tempo, tempo sempre prometendo voltar
presente no dia seguinte.
De ontem pra amanhã
feito hoje em dia.
O dia se esboçava o
dia já estava alaranjado. Novas algazarras, borboletas supercoloridas,
passarinhos imortais, timburis farfalhantes, ar útil e rarefeito, gorjeios domingueiros,
quadrantes calculados invisíveis indiferentes dominantes resistentes.
Qual a cidade que
você mais vai usar? E distrito de Santa Lúcia do Piaí, em Caxias do Sul;
avenida Pico das Agulhas Negras junto ao parque Alberto Simões bairro Altos de
Santana, em São José dos Campos; ilha das Couves e praia da Fazenda praia da
Almada, em Ubatuba; ribeirão Silveira rio Picinguaba cachoeira da Escadinha praia
Boraceia praia do Itaguá (lanchas escunas botes caiaques...), em Bertioga; ilha
da Cocanha ilha do Tamanduá praia da Tabatinga, em Caraguatatuba...
Mormaço e poeira elevada
ou resignada e fumaça espichada alargada espalhada sobre tudo, o asfalto (de
derreter conceitos e fritar ovos), a cidade de Itaguaí, o bairro Pavuna, a
praça Araréua - onde mora em pé de corpo inteiro sólido a estátua de Olavo
Bilac -, o centro labirinto da cidade, a avenida Carlos Augusto Ferreira, duas parentes
tatuas, horas minutos 9 com 9 ou 9 mais 9, do outro lado o supermercado
Pixororé, etc...
Pronto e definido e
alcançado, as tatuas em dupla e quase desassossegadas. Hábitos diurnos e
noturnos, confirmadas, aguardavam o melhor momento de atravessar para a calçada
oposta em frente a avenida Francisco Xavier da Veiga Cabral e que tinha um
trânsito alucinado alucinante pesado poluído metálico e todos os dias nos dois
sentidos. O progresso que performa ou promete ou compete ou acrescenta ou
solidifica.
Tá e Tua eram duas
tatuas tatuaívas amigas primas irmãs de sangue parceiras sempre juntas e
confidentes falavam o tempo todo dos namorados maridos ficantes idade e futebol
feminino almargeal lodaçal da beira do rio Trapicheiros jogos olímpicos
carnaval de Parintins praia favorita teatro Guarany parque Barigui lojas do
shopping oceanário de Santos e outros assuntos. Pertinentemente.
A tatua Tá um olhar bem
raposíssima perigosa revolucionária empresária quase sempre e manifestou
despachou:
- Ui, meu!... Eu
tenho repulsa e pena e contrapena. E de quê?!
- Oie!... Mas isso é
meio contraditório, meio caminho andado! - diz a outra, Tua, um olhar bem gatíssima
convicta graciosa primorosa sestrosa afetuosa.
- Hum!... Só eu sei.
É assim que sinto. As duas coisas ao mesmo tempo e na contramão. Que que posso
fazer? Nem sei e nada sei.
- Francamente! Nem
vejo o jaborandi-do-mato crescer, embora sem dúvida que cresce aparece e
floresce e frutifica.
Arregalavam os olhos
marrons para cima e para baixo na rua e nada do trânsito dar uma trégua uma
linha um carretel uma agulha um tempo uma folga uma vaza uma chance. As duas mamíferas
e focadas e advogadas e planificadas e competitivas.
- Outrossim! Eu só
procuro e acho o que nem tenho, e aquilo que tenho nem procuro e nem quero mais
- Tua, curte compartilha comenta, a identificada.
- Uau!... Então, falando
sério!, vou entrar com moção na próxima assembleia, etc. - Tá, aciona o sininho
a campainha rapeia deixa os laiques, a identificada.
Íncolas uiriris
chabós em voos arabescos tarde de trissar piruetas cambalhotas. E ‘plas-plás!...’
de folhas de caaingás, ‘frufrus!...’ de ramos de pixiricas, ‘tres-três!...’ de
palmas de indaiás-do-campo, ‘ren-réns!...’ de leques de caranaís-do-mato...
Restavam as duas ali junto
ao meio-fio aguardando o melhor momento para atravessar, que era difícil se
arriscar, que os carros nem deixavam. Esperavam ali olhando chuleando os autos
que nem paravam de passar. Nuvens consertando restaurando fumaças. Era um tempo
precioso, dava até uma inquietação. Prédios antigos tombados, prédios em
construção, prédios altos torreões espigões arranha-céus...
- Guria! Te digo... Vamos
até a faixa de pedestres, é uma!
- E nem qué?! Ou isto
ou aquilo, a quilo!
O tempo fica curto
para as medidas de última hora. O tempo que abre a porta... e que porta!, que
janela?!, porém prefere para onde se atirar se lançar se apinchar.
Uns mastozoários
sempre andam com objetivo claro em mente em olfato: procurar o comer e o beber,
se nutrir. E as tatuas também nem abrem mão desse preceito. Procurar o pão de
cada dia manducar bebericar e voltar para a toca descansar esperar o outro dia de
noite se cuidar se esconder dos inimigos. De preferência no meio do capim-andrequicé
capim-andacaá capim-amonjeaba misturados às tenras folhas verdoengas ao lado perto
de uma lavoura outra horta uma plantação e cultivos agrícolas.
Os tatus em geral
geralmente nem se agregam em coletivos, mas em pares ou duplas ou casais.
Famílias de 3 até 7 também e idem. Vão e vêm dentro de uma área circulam já
memorizada propícia delimitada organizada circular particular territorial.
As irmãs tatuas foram
conhecer Alagoas, Maceió. Esses animais mamíferos, casca grossa e força
ilocucionária ou forma particular de expressão ou estilo próprio discursivo, já
sempre se parecem com o perfil de um barão do Rio Branco ou José Maria da Silva
Paranhos Júnior - Rio de Janeiro de 1845 até 1912 -, embaixador diplomata das
questões fronteiriças nome de cidades (Rio Branco-ac-mt, Rio Branco do Sul,
Visconde do Rio Branco, Rio Branco do Ivaí) rua avenida bairro distrito
instituto cultural praça monumento condecoração faculdade...
Manas parecidas fantasistas
esmalte e unha quando iam para o mesmo lugar buscavam as mesmas coisas, etc. No
meio de dezembro ou janeiro tudo estava seco demais. E faltavam quantos anos,
uns cinco depois quatro logo três e assim por diante...
- Minha nossa! Eu
adoro ouvir a chuva e água caindo rolando... - disse a Tá.
- Ulalá!... Eu já
adoro ainda o silêncio e ouvir o sossego - foi a Tua.
- Hein?! Estava
pensando em pegar um trem para Mar de Espanha, é.
- Zás-trás! Embora
Três Rios veja fascínio na primavera e ou no verão, hem?!
Tá e Tua já tiveram
vários filhotes com vários tatus, tatuaparas, tatuapebas, tatuaçus... Dos tatus
e suas manias elas só souberam na hora h. Dos filhotes e suas características
se separaram por consequências da idade e da independência natural, etc. Cada
tatu com seu cuidado sua toca e seu habitat ecossistema universo, e multívolo.
Nem é sempre mas que
acontece. Apegado ao rio Santa Maria, Cacequi, houve por bem uma explosão
demográfica de tatus e de tatuas, belas tatuas-mulitas, belas tatuas-canastras,
lindas tatuas-bolas e assim por diante, amém!
As dignas tatuas
melhores manas olharam os cebolões uma da outra conferindo. Estava marcado para
as 11h em ponto e atrasou uns vinte e cinco minutos por motivo de um imprevisto
força maior. Aliás, oito vezes naquela mesma semana. As duas tatuas foram
impedidas de entrar na horta, de cearem na rocinha da dona Urucurana-Roxa, de
experimentar as mandiocas e amendoins e carás-de-folha-miúda e inhames-cigarras
e melões e melancias... E por causa de quê? Do fila fero ‘au-au-au!...’ cão de
guarda.
O tempo todo quase passam
despercebidos o porco-do-mato a preguiça-de-três-dedos, a formiga-carregadeira,
o tiã-tiã-preto, a brujajara... e os jovens vão mais ligeiro mas os velhos
sabem o atalho... a narceja-de-bico-torto, juruviara, ibijaú, maitaca,
sagui-amarelo, araçuiava, grimpeiro, o caboclinho-de-barriga-vermelha, o saci...
Passa muito perto a
questão do tempo. E diz respeito a todos/as. Confirmado: e pasta capim-açu
muito verde o azul do céu. Com sorte sortida, modesto/ta.
O rumo da mata,
passando uma sanga, até Pitimbu. Cidade pitoresca recreativa rodeada de
montanhas morros parque Serra da Concórdia cachoeiras gado córregos turismo jacarandás-do-pará
varudos rochas em forma de bicho doméstico ou selvagem comarca região vento
nordeste tribo caxinauá cedros-cheirosos ruas ladeiras pousadas ingazeiros
almas-de-gato tangarás camacilras aromas flutuantes desprendidos das tibuquinas
naturais cavernas e locas e lapas com inscrições pré-históricas rupestres.
Nem digo nada, mas as
duas estavam ali e aí. Fora e além da capoeira ficava um gramado uma grama
verde tenra e com um cupinzeiro de dar água na boca aos tatus em geral e às
tatuas duas em particular elas próprias. Pequenas favas-de-besouro em a
vernação. Aroeiras-do-rio-grande carregadas de flores. O céu lá em cima e
pachorrento.
A Tua e a Tá estavam
olhando para o cupinzeiro e mostrando línguas, os narizes no ar, as orelhas
vibrando espreitando, os pelos eletrizados dos afobados focinhos, os cascos
enrugados, as caudas insofridas arrebatadas inquietas, as orelhas vermelhas, os
narizes mexendo... Mas nem se arriscavam em pleno dia no limpo assim sem mais
nem menos por causa dos predadores terrestres e aéreos ou camuflados ou até
mimetizados.
Tua, que gostava de
teatro e porém nunca pisara num palco, mais que falou:
- Gente do bem! Eu
prefiro um tatu fuçador que me dê folgança quase o ano inteiro e cem por cento
de segurança principalmente aí por setembro outubro.
- Digo mais e alerto!
Um fuçador com tempo suficiente e alento para me farejar.
Umas tatuas uns tatus
ficam no verão e se separam no inverno. Preferem a noite, mas saem a qualquer
hora. Isso é quase certo. Isso depende, nem custa nada. Sabem quando vai chover
ou esfriar. Reconhecem quanto há quando nem há de fruta madura.
O tempo leva nos
ombros o peso colecionado dos séculos e séculos. O tempo nem se engana nem uma
ou duas vezes. O tempo nunca arrisca e joga em casa. O tempo nem é uma coisa ou
duas. O rio Belém tem exemplo muito a ver com o tempo. Também o largo da
Segunda-Feira. Ainda mais a praia Guaratuba a praia da Joaquina...
Uma hora aquele dia
as duas melhores companheiras e amigas e comadres foram beber na sanga mais
próxima, manancial do rio Piratinim, comarca de Barra Mansa.
- Olelê!... Por fim,
né?! De parte a parte.
- Ahahah!... Ótimo! Perfeitamente
que claro, só que nem.
Nuvens procurando
fumaças fazendo mudança de clima. Nuvens com cara de caravela. Nuvens
esgarçadas antes do almoço acepipes petiscos aperitivos. Nuvens acachapantes.
Nuvens mutantes. Nuvens mascaradas disfarçadas de festa carnavalesca. Nuvens
brancas buscando Itaperuna e Wenceslau Braz e Lins e Maquiné e Boa Nova...
Nuvens com passagem por Barra do Turvo, Ibiam, Massapê, Viçosa do Ceará,
Feijó...
As irmãs viajavam na
carga de um caminhão, sobre a lona que encobria a lenha na carroceria. A céu
aberto. Em vez de olhar pra frente pros lados, elas olhavam pra trás e deixando
a paisagem sumir na distância. A paisagem se distanciando. E depois o rio Moa, este
fazendo a curva. E entrada/saída do município (é subdivisão oficial do Estado,
menor unidade autônoma da federação, circunscrição territorial dotada de
personalidade jurídica), em homenagem ao aviador aeronauta Alberto Santos
Dumont (1873, em Santos Dumont até Guarujá, 1932) praticante de alpinismo
automobilismo balonismo dirigibilismo... e seus feitos grandiosos comemorados
em homenagens monumentos cidades (Santos Dumont, Dumont) praças logradouros
reportagens documentários cartões-postais selo músicas filmes aeroporto museu
de Cabangu...
Chegaram no lajedo e
olharam em volta, sempre temendo a aventura, as idiotices do contingente. As
águas cantantes do rio Juqueriquerê o rio Gurgueia, um limo por sobre as
pedras, umas árvores descansando na sombra respirando o ar puro,
icacoré-catinga cipó-caboclo macacaúba cedro-cheiroso caxicaém, uxicuruá, andirapuampé,
fruta-de-papagaio, tamaquari, jarana... e aves aleatórias cantoras já cantando
umas cabeças-secas caraúnas colhereiros trinca-ferros inhambus-chororós
arapongas...
Tá, mascando um
talinho de grama macia, e identificada em 8 primaveras:
- Oh! Será que tem
tatu por perto? Nem estou cheirando muito bem. E você?
Tua, procurando
larvas debaixo da pedra, e identificada em 7 primaveras:
- Calma aí, meu! Pelo
menos deveria ter toca de tatupoiú. Olha só o barranco de terra apetitosa e úmida
e fofa... Já confere, né!
As duas atentas e
mais nada assuntos suspensos, atentas. O tempo de duração das coisas. Foram
molhar o focinho, as garras, espairecer as novas ideias e sensações.
Nada mais nada, nada
vezes nada, nada a fazer. Uma chuva repentina repentina e muito apreciada.
Choveu bem e choveu solto e sem bagunça. A chuva enchendo o ar de gotículas as
nuvens prenhes de água o rio Pindaré já beijando as margens.
E no meio de outubro ou
novembro os dias estavam nesse pé ante pé, pé por pé, um a um, pata por pata,
quadrúpedes encouraçadas. Claro de dia, escuro de noite.
Qual cidade você mais
vai usar? E Alfenas, onde gorjeiam os tietingas; Vieiras, já cantam as
chocas-barradas; Cássia dos Coqueiros, grasnam grasnando os canários-do-campo;
Boninal, assobiam as borralharas-assobiadoras; Coronel Barros, ciciam as
pombas-amargosas; Caçador, palram os socós-bois; Capitão Leônidas Marques,
roncam as corujinhas-do-mato; Cachoeiro de Itapemirim, gralham os curutiés e
surucuás-dourados. Uma cidade chamada Protásio Alves bonita harmônica sinfônica
filarmônica serrana vegetal igual como outras tantas 10 mil habitantes igrejas
velhas ruas calmas paisagem de arvoredo e o rio da Prata. Sobre a visita o
roteiro bucólico, a vista da cidade de Protásio Alves, tem altos e algares casas
e galpões ruas e travessões peraus e capelas relvas e terras desfeitas, assim
como lá pra baixo se olha daqui de cima.
E num canteiro de
margaridões quaisquer as duas conterrâneas camaradas companheiras parelhas. Em
uma noite fechada no jardim da praça Piracema. Morcegos buscando frutas doces
da fruta-de-tatu, grilos-dos-canteiros pulando falsos-orós, caburé-de-orelha e
panema encolhido no galho do molongó, fio-dágua por entre pedras seixos e
curvas e declives, craveiro-do-campo soprando a brisa merecida apetitosa
aconchegante.
De repente, oquei!,
Tá foi cheirando o ar, erguida nas patinhas de trás, mugiu:
- Oi, literalmente! Tô
reconhecendo sentindo o perfume de tatu!
Tua, focinho fino
afinado no ar puro do ambiente, e repercutiu:
- Sim, pois nem! E eu
conheço e reconheço e já o pressenti antes sem dúvida!
- Ué, meu! Então,
quem é? Quem você sugere?!
- O tatuetê Sumaré,
que pode ser. Quem mais poderia ser e terá?!
E logo sem demora sem
drama viram realmente o tatu-galinha nome de batismo Sumaré, e farejando pelo
jardim à cata de cupins formigas taturanas raízes e outros. Todo ali num
canteiro próximo e preocupado com cavoucar o de-comer. Sorte que Sumaré (tuxaua,
tutunqué) nem viu nem sentiu nem conferiu a guria Tá nem a guria Tua. Viu nem
viu ou fingiu. Elas nem acharam nem foram conferir, e simboralá!
- Ora essa! Nem quero
nada de chamego, hoje - Tá, espaventada e ilustrada.
- Ué!... Claro e
concordo. Nem é dia nem hora, veja - Tua, empoderada e feliz.
- Se eu quisesse... E
vamos sumir antes de mais nada, obrigada!
- Se-gu-ro! E vamos
dar o pira saindo pelo lado oposto e uns 180 graus.
Há um tempo a esta
parte. Época, época mesmo, quase pra lá de indeterminada, remota. Os longos e
puxados tempos, sem esquecer de nada, sem abrir mão de nada, sem deixar nada
para quem quer que seja, sem negociar nada para depois agora ou ainda mais
tarde. E assim desfaz rio Una, ilha Rachada ou ilha da Selinha, rodovia Oswaldo
Cruz ou sp-125, praia das Bicas... que o resto é presente que o seguinte é
presença.
Quando foi ninguém
ficou sabendo nem as duas irmãs escreveram anotaram. Uma manhã de agosto ou
setembro. Tinha sol o ano inteiro. Um jaú-torino caprichava correndo de um
guaipeca maduro na rua Gonzaga Duque Estrada, perto duzentos metros dali.
Centenas milhares de moças-brancas buscavam néctar e pólen em a riqueza das
timboúvas. Curiós e tizius pousavam e subiam a partir da árvore-de-coral, uma
vez.
E Tua e Tá acharam de
atravessar o arroio Retiro, a nado. O rio, impensável primeiro, o rio coleante
sinuoso de largura provável e força indeterminada. Também intransigentemente
líquido. Comadre maria-irré. Para cima oitocentos metros tinha a ponte pista
asfaltada. Mais para baixo uns quinhentos metros tinha o reservatório a represa
para as pessoas urbanas cidadãos/ãs de Nova Prata e Pérola e Pérola d’Oeste.
- Ei, guria! Vamos
nessa que é bom à beça?!
- Ei, prenda! Eu
ainda nem sei nadar e nem me decidi ao mergulho, tá limpo?!
Ficaram olhando o rio
e pensando cada coisa cada uma por si. O rio precioso perene perfeito bonito e a
calhar. O rio todo o arroio procurando a laguna o mar e gravidade perfeita
necessária natural terráquea conveniente proporcional.
Tua, sonhadora sonha
com açaí paraense no pode grande, identificou:
- Uh!... Do outro
lado tem uma roça de mangaritos muito pomposos e esperando.
- Quê?! O negócio é convencer
o rio, o rio caudaloso, vitorioso, apartoso...
Na beira do rio tinha
monte assim de plantas bastava olhar bolsa-de-pastor, maria-preta, sururucujá,
mentrasto-do-grande pitaica-da-terra-firme ibiranhirá uxirana, camaçari,
tatucaá, juá-listrado... por dentro do arroio operavam jacaré-de-papo-amarelo,
traíra, timburé, bagre, acará-bererê... por sobrevoando o córrego adejavam
gavião-caboclo aviões comerciais jatinhos exclusivos executivos asas-deltas
parapentes...
- Que que tem de
ponta a ponta desse rio Retiro? - Tua, a identificada e meiga.
- Ocê nem lembra me
faz puxar pela memória? - Tá, a identificada e serena.
- Uma ideia solta, eu
digo. Isso é freguesia de Manhuaçu ou Nova Iorque.
- Compro e vendo na
hora. Isso sim é paróquia de Caratinga ou Vicentina.
Pensaram um pouco as
duas primas colegas de aula. Almoçaram azedinhas amarelas agridoces derretendo
na boca e lacrimejando. O mundo é tão exótico! Elas falando entre elas, mais
cheirando que olhando, mais olhando que pensando:
- Seguinte, amiga! Na
ponta de cima do começo da fonte tem uma cidade de alma nova chamada Guaporema.
Mas é ainda longinho e distante.
- Na ponta de baixo
da foz tem a cidade de Guabiruba, mas é um eito e tanto.
E começou a chover de
mansinho e peneirado e murmúrio. A terra ficaria bem fofa para abrir um buraco
de tatu. Umas galerias uns corredores de labirinto organizado.
Ninguém vai deixar o
tempo achando que tudo é verdade. Tem tempo que apela para a posteridade. Tem
tempo que escolhe o dia de hoje. Tem cada tempo que D nos livre e guarde e faz
bem! E cada tempo a sua fala o seu rio. Compensadamente.
Depois disso, as
tatuas foram conhecer e perceber e emendar Rondônia. O Estado que tem esse nome
derivado do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865, Santo Antônio do Leverger
até Rio de Janeiro, 1958), sertanista engenheiro militar do exército imperial e
republicano. É nome de Estado, Rondônia; cidades, Rondonópolis e Rondon do Pará
e Rondon e Marechal Cândido Rondon; e ruas avenidas praça aeródromo condomínio
de luxo; nota de 1.000 cruzeiros; inscrito e registrado no panteão dos heróis
da Pátria, o livro de aço - DF: Brasília, Plano Piloto.
As tatuas e os tatus
sempre foram cascas quentes costas grossas. Isso desde o tempo que só existiam gliptodontes
e mar e praias e rochas bastantes pré-históricas. Blindados encouraçados prontos
para a guerra. Então, assim, o passado das eras (do museu do Ingá, bairro
Cantagalo), opúsculos manifestos artigos discursos. Mas ninguém sabe certo ou
mesmo melhor, dizem, desmentem, sorriem para as câmaras e fleches.
São muitas coisas
todas acontecendo e surgindo e sumindo ao mesmo tempo. Quando as coisas vêm e
vão, como vão e vêm as coisas. O tempo tem outro tempo nas costas. O importante
está que cada ser ou ente se sinta bem e as tatuas os tatus também. Uma
carapaça convexa um escudo uma cobertura rija forte de placas móveis.
- Oie!... Gosto de
comer chocolate mas faço muito barulho - Tua, a identificada.
- Sim senhora! Indispensável
e essencial e crocante - Tá, a identificada.
É dito nem dito, e
isso nem é nada. Uns acontecidos usados no mundo quando tudo começa uma vez mais
e etc. O mundo envolvido em teia espiral nebulosa campo afora. O mundo
compenetrado dos negócios urgentes. Os números das questões.
As duas tatuas quase
sempre passavam voando correndo ágeis. Após, a nem ser esperar e aguardar as
histórias. Os rios sempre ligeiros. Os clangores dos autos na rua Martins Pena.
As nuvens fazendo fumaça a partir do poente. No meio de julho ou agosto tudo
estava ventando. Os rios correntes e deitados pra frente. A ilha da Carapaça e
a praia de Camburi. Até porque já eram umas seis e meia. Então, tá! Tão tom!
Tua e Tá, artistas,
estavam aí. E de súbito o tatu Uxipuçu cruzou a pequena área do gramadinho uma
zona de capim-gordo. Muito voltado para si mesmo, se diga de passagem.
Compenetrado filosófico e ensimesmado. Sério correto e no objetivo de cumprir
como um e dois são três. O que perguntar o que responder e de imediato:
- Ei, Tá! Olhe que é
o Uxipuçu! Nem acredito e só vendo!
- Incrível! Será que
ele nem nos viu ou fugiu? Pode ser, hein!
Tatu Uxipuçu passando
aí no seu passo de tatu-mulita condicionado desde a tenra idade. E bem no
focinho das duas beldades. Ele nem aí pra elas. E tatuagem na pata direita dianteira.
Foi embora continuou seu caminho de tatuapé margem do ribeirão Anhangabaú rumo
do morro sentido da colina e pela estrada da Graciosa.
- Aonde que será ele
vai com essa pose? – emancipou a Tá.
- Aonde ele vai que
nem te ligo? – despertou a Tua.
- Aonde ele vai se
apinchando pra nosso afobado delírio? – disse a Tá, elétrica.
- Aonde que vai, e
sim senhor!, se dirigindo? – falou a Tua, perspicaz.
Atentaram ir atrás. E
trotaram ‘tsim-tsim-tsim!...’ Seguindo o cheiro o traço e as pegadas. Em que
pese alguns golpes de vento frio, a hora estava pacífica e calma e propícia. O
tempo a propósito. Era interessante notar que floresciam as ganha-saias as
comandaíbas os jerivás os tauaris... e interpretavam os surucuás-variados os
azulinhos...
- Hem?!... Vamos
segui-lo sem assustá-lo? – declara Tua, interessada.
- Um dois três... Você
puxa o rabo dele de vez em quando? – sugere Tu, alegre.
- Quê!... Nem é rabo,
é cauda – determina a Tua, olhos bem abertos.
- Mas bah, tchê,
guria! Qualquer coisa serve – intenta a Tua, orelhinhas altas.
Pelo tanto, ali aí à
frente, o tatu Uxipuçu parou e olhou para trás, para as duas, o focinho erguido
e manhosamente sujo de terra vermelha, grunhiu ou latiu ou tossiu:
- Ãn-râh!... Que que
parece que já vão me seguindo há séculos?!
- Uta!... Aonde tu
vais, tatu Uxipuçu? Primeira pergunta.
- Sem pé nem cabeça,
meu! Vou comer coquinhos ali no morro. Alguma dúvida? Querem ir junto ao mesmo
tempo me acompanhando me ladeando me namorando?
- Uau!... Você é de
Governador Mangabeira, suponho? Digo e pergunto – disse indagando a Tua, agora
parada e de bracinhos cruzados esperando resposta.
- Credo e uai! Já
conheço, mas sou mesmo natural e tal e qual de Laje do Muriaé. Conhecem, meus
brincos?! – contou completou o tatu Uxipuçu.
- Mesmo? O que que
você faz lá, se diverte? – questionou a Tu, meigamente.
- Ei!... Sou barista
tenho um bar e sirvo café expresso e decorado. Recomendo.
Acharam as duas de ir
e foram os três. Ele na frente achando o carreiro. Elas atrás e tirando onda
macaqueando ensaiando uns gestos uns outros trejeitos mímicas...
A Tua cochichando
para a Tá, sem Uxipuçu ouvir e escutar ou se dar conta:
- Amiga e irmã! E se
ele correr atrás de uma de nós?
- Kjá-kjá-kjá!... Com
certeza ele vai correr atrás de... duas de nós. E cedo ou tarde, daqui até lá, nesse
ou naquele ponto, na ida ou na volta, durante ou depois, mais tarde ou mais
cedo, antes do almoço ou após a janta e de barriga cheia, etc.
Subiram o morrinho e
já avistaram e cheiraram o ar e sentiram o amarelo doce trescalante exalante
dos coquinhos do coqueiro-barrigudo. A palmeira sozinha no meio do gramado do
potreiro do capim-membeca. As horas de sol céu azul e ar puro.
Enquanto houver espaço...
o tempo aparece. Dizem os entendidos. Ou será que é o contrário? Ou será em
outro planeta. Quem sabe o discente da UFSC. Ou é a matintaperera. Ou é par ou
ímpar. Ou casa até descasar. E quem compra quer vender.
O tempo decorrido, o
antigo, o antiquíssimo o antiquado o antiquário e o resto o por vir deixado ao
silêncio silencioso. Temperamental.
Como sói acontecer,
os dias pulam de hora em hora e as noites inventam os corpanzis de estrelas
astros meteoros satélites artificiais morcegos corujinhas-do-buraco grilos-pretos
carapanãs vaga-lumes caamanhas... Estrela cadente corre o riscado.
Que cidade que bonita
- município onde a administração se dá através dos poderes executivo (o
prefeito e secretariado), o legislativo (a câmara de vereadores); sempre
respeitando as leis orgânicas ou da constituição municipal e estadual e federal
- você gostaria de passar a maior parte do seu tempo permitido? A infância e tenra
idade em Angra dos Reis e São João do Caiuá e Major Izidoro, a adolescência e
primeiros amores em Paraíso das Águas e Feliz Natal e Aporé, escolaridade fundamental
em Taguatinga (ra) e Bujari, ensino médio e profissionalizante em Uiramutã e
Vale do Paraíso e Cujubim, faculdade de biologia e mecânica e engenharia
química em Xambioá e Limoeiro do Ajuru e Vila Nova dos Martírios e São Gonçalo
do Piauí e Uauá... Compensando percorrendo alentando a praia do Jurumirim,
velejando nadando mergulhando junto à ilha do Mantimento à ilha da Rapada à
ilha do Pelado - em Paraty. Sobrevoando trilhando escalando a pedra do Índio,
em Botucatu e Bofete e Pardinho.
Duas tatuas caíram do
ninho, do aconchego, da cama. O dia amanheceu exatamente às cinco e vinte e
dois uma quinta-feira vinte de março mesmo ano. As tatuas já estavam aí pelo
mato, entre folhas e ramos caídos e secos, cominhos-bravos, carurus-amargos,
ananases-de-raposa... fuçando e cavoucando e vasculhando e... ponto.
- Lembra, mana! Uma
vez nos falaram que só existiam tatuas e tatus.
- Isso mesmo e
alhures! Assim que valia a pena, então. É mesmo, né?!
Tá pediu para a
trinca-ferro-de-asa-verde. Tua perguntou para a dama-da-noite. Tá indagou do
manaquim. Tua inquiriu da peroba-de-goiás. E interrogaram tudo e todos com
dúvidas e curiosidades. Consultaram o relógio digital o celular na internete.
- Além de tudo. Os
índios tuxá que mandam na área no pedaço? – indaga Tu.
- Opa!... É certo lógico
verossímil que vão construir uma estrada de ferro até Vassouras e Resende e
Barueri e Domingos Martins e Cariacica? – pergunta Tua.
Em vista disso, o chão
úmido pegajoso estava já todo esburacado lavrado furado. Ficaram ali espionando
de espias. Um cipó-de-cobra escalava aos galhos da braúna.
Tá, cheirando o ar
açucarado chuvoso branco espaçoso, a identificada:
- Oi!... Digo com o
tatu Caaobi. Jantamos fora na sombra da lua nova. Juntamos as garras da frente,
trocamos os sorrisos, nariz com nariz, fios dos lábios bem eletrizados, céu da
boca com céu, noite estrelada inúmeras vezes, e rio Canoas passando perto, banco
da praça Coronel Gomes Carneiro, blu-blu-blus!...
- Hum!... Agradecimentos
de gratidão - Tua, reduzida e presente, a identificada.
- Música? Cantoria? E
tudo simples, tudo muito discreto. Te digo!
- Pouco bom para quem
gosta de contar histórias e nem achar o final. Uaaau!...
Tinha sol amarelo e único
e presente. Céu magro esbelto com poucas nuvens de papel branco ou novo. Por
aquelas manhãs intropeçáveis e indefectíveis e inefáveis e indeléveis. E aquele
tempo todo nem durou sequer uma semana de dezembro ou janeiro.
Logo logo veio chegou
o trem na ferrovia e o comércio negócios em cada estação correndo na linha
férrea. Agradecimentos. Empreendimento do empresário industrial bancário barão
e visconde de Mauá ou Irineu Evangelista de Sousa - 1813, Arroio Grande até
Petrópolis, 1889 -, nome de rua avenida monumento escola praça bairro cidades
(Mauá, Porto Mauá) biografia teatro televisão amigo do imperador...
Parentes que se pareciam,
voleibolistas que nem deixavam a bola cair a peteca, as primas, pelotiqueiras, as
duas tatuas em volta do dia, etc. Uma queria conhecer Muritiba, outra Paty do
Alferes. Outra queria pular de paraquedas, uma botar loja de fantasias para
carnaval. Uma governar reger moderar, outra ilma., e exma., srª., prfª. drª.
É um tempo e se D
quiser! Os calendários mais cobiçados do mundo. Isto à vista dos preços
interessantes por que são hoje em dia comprados vendidos, etc. Visionários que
consultam cartas do tarô formigas-de-embaúba sobrevoo de urubus búzios...
Lá estavam as duas
tatuas, um lugar do mundo, algum lugar no mundo, e alheias ao mundo, alheias ao
todo do mundo, indiferentes ao imenso e resto do mundo. Assustadoramente
indiferentes à bola. E corriam os dias, e ficavam as horas os dias as semanas
os meses e as cascas de pinhão da pinha do pinheiro-do-paraná em Maringá. Mas
isso só na teoria. Porque na prática... bem longe do esperado. Um abraço!
Tua abriu os olhos
dificilmente ou dúvida, Tá olhou em volta numa outra órbita:
- Olê!... Acho tenho
certeza que nem vou mais crescer, só aumentar.
- Olá!... Estou
comprometendo as mesmas coisas que todo mundo comete. As coisas os produtos
comestíveis e os bichos, uma vez. E em a segunda-feira, né?!
Mesmo assim o lugar
tinha latitude sul, longitude oeste, altitude de cem metros, área em quilômetros
quadrados, subtropical, distante da capital estadual 416 km federal 1.330 km, habitações
habitantes em torno e o ano da graça do Senhor de 2018 ou 2019. Que nem era final
de conversa! Que a discussão nem terminava aí!
No meio de novembro
os dias já se erguem brancos ou amarelos. Nuvens plantando fumaça. Dias rios
estradas de torcicolo. Tatu tatua tatus-peludos que andam na mata de galeria e
de tocaia em tocaia de macega em macega de touceira em touceira. É para pegar
ou largar. É para correr ou ficar. É para cheirar ou usufruir. Que tal o rio
Preto e a cachoeira da Fumaça, hem?! Que viagem à ilha do Prumirim, tá certo?!
É para tomar banho ou lagartear ao sol. É para subir em árvore ou buscar
tesouro afundado.
O que um dasipodídeo
podia fazer ou o que duas tatuas também podiam dizer:
- Ah, claro! Nem
precisa dizer duas vezes - Tua, a identificada a estruturada.
- Francamente,
praticamente! Gostaria muito de saber escalar uma inhaíba, por ex - Tá, a
identificada a hidratada.
Saíram da toca do
barranco em meio de cravos-do-mato e seguiram logo logo para o pinheiral atrás
de pinhões aquele inverno rigoroso de dia fechado e frio e prometendo sair o
sol depois das dez, e olhe lá! Que situação precisa e perobas-iquiras, caaxiós,
elemis-do-brasil, coronilhas... e o rio Cavernoso fazendo o barulho comportado
‘tru-ru-rum!...’ por dentro no meio ambiente do mato vegetação ciliar.
No começo do café da
manhã e as duas se depararam com a concorrência dos matizados crau-craus. E
eles gritavam do alto dos galhos. Os pinhões já caíam roídos comidos abertos e
reduzidos a restos migalhas cascas farelos quireras, etc.
- Olhe isto,
amiguinha! Quando caem os pinhões? – reinou Tua, onze avos.
- A degas aqui te
diz! Parecem já servidos e bem, né?! – voltou Tu, sêxtupla.
Quando foi quando se
viu, o tatu Crejé se materializou no supetão, depois de hora e meia comendo
pinhão catando pinhão se fartando, e ainda por cima sem aviso resolveu correr
atrás da Tá. Neste mesmo momento já acontecia naquela imensidão de araucárias e
que todo mundo já olhando. Tá correndo e Crejé correndo e Tua correndo,
pega-pega. E cada um por si e D por todos. Inclusive a plateia a torcida das
baitacas.
Podiam pediam chamar
o soldado militar marechal o duque de Caxias ou Luís Alves de Lima e Silva
(1803, Duque de Caxias até Valença, 1880), que passou por barão conde marquês e
duque. É rua avenida praça bairro agremiação livros colégio cidades (Caxias,
Duque de Caxias, Caxias do Sul) monumento patrono...
Tá entrou por um lado
do tronco caído podre esburacado de ex-vinhático-do-mato e saiu pelo outro. O
tatu Crejé entrou pelo mesmo lado e nem saiu pelo outro, ficou entalado. E bem
feito! As duas primas riram ‘ih-ih-ih!...’ risos de tatuas e foram embora enquanto
tinham tempo e podiam tomar dianteira. O dia o sol o vento o vento nas copas
das araucárias. O tatu Crejé ficou chateado com aborrecimento de tatu até
emagrecer uns três quatro kg diários e dias tomando fôlego ‘uta!...’ e muito
que pensar.
Qual a cidade (a sede do município
constitui a cidade, e pode ser dividido em distritos ou vilas e subprefeituras
e bairros) mais natural que você escolhe escolheria escolherá para passar um
bom tempo bom episódio passatempo e tudo mais? O ribeirão São Mateus o rio
Carangola, em Faria Lemos; a praça Arthur Pagnozzi, em Dracena; a rodovia dos
Motoristas com a rua Nossa Senhora de Lourdes, em Celso Ramos; o riacho Pé-Leve
o rio Traipu a serra das Porteiras, em Belo Monte; o lema ‘trabalho e amor’ o
gentílico ‘aguapretano’, em Água Preta; o clima tropical quente e moderadamente
úmido a distância da capital 150km, em Barra do Bugres...
Uma tatua e um tatu nem falam nem gritam nem resmungam nem
mugem nem duvidam nunca perguntam nem bocejam, mas articulam a mesma linguagem.
Os olhares os gestos os trejeitos os tiques os modos são todos animais e normais
e comuns e certos e correspondentes. Se manifestam muito pouco e deles se ouve
um somente sutilmente:
“Quem?! Eu?!... Ué,
nem sabia e fiquei sabendo!”
Plano diário de
trabalho e serviço noite adentro: encontrar comida, água limpa e comer até
fartar fartar opiparamente. E já sabem onde o lugar. E já sabem cheirar a
trilha ao pico do Corcovado, beirando a estrada a via a rodovia Rio-Santos ou
br-101. E mamíferos xenartros têm marcado uma árvore ajaraí como alvo e meta e
referência.
Antes de tudo, ainda
na porta da toca, antes da irmã Tua acordar definitivo, a Tá olhou em volta e
olhou tudo cheirou e pensou consigo, repensando reorganizando:
“Hum!... Vai chover.
Ainda bem. Perto das 8h. Pra lá ou pra cá das oito...”
Tá, tal e qual
beldade, olhou pensando consigo mais um pouco pouquinho:
“Eu e modéstia à
parte... Na terra dos meus olhos... Já-já vai chover. Ótimo!”
Depois, já as duas braços
dados e inseparáveis, no muito alto e de repente e bem de repente, ouviram os
trovões rebentando rolando reboando ‘tró-cró-bró!...’ alarmando, uns longes que
eram pertos, uns chicotes de aço queimado e estrondos ‘ru-rum-ruumm!...’
acompanhados de terra tremente e sombras fantasmagóricas e jacurutus assustados
‘piôoo!, piôoo!...’ e rios encachoeirados ‘blu-ru-ruuu!...’ e silvícolas cariri
deliberando... e vento ouriçado ‘vê-viii-vuuu!...’ descabelando as uxiranas,
falsos-paratudos, mognos-brasileiros, caixetas, bracuís, rabos-de-tatus,
perobas-tabuadas...
Ali, como em Manaus
ou Goiânia ou Ibiapina ou Atalaia do Norte ou Itapura ou Passos Maia ou Pombal...
o sol se escondeu e tudo ficou fechado e assombrado. A terra sedenta pedindo mais
água da chuva. O globo se preparando para o melhor. Vários rios mananciais
pedindo provisão e rio Forquilha rio Lava-Tudo rio Pelotas rio Turvo...
Uma chuva como de uma
avalanche e para baixo, do alto para dentro da paisagem, e que derrama paz
certeza sossego vento veloz chuva caindo e correndo cantando ‘chuáaa!...’ As
mais das vezes... céu cinzento cortina cordas cântaros tromba...
A cascata a chuva
desabou torrencialmente precipitadamente sofisticadamente temperadamente... Choveu
a chuva tanto que os buracos dos tatus estavam sendo postos à prova, correndo
riscos, e tanto pela entrada como pelas saídas de emergência.
Pelaí que, amarrado
num galho seco da sapupira-da-várzea, um bacurau procurava esperar paciente
quieto afetuoso compreensivo tiritante a tempestade extratropical amainar.
Também gostava de chuva mas nem tanto nem tanta, hem!...
O tempo, este ou aquele, nem leva nunca a nada. Nem
desaforo pra casa. E o melhor é sair o mais tardar possível e sem saber o
porquê. Nem prever nem antever nem pressentir, nem subscrever ou quiçá prescrever.
Embora este ‘nunca!’ seja e está e é uma razão razões muito contestada.
Então, Tá e Tua admiraram
a neblina da manhã, algumas árvores desaparecer, e elas mesmas se entreolharam
e balançaram as compridas cabeças e foram andando, andejas, andadeiras, farejando
de costume, andeiras, e que andam trotando no trote. Estavam vivenciando em
Piraí do Norte e São Luiz do Paraitinga e Olinda Nova do Maranhão e Buriti de
Goiás e Pedro Gomes e Viradouro e Santa Maria da Boa Vista...
Vai lá que a Terra
toda estava amanhecendo de um lado. Nem foi isto um jabuti-machado? Dois
tururus, um casal, subiram pelo céu com o trem de pouso as pernas balançando
soltas. Pai soldadinho ‘tiruri!, tiruriii!...’ pintado de verde. O cardume dos
pirajaguaras emergindo imergindo, etc. A arte do automático ou da improvisação.
Quando a manhã estava
bem acelerada, os joões-de-barro batendo asas e gargalhadas ‘trá-cá-cáaa!...’ já
as duas tatuas andavam faceiras pelo capoeirão. E sempre procurando imóveis
para alugar terrenos para mear minifúndios para explorar. Gestos pausados e
passos lentos de quatro a oito perninhas curtas, duas de quatro. Olhavam para o
chão e principalmente simplesmente farejando ‘ife-ife-ife!...’ Um solzinho saía
de entre as nuvens pequenas e cinzentas estas muito mais mascaradas ou
fantasiadas de barco a vela sapato livro aberto escova enxada picareta carro de
bois...
Tempo este que nem é passado
nem leste nem oeste. Tempo integral, ambiente integral, pão integral, arroz
integral, visão integral, frutos íntegros de fruta-de-tatu...
Enquanto ainda acontece
esta corrente de rio o tempo mantém o que der e permite o que vier. Sucesso
garantido para os pitiguaris ‘bio-biiiooo!...’ os sabiás-coleiras
‘psi-tchi-tchiii... ourrriiii!...’ os inhambuguaçus ‘co-róoo!, co-róoo!...’ os
bigodinhos ‘tri-liu-liiiuuu!...’ os bem-te-vis-de-cabeça-rajada
‘gueteguêee!...’
O tempo, sobre todos
o tempo sobre tudo o tempo, sabe fazer o seu papel o seu show o seu showmício. Pois
o tempo de água passa, o tempo de fogo passa, o tempo de preguiça-terrícola-gigante
passou, passa o tempo do parque Sete Cidades, o tempo de sambaquis passou, o
tempo do peixe-boi submerge, o tempo de marolinho-do-campo floresce, o tempo de
terramarear sempre renova se transforma se triplica...
- Oie!... Nem nada
nem existia universo. Mas todos todas eram anfíbios sapos jias pererecas –
confabulava a Tua, esta modesta irrequieta comportada correspondente.
- Uta, meu! Com cauda
ou sem rabo anuro que diferença se faz?! – contribuía a Tu, esta modesta
esperta emponderada compenetrada estudiosa gentil generosa.
Há muita chance pra
conhecer sítios e cidades. E quem nem pretende ficar e percorrer avenidas em
Serra Grande e Acari e Itaporanga d’Ajuda e Rancho Queimado e Boa Vista do
Tupim e Suzano e São Roque de Minas e Olho d’Água das Cunhãs... E por que nem
sentar praça em Roca Sales ou São Félix de Balsas ou Alenquer ou Abel
Figueiredo ou Rodelas ou Marianópolis do Tocantins ou Clementina ou Ouro
Preto...
Tá nem conseguia
conciliar o sono, Tua nem conseguia dormir porque Tá nem dormia e vice-versa. O
dia claro lá fora da toca já ia alto pela metade e de muito sol e estrídulos ‘ih-réeee!...’
de cigarras, apitos nasalados ‘trô-tróoo!...’ de curicacas, cantos ‘biriiiu!,
biriiiu!...’ de tempera-violas-de-asa-verde, assobios ‘vri-vri-viiii!...’ de
sabiacicas, jabués, gavião-carijó, tesourinhas, coruíras... Restos de frase uma
palavra ou outra um chilreio ‘fri-si-siii!...’ aqui ou além, quem nem arriscava
nada petiscava.
- Hoje! Isso passa,
passa tudo isto e muito mais - Tua, um olhar periférico sobre a rua os autos as
caminhonetes as bicicletas os pedestres... as casas, a identificada.
- Ainda hoje! É, eu
sei. Eu sei e às vezes me confundo - Tá, contando contas de armar desarmar
descontos créditos débitos em os dedos em as garras, a identificada.
A bola de fogo já
passara pelo céu e o zênite. Já estava do outro lado do mesmo planeta conhecido
terráqueo. Assim ficava a noite, lá era um dia antes de agora.
A noite já está
instalada. A noite é para isso mesmo. A noite para tudo.
Tatuas e tatus na
roça de mandioca aipim macaxeira maniva e assim por diante. O arroz cresceu
amadurou e virou bem mais arroz. O milho espigou. O feijão secou no pé. A abóbora
fruto da aboboreira planta rasteira moranga com polpa comestível...
E a lua beleza nua,
completamente, deslumbrantemente lua, linha perfeita de lápis preto grafite...
e pronta, se exibe no céu infinito. Lua de luar incontestável.
Que mais se dirá. Que
mais se verá.
Uma explosão vinda de
onde e amassa e arma e joga e brinca tudo para o ar. Quem aparecerá? Quem
desaparece? Quem telefona pra agradecer ou parabenizar?
O início da linha
onde o presente para e pensa.
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