Mostrando postagens com marcador a flor da festa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador a flor da festa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Não qué?! Taí, ó!


 

As coisas como são assim as coisas. Que homens incomodados inconformados que se mudem que se retirem que se evaporem que se transfiram que se defenestrem que se demitam que se transformem mudos e surdos para outro planeta outra galáxia outra dimensão.
         Por jogo ou espírito de comparação competição contrafação contradição, veio a noite a noite.
         Segundo dizem, porque a sorte... está... nas... estrelas.
O vigilante o fiscalizador vai com sua melanco a todos os lugares festivos deste planeta. A sua rotina é estendida esticada espichada recontada. Chega sempre adiantado da hora nos encontros e aniversários e compromissos e embarques e jantares. Até no carnaval sai muito cedo de casa. Em dia de eleições vota na primeira hora da manhã. No dia sete de setembro aparece no desfile e aplaude as crianças uniformizadas. Não atende e-mails não gosta de carros não tolera filas não aceita comer fora de hora não entra em elevador falante não viaja de avião não vai a estádio de futebol. Não é de muito beber, mas precisa beber para ter coragem para ter ilusão para ter competência.
É ansioso, bravo, cerebral, cuidadoso, desconfiado, honesto, previsível. Bebe em voz baixa, e quando chega em casa esmiúça e resmunga e rola e troca de canais sem poder dormir. Não aparece de carro para não voltar dirigindo bêbado. Não quer se comparar a ninguém, mas preferiria ser igual ou pior daqueles tipos que despreza. Apesar de encandeado, sai das baladas invariavelmente desacompanhado e antes da função terminar.
Namora e seca e olha e nem alcança a flor da festa. Pesquisa investiga para ter certeza que ela não está acompanhada. Inveja o bobalhão e o falastrão e o brincalhão que são os eternos mínimos múltiplos comuns os conquistadores os que superam quaisquer carências os babões os últimos a partir embora. Nada escapa a este olheiro este observador de faróis atônitos. Paga somente o que consome. E consome até e somente o que não faz mal ao fígado.
Já pensou as duas maneiras de chamar a atenção de a flor da festa. Chamando a atenção e não chamando a atenção. Dentro do grande mundo do chamar a atenção, as variantes e as formas são múltiplas. Porém, longe dele querer parecer o falastrão o bobalhão o brincalhão. Não sabe ser. E dentro do micromundo do não chamar a atenção, a atitude é restrita é mínima. E se este é seu estilo seu comportamento e o melhor jeito que encontrou para si, todavia ainda não vingou.
Esquece dificilmente, embora não sabe o que vê o que ouve o que pensa o que fala. O caleidoscópio de imagens e fantasias e luzes e vozes pega tudo e o crucifica ao som, tum! tum! tum!... da moda da pista.
Agora, ali no bar do salão de eventos e convenções e competições, o campanador o espreitador está falando com alguém conhecido qualquer que esbarrou. Mas falar por falar não é o problema nem a solução. Sua estada entre nós só tem um interesse um sentido. Nem mesmo ele é a sua máxima prioridade. Somente uma coisa faz parte da sua vinda a este mundo o alvo da sua preocupação: que é a flor da festa. Sendo bipolar, tem uma lógica monolítica monoteísta.
É a sua sorte uma sorte esta sorteada aqui neste lugar mesmo e nem pensa se expatriar ou abandonar para São Paulo Rio de Janeiro Guaratinguetá Cabo de Santo Agostinho Alagoinhas rio Gameleira região do Bico do Papagaio reserva dos paraitiri ilha das Flores praia Atalaia Velha.
         A flor da festa não precisa se comprometer. Em câmara lenta. Só cuida da festa, da cerveja, do riso, da liberdade de voar voar entre os convidados e brincantes. Dança sozinha no centro do salão ou com a turma em volta sem derramar o copo. Olhos que se confundem com os cabelos cabeleira coivara cacheada rebelde ondeada encachada se encachoeirando pelas espáduas. Impressionantemente, atrai todos os olhares dos homens e das mulheres e dos bichos de estimação. O perfume o cabelo platina o passo o drible o olhar perdido nos espelhos e para além de todos, e tudo nela já vem definido de casa de fábrica automaticamente. Bebe mesmo muito, mas sem perder o poder de sedução. À cada baile uma ou duas novidades. Só quer estas fotos para o face, bolos decorados, sapos de brinquedo, legendas para tattoo, cachorros e gatos, praias do Nordeste. Agora inventa um passo rebolado que todo mundo acha interessante decora colar broche piercing brinco anel pulseira tiara sempre em dobro dobro. Não se sabe de onde vem ou para onde foge livre leve e tatuada. Todos a conhecem de vista, e ninguém diz o seu nome o endereço a placa do carro. Pernas altas harmoniosas ágeis. Basta piscar os olhos para descarnar e sumir no fumo dos cigarros na neblina do gelo seco no hálito das cervejas para o fundo do escurinho. Se move entre os simples mortais como peixe entre outros peixes. Olhos de duas nuvens, cabeleira de floresta, unhas decoradas com paisagens interplanetárias ou paradisíacas. Seus requebros e caretas e batons e sorrisos são como dinheiro miúdo, moedas trocos gorjetas. Abre alas se apresenta puxa fila com a turma a galera com as primas e os primos escolhe o lugar e não pergunta nada nem responde nada. E sai sem avisar sem pagar sem dever sem prometer sem se arriscar. Bem no meio da música mais tonitruante, tum! tum! tum!... pernas de fora braços de fora cintura fina maquiagem provocando os olhos fatais. Nunca mais volta. Nunca esquece alguma coisa alguém. Nunca que é a mesma pessoa. Nem se sabe onde ela agarra e tira tanta teoria, mas na prática faz o que quer: - Vou mostrar o que você, com muito esforço e algumas características especiais, poderá tocar!
Já o bobalhão e o falastrão e o brincalhão sempre serão os inventivos, os quentes, os gastadores, os suicidas, os apostadores, os maconheiros, os maneiros, toda vida os caras preparados e os tipos disponíveis que as mulheres querem para curtir curtir. Não levam a própria sorte a sério, e a dos outros menos ainda. São os últimos a sair das festas e com muitas risadas e empurrões e deboches e ziguezagues. Vomitam no banheiro e têm os tênis encharcados. Também sempre encontram alguém que os queira perto e que os imite e que os acompanhe e que os cumprimentem com cumprimento técnico.
Assim, o contemplador o bombeador tem um mínimo de um pouco de todos de tudo seguro no seu lugar já passou por algumas poucas e boas e se arrisca um nada desde o fundo dos salões de festa que pode ser aqui ou em Curitiba, Aracaju, Itapecerica da Serra Tracunhaém Floriano Oeiras Embu das Artes Januária Itarana aldeia dos mariaté. Olhos grandes acesos olhos de compota por trás dos óculos de grau. Este lugar é bom pois morrerá aqui.
No terceiro dia da bagunça da zoeira, o espião o seguidor descansa na cadeira vaga o braço na mesa apoiado a mão segurando o copo meio vazio. Mastiga um pouco de poeira e toma um gole de gelada. Cansado de caminhar onde os outros caminham. Como peixe fora da água, não para na festa, entra e sai buscando o que fazer. Bebe pouco aos poucos, mas sempre mantendo uma vigilância soporosa. E pisca os olhos verdes esperançosos e manhosos e inflados para a alegre e a festiva e a brilhante e a flor da festa.
         Ele o espreitador o perscrutador é assim. Se todos nós fôssemos quatis domesticados urbanos, ele o verificador o seguidor seria o quati que fugiria para o meio da mata atlântica. Subiria na árvore ibabiraba mais alta e lá esperaria morrer pequeno velhinho esquecido sozinho silencioso em paz.
         O examinador o procurador é toda sorte tímido retraído atento contencioso dissimulado com seu suspiro sua cerveja que nunca acaba seu gesto sua investida. Fica enrustido na penumbra embalado pela música e não se expõe. Sempre segurando um copo meio cheio na mão um cigarro nos dois dedos, apesar de se controlar na bebida no fumo na cocaína no barbitúrico. Vai embora antes dos outros e sempre arrependido do que não fez. Saudades do que não passou. Olha a menina a flor da festa mais bela e guarda dela o sorriso o gingado o exótico só para si. Olha para trás e admira ela magnífica mais uma vez. Mas a flor da festa sorri para ela mesma sorri para os próprios pés sorri para o balanço dos quadris sorri para os fãs sorri para o gosto de sorrir. Algo nela sobra do eixo e isto o faz arrepiar e sonhar até o exagero até a obsessão até a exaustão. Não irá perdê-la por nada deste mundo!
         E o esquadrinhador o perquiridor tem uma máxima que é só dele a seguinte a qual, depois de tudo visto e revisto acima de tudo de todos, e que o deixa sobreviver no seco no dedo na fantasia: - Não me pertence!!
         Basicamente temos pouco para entender. É um caso pato que fica no desejo de a flor da festa e somente a principal.
         A luz macia das estrelas, branca, brilhante, indivisível.
         Ele o sondador o analisador adora contar estrelas. Dizem que contar estrelas faz aparecer óvnis.
         Sabiá-laranjeira canta perto. Corruíra também canta perto. Um tié imita corruíra ou sabiá. Uma folha-de-urubu ri sem nem saber por quê. Gorjeia o sanhaço mais para lá nas margens plácidas do rio Traipu. Haja jataís-pretas enxame. As estrelas descontam em silêncio de espiãs.

         E o sol abre as portas verdes almofadadas fundos larguras alturas interessado em tudo por tudo, sim senhor.