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terça-feira, 10 de dezembro de 2019

As epifanias esperadas


           

            Um dia Mamuda restava em casa no cômodo lar aconchegante e aguardando e... pronto, estava dentro no interior doméstico de casa olhando pela janela cotovelos no parapeito. A rua Tabatinguera sempre cheia de gente e carros e sons dos tais toris e brinquedos quais rói-róis e indianas frondosas as cerejeiras-do-paraná... Curtia temporada suave em as manhãs de sol intenso e dia muito azul noite muito estrelada (displicentemente mascando uma haste com florzinha da betônica-brava de temperamento agridoce ou uma folha de pitangueira de sabor tropical aplaudido, por exemplos).
            - Qual o nome do cachorrinho de estimação, e que fiel nem late nem morde?
            - Adoro festa de aniversário com bolo dança jogo chope na tarde de carnaval.
            - E pernambuco que é a pedra furada pelas ondas do mar.
E nesse plano, a árvore Mamuda baixou da nuvem donde sempre seguia os guerreiros macu-camã coletores mariaté pescadores boaupé agricultores marachó canoeiros... Decretou feriado para todos os interessados no paraíso selvagem verde natural coletivo. Escolheu um campo florido e verde para ali se deliciar descansar rolar deitar e jogar altinha na sombra gramada. E ouvindo o interpretar de livre associação dos teréu-teréus, torcazes, mães-de-balata, coleiros-baianos, tizios... Retirou a venda dos olhos, cruzou no peito o estojo cheio de setas flechas rápidas e se recostou preguiçosa no sossego do tronco do ipê-contra-sarna. Desejosa ao extremo para esquecer os compromissos e brincar de governar o hemisfério sul. Agora mesmo! E falando simplesmente como as entidades superestimadas do alto do céu mar azul plácido domingo:
- Cidades dos morros torres faróis antenas parabólicas, Alfredo Wagner, Caturité, Cândido Rodrigues, Arês, Missão Velha...
- Completa de boas intenções cheia cheíssima repleta.
- E pronto, a atmosfera já funciona na mais total expectativa.
            Brincou de esconde-esconde com as cores das flores várias, com as borboletas e com os passarinhos, maús, cardeais-amarelos, bicos-de-brasa-da-várzea, sete-cores... Destes tenta e persegue imitar o canto o voo o espírito a plumagem... Toca uma canção na folha de jequitibá-branco e de sua própria letra autoria embalando as montanhas, os rios, o firmamento claro sem nuvens, o bando dos caparus. Se deita na relva entre as lianas na erva alfazema-brava e cansada se entrega ao sono os devaneios fantasias. Se sonha o que sonha nem se sabe, se adivinha com certeza serão sonhos de ouro ambientados nos brejos lagoas parques viagens cabra-cabriola e nos planetas distantes. E descansa na paisagem no pasto no alagado nos coqueiros-naiás que varrem sacodem vassouram exercitam escovam a ótima paisagem.
            Olhe, apenas! Os animais nem tem receio de água. Todo caso atravessam o rio já nadando em família ordenados os pitiús os piaparas as jaritatacas... Às vezes os dias são fazer a chuva ininterruptamente. Todo caso o aguaceiro dura duas semanas enxurradas e instala um ambiente ameno agradável. Clima subtropical úmido mesotérmico, temperatura média superior a 25°C, sem estação seca definida, tendência à concentração de chuvas fortes no alto verão.
            - Quando é o dia do seu aniversário, florzinha de maria-rosa?
            - Segunda pergunta!
            Esse tempo todo que Mamuda descansou ali (jogou titular em alto nível rendimento de levantadora colocadora acomodadora ajustadora armadora passadora), alguém que era Marília bela já a espreitava atrás das plantas de palmas-mestiças. Vendo-a dormir relaxar acalmar, esta espiã arborícola resolve agora lhe aprontar alguma. Então, pé ante pé, dentro das sombras camufladas, calada e com sorriso de alegre nos lábios de pitanga madura, se aproxima e lhe rouba as armas pontiagudas. Mamuda (a moça vegetariana vegana que sempre respira pelas folhas verdes) nem sente nada dormindo sonhando com o parque celeste a planície rarefeita o largo do Paiçandu e várias várias outras atrações universais postos de vista pontos turísticos.
            Depois o dia a dia o tempo e este por si mesmo sozinho, por onde começar e seguir e persistir, predisposto previsto ficou foi ficando com outra cultura alma e mais luminoso evidente aperfeiçoado tradicional e é claro. Do melhor!
            - Das cidades com paranás braços canais lagos de água doce, Boqueirão, Tibau do Sul, Fernando Prestes, Fênix, Abaiara...
            - E o rio Madeira comprido alto seco liso construção controvertido extrovertido idolatrias côvados e pão de ouro.
            - Lojas finas com descontos muito bons ou pelo menos metade do dobro.
            - Substituir um nome sobrenome por apelido antonomásia.
            - Uma coisa importante ou uma outra coisa pouco relevante.
            Acontece que Marília bela prestimosa já esconde as armas de Mamuda. E a vigiar esta e aquela estavam outros tipos esquisitos olhudos os buçuís saídos das cavernas minas locas grutas e que vêm pintados de palhaços e exercitam gestos e caras e bocas e zumbidos e dialogam piadas do ocorrido do flagrado do flagrante muito bagunceiros pois que querem as festas carnavais concertos comemorações manjares quitandas e fazem ruídos rústicos com as patas as garras os dentes as caudas, e para quê? despertar Mamuda.
            Uma ocidente Mamuda (muitas flores entre as folhas murmurantes) estava em casa dentro da nuvem no seu sítio no pátio no quintal, maúbas-pretas, arcumãs, imbuias, araçás-cinzentos, macucus... e procurando os raios do sol e viu na tevê e pensou que... e pronto, chegou aqui neste ponto do programa e por romance. O que mais?!
            - Facilita que com o tempo as cidades povoadas de araucárias árvores símbolos, Antônio Carlos, Major Gercino, Barbosa Ferraz, Catanduva, Godoy Moreira...
            - Um labirinto desorganizado de artérias tendas dedicado ao comércio barato de panos trapos e fazendas.
            - Esta guria é piauiense de Monte Alto.
            Pois é, Mamuda (há que provar das suas frutas e perfume e gosto e sabor!) se apruma na pose de rainha das abelhas torce-cabelos, percebe que foi considerada de desdém (todos os outros caras que teve até então) mas nem perde o equilíbrio e diz a frase única e sonora e respeitável, entre aspas e bananas e pilares e colunas: "Resvala o rio Tamanduateí se repete e se puxa autossuficiente e beija suculento o pescoço na jugular, carinho!”