Um
dia Mamuda restava em casa no cômodo lar aconchegante e aguardando e... pronto,
estava dentro no interior doméstico de casa olhando pela janela cotovelos no
parapeito. A rua Tabatinguera sempre cheia de gente e carros e sons dos tais toris
e brinquedos quais rói-róis e indianas frondosas as cerejeiras-do-paraná...
Curtia temporada suave em as manhãs de sol intenso e dia muito azul noite muito
estrelada (displicentemente mascando uma haste com florzinha da betônica-brava
de temperamento agridoce ou uma folha de pitangueira de sabor tropical
aplaudido, por exemplos).
-
Qual o nome do cachorrinho de estimação, e que fiel nem late nem morde?
-
Adoro festa de aniversário com bolo dança jogo chope na tarde de carnaval.
- E
pernambuco que é a pedra furada pelas ondas do mar.
E nesse plano, a árvore Mamuda
baixou da nuvem donde sempre seguia os guerreiros macu-camã coletores mariaté
pescadores boaupé agricultores marachó canoeiros... Decretou feriado para todos
os interessados no paraíso selvagem verde natural coletivo. Escolheu um campo
florido e verde para ali se deliciar descansar rolar deitar e jogar altinha na sombra
gramada. E ouvindo o interpretar de livre associação dos teréu-teréus,
torcazes, mães-de-balata, coleiros-baianos, tizios... Retirou a venda dos olhos,
cruzou no peito o estojo cheio de setas flechas rápidas e se recostou preguiçosa
no sossego do tronco do ipê-contra-sarna. Desejosa ao extremo para esquecer os
compromissos e brincar de governar o hemisfério sul. Agora mesmo! E falando
simplesmente como as entidades superestimadas do alto do céu mar azul plácido
domingo:
- Cidades dos morros torres faróis
antenas parabólicas, Alfredo Wagner, Caturité, Cândido Rodrigues, Arês, Missão
Velha...
- Completa de boas intenções
cheia cheíssima repleta.
- E pronto, a atmosfera já
funciona na mais total expectativa.
Brincou
de esconde-esconde com as cores das flores várias, com as borboletas e com os
passarinhos, maús, cardeais-amarelos, bicos-de-brasa-da-várzea, sete-cores... Destes
tenta e persegue imitar o canto o voo o espírito a plumagem... Toca uma canção
na folha de jequitibá-branco e de sua própria letra autoria embalando as
montanhas, os rios, o firmamento claro sem nuvens, o bando dos caparus. Se
deita na relva entre as lianas na erva alfazema-brava e cansada se entrega ao
sono os devaneios fantasias. Se sonha o que sonha nem se sabe, se adivinha com
certeza serão sonhos de ouro ambientados nos brejos lagoas parques viagens cabra-cabriola
e nos planetas distantes. E descansa na paisagem no pasto no alagado nos
coqueiros-naiás que varrem sacodem vassouram exercitam escovam a ótima paisagem.
Olhe,
apenas! Os animais nem tem receio de água. Todo caso atravessam o rio já
nadando em família ordenados os pitiús os piaparas as jaritatacas... Às vezes
os dias são fazer a chuva ininterruptamente. Todo caso o aguaceiro dura duas
semanas enxurradas e instala um ambiente ameno agradável. Clima subtropical
úmido mesotérmico, temperatura média superior a 25°C, sem estação seca definida,
tendência à concentração de chuvas fortes no alto verão.
-
Quando é o dia do seu aniversário, florzinha de maria-rosa?
-
Segunda pergunta!
Esse
tempo todo que Mamuda descansou ali (jogou titular em alto nível rendimento de
levantadora colocadora acomodadora ajustadora armadora passadora), alguém que
era Marília bela já a espreitava atrás das plantas de palmas-mestiças. Vendo-a
dormir relaxar acalmar, esta espiã arborícola resolve agora lhe aprontar
alguma. Então, pé ante pé, dentro das sombras camufladas, calada e com sorriso
de alegre nos lábios de pitanga madura, se aproxima e lhe rouba as armas
pontiagudas. Mamuda (a moça vegetariana vegana que sempre respira pelas folhas
verdes) nem sente nada dormindo sonhando com o parque celeste a planície rarefeita
o largo do Paiçandu e várias várias outras atrações universais postos de vista
pontos turísticos.
Depois
o dia a dia o tempo e este por si mesmo sozinho, por onde começar e seguir e
persistir, predisposto previsto ficou foi ficando com outra cultura alma e mais
luminoso evidente aperfeiçoado tradicional e é claro. Do melhor!
- Das
cidades com paranás braços canais lagos de água doce, Boqueirão, Tibau do Sul, Fernando
Prestes, Fênix, Abaiara...
- E o
rio Madeira comprido alto seco liso construção controvertido extrovertido
idolatrias côvados e pão de ouro.
-
Lojas finas com descontos muito bons ou pelo menos metade do dobro.
-
Substituir um nome sobrenome por apelido antonomásia.
- Uma
coisa importante ou uma outra coisa pouco relevante.
Acontece
que Marília bela prestimosa já esconde as armas de Mamuda. E a vigiar esta e aquela
estavam outros tipos esquisitos olhudos os buçuís saídos das cavernas minas
locas grutas e que vêm pintados de palhaços e exercitam gestos e caras e bocas e
zumbidos e dialogam piadas do ocorrido do flagrado do flagrante muito
bagunceiros pois que querem as festas carnavais concertos comemorações manjares
quitandas e fazem ruídos rústicos com as patas as garras os dentes as caudas, e
para quê? despertar Mamuda.
Uma ocidente
Mamuda (muitas flores entre as folhas murmurantes) estava em casa dentro da
nuvem no seu sítio no pátio no quintal, maúbas-pretas, arcumãs, imbuias,
araçás-cinzentos, macucus... e procurando os raios do sol e viu na tevê e
pensou que... e pronto, chegou aqui neste ponto do programa e por romance. O
que mais?!
-
Facilita que com o tempo as cidades povoadas de araucárias árvores símbolos, Antônio
Carlos, Major Gercino, Barbosa Ferraz, Catanduva, Godoy Moreira...
- Um
labirinto desorganizado de artérias tendas dedicado ao comércio barato de panos
trapos e fazendas.
-
Esta guria é piauiense de Monte Alto.
Pois
é, Mamuda (há que provar das suas frutas e perfume e gosto e sabor!) se apruma
na pose de rainha das abelhas torce-cabelos, percebe que foi considerada de desdém
(todos os outros caras que teve até então) mas nem perde o equilíbrio e diz a
frase única e sonora e respeitável, entre aspas e bananas e pilares e colunas:
"Resvala o rio Tamanduateí se repete e se puxa autossuficiente e beija suculento
o pescoço na jugular, carinho!”
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