Jogavam xadrez com peças grandes e gigantes e
artesanais e pesadas ali na praça de Apipucos. O sujeito arrastava uma torre
pra cá um peão pra lá... Outros atrás e em pé olhavam escorando o queixo com a
mão. O senhor de chapéu de feltro marrom parecia ser mais inteligente que o
adversário, indivíduo baixinho magrinho nervoso apressado precipitado
inconcluso. É que o senhor de chapéu de tal e qual costeletas hirsutas mais
velho ria o tempo todo e se divertia.
Passarinhos lavavam a baia com pitangas, araçás,
guabirobas, abios... Nem se confirmou se confirmavam borboletas-corujas,
borboletas-da-couve, borboletas-brancas, borboletas-folha-seca... mas elas
voavam ali; e besouros olhos-de-sol de feitios e tamanhos, mas zumbiam ali...
Sensação de mundos e fundos estranhos paralelos difíceis, o que for.
O pai do Joel assobiou. Mais cedo ou mais tarde
presenteou os olhos com os corpos de pedra em tamanho natural da Paraguaçu, da
Moema - acompanhadas inevitavelmente obrigatoriamente embora do Caramuru. Este
com privilégio no meio das duas índias maxacali, uma vez.
Era Sete de Setembro, e o pai do Joel viu o desfile na
rua Iraceminha, rente da praça. Os soldados os bombeiros as enfermeiras os
estudantes dos colégios municipais, estes principalmente. Uma menininha nem
tinha muito tempo de olhar a banda tocar, segura pela mão da mãe e pendurada
num picolé de caju repartido com abacaxi.
Se fosse possível, se pudesse, o pai do Joel ficaria
ali na praça dias e dias, passaria noites dormindo no banco, dois meses, um ano
estava bom. Um ano de praça daria pra conhecer a cidade toda.
O mais importante que tinha tico-tico catando no meio
da grama-rasteira, joão-de-barro, quero-quero, pica-pau-do-papo-amarelo,
pintassilgo... e as abelhas mandaçaias-da-terra donas preferenciais dos
canteiros bem cuidados do jardim da praça. Parecia um lugar tranquilo
satisfeito mas era perfeito e era também guerra. Cada objeto tem seu peso e seu
volume.
Depois do mundo invisível, ou por trás dos prédios visíveis
ao redor da praça, lá do nordeste talvez, veio uma chuva de agastar todo o céu,
veio uma enxurrada que alagou a praça toda em 5 minutos. Neblina de leve
esquisita entre envolvendo na esquina da rua Guanaré e a rua Canjerê. As
árvores ficaram maravilhadas, ficaram todas ali, esperando o bom tempo desabar.
As árvores e os monumentos não se protegeram e ficaram só esperando a paz das
águas cair de chuá. As árvores gastaram a chuva esperando. O monumento a
escultura - tirado do concreto em formato, tamanho mais ou menos com pedestal -
ficou esperando; a estátua - estatura simples de humano - ficou aguardando
enfrentando de peito descoberto. As árvores e os monumentos sempre conversando
com o vento com a chuva com os monumentos com as aves distraídas, canários-da-telha,
alegrinhos-do-leste, surucuás-de-cauda-preta, tuques...
O seu Abaquar Mariaté, aquele mesmo do chapéu de
feltro marrom e bigodes largos, começou a contar uma história que ele sabia de
muito tempo, que o pai dele contava, que o avô dele já sabia de ouvir contar. O
seu Abaquar nem perdeu tempo, até porque era dia de domingo dia de sair na rua
dia de passear dia de curtir a cidade a pé, e começando pelo início, vai seu
Abaquar:
- A tradição da tribo xetá inventou uma pescaria
competitiva coletiva festiva. Mas isso era tradição e típico e vinha de longe,
desde os ancestrais, e portanto coisa divina. Uns universitários alguns da
universidade federal de Santa Maria até ficaram de aparecer mas nem apareceram,
caso nem chovesse. A terra magnética.
“Todos os jovens guerreiros da tribo estavam
convidados, convocados. O vencedor ganharia, como esposa, a filha do cacique
Aondê. Era o trato. A cunhantã filha de Aondê se chamava Aracema. E estava na
idade de casar e pronto. Como diz a lenda. Qual o quê!
“E já foram para a beira do rio Laje marcar os lugares
de cada competidor, tudo sorteado. O prazo da disputa era longo longe: 3 dias e
3 noites. Tudo acompanhado pelos juízes os índios mais velhos as índias mais
velhas.
“Os pretendentes se cansaram muito para pescar o maior
número de peixes comestíveis, de escamas ou de couro, traíras, lambaris,
cascudos, bagres, cangatis, tracajás...
“E por ser a disputa tão dura e piscosa, as coisas
aconteciam de forma exagerada e inesperada. Alguns sabotavam o concorrente com
atitudes vis e baixas, chegando mesmo ao assassinato. Lutas corpo a corpo,
brigas renhidas com tacape borduna caxirenguengue arco e flecha. Outros jogavam
comida no poço do concorrente-adversário-inimigo, armavam intrigas ciladas
arapucas armadilhas tocaias... E, enfim, virou um jogo horroroso perigoso
politiqueiro mortal para alguns.
“De noite, quando armavam esperas e o sono batia, e os
mosquitos atacavam sem cessar sem piedade, a coisa toda da concorrência e das
traições ficava muito mais claro ou bem pior.
“E assim os três dias com suas três noites se
passaram... e ao relento, praticamente.
“O primeiro dia fez muito sol e choveu na boca da
noite. A noite estrelou. O segundo dia fez sol até a boca da noite. A noite
estrelou. O terceiro dia fez sol até a boca da noite. A noite estrelou e fez
lua. Estrelas previstas.
“E o ganhador foi mesmo o guerreiro Anauê, irmão
caçula da cunhantã Aracema, que sobreviveu aos piores problemas e atentados e
escaramuças e pescou mais que a concorrência mais que todos.
“E como os costumes da tribo xetá não permitiam que
irmão e irmã se casassem, o Anauê teve que apelar para o direito de vencedor da
pescaria. Desse modo, Anauê casou com a Aracema, e Aracema desposou o Anauê.
Atitudes de carne viva.
“A primeira filha do casal nasceu logo ali depois de
nove meses ou nove luas. Essa filhinha passou a chamar-se Avati, porque tinha o
cabelo loiro como mico-leão-dourado, porque tinha cara longa igual a cara de
tamanduá-bandeira, porque tinha a pele verde igual das folhas tenras do
juquiri-bravo, porque tinha a esperteza e a rapidez da jaratataca, a
desenvoltura para lugares altos alturas galhos de árvores gigantes como do
barrigudo-cinzento, etc., por ex.
“Houve festa de roda na taba que começou de manhã e
foi até a manhã do dia seguinte. Até o pajé Iraí chocalhava o urucá preparando
os espíritos do rio da terra do ar. Muita gritaria, muito bate pé, muita música
de bapo, mibu, inúbia, etc.
“Avati nasceu com poderes mágicos e que os usava
quando desejava. Num passe de mágica. Esses poderes davam a ela o milagre de
transformar coisas objetos em bichos viventes animados favorecidos favoritos...
“Quando Avati cunhantaim transformou pedras em
sapos-ferreiros; quando Avati cunhantaim mudou os sapos em miçangas para usar
no pescoço no pulso; quando cunhantaim mudou as miçangas em desenhos na pele;
quando Avati desejou açoiaba de penas de araras-vermelhas-grandes; e quando
Avati - já como jovem cunhantã - transformou os enfeites todos e os bichos de
estimação todos em amantes de muitos tipos de habilidades, etc., então...
“Assim, Avati teve filhos, muitos, de diferentes
especialidades e competências e categorias e habilidades e profissões. Depois
de dar à luz, um por um, os abandonava no mato para que as lobas-guarás os
alimentassem. Os índios amantes (e pais da curuminzada) que nem concordavam com
tais procedimentos da cunhantã Avati ela os transformava em pedras jogando-os
diretamente no meio do rio Laje. As pedras que estão ainda hoje arrebentando
encachoeirando as águas corredeiras.
E depois de ontem ela Avati já veio para este outro
século.”
Aí o seu Abaquar terminou a narrativa bateu no peito alongou
alguns músculos dos braços das pernas esticou o pescoço riu e já era tarde,
sentenciou:
- Eu só posso enaltecer.
10-bandeira.
Com as palavras de Aline: emboaba, especado, afasia, macro-jê,
socavão, litografia, fibrilação, isomorfismo, sindético, silogismo.
10-penão.
Frases sentenças
de Pedro:
- No riso horizontal sorriso da paisagem, de onde em
onde e de galho em galho, os dois casal de tuins faziam os tuinzinhos: os tuins
chegavam para sempre a outros tuins.
- O nome das terras do lugar cantava burburinava
bilrava bonito nos seus ouvidos Chapada do Araripe.
- Surgiu como quem nem quer nada seus olhos curiosos
ausente e longe de tudo nem sabia falar quatro meses depois casou perguntas sem
respostas e algumas mais interrogações nos olhos vidrados mas porém a alma a
palma livre pacífica liberta.
- Um pequeno vento de onde ajuda para onde sussurra o
cutitiribá-grande a cebola-do-mato as madressilvas-verdadeiras... o arvoredo.
- E inexoravelmente o B lançou o primeiro seu um
satélite artificial e cosmopolita.
10-lábaro.
Um dia mais chuviscava que o outro. O tempo fechado. O
vento frio. As pessoas agasalhadas pensavam em nem sair de casa do quente do
aconchego do pinhão na chapa.
O pai do Joel conferindo os níqueis ali no cantinho da
praça do Parnamirim. Ajeitou os cabelos com os dedos em garfo. Mãos às costas
caminhou. A praça toda era uma hora de tumulto corre-corre para o almoço, mais
ou menos. Barulho principalmente vindo da avenida Cachoeira Paulista. Todos
atravessavam a praça, todos e todas.
A moça de orelha colada no ombro falando sempre no
celular e se guiando com o rabo do olho. Do outro lado uma sacola preta
luminosa e trabalhada de bordados costuras arabescos. Perguntando diria que comprara
em Cascavel ou Antônio Gonçalves ou Aloândia... umas cidades de megalojas
sortidas, macrolojas, etc.
Chegou uma turma de estudantes gritando alto e se
mostrando muito suprarrealistas. Chegaram ali e já queriam para ontem qualquer
coisa urgente, urgentíssima. Queriam plantar um pé de dedaleiro pra eles muito
precioso e importante e ecológico tarefa de aula. E foram impedidos pela
prefeitura. Brigaram ainda mais e gritaram toda a vida. Quebraram tudo que
podiam, xingaram políticos e polícias. Foram discursando avenida afora e
falando nomes comuns. A avenida ficou olhando de boca aberta os incomodados que
se retiravam.
O João Guaraio, naturalidade Vicentinópolis, chegou na
praça abraçado a um monte de tarecos trens esquisitos. Todo de terno branco, um
branco luminoso, cabelos brancos, estendeu a tela branca de cartolina no
cavalete de jacarandá-cabiúna. E começou a desenhar a menina negra de cabelo
loiro e olho preto. Depois o sergipano esperou freguesas ou fregueses tocando
violão de 6 cordas, violão ou viola caipira.
Lá descia e vinha vindo a moça com o
rapaz pela mão, eles riam e falavam e nem se olhavam, talvez nem preciso fosse.
Orgulhosos como dois bem-te-vis-cabeças-de-estaca. Ela se chamava Amarei. Ela
ainda nem tinha ancas. Ele ainda usava toda a barba possível cabelo possível
sorriso impossível. E já iam longe outra vez. Ela queria entre indecisa
filosofia ou biologia para cuidar das aves do pantanal mato-grossense. E ela
ganhou uma barra de chocolate e sempre guardava para depois.
Pareceu que a árvore baru se mexeu,
suspirou ou qualquer coisa? Pareceu que fez gesto, deu passos, dois passos à
frente. Avenida principal passando ao largo. Coisas agradáveis. Então, o baru
da praça parecia enorme alongado e frondoso, alto, lotado de memórias
linguagens ideologias idiomas. Plantado aí por n motivos. Vai começar a jogar o
jogo, aliás já começara.
O
piazinho na bicicleta, sobre a tarde do século 21, fazia pedalando pela trilha
da calçada da praça, a tarde vermelha sobre os prédios com caras de pombais,
controlando a bicicleta entre os casais, entre os canteiros de bibis e macumás,
a música dentro da cabeça, o riso que tirou de refilão ao passar pela menina de
cabelo cacheado desbicicletada. Ninguém podia afirmar que ia chover.
O pai do Joel se queixando com a estátua
do Tiradentes:
- Talvez meu filho já nem mais nem
existe, uma vez.
O sol deu um voo à frente como um pulo
de gato-do-mato e nem seria a última vez. A tarde apitou, buzinou e rangeu
todos os dias ali. A tarde estrondou e aconteceu. Os pássaros sururinas pariris
garrinchões-de-barriga-vermelha... ergueram as asas e sumiram e debandaram. As
árvores ergueram os olhos verdes para o sol, para o céu e nem se aquietaram. As
luzes da cidade apareceram de todas as esquinas, de todas as janelas dos
prédios, apareceram devagar, pingando conforme. De repente a cidade ao redor da
praça.
O vento durante a noite. Já faz tempo
que veio outro dia. O vento procura passar aí todos os dias e passa. Às vezes o
vento nem falta nunca. Sempre o vento indo ouvindo que vem e vai. Uma escultura
estranha e inspirada perdeu a corruíra que voou do ombro direito. Uns dois três
casais tomando chimarrão em torno ao banco patrocinado pelas mercadorias Pacará.
Agora a estátua era de uma mulher que
virou pedra. Parecia ter vindo do país das pedras basalto. Os olhos de areia e
indecisos. A sombra do deserto da caatinga, talvez. Ela já fora tudo na vida,
fora professora de linguística, profissional da metalinguagem. É aeroporto de
andorinhões-de-coleira ou abelhas jatis ou borboletas-do-manacá... Ela já fora
babá de trigêmeos, recepcionista de hotel na avenida JK, empacotadeira do
mercado Maragatos, motorista de coletivo em Santa Vitória do Palmar, andou de
submarino, aprendeu desde pequena a colecionar duvidar espiar ali no centro da
cidade aprendeu um dia a gostar de adquirir pesquisar placas de auto lugares
Nova Granada, Catuji, Ponto Novo...
Os dois namorados adolescentes nem viam
mais ninguém no mundo e prestavam atenção neles mesmos e em mais ninguém e
estavam ali no banco da praça para isso mesmo. Sentaram no banco de madeira com
ripas pintadas de verde antigo e trocavam sorvetes. Bem tolos, ele preferia o
dela e ela o dele. O dele era de abacaxi e milho verde, o dela sabor açaí com
pedaços de frutas maduras de pequis.
A mulher de bermuda e miniblusa e tiara
de florzinha aberta veio procurar um namorado perdido há muito tempo tempo. O
namorado ela nem sabia qual que podia ser e ficou olhando todos eles, inclusive
o pai do Joel que já tinha certa idade mais pra lá do que pra cá, relativamente.
Ela olhava todos os homens com a mesma vontade e dando a mesma certeza e total
confiança. E algumas mulheres também, quem sabe, por que não, tá com
preconceito? Tirou cigarro da bolsinha que trazia a tiracolo combinando com o
esmalte as unhas das mãos. Atravessava por hora por dia a avenida Gaspar
Silveira Martins ia tomar fôlego e cerveja no bar Itajahy com ceva loira
espumante. E voltava à praça cada vez com mais apetite e os olhos mais finos.
O pai do Joel olhou a moça para ver até
onde ela ia e voltava. Fazia tempos que ele estava carregando aquela praça
Parnamirim. Chegou há dias e foi ficando. Se demorava, fazer o quê. Ficava até
a boca da noite de todos os dias, fazendo sol ou desfazendo chuva. Voltava para
o hotel Pampa. Retornava à praça para um dia todo, manhã, tarde até a boca da
noite. E quem sabe.
A guria foi descendo a escada que separa
a praça alta da praça baixa. Segurava os cabelos fartos. Novo xodó do pedaço. Um
mundo de cabelos pretos e para os lados dos ombros e para trás. Parecia também
realizada com tanto cabelo. Olhando os degraus pra nem cair. E não dava conta
do mundo? Seria melhor a praia de Maramar? Mas descia a escada, cruzava a praça
de lado a lado, olhando para dentro de si, cuidando da escada que nem terminava
mais e as pessoas não existiam ao seu redor. Podia melhorar com a na praia de
Areia Vermelha? Todos falavam que como ela era bonita e que o que era bonita
era pra se olhar.
Os prédios e edifícios e arranha-céus
têm janelas para fora, para a rua, para o céu, pra fora. Mas nem tinham
curiosos curiosidades. Ninguém ficava em casa para olhar o mundo que passa ali
fora, aqui fora, ao redor, na avenida Sapuiá. Ninguém se debruçava para olhar a
praça, a rua, a avenida, o outro prédio de escritórios comerciais. Parecem
pombais abandonados e pacíficos utilitários.
Um pássaro, qualquer ave, caiu todo
arrumado ali na frente, no meio do caminho de terra batida, vestido de penas
cinzentas, no bem-bom da terra e folhas secas. Ficou caminhando e catando e
quicando no chão. Parecia um comportamento muito esperto. Nem estava se
incomodando com a praça e seus vaivéns de gentes e gentes com bichos de
estimação, as buzinas da avenida, o sol olhando as horas. Depois virou
pomba-rola com arrulhos arrulhos.
No jornal da manhã clara, em fevereiro
ou janeiro, se ficou sabendo que derrubaram toda a última árvore da mata ciliar
do rio do Sono. Os pássaros de lá tiveram oito dias para procurar outro lar. Os
bichos optaram pela lavoura de soja e foram pegos pelos aviões pulverizadores e
ou pelas colheitadeiras.
No quinto dia que o pai do Joel estava
ali, o homem de chapelão de palha trançada chegou do mundo fora da praça e quis
vender oferecendo uma lavoura enorme já preparada para o plantio de milho e
trigo e arroz e mandioca:
- Querem comprar uns hectares já limpos
e prontos para o cultivo o plantio?! Têm benfeitorias rio com açude cerca de
arame farpado currais para o gado de leite pista pavimentada para avião jatinho
duas famílias de caseiros...
No sexto dia o pai do Joel estava
olhando um exemplar de canela-da-baía quando o mesmo homem de chapelão pintado
com as cores do Estado apareceu foi se enturmando com o pessoal e foi
conversando até que chegou uma hora foi querendo vender e ofereceu vendedor a
todos quantos uma proposta tentadora uns cavalos de raça:
- Querem comprar uma baia e uma azulega
de raiz? De quebra vem junto até um potro alazão bem jovem! É pegar ou largar!
Eu se tivesse por onde pegaria com as duas mãos e os olhos vendados!
Entre um dia e outro ficava um vento de
soprar o tempo todo por causa do ciclo das estações. Veio o verão, veio o
tempo, voltou o vento como sempre. O homem das vendas latifundiárias camponesas
rurais agronegociantes também:
- Querem comprar um fusca meia nove
funcional e todo no original de pouca rodagem propriedade da madre do
convento?! E eu ponho a mãe no fogo!
10-emblema.
A filha de Aline, porque panapaná, saiu
cedo do hotel Parangolé pegou o avião até Manaus e dormiu pernoite no Babeco
quatro estrelas. E dormiu espalhada esparramada braços abertos coloridos tarde
adorada lá fora e... mais alguma coisa?!
Depois de Deus-D depois de D-Sol após
D-Lua após D-Chuva até então veio o zinzilular chilrear dos
tiés-do-mato-grosso. O que você faz logo às 10h.
Então a filha de Aline, feita de
petúnia, nova quantos milhões? Uma lua hipnótica mas isto hoje.
Inventar as nuvens os meses os nomes
todos e cada coisa, orelha-de-onça, capim-de-cabra, gloxínias, pedra do Frade e
a Freira, Alta Floresta, Icém...
No outro dia esvaziou as malas, olhou o
rio Negro amarronzado e gigante e deu graças a D por ter visto o rio Amazonas
ao vivo. Secou os cabelos longos e apetitosos com toalha felpuda feita em
Joinville naquela fábrica da rua 25 de Julho.
Caminhou as ruas de Manaus, a rua
Floriano Peixoto, a rua Deodoro da Fonseca, a avenida Presidente Vargas, a
praça da Bandeira e passeou na chalana Mixanga. E foi praticar uma cultura
imersão no museu do Índio em frente ao teatro Amazonas.
Estava levando um estresse nas ideias,
tomou um comprimido total, foi fumar na varanda, fez um chá de folha de
laranjeira, até porque também era brasileira.
Junto com todos turistas ela foi de
curiosa até a ilha da Pintada. Olharam os botos-cinzentos brincando com
caboclinhos curumins e cunhantains. Voltaram e olharam o pôr do sol total no
rio da Cachoeirinha.
Fechou a janelinha do avião que o sol
batia direto na sua carinha de caxinguelê limpa. Queria ler umas manchetes do
país e do mundo e de onde fosse: índios e hidroelétrica; ararinha-azul e
coqueiros típicos do cerrado; montanha de ferro para a volúpia dos
politiqueiros de plantão; o preço da cebola despencar nos mercados de Buriti
Alegre e Tupaciguara; cidade Pindobaçu e plurifuncional...
Um residencial no alto do morro com vista para a cidade de Estrela,
região centro oriental rio-grandense. O dia lá fora estava brilhante e lindo e
verão. Ela olhou o teto por acaso e viu um inseto redondo. O bichinho caminhava
como tinha de caminhar todo pendurado de cabeça para baixo de corpo para baixo,
de pés grudados grudentos no teto, pelo menos mas seis patinhas com antenas.
Ela riu. Nem tinha o que ver e riu. Queria ser cunhantã dos nauquá dos malali
dos tapeba...
Espaço público logradouro livre, acapus,
sapucaieiras, pacaris, hipérpole, os urumi expoentes da música das pinturas
corporais dos botoques nas orelhas.
Foi procurar a montanha as rochas da
montanha a lua o vale lunar e que mais prediletas, bricos-de-princesa,
begônias-de-folha-estreita, tauaris-do-campo, gerâneos-brasileiros que também
eram paulistas.
Onde está muito? Aonde vai por quê?
Quantos são os depois? E se você não responde vou perguntar ao rio Una, se você
nem me ouve vou ouvir o mato, etc., cedros-batatas, cangalheiros, angélicas-do-pará...
Chove e a chuva joga bola no meio da rua e rede de varal e cabelos pingando e
tênis e roupas encharcados.
- Viajar de noite e depois eu e depois o
dia e depois eu e ainda voar da noite pro dia. Quanto tempo eu preciso para
chegar a Ipiguá. Se fosse o caso!
10-guião.
Àquela noite, às 20h e 40min, o
gliptodonte foi ver uma fogueira de São João. Caminhar ali pertinho e coisa e
tal. A festa na igreja da Santíssima Trindade nem tinha mudado de endereço e
data e estilo e hábitos. Praticamente recitando o futuro? No meio a praça
Santos Dumont a travessa São Lourenço de Brindes as ruas em torno Lauro
Linhares e Desembargador Vitor Lima estavam atulhadas de barracas luzes sons
foguetórios e pedestres bípedes humanoides animados. E o elegante gliptodonte
passeou despercebido desperdiçando. A cabeça miúda gingando tentando puxar o
corpanzil. Não tentou os joguinhos de brindes nem se demorou. Tomou quentão
comeu cocada preta pinhão cartucho de amendoim torrado andou de roda-gigante provou
cocada branca de trem-fantasma pilotou carro-choque. Elementos dominantes
extravagantes e elétricos na paisagem local circular. Depois desfez o passeio e
voltou pra casa e dormir nos lençóis limpinhos cobertor quentinho tevê de
mansinho no canal Escola por dentro do museu do Amanhã. Mais tranquilo passou a
mão no rosto bocejou agora mais absorto. Tinha e mais o que nem fazer até se
perder na imensidão absolutista do mitológico alegórico.
Uma boa rua São Clemente com a rua
perfeita a Barão de Lucena em o prestigiado bairro Botafogo.
Eu somente eu mesmo estava na bíblio com
dúvidas e dois livros um em cada mão. O primeiro era “A Bagaceira” de fulano
José Américo de Almeida; o segundo “Caminhos do Sul” de Ivan Pedro de Martins.
Hesitei receei desconfiei de mim dos outros. Escolhi trazer o segundo por ser
menos conhecido. E pronto? Que nada! Bebo café e bebo goles de água pura. Aí
veio a coincidência o acaso, ou seja aqui o que D quiser. O livro, que então
mergulhava, cita num determinado trecho o famoso livro... A Bagaceira. E nem se
fala mais nisso. Pensar o quê!
A avenida Bom Jardim com rua Mato Grosso
em Ivoti.
10-flâmula.
O nevoeiro, o dia frio, o tempo
enfarruscado a corrupiana encheu o saco e a piscina aérea da praça da
Liberdade. Pelo menos por enquanto. O que também nem é bolinho frito!
A nuvem sobrevoou o ambiente largo e
calmo. Olhou em volta e ficou tentando por ali mesmo. Sobre a cidade, sobre a
província, sobre a praça. Naquela manhã a mesma nuvem já estava enturmada. Mais
grossa e satisfeita. Depois, hora marcada no relógio da tarde relógio da
Matriz, choveu em meia hora o cálculo previsto de um mês.
O pai do Joel subiu a calçada de pedras
quadradas da praça da Liberdade e reparou na estátua equestre com herói soldado
e tudo. Ficou olhando sem parar. O monumento nem quis se mexer. Um cavalo um
homem uma espada para frente. E empedrado. E atacando a paisagem ali.
Um céu congestionado e logo anunciaram
chuva na tevê. Os raios fulminaram o socorro dos prédios mais altos. As
andorinhas naufragaram em voos rápidos para as fendas ou para as abas das casas
e viadutos e passarelas.
Quem veio primeiro foi a montanha feita
de pedra basáltica. Depois um tipo de pássaro já todo esgotado do percurso uma
tesoureira. A ave pousou na pedra mais que há vinte mil anos. Dizem que serve
para gastá-la, e se coça na pedra uma vez por ano.
Nasce um rio uma vez a cada dez anos,
nascem cem mil automóveis por dia, nascem duzentos mil gados por dia, nasce em
uma década a estrela de quinta grandeza no sistema e mais alhures. Mas a
estrela é melhor maior distante. Quem sabe!
O pai do Joel entrou no horizonte de
prédios e casas comerciais negociais. Aparentemente vindo pela rua Coronel
Bicaco antiga muito arborizada, malvaíscos-de-pernambuco, couves-do-mato,
cafés-do-brasil... Um ninho no meio do barulho do concreto armado. Um ninho
rodeado de pombais entalhados no vidro polido. Ou seja, na praça, uma praça,
que praça?, a praça da Liberdade.
Porém o dia estava pagando sol amarelo,
muito, muito sol forte e ótimo. A manhã então nem perdeu tempo, sem perda de
tempo. O dia estava pegando sol em dobro. Sol queria um formulário para
preencher currículo. Quem você realmente admira.
A estátua dos colonos de enxada e cesto
no ombro, pegando chuva ou sol nas costas o dia todo, as estações todas, a
família em escadinha. Uma segunda possibilidade, possibilidade de pedras.
Trampolim para bem-te-vis-cavaleiros. Homens transtornados buzinavam na
contramão automóveis da avenida Rancho Queimado.
E o pai do Joel andando apreciando as
árvores tentando identificá-las uma por uma observando tentando adivinhar
lembrar pode ser o murici-pinima, o sapupira, a quina-do-mato, o
carvão-vermelho, o eriocaulão... acha mesmo difícil ser a iricurana árvores da
praça sem identificação é sempre foi um pecado e decide que é a pitangueira.
Agora é só paisagem onde antes sempre
foi assim.
10-pendão.
Com as palavras de Aline: especiosa, augusto,
fausto, oligoelemento, fitologia, récua, bambê, muruxaba, jaicó, serigrafia.
10-galhardete.
A filha de Aline, que também era
importante, foi verdadeiramente sendo muito requisitada. Mora, ou tem uma das
residências fixas, em Estrela, cidade banhada pelo rio Taquari que é afluente
do Jacuí que por sua vez abastece o estuário Guaíba que procura a laguna dos
Patos que tem acesso ao oceano Atlântico em Rio Grande. Só vai em férias nesse
lugar aí. Pertence trabalha ganha o pão numa por uma agência nacional. Fica
dias em cada cidade cumprindo as tarefas. Colocada no mercado da oferta e da
procura. Às vezes ela deixa de agir sozinha e uma colega vão juntas. Mas isso
todo mundo sabe. Eu também sei.
Ela foi no rumo e pela cidade, entrou na
rua Poracá cruzou a avenida Tembetá atravessou a travessa Igaci e saiu da rua
Muçurana, até o parque da Redenção e já conferia as barracas de brinquedos
olhou o prédio militar comprido e estilizado parou para comprar um coco verde
gelado natural original da Panamá cidade de GO.
Mandou vir pastéis de queijo, mandou vir
suco de caju. Mandou ou pediu vir duas revistas de fofocas. Enquanto assistia
tevê ou trocava de canais.
Parou na loja Acangatara da rua Poracé
movimentada e comprou a correntinha com crucifixo, acertou o voo para Brasília
justamente às 13h e 34min, comprou um livro com mulher decorada na capa
predominando o verde.
Pessoas como gente uns tais e quais e, o
quê?!, ultrajando o cotidiano.
Ela se cuidou e riu porque um vento
encanado tentou erguer os seus cabelos agora rastafári. Depois pegou o urbano
até o shopping Araruama. Olhou 357 vitrinas e se sentou na ducentésima
trigésima terceira para um sorvete caprichado de muitas bolas empilhadas uma de
cada cor jabuticaba abacaxi pitanga morango caju tudo rebocado de mel e
chocolate e castanha do pará.
Ali olhando os cartazes, a filha de Aline
ouviu uma mãe falar para o filho de cinco seis anos. Ele olhava em volta e a
mãe falou assim mesmo. A mãe tinha uns olhos de caracará amorosa como nunca se
viu e falou juntando o filho sob as asas:
- Eu te fiz para te conhecer. Para você
me conhecer. Então a gente eu e tu nós nos conhecemos, muito prazer!
Os quatro jabutis e jabotas pastavam
folhas de pitomba-da-mata. Um mundo pré-histórico meio parado ou devagar indo
assim assim. Os homens trouxeram de trator. Os quelônios pastavam olhando a
filha de Aline e a colega Letícia tirando foto com celular e rindo pra eles. As
duas gurias também comiam alguma coisa e mastigavam pipocas com sabor açaí.
Depois foram olhar macacos micos saguis mambiras.
De fora, de fora nem se sabia o que era.
E as duas gurias riam, as duas a filha de Aline e a Letícia, riam sem parar ali
dentro do elevador lotado subindo para o sétimo andar do parque residencial
Manduri. E todos se contagiaram. Riam as duas e todos os que estavam ali. Eram
uns oito. Tinha um cãozinho, que também era importante, de estimação nos braços
da vovó Inúbia. Agora riam de quê com quem? Riam porque, e explicaram, porque
um homem no carro ali na rua Novo Horizonte bateu no poste olhando aparvalhado
para elas duas. Elas duas paradas no meio-fio para atravessar na faixa e o cara
olhou e nem tirou mais os olhos até bater no poste de concreto armado da
esquina. E todos do elevador riram. Os homens presentes no elevador, total de
três o caapora o curupira o jurupari, riram mais. Depois as duas entraram no
apartamento e quem ia tomar banho primeiro?, ainda rindo.
Em Fernando de Noronha estavam em três
colegas da mesma agência, mais a Lúcia. Depois olharam a antiga cadeia ou
presídio em pedra ruína de pedras tiradas dali mesmo no local. Lúcia queria
primeiro lamber as duas e nem se decidiram, mas riram, riram. Ali mesmo com
vista para o mar e ruídos de aves marinhas e sol forte e golfinhos na vista da
baía dos Golfinhos.
Os olhos da filha de Aline tinham uma
lua refletindo no lugar da pupila. E a lua de Curitiba tinha dois olhos
parados, a noite de Curitiba com cidade vertical, cinema e carros buzinando nas
avenidas centrais bem iluminadas bem movimentadas de carros e ônibus articulados
e paradas em forma de tubos.
Letícia jogava fumaça fora na varanda do
quarto e olhava a vista até onde se podia ver do prédio do hotel a cidade nova
de Alegrete ou Palestina ou Valentim Gentil. Os prédios como pontas de tocos de
um pântano afundando igapozal na tarde. A outra, a filha de Aline, cantava
arrumando a mala, abrindo e cantando e fechando a mala de rodinhas com alça de
puxar. A de lá gritou para esta de cá:
- Conhece Criciúma?
- Nem. Nunca vi mais bonita. Por quê?
Vamos pra lá?
- Vamos pra Taubaté.
A manhã tinha idade para ser avó da
guria. Mas os olhos da filha de Aline eram longos no horizonte. A revista de
cruzadas. Lagoas de algodão no azul alto do céu infinito uns 12 mil metros de
altura 700 ou mais quilômetros de velocidades.
Viajando de Belo Horizonte, voo alto e
diário e diurno, a Belém. Uma tarde louçã. Um rio entre nuvens. Uma ideia entre
nuvens. Uns grãos de arroz caíram entre nuvens. Arroz soltinho com salada de
tomate acima das nuvens. Um gole de gelado guaraná acima dos rios montanhas
entre nuvens brancas e desfibradas. Nuvens desfilando entre talhões de
agricultura. A cidade Fernandópolis fica mais ao sul.
Do hotel ao aeroporto de táxi. Antes
foram tantos e tantos sorvetes e chocolate em barras. Antes ainda do aeroporto
ao hotel, de táxi branco com propaganda.
No shopping Canguaí Enduape comprou uma
coisa duas coisas três quatro cinco. Levou uma hora duas horas três quatro
cinco. Olhou o relógio de algibeira: oito da noite. Das 14h às 02h.
A Letícia, de perder o fôlego, para a
filha de Aline as melhores amigas, farristas:
- Depois do meu quarto namorado, eu
trabalhei de garçonete numa lanchonete da universidade federal UFSC à noite. Aí
conheci o quinto. Aí, me caiu a ficha. Aí, resolvi que o negócio meu negócio eu
mesma deveria administrar e gerenciar e receber a maior parte. Entende?! E até
porque minha mãe tinha um padrasto. Aí, nem te conto tudo. Meu namorado número
tal veio e comprou meu passe. Aí, ele ficou dono do meu passe. Eu era novinha
em folha e valia uma nota preta, meu! Eu batalhei batalhei até comprar meu
passe de volta. Ele teimava em não me vender nem me liberar, mas eu batalhei
batalhei e comprei meu passe ali, ó... na chincha! Agora sou dona do meu passe
e do meu nariz do meu tempo, entende?!
- Eu queria hibernar na praia de Jurerê
ou Mole ou Brava tomando diariamente água de coco verde e comendo picolé de pitangas.
Mas isso também cansa e passa.
- Já eu queria ser famosa todo dia na
tela de um canal de tevê. Podia ser até o canal educativo federal.
Apresentadora. Entrevistando as melhores personalidades frequentadoras da hípica,
por exemplo. Mesmo que a teleaudiência fosse o traço.
- Se eu tiver de reencarnar quero voltar
e ser uma corruíra ou açafrão-do-mato ou pirapeuaua ou arraia-cocal. É bom!
- Já se eu reencarnar gostaria voltar
nas raízes de uma figueira-de-folha-branca e morar em Caxambu cidade dos banhos
termais hidromineral aquífero Guarani.
Montanhas deixam para trás, rios deixam
para trás, depois nuvens, cidades deixam para trás e o céu azul de testemunha.
Lá embaixo a ilha das Peças... território da tribo dos autóctones quixexeu... o
rio Tramandaí...
10-estandarte.
O Gaudêncio - que escapara por sorte
acaso e por pouco da roça de café numa fazenda fluminense, e vestindo o traje
qualquer de escravo nada nas mãos rumo impreciso - subia os paredões altos
rochosos da serra do Mar, Mantiqueira, Cantareira e etc., por ex. E chovia
muito no dia na noite na temporada alagando tudo. E chovia há uma semana sem
parar e isso foi até bom para desanimar seus espertos perseguidores caçadores cães
farejadores que por certo os havia, vários.
O negro fugido seguia o instinto, subia
os paredões para ficar longe da costa, dormia no alto dos galhos das árvores
altas, numa lapa que topasse, quem sabe, se virava comendo frutas silvestres e
até alguns insetos com gosto de palha seca.
Ia na escura, espreitando como um bicho,
catando bichinhos para comer, e se tivesse sorte alcançaria com o quilombo de
Cabatatu que era o que lhe noticiaram falaram recomendaram.
O filho do Gaudêncio foi farejado pela
matilha no meio do mato ao pé de uma pacavira-grande barrancas do rio Envira
quase praticamente nas terras dos índios canamari e virou outro Gaudêncio.
Cansado e esfalfado desnutrido há dias somente de ananás-de-agulha e quase
morto de tanto correr dos cães dos cachorros capitães-do-mato. Então, preso, foi
arrastado e atirado - nem chus nem bus - numa balandra na costa do Espírito
Santo a praia de Guriri e Itaúnas em Conceição da Barra. Iam gapuiar caçar
pichelingues larápios manatas malditos.
Gaudêncio vivaz prestadio diligente
ativo e no terceiro dia no alto-mar o tempo começou a chover com fúria e trape
batida pancada. O barco a vela queria afundar sob o peso da água que caía que
soprava que bufava. Vales e montanhas turbilhões de águas e tempestade - apagam
e modificam e transformam. O vento jogava a embarcação nas nuvens nos infernos
nos píncaros nas profundezas entre grandezas fenomenais. Enormes vagalhões
bombordo boreste vinham lavar o convés de proa à popa, várias.
Foi de repente e brutalidade braveza
arrojo ardil farsa que uma caravela de corsários franceses, muito maior que a
balandra, surgiu do meio da tormenta do pesadelo do nada da escuridão rutilante
e os abalroou. Uma novidade ainda pior que a outra.
10-pano.
Frases sentenças de Pedro:
- Os quero-queros as sericoias os socós maçaricos
as arirambas-grandes maguaris continuavam os seus saltos altos pequenos voos no
banhado alagado pasto no potreiro verde entre a névoa neblina fria matutina de
junho e julho.
- Todas as tintas do além azul e olhos
nos seus olhos meus olhos te decolavam todo aquele azul das tintas a força da
gravidade emboralá! a Amazônia infinita.
- Alguém pode crer e comentar: as
pessoas estão cantando e comemorando, e o sol plástico pintado de amarelo e
nuvens decoradas decorrentes degotadas, e os rios que ali passam ao natural e
buzinando coalhados ao trabalho urgente com hora com dias.
- Os autos parados em frente da loja,
Joviânia, Altair, Cajueiro da Praia, Frei Gaspar, Parisi...
- Império dos vegetais as plantas
natureza muito dos verdes açaí-chumbo cipó-tracuá breu-branco-verdadeiro
pixurim... e caixetas muitas caixetas.
10-flanela.
Dia que acordou todo mundo um sol muito
conquistador e podia até atrapalhar. Sanhaço-amarelo assobiava que podia ser
ouvido. Pelas 14h e 40min o dia se arrependeu e choveu uma barbaridade,
insopitável. Uma cambonje saiu pela beira da lagoinha piando sua satisfação em
tempo úmido. Os tetéus nem davam ousadia, não davam cabimento, nem davam
intimidade. Com chuva e tudo capuchinhas e sumarés pegaram uns melhores aromas
de verde, inebriados. As práticas aladas juritipirangas.
Veio outro dia logo a outra manhã. O
pereiro-do-campo de braços erguidos para as nuvens brancas. Índios da tribo
coroado vendendo urupemas, porções.
Os peixes pixundus saíram do chafariz e
foram embora para onde. A água boa saiu do chafariz e foi na boa. O chafariz,
como um todo ma-ra-vi-lha, foi desconstruído em boa hora e tudo mais e uma
grande árvore capitão-do-mato foi plantada e já frutifica no lugar.
Praça de cidade é intervalo. É o centro
principal primeiro lugar da cidade. Antes a praça e começa na praça depois ao
redor da praça. E mas como sempre acontece.
Neusa ou Lorena nem lembrava de quando
fora adolescente em Morro Reuter. Porém se lembrava que estudara geografia no
colégio João da Cruz e Sousa e sempre teve a ideia de partir. Embarcar num
navio gaiola e curtir pra cima pra baixo os rios caudalosos navegáveis da
Amazônia Legal. Observe isto oberve aquilo!
O pai do Joel queria o chafariz, nem
queria beber, queria lavar o rosto e olhar os peixes traduzidos com muito
esforço por Dom Pedro II desde o norte. E pai do Joel sempre de viagem de
arribada de mudança atrás de encontrar o filho desgarrado.
Barcos e igaras e iates e grandes navios
cruzeiros partem do céu de nuvens brancas. O vento sacode galhos e folhas e
conversas sussurradas. Caíram guabijus na calçada e tudo nos conformes.
Uma vez os jesuítas desembarcavam na
praça Beira-Rio. Por baixo da terra em túneis desde as igrejas da cidade um
labirinto. Eles se salvaram se esconderam dos piratas hereges franceses
holandeses ingleses enquanto as igrejas eram assaltadas rapinadas.
Atrás da mutamba uma estátua rebrilhava
brilhava de metal ao sol. Sentada na pedra e olhando em seco. O sol forte e ela
nem via nada ou já via tudo paralisada visionária conquistadora.
A beldade tinha aqueles olhos verdes bem
grandes e verdes e isso sim não era comum, era raro, e a tornavam uma guria nem
comum, um ser incomum e exótico e parecido, corpo longilíneo. Olhos
impressionantes de janelas para dentro.
Uma banda de guris e gurias ensaiava
sempre ali nesse lugar escolhido da praça Beira-Rio. Quando não chovia. Quando
nem fazia muito inverno. Tocavam as músicas mais famosas das caipiras de raiz
das clássicas marchinhas de carnaval. Um dia a chuva os pegou empolgados e eles
tomaram um banho federal, e correram todos para as marquises da rua Guarujá do Sul.
As vendedoras lojistas ficaram olhando com olhos arregalados. Foi um bando de
risos na chuva tons melodias ritmos com violões e violinos e oboés e surdos e
pratos e cravos e reco-recos e ganzás...
O pai do Joel viu a mulher e adivinhou
que ela carregava um segredo escondido no peito. E a tiracolo uma bolsa comum e
de cor discreta bege uma bolsa de couro cru. E a mulher sabia da bolsa e sabia
do segredo. Tanto sabia que caminhava de salto agulha e nem olhava para os
lados. Tinha amigos e esperava nem encontrar ninguém conhecido para até porque
nem perder tempo. Tinha segredo dentro de si e pertences na sacola à
bandoleira.
Alguém chegou e foi puxando papo
conversa enredo, dizendo:
- Tardes de sexta-feira, hein?! Gosto
das tardes de sexta-feira. Prefiro. Amanheço gostando. São as mulheres que há.
E eu assim escolhi prefiro ainda que seja tudo duvidoso relativo.
Ele deitou de comprido no banco da praça
e esperou acordar em 30 minutos. Nesses primeiros 5 minutos teve pressentimento
que Joel, seu filho, surgisse passasse sumisse. Nem dormiu mais um tiquinho.
Ficou o dia todo sonolento e bocejando pescando direto, mas vigilante ou atento.
Comprou o jornal para olhar o horóscopo:
muita sorte, mas com conformes e resalvas e licenças poéticas. O futebol nada
estava ganho e o jogo jogado e lambari pescado e acaba quando termina; a
política, todos saíam pela porta de trás do prédio federal estadual municipal
olhando para os lados. E o vento o girocóptero soprou as folhas secas da
cagaita. Visitar esse lugar Ataleia esta municipalidade Luís Correia são ideias
reais realmente abrangentes. Mais e olhando pra trás desde este o 6 de janeiro
de 2015, quem diria!
A lua apareceu gelada petrificada com
uma salva de prata nas mãos. Um olho grande previsto ameaçador. Acordou ela saiu
na fronde do pepino-do-mato deu uns passos e sorriu.
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