sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Aline de irrefragável (romance) - capítulo 19




Era sábado em noite distrair e dia de cinema no Centro Social Guajá o cine Páramo com a fita “Paneiro de Açaí” em cartaz e de grande expectativa fama sucesso recomendado apreciado desde São Paulo e Benevides e Raul Soares e reserva dos galibi-maruorno e ilha Cuxipiari, liderando audiências frequências estatísticas. Depois do cinema uma esticada emboralá! comer um lanche na hora crítica da fome e sede e com endereço rua José Couto de Magalhães bairro Caiçara ilha Maracá vila Mupéua igapó Tuiúca serra do Amolar na beira do rio Pardo Pequeno junto das oficinas no Curro Velho bem localizado nem necessariamente nesta ordem ainda etc., por ex.
- Xuá, primeiro baía de Santa Rosa depois Bom Jesus do Galho! Uma bebida gostosa é o nosso chope aqui da terra nossa mãe, tá ligado?!
- Xuá, no início é ilha Paruru em seguida o arquipélago de Alcatrazes! É preciso ter um estômago apropriado junto com o paladar eficiente, né, hein?!
- Xuá, começo de serra do Tepequém pra continuar na reserva da tribo xipaia! É linda lindíssima a menina tão galante em companhia de suas amigas, concordam?! 
Isso mesmo, os irmãos Corticeira estavam ali no cachorrão do Tuíra Arubé natural do distrito de Abunã em Porto Velho e esperando ser atendidos. Quase nem falavam outra coisa mas principalmente futebol regional estadual e riam e ótimos de caras tranquilas assuntos quase nem faltavam.
- Aquilo é praia das Flechas! Um jogador seis ou meia dúzia, compadre!
- Aquilo é mercado Porto do Sal! Tanto joga de saci como de curupira, sacristão!
- Aquilo é rio Santo Antônio! Tem receio de usar o coco mas pedala como nunca, titio!
Naquele dia de maio, com certeza!, esperavam pacientes o comer do lanche mais famoso da cidade ali deles todos neopratenses. E já bebendo um litrão de refrigerante engarrafado em vila Cosmorama município de Astorga com boa e santa abundância de água mineral. Os três maninhos.
Depois um falou sobre o colorado que ia jogar daí dentro de uma mais meia hora. O outro nem ouviu, e distraído, estava olhando as gurias entrar na lancheria no cachorrão. O terceiro olhou o primeiro e concordou do segundo com um muxoxo “Hum!...” multiuso. Mesinha de plástico azul cadeiras de plástico duro vermelhas. O irmão do meio lembrou:
- Eu nem disse que eram iara e uiara? Lá de Vigia de Nazaré ou Viseu, seus arapapás!
- Eu nem disse que eram mãe-d’água e mãe-do-ouro? Aí de Marliéria ou Amajari, seus sernambis!
- Eu nem disse que eram iami e iatemim? Aqui perto Ilha das Flores ou Marituba, seus aratus!
Os três irmãos Corticeira se fecharam em moços sérios quando vieram os três xises, um com bastante queijo ralado de colônia, o outro com pequeno sachê de maionese feita e embalada na localidade de Cachoeira do Piriá, o seguinte sem tomate sem mostarda com alface cozida, bons o bastante.
19-estudada.
Que moça aparece, apareceu, surgiu, subiu, alcançou. Muito aérea, inefável, leve, gemeniana. Gostava e mantinha a trança longa e movia a cabeça assim. Com honestidade. Bergamotas aguçadas apontando a camisa de seda confeccionada em Tobias Barreto. É a isso que me refiro e faço votos!
E o pai do Joel a viu assim, a viu ir e se perder no dia, na moda chique do tempo, quase impossível, senão impossível, possível, razoável.
Era ela, se via de perto e de longe, ou se queria ver, ela era muito verdadeira e matéria de sonho. E também verde nova. Suave milagre para os olhos e tudo mais. Farfalhar das grandes arurus. Fã número um da cascata São Miguel em Dois Irmãos.
As abelhas guiruçu em multidão instável, talvez a maria-boba acontecia pelo meio ambiente, algumas nuvens solúveis esfiapadas. Sargentos, capitães, coronéis, tenentes, recrutas, generais, majores em trajes típicos fazendo continência lá-longe e no dia 7 de Setembro. Província de São Pedro do Rio Grande do Sul, céu azulíssimo, bando récua rebanho vara cardume enxame matilha... As sombras da praça das Araras caminham em roda das árvores que o vento balança, que o vento cochicha, farfalha, flaflaia.
“Naquele tempo era melhor...” dizia um companheiro e frequentador da praça das Araras. Já que cada um escolhe o seu, e sabe escolher, e merece essa escolha, e tem o direito ao seu tempo predileto, e até por razões.
A praça das Araras se localiza no quarteirão formado pelas ruas Castelo do Piauí, Laudelino Freire, Rodolfo Garcia e avenida Arupa. Se destacam as mais frondosas espécies dos tais e quais pés de abajerus.  
E o homem de cabelos brancos, e antigas eras, sessenta e pico, que já podia escolher o tempo preferido e tal, escolheu o tempo melhor e foi falando e dando mil motivos e exemplos bons. Tinha uns olhos vagos, um olhar longe pacas, um brilho cheio de água, e demora. Obrigatoriamente, simplesmente, normal-mente.
A sombra estava atrás de tudo, por trás de tudo, da árvore, das árvores, bolsa-de-pastor, sucupira, mangabeiras, canafístula... a sombra dos prédios, a sombra dos carros, as sombras moventes dos pacíficos umutina vendendo artesanato vendendo cestos garajau entre outros objetos de decoração e superstição e entretenimento.
Os índios remanescentes dos charrua sempre sabem, os pajés que olham estudam os ventos que sopram dos cantos do mundo, o ronco do trovão, as nuvens, o sol, a lua, as árvores recobertas de parasitas, ouvem os sapos-intanhas e jias e pererecas e lagartixas, as araras, os bugios, o rasto das lebres...
O regime pluviométrico. Sem que nunca as árvores percam a cor verde ou os verdes. Sem que as mulheres verdes percam a tenra idade. A chuva boa abençoada suave chuva que caiu em movimento grande de vento mês de fevereiro acima do esperado. Chuva que amoleceu os caminhos de terra vermelha, chuva que fez os rios navegarem mais fortes, chuva que colocou o bairro Rio Comprido com a pulga atrás da orelha e correr para a marquise ou escola ou igreja acolhedora mais próxima.  
Era meio-dia e chovia pacas, grandes gordas felizes e filhotinhas.
19-acatada.
Frases sentenças de Pedro:
- As pegadas endurecidas do animal pré-histórico e seja lá quem for que fosse.
- O prisco é um parente distante e que pertence a tempos idos.
- Planeta Terra um lugar antes de outros.
- 2018 começa numa segunda-feira e termina numa segunda-feira.
- Voo das ideias dos pensamentos é o voo do rio o andar da ave o trotar do bando de nuvens o teletransportar teleguiar das árvores.
- Por isso mesmo me fico por aqui... até a próxima!
- É uma terça-feira e às 6h de dia claro aberto comum conhecido quase calendário.
19-apaniguada.
Com as palavras de Aline: citadina, corrobora, ardil, anelar, azeviche, almo, epígrafe, heliotrópio, ilharga, pletora.
19-situada.
O pai do Joel entrou naturalmente na praça da República e procurou um banco e se sentou e começou a trabalhar, ou seja, procurar e observar pelo filho perdido de repente reencontrado. E sempre de praça em praça, de lugar para outro lugar. Um olhador.
Pronto, os olhos dela azuis ou verdes pousando por ali e resvalando em todas as direções. Surgiu pela pérgula e foi entrando na praça desde os lados da rua Campinas do Piauí. Linda, muito mais linda sem dúvida que todos os pintassilgos e andorinhas da praça. Assim inteligente ou bonita, a pele macia ou os olhos tranquilos. E que esses tais e quais pássaros eram muitos naquela manhã perto do meio-dia, início de verão, sol irradiador, trânsito compassivo justamente e ali em a rua Jaguaré.
Pois era lógico que, sempre e até, as porutis e os bem-te-vis-barulhentos e os pica-paus-do-papo-amarelo trouxessem seus gorjeios e cacarejos e gargalhadas para a praça. E suas pessoas emplumadas davam alegrias e movimentos. Uns cantares e jeitos de rir muito personalíssimos. Pastas escolares de couro cru debaixo da asa.
Escoltada por um homem qualquer em manga curta, a bela potranca de crinas ao vento, soltos os cabelos, livres as jubas - uma delícia de cor e sombra e curvas. A bela de voz cristalina e clinas esverdeadas nas pontas.
- Como quase sempre!
Pois o galo da casa vizinha à praça da República, logo aí subindo a rua Acailândia, gastou o canto, ró-ró!... e bateu palmas, total: o sol escalando. E que foi acordando para pintar o ginásio de esportes do clube Botucaraí das cores tradicionais amarelo azul e branco. Com muita resplandecência luminosidade de vidros limpos.
O pajé Emburana atendia diariamente rezava curava em presença ou no rastro do freguês. Se acomodava na esteira de folhas de catulé trançado na sombra da sumaumeira-da-terra-firme. O feiticeiro falava na língua dos galibi-do-uaçá vendia ervas que curavam qualquer mal conhecido ou desconhecido, etc., por ex.
E o pai do Joel permanecia calado no seu canto a testa franzida calado tentando raciocinar. Era dia também zelosas das abelhas lambe-olhos. Daí a pouco o pai do Joel caminhava olhando o chão e com prática marcante.
- Eu acendo a lua nova?
Passava passando, passou o cãozinho cheirando rasteiro os rastos, parando e molhando de vez em quando o pé de monjola, todo faceiro, esportivo, independente, aéreo, indiferente, honesto, engraçado que só vendo, jovial de língua de fora e orelhas balançando, importante na sua total humanidade, anônimo, curioso, os pelos ruivos ou lisos, inconcluso, gavioneiro, gaiteiro, safo, chocarreiro.
Veio dos lados de Grajaú como sempre o sudoeste e por quê?, o vento forte e rápido e cheio de granizo e ventos e chuvas fortes que nuns cinco minutos despovoaram a praça da República e deixaram somente as árvores abraçadas se abraçando e se desfolhando desfolhadas assustadas.
Altas distantes acesas algumas estrelas lavadas apareceram e eram muitas e brincantes e se davam beliscões cotoveladas nas costelas petelecos nas orelhas sardelinhas na bunda...
Elegante de porte, alta e desempenada e requestada, simpática no superlativo, fazia tanta sombra na praça da República que todos a chamavam centenária a quixabeira.
19-descansada.
Frases sentenças de Pedro:
- Quem era atriz como nem se sabe ao certo, expansiva, cheia de humor riso alegria e cabelos soltos e castanhos, a bolsa de couro curtido no ombro esquerdo, acompanhada de outra pessoa uma amiga e divertidas se olhavam de vez em quando e não viam ninguém, ninguém nem nada, e hein?!
- Ríamos, ou riam, desabaladamente, e nunca uma comédia fez rir tanto.
- Tenho, porém, para mim, assim, que apesar de todos os enfins, então, éramos bons torcedores do Inter.
19-admirada.
Com as palavras de Aline: transubstanciação, embasbacado, evos, encarapitado, avezado, transir, melindre, patentear, eludir, crisálida.
19-diplomada.
Sonho três de Ana Ricarda, tempo primeiro e único, narração desenvolvida:
“Um passo após o outro, e sem dúvida, um pé melhor que o outro, pé ante pé. E parecia invencível, inédita, invisível, exclusiva. Como um mito ou lenda.
“Se sentou na pedra maior da maior montanha da serra do Mar. Para olhar o mar do céu e o mar das montanhas verdes ou azuis. Se sentou como uma monja careca, mas com muito cabelo que era bom ter cabelo e ela gostava. Os homens gostam de mulheres de cabelo longo e seios fartos, é.
“Já sabia o que ia fazer já sentada, sentou, sentada na pedra: meditar para encontrar a si mesma e ali por dentro. Olhar o mundo dali de cima da montanha e tentar falar consigo mesma, olhar para dentro com outros olhos. E desimpedida de urbanização urbanidade?
“O templo do mundo, o mundo, o próprio mundo vivendo em si e de si mesmo. O mundo se bastando. O mundo autossuficiente. O mundo ou universo em si mesmo e se pastando. Então, nada se perde.
“Sempre o interesse meditando. O interesse em preservar o mundo e cuidar do mundo como se cuida da própria pessoa, da própria casa, de um templo sagrado. Olhar as plantas, as baronesas, barba-de-são-pedro, indivíduo jacarandá, senhora catingueira, fulano oiti-da-praia, sujeito lambari-prata...
“Olhe que vim peregrinar até a montanha como podia ser outra montanha ou várias montanhas serra da Mantiqueira. Aqui onde o mundo é muito mais bonito e elevado frio de noite. Ter curiosidade pelos lugares do mundo, lugares das cidades, Carpina, aldeia javaé, Jardim de Angicos, Cabo de Santo Agostinho, Santa Maria das Barreiras... Fazer peregrinações, caminhar pelo corpo todo de D e estudar analisar criticar procurar recomendar e comer caju, cajá, castanha-do-pará... e como fazem os quatis e família as capivaras e família os xarus e cardume os quem-te-viu e bando...
“Todos os dias são bons e todos os dias são úteis. Oferecer o sorriso para a montanha, oferecer a dádiva na montanha igual fazem por exemplo os ofaié também os xerente... Olhar as árvores, jará, mucuris, escorrega-macaco, cipós-cruzes-verdadeiros... Tocar as coisas que respiram ao redor e até mesmo as pedras eternas.
19-afortunada.
Frases sentenças de Pedro:
- O sol clareou a soleira da janela-porta da menina tão galante e estabanadamente.
- Uma semana inteira de cabo a rabo tinha passado sem que eu pudesse me entrevistar com ela.
- A aventura do rio Açu é a história de páginas e páginas um livro tijolão.
19-enamorada.
A praça é porta de entrada e saída. A praça é pátio de brinquedo. A praça é terreiro de samba e maxixe. Por onde se anda, para onde se vai. Se vem e se fica. A praça é heliponto heliporto superporto disco porto parque Serra Azul. Quando se senta e se espera a sorte acontecer, etc., por ex.
O sol despertou espontâneo pontualmente 5h mais 15min, cedo clareando ainda.
Quando eles e elas chegam da rua Pititinga se ouve as conversas os passos, e passou agora o peão a pé, atropelou uma galerinha do colégio estadual Uarequena, passou a peoa de bicicleta, passou a enfermeira do Pronto Socorro, passou o secretário de esportes do município acompanhado da esposa e filha Sandro Sandra e Sandrinha, passou o ex-caminhoneiro, repassou o aroma da esponja-de-raiz florindo, passou a patroa da cabanha Uari e chapéu aba larga e lenço vermelho de pescoço e açoiteira na mão esquerda e bota cano alto, passou o dentista no jaleco branco, passou o professor de matemática com as contas atrasadas, passou a Ana Paula carregada abraçada de cacho e penca e pilha e feixe das compras no shopping Acarapi, estacou o camelô para oferecer tudo no preço de 2 reais, passou o preá namorado da preá, passou o tempo das 15h e 14min...
Na praça Largo do Machado, pai do Joel quis fazer um relaxamento físico. Um dia. Um dia, era o quê?!, uma quinta-feira de sol, os dois pés estavam assim estirados e esticados para o ar, para a frente, acima do chão, de sola para o ar, e lado a lado solando o mundo. Pareciam bem em calma, os pés. Apreciando a paisagem, descansando. Comportados, embora gastos pelo andar. Academia ao ar livre.
De súbito, o pé esquerdo quis fazer uma brincadeirinha e bateu, de leve e leve, no da direita. Foi só um toque bem macio. O da direita bateu de volta um pouco mais forte. Mas nem foi muito forte. E se emparelharam, se encostaram, se achegaram. Depois, do nada, se crisparam contristaram de comum acordo. Como briga de irmãos gêmeos.
E isso foi sem aviso, de repente de supetão, enraivecido como uma onça-pintada das brabas, ou possesso, o pé esquerdo se apinchou pra cima do direito e o encheu de chutes, chutes e mais chutes soladas coices. Nem quebrou nenhum dente nem gritavam nem fugiam... O direito, então, levou tudo e ficou perplexo. Tipo assim: “Ah é, é?!” Ficou olhando sem olhos até porque pés nem têm olhos. Nem tentou dizer pé ante pé nada até porque pés nem têm boca. Nem ficou com raiva até porque pés a pé nem têm ódio nem acumulam rancor. Nem tentaram voar até porque nem tinham asas como os pés de vento ou os caurés. E ficou tudo nestes mesmos pés longe das mãos e termos.
Cada praça com suas matemáticas e aritméticas e geometrias, suas figuras que andam e acompanham e conversam e param e olham, suas paisagens de jardins e ex-chafarizes e circunstantes e circunstâncias com características e tipicidades patrícias. Quem nem lembra de outras praças também a praça Largo da Carioca praça Antero de Quental praça Afonso Pena, e todas praças de ótima personalidade. Fisicamente falando entendendo e seguindo em frente.
Mais tarde, bem muito mais tarde mesmo, pelas 4h mais 14min da tarde, tardezinha, ela voltou, voltou de cabelos louros molhados e enfeitiçados. Cabelos ajudados por uns olhos cansados porém lindos. Professora de geografia ou estudante de psicologia. E tais olhos esverdeados devem, porém, pertencer a outro sistema de planetas e de certezas. E sem asas ninguém avoa. E onde tem lagoa tem canoa.
- Ela precisa ser prudente e contente.
A lua e quilômetros de crateras, manchas brancas, azuis e vazias. Quem mesmo? Quando mesmo? Como pode ser tão incrível assim! Inda mais este ano!
Que sorte levaram aquelas festas de São João. Que foi feito dos casamentos na igreja São João Batista, padroeiro da cidade? Por que abandonaram para sempre o poema em verso rimado? Onde vivem as últimas arvorezinhas sete-capotes.
Amana - descendo da rua Alto Parnaíba - tinha 22 vezes a primavera, e deixou que o pai do Joel tocasse seu focinho, suas mãos, seus olhos, suas costelas, suas orelhas, seu fígado. E ela mesma deixou o dia assim perfumado cheio de perfume e aroma e desejo suspenso voando com os cabelos anelados esvoaçantes e soltos. De repente foi de chofre inopino inesperado e abraçar o mundo inteiro. E muito abrindo os braços os olhos grandes espertos o sorriso.
E as coisas que o tempo passa, até porque as coisas nem param nem se dividem.
- Bolacontinua!...
Uma espinho-de-juvu na praça, atraente, acelerada, produtiva, estudiosa de estudar todas as horas e sistematicamente, verde, simpática, enérgica, sincera, eficiente, generosa como um irmã de caridade, vestindo um sobretudo lanoso por causa do frio, delicada, num pé só, perfumosa, cuidadosa, espontânea, variedade.
Nem importa se descendo ou subindo, a rua Sumaré começa e termina na praça Largo do Machado. Antigamente o Largo do Machado já existia e foi ponto de encontro de carreteiros que chegavam de todas as terras próximas, Lagarto, Ceará-Mirim, Carambeí, Veranópolis antiga Alfredo Chaves...
D fez pausa. Se ergueu e foi até a janela na porta. Olhou o planeta ali em frente que por acaso a gente conhece. E D continuou mirando. Eram 19h e 09min. Quem faz um pedido de coincidência? Com Ele e D continuando a olhar assim vagamente...
Vez por outra, veio a noite. Estrelas paralelamente aparecendo preliminarmente piscando descompassadamente.
19-entendida.
Com as palavras de Aline: capucha, grabato, manducar, lucubração, exórdio, ex-abrupto, bandó, piegas, anais, solicitude.
19-aparentada.
A praça das Pedras estava deserta e praticamente continuaria deserta todo o dia. Somente fins de semana, e pela tarde, sábados e domingos e feriados, que as crianças e as gurias iam ali passear e rodar de bicicleta. Os cães apareciam mesmo sem dono e esperavam ali de língua de fora, já olhando o além.
O sol abriu a janela azul e olhou as cores conhecidas do verde-verde ao verde-azul. E o sol ainda trouxe, preso à cintura, uns raios dourados em volume de cascata. As pombas-rolas chegando para ciscar as folhas secas, as caturritas para palrar nos altos dos pinheiros-do-paraná, os corrupiões-pretos para o café com leite no pé de pitombeira.  
Mas o pai do Joel nem estava num sábado ou domingo. Era uma tarde de sexta-feira. Outra sexta-feira, mais uma, e rosas-do-campo, guajuviras, oiti-bois, baraúnas, guabijus, borboletas castanhas-vermelhas, abelhas mandaçaias, beija-flores-de-garganta-azul... O céu estava giz, etcétera e por ex.
- Se eu conheço meu super ultra mega alter ego?
Com certeza o pai do Joel ia passar a noite, ou boa etapa dela, sem dormir. Tudo por causa daquela loira de cabelo alçado que passou pela praça e bem pela sua frente. E ela nem olhou nada nem ninguém, 13h e 33min. Mas era elegante e firme e nos seus altos e finos saltos. Vestida como uma bancária ali da agência em frente à praça. Ela tinha uma bundinha bem firme. Andando cuidadosa de salto alto agulha no paralelepípedo. E usava uma calça verde comprida justa, talvez uma dessas malhas, mais bolsa vermelha de frisos dourados a bandoleira. E até esfregava as mãos num contentamento frenético, como se estivesse muito feliz, ou pressentindo dinheiro à vista coçando convicta a palma das mãos. E devia estar. E por que nem estaria? Tudo é possível.
Um policial que trabalhava por aí veio perto sorrindo e falando:
- Bom dia, o senhor é de onde, está de visita, turista, está de passagem, posso ver seus documentos por obséquio e só por rotina?
A praça das Pedras era assim mesmo peculiar porque ergueram ali entregaram editaram muitas estátuas de animais em pedra basalto capivara suçuapita jiboia onça-pintada tapiíra ema jaburu maguari piranha-mapará... que as pessoas com tempo por passatempo se dispunham a admirar observar examinar analisar e se autofotografar.
Hoje cedo a Timbapeba saiu com cabelo dependendo mudado, estilizado. Valia sem dúvida uma ilusão uma epífrase. O cãozinho Curimã a acompanhava e o dito cujo foi cheirar as botas do pai do Joel. Timbapeba contou:
- Em casa ralha e quer mandar como um pedro-botelho qualquer, fora de casa é mansinho. Apre lá!
- É de estirpe e firma reconhecida?
E Timbapeba nem se sentou ainda em pé segurando a guia esticada pro Curimã nem desertar, sujeito folgado, ponderoso.
- A luz ao meu ver.
- Prefiro e conservo a luz ao te ver.
Desta maneira, Timbapeba gostava muito do mandolate tradicional e típico, principalmente do mandolate com todas as características culinárias do mandolate da serra Gaúcha e região dos descendentes italianos. E o pão caseiro nem podia ser comparado com o pão de padaria. E o bolo de chocolate de Gramado era outro o bolo de chocolate de Pelotas ou Nova Friburgo ou mesmo Petrópolis cidade imperial. Mas sempre engordam, deliciosos, atraentes - nem nessa mesma ordem. Até porque a torta feita em Nova Petrópolis era mais aérea que a torta feita em Vista Alegre do Prata ou Paraí ou Miguel Pereira.
- É de inundar a boca de água. E com café fica ainda mais desejável.
- Faz sucesso quem vende, e beneficia quem compra e come, né?!
Pois Curimã, gestos habituais e peralta, queria porque queria ir para onde tentando arrastar a bela Timbapeba.
- A luz é ver a algazarra dos pássaros suiriris num dia claro como este.
- A luz é ver você e insisto.
E a nobre Timbapeba, assim, procura um cigarro na bolsa. Apanha cigarro. Acende um cigarro. Enquanto guarda o isqueiro e ao mesmo tempo que alça a cabeça e sopra uma baforada de fumaça azul. E assim... um preparo, meu! Fumava na junção das ruas na esquina e o solerte Curimã olhando por ela esperando o sinal verde para os pedestres.
Um colhereiro deixou no espaço o bater de asas e pios. Os dedos de unhas longas todos encolhidos no trem de pouso. Sobre a praça em direção ao norte bairro Helena Morley e o palácio Quitandinha.
Que a praça das Pedras media, de noite e de dia, bem uns bem medidos cem metros por duzentos de frente. Essa fatia de gramado e plantas e trilhas era limitada pelos quatro cantos cardeais com as ruas Humberto de Campos pelo lado sul, Gonçalves Dias pelo lado leste, Coelho Neto pela banda sul e a avenida Icatu pelo limite oeste. Uma curuminzada vinha sempre de folga da aula soltar pipas, inclusive.
19-realçada.
Os irmãos Corticeira eram três e foram até a loja de móveis e utensílios domésticos Bacuçu, bairro Paroara, bem na rua movimentada àquela hora aquele dia de tarde rua Cuiapitinga-Curi. Era bom. Estacionaram o carro sempre no estacionamento dos clientes fregueses fornecedores preferenciais, o mais velho ao volante, assim, com calma e certeza e pontualidade, então. E já saíram de casa com esta intenção e decisão de comprar presentes para aniversário da mãe.
- Jito e chué! Estou pensando em algo que dê farinha e tipo piracuí, legal!
- Cutuba e perequeté! Estou analisando em o que que poderia ser um objeto útil e leve e portátil um jequi, provável!
- Cuíra e bagarote! Estou disposto a favorecer algo comparável ao um branco-couros-negros, conforme! 
Cada um na sua vez e com um sorriso pachola nos lábios pois dar presente é lembrar o bem e a surpresa que se faz ao presenteado. E eles adoravam presentear aniversariante. Um sábado pelas 4h e 16min da tarde e sem tirar nem pôr. A hora era coincidente e por isso pedia um pedido desejado.
- Eh, mas esse mundo está em suas mãos, mojica do rio Maguari-Açu!
- Ah, mas esse mundo está em suas voltas, japa do rio Caciporé!
- Oh, mas esse mundo está em suas ideias, ciriringa do rio Palmital!
Pois a loja era rica em oportunidades de escolha para presente para doação para presentear. Uma ampla loja de sortimentos variedades ofertas para a casa toda e para o jardim e o quintal a garagem, se levar em conta a filial do bairro Sepetiba poucos metros dali e com descontos por cento. Quando quanto poderiam também dar um pulo lá, quem sabe! Era uma, por certo!
- Mocô e Borborema. Vamos superar um dígito, se for o caso, tocaios!
- Amuleto e buraçanga. Vamos temos que alcançar os dois dígitos, entendem, xarás!
- Talismã e tacurua. Vamos poder conquistar por méritos os três perfeitos dígitos, então, xeras!
Passearam pela loja Bacuçu de norte a sul toda de cabo a rabo. Apontaram coisas e mostraram coisas ao irmão mais próximo, dança, canto, devoção, banquete, leilão, fuzuê e moquém, sermão ou comício. Os irmãos se maravilharam com tanta coisa exposta e tanta coisa para escolher e levar e experimentar caso nem sirva traga de volta. O atendente sabia que ia vender muito e sorria e mostrava tudo que encontrava pelo caminho e macaréu, tecó, catatau, panete, guenzo, periantã, alcatrão, maromba... Os irmãos iam de lado o menor no lado esquerdo o direito o mais velho no meio o médio do meio.
- Um bochorno na altura da janela do quarto principal e por fora, tipucas!
- Um mupicar para a cozinha e sempre aceso, enfarpelas!
- Um gapuiar no corredor ou na despensa, matupás!
Aí os irmãos Corticeira pararam diante do que encontraram queriam precisavam acharam melhor. Ou prático. Ou plaquê. O irmão do meio parou diante de uma mesinha de centro e disse:
- Já sei, já sei! Vou ficar com essa mesa de maria-rosa fruto de ecologia civilizada fabricada em Areal. Que  meuê-meuê?!
- Então tá, então lá! Vou levar com essa mesa de umari fruto de manejo inteligente original de Guapimirim. Que mais ou menos?!
- Oxalá, tomara! Vou adquirir com essa mesa de pitombeira-do-marajó fruto de extração sustentável em a serra da Moeda. Que assim-assim?!
Os Corticeiras irmãos em trio avezados timoratos olharam as mesas de madeira de lei com carimbo federal e concordaram felizmente um com o outro. Eram bonitas práticas leves modernas e de boa procedência inspecionada pelo IBAMA dando retorno financeiro aos caiçaras da baía da Babitonga e a reserva dos autóctones carabuiana e prontas para um presente. Era ótimo. Eram ótimas. E também se decidiram na hora h.
Total do pacote: o irmão do meio levou uma mesa de centro, o irmão mais velho levou uma mesa de cabeceira, o irmão menor acabou comprando uma mesa de canto. Todas prontinhas para receber enfeitar os vasos de flores bibelôs ou ervas com propriedades medicinais úteis, aningas, carás-silvestres, bertolônias, arumãs, caperiçobas-brancas... e as mais a escolher.
- Hum!... Uma coisa é certa, crueiras!
- Hum!... Uma coisa é batata, tabatingas!
- Hum!... Uma coisa é legal, gambarras!
E ficaram todos os três irmãos Corticeira muito contentes e precisava ver. Saíram contentes cada qual com sua mesinha nova embrulhada para presente debaixo do braço para ser montada no lar e surpreender com comodidades. Parabéns ainda mais à presenteada aniversariante!

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