sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Aline de irrefragável (romance) - capítulo 5




            Essas e outras coincidências, ah!... ninguém tem nada como isso. E ninguém vai acreditar, ninguém precisa confiar. Mas é isso: eu olhava a Taim, a cadela bicho de estimação dos vizinhos de fundo, enterrando um osso no quintal lá deles lá dela. E ao mesmo tempo no rádio da Abaúna FM falavam que estávamos no dia de enterrar os ossos quarta-feira de cinzas (ressaca cansaço enjoo do carnaval). Vi e ouvi no mesmo minuto. Uma cadela uivando enterrando os meus ossos para roer depois. Animal evasivo. E vou dar muita importância ao fato. Vou cuidar mais um pouco.
            Avenida Amazonas com a rua Limoeiro em Beagá.
            O gliptodonte procura hoje já aqui agora nesta hora. Quer furtar uns rastos mas sabe que nem vai encontrar. Nem se fosse um cão farejador rastreador. E que faz tempo faz tempo. Vai pela ilha de Santa Catarina, Florianópolis, desgarrado, na casca os milhares de anos cicatrizes que passou por ali aqui. Avenida Marechal Castelo Branco esquina com Valentim Magalhães. Conversa com um com outra. Leva uma sorte de mamífero extinto comendo somente saladas de manhã à noite. Indaga aqui e acolá. Esta árvore axuá existia? Soube de outras histórias. Ouve nem tão bem, semiconfuso. Procura pistas que valem a pena que valem fases da lua. Trânsito de pedestres de automóveis de lambretas de monociclos elétricos. Nem está com vontade. O teatro Álvaro de Carvalho em cartazes. E também revisita os fortes quase todos as praias os bairros as igrejas as praças o mercado público. O gliptodonte é mais pesado que o ar. Praticamente 149 milhões de quilômetros distante do sol. E tem o corpo abaulado cabeça pequena e orelhas miúdas próprias para escavador. Suas defesas são a carapaça absolutamente rígida e as garras longas afiadas como punhais.
            5-súmula.
            Quando D quer Ele aparece e faz até putirum.
            Quando D quer recompensa com iniciativa e originalidade.
            Quando D quer Ele cumprimenta todo mundo com o tradicional:
            - Oi! Salve, salve!
            O sol forte e o azul bom de pegar. A chuva de verão a lua da estação. Serviço de bufete a bordo. É de tudo um pouco. Estradas vicinais. Estradas vicinais? Princípios ativos das plantas oeirana, capebas-do-mato, salsaparrilha, baunilha, pindós...
            Sem dúvida os verdes, mesmo muito dos verdes tons. A praia da Capilha. O falcão-de-peito-vermelho. E pensando nos desertos do oceano e marés, a ilha da Queimada Grande a ilha da Queimada Pequena.
            Os três manos Corticeira, oquei! Sempre juntos emparelhados aos montes grupo ajuntados. E preferência nacional de mãos nos bolsos das calças compridas. Iguais nos gestos... praticamente. Muito lentos e tranquilos e organizados e civilizados e ajuizados.
            Pousaram na antena parabólica. Bem perto da casa, no telhado da oficina. Estavam lado a lado em contramão. Pareciam conversar qualquer coisa, por certo que conversavam, não se podia entender ou compreender ou traduzir. De repente ela chilreou e escapuliu. Ou era ele, não se sabia com toda a certeza. O outro ficou ali mais uns instantes e logo voou atrás. Nem podiam viver separados e sem uma o outro, os dois xenxéns. Programados para o verão ali em Nova Prata, por exemplo.
            A sombra parada das árvores licuris, sumaumeira, uruás, apraju... fileira paralela de plantas na rua Borges de Medeiros altura da travessa do Jacumã-Tijupar.
            - Uta, muçuã! Eu queria ser um triturador, é!
            - Uta, curiboca! Eu queria ser um jogador de futsal, e dos bons!
            - Uta, maromba! Eu queria ser um boiadeiro do pantanal mato-grossense, nunqué!
            Subiam a rampa da garagem todos 3 lentos e iguais de mãos nos bolsos das calças. O do meio trazia boné, os outros dois descobertos. Roupas sujas de graxa e borracha de pneu. Um parou e os outros 2 pararam. Aquele que parou por primeiro parou e olhou e os outros 2 pararam e olharam. Olharam para quem, para onde, por quê?
            Passava na avenida a filha da vizinhança filha de índios campa a Itajuba cabelos negros longos e derriçados. Uma tentação. Corpo todo plástico. E como sabia nadar. O teatro da Paz. Enfeitava um arquinho de prata no meio da testa. Tentações sensações inevitáveis. Curiosidades centopeias excitantes. Era uma rua espetacular e para sempre.
            A luz do sol drástica estava. Fazia mil diferentes brilhos estilhaços faíscas chispas cores, etc. A macaúba mal tremia com pouco vento. A gralha-do-peito-branco irritada com o sanhaço-de-coqueiro. Se correram atrás sob o sol entre os pés de saboeiro, ingazeiros, congonha-amarela e voos rápidos certeiros manobras sensacionais, embiruçu, mapati, mata-pastos, tinhorões...
            O primeiro irmão estacou olhou sem saber onde olhar mas parado parou; os outros dois pararam porque o primeiro parou e olharam sem saber onde olhar porque o primeiro nem sabia. Eles pouco ou nada trocavam ideias mas sempre perto um do outro, etc. E um sabia o que os outros pensavam. Assim mesmo e estava bom. Desde sempre.
            Esses irmãos Corticeira eram três manos sempre iguais. Na verdade uma escadinha de degraus curtos. O mais novo, com quinze anos, era o do meio. O do meio, com dezessete era o mais alto. O menor dos três e mais velho tinha dezenove anos e começando a ficar careca calvo de tonsura. Trabalhavam na oficina mecânica da família Corticeira ali mesmo. No verão as ideias eram lentas no inverno quentes.
            O olhar do que parou primeiro ficou distante no horizonte. Mas muito à toa. Os outros o acompanharam sem saber. Os olhares distantes, muito pra lá, longe, distante, mais pra lá dos montes da cidade, céu azul longínquo e profundo, a morena descendo a ladeira no rumo do Centro físico da cidade, quase perto do cruzamento encontro dos arroios Da Polaca e Capoeiras.
            Não falavam nada. Falavam o necessário. Ficaram ali parados olhando sem saber o que olhar. Não queriam ver nada de novo mas também sabiam que o lugar era deles e bem conhecido. Vá lá!, falaram um pouco um instante:
            - Uta, uru! Que eu queria ser do bairro Umarizal, pontualmente!
            - Uta, maranha! Que eu queria ser de Soledade de Minas, né!
            - Uta, poita! Que eu queria ser de Caxambu, axi!
            A tal de maria-irré tatalou asas assustada por quê. Foi trilar por dentro do folhedo da maúba. O lugar consentia. Pessoa dada aos prazeres físicos. O mundo pouco conhecido.
            Seu Araripe, reconhecido e quase vizinho, passou passeando com o cão Marabá e a cadela Jacobina, cumprimentou, o cão e a cadela farejando todos excitados e deslumbrados pelo novo passeio, os três irmãos responderam ao cumprimento ao mesmo tempo erguendo cada qual a sua mão direita e... “Opa!”
            Depois, o primeiro e que puxava os outros aquele dia e hora, resolveu continuar subindo a rampa; os outros dois o imitaram de pronto. Como três cães sendo um deles que era o líder por espontaneidade liderança natural.
            Pararam na calçada da rua sem nada para fazer e em sossego. Olhando de alto a baixo pra lá e pra cá a rua. Toda a avenida que ia e voltava. Nas calçadas o arvoredo em fila indiana sucupiras-da-terra-firme e cedros-batatas e pitombeiras-de-marajó...
            O seu Araripe matara um ladrão que invadira sua casa, oito nove meses atrás. Já estava conformado, parecia. Matara com uma tijolada na pinha. Uma vez que outra a polícia o solicita manda chamá-lo pra confirmar os fatos e versões, no mínimo uma irritação protocolar, etc.
            O irmão mais velho:
            - Uta, anhangá! Podemos ir na cascata da Usina nesse feriadão, inté!
            - Uta, alcatrão! Se nem chover, é lógico!
            - Uta, mundé! Temos que encher o tanque do auto, pontualmente!
            Nem chovia há quanto tempo, talvez duas semanas, e precisava chover para nem carecer lá no açude do rio Retiro e este abastecer a cidade dos neopratenses. Uma tico-tico seguida de um pássaro-preto quicava entre os ramos da marmelada-de-cachorro. Mas predominava o gorjeio da batuíra-de-coleira-dupla. Um carro passou na rua ouvindo rádio bem alto dos sertanejos universitários.
            Embora, os três irmãos tinham lá as suas manias cada um com a sua e em particular. O mais velho tinha a manha costume de fumar uma carteira por dia e um modelo dos mais baratos. O do meio tinha o trejeito vício de trazer uma correntinha no pescoço e botar a cruzinha de ouro na boca. O caçula tinha o hábito sestro de coçar a orelha ou o ouvido direito com o dedo mindinho de unha comprida especialmente.
            5-suma.
            E o gliptodonte, tudo isso lhe interessa?, procura o calor se deitar ao sol livre forte da manhã. Horas e horas se esquenta olhos fechados mente fechada ou ausente... Nem é de entender direito o que está acontecendo a sua volta. O pensamento hipnotizado paralisado pelo silêncio da consciência. Adormecido embalsamado praticamente moribundo. Sonhando nuvens sem importância nuvens do leste. Uma alma completamente cansada de caminhar de caminho de trânsito. Um ser exausto de ser.
            Rua Marechal Floriano com a rua Os Dezoito do Forte em Caxias do Sul.
            Toda coincidência é esquisita, excêntrica, escalafobética e escalafobetíssima. O que é o que será e o que poderia ter sido. E hoje 3 do 10 de 2017 meio-dia por aí poucos instantes atrás estava assistindo uma tevê um documentário por acaso da cidade de Juiz de Fora e coisa e tal o museu Mariano Procópio, etc. Só quê! Um dia antes tinha lido “O Tempo Saquarema”, de Ilmar R. de Mattos, livro de história do B e que trata justamente da região do café e citando entre várias coisas a cidade de Juiz de Fora e um engenheiro um político na época do monopólio do café e que fora o idealizador da estrada União e Indústria que esse político engenheiro por coincidência era o tal e qual Mariano Procópio. O aleatório depende independe. E vamos dizer assim. Depois as circunstâncias do fortuito do casual. Então, eu posso dizer a mesma coisa!
            5-epítome.
            Os motoqueiros em bando em duplas de par como araras-azuis-grandes encourados tatuados com cruzes com NSAparecida com versos de canção um casal levava o menininho no triciclo jaqueta escrito em verde-amarelo “este é o meu país” - com bandeira do B estampada -, vinham de todos os quadrantes, pesadas máquinas estalando barulho, Iconha, Bom Jesus do Norte, Leopoldina, Embu das Artes, Nova Era, João Neiva, Assaré... uma confraria, uma irmandade, um enxame, uma assembleia. Ponto de recarga: praça Tiradentes.
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
Curioso o homem vestido para inverno com lenços amarrados nos pulsos nos braços nas canelas no pescoço nas coxas na cintura na cabeça em bandana. Ia em passos medidos até a vitrine do quiosque se admirar e voltava passando sempre a mão na barba negra voltava desfilava sorria para todo mundo ou ninguém e se sentava derreado pimpão no banco da praça. Depois comia da quentinha fechava os olhos ou dormia sob o sol às 14h e 40min aos 35 graus centígrados.
O pai do Joel varria a praça atrás de novidades esperanças pistas indícios. O homem dos lenços amarrados era um tipo estranho e inofensivo e local. Paciência. A moça guia de turismo explicava a cidade aos visitantes. Doce de frutas. Bonita mesmo em uniforme da empresa turística Cupinharó calças verdes e camisa verde com crachá de Camila.
            - Vocês podem optar pela volta completa de 2h e 30min. Ou podem escolher uma das 23 estações para aprofundar conhecer melhor e desfrutar.
            - Passa no Jardim Botânico e na estufa?
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            - Passa, sim senhora, e é muito lindo. Vocês têm de conhecer. Eu recomendo também o museu Niemayer, o Olhão, como o povo apelidou.
            Quando muito o ônibus foi embora para o passeio e o pai do Joel ficou na praça o homem dos lenços amarrados deitado no banco a agente guia de turismo aguardando clientes, fregueses, etc., muitos bastantes passantes. Curitiba e o ano no final.
            - Sabe, eu queria estar numa praia ou mesmo numa piscina. Em Morretes minha cidade com meu rio de infância Nhundiaquara tomando banho de moleca.
            Pois o pai do Joel olhou para ela que falava e pensou...
            Depois o sol estava muito forte muito quente, etc., reverberava pelos prédios em torno lojas Ubirajara hotel Juciri magazine Maripá e pelo chão de asfalto ou paralelepípedos, a praça em particular, os altos majestosos centenários jacarandás-ferro, as altas soberbas seculares macacaúbas, os arbustos verdes floridos plantas juremas-pretas, laba-labas, ingás-ferraduras, loureiros-de-jardim...
            O Maior representante do místico sonho da humanidade...
            É verdade que o céu o sol as estrelas as nuvens as montanhas a lagoa Juturnaíba as sucupiraçus as batuíras-ferrugem os bate-bicos as seriemas... acontecem para todos.
            E se tudo isso for mesmo certo e confirmado.
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            O pensamento no calor e com o desejo solerte de sugar, muito doce doces açucarados quitutes, o peitinho incauto da guia de turismo em cartaz diante de seus olhos pai do Joel mormacentos e tudo mais.
            Lançou seus longos cabelos longos para trás, que era ela mesma. E escondeu seu tesouro num lugar desses por aí nunca visto nem se sabia onde ficava e nem os fotógrafos de celebridades descobriam, aldeia kaingang, ilha de Itaparica, praia de Jurerê, nunca pensando nos outros nunca olhando pros lados, rio Piquiri, cobertura em Muriaé a terra da bergamota, trinclidos de taças no fim de ano, hotel ambiente climatizado tocando em surdina música de mpbu, serra do Espinhaço, outras localidades cidades Itamarati de Minas, Linhares, Volta Redonda, Rodeiro, Ipatinga... ou Estado paraíso fiscal.
            Tudo isso passou há tanto tempo... que ainda está passando... que vai e volta conforme...
            Uma voz inconfundível marcante de cantora, se assim quisesse ainda quando preferisse. Caminhando incógnita por uma rua transversal de nome Maria-Leque bairro Tirió de ladeira de casario colonial de árvores pacovas-de-macaco fechando o tempo e feira livre dia sim dia não.
            Num instante de tudo o pai do Joel viu e sentiu e desejou. Mas coisas humanas. E coisas de vaidade. E se precatar. Indução: raciocínio que se serve de indícios.
            O que sentiu esse mesmo aperto incontrolável, meio primitivo, inconsciente, que fazia ir atrás, descontrolado, dar na vista, precipitado, sem se envergonhar, compulsivo, custasse o que custasse, afobado, emotivo, passando pagando mico se fosse o caso.
            O dia dos vinte e seis feitos de maio, quinta-feira, manhã direta objetiva prática, etc., o ano de dois mil e quatorze. Aquele foi mais que um dia. Quando a partir do painel viu seu olhar lhe seguindo lhe secando pela avenida lhe acompanhando do outro lado da calçada do alto gigantesca em cartaz. Olhou para trás e ela continuava lhe observando infalível atenta enamorada. A moldura quadrada de um sonho redondo e intacto. As pernas espetaculares sobre salto alto espetacularmente abertas em tesoura braços cruzados olhar fatal com sombras nos olhos. Um carisma distribuído de boca em riso rasgado de olhos claros de esmeralda de corpo elástico. Havia um capim-sapê parado crescente a seus pés. O bibicar dos peitinhos sob a blusinha de tecido em decote vê. Pensou e decidiu que deveria seguir em função daqueles olhos olhar olhos doces olhar doce e do resto os confeitos. Anúncio propaganda frase título bem no meio da bifurcação da curva da trigonometria do triângulo da bermuda.
            O pai do Joel pensou em todas as beldades que reconhecera: “Vou olhar mais uma porção de vezes, e a última vez”.
            A razão Artífice a conta Opífice o número Ultraelevado de cor e salteado...
            Como não pôde aguardar que caísse do céu na sua cabeça a mala da sorte da boa recompensa, saiu na chuva em procura daquela modelo dos bibiquinhos de açúcar. Ela já sabia se escondia lia tudo que saía na imprensa do tititi; ele não descobria nem desconfiava onde se instalava nem como abordá-la. Foi investigar olhar as vitrines, inquirir lojistas de rua em rua, estudar de manhã até a noite, trabalhar no comércio, namorar a irmã mais nova, etc., aprender um curso da moda, aguardar nas praças do país inteiro, esperar que a esperança sempre alcança, aprender inglês para viajar, escalar a montanha no parque do Caparaó, brincar 15 dias no carnaval de Salvador, desfilar num automóvel vermelho esportivo veloz, no lugar certo na hora certa...
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            Um certo dia de ontem para hoje naqueles dias fez frio fazia frio, mas eram os dias de sol e o pessoal costumava e ainda costuma tomar chimarrão na porta do comércio. A cidade aquela cidade era igual com suas praças igual à cidade de Manaus, Brasília, Uberaba, Guarapari, Santa Bárbara do Tugúrio, Araruama, Itaboraí... todas as cidades com suas praças se parecem. Pensava ainda em a praia de Meaípe.
O Criador dos continentes e oceanos e andurriais e tudo mais...
            Daquele jeito ou desse modo não se chegava a lugar nenhum. Longe pacas. Dava vazas à imaginação e sempre foi assim e assim podia continuar.
            - Você tem muitas saudades de Morretes.
            - Oh, se tenho! Mas principalmente do que fui e pelas ruelas de Morretes olhando sempre ali o rio Ipiranga.
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            Então, por quê?, cada dia mais tolo, com as imagens vindo ao seu encontro, imagens de sucesso planando nas alturas e o seu desejo tentando se acercar, achava por bem fazer uma promessa a São Expedito. O melhor mesmo era que não tinha inspiração para pensar em outra coisa. De tanto que martelava aquele doce na sua cabeça, inalterável, já se sentia adocicado saturado um sonho exposto na vitrine da confeitaria e com prazo de validade intocável.
            Antes da meia-noite a lua nova se escondeu das estrelas da cidade do rio atrás das nuvens. As primaveras pipiando nas palmeiras-jiçaras, dia era para chover não choveu e desde cedo cedíssimo.
            A luz da Sua Divina Luz atinge os entes que Dele esperam pedem precisam pisam sobre a terra...
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            Dali a pouco chegou outro ônibus que fazia o périplo pelas cercanias da cidade os pontos atraentes escolhidos nomeados. Os que esperavam estavam para embarcar embarcaram.
            - Cuidado com o degrau.
            - De onde é?
            - Senhora de Oliveira, mas atualmente Monte Azul.
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            - Cuidado com a cabeça.
            - Natural?
            - Aldeia canamari e desde adolescência em Cipotânea.
            - De ora em diante me guiarei pelo sol estrela lua satélite... tudo que flutua.
            A moça Camila se sentou na banqueta alta a prancheta nas coxas o olhar cansado caindo pelo chão a voz um tanto quanto adormecida a alma por um fio. O que os turistas queriam ver ela já por si mesma não mais concordava.
            - Em Morretes o calor é muito mais insuportável para quem não acostumou. Por causa dos morros em volta da cidade. Sair na noite e comer um barreado não tem coisa que se compara. Percorrer junto da noite umas poucas ruas próximas.
            Solícito, apegado, acorrentado, o sol acompanhando os minutos pegajosos calorentos suarentos, etc., a fila indiana das palmeiras piriás, o vendedor de pipocas carameladas salgadas feitas na hora, a selva de pedras, as ruas que ainda costuram a praça.
            - Onde fica?
            - Cachoeiro de Itapemirim.
            - E depois?
            - A aldeia dos mequém.
            - Cidades Sorocaba e Santo Antônio de Pádua e Pirapetinga são sinônimas.
            Foram demorados treze longos dias depois que teve a ideia de reserva genial de ir a uma praça procurar a guainumbi. Entre bromélias burdáchias suçuaias, ele o pai do Joel voando como coleóptero besouro-verde, falou para ela a avezinha do seu caso e a sensibilizou. Tudo bem, sem parar de bater as suas asas de helicóptero voando e revoando em volta, ele batendo as suas múltiplas asas retráteis sobrevoando em torno revoando - a beija-flor resolveu lhe ajudar.
            - Que que foi, nem, é isso aí!
            Deu uma semana de corda para a beija-flor-de-banda-branca. Uma semana são sete séculos eternos para quem espera toda vida e pena cada hora cada minuto nessa eterna ansiedade insatisfeita. Às portas de realizar um sonho, um milagre, uma quimera, ele só temia a erupção dos vulcões e os tsunamis e golpes de Estado do fim do mundo.
            Uma noite todas as estrelas aparecerão de volta retornando ou deverão reaparecer. Depois ficou aguardando roendo as unhas. A rua Coronel Fabriciano apareceu imediatamente. A lua desceu eclodindo da copa do arrebenta-boi.
            - Deus lhe aumente, viu?!
            Foi olhar animado e constatou aborrecido. Estava magra e abatida e nirvana. Ele caindo em sim. Reportagem documento foto fato da semana: “Alta modelo beldade de n comerciais e desfiles pelo mundo, nua e triângulo isósceles encaracolada, lavada de espumante, com um belo ar inocente, os longos cabelos tapando o pudor que Iracema ainda mantinha no paraíso, flagrada aos beijos com o colibri nas piscinas de um motel importante e importado.”
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            O pai do Joel pensou para si somente em intimidade secreta íntima: “Esta Camila podia ser minha filha ou minha neta ou minha amante, tanto me faz como tanto me fez”.
            Isso foi bom e isso foi mau e bem para mal. E essas coisas acontecem aconteceram porque era sempre a salvação necessária do sujeito contra a ignorância e a superstição do objeto. O certo nem conta mas o calendário é verdadeiro.
            Chegava ônibus partia de dois andares com teto ou sem teto. Quem fundou a localidade de Apiacá? Um e outro sabiá-coleira que salta e salta nas duas perninhas catando entre os bípedes apressados. O quiosque do cafezinho e pastel feito na hora. Insistia o mendigo dos lenços se achando no espelho improvisado:
            - Ei, vossa mercê! Ei, vossa mercê!
            Tudo agora antes naquela hora a partir de então não valia mais nada ou muito pouco. Para lá para cá das praças de Guaíra, Astolfo Dutra, Mamonas, Diadema... E só quem sabe sabe.
            Pois Ele, a Natureza, recompensa recompensa os que causam fé e estudam parêmias.
Em Laranjal a festa do milho verde. Verão é passagem autorização aniversário de milhões de estrelas ossos brancos contá-las. E que esperem!, sempre alcançam.
            5-sinopse.
Por causa do clima, ou o lugar no espaço, a cidade preferia ir à praia do Jabaquara nos fins de semana domingos e feriados. O sol pleno e os pássaros e as borboletas aquiescendo. Mais ou menos nos dias de semana. Correto direto e perfeitamente exato.
D está tão imenso o universo o acaso que estamos mesmo todos tudo encubados. Plutocratas estão umas pessoas premiadas pelos seus dinheiros. Perlustram todavia comportamento pelas ciclovias.
A praça do Ferreira estava ótima aquele dia e nos outros dias bem ensolarados. Aquele dia muito também, sim senhor! Feira livre e artesanato dos índios de uma tribo xokleng, flores em vasinhos pintados, rendas de bilros, cataventos da folha do gravatá, sorvetes de cores e sabores, picolés de duas frutas, pipoca salgada e doce, cocadas brancas e pretas, ervas e garrafadas que curam o corpo a inteligência a fé o amor a força no amor e o lábaro que ostentas estrelado.
Muitos ficaram sabendo o dia como amanheceu junto o sol sem nuvens com carquejas-de-bico-manchado ocasionais incidentais...
A vendedora de orquídeas e de bromélias e de carás-inhames e de alecrins-de-são-josé... explicava as necessidades das plantinhas delicadas urgentes afetadas, o sol, a sombra, a água, a terra, o tempo, a temperatura, o ideal, o perigo, o vasinho, o ambiente, os bichos aéreos, os animais domésticos. Oferecia diversas espécies, cores, aromas, tamanhos, raridades, idades, procedências, aéreas, terrestres, cerrado, mata atlântica, chapada, pampa.
E havia pela cidade outras praças com árvores e a indefectível feira livre da rua Pedro Luís de Sousa. Quem sente vontade de andar caminho, Araruama, Bananal, Viçosa, Iguaba Grande... O oito e o infinito ficam juntos sobrepostos mais abaixo.
O pai do Joel pisou o pé direito na praça do Ferreira. O relógio o alcançou da seguinte maneira, sábado, manhã comemorativa, aí pelas nove e trinta, etc. Aquele dia se lembrou do pé direito. Não acreditava, mas já que lembrou... A praça para os lados da rua Arroio Trinta fervilhava com a feira de artesanato e apresentação dos trabalhos indígenas e outros produtos de enfeite, etc. Automaticamente se encaminhou para lá, devagar, braços cruzados, mãos nos bolsos, chapéu de palha trançada de fibra de murumuru, deixando os olhos absorver tudo, aproveitar tudo por trás dos óculos de grau, as barraquinhas musicais com flauta ualalocê ou cangoeira, e os cheiros, garapa, pastéis de queijo, beijus, zinires de formigas-feiticeiras, pamonhas, acarajés, com conversas, camisas do grenal, risos de crianças e de cachorros, olhou um cachorro e o cão rosnou de volta, angicos-rajados e canelas-de-cheiro e guaraperés e ipês-perobas sombreando o passeio público.
- A última coisa que ouvi na reunião do sindicato dos eletricitários: “Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”.
- É praxe. Mas o governo municipal quer acabar com o barulho das buzinas apitos cornetas carros de som rangidos de pneus e alto-falantes.
- Com certeza vai gerar polêmicas e passeatas e piquetes e manifestações.
- Todas as ruas da cidade, contando inclusive as descalças e empoeiradas, não poderão buzinar em hora alguma do dia e da noite.
- Pois é que ninguém merece!...
O sol caminhou sua sorte lá da estação central do universo. Caminhou e andou por trás de algumas nuvens brancas dos prédios de dez ou mais andares das inajás dos pequiás-amarelos dos murapixis e rodeou em volta da praça, fazendo sombras de desenhos impossíveis, rebrilhando nas vitrines nos óculos escuros ou coloridos nos espelhos de água.
A praça é a moda da cidade em todas as estações. Tinha um lago com pedalinhos, acredite!
Uma plantinha de cardo-ananá, um vaso decorado com estilo original da decoradora, a plantinha perfeitamente arranjada confiante vegetal nariz empinado naturalmente da serra da Ibiapaba.
Conforme as horas o dia passando o cheiro de abacaxi maduro ao sol.
A corruíra de canto rebuscado, o bem-te-vi-do-bico-largo no alto da ficheira, a mãe-da-taoca catando papeizinhos para o novo ninho.
Capeba a moça com nome bonito, natural de Cataguases, cabelos vermelhos, talhe de palmeira açaí, lábios pintados de roxo pegando fogo e vestida de calças pesca-siri. E os olhos bonitos como um dia claro. Acabava de ouvir música no rádio. E o tudo explicado sem nem o que dizer. E os muitos cabelos, sorrisos e cheiros bons. Olhos que brilhavam no mistério. Um livro aberto e folhas ao vento. Uma dessas gurias que sabem e preferem ler filosofia antiga.
Ela participava daquele dia. Sempre manducando uma folha de pitangueira. Lábios úmidos. As marcas dos bolsos descosturados, bem mais azuis, resistiam sinceros. Queria ser jogadora de vôlei da Seleção mas ninguém sabia.
Moça Capeba na praça e por quê?
Gente se encontrando festejando cachorros e cadelas balançando a cauda por guloseimas balas doces sonhos rapaduras. Homem vestido de cantor, pulseira de fitinhas dos santos da Bahia nos pulsos, arriscando dedilhar um violão com fitinhas dos santos da Bahia no braço, entoava canções famosas bonitas, boina preta com rabicho fazendo um estilo e cestinha de palha de milho trançada na frente recolhendo contribuições donativos gorjetas e moedinhas na boa vontade.
O vento começou a falar, ou melhor, o vento murmurou, sussurrou.
A douradinha-verdadeira é uma planta pequena, dois metros, flores geralmente amarelas ou douradas, pode ser plantada no jardim ou em vasos grandes meio que na sombra de outras árvores. Numa praça cai muito bem. No terraço do prédio chama a atenção. Nas floreiras da estação J. Nunes Machado do metrô é sinal de civilização.
O que ela fez de bom hoje em dia Capeba nesse dia ainda em tempo. Os olhos calmos mansos, boca em arco, cabelo coque. Muito na dela nesse dia e tranquila olhava para fora. Cem por cento sincera e otimista. Fazendo caminhada fazendo compras pegando dinheiro no caixa eletrônico estudando os títulos dos livros famosos na banca de revistas.
- Como é que vou me demorar 20 minutos?
O pai do Joel rodou os olhos pela praça em congestão de feira livre e passeios de cachorro e crianças comendo algodão-doce pés de moleque segurando balões de cor pelo barbante. Correu os olhos no geral, de um lado a praça do Ferreira e do outro os prédios da avenida Marechal Deodoro, o museu Imperial de Petrópolis, o antigo e lendário e tombado cassino Carútana, etc. Muita gente descia à praça vindo ainda da rua Capinzal. Também dele pessoal um olhar longo, vazio, parado, conforme. Um olhar tipo olhar em compota.
Moça que tivera, de certo, uma infância-adolescência acolhedora. Guria com tempo para estudar e ler os livros da moda as músicas no celular os catálogos de viagem ao parque Indígena do Xingu. Menina com tempo e sem prazo. E fã da praia da Jureia lá em Iguape.
O pequeno vento nas palmeiras buritis em fila indiana vinha beijar os cabelos dela os cabelos bonitos. As garrafas de cerveja artesanal chegaram, pousaram, suaram, verteram, transbordaram e molharam. Todos vinham de algum lugar na cidade e periferia, até do mais longe, rodavam, passavam, desfilavam, iam embora, se divertindo.
E Capeba filha de dona Tadiane e seu Quaji. Moravam na casa alugada, a rua Bela Vista do Toldo, bairro antigo do Cujigeneri. Uma casa branca de material com fachada artística, embora preferissem, se fosse possível, morar em apartamento no terceiro ou quarto andar olhando todos os dias o parque Delta do Jacuí.
E ela tinha um aspecto. Tinha a cara de sempre com bundinha leve com cabelo em rabo de cavalo e ouvindo música. Uma cara de Cecília, a Ceci, a namorada do Peri, o guarani.
Os títulos mais ouvidos mais prestigiados certamente as viagens, Limeira, Carmópolis, Artur Nogueira, Realeza...
Um carro automóvel de passeio veloz desenfreado bateu no pé de tingui. O auto veio desgovernado ainda da rua Fraiburgo, onde não existem quebra-molas. Fez as andorinhas-de-dorso-acanelado sumirem de susto. O homem estava bêbado e cansado e sozinho. O mais importante desnecessário dizer foi que a árvore não se feriu nem o machucou.
Morena moça Capeba para e compra um sorvete abacaxi-pequi-caju. Olha o sorvete, o chão por onde pisa com rasteirinha colorida de flores inventadas, o sorvete... E ela para outra vez para conferir as horas no relógio digital no pulso esquerdo. Olha o sorvete de bolas se derretendo, o chão que caminha com estilo por entre barracas de toldos ao sol e ao vento, o sorvete com pequenina pazinha de plástico colorida em vermelho...
Chuva caindo atravessada e miúda e fresquinha, etc. Ninguém poderia acreditar que era chuva de verdade. Uma garoa peneirada com sol casamento. Ninguém podia dizer que era chuva de mentira. Um pouco desequilibrada pelo ventinho que nascia ali no capão entre os jacarandás-de-espinho, canubis, caneleiras-do-mato, sapiranguis, jacarés-do-mato...
Guria pensava bem antes de comer o sorvete no copinho, continuou a pensar somente depois de tomar o sorvete nos lábios grossos e sem batom. O indelével sorriso uniforme permanente. Agradável de conferir palmo a palmo o seu talhe de palmeira pupunha.
- Me voltei e olhei o ser humano precisamente pendurado na janela do ônibus, e era um ser humano, me voltei, parei de andar à toa e me voltei.
Fazia um friinho recompensador já quando veio a noite. Com estrelas pingando luzes pequenas lavadas macias de outros mundos e outras eras.
5-condensação.
Frases sentenças de Pedro:
- Em Porto Alegre se procura a rua da Praia; em São Paulo a avenida Paulista; em Curitiba o calçadão da XV de Novembro; em Copacabana a Avenida Atlântica; em Indaiatuba na avenida Conceição.
- Parecem diamantes as estrelas de sempre e que receberam nomes de prosperidades.
- O sol excelente as nuvens podiam ser contadas luz exata prisma fatiada em cores.
- Eu só aprendi outras coisas sabedorias trucadas, bruscas, rebuscadas, truncadas.
- Uns pontos comuns de luz que outros dizem falam apontam olhos de minas terrestres.
- São Paulo é o mundo dos viadutos; Ouro Preto o mundo das ladeiras; Recife o mundo das pontes; Salvador o mundo das igrejas; São Francisco do Sul o lugar dos peixes frutos do mar; Guaratuba o mundo das praias salgadas porém ainda doces.
5-síntese.
Com as palavras de Aline: mãe-de-anhã, rafar, piratantã, acará-branco, emolumento, lambari-do-rabo-vermelho, precatório, curimbatá-da-lagoa, carataí, congênere.
5-resumo.
O pai do Joel chegou com chuva com chuva nos garrões talões ao relógio do Largo da Glória, junto à rua da Glória, ao bairro da Glória. Todos que passavam ali correram para a marquise do mictório público. Uma chuva avassaladora comovente refrescante sempre bem-vinda questão de meia hora. Rios nasceram enxurrada nas ruas e calçadas. Andorinhões-de-coleira protegidos no pé de imburi-de-cachorro.
Olhando a chuva que se despejava com tudo. Esperando a chuvarada passar.
A moça do jaleco das lojas Capanema falou, cosmética, suspirando:
- É provável que D esteja muito por perto da sua gente, é!
O nome era Sílvia, e natural de Paraibuna, Mato Grosso, capital Aracaju. A boca bonita com qualquer careta lábios arredondados e sempre um sorriso. Unhas dos dedos pintadas de duas cores uma cada mão. Muito charmosa desenvolta tolerante colorada. Seu olhar era castanho firme curioso longo e alegre. Baixara o cabelo alisando sem cortar. Semblante atitude e gestos de guria saudável e positiva e voluntária e comportada. Sonhava com noite de retreta na praça. Atendente da loja aí da esquina loja Capanema. Era a favor do assédio masculino e também feminino, mas com respeito.
Sílvia olhou o pai do Joel, e falando alto para todos ouvir:
- Você deve saber melhor do que eu, hum!
"Era lugar aquele bem pitoresco do interior do nosso país, bem no meio do B, de banhados e de serrotes, amontoados e canhadas, chapadas e boqueirões, linheiras e angusturas, mata replantada ou roça de milho, jaribaras, quando aqui e ali potreiro ou capoeirão. A altura da serra do Brigadeiro. As nascentes dos tormentosos rio Jataí rio Ipojuca rio Itanhaém rio Maranhão... O ronco noturno da onça-pintada rasto de uso recente e unhas de garras retráteis. As matas de araucárias, onde cantavam solfejavam gargalhavam e farreavam bandos de ajurucuraus; matos de guajiçaras e cambucás e carvalhos-secos e espinheiras-santas... onde pulavam agitavam e traquinavam bandos de saimiris e famílias inteiras de saguis-de-duas-cores...
"D só repassava de raro em talvez. E olhar por ali só durante um retiro de carnaval. À noite nem pensar. E Ele que nos livre e guarde!
"Por essas e mais outras razões, todo cuidado era pouco.
“Me mandaram umas mensagens. Todas de olhos azuis. Hoje a safra do butiá em Potengi na praça Rubião Júnior.
"Um domingo de tardezinha tardinha sol caindo pelas tabelas das seis e meia, idos longínquos do ano da graça de 1912, um maio de mês saindo do morno abafado para o ventoso descabelado - embalado acompanhado reparado ladeado pelos gorjeios de saudade-de-asa-cinza, pipios de beija-flor-tesoura-verde, rinchos de bandeira-do-campo, trinados de galos-da-serra à vontade -, voltava da zona o comerciante de ferramentas agrícolas João Barururu. Foi quando sofreu uma tocaia, quando foi vítima de um atentado, quando morreu baleado bem no meio dos olhos e mais onze tiros, te-te-teus!...
"Um vulto se esgueirou pela frondosa aba da corticeira solitária...
"O cavalo do negociante, bicho fouveiro manga-larga marchador Titão de oito a nove anos, pinoteou socou o ar correu estrada abaixo assustado sarapantado brida arrastando pelo chão de terra vermelha relinchando pateando olhando para trás cola erguida mastigando agastado o freio, etc. O cachorro fiel, malhado de branco e de marrom-claro Voador entre cinco e seis anos, ficou ali latindo ganindo sem ordem nenhuma orelhas murchas lambendo a terra gretada farejando rabo entre as pernas uivando para a lua, etc.
"Foram por detrás da corticeira sombrosa num preparado mutã que escaparam os tiros mortais do assassino. A primeira bala bateu no alvo da testa e outras, etc. Um raio seco e milimétrico. E o fulano de tal João Cambiuá veio de lá pronto com o facão três listas de mateiro já desembainhado. Decepou a cabeça da vítima troféu ou lembrança ou canhoto ou recibo com um só golpe. O cão Voador ladrava muito e rugia. E o sangrento demônio se pôs no mundo flauteando trauteando uma canção que falava de amor difícil triângulo amoroso, chupando um ar do dente, montado na bicicleta com alerta de sininho e para-lama de lata original, a trouxa sinistra bem atada na garupa, vestindo calça comprida de brim barra da perna direita arregaçada e camiseta listada das cores amarelo e azul propaganda da loja de roupas Potyguara. Para aqueles lados da serra Geral e de atravessar o Paranapanema.
"Aquela noite foi mesmo uma noite comprida e suspeita e pesarosa e assombrada. A lua subiu cedo no céu muito escuro e com algumas rajadas de vento do chamado vento aracati. As estrelas brilhantes forjadas no calor vieram logo já em seguida imediatamente na sequência. Os vaga-lumes piscaram lanterninhas verdes nas moitas de arroz-do-campo de capim-bobó de alfavaca-de-cobra... os grilos-pretos estalaram trincaram rilharam vidros e pedrinhas soltas entre os tufos de barba-de-bode dos valetões, ondas de piuns bolos de carapanãs manadas de abelhas-de-sapo pesquisaram cardumes de moscas-da-abóbora procuraram, zunzunzuns!... sangue universal do bom e azul do melhor.
"Outro dia passaram por ali uns tropeiros vindos de Pedras de Fogo e buscando Aurora do Pará que enterraram o corpo na raiz da corticeira. Na beira do trilho colocaram uma cruz amarrada com embira-de-porco. O cachorro Voador nem saiu de perto, uivou, esgravatou a terra, não comeu nem bebeu o pobre. Morreria quatro cinco três semanas após e bem ali todo enrodilhado como um bibelô junto à cova.
"Depois do enterro acéfalo, após o enterro arrepiante e de arrepiar até coração de pedra, o tempo fechou, começou a chover, e choveu por catorze dias e treze noites. Nesses dias de intensa chuva, nenhum bicho se arriscou pelo local e as plantas beberam muita para não naufragar.
“Quando muito, no primeiro dia de sol depois da tormenta, o novo mundo, o ano novo, e tudo foi retomado, se viu em primeiro lugar uma lagarta-de-fogo inaugurando a nova era, pelo menos um exemplar, e toda antenada nas suas antenas e cerdas amarelo-clima, subindo decidida firme convicta impávida palmo a palmo o tronco da estupenda corticeira.
"O fato horrível horroroso bateu pisoteou as estradas de poeira, as porteiras, os carreadores, ocas e paus a pique e casas e solares da região. A comunicação era péssima, lenta, claudicante, em carro de bois, em lombo de matungo, voadeira, no máximo de bicicleta, mas notícia ruim chega de qualquer jeito. Em alguns dias até urubu-de-cabeça-amarela apareceu sobrevoando por ali, pousando no galho da corticeira, apontando o dedo de unha longa e bem tratada, tirando fotos e impressões, lenço de pescoço, no galho mais seco da árvore, e retornando logo à cidade todo sorridente esfregando as garras peito de pombo e com a notícia sensacionalista fez o favor de regurgitar do papo.
"As coisas assim mesmo de tempos em tempos. Chovia um dia uma noite e no outro dia. As árvores prendiam uma pequena sombra, não fosse o sol forte e gigantesco. E morcegos e ibijaús e saruês saíam das grutas e grotões e tocas já na boca da noite em busca de sangue doce e quente e espumante.
“O sol tateando adivinhando se expandindo buscando as cores dos objetos as cores das saíras-de-sete-cores as matinadas os verdes dos matapastos dos cedros-cheirosos das ervas-de-touro das alamandas-de-jacobina dos poejos... E o mesmo astro sempre se levantava sorrindo na manhã de ar transparente. Os bem-te-vis-de-três-riscas cuidavam do ambiente desolado com suas ordens imperiosas impositivas em, “bentevi!...”
"As estações do ano brincavam de mês em talvez. D de-boa no bem e no bom lá para cima brincava de estrela cadente elipse nebulosa constelação supernova. Os animais das invernadas organizavam excursões de turismo em boi boiada e mula burrada e ovelha rebanho, relinchos e mugidos e balidos.
"Alguns ótimos voluntários de D, santos e algumas santas - estes sim fazem a diferença -, andavam pela terra pelos caminhos do mundo em pés descalços e chapéu de aba larga e bornal a tiracolo. Aqui e ali pediam comidas esparregados jimbelês bebidas e retribuíam com quaisquer sacrifícios.
"Havia presságios dos bons e dos contrários. E pessoas que defendiam uma e outro. Alguns que pagavam pra ver.
- Eu moro no norte do Estado do sul.
- O tipiti ameríndio aruá cesto alongado cilíndrico e bem contrátil.
- Todas as árvores estão aí pra tu vê a pinha-do-brejo o mulungu o carvão-branco a carqueja-amargosa...
"Na casa de deboche da tia Marylou, certa quinta-feira feriado nacional de Sete de Setembro e portanto dia de selecionada e forte freguesia clientela, se soube finalmente chegou a notícia enfim do fato medonho e hediondo e ominoso e consumado. E principalmente a moça Jubeba, dos cabelos anelados louros até a cintura, ficou chocada aturdida angustiada e começou a fazer novena promessa. E tentou mover céus e terras e oceanos, caudilhos e coronéis e latifundiários. Visitou inúmeras vezes o lugar do crime assustador, sacola vermelha de alça longa no ombro, desenterrou o corpo reconheceu e procurou a cabeça perdida, movendo polícias padres cães farejadores mães de santo e pajés. Arrepiou e chorou e puxou os longos cabelos durante um dia uma noite e vinte e quatro horas. Rosário de contas de vidro azul pendurado no pescoço, grandes óculos escuros prendendo o cabelo antes de cair nos olhos, depositou pedras escolhidas encontradas na estrada e carregadas na cabeça em longas caminhadas de a pé em pés descalços, e também mudas de flores silvestres de todas as cores e espécies umas sem nome, e versos de amor encantado escritos no papel de caderno escolar que amarrou com fitas de paixão nas asas da cruz. E sempre indiferente ao tempo à distância ao perigo de assaltos e outras coisas difíceis porém possíveis.
"Os caminhoneiros foram os primeiros a aderir ao novo ponto entreposto de oração e superstição. Alguém devoto armou uma capelinha para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Logo uma baiuca abriu as portas com mesas e cadeiras e prateleiras fartas de garrafas. E assim por diante. Sem dúvida. Com dúvidas.
"Borboletas-folha carregavam o sol levavam para lá e traziam para cá. Quando chovia o trecho ficava intransitável e isolado. Pequena tribo de índios mariatés acamparam do outro lado da estrada a vender potes de barro e redes de dormir feitas de fibras de babaçu. Nas noites todos que ali aportavam faziam suas fogueiras de taquarapocas para espantar os lobisomens e os matimpererês e os curupiras e as mulas sem cabeça.
- Você tem planos para amanhã, táticos?
- Emboralá! Por que não vamos para Capitão Leônidas Marques, o sítio Bela Vista?
"O tempo passou e veio com ele os outros tempos. Toda vez que cruzava alguém ali, o viajante sentia arrepios e fazia o pelo sinal. Os que podiam desviar, desviavam. À noite a angustiante sensação era pior ainda. O ter e o haver. Volta e meia se viam fantasmas, se ouviam gritos, estampidos de arma de fogo, pragas, relinchos, uivos... Uns poucos sempre foram ficando e fazendo pequenos gabiotos de costaneira para se protegerem do frio do sol forte e da chuva. Chegou um padre diretamente de Apucarana. No outro dia um pastor e uma bispa com família completa da cidade de Caçador. Uma semana antes já havia aportado um místico esotérico famoso vindo lá de Itaipava distrito de Petrópolis:
- Malgrado, então, anais atas relatórios propostas pareceres instruções.
- No que diz respeito ou via de regra...
- Em sua organização inicial, lei decreto regulamento decisão aviso regimento norma.
- Ao nível do chão e solo pátrio... conspiração, rebelião, sedição, insurreição.
- A garagem do hotel Xaréu avenida Junqueira Aires fica embaixo.
- Por que que as ideias devem começar por dentro.
- As pessoas e não outras me telefonam quando estou repousando.
"O corpo sem graça e sem cabeça continua vagando pela redondeza desperta sobe da cova todo sujo de terra se sacode e caminha abandonado sem ver sem sentir não vai a parte alguma sem noção tomado de formigas-cuiabanas e se equilibrando como pode numa bengalinha de cerejeira-do-brasil. O vento mesmo sopra esquisito, faz remoinhos, joga areia nos olhos, assobia medonho, a lua faz sombra dos galhos da corticeira inventando imagens controvertidas, o sol de repentemente se tolda e o dia anoitece. De dia chia, mirréee!... o gavião-real em voos redondos e rasantes, de noite pia, ruuuque!... a coruja-diabo de olhos em brasa e voos ariscos e arriscados e rasantes e suaves.
"Por outro lado, em algum lugar do mundo, sobra inconformada uma cabeça sem dono sem corpo de toda barba sem voz sem brilho desaparecida sem estilo praticamente um pombo sem asas. Pendurada de um gancho na parede como esfinge ou espetada na ponta de uma tabica para servir de exemplo. Talvez malvista mal-afortunada num poço seco qualquer longe escondida apinchada na distância do nada do vazio sem igual mumificada exposta numa vitrine de museu em formol num laboratório de aprendizes, etc., jogada num campinho para futebol de pelada atirada num rio num penhasco num pântano fundo numa patente ou privada de casa em ruínas.
- As cidades devem levar o nome que têm e batizaram, São Gonçalo, Salto de Pirapora, Japaratuba, Tanguá...
- Mídia relógio digital e nem contém açúcar.
- O guaraná é uma fruta?
- Método ameraba biaribu de cozinhar.
"Lojinhas de venda de santinhos e velas e caixas de fósforos isqueiros. Uma oca de barro em forma de gota para depósito de ex-votos e pedras trazidas de longe pelos romeiros. Vendedores ambulantes vendendo sucos de pequi caju pitanga, etc. Quatro dois três meninos que ajudam os visitantes guiando os cegos e amparando os doentes. Dois casais de hippies sentados em postura de monges e monjas do lado das barraquinhas de pano vendendo colares e pulseiras e brincos de fios de cobre retorcidos feitos na hora. Carros e carros de placa em Santo Amaro do Sul, João Monlevade, Braganey, Angelina, Lindoeste... estacionados em diagonal no meio-fio. E assim a vila crescia e começava a se coçar desde a praça do centro oco.
"Os anos que passaram, se foram, não tornaram mais e vieram novos inventos. O lugar virou povoado e atração de rezadeiras de romeiros de turismo religioso de devotos de penitentes de desenganados. E ergueram uma ampla igreja para os padroeiros N. S. da Boa Morte, S. Cristóvão, N. S. do Perpétuo Socorro, S. João Batista, N. S. Aparecida. Depois cemitério de romeiros. Ainda um cemitério para mascotes de romeiros. Um templo quadrado soberbo aclimatado luminoso com pilares de mármore na entrada. Em volta da santa corticeira gigante tudo cresceu e foi se expandindo. Uma praça chamada Corticeira para acampamento com infra e canteiros de almeirões-da-terra de beijos-do-mato de marmeladas-de-cachorro e árvores e palmeiras e lojinhas e chafariz e bancos de sentar.
"Muita gente encontrou milagre ali. A Joana veio de muito longe de Maringá numa cadeira de rodas e saiu andando normalmente com suas próprias pernas. A Helena, original da ilha do Corumbé, juntou raspa da casca da árvore corticeira sagrada e melhorou da bexiga. O Lineu natural de Jateí buscou um raminho de corticeira e fez chá e deixou de beber a cachaça e outros destilados. A família dos Paredes Bolina, de Ipumirim, pediram graças que foram alcançadas e hoje já não brigam mais por pequenas coisas de herança. Aconteceu um criminoso com n mortes nas costas cicatrizes na cara e tatuagens pelos braços e pediu perdão de joelhos lágrimas nos olhos corpo todo tremendo cabeça recostada no tronco da corticeira e recuperou e voltou para sua cidade natal em paz. Um ônibus de sacoleiros vindos de Muritiba rumo de Cascavel oraram  pedindo proteção na ida e na volta contra assaltos e acidentes nas curvas da estrada. O casal de Dois Irmãos do Buriti chegou de olhos baixos mãos dadas óculos escuros pés no chão pedra cada um com a sua na cabeça e rezaram três dias e duas noites pedindo um herdeiro. Ana Justina Liceu diretamente de Céu Azul veio rogar a volta do namorado Giba que deixou o B para morar no exterior lá fora bem longe rumo ignorado e com a melhor amiga Cristina.
- Por onde andei e ou gostaria, Aperibé, Iracemápolis, Canas, Virgem da Lapa...
- Algo ou alguém colocou aquela mesa junto da janela da direita, porém.
- Nova Prata é minha cidade natal e escolhi ainda Porto Firme e até São José do Barreiro.
- Mormente os cabedais nas ilhas paraísos fiscais: contudo e entanto e conquanto.
"Eu mesma vinha caindo muito por qualquer motivo, vinha me machucando joelhos e os cotovelos sem mais nem menos, vinha com dificuldades para dormir nas noites quentes ou de ventanias, problemas na vista cansada e embaraçada, falta do que fazer nos longos e vazios fins de semana tardes de domingo férias de fim de ano, capitosa, etc. E fui fechar o corpo e me benzer e pedir a bênção ali com a dona Ingarana mãe de santo moradora da casa de verde de aberturas azuis e que graças a D me curou me salvou me ergueu do fundo do poço me recomendou infusão de folhas de corticeira e porque eu estava mesmo no fundo do poço mais fundo e cavando.
"Hoje funciona uma cidade emancipada com todos os atendimentos comerciais civis militares naturais e sobrenaturais, todos os acontecimentos, farmácias bem equipadas, armazéns bem sortidos, postos de gasolina com loja de conveniência, hotéis e pousadas para todos os preços e viajantes visitantes, igrejas e templos instalados com alta frequência, as ruas com nome de político morto poeta consagrado apinhadas de ônibus e micros de todos os lugares do mundo, São Miguel do Oeste, Entre Rios do Oeste, Pedra Bonita, São Francisco de Itabapoana, Palhano, São Sebastião, Coelho Neto, Caxias, Maracaju, Araruama, e outras que eu vi... Tapes, Itabirito, Mariana Pimentel, Itambé... O poder público é aquele que estamos acostumados em toda parte e que só funciona segundo os interésses deles mesmos, políticos que só saem das locas de quatro em quatro anos. Inclusive uma associação de Encontros de Casais Sem Filhos e outra de Alcoólicos Anônimos Desenganados já abriram para associados. Uma vez por ano no mínimo o grupo de caçadores de óvnis acampa ali pertinho sobe os picos Pedra do Baú, Bauzinho, Ana Chata nem que seja para confraternizar tomar chimarrão e fumar maconha. Alguns voluntários cuidam de espalhar mudas de plantas e de árvores para não degradar o ambiente muito procurado, capim-da-colônia, periquiteira, cana-do-mato, xiputa, cereja-do-mato, guajuvira-branca, cambuí... e corticeiras muitas corticeiras a árvore sagrada símbolo da cidade santa.
"D continua longe mas de olho nestes dias e acontecimentos, aquarela.
"A represa de Juturnaíba anda baixa mostrando carcaças de automóveis geladeira sem porta rasteirinhas de pés perdidos panela amassada cacos de prato cabo de guarda-chuva garrafas de cerveja vazias latinhas de refri amassadas velho armário de porta aberta pneus de trator sofá rasgado nas poltronas tevê de tubo...
"Pois é! Não chove a oitenta dias e setenta e nove noites sem uma semente de nuvem branca para procurar D. Um sol para cada um para qualquer um.
"Reclamando assim, eu fico bem mais mal-acostumada. É impossível, nunca fui D, mas como quero aprender!"
A guria Sílvia finalizou a prosa com a boca espumando. Parou de pensar, limpou os lábios com as costas da mão, lucubração, olhando a chuva que amainava. Após mais uns dez minutos, voltando de onde?, antes de arriscar uma corridinha e se mandar, se despediu, entoando:
- Agora, se me dão licença...
Quicando fugindo das poças de água na calçada da rua Timóteo, foi no rumo da loja. E correu com uma pastinha encobrindo a cabeça dos últimos pingos da chuva. Correndo com cuidado de modo não escorregar pisar em falso nem atropelar nem ser atropelada.
O pai do Joel ficou ainda por ali. Saíam se mandavam alguns aproveitando que a chuva dera uma trégua outros chegavam e paravam suspirando, etc.
É, a Sílvia não tinha o menor defeito; a moça era tudo isso e aquilo; sonhadora olhar de distante horizonte sempre procurando imprevistos e mistérios; mas não se sabe nada de ninguém, etc: meditava assim sim senhor o pai do Joel.
Até que enfim antes da 10h o vendedor de algodão-doce, fom! fom!... anunciando o produto com sua tradicional corneta de ar:
- Algodão-doce especial!... Algodão-doce caseiro!... Algodão-doce artesanal!...
As alamedas estavam calmas estavam molhadas da chuva, capitaris pingando, estavam praticamente desertas...
O vendedor de algodão-doce ia em frente anunciando seu produto. Numa das mãos a corneta de ar na outra segurando um cano plástico enfeitado de cores.
- Agora algodão-doce direto de fábrica!... Algodão-doce sabor laranja abacaxi jabuticaba!... Algodão-doce de graça para a moça feliz aí que passa e nem me vê!...
Meia hora depois o vendedor parou para descansar. As alamedas da praça estavam calmas as ruas da volta da praça estavam praticamente desertas as braúnas-do-sertão lavadas e contentes as marrecas-carijós saltitantes e faladoras e famintas os carrapichos-da-calçada revitalizados os canários-do-ceará ensaiando casamento os guaribas-pretos balançando galhos comendo frutos do abieiro.
Pois então o homem vendedor de algodão-doce se sentou no capim-gengibre do barranco junto ao canteiro das ervas línguas-de-vaca assustadas. E esperou. Cano de pvc plantado carregado de algodão-doce e acompanhado de olhar vago.
Era muito cedo. Era já muito tarde. Sem mais nada.

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