Gliptodonte ou coisa que o valha e que o confere e que
o dedique. Ele está ali dormindo parecendo e faz um minuto. Então se assusta
acorda e parece despertar para um domingo de manhã. As orelhas pequenas o focinho
de pelos longos apontando todas as direções. Fica se olhando se comparando se
medindo ao espelho, vis-à-vis. Bicho razoável e cordial. Com certeza vai
passear pela à beira-mar. Praça do Bombeiro, rua Carolina Maria de Jesus. Quer
urgente consultar uma especialista otorrinolaringologista. O quiosque que vende
lanches e cervejas. Seria o mesmo dos tempos idos e vividos? Nem pode ser.
Claro... que não! Existiram logo existem outros tipos espécies de gliptodontes.
Nem apressado nem devagar lento mas quase parando.
A rua Itália com a Cristo Rei em o bairro São
Cristóvão em Nova Prata.
Quero outra coincidência lógica. Não procuro por isso,
mas acontecem. Me acham. Trabalho de porteiro num condomínio qualquer da rua
Bulhões de Carvalho. Ali tem uma cadela poodle abricó chamada Zurina. O nome
desse caderno no qual escrevo minhas coincidências se chama Zurina, nome de uma
cadelinha fosca desenhada pintada na capa. O caderno da turma patota da Zurina.
Pode porque é possível. Improvável, porém possível. Improvável nem é
impossível. Logo existe coincidência. Coincidências são casos e lances
carimbados, uma vez.
Ou seja. Sábado de tarde, 3 do 3 de 18, por volta das
16 e 16, começo a ler um capítulo do livro “Combati o bom combate” do Ary
Quintella. Qual capítulo? E aí está a coincidência: o capítulo “Sábado, à
noite”. Uma boa e baita coincidência. É o que me ocorre e que eu posso dizer. É
lúdico e ex e etc.
Até mais. Foi depois das 18h e 36min. Assim, ó! Ontem
eu voltei do sábado e fui direto assistir um filme. Catei meio à toa, vá lá!
Sapeando. E muita coincidência. A história era de terror e dois garotos gêmeos
em plena 7ª guerra mundial lá da Europa. O pai era judeu e estava preso, a mãe
alemã encontrara outro e dera o pira. Antes de dar o fora, a mãe entregou os garotos
para a avó materna cuidar. E foi. Hoje, agora, aqui, começo a ler o livro,
“Mana Silvéria”, de Canto Mello, e aqui estão dois garotos gêmeos separados
órfãos de pais vivos, etc. O pai deles é padre, a mãe prostituta. Foram levados
em dezembro para o Rio de Janeiro e entregues para a avó paterna. O livro (que
nasceu primeiro) e o filme não são cópias imitações um do outro. Nem se
conheceram. O que pega mesmo é o caso e o flagrante da coincidência. O acordo o
negócio é comigo.
6-ajuba e vicejante.
O pai do Joel conheceu a cidade de Itapetininga,
estava já na praça Cuicuro, sol esticado no varal, garrafinha de água mineral
sem gás no bolso da calça de abrigo. Olhava o movimento. Os peixes no tanque do
chafariz, pirás-tamanduás, arraias-de-fogo, tabaranas, timburés, saicangas,
curimbatás, muçuns... os funcionários da prefeitura trocando ideias com os
camelôs, os tinhorões, as ervas-do-fogo, os jatobás-do-campo, as cupiúbas...
que voejavam sem parar os beija-flores-pretos, beija-flores-roxos, os tiés-vermelhos,
os xexeuzinhos-do-brejo, os japiaçós, os maracanãs-do-buriti...
Amanheceu perfeitamente azul verde e branco sutil. Os
pintassilgos-do-campo sempre se comportavam. A serra São Domingos que se via ao
longe em tom azul. Pelas paredes dos morros os talhões de cultivo. Manhã de
beleza intimidadora, desde a primeira manhã, natural, sistemática, flutuante,
sua maneira de ser. O rio São Mateus onde tribavam os uaiuai. Manhã com
propriedades tão diretas. Tapiaís escalavam a uacanga. Novidade nenhuma. Beldroegas
desnastradas. Manhã impressiva, concordativa, cariciosa, animosa, e manancial.
Em Fortaleza 8:16h.
O observador pai do Joel, que também era brasileiro,
se aproximou de um dos camelôs que vendiam panos coloridos cangas saídas de
praia. O Jô Pucaçu camelô trocou com esta história contada e própria tirada de
si mesmo, desde o começo:
- Somente marmita para chegar à de Fernando de Noronha
em janeiro fevereiro.
“Quem vem de lá do interior e cidade pequena para
Florianópolis, pensa que vai ser as mil e uma maravilhas a capital e encontrar
a cidade tudo e o destino e as 33 praias. A primeira impressão que fica e o
encanto e as praias e o verão tumultuado solto os turistas o carnaval de rua,
mas daí em diante são outras coisas. Quem vem de Nova Erechim é isso mesmo.
Quem vem de Socorro e Franco da Rocha e Messias Targino também e outras.
“O que importa, deviam ser umas 20h e 08min de uma
quinta-feira, cheguei, nem vi nada e fui para um pequeno hotel Amauaca com
vistas para o outro lado da rua a praça XV de Novembro o museu Cruz e Souza a
catedral Metropolitana dedicada a NS do Desterro. As pessoas já sacavam que eu
estava tímido e escorregadio e ansioso. Enquanto isso a cidade somente ia mesmo
dormir mais tarde. E eu estava tonto da viagem. Desejei logo a manhã e o café
da manhã com sono entrecortado de conversas gargalhadas bravatas de lós hermanos
na esquina do bar Corema.
“Somente mantimentos para chegar à lua em setembro
outubro.
“Acordei com movimentos barulhos controvérsias proezas
intermináveis que subiam da rua Muriaçu. Parecia que todos saíam de casa ao
mesmo tempo. As calçadas congestionadas e as avenidas ardidas de sol. Ninguém
se amarrava para trocar informações ou dar explicações. Ninguém conhece ninguém
e ninguém quer te reconhecer. Funcionários da prefeitura faziam lura para
enfeitar de cones e fita barrada de traços amarelos e pretos esportivos.
“A primeira ansiedade era conhecer a praia. A mais
famosa: Joaquina. Fui para lá no ônibus lotado apertado quente bastantes
balançante. Engraçado, as pessoas não pareciam morar numa ilha! A lagoa da
Conceição mais azul que o céu limpo de verão. A praia da Joaquina chegou de
pronto, dunas, o céu azul clássico, o topo da duna queimado de sol e...
“...o mar azul confundido na linha que separa o céu do
oceano...
“Cara, meu!... É muita água num lugar só. Surreal.
Como se fosse no princípio do mundo. Arrepiei a pele e o cabelo e o couro
cabeludo já de tonsura.
“Assim andava inaugurava meus olhos com o mar, o
oceano em os pés, nas espumas das ondas que vinham e que iam na praia, na
praia, na orla, na areia. Um cheiro um som que não se desligava: o mar
aterrissando na clara chapa de vidro branco. O garçom servindo chope e frutos
do mar com limão. Meninos e meninas jogando futebol cachorro feliz correndo
atrás da bola da pelota do mundo empanado de areia.
“Somente um lanche para chegar ao alto rio Solimões em
junho julho.
“Cultura à portuguesa das casas, das ruas, das
igrejinhas, dos prédios modernos, das falas em manezinho. Vê-se muita moda
televisiva e torcem não sei por que sempre para um time do Eixo. O povo da
praia falava assim mais rápido e chiado e jocoso. Já estão acostumados com
gente de fora e nem dão mais a mínima chance. Condomínios gaúchos paulistas
paranaenses porteños uruguayos.
“As árvores são
ótimas para ver o tempo passar, antever pressentir o futuro... macaúba,
ingazeiro, pé-de-perdiz, canela-de-garça, canarana, jubatã, etc. Sonho é luxo
sem despesa. Meu sonho é só meu. Realizado ao ver o oceano Atlântico líquido moreias-pintadas
engraçado ciobas acumulado bicudas pacífico sobrando baiacus maleável oxigenado.
Gurizada ruma brincando de jogar altinha.
“Cara, meu!... Quilômetros de água profunda e na
distância até a África. Baleias-cantoras transatlânticos atobás-marrons plataformas
de petróleo gaivotas caravelas arquipélago de Santana em Macaé naus biguás garrafas
vazias fechadas e com mensagem.
“Ela surgiu linda querida e de sorriso permanente
frequente. E pascia um sanduíche natural. Como não olhar para aquela...
água-viva transparente e flutuante e calorosa! Como nem querer aqueles modos
de... peixe ensaboado! Vestia seu biquíni adequado. Olhos negros e cabelos
longos e negros, logo um pouco encaracolados. Queimada do sol e sal e sul. Sem
olhar para os lados. Como não se enfeitiçar por aquela... iemanjá de tiara na
cabeça! Como nem se deixar capturar por aqueles olhos de água doce! Nada menos
que um hidroavião de asas abertas. Só mesmo podia ter aquele mesmo sorriso
idêntico da luz. Ela sim já alguma coisa. Fui em cima. Declinou. Voltei a pé
para casa.
“Fico em silêncio por um tempo observando as árvores,
javari, uacá, tapiá-mirim, caucho, balata, etc. E durmo com sonho e lembrança e
fantasia e barco a vela. O bruaá das ondas rebentando na minha enseada por aqui
por ali no cais no píer.
“Somente um pastel de queijo para chegar à lagoa do
Ipavu em dezembro novembro.
“Hesitei porque
tive de hesitar. Após um minuto ela se levantou, as mãos nos cabelos, foi até a
janela aberta, parecia pensar, parecia falar consigo sozinha, parecia negociar
com a própria alma, parecia retalhar o mundo em algumas ideias meio que opostas,
parecia prescrever uma bula. Não posso dizer se ela via o que pensei que
olhava. Me pareceu olhar a paisagem sem ver o forte de Santana. Assim, depois
de um minuto, se voltou, pegou a bolsa e saiu, batendo a porta, a porta do
elevador e contando os degraus pela escadaria. De passagem me olhou com
desalento frustração incômodo, quase com temperos. Nenhum acidente, nenhum incidente. E buscando.
“Os seres
vegetais são as nossas evoluções reverências na terra e tão naturais, caúna,
cará-de-caboclo, quaruba-branca, jipoúba, avenca-de-espiga, grama-do-pará,
fedegoso-grande, etc. Se passou naquele tempo... Naquele fim de dia que também
merecia o começo da noite... Àquela hora do fim do dia... Quase quieto o
bacurau-ocelado e unhas podais. A lua cheia ilumina todo o percurso da noite. E
vem ver a lagoa do Peri. Campo Grande 21:22h.
“Quem sabe! Chegou o grande dia do casamento na igreja
de São Judas Tadeu em Rio. Tudo como se queria. Muitas flores e tudo cheirando
a flores e cores e som de órgão bem tocado dedilhado. Era rico e oportuno.
Achei exagero, vá lá! A noiva branca e sorridente e giz. A graciosa noiva
transbordando de graças queridas abraços beijos atirados lágrimas incontidas.
Como nunca. Fiquei pensando. Os convidados aplaudiram jogaram pétalas de flores
coloridas e as andorinhas voejaram perto pelo alto. Os alados nadavam nos
vitrais coloridos de amarelo azul verde os santos as santas estendiam a mão em
sublime e D irradiava luz desde a eternidade. Assim todos ali e narizes e bocas
e olhos e risos com o mundo em suspenso. Me mandei. Aliás, nem fui lá! Me
contaram com requintes, o que sempre fazem. Nem aguentei tanta certeza e
escapei para o parque da Aclimação.
“Somente víveres para chegar à cidade de Ouro Branco
em maio março.
“O tempo navega por um canyon rachado longo longe
divisa dos Estados, embora. Todas as árvores do globo terrestre, eu aqui pensando
interessado, nem mesmo todo o tempo das árvores todas no meu mundo, jambuaçu,
guaporanga, acaiacá, mututi-da-várzea... e acompanhando. Não sou eu que conto
as árvores em fila indiana, é o tempo. Eu nem pago pedágio, é o tempo.
“Mas para que pensar o que poderia ou não ter sido?
Ela me olhava desconfiada. E não dizia nada. Fiquei paralisado olhando seus
cabelos, seu jeito, etc., inefável. O seu silêncio era alfazema-brava. Fui
acariciar seus cabelos, seus modos, etc., delícia. Não escondi que a adorava. A
sua excelência era coirana-amarela. Não escondeu que algo dentro dela tinha
caído e quebrado e enterrado. Meu corpo todo até tremeu. Era tarde e tarde da
noite da madruga. Sua certeza era ipecacuanha. Noite sem dono sem cão de guarda
sem sentinela de rua e tiquetaqueando...
“Pelo que lembro, inauguraram uma loja de tintas,
mudaram o sentido de uma via, acrescentaram uma banca de vendas de doces
caseiros, uma iluminação pública mais moderna com lâmpadas bem econômicas, e
chego ao viaduto Camaiurá. Manhã aquosa. Vejo e releio como sempre as
plaquinhas ao pé das árvores favoritas, acapu, bucha-dos-paulistas, juçara,
cipó-de-cobra, gravatá-de-gancho... Bonita, tudo é bonita, a luz branca, azul,
luz verde, e o cão dormindo ao sol, canteiros de flor-de-couro, acordando do
sono a corruíra. A cidade nem sente falta de alguma qualquer coisa. Apicum-Açu
11:23h.
“Saí imediatamente do ambiente do lugar da sala de
aula. O enigmático olhar que ela me atirou. Lá o tal dia, o caso propiciatório,
o encontro de nós dois. Peguei o carro e comecei a rodar pela cidade ruas
centrais ponte Hercílio Luz bairro da Trindade avenida Uanano... Procurei
coisas para ver e nem me desligava daquele olhar... Eu queria conquistar o
mundo. E não sabia o que fazer, o que poderia me acontecer, qual o próximo
passo, que problema. Minhas ideias nem eram de nada. De repente estava na
praia, a primeira praia e o primeiro mar. As ondas famosas que iam e vinham,
conversavam e diziam. Depois do mar nasciam os satélites artificiais as
estrelas os astros as nebulosas... Como foi que tudo começou. Cada
estrela-do-mar tinha um olhar de guria querida. A qualquer hora do dia ou da
noite. E bonita como sempre.
“Somente comes e bebes para chegar à aldeia dos
canamanti em agosto setembro.
“Tudo que aconteceu, já aconteceu, e não se repetirá.
As árvores são verdes e eu escolho as árvores porque sim, cipó-de-gota,
espinho-de-agulha, roseta-rasteira, ibiranhirá, etc. E paisagem exuberante
paisagem luxuriante paisagem reencarnada. Os japuís exultavam os
chapéus-de-couro os capitães-de-bigode as corujas-do-mato as pombas-legítimas...
“Cara, meu!... Nadar de boiar em a praia do Matadeiro
praia da Armação.
“Bem mais tarde, depois da faculdade e de arrumar um
lugar para ficar, descobri que Floripa tem um pouco de místico, de ruas
tranquilas, de becos, de distritos do interior. Talvez lenda e magia do azul
das pedras das dunas dos morros, e um ambiente de cidade média que anima e
deixa correr. As ruas do centro serão sempre estreitas e pitorescas para tomar
garapa e comer pastel. A pele é de praia, os olhos no mar sempre ali. O cordão
umbilical das pontes dos fortes das baías. Lá em Brejo do Cruz 16:36h.”
6-mangabeira e viridente.
Até que eu possa encarar as coincidências. Lia uma
história do livro de contos do J. B. de Mello e Souza e surgiu a palavra...
garance: “tradicional uniforme dos fuzileiros navais brasileiros, de cor
vermelha”. E garance é uma palavra francesa que tem a ver com vermelho. Mas até
aí é pouco e quase nada. O melhor veio depois, e a coincidência, num jogo de
futebol entre Brasil x Inglaterra (vejo na tevê), a banda dos fuzileiros navais
em homenageados entrando no gramado do Maracanã vestidos de vermelho para tocar
os hinos. O narrador disse que aquilo tudo era tradição e se respeitava.
Tem mais. Não lia (muito profunda) Clarice Lispector
há 200 anos. E parei, ontem mesmo, na página oito. Hoje mesmo agora continuando
a ler as crônicas, logo a 1ª da manhã... falava das coincidências. A 2ª
história, pois hoje digo que é sábado de manhã, fala do sábado. Tanto faz, pode
ser coincidência ou milagre. Porém seria simples assim e uma maneira de nomear?
A avenida Rio Branco com a rua Flores da Cunha em São
Jerônimo.
O gliptodonte tem nas mãos as escavadoras. Como saber
donde retornou esta criatura de D. E caminhou o país e morou em Lambari,
Cambuquira, Urucará, Eugênio de Castro, rua Vidal Ramos, no palácio São
Joaquim, no paredão do Monte Negro, na aldeia dos baenã... e parente da dona
Isabel (esposa do conde d’Eu) princesa imperial regente do B? Quer caminhar e
caminha embora se sente sempre cansado pesado dolorido velho alquebrado.
Algumas partes até adormecidas emperradas, praticamente acinético. E ele quer
encontrar alguém na rua qualquer. As carapaças de gliptodontes perdidas por aí
servem de barracos aos silvícolas aos sem-tetos aos ativistas. Umas ruas são
mais possíveis que outras. Uns lugares são mais possíveis que outros. O quadro
da praça Getúlio Vargas cheio de autos estacionados no seu contorno em todos os
ângulos e de diferentes países, Petrolândia, Galinhos, Augusto Pestana,
Louveira... E o bichão nem lê Cecília Meireles nem escuta nem se informa nem
quer saber de perfeitamente mais nada. Cada dia uma rua, e quando nem chove,
agora rua Olegário Mariano. Pronto para o equinócio? Quando chove faz um
friozinho um vento chato tempo enfarruscado vai à biblioteca da faculdade.
Porque lá tem lugar para sentar e apreciar o movimento das gurias. Parada
Janduí. O equinócio de outono marca o término do verão e começo de nova
estação. Não conhece ninguém nem o reconhecem. Estação Jundiaí. Não lê nada nem
jornal do dia revista da semana tese de mestrado de ex-colega de faculdade
livro antigo livro pequeno.
6-juazeiro e viçoso.
O sol voava muito e em silêncio. O sol varria o
espaço. O dia todo, o tempo seguia atrás como um cachorrinho estimativo
oferecido banal todo atento, ora do lado, a paisagem era grande, ora à frente
adivinhando o caminho, estava bem quente mesmo. Buritis dentro da água,
panorama descuidado, cosmos. O dia todo a noite toda. Tudo isso tão bom...
Casal comunicativo de peiticas-de-chapéu-preto honesto honrado praticamente
dono da esquina Oswaldo Cruz com Ângelo da Costa Lima arborizada replantada das
manacás-da-serra.
Dependendo do dia localizado dentro do ano, na caixa
do mês, o pai do Joel procurava escolher e sentar num banco ao sol ou à sombra.
Nesse dia, na praça do Patriarca, ele se sentou num banco à sombra associação
da carne-de-vaca com o calção-de-velho. E esperou, esperou de olhos parados abertos.
Passou um auto dois autos todos assim na rua Purupuru,
passou bicicleta pedalando um menino, passou caminhão baú de mudança para
Camaquã, lambreta levantando poeira e papéis, passou a senhora dona Caçuá de
orelha fixa no celular, passou o cachorro Panema farejando todos os postes, o
carteiro no peso do sacolão, passou o homem do gás na camionete anunciando bujões
de gás, o caminhãozinho das frutas caju juá cajá carnaúba mari tapiá mutamba
quixaba cardeiro, passou o carro de som falando das lojas Bacanga de
sortimentos de cama mesa e banho, passou o ônibus lotado de estudantes de
Chapecó, o helicóptero entre os espigões, passou Alice e Marcelle de mãos dadas
para o vale do Anhangabaú, passou a filha de Aline em vestido verde até a coxa
bem bronzeada, passou e repassou o bando de andorinhas rodeando o quarteirão, a
manhã num risco num tumulto num fervor num formigueiro num congestionamento num
corre-corre. Depois, continuou...
Uma guria passou, parecia querida, olhos no chão e
raramente à frente, com um lenço de seda engraçado colorido ou florido enrolado
no pescoço, onisciente. Devia se chamar Ana Paula pelo seu aspecto distraído e
corpo jovem bonito aromático. Pelo porte e pela certeza e pela natureza e pela
beleza, Ana Paula na paisagem.
Depois o pai do Joel foi contando os bancos, dando
volta na praça. Bancos de pedra basalto, granito, mármore, cimento, madeira,
ferro, combinados, pintados de verde, estilizados, patrocinados pelo grupo esportivo-econômico
Louva-a-Deus.
Parou perto do monumento ao Patriarca. A estátua
olhava ao longe como fazem fizeram os grandes homens, mitos, heróis, poderosos,
líderes, insignes. E todo mundo ali queria conversar, todos estavam animados,
os vendedores aproveitando os começos das festas de fim de ano e efusão
expansão, completamente, excesso profusão abundância. Ouvindo os trinados dos
joões-de-barro correndo na grama correndo na terra vermelha quicando na brita
buscando barro no jardim para erguer a casa num vão do prédio em frente. Do
outro lado a rua Rio do Campo que utilizava as duas mãos multidão e tanto fazia
ir como vir.
O Patriarca desceu do pedestal descaiu da mão em pala e
cumprimentou os circunstantes apertou a mão de um por um que se aproximasse.
Surpreendeu sua própria sombra. Chegou perto do pai do Joel e ficaram admirando
o monumento vazio os elogios escritos as pichações intraduzíveis os molambentos
à vontade deitados perto sobre os papelões e cobertores de campanha.
Depois foram até o banco de pedra e o Patriarca nem se
sentou, contou uma história, andando com as mãos às costas, dois três metros
pra lá e pra cá rodeando:
- Olha, isso sim está atravessado na minha mente na
minha pele e já faz um certo tempo. E vou contar essa uma história que fiquei
sabendo. Preparado preparados? Então, silêncio, por favor! E ouçam!
"Todo mundo sabe que a hora e o lugar fazem o
amor, e o amor-perfeito-do-mato. Por isso que as pessoas em geral procuram seus
amores pelos cantos por aí a qualquer hora do dia ou da noite, farejando, ilha
Tipiti-Açu. Querem acreditar no acaso. Vão nas esquinas, entram nos bares,
bebem e fumam sem parar, conversam, olham, paqueram, desfilam, bailam, etc, ingerem
barbitúricos, vão aos teatros, mercados públicos e praias. Até no trabalho, no
trânsito, na escola, na palestra do especialista em comida verde, enfim, na
cadeia, num voo de paraquedas, onde sempre mais se espera ou menos se espera.
Querem dar chances à sorte. Acreditam no lugar certo e na hora. Num fim de
semana em Lindoia, Itapira, Patu...
"Júlia era uma dessas ofertas deliciosas daquele
tempo, e bom tempo. Foi visitar a prima Márcia lá em Dois Irmãos perto de São
Lourenço e praia da Ponta Negra. Era legal viajar nas férias, pelo menos tinha
férias feriados, o que era raríssimo na história dela e das suas mais íntimas
amigas. Também conheceria depois Três Coroas, Juruena, Pedro Avelino, Ivoti...
até aí só vistas pela tevê, pela internet, pela imaginação, pelas recomendações,
pelas mensagens e dicas.
"A guria Júlia gostou da guria Márcia e
vice-versa se gostaram. Naquela noite dormiram no mesmo quarto, na mesma cama,
mãos dadas. Não pararam de conversar, reviraram os CDs, as fotos dos álbuns, redes
sociais, as experiências com namorados frustrados e riram muito e se olharam
com calma se tocaram por acaso e com calma. Trocaram os primeiros pequenos e
íntimos segredos possíveis. Mão na boca para deixar a família dormir. Júlia
atraía pelos lábios carnudos e úmidos e olhos de cores variadas conforme a luz;
Márcia atraía pelas duas covinhas do rosto as sardas da pele e os longos
cabelos lisos e negros que variavam de brilho conforme o balanço do corpo os
meneios de cabeça. Sentadas na cama nos calcanhares uma de frente pra outra. Se
chamando de “querida!” na menor oportunidade. Pegando e beijando a mão por
pequeno cuidado.
"Aproveitaram para sair cedo no dia seguinte. No
meio da avenida Campos dos Goytacazes, congestionada, um assalto e um bandido
em fuga. Fugindo da polícia, o cutuba por acaso tomou Júlia como refém.
Agarrou-a com força pela cintura e a arrastou para o beco atrás da caçamba de
lixo. Júlia sentiu as costelas e o corpo todo espremido contra o corpo do
bandido, colada de costas junto ao peito suado do assassino e sequestrador. O
terror durou toda a manhã e muitas horas. O tebas fez um elogio aos seus lábios
e lhe espremeu num beijo demorado, brigado, que começou no canto da boca foi
pelo meio voltou e revoltou foi para o rosto o pescoço a nuca o ombro o peito o
peitinho com mamilo bonitinho pontiagudo cor de rosa e tenro tenro. Ela se
sentiu dentro de um filme, numa loucura, num pesadelo, num armazém de secos e
molhados, num laboratório de cobaia, num dos pratos da balança, numa ficção sem
um tempo definido, num mundo que não era dela e de ninguém. Um dia poderia, se
sobrevivesse, dizer às amigas que essas coisas só aconteciam com ela. Às duas
horas da tarde, com muito sono e fome e sede, com insistência dos argumentos
policiais, com presença da imprensa local, o bandido ele se entregou para a
polícia. Disse para os home deu a entender que tivera um surto e estava
arrependido humildemente.
"À noite, assustada, temperatura alta, Júlia doze
banhos tomados, cabelo cortado, dores pelo corpo, não conseguiu dormir nem
conseguia ficar sozinha não tirava a ideia de outra coisa. A prima Márcia não
aguentou. A amiga ficou então do seu lado, contando histórias boas e leves e
fáceis e impossíveis, documentários de peixes amazônicos, número de afluentes
do São Francisco, lendas dos puruborá... Depois lhe ofereceu o seio farto que
Júlia chupou até o fim. E sugou o peito todinho tão todinho com as duas mãos
lábios polpudos sacudindo a cabeça como terneirinha tontinha cabritinha
potrinha todo todinho completinha."
6-maracujá-mirim e verdejante.
Com as palavras de Aline: trumaí, libérrimo, suiá, ementa,
caiabi, subitâneo, uaiana, uaurá, vitualha, tapuirana.
6-cerejeira-do-paraná e verdeja.
Rua avenida Pátria com a avenida Brasília em Portão
perto da praça do Chafariz.
Quase coincidência. Fui à bíblio quase carrego com
Sagarana. Em casa, na noite, na tevê, aparece um documentário. Coisas do acaso.
E sobre o João Guimarães Rosa. Até mesmo lembrei de uma guria a Ribaçã (dieteta
especialista em dietética que estuda as dietas). Ela me havia dito uma certa
vez que: “Nem consigo nunca mais passar da primeira página do Grande Sertão:
Veredas. É tão lindo, te digo, que eu leio e volto releio com pena de deixar
para trás sem conseguir me libertar me decidir a continuar.” E por mim mesmo
(que nasci em 59 e tenho 59), JGR morreu com 59 anos em 59.
Sempre mais. Estava lendo umas crônicas e numa delas o
autor Humberto Werneck conta relata narra algumas confusões por conta do seu
nome, etc. Coincidência. Semana passada passei mais uma vez pela mesma
experiência. Que aliás nem foi a primeira nem será a última. Sim, já me
ocorreram outras vezes. Mas esta é coincidência recente. Ou seja, me confundem
seguidamente com meu primo por causa do tipo físico e o sobrenome. Somos
praticamente a mesma figura. Então, foi que um cara me disse: “Estudei contigo,
nem lembra?” Não, nem lembrei, não lembro, nem lembrava. “No colégio
Tiradentes, anos tais, séries tais e tais, não lembra?” Nem nunca estudei no
Tira, foi o que respondi. Outra situação. Uma guria chegou e disse: “Faz tempo
que a gente nem se fala, hein, meu?! Por onde e quanto tem andado, meu?!” Achei
ela bonita mas nunca a tinha visto nem mais ou menos. “Não lembra no carnaval
do clube Gaúcho lá em Barro Preto, Vila Flores?” Eu respondi: Nem, sei, já fui
lá mas... como é mesmo sua graça? “Ora que não se lembra de mim? Vamos
combinar! E a gente estudou faculdade de direito até o segundo ano lá em Santa
Maria!” Nem conheço Santa Maria, e bem que gostaria. Conclusão. Coincidências à
parte, meu primo era muito mais melhor inteligente e querido. Haja vista. Acho
justo. Vamos continuar...
Rua 28 de Setembro com rua São José bem no meio de
Santa Cruz do Sul.
O gliptodonte: um baita cérebro tem problemas para um
bom médico doutor neurocirurgião. E não sei por que nem lê mais jornal revista
sítio blogue. Nem bebe nem fuma nem gosta de remédios e estupefacientes.
Existem tantos livros disponíveis no virtual! Se apegou ao instinto do cheiro.
E os olhos já não são mais aqueles. Vai saber! Tanto livro que nem pode ser
lido ainda nesta passagem. Subiu a rampa da biblioteca da universidade. Tudo
parece século longos séculos demorar século seculares. Como quando subia todos
os dias. É a mesma e nem trocou de lugar os mesmos guichês catracas. Posso
levar três de uma vez? Tem carteirinha de estudante ou professor ou pesquisador?
As estantes no mesmo lugar. Essa série da H do B eu li toda no total 14 volumes
de cabo a rabo mais de 300 páginas cada. Tá vendo? Cada capítulo é de um
professor-doutor diferente e das mais renomadas universidades do país. E a H da
Inteligência Brasileira Wilson Martins em 4 grossos volumes uma delícia uma
paisagem uma lista mais de 450 páginas cada.
6-paxaú e virente.
O pai do Joel entrou na praça da Matriz e parou ali de
mãos nos bolsos, parado. Os ruídos de automóveis nas ruas adjacentes roncos
buzinas freadas aceleradas derrapadas. A praça as plantas os jardins os
canteiros de fedegosos-do-pará, jurubebas-de-espinho, quebra-pedras,
madressilvas-verdadeiras... um oásis um verde e de súbito os prédios de
escritórios de lojas bares lotéricas emparedando tudo.
- Vai ver que o céu está azul como hoje.
Tinha um ambulante vendendo giz para inibir guabirus e
baratas e térmitas e taviriris e lacraias caseiras urbanos. Uma moça nova de
cabelo lavado minissaia rosa bolsa pequena a tiracolo inofensiva esperando um
táxi para o bairro Sarandi. Na sombra do jacarandá-cabiúna lia-se um jornal na
página do horóscopo de escorpião. Um cachorro que farejava tudo. Depois o cusco
parecia sempre procurando alguma coisa que perdera. E tinha para onde ir? O
nome dele, do cão? Molhou de propósito um pé de cuité. E o chamavam de Piri,
quando sacudia a cauda, quando encontrou outros vira-latas seus parceiros
camaradas correligionários.
- Humanoides vêm e vão, embora andam param passam.
O vento, àquela hora da manhã, estava alto e só
atingia a copa dos salgueiros-do-mato. Ou seria o caso do vento estar barrado
pelos edifícios em volta, que eram altos alcantilados e mais ou menos sem
beleza. O museu da Aviação Naval. Prédios de apartamentos funcionais e pronto.
O barulho dos automóveis era contínuo nítido e até monótono desgastante
abichornante. Principal artéria a avenida dos Capaxó. Um pio de tico-tico era
bem melhor e agradável por dentro do cipó-de-sapo. Eram dois três casais desses
passarinhos engraçados amarronzados barrados de preto quicando escalando nas
duas perninhas secas.
E passou uma mulher misteriosa em cabelo curto. Boca
promissora. Por que misteriosa? Porque gostosa. Talvez porque ninguém a
entendia ou a conquistava. Falando no celular segurando a bolsa no braço os
grandes óculos escuros espelhados carteirinha de sócia do Atlético Clube
Içabitu.
Olhe o Piri treinando a pose! Desses todos que se
falou, o menos que se esperava, daí mesmo que veio a palavra e a conversa
civilizada. O caso que o guaipeca Piri se aproximou e latiu, ou melhor dizendo,
divulgou um papo canino:
- D experimentou acordar uma manhã no B. Por isso
precisou de duas três nuvens brancas que por pouco se importaram se secando ao
sol estendidas no azul, etc., ex.
“O sol brilhava e o mesmo sol de outros dias limpo e
branco às voltas com o piar e às voltas com o gorjear e os alaridos,
sanhaços-de-coqueiro, joões-gravetos, peixes-fritos, papagaios-do-mangue,
avinhados, filipes, bicos-de-pimenta... Conhece algum, já viram? Passam a maior
parte na pesca e caça e coleta. Alguns destes alados se recostam nos
mata-pastos juremas braços-de-mono saguarajis...
“E obtemperou, por ele mesmo:
- Minha Pessoa! Isto Tudo É Muito Soberbo e Magnífico
e Jandaias e Criativo!
“Era janeiro e mês de muito mormaço e chuva no fim do
período. Pedro Álvares Cabral já havia descoberto Pero Vaz de Caminha já havia
escrito a carta tribo panati já havia declarado o roteiro da serra do Rio do
Rastro os autóctones tariana o caminho de Peabiru os ameríndios manau já em
troca o pau-brasil...
“D nem costuma descer assim tão profundo tão tarde tão
cedo tão distante, faz isso ocasionalmente, aquela foi uma dessas ocasiões
raras, ótimo, milagre, talvez a última. E se misturou com o vento o verde das
folhas o colorido dos frutos, etc., vegetal, natural, arroz-do-campo,
capim-da-colônia, louro-canga-de-porco, cana-de-macaco...
“E ajajá, desde o lago, perguntou:
- Posso lhe servir, redentor?
“A ave mesma assim respondeu por ele e o ajudando
ajudar:
- Só se for agora.
“Dele sem mais nem menos, e sempre, todo caso, já era
uma visita. Ficou encantado com o plano piloto de Brasília, a nova ponte do
Guaíba, etc., Andaraí, Ciríaco, Quissamã, Pindorama, Serrinha, a praça Major
Antônio Pompílio da Fonseca e Santo Antônio da Patrulha... Umas belezas de
ninguém esquecer. Quanto mais gente, melhor. Quanto mais gente, mais
importante. Gente que colhe a catuaba.
“D discursou para as nuvens, desde os satélites:
- Para Isto Que Enviei A Carta Branca Ou O E-Mail!
“Queria D sentir o povo e quando viu se assustou se
ressabiou. Aí, ergueu a batina e correu pela lama dos pantanais mato-grossenses
deixando rasto pegadas de chinelas de dedo. Se sentou na serra da Bocaina para
descansar na hora em que o caminhão do luxo noturno esvaziava a lua as estrelas
os planetas em o infinito da noite. Era muito dele esse proceder, o prócer. E
disse, contente de ter criado o céu o mar as montanhas os ajerus os
caburés-de-orelha as icangas os sapos-da-praia, as cravinas-do-campo, as
concrizes, os gambás... olhando os cometas passageiros riscar a eternidade:
- Seja Sempre Comigo! E Seja O Que Eu Quiser!
“E ele pensou que era só isso. Não, se enganou, foi o
começo, ou do meio para a frente. Ouviu assobios na escuridão, guinchos na
esquina da avenida São Francisco de Paula com a rua Narinari, visualizou olhos
acesos nas sombras, luzes pirilampear, percebeu fumaça com cheiro de óleo
queimado, orquestra de alunos alunas tocando banda na escola estadual 11 de
Agosto e conferiu ao vivo e foi ver curioso o que estava acontecendo e se ouvindo
descobriu os autos circulando os quadrados das cidades os navios entrando nos
portos saindo nas barras os aviões trafegando os ares os trens metropolitanos
pelas estações pelos subterrâneos, ufa!...
“D falou para seus ouvintes e seus ouvidos:
- Isto Eu Já Sabia, Pra Falar A Verdade!
“Um ser habitante, a erva-de-santa-luzia, de flores
abertas, de folhas expectantes, de ramos tenros, de aroma jogado no ar, lhe
perguntou, imediata:
- Quer uma esteira uma rede pra dormir, hein, senhor?!
“A planta gigante ela em pessoa foi e respondeu sem
esperar por ele:
- No detalhe. Eu sou aqui toda vida e deste mesmo
lugar e com os parentes contraparentes aderentes eleitores. A e uma ajaraí como
sombra como guarda-chuva, de beija-flores-dourados como polinizadores, os
caxinguelês como consumidores, os camundongos-do-mato como replantadores.
“Chegou ele a comparar as aldeias de índios dos tempos
de antes com os dias de hoje. A tribo dançava satisfeita em volta da fogueira,
tomava refri de latinha e tirava foto com o telefone. Um pajé assistia tevê num
canto da palhoça e ria e chorava e torcia. Logo mais viu o cacique chegar na
rede de deitar da universitária branca e convidá-la para brincar de agarrar
juntinho coçar barriguinha fazer curuminzinho.
“E D se misturou com o rio e os peixes. Juntou as
sombras das árvores no cristal transparente. A coisa ficou bem muito que bem e
o senhor virou futuro nas águas que desciam para o mar. Comprou sorvete de
vários sabores e cores três bolas empilhadas e achou muito bom:
- Hummm!... Muito Bom!
“D foi serra afora serra das Araras e rio São Pedro e
pico da Pedra Roxa e encontrou buracos de antigas minas de ouro, minas de
ferro, minas de madeira de lei, peroba-amarela, tamboril, mutamba, guaraperé,
bacuri, pororoca, aleluia... que estas conversavam com seus próprios umbigos já
que ninguém mais as entendia.
“Não, mas não eram árvores vegetais. Eram árvores
disfarces de feiticeiros mágicos fazendo rezas com ancestrais entes sagrados do
chão do ar do além. O xamã conversava com espíritos mortos e brabos de xingar e
querer vingança e querer comer e beber do bom e do melhor. De repente o
alquimista chamou a neta que se metamorfoseou virou galo caipira. A ave de
rapina cacarejou bebeu cachaça de alambique e dançou em roda rodando ciranda
cirandinha levantando a saia e a poeira vermelha.
“O longo largo alto D pensou um pouco. Pensou o mundo
inteiro num segundo. D disse de si para si:
- Isto É Tudo Joia Pra Mim! Mas Vou Me Acostumando! Só
Vou Adotar Um Calendário Solar!
“Todo dia era dia de D ou os domingos. Tudo dentro de
D como D falando sozinho. Era D pra lá e D pra cá. D e as coisas eram tudo sim
e a mesma pessoa. Anotava tudo escrevia prescrevia nem errava nem acertava nas
contas e no preço.
“D nem perdia para D:
- Ainda Nem Perdi A Paciência! A Minha Imagem E
Semelhança!
“Embora assustado com todas essas assombrações e criações
a sua revelia, D nem resolveu quebrar com o encanto do B. O país do B era seu dele
melhor tesouro.
“D pensou com o umbigo de D:
- Vejo Lá O Que Faço! Eu Canto Em Sete Línguas
Diferentes!
“O Senhor D do universo tem poderes para tudo e ainda
mais. Bem que D reconhece. Bem que D abraça o mundo. Bem que D desde lá e de
sempre e de todo lugar concorda com isso com tudo com isto. Ibirapuera e o
monumento às Bandeiras.
“D nem questionou quase nada mais nada a partir de
então.
“E quando a manhã chegou novamente carregada no colo
do sol, o pertencido fez milagre de si mesmo e virou isto é o Pão de Açúcar com
a Guanabara.
“...d de dedo de D divindade destes destinos. Por quê?
E só o tempo é diferente.”
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