Em algum lugar inclusive e já na Via Láctea.
Inefável mas diáfano.
Olhe quem vem vindo aí!
Quem olha quer saber. Conta nos dedos da mão.
Vamos ver tudo de novo e conforme o lugar.
Primeiro o mundo já está assim assim. Segundo depois o
mundo começou e nasceu e surgiu, vem quicando. Tudo muito rápido, em questão de
eras e milênios e continentes e oceanos. O que era o que nem era, já ninguém sábio.
Morros que rodeiam de perto atrapalham e encurtam e
estringem e estreitam os tais de horizontes visuais. E quando verão, frio; e
quando inverno, calor. A gangorra quente e gelado dentro do mesmo museu e
galeria de exposições.
O mundo nem existia nessa tarde do planeta, e foi
plantado ali no meio dos morros onde hoje se chama Nova Prata. Da colina ainda
dá para ver que está tudo azul no céu e tudo verde no chão. O mato e um pequeno
riachinho leste para oeste passando entre as plantas, anônimo, sem correnteza
de rio, o barulho de periquitos-ricos porque nascem muitos que frutificam
coquinhos coqueiros-do-campo, maçarandubas-verdadeiras, ervas-do-fogo, chicas,
gramas-do-pará, mentruzes... Mas compartilham outras coisas várias e
interessantes e miúdas... e oxalá!
1-1181924
O gliptodonte previsível nem desaparece vai embora e
nem chega a lugar nenhum. Retorna à ilha pela via ponte Colombo Salles. Revolta
para resgatar, no caso. Quer ser tauari na praça Santos Dumont? Quer ser uma
pedrona do morro da Cruz? O gliptodonte é D perambulando sem lugar fixo ou
ideia fixa antigo e eterno. Oblação ofertando, oferecendo ofertando a Tupã. Em
vez de procurar o rio Uraricoera volta para a cidade o lugar de antes. O
gliptodonte é calunga no mundo dos homens dos animais dos vegetais dos
automóveis. Quer ser sabiá-do-banhado no bairro da Trindade? Quer ser perdigão
sem perdiz sem perdigotos na rua Domício da Gama? Pois o gliptodonte passou e
foi crescendo desenvolvendo envolvendo e por tudo isso: chácara, capela,
arruado, aldeia, arraial, vila, distrito para chegar solto desimpedido
pachorrento no bairro do município.
Em a rua Mariluz com a rua Ibirapuitã de a Gravataí.
Quando fui a São Paulo praça da República comprei 17
livros nos sebos ali por perto, ruas Constâncio Alves, Jardim de Angicos,
Macuxi e outras. Dois deles eu li na sequência até para esta coincidência: o
personagem central para “Calidoscópio”, de Gastão S. Campos se chama Dionísio.
E a seguir o personagem central de “Amazona” de Sérgio Sant’Anna apelidada
Dionísia. Um casal, na verdade. Outra coincidência no mesmo lote mas diferente.
Tinha adquirido também naqueles sebos uns livros de J. B. de Mello e Souza.
Pois olhe. Fico olhando e pego um que outro pra ler. À tarde continuo lendo um
livro de memórias “Ao Longo do Caminho”, Annibal M. Alonso, quando,
coincidentemente lá pelas tantas o autor cita eu leio um autor da amizade e
ninguém mais que o João Batista de Mello e Souza. É muita! E coincidência assim
nem sei para que que serve ou desserve. Sem contar que leio um dos últimos
exemplares de João Batista de M. e S., eram três, no dia de São João Batista
dia 24 de junho. E ainda nem resolvi se isso tudo mesmo é coincidência ou
nanja, de alguma forma.
Eu tenho essa mania de buscar mais que buscar
encontrar coincidências por aí. São absurdos. Uma ou umas regras esquisitas
estúrdias e até onipresentes. São coisas também bem simples do acaso, etc. Uma
delas quando comprei dois livros no mesmo sebo mesmo instante lá em Uberlândia
bairro Itaboraí numa travessa de nome também interessante Itambi. Trouxe pra
casa e tal e qual. Leio um e passo imediatamente pro outro. Já lendo o segundo
percebo que, confirmado a coincidência, qual seja? Em ambas as histórias havia
um certo personagem homem, nem importante, aparecia somente em um determinado
ponto da história, sem muita razão de ser, e que primava por uma característica
de falar e deixar as frases as expressões pelo... sem na verdade... entendeu?!
Isso nas duas histórias. Taí a coincidência. Outra coisa: os escritos eram,
tanto de um como de outro livro, narrados por mulheres autoras escritoras. Uma
era natural de São Paulo e ambientou a história no Recife; a outra era de Belo
Horizonte e ambientou a história em São Paulo. Pois então tá. E as
coincidências fazem a gente andar. Assim, dois ou mais acontecimentos que se
sobrepõem: coincidência. As coincidências fazem a gente pensar iludir que há
algo... escrito nas estrelas... ou na íris do olho esquerdo do
gavião-quiriquiri...
1-15111889
Todo mundo todos quaisquer olhando para as árvores. Um
momento de verde e todos gostam de olhar e pertencer e se sentir os vegetais.
As árvores que guardam o verde, mandaravé, candeia-de-caju, ingazeira,
assa-peixe, milho-cozido... O punhado de verde que se vê ao longe no parque Guaíra,
na rua João Alfredo, na praça Guarurama...
Olhe que assim nem é raro e difícil e quase
impossível!
A praça fazia um quadrado, um pentágono, um
paralelogramo, etc., e o pai do Joel olhou a igreja do outro lado depois da
rua, majestosa por fora, as mãos nos bolsos, e se controlando para não fumar.
Tinha uma sombra de abieiro, foi e ali se sentou no banco de cimento, sob o
abieiro, o braço esticado na borda do encosto, a vontade de fumar já nem
lembrava mais tinha ido embora, o abieiro sem abios, uma perna dobrada sobre a
outra. O pai do Joel olhando em volta, olhando a volta da praça, a igreja com
pontas para o céu que quer azul-ferrete. Uma nuvem com cara de casa de jabuti.
E avó com neta pela mão esquerda. Andorinhas trissando
a todo custo, a todo pano, alimentação aérea, voando muito rápidas, ziguezagueando.
Vivem em média oito anos? É pouco. É muito. Pra quê? Carro com alto-falante
anunciando a barateira lojas Arariboia. Umas borboletas e joaninhas e
brincos-de-princesa e amendoeiranas compondo o ambiente de vantajosas cores.
O mundo em todo lugar, Três Rios, Valença, Sinimbu, Sério,
Bandeira do Sul... Uma pajurá fazendo sombra. Duas cabureíbas fazendo estrias
de luz e sombra na calçada. O ruído de carros motores pneus buzinas motos na
avenida Tapaiúna.
As praças se parecem em boa parte. Ao menos em a
maioria. Se repetem na figura. Há muitas em forma de triângulo. Qualquer figura
faz uma praça. Qualquer praça já é uma figura. Mas isso mesmo nem importa.
Chove lá agora em São Romão?
Uma mulher, talvez procurando, bolsa nova das grandes
com fechos por todos os lados, começou a contar uma novidade como nunca como
esta. Ela veio descendo desde lá do bairro Campé. Atravessou meia praça por
entre canteiros de arnicas-do-campo e brinquedos infantis e pedestres. Parou em
frente ao pai do Joel e disposta, mangas arregaçadas, flor no cabelo: uma
bromélia, uma agnésia, uma orquídea, etc. Uma hipotenusa. E foi puxando a
história de dentro de si mesma uma narrativa assim:
- Eu me chamo Junara de quê, e venho toda vida de
Lindoia do Sul. Cheguei já faz um tempo nesta cidade litorânea e tudo bem.
Gosto que seja assim, etc. Ondas novas de fluxo e refluxo e influxo. Me deixem
contar o resto, deixe!
"A jovem de pijama azul-clarinho, que dorme com o
travesseiro entre as pernas, está aí agora, dez horas da manhã, na varanda da
sacada do décimo segundo andar, semiacordada, e olha molemente açucaradamente a
cidade se movimentar a seus pés.
“Pois a adolescente de pijama sou eu, como se fosse
eu, somos nós, eu e ela, era eu quando guria. As duas pouco se conhecem pouco
se falam, etc. Os caminhos surgem confusos, mar de confusões, rio Paraibuna.
Fatos estranhos acontecem acontecendo.
"Não tem empregada ainda, o pai trabalha, a mãe
trabalha, os irmãos trabalham ou nem nasceram, e ela cursa o ensino médio no
colégio Nossa Senhora Aparecida. Mas um dia - sonha como todos sonhamos, etc. -
terá duas empregadas, um salário desejado, um carro quatro portas, ampla
família com marido e filhos, um emprego para a vida, e muitas viagens coisas de
bom proveito bom retiro, Heliópolis, Santo Antônio de Pádua, Alegre, Guiricema,
serra de Itatiaia, cascata do Chuvisqueiro, praia do Caripi...
“Eu pensava assim o mundo comigo e igual com ela. O
mundo pensa assim, por que eu não pensaria nem pensaríamos e com razão?! Como
se um mistério estivesse para ser desvendado tocado em frente. Como se uma
história para ser narrada. Como os pássaros, coleirinhas, sanhaços, estrelinhas,
tipiós, anus, juritis... como o vento como o sol como o rio Pomba na manhã
ligeira.
"Enquanto isso, enquanto nós, ela foi preparar um
suco de abacaxi com caju e um sanduíche com pão de centeio e queijo de Minas.
Escuta música no celular pendurado na orelha, acompanhando o ritmo que é bom e
envolvente e brincante. E lê, displicentemente, umas revistas de variedades,
uns folhetos de anúncios. Uma beldade com asas de ave o riso solto branco
espontâneo. E vê tevê no desenho animado. E gorjeia imitando um saíra-militar.
“Quais os segredos que se escondem por ali, de mim, de
nós, dela mesma? Um olhar que procura por respostas. E tenta descobrir por mim
por ela uma forma de abrir o cofre. E eu, como outra, falo no ouvido:
"Junara! Você deve fazer o que eu mandar, oquei?!" E Junara me
responde, do seu jeito juvenil e espontâneo adolescente: "Tenho feito de
tudo para não perder a cabeça diante de semelhantes coisas." E cruza os
braços me abraçando apertado. Alguém poderia entrar ali no seu quarto de dormir
e perguntar de supetão de bate-pronto, assustando-a, "que é que você está
pensando?!" E Junara cruza os braços me aquecendo me escondendo.
"No banho gostoso da manhã já alta e totalmente
dominada por um sol caseiro abrangente eterno, lá fora, eu vi meus dois firmes
tenros verdes e quase inéditos peitinhos deslizar ao gosto do sabão. Recordo o
fulano no corredor do colégio. E quem mais? Já sei a blusa que sairei para o
dia de aula. Tudo no meu corpo está no lugar que D colocou e bem. Sei que
perturbo os guris as gurias e em quê: pernas longas, cabelo alçado, umbigo de
fora, boca entreaberta, olhos baixos, etc., jeito de andar. Falar nisso, ainda
não me convenci a um piercing no umbigo. Até porque esta tatuagem de flor de
orquídea no ombro acho pouco.
“Quero saber quero preciso quais os segredos. Eu quero
ela quer queremos ver o interior do cofre do baú do brinquedo. Eu mesma coisa.
Quero ver o que tem ali dentro. O Guairá com seus limites o rio Iguaçu o rio
Paraná o rio Tietê. E sinto ou adivinho que tem de tudo um pouco e apetecível.
"De volta à sacada no décimo segundo andar. Os
braços abertos. As pernas abertas. Polichinelo. A cidade terá uma grande
surpresa um belo dia. E promessa é dívida. Avião militar manobrando exercícios
a jato.
“Sinto já uma comichão de alegria só em pensar que
chegaremos à universidade e nem estudaremos nada, apenas conversas no
bar-lanchonete, e olhe lá!, com a galera dos cursos os desocupados as
politizadas os descolados as descoladas. Rir com todos os dentes. E opinar
políticas de meio ambiente. Sentar na grama monja debaixo na sombra do jundiaí
caramanchão rodeado de damas-da-noite, maracujás-açus, batatas-de-purga...
“Ficamos diante do espelho tentando buscar um
entendimento um início de mim mesma de nós lá por dentro. E nos abraçamos
demoradamente. E procuramos nadar pra frente rio Carangola que peixe anda pra
frente.
“Tudo acontecendo ainda pra ontem, muito mais em
pensamento e sonho e fantasia, e ela ali frente ao espelho ou debruçada na
janela. Fecho bem os olhos que são pra sonhar melhor. Penso e me pergunto: eu
penso isto? E quem com quem na praça Pádua Dias no Tatuapé?
"Caminho pelo quarto e paramos frente ao espelho
da penteadeira amacio os cabelos caminhamos até a janela aberta semicerro os
olhos contra o vento. O sol brilha como diamante branco ao mesmo tempo que o
céu faz um infinito de esmeralda. Um dia iremos até Pitangui, Marataízes, São
Bernardo do Campo, a aldeia dos uru-eu-uau-uau, pico das Prateleiras... Manhã
inalcançável. Manhã de sono atrasado. Manhã de açaí-do-alto-amazonas, manhã de
Gramado Xavier, manhã de Riozinho, rua Pereira Filgueiras...
“Algumas vezes tenho silêncio, outras sonhamos
relaxadas pensando no porém no empós, aqui é Floripa, lá no continente São José
e Palhoça. Muito simples e sem mais nem menos. Passamos os dias encantadas, à
noite também. Insisto em conseguir esclarecer alguma coisa. O roteiro
estampando a tela do computador, Barbacena, reserva indígena panati, bairro
Vila Vilma em Santo André...
"Pensando bem, analisando hoje, ficará em casa
satisfeita assistindo tevê e tirando cumprimentando o sono adiado."
A mulher completou a história e tinha 38 anos meses e
ainda pontuou:
- Bem, a guria que fui e que é, e aqui está, então,
uma pena que nem conseguiu fazer o tempo parar, etc. Hoje o mundo nem é o mesmo
e já mudou. Hoje mesmo um dia de dezembro, folhas flores frutos, praia de Areia
Preta, pássaros aviões nuvens. Entendeu?!
O pai do Joel aprendeu nesses anos de procura em
procura, de praça em praça, que as praças se parecem com um resumo das cidades de
cada cidade. Uma praça se parece com uma ilha, punhado de árvores grandes,
espelho de água no meio, bancos para sentar, cães e pessoas passando todas as
horas. Tipo assim a praça Rui Barbosa, em Cataguases. A praça Clóvis Bevilácqua
em Miraí. A praça Ramos de Azevedo, em Aparecida do Norte. A praça José de
Alencar em Boqueirão do Leão. E as cidades começam sempre nas praças principais
e a primeira praça inicial do lado de uma igreja que vira Matriz e catedral. As
cidades começam nas praças centrais e depois dali vão embora para os limites do
mundo. Até quando.
O pequeno reduto de aves que os ativistas querem tirar
dali e levar pro mato, cinco cercados de tela de arame, uns pios estranhos, uns
guinchos surpreendentes, uns ruídos de mato, jaós-do-sul, tiribas-fogos, papas-lagartas-do-mangue,
juritis-vermelhas, inhambus-anhangás, cujubis... nem não tinha que ver, patos-corredores,
aracuãs-de-sobrancelhas, pariris, chimangos, saracuras-do-mangue, batuíras-de-esporão,
arirambas-da-mata, capoeiras-cachorras, mutuns, guaracavas...
Crianças apostando risos e gargalhadas nos balanços,
escorregadores, gangorras, labirintos, monumento a D. Pedro I. Nem escondem se
escondem são os risos e sorrisos, algazarra, alarido, gandaia. Entrando na fila
para o tobogã.
Guria azougue é assim mesmo. Peroba-brava é assim.
Carro novo vermelho marca tem placa de Ubá. Formigas-cabeçudas são assim andam
assim trabalham assim coletivizam assim. Enquanto que porém em Canudos do Vale,
meu amigo! Os azulinhos-do-sul são assim. Porque lá em Jesuânia... E o resto é
assim também. E o supérfluo é assim com certeza.
Como dizem e imitam e eu repito: nasceu virou mexeu
largou pegou andou ainda nem acabou.
1-791822
Em Triunfo às 13h e 13min pegando pé ante pé a rua 13
de Maio. O que já é muito! Para vir embora de rodoviária. E isso é superstição?
É coincidência do acaso inusitado. Sob um forte sol que eu sei e garanto.
Inesperadamente. Olhei no relógio suando a hora sob a lua, etc. Não deu pra
combinar com o dia treze (8) mês treze (12) nem o ano treze (2017). Paciência,
então. E coincidência folgada assim mesmo.
E mais. Eu estava na internet lendo umas coisas
curiosas sobre o Circuito das Grutas e que são compreendem diversas cidades de
Minas Gerais. Coincidência. Minutos depois na tevê telejornal e já passava um
filminho depoimentos com umas moças que se perderam na gruta na caverna
estalactites estalagmites e só encontraram nanicos monstrinhos pré-históricos
alienígenas anônimos que vivem na escuridão nas profundezas. Na falta de uma coincidência
mais impactante mais tipo elementar... esta seria mais uma e absurda, quiçá
displicente. Emboralá!
E se perguntar por que que o B não tem nem teve
elefantes brancos cangurus ursos pandas. Dizem que já teve
preguiças-terrícolas-gigantes e felinos com dentes de sabre. Todos os melhores
países do mundo países do bem têm seus elefantes elefantas o Vietnam o Myanmar
a Tailândia a Índia o Moçambique a Angola... Quando o gliptodonte volta pra
casa pro seu lugar no mundo cidade predileta ele já chega torto avariado zambro
sono e lento. Um gliptodonte torto cambaio, ou sei lá o quê, ou sei lá como, é
um bicho mamífero extinto desdentado. Falar a verdade: vem para despencar, vem
para ficar. Seus últimos passos na areia da praia da Joaquina...
Rua David Canabarro com a Sete de Setembro em Taquari.
1-2141792
O Gaudêncio filho de Gaudêncio batizado Gaudêncio,
como o pai o avô o bisavô o etc., fora vendido, junto com a mulher Juçara,
tapanhunas, ambos ainda com dezenove e dezesseis anos, para um pequeno fazendeiro
na localidade de Jacuí e interior de Minas Gerais limites de Goiás.
Tempos aqueles e quem viu os terráqueos e os lunáticos.
Não importa como e onde e por quê, mas Gaudêncio ficou
mais velho e quase imprestável 32 anos e Juçara 29 anos - com cinco filhos
todos já espalhados pelo mundo e negociados - e foram revendidos a preços
baixíssimos e para um pequeno camponês de Olhos d'Água, mais ainda interior de
Minas Gerais fronteira com Bahia. O casal seguiu amarrado sentadinho num carro
de bois pelo meio das montanhas e vales e encostas onde pouca gente nem existia
e muito menos habitava.
Paisagens verdes-claras mil tons de verde
verdes-gaios, vegetação de pau-terra-do-campo, capimpeba, mata-cavalo,
carqueja-amargosa, ingá-ferradura, figueira-de-folha-branca, mata-pasto...
Regatos riachos ribeirões córregos banhados passando a vau e costeando o rio
Piranga o rio Xopotó o rio Juruá as terras da tribo janduí...
Um par de araras versicolores multicores coloridas bem
juntinhas arengar e encostadinhas e se catando titilar com o bico curvo adunco.
Perdizes e perdigões e perdigotos arteiros grasnar se escondendo pelos camapus
ou birus-mansos ou arrabídeas-rosas, jaós altivos piar trilar em alguma
reboleira algum grotão, gavião-belo guinchar chiar pelo alto em revoadas no
calor do meio-dia grulhar rastejando sombra espectro em cruz.
Os pés de vento chegavam de lugares diferentes e
inusitados, Muaná, Itaetê, Pariquera-Açu, Queimados, bairro Pedra de
Guaratiba... e então redemoinhavam na picada aberta no mato do cerrado. Era
tudo tão longe e vazio de sorte alguma. Todo mundo sabia que não existia mais
nada para fora do mundo. E as almas dos mortos ou do outro mundo gemendo e
arrastando correntes e grilhões, tumbas enfeitadas de itãs, subiam da terra ali
por volta da alta noite enluarada ramos secos das pitaicas mostrando as garras
as unhas as pinças.
Gaudêncio e seus 32 amarrado a um peso de ferro o dia
e a noite. De dia fazia tarefas no pequeno curral de oito vacas leiteiras e 20
borcos e tantas galinhas. Sempre com uma coleira de cachorro que lhe dava
relativos certos controlados movimentos. De noite dormia no porão enrolado nuns
pelegos e acorrentado junto a um poste, suado cansado arquejante esbaforido
exausto tonto, e mas já com bem menos possibilidades de se movimentar.
Dormia ali no porão do casarão em companhia da Juçara
também presa na corrente. Era para que não aproveitassem a falta de guarda que
ficavam sempre presos arrastando pesos. Comiam suficientemente e podiam dormir
no mesmo pelego uma vez por semana. O casal dormia em companhia de pulgas
piolhos baratas aranhas ratos piuns lacraias escorpiões cobras lagartos e o que
fosse. Os cães da casa deitavam sempre por perto, o Cacuri, o Campé, a Branca.
Pois Gaudêncio nunca estava de bom humor, sempre num
dia difícil e nublado baixo. Aqueles anos sempre preso na bola de ferro na
corrente com coleira e sino no pescoço igual o muar guia da tropa. Ia para o
pelego já consumido pelo sono sonolento esfalfado escalavrado esfrolado desanimado
zonzo indiferente combalido perturbado despedaçado friorento. A alma saindo na
frente do corpo, ou o corpo caindo antes da alma. E não conseguia mais nada do
corpo da mente do espírito do sonho.
Sem nenhum resto de tempo e sem nenhum pensamento
sobrando. Não pensava em nada. Seu todo era pura fadiga. Transido de frio. Nem
tinha gosto para nada e ninguém. Fazia de tudo um pouco, canoeiro, cavouqueiro,
pedreiro, carreiro, telheiro, ferrador, lenhador...
Quase sempre Gaudêncio ficava tão cansado, quase
sempre Juçara estava tão cansada, às vezes os dois, às vezes nem conseguiam
fazer o que mais gostavam e a única diversão que os donos deixavam fazer e até
incentivavam.
E a noite sem lua sem estrelas sem caburé-de-orelha
sem saci sem cachaça acordava num dia de muita luz ou muita chuva cheio de
pássaros e aves entupindo as paxiúbas, as cedroranas, os cebolinhos-cheirosos,
as quinas-de-cuiabá...
Mas sem nada de nada menos que nada.
1-1351888
Frases sentenças de Pedro:
- Eu nhandeva queria galo-da-rocha ser
carvalho-nacional como capim-marmelada o guriatã-de-bananeira mundo
mico-leão-preto inteiro caparu.
- Sabe, Madalena, aquela estrada da linha Casemiro de
Abreu, Madalena, as árvores centenárias frondosas grandes, Madalena, a nossa
escola 11 de Agosto, Madalena, e o mundo todo, Madalena! Você já esqueceu
próclise mesóclise ênclise, Madalena, querida, Madalena! Você já te perdi,
Madalena, os berloques pingentes penduricalhos, Madalena, e fitas babados
filós, Madalena!
- E sem que ninguém perguntasse: Que é que você quer
ser quando crescer, guri?!
- Faz ainda da sua história toda abundante, etc., uma
só frase: Eu vi!
- Eu para uma menininha que me olhava e me perguntou
perguntei: por quê? Ela respondeu e eu perguntei: por quê? Ela me respondeu
surpresa e perguntei: por quê? Ela respondeu sorrindo porém eu indaguei: por
quê? Ela me respostou rindo rindo de água na boca e me olhava.
1-712019
Com as palavras de Aline: baiuca, afusar, safa!, rifão,
asserção, paraninfo, adamantino, periodiqueiro, bímano, solfa.
1-2241500
Desde a tenra manhã, hoje mesmo cedo, que o
gliptodonte passa e repassa por aí nas ruas quaisquer provocando testando os
latidos elogiosos dos cães cercados em suas casas. Andando e procurando nada. E
o restante do grupo da família da grei o clã os correligionários? Para diante
do reflexo da vitrine na loja das Casas Couratari. Tudo é coletivo mas ele só e
vazio e lento lento. E quase se reconhece. Parado quase se duvidando. E alameda
Txapacura com renque de pereiros-da-serra. Porque a sensação é complexa.
Tentando achar algum defeito algum caroço alguma cor algum mofo. Tentando
encontrar uma saída uma porta uma janela um porto: banzando. O lugar, a rua ou
a cidade, é mais importante que ele mesmo. Tem nenhuma certeza. E tão-pouco
nenhuma pressa. Talvez calor. Sente até que foi e nem voltou. E nem tem de quê.
A rua Marquês de Caravelas com a rua Marquês de
Abrantes em Feira de Santana.
Primeiro eu li o livro de título “Furna Encantada”, de
Heloiza A. Nascimento. E descobri a palavra: cajá. E cajá é um tipo de fruto
que é raro por aqui no sul do B. Muito bem! Mas aí a coincidência, pois dois
dias depois, e passando na rua Rodrigues Alves, eu mais minha colega de serviço
a Elã (estudiosa entendida de política nacional pesquisadora do Plano Cohen,
capitão integralista Olympio Mourão Filho, etc), eis que ela me aponta: “Ei!,
olha lá! É uma cajazeira carregada lotada de cajás maduros, meu!” Como que ela
sabe?, me perguntei na hora. E lhe perguntei: “Onde, onde?!” Eu que nunca
ouvira ou enxergara a palavra cajá agora estava diante de uma cajazeira plena
completa de cajás. Nem sabia que tal planta existia assim na natureza concreta
felizmente e dava frutos. Então, isso é uma coincidência característica do
nosso tempo o 21 ou mera casualidade. Adejavam as aves da estação, e que nem se
deve desmerecer.
E mais. Eu só acredito vendo com as próprias mãos ou
os pés. Eu só adivinho sabendo. Por uma sempre estranha coincidência. Eu
acredito piamente em coincidências pois elas me acontecem, por ironia do
destino, ao acaso. Mas algumas parecem inacreditáveis e até brincadeira. Impossível,
improvável? Eu sempre acho que minhas coincidências são dicas escritas para
mim. Nem tenho dúvidas. São as pegadas do mistério e então é só segui-las para
descobrir tudo. Tipo mapa do tesouro o Eldorado do Carajás. E eu assumo que são
verdadeiras no sentido de não serem à toa. Sabe o que é isso: você está dentro
de um dia (28 de abril) e abrir um livro na primeira página e a história
começando com essa mesma data?! É incrível. E de se arrepiar. É de fazer
pensar. É tudo menos normal. É surreal. Ou tudo a ver, congruente, correspondente,
coincidente, expressa semelhança, pertinente. Então, aberto o livro, “O crime
da gaiola dourada”, de R. F. Lucchetti, e conto esta surpresa. E vou além. Me
pergunto: “Que força foi essa que fez coincidir?” Puro acaso. Pura simplicidade
divina? Até porque minha consciência está tranquila pois nem minto. Uma
conspiração universal, admito, isso sim. Se nem existe uma força maior no
universo se não existe D então por que se pensa Nele? Por que as coincidências?
Que que ganho com isso? Onde eu vim parar?
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