sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Aline de irrefragável (romance) - capítulo 1




Em algum lugar inclusive e já na Via Láctea.
Inefável mas diáfano.
Olhe quem vem vindo aí!
Quem olha quer saber. Conta nos dedos da mão.
Vamos ver tudo de novo e conforme o lugar.
Primeiro o mundo já está assim assim. Segundo depois o mundo começou e nasceu e surgiu, vem quicando. Tudo muito rápido, em questão de eras e milênios e continentes e oceanos. O que era o que nem era, já ninguém sábio.
Morros que rodeiam de perto atrapalham e encurtam e estringem e estreitam os tais de horizontes visuais. E quando verão, frio; e quando inverno, calor. A gangorra quente e gelado dentro do mesmo museu e galeria de exposições.
O mundo nem existia nessa tarde do planeta, e foi plantado ali no meio dos morros onde hoje se chama Nova Prata. Da colina ainda dá para ver que está tudo azul no céu e tudo verde no chão. O mato e um pequeno riachinho leste para oeste passando entre as plantas, anônimo, sem correnteza de rio, o barulho de periquitos-ricos porque nascem muitos que frutificam coquinhos coqueiros-do-campo, maçarandubas-verdadeiras, ervas-do-fogo, chicas, gramas-do-pará, mentruzes... Mas compartilham outras coisas várias e interessantes e miúdas... e oxalá!
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O gliptodonte previsível nem desaparece vai embora e nem chega a lugar nenhum. Retorna à ilha pela via ponte Colombo Salles. Revolta para resgatar, no caso. Quer ser tauari na praça Santos Dumont? Quer ser uma pedrona do morro da Cruz? O gliptodonte é D perambulando sem lugar fixo ou ideia fixa antigo e eterno. Oblação ofertando, oferecendo ofertando a Tupã. Em vez de procurar o rio Uraricoera volta para a cidade o lugar de antes. O gliptodonte é calunga no mundo dos homens dos animais dos vegetais dos automóveis. Quer ser sabiá-do-banhado no bairro da Trindade? Quer ser perdigão sem perdiz sem perdigotos na rua Domício da Gama? Pois o gliptodonte passou e foi crescendo desenvolvendo envolvendo e por tudo isso: chácara, capela, arruado, aldeia, arraial, vila, distrito para chegar solto desimpedido pachorrento no bairro do município.
Em a rua Mariluz com a rua Ibirapuitã de a Gravataí.
Quando fui a São Paulo praça da República comprei 17 livros nos sebos ali por perto, ruas Constâncio Alves, Jardim de Angicos, Macuxi e outras. Dois deles eu li na sequência até para esta coincidência: o personagem central para “Calidoscópio”, de Gastão S. Campos se chama Dionísio. E a seguir o personagem central de “Amazona” de Sérgio Sant’Anna apelidada Dionísia. Um casal, na verdade. Outra coincidência no mesmo lote mas diferente. Tinha adquirido também naqueles sebos uns livros de J. B. de Mello e Souza. Pois olhe. Fico olhando e pego um que outro pra ler. À tarde continuo lendo um livro de memórias “Ao Longo do Caminho”, Annibal M. Alonso, quando, coincidentemente lá pelas tantas o autor cita eu leio um autor da amizade e ninguém mais que o João Batista de Mello e Souza. É muita! E coincidência assim nem sei para que que serve ou desserve. Sem contar que leio um dos últimos exemplares de João Batista de M. e S., eram três, no dia de São João Batista dia 24 de junho. E ainda nem resolvi se isso tudo mesmo é coincidência ou nanja, de alguma forma.
Eu tenho essa mania de buscar mais que buscar encontrar coincidências por aí. São absurdos. Uma ou umas regras esquisitas estúrdias e até onipresentes. São coisas também bem simples do acaso, etc. Uma delas quando comprei dois livros no mesmo sebo mesmo instante lá em Uberlândia bairro Itaboraí numa travessa de nome também interessante Itambi. Trouxe pra casa e tal e qual. Leio um e passo imediatamente pro outro. Já lendo o segundo percebo que, confirmado a coincidência, qual seja? Em ambas as histórias havia um certo personagem homem, nem importante, aparecia somente em um determinado ponto da história, sem muita razão de ser, e que primava por uma característica de falar e deixar as frases as expressões pelo... sem na verdade... entendeu?! Isso nas duas histórias. Taí a coincidência. Outra coisa: os escritos eram, tanto de um como de outro livro, narrados por mulheres autoras escritoras. Uma era natural de São Paulo e ambientou a história no Recife; a outra era de Belo Horizonte e ambientou a história em São Paulo. Pois então tá. E as coincidências fazem a gente andar. Assim, dois ou mais acontecimentos que se sobrepõem: coincidência. As coincidências fazem a gente pensar iludir que há algo... escrito nas estrelas... ou na íris do olho esquerdo do gavião-quiriquiri...
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Todo mundo todos quaisquer olhando para as árvores. Um momento de verde e todos gostam de olhar e pertencer e se sentir os vegetais. As árvores que guardam o verde, mandaravé, candeia-de-caju, ingazeira, assa-peixe, milho-cozido... O punhado de verde que se vê ao longe no parque Guaíra, na rua João Alfredo, na praça Guarurama...
Olhe que assim nem é raro e difícil e quase impossível!
A praça fazia um quadrado, um pentágono, um paralelogramo, etc., e o pai do Joel olhou a igreja do outro lado depois da rua, majestosa por fora, as mãos nos bolsos, e se controlando para não fumar. Tinha uma sombra de abieiro, foi e ali se sentou no banco de cimento, sob o abieiro, o braço esticado na borda do encosto, a vontade de fumar já nem lembrava mais tinha ido embora, o abieiro sem abios, uma perna dobrada sobre a outra. O pai do Joel olhando em volta, olhando a volta da praça, a igreja com pontas para o céu que quer azul-ferrete. Uma nuvem com cara de casa de jabuti.
E avó com neta pela mão esquerda. Andorinhas trissando a todo custo, a todo pano, alimentação aérea, voando muito rápidas, ziguezagueando. Vivem em média oito anos? É pouco. É muito. Pra quê? Carro com alto-falante anunciando a barateira lojas Arariboia. Umas borboletas e joaninhas e brincos-de-princesa e amendoeiranas compondo o ambiente de vantajosas cores.
O mundo em todo lugar, Três Rios, Valença, Sinimbu, Sério, Bandeira do Sul... Uma pajurá fazendo sombra. Duas cabureíbas fazendo estrias de luz e sombra na calçada. O ruído de carros motores pneus buzinas motos na avenida Tapaiúna.
As praças se parecem em boa parte. Ao menos em a maioria. Se repetem na figura. Há muitas em forma de triângulo. Qualquer figura faz uma praça. Qualquer praça já é uma figura. Mas isso mesmo nem importa. Chove lá agora em São Romão?
Uma mulher, talvez procurando, bolsa nova das grandes com fechos por todos os lados, começou a contar uma novidade como nunca como esta. Ela veio descendo desde lá do bairro Campé. Atravessou meia praça por entre canteiros de arnicas-do-campo e brinquedos infantis e pedestres. Parou em frente ao pai do Joel e disposta, mangas arregaçadas, flor no cabelo: uma bromélia, uma agnésia, uma orquídea, etc. Uma hipotenusa. E foi puxando a história de dentro de si mesma uma narrativa assim:
- Eu me chamo Junara de quê, e venho toda vida de Lindoia do Sul. Cheguei já faz um tempo nesta cidade litorânea e tudo bem. Gosto que seja assim, etc. Ondas novas de fluxo e refluxo e influxo. Me deixem contar o resto, deixe!
"A jovem de pijama azul-clarinho, que dorme com o travesseiro entre as pernas, está aí agora, dez horas da manhã, na varanda da sacada do décimo segundo andar, semiacordada, e olha molemente açucaradamente a cidade se movimentar a seus pés.
“Pois a adolescente de pijama sou eu, como se fosse eu, somos nós, eu e ela, era eu quando guria. As duas pouco se conhecem pouco se falam, etc. Os caminhos surgem confusos, mar de confusões, rio Paraibuna. Fatos estranhos acontecem acontecendo.
"Não tem empregada ainda, o pai trabalha, a mãe trabalha, os irmãos trabalham ou nem nasceram, e ela cursa o ensino médio no colégio Nossa Senhora Aparecida. Mas um dia - sonha como todos sonhamos, etc. - terá duas empregadas, um salário desejado, um carro quatro portas, ampla família com marido e filhos, um emprego para a vida, e muitas viagens coisas de bom proveito bom retiro, Heliópolis, Santo Antônio de Pádua, Alegre, Guiricema, serra de Itatiaia, cascata do Chuvisqueiro, praia do Caripi... 
“Eu pensava assim o mundo comigo e igual com ela. O mundo pensa assim, por que eu não pensaria nem pensaríamos e com razão?! Como se um mistério estivesse para ser desvendado tocado em frente. Como se uma história para ser narrada. Como os pássaros, coleirinhas, sanhaços, estrelinhas, tipiós, anus, juritis... como o vento como o sol como o rio Pomba na manhã ligeira.
"Enquanto isso, enquanto nós, ela foi preparar um suco de abacaxi com caju e um sanduíche com pão de centeio e queijo de Minas. Escuta música no celular pendurado na orelha, acompanhando o ritmo que é bom e envolvente e brincante. E lê, displicentemente, umas revistas de variedades, uns folhetos de anúncios. Uma beldade com asas de ave o riso solto branco espontâneo. E vê tevê no desenho animado. E gorjeia imitando um saíra-militar.
“Quais os segredos que se escondem por ali, de mim, de nós, dela mesma? Um olhar que procura por respostas. E tenta descobrir por mim por ela uma forma de abrir o cofre. E eu, como outra, falo no ouvido: "Junara! Você deve fazer o que eu mandar, oquei?!" E Junara me responde, do seu jeito juvenil e espontâneo adolescente: "Tenho feito de tudo para não perder a cabeça diante de semelhantes coisas." E cruza os braços me abraçando apertado. Alguém poderia entrar ali no seu quarto de dormir e perguntar de supetão de bate-pronto, assustando-a, "que é que você está pensando?!" E Junara cruza os braços me aquecendo me escondendo.
"No banho gostoso da manhã já alta e totalmente dominada por um sol caseiro abrangente eterno, lá fora, eu vi meus dois firmes tenros verdes e quase inéditos peitinhos deslizar ao gosto do sabão. Recordo o fulano no corredor do colégio. E quem mais? Já sei a blusa que sairei para o dia de aula. Tudo no meu corpo está no lugar que D colocou e bem. Sei que perturbo os guris as gurias e em quê: pernas longas, cabelo alçado, umbigo de fora, boca entreaberta, olhos baixos, etc., jeito de andar. Falar nisso, ainda não me convenci a um piercing no umbigo. Até porque esta tatuagem de flor de orquídea no ombro acho pouco.
“Quero saber quero preciso quais os segredos. Eu quero ela quer queremos ver o interior do cofre do baú do brinquedo. Eu mesma coisa. Quero ver o que tem ali dentro. O Guairá com seus limites o rio Iguaçu o rio Paraná o rio Tietê. E sinto ou adivinho que tem de tudo um pouco e apetecível.
"De volta à sacada no décimo segundo andar. Os braços abertos. As pernas abertas. Polichinelo. A cidade terá uma grande surpresa um belo dia. E promessa é dívida. Avião militar manobrando exercícios a jato.
“Sinto já uma comichão de alegria só em pensar que chegaremos à universidade e nem estudaremos nada, apenas conversas no bar-lanchonete, e olhe lá!, com a galera dos cursos os desocupados as politizadas os descolados as descoladas. Rir com todos os dentes. E opinar políticas de meio ambiente. Sentar na grama monja debaixo na sombra do jundiaí caramanchão rodeado de damas-da-noite, maracujás-açus, batatas-de-purga...
“Ficamos diante do espelho tentando buscar um entendimento um início de mim mesma de nós lá por dentro. E nos abraçamos demoradamente. E procuramos nadar pra frente rio Carangola que peixe anda pra frente.
“Tudo acontecendo ainda pra ontem, muito mais em pensamento e sonho e fantasia, e ela ali frente ao espelho ou debruçada na janela. Fecho bem os olhos que são pra sonhar melhor. Penso e me pergunto: eu penso isto? E quem com quem na praça Pádua Dias no Tatuapé?
"Caminho pelo quarto e paramos frente ao espelho da penteadeira amacio os cabelos caminhamos até a janela aberta semicerro os olhos contra o vento. O sol brilha como diamante branco ao mesmo tempo que o céu faz um infinito de esmeralda. Um dia iremos até Pitangui, Marataízes, São Bernardo do Campo, a aldeia dos uru-eu-uau-uau, pico das Prateleiras... Manhã inalcançável. Manhã de sono atrasado. Manhã de açaí-do-alto-amazonas, manhã de Gramado Xavier, manhã de Riozinho, rua Pereira Filgueiras...
“Algumas vezes tenho silêncio, outras sonhamos relaxadas pensando no porém no empós, aqui é Floripa, lá no continente São José e Palhoça. Muito simples e sem mais nem menos. Passamos os dias encantadas, à noite também. Insisto em conseguir esclarecer alguma coisa. O roteiro estampando a tela do computador, Barbacena, reserva indígena panati, bairro Vila Vilma em Santo André...
"Pensando bem, analisando hoje, ficará em casa satisfeita assistindo tevê e tirando cumprimentando o sono adiado."
A mulher completou a história e tinha 38 anos meses e ainda pontuou:
- Bem, a guria que fui e que é, e aqui está, então, uma pena que nem conseguiu fazer o tempo parar, etc. Hoje o mundo nem é o mesmo e já mudou. Hoje mesmo um dia de dezembro, folhas flores frutos, praia de Areia Preta, pássaros aviões nuvens. Entendeu?!
O pai do Joel aprendeu nesses anos de procura em procura, de praça em praça, que as praças se parecem com um resumo das cidades de cada cidade. Uma praça se parece com uma ilha, punhado de árvores grandes, espelho de água no meio, bancos para sentar, cães e pessoas passando todas as horas. Tipo assim a praça Rui Barbosa, em Cataguases. A praça Clóvis Bevilácqua em Miraí. A praça Ramos de Azevedo, em Aparecida do Norte. A praça José de Alencar em Boqueirão do Leão. E as cidades começam sempre nas praças principais e a primeira praça inicial do lado de uma igreja que vira Matriz e catedral. As cidades começam nas praças centrais e depois dali vão embora para os limites do mundo. Até quando.
O pequeno reduto de aves que os ativistas querem tirar dali e levar pro mato, cinco cercados de tela de arame, uns pios estranhos, uns guinchos surpreendentes, uns ruídos de mato, jaós-do-sul, tiribas-fogos, papas-lagartas-do-mangue, juritis-vermelhas, inhambus-anhangás, cujubis... nem não tinha que ver, patos-corredores, aracuãs-de-sobrancelhas, pariris, chimangos, saracuras-do-mangue, batuíras-de-esporão, arirambas-da-mata, capoeiras-cachorras, mutuns, guaracavas...
Crianças apostando risos e gargalhadas nos balanços, escorregadores, gangorras, labirintos, monumento a D. Pedro I. Nem escondem se escondem são os risos e sorrisos, algazarra, alarido, gandaia. Entrando na fila para o tobogã.
Guria azougue é assim mesmo. Peroba-brava é assim. Carro novo vermelho marca tem placa de Ubá. Formigas-cabeçudas são assim andam assim trabalham assim coletivizam assim. Enquanto que porém em Canudos do Vale, meu amigo! Os azulinhos-do-sul são assim. Porque lá em Jesuânia... E o resto é assim também. E o supérfluo é assim com certeza.
Como dizem e imitam e eu repito: nasceu virou mexeu largou pegou andou ainda nem acabou.
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Em Triunfo às 13h e 13min pegando pé ante pé a rua 13 de Maio. O que já é muito! Para vir embora de rodoviária. E isso é superstição? É coincidência do acaso inusitado. Sob um forte sol que eu sei e garanto. Inesperadamente. Olhei no relógio suando a hora sob a lua, etc. Não deu pra combinar com o dia treze (8) mês treze (12) nem o ano treze (2017). Paciência, então. E coincidência folgada assim mesmo.
E mais. Eu estava na internet lendo umas coisas curiosas sobre o Circuito das Grutas e que são compreendem diversas cidades de Minas Gerais. Coincidência. Minutos depois na tevê telejornal e já passava um filminho depoimentos com umas moças que se perderam na gruta na caverna estalactites estalagmites e só encontraram nanicos monstrinhos pré-históricos alienígenas anônimos que vivem na escuridão nas profundezas. Na falta de uma coincidência mais impactante mais tipo elementar... esta seria mais uma e absurda, quiçá displicente. Emboralá!
E se perguntar por que que o B não tem nem teve elefantes brancos cangurus ursos pandas. Dizem que já teve preguiças-terrícolas-gigantes e felinos com dentes de sabre. Todos os melhores países do mundo países do bem têm seus elefantes elefantas o Vietnam o Myanmar a Tailândia a Índia o Moçambique a Angola... Quando o gliptodonte volta pra casa pro seu lugar no mundo cidade predileta ele já chega torto avariado zambro sono e lento. Um gliptodonte torto cambaio, ou sei lá o quê, ou sei lá como, é um bicho mamífero extinto desdentado. Falar a verdade: vem para despencar, vem para ficar. Seus últimos passos na areia da praia da Joaquina...
Rua David Canabarro com a Sete de Setembro em Taquari.
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O Gaudêncio filho de Gaudêncio batizado Gaudêncio, como o pai o avô o bisavô o etc., fora vendido, junto com a mulher Juçara, tapanhunas, ambos ainda com dezenove e dezesseis anos, para um pequeno fazendeiro na localidade de Jacuí e interior de Minas Gerais limites de Goiás.
Tempos aqueles e quem viu os terráqueos e os lunáticos.
Não importa como e onde e por quê, mas Gaudêncio ficou mais velho e quase imprestável 32 anos e Juçara 29 anos - com cinco filhos todos já espalhados pelo mundo e negociados - e foram revendidos a preços baixíssimos e para um pequeno camponês de Olhos d'Água, mais ainda interior de Minas Gerais fronteira com Bahia. O casal seguiu amarrado sentadinho num carro de bois pelo meio das montanhas e vales e encostas onde pouca gente nem existia e muito menos habitava.
Paisagens verdes-claras mil tons de verde verdes-gaios, vegetação de pau-terra-do-campo, capimpeba, mata-cavalo, carqueja-amargosa, ingá-ferradura, figueira-de-folha-branca, mata-pasto... Regatos riachos ribeirões córregos banhados passando a vau e costeando o rio Piranga o rio Xopotó o rio Juruá as terras da tribo janduí...
Um par de araras versicolores multicores coloridas bem juntinhas arengar e encostadinhas e se catando titilar com o bico curvo adunco. Perdizes e perdigões e perdigotos arteiros grasnar se escondendo pelos camapus ou birus-mansos ou arrabídeas-rosas, jaós altivos piar trilar em alguma reboleira algum grotão, gavião-belo guinchar chiar pelo alto em revoadas no calor do meio-dia grulhar rastejando sombra espectro em cruz.
Os pés de vento chegavam de lugares diferentes e inusitados, Muaná, Itaetê, Pariquera-Açu, Queimados, bairro Pedra de Guaratiba... e então redemoinhavam na picada aberta no mato do cerrado. Era tudo tão longe e vazio de sorte alguma. Todo mundo sabia que não existia mais nada para fora do mundo. E as almas dos mortos ou do outro mundo gemendo e arrastando correntes e grilhões, tumbas enfeitadas de itãs, subiam da terra ali por volta da alta noite enluarada ramos secos das pitaicas mostrando as garras as unhas as pinças.
Gaudêncio e seus 32 amarrado a um peso de ferro o dia e a noite. De dia fazia tarefas no pequeno curral de oito vacas leiteiras e 20 borcos e tantas galinhas. Sempre com uma coleira de cachorro que lhe dava relativos certos controlados movimentos. De noite dormia no porão enrolado nuns pelegos e acorrentado junto a um poste, suado cansado arquejante esbaforido exausto tonto, e mas já com bem menos possibilidades de se movimentar. 
Dormia ali no porão do casarão em companhia da Juçara também presa na corrente. Era para que não aproveitassem a falta de guarda que ficavam sempre presos arrastando pesos. Comiam suficientemente e podiam dormir no mesmo pelego uma vez por semana. O casal dormia em companhia de pulgas piolhos baratas aranhas ratos piuns lacraias escorpiões cobras lagartos e o que fosse. Os cães da casa deitavam sempre por perto, o Cacuri, o Campé, a Branca.
Pois Gaudêncio nunca estava de bom humor, sempre num dia difícil e nublado baixo. Aqueles anos sempre preso na bola de ferro na corrente com coleira e sino no pescoço igual o muar guia da tropa. Ia para o pelego já consumido pelo sono sonolento esfalfado escalavrado esfrolado desanimado zonzo indiferente combalido perturbado despedaçado friorento. A alma saindo na frente do corpo, ou o corpo caindo antes da alma. E não conseguia mais nada do corpo da mente do espírito do sonho.
Sem nenhum resto de tempo e sem nenhum pensamento sobrando. Não pensava em nada. Seu todo era pura fadiga. Transido de frio. Nem tinha gosto para nada e ninguém. Fazia de tudo um pouco, canoeiro, cavouqueiro, pedreiro, carreiro, telheiro, ferrador, lenhador...
Quase sempre Gaudêncio ficava tão cansado, quase sempre Juçara estava tão cansada, às vezes os dois, às vezes nem conseguiam fazer o que mais gostavam e a única diversão que os donos deixavam fazer e até incentivavam.
E a noite sem lua sem estrelas sem caburé-de-orelha sem saci sem cachaça acordava num dia de muita luz ou muita chuva cheio de pássaros e aves entupindo as paxiúbas, as cedroranas, os cebolinhos-cheirosos, as quinas-de-cuiabá...
Mas sem nada de nada menos que nada.
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Frases sentenças de Pedro:
- Eu nhandeva queria galo-da-rocha ser carvalho-nacional como capim-marmelada o guriatã-de-bananeira mundo mico-leão-preto inteiro caparu.
- Sabe, Madalena, aquela estrada da linha Casemiro de Abreu, Madalena, as árvores centenárias frondosas grandes, Madalena, a nossa escola 11 de Agosto, Madalena, e o mundo todo, Madalena! Você já esqueceu próclise mesóclise ênclise, Madalena, querida, Madalena! Você já te perdi, Madalena, os berloques pingentes penduricalhos, Madalena, e fitas babados filós, Madalena!
- E sem que ninguém perguntasse: Que é que você quer ser quando crescer, guri?!
- Faz ainda da sua história toda abundante, etc., uma só frase: Eu vi!
- Eu para uma menininha que me olhava e me perguntou perguntei: por quê? Ela respondeu e eu perguntei: por quê? Ela me respondeu surpresa e perguntei: por quê? Ela respondeu sorrindo porém eu indaguei: por quê? Ela me respostou rindo rindo de água na boca e me olhava.
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Com as palavras de Aline: baiuca, afusar, safa!, rifão, asserção, paraninfo, adamantino, periodiqueiro, bímano, solfa.
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Desde a tenra manhã, hoje mesmo cedo, que o gliptodonte passa e repassa por aí nas ruas quaisquer provocando testando os latidos elogiosos dos cães cercados em suas casas. Andando e procurando nada. E o restante do grupo da família da grei o clã os correligionários? Para diante do reflexo da vitrine na loja das Casas Couratari. Tudo é coletivo mas ele só e vazio e lento lento. E quase se reconhece. Parado quase se duvidando. E alameda Txapacura com renque de pereiros-da-serra. Porque a sensação é complexa. Tentando achar algum defeito algum caroço alguma cor algum mofo. Tentando encontrar uma saída uma porta uma janela um porto: banzando. O lugar, a rua ou a cidade, é mais importante que ele mesmo. Tem nenhuma certeza. E tão-pouco nenhuma pressa. Talvez calor. Sente até que foi e nem voltou. E nem tem de quê.
A rua Marquês de Caravelas com a rua Marquês de Abrantes em Feira de Santana.
Primeiro eu li o livro de título “Furna Encantada”, de Heloiza A. Nascimento. E descobri a palavra: cajá. E cajá é um tipo de fruto que é raro por aqui no sul do B. Muito bem! Mas aí a coincidência, pois dois dias depois, e passando na rua Rodrigues Alves, eu mais minha colega de serviço a Elã (estudiosa entendida de política nacional pesquisadora do Plano Cohen, capitão integralista Olympio Mourão Filho, etc), eis que ela me aponta: “Ei!, olha lá! É uma cajazeira carregada lotada de cajás maduros, meu!” Como que ela sabe?, me perguntei na hora. E lhe perguntei: “Onde, onde?!” Eu que nunca ouvira ou enxergara a palavra cajá agora estava diante de uma cajazeira plena completa de cajás. Nem sabia que tal planta existia assim na natureza concreta felizmente e dava frutos. Então, isso é uma coincidência característica do nosso tempo o 21 ou mera casualidade. Adejavam as aves da estação, e que nem se deve desmerecer.
E mais. Eu só acredito vendo com as próprias mãos ou os pés. Eu só adivinho sabendo. Por uma sempre estranha coincidência. Eu acredito piamente em coincidências pois elas me acontecem, por ironia do destino, ao acaso. Mas algumas parecem inacreditáveis e até brincadeira. Impossível, improvável? Eu sempre acho que minhas coincidências são dicas escritas para mim. Nem tenho dúvidas. São as pegadas do mistério e então é só segui-las para descobrir tudo. Tipo mapa do tesouro o Eldorado do Carajás. E eu assumo que são verdadeiras no sentido de não serem à toa. Sabe o que é isso: você está dentro de um dia (28 de abril) e abrir um livro na primeira página e a história começando com essa mesma data?! É incrível. E de se arrepiar. É de fazer pensar. É tudo menos normal. É surreal. Ou tudo a ver, congruente, correspondente, coincidente, expressa semelhança, pertinente. Então, aberto o livro, “O crime da gaiola dourada”, de R. F. Lucchetti, e conto esta surpresa. E vou além. Me pergunto: “Que força foi essa que fez coincidir?” Puro acaso. Pura simplicidade divina? Até porque minha consciência está tranquila pois nem minto. Uma conspiração universal, admito, isso sim. Se nem existe uma força maior no universo se não existe D então por que se pensa Nele? Por que as coincidências? Que que ganho com isso? Onde eu vim parar?



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