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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Era Pouco Preciso



            Um lugar qualquer... é um pedaço do infinito. E pode ser!
Minha infância espalhada distribuída misteriosa alada em alguns anos de pura periferia de cidadezinha isolada do interior gaúcho. Os meus movimentos necessários. E cidade sem ferrovia.
O começo do horizonte escrito desenhado contornado uma linha limite orla a lápis. Procurar longe o céu a terra rente no viso das montanhas. Vontade de ir e sorriso de viajar. O espaço o mundo é tão grande que ninguém sabe onde está, que eu nem sei onde estou.
As aves sempre em forma e trocando cores luzes vozes voos e conforme, aves de arribação, gaturamo, colhereiro, cauã, maria-é-dia, corrupião... A hora já era por si e muito interessante. A praça do Expedicionário (do Soldado), comumentemente.
            Meio-dia e meia do dia seguinte. Por uma fração insegura tímida casual de segundo os meus olhos com os olhos dela se cruzaram. Raramente. Em contrapartida... terminal do Paradão praça do Imigrante calçadão Osvaldo Cruz nessa ordem até a rua Júlio de Castilhos.
            - Eta! A manhã tão-só atmosfera em tom azul azulejado.
            - Parece que as asas têm passarinho.
            - E foi subindo a avenida Feitoria até a praça da Abolição.
            - Dir-se-ia que...
            A poeira foge para as estrelas e os signos brilham nas constelações.
            Eram noites, e eu escutava o silêncio da rua Capitão Lima. De dia, a rua tranquila e aconchegante. De noite, alguma coisa estava acontecendo.
Parecia um conto de ficção que eu ouvia entre a realidade e o sono. Quem contava era uma índia miçangas no pescoço velha Aracê da tribo dos nambiquara.
Por conseguinte... buraco no mar recifes pernambuco rio Capibaribe rio Beberibe rio Pina rio Jordão.
            Conversando com uma e com outro, nadir ao zênite:
            - Eu embora ainda a vejo pulando rindo engraçada beijando festando...
            - O que teria sido feito dela?
            - Desde então e cada vez mais...
            - Estou confuso, quero ser jogador de futebol.
            - Estudávamos em o colégio Marista Rosário junto da praça Dom Sebastião.
            - Podemos dizer por um lado... e por outro lado...
Coisas principalmente que não preciso esquecer, nem sei por que lembro tanto. Acho também que não esqueci de nada. E recordar é lento len-to e de-va-gar quase parando. Lembro tudo que me aconteceu naqueles tempos teatro de Santa Isabel e tintim por tintim.
Engraçado porque ela nem queria que puxassem seu cabelo, às vezes trança. Muitos os cabelos longos pretos alçados cheirosos olentes olorosos odorantes aromáticos que cheiravam. Tocava as crinas cheirava degustava jogava.
Eram noites, e eu escutava o silêncio da lua. Alguma coisa nem estava acontecendo. Os meus movimentos aleatórios. A cidade sem pontes sem um grande rio encachoeirado hidroelétrico navegável piscoso.
            Me recordo de um pé de salgueiro-do-mato debruçado sobre o poço do tanque, um cercado onde estendiam roupas ao sol, quaradouro, cheiro de sabão, a água sempre escorrendo. Libélulas que nós chamávamos helicópteros. Girinos mocozeados nas babas de rãs e sapos. Às noites, o coaxar dos anfíbios anuros.
            Trocando ideias com um e com outra:
            - O fluxo e o refluxo do mar ondas vagas e espumas.
            - As estrelas são muitas nem sei quantas.
            - Para dizer a verdade, eram mentiras...
            - Estou confusa, quero ser atriz.
            - Era muito difícil. É uma estratégia de xadrez. Sempre foram.
            Por ali se abria todo o nosso mundo, grande e mágico e peregrino. A ave jandaia pois a ave precisava pousar a cada 100 ou 500 quilômetros. Encontrou a palavra zootecnista; procurou na memória, não tinha; voltou pra casa, investigou em tudo que foi lugar.
Então vamos assim: metade em agosto, outra metade em novembro. A rua Barão de Antonina, comumentemente.
Parecia um conto de ficção que eu pensava entre a tua e a sua. Quem falava era meu avô seu Muritiba sempre voando nas tardes com sua cadeira de balanço.
A fumaça sobe para as estrelas e os signos fazem as constelações.
Na primavera cheia esse tempo de passarinhos gorjeavam ligeiros, bandos, revoadas, juritis-vermelhas, arapongas, batuíras-bicudas, maçaricos-do-campo... Curtíamos o dia todo, principalmente pelas manhãs. Tínhamos intimidade com cada árvore, cada pedregulho, ribanceira, morro, capoeirão, potreiro, sanga, tipisca, campinho de futebol. Subíamos árvores, jequitibás, pitangas-traíras, açoita-cavalos, murtinhas, coiranas-brancas... para descansar entre os galhos, para comer azedinhas, sete-capotes, jabuticabas, gabirobas... mesma época dos abacaxis, butiás, melancias que surripiávamos aos vizinhos incautos.
Convém repetir mais uma vez... Quem vem com a matinada, ali? Quem desce a avenida Manuel Pirajá da Silva, aí? O som morno sonolento dos pássaros na devesa do sítio Cauaíbe e o céu por transparente. E tinha de ser ela pedalando na bicicleta.
Conversando com aquele e com aquela, adornados ambos de canitar:
- Até porque... perto da estação rodoviária de Canoas a praça do Avião.
- Coisa ou profissão que tinha certeza nunca seria era atriz ou cantora.
- A esta hora todos já devem ter descoberto mais ou menos o nome dela.
- O solstício de verão em que... bem, deixe pra lá.
- A família passou um mês em indagações em suposições em discussões.
- Passaram pela venda do seu Tabapuã e o Tabapuã tomava chimarrão preenchia as cruzadas do jornal sentado ao balcão.
- Sem suspeitar que suas sugestões ideias reservas e atitudes lhe poderiam trazer mais aborrecimentos do que já tinha.
Imperávamos sobre aqueles lugares, vasta área de matos, capões, hortas, roças, baldios de capim-flecha. Colhendo pinhão no inverno, juntando as grimpas secas e sapecando ali na hora.
Rio não havia, mas fazíamos uns pequenos açudes para nadar. Aeroporto não havia, mas esperávamos surpresos os teco-tecos pousar no aeródromo. Asfalto não havia, mas o governo de quatro em quatro prometia. Trem nem havia, mas passava uma ou outra carreta de dez ou doze eixos. Semáforo nem havia, mas a recomendação olhar para os dois lados.
E tinha árvore sol chuva mãe-da-lua e então existiam plantas planetas aves rios cidades... As araucárias foram carregadas mais longe e quem sabe além... As pedras basalto foram levadas além e mais longe...
Às noites, o cri-cri dos grilos-dos-canteiros. Aparecia um conto de ficção entre a estrela Dalva e o boitatá. Quem adorava narrar era minha avó dona Tinga entre o saborear de um mate mais outro.
Eram noites, e eu escutava o voar da suindara. Alguma coisa podia estar acontecendo. Os meus movimentos instintivos. A cidade nem sequer um ponto turístico de respeito de cartaz de monta de legenda.
Mormente àquela hora... na metade em diante de abril de 1500.
No começo da noite ficávamos brigando com os mosquitos para pegar algumas traíras no alagado. A lua platinada uma ilha fantasmagórica.
Uma árvore embaíba voa uma avenida Pedro Ivo da Silveira passa um dia pousa uma lua voa uma guria passa e minha mente minha palma.
A paina alcança até as estrelas e os signos alucinam as constelações. Às noites, os vaga-lumes de pisca-pisca elétrico. A praça da FAB, comumentemente.
Trocando causos em miúdos com os vizinhos e com os parentes:
- Lugar comum lugar de praça da Emancipação de puçanga de jângal de irara, etc.
- Já nem se bicavam fazia oito anos.
- Não me parece de todo fora de propósito...
- Mais próxima dos 30 que dos 20, ela se sentia disposta a fazer mais mesmo tudo outra vez.
- Não posso não devo nem quero ser jogador de futsal.
As borboletas de uma cor mais leves voos que o ar alecrim-do-campo golfão-branco jurema-da-pedra baunilha granadilha som invisível desgarradas.
Colhíamos pedrinhas para coleção, jogávamos caçador no recreio, rastreávamos em vão as lebres nos aterros, ficávamos horas esperando o próximo meteoro riscar um pedido no céu. A praça Conde de Porto Alegre, comumentemente.
No centro um balão de abelhas cercado por dois olhos dois ouvidos uma boca.
Catar ossos de animais nos potreiros, garrafas vazias nos porões das casas, latas de alumínio e ferro velho na sarjeta, etc., para vender, ganhar um troco e comprar bolinhas de gude. O arco-íris monocromático, porém do azul cor do mar profundo ao azul da joia rara turquesa.
D como foi dito e feito acima.