Um
lugar qualquer... é um pedaço do infinito. E pode ser!
Minha infância espalhada distribuída
misteriosa alada em alguns anos de pura periferia de cidadezinha isolada do
interior gaúcho. Os meus movimentos necessários. E cidade sem ferrovia.
O começo do horizonte escrito
desenhado contornado uma linha limite orla a lápis. Procurar longe o céu a
terra rente no viso das montanhas. Vontade de ir e sorriso de viajar. O espaço
o mundo é tão grande que ninguém sabe onde está, que eu nem sei onde estou.
As aves sempre em forma e
trocando cores luzes vozes voos e conforme, aves de arribação, gaturamo,
colhereiro, cauã, maria-é-dia, corrupião... A hora já era por si e muito
interessante. A praça do Expedicionário (do Soldado), comumentemente.
Meio-dia
e meia do dia seguinte. Por uma fração insegura tímida casual de segundo os
meus olhos com os olhos dela se cruzaram. Raramente. Em contrapartida...
terminal do Paradão praça do Imigrante calçadão Osvaldo Cruz nessa ordem até a
rua Júlio de Castilhos.
- Eta!
A manhã tão-só atmosfera em tom azul azulejado.
-
Parece que as asas têm passarinho.
- E
foi subindo a avenida Feitoria até a praça da Abolição.
-
Dir-se-ia que...
A
poeira foge para as estrelas e os signos brilham nas constelações.
Eram
noites, e eu escutava o silêncio da rua Capitão Lima. De dia, a rua tranquila e
aconchegante. De noite, alguma coisa estava acontecendo.
Parecia um conto de ficção que
eu ouvia entre a realidade e o sono. Quem contava era uma índia miçangas no
pescoço velha Aracê da tribo dos nambiquara.
Por conseguinte... buraco no
mar recifes pernambuco rio Capibaribe rio Beberibe rio Pina rio Jordão.
Conversando
com uma e com outro, nadir ao zênite:
- Eu
embora ainda a vejo pulando rindo engraçada beijando festando...
- O
que teria sido feito dela?
-
Desde então e cada vez mais...
-
Estou confuso, quero ser jogador de futebol.
-
Estudávamos em o colégio Marista Rosário junto da praça Dom Sebastião.
-
Podemos dizer por um lado... e por outro lado...
Coisas principalmente que não
preciso esquecer, nem sei por que lembro tanto. Acho também que não esqueci de
nada. E recordar é lento len-to e de-va-gar quase parando. Lembro tudo que me
aconteceu naqueles tempos teatro de Santa Isabel e tintim por tintim.
Engraçado porque ela nem
queria que puxassem seu cabelo, às vezes trança. Muitos os cabelos longos
pretos alçados cheirosos olentes olorosos odorantes aromáticos que cheiravam.
Tocava as crinas cheirava degustava jogava.
Eram noites, e eu escutava o
silêncio da lua. Alguma coisa nem estava acontecendo. Os meus movimentos
aleatórios. A cidade sem pontes sem um grande rio encachoeirado hidroelétrico
navegável piscoso.
Me
recordo de um pé de salgueiro-do-mato debruçado sobre o poço do tanque, um
cercado onde estendiam roupas ao sol, quaradouro, cheiro de sabão, a água
sempre escorrendo. Libélulas que nós chamávamos helicópteros. Girinos
mocozeados nas babas de rãs e sapos. Às noites, o coaxar dos anfíbios anuros.
Trocando
ideias com um e com outra:
- O
fluxo e o refluxo do mar ondas vagas e espumas.
- As
estrelas são muitas nem sei quantas.
-
Para dizer a verdade, eram mentiras...
-
Estou confusa, quero ser atriz.
- Era
muito difícil. É uma estratégia de xadrez. Sempre foram.
Por
ali se abria todo o nosso mundo, grande e mágico e peregrino. A ave jandaia pois
a ave precisava pousar a cada 100 ou 500 quilômetros. Encontrou a palavra zootecnista;
procurou na memória, não tinha; voltou pra casa, investigou em tudo que foi
lugar.
Então vamos assim: metade em
agosto, outra metade em novembro. A rua Barão de Antonina, comumentemente.
Parecia um conto de ficção que
eu pensava entre a tua e a sua. Quem falava era meu avô seu Muritiba sempre
voando nas tardes com sua cadeira de balanço.
A fumaça sobe para as estrelas
e os signos fazem as constelações.
Na primavera cheia esse tempo
de passarinhos gorjeavam ligeiros, bandos, revoadas, juritis-vermelhas,
arapongas, batuíras-bicudas, maçaricos-do-campo... Curtíamos o dia todo,
principalmente pelas manhãs. Tínhamos intimidade com cada árvore, cada
pedregulho, ribanceira, morro, capoeirão, potreiro, sanga, tipisca, campinho de
futebol. Subíamos árvores, jequitibás, pitangas-traíras, açoita-cavalos, murtinhas,
coiranas-brancas... para descansar entre os galhos, para comer azedinhas, sete-capotes,
jabuticabas, gabirobas... mesma época dos abacaxis, butiás, melancias que
surripiávamos aos vizinhos incautos.
Convém repetir mais uma vez...
Quem vem com a matinada, ali? Quem desce a avenida Manuel Pirajá da Silva, aí? O
som morno sonolento dos pássaros na devesa do sítio Cauaíbe e o céu por
transparente. E tinha de ser ela pedalando na bicicleta.
Conversando com aquele e com
aquela, adornados ambos de canitar:
- Até porque... perto da
estação rodoviária de Canoas a praça do Avião.
- Coisa ou profissão que tinha
certeza nunca seria era atriz ou cantora.
- A esta hora todos já devem
ter descoberto mais ou menos o nome dela.
- O solstício de verão em
que... bem, deixe pra lá.
- A família passou um mês em
indagações em suposições em discussões.
- Passaram pela venda do seu
Tabapuã e o Tabapuã tomava chimarrão preenchia as cruzadas do jornal sentado ao
balcão.
- Sem suspeitar que suas
sugestões ideias reservas e atitudes lhe poderiam trazer mais aborrecimentos do
que já tinha.
Imperávamos sobre aqueles
lugares, vasta área de matos, capões, hortas, roças, baldios de capim-flecha.
Colhendo pinhão no inverno, juntando as grimpas secas e sapecando ali na hora.
Rio não havia, mas fazíamos
uns pequenos açudes para nadar. Aeroporto não havia, mas esperávamos surpresos
os teco-tecos pousar no aeródromo. Asfalto não havia, mas o governo de quatro
em quatro prometia. Trem nem havia, mas passava uma ou outra carreta de dez ou
doze eixos. Semáforo nem havia, mas a recomendação olhar para os dois lados.
E tinha árvore sol chuva mãe-da-lua
e então existiam plantas planetas aves rios cidades... As araucárias foram carregadas
mais longe e quem sabe além... As pedras basalto foram levadas além e mais
longe...
Às noites, o cri-cri dos
grilos-dos-canteiros. Aparecia um conto de ficção entre a estrela Dalva e o
boitatá. Quem adorava narrar era minha avó dona Tinga entre o saborear de um
mate mais outro.
Eram noites, e eu escutava o
voar da suindara. Alguma coisa podia estar acontecendo. Os meus movimentos
instintivos. A cidade nem sequer um ponto turístico de respeito de cartaz de
monta de legenda.
Mormente àquela hora... na
metade em diante de abril de 1500.
No começo da noite ficávamos
brigando com os mosquitos para pegar algumas traíras no alagado. A lua
platinada uma ilha fantasmagórica.
Uma árvore embaíba voa uma
avenida Pedro Ivo da Silveira passa um dia pousa uma lua voa uma guria passa e
minha mente minha palma.
A paina alcança até as
estrelas e os signos alucinam as constelações. Às noites, os vaga-lumes de pisca-pisca
elétrico. A praça da FAB, comumentemente.
Trocando causos em miúdos com os
vizinhos e com os parentes:
- Lugar comum lugar de praça
da Emancipação de puçanga de jângal de irara, etc.
- Já nem se bicavam fazia oito
anos.
- Não me parece de todo fora
de propósito...
- Mais próxima dos 30 que dos
20, ela se sentia disposta a fazer mais mesmo tudo outra vez.
- Não posso não devo nem quero
ser jogador de futsal.
As borboletas de uma cor mais
leves voos que o ar alecrim-do-campo golfão-branco jurema-da-pedra baunilha
granadilha som invisível desgarradas.
Colhíamos pedrinhas para
coleção, jogávamos caçador no recreio, rastreávamos em vão as lebres nos
aterros, ficávamos horas esperando o próximo meteoro riscar um pedido no céu. A
praça Conde de Porto Alegre, comumentemente.
No centro um balão de abelhas cercado
por dois olhos dois ouvidos uma boca.
Catar ossos de animais nos
potreiros, garrafas vazias nos porões das casas, latas de alumínio e ferro velho
na sarjeta, etc., para vender, ganhar um troco e comprar bolinhas de gude. O
arco-íris monocromático, porém do azul cor do mar profundo ao azul da joia rara
turquesa.
D como foi dito e feito acima.
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