quinta-feira, 19 de julho de 2018

Chegue pra Lá


            

            D está nem é invisível virtualmente na parte Dele e eu andando roendo o osso na minha, tá certo! Olhem pra isto! Ali por acaso ou nada corre um córrego rio Acará, todos veem, assim fica o mato, árvore-de-coral, pombinha, apanha-saia, mimosa, quiabento... depois a rua Teotônio Vilela o sol outras coisas e antes de tudo a Ana Paula, inefável, de carro 80 km/h pra faculdade de fotografia documental e editorial.
Nem estou contente com o meu ir e vir me levantar e dormir. Outra ideia de dia descobri que D é uma hipótese hipótese. Nem tenho como desmentir ou me ausentar ou me matricular. E tem gente que pensa que é por si só uma montanha pedra Peito de Pomba. E tem indivíduo que sonha que é cachorra-da-palmeira ou jubatã ou pomba-parari ou lambari-prata. Cada um na sua vez. E tem comadre que nem tá nem aí. E descendem pessoas que colecionam horas de voo e viajar.
Com mais dia para os de menos dias: Justamente ela, linha reta e pessoalmente, foi no apartamento do namorado discutir um por que você montou no meu cavalo urco por acaso eu lhe dei ordem e autorização qual confiança almocreve açoutar açoitar bater com o açoite, aliás. Aí ela, tembetás adornando os lábios, pegou a arma na bolsa e matou o namorado com cinco tiros à queima-roupa. O cabra foi pego nos cinco pontos tingido em cinco postos vitais e claro abraçou a própria sombra nem resistiu.
Embora seria melhor uma coirana-amarela e ou capim-grama e ou camundongo-do-mato e ou marreca-pardinha... Tou certo! A pergunta é menos que as respostas. Olhem pra isto! O seu cabelo anda com ventos na pandorga alcançar os teus cabelos na nuvem nos olhos nos cabelos lisos e ondulados tão somente nas pontas.
- Quando vi o rio Inhomirim você disse eu vi Magé, saudades-de-asa-cinza, Nova Iguaçu, papos-de-peru, Paulo Lopes, chão de tatuquiras, dinízias, martins-pescadores-da-mata, Marco, os lendários apaniecra-canela ensaiando onfuás e danças rituais em torno da fogueira...
Uns batem no peito escorregam na cancha driblam fazem gol dizendo que têm o privilégio de falar com Ele e dialogar, e programam proclamam isso aos 4 ventos quatro cantos quatro naipes cinco continentes, etc. Fazem disso uma profissão de fé ofício oficial. Olhem pra isto! Um dia depois os grandes cabelos as asas dos olhos um mês o pedalar de bicicleta na calçada da rua Coruripe da casa cachos cabelos sergipanos depois passou outro mês do parque Serra do Tabuleiro.
Com mais dia para os de menos dias: De repente Mono o cachorro do ex-namorado começou a latir ganir muito forte ameaçador feroz impertinente dentes à mostra os gestos bruscos do cão. E ela pegou atirou no animal e o vermelho espiralado e o cheiro doce aéreo nos lábios carnosos. Errou o primeiro tiro que o bicho era manhoso mas os outros dois foram suficientes acertou os dois e depois de ter chegado bem o suficiente de perto.
            Agora se estes 7 estão certos que D, então, que Ele exista e os proteja, porque merecem o caminho a luz e o mês todinho de janeiro em Canoa Quebrada, Feliz Deserto, Vigia, Barra do Sana em Macaé, forte do Castelo... Mesmo sendo uns puxa-sacos de tempo integral e dna de 4 costados.
            - E você diz quarta-feira e presente fica quarta-feira com hora marcada no shopping Porto Estrela pizza de queijo com à serrana.
            Com mais dia para os de menos dias: Já saindo do apartamento do ex-tudo ela, peralta e tatuada beija-flor na virilha, viu o vizinho sorrateiro ali se mandando para o elevador desconfiou por acaso talvez tenha ouvido e chamado a polícia, aliás e etc. Sendo que também nem deu tempo de alcançá-lo e ela, habilidade nos vinte e seis anos, se precipitou escadas abaixo desde o sétimo andar na corrida coincidentemente sem saltos altos e aos pulos que era desde garota uma boa desportista esportista praticamente atleta do triatlo.
E vejo com estes olhos desmesurados que alguns dos mortais mortais recebem mais benesses benefícios beneplácitos benfeitorias e jetons bônus, mais namoradas lindas e carrões, jatinhos e embarcações, nomeações de herança, viagens ao exterior, estudos de alta diplomacia, paro aqui. Tudo bem que outros estejam como eu no mesmo barco na mesma canoa na mesma peça na mesma pesca, até porque assim esses devem também estar pensando o que eu digo. Olhem pra isto! Mais diáfana Ana Paula e, lenda que espera que continuar, assim mesmo assiste Nova Prata, quindim, Juazeirinho, doce de caju, Bela Cruz, pão de queijo, Santo Amaro da Imperatriz, sapupiras-do-igapó, Penedo, violão aprender a tocar violão nas tardes das às 17h e 30min duas vezes por semana de preferência sem chover sem gear.
            Com mais dia para os de menos dias: Embaixo de repente no saguão ela, abstêmia e sem o que ponderar, chegou atrasada esbaforida reduzida e já estavam lhe aguardando apreensivos uns homens e tais e quais. Ela nem deu recurso para diálogo discussão alguma e sua arma funcionou atirando no vizinho assombrado na recepcionista apalermada no boy desassossegado no segurança eventual que este já havia acionado a polícia. Ela teve que conter o gasto das balas quer dizer e pelo menos uma em cada cabeça e sentença sendo rápida certeira prática pedra automática todos cada um na sua vez e sem exceção por ordem de chamada. 
            O Brasil já foi escolhido por D e ainda assim pelos estrangeiros alienígenas boleiros turistas marqueteiros estudantes intercambistas que D é brasileiro. Agora somente está faltando acertar firmar comparecer com a grande maioria multidão dos tupiniquins. Olhem pra isto! Hoje agora agora mesmo sorrindo, empatia, os olhos contentes e riso rabo de saia, cobre a boca à força de emoção que lhe pulsa a partir obviamente do espírito, como os rios as árvores a repetição idêntica dos sons os braços abertos com o advento dos discos voadores na Chapada Diamantina e ilha de Colares.
            - O vento que move incondicional o mundo porém mas é incrível.
            Até acho comigo que D aprende com a gente os templos ecumênicos e é melhor Ele ficar mesmo neutro ou escondido ou sossegado ou natural. Olhem pra isto! E antes de Ana Paula, diáfora, e depois vieram os rios os agacis o rio descobre o porquê de contar e recolher os peixes, bagres-de-água-doce, piaus, os tucunarés, matrinxãs... as praias, os ipês-de-flor-amarela, gaturamos-bandeiras, os papa-cacaus, tauatós-pintados... e ela se fará com o título episódio A Nova História da Lenda Ana Paula. Tá certo!
            Com mais dia para os de menos dias: Assim, solícita e humana quase maternal, ela correu para o carro ali estacionado na calçada da rua Cavacué frente do prédio coincidindo com viu os policiais finalmente chegando. Sem perda de tempo pegando os dois de supetão o fator surpresa já foi atirando exemplar saraiva sobre e sem errar entre os olhos onde nem os coletes careciam. E ela mesma caprichosamente ligeira e se mandou no próprio carro arrancando deixando cheiro de borracha queimada dentes apertados até mais ou menos uns 80 km/h sorriso de massa urbanisticamente pelas quatro pistas de ida da avenida Saguaraji e se mandar.
            Vamos a SP pelo caminho do tatuapé e, emboralá!, é maravilha, milagres, Gurjão, cipós-de-paina, papa-arrozes-de-crista-negra, estrelas-do-norte, Jijoca de Jericoacoara, colubrinas, Trajano de Moraes, almecegueiras-de-minas... A troco de quê?! Esquecer e uma palavra fácil de lembrar. Olhem pra isto! Um dia destes veio você, merecidamente estrelas dos olhos, veio o tempo o dia quente chover e ou interromper a onda as ondas a praia do Refúgio e na outra manhã você mesma nem emprego nem carro novo o horizonte a terra o céu o mar.



quarta-feira, 20 de junho de 2018

E Assim Eu Digo


            

            Cheguei esperei na janela parado olhando o tempo o clima a visão das coisas e titubeando, etc. Olhei três vezes o relógio 7:06 de pulso e 7:16 digital e 7:27 do dia 9 do mês 6 do ano da graça de 2018. E prometia que nada ia acontecer ou desaconselhar. A chuva caía e rolava com gosto e parecia coisa pensada madura séria, e coisa artística é a chuva. Chuva e sol patrimônios noite e dia da humanidade. O sol é foguista até o dia da criação. E nem nada a ver da minha parte, está claro.
            Esqueci rapidamente o carro serelepe no guarda-chuva inefável.
            O manuscrito compreender analisar interpretar, ainda achado... “Meu caro querido ex e sempre amigo... e nem dá mais para segurar esse porém rojão da filial contornar até a sucursal fingir de matriz, etc... se vou embora... é assim ou assado como outra coisa qualquer e inócua... então, t-chau!
            E até a próxima se D quiser e reencarnação ajustar, etc.
Assinada,
...a árvore que planta cresce.”
            Fiquei vendo vendendo as feéricas estrelas, pensando bem.
            Mas um dia desses acordei e fui merendar com meus fantasmas, figuras imortais do meu passado, e tal e qual passado pretérito perfeito, etc. Às vezes me dão saudades, outras quiçá e na maior parte são só figuras mesmo de aquário, de álbum, de painel. Para falar toda a verdade sinto mais saudades de mim dos lugares Jussari rio Fundão montanha 2002m do Itambé das tardes de domingo no balneário Retiro que desses aí. Eu preferiria almoçar fora refeição num lugar arejado barulhento, fazer o quê, mas eles preferiram a ceia noturna o jantar mais chegado, música ao vivo. Uma prima outras primas a prima de miçangas no braço no tornozelo quantas primas melhor e eu puder. São desenhos na parede amarelecidos formas esquisitas manchas da memória de mapas cadernos antigos rascunhos esboços ensaios esquissos linhas apagadas livros embasbacados roupas que nem se usam mais poeira poeirada polvadeira danças zé-pereiras que todavia nem se dançam conforme.
            Fiquei olhando a rua Capixingui como quem olha um terreno lavrado plantado crescer caju e abio e amendoim e araticum-do-pará e outros.
            Entrei pela cozinha sem anunciar sem bater, antigo casarão dos meus avós muito antigos, anoitecia na lenta. Um lampião a querosene preso pendurado à parede. Nem rádio. Uma coisa que também é sonho é viagem é aventura são duas ou três. O cheiro de bife e polenta na chapa do fogão a lenha pão caseiro marmelada de uva doce de abóbora queijo derretido bem tostadinho crocante sopa de arroz e café e fumaça. A boca do fogão iluminava a sua parte a lenha crepitava cada um no seu canto quase na sombra se mexendo o menos possível e sossegado.
            Comprei duas malas enchi e fui correndo para o aeroporto mais ao sul.
            Encontrei avó óculos de armação opala e fala mansa sonolenta meias bordadas e sandálias franciscanas de pescador nos pés. Comia no canto do fogão a lenha um café com bolachinhas maria. Quebrava a bolacha na xícara e com a colherinha papava aspirando. Ela costumava tomar café preto adorava de colherinha, demorava, chupava o líquido toda hora com ruído, compenetrada. Avô tomava chimarrão e olhava através da janela envidraçada o oiticoró carregado de gaturamos. Ou o verão. A área a cadeira de balanço o cheiro de flores do mato o vento o horizonte dos morros lá longe uma bombada e o olhar na distância rua Francisco Venâncio Filho bairro Sarabanda afora e ou adentro. A estrada a faixa a RS a BR que vai passar um dia quem sabe mas quando o governo quiser lá do alto do seu pedestal. O cão Avião, distinto e ilustre e preclaro e insigne e nobre e respeitável e eminente, dormia fingido entre os pés língua de fora nas chinelas pretas de couro cru fechadas na frente. Avó trazia a chaleira de água ferventemente quente apitando fumegando sentava na cadeira fixa tampa se debatendo sua preferida rente. Avô comia as refeições de carne de gado e bife mal passado de palmo sem osso sem acompanhamentos acompanhantes.
            Eu olhei o sol que depois da tarde em dezembro há milhões de anos luzes e os maracanãs-nobres gritaria pulando da ilha Grande no Atlântico para o continente serra do Mar mato da mata atlântica.
            Depois veio a prima Aráquis, que eu adorava, que eu vira nua uma vez na sua casa tomando banho, que eu erguia as aleluias para o céu, pela porta aberta sem querer e casual e visual. Não tinha pelos e uns dois botões tenros que tentou esconder. No mesmo dia nos tornamos muito amigos e ela acabou narrando tudo pra mãe dela minha tia-madrinha que me deu de presente de aniversário um dicionário Aurélio. Queria sempre me ensinar brincadeiras que aprendia na escola bandeiras dos países e que eu nem sabia, uma vez. Prima irresistível prisma a tanto mais de 100 quilômetros por hora. Queria sempre desenhar e pintar margaridas, nuvens com cara de caravela, casas de chaminé fumegante, ema e filhotes, jangadas na baía de Todos-os-Santos, capororocas do banhado, losangos quadriláteros, saguis-caratingas, sóis que riam ou espetavam o cabelo amarelo. Queria sempre me chamar a atenção por qualquer coisa e ralhava. Coisas conspícuas. E a boca mais bonita e bípede e bicolor e bimotor e trilegal.
            A minha vizinha da esquerda não fala com gato cão mãe-de-anhã capitão-de-saíra embaúba-de-vinho e da janela cultiva lá fora mesma hora antes de sair todos os dias para a fábrica uma família de jacuruxis, por quê.
            Sempre e quem sabe tinha que ter ou até a estrada que fosse de terra batida e mais muito mais de ida que de volta, aliás, nem tinha retorno só partidas turismos turístico, etc. A paisagem sem ser a mesma as árvores se revezando se alternando revezar. Panorama repertório da janela do trem e que se desdobra em lugares simultâneos instantâneos passageiros e tem rio Reis Magos e quando se passa Muribeca e Escada e Igaraçu do Tietê e outra ponte. A visão de estrada fugindo entrando saindo e trilhas e travessias. Quem pular na fogueira da festa tropical como o macaquinho saá. A estrada tem nome as ruas o rio Moxotó as cidades as serras a montanha. E por onde se passa rua Coelho Neto. E ora eu corro de trem ou metrô ou avião, ora são o carro o trem o ônibus que disparam. O bom o simples e o aberto ao sol se renovam a cada pouco a cada curva a cada lombada e macio como uma aterrissagem de disco voador. E se tem sol ou chuva e tudo é bom e noite ou minas melhor ainda. A bonita, bonita, sapato agulha, sorriso largo, pernas aeróbicas, aromática e praticamente um alento e tanto. Quando prefiro por princípio entrar pelas ruas das cidades Pomerode andar ir e voltar dentro da teia da rede da trama íntima da municipalidade da Ilha de Itamaracá. Exageradamente e como galinhas os automóveis seguem o leito a vala comum rumo de casa. Já na estrada tem outras coisas e objetos e feiras livres, por exemplo. Cada coisa estranha que se chama de aventura. Nos mudamos para a rua Henrique Martins bairro Puava, simboralá! e como a minha alma a minha palma de todos de nós. E cada passagem com seu passageiro sua paisagem e está bem assim.
            Meu cão Guita bicho de estimação engordou 6 quilos e não quer passear de coleira e diz que nem prefere e justo cabeça torta me olhando um olhar humano late acoa ladra porém entende o português brasileiro.
            A prima tinha carnes olhos boca sorriso risos cabelos principalmente também sabia tudo. Eu já sabia que ela sabia assobiá como o sabiá-laranja. Eu sei que ela já sabia tudo de vestir e pentear e assistir novela e passear no shopping. Eu gostava da prima como continuo gostando também gosto das águas das árvores das ruas das praças igualmente do parque Goiapaba-Açu das tartaruguinhas pitiús-aiaçás nascidas e criadas e protegidas junto às praias e águas doces do rio Negro. Nós gostávamos preferencialmente de uma árvore cedrorana e até subíamos nela de manhã de tarde e procurávamos alcançar os tarumãs, azedinhas, jabuticabas, pitangas... Tinha praça com acampamento aueicoma tinham canteiros do jardim tinha estátua tinha árvore casca-preciosa ornada com enfeites de fim de ano. Prima em atitude diferente, habitante deste lugar, acha tudo e não esconde nada, obedece a tudo o sol a lua a chuva e mora na praia nas manhãs nos fins de ano areia branca e tudo e o mar vento garapa roupas leves flor de maracujá-branco no cabelo. A estátua tinha posição de soldado embora nem fosse marinheiro nem general e ficava ouvindo os frequentadores escutando sempre em silêncio estadual seja no dia do carnaval ou qualquer outro festival charangas farândolas zabumbas comícios. Existia um alagado uma lagoinhazinha procurando ninho de quero-quero procurando traíra sapo rã ovo de saracuraçu pisando no molhado no barro procurando flor de gravatá cravo-do-mato procurando ainda. Quando a prima tinha 8, 9 anos eu tinha 8, 9 anos de idade. Parecia que ela tinha 12, 13 anos de idade e eu uns 6, 7 se tanto. Era de cabelos longos e fofos e ondulados e eu tinha prima para o resto da vinda. Porém nem todas as primas são iguais e transparentes. Ela era sem dúvida desigual e airosa. Feira de frutas sumo de polpas coloridas e água na boca e sem escolher o ano mas aí por novembro dezembro. Fomos na praia de Candeias e Jaboatão dos Guararapes e ela sabia fazer casas ruas quintais e sumir água do poço no mar. Depois lembrar olhamos o mar com espanto demoradamente o mar o navio o céu o vento mareiro a nuvem gaivotas pandorgas o sol o navio as cores se pareciam e em si misturadas.
            O verão traz do mato umas frutinhas que quase ninguém conhece mangaba pitomba cajá araçá guabiroba e assobios e pios de inhambu jacutinga mutum seriema.
            Vieram. Um tio contemplativo que queria ser monge budista vegano mas ficou muito mulherengo língua comprida saci-pererê e babando. E outra prima que não gostava de brincar mas escutar núbil as tias falando de tudo um pouco de maridos modas filhos compras namorados vestidos baladas e lia minha palma no original um caminhar andar rebolar cabrocha atualizado para os dias contemporâneos e uma alma intransferível. Um primo que saíamos juntos para as matinês do cinema das festas dos carnavais no clube Ibura para as conquistas das gurias das paróquias e capelas e povoados e sítios e balneários e cabarés. Meu tio que matava boi com uma arma branca especial facada sorrateira até o cabo. Minha tia muito forte, acomodada, sempre sentada respiração ofegante riso comprido solto alto atriz. Ninguém até hoje consegue imitar a água imitando a chuva a água o rio Itacanoeira a cor verde a prima a atmosfera da primavera o raciocínio preciso dos cavapitãs vespas. Dois quadros na parede que já não se pareciam com avó e avô e cada um no seu quadrado moldurar dourado. Um time de futebol com tios uniforme completinho, se diga de passagem!, e primos e parentes e aderentes próximos. Uma festa de casamento na capela dos Três Mártires um sábado estrada da linha General Osório uma manhã uma festa do sol dos jerivás das espelinas dos anambés-brancos-de-bochecha-parda um casal de tios tirando fotos antigas com risos e deboches dubla de violeiros duelando. Os olhos elétricos de chope colarinho batatas fritas conversa jogada fora e fuzarca folia farra bagunça bruaá. O dia a manhã a tarde da festa jogo de bocha e soneca na sombra do jatobá. Minha primeira foto conhecida salva do naufrágio do incêndio dos achados e perdidos das mudanças numa festa de padroeiro São João Batista com corrida de cancha reta gineteadas e mais torneio de futebol na manhã e tarde de céu e puro e cristalino e neopratense.
            Aparece uma árvore curuiri uma nuvem paralelogramo uma casa de singular colecionador uma ideia geralmente e seus representantes no congresso reclamar pedir dissertar sugerir objetar censurar.
            Um dia na hora tal local igual cheguei e pensei: será Aráquis que uma vez um dia um futuro fará uma obra-prima e de arte para o mundo uma invenção com o nome numa praça numa rua numa escola? A prima caminha até o espelho e para na imagem refletida. Imaginou o sol na estrada com paisagem à vista, etc. Fazer turismo em Amazônia Legal, tá certo assim!? Ela mesma natural em desenho animado. E muito olhava para o horizonte dos olhos azuis. Onde desembarca lugar o trem o barco e até o avião? O seu mundo de expansão. Falar bastante dos rios da direita do rio Tocantins, então! E o sol perguntou se desejava mais alguma coisa, enquanto isso.
            Olha onde o trilhozinho acostumado uma formiga caminha, outras formidáveis formigueiro vão atrás determinar, lugar que dá perninhas apressadas de formigas, onde uma formiga antenas ligadas volta e meia tenaz aparece.
            Ao se despedir ensolarado alotador proverbial no murmurante carro de bois, gavião-puva flor-de-carnaval sapota jurema-da-pedra maria-mole, o sol se lembrou lembrar de algumas coisas, falsa-erva-mate aipo-chimarrão bucha-dos-paulistas capitiú, e deixar deixou estrelas prometeu no dia seguinte variar invariável os seus golpes mas nem tanto. A lua mora na noite que quiser. O sol longe as estrelas fixas arrebóis. A lua salta da copa do araribá-branco. O rio Pajeú hidráulico. E quando eu conheci o mar tinha onda duna praia mina vendedor de chapéus e vento nordeste. Depois a minha prima na rua avenida Caxangá e de bicicleta. Saiu aquele dia concedível e entrou aquela noite inexplicável inalcançável.
            Depois do diálogo pronto sem compromissos ele ficou arbusto ingá-de-fogo foi na entrada e saída de uma loja de sapatos bolsas e camisas e ela aconteceu erva maria-gomes.
           


terça-feira, 29 de maio de 2018

Como Encontrar Um Tesouro


            
           
            Viajar o mundo todo e achando cada coisa: E uma noite de lua e estrelas e corujinha-orelhuda e vaga-lumes e grilos e sapos, e para mim. Voz musical cantante simplesmente nuvem e também perita. O sol toda a preguiça silenciosa levantou para receber a manhã parecida. Uns seus pontos turísticos brilhantes no rosto na testa no cabelo principalmente nos olhos no olhar. Esguia e seios impulsivos e a tarde de luz dourada singular.
            - Ela tal olhava longe lá longe talvez sossegada demais, a que horas?, talvez nuvem, abelhamirim, saíra-guaçu, Nonoai, Itapoá, apurinã, uliia, alfazema-brava, etc. Começava já a estreitar a casa.
            Esquecer o tempo o dístico a arquitetura: Arte de obra de arte nova, eficiente, fora de série, suficiente, carinhosa, querida, e dos cabelos lisos longos sem joias pretos brilhantes. Uma experiência excelente. Colorida e humanidade. Olhar magnético e diferente. Cantarolava em flagrante intimidade amizade religiosidade com o bem-estar. Riso angular. Feições proporcionais e reservadas. Jeito de ser pessoal e sorriso de esquina peculiar e a tatuagem de flor de alecrim-de-são-josé no antibraço esquerdo lado de dentro.
            - A guria se chama e já se nomeava cidadã tal e qual Guajiçara. Ela chegou a casa à tardinha.
            Deuses deusas ou mistérios ou templos: A brisa nos olhos nos cabelos na cara a temperatura a paisagem das coisas a velocidade livre trissar das andorinhas. Carta ofício relatório minuta nota mensagens aviso convite. E a 8 de novembro ela voou para Guaxupé ou Novo Cabrais ou Santa Clara do Sul em o Continente de São Pedro do Rio Grande do Sul, isso mesmo. Um sol forte com raras e oportunas nuvens e aviões comerciais convencionais. Praça Tubal Vilela, sambaíbas, perobinhas-do-campo, xurus, pica-paus-fura-laranjas, canelas-braúnas, em Uberlândia, Uberaba, Triângulo Mineiro. Como o trem puxado vinham juntas como a cauda as perguntas as respostas como quê.
            - A Guajiçara passeava com a bíci pedalava com habilidade porque sim com elegância da qual se tiravam dois espelhos retrovisores com fitinhas de tecido coloridos amarradas aos suportes. Aleia de frutíferos buritiranas e congonhas-amarelas e magnólias-do-mato na rua 13 de Maio e sufragar votar eleger. Confiava nas árvores nem pensava displicente mas acreditava em tudo.
            Uns casos de sorte coincidências acaso: Já cruzou perto de casa a rua Bartolomeu Bueno da Silva para apreciar pão de sonho e café solúvel aroma em a padaria Puri manhã breve bem cedo festiva 7h e 22min, andando. Viajar na janela de filme de trem maria-fumaça e tais e quais os ingaxixis os junquinhos a Candelária a Itaiópolis os pirarrã os bizogues os itapemas, e adivinho intérprete artista. A noite estava estrelada o dia claro nem chuva em vista prevista fez calor amanheceu ela foi caminhou e solta simples aberta decidida e durante a rua Ilmo. Sr. Dr. Manuel de Oliveira Lima até a loja Jamamadi na montra e os pássaros incidentais cantavam com gosto chora-chuva-de-cara-branca arredio pomba-rola saurá... e sem compromissos.
            - Vou ser uma craque do vôlei das telenovelas quiçá das passarelas! - consigo mesma pensando nos que nem acreditavam no seu potencial na sua vontade de ser que sempre achavam que ia desistir e outras coisas chatas nervosas.
            Paciência e resiliência e deparar os discos voadores e ensaiar a magia: O olhar sempre macio quente verde musical infinito. Formava no cabelo penteado uma espécie de aritmética ou artimanha ou redondel. Nem viu a uva-do-rio-apa, passavam as nuvens altas, as paisagens sacudiam os verdes, um perfume sabores de sucos, um carro velocidade constante na rua Itapiru bairro Guarani em Novo Hamburgo, etc., as pessoas já assistiam tevê na terça-feira, um cavalo tobiano pedalando a bíci pedalar, a lua novinha em folha volta e meia aprovada dentre as copas das árvores juncos-bravos e disse:
            - Mmãe!
            - Hum!... Que é que foi ou será?
            - Por que a Mmãe ganhou flores e frutos e o buquê com um vaso de vidro azul azulado trabalhado e tudo?
            - Porque é dia das mães, é.
            - Eu queria ser mãe como quase todo o mundo e cada uma cada tal e qual, então!
            As figuras de legenda de quem e era uma idade na região do sertão da Farinha Podre: O vento acontecia com assobios e mais, e relâmpagos, e raios, e o trovão. Quando de passagem por Soledade e São Vendelino e Barueri e reserva avá-guarani e as cidades ficaram cobertas de nuvens e pesadas e carregadas de eletricidade. Os aborígenes naturais livres tapuias se compraziam dançar o sairé. Um raio repartiu os destroços os pedaços tumulto em pânico da atmosfera. O dia pediu água até a manhã seguinte, ainda choveu satisfatoriamente.
            - Largou... largou! - dizia decidida firme de si para si convicta e para as coisas que fizera que deixara para trás, mas onde como com quem por quê?, e nem queria ter mais pensamento nem saudade pertencer, etc.
            Nem vê que já outro dia um rio uma cidade diferentes uma vizinha nova: Agora nem mais ou menos dúvidas. Ela olhou para a paisagem em si. Domingo o dia todo pra onde ir a domingo. Parecia tudo dominado aforismo apotegma preceito máxima ditado. O sol da manhã contava as ruas a rua Cândido Portinari as árvores o barbatimões-de-folha-miúda madressilvas-verdadeiras as casas os automóveis os adultos com seus filhotes e ou mascotes.
            - E nem... me... pertence, pronto!! - seu pensamento calado, bem pausadamente convencida bem pensada, quando algo ou alguma coisa a superava no que nem podia ter ou ser ou conquistar ou merecer enfim que era de outra de outros e nem estava ao seu alcance, e se resignar.
            Olhar quatro vezes a paisagem possível e no entanto agora: Hoje mesmo seguimos viagem para Presidente Olegário e Carmo do Cajuru e Jacarecanga bairro de Fortaleza. É preciso fazer alguma coisa como se os astros fizessem marimbondos-tatus, sáurios, pacapiás, rua 3 de Novembro, itacibas, guacos, e contemporizar ladear ceder.
            - No surreal ao meu alcance tudo e prático e presente! - pensava acalentava adorava contemplava consigo onde somente a fantasia a lua as espaçonaves os rios a praia da Alegria os junqueiros-de-bico-reto.
            A montanha bichos de pedra por nuvens e ventos quadrantes: Evidentemente o sorriso mais brilhante esportivo divertir comemorativo. Olhos próximos cintilantes de luz dos olhos bonitos de se ver. Como ela a borboleta a ave a folha, nem podia perder o tempo. O lugar passava o rio tinha uma cidade estava ao largo o rio. Se conseguisse voar de canteiro em canteiro. Incrível mas o mundo era outro quando tudo estava já esquisito. As cores dos aromas das folhas das árvores da paisagem das beldroegas-grandes chapéus-de-couro sangues-de-cristo... O céu isso mesmo coerente. Voos e aos pulos, meditados. Àquela hora todos já tomados banhos todos estavam acordados. Era expectativa. E voava alada passarinho som se fazia superalada por si mesma e gostava do que via e inspirava, etc. Já brilhando havia 1h pouco mais e de existência. Às vezes o vento. Voo silêncio. Nem tinha família, ainda. Andava andava pelo ar e o céu de olho no sol amarelo. Algumas plantas selvagens pássaros besouros libélulas triângulos quadrados geométricos. Tudo ao mesmo tempo em toda parte, e consentido. Também os olhos pulavam. Simplesmente pintar as asas de verde um verde. E outros insetos bichos pessoas os transeuntes. Se conseguisse voar de costas acompanhada no dia seguinte suave na chuva um domingo. Subiu desceu ziguezagueou circulou. E navegando o mar era o barco a tripulante a passageira a bandeira plaplanante. E era o mundo inteiro e ela mesma, seguinte. Já ultrapassava das 15h e nem tinha comido nada nem ninguém. Um milagre e quede D perito milagreiro.
            - Eu sou uma profissional sideral da arte astrônoma rutilante luzente cintilante! - para nem cair nas besteiras tentações nas facilidades ou das nuvens, já batendo no peito em ideia fixa missão, certa do seu valor futuro mensageiro, e cometer umas asneiras e ir pelo caminho mais louco ou curto ou controverso.
            E regressar para contar a bem da aventura: Certa feita eu era um jabuti e saí certa vontade para aventurar o mundo, azular. Fazia sol e era engraçado. Eu vi o trem o trem passou por mim a mil, etc. O parque do Itatiaia. De noite passava as horas ervas aguapés aningas-da-água juquiris-mansos flutuantes coaxando coxando fêmeas, e cantar. Tudo próximo e qualquer coisa. As estradas cortando a geografia em Poços de Caldas e Paranhos e Lago da Pedra e tribo aueti e rua Conde de Afonso Celso, meditado seguro amadurecido abacaxi. Esse o rio tal aquela a planta fulano passarinho comadre mamífera e até os montes bichos de pedra tinham nome, justamente.

sábado, 28 de abril de 2018

Resiliência e Resiliente


            

D Eu sou e quando Eu ilumino de manhã que Eu mesmo respondo ao esplendor Meu. O que Eu quiser, ajeito. O Meu nome de Caçununga. Penso imagino cismo e Me vem a ideia de caminho de estrada de rio Paraopeba, rio Tejuco, rio Coxipó...
            - Vou subir no alto deste prédio alto espelhado estou andando subindo e me jogar de lá de lá de cima. Beira da semana, meio do mês, início de ano, término das aulas. 14h e 23min sempre são uns números interessantes e pra se recordar até o último suspiro instante. Poderia me atirar da ponte ao mar, me cometer um tiro no céu da boca, tomar um cálice de veneno de rato, pular de paraquedas sem abrir os paraquedas. Por onde e como e quando e quanto e por que não faltam. Mas o prédio está mais à mão, sim senhores e sim senhoras!, vamolá!, e estou indo me acompanho.
            Sei Eu que devo colaborar com o açaizeiro mais à mão açaí ao alcance, etc., a jabuticaba sem caroço, o cajueiro no sul, o pinhão no norte... Sempre Eu empenho que fazer que colaborar opinar adiantar... O Meu nome de rua Quipiú...
            - Tenho estou bem tenho tido oportunidades e posso pensar várias coisas que me ocorrem lúcido e ao mesmo tempo. 10h e 10min são os meus passos no universo percorrendo o chão o cheiro que me acompanha o rasto que me desocupa. Tomei uma decisão e não vou recusar. Os motivos não me faltam e nem vou nomeá-los arrolá-los desenhá-los, etc. E eu sou assim e nem sempre vou ser. Com isto ou aquilo, acá ou acolá.
            É o azul que Me cabe preencher. Eu reponho tudo mesmo em dia mês ano hora. Ao mar que se move. A cachoeira nem está ali sem o rio Purus, os gorjeares nem estão ali sem a jacarina a carqueja-de-bico-manchado a fogo-apagou a cigana, a floresta a mata a capoeira nem estão ali sem os saguis-leãozinhos os juparás as amoras-verdes as canas-do-rio as apuiranas as molianas, a natureza o meio ambiente no conjunto está ali porque os nativos amanaié tuxauas pajés também pescam colhem arrecadam coletam...
            - Estive sentado no banco da praça João Pessoa durante as horas anteriores expectantes pensantes silenciosas murmurantes, etc. As andorinhas trissam por lá e vão e vêm e revoluteiam. Pois elas nem plantam nem fiam nem costuram nem trocam nem compram nem vendem e outras coisas também não. 11h e mais 22min de segunda-feira pra cá pra lá tocando cantando dançando compondo. Uma mãe trouxe seu filhote pela coleira e ele veio direto e reto se apresentou cheirar meus pés protegidos pelos tênis comprados à vista nas lojas Bonari na esquina da rua Alberto Rangel com mais a Oswaldo Cruz. O rapáiz não se importou comigo nem me olhou na cara cheirou e passou pra outra etapa. Se ele não se importa eu vou me exportar? Em seguida lá foi ele no colo da mamãe já estressado com a escada rolante.
            Eu nem minto e recolho tudo todos na palma da Minha mão. O Meu nome de rio Araguari. Até porque com este calor... proliferam povoam muito quaisquer invenções os sassafrás-do-paraná, os pacaris, mamoneiras-miúdas, cricriós, as corujas-católicas, frangos-d’água, os canguçus... Hoje sou Eu todos os dias de Mim como um cão procurando alcançar a Minha própria cauda. Logo sou D e metafísico. É assim que Me acho ontológico e disponho Eu neste que sou.
            A cidade municipal urbana rural tem que Eu produzo em ajuda de criação orientação e apresento duas coisas importantes que nem pretendo deixar de noticiar um rio serpentino de nome novo Mojuim, a praça pitoresca de encontros de emigrados imigrantes migrados em desorientados Serzedelo Correia, um parque do Iquiri ainda propriedade dos índios macu-nadebe, uma baía do Guajará, a festa famosa no mundo inteiro do círio de Nazaré, o projeto Pé-de-Pincha dos novos tracajazinhos, a avenida arborizada Domício da Gama de oiranas endêmicas da região e mata atlântica...
            Então é o que Eu desperto no espaço é o que Eu faço. E Minha ideia toda está aqui assim cômoda harmônica identificada confraternizando. E Eu mesmo crio as estrelas a noite as falenas a iara os oitibós os percevejos-do-mato as suindaras as cadentes a lua ajudo muito nos avisos luminosos...
            - Subo agora pela escada de corrimões tubos higienizados assépticos pintados de amarelo-pátria. A escada mesmo bem sinalizada como uma coisa nova e correta e extintores de incêndio depois de dois lances em cada piso. 12h e 11min são casas de todas as portas e janelas abertas, uma vez. Tenho muito cuidado não tropeçar, as luzes se acendem automaticamente com as lâmpadas de tempo, etc. Leio os cartazes em português comum e estrangeiro bem acessível legível altura do olhar cores vibrantes. Até para me suicidar preciso tomar decisões, precauções, não declarar a ninguém, enganar e mentir, não chamar a atenção para que não acionem a polícia e o corpo de bombeiros os parentes do escritório os colegas da família. Não vou pelo elevador por pura superstição, e talvez para não chegar antes do tempo, com talvezes de contar ainda os degraus que faltam que foram.
            Abro o ano novo de modos que vai ser assim mesmo como Eu quero exortar, estimular, animar, e queima de fogos. Eu mesmo comprometo muita matemática calculada nas pontas de folhas de flores de asas muitos exoplanetas cidades balneárias Campo Novo de Rondônia, Santa Rita do Novo Destino, João Pinheiro, Araçaí, sucesso muito à tribo baré, rio São João, ilha de Marapatá... e Eu construo com meus próprios feitiços experimentos Minha sabedoria infusa os sanhaços, gaturamos, micos-estrelas, APA Serra do Cabral, rua Manuel Urbano em o bairro Educandos, almécegas, jeburus, folhas-santas, angelins-doces...
            - O prédio é mesmo alto e bem trabalhado ótimo acabado, tudo em materiais de primeira, talvez o maior e melhor bem localizado no centro da cidade, deixa pra lá!, eu queria contar os andares as varandas as churrasqueiras nas sacadas. 23h seguidas de 11min bem cardinais arábicos performáticos no relógio mostrador do celular. Ela tem mania de tatuada e desenhou um diedro tatuagem. Gosto de prédios com janelas vidraças em vidro fumê. Isso é bem normal e conveniente convincente num clima quente de dias e dias tropicais ensolarados nossos típicos até mesmo para os passarinhos tietingas garrinchas sabiás-pimentas não se enganar, etc. E a rua a mais movimentada, cheia de comércio, bancos, lojas de roupas e calçados e eletrodomésticos, muita gente pedestres campestres rupestres alpestres e automóveis bons brancos pretos amarelos vermelhos e cão na coleria andando pra cima pra baixo pesquisando postes e árvores e sapatos e pneus e portas de magazines.
            Onde Eu sou. Aceito as Minhas explicações e não dou por terminado o assunto. Não é difícil fazer o rio Santa Rosa, adivinhe: primeiro Eu faço o mapa do Ceará, ao mesmo tempo a serra do Cipó, as aratingas-de-bando, os chora-chuvas-pretos, capitão-de-saíra, o rio Antimari com sua chiata típica personalizada característica, a cidade de Japeri, município de Itaguara, buritis-do-brejo, mulungus, ilha do Meirelles, o boi-de-zabumba, praça Vicente de Carvalho, pessoas humanos dos continentes espalhados ocupando os espaços longo longe logaritmo ancho espaço muito bastante mais o oceano Atlântico...
            E Eu sou todo e muito... nem estou Me escondendo... tenho Comigo de Mim o infinito... penso redundância e pleonasmo... o Meu nome de Japacamim... sempre O Tal Onisciente que sabe absolutamente e que todos reconhecem nem nunca vão ver completo... e levo Comigo o excogitar futuro presente passado... e Eu planejo o que muito além...
            - Estou aqui estou indo, peraí! me encontro já no terraço o alto do pódio bronze prata ouro solar bate na minha cara, o céu está sem nuvens e côncavo, nenhum helicóptero então no aéreo, um belo dia e seguro para morrer de uma vez de uma pegada só e sem rodeios ou par e ímpar. Ela com certeza já vai conhecer, emboralá! Ouro Preto, Pompéu, Goianá, o sorriso pronto construindo tudo a sua volta todos São João de Pirabas, Guadalupe, Uberlândia, a tribo dos naque-nhapemã. Me deixaram subir sem mais nem menos. Pulo fardado aventuro como estou camisa manga curta gola redonda com grife desenhada nem pra cima nem pra baixo da média aquisitiva do comum do povo e calças compridas de com bolsos joelhos barras esfolados? Deixo um bilhetinho com erro de endereço e telefone e email? Atiro os óculos de grau para sentir o fundo do poço? 15h com 30min porque eu tenho alguma coisa a ver com os números do tempo afora. Mas esqueci da caneta e do papel e da net. E por que deveria, e a quem interessaria meu último destempero meu último roteiro minha última herança? Quero morrer e ponto final de uma vez, pronto. Quem vai se importar da condição estado jeito sumetume do de-comer capim-dos-pampas pela raiz? Tem alguém aqui ali, pra cá pra lá, a cotação da soja na bolsa, as exportações de bife, etc?
            De onde Me tenho informes informações tão precisos e estudar e analisar e esmiuçar e debater. E Eu mesmo recomeço tranquilo com um riacho o rio Moa com a serra do Divisor na cidade de Várzea da Palma precisamente o distrito de Barra do Guaicuí, isto mesmo assim hoje é o dia em janeiro. No mais a mais tudo revolta em volta Eu aqui na sequência. Uma coisa Eu puxo outra e chove de dia clareia à noite... O Meu nome de Macambira.
            - Chego e ultrapasso trapezista a grade que me separa equilibrista do espaço branco falso avassalador assustador. Vento na cara é bom e um certo interesse do ar em me ver tipo assim como mastro seta da bandeira nacional. O vento sempre vem do nordeste nesta altura do mandato. 6h e tais e quais os minutos 18 marcadinhos com pulsar. Nunca tinha visto a cidade deste ângulo tão perigoso e vertical e radical e abissal e ave de rapina. É como estranha a urbe o vale e chego a duvidar. Que parece o fundo do mar com navios encalhados nas extremidades das ruas, frutos do mar, crustáceos, mexilhões, baleias-bicudas, o rio Jutaí que deságua chega aporta se entrega banha a baía de Guanabara. Ela gosta de pizza de queijo e caldo de cana e suco de abacaxi de pequi de caju. Estou de frente para a rua Barão de Loreto e estuante escaldante ardente e que está muito quente elétrica como uma serpentina acesa. Sempre tive um pé atrás no caso de voar, calafrios de alturas, vertigens, olhar o mundo do jeito das aves, tenho lá meus tremores nas pernas, os arrepios, etc., nunca fui de viajar de avião, de andar de balão, sinto muito até de subir na cadeira para trocar uma lâmpada. O ar livre aqui faz sensação e é bem mais leve. O vento insiste em me bater na cara e atiçar os meus cabelos minhas crinas de espiga de milho. Passo tentar posso devo voar daqui mesmo tatalar umas braçadas e meia.
            Permaneço o dia total tudo 24h por todo o tempo completo íntimo de Mim mundial, e ordenar selecionar concatenar analisar. Sempre que Eu tenho este Meu ideal novo aparece presente um rio Biá, um enxame de frecheiras, uma alta itaúba-branca, pirararas, e bem-te-vi-de-coroa mais suas apelações quase populares que são tiuí, teuí, tic-tiui, siririca (f) e pelos índios purupuru também como pituã, pitaguá, puintaguá...
            - Buzinam, despertam sirenes, pessoas aparecem nas janelas dos prédios, na rua fluindo refluindo o trânsito se tumultua, todos para ter o que contar, querem ver o me suicidar, vou sair nos jornais de todos os sítios os blogues. 9h e 19min estou conforme o acaso e esperando no aguardo. Estão me olhando na última página. Não posso interromper agora nem decepcioná-los. Vejo as luzes coivaras das lojas vendendo tudo pelo menor preço as lojistas na porta esperando clientes fregueses e com ofertas com porcentagens de desconto com sorrisos riscados a lápis, e seja bem-vindo! com crédito no cartão.
            E Eu sempre quero ser um craque de futebol e outros lances e esportes. Mas então Eu vou criando fantasias fantasmagoria fantástico espetáculos o palácio Itamaraty lá de Brasília, tejubinhas, socoís-puladores, os tapitis, as pardas e branca preto amarela vermelho, os muritizeiros, guaçatungas, a enseada de Botafogo com isto tudo Me dá uma mania de grandeza e apetite de superioridade que o rio Tarauacá, a ilha de Caratateua, a rua Hilário de Gouveia, os famosos as fabulosas tangarás-açus sempre toda manhã perto da noite despertos esfuziantes motivados muito comunicativos...
            - Sinto uma falta de tudo e de todos mas vou lhes dar este gostinho de me verem cair me atirar voar sem asas e me espatifar me recolherem de pazinha. Eles merecem e eu desapareço? 0h com 1min e parece muito cedo para acordar alguém muito tarde para outros, quem sabe. Absurdo que uma pomba-trocaz veio impossível demarcar me expulsar do território. 17h e 17min são também 5h e 17min da tarde perdendo a cor natural. Nem estou me reconhecendo. Ela gosta de tirar férias em navegar o rio Jequitaí, estudar as guiratingas as jias os sonhins as mamangabas, proteger preservar cultivar as bromélias. Eu prefiro acho que já estou fora de mim e meio que redundante. E se eu fosse outro muitos onissapiente. Vou me atirar picolé no asfalto lá embaixo e daqui a pouco se D dispor.
            A 29 de janeiro de 2019 Me lembro como se fosse hoje como se fosse ontem amanhã ou depois... O Meu nome de Candimba. Nem paro de inventar o Meu rio Moxotó porque gosto de rios e estradas e trilhos e por aí afora...
            - Estou esperando uma situação uma sensação e me vem à pele da cara apenas o frio do vento. Sem chuva sem poeira sem poluição quede aquela chuva prometida aquele tempo o período tal e qual piraoba a sazão para compensar o momento importante? E nada mais conta nesta hora h talvez tão-somente um empurrãozinho um desequilíbrio um peixinho. Estou me lembrando de algumas ideias de mergulho de trampolim de biquinho mas vou ficar na minha. Ela conheceu comigo fomos juntos o roteiro circuito das cavernas lapas locas minas Januária, Itaúna, Nova Mamoré, Mâncio Lima, gruta de Maquiné. 16h mesmo com 4min não descontam menos nem pouco minimamente nada.
            Tenho feito nenhum outro lugar este como a face desta Minha terra com água e terra e tanta chuva temporadas de chuva águas enxurradas rios lagoas nuvens carregadas trovoadas terra dos raios o Meu nome de Catauari e leste a oeste e pressentir descobrir criar e assim por diante como Eu favoreço...
            - Ouvi dizer vi representar os índios suruuarrá batem batem no tronco da sumaumeira-da-terra-firme para se comunicarem à distância. Esta é a melhor visão da cidade, acredito. Tenho que estar aqui mesmo neste lugar do mundo e de mim mesmo e por quê. Vou ver aquilo mesmo o que é calqueé do outro lado e se tá ou nem aí. Nem conheço muitos lugares. Tudo continuará com pena ou sem penas, etc.
            Nem levo um dia ou dois e já ponho umas nuvens os dias as noites se chovo ou quase chove. Eu conheço com Minha obra o rio Abunã as pindaíbas-d’água que gostam de chuva e os batiputás-bravos as cássias-rugosas os timbós-do-campo landis os mutuns teréu-teréus os tatupebas guaribas taturanas... o rio que é vitrificado vidrado repleto cheio de navegar maravilha em desnível transpassado aqui assim ali então de araras-do-nordeste...
            - Sinto todavia outro frio na barriga de fome de sede de frio de vazio hora do chimarrão. Abro os olhos e amém. Vou tirar as mãos da balaustrada, etc. Somente mais um passo só mais uma olhada de repentemente. É um belo cartão postal com fogueiras luzes de outras cores. Abro os braços como a estátua do Cristo Redentor como uma cruz como um avião como um gavião-de-anta como uma ave marinha quando andorinha-do-mar no sobrevoo pela pesca. 11h e meus 12min tinham que ser assim e agora nesta manhã sem nuvens mas porém com testemunhas ocasionais ansiosas queixos erguidos alarmes de carros disparados pescoços doloridos cãibras nas costas. E será que não esqueci de nada? Sem mais comentários amostra grátis sentido incompleto com desnível psicológico trechos de biografia resumida sumariada. Nem um mísero documento com fotografia? Me apalpo os bolsos? Espero um sinal um favor uma fanfarra, e que ruflem os tambores! se tambores quantos houver, cheguei ao fastígio, algo comigo que, tum! tum! tum!... conta até três...
            Permaneceu ali da hora... ao minuto... e depois agora Eu o mando embora, vai se catar!, etc. Para compensar a Minha verdade boa ideia Eu sempre tenho pressa estou em desenhar a lagoa do Moinho a ilha da Galheta de Dentro a rua Guajaratuba riscar no novo mapa longo longe tortuoso divagante o rio Iaco o rio Javari o rio Tajapuru, e seus afluentes da esquerda da direita igapós igarapés jenipapins barbas-de-lagoa cidades Urucuia Baldim poraquês piaparas surubins-pintados desde a fonte até o fundo a correnteza revoltada vertiginosa rolante atropelante corrente tribo acroá movimentando cachoeiras jaós patos-bravos quiriquiris vegetação ciliar coqueiros-catolés açoita-cavalos taquaris sarandis parque Mangal das Garças usinas cidades rio Maruá descansa na baía de Camamu, apegado à gravidade angular... que falar nesta hora elástico e estica e encolhe e Eu concluo quê...

             

quarta-feira, 14 de março de 2018

À espera de voo para Manaus




            Antes era a Jacitara a guria que tinha obrigações comuns que nem sei como as carregava encarava resistia tanto e por pouco praticamente quase nada. (segura mantém o copo cheio até a metade ou seja pelo fuste) Corria o dia inteiro como se diz pra cima e pra baixo na casa na rua no emprego, etc. (que horas você chegou? quando que cheguei?) Até se descuidava do corpo pegou uns quilinhos dois ou três pneuzinhos a mais ou menos (pão de metro cortado em algumas porções pedaços para fazer os Baurus) e nada bem localizados. (vai até a janela para conversar e observar a rua o rio Gualaxo do Norte a lua) Seis horas da manhã corria pela calçada passeio de saúde um dia sim e outro não da rua Luís Gama no mesmo bairro Afogados contanto ao longo dos quatro quilômetros ida e volta os pés de ixoras-brasileiras em fila de um por um. Raros eram os sábados que conseguia uma hora marcada para arrumar o cabelo e polir as unhas. (a rua avenida movimentada principal como se fosse a rua da Praia a avenida Paulista o calçadão XV de Novembro a rua da Bahia a avenida Campos Sales...) Sair para jantar com a família no Clube do Cupim? Férias de uma semana em o pampa na serra catarinense no pantanal mato-grossense? Aquela excursão para o Maranhão e praia de Canoa Quebra? Caso saísse sem as crianças ficava preocupada, se com não tinha sossego atrapalhada perturbada embaraçada. (sexta-feira dia 8 às 14 horas encontro marcado reunião no bairro da Madalena) As ambições e sonhos e fantasias e projeções foram todos frustrados ou deixados para mais tarde quem sabe lá D quando e onde e por quê. (seu pensamento nunca descansa nunca desacelera) Apenas que a história que lhe tocava era a mesma dum animal de carroça. (quem quer falar das próximas aventuras?) Ela aceitando sem remédio o tédio a mesmice a sombra o obscurantismo o programa de auditório gincana de perguntas e respostas patrocinado pelas lojas e magazines da 25 de Março.
            (e começa a desenhar o gado em o fedegoso-dos-jardins - no aprisco no curral no redil - e passa a pintar emas piúvas corujas-do-campo catadupas ivirapemas jaraquis ilha de Paquetá raposas-do-campo rio Cotingo guaracavuçus rua do Lavradio até mesmo mito de cobra com jabuti a cobra-jabuti)
            O dia nove de outubro de 2018, à uma hora da tarde, a encontrou no caminho do trabalho. (falação preliminar, exórdio preâmbulo e prólogo) Antes de ser outra coisa e levada ela pretendeu conhecer o B império imperial. (início do discurso, proêmio e prefácio) Então isso seria um mundo sonhado intermediário medianeiro um latifúndio de ninguém em cima do muro partido moderador ou seja nem liberal nem conservador.
            - Senhor Presidente!... (vozearia no auditório!) (o senhor presidente reclama atenção!) (o falador saudado!) Quando 7 de abril é o 97º dia do ano (muito bem, muito bem!) no calendário gregoriano, (aplausos!) o 98º em anos bissextos, (salvas de palmas!) e faltam 268 dias (aplausos gerais!) para acabar o ano. (vivas e aclamações!) O imperador Pedro I do B abdica (oh, sensação!) em favor de seu filho Dom Pedro de Alcântara (prolongada emoção!) então com 5 anos de idade. (vivas ardentes!) (pausa)
            - Nobres Deputados!... (sinais de atenção, alguém falando!) Pois o teatro Santa Isabel (apoiados e aclamações e sinais de reprovação das galerias!) homenagem à princesa Isabel (não apoiados, vivas com vontade!) primeira filha (os ânimos se acaloram!) do imperador Dom Pedro II, S.M.I. (apoiados e muito bem e bravos!) com a imperatriz Teresa Cristina, S.M.I. (muitos apoiados!) e nomearam Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bourbon e Bragança a Redentora, S.A.I. (apoiados e bravos e aplausos nas galerias!) (pausa)
            (enquanto o falador vagarosamente confere examina seleciona folheia as notas do caderninho pondera reflete respira e aguarda os rumores se esgotarem) (e vai com a peroração...)
            - Sua Excelência!... (o falador orador é felicitado!) E tanto os presidentes de província são indicados assim como as leis do território (aparte não concedido!) regidas pelo governo central. (reclamações e apartes chovem!) (risos!) O município brasileiro tal e qual se localiza a uma latitude 13° 04’ 7” sul (hilaridade prolongada!) e a uma longitude 36° 10’ 23” oeste (aparte não levado em conta!) estando a uma altitude de 54 metros (apoiados!) sua população estimada em 2018 (palmas e bate-pés!) era de 86 430 habitantes (pedidos de esclarecimentos!) possui uma área de 243 km² (pedidos de apartes!) banhado pelo rio Jamari. (ovação!) A cidade também conhecida como a terra do pequi (aplausos!) a ave símbolo é a sanã-de-samambaia (o falador é vivado!) a árvore identificada típica da região é o vinhático-do-campo, (vitoriado e uivado!) o dia 8 de novembro (cortado pelas ovações dos ouvintes!) é comemorado aniversário de emancipação com múltiplos eventos espalhados pelos bairros (exclamações!) e o grande desfile de carros alegóricos pela avenida central Prudente de Moraes. (rompem aplausos ensurdecedores e protestos assoviados nas galerias e no recinto!) (pausa)
            (durante longos e ruidosos minutos a plateia no auditório desde as arquibancadas de assentos cadeiras retráteis aclama e vaia o orador com muitos apoiados não apoiados e bravos e aplausos!) (o palrador falador orador a respiração ofegante - ofegos! - a respiração arfante acelerada arquejante, língua pendente, quase os bofes para fora, gestos cansados e as costas e as pernas esgotadas doloridas quase empedradas tanto tempo em pé estressado com risco de cãibra - ufa! deus! upa!)
            Assim, a guria - deiviril dimensão rara quase divina - Jacitara assentada sobre uma nuvem concentra com toda a importância do mundo ao mesmo tempo tranquila e sossegada e atriz. As asas acomodadas recolhidas felpudas os pés livres e soltos no ar brincando com cadeira de balanço. A visão ampla do panorama paragens do pindorama palmeirinhas-de-petrópolis jerivás pupunharanas açaís-do-alto-amazonas... Deixou descaiu a temperatura, e ganha especial refinamento de transparência.
            ...que o caso será o seguinte...
Enche a barriga de todas as festividades, as mais naturais e engraçadas e carnavalescas, as cidades do litoral do sertão da floresta. Ali, admirando tudo e sobre o mundo, corpo sempre em forma, pele macia como as frutas maduras e apetitosas, hálito da fonte, tem e possui todos os namorados que deseja e ao mesmo tempo ninguém para lhe lembrar ou lhe inventar obrigações tarefas compromissos comportamentos. Pode e deve olhar com binóculo de longo alcance. Pode contar os afluentes do rio São Francisco. Um véu de noiva descendo solto pela pedra granítica escura, e descobrindo floresta da Tijuca contrastando com a mata verde.
...mas quando chegará à esquina da rua Bacuém com a rua Maria Quitéria...
É o que sempre quis fazer. Está no que sempre quis ser. Nas alturas nas horas do dia ou da noite que escolhe, é sempre dia ali e de domingo claro, procura um motivo e o pinta calmamente na tela no telão.
...e D quando acordar em todas as manhãs e responderá por quê...
A fotografia da manhã da tarde as nuances cambiantes transições muitos desenhos muitos motivos que dão o mar as nuvens as aves as nuvens com chapéus de papel as árvores as nuvens as baleias-francas. Nem aprendeu com ninguém ordinário as artes e ofícios, é por encanto extraordinário por magia por dentro íntimo e dom espacial direto divino.  
...se vai conhecer visitará o museu Casa de André Rebouças em a rua Barão de Jaceguai...
E nem se fixa preferencialmente às nuvens, flutuando ou quase flanando, mas às árvores mas às plantas, paisagem das ilhas, pessoas comuns ou inventadas, cães e gatos e peixes e aves domésticos de estimação, entre outras coisas, cidades concretas que recorta cola incrivelmente com saudade instantemente repercussão de sons matizes imagens prismas, Nazaré, Bom Jardim, Muniz Ferreira, Maricá, Nova Olinda do Norte... a confluência dos rios ambas as águas Juruena e Arinos.
...a cunhantã simples e singela olhará assim admirará espiará vagamente ausente residindo fora de casa das suas terras e querência...
Ou então depois do pincel pega um filme um livro um sítio para novamente rever e sentir como tudo está lá embaixo os pormenores, aqui de onde viera, aqui onde quer voltar na pele de beija-flor-brilho-de-fogo ou caneleira-do-mato ou mico-leão-preto ou piracatinga... procurando o porto escolhido ser de arribação para pouso.
...e chegará a confirmar perentoriamente...
Pois ela diz e reclama que sabe bem o que quer. Realmente! E de todas as maneiras. Quais são as principais novidades? A volta por cima. E uma cor... a esmeralda.
            - Da sua sempre muito toda Jacitara.
           
             

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Quem Diria




            Sobre todos, embora, o tempo pode fazer tudo o que bem entender.
            Há quantos anos... se perde. Por este tempo, aquele tempo, tempo sempre prometendo voltar presente no dia seguinte.
            De hoje para amanhã feito ontem.
            O dia se esboçava o dia já estava alaranjado. Algazarras, borboletas supercoloridas, passarinhos imortais, timburis farfalhantes, ar rarefeito, gorjeios domingueiros, quadrantes invisíveis indiferentes dominantes.
            Mormaço e poeira elevada ou resignada e fumaça espichada alargada espalhada sobre tudo, o asfalto (de derreter cocos e fritar ovos), a cidade de Itaguaí, o bairro Pavuna, a praça Araréua - onde mora em pé de corpo inteiro sólido a estátua de Olavo Bilac -, o centro labirinto da cidade, a avenida Carlos Augusto Ferreira, duas parentes tatuas, horas minutos 9 com 9 ou 9 mais 9, do outro lado o supermercado Pixororé, etc.
            As tatuas em dupla, quase desassossegadas, hábitos diurnos e noturnos, confirmadas, aguardavam o melhor momento de atravessar para a calçada oposta em frente a avenida que tinha um trânsito alucinado alucinante pesado poluído metálico e todos os dias nos dois sentidos.
            Tá e Tua eram duas tatuas tatuaívas amigas primas parceiras sempre juntas e confidentes falavam o tempo todo dos namorados maridos ficantes idade e sucessão presidencial almargeal da beira do rio Trapicheiros jogos olímpicos carnaval de Parintins praia favorita teatro Guarany parque Barigui lojas do shopping oceanário de Santos e outros assuntos.
            Tatua Tá um olhar raposíssima perigosa revolucionária quase sempre e manifestou:
            - Eu tenho repulsa e pena.
            - Mas isso é meio contraditório, meio caminho andado! - diz a outra, Tua, um olhar gatíssima convicta graciosa.
            - Só eu sei. É assim que sinto. As duas coisas ao mesmo tempo e na contramão. Que que posso fazer?, não sei não sei.
            - Não vejo o jaborandi-do-mato crescer, embora sem dúvida que cresce aparece e floresce e frutifica.
            Arregalavam os olhos marrons para cima e para baixo na rua e nada do trânsito dar uma trégua uma linha um tempo uma folga uma vaza uma chance. As duas mamíferas e focadas e advogadas e planificadas e competitivas.
            - Eu só procuro e acho o que não tenho, e aquilo que tenho não procuro e nem quero mais - Tua, a identificada.
            - Então, falando sério!, vou entrar com moção na próxima assembleia, etc. - Tá, a identificada.
            Íncolas andorinhas em voos arabescos tarde de trissos piruetas cambalhotas. E plasplás de folhas de caaingás, frufrus de ramos de pixiricas, trestrês de palmas de indaiás-do-campo, ren-rens de leques de caranaís-do-mato...
            Restavam as duas ali junto ao meio-fio aguardando o melhor momento para atravessar, que era difícil se arriscar, que os carros não deixavam. Esperavam ali olhando chuleando os autos que não paravam de passar. Nuvens consertando restaurando fumaças. Era um tempo precioso, dava até uma inquietação. Prédios antigos tombados, prédios em construção, prédios altos torreões espigões arranha-céus.
            - Vamos até a faixa de pedestres, é uma!
            - E não qué?!
            O tempo fica curto para as medidas de última hora. O tempo que abre a porta, que porta, que janela? e prefere para onde se atirar.
            Os tatus sempre andam com objetivo claro em mente em olfato: procurar o comer e o beber. E as tatuas também não abrem mão desse preceito. Procurar o pão de cada dia manducar bebericar e voltar para a toca descansar esperar o outro dia de noite se cuidar se esconder dos inimigos. De preferência no meio do capim-andrequicé misturados às secas folhas verdoengas ao lado perto de uma lavoura.
            Os tatus não se agregam em coletivos, mas em pares ou duplas ou casais. As tatuas também. Vão e vêm dentro de uma área circulam já memorizada propícia delimitada organizada particular.
            Juntas parecidas fantasistas esmalte e unha quando iam para o mesmo lugar buscavam as mesmas coisas, etc. No meio de dezembro ou janeiro tudo estava seco demais. E faltavam quantos anos, uns cinco depois quatro logo três e assim por diante...
            - Eu adoro ouvir a chuva - disse a Tá.
            - Eu já adoro o silêncio - foi a Tua.
            - Estava pensando em pegar um trem para Mar de Espanha, é.
            - Embora Três Rios seja fascinante na primavera e ou no verão.
            Tá e Tua já tiveram vários filhotes com vários tatus, tatuaparas, tatuapebas, tatuaçus... Dos tatus elas só souberam na hora h. Dos filhotes se separaram por consequências da idade e da independência natural, etc. Cada tatu com seu cuidado sua toca e seu habitat ecossistema universo.
            Não é sempre mas que acontece. Apegado ao rio Santa Maria, Cacequi, houve por bem uma explosão demográfica de tatus e de tatuas, belas tatuas-mulitas, belas tatuas-canastras, lindas tatuas-bolas e assim por diante.
            As tatuas melhores amigonas olharam o cebola uma da outra conferindo. Estava marcado para as 23h em ponto e atrasou uns vinte e cinco minutos por motivo de um imprevisto força maior. Aliás, oito vezes naquela mesma semana. As duas tatuas foram impedidas de entrar na horta, de cearem na rocinha da dona Urucurana-Roxa, de experimentar as mandiocas e amendoins e carás-de-folha-miúda e inhames-cigarras e abóboras, e por causa de quê? do fila fero cão de guarda.
            O tempo todo quase passam despercebidos a preguiça-de-três-dedos, o porco-do-mato, a formiga-carregadeira o tiã-tiã-preto a brujajara os jovens vão mais ligeiro mas os velhos sabem o atalho o narceja-de-bico-torto, juruviara, ibijaú, maitaca, sagui-amarelo a araçuiava o grimpeiro...
            Passa muito perto a questão do tempo. E diz respeito a todos todas. Confirmado: e pasta capim-açu muito verde o azul do tempo.
            O rumo da mata, passando uma sanga, até Pitimbu. Cidade pitoresca recreativa rodeada de montanhas morros parque Serra da Concórdia cachoeiras gado córregos turismo jacarandás-do-pará varudos rochas em forma de bicho doméstico ou selvagem comarca região vento nordeste tribo caxinauá cedros-cheirosos ruas ladeiras pousadas ingazeiros almas-de-gato tangarás camacilras aromas flutuantes desprendidos das tibuquinas naturais cavernas e locas com inscrições pré-históricas.
            Nem digo nada, mas as duas estavam por aí. Fora e além da capoeira ficava um gramado uma grama verde tenra e com um cupinzeiro de dar água na boca aos tatus em geral e às tatuas duas em particular. Pequenas favas-de-besouro em a vernação. O céu lá em cima.
            A Tua e a Tá estavam olhando para o cupinzeiro e mostrando as línguas, os narizes no ar, as orelhas vibrando espreitando, os pelos eletrizados dos afobados focinhos, os cascos enrugados, as caudas insofridas, as orelhas vermelhas. Mas não se arriscavam em pleno dia no limpo assim sem mais nem menos por causa dos predadores terrestres e aéreos ou camuflados ou até mimetizados.
            Tua, e falou:
            - Eu prefiro um fuçador que me dê folgança quase o ano inteiro e cem por cento de segurança principalmente aí por setembro outubro.
            - Digo mais. Um fuçador com tempo suficiente para me farejar.
            Os tatus e as tatuas ficam no verão e se separam no inverno. Preferem a noite, mas saem a qualquer hora. Isso é quase certo. Isso depende, não custa nada. Sabem quando vai chover ou esfriar. Reconhecem quanto há quando não há de fruta madura.
            O tempo leva nos ombros o peso colecionado dos séculos e séculos. O tempo não se engana nem uma ou duas vezes. O tempo não arrisca e joga em casa. O tempo nem é uma coisa ou duas. O rio Belém tem exemplo muito a ver com o tempo. Também o largo da Segunda-Feira.
            Uma hora aquele dia as duas melhores companheiras e amigas e comadres foram beber na sanga mais próxima, manancial do rio Piratinim, comarca de Barra Mansa.
            - De parte a parte.
            - Perfeitamente que claro, só que não.
            Nuvens procurando fumaças fazendo mudança. Nuvens com cara de caravela. Nuvens esgarçadas antes do almoço acepipes petiscos aperitivos. Nuvens acachapantes. Nuvens mutantes. Nuvens mascaradas disfarçadas de carnaval.
            Chegaram no lajedo e olharam em volta, sempre temendo a aventura, as idiotices do contingente. As águas cantantes, um limo por sobre as pedras, umas árvores descansando na sombra respirando o ar puro, icacoré-catinga cipó-caboclo cedro-cheiroso caxicaém, uxicuruá, andirapuampé, fruta-de-papagaio, tamaquari, jarana...
            Tá, e identificada:
            - Será que tem tatu por perto? Não estou cheirando muito bem. E você?
            Tua, e identificada:
            - Pelo menos deveria ter toca de tatupoiú. Olha só o barranco de terra apetitosa e úmida e fofa...
            As duas atentas e mais nada assuntos suspensos, atentas. O tempo de duração das coisas. Foram molhar o focinho, as garras, espairecer as novas ideias.
            Nada mais nada, nada vezes nada, nada a fazer. Uma chuva repentina repentina e muito apreciada. Choveu bem e choveu solto e sem bagunça.
            E no meio de outubro ou novembro os dias estavam nesse pé ante pé, pé por pé, um a um, pata por pata, quadrúpedes encouraçadas.
            Uma cidade chamada Protásio Alves bonita harmônica sinfônica filarmônica serrana vegetal igual como outras tantas 10 mil habitantes igrejas velhas ruas calmas paisagem de arvoredo e o rio da Prata. Sobre a visita o roteiro bucólico, a vista da cidade de Protásio Alves, tem altos e algares casas e galpões ruas e travessões cavernas e capelas relvas e terras desfeitas, assim como lá pra baixo se olha daqui de cima.
            E num canteiro de margaridões quaisquer as duas conterrâneas camaradas companheiras parelhas. Em uma noite fechada no jardim da praça Piracema. Morcegos buscando frutas doces da fruta-de-tatu, grilos-dos-canteiros pulando falsos-orós, caburé-de-orelha e panema encolhido no galho do molongó, fio de água por entre pedras seixos e curvas e declives. De repente Tá foi cheirando o ar, erguida nas patinhas de trás, mugiu:
            - Tô reconhecendo sentindo o perfume de tatu!
            Tua, e repercutiu:
            - Sim, pois não, eu conheço e reconheço e já o cheirei antes sem dúvida!
            - Então, quem é?
            - O tatuetê Sumaré.
            E logo sem demora sem drama viram realmente o tatu-galinha nome de batismo Sumaré, e farejando pelo jardim à cata de cupins formigas taturanas raízes e outros. Todo ali num canteiro próximo e preocupado com cavoucar o de-comer. Sorte que Sumaré (tuxaua, tutunqué) não viu Tá nem Tua. Viu nem viu ou fingiu. Elas não acharam nem foram conferir.
            - Não quero nem acasalar, hoje - Tá, espaventada.
            - Claro e concordo. Não é dia nem hora, veja - Tua, empoderada.
            - E vamos sumir antes de mais nada.
            - E vamos dar o pira saindo pelo lado oposto.
            Há um tempo a esta parte. Época, época mesmo, quase pra lá de indeterminada, remota. Os longos e puxados tempos, sem esquecer de nada, sem abrir mão de nada, sem deixar nada para quem quer que seja, sem negociar nada para depois agora ou ainda mais tarde. E assim desfaz o rio, que o resto é presente.  
            Quando foi ninguém ficou sabendo nem as duas irmãs escreveram anotaram. Uma manhã de agosto ou setembro. Tinha sol o ano inteiro. Um jaú-torino caprichava correndo de um guaipeca maduro na rua Gonzaga Duque Estrada, perto duzentos metros dali. Centenas milhares de moças-brancas buscavam os polens em a riqueza das timboúvas.
            E Tua e Tá acharam de atravessar o arroio Retiro, a nado. O rio, impensável primeiro, o rio coleante sinuoso de largura provável e força indeterminada. Também intransigentemente líquido. Comadre maria-irré. Para cima oitocentos metros tinha a ponte mista. Mais para baixo uns quinhentos metros tinha o reservatório para as pessoas urbanas de Pérola.
            - Vamos nessa?!
            - Eu ainda não sei nadar e nem me decidi.
            Ficaram olhando o rio e pensando cada coisa cada uma por si. O rio precioso perene perfeito bonito e a calhar. O rio todo o arroio procurando a laguna o mar e gravidade zero.
            Tua, lembrou:
            - Do outro lado tem uma roça de mangaritos muito pomposos e esperando.
            - O negócio é convencer o rio, o rio caudaloso, vitorioso, apartoso.
            Na beira do rio tinha monte assim de plantas bastava olhar bolsa-de-pastor, maria-preta, sururucujá, mentrasto-do-grande pitaica-da-terra-firme ibiranhirá uxirana, camaçari, tatucaá... por dentro do arroio operavam jacaré-de-papo-amarelo, traíra, timburé, bagre, acará-bererê... por sobrevoando o córrego adejavam gavião-caboclo aviões comerciais jatinhos exclusivos.
            - Que que tem de ponta a ponta desse rio Retiro? - Tua, a identificada.
            - Ocê não lembra me faz puxar pela memória? - Tá, a identificada.
            - Isso é freguesia de Manhuaçu.
            - Isso sim é paróquia de Caratinga.
            Pensaram um pouco as duas primas colegas de aula. Almoçaram azedinhas amarelas agridoces derretendo na boca e lacrimejando. O mundo é tão exótico! Elas falando entre elas, mais cheirando que olhando, mais olhando que pensando:
            - Na ponta de cima do começo da fonte tem uma cidade de alma nova chamada Guaporema. Mas é ainda longinho.
            - Na ponta de baixo da foz tem a cidade de Guabiruba, mas é um eito e tanto.
            E começou a chover de mansinho e peneirado e murmúrio. A terra ficaria bem fofa para abrir um buraco de tatu. Umas galerias uns corredores de labirinto organizado.
            Ninguém vai deixar o tempo achando que tudo é verdade. Tem tempo que apela para a posteridade. Tem tempo que escolhe o dia de hoje. Tem cada tempo que D nos livre e guarde! E cada tempo a sua fala o seu rio.
            Os tatus e as tatuas sempre foram cascas quentes costas grossas. Isso desde o tempo que só existiam gliptodontes e mar e praias e rochas bastantes. Blindados encouraçadas prontas para a guerra. Então assim, o passado das eras... do museu do Ingá, em Cantagalo, opúsculos manifestos artigos discursos. Mas ninguém sabe certo ou mesmo melhor, dizem, desmentem.
            São muitas coisas todas acontecendo e surgindo e sumindo ao mesmo tempo. Quando as coisas vêm e vão, como vão e vêm as coisas. O tempo tem outro tempo nas costas. O importante está que cada ser ou ente se sinta bem e os tatus e as tatuas também. Uma carapaça convexa um escudo uma cobertura rija de placas móveis.
            - Gosto de comer chocolate mas faço muito barulho - Tua, a identificada.
            - Indispensável e essencial - Tá, a identificada.
            É dito não dito, e isso nem é nada. Uns acontecidos usados no mundo quando tudo começa uma vez mais e etc. O mundo envolvido em teia espiral nebulosa campo afora.
            As duas tatuas quase sempre passavam voando correndo. Após, a não ser esperar e aguardar as histórias. Os rios sempre ligeiros. Os clangores dos autos na rua Martins Pena. As nuvens fazendo fumaça a partir do poente. No meio de julho ou agosto tudo estava ventando. Os rios correntes e deitados pra frente. Até porque já eram umas seis e meia. Então, tá!
            Tua e Tá estavam aí. E de súbito o tatu Uxipuçu cruzou a pequena área do gramadinho capim-gordo. Muito voltado para si mesmo, se diga de passagem. Compenetrado filosófico e ensimesmado. Sério correto e objetivo como um e duas são três.
            - Ei, Tá! Olhe que é o Uxipuçu!
            - Será que ele não nos viu ou fugiu?
            Tatu Uxipuçu passando aí no seu passo de tatu-mulita condicionado desde a tenra idade. E bem no focinho das duas beldades. Ele nem aí pra elas. E tatuagem na pata direita dianteira. Foi embora continuou seu caminho de tatuapé rumo do morro e pela Estrada da Graciosa.
            - Aonde que será ele vai com essa pose?
            - Aonde ele vai que nem te ligo?
            - Aonde ele vai se apinchando pra nosso delírio?
            - Aonde que vai, e sim senhor! se dirigindo?
            Atentaram ir atrás. E trotaram. Seguindo o cheiro o traço e as pegadas. Em que pese alguns golpes de vento frio, a hora estava pacífica e calma e propícia. O tempo a propósito. Era interessante notar que floresciam as ganha-saias as comandaíbas os jerivás os tauaris...
            - Vamos segui-lo sem assustá-lo?
            - Você puxa o rabo dele de vez em quando?
            - Não é rabo, é cauda.
            - Qualquer coisa serve.
            Pelo tanto, por aí à frente, o tatu Uxipuçu parou e olhou para trás, para as duas, o focinho erguido e manhosamente sujo de terra vermelha, grunhiu:
            - Que que parece que já vão me seguindo há séculos?!
            - Aonde tu vais, tatu Uxipuçu? Primeira pergunta.
            - Vou comer coquinhos ali no morro. Alguma dúvida? Querem ir junto ao mesmo tempo me acompanhando?
            - Você é de Governador Mangabeira, suponho?
            - Já conheço, mas sou mesmo natural e tal e qual de Laje do Muriaé. Conhecem, meus brincos?!
            - O que que você faz lá, se diverte?
            - Sou barista tenho um bar e sirvo café expresso e decorado. Recomendo.
            Acharam as duas de ir e foram os três. Ele na frente achando o carreiro. Elas atrás e tirando onda. A Tua cochichando para a Tá sem Uxipuçu ouvir:
            - E se ele correr atrás de uma de nós?
            - Com certeza ele vai correr atrás de... duas de nós. E cedo ou tarde, daqui até lá, nesse ou naquele ponto, na ida ou na volta, durante ou depois, mais tarde ou mais cedo, após o almoço e de barriga cheia, etc.
            Subiram o morrinho e já avistaram e cheiraram o ar e sentiram o amarelo doce trescalante dos coquinhos do coqueiro-barrigudo. A palmeira sozinha no meio do gramado do potreiro do capim-membeca.
            Enquanto houver espaço... o tempo aparece. Dizem os entendidos. Ou será que é o contrário? Ou será em outro planeta. Quem sabe o discente da UFSC. Ou é a matinta perera. Ou é par ou ímpar.
            O tempo decorrido, o antigo, o antiquíssimo o antiquado o antiquário e o resto o por vir deixado ao silêncio silêncio.
            Como sói acontecer, os dias pulam de hora em hora e as noites inventam os corpanzis de estrelas astros meteoros satélites artificiais morcegos corujinhas-do-buraco grilos-pretos carapanãs vaga-lumes caamanhas...
            Duas tatuas caíram do ninho. O dia amanheceu exatamente às cinco e vinte e dois uma quinta-feira vinte de março mesmo ano. As tatuas já estavam aí pelo mato, entre folhas e ramos caídos e secos, cominhos-bravos, carurus-amargos, ananases-de-raposa... fuçando e cavoucando e vasculhando e ponto.
            - Uma vez me falaram que só existiam tatus e tatuas.
            - Assim que valia a pena, então.
            Tá pediu para a trinca-ferro-de-asa-verde. Tua perguntou para a dama-da-noite. Tá indagou do manaquim. Tua inquiriu da peroba-de-goiás. E interrogaram tudo e todos com dúvidas e curiosidades.
            - Os índios tuxá que mandam na área no pedaço?
            - É lógico verossímil que vão construir uma estrada de ferro até Vassouras e Resende e Barueri?
            Em vista disso, o chão úmido pegajoso estava já todo esburacado. Ficaram ali espionando de espias. Tá, a identificada:
            - Digo com o tatu Caaobi. Jantamos fora na sombra da lua nova. Juntamos as garras da frente, trocamos os sorrisos, nariz com nariz, fios dos lábios bem eletrizados, céu da boca com céu, noite estrelada inúmeras vezes, e rio Canoas passando perto, banco da praça Coronel Gomes Carneiro, blu-blu-blus!...
            - Agradecimentos de gratidão - Tua, a identificada.
            - E tudo simples, tudo muito discreto. Te digo!
            - Pouco bom para quem gosta de contar histórias e nem achar o final.
            Tinha sol amarelo e único e presente. Céu magro esbelto com poucas nuvens de papel branco ou novo. Por aquelas manhãs intropeçáveis e indefectíveis e inefáveis e indeléveis. E aquele tempo todo não durou sequer uma semana de maio.
            Parentes que se pareciam, voleibolistas que nem deixavam a bola cair a peteca, as primas, pelotiqueiras, as duas tatuas em volta do dia, etc. Uma queria conhecer Muritiba, outra Pati do Alferes. Outra queria pular de paraquedas, uma botar loja de fantasias para carnaval. Uma governar reger moderar, outra ilma. e exma. srª. prfª. drª.
            É um tempo e se D quiser. Os relógios mais cobiçados do mundo. Isto à vista dos preços interessantes por que são hoje em dia comprados vendidos, etc.
            Lá estavam as duas tatuas, um lugar do mundo, algum lugar no mundo, e alheias ao mundo, alheias ao todo do mundo, indiferentes ao imenso e resto do mundo. Assustadoramente indiferentes à bola. E corriam os dias, e ficavam as horas os dias as semanas os meses e as cascas de pinhão da pinha do pinheiro-do-paraná em Maringá. Mas isso só na teoria. Porque na prática.
            Tua abriu os olhos dificilmente. Tá olhou em volta numa outra dúvida.
            - Acho tenho certeza que nem vou mais crescer.
            - Estou comprometendo as mesmas coisas que todo mundo comete. As coisas os produtos comestíveis e os bichos, uma vez.
            Mesmo assim o lugar tinha latitude sul, longitude oeste, altitude de cem metros, área em quilômetros quadrados, subtropical, distante da capital estadual 416 km federal 1.330 km, habitações habitantes em torno e o ano da graça do Senhor de 2018. Que nem era final de conversa!
            No meio de dezembro os dias já se erguem brancos ou amarelos. Nuvens plantando fumaça. Dias rios estradas de torcicolo. Tatus tatuas tatu-peludo que anda na mata de galeria e de tocaia em tocaia de macega em macega de touceira em touceira. É para pegar ou largar.
            O que um tatu podia fazer. O que duas tatuas também podiam dizer:
            - Ah, claro! Nem precisa dizer duas vezes - Tua, a identificada.
            - Gostaria muito de saber escalar uma inhaíba, por ex - Tá, a identificada.
            Saíram da toca no barranco em meio de cravos-do-mato e seguiram logo logo para o pinheiral atrás de pinhões aquele inverno rigoroso de dia fechado e frio e prometendo sair o sol depois das dez, e olhe lá! Que situação, perobas-iquiras, caaxiós, elemis-do-brasil, coronilhas... e o rio Cavernoso fazendo o barulho comportado por dentro no meio ambiente do mato.
            No começo do café da manhã, as duas se depararam com a concorrência dos matizados crau-craus. E eles gritavam do alto dos galhos. Os pinhões já caíam roídos comidos abertos e reduzidos a restos migalhas cascas farelos, etc.
            Quando foi quando se viu, o tatu Crejé se materializou no supetão, depois de hora e meia comendo pinhão catando pinhão se fartando, e ainda por cima sem aviso resolveu correr atrás da Tá. Neste mesmo momento já acontecia naquela imensidão de araucárias e que todo mundo olhando. Tá correndo Crejé correndo e Tua correndo pega-pega. E cada um por si e D por todos. Inclusive a plateia a torcida das baitacas.
            Tá entrou por um lado do tronco caído podre esburacado de ex-vinhático-do-mato e saiu pelo outro. O tatu Crejé entrou pelo mesmo lado e não saiu pelo outro, ficou entalado, bem feito! As duas primas riram risos de tatuas e foram embora enquanto tinham tempo e podiam tomar dianteira. O tatu Crejé ficou chateado com aborrecimento de tatu até emagrecer uns três quatro dias e tomando fôlego e muito que pensar.
            Um tatu e uma tatua não falam não gritam não resmungam não mugem não duvidam não perguntam não bocejam, mas articulam a mesma linguagem. Os olhares os gestos os trejeitos os tiques os modos são todos animais e normais e comuns e certos e correspondentes. Se manifestam muito pouco e deles se ouve um somente sutilmente:
            - Quem?! Eu?!...
            Plano diário de trabalho e serviço noite adentro: encontrar comida, água limpa e comer até fartar fartar opiparamente. E já sabem onde. E já sabem cheirar a trilha. E mamíferos xenartros têm marcado uma árvore como meta e referência.
            Antes de tudo, ainda na porta da toca, antes da irmã Tua acordar definitivo, Tá olhou em volta e olhou tudo cheirou e pensou consigo:
            - Vai chover. Ainda bem. Perto das 18h.
            Tá olhou pensando consigo mais um pouco:
            - Na terra dos meus olhos... já vai chover. Ótimo.
            Depois, já as duas braços dados e inseparáveis, no muito alto e de repente e bem de repente, ouviram os trovões rebentando rolando reboando alarmando, uns longes que eram pertos, uns chicotes de aço queimado e estrondos acompanhados de terra tremente e sombras fantasmagóricas e corujas assustadas e rios encachoeirados e caçadores jaicó espreitando e vento ouriçado descabelando uxiranas, falsos-paratudos, mognos-brasileiros, caixetas...
            Ali, como em Manaus ou Goiânia ou Ibiapina ou Atalaia do Norte ou Itapura... o sol se escondeu e tudo ficou fechado e assombrado. A terra sedenta pedindo água da chuva. O globo se preparando para o melhor. Vários rios mananciais pedindo provisão, rio Forquilha rio Lava-Tudo, rio Pelotas rio Turvo...
            Uma chuva como de uma avalanche e para baixo, do alto para dentro da paisagem, e que deu paz certeza sossego vento veloz chuva caindo e correndo. As mais das vezes... céu cinzento cortina cordas cântaros tromba...
            A chuva desabou torrencialmente. Choveu a chuva tanto que os buracos dos tatus estavam sendo postos à prova, correndo riscos, e tanto pela entrada como pelas saídas de emergência.
            Pelaí, amarrado num galho seco da sapupira-da-várzea, um bacurau procurava esperar paciente quieto afetuoso compreensivo tiritante a tempestade extratropical amainar. Também gostava de chuva mas nem tanto.
            O tempo, este ou aquele, não leva nunca a nada. Nem desaforo pra casa. E o melhor é sair o mais tardar possível e sem saber o porquê. Nem prever nem antever nem pressentir, nem prescrever.
            Então, Tá e Tua admiraram a neblina da manhã, algumas árvores desaparecer, e se entreolharam e balançaram as compridas cabeças e foram andando, andejas, andadeiras, farejando de costume, andeiras, que andam.
            Vai lá que a Terra toda estava amanhecendo. Não foi isto um jabuti-machado? Dois tururus, um casal, subiram pelo céu com o trem de pouso as pernas balançando soltas. Pai soldadinho pintado de verde. O cardume dos pirajaguaras emergindo imergindo, etc. A arte da improvisação.
            Quando a manhã estava bem acelerada, os joões-de-barro batendo asas e gargalhadas, já as duas tatuas andavam faceiras pelo capoeirão. E sempre procurando imóveis para alugar terrenos para mear minifúndios para explorar. Gestos pausados e passos lentos de quatro a oito perninhas curtas. Olhavam para o chão e principalmente simplesmente farejando. Um solzinho saía de entre as nuvens pequenas e cinzentas muito mais mascaradas ou fantasiadas de barco a vela.
            Tempo que nem é passado é este. Tempo integral, ambiente integral, pão integral, arroz integral, frutos de fruta-de-tatu íntegros...
            Enquanto ainda acontece esta corrente de rio o tempo mantém o que der e permite o que vier.
            O tempo, sobre todos o tempo sobre tudo o tempo, sabe fazer o seu papel o seu show o seu showmício. Pois o tempo de água passa, o tempo de fogo passa, o tempo de preguiça-terrícola-gigante passou, o tempo de Sete Cidades passa, o tempo de sambaquis passou, o tempo do peixe-boi preocupa, o tempo de marolinho-do-campo floresce, o tempo de terramarear sempre renova se transforma.
            - Nem nada nem existia universo. Mas todos todas eram anfíbios sapos jias pererecas.
            - Com cauda ou sem rabo que diferença se faz?!
            Tá não conseguia conciliar o sono, Tua não conseguia dormir porque Tá não dormia e vice-versa. O dia claro lá fora da toca já ia alto pela metade e de muito sol e estrídulos de cigarras, apitos nasalados de curicacas, cantos de tempera-violas-de-asa-verde, assobios de sabiacicas, jabués, tesourinhas...      Restos de frase uma palavra ou outra um chilreio aqui ou além, quem não ariscava não petiscava.
            - Isso passa, passa tudo isto e muito mais - Tua, a identificada.
            - É, eu sei. Eu sei e às vezes me confundo - Tá, a identificada.
            A bola de fogo já passara pelo céu. Já estava do outro lado do mesmo planeta conhecido. Assim ficava a noite, lá era um dia antes.
            A noite já está instalada. A noite é para isso mesmo. Tatus e tatuas na roça de mandioca aipim macaxeira maniva e assim por diante.
            E a lua beleza nua, completamente, deslumbrantemente lua, linha perfeita de lápis preto... e pronta, se exibe no céu infinito.
            Que mais se dirá.
            Uma explosão vinda de onde amassa arma joga tudo para o ar. Quem aparecerá? Quem desaparece?
            O início da linha onde o presente para.