domingo, 23 de agosto de 2026

Folha-Seca

 

                                                                        

 

            D eu juro em meu nome e escrevo e confirmo, e digo e peço e repenso, pergunto: quais são os meus milagres mais favoritos mais em conta? Quem viu ouviu falar dos meus milagres primitivos e naturais? Todos já espiaram os meus milagres a montanha as árvores o lago a sombra a Larissa (bolsa a tiracolo no caminho da faculdade de psicologia esportiva). Uma coisa assim, que é do meu milagre, tem a força de mais de uma duas três... vinte investidas de igarité nesse e noutro lado do rio. Porque os meus milagres são os pássaros os rios as restingas a trança longa bonita do cabelo negro e liso de Larissa.

            - Oba, meu! Sempre que nasci e desde já quero ser uma ave canora, sabe!

            - Você tirou a sorte, querida! Tenho isto comigo em vista visto revisto previsto isso!

            O dia oito de outubro do ano de 2045 caiu numa quinta-feira clara aberta ensolarada magnífica esperada Larissa ao meu lado do começo ao fim. No ar o sol animado ia subindo. As horas o acompanhavam, seguiam, folgadas, indianas comboio caravana romaria procissão desfile cônjuges. Místicos no céu no mar na cidade de Piracema e Santa Branca e Chapadão do Lageado e Scia (ra) e Arauá e a biblioteca Manuel de Oliveira Lima...

Fui acordar logo em êxtase. O povo daqui fala comum em simples que ‘haja o que houver!’, ‘esteja onde estiver!’, ‘seja qual for!’ Pois o dia estava presente ali mesmo ciciar de cigarras no meio de nós comigo tudo pode tudo convence tudo acontece todos existem.

            Larissa se disfarçou de nuvem e eu a encontrei. O bairro Vila Maria Zélia com a rua Adilson Farias Claro em a junção rua Silvino Passos. As pedras da calçada o asfalto o meio-fio as estrelas os paralelepípedos dormem sossegam em achegas e recidivo e obtemperar e zurzir e opróbrio e calango... A tal e qual aprendizagem vicária.

            Tenho que o mundo é pouco é perto é amanhã é Larissa que está vestida para ir à cascata da Usina e Santa Maria da Boca do Monte hoje Santa Maria e Floresta dos Leões hoje Carpina... Uns olhos verdes iluminados por dentro, quem vê. Petulantes seios lindos rijos à vista e às vezes meus sonhos tão certos tão corretos tão direitos os lábios carmins carmesins em a Carmésia. Muito a peso de ouro. O melhor da beleza é sempre Larissa.

            - Hum!... Eu gosto de visitar Cabrobó e Ipuiúna e Capivari de Baixo e Lábrea...

            - É-lhe conferido... Eu gosto e adoro de fazer Carapicuíba, Ladário, Alagoa Grande, Monção, Guará (ra), cabo de São Tomé, bosque jardim botânico Rodrigues Alves...

            As aves orbitam giram sobrevoam a área de lazer parquinho da praça Manuel Pina (bairro Alto do Pari/Canindé) e andorinhões-do-temporal, anus-brancos, macucos, beneditos-de-testa-amarela, pica-paus-de-topete-vermelho, araçaris-castanhos... Depois vou rever o que fazer inovar... Os 118 elementos da tabela periódica, e metódico regrado. Nem há do que me preocupar, tá certo! Sou o planeta das tantas mais luas de Saturno.

            Quando conheci Larissa durei muito envelheci amadureci e, porém, muito que já a conhecia Larissa. Já de vista. Nossas idas e vindas pelas margens do rio Coruripe já se tornavam legendas lendárias. A soalheira o solar, também vitamina d.

            Saio saímos pra passear eu mais minha mestra a cadela Glosa. Já fiz prelúdio cometa planeta estrela quasar e a Via Láctea. A estimação cutuba me antecipa corre dispara ‘au-au-au!...’ na frente entra no parque Antônio da Silva Mello. Estou andando na Terra, opilada enlaçada cheia ilaqueada lotada enredada entupida, e o mundo sou eu ‘uaaau!...’

            - Psiu!... Sou dos peixes ovípara e tenho brânquias guelras, tá ligado?!

            - Curatela e curadoria! Sou eu sou o S e sou D, e ainda preciso devo com previsão precisão criar Vila Boa e Mundo Novo e Lagoa Bonita do Sul e Joia e Ponte Nova...

            Estava aí mesmo eu em vista do sol da lua do rio da nuvem e assistia tudo de uma distância conveniente. Tive certeza. Nem só eu mas minha alma gostou dela. Alma minha alma dela que almas já foram suindara, murixi, joão-bobo, saí-veludo, beija-flor-de-papo-branco, irara, maracajá-mirim, bacaba-de-azeite, jupiedi, cipó-bravo... Seria como conviver dentro de um rio uma estrada uma cidade: a alma minha com a dela laçadas pregadas mata-juntadas entrelaçadas. E eu ela nós os dois o par na dupla já existíamos pelo ar pelas almas abraçadas seres abraçados mundo afora em dobro em versos em outras modalidades esportivas em repetecos quantas vezes o mundo já existiu e ou o tempo deu as voltas.

            Contei pro pessoal da turma lá em casa no céu e me aplaudiram vivaram ‘ulaláaa!...’ Reflexos cambiantes de luz do sol na água límpida da piscina, o beijo inédito o sorriso inédito a voz inédita o riso inédito, a descoberta foi surpreendente e oquei.

            O sul o sol os beijos Larissa são infinitos de D de mim do DES. E muitas outras coisas além ao alcance do querer. Já nós dois juntos eternos somos o que o ser precisa ter.

            - Fra-que! Nunca vi ariranha e saracura-três-potes e codorna-amarela e urutau...

            - Homo Sapiens! Nunca deixo de me admirar e recordar o jenipapeiro, itu, algarobeira, abutua, tatajuba-do-brejo, jundiaí, braúna-do-sertão, catucaém, pacaí...

            Olhei provei amamos degustei amei lambi mordi cheirei mordisquei por tanto tempo por partes mais que durante quatro horas. Com calma suavidade inventamos uma viagem de barco até Novo Xingu e Senhora do Porto e Acorizal e Itatiba do Sul e Augustinópolis...

            Senti meu astral sossego sucesso das minhas próprias asas e capitão-de-saíra, cardeal, papa-capim, pavão-do-mato, quete, suiriri-cavaleiro, inhambu-chororó, mutum-de-penacho... Quem nasceu primeiro Larissa ou nós dois parceiros tão animados.

            - Meu sucesso! A alegoria do meu pensamento figurado... As árvores vestidas de embiruçu e marajá-do-igapó e café-do-mato e pacova-sororoca...

            - Eia e sus! Vamos pelo passeio acompanhando a calçada... O dia está limpo e à noite pousará óvni. Reorganizaremos as estrelas cadentes...

            Neste momento o meu pensamento é simples: peso mil toneladas penso em mim penso que sou eu mesmo penso que sou o mundo penso que sou D. E eu já fiz álgebra trigonometria matriz geometria aritmética. O que eu fiz pelo planeta só eu sei. A minha boa-fé é lógica. Inefável no céu no mar na cidade Nonoai e Santo Antônio de Jesus e Alvinópolis e Campo Erê e Cardoso Moreira e São José do Seridó e Campo Maior...

            Sei o porquê, e meu cão Polígono gosta de correr na chuva. O mascote valente lavado escovado perfumado vestido prefere brincar nas poças de água. O bairro Boa Vista rua da Aurora perto do museu de arte moderna Aloísio Magalhães - mamam. Sou eu sou D e a mim me importa: tudo é pequeno. Se soubessem quem sou de que matéria sou, hein?!... talvez me pedissem autógrafo me rogassem fotos autorretratos me interrogassem por aterrissagem por decolagem me solicitassem audiência entrevista laive bodiqueste...

            Larissa sabatinando os cabelos e princípio estética miragem energia. Chegou nem se apresentou foi chegando se apresentou veio apareceu surgiu do nada de presente causou curiosidade e preciosa mistificação. Fomos vamos na praça Domício da Gama fazer alongamentos. Boas-fés franquezas honestidades. Ótima cabeleira apetitosa ditosa. Estou dentro do meu universo e isto sou eu mesmo, amém!

            - Oi!... Como em todas as cidades do mundo, Belém adora o teatro da Paz.

            - Isto é! Em Macedônia isso é levado muito a sério e naturalmente como os magníficos teatros Álvaro de Carvalho, Guaíra, Paiol, São Pedro, Renascença...

            Nuvens em pensamento, sempre no seu esvoaçar, andando de leste para oeste, figuras de bichos ou árvores ou caravelas ou chaleiras ou peças da sala de jantar. Nuvens imaginativas imaginando. E cheias de ideias por onde passam, carambolar cascabulho irredutível, as nuvens deixam nuvens rastros de queimadas nuvens brancas forno a lenha aviões a jato barco a vela bisarronas bujarronas. As ideias-nuvens das nuvens voam das nuvens para os céus os mares as florestas as folhas em branco dos cadernos escolares.

            Meu mascote sou o tutor meu amigão Xongas e me puxa me leva pela guia me precipita me faz correr... me mostra com as orelhas com o faro... língua de fora olhos acelerados orelhas antenadas o gramado o arvoredo caparrosas e paco-pacos e cafés-do-bugre... A área verde equilibrada plantada cantora interprete. Tem banco tem balanço atado à barra de ferro tem folia brincando de bola. O dia começara com um banho bem tomado aí pelos inícios da manhã. E vejo o espaço público as ruas já de banho tomado. A minha boa-fé é infinita. Levo vou e volto com meu vira-latinhas já muito contentão ao passeio ocasional. Ele até que se vê bem com as capivaras da lagoa Sucupira.

            Sentado na minha nuvem cadeira de balanço e tomando meu chimarrão. Sou seu meu próprio pai e papa pois já tive meu avô minha avó os dois apreciando o desenrolar do dia da tarde começo de noite o verão aí na área na varanda. Meu avô adorava a implantação da br-470; minha avó enaltecia o artesanato de uma torta de várias camadas e cobertura.

            - Me diga! Ainda visitarei vou conhecer conhecerei Jari e Jordânia e Aspásia...

            - Sim e yes! Eu sei o que foi inventar e performar Divisa Nova, Barra do Chapéu, Fátima, Lagoa dos Três Cantos, Coronel Freitas, Cafezal do Sul, Simão Dias, Aceguá...

            Deus eu mesmo infinitamente responsável por tudo pôr do sol por mim por ela por Larissa. E comigo este que vos fala e habla solta uma cunha e põe outra. Me ocorre dizer que enquanto sou feliz posso estar edificando meu agosto na natureza. Enquanto vai tudo bem posso estar me preparando para um novo horizonte. E hoje o céu é esse azul clássico, amanhã poderá um óvni e pesquisar os curiangos, os canjerês, as lavadeiras, os sapos-de-chifre, as arapuás, as mamoneiras-miúdas, os timbés, os gogós-de-guariba, a cosmografia...

            O sol só vive uma coisa: o sol a lua o mar. E do meu jeito o sol faz o que bem quer porque quer. A ideia profissional entendida e competente do sol irrevogável. Ritmo no céu no mar na cidade Santo Antônio de Lisboa e Portel e Vitorino Freire e Alto Paraíso...

            - Meu rico divino! Agora eu desenho as frases os poemas os planetas as letras os números na minha pele tatuagem na minha pele.

            - Minha alma terrestre! Neste instante eu visito a ilha Anchieta curto a praia da Enseada ando em a rua Augusto Francisco da Cruz na rua Santa Rita localidade de Ervália trilho o parque Serra do Brigadeiro nado no ribeirão Turvão...

            Se acostumar com a pessoa a divindade o seu jeito dela beijos doces e muitos. Agrados como eu sempre quis. Tão certos e ótimos que parecem assim ter sido sonhados. Fala baixo pausado calmo como as plantas cercando o rio que corre entre pedras e ervas.

            - Muito bem! Vou visitar os xocó e xoclengue e xucuru-cariri...

            - Que oásis! Tenho uma ilha urbana Florianópolis Floripa, tenho uma praia urbana Co-pa-ca-ba-na, tenho um rio urbano Paraíba do Sul, tenho uma praça urbana general Humberto de Sousa Mello...

Tudo que pertence ao mundo me basta me pertence Larissa e a ela pertence e a nós dois. Tudo que é meu que é dela foi feito um para a outra. Cabelos longos fortes lisos brilhantes negros quase caracolados muito vitaminados indomáveis. Abraçada ao livro sentou abriu a página marcada capítulo oito século dezenove Império do B, rua do Ouvidor.

            No começo de um domingo radioso, assim, logo pela manhã, de longe, o sol parecia um trator estranho um trator colheitadeira, um embasbacado patota furdunço serelepe quitute, um algo mais atômico para mecânico ou eletrônico que para os humanos.

            - Oh, meu! Um dia desses vamos e voltamos de Irajuba e Petrolândia e Cabixi...

            - Presente meu pra ti, querida! Te mostrarei Aquidabã e Bom Jesus e São Bento...

E Larissa segurava a coleira do Chanceler, cachorro pachola pachorrento bonachão, durante a avenida Borges de Medeiros época dos floridos jacarandás-cabiúnas estimação muito original e o animal se parava nos olhava aos poucos andando religioso, e sim senhor!... E muita troça brincadeira de xodó estima afeto afeição apreço...

            - Veja só, cara! O sol se levanta sempre com grandes e muitas ideias nesse começo de tempo em 5h e 30min.

- Talude e rampa! Pois o tempo serve, ir e vir, suficiente para a casa das 12h.

Pronto. Somos agora mesmo. Larissa é minha divina uma água da chuva que continua música passarinho no jardim sempre interpretando cachoeira. E somos iguais sempre ao vento ao mar ao céu ao tempo... Sou eu indispensável invisível atemporal.

            Já me arrumei com muitas belezas pelo casamento espiritual. Sem que me pressentissem, sem que me abraçassem, sem que me beijassem, sem que me decifrassem, sem que me dessem nome, sem que existissem de cá de lá do rio Jacuí. Tive namoros, noites maravilhosas e férias inteiras nas praias de Tramandaí. Larissa no céu no mar na cidade Rio Verde de Mato Grosso e Borá e Sítio Novo e Xambrê e Maratá e Avaí e Espera Feliz... E naturalmente meu amor nem terminava porque éramos felizes para sempre.

            - Quem me dera! Quero ir de barco gaiola rede de dormir pelo rio Trombetas...

            - Degas sou eu! Pois estou preparado estou perto estou nessa desde cedo desde os primeiros dias desde que o mundo é mundo e margeio margeamos margem direita margem esquerda Terra Santa e Óbidos e Faro e Oriximiná e São Geraldo do Araguaia e Acará...

            Coisas que nunca me canso de ver e rever. A arte do entretenimento espontâneo e seriemas, joões-de-barro, tucanos-de-papo-branco, murucututus, andorinhões-do-buriti... e o canto assobio gorjeio situado no pomo de adão laringe faringe traqueia com as cordas vocais. Eu já fiz e pessoalmente adição subtração multiplicação divisão: cálculos probabilidades estatística. Sou assim porque tenho muita imaginação e boa vontade.

E quem nasce para Larissa nem precisa de lugar maior mais movimentado mais negociado mais conhecido mais engajado que Pombos, Bezerros, Guaporé, Dom Joaquim, Vila Maria, Ivoti, Pedro Régis, Peri Mirim, Buritis dos Lopes, serra do Lenheiro. O cabelo suave longo preto comprido indo e voltando para trás das orelhas com mecha loura caindo para cá para lá diante do olho os cautelosos verdes glaucos esverdeados.

Larissa que vira lagoa Mirim depois rio Taquari ainda montanha Pedra do Baú e árvore caapuã... Beleza verde realeza água certeza verão grandeza praia do Santinho.

            - Oxalá!... Sempre nos encontramos já outras tantas vezes e fomos outros tantos nos perdendo nos achando de repente no meio do rio e de nós mesmos, uma vez.

            - Quá-quá-quá!... Por muito tempo ando por você aí à vontade perfeitamente procurando lembrando achando. Assim mesmo, na perfeição de 1.000 ghz de cérebro.

            Sei o que sempre encontrei. Quero comparecer de elástico como o infinito eterno como o universo expansivo sem fim. Somente hoje. Eu e principalmente estou nas coisas.

            O sol foi dominando a atenção do dia e, de manifestação, recebido pessoalmente na cidade no campo na serra da Moeda em todo lugar. As sete questões, correspondência comparação classificação continuação seriação inclusão conservação. Decotando plantas jardins, decote degote de todas as árvores fila indiana da rua Amâncio Amaral e mais a avenida da Igreja, para que voltem amadureçam e na primavera com mais flores amarelas com mais sementes pertencidas com frutas suculentas.

            - Uaaau!... Me conte me explique o que é a chuva!

            - Aleluia digo eu! A minha boa-fé é contagiante.

Mais tarde o casal nós dois fomos a uma sorveteria aí na altura da praça poeta Carlos Maximiliano Pimenta de Laet, e beber caldo de cana que fortalece os ossos. Bairro Santa Cecília a rua Tupi com a rua Goitacá. A minha boa-fé é incomensurável.

            Fora do meu pensamento eu encontro e vejo os coroado os catuena os apaniecra-canela os bará-tucano vendendo cestas na rodoviária de Vila Flores... os papa-açaís as emas os pica-paus-de-banda-branca os joões-de-pau e as águas termais de Xangri-Lá. O mundo boquiaberto do sol da lua da serra da Mantiqueira. Vale dizer que a minha certeza e a dela, a sorte ganha a sorte feita, tudo correndo perfeito como se deve e nada que falte.

            - Me diga se posso... Eu sempre projetei me enamorar de São José dos Pinhais e São Domingos do Azeitão e Santana de Parnaíba e Santa Bárbara do Leste e Fonte Boa...

            - Venha a mim e vai por mim! Uma das coisas que mais inventei foi o rio Ivaí. Este curso de água sim eu me aprecio e mais faço deferência pra mim mesmo respeito cortesia obséquio veneração salamaleque reverência...

Então já estava e voltamos a pé fomos a pé e voltamos pelo mesmo passeio - avenida Barão de Tefé com a rua Sacadura Cabral, bairro da Gamboa - plantado cheio de árvores - mucuris, sururucas, capebas-do-campo, curuatingas, pacaris, caetés-açus... -, o vento batendo nas copas um pouco de subida um pouco de descida alguns passarinhos aves emplumados incidentais - curiós, bacuraus-da-telha, jacurutus, quero-queros, corujinhas-do-mato, marrecas-cricris, garças-vaqueiras -, moramos perto um da outra.

Eu e mais meu cachorrinho Avião. Sou 1 D que planeja seres humanos mas trata de bichos perfeitamente. Modéstia à parte, meu cãozinho está me levando a passear pelo parque Marinha do B. E saltamos e brincamos com tamanduás-bandeiras tatus tuiuiús...

            O termômetro apontou no meio-dia meio do dia mas meu relógio nos indicou nos disse que eram oito e trinta e dois. Coniventes, as horas passam os dias os meses... e vão como são os meus os dela os nossos. O sorriso o riso bonito lindo por trás dos olhos verdes camuflados das folhas das sombras dos ramos de andiroba e jacitara e embiú-amarelo... Magnetismo no céu no mar na cidade Abadia dos Dourados e Artur Nogueira e Caculé e Cruz Alta e Nina Rodrigues e Jaguarão e Arealva e Conceição do Mato Dentro...

            - Queira D! O lugar que paramos fica povoado de bandos de aves pantaneiras...

            - Vamos ver! Vem por mim e ande na estrada e suba na árvore mergulhe no rio...

            Quando acontece nesse verão, ou no anterior, ou no próximo, já bem de natural e acomodados em nós mesmos, rua pintor Cícero dos Santos Dias, o sol com a lua com o verão com a praia, notícia atualizada, pegamos a estrada e voamos para Olinda, Recife, Belém de Maria, Caruaru, Maquiné, Constantina, Gaspar, Santa Maria do Suaçuí, São Manoel do Paraná... e surreais, intergalácticos, dormindo no meu ombro nos braços dela.

            A minha boa-fé é esportiva. Eu mesmo já sei o que fiz aqui e por estas bandas. Isto é muito satisfatório. O todo o irreprochável inatacável perfeito impecável vai bem e vai a todo vapor como tem de ir e vir e multiplicar e triplicar.

quinta-feira, 13 de agosto de 2026

A Joia da Cabeça das Constelações

 


                                       

     O hábito de falar assim começou quando, muito bonitinha cheiro agradável olhos pretos quase livre de receios, murmurou, arguta e sagaz e olímpica, destacou:

     - Oie, meu! O sol reaparece material de cores de tempo cheio de dia de sol. Nem sei ignoro como cheguei até aqui a vista aérea de a Paraíba do Sul, sobrevoando. E por ventura direi os mirabolantes versos de João da Cruz e Sousa...

     Uma coisa a Jaci, esta amiga eterna e rosto oblongo alongado, sabia como nunca: o que era um glicosado açucarado sorvete de abacaxi. O que foi que eu fiz: existe então brenha matagal árvore caroba? Quantos anos faz um quinquênio. E sustentabilidade.

Almejei a árvore faia perto de uma sebe de taipa e fiquei. Barrou nossa saída logo na minha entrada. Estávamos rodando pela estrada rodovia br-470, altura do distrito Sarja. Fazia um tempo, e era um tempo. Olhei a asfaltada estrada e fiquei. Apareciam do nada do nada as horas da noitinha. Vínhamos conversando normalmente e os assuntos. Coisas corriqueiras e banais e nem estava alcoolizado nem corríamos muito. A pista os traços na pista tudo bem desenhado como um jogo um vídeo gueime. Nem sei o que a árvore estava fazendo ali exatamente ali naquela hora nem sei o que pensar a árvore pensava fazer o que no meio da estrada da via do caminho... Olhei a árvore, arrumada em galhos, e parei. Passava uma ponte uma mensagem um convite sobre o rio Coruripe o rio Claro o rio Pirassununga... Uma árvore invisível ou um toco. Procurei alguém para passar a bola porém nem encontrei e olhei direitinho em milionésimos de segundo mas nada encontrei. Chegamos tão perto da parada que bem que a vi de cortiça e casco de jabuti ou jabota. Mais que olhar eu vi a frondosa árvore e fiquei. De repente de súbito do nada sem razão um grosso e imenso tronco pulou na nossa frente e nem pude desviar ou submergir ou sobrevoar. Reparei que a planta vegetal... Bem na frente surgindo irrompendo e inesperadamente. Tarde/noite fechada sem ultrapassagem sem câmera lenta e chovendo a cântaros. Altura da região de Humaitá-rs-am? Almejei a árvore, carraspana reprimenda repreensão, e fiquei. Topamos o papangu o apalermado a carranca, dessas dos barcos no rio São Francisco rio Perequê rio Pau d’Alho... e fuças brabas chifrudas dentuças dentudas papudas olhudas narigudas bicudas... Pechamos bem no meio de cheio, contrição arrependimento, e sobrei desacordado. Deparei grande vegetal, inóspito áspero, e fugi. Nem estava com celular telefonando e o empecimento óbice de grosso calibre por que se aproximou absurda e solidamente e com destroços estilhaços. Em que se emitiram sons horríssonos ressonantes vozes contraditórias e simultâneas e sobrepostas. Capa da pele humana derme epiderme hipoderme. E isso alongou ou encurtou o tempo, acho.

     Voz firme cadenciada como o rodar do tráfego na rua professora Souza Leão:

     - Flanou flanavam! O rio Jaguarão e cidade Quiterianópolis: 70 por cento de cidade mais 30 de rio. A nem ser o dito escritor Afonso Pena Júnior...

     É possível que venha chuva, é impossível que apareçam os tais e quais óvnis. Existe árvore tipo iauácano? O caracol é um crustáceo 1 anfíbio um molusco.

     Tempo de dar a volta ao mundo em avião. Sobre o dia, sôbolo, diante das horas normais, sôbelo, vão e vêm os caminhos. Tempo de ir daqui até Orleans e Anamã e Sete Quedas e Jardim Botânico (ra) e Palmeirópolis e São Pedro do Paraná e Cambuci... Tempo de dar volta ao globo em barco a vela. Movimentos regras variedades detalhes...

     Telefonei numa manhã verão quinta-feira: “Vou a Piumhi e Serro e Dores do Indaiá, talvez ainda por São José de Espinharas e Dirce Reis: já estou indo de partida: quer ir junto mais comigo? Quer. E resposta em 30 segundos... já descontando...”

     A suçuarana soberana monarca abriu a boca e rugiu ‘raaauuu!...’ tão forte que fez tremer os alicerces as pilastras as paredes derrubando com o reboco a poeira do teto. E os instrumentos dispositivos de medida: o tacômetro, decide a rotação do motor; o hodômetro, mede as distâncias; o manômetro, calcula a pressão dos fluidos.

     Além do mais e agora em boa hora, entrávamos na Bela Vista de Goiás, e para aprender, porque é isso sempre alguma coisa. A praça da Liberdade e as aves e beija-flor-vermelho, jacutinga, avoante... e as plantas e sambambaias, são joão, feijão-do-campo...

     Uma coisa ela a Jaci, minha deusa ociosa, sabia: o que era um sorvete de pitangas. Eu de minha parte meu modesto mundo: existe árvore sapucaia? O triangulo que pertence e está em a hipotenusa. São os 206 ossos humanos.

A sua voz lá dela, cava e larga e útil, rolava pesada e sensacionalmente:

- Oh, meu doce de abóbora! Quero muito viajar. Quero por demais Rio Pardo, Candói, Mata de São João, Paulo de Faria, Ouroeste, Divisa Alegre, Erval Seco... ilha Trinta Réis, praia do Cassino... A nem ser o recomendado historiador Cornélio Pires...

Estava a pé e descia pela rua Uruçumirim e onde moro bairro Rocha Miranda, distraído pensando em outras coisas como tocar um concerto para piano frente à igreja São José - em Tauá, quando, em meio do lixo da caçamba, vi uma peça de manequim ou perna direita de mulher e ali jogada displicentemente. Claro que parei surpreso abobalhado. Olhei em volta à procura de alguém me olhando... Vai que gente fulana me ache um vira-latas, né! Só a perna indisciplinadamente. P-pe-guei manipulei e saltei e saí correndo a toda agora bem contente, síndrome de Diógenes debaixo do braço, e de volta pra casa. A joia da cabeça das distinções.

A Jaci, esta querida fã e fofa glória de D, nasceu todinha em mt. Os bandeirantes paulista chamaram: ‘Terra do mato grosso’. Ela guria viveu boa parte da sua história aí em mt: área de 903.207 mil km², gentílico: mato-grossense. E mt nunca entrou em guerra com ninguém, antes durante e depois. E todo mundo sabe, mt é uma das 27 uf-br, lema: ‘pela virtude mais do que pelo ouro’. Parece que tem a figura engenharia desenho geometria de um escaleno, nem é? Está mt na região centro-oeste, população de 3.840 mil (ibge:2026), mais precisamente rua Américo Vespúcio com a rua Carlos Von Koseritz. Sendo os limites os Estados de to e go e ms e am e pa e ro. Dividido em 142 municípios. Clima, equatorial e tropical; fuso horário, utc-04:00 América/Cuiabá. Miraculosamente.

De repente Jacizinha via coisas além aquém do nosso espaço e tempo. E então mandava parar tudo parar o sol as estrelas o rio do Salto rio Camburu... a rua da Glória no bairro Glória... E com sua visão visual revisão e previsão... ela revia conferia.

Jaci ela sempre sim sempre oquei tinha estes sonhos e voz bem melíflua:

- Aonde vai, hein?, seu bará-tucano. Eu euzinha mesma quero procurarei visitar Xanxerê e São Raimundo do Doca Bezerra e Araçu e Nova Marilândia e Maracaju... A nem ser o versejador poeta Marcelo Gama ou Possidônio Duarte Machado...

E uma coisa sabia a Já: o que era um sorvete de mangaba. E eu nem sabia: existe árvore tipo borragem-brava? Uma molécula é mais que 1 átomo.

A anta rosnou ‘ooor-quiii!...’ em tom de tédio e desassossego e impertinência. A floresta ficou refém e entrou em estado aparência situação de gelha gorovinha plica plicatura prega refego rofo rufo vinco... A joia da cabeça das aparições.

Me foi alugando debatendo lado a lado centro da cidade de Timóteo. Dizendo. Quando chuva pluviátil caía pluviosidade de ‘chuáaa!...’ na calçada na avenida Sete de Abril. Chuva. O vento fustigava os altos frondosos sebastiões-de-arruda, mulungus, juazeiros, muçambês, flores-da-esprança, caxuás-brancas, facheiros-pretos... Frondosos. Parecia um dia imperdível insubstituível. Dia. Me contou que viu disco voador. Disco. E nem só viu como falou. Conversar. Amizade respeito veneração relação. Divinal.

Na sua linguagem clara e impecável assim declarou com bonomia, de sobejo que sobrou que restou, sorridente ela mesma, que é isto:

- Kjá-kjá-kjá!... que eu rio! Desatado do chão de Cabaceiras do Paraguaçu, o sol saiu de casa e na carreira aérea tórrida. E os feriados sábados domingos santos facultativos. Penso pergunto recomendo concluo. A flor-de-babado é planta que aparece em todo lugar, praticamente. A nem ser o condoreiro declamador Castro Alves...

Voltamos de Encruzilhada do Sul e expansivos bem acima do solo e já ali mesmo pelo primeiro andar empolgados cheios tomados de novidades superioridades imagens informações notícias. O sol do dia era o próprio ás de ouro e zabelês, príncipes, téus, araris, lavadeiras, aiaçás... Floridas arborizadas belíssimas mansidões, cidadezinhas. A duas quadra dali, a cadeia de montanhas serra do Mar - 1.500 km do rj até rs.

O lobo-guará uivou ‘uuu-oh-oh-oh!...’ com grande eco com forte voz até a liberdade libertar. Os números primos (com capacidade de armazenamento informático: byte, kilobyte, megabyte, gigabyte, terabyte) são infinitos e maiores que 1 e divididos por 1 e eles mesmos, sendo o 2 o único par. As unhas ficam nos dedos.

Uma coisa ela sabia a Jotinha: o que era um sorvete de pitomba. E eu nem sabia: existe árvore o que seja espinho-de-juvu? A praia do Toque-Toque Grande, em São Sebastião. Fusão de morfemas amálgama e a menor unidade da língua, hem!...

Ainda nem confessei pra ninguém, quiçá pra mim, mas estou montando um manequim de mulher feminina. Confesso. Meu desejo é colocá-la (a manequim ela), e quando inteira e completa, atrás da janela e de frente para a rua Macuxi e os prédios do outro lado. Portanto, esse achado do braço foi importante porque o conjunto está quase completo e falta pouco. Por hoje estou satisfeito com o achado mais importante da sorte. E pois tenho este mesmo antebraço que acabei de encontrar por acaso (é assim que prefiro). Já consegui uma peruca ruiva (por enquanto só ruiva, mas gostaria de uma loira uma rastafári uma encaracolada uma alçada estilo xaxim ou em coque, etc e demais coisas existentes). O busto com seios pequenos (um dia se achar seios maiores poderei ter opções) foi o começo de tudo. Ainda tenho as duas mãos, sendo que a esquerda é de uma madeira esbranquiçada o chá-de-soldado colhido no parque Dom Osório Stoffel; a direita de plástico pintado de amarelo fabricado numa fábrica em Frederico Westphalen. Me faltam uma coxa esquerda e a cabeça das ideias: ‘A joia da cabeça das ocupações’. Manequim de madeira e plástico e fibra de vidro, materiais leves transportáveis.

     Contou disse tornou a falar e rosto rejuvenescido agradável redondo até insistiu ensinou, olhos fleumáticos impassíveis pachorrentos lentos, voz modulada:

     - Então, tá!... E muitos céus todos extensos idas e vindas todos os dias largos longos relaxados. Eu tinha cinco anos e era natural que fosse assim e se bem me lembro e mais aí afora. E pronto, eu tinha de contar os autos as árvores maiores as aves as pessoas as casas; no outro dia daqui pra lá recontaria, se me lembrasse se estivesse a fim. A nem ser o eminente poeta Emílio Guimarães Moura...

     Os roncos e os grunhidos ‘rum-rum-rum!...’ e os cuinchos os chios os bufos ‘tôs-tôs-tôs!... dos porcos-do-mato se elevaram acima da mata na serra da Tromba. E recalcitrantes obstinados inconformados. E na paróquia de Sengés e na diocese de Assaí. De pronto esdrúxulos e proparoxítonos esquisitos excêntricos extravagantes...

     Eu a encontrei, maçãs do rosto pômulos, na noite dentro do bar Pacanaua e frente à praça Pádua Dias ou rua general Couto de Magalhães esquina rua Honório Silveira Dias e bairro Higienópolis. Tudo estava aqui. Era como se tudo o planeta levasse àquilo. De manhã nem mais a olhei cheirei toquei pensei. Quando parti já a havia esquecido.

     Jaci mato-grossense conhecia, de outros carnavais, a imponente capital Cuiabá. Esta cidade foi fundada em 1719 por bandeirantes paulistas à procura à cata de ouro. Parque Mãe Bonifácio, com trilhas perfeitas pelo bosque e torre de referência e observação e entretenimento e óvnis. O nome da cidade provém e tem origem nos silvícolas bororo, também chamados cuiabá. A capital é centro geodésico da América do Sul, bem aí na praça Pascoal Moreira Cabral, nas coordenadas 15º 35’ 56”, 80 de latitude sul e 56º 06’ 05”, 55 de longitude oeste; e altitude de 125m. Um endereço da prefeitura a rua Cândido Mariano com a rua 12 de Outubro, ruas lacônicas concisas sucintas breves e de poucas palavras... A casa Barão de Melgaço e o chafariz do Mundéu em a praça bispo Dom José, entradas francas e grátis. Céu perfeito cômodo celeste tipo aconchegante musgo índigo cerúleo anil azul entre o verde e o violeta tudo azul e às mil maravilhas.

     Olhou o céu e se ateve a isso. O mundo já sabe de cor sabe quanto tempo se passou, e passa, sob a soalheira. Tempo vertiginoso giros rápidos. Alta claraboia céu altar um toque diáfano transparente. Ave rapace rapinante como acauã ‘uh-róooiii!...’

     Fazia vento baixo começou ventar forte palavra chave: transformação. E abri as asas mesmo assim como os aviões os pássaros 8ª casa astrológica e as pessoas olharam das casas das lojas dos automóveis signo escorpião e acharam graça planeta regente Plutão, corregente Marte, e eu estava quiçá especulei engraçado ou pipa pandorga.

     Uma hora após saímos à desfilada disparada. A estrada era nova lisa reta bonita de se dirigir. As placas sinalizantes amarelas destacadas e novas. Perfeitamente no trecho entre Itaara e Bonfinópolis de Minas. Entradas de estradinhas vicinais e os nomes dos típicos sítios pitorescos. Parecia que nem tinha fim meio começo e além...

E ela falou em linguagem simples e precisa, o seguinte, um convite:

     - Mas bah, tchê, guri! A ave matia de duas cores gazinou o que gostava de gazear e compreendi. A São Mamede fica pra lá da Frei Lagonegro. A nem ser o destacado condecorado João da Silva Tavares ou barão e visconde de Cerro Alegre...

     O dia aquiesce... e condescende anui consente... E sem imiscuir-se interferir... A praça Panathlon, em Bauru. Modos aéreos airados alados alucinados. Palíndromo, palavra da direita pra esquerda e vice-versa tanto faz. Quanto é 20% de 90? Onde fica, meticulosamente, o esternocleidomastóideo ou ecm.

     Até completar o manequim vou colecionando as partes empilhando debaixo da cama ou no armário ou em cima da mesa na sala de estar. Na verdade na verdade, se eu fosse atrás e procurasse bem logo encontraria todas as peças faltantes e até mesmo umas sobressalentes. O lixão da cidade deve ter de montão e para todos os gostos e fins. Podia comprar na loja ou mandar fazer. Mas nem nada, prefiro o meu jeito, prefiro do modo mais difícil ao acaso e engraçado, esbarrando com o indeterminado e engraçado, a surpresa, a coincidência, a esperança, o engraçado. E calculando as matemáticas tipo distributiva, liga multiplicação à soma e à subtração; transitiva, um elemento se relaciona com o segundo e este com o terceiro; comutativa, a ordem dos fatores nem altera o produto. Jogo jogar os dados de 21 pontos, né?!

     Em o Estado do Rio de Janeiro, Arraial do Cabo, rua Barão de Macaúbas, bairro Ricardo de Albuquerque, sete de agosto de 2011, 10h com sol encomendado recomendado. Em o Estado de São Paulo, Serra Negra, o pico do Fonseca (pode subir a pé ou de carro ou de teleférico) a praça prefeito João Zelante a rua coronel Pedro Penteado. Aleia fileira árvores postas fila indiana e breu-branco-verdadeiro e aimontabu e alecrim-bravo e verbena... ostentando exibindo alardeando perfumando embelezando...

     O grande metódico professor capincho (algaravia) e já sábio e profeta (cume vértice ápice culminação) declamou em voz alta. O dia de sol o verde radiante e característico a cidade se movimentando (cingida cercada circundada rodeada de bairros e distritos) o estuário Guaíba (túmido engrossado dilatado aumentado) cruzando a lagoa dos Patos (fímbria orla beira) até o oceano Atlântico (singrando percorrendo caminhos navegando seguindo). E para chegar lá, hein?! Perfumes inusitados inabituais incomuns insólitos e cheios de rastos. A migração dos pássaros e aves e tico-ticos-do-campo, catirumbavas, pavãozinhos-do-pará, murucututus-de-barriga-amarela ‘uh-tô-tô-tôooo!...’, chocas-barradas... Quanto é o quarto de um terço. A joia da cabeça das correlações.

     A cidade Aiquara, cada vez mais florida; a municipalidade Nova Roma do Sul, que completa tais e quais anos primaveras; a urbanista Sertanópolis, que cresce verticalmente; a metrópole Salvador, profunda profundamente; a climatizada Desterro de Entre Rios, moldada prensada raspada; a conurbada Ribeirão Preto, aparada lixada cercada; a empreendedora Nova Santa Rita, envernizada perfurada aparafusada...

     O sol sobe de leste e pondera. Dia assinalado marcado apontado... O sol solar nos observa com enlevo. Onde as plantas e vegetais e árvores ou abutuas-do-rio e abios-grandes e raízes-de-cobra e sapucaias-mirins e louros-do-igapó..., comem a fotossíntese: luz solar água e gás carbônico. A joia da cabeça das participações.

E Jaci mato-grossense nasceu mesmo na cidade cidadã de Colniza colnizense. Município com 3 símbolos, brasão bandeira hino. Limites com Cotriguaçu, Aripuanã, Rondolândia, Apuí, Novo Aripuanã, Machadinho d’Oeste. Favores facilitados. A umidade até 88% e a temperatura mínima de 24ºC e máxima de 35ºC. Muita hidrografia e rio Guariba rio Madeirinha rio Salvação (bagres e piranhas e cascudos e lambaris e pacus e pirararas...). Parque Igarapés do Juruena (arrudas-do-mato, flores-da-cachoeira, biribás-verdadeiros, botões-de-ouro, facheiroas...). Acasos indizíveis. As aves cantam assobiam vocalizam e pica-paus-do-campo, aracuãs-do-pantanal, casacas-de-couro, anus-brancos, mães-da-lua, cardeais-do-banhado ‘piii-uh-iii!...’, peixes-fritos-pavoninos... Endereço praça Carlos A de Souza (praça que abre estrias para os caminhos urbanos) e avenida Dois Mil e rua São Paulo (o bulício das ruas ao redor perto do mercado público). Diligente e intermitentemente. E miraculosas surpresas.

O gavião-de-penacho, do alto e com um mínimo de energia, monitora a biodiversidade o ambiente acolhedor. Encarregado do alimento da família acasalamento segurança. Sobrevoando áreas cleptofóbicas longas etapas e admoestando repreendendo acaçapando agachando encolhendo. De olhos bem abertos íris escleróticas cristalinos. A ave rapina visualiza cada morro rio árvore arribana cabana choupana palhoça. Asas bem abertas corrente de ar quente e guinchando ‘ih-méeee!...’ em arremedo cópia reprodução remedo de sons de alerta. Para aterrissar pousar pois no alto do galho seco da palmeira maria-rosa e aí arruma as penas, bem na praça São Geraldo. E com segredos secretos diferenças indiferentes descobertas encobertas. E há uma localidade pra cada... ali o mesmo jogo ou destino... e Vilhena e Verê e São Domingos do Capim e Zé Doca e Passagem Franca e Gama (ra) e Assis Brasil e Ipeúna e Virgem da Lapa... vamos supor.

     Depois da festa queríamos chegar e dormir sossegados como as duas pedras irmãs do fundo do poço. O devido tempo lugar litoral e circunstância. Existe árvore tipo canela-guaiacá? Oito minutos de sol até aqui. Miscelânea é o conjunto de coisas distintas.

     Voz remansada e firme e dela assim contou olhos brilhantes e indecisos solfejou:

     - Uau, gente! Um problema uma equação outra questão mais uma fórmula. Se considera sempre que o pi continua um escore irracional e transcendente. O qual e tal convenhamos os mais renomados cientistas se acercam. E a resposta é Rosário do Sul e Tapira e Piatã e Águas da Prata... A nem ser o eloquente Quintino AFS Bocaiuva...

     O jacaré-de-papo-amarelo já falou tá falado sobre as praias de rio que conheceu as lagoas que navegou os barrancos que madrugou os aguapés as baronesas os gravatás-das-rãs que visitou e até indicou umas coroas de areia que mais gostou. O réptil sapador de focinho largo e chato gasta seu tempo de ócio em rugas carquilhas sulcos corricas dobras dobraduras encorrilhas festos... Olhos miméticos untuosos gordurosos oleosos com pestanas de cerdas conspurcadas sujas enlameadas manchadas... Depois segue o factível o que pode ser feito acontecer realizável exequível...

     Uma coisa ela sabia a Jaci: o que era sorvete de açaí-pequi-caju, no pote. Ela tira os pensamentos dela de si mesma. A joia da cabeça das perfeições. Mariposa é uma borboleta. Qual a capital de Curitiba? Caldeirão Grande é capital de que Estado da federação. Seguem os suspiros sensações respiros inspirações e os instantes inolvidáveis.

     Quando completar (falei dela manequim), já pensei, vou usá-lo como amostra grátis atrás da janela e de frente para a avenida e os prédios vizinhos do bairro Taquarembó. Então, fiquem tranquilos, nem me passa na cabeça ter manequim f modelo para fins devassos ou dizimar exterminar arruinar. Talvez para afastar os espíritos maus, aí sim. Alguém para xingar na hora certa: ora bolas! Ou se for muito bonita nos olhos bonitos, e para trocar olhares perspicazes significativos. Hoje ainda estou nessa de gelosias grades para tapar os olhares a partir da rua rótulas persianas. O nome pode ser Gabi. Tudo tão ou quão de parecer estalar ampliar pulsar decidir resolver apressar... O Saturno tem 145 luas. A escápula osso do ombro.

     Surgia a manhã e Entre Rios do Sul. Pouco mais era de meio-dia. Visitamos a cachoeira da Jiboia. Nuvens com fisionomia de santo santa e até de D, pareidolias. Conhecemos a gruta de Maquiné. Cinco motivos para visitar a serra da Borborema. Aborígenes sanumá. O sapo-intanha é batráquio que aparece em todo lugar, praticamente. Existe a árvore tipo almecegueira? Uma promessa um presságio um vaticínio uma profecia e senda misteriosa enigmática perspectivas aleatórias. Já anoitecia.

     O sol apareceu surpreendentemente entre ralas nuvens magras, e com cautela. As aves pausando pousando saltando quicando subindo alçando das ramas galhadas das árvores arbustos e algarobeira, urarirana, lacre-branco, caruru-de-espiga... e jacurutus e canários-do-campo ‘pri-riu-riiiuuu!...’ e curutiés ‘psim-psim-psiiimmm!...’ e tietingas ‘vri-cri-crióoo!...’ e grimpeiros... As joias da cabeça e Dom Viçoso, Cerro Branco, Nova Tebas, Santo Amaro das Brotas, Viçosa, Brazlândia (ra), Senador Guiomard, Capixaba...

     A harpia se aproximou de repente de frente de frente e perguntou com a voz firme e harmônica. Olhos que desprendiam automático emanavam um tal gume, e mesmo inspiravam aconchego aconchegantes. Depois litania ladainha oração reza.

     Uma das 200 mais belas do país a de Porto Real, um dos 20 maiores do Estado do Maranhão o de Santa Bárbara, uma das 100 maiores em habitantes a de Cândido Rodrigues. A praia Massaguaçu, de Caraguatatuba, e mar bravo quase insidioso enganador traiçoeiro forte tombo boa para a pesca esportiva o surfe a caminhada difícil para banhos. Das 50 a mais emblemática a São Francisco de Itabapoana.

     Eu ainda escuto a sua voz de entonação nervosa arrebatada e até melíflua, calçando seus pezinhos bem acomodados aos tênis de sola fantasia, palavreando:

     - Bom dia, patrício! A Redução São João Batista até Entre-Ijuís apareceu em 7 de setembro 1697 com 2.840 habitantes, e depois em 5 de maio do ano da graça de NSJC de 1768 com seus 4.016 habitantes. Todos brincam de índio e jesuíta e bandeirante. A nem ser o guerreiro valente Martim Afonso de Sousa o Arariboia...

     O beija-flor-roxo uma colibri qualquer beija-flor-safira que atravessa pra cá pra lá vaivéns os dois mundos basta ser beija-flor-do-mato. E por que beija-flor-de-costas-violeta? A alma eterna trissar ‘psi-psiii!...’ Continua linda e a cara espaçosa a colibri-rubi. Um sol interessadíssimo. O azul diáfano do céu com infinito com universo inefável.

Crer em D é pensar o infinito... E a sorte olha complacente contempla com surpresa a modorrenta passagem das poucas nuvens brancas raras, e o céu de ametista. Camadas e camadas 5 degraus da atmosfera terrestre assim como a troposfera, onde ocorre o clima o ar que respiramos e a chuva o vento as nuvens; a estratosfera, camada de ozônio que filtra os raios uv e correm os aviões a jato; a mesosfera, desmancha os meteoros que entram na Terra, 50 até 85 km; a termosfera, com aurora boreal e onde giram os satélites artificiais; a exosfera, limite com espaço e ar rarefeito mais de 600 km.

Jaci moça guria tão galante veio almoçar e trouxe a beleza e a vontade de dizer:

- Meu querido idolatrado! A região do cérebro que regula a gula o sono a deusa, hipotálamo. As paradas cidades cidadãs mais montanhosas e Ibiara e Ibatiba e Iomerê e Itaju e Ibertioga e Itaú e Igarassu e Itatira... A joia da cabeça das considerações.

     Eu digo. Segundo me disseram segundo eu li e aí, a cabeça dela do manequim ela é a mais difícil. De repente terei de comprar ou mandar fazer artística artesanalmente, lapidar entalhar esculpir. E com que material: tecido isopor ferro barro ia... Mas pretendo ter várias e ir trocando com o passar do tempo passatempos. Os olhos cintilantes amarelo-sol e brilhantes azul-céu. A joia da cabeça das soluções.

 

quinta-feira, 30 de julho de 2026

As Tatuas

 


 

            Sobre todos, embora, o tempo pode fazer tudo o que bem entender.

            Há quantos anos... se perde. Quem diria! Por este tempo, aquele tempo, tempo sempre prometendo voltar presente no dia seguinte.

            De ontem pra amanhã feito hoje em dia.

            O dia se esboçava o dia já estava alaranjado. Novas algazarras, borboletas supercoloridas, passarinhos imortais, timburis farfalhantes, ar útil e rarefeito, gorjeios domingueiros, quadrantes calculados invisíveis indiferentes dominantes resistentes.

            Qual a cidade que você mais vai usar? E distrito de Santa Lúcia do Piaí, em Caxias do Sul; avenida Pico das Agulhas Negras junto ao parque Alberto Simões bairro Altos de Santana, em São José dos Campos; ilha das Couves e praia da Fazenda praia da Almada, em Ubatuba; ribeirão Silveira rio Picinguaba cachoeira da Escadinha praia Boraceia praia do Itaguá (lanchas escunas botes caiaques...), em Bertioga; ilha da Cocanha ilha do Tamanduá praia da Tabatinga, em Caraguatatuba...

            Mormaço e poeira elevada ou resignada e fumaça espichada alargada espalhada sobre tudo, o asfalto (de derreter conceitos e fritar ovos), a cidade de Itaguaí, o bairro Pavuna, a praça Araréua - onde mora em pé de corpo inteiro sólido a estátua de Olavo Bilac -, o centro labirinto da cidade, a avenida Carlos Augusto Ferreira, duas parentes tatuas, horas minutos 9 com 9 ou 9 mais 9, do outro lado o supermercado Pixororé, etc...

            Pronto e definido e alcançado, as tatuas em dupla e quase desassossegadas. Hábitos diurnos e noturnos, confirmadas, aguardavam o melhor momento de atravessar para a calçada oposta em frente a avenida Francisco Xavier da Veiga Cabral e que tinha um trânsito alucinado alucinante pesado poluído metálico e todos os dias nos dois sentidos. O progresso que performa ou promete ou compete ou acrescenta ou solidifica.

            Tá e Tua eram duas tatuas tatuaívas amigas primas irmãs de sangue parceiras sempre juntas e confidentes falavam o tempo todo dos namorados maridos ficantes idade e futebol feminino almargeal lodaçal da beira do rio Trapicheiros jogos olímpicos carnaval de Parintins praia favorita teatro Guarany parque Barigui lojas do shopping oceanário de Santos e outros assuntos. Pertinentemente.

            A tatua Tá um olhar bem raposíssima perigosa revolucionária empresária quase sempre e manifestou despachou:

            - Ui, meu!... Eu tenho repulsa e pena e contrapena. E de quê?!

            - Oie!... Mas isso é meio contraditório, meio caminho andado! - diz a outra, Tua, um olhar bem gatíssima convicta graciosa primorosa sestrosa afetuosa.

            - Hum!... Só eu sei. É assim que sinto. As duas coisas ao mesmo tempo e na contramão. Que que posso fazer? Nem sei e nada sei.

            - Francamente! Nem vejo o jaborandi-do-mato crescer, embora sem dúvida que cresce aparece e floresce e frutifica.

            Arregalavam os olhos marrons para cima e para baixo na rua e nada do trânsito dar uma trégua uma linha um carretel uma agulha um tempo uma folga uma vaza uma chance. As duas mamíferas e focadas e advogadas e planificadas e competitivas.

            - Outrossim! Eu só procuro e acho o que nem tenho, e aquilo que tenho nem procuro e nem quero mais - Tua, curte compartilha comenta, a identificada.

            - Uau!... Então, falando sério!, vou entrar com moção na próxima assembleia, etc. - Tá, aciona o sininho a campainha rapeia deixa os laiques, a identificada.

            Íncolas uiriris chabós em voos arabescos tarde de trissar piruetas cambalhotas. E ‘plas-plás!...’ de folhas de caaingás, ‘frufrus!...’ de ramos de pixiricas, ‘tres-três!...’ de palmas de indaiás-do-campo, ‘ren-réns!...’ de leques de caranaís-do-mato...

            Restavam as duas ali junto ao meio-fio aguardando o melhor momento para atravessar, que era difícil se arriscar, que os carros nem deixavam. Esperavam ali olhando chuleando os autos que nem paravam de passar. Nuvens consertando restaurando fumaças. Era um tempo precioso, dava até uma inquietação. Prédios antigos tombados, prédios em construção, prédios altos torreões espigões arranha-céus...

            - Guria! Te digo... Vamos até a faixa de pedestres, é uma!

            - E nem qué?! Ou isto ou aquilo, a quilo!

            O tempo fica curto para as medidas de última hora. O tempo que abre a porta... e que porta!, que janela?!, porém prefere para onde se atirar se lançar se apinchar.

            Uns mastozoários sempre andam com objetivo claro em mente em olfato: procurar o comer e o beber, se nutrir. E as tatuas também nem abrem mão desse preceito. Procurar o pão de cada dia manducar bebericar e voltar para a toca descansar esperar o outro dia de noite se cuidar se esconder dos inimigos. De preferência no meio do capim-andrequicé capim-andacaá capim-amonjeaba misturados às tenras folhas verdoengas ao lado perto de uma lavoura outra horta uma plantação e cultivos agrícolas.

            Os tatus em geral geralmente nem se agregam em coletivos, mas em pares ou duplas ou casais. Famílias de 3 até 7 também e idem. Vão e vêm dentro de uma área circulam já memorizada propícia delimitada organizada circular particular territorial.

            As irmãs tatuas foram conhecer Alagoas, Maceió. Esses animais mamíferos, casca grossa e força ilocucionária ou forma particular de expressão ou estilo próprio discursivo, já sempre se parecem com o perfil de um barão do Rio Branco ou José Maria da Silva Paranhos Júnior - Rio de Janeiro de 1845 até 1912 -, embaixador diplomata das questões fronteiriças nome de cidades (Rio Branco-ac-mt, Rio Branco do Sul, Visconde do Rio Branco, Rio Branco do Ivaí) rua avenida bairro distrito instituto cultural praça monumento condecoração faculdade...

            Manas parecidas fantasistas esmalte e unha quando iam para o mesmo lugar buscavam as mesmas coisas, etc. No meio de dezembro ou janeiro tudo estava seco demais. E faltavam quantos anos, uns cinco depois quatro logo três e assim por diante...

            - Minha nossa! Eu adoro ouvir a chuva e água caindo rolando... - disse a Tá.

            - Ulalá!... Eu já adoro ainda o silêncio e ouvir o sossego - foi a Tua.

            - Hein?! Estava pensando em pegar um trem para Mar de Espanha, é.

            - Zás-trás! Embora Três Rios veja fascínio na primavera e ou no verão, hem?!

            Tá e Tua já tiveram vários filhotes com vários tatus, tatuaparas, tatuapebas, tatuaçus... Dos tatus e suas manias elas só souberam na hora h. Dos filhotes e suas características se separaram por consequências da idade e da independência natural, etc. Cada tatu com seu cuidado sua toca e seu habitat ecossistema universo, e multívolo.

            Nem é sempre mas que acontece. Apegado ao rio Santa Maria, Cacequi, houve por bem uma explosão demográfica de tatus e de tatuas, belas tatuas-mulitas, belas tatuas-canastras, lindas tatuas-bolas e assim por diante, amém!

            As dignas tatuas melhores manas olharam os cebolões uma da outra conferindo. Estava marcado para as 11h em ponto e atrasou uns vinte e cinco minutos por motivo de um imprevisto força maior. Aliás, oito vezes naquela mesma semana. As duas tatuas foram impedidas de entrar na horta, de cearem na rocinha da dona Urucurana-Roxa, de experimentar as mandiocas e amendoins e carás-de-folha-miúda e inhames-cigarras e melões e melancias... E por causa de quê? Do fila fero ‘au-au-au!...’ cão de guarda.

            O tempo todo quase passam despercebidos o porco-do-mato a preguiça-de-três-dedos, a formiga-carregadeira, o tiã-tiã-preto, a brujajara... e os jovens vão mais ligeiro mas os velhos sabem o atalho... a narceja-de-bico-torto, juruviara, ibijaú, maitaca, sagui-amarelo, araçuiava, grimpeiro, o caboclinho-de-barriga-vermelha, o saci...

            Passa muito perto a questão do tempo. E diz respeito a todos/as. Confirmado: e pasta capim-açu muito verde o azul do céu. Com sorte sortida, modesto/ta.

            O rumo da mata, passando uma sanga, até Pitimbu. Cidade pitoresca recreativa rodeada de montanhas morros parque Serra da Concórdia cachoeiras gado córregos turismo jacarandás-do-pará varudos rochas em forma de bicho doméstico ou selvagem comarca região vento nordeste tribo caxinauá cedros-cheirosos ruas ladeiras pousadas ingazeiros almas-de-gato tangarás camacilras aromas flutuantes desprendidos das tibuquinas naturais cavernas e locas e lapas com inscrições pré-históricas rupestres.

            Nem digo nada, mas as duas estavam ali e aí. Fora e além da capoeira ficava um gramado uma grama verde tenra e com um cupinzeiro de dar água na boca aos tatus em geral e às tatuas duas em particular elas próprias. Pequenas favas-de-besouro em a vernação. Aroeiras-do-rio-grande carregadas de flores. O céu lá em cima e pachorrento.

            A Tua e a Tá estavam olhando para o cupinzeiro e mostrando línguas, os narizes no ar, as orelhas vibrando espreitando, os pelos eletrizados dos afobados focinhos, os cascos enrugados, as caudas insofridas arrebatadas inquietas, as orelhas vermelhas, os narizes mexendo... Mas nem se arriscavam em pleno dia no limpo assim sem mais nem menos por causa dos predadores terrestres e aéreos ou camuflados ou até mimetizados.

            Tua, que gostava de teatro e porém nunca pisara num palco, mais que falou:

            - Gente do bem! Eu prefiro um tatu fuçador que me dê folgança quase o ano inteiro e cem por cento de segurança principalmente aí por setembro outubro.

            - Digo mais e alerto! Um fuçador com tempo suficiente e alento para me farejar.

            Umas tatuas uns tatus ficam no verão e se separam no inverno. Preferem a noite, mas saem a qualquer hora. Isso é quase certo. Isso depende, nem custa nada. Sabem quando vai chover ou esfriar. Reconhecem quanto há quando nem há de fruta madura.

            O tempo leva nos ombros o peso colecionado dos séculos e séculos. O tempo nem se engana nem uma ou duas vezes. O tempo nunca arrisca e joga em casa. O tempo nem é uma coisa ou duas. O rio Belém tem exemplo muito a ver com o tempo. Também o largo da Segunda-Feira. Ainda mais a praia Guaratuba a praia da Joaquina...

            Uma hora aquele dia as duas melhores companheiras e amigas e comadres foram beber na sanga mais próxima, manancial do rio Piratinim, comarca de Barra Mansa.

            - Olelê!... Por fim, né?! De parte a parte.

            - Ahahah!... Ótimo! Perfeitamente que claro, só que nem.

            Nuvens procurando fumaças fazendo mudança de clima. Nuvens com cara de caravela. Nuvens esgarçadas antes do almoço acepipes petiscos aperitivos. Nuvens acachapantes. Nuvens mutantes. Nuvens mascaradas disfarçadas de festa carnavalesca. Nuvens brancas buscando Itaperuna e Wenceslau Braz e Lins e Maquiné e Boa Nova... Nuvens com passagem por Barra do Turvo, Ibiam, Massapê, Viçosa do Ceará, Feijó...

            As irmãs viajavam na carga de um caminhão, sobre a lona que encobria a lenha na carroceria. A céu aberto. Em vez de olhar pra frente pros lados, elas olhavam pra trás e deixando a paisagem sumir na distância. A paisagem se distanciando. E depois o rio Moa, este fazendo a curva. E entrada/saída do município (é subdivisão oficial do Estado, menor unidade autônoma da federação, circunscrição territorial dotada de personalidade jurídica), em homenagem ao aviador aeronauta Alberto Santos Dumont (1873, em Santos Dumont até Guarujá, 1932) praticante de alpinismo automobilismo balonismo dirigibilismo... e seus feitos grandiosos comemorados em homenagens monumentos cidades (Santos Dumont, Dumont) praças logradouros reportagens documentários cartões-postais selo músicas filmes aeroporto museu de Cabangu...

            Chegaram no lajedo e olharam em volta, sempre temendo a aventura, as idiotices do contingente. As águas cantantes do rio Juqueriquerê o rio Gurgueia, um limo por sobre as pedras, umas árvores descansando na sombra respirando o ar puro, icacoré-catinga cipó-caboclo macacaúba cedro-cheiroso caxicaém, uxicuruá, andirapuampé, fruta-de-papagaio, tamaquari, jarana... e aves aleatórias cantoras já cantando umas cabeças-secas caraúnas colhereiros trinca-ferros inhambus-chororós arapongas...

            Tá, mascando um talinho de grama macia, e identificada em 8 primaveras:

            - Oh! Será que tem tatu por perto? Nem estou cheirando muito bem. E você?

            Tua, procurando larvas debaixo da pedra, e identificada em 7 primaveras:

            - Calma aí, meu! Pelo menos deveria ter toca de tatupoiú. Olha só o barranco de terra apetitosa e úmida e fofa... Já confere, né!

            As duas atentas e mais nada assuntos suspensos, atentas. O tempo de duração das coisas. Foram molhar o focinho, as garras, espairecer as novas ideias e sensações.

            Nada mais nada, nada vezes nada, nada a fazer. Uma chuva repentina repentina e muito apreciada. Choveu bem e choveu solto e sem bagunça. A chuva enchendo o ar de gotículas as nuvens prenhes de água o rio Pindaré já beijando as margens.

            E no meio de outubro ou novembro os dias estavam nesse pé ante pé, pé por pé, um a um, pata por pata, quadrúpedes encouraçadas. Claro de dia, escuro de noite.

            Qual cidade você mais vai usar? E Alfenas, onde gorjeiam os tietingas; Vieiras, já cantam as chocas-barradas; Cássia dos Coqueiros, grasnam grasnando os canários-do-campo; Boninal, assobiam as borralharas-assobiadoras; Coronel Barros, ciciam as pombas-amargosas; Caçador, palram os socós-bois; Capitão Leônidas Marques, roncam as corujinhas-do-mato; Cachoeiro de Itapemirim, gralham os curutiés e surucuás-dourados. Uma cidade chamada Protásio Alves bonita harmônica sinfônica filarmônica serrana vegetal igual como outras tantas 10 mil habitantes igrejas velhas ruas calmas paisagem de arvoredo e o rio da Prata. Sobre a visita o roteiro bucólico, a vista da cidade de Protásio Alves, tem altos e algares casas e galpões ruas e travessões peraus e capelas relvas e terras desfeitas, assim como lá pra baixo se olha daqui de cima.

            E num canteiro de margaridões quaisquer as duas conterrâneas camaradas companheiras parelhas. Em uma noite fechada no jardim da praça Piracema. Morcegos buscando frutas doces da fruta-de-tatu, grilos-dos-canteiros pulando falsos-orós, caburé-de-orelha e panema encolhido no galho do molongó, fio-dágua por entre pedras seixos e curvas e declives, craveiro-do-campo soprando a brisa merecida apetitosa aconchegante.

            De repente, oquei!, Tá foi cheirando o ar, erguida nas patinhas de trás, mugiu:

            - Oi, literalmente! Tô reconhecendo sentindo o perfume de tatu!

            Tua, focinho fino afinado no ar puro do ambiente, e repercutiu:

            - Sim, pois nem! E eu conheço e reconheço e já o pressenti antes sem dúvida!

            - Ué, meu! Então, quem é? Quem você sugere?!

            - O tatuetê Sumaré, que pode ser. Quem mais poderia ser e terá?!

            E logo sem demora sem drama viram realmente o tatu-galinha nome de batismo Sumaré, e farejando pelo jardim à cata de cupins formigas taturanas raízes e outros. Todo ali num canteiro próximo e preocupado com cavoucar o de-comer. Sorte que Sumaré (tuxaua, tutunqué) nem viu nem sentiu nem conferiu a guria Tá nem a guria Tua. Viu nem viu ou fingiu. Elas nem acharam nem foram conferir, e simboralá!

            - Ora essa! Nem quero nada de chamego, hoje - Tá, espaventada e ilustrada.

            - Ué!... Claro e concordo. Nem é dia nem hora, veja - Tua, empoderada e feliz.

            - Se eu quisesse... E vamos sumir antes de mais nada, obrigada!

            - Se-gu-ro! E vamos dar o pira saindo pelo lado oposto e uns 180 graus.

            Há um tempo a esta parte. Época, época mesmo, quase pra lá de indeterminada, remota. Os longos e puxados tempos, sem esquecer de nada, sem abrir mão de nada, sem deixar nada para quem quer que seja, sem negociar nada para depois agora ou ainda mais tarde. E assim desfaz rio Una, ilha Rachada ou ilha da Selinha, rodovia Oswaldo Cruz ou sp-125, praia das Bicas... que o resto é presente que o seguinte é presença.

            Quando foi ninguém ficou sabendo nem as duas irmãs escreveram anotaram. Uma manhã de agosto ou setembro. Tinha sol o ano inteiro. Um jaú-torino caprichava correndo de um guaipeca maduro na rua Gonzaga Duque Estrada, perto duzentos metros dali. Centenas milhares de moças-brancas buscavam néctar e pólen em a riqueza das timboúvas. Curiós e tizius pousavam e subiam a partir da árvore-de-coral, uma vez.

            E Tua e Tá acharam de atravessar o arroio Retiro, a nado. O rio, impensável primeiro, o rio coleante sinuoso de largura provável e força indeterminada. Também intransigentemente líquido. Comadre maria-irré. Para cima oitocentos metros tinha a ponte pista asfaltada. Mais para baixo uns quinhentos metros tinha o reservatório a represa para as pessoas urbanas cidadãos/ãs de Nova Prata e Pérola e Pérola d’Oeste.

            - Ei, guria! Vamos nessa que é bom à beça?!

            - Ei, prenda! Eu ainda nem sei nadar e nem me decidi ao mergulho, tá limpo?!

            Ficaram olhando o rio e pensando cada coisa cada uma por si. O rio precioso perene perfeito bonito e a calhar. O rio todo o arroio procurando a laguna o mar e gravidade perfeita necessária natural terráquea conveniente proporcional.

            Tua, sonhadora sonha com açaí paraense no pode grande, identificou:

            - Uh!... Do outro lado tem uma roça de mangaritos muito pomposos e esperando.

            - Quê?! O negócio é convencer o rio, o rio caudaloso, vitorioso, apartoso...

            Na beira do rio tinha monte assim de plantas bastava olhar bolsa-de-pastor, maria-preta, sururucujá, mentrasto-do-grande pitaica-da-terra-firme ibiranhirá uxirana, camaçari, tatucaá, juá-listrado... por dentro do arroio operavam jacaré-de-papo-amarelo, traíra, timburé, bagre, acará-bererê... por sobrevoando o córrego adejavam gavião-caboclo aviões comerciais jatinhos exclusivos executivos asas-deltas parapentes...

            - Que que tem de ponta a ponta desse rio Retiro? - Tua, a identificada e meiga.

            - Ocê nem lembra me faz puxar pela memória? - Tá, a identificada e serena.

            - Uma ideia solta, eu digo. Isso é freguesia de Manhuaçu ou Nova Iorque.

            - Compro e vendo na hora. Isso sim é paróquia de Caratinga ou Vicentina.

            Pensaram um pouco as duas primas colegas de aula. Almoçaram azedinhas amarelas agridoces derretendo na boca e lacrimejando. O mundo é tão exótico! Elas falando entre elas, mais cheirando que olhando, mais olhando que pensando:

            - Seguinte, amiga! Na ponta de cima do começo da fonte tem uma cidade de alma nova chamada Guaporema. Mas é ainda longinho e distante.

            - Na ponta de baixo da foz tem a cidade de Guabiruba, mas é um eito e tanto.

            E começou a chover de mansinho e peneirado e murmúrio. A terra ficaria bem fofa para abrir um buraco de tatu. Umas galerias uns corredores de labirinto organizado.

            Ninguém vai deixar o tempo achando que tudo é verdade. Tem tempo que apela para a posteridade. Tem tempo que escolhe o dia de hoje. Tem cada tempo que D nos livre e guarde e faz bem! E cada tempo a sua fala o seu rio. Compensadamente.

            Depois disso, as tatuas foram conhecer e perceber e emendar Rondônia. O Estado que tem esse nome derivado do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon (1865, Santo Antônio do Leverger até Rio de Janeiro, 1958), sertanista engenheiro militar do exército imperial e republicano. É nome de Estado, Rondônia; cidades, Rondonópolis e Rondon do Pará e Rondon e Marechal Cândido Rondon; e ruas avenidas praça aeródromo condomínio de luxo; nota de 1.000 cruzeiros; inscrito e registrado no panteão dos heróis da Pátria, o livro de aço - DF: Brasília, Plano Piloto.

            As tatuas e os tatus sempre foram cascas quentes costas grossas. Isso desde o tempo que só existiam gliptodontes e mar e praias e rochas bastantes pré-históricas. Blindados encouraçados prontos para a guerra. Então, assim, o passado das eras (do museu do Ingá, bairro Cantagalo), opúsculos manifestos artigos discursos. Mas ninguém sabe certo ou mesmo melhor, dizem, desmentem, sorriem para as câmaras e fleches.

            São muitas coisas todas acontecendo e surgindo e sumindo ao mesmo tempo. Quando as coisas vêm e vão, como vão e vêm as coisas. O tempo tem outro tempo nas costas. O importante está que cada ser ou ente se sinta bem e as tatuas os tatus também. Uma carapaça convexa um escudo uma cobertura rija forte de placas móveis.

            - Oie!... Gosto de comer chocolate mas faço muito barulho - Tua, a identificada.

            - Sim senhora! Indispensável e essencial e crocante - Tá, a identificada.

            É dito nem dito, e isso nem é nada. Uns acontecidos usados no mundo quando tudo começa uma vez mais e etc. O mundo envolvido em teia espiral nebulosa campo afora. O mundo compenetrado dos negócios urgentes. Os números das questões.

            As duas tatuas quase sempre passavam voando correndo ágeis. Após, a nem ser esperar e aguardar as histórias. Os rios sempre ligeiros. Os clangores dos autos na rua Martins Pena. As nuvens fazendo fumaça a partir do poente. No meio de julho ou agosto tudo estava ventando. Os rios correntes e deitados pra frente. A ilha da Carapaça e a praia de Camburi. Até porque já eram umas seis e meia. Então, tá! Tão tom!

            Tua e Tá, artistas, estavam aí. E de súbito o tatu Uxipuçu cruzou a pequena área do gramadinho uma zona de capim-gordo. Muito voltado para si mesmo, se diga de passagem. Compenetrado filosófico e ensimesmado. Sério correto e no objetivo de cumprir como um e dois são três. O que perguntar o que responder e de imediato:

            - Ei, Tá! Olhe que é o Uxipuçu! Nem acredito e só vendo!

            - Incrível! Será que ele nem nos viu ou fugiu? Pode ser, hein!

            Tatu Uxipuçu passando aí no seu passo de tatu-mulita condicionado desde a tenra idade. E bem no focinho das duas beldades. Ele nem aí pra elas. E tatuagem na pata direita dianteira. Foi embora continuou seu caminho de tatuapé margem do ribeirão Anhangabaú rumo do morro sentido da colina e pela estrada da Graciosa.

            - Aonde que será ele vai com essa pose? – emancipou a Tá.

            - Aonde ele vai que nem te ligo? – despertou a Tua.

            - Aonde ele vai se apinchando pra nosso afobado delírio? – disse a Tá, elétrica.

            - Aonde que vai, e sim senhor!, se dirigindo? – falou a Tua, perspicaz.

            Atentaram ir atrás. E trotaram ‘tsim-tsim-tsim!...’ Seguindo o cheiro o traço e as pegadas. Em que pese alguns golpes de vento frio, a hora estava pacífica e calma e propícia. O tempo a propósito. Era interessante notar que floresciam as ganha-saias as comandaíbas os jerivás os tauaris... e interpretavam os surucuás-variados os azulinhos...

            - Hem?!... Vamos segui-lo sem assustá-lo? – declara Tua, interessada.

            - Um dois três... Você puxa o rabo dele de vez em quando? – sugere Tu, alegre.

            - Quê!... Nem é rabo, é cauda – determina a Tua, olhos bem abertos.

            - Mas bah, tchê, guria! Qualquer coisa serve – intenta a Tua, orelhinhas altas.

            Pelo tanto, ali aí à frente, o tatu Uxipuçu parou e olhou para trás, para as duas, o focinho erguido e manhosamente sujo de terra vermelha, grunhiu ou latiu ou tossiu:

            - Ãn-râh!... Que que parece que já vão me seguindo há séculos?!

            - Uta!... Aonde tu vais, tatu Uxipuçu? Primeira pergunta.

            - Sem pé nem cabeça, meu! Vou comer coquinhos ali no morro. Alguma dúvida? Querem ir junto ao mesmo tempo me acompanhando me ladeando me namorando?

            - Uau!... Você é de Governador Mangabeira, suponho? Digo e pergunto – disse indagando a Tua, agora parada e de bracinhos cruzados esperando resposta.

            - Credo e uai! Já conheço, mas sou mesmo natural e tal e qual de Laje do Muriaé. Conhecem, meus brincos?! – contou completou o tatu Uxipuçu.

            - Mesmo? O que que você faz lá, se diverte? – questionou a Tu, meigamente.

            - Ei!... Sou barista tenho um bar e sirvo café expresso e decorado. Recomendo.

            Acharam as duas de ir e foram os três. Ele na frente achando o carreiro. Elas atrás e tirando onda macaqueando ensaiando uns gestos uns outros trejeitos mímicas...

            A Tua cochichando para a Tá, sem Uxipuçu ouvir e escutar ou se dar conta:

            - Amiga e irmã! E se ele correr atrás de uma de nós?

            - Kjá-kjá-kjá!... Com certeza ele vai correr atrás de... duas de nós. E cedo ou tarde, daqui até lá, nesse ou naquele ponto, na ida ou na volta, durante ou depois, mais tarde ou mais cedo, antes do almoço ou após a janta e de barriga cheia, etc.

            Subiram o morrinho e já avistaram e cheiraram o ar e sentiram o amarelo doce trescalante exalante dos coquinhos do coqueiro-barrigudo. A palmeira sozinha no meio do gramado do potreiro do capim-membeca. As horas de sol céu azul e ar puro.

            Enquanto houver espaço... o tempo aparece. Dizem os entendidos. Ou será que é o contrário? Ou será em outro planeta. Quem sabe o discente da UFSC. Ou é a matintaperera. Ou é par ou ímpar. Ou casa até descasar. E quem compra quer vender.

            O tempo decorrido, o antigo, o antiquíssimo o antiquado o antiquário e o resto o por vir deixado ao silêncio silencioso. Temperamental.

            Como sói acontecer, os dias pulam de hora em hora e as noites inventam os corpanzis de estrelas astros meteoros satélites artificiais morcegos corujinhas-do-buraco grilos-pretos carapanãs vaga-lumes caamanhas... Estrela cadente corre o riscado.

            Que cidade que bonita - município onde a administração se dá através dos poderes executivo (o prefeito e secretariado), o legislativo (a câmara de vereadores); sempre respeitando as leis orgânicas ou da constituição municipal e estadual e federal - você gostaria de passar a maior parte do seu tempo permitido? A infância e tenra idade em Angra dos Reis e São João do Caiuá e Major Izidoro, a adolescência e primeiros amores em Paraíso das Águas e Feliz Natal e Aporé, escolaridade fundamental em Taguatinga (ra) e Bujari, ensino médio e profissionalizante em Uiramutã e Vale do Paraíso e Cujubim, faculdade de biologia e mecânica e engenharia química em Xambioá e Limoeiro do Ajuru e Vila Nova dos Martírios e São Gonçalo do Piauí e Uauá... Compensando percorrendo alentando a praia do Jurumirim, velejando nadando mergulhando junto à ilha do Mantimento à ilha da Rapada à ilha do Pelado - em Paraty. Sobrevoando trilhando escalando a pedra do Índio, em Botucatu e Bofete e Pardinho.

            Duas tatuas caíram do ninho, do aconchego, da cama. O dia amanheceu exatamente às cinco e vinte e dois uma quinta-feira vinte de março mesmo ano. As tatuas já estavam aí pelo mato, entre folhas e ramos caídos e secos, cominhos-bravos, carurus-amargos, ananases-de-raposa... fuçando e cavoucando e vasculhando e... ponto.

            - Lembra, mana! Uma vez nos falaram que só existiam tatuas e tatus.

            - Isso mesmo e alhures! Assim que valia a pena, então. É mesmo, né?!

            Tá pediu para a trinca-ferro-de-asa-verde. Tua perguntou para a dama-da-noite. Tá indagou do manaquim. Tua inquiriu da peroba-de-goiás. E interrogaram tudo e todos com dúvidas e curiosidades. Consultaram o relógio digital o celular na internete.

            - Além de tudo. Os índios tuxá que mandam na área no pedaço? – indaga Tu.

            - Opa!... É certo lógico verossímil que vão construir uma estrada de ferro até Vassouras e Resende e Barueri e Domingos Martins e Cariacica? – pergunta Tua.

            Em vista disso, o chão úmido pegajoso estava já todo esburacado lavrado furado. Ficaram ali espionando de espias. Um cipó-de-cobra escalava aos galhos da braúna.

            Tá, cheirando o ar açucarado chuvoso branco espaçoso, a identificada:

            - Oi!... Digo com o tatu Caaobi. Jantamos fora na sombra da lua nova. Juntamos as garras da frente, trocamos os sorrisos, nariz com nariz, fios dos lábios bem eletrizados, céu da boca com céu, noite estrelada inúmeras vezes, e rio Canoas passando perto, banco da praça Coronel Gomes Carneiro, blu-blu-blus!...

            - Hum!... Agradecimentos de gratidão - Tua, reduzida e presente, a identificada.

            - Música? Cantoria? E tudo simples, tudo muito discreto. Te digo!

            - Pouco bom para quem gosta de contar histórias e nem achar o final. Uaaau!...

            Tinha sol amarelo e único e presente. Céu magro esbelto com poucas nuvens de papel branco ou novo. Por aquelas manhãs intropeçáveis e indefectíveis e inefáveis e indeléveis. E aquele tempo todo nem durou sequer uma semana de dezembro ou janeiro.

            Logo logo veio chegou o trem na ferrovia e o comércio negócios em cada estação correndo na linha férrea. Agradecimentos. Empreendimento do empresário industrial bancário barão e visconde de Mauá ou Irineu Evangelista de Sousa - 1813, Arroio Grande até Petrópolis, 1889 -, nome de rua avenida monumento escola praça bairro cidades (Mauá, Porto Mauá) biografia teatro televisão amigo do imperador...

            Parentes que se pareciam, voleibolistas que nem deixavam a bola cair a peteca, as primas, pelotiqueiras, as duas tatuas em volta do dia, etc. Uma queria conhecer Muritiba, outra Paty do Alferes. Outra queria pular de paraquedas, uma botar loja de fantasias para carnaval. Uma governar reger moderar, outra ilma., e exma., srª., prfª. drª.

            É um tempo e se D quiser! Os calendários mais cobiçados do mundo. Isto à vista dos preços interessantes por que são hoje em dia comprados vendidos, etc. Visionários que consultam cartas do tarô formigas-de-embaúba sobrevoo de urubus búzios...

            Lá estavam as duas tatuas, um lugar do mundo, algum lugar no mundo, e alheias ao mundo, alheias ao todo do mundo, indiferentes ao imenso e resto do mundo. Assustadoramente indiferentes à bola. E corriam os dias, e ficavam as horas os dias as semanas os meses e as cascas de pinhão da pinha do pinheiro-do-paraná em Maringá. Mas isso só na teoria. Porque na prática... bem longe do esperado. Um abraço!

            Tua abriu os olhos dificilmente ou dúvida, Tá olhou em volta numa outra órbita:

            - Olê!... Acho tenho certeza que nem vou mais crescer, só aumentar.

            - Olá!... Estou comprometendo as mesmas coisas que todo mundo comete. As coisas os produtos comestíveis e os bichos, uma vez. E em a segunda-feira, né?!

            Mesmo assim o lugar tinha latitude sul, longitude oeste, altitude de cem metros, área em quilômetros quadrados, subtropical, distante da capital estadual 416 km federal 1.330 km, habitações habitantes em torno e o ano da graça do Senhor de 2018 ou 2019. Que nem era final de conversa! Que a discussão nem terminava aí!

            No meio de novembro os dias já se erguem brancos ou amarelos. Nuvens plantando fumaça. Dias rios estradas de torcicolo. Tatu tatua tatus-peludos que andam na mata de galeria e de tocaia em tocaia de macega em macega de touceira em touceira. É para pegar ou largar. É para correr ou ficar. É para cheirar ou usufruir. Que tal o rio Preto e a cachoeira da Fumaça, hem?! Que viagem à ilha do Prumirim, tá certo?! É para tomar banho ou lagartear ao sol. É para subir em árvore ou buscar tesouro afundado.

            O que um dasipodídeo podia fazer ou o que duas tatuas também podiam dizer:

            - Ah, claro! Nem precisa dizer duas vezes - Tua, a identificada a estruturada.

            - Francamente, praticamente! Gostaria muito de saber escalar uma inhaíba, por ex - Tá, a identificada a hidratada.

            Saíram da toca do barranco em meio de cravos-do-mato e seguiram logo logo para o pinheiral atrás de pinhões aquele inverno rigoroso de dia fechado e frio e prometendo sair o sol depois das dez, e olhe lá! Que situação precisa e perobas-iquiras, caaxiós, elemis-do-brasil, coronilhas... e o rio Cavernoso fazendo o barulho comportado ‘tru-ru-rum!...’ por dentro no meio ambiente do mato vegetação ciliar.

            No começo do café da manhã e as duas se depararam com a concorrência dos matizados crau-craus. E eles gritavam do alto dos galhos. Os pinhões já caíam roídos comidos abertos e reduzidos a restos migalhas cascas farelos quireras, etc.

            - Olhe isto, amiguinha! Quando caem os pinhões? – reinou Tua, onze avos.

            - A degas aqui te diz! Parecem já servidos e bem, né?! – voltou Tu, sêxtupla.

            Quando foi quando se viu, o tatu Crejé se materializou no supetão, depois de hora e meia comendo pinhão catando pinhão se fartando, e ainda por cima sem aviso resolveu correr atrás da Tá. Neste mesmo momento já acontecia naquela imensidão de araucárias e que todo mundo já olhando. Tá correndo e Crejé correndo e Tua correndo, pega-pega. E cada um por si e D por todos. Inclusive a plateia a torcida das baitacas.

            Podiam pediam chamar o soldado militar marechal o duque de Caxias ou Luís Alves de Lima e Silva (1803, Duque de Caxias até Valença, 1880), que passou por barão conde marquês e duque. É rua avenida praça bairro agremiação livros colégio cidades (Caxias, Duque de Caxias, Caxias do Sul) monumento patrono...

            Tá entrou por um lado do tronco caído podre esburacado de ex-vinhático-do-mato e saiu pelo outro. O tatu Crejé entrou pelo mesmo lado e nem saiu pelo outro, ficou entalado. E bem feito! As duas primas riram ‘ih-ih-ih!...’ risos de tatuas e foram embora enquanto tinham tempo e podiam tomar dianteira. O dia o sol o vento o vento nas copas das araucárias. O tatu Crejé ficou chateado com aborrecimento de tatu até emagrecer uns três quatro kg diários e dias tomando fôlego ‘uta!...’ e muito que pensar.

            Qual a cidade (a sede do município constitui a cidade, e pode ser dividido em distritos ou vilas e subprefeituras e bairros) mais natural que você escolhe escolheria escolherá para passar um bom tempo bom episódio passatempo e tudo mais? O ribeirão São Mateus o rio Carangola, em Faria Lemos; a praça Arthur Pagnozzi, em Dracena; a rodovia dos Motoristas com a rua Nossa Senhora de Lourdes, em Celso Ramos; o riacho Pé-Leve o rio Traipu a serra das Porteiras, em Belo Monte; o lema ‘trabalho e amor’ o gentílico ‘aguapretano’, em Água Preta; o clima tropical quente e moderadamente úmido a distância da capital 150km, em Barra do Bugres...

            Uma tatua e um tatu nem falam nem gritam nem resmungam nem mugem nem duvidam nunca perguntam nem bocejam, mas articulam a mesma linguagem. Os olhares os gestos os trejeitos os tiques os modos são todos animais e normais e comuns e certos e correspondentes. Se manifestam muito pouco e deles se ouve um somente sutilmente:

            “Quem?! Eu?!... Ué, nem sabia e fiquei sabendo!”

            Plano diário de trabalho e serviço noite adentro: encontrar comida, água limpa e comer até fartar fartar opiparamente. E já sabem onde o lugar. E já sabem cheirar a trilha ao pico do Corcovado, beirando a estrada a via a rodovia Rio-Santos ou br-101. E mamíferos xenartros têm marcado uma árvore ajaraí como alvo e meta e referência.

            Antes de tudo, ainda na porta da toca, antes da irmã Tua acordar definitivo, a Tá olhou em volta e olhou tudo cheirou e pensou consigo, repensando reorganizando:

            “Hum!... Vai chover. Ainda bem. Perto das 8h. Pra lá ou pra cá das oito...”

            Tá, tal e qual beldade, olhou pensando consigo mais um pouco pouquinho:

            “Eu e modéstia à parte... Na terra dos meus olhos... Já-já vai chover. Ótimo!”

            Depois, já as duas braços dados e inseparáveis, no muito alto e de repente e bem de repente, ouviram os trovões rebentando rolando reboando ‘tró-cró-bró!...’ alarmando, uns longes que eram pertos, uns chicotes de aço queimado e estrondos ‘ru-rum-ruumm!...’ acompanhados de terra tremente e sombras fantasmagóricas e jacurutus assustados ‘piôoo!, piôoo!...’ e rios encachoeirados ‘blu-ru-ruuu!...’ e silvícolas cariri deliberando... e vento ouriçado ‘vê-viii-vuuu!...’ descabelando as uxiranas, falsos-paratudos, mognos-brasileiros, caixetas, bracuís, rabos-de-tatus, perobas-tabuadas...

            Ali, como em Manaus ou Goiânia ou Ibiapina ou Atalaia do Norte ou Itapura ou Passos Maia ou Pombal... o sol se escondeu e tudo ficou fechado e assombrado. A terra sedenta pedindo mais água da chuva. O globo se preparando para o melhor. Vários rios mananciais pedindo provisão e rio Forquilha rio Lava-Tudo rio Pelotas rio Turvo...

            Uma chuva como de uma avalanche e para baixo, do alto para dentro da paisagem, e que derrama paz certeza sossego vento veloz chuva caindo e correndo cantando ‘chuáaa!...’ As mais das vezes... céu cinzento cortina cordas cântaros tromba...

            A cascata a chuva desabou torrencialmente precipitadamente sofisticadamente temperadamente... Choveu a chuva tanto que os buracos dos tatus estavam sendo postos à prova, correndo riscos, e tanto pela entrada como pelas saídas de emergência.

            Pelaí que, amarrado num galho seco da sapupira-da-várzea, um bacurau procurava esperar paciente quieto afetuoso compreensivo tiritante a tempestade extratropical amainar. Também gostava de chuva mas nem tanto nem tanta, hem!...

            O tempo, este ou aquele, nem leva nunca a nada. Nem desaforo pra casa. E o melhor é sair o mais tardar possível e sem saber o porquê. Nem prever nem antever nem pressentir, nem subscrever ou quiçá prescrever. Embora este ‘nunca!’ seja e está e é uma razão razões muito contestada.

            Então, Tá e Tua admiraram a neblina da manhã, algumas árvores desaparecer, e elas mesmas se entreolharam e balançaram as compridas cabeças e foram andando, andejas, andadeiras, farejando de costume, andeiras, e que andam trotando no trote. Estavam vivenciando em Piraí do Norte e São Luiz do Paraitinga e Olinda Nova do Maranhão e Buriti de Goiás e Pedro Gomes e Viradouro e Santa Maria da Boa Vista...

            Vai lá que a Terra toda estava amanhecendo de um lado. Nem foi isto um jabuti-machado? Dois tururus, um casal, subiram pelo céu com o trem de pouso as pernas balançando soltas. Pai soldadinho ‘tiruri!, tiruriii!...’ pintado de verde. O cardume dos pirajaguaras emergindo imergindo, etc. A arte do automático ou da improvisação.

            Quando a manhã estava bem acelerada, os joões-de-barro batendo asas e gargalhadas ‘trá-cá-cáaa!...’ já as duas tatuas andavam faceiras pelo capoeirão. E sempre procurando imóveis para alugar terrenos para mear minifúndios para explorar. Gestos pausados e passos lentos de quatro a oito perninhas curtas, duas de quatro. Olhavam para o chão e principalmente simplesmente farejando ‘ife-ife-ife!...’ Um solzinho saía de entre as nuvens pequenas e cinzentas estas muito mais mascaradas ou fantasiadas de barco a vela sapato livro aberto escova enxada picareta carro de bois...

            Tempo este que nem é passado nem leste nem oeste. Tempo integral, ambiente integral, pão integral, arroz integral, visão integral, frutos íntegros de fruta-de-tatu...

            Enquanto ainda acontece esta corrente de rio o tempo mantém o que der e permite o que vier. Sucesso garantido para os pitiguaris ‘bio-biiiooo!...’ os sabiás-coleiras ‘psi-tchi-tchiii... ourrriiii!...’ os inhambuguaçus ‘co-róoo!, co-róoo!...’ os bigodinhos ‘tri-liu-liiiuuu!...’ os bem-te-vis-de-cabeça-rajada ‘gueteguêee!...’

            O tempo, sobre todos o tempo sobre tudo o tempo, sabe fazer o seu papel o seu show o seu showmício. Pois o tempo de água passa, o tempo de fogo passa, o tempo de preguiça-terrícola-gigante passou, passa o tempo do parque Sete Cidades, o tempo de sambaquis passou, o tempo do peixe-boi submerge, o tempo de marolinho-do-campo floresce, o tempo de terramarear sempre renova se transforma se triplica...

            - Oie!... Nem nada nem existia universo. Mas todos todas eram anfíbios sapos jias pererecas – confabulava a Tua, esta modesta irrequieta comportada correspondente.

            - Uta, meu! Com cauda ou sem rabo anuro que diferença se faz?! – contribuía a Tu, esta modesta esperta emponderada compenetrada estudiosa gentil generosa.

            Há muita chance pra conhecer sítios e cidades. E quem nem pretende ficar e percorrer avenidas em Serra Grande e Acari e Itaporanga d’Ajuda e Rancho Queimado e Boa Vista do Tupim e Suzano e São Roque de Minas e Olho d’Água das Cunhãs... E por que nem sentar praça em Roca Sales ou São Félix de Balsas ou Alenquer ou Abel Figueiredo ou Rodelas ou Marianópolis do Tocantins ou Clementina ou Ouro Preto...

            Tá nem conseguia conciliar o sono, Tua nem conseguia dormir porque Tá nem dormia e vice-versa. O dia claro lá fora da toca já ia alto pela metade e de muito sol e estrídulos ‘ih-réeee!...’ de cigarras, apitos nasalados ‘trô-tróoo!...’ de curicacas, cantos ‘biriiiu!, biriiiu!...’ de tempera-violas-de-asa-verde, assobios ‘vri-vri-viiii!...’ de sabiacicas, jabués, gavião-carijó, tesourinhas, coruíras... Restos de frase uma palavra ou outra um chilreio ‘fri-si-siii!...’ aqui ou além, quem nem arriscava nada petiscava.

            - Hoje! Isso passa, passa tudo isto e muito mais - Tua, um olhar periférico sobre a rua os autos as caminhonetes as bicicletas os pedestres... as casas, a identificada.

            - Ainda hoje! É, eu sei. Eu sei e às vezes me confundo - Tá, contando contas de armar desarmar descontos créditos débitos em os dedos em as garras, a identificada.

            A bola de fogo já passara pelo céu e o zênite. Já estava do outro lado do mesmo planeta conhecido terráqueo. Assim ficava a noite, lá era um dia antes de agora.

            A noite já está instalada. A noite é para isso mesmo. A noite para tudo.

            Tatuas e tatus na roça de mandioca aipim macaxeira maniva e assim por diante. O arroz cresceu amadurou e virou bem mais arroz. O milho espigou. O feijão secou no pé. A abóbora fruto da aboboreira planta rasteira moranga com polpa comestível...

            E a lua beleza nua, completamente, deslumbrantemente lua, linha perfeita de lápis preto grafite... e pronta, se exibe no céu infinito. Lua de luar incontestável.

            Que mais se dirá. Que mais se verá.

            Uma explosão vinda de onde e amassa e arma e joga e brinca tudo para o ar. Quem aparecerá? Quem desaparece? Quem telefona pra agradecer ou parabenizar?

            O início da linha onde o presente para e pensa.