sexta-feira, 13 de março de 2020

Quatro Meninas em Férias no rio Pirapó (juvenil)




            Lilás estava de férias do colégio e ia tirar férias no verão. A menina, de fita lilás amarrada na cintura, reconheceu que tinha de viajar, escolher e viajar. Lilás sempre pensa assim: “o que é que eu gosto de fazer?” E viajou fora.
            Naquele dia, e naquele momento do tal dia, o relógio do tempo do mundo nem pensava muito nem pensava duas vezes nem pensava em muita coisa. E página por página.
            Chegou o vento que inventaram em algum lugar em alguma parte. Chegou o sol que amadureceu na montanha no penhasco no calhau. Chegaram as cores das sete casas enfileiradas e lado a lado juntas. Chegou a árvore pitaica-da-terra-firme que balançou as folhas. Chegaram os passarinhos que despertaram e coloriram o meio ambiente. O rádio tocava uma música importantemente já conhecida chilreava, uru, juruva, tucanos-de-peito-branco, gurundi-azul...
            Que lugares a menina Lilás preferia conhecer e tirar férias lazer? Será que ela preferia ir para a reserva do Xingu? Será que preferia conhecer Abrolhos? Será que preferia ver a ilha de Itaparica? Será que seria melhor passear no deserto dos Lençóis Maranhenses? Será que desejava saber das ladeiras de Ouro Preto, as trilhas ecológicas de Pinhal da Serra?
            Capão da Canoa era conhecida como a praia da cidade dos araçás avermelhados. Fernando de Noronha era reconhecida como viveiro natural de golfinhos tartarugas-marinhas e esponjas marinhas. Gramado e Canela eram famosas por chocolate quente e invernos frios, com natal quente. Pelotas conhecida pelo grande festival de doces enfeitados apetitosos irresistíveis, e doces e guloseimas e quitutes o ano inteiro.
            Foi nessas condições e férias que Lilás visitou Vila Velha, parque da cidade de Ponta Grossa, Campos Gerais, Paraná. E a menina estava em companhia de suas melhores amigas - Rê, Pérola e Esmeralda. Todas na faixa dos dez, 4 x 10 anos de idade.
            Acomodada nos Campos Gerais, a menina telefona para casa, hora local (15h e 47min):
            - Alô?! É você, Lilás? - perguntou a mãe.
            - Sim, pois não, sou eu. Chegamos faz duas horas, chegamos quinze e meia, estou moída. Atravessamos os Campos Gerais, olhamos um lugar chamado Guaratiba, e um rio de nome Tibagi. A avenida Gonçalves de Magalhães e o hotel o Caimito três estrelas com piscina garagem subterrânea e café da manhã já no preço da estadia. A Esmeralda delirou de contente quando achou aqui perto uma cidade chamada: Esmeralda-RS.
            Depois Lilás ainda emendou e perguntou:
            - Mãe! E o que tem aí? Choveu, nem choveu?
            A mãe da menina contou o que havia acontecido, simplesmente:
            - Bem, filhinha dos meus olhos! Na altura da esquina rua Sílvio Romero com rua Tobias Barreto, há centenas de guabirobeiras carregadas de guabirobas doces amarelas caindo de maduras e ao alcance da mão. E todo dia os pés de guabirobas estão ali em pé e completos e prontinhos. E todo dia do ano, aí pelo fim de qualquer ano, as guabirobeiras dão flores e guabirobas aveludadas sedosas fofas. E os passarinhos sabem disso tudo e vêm chegando pelo ar e em bandos, em pares, aos poucos, e pousando nos galhos, as abelhas irapuãs se divertem. E sem demora já começam a experimentar as guabirobas belas e açucaradas e macias e nutritivas e de fazer água na boca.
            A mãe parou de contar e ainda perguntou:
            - Já conheceram os pontos turísticos? Quais? Já passearam pela cidade e arredores?
            - Conhecemos até agora o museu Antônio Mariano de Oliveira na velha estação ferroviária. Mas fica muito perto mesmo. Amanhã iremos mais longe e de passeio. Talvez à Vila Velha. Até lá, então. Aqui nem chove faz uma cara. Ouvimos dizer que nem chove uma gota faz dez mil anos, é.
            - Assim-assim, deve fazer um calor tremendo e abafado...
            - Tem um vento que faz mais calor ainda. É um vento do sertão, parece. As pessoas daqui preferem o inverno. Gostam de se agasalhar. A gente já vai tomar uns três banhos por dia. Vai ser assim até o fim, acho.
            No dia seguinte à chegada. Lilás e as grandes amizades pessoais. Foram com ônibus turístico conhecer e apreciar e gostar do parque Vila Velha. De longe era um castelo com muralhas gigantes e gigantescas. Uma cidade de pedra com idade avançada. Mas era um lugar da lua, da anta, do jacaré, da taça, do chapéu (ou parecido com chapéu).
            O sol era uma fogueira com raios de ouro triangulares. Todos já ouviram falar do sol, mas ninguém chegou perto. A lua era uma lagoa voadora, aérea e alada. Todos já ouviram falar em lagoas encantadas, mas ninguém nadou numa para experimentar. Depois a fogueira do sol caiu na lagoa encantada. Tudo aconteceu, então. Mais tarde nasceu a famosa mata atlântica e seus muitíssimos bichos. O bicho-preguiça sabe nadar muito bem.
            A fogueira o fogareiro do sol virou jacaré-de-papo-amarelo. Foi morar num banhado ali perto. A lagoa encantada caiu entre dois morros pouco altos, rolou morros abaixo, se encheu de pedregulhos e galhos secos e folhas secas o total do cisco. Teve um filhote que correu para o meio do mundo, e que se chamou rio Botuquara.
            Na noite, Lilás telefona para casa, o pai atende e ainda mastigando o jantar:
            - Hum?!...
            - É a Lilás, de novo e outra vez, entende?! Foi um dia muito quente, gente. Estou no meu quarto banho. É muito sufoco. É muito bom. Eu prefiro o calor ao frio, já sabem. Mas hoje foi um calor insuportável e sem uma nuvem.
            - Vila Velha é bonita? É grande? É importante? É natural e garantida pelo Ibama?
            - Muito estranha essa Vila Velha. Parece velha, mas... nem sei dizer. Uma cidade de pedra esculpida no vento e na chuva e no tempo. Tem pedra em forma de capivara, calcule. Uns dizem que vieram homens e mulheres do espaço para planejar tudo, tá certo?!
            - Que altura do chão ao céu?
            - Altura de uns vinte metros, calculo. E conheci torres de castelo onde nem tem castelo porém com torres, viu?! E tem uma cabeça de camelo ou dromedário muito igual. Tem um caxinguelê que habita aí. Tem um pé de bota muito legal, acho que perdido do outro pé. Achei várias taças, e muitas torres ou campanários.
            - Qual você gostou mais e por quê?
            - Eu gostei mais da taça. Uma taça vermelha, mas nem tanto vermelha. De longe era uma taça vermelha. De perto era uma taça avermelhada, por causa do tipo de rocha. Eu já conhecia a taça de ver em fotografias, é.
            Um instante depois, a menina perguntou:
            - Pai! O que tem aí pra contar? E que eu possa saber imediatamente.
            - Tem uma coisa. Ou até duas. Hoje mesmo, de manhã, dia bonito aqui e ali, um dia como todos os dias, o gato da vizinha e que você já conhece e já viu, tem nome até de Xiquexique, foi visitar uma parenta cutia lá dele. A parenta cutia morava ali no prédio ao lado em frente da praça Castro Rebelo Jr. Foi e caminhou oito dias e oito horas e oito minutos. Chegou no apartamento da parenta cutia mais próxima. Chegou e foi batendo na porta, toque! toque! toque!... (três vezes) e pedindo licença e já entrando. A parenta cutia curtia da noite para o dia, e igual que qualquer senhora.
            - O gato Xiquexique tem parenta cutia que trabalha de noite e de dia?
            - Ele tem. Continua tendo. Ela trabalha no shopping Vitoriano Palhares num salão de beleza. Aí, o gato Xiquexique, mais esperto, caminhou no parapeito da janela, lá da casa dele, a nossa vizinha, você já sabe. O Xiquexique caminhou no parapeito da janela e caminhou e miou, com as mãos para trás. Depois, o gato Xiquexique continuou dando suas voltinhas pelo parapeito da janela, pra frente pra trás, com as mãos para cima. E o Xiquexique ficou até tarde no parapeito da janela até ver as estrelas no céu até quando ouviu as estrelas no céu, sempre com as mãos para baixo. De repente e na noite escura e alta ele miou um miado de gato, mas com as mãos para o lado da esquerda. 
            Em seguida o pai perguntou e com paciência exemplar:
            - O hotel é bom, tem piscina olímpica com raias demarcadas? O bairro tem de tudo? Nem pegue muito sol na cabeça. Use chapéu e protetor solar, certo?!
            - Amanhã acho que iremos dar uma volta pelo centro velho histórico da cidade e uma feira livre do bairro Valentim Magalhães, este revitalizado ultimamente recentemente. É uma proposta que temos que pensar debater decidir, e quem sabe!
            Na manhã seguinte sequente, as gurias tão galantes acordaram cedo para aproveitar bastante da cidade. Passearam pelo calçadão olhando vitrines delirantes. Umas casas antigas com as portas e as janelas de olho na rua Álvares de Azevedo. Logo ali por perto a biblioteca do poeta Raimundo Correia. Tudo bem e assim também. Já o parque do Monge João Maria. Depois, sem querer, pararam numa sorveteria artesanal e muito chamativa.
            O jabuti gosta de jabuticabas. O jabuti se esconde, só um instante, da amiga jabota subindo um alto cipó-escada-de-jabuti. A jabota gosta da brincadeira, escala e alcança e gosta de sete-capotes.
            Engraçado, mas foi assim, etc., e quase tudo. Uma borboleta metálica parou numa árvore metálica com folhas verdes metálicas. Outra borboleta verde parou numa árvore verde natural. Mais outra borboleta amarela parou no ipê-amarelo. As borboletas escolheram parar onde melhor exatamente encontraram o que estavam para encontrar.
            O tuiuti já se chamou periquito-tuim. De antes para hoje, o periquito-tuim agora se chama tuiuti. E sua grande floresta é intocada.
            Perto da noite a menina telefonou e dentro do horário pré-estabelecido:
            - Daí, mãe! O que tem aí de novidade ou coisas novas? Beijos!...
            - Bem, filhinha do meu carinho, vou dizer a verdade. Olhei da minha janela. Passarinhos curiosos e felizes, passarinhos plantando árvores, passarinhos beijando flores, passarinhos provando frutinhas e florzinhas, passarinhos construindo casas e apartamentos e estação experimental. E você, filha do meu sentimento mais duradouro?
            - Eu, e nós quatro, rodamos pela cidade, conhecendo o centro, o teatro Francisco de Castro, o estádio de futebol EC Carreador e a recém-concluída e verde alameda Basílio da Gama... Tomamos sorvete de açaí numa sorveteria do calçadão o Altiloquência. Depois andamos mais e chegamos numa pracinha plantada de guararibas e jabutapitás e croatás e grumixameiras e palmeiras-barrigudas.. que atendia como sempre pelo nome de praça Dona Narcisa Amália de Campos. Tinha ainda uns passarinhos cantando, um chafariz despejando água, umas duas estátuas de homens famosos e que diziam poetas da região, Múcio Teixeira e Afonso Celso Jr. Depois veio a chuva banhar todo o lugar e por cima. Tivemos que pegar um pouco de chuva na volta. Mas era lá uma chuva peneirada. A chuva veio vindo do horizonte mais próximo. As nuvens pesadas e redondas vieram todas rolando apressadas. Sapo-ferreiro que já estava cantando, acho que já estava imitando. Passarinhos alegres com os primeiros pingos de chuva, sangue-de-boi, saíra-de-lenço, arapopó, concriz, casal de juritis-pupu cantando ou resmungando, pu-pu-puuuu!...
            O ônibus com a excursão parou no alto do penhasco. Lá embaixo o cânion Guartelá, e no meio dele o rio Iapó. Tudo bonito e perigoso e mais bonito ainda visto das nuvens. Uma cratera, um rasgo no chão feito por mil anos de erosão ou raios poderosos vindos das tempestades. O guia de apelido Penhor, explicou bem decorado:
            - Este é o cânion Guartelá. Uma rachadura na terra e com pedra e tudo. Aqui viveram índios muito antes dos brancos chegar, os charrua, os galibi-do-uaçá, os coroado, os carijó, os trumai e outros mais. Lá embaixo, que vocês estão vendo!, há algumas grutas e pequenas cavernas e túneis. Habita aí uma espécie de morcego que gosta de comer apenas insetos. Pois nessas cavernas existem ainda inscrições rupestres, ou seja, pinturas e desenhos pintados nas pedras. Datam de anos e anos a fio. Esses desenhos são de animais como a anta, a capivara, o veado-campeiro, a onça-pintada, o macaco bugio, o morcego-pescador... São bichos que os antigos moradores daqui, os aborígenes ancestrais, caçavam no verão. E temos também muitas pequenas cachoeiras que caem dos paredões dos peraus. Umas piscinas naturais que, quando e se quiserem, podemos descer lá e tomar banho. E árvores frutíferas como o araticum-pitaiá, a goiaba-do-mato, a pitanga, o araçá-guaçu, a sete-capote, o guabiju, a pitomba...
            Depois da explicação do guia, o grupo de turistas desceu o paredão. Nem muito depressa. Com muito cuidado e se segurando nas hastes de gramíneas. Ali por uma trilha selecionada e sem muito perigo corrimão escadinha mal e mal. E os visitantes olharam muito e tiraram fotos com o telefone, rindo sorrindo e às gargalhadas. Era uma aventura de passarinho.
            A Esmeralda se abriu de admiração pelo lugar e a natureza indescritível:
            - Eu estou paralisada emocionada chocada. Nunca imaginei. Cânion Guartelá? Nem sabia que existia esse precipício tão bonito. É um desastre natural, é. Será aqui a porta de entrada e de saída portal do planeta Terra? Eu acredito que sim! O meu braço está até todo arrepiado, vejam!
            Uma hora depois o grupo chegava lá embaixo no riachinho entre as pedras pedregulho. E reparava que a água era muito fria e cantante. Que as cachoeiras pareciam véus de noiva caindo dos lados dos paredões das paredes altas. E que tudo era diferente e importante e único. E que estavam num lugar perto de D. Que estavam num lugar como tudo muito importante.
            Na hora do jantar, meia hora antes do jantar, já no hotelzinho Epopeia, depois do banho, Lilás telefonou para casa. O pai já escutava:
            - Alou?!
            - É, sou eu, pai.
            - Sim, guria! Fala tudo, nem me esconde nada.
            - Tudo bem. Conhecemos o tal de cânion Guartelá. É um buraco enorme e sem fim e gigantesco e lindo e sensacional. Eu até gostaria de morar ali na beira da cratera. E lá embaixo nem para de chover um instante sequer. Tem até nuvem com relâmpago e trovoada. Tem coruja-mineira procurando o que fazer. Umas plantas, que dizem, somente moram ali, piripiri, aderno-preto, sapé, jurema-da-pedra...
            - Então, foi ótimo o passeio. Muita chuva e pouco sol, sol e chuva?
            - Que nada, meu! Ainda ali na beira do cânion, subimos um morro alto e olhamos a paisagem e pra lá do horizonte. Tudo uma pintura conforme. Olhei para todos os lados e mais de uma vez. Eu e as gurias olhamos e demos muita risada, compreende?! Pérola disse que olhou um saci saindo do oco da árvore baraúna. E o vento tinha uma quentura, ora! Aí, as plantas cresceram e começaram a andar, as pedras começaram a engordar e começaram também a andar, o gavião quiri-quiri começou a aparecer e voar por tudo e fazer sombra na terra e na mata e no céu e no oceano e a fazer sombra como uma cruz de avião, tá ligado?! O guia turístico, descendente direto dos autóctones xoclengue ali da região do rio dos Pardos (Porto União), deu o grito da pocema grito de guerra lá deles, huaaaaaá!... e que provocou muita farra geral entre nós todos, etc.
            - Uma maravilha de paisagem e com panorama grandioso, pois claro!
            - Muito federal, ppai! Vi mesmo uma porção de azulões-do-sul, sanhaços-cinzentos, patativas, bem-te-vis-do-gado, sabiás-do-campo, pica-paus-do-campo, saracuras... Beija-flor ou colibri vestido de arco-íris. Vários anus-pretos tomando banho de poeira e folhas secas. E outros passarinhos com tarefas para resolver e fazer e desfazer. E besouros do arco-íris chamando árvores pelo nome: vinhático-do-campo, guarantã, imbuia, cambuí, copaíba... Orquídeas com cores pintadas de novo e bicolores e tricolores. Touceira de malvas-do-campo florindo de novas.
            - Sabe, Lilás, eu queria estar ali também e muito bem, é. Eu gosto e sonho com lugares bonitos que me falam que me relatam que me narram, etc., e ouço dizer.
            - Muito bom o lugar e tudo, digo e repito. E aí em casa, que dê as novidades e acontecimentos, paizão?
            - Coisas raras e muitas coisas comuns. O galo cantou. Um galo cantou. Outros galos acompanharam e cantaram. O galo Xerém, aqui da vizinha do lado direito, cantou e a casa caiu.
            - Que piada é essa, pai? O galo Xerém se acidentou com a casa em cima dele?
            - Nem, ninguém foi hospitalizado. Depois aconteceu outra coisa. O sol nasceu atrás do morro da Colina. A lua nasceu atrás do morro do Cerro. O sol se escondeu atrás da lombada do Morro. A lua se escondeu atrás do morro do Serro. O vento leve levou e trouxe. As estrelas de diamante subiram e desceram. Foi isso e o que mais nem vi.
            - Amanhã acho que iremos ver um zoológico aqui por perto, cidade vizinha de Almas ou Palmeira ou Teixeira Soares ou Mateiros... ficamos na dúvida para conferir. Vamos ver bichos da mata nativa e local. Eu gosto. Tenho muita curiosidade associada à novidade.
            - Eu também me encanto. Preferia estar ali e muito.
            - Antes tem uma lenda que as pessoas contam aqui. A lenda de um índio e uma índia, um casal apaixonado. E tão comum!
            - Comece, continue e termine de me contar, então. Lendas de longitude. Pra mais de 2 mil anos, se for mentira.
            - A lenda é muito cheia de partes e capítulos que vão e que vêm. Cada história que passa carrega uma outra nas costas. E são muitas histórias que passam e são carregadas e repassadas de pessoa para pessoa, de tempos em tempos, dentro do município de Arapoti no distrito de Teófilo Dias. Mas... A lenda mesmo, então, se passa lá para os lados do cânion Guartelá. Naqueles Campos Gerais existem no mínimo três rios ótimos e já conhecidos: o Iapó, o Tibagi, o Pitangui. Dizem que estes três rios nunca correm para o mar. E uma bonita índia da tribo Tibagi - ela de nome Potiraré - estava procurando frutas do mato perto da aldeia. Ela e suas melhores companheiras e amigas de brincadeiras. Aí, sem querer, um guerreiro da tribo Pitangui, tribo vizinha e inimiga - esse índio de nome Itamuru -, conseguiu chegar perto de onde as cunhantãs estavam. Ouviu as conversas o bate-papo e foi espiar direitinho. Espiou do meio da capoeira, de umas ervas tapixabas. Armou o arco com flecha e foi espiar e conferir. Itamuru espiou e viu Potiraré destacada na beleza dentre as melhores amigas. Viu e ficou enfeitiçado pela lindeza inteira da índia comendo pitangas. Nem era sonho nem fantasia. Já o índio se apaixonou de uma só vez à primeira vista e foi para sempre e muito.
            - O que Itamuru fez dali em diante, filhinha da minha sorte?
            - Ele quis namorar a índia Potiraré para poder casar com ela. Por que namorar? Porque a tribo Tibagi, que era a tribo da índia, e a tribo Pitangui, tribo do índio, estas duas vizinhas tribos eram inimigas mesmo e há muito tempo fazia tempo. Assim, se Itamuru quisesse casar com Potiraré tinha que convencê-la a fugir com ele e agora na hora h. E foi o que ele pensou fazer, escondido de tudo e de todos, e sozinho.
            - Será que iria dar certo? Que novela!
            - Até aí nem tinha acontecido grandes coisas na história. Então, Itamuru foi e tentou falar com Potiraré. Quem sabe ela aceitasse fugir com ele para longe, para um mato muito longe dali, hein?!, ele deve ter pensado. E, então tá! o índio Itamuru foi procurar falar com a sua amada para ver e ouvir se era também amado. E um dia ele conseguiu falar com ela e se falaram por uns momentos. Escondidos ali na sanga onde ela e toda a tribo tomavam banho todas as manhãs. Foram duas ou três horas de conversas, das 6h às 9h, de sorrisos de amores e planos de namoro noivado casamento. E decidiram que iriam morar para a Lagoa dos Patos, bem ao sul do sul do país dos Tapes. E já combinados estavam prontos e na mesma hora, sem nada para levar na viagem, foram embora. No mesmo dia que se reencontraram já se beijaram e já se decidiam ir embora e foram. Abraçados e juntinhos e contentes. Planejaram ali na hora e foram embora sem chamar a atenção de ninguém, nem da tribo Tibagi e nem da tribo Pitangui. E foram se largando pelos matos, comendo pinhão e outras frutinhas do mato e fugindo correndo, sempre rumo do sul, além da serra do Espírito Santo, cruzando o rio do Coco numa passagem cômoda que dava pé. Mas...
            - Eia!... Sempre tem um porém, né, filhinha do meu espírito?!
            - E quem decidiu foi D ou Tupã.
            - Tudo isso mesmo? O D vindo lá do alto do céu? D das nuvens mais altas?
            - Foi o deus Tupã em pessoa ou em forma de nuvem. E deus Tupã ficou irritando com aquela ideia deles do casalzinho. Simplesmente porque a índia Potiraré, e mesmo o índio Itamuru, nem podiam aprontar esta desfeita com as suas famílias. Era vergonhoso e chato.
            - Como assim? E esta história nem se parece com a de Ceci e Peri, Iracema e Martim, Paraguaçu e Caramuru, hein?!
            - É, eu disse. É uma história muito comum. O pai de Potiraré, o cacique Iapó, tinha prometido a filha Potiraré para Tupã em troca de boas colheitas de abóboras, mandiocas e milhos. Era um costume dos índios naquela época antiga. Uma tradição e pronto.
            - Espera um pouco, então! Esta história vai longe e com capítulos episódios.
            - E assim, o casal de índios foi impedido de continuar a caminhada para o mundo da liberdade de expressão. D Tupã convocou o cacique Iapó e lhe disse: “Escute, Iapó! Vê se cuida melhor da sua filha Potiraré e de uma vez por todas, pois este namoro de sua filha Potiraré com o índio Itamuru nem precisa ser assim de supetão e de repente, tá certo?!” E Tupã falou tá falado. E o cacique Iapó apenas obedeceu e como obedeceu.
            - Como obedeceu? Diga a mim, fia do meu poema!
- Obedeceu e obedecendo o cacique virou rio. Virou o rio Iapó. E o rio Iapó separou, com sua erosão, com ordem de Tupã, separou o lado da tribo Pitangui do lado da tribo Tibagi.
- Impossível, filha! Foi assim mesmo? Esta lenda é demais, hem?! E recomendo!
- Foi assim ou assado, indo e vindo e quando muito. Houve uma confusão no clima, no ar, no interior do meio ambiente, espaço aéreo. E deus Tupã chegou e já despejou mil e oitocentos raios com trovões e tudo escureceu e o mundo tremeu e o mundo veio abaixo e a terra rachou e se abriu e se rasgou ao meio. Houve uma grande explosão que se ouvi a quilômetros daqui. Daí surgiu o cânion Guartelá. De onde vem Guartelá? E no meio dos dois paredões, separando de um lado o índio Itamuru Pitangui da sua amada a índia Potiraré Tibagi, corre o rio Iapó e muito: sim, senhor! Esse rio Iapó foi Tupã que colocou ali de repente de supetão. Rio Iapó vai sempre caindo aos poucos lá para baixo, batendo os queixos nas escadas degraus de pedras, gaguejando qualquer coisa, correndo aos tombos e cambalhotas e encontrões, despencando que nem sei o quê, caindo de todas as alturas, se atirando no meio do fígado do cânion Guartelá. Parece uma revolta mas é tudo brincadeira. Assim a natureza. E os dois enamorados ficaram muito tristes e chorosos e separados pelo rio Iapó. Tanto que nasceram muitas cascatas de lágrimas que se despejaram lá dos peraus abaixo. Os dois lados vivem até hoje se olhando e se admirando, mas nunca podendo se tocar e se alcançar e se beijar e se acarinhar e mais nada. É isso aí.
            A cidade de Ponta Grossa sempre tem um zoológico importante de fauna local. E foi para lá que a turma de turistas se dirigiu levados pelos guias naquela manhã de domingo. Sol forte, dia claro, sol quadrado e redondo e triangular. O pico do Marinzinho, a cachoeira da Fragaria, usina hidroelétrica de Balbina, distrito Joaquim Manoel de Macedo... e passando e visualizando paisagem em movimento. No meio do mato nativo, primitivo, verde, gameleiras-de-pinga, avencas-paulistas, aráquis, iuquiris e outros verdes, reserva dos índios potiguara.
            E foi na manhã durante das dez horas de domingo. De trás dos prédios, uns altos e outros baixos, brotou o sol, eclodiu o tesouro. Um círculo completo e cheio de ouro e fogo e forno. Depois algumas buzinas e roncos de motores e outros ruídos barulhos. No instante seguinte os zunidos dos ônibus, dos carros, das motos, dos aviões pequenos de dois motores e quatro passageiros. O círculo do sol virou quadrado de luz, virou retângulo de ouro, virou multifacetado estrelado. Dali em diante o sol foi descendo a rua Catu a avenida Francisco de Carvalho Lima Jr a alameda Araújo Porto-Alegre. Ruas guardadas por ipês-amarelos e ipês-roxos fazendo festa atapetando o chão. Antes das dez e doze o sol já entrava numa sorveteria para experimentar sorvete de caju mais pitangas.
            Depois da cidade já fora, o ônibus com os turistas engraçados, entrou por uma estrada de terra batida cercada de mato e capoeira acompanhada de casinhas e do rio Jatapu. E foi indo muito tempo. Mais dois ou três quilômetros. Até chegar no parque do zoológico Parauaçu.
            Lilás tem os olhos de uma cor. O céu tem os olhos azuis. A mata tem os olhos verdes como musgo na sombra. E assim por diante. E Lilás tem os olhos engraçados brilhantes.
            Quando a Lilás olha alguém, quando ela conhece alguém, ou reconhece certa pessoa ou bicho, então, aí é que quando ela vem mesmo pelo menos com uma pergunta:
            - Você já conhecia e simpatizava com estes sariguês? E cabas marimbondos vespas? E turus gusanos? Crustáceos e suas estranhas patolas quelas garras pinças?
            Lilás nem tinha olhos azuis. Lilás nem tinha olhos verdes, ou qualquer dos verdes no mundo. Lilás nem puxou os olhos do pai ou da mãe ou dos avós. Ela tinha os olhos castanhos e tão doces e grandes como parecido do mar. Estuda ainda o fundamental na EEEF Capistrano de Abreu em Itanhandu. Junto com suas melhores parceiras amigas de sempre.
            O olhar da menina era a olhada esperta e rápida. O sorriso da guria era quente e doce. O pensamento da garotinha era melhor e bem exótico. A imaginação da Lilás era de aventuras e lendas e causos. O jeito de caminhar da cunhantaim era simples e completo.
            - Agora vamos ou nem vamos ao teatro São João em Lapa, hem?! E é antigo do império e cheio de histórias revoltosas.
            Justamente onze horas e poucos minutinhos, chegaram ao parque Parauaçu. E era tudo muito cheio de mato. Muitos matos, poucos matos, palmeiras piaçabas, paineiras, xaxins, pinheiros-do-paraná, ervas-mates, angicos, cambuís, ervas-painas...
            Depois grandes reservados jaulas e grandes cercados de tela de arame. Muitas aves e pássaros, poucas aves e poucos pássaros, tricolino, petrim, formigueiro-de-cara-preta, periquitos-de-asa-dourada, rabo-amarelo, curucacas, pica-paus-do-campo... sombras transparentes das árvores sonoros cantantes curiosos, tirivas, codornas, perdizes e perdigãos, jacus de alguns tipos meio variados identificados... seriema, saracuras, carão, emas, urubu-rei, inhambu-anhangá, irerês, uru-do-campo, casal harpias no manejo e piando forte dominando o ambiente... ararajuba, murucututu, beija-flor-de-garganta-verde, pica-pau-branco, teque-teques, pitiguaris, cambacicas, cardeal, gaturamos-pretos... aves do alto das árvores da capoeira do cerrado a mata fechada do pampa aquáticas do banhado da beira dos rios enseadas...
            Em territórios protegidos com água ou valas, e em casas protegidas com grades ou telas, a variedade dos mamíferos. Muitos bichos, poucos bichos, caxinguelê, pacas, guatis, cutias, cachorro-vinagre-do-mato, tamanduá-mirim, antas, tatus-bolas, lobo-guará, onça-pintada ou suçuarana, macacos-pregos, macacos-aranhas, macacos-de-cheiro, micos-leões-da-cara-preta, lebre ou tapiti... de par em par de família em família de grupo em turma...
            De volta do parque zoológico, anoitecendo, o dia cheio de bichos nos olhos esverdeados, já no hotelzinho, a menina telefonou telefonou:
            - Mmãe! E aí, o que que tem? Como vão as coisas?! Desde quando...
            - Ah, filhinha do meu esforço! Tem o seguinte. Vento de cabreúva, vento de guabiroba, vento de pitangueira, vento de jabuticabeira. Tanto vento com perfume, filha do meu celeste!
            - O que mais tem aí e por mim por mim? O dia a dia doméstico da residência.
            - Eu vi hoje mesmo e daqui da varanda. O aviãozinho de matéria plástica decolou, sim. O Carlinhos, você já viu e conhece, o Carlinhos bufou, huuuu!... O aviãozinho dele passou dentro da nuvem. O aviãozinho dele fez sombra dentro das árvores mais altas. O aviãozinho lá dele congelou o sol e a lua e as estrelas. As estrelas viraram pontos turísticos e com nomes próprios. O aviãozinho de Carlos caiu no rio Novo. O Carlinhos nadou nadou se salvou com salva-vidas boia urgente e tudo. Foi a história do dia, neste dia tão comentado e servido.
            - E outras coisas importantes, mãe? Hora em hora, as horas que fazem o sol andar.
            - Passarinhos chegam até nossa janela, você sabe e já viu. Passarinhos sobem nas árvores aqui por perto. Fico olhando, e quando tenho um tempinho. Ouço o sabiá-do-campo, talvez sabiá-laranja, come laranja, canário-da-terra que come pitangas, coleirinha que come sementes de quaisquer capins, papagaio-de-peito-roxo que come pinhão no inverno, tucano-de-bico-verde que come flor de goiaba-do-mato... Mas, filha, como foi o passeio no zoológico. Viu bichos selvagens indomáveis ariscos esquivos?
            - Vi ouvi principalmente pássaros, aves, passarinhos invisíveis. Vi e reparei nos bichos de quatro pés e invisíveis. Vi saltei macacos de rabo cauda preênsil e invisíveis, vi comportamento jabutis e jabotas invisíveis, vi contei jacarés-de-papo-amarelo invisíveis. Conheci o bugio ou macaco-uivador família e companhia. Uns sujeitos tipos barbudos e roncadores. Bugio preto, bugio ruivo cuidando da prole. O teiú-branco é ele o maior lagarto do país, todo listado em preto e branco, língua comprida e sempre beliscando o ar em volta. Dizem os nutricionistas de teiús-brancos, que esses répteis gostam muito de frutas e ovos. Gostam também de lagartear. Jacupemba é um tipo de jacu que vive nos matos daqui e de muitos lugares, gosta de sementes de toda espécie, etc., o papo vermelho, as penas todas pretas. Os saguis, esses são tão muito ariscos que nem sei. Existem no parque uns saguis muito rápidos e espertos e encantadores, puladores que nem sei, e saltam pra cá e pra lá todo o tempo. Já o mão-pelada é quase um cachorrinho de pelo liso e marrom, aquele ali! Uma coruja caburé-de-orelha, e olhe lá!
            - E que mais, filha do meu sonho sonhado e realizado? Quantas horas vocês passearam?
            - Voltaremos já amanhã. A Rê está com saudade, a Esmeralda e a Pérola estão com saudades, eu estou com saudade. Até amanhã e em algum momento daquelas horas possíveis.
            Lilás e companheiras acordaram o último dia de férias ali nos Campos Gerais. Ainda estavam com vontade de voltar e vontade de ficar mais uns dias. Podiam conhecer a tribo dos índios columbiara, as localidades ao redor, Três Barras, Paulo Frontin, Itamonte, Novo Acordo... Podiam visitar a feira de artesanato local no bairro João Francisco Lisboa colônia de muitos descendentes do povo potiguar. A praia de Joanes. Podiam fazer um passeio de trem maria-fumaça até Fagundes Varela. Podiam visitar uma fábrica de chocolate e beber chocolate quente e comer chocolate em barra bombons brigadeiros à vontade. Podiam tentar buscar a nascente do rio Tibagi. Podiam esticar mais as férias ali pela cidade de São Mateus do Sul, ali pelos arredores de Antônio Olinto, cachoeira de Iracema, fazenda Junqueira Freire com museu dedicado à história da erva-mate caá, rebio do Uatumã...
            A menina Lilás chegou no último dia de férias com vontade de voltar e contar tudo. E pensou. Pensou e chegou a uma só conclusão: nem sabia o que queria dali pra frente.
            - Eu, hem! Nem sei muito bem o que que eu quero. Pular voar de asa-delta do alto do morro do Aruá? Morar na aldeia dos tabajara? Ver o parque do Cantão? E eu sou mais a água.
            Bem, será que Lilás queria ser azul? Será que a menina queria voltar e ao mesmo tempo queria ficar pelos tais Campos Gerais? Será que Lilás gostaria de morar no interior do Mato Grosso do Sul? Será que Lilás queria ser uma cascata do cânion Guartelá?
            E uma segunda-feira - mês passado, fevereiro -, Lilás já voltava mesmo da excursão aos Campos Gerais do Estado do Paraná. Depois de cinco dias que passara lá ela e mais três amigas melhores amigas, Rê, Pérola e Esmeralda. Lilás telefonou. O pai atendeu, eram umas onze e meia da manhã, as cigarras fazendo ruído no calor do dia:
            - Alô! É a menina? Tudo bem? Vem mesmo e nem se demora, é?!
            - Pai, o que tem aí? Me conta, me diga, me fala.
            - Me lembrei de uma coisa e várias coisas, hausto hausto! Uma coisa e outras coisas. É assim um rio que corre em família, seus afluentes até o mar. Até onde nem me lembro mais, meu tataravô teve dois filhos: um filho e uma filha. Cada filho do meu tataravô tinha um bom pedaço de terra para morar e plantar ou até vender. O meu bisavô teve dois filhos: um filho e uma filha. Cada filho tinha uma roça de milho ou maniva-mandioca ou abóbora e uma casa na cidade. O meu avô teve dois filhos: um filho e uma filha. Cada filho teve uma casa e um pequeno armazém que vendia de tudo um pouco. O meu pai teve dois filhos: um filho e uma filha. Cada filho teve um carro e uma moto. Eu mesmo tenho, por enquanto, uma filha lilás. E é assim mesmo. Vocês chegam que hora, mais ou menos?
            - Tá certo. Lá pelas quinze e qualquer coisa.
            Então, as gurias voltaram, tudo bem, até outro dia.      Mas por que a menina Lilás sempre esteve tão interessada em viajar sair pelo mundo? Quanto tempo quanto lugar queria conhecer?
            Lilás voltou e chegou. Lilás passou o tempo. Lilás leu dois livrinhos de aventuras: um com um menino e um cão no rincão dos pampas; outro com uma menina velejando com a família pela costa do país do pindorama. Lilás ainda foi ao teatro do poeta Luís Guimarães Jr e naquele mesmo dia. Lilás pedalou a magrela pra cima e pra baixo, pelas calçadas, pelo parque, sozinha e acompanhada, praça Lúcio de Meneses de Mendonça. Lilás tomou pouco sorvete, ou seja, quase todo dia, todo dia, um dia sim e outro nem, um dia sim e outro também. E o tempo passou rápido e pronto. E o tempo nem passava quase nada.
            Outra semana, outro dia a Lilás, no final das férias de aula, ainda no mês de fevereiro, lá na praia de Geribá, vila de pescadores em Caseara. A menina Lilás passeava perto das ondas do mar. Ouvia o ruído do mar a fala do oceano. E olhava muita coisa, olhava grande mar, olhava areia, olhava pássaros marinhos voando baixo, olhava o vento marinho, as ondas corcoveando. Aí, a menina viu uma onda chegando. A menina correu para encontrar a onda e abraçar a onda e quem sabe até beijar a onda e mergulhar em cheio no meio da onda. Lilás pulou na onda. Outras ondas subiam e sumiam na espuma. Por isso, as gaivotas mais próximas, os pelicanos mais ali por perto, as fragatas mais ali ali, os albatrozes mais rente da guria piaram e grasnaram e chiaram com razão.
            Qual pé-de-vento nem disse nada, nem assobiou, nem resmungou, sequer murmurou. Tal e qual pé-de-vento chegou, caiçara, levantou poeira e areia fina, saiu fora, foi levando, e foi embora, se levantou. Sorveu o ar aventurou praiano esticou os braços bocejou. De repente, o pé-de-vento ventania já ia longe chegaria em algum lugar porto ou praia ou arquipélago ou atol ou fortaleza de São José de Macapá deste país que se ouve desde o Ipiranga.

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