Um dia a menina Lilás - pequena em 10 verões e bonita e gentil e elegante - andava simplesmente pela calçada da praça Coronel José Lopes quando, no meio da calçada, bem a sua frente, dentre a multidão, e surgindo do nada, e aparecendo de repente, se apresentando de qualquer jeito, e acontecendo de supetão, pulou um etê fantasiado de alguns braços, etc., saído do frevo do axé do carnaval do festival da festa típica de Blumenau. Que suspense!
Logo seis braços, pernas
baixas e ágeis de jaguatirica, cabeça de guariba, uma cauda felpuda de quati,
um corpo de capivara pelo amarelo-torrado, orelhas pontudas de lobo-guará,
nariz gigante de tamanduá-bandeira, dois olhos verdes de uaná, passos de
quelônio jabuti, dentes de motosserra tipo peixe piranha, botoques nos lábios e
orelhas... multibicho, mais ou menos isso aí. O etê, esse mondrongão braçal e
exótico e estrangeiro, soprou três vozes três vezes e em três ventos de
diferentes direções diversas tipo três idiomas diversos:
- Vu-ru-vuuu! Vu-re-vuuu!
Vu-ri-vuuu!...
- Oi?!
- Ru-vu-vuuu!... - Ora, meu!
E o que que você quer comigo seu incrível, seu fantástico, seu inesquecível?!
Você é de plástico? Como ousa sair da folia para o dia a dia de uma pobre e
bela e displicente menina que passa os dias a estudar História com H
maiúsculo?!
- E-e-eu q-q-quero s-s-sua
m-m-mão e-e-em c-c-casamento. M-m-mas c-c-com t-t-todo r-r-respeito - disse
gaguejando tatibitati nervoso assustado também paradoxal o ser extraordinário.
- Ora! Pois nem sei o que
dizer no momento, nem mesmo, onde se viu, hem!... Seu figurinha de álbum, seu
artista, seu coisa alienígena, seu sei lá o quê!
Dito isto, a menina Lilás se
sacudiu, desviou, dobrou a esquina das duas ruas (avenida Presidente Vargas e
avenida Borges de Medeiros) no bairro Tijipió, e foi procurar outra conversa
outra história. Ela se foi, evaporou, se escafedeu. E o ente extraoficial
ficou, ficou bobão e babão a ver navios logo diante do museu Casa do Leite. Que rio é este?, que planta é esta?, que
bichinho todo cismático cismarento é este? E outras férias com nomes de
cidades, Santa Ernestina, Aratiba, Itu, João Dourado, Barra do Rio Azul, Vila
Flores, Uberlândia...
Lilás ouviu um cavalo
harpejar. O que seria harpejar? Olhou e viu altos cavalos pastando ali num
potreiro próximo ao terminal rodoviário Rita Maria. Eram sete cavalos ou éguas.
E para Lilás eram todos cavalos importantes nobres puros-sangues.
Cavalo caborteiro (animal
arisco), cavalo malacara (possui a cara branca), cavalo haragano (que foge do
serviço), cavalo melado (cor castanho-amarelada), cavalo tostado (predominam os
tons escuros), cavalo tapado (pelame escuro sem nenhuma mancha branca), cavalo
azulego (olhando de longe parece azulado e tem pintas brancas e pretas). Este o
causo! Este o plantel!
A menina caminhou por outra
trilha, outro pique, brincando com uma flor talvez flor de uma agnésia, quando
de repente, de supetão, de sorte e loteria, surgiu cara a cara um belo e
simpático príncipe encantado de olhos verdes verdes, rosto bonito e lábios
importantes, flor no bolsinho superior do casaco, sorriso quente, ah!
rebrilhante... multimilionário, bem a sua frente diante dela. O príncipe, de
brilho destacado e ela a Lilás, olhos nos olhos. Ele disse, quebrando o gelo do
silencioso ambiente climatizado perfumado:
- Oooh, siiim!
- Oi?!
- Eeei, yeees queee siiim!
- Ora! Que você quer comigo
seu presumido, seu vaidoso, seu balão multiestampado figura de presépio? Você é
de isopor? Como se atreve a disparar o coração desta pequena e delicada e
ingênua menina que leva os dias a brincar brincar de andar de bíci?
- Eeeu... queeero....
suuua... mããão... eeem... casameeento... Diiigo iiisto maaas cooom tooodo
sentimeeento respeitoooso - gaguejou emocionado, meio trêmulo, confuso, tonto,
o príncipe de Alcântara, etc e Bragança com hierarquia de sangue azul. - Ora, pois tá! É só esperar, aguardar,
entendeu?! Seu lindo, seu galã, seu gato, seu atleta olímpico, seu sei lá o
quê!
Dito isto, a menina saiu,
tropeçou, andou por outro caminho, avenida FAB em Macapá, plantas
tabocas-gigantes arborizando a calçada. Ela caiu fora, se derreteu, se
estilhaçou, se repartiu em vários conteúdos. E o príncipe encantado ficou,
ficou se admirando no espelhinho de bolso, passando o dedo molhado no cabelo e
a ver balões grandes e médios e pequenos no céu translúcido celeste bem em
frente ao museu Aristides Carlos Rodrigues. Que onda, meu!
Mais alta que as árvores,
mais alta que o rio, mais alta que a madrugada de domingo. E outros
significados que merecem destaque, Taquaritinga, Igarapava, São Valentim,
Lapão, América Dourada, Ibititá, Presidente Dutra, João Dourado, Vista Alegre
do Prata...
E de uns tempos para cá, o
sol - sim, senhor! e sim, senhora! - vem amadurecendo, ou esquentando como uma
fornalha colossal. Quem nem nota! Quem nem percebe!
Pois a verdade era que a
Lilás precisava de sossego e calma para nem pensar (mesmo uma vez). E ela andou
que andou os caminhos, furos, travessões, trilhas e trilhos. Aqui e ali rua das
Flores ou XV de Novembro e bairro do Pilarzinho em Curitiba parava para
conhecer novas plantas do mato (caá) cardápio florestal, angico-branco,
sapucaia-mirim, uirari, maracujá-grande, guaranhém, flor-da-esperança,
peroba-tambu ou guatambu... umas quantas verdes maioria verdes mas também azuis
amarelas vermelhas. Já te digo!
Por tudo isso e muito
mais!... Mais uma vez!...
Lilás olhava as plantas,
árvores, arbustos sem saber que dizer. Mas os olhos da menina, que eram verdes,
também anotavam tudo na memória. E a garotinha ainda nem dizia o que pensava. O
dia ensolarado descansava na sombra ali pela avenida São Borja em São Leopoldo.
A guria parou na encruzilhada das cidades mais bonitas do país, Arapiraca,
Guiratinga, Jaguariaíva, São João Batista, Cachoeira, Siderópolis, Alvorada,
Cachoeirinha, Viamão, Gravataí, Governador Mangabeira... com ou sem muitos
poucos pontos turísticos para turista ver e curtir autorretratos nos dias
santos ou feriados. O que Lilás
queria fazer? Contar as sete cidades com nomes de árvores. Uma após em seguida
de outra.
A planta Taquara, oca por
dentro; planta Criciúma, como para antigamente fazer cestos; árvore Guabiju,
que nascem frutinhas silvestres escuras e doces; árvore Angico, de até doze
metros de altura; árvore Pequi, de frutas espinhentas amarelas; arbusto
Xiquexique, quase flor-de-lagartixa; arbusto Araçaí, igual um pequeno
araçá-do-campo. Cidades tiradas de vegetais, ainda uma vez!
A jabuticabeira-do-mato joga
fruta verde para colher madura escura. A pitangueira-do-campo joga fruto verde
para colher maduro vermelho. A grumixameira joga fruto verde para colher maduro
azulado. Quem mais?! O que mais?!
Depois de caminhar muito, e
esquecer sem fim os seus pretendentes aleatórios, sem poder sossegar, querida,
seus lindos e delicados pezinhos, Lilás encontrou uma sanga de água cantante.
Aportou em Cachoeira do Sul, buscou o lajedo, o itatiba, caminhou de pés
descalços pela itapeba, molhou os pés na água doce, remou o igaratim, voltou e
se deitou na sombra. Aracatu, em língua indígena, é bom tempo e clima ótimo.
Deitou e dormiu à beira desse lago de água doce e murmurante e cantante entre
pedras redondas (de tanto rolar).
Ali relaxou no musgo macio
ouvindo o canto dos passarinhos e aves, marreca-pardinha, avoante, jacuí,
maridedia, fogo-pagou, borralha-pintada, pintassilgo... o mugido da terneira ou
terneiro, o zumbido de abelhas e besouros e joaninhas, o levemente bater das
asas das libélulas e borboletas, o murmúrio aconchegante da água, sentindo o
perfume das flores principais e das flores importantes, brisa doce, suave,
gostosa, fresquinha. Tudo a gosto, na sombra das árvores e mancenilheira,
amoreira-do-mato, sicupira-amarela, braúna, cedro-cheiroso, cabiúna-do-campo,
jacarandá... um transporte, um voo leve
e solto por dentro do mundo dos sonhos... nhe-nhe-nhé!... pálpebras pesadas,
sono de pluma levitando, sonho de algodão-doce e suscitar criar fazer aparecer.
Já pensou como é uma árvore?
É sério! A planta jurubeba, verde, medicinal, quieta, parada, estacionada,
sempre na dela e com ela mesma. É sério? É de dedo de D?
Por que existe o
porco-do-mato? Mas antes de responder o porco-do-mato é melhor fazer outra
pergunta: por que se preocupar com o porco-do-mato, também conhecido como
queixada ou pecari? É uma boa pergunta, agora!
As nuvens passam depressa, a
montanha passa depressa, a matemática passa depressa, as estrelas passam
depressa. E outras interpretações de lugares possíveis, Rifaina, Pedregulho,
Irecê, Paraí, Igarapava, Sacramento, Buritizal, Protásio Alves... Enquanto Lilás sonhava o sonho que se
contará depois... etê seis abraços e príncipe encantado se aproximaram
virtualmente do sono da menina para poder entrar no sonho dela. Por que sonhar?
Porque é sempre assim: as pessoas sonham aquilo que já fizeram e aconteceram no
dia a dia de verdade da esportividade. E eles dois, os pretendentes, estavam
escondidos nas horas e nos dias da menina e pretendiam embarcar no voo do sonho
dela a Lilás. Vieram em silêncio, vieram invisíveis, vieram de modo
inexplicável, vieram no virtual, e cada um a seu modo, e se ajoelharam um de
cada lado. Um terráqueo e outro extraespacial. Quando possível, em!
No seu sonho a menina olhou
o etê seis braços do seu lado direito, mas nem acordou. No sonho a Lilás olhou
o príncipe encantado do seu lado esquerdo, também nem acordou. Era um sono
solto ou um transe?
Para que que serve a escola
o ginásio o colégio? Antes de responder a essa pergunta é melhor perguntar
outra coisa: que que estou fazendo aqui? Por que essas pessoas vão e vêm?
A menina tinha uma novela
pela frente e devia decidir dentro do sonho qual dos dois pretendentes era o
melhor para o futuro. Mas nem sempre. Mas nem hoje. Mas só amanhã. Mais mas
quando lembrasse de novo. Cedo ou tarde!
E a menina nem pensava
acordar tão cedo. Será que algo estava para acontecer? Seria grave? Seria
importante? Em que lugar aconteceria? Tribo dos paracanã pescando timburés no
rio Iguaçu. Seria chave da sorte? O destino abrindo as janelas e as portas?
Acordar do sono sair do sonho é nascer de novo? Vai ver que sim!
Quem é que inventou a chuva
o rio e o mar? Antes de responder a essa pergunta é melhor perguntar mais uma
vez: você acredita que Tupã imaginou tudo isso que vemos? Eu acho que é muita
coisa mesmo para um D.
Muitos pássaros chilreando,
tantas aves chilreando, sem número de alados chilreando. Sempre quis porque
quis andar pela cidade e viajar os municípios, Ivaté, Remígio, Algodão de
Jandaíra, Santa Cruz de Monte Castelo, Antônio Prado, Guaporé...
Lilás sonhava, sonhava...
Sonhou que era um peixe, uma peixinha de aquário, dessas que são muito
coloridas, beiçudinhas, barbatanas embandeiradas, nadam por dentro da água como
se a água fosse o ar puro. E que vivia lá no aquário uma sua vida pacata do
fundo daquele meio ambiente de globo aquático, nadando em círculos, indo e
voltando, ali, e mais nada. Gostava de brincar, de fazer borbulhas, de ir ao
fundo e subir, descer e subir constantemente, pedir comida com a boquinha
estalando, tetê! tetê!... e adorava se esconder atrás da decoração, de
perseguir as comidinhas, amava comer raízes, folhinhas bem macias, migalhas de
broa de polvilho, migalhas de pão, de bolo de milho, ou pão caseiro, e também o
pão de centeio. E por outro lado apreciava dormir, acordar tarde, ver tevê até
tarde e acordar depois das dez, nadar e nadar e nadar, boiar nas águas claras,
nadar borboleta como as borboletas, nadar de costas, nadar estilo livre, nadar
cachorrinho como os pets. Que coisas sensacionais e para lá de extremamente! O sonho é uma imagem no espelho ou na tela ou
no palco. É difícil imaginar por quê. O sonho é uma árvore azul ou amarela ou
ipê-branco, é um peixe-elétrico o poraquê, é um tapira (anta) almoçando em
plena praça Nossa Senhora da Conceição em Macapá.
E se alguém fosse falar de
sonhos, diria, e com estas palavras imaginadas: -
A minha opinião é que o sol nem deveria ir pro outro lado do mundo, etc., a
cada dia, todas as noites, etc., e quantas vezes por mês por ano por século...
- O pé de araticum-apê está
embarcando nesse momento 00h e 11min para Lajeado no RS, Alegrete no RS mas com
escalas em Antonina no PR mais Dobrada e Cutia em SP ainda São Félix na BA,
Joaçaba em SC...
- Tinha uma torre de igreja
ali no bairro Damacuri. Esta tal torre alta se chamava professor Pequiá-Amarelo
e dava aulas de português no colégio 11 de Agosto da rua Cônego Bernardo de
frente mesmo com a praça Santos Dumont. E professor dos bons e ótimos que os
alunos e alunas adoravam e mães e pais recomendavam repercutiam homenageavam.
- Uma mãe ema e seus eminhos
desfilando soltos em fila indiana no largo Fagundes centro de Florianópolis
cercanias do museu Cruz e Souza.
- Ambulantes com ofertas nas
mãos, entender, ler, falar e escrever.
- Moradoras elegantes em
Casserengue olhos dizentes roupas folgadas panos de seda coloridos e raminhos
de beldroegas-grandes atrás das orelhas para dar sorte no namoro.
Sonhou a Lilás que um belo
peixe - já fora e além dos dois pretendentes esquecidos descartados -, tipo
único e raro, diferente dos outros peixes, talvez nem fosse nem peixe, um
boto-cinza de olho doce arregalado, chapéu de ladinho na cabeça, boné virado,
sorria para ela. Mais! E logo depois de sorrir, chegou perto, a envolveu com
seu perfume de algas marinhas atlânticas ou algas fluviais amazônicas, lhe
pegou as pontas das barbataninhas com suas barbatanas, águas líquidas e mornas,
tirou outro daqueles grandes sorrisos fatais e lhe beijou, beijou na boca com
estalo, tetê!... e até para que as pessoas próximas - digo peixes - pudessem
ver e ouvir, tetê!...
E mesmo assim nem demorou
muito, então ela, Lilás, nem pôde mais, nem viu mais nada, tomou muita água,
abobada, zonza, tudo escureceu, o lago esquentou e esfriou e esquentou sem
parar. Nunca havia sido beijada assim, com esse gosto, esse amasso, esse
perfume, e seu pequeno coração em forma de triângulo quase saltou para um
mergulho fora da boca. Um beijo verdadeiro, verdadeiro e importante, tamanho
suave, decorado, que a revolução feita na sua cabecinha, nos seus nervos, quase
a fulminou, igual bem igual a lambari fisgado no anzol ou pirajuba preso na
tarrafa ou bagre cercado na armadilha.
Foi realmente um amor e
tanto. Seis e meia da manhã. No inverno ou no verão. Correria de corações. Redemoinho
de emoções. Embarque no aeroporto de Cumbica em Guarulhos-sp. Trem de
sensações. Durante o recreio no colégio estadual Getúlio Vargas do bairro Saco
dos Limões em Florianópolis. Risos em cascata. Navio de navegações. Balão no
espaço de precipitações. Nave espacial interestelar de trepidações. Histórias
de outros tempos, tempos que foram e que ainda voltam cada vez mais. Uma já
polêmica! Ela a Lilás, ali assim mesmo,
perguntou interrogou:
- Qual a melhor coisa do
mundo?
- Como assim “a melhor coisa
do mundo”? A melhor melhor? Qualquer coisa?
- Tipo automóvel ou avião ou
rio ou lua ou pessoa ou ariranha ou ouricuri. A melhor coisa do mundo, quem é?
Diz o nome nomeado(a), onomástica!
- Ah, sei lá, meu! Vou ficar
te devendo esta, vou ficar em cima do muro que nem os gatos domésticos e os
pelegos pra secar. Nem tenho noção ou ideia, cara!
Com o tempo passando assim,
os dois enamorados foram se acostumando se afeiçoando cada vez mais. Normal!
Dois mil olhos, importantíssimos, tantos olhos como folhas de tal árvore uma
mirindiba-bagre, por toda parte, balançando ao vento. E era melhor assim. E os
dois peixinhos, ela peixinha e ele peixinho, os dois exímios nadadores se
olhando multiolhos em silêncio sonoro líquido, tum! tum! tum!...
Vê se pode isso! Pois se nem
foi quê - os dois envolvidos estavam nesse papo, quando o mundo reiniciou outra
contagem... Começo de ano novo, talvez!
Resultado. Lilás, peixinha
lilás, aceitou o pedido de casamento do boto-cinza mergulhador. Se casaram
diante do pastor padre piau, na gruta subaquática do lado azul do lago azul,
com convidados, cardumes de convidados, torta e tapioca e canapés e
pasteizinhos de queijo e muitos fogos de artifício e bandas de música tocando
samba. Se juraram amor eterno, se beijaram na boca com tetê!... se olharam nos
olhos até que o primeiro piscasse... com risos riram inclinados para trás...
dançaram as danças do maracatu e do boi-bumbá...
Pairando no ar apareciam
umas bolhas de sabão: nuvem passageira tocada pelo vento nordeste: bando de
pássaros verdes periquitos-ricos procurando as araucárias para comer pinhão.
Eram como as cores do arco-íris procurando pote de ouro puro e perto da
cascata.
O namorado já esposo
perguntou e na fala dos enamorados:
- Vamos pro rio ou pro mar,
querida?!
- Vamos pro rio Cuiabá, meu
bem!
- Com voadeira ou barco a
vela ou canoa ou iate?!
- Com ubá ou igaruçu, da
tribo ianomâmi!
- Tem sombra e água
corrente?!
- Tem sombra e água
cristalina!
Viraram oficialmente às 09h
e 19min esposa e esposo, casal de peixes, ela peixe e ele nadador nato: na
natação ou na pesca, na água limpa ou na água barrenta, no verão ou no inverno,
na superfície ou no profundo, no remanso ou na correnteza, no rio ou perto do
mar, na lagoa ou na sanga.
Abanaram adeuses, se deram
as nadadeiras, bateram as caudas de peixe, mergulharam. Seguiram para o bem
fundo do fundão. Pegaram a carruagem puxada por quatro cavalos marinhos brancos
alados de água do mangue. E rumaram para a lua, lua de beira-rio, lua refletida
na lagoa, lua teleguiada. Uma lua cheia bem no centro profundo do fundão
rebrilhante. Tanto fazia água doce da lagoa como água salobra da laguna. Lá
para os jardins coralinos espaciais de ilhas de arrecifes de atóis de abrolhos.
Curso de natação romântico!
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