sexta-feira, 2 de fevereiro de 2024

Os Pretendentes (juvenil)

 

            

 

Um dia a menina Lilás - pequena em 10 verões e bonita e gentil e elegante - andava simplesmente pela calçada da praça Coronel José Lopes quando, no meio da calçada, bem a sua frente, dentre a multidão, e surgindo do nada, e aparecendo de repente, se apresentando de qualquer jeito, e acontecendo de supetão, pulou um etê fantasiado de alguns braços, etc., saído do frevo do axé do carnaval do festival da festa típica de Blumenau. Que suspense! 

Logo seis braços, pernas baixas e ágeis de jaguatirica, cabeça de guariba, uma cauda felpuda de quati, um corpo de capivara pelo amarelo-torrado, orelhas pontudas de lobo-guará, nariz gigante de tamanduá-bandeira, dois olhos verdes de uaná, passos de quelônio jabuti, dentes de motosserra tipo peixe piranha, botoques nos lábios e orelhas... multibicho, mais ou menos isso aí. O etê, esse mondrongão braçal e exótico e estrangeiro, soprou três vozes três vezes e em três ventos de diferentes direções diversas tipo três idiomas diversos:

- Vu-ru-vuuu! Vu-re-vuuu! Vu-ri-vuuu!...

- Oi?!

- Ru-vu-vuuu!... - Ora, meu! E o que que você quer comigo seu incrível, seu fantástico, seu inesquecível?! Você é de plástico? Como ousa sair da folia para o dia a dia de uma pobre e bela e displicente menina que passa os dias a estudar História com H maiúsculo?!

- E-e-eu q-q-quero s-s-sua m-m-mão e-e-em c-c-casamento. M-m-mas c-c-com t-t-todo r-r-respeito - disse gaguejando tatibitati nervoso assustado também paradoxal o ser extraordinário.

- Ora! Pois nem sei o que dizer no momento, nem mesmo, onde se viu, hem!... Seu figurinha de álbum, seu artista, seu coisa alienígena, seu sei lá o quê!

Dito isto, a menina Lilás se sacudiu, desviou, dobrou a esquina das duas ruas (avenida Presidente Vargas e avenida Borges de Medeiros) no bairro Tijipió, e foi procurar outra conversa outra história. Ela se foi, evaporou, se escafedeu. E o ente extraoficial ficou, ficou bobão e babão a ver navios logo diante do museu Casa do Leite. Que rio é este?, que planta é esta?, que bichinho todo cismático cismarento é este? E outras férias com nomes de cidades, Santa Ernestina, Aratiba, Itu, João Dourado, Barra do Rio Azul, Vila Flores, Uberlândia...

Lilás ouviu um cavalo harpejar. O que seria harpejar? Olhou e viu altos cavalos pastando ali num potreiro próximo ao terminal rodoviário Rita Maria. Eram sete cavalos ou éguas. E para Lilás eram todos cavalos importantes nobres puros-sangues.

Cavalo caborteiro (animal arisco), cavalo malacara (possui a cara branca), cavalo haragano (que foge do serviço), cavalo melado (cor castanho-amarelada), cavalo tostado (predominam os tons escuros), cavalo tapado (pelame escuro sem nenhuma mancha branca), cavalo azulego (olhando de longe parece azulado e tem pintas brancas e pretas). Este o causo! Este o plantel!

A menina caminhou por outra trilha, outro pique, brincando com uma flor talvez flor de uma agnésia, quando de repente, de supetão, de sorte e loteria, surgiu cara a cara um belo e simpático príncipe encantado de olhos verdes verdes, rosto bonito e lábios importantes, flor no bolsinho superior do casaco, sorriso quente, ah! rebrilhante... multimilionário, bem a sua frente diante dela. O príncipe, de brilho destacado e ela a Lilás, olhos nos olhos. Ele disse, quebrando o gelo do silencioso ambiente climatizado perfumado:

- Oooh, siiim!

- Oi?!

- Eeei, yeees queee siiim!

- Ora! Que você quer comigo seu presumido, seu vaidoso, seu balão multiestampado figura de presépio? Você é de isopor? Como se atreve a disparar o coração desta pequena e delicada e ingênua menina que leva os dias a brincar brincar de andar de bíci?

- Eeeu... queeero.... suuua... mããão... eeem... casameeento... Diiigo iiisto maaas cooom tooodo sentimeeento respeitoooso - gaguejou emocionado, meio trêmulo, confuso, tonto, o príncipe de Alcântara, etc e Bragança com hierarquia de sangue azul. - Ora, pois tá! É só esperar, aguardar, entendeu?! Seu lindo, seu galã, seu gato, seu atleta olímpico, seu sei lá o quê!

Dito isto, a menina saiu, tropeçou, andou por outro caminho, avenida FAB em Macapá, plantas tabocas-gigantes arborizando a calçada. Ela caiu fora, se derreteu, se estilhaçou, se repartiu em vários conteúdos. E o príncipe encantado ficou, ficou se admirando no espelhinho de bolso, passando o dedo molhado no cabelo e a ver balões grandes e médios e pequenos no céu translúcido celeste bem em frente ao museu Aristides Carlos Rodrigues. Que onda, meu!

Mais alta que as árvores, mais alta que o rio, mais alta que a madrugada de domingo. E outros significados que merecem destaque, Taquaritinga, Igarapava, São Valentim, Lapão, América Dourada, Ibititá, Presidente Dutra, João Dourado, Vista Alegre do Prata...

E de uns tempos para cá, o sol - sim, senhor! e sim, senhora! - vem amadurecendo, ou esquentando como uma fornalha colossal. Quem nem nota! Quem nem percebe!

Pois a verdade era que a Lilás precisava de sossego e calma para nem pensar (mesmo uma vez). E ela andou que andou os caminhos, furos, travessões, trilhas e trilhos. Aqui e ali rua das Flores ou XV de Novembro e bairro do Pilarzinho em Curitiba parava para conhecer novas plantas do mato (caá) cardápio florestal, angico-branco, sapucaia-mirim, uirari, maracujá-grande, guaranhém, flor-da-esperança, peroba-tambu ou guatambu... umas quantas verdes maioria verdes mas também azuis amarelas vermelhas. Já te digo!

Por tudo isso e muito mais!... Mais uma vez!...

Lilás olhava as plantas, árvores, arbustos sem saber que dizer. Mas os olhos da menina, que eram verdes, também anotavam tudo na memória. E a garotinha ainda nem dizia o que pensava. O dia ensolarado descansava na sombra ali pela avenida São Borja em São Leopoldo. A guria parou na encruzilhada das cidades mais bonitas do país, Arapiraca, Guiratinga, Jaguariaíva, São João Batista, Cachoeira, Siderópolis, Alvorada, Cachoeirinha, Viamão, Gravataí, Governador Mangabeira... com ou sem muitos poucos pontos turísticos para turista ver e curtir autorretratos nos dias santos ou feriados.            O que Lilás queria fazer? Contar as sete cidades com nomes de árvores. Uma após em seguida de outra.

A planta Taquara, oca por dentro; planta Criciúma, como para antigamente fazer cestos; árvore Guabiju, que nascem frutinhas silvestres escuras e doces; árvore Angico, de até doze metros de altura; árvore Pequi, de frutas espinhentas amarelas; arbusto Xiquexique, quase flor-de-lagartixa; arbusto Araçaí, igual um pequeno araçá-do-campo. Cidades tiradas de vegetais, ainda uma vez!

A jabuticabeira-do-mato joga fruta verde para colher madura escura. A pitangueira-do-campo joga fruto verde para colher maduro vermelho. A grumixameira joga fruto verde para colher maduro azulado. Quem mais?! O que mais?!

Depois de caminhar muito, e esquecer sem fim os seus pretendentes aleatórios, sem poder sossegar, querida, seus lindos e delicados pezinhos, Lilás encontrou uma sanga de água cantante. Aportou em Cachoeira do Sul, buscou o lajedo, o itatiba, caminhou de pés descalços pela itapeba, molhou os pés na água doce, remou o igaratim, voltou e se deitou na sombra. Aracatu, em língua indígena, é bom tempo e clima ótimo. Deitou e dormiu à beira desse lago de água doce e murmurante e cantante entre pedras redondas (de tanto rolar).

Ali relaxou no musgo macio ouvindo o canto dos passarinhos e aves, marreca-pardinha, avoante, jacuí, maridedia, fogo-pagou, borralha-pintada, pintassilgo... o mugido da terneira ou terneiro, o zumbido de abelhas e besouros e joaninhas, o levemente bater das asas das libélulas e borboletas, o murmúrio aconchegante da água, sentindo o perfume das flores principais e das flores importantes, brisa doce, suave, gostosa, fresquinha. Tudo a gosto, na sombra das árvores e mancenilheira, amoreira-do-mato, sicupira-amarela, braúna, cedro-cheiroso, cabiúna-do-campo, jacarandá...  um transporte, um voo leve e solto por dentro do mundo dos sonhos... nhe-nhe-nhé!... pálpebras pesadas, sono de pluma levitando, sonho de algodão-doce e suscitar criar fazer aparecer.

Já pensou como é uma árvore? É sério! A planta jurubeba, verde, medicinal, quieta, parada, estacionada, sempre na dela e com ela mesma. É sério? É de dedo de D?

Por que existe o porco-do-mato? Mas antes de responder o porco-do-mato é melhor fazer outra pergunta: por que se preocupar com o porco-do-mato, também conhecido como queixada ou pecari? É uma boa pergunta, agora!

As nuvens passam depressa, a montanha passa depressa, a matemática passa depressa, as estrelas passam depressa. E outras interpretações de lugares possíveis, Rifaina, Pedregulho, Irecê, Paraí, Igarapava, Sacramento, Buritizal, Protásio Alves...          Enquanto Lilás sonhava o sonho que se contará depois... etê seis abraços e príncipe encantado se aproximaram virtualmente do sono da menina para poder entrar no sonho dela. Por que sonhar? Porque é sempre assim: as pessoas sonham aquilo que já fizeram e aconteceram no dia a dia de verdade da esportividade. E eles dois, os pretendentes, estavam escondidos nas horas e nos dias da menina e pretendiam embarcar no voo do sonho dela a Lilás. Vieram em silêncio, vieram invisíveis, vieram de modo inexplicável, vieram no virtual, e cada um a seu modo, e se ajoelharam um de cada lado. Um terráqueo e outro extraespacial. Quando possível, em!

No seu sonho a menina olhou o etê seis braços do seu lado direito, mas nem acordou. No sonho a Lilás olhou o príncipe encantado do seu lado esquerdo, também nem acordou. Era um sono solto ou um transe?

Para que que serve a escola o ginásio o colégio? Antes de responder a essa pergunta é melhor perguntar outra coisa: que que estou fazendo aqui? Por que essas pessoas vão e vêm?

A menina tinha uma novela pela frente e devia decidir dentro do sonho qual dos dois pretendentes era o melhor para o futuro. Mas nem sempre. Mas nem hoje. Mas só amanhã. Mais mas quando lembrasse de novo. Cedo ou tarde!

E a menina nem pensava acordar tão cedo. Será que algo estava para acontecer? Seria grave? Seria importante? Em que lugar aconteceria? Tribo dos paracanã pescando timburés no rio Iguaçu. Seria chave da sorte? O destino abrindo as janelas e as portas? Acordar do sono sair do sonho é nascer de novo? Vai ver que sim!

Quem é que inventou a chuva o rio e o mar? Antes de responder a essa pergunta é melhor perguntar mais uma vez: você acredita que Tupã imaginou tudo isso que vemos? Eu acho que é muita coisa mesmo para um D.

Muitos pássaros chilreando, tantas aves chilreando, sem número de alados chilreando. Sempre quis porque quis andar pela cidade e viajar os municípios, Ivaté, Remígio, Algodão de Jandaíra, Santa Cruz de Monte Castelo, Antônio Prado, Guaporé...

Lilás sonhava, sonhava... Sonhou que era um peixe, uma peixinha de aquário, dessas que são muito coloridas, beiçudinhas, barbatanas embandeiradas, nadam por dentro da água como se a água fosse o ar puro. E que vivia lá no aquário uma sua vida pacata do fundo daquele meio ambiente de globo aquático, nadando em círculos, indo e voltando, ali, e mais nada. Gostava de brincar, de fazer borbulhas, de ir ao fundo e subir, descer e subir constantemente, pedir comida com a boquinha estalando, tetê! tetê!... e adorava se esconder atrás da decoração, de perseguir as comidinhas, amava comer raízes, folhinhas bem macias, migalhas de broa de polvilho, migalhas de pão, de bolo de milho, ou pão caseiro, e também o pão de centeio. E por outro lado apreciava dormir, acordar tarde, ver tevê até tarde e acordar depois das dez, nadar e nadar e nadar, boiar nas águas claras, nadar borboleta como as borboletas, nadar de costas, nadar estilo livre, nadar cachorrinho como os pets. Que coisas sensacionais e para lá de extremamente! O sonho é uma imagem no espelho ou na tela ou no palco. É difícil imaginar por quê. O sonho é uma árvore azul ou amarela ou ipê-branco, é um peixe-elétrico o poraquê, é um tapira (anta) almoçando em plena praça Nossa Senhora da Conceição em Macapá.

E se alguém fosse falar de sonhos, diria, e com estas palavras imaginadas:       - A minha opinião é que o sol nem deveria ir pro outro lado do mundo, etc., a cada dia, todas as noites, etc., e quantas vezes por mês por ano por século...

- O pé de araticum-apê está embarcando nesse momento 00h e 11min para Lajeado no RS, Alegrete no RS mas com escalas em Antonina no PR mais Dobrada e Cutia em SP ainda São Félix na BA, Joaçaba em SC...

- Tinha uma torre de igreja ali no bairro Damacuri. Esta tal torre alta se chamava professor Pequiá-Amarelo e dava aulas de português no colégio 11 de Agosto da rua Cônego Bernardo de frente mesmo com a praça Santos Dumont. E professor dos bons e ótimos que os alunos e alunas adoravam e mães e pais recomendavam repercutiam homenageavam.

- Uma mãe ema e seus eminhos desfilando soltos em fila indiana no largo Fagundes centro de Florianópolis cercanias do museu Cruz e Souza.

- Ambulantes com ofertas nas mãos, entender, ler, falar e escrever.

- Moradoras elegantes em Casserengue olhos dizentes roupas folgadas panos de seda coloridos e raminhos de beldroegas-grandes atrás das orelhas para dar sorte no namoro.

Sonhou a Lilás que um belo peixe - já fora e além dos dois pretendentes esquecidos descartados -, tipo único e raro, diferente dos outros peixes, talvez nem fosse nem peixe, um boto-cinza de olho doce arregalado, chapéu de ladinho na cabeça, boné virado, sorria para ela. Mais! E logo depois de sorrir, chegou perto, a envolveu com seu perfume de algas marinhas atlânticas ou algas fluviais amazônicas, lhe pegou as pontas das barbataninhas com suas barbatanas, águas líquidas e mornas, tirou outro daqueles grandes sorrisos fatais e lhe beijou, beijou na boca com estalo, tetê!... e até para que as pessoas próximas - digo peixes - pudessem ver e ouvir, tetê!...

E mesmo assim nem demorou muito, então ela, Lilás, nem pôde mais, nem viu mais nada, tomou muita água, abobada, zonza, tudo escureceu, o lago esquentou e esfriou e esquentou sem parar. Nunca havia sido beijada assim, com esse gosto, esse amasso, esse perfume, e seu pequeno coração em forma de triângulo quase saltou para um mergulho fora da boca. Um beijo verdadeiro, verdadeiro e importante, tamanho suave, decorado, que a revolução feita na sua cabecinha, nos seus nervos, quase a fulminou, igual bem igual a lambari fisgado no anzol ou pirajuba preso na tarrafa ou bagre cercado na armadilha.

Foi realmente um amor e tanto. Seis e meia da manhã. No inverno ou no verão. Correria de corações. Redemoinho de emoções. Embarque no aeroporto de Cumbica em Guarulhos-sp. Trem de sensações. Durante o recreio no colégio estadual Getúlio Vargas do bairro Saco dos Limões em Florianópolis. Risos em cascata. Navio de navegações. Balão no espaço de precipitações. Nave espacial interestelar de trepidações. Histórias de outros tempos, tempos que foram e que ainda voltam cada vez mais. Uma já polêmica! Ela a Lilás, ali assim mesmo, perguntou interrogou:

- Qual a melhor coisa do mundo?

- Como assim “a melhor coisa do mundo”? A melhor melhor? Qualquer coisa?

- Tipo automóvel ou avião ou rio ou lua ou pessoa ou ariranha ou ouricuri. A melhor coisa do mundo, quem é? Diz o nome nomeado(a), onomástica!

- Ah, sei lá, meu! Vou ficar te devendo esta, vou ficar em cima do muro que nem os gatos domésticos e os pelegos pra secar. Nem tenho noção ou ideia, cara!

Com o tempo passando assim, os dois enamorados foram se acostumando se afeiçoando cada vez mais. Normal! Dois mil olhos, importantíssimos, tantos olhos como folhas de tal árvore uma mirindiba-bagre, por toda parte, balançando ao vento. E era melhor assim. E os dois peixinhos, ela peixinha e ele peixinho, os dois exímios nadadores se olhando multiolhos em silêncio sonoro líquido, tum! tum! tum!...

Vê se pode isso! Pois se nem foi quê - os dois envolvidos estavam nesse papo, quando o mundo reiniciou outra contagem... Começo de ano novo, talvez!

Resultado. Lilás, peixinha lilás, aceitou o pedido de casamento do boto-cinza mergulhador. Se casaram diante do pastor padre piau, na gruta subaquática do lado azul do lago azul, com convidados, cardumes de convidados, torta e tapioca e canapés e pasteizinhos de queijo e muitos fogos de artifício e bandas de música tocando samba. Se juraram amor eterno, se beijaram na boca com tetê!... se olharam nos olhos até que o primeiro piscasse... com risos riram inclinados para trás... dançaram as danças do maracatu e do boi-bumbá...

Pairando no ar apareciam umas bolhas de sabão: nuvem passageira tocada pelo vento nordeste: bando de pássaros verdes periquitos-ricos procurando as araucárias para comer pinhão. Eram como as cores do arco-íris procurando pote de ouro puro e perto da cascata.

O namorado já esposo perguntou e na fala dos enamorados:

- Vamos pro rio ou pro mar, querida?!

- Vamos pro rio Cuiabá, meu bem!

- Com voadeira ou barco a vela ou canoa ou iate?!

- Com ubá ou igaruçu, da tribo ianomâmi!

- Tem sombra e água corrente?!

- Tem sombra e água cristalina!

Viraram oficialmente às 09h e 19min esposa e esposo, casal de peixes, ela peixe e ele nadador nato: na natação ou na pesca, na água limpa ou na água barrenta, no verão ou no inverno, na superfície ou no profundo, no remanso ou na correnteza, no rio ou perto do mar, na lagoa ou na sanga.

Abanaram adeuses, se deram as nadadeiras, bateram as caudas de peixe, mergulharam. Seguiram para o bem fundo do fundão. Pegaram a carruagem puxada por quatro cavalos marinhos brancos alados de água do mangue. E rumaram para a lua, lua de beira-rio, lua refletida na lagoa, lua teleguiada. Uma lua cheia bem no centro profundo do fundão rebrilhante. Tanto fazia água doce da lagoa como água salobra da laguna. Lá para os jardins coralinos espaciais de ilhas de arrecifes de atóis de abrolhos. Curso de natação romântico!

 

 

 

 

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