terça-feira, 28 de março de 2017

Já Sei O Que Vai Dizer



         A cidade acorda trabalha assiste adormece rodeada de morros matos e alguns riachinhos sempre bem dispostos e vindos. As avenidas ruas ruelas de, vvu-vu-vuuu!... de carros e de ingás-bravos em fila indiana. Sítios arrabaldes árvores e aves da estação, tizios, sanãs-carijós, azulões, soldadinhos, urutaus... e os quero-queros ave símbolo do RS. Quaraci o protetor dos bichos. Aracy a mãe do dia dos pássaros. É fácil se acostumar com Nova Prata? A última vez que vim eu já bati por aqui mesmo e fiquei.
         As asas de plenos voos se ergueram se esticaram ruflaram tatalaram de lado a lado e Arapari mais Potira abriram os braços casalzinho novo moderno e pularam no ar emboralá! durante o espaço. O céu ficava alaranjado para os lados do poente.
         Disse ele:
         - Vi tevê ouvi música e capotei.
         - Ouvi noite toda fiquei escutando ronco rouco de onça-parda choca.
         Disse ele:
         - Meu pai ele se esqueceu de ir à reunião.
         - O doutor Avaré lembrou a importância da vacina do voto da casa própria.
Os namorados que já faziam um tempão de 001 dia que nem se viam e nem se beijavam em público se acomodaram naquela tarde em o restaurante Potiguara logradouro público Marquês de Abrantes o bairro Apipucos. Sempre se cuidavam muito de suas aparências que eram para agradar e agradar aos segundos e aos terceiros se bem que ele pouco à segunda e menos aos terceiros em boa hora ela ao segundo mais aos terceiros. Ele Arapari como sempre fazia nessas circunstâncias sugeriu primeiro o que iriam beber e comer. Ela Potira como o conhecia de sobejo cabelos longos lisos mechados nos tons de louro deixou que ele escolhesse o que iriam comer e beber. O importante era que estavam ali abraçados juntos ternos meigos pombinhos se adorando bebericando abatiy e comendo.
Disse ele:
- Acho que uma pizza... e você, bem?        
- Ah, uma pizza! Tá ótimo.
- Que acha de uma pizza com sabor de coco ralado ao chocolate e ao açaí?
- Você gosta de pizza doce.
- Adoro! Já sabe.
- Então, tá. Vamos a ela.
O grupo de capivaras chega desde o outro lado do rio Pirajuí o parque do Guartelá no Estado de SC que a ave símbolo é a araponga. O restaurante Potiguara lotado saindo pelo ladrão e a multidão vociferando políticos. Parece de longe que um bloco de carnaval para o centro da cidade por volta da escadaria da igreja São João Batista. Densa porção de árvores obedientes honestas, cauchos, árvores-de-papel, murtinhas, babosas-brancas, acácias-de-flores-vermelhas... rodeiam desde há dezenas a pracinha da Bandeira. Família das capivaras se acomoda no barranco gramado do prédio da prefeitura. O casal de periquitos-de-cabeça-suja tira a pupunha-marajá do silêncio do silêncio. O enxame de irapuãs aterrissa no letreiro pisca-pisca de nome telefone e patrocinador da pizzaria. Mais um punhado de gurias cinco ao todo alardeiam álacres alaridos mesa reservada por antecedência realizam a entrada triunfal e tudo pelos olhos brilhantes cores a escolher. A paisagem acalma ao redor tranquila porque o Brasil abre as asas sobre nós é nosso.
Os dois pássaros periquitos entre um minutinho e outro já tirando os coquinhos as impressões na tarde que ia amena amena. O bumba meu boi chamava a matriz iluminada festiva a atenção pelos tambores do Maranhão pelas figuras de linguagem. Mais palmeiras mais periquitos menos silêncio no recanto da Bandeira. O casal nem sempre discutiu a relação também brincou de se empurrar e se aturava havia cinco anos.
Disse ele:
- É correto nem errar.
- É incorreto nem acertar.
- Acho que vamos, já passa das 19h.
- Os dois milhões de paxiúbas já estão tenras e bonitas.
Capincho passou em revista a filhotada. A mãe capivara em homenagem ao coletivo da ninhada alisava a caçula. Exemplar borboleta azul-seda flutuando importante engraçada irisada atrás de por entre os lírios-verdes as alamandas-amarelas os manacás os gerânios-brasileiros... tonteando o ar da paisagem. A família de capivaras veio se deslocou até a cidade atrás de compras empregos oportunidades ofertas. Os olhos do casal sempre bem abertos as orelhas altas os ouvidos apurados.
 Disse ele:
- Nenhum de vós a viu a percebeu?
- Nenhum de nós a reconheceu.
- Qual de nós falará primeiro?
- A tarde a tardezinha e a noitinha parece me deixarem anestesiada.
Metade dos filhotes da família eram meninos e a outra meninas num total de seis capivarinhos. Por cima rente da copa da ameixa-da-terra a Ceuci espiava pela uma janela pivotante de lá do profundo maduro infinito que já era longe. Capivara e capincho os amavam muito e a todos e a cada um. Ninguém tocava nesses sem armar uma guerra.
Disse ele:
- E fostes vós que os elegestes.
- E nem se pode errar, que é a regra geral e única.
- Por que nem dizer?
- Porque dizer.
Eles foram pra pizza sugerida por ele. E a conversa esteve baseada no péssimo emprego dele lá na tal e qual firma fabricante de lanternas mágicas. Um salário mixa que iria lhe custar uma eternidade pra comprar uma moto mesmo um carro usado etc e ainda pagando aluguel. Potira desejava muito vê-lo superar essa fase. Ela inclusive fundamental estudara no colégio estadual general Artur da Costa e Silva em Tabaí. Arapari desejava muito achar outro emprego melhor ou até mudar de cidade. E pois logo mesmo nem poderiam casar.
Disse ele:
- O país precisa de menos boleiros.
- O Brasil precisa de quem precisa.
É um dia aberto e amarelo e com as nuvens indiferentes que nem saem para passear. Simplesmente displicente contando nos dedos os minutos Ceuci pouco ou quase nada estrela consagrada aparece no norte do céu. A praça da Bandeira nem tem busto de Getúlio estátua de Osório painel de Tiradentes capelinha de NSAparecida calçada de estrelas de nada nem de poemas do MQ que interrompam o barulho.
         De repente Potira teve certeza absoluta que nem poderia mais nem cheirar quanto mais engolir aquela pizza pizza. E por outro lado nem queria magoar o namorado. Procurou pensar na beira do rio Madeira numas férias rápidas pelo menos praia fluvial quem sabe em janeiro passeios de barco já no ano vindouro.  
Disse ele:
- Quer mais um pedaço? Aproveite que hoje nem estou com fome.
- Nem eu, pra falar a verdade.
- Nem! Por que nem disse antes, poderíamos ter ido ao cinema, em vez.
- O tucano-de-papo-amarelo é a ave do RJ, é.
- O tambor ressoa porque é oco. É verdade.
- Pois o Sumé entidade ser ente sobrenatural ensina agricultura aos amauaca. Sim, senhor!
A cidade se esconde desaparece relaxa domingo de noitinha. As manobras arriscadas interessantes das andorinhas-do-campo em plena cidade entre os prédios pousando nos fios trissando divertidamente nas abas acertando insetos igualmente alados. Mas... peraí! Olha que vem de lá um totó rebocando pela coleira uma dona tatá! De tardinha mais cachorros e donos menos gente, de manhã mais cachorros e donos e gente, de meio-dia menos cachorros e donos e gente, de tarde mais ou menos cachorros e donos e gente, de noite mais cachorros menos donos mais gente.
De repente o totó trocou orelhas e vibrou a cauda. O justo totó encontrou o que tanto procurava e era a titi. A graciosa titi também encontrou o que queria e já parecia bem animada. Lado a lado sentidos opostos um investigando a outra pela retaguarda.
Disse ele:
- Vamos conversar, vamos namorar, você tem namorado?
- Ufa!...
- Um pouco mais e já é fim de ano.
- O tutu da dona tetê foi para estudar em Serinhaém.
- Fulana dona tatá plantou amoreiras-do-brasil na calçada de pedras de arenito na avenida D. Pedro II.
- Estava lendo o jornal que a ave de SP é o sabiá-laranjeira.
Tanto totó como titi iam e voltavam de ver as árvores na praça. Havia os lugares para crianças para bancos de praça para árvores e trilhas para andar namorados. Árvores educadas que nem se alastravam nem se desfolhavam no outono, grápia, mamoneira-miúda, primavera, tintureiro, ixora-brasileira... Uma goiabeira-serrana armada de orquídeas e bromélias e aletria-de-pau.
Disse ele:
- Você já viu esta pata-de-vaca?
- Se já vi!
- Você já ouviu este umari-gordo?
- Às vezes.
- Amanhã vai fazer sol. É novembro. Mas o verão vem aí.
- Eu sei.
- Se você furar aqui, vai parar na China.
- Se você for em frente daqui, vai parar na África.
Então, Potira fez uma força tremenda danada pensou numas coisas boas num dia bonito num dia de festas num dia de folga em férias de verão o mar-oceano a baía da Guanabara a marina da Glória a lagoa Rodrigo de Freitas o Rio de Janeiro sempre fazia assim para fugir e esquecer e deixar de pensar quando diante de uma coisa difícil e comeu mais um bocado de pizza pizza. Foi uma heroína porque se superou e conseguiu parabéns.
Disse ele:
- Tá vendo! Sabia que você ai gostar. É manha. Já sei, quer colo, em?!
- De onde vieram e por que os periquitos-de-cabeça-preta?
E é por essas e outras que inventaram o casamento e se cuidar. A estrela alta Ceuci mais leve resplandecente alada da constelação solta protetora extra das plantações. Com separação de gostos que nem se discutem.

        


quinta-feira, 23 de março de 2017

Contos de Santa Luzia (9)






         Princípios de quando, de agosto, de setembro, de julho, nada importante, nada a declarar, todos os meses e estações iguais, princípios de dezembro, verão cheio a pleno vapor, chão maninho, estéril. Toda a região torrada pela seca. Nuvens vermelhas de poeira no amplo espaço desconsiderado desorientado.
         Beatriz apareceu com tudo que uma mulher podia conferir testemunhar. Quisera mesmo ser atriz em Brasília, Brasilândia, Brasileia... Até aí, Beatriz se parecia com um trem apitando nas curvas da serra de Jacarará. Namorara cinco meses um tocantinense aviador comercial rota Cabo de Santo Agostinho-Ilha de Itamaracá-Vitória de Santo Antão. Fora vendedora de calcinhas de porta em porta nas ruas e bairros de Amparo, Salto, Indaiatuba, Piripiri... Trabalhara na produção de uma fábrica de cervejas artesanais em Itajubá. Ela ainda fora uma bonita e sólida casa verde com portas e janelas azuis dando para a rua Trajano de Morais em Tucuruí. Beatriz fora uma época nada que reclamar. Beatriz tinha ainda os dez anéis, um em cada dedo das mãos. E perfume discreto pessoal exclusivo da essência das flores da cunuri. Beatriz dos longos cabelos pretos arrumados em uma trança com fita verde. Fora prestadora de serviços autônoma em a praia do Bessa, Tracunhaém. Veio vindo desde lá onde morara uma vez no Embu das Artes. E aparentemente nem carregava problema pecado algum no corpo na alma na mente e no currículo.
Assim e então, meses atrás, entrou Beatriz na aldeia Santa Luzia já pelo portão do nascente do embarque. E veio de longe pacas. Um vento por ali que transportava poeira no nome, vento avermelhado, nuvens de pó vermelho, silêncio, quietude, poeira que subia do chão seco e estorricado. Até onde a vista alcançava. E do começo ao fim do mundo. Até por toda parte e arredores.  
         Beatriz sim que estava fortona, olhos pretos oblíquos, olhos azuis oblíquos, olhos esverdeados oblíquos. Olhou lá para uma ex-lavoura, queimada pelo calor, semeada das pedras de canga, tucurus mortos e paus ficados podres mumificados. O alto com o chão uma e única coisa avermelhada. Viu um espantalho abraçado na poeira do ermo. Beatriz pensou: que chapéu maneiro tem aquele otário. Foi ver tudo de perto. Um calor de nem aguentar. E tome bafão para derreter os miolos a consciência o discernimento.
         Ela foi e chegou a dois palmos do espantalho. O farrapo na dele era a dele parado ali quieto e crucificado nas estacas de taquara. O medonho nem pensava. Antes que o tal se desse conta ela se atirou para cima e o derrubou, e o prendeu com as coxas fortes, e o penetrou, e o galopou, galopou... E comeu o palhaço à força, levantando poeira, jogando cisco e pedras para todos os lados. Pobre robô? Que nada!
Depois, nada além de meia hora depois, até que o espantalho suspirou, arrumou a gravata rasgada, ajeitou o chapéu de palha seca de buriti. O espantalho que em tapadas noites de lua cheia virava mutante, virava lobisomem, e já virara lobisomem diversas vezes. Que preferia sair por aí na calada das noites avermelhadas a sondar a rondar a azucrinar as casinhas das aldeãs solteiras e ou viúvas desamparadas carentes.
         O que aconteceu, então? O que nem aconteceu?
         Portanto, vila Santa Luzia era um nome muito curto. O que se podia fazer? Pois nem chovia há milênios. Tudo tudo abandonado largado contaminado. Tudo embaçado de nuvens de pó vermelho. As cores do dia a dia nesse lugar fora do tempo? Casinhas tímidas de pau-a-pique e cobertas de sapê.
         Em pouco tempo, meia hora depois do pega-pra-capar lá na ex-rocinha, Beatriz já estava de bucho cheio; e este já se mexendo e provocando enjoos arrepios e chutando. Era o filho com o espantalho. Mais um pouco, trinta minutos, e estalou um piá cabeçudo, neurastênico, manhoso, prematuro - três e treze um palmo dois quilos menos vinte três gramas - e com falha no piar. Piava desse jeito, piou:
         - Biéeee!...
         Passou toda aquela noite piando sem parar. No outro dia pela manhã o curumim já carregava cinco anos de história. Beatriz nem pensou muito com aquele calor e lhe deu pronto o nome de Rei. Rei de quê? Rei dos cumanaxó homenagem aos cumanaxó.
         Então, Rei dos pauxi era um guri de cinco anos ou mais que se jogava no chão, rolava no pó vermelho, comia terra com folhas secas e lambia pedrinhas de basalto. Escolhia fazer isso, de se jogar na poeira, por dois motivos: porque nem se importava de ralar os cotovelos e os joelhos; porque tinha alma de artista, apesar de tímido e nervoso; porque era filho único e tinha necessidades urgentes, carências misteriosas e sempre insatisfeitas de se exibir e se mostrar e se apresentar e se destacar.
         As ex-árvores da pracinha, as ex-plantas do capoeirão, tudo tudo, nada nada se mexia, tudo cinzento, tudo petrificado estaqueado apontando o alto. O saci equilibrava o redemoinho num pé só. De súbito, sempre assim, uma enorme e pesada nuvem vermelha entupia a vista da aldeola.
         Beatriz, então, naquela manhã inflamada incendiada esbraseada, pensou um pouco mais e decidiu ir embora da aldeia Santa Luzia. Queria gavionar com o filho por outras bandas e províncias do país? Ela grampeou o Rei dos marimã pela orelha mais próxima e foram indo e se mexendo. Quem diria que tal Barretos capital do rodeio, Apucarana do boné, Monte Sião do tricô, Itaúnas do forró, Trindade capital do gesso, hein?! Rei dos apaniecra-canela se jogou no chão e começou a lamber o pozinho vermelho. Um aldeão, pés descalços e facão na cinta, chapéu preso no barbicacho e camisa amarrada na frente, se apresentou em nome da coletividade geral local:
         - Ir embora? Como assim?
         Beatriz respondeu na lata:
         - Ah, é?! Então você vai patinar no seco, pra ver que bom que é!
         Assim, Beatriz - largando o guri no chão, pooofe!... - rodou a baiana, cuspiu de lado, fez risco com o pé, os cabelos já largados sobre os ombros. O vilão estava ali parado no meio do nada como um i e podre e minúsculo. Beatriz jogou fora a blusinha, jogou a saia pro espaço das saias, jogou distante a calcinha preta aromada de essências extraídas da madeira da muirajuba, bateu provocativamente na barriguinha sem gorduras, barriguinha como duma tábua de passar roupa, barriguinha sarada, cavada, trincada, e chamou o cara para a peleja. E Beatriz o provocou assim mais ou menos:
         - É pra já, murrinha!
         E os dois se engalfinharam tanto tanto! Beatriz normalmente seria uns cinco dedos para menos todavia, como usava sapatos de salto alto agulha, emparelhou com o tipo. E o cabelo dela amarrado em rabo de cavalo já chicoteava o ar e adjacências. Dentes apertando os lábios pintados de roxo. E virou daqui, virou dali... procurando um ângulo... exercitando os músculos... conversando baixinho com o espírito da encrenca.
         Os aldeões, as aldeãs, os aldeõezinhos afogueados assistiram a tudo sem perder um lance. Parecia um teatro amador na praça lá em Guajará-Mirim? Em Ipojuca? Em Porto Calvo? Os aldeões nem tiraram os olhos especialmente dos peitos acintosos da Beatriz. As aldeãs preferiram olhar seu salto alto imponente equilibrado prepotente matronal.
         O aldeão desafiante veio e bateu com um tapa que explodiu no rosto de Beatriz, baaau!... Esta foi rolar no pó vermelho da rua Única. Rei dos taguari, vendo isso, correu e se jogou também no chão. O menino ainda berrou. Ninguém sabia que tipo de berro era aquele, que bicho ele interpretava, mas já havia berrado outras vezes, assim:
         - Biéeee!...
         A Beatriz se ergueu despois de cinco seis minutos, sacudiu a cabeça para sim sim, para nem não, o rabo de cavalo pendulou, chicoteou, zuniu, os olhos confundidos cheios de poeira vermelha. Um tanto desorientada e desanimada dormente desacelerada cinco dedos na cara empanada de pó. Sentiu vontade de tomar um trago de caninha legítima mineira de alambique engarrafada lá no interior de Camaragibe? E se encaminhou novamente, suor escorrendo da testa franzida vincada, para a sombra do adversário.
E os lutadores se atracaram e, dessa vez, num abraço de tamanduás-bandeiras. De longe parecia uma dança contradança de salão. O aldeão foi rápido e usou o joelho: nada que te quero nada. Beatriz aproveitou o espanto do rival e também aplicou o joelho: obteve um bom resultado que doeu no oponente e até nos circunstantes. O vilão dobrou e rolou no chão com fortes dores no extremo sul da zona do agrião. O aldeão se contorceu todo e ficou algum tempo em posição fetal, de animal, de verme. O tipo machucado queria desabafar palavrões e desabafava e desabafou por entre dentes sujos de poeira. Foi que durante e ao cabo até babou, roncou:
- Caiçuma, abunã, pacavira...
E a poeira que se ergueu grudou no suor dos espectadores, que já eram péssimos. E os circunstantes bateram papo daqui, bateram papo dali, comentando a peleja. Muitos aldeões comentaram os grandes peitos da lutadora. As aldeãs se interessaram pelas coxas depiladas da ex-atriz. Até o aldeão levantar len-ta-men-te... foi uma feira de comadres e diz que diz.
         Nem chovia há muitos anos. Nem se sabia o porquê. Nem se sabia que mau olhado caíra ali na vila de Santa Luzia. Muitas perguntas sem respostas. A capoeira volta e meia se incendiava como por birra ou acaso ou encanto ou falcatrua. Firmamento nem aparecia mais sempre envolto em nuvens vermelhas. Um silêncio de quilômetros quadrados sobre tudo. E antes ainda. Uma poeirama constante. Saci e lobisomem e mula sem cabeça, primos por afinidade primos distantes mas primos.
         No outro dia um sol encoberto e calor sufocante de trincar até mesmo as pedras. O tempo parado acomodado estacionado como há centenas. O povo se escondia sempre enfiado pelos interiores dos casebres tortos bagunçados desapetrechados.
Rei dos uassu nem se ligava muito nas correrias dos moleques do arraial. Em vez de pôr fogo na capoeira, Rei dos assurini-do-tacantins escolhia se atirar no pó vermelho, nadar na terra intratável, fazer desenhos na areia calcinada. Subia uma ex-árvore paineira mais próxima e se pinchava lá de cima, pooofe!... E mergulhava do alto da ex-mapati no fofo vermelho do chão, pooofe!... Até que tinha fôlego subia e se jogava assim da ex-morcegueira, pooofe!... Nem poucas vezes aceitava se esconder nos buracos, nas tocas dos falecidos tatus, dos falecidos lagartos, dos falecidos gambás, etc extintos.
O que todos ali sabiam era que nem chovia há meses. A aldeia nem passava de um engano sem volta. Os aldeões e as aldeãs, desgrenhados e cobertos de pó o tempo todo, nem sabiam mais o que fazer ou desfazer ou prever. Andavam moribundos. Andavam sonâmbulos. Andavam para desandar.
         Mas Rei dos aruaque só se enturmava com os moleques se fosse o centro das gozações. Então, se deixava encobrir de pó vermelho de cinzas ciscos pedras cacos de vidro. Os moleques rinchavam e chutavam e batiam dando sardelinhas na bunda. E Rei dos bororo era levado a engolir muita poeira vermelha muito peteleco muito desaforo. Rei dos jauaperi era preso e amarrado no tronco seco de uma ex-paineira uma ex-tapaciriba-amarela uma falecida quina-branca... Ali, atado incomunicável, era mijado pela turba de culepes endiabrados. Assim era esquecido largado abandonado e nem reclamava. Rei dos uaiuai se saía com um latido muito do esquisito. O latido podia ser um latido, um grunhido, um urro de onça-jaguatirica extinta, pio imitando ex-ave noturna, mas o oficial era mesmo o seu berro, assim berrado:
         - Biéeee!...
         Dona Beatriz estava disposta a sair daquela aldeia falida de famigerados e famigeradas famélicos. Era muita poluição e falta de ar pro seu currículo. Pegou subjugou abruptamente o Rei dos tirió pela orelha e foram rumo sul da aldeia. Porém, o magricela se recusou, fincou pé, travou os cascos no chão e se irritou profundamente. E Rei dos carnijó, nervoso porque contrariado, bravo como um ex-filhote de maracajá, se atirou no chão com unhas e dentes e desespero horrível. O guri dinhonhinho ainda jurou coisas impossíveis pro seu tamanho. E casquinou um nervoso ruído, desse jeito, que podia ser um pio ou um assobio:
         - Biéeee!...
 Beatriz também tinha motivos de sobra e gritou de onde estava, se curvou toda para dentro do moleque e bufou seus grunhidos histéricos:
         - Então é isso, é assim, é por aí?! Agora você vai ver só, seu mico-leão-dourado-da-cara-preta de araque!
         Tia Beatriz, mais firme impossível, surpreendeu o Rei dos iauanauá pela orelha e o arrastou como pôde como trapo sujo como coisa inútil. O piazinho vinha de arrasto mesmo e sapateando como barata do avesso. A orelha esticando esticando perigosamente. Aí, surgiu um aldeão, galochas pretas de borracha, calças remendadas arregaçadas até os joelhos, estilo animal de altos chifres e cavanhaques, e barrou o caminho da senhora Beatriz, e brigou berrando, voz de barítono:
         - Só pisando sobre minha carcaça vocês saem daqui, uma vez!
         Beatriz largou o Rei dos uaiumara, pooofe!... jogou a saia para o alto o alto, jogou o corpete para longe, jogou o escapulário, apinchou a haste de osso que segurava o cabelo em coque, soltou as largas pulseiras de fantasia e disse, falou com o ódio relampeando nos olhos bonitos cor do ferro em brasa estampado no rosto cor da terra local:
         - De-de-demorou!
         E os dois se engalfinharam numa luta muito séria e máscula e primitiva e brutamontes. Se pegaram se juntaram como dois jabutis extintos numa luta perigosa até o final dos tempos. E mãos abanando porém de unhas afiadas e enferrujadas venenosas. Uma com ódio louca do outro, outro com ódio louco da uma. O aldeão pregou magistralmente um tapa, baaau!... na cera do ouvido da musculosa Bia. Esta caiu de arrasto no pó vermelho do centro da rua Única. Muitos aplaudiram e falaram de boca cheia o tradicional:
- Porra, meu!
Rei dos catauixi aproveitou e se jogou também, rechinando:
         - Biéeee!...
         Depois de cinco minutos, pareceu mais, Beatriz acordou. Já estava extenuada e cansada e muito desconfortável deitada só daquele um lado. Já estava fatigada antes. Todos em volta também haviam aplaudido o aldeão e ela nem ficara sabendo. Os aldeões continuaram olhando para os grandes seios ainda dando pano pra mangas. As aldeãs também mas por outro motivo mais antropófagas.
E Beatriz chegou suada para continuar o entrevero. O olhar perdido, meio sombreado, quase fora de ponto, quase fora de foco, os globos ainda nem bem entrando nas respectivas órbitas. E ela encontrou pela frente da proa o mesmo aldeão. Os dois pularam um contra o outro ao mesmo tempo no mesmo espaço esbarrando peito com peito. Pularam para o alto em direções opostas e contraditórias e antípodas.
Mas Beatriz chegou primeiro e levou vantagem sobre o tal oponente. Ágil e velhaca como uma extinta onça-parda das bravas. E ela já foi aplicando um mata-leão e, com o calcanhar, foi pisoteando e amassando e triturando os países baixos do adversário. O suíno praticamente ficou morto, anestesiado, garfado, falido, ali no chão todo encolhido mirrado. E o tal aldeão sentiu tanto que praticamente perdeu as vãs filosofias de encontrar um dia de volta seus dois amendoins tão necessários e fajutos. O cara ainda ficou com os braços e pernas muito moles olhos desgovernados respiração faltando.
A poeira vermelha subira e tomara a cara dos espectadores, grudando no suor, pintando todos com a máscara muito péssima. A maioria torcera para o da casa, era óbvio. Então, quase todos cruzaram os braços e dispersaram.
         À noite Beatriz foi tirar o Rei dos tariana de sob a poeira e, puxando-o pela orelha de ontem, falou e disse sem porta-voz, voz quase humana:
         - Eu vou embora desta v-vila! Vou e você vem comigo nem que eu tenha de lhe partir a carinha e todos os dentinhos, tá ligado?!
         O piá Rei dos guaxi só fez espernear e chilrar e chorar como um ex-lobo-guará:
         - Biéeee!...
         Então, mais um aldeão pulou no cercado, pulou no círculo de giz, na arena improvisada. Trancando a passagem de B. O aldeão desafiou batendo no peito. Era dessa vez um aldeão sem camisa e pelos vermelhos nos braços, no peito, nos sovacos, na cara suja. O ronca e fuça vociferou como um ex-graxaim guaxo lá das perdidas e secas campinas, zurrou:
         - Chega mais! Venha brigar com o degas aqui!
         Beatriz soltou o Rei dos arara no pó vermelho, pooofe!... jogou a bolsa para o alto, jogou a saia de banda, jogou a camiseta com versos do Mário Quintana para a galera, atirou com o sutiã de rendinhas, soltou o relógio de pulso, jogou a ponta do cigarro, jogou o celular, se livrou do colar de pérolas quatro voltas e jurou, cuspindo marimbondos, disse jurando:
         - Nem se assuste nem se distraia por aí, meu Rei dos charrua, que nós já já vamos indo!
         Então, os dois desafiantes se engalfinharam, e no duro, e ali mesmo no seco no centro da rua Única. Beatriz, ao preparar as garras, levou um tapa no, baaau!... funil do ouvido esquerdo e se deixou rolar sem forças e sem dó de si mesma pelo pó vermelho da mesma e única rua da vila da vila. Ela simplesmente lambeu o vermelho feito de pó e sem querer. O Rei dos carijó pegou o exemplo e se atirou atrás, voando quase alto como extinto jacamim-de-costas-brancas, e aterrissou no solo vermelho, soprando seu pio estranho, coaxou:
         - Biéeee!...
         Seis minutos depois, Beatriz acordou ouvindo extintos sabiás-laranjas cantando num domingo de manhã na ex-laranjeira da vizinha lá longe quem sabe uma outrora cidade nomeada distante no tempo no espaço Itatiba, Sobral, Urupá, Ibiúna? E mesmo de joelhos, e num gesto rápido demais, agarrou os baixos países do aldeão e, com as duas mãos, apertou-os, apertou-os, e como os apertou... E apertou tanto os tais feijõezinhos que aquelas duas letrinhas evaporaram pelos buracos do nariz do condenado, fumegando lá em cima no norte da cara do freguês. E por que ela sempre pegava por ali?
         Com luta renhida, sempre era motivo de levantar uma poeira. E levantou um poeirão vermelho que grudou na cara dos circunstantes torcedores fantásticos. Todos com o rosto maquilado e pessimamente maquilado. Era até um povo do outro mundo. Um povinho descabelado e avermelhado e murrinha. Os aldeões filosofaram as vantagens dos peitos da oponente e seus bicos agudos. As aldeãs acompanharam as suas coxas duronas mas num outro sentido.
         Na madrugadinha, era uma noite abafada fechada fadada ao fracasso, um prenúncio de manhã calorenta, comum e sem volta, foi que Beatriz agarrou o Rei dos aticum pela aba da orelha. A orelha do guri já estava calejada e encaroçada como de lutador de judô. O piá tentou em vão travar com os pés descalços e com as unhas grandes dos pés sujos. Beatriz ia mal e mal arrastando-o pela única rua poeirenta e de pedras soltas.
Então, de dentro da nuvem de pó, um aldeão se perfilou, pernas abertas, estátua no caminho, fechando o caminho, desafiando para um duelo, pernas afastadas como de lenhador de muita folga e muito que folgar. O aldeão cuspiu de lado e soltou um palavrão monstruoso:
- Ó aqui sua ácido desoxirribonucleico!
O dito cujo estava com mais os avantajados de dois metros e vinte de altura, oito metros e tanto de largura, dezoito metros com os braços abertos. Parecia um boneco inflado dos de frente de posto de gasolina. De perto quase dois e oitenta. De longe muito longe, um metro e noventa e sete. Pés pesões de pegadas em Sousa lá no Vale dos Dinossauros. Pernas abertas braços abertos para o alto como um x prepotente ganancioso polichinelo. Ele gluglutiu soltando ronronidos de extinto jacareúna:
         - Nana nina nem! Fim de linha, minha neguinha destemida!
         Beatriz já sabia da história e de cor e salteado. E a mulher era bicho corajoso feita na hora na forja na intempérie. E isso podia ser útil e podia ser inútil. E Beatriz nem queria repetir outro daqueles encontros desencontrados. Mas só repetiria se fosse o caso. E era o caso obrigatório. Beatriz soltou o Rei dos coroado no chão, pooofe!... lançou fora e para longe e para sempre a saia plissada curtinha até os joelhos como das colegiais curitibanas e porto-alegrenses e pessoenses... jogou alto os óculos escuros, rasgou e largou fora o tomara-que-caia abrindo assim o peito vasto galopante com as duas mãos de unhas pintadas, jogou para riba os braceletes de prata de ouro de cobre, atirou longe o par de botinhas de couro cru de capivara com solão plataforma de vidro muito fabricadas em lugar de Baturité nos antigos, fez rápida e agilmente um rabo de cavalo atando o cabelo com umas fitas verde e azul, mãos na cintura e bradou, e bradou com a garganta amarga e arranhada de tanta poeira:
         - Pula pra cá, filho de uma cata-vento de folha de gravatá extinto!
         Os dois se engalfinharam como dois cachorros de rinha. Beatriz tomou um tapa na orelha leste, baaau!... do labirinto profundo que a obrigou cair no pó vermelho, enterrando as fuças, aterrissando em câmera lenta, um desastre de avião com re-petição. E foi pouco. E parecia o fim de tudo ou o começo do nada. Rei dos juruna mergulhou logo em seguida, um peixinho, um biquinho sem trampolim, assim mesmo no seco, arrulhando:
         - Biéeee!...
         Cinco ou seis minutos depois, e a noite pingava já suas últimas fogueirinhas no cobertor escuro do firmamento entre nuvens de cinza calcinada, Beatriz, muito zonza, ainda tonta, pra lá de abobada, pra lá de uma cidade fantástica chamada Atibaia?, o cérebro balançando dentro da cachola, procurou ganhar mais uns minutos, esperou mais uns instantes para dar acordo de si, contou até cento e poucos. E pronto, pulou pronta de pé e tinindo pro revide.
E ganhou mais uns minutinhos rodeando o oponente lentamente estudadamente por aqui por ali. Mais dois ou três minutinhos e Beatriz se pôs com as garras em tensão. Fingiu dar um bote no nariz do oponente. Este, crente que ia receber um soco no nariz, se escudou com as mãos. Então, sem deixar tempo para que o aldeão raciocinasse e voltasse, Beatriz parou o braço no ar, revoltou o corpo de lado muito com rapidez e... rápida mesmo rapidíssima pra caramba... baixou as calças do adversário e lhe aplicou os dentes poderosíssimos no cachinho dos butiazinhos. E por que ela achava que por ali era sempre mais fácil?
Com os grãos, os dois grãos de uva na boca, entre os dentes, Beatriz fez misérias. E sacudiu o aldeão para cá e para lá, de lá para cá, para cima e para baixo, fez espirais, redemoinhos, tobogãs, pêndulos, tocou a flauta do ualalocê. E depois os mastigou como se fossem almôndegas cruas antigamente feitas e servidas nos restaurantes de Cabedelo, Açailândia, Januária, Itaguaí... Tentou até trocá-los de lugar, alterná-los, complicá-los, confundi-los. Nessa altura o aldeão já estava do azul para o branco para o vermelho para o amarelo entrando no lilás frouxo frouxo. Fisgado como extinto pacu no ex-rio Itapecuru? Flechado como ex-tracajá no extinto rio Paranaíba? E tocando piano nas pedrinhas do chão com os dedinhos esticadinhos de pés de bailarino sujos encardidos.
Então, num esforço mágico e gigantesco, pescoço taurino, Beatriz ergueu o cabra nos dentes. Essa eu queria ver! Os dentes firmes e fixos e poderosos no cacho do freguês. Para arrematar. Para ganhar um dez. E o aldeão ficou como um peixe arpoado num rio ilusório de antigamente perdido no tempo no espaço ex-rio Jaru, como um ex-pirarucu posando para foto, todo o peso no ar de peixe para foto de exibição e em preto e branco. Se a senhora Beatriz pudesse contar até três - estava com a boca cheia - contaria um dois três e já!...
Só assim e então, Beatriz largou o cacho do aldeão e largou o azarão na poeira vermelha. Ela nem quis saber do estrago nem olhou para trás nem disse nada. E para o aldeão as coisas adquiriram em volta uns movimentos de ir e vir que antes nem tinham. A poeira vermelha grudou no suor, entrou na boca dos circunstantes apalermados. Outros aldeões olharam fixos os bicos dos seios da moça feroz. As aldeãs olharam suas mandíbulas poderosas de boca dura lábios espumantes e língua grossa gosmenta.
         Nem chovia há dois mil séculos. Calor insuportável e o comum dos dias. Pedras e pedregulhos compraram propriedades de largos campos junto ao capoeirão esturricado. De repente, de momento, mais um incêndio na capoeira. Martinta-pereira piou em represália, triiié!...
         Rei dos pareci acordou cedo. Saiu do buraco onde dormitava. O tempo nem falava nada. Antes de qualquer coisa, Rei dos tape deu um bico no meio do pó vermelho da rua Única. Rolou nervoso no meio da sujeira. E nem queria mais sair dali. Beatriz foi até ele e o ergueu pela orelha encardida calejada escolhida. Rei dos gavião já estava ficando com a orelha maior que a outra, e a cabeça torta viciada. Beatriz preferia muito a orelha esquerda, pegando-a com a mão direita, como por acaso, como de zás-trás. Beatriz falou decidida, sem admitir réplica ou sapateado ou nhenhenhém:
         - Vamos se mandá daqui, seu ferida, e é já!
         O culepe jogou os braços com as mãos para cima e grinfou:
         - Biéeee!...
         Pois sim, então, uma aldeã saltou na frente da Beatriz. A aldeã queria travar a saída das visitas. Aldeã com pose de mandona, com cicatriz no nariz, com outra cicatriz no lábio inferior, com mais uma cicatriz das grandes no ventre, com tatuagem no tríceps, sandálias franciscanas de pescador em couro cru provavelmente antigamente extintamente fabricada em Carolina ou Itiúba ou Monte Santo ou Igarassu... anéis nos polegares, lenço militar vermelho de pescoço, correntinha no bolso da bermuda verde desbotada, um começo de bigode debaixo do nariz aquilino, pneuzinho indiscreto e visível sobrando entre a blusinha e a cinta, cabelos verdes e curtos e soltos e leves, dentes afiados, piercing no umbigo saltado, etc. Ela mesma impediu a passagem de Beatriz e do guri, dizendo, disse, voz de soprano:
         - Quero ver o quê! E vai ser hoje, meu chapa!
         Beatriz largou o Rei dos avá-canoeiro no chão, pooofe!... Este optou por mergulhar de peixinho na poeira da rua, nadar de braçada, rolar como peixe dourado moribundo fora da água fria, e cricrilou:
         - Biéeee!...
 Beatriz aceitou o desafio da tuiuiu de bunda grande, falando:
         - Vou tirar todo o teu esse bigode-de-de! E vou depená a tua ba-ba-qui-nha! E vou pegar pra mim esse seu chulé esborrachado e rinchante de sola de pneu careca, copiou?!
         Jogaram as roupas para o alto. A aldeã jogou tudo mesmo que podia para cima e lá pro alto. Deixou os seios grandes balançando balangando perigosamente. Beatriz jogou a blusa azulzinha, jogou a camiseta com bordadinhos de florzinhas e de raminhos da ingazeira, jogou o sutiã preto em forma de taça, se desfez da tiara de osso, se livrou dos sapatos plataforma com saltos de plástico duro uma vez muito fabricado e adquirido lá em Leopoldina e Caratinga e Rio Bonito e imediações aleatórias de lá por perto e outras localidades, sungou o calção em v, e coisas outras mais sérias.
A renitente Beatriz ergueu os braços, a carrancuda aldeã ergueu os braços. Mãos ao alto para o assalto. As duas de sovaco peludo fazia já alguns meses. Nada mais. Os aldeões olharam os seios e compararam com as próprias mãos virtuais. Olharam e desconfiaram dos sovacos. As aldeãs torcedoras fanáticas se dividiram entre peitos e sovacos mas por outros motivos canibais.
Se aproximaram as duas adversárias inimigas figadais. As lutadoras se deram as mãos, se olharam dentro das meninas dos olhos, se cumprimentaram e desejaram má e péssima desdita, xingaram, trovejaram, e explicaram:
- Vou arrancar a tua cabeça e dar aos moleques que jogam pelota, oquei?!
- Vou empalar ocê aí naquele espeto em pé e queimado da madeira cumbica, tá sentindo?!
Mais nada a declarar. Aproximaram os peitos, mediram os peitos, somaram os peitos, e peitos grandes pontudos, e dividiram os peitos: duas metralhadoras cada. Muita munição. Uma e outra com cada muque! E vastraram dois metros por cada. Uma ia acabar ali mesmo e sem demora e fim de papo.
         De supetão as desafiantes se engalfinharam como duas ex-quatis, como duas ex-jacaroas, como lutadoras de sumô. Se agarraram mesmo pelos cabelos, rolaram no pó vermelho, entre as pedras soltas, folhas secas, pedacinhos de pau que cortavam a pele grossa e encardida. Rugiram como duas extintas cobras-corais, chiaram como duas ex-onças-pardas e bufaram como duas ex-bugias no cio. Estava tão escabrosa a peleia que... sopapos pescoções telefones rasteiras rabos-de-arraia... que parecia briga na tribo e era mesmo briga na caverna no tempo dos corcundas homens-macacos.
E Beatriz acertou um soco na boca da aldeã. Esta perdeu dois dentes importantes e na hora. Foi, pegou os dentes olhou os dentes e fuzilou o olhar de extinto uiraçu. Então, a aldeã mesma correu até ali e agarrou uma vara seca de taquara-poca. Beatriz agarrou o seu espeto de mangabeira. As duas cruzaram espadas como nos filmes de ex-cavaleiros galopantes orientais medievais. Beatriz acertou a perna da outra, onde saltou desenhado um vergão enorme, tipo paisagem de cordilheira tipo serra que antes havia por lá acolá uma serra Parima. A aldeã acertou uma bambuzada na orelha da Beatriz, onde tirou uma lasca de isca, e doeu!...
Com toda a raiva que podia segurar entre os dentes, Beatriz deu uma voadora nos peitos da outra e a atirou a três metros e tanto. A aldeã fuzilou aquele olhar de extinta cascavel choca, armou as garras de fera chifruda, saiu na corrida e pulou sobre Beatriz. Beatriz levou um choque e ambas rolaram agarradas no meio do pó vermelho e das pedras soltas e folhas secas e gravetos pontiagudos que feriam sem piedade. Ainda a aldeã punhou duzentas vezes a cara de Beatriz e o nariz de Beatriz que ficou uma amassada batata.
Mesmo tonta, Beatriz conseguiu alcançar uma pedra das médias e bateu bateu na testa da oponente que sentiu muito, que ouviu algo trincar. A aldeã caiu para trás ou se jogou como ex-jaguatirica felina ferida. E muito rapidamente, nem deu pra ver direito, agarrou também de uma pedra e jogou para os lados de Beatriz. Beatriz virou a cara para nem levar em cheio no meio dos olhos mas... a pedra ricocheteou num toco de ex-jenipapo-bravo e voltou mais violenta e acertou as suas costas largas quentes, poooque!... e doeu mesmo!
Com a forte pancada nas costas, Beatriz foi ao solo com tudo. Foi também se arrastando até um galho seco de jeniparana. Voltou, então, com muita gana e disposta a quebrar tudo. Virou o corpo para pegar mais força nos braços. E acertou a aldeã nas mãos, nos braços e nas costas e... cada lambada!... cada varada!... cada galhada!... cada taquarada, taaau!... e, segundo se percebeu ali pertinho e se ouviu os estalos, doeu mesmo!
E as duas voltaram a se agarrar pelos cabelos, rolar no pó vermelho, rolar sobre o cascalho que riscava o couro, punhados de cabelos arrancados, unhas quebradas, a maquilagem de vermelho escorrendo no suor, as orelhas sangrando dos brincos arrancados, o batom manchado, os beiços abertos, as bocas babando espuma amarronzada... Péssimo péssimo mesmo foram as tais e quais bocas manchadas, bocas babando, lábios cortados...
         Por isso mesmo surgiu uma faca enferrujada rebrilhando na pouca claridade da hora incerta, ali no meio da parada das duas lutadoras, no meio do forrobodó. A aldeã viu primeiro. Foi ajudada pela malícia da política local de interessados puxa-sacos. E foi mais rápida.
         E golpeou Beatriz dez vezes aqui, ali no fígado, entre os rins... vinte vezes golpeou, golpeou... furou o baço, o fígado, o coração... e no antebraço, no crânio, na coxa direita... golpeou facadas pelos séculos e séculos. Deixou a faca dependurada para enfeite, para lembrança, para contrapeso, para relembrança. E a aldeã ainda rosnou nheengatu fanhosa como extinta jararaca, roncou:
         - Vai, cramulhona! Vai ser bucha de canhão assim lá em casa!
         Vendo Beatriz morrer, percebendo B parada deitada de olhos abertos na poeira vermelha, Rei dos atroari caiu também para trás no meio daquela rua descalça. E assim Rei dos caeté nem quis mais levantar, nunca mais se erguer e reinar. O Rei dos pano empanado de poeira cabelo duro olhar sem sombra. Rei dos zoé tinha os braços de extinto falcão-de-peito-vermelho umas parcas asas de avião mas nem aproveitou mais nada. Rei dos furniô tombou durinho de longuinho sobre a tábua de bater de passar, pooofe!...



sexta-feira, 17 de março de 2017

Paisagem Longe Nem Somente Essa Vai Longe


        

Quando nasceu o sol o sol era todo de fogo pelas mãos pelos pés pelos olhos e corpo presente em geral já fazendo muito barulho e algazarra amedrontando céus e terras o mundo inteiro. Uma árvore sempre será esse ser mu-muito legal.  Vuuu!... de vento também se ouviu no alto nem era somente cata-vento também avião. E o sol da liberdade em raios fúlgidos. Cupendipes índios alados que os apinajé diziam existir no rio Tocantins.
         A terceira vez que vi Japira me caracterizou como grosso, papudo, apesar, completou, de gostar de mim como amigo como confidente como conterrâneo. E demonstrou isso me chamando insistentemente de Apoena. Um pouco se aninhou no meu ombro como ave macia, terna, dengosa, perfumada, roupa branca. Me pediu gostou do meu cabelo caramelado artificialmente. Eu acarinhei agradei lhe massageando as costas. Haviam me dito que alisar as costas das meninas lhes é fatal nunca se esquecem e acabam por se apaixonar perdidamente.
         Muito tempo antigamente uma era distante distanciada as mulheres da tribo assurini-do-xingu se viram sozinhas sem homens. Aí, elas foram em peregrinação pela floresta serra dos Brandões em o Estado do Paraná ave símbolo a gralha-azul. Ao cruzar o rio Uaupés uns peixes as atacaram e rasgaram seus ventres. Dessa revolução nasceram muitos curumins e cunhantains. Dentre as meninas uma em especial se destacou como a mais bela a Araruama. E cada vez mais bela à medida que crescia. Iluminada ao sol do novo mundo. Daí, ela Araruama tomou o suco da fruta da cucura proibida e engravidou. Foi para uma montanha muito além das ruínas da fortaleza do Príncipe da Beira e teve o raio amãtiti.
A outra vez que vi Japira já era da outra turma. Mas nem havia perdido o costume de me chamar com aquele apelido. E tanto fez que comecei a pensar ela por inteira por partes por atacado por fim de semana por sessão de cinema por baile em Santa Isabel do Rio Negro. E acreditei que me vi pensando em mim e muito por mim com egoísmo. E quando foi minha surpresa que ela veio na véspera do dia dos namorados espontaneamente de braços abertos como uma ave no levantar voo ou pousar voo correndo me abraçar, bom prol lhe faça.
         Quando Verbena completou 18 anos na aldeia dos nambiquara-do-campo resolveu fugir de casa para conhecer os namorados e virar mãe ceci. Um dia encontrou o Cacuri um guerreiro guarini dos puruborá no mato e se apaixonaram. Foram tomar banho no rio Tefé. Ao sair da água ig viram um casal de pássaros sanhaços-amarelos. Seguiram os plumosos pelo mato pulando de galho em galho de planta em planta, açucena-do-mato, camalotilho, cambará-de-lixa, eguará, puruí... Aí, mais tarde ela Verbena conseguiu engravidar e mergulharam outra vez no lago e voltaram a ser gente. E tiveram a primeira filha que foi a iara deusa das águas. O casal teve outros passeios e outros filhos. A imagem do Cruzeiro do Sul resplandecia. Um dos filhos Igarapé caminho da canoa resolveu um dia ir à caça cruzou banhados igupás pajonais vales e caçou uns pássaros, suiriri, jacamim-una, jauá, irerê, e essas aves eram os avós que eles nem conheciam.
         A oitava vez que vi Japira encontrei ela no shopping Iaualapiti e faziam compras e mais compras com a irmã mais velha a Tariana. Quando foi mesmo fazia uma tarde amena ela Japira já me olhava a um tempinho e depois que nos vimos direitinho me tirou uns deboches com o rostinho a carinha torta entortando de um lado e outro carinha de cadelinha estimada. E me disse que esperava a irmã Tariana terminar um negócio de compra de carro novo ou seminovo parcelas entrada seja o que for. Ela ainda me disse abra as aspas antigamente eu respeitava muito o tom de voz as ideias as ordens os conceitos as opiniões de minha irmã mais velha Tariana mas hoje... quer saber?!... nem tô nem aí e feche as aspas.
         A mãe ceci Verbena dessas crianças cansada de ver tanta matança de bichos de animais fugiu com a filharada para o céu subindo pela árvore uacu muitos dias e noites onde se congelaram em estrelas organizadas de constelação. Andaram um pouco passeando pelo universo e diversos professores criaram a lenda do meteoróide que anos depois viraria o meteorito de siderito do Bendegó hoje em dia pousado no museu nacional da Quinta da Boa Vista. Mas também dizem que foram para o rio Ribeira de Iguape e viraram em ensopados de cardume.
         Mais tarde mesmo uma dessas estrelas a Yami noite cunhã-teco-ima filha de Verbena resolveu descer à terra ibi. Nem se sabe bem o que veio buscar e encontrar. Chegando na terra ela decidiu separar as gentes dos bichos e as árvores dos insetos e assim por diante. Para cada animal ou planta ou inseto foi ensinando a profissão o ofício a arte. E numa nuvem perto de uma cidade Pomerode perto de umas montanhas da serra do Tombador rente a um lago na sombra do manacá-da-serra ela encontrou o primo Parimá muito legal e que fazia tempo que nem se viam.
         Ao namorarem dizem o primo Parimá acabou contraindo um mal-estar e morreu ali mesmo. Parimá sicrano foi encantado em pedra na noite longa interminável e à espera do sol ou seja como uma cascata à espera da enchente. A estrela Yami noite icamiaba acabou dando à luz vários peixes e plantas e pássaros. Saracura se escondeu, lontra mergulhou, socó caçou peixe pira desavisado, jacaré se esquentou na areia da praia branca, gavião-de-penacho correu sombra no chão, etc. Capivara pastou o verde tenro na beira do lago, mauaris foram no rumo do sol poente, jacaré-coroa respirou no espraiado. O mugido do vento, o murmúrio do capim-canutão, o coaxar da manduvirana, o roncar da garça-branca, os acesos olhos de jacaré estrelando a noite na barranca do rio Paraguai, o gorjear idêntico do cravo-do-mato, o conversar das iraxins.
         A segunda vez que vi Japira me tirou selfie me riu com vontade de quem estava aí para me gozar me chamando de Apoena Apoena. O apelido nem me era ofensivo, mas achei também que brincava comigo e se ria à socapa. A turminha à qual pertencia com méritos era pesada, por isso enquanto fiquei na minha, com os pés atrás e os braços cruzados e as mãos nos bolsos e olhando fingidamente lá fora longe como um cachorro que olha de soslaio. Deixei que falasse e se risse como lhe ia e lhe vinha pela veneta, parabém.       
         No meio da paisagem que o sol levantou a manhã coema teve água da chuva em rio dos Bois árvores tenras pintadas nas cores, fruta-de-árvore, jatobá-vermelho, sapirangui, maúba... e animais terrestres, quati, graxaim, ema, lobo-guará... e alados, cara-suja, iratauá, biguá, martim-pescador-da-mata... e ensopados, acará-branco, lambari, dourado... Mas isso e aquilo e aquele outro pouco ou nada importaram, já que a exceção sempre confirmava a regra geral e intocável. Era o sol dono de todas as coisas e veio vindo falando e os animais chegaram com ele dono que era da mata do campo e dos rios e dos igapós. Mostrando a cada animal e planta o seu lugar no mundo. Paz no futuro e glória no passado. Onde tudo que se planta cresce. Botar os pingos nos ii e dar nomes aos bois.
         Pois na reserva distante e contestada dos caripuna-do-amapá brotaram misteriosamente uns filhos do coaraci e umas filhas da jaci. Os índios chamaram isso de o Evento do Curuça. Uma coleção de astros e estrelas de primeira grandeza perfeita sublime. Os mistérios os sortilégios os tabus. São são são e sadio ser santo. E as cunhantãs se transformaram em cunhãs muito altas a um passo de virar árvores. Mas isso foi sorte para poucas. Elas cheias de variantes detalhes. Os cabelos castanho-escuros foram dois elementos competentes. Assim, seus bebês foram presenteados com aquilo que teriam de caçar pescar comer beber dormir e se divertir.
         Um velho cuera ex-soldado de fronteira nome Carajuru deitado eternamente em berço esplêndido morador na região do rio Oiapoque disse ao pesquisador este vindo de Paracambi que conhecera um índio de 70 anos que falava de um lugar cheio de ouro e prata e pedras preciosas a perder de vista por dentro e por fora dos rios caudalosos, rio Paraná, rio Trombetas, rio Acangapiranga, rio Amanguijá, etc. O tal e qual 70 anos índio dos fulniô falava abanheenga com os interpretes. 
         A terceira vez que vi Japira ela estava jantando na churrascaria Touaou rua Conselheiro Saraiva rente à praça General Osório bairro Exoaladi em Westfália e eu com amigos ali na mesa ao lado nem pude evitar de compará-la com uma ave sonsa. Como que caiu meu facão de mateiro jogado no chão. Me olhou cruzamos finalmente os olhares me mirou me cumprimentou mastigando em silêncio o meu apelido que somente sabíamos. Isso tudo me derrotou por uma hora. Comia um bocado e olhava o namorado e ria com discrição o cabelo como nunca vira lotada lotada de projetos para amanhã. E largava o talher com calma e método e segurança e dignidade. E usava o guardanapo de linho. E tomava o gole de chope como passarinha. E voltava a falar uma frase curta com começo meio e fim. E prestava atenção e ria com discrição milimétrica. Os movimentos pequenos quase lentos sincronizados com a cabeça pescoço mãos como uma oriental. Depois ela foram para o matadouro, eu achei.
         Pois que se traduzia se disse esse índio fulniô de 70 anos o pai dele ouvira do pai dele do pai dele um relato completo e o nome das quatro índias guató que se perderam na floresta e depois foram resgatadas que acharam por acaso pelos muitos rios acima os lugares dos tesouros inestimáveis incontáveis. Tudo estaria lá e estaria ao alcance das mãos. Era para ter cuidado pois em dezembro época das chuvas no norte a serra do Congumé passava um período de muitas chuvas que tupã mandava. O pesquisador também ouviu dos contos e recontos que uma das índias a Auíba quis ficar por lá e até casou com um índio íra-tapuia lendário da região todo pintado de ouro e enfeitado de batoques pedras preciosas dos pés à cabeça nos beiços no nariz nas orelhas.            

         A primeira vez que vi Japira nem me lembro muito bem. Era mais uma na manada. Acho que sentava lá atrás na sala de aula e estava bonitinha cabelo molhado aceitável como muitas por aí. Ao som do mar e à luz do céu profundo. Uma moreninha displicente, faceira, filha única e desimpedida. Mas eu tinha outras coisas por fazer e corrigir, e fazia malfeito, que nem me dava tempo nem me tirava um tempo de olhá-la com jeito. Nem podia cuidar da sua cabecinha até porque estava com dedos diante de todos os nossos conhecidos presentes, prolfaça.

sexta-feira, 10 de março de 2017

É Sobre a Verdade das Histórias Inventadas que Trata Esta Fantasia

        



        Ela se deitara dormira e acordou e mesmo despertou quando algo ou alguém já a puxava pelos pés pelo pé 05:05 no tempo atômico internacional. De pijama característico de bichinhos peixinhos passarinhos acordou esticou os braços bocejando como uma dona preguiça-de-coleira espaçando bem a boca aberta e ronronando como os felinos pequenos domésticos estremunhada. Olhou a janela fechada de contornos de dia claro claríssimo agradável dezembro. Sinceramente, manhã.
        No horário certo na história na paisagem na metade certa no mundo certo que o sol deu as cartas distribuiu as senhas.
        Aonde ela ia eu também ia ela me arrastava me levava eu ia junto me carregava eu ia mas podia ser mais mais cuidadoso prevenido. Ela já havia assistido muito mais que 10 filmes das icamiabas.
O sol amanheceu apresentando o lado de cá presente no planeta bem conhecido do próprio sistema. Que acordou onde e como que a lua tinha pra ela, e vice-versa. O namoro e o noivado correram rápidos, que se viu e se ouviu:
        - A lua é mais alta que você, uma vez.
        - O sol é maior que a terra, hum!...
        - Você é mais bom que inteligente, é.
        - As duas casas estão muito próximas uma da outra, embora.
        - Que horas são, 05:17.
        - Se quiser vamos andar de canoa no lago do Juá.
        - Vou pro Palacinho, sou funcionária pública de carreira.
        - As estrelas ótimas com os planetas que nem são mais ou menos modestos.
        - O Coaraci é domingo, porém.
        - A Jaci é segunda-feira, portanto.
        E foi num dia de noite que as cunhãs aproveitaram para cantar e dançar ao redor da turiaçu. Os homens pediram para participar e foram enxotados. Aí, os homens foram pedir arrego recorrer ao sol e à lua. Os astros divinos se dirigiram até as mulheres mas estas nem quiseram conversa nenhuma nem os receberam. Então, o sol e a lua expulsaram as mulheres e as condenaram a vagar pela mata caá. Sem poder contar com as mulheres, os homens de pura raiva viraram bichos do mato, anhumas, pombas-amargosas, assoviadeiras, curimbatás, acarás-chibantes, acurés, guirris... E as mães desamparadas vingativas que iam dando à luz durante a jornada sem fim parindo seus lindos curumins, observando o precipício barulhento buliçoso das águas ali bem próximas do rio Tiquié, decidiam concluíam por jogá-los na cachoeira como presente aos deuses de pedra e também aos peixes famintos.
Quando foi me abraçou pela vez primeira era véspera do dia dos namorados. Nada a ver, pensei. Fiquei idiota mais que o normal, confuso na hora e até no mínimo um mês após. Nem alcancei jamais a intenção daquele gesto setembro. Nem consegui decifrar aquele enigma subterrâneo.
- Quanto a mim, investigo indicio processo e excluo.
- Sempre um tanto ou quanto pro meu agosto, vaga imprecisa indeterminada indefinida.
        Um dia os homens da tribo tupinambá, por pura farra, mataram uma cunhã. A Jaci ficou furiosa e transformou os assassinos em pedras e mandou jogá-los no rio Mapuera. Bichos conhecidos e anônimos latiram grunhiram piaram escavaram rastejaram navegaram pelo mato. Das árvores apareceram frutas e frutos amadureceram e frutas caíram pássaros souberam chegaram correndo buscar e os mocós vieram catar. Os tais ex-bandidos viraram em estátuas de pedra e a partir de então passariam a presidir ali na beira da cachoeira os desastres que aconteceriam no rio. E foram inapelavelmente daí em diante e sempre de lá pra cá vistos como monstros e demônios e anhangueras.
        Em várias oportunidades de vezes nem só uma ou duas ela simplesmente me ignorou sem me explicar se penteava durante horas e depois saía com as colegas. Me deixava eu ficava aguardando com ou sem a experiência de Jó. Eu lia jornal assistia tevê ouvia música na espera boca aberta como jacaré na correnteza um olho no relógio outro na porta ou janela.
        E ela era lindeza harmonia sorriso rapidez cabelo solto e gola rulê no inverno. E no céu mais espécies de estrelas aparadas em constelações. A dona do meu ideal. Uma bela guria, como se vê. Que eu tentava segurar firme como uma lenda. Que ela tinha licença de estrela cadente ou disco voador ou pedra Bendengó.
        O espírito do iurupari sempre se apresentava se manifestava nos sons dos seus instrumentos favoritos de sopro a voz do espírito a trombeta boré a flauta de osso utensílios sagrados. Época das águas baixas do plantio da maniva bem propício para as manifestações das danças cerimônias secretas. O pajé repercutia era possuído pela máscara pelo saiote de fibras capacete de animal a vestimenta do espírito cobria todo o corpo do feiticeiro dos pés à cabeça sem buraco para ver o piaga olhava através das palhas como camuflado escondido dos meros mortais. O iurupari saía do chão ou do ar e incorporava no xamã. O feiticero se transfigurava em animal ou um herói ameaçador com borduna arco e flecha zarabatana feita de taquara com setas envenenadas quicé a faca de pedra. O herói vinha cobrar coisas dos homens da tribo na casa dos homens falava em respeito para com as leis as tradições os costumes e ameaçava e açoitava e batia nas mãos nas pernas na boca e nas costas com vara de soroca aos que nem obedeceram. Os casos de gravidade e ou reincidência o iurupari os julgava ali mesmo na hora sem dar ouvidos a pedidos e choros e rogos declarava as sentenças de morte e mandava jogar os elementos na cachoeira. Que nem voltavam mais.
        O cais do porto de Itajaí foi nosso escudo aliando compadre e benfeitor. O sol um dia bom abriu exceção e nos espionou. Vinham lanchas de ontem e de amanhã, Ponte Branca, Vicentina, Óbidos, Itapetinga, São Lourenço do Sul... Arrumamos as velas e fomos até a ilha de Paquetá dentro do rio Culuene. Muitos faziam isso e nem era novidade novidade mas curtimos muito as sombras das purumas-da-guiana, uafés, cambaís, cerejeiras-do-paraná, muiratingas...
        - O angico-branco reapareceu com as aracuãs, tá ouvindo?
        - É o sol esse artigo que colocamos no mundo quando outro artigo retiramos do planeta a lua. O sol sentido aos seres deter-indeterminados e defi-indefinidos o gênero o número, etc.
        - Oh!...
        Xê sorri chochilei durante a tarde morceguenta, chauás piraram tlintlim!... muitas ótimas vezes, o sol ficou surpreso na paisagem do mundo físico, as bocaiúvas andaram assaltadas nos galhos ramos, e pois somente as algumas nuvens estavam despidas e de costas pro vento.
        Distância, se podia dizer assim, a pouca distância a distância de 5 centímetros entre nós, 1h e 30min da tarde, os outros assuntos, ela bem vestida de odalisca ocidental, o rio Nhamundá diante das pessoas munícipes como nós, a escola sem se importar sem nos importunar com os recados diversos esparsos anônimos.    
Certo dia aconteceu que uma índia chamada Purumã viu tudo descobriu o lugar dos instrumentos tudo sem querer por acaso. Ela nem contou nada pra ninguém ficou bem quieta mas iurupari leu os pensamentos ameaçou vingança ficou muito irritado e rogou pragas. Muitos rios banhavam a região como ainda hoje mas o principal e mais piscoso para os donos do lugar os índios guaicuru era mesmo o rio Meia-Ponte. A cunhã Purumã começou a comer terra adoeceu inchou explodiu e seus restos mortais foram jogados na cachoeira.
A dileta é sempre aquela que escolhemos se recolhe se estima mais que as outras. A lua subiu no ar e as estrelas foram pastar. O sol apareceu parou em pleno espaço e as estrelas foram nadar no fundo do mar. Era final de campeonato e espocar de foguetes e trajes esportivos. Ideia de coleção boiada enxame mulherada constelação. Vestida de sol de céu de mar no puro azul. Depois daí de verificar isso aí automaticamente eu ia pra casa repousar.
Sempre que ocorria morrer alguém importante ou fantástico seu corpo era enterrado perto da aldeia. Então, o terreno virava lugar sagrado e ali nascia invariavelmente uma árvore que nem existia. Isso sempre acontecia nos rituais que duravam uma semana. Os heróis desfilavam ao redor da fogueira e dependendo da necessidade da tribo viravam rochedos no alto do morro para constituição de um templo de adoração exemplar. Depois os instrumentos do espírito eram secretamente escondidos e ninguém podia falar nada ninguém podia apontá-los ou apresentá-los fora de hora. O espírito jurupari feito de pedra ficava o tempo todo à espreita de sentinela de guardião na cachoeira para admirar os desastres que volta e meia passavam por ali. Ele mesmo jurupari julgava as coisas os homens condenava dava as sentenças e os jogava na cachoeira do rio Paraguaçu em seu próprio repetitivo benefício e delete.
Chegava invariavelmente primeiro esperava ela vinha bem depois e nem aceitava o convite. Ela morava em Cametá trabalhava em Oriximiná estudava no colégio Dr. Barros Cassal da rua Barão da Torre bairro Ipanema e saía de férias com família até Parintins e as ilhas. Lá no arquipélago Tupinambarana chegavam gentes turistas diariamente destas cidades, Aripuanã, Boa Vista do Ramos, Almeirim, Itumbiara, Cristal... A capitania de Minas Gerais estava ligada à de São Paulo, em a época.
        As figuras do zodíaco se movimentam no céu atrás de corpos falidos e mal espalhados, dos que vão e nem voltam, dos que nem levam a própria história a sério. Encontram alguns detritos capturam catam recolhem e sem identificar sem olhar os dentes os conduzem de volta à terra dos lunáticos. Bom e ajustado este planeta terra pois que falem que coaxem que piem que acoem o que quiserem mas ainda é e sempre será o bom lugar azul do universo, amém.
        Nós dois pouco trocamos momentos e bem pouco tivemos algo repartido juntos. Foi assim foi como verdade e o céu sempre longe. E os meros diálogos diante do rio que nem passava que passa e nem se viu passar, e outras alegrias.
        Óvni se aproximou da terra e fez milagre e fez sombra. Porém, antes, sobretudo, sobrevoando, foi chegando aos brilhos e contrastes e paradoxos. Ele ficou ali olhando sem ver e presente esperando tudo se acalmar. Uns 16 mil hectares ou 1 milhão de campos de futebol. O constante trucilar de cancãs, sabiacicas, mauaris, anus-corocas, bicos-de-agulha... Em verdade em verdade uma parassíntese arrizotônica em anoitecer.
        Um dia o sol mandou seu filho do sol descer até a terra-matriz de todos nós. Era para ver como iam as coisas por aqui, etc e tal e qual. Iurupari viu que persistia uma peleia entre abás e cunhãs. O espírito do fogo celestial decidiu apoiar os abás. Assim reza a poranduba, as cunhãs adultas foram mortas e apinchadas na cachoeira. Sobreviveram foram poupadas na tribo dos ianam somente as mais jovens as cunhantãs e as cunhantains. De lá pra cá, as mulheres nem pretenderam mais discutir a razão e a soberania dos homens e nem brigaram mais pelo poder. Já nem sabiam mais como recuperar o poder que foi dado de bandeja aos homens. Na serra de Piquiatuba compareceram muitas lajes com o sólido propósito de durar até os eternos dias dos rituais atuais. O jurupari veio do sol ou de uma árvore de copa muito alta de galhos bem rente e perto do sol a paxiúba. No templo de lajes adrede acomodadas na montanha cada coisa cada figura tem seu lugar e hora. Cada um no seu posto sua maneira sua distância feito corretamente como com as estrelas certas do céu. Sendo assim, ainda estão por lá os deuses do sol rastreando como guardiões como principais os costumes os movimentos os pensamentos dos ianam habitantes.
Ela tomou a iniciativa e na hora e de repentemente. Decididamente foi gostoso o abraço, o corpo macio como roupa perfumada e lavada e passada, os cabelos no meu rosto, fofos, compridos, soltos, leves, aplausos. Uma surpresa que me deixou como já disse idiota muito além do parque Jardim da Luz pra lá do lago Jacupá aquém da rua Carlos Povina Cavalcanti pra lá do ideal dos baré pra cima já no topo das montanhas do Tumucumaque. O sol subindo espetacularmente em direção ao mundo. E passe bem.
        Um dia um deus que nem era qualquer um desceu do céu nem era daqui e começou a perseguir as mulheres dentro da floresta. As índias iam no mato buscar lenha e eram assediadas insistentemente. O ente filho do sol correu atrás de Flor-do-Campo uma porção de dias e noites. Naqueles tempos, então, as mulheres nem podiam mais andar em paz pela mata e adjacências senão o jurupari pegava comia e jogava na cachoeira. O iurupari então prometia, para amedrontar as mulheres da aldeia uaboí, falava disfarçado andava de ubá voava como uirá soprava como o vutu cantava como se fosse o jacuguaçu:
        - Olha que te jogo na cachoeira pra comida dos meus amigos os peixes.
        Porque os dias longos embora que nos cruzávamos e ela nem me olhava. Como isso acontecia e era possível ficou um segredo que nem eu mesmo soube decifrar. Quando era tudo fingimento. Até onde apenas faz de conta. E em quais localidades, Águas Belas, Itaboraí, montanha 31 de Março, Gurupá, cachoeira do Panama, rua Olavo Bilac em Porto Alegre, região da tribo mápanai... Vestida de verdade verdadeira verde de várias peças necessárias confortáveis, etc., em verde todos os verdes praticamente mas tonalidades diferentes de verde. Ela se perguntava nem sabia nada de D e os familiares nem suspeitavam das perguntas das dúvidas nada disso, importante. Eu cumprimentei, oi! e oi!, ela respondeu.
        Jacaruaru fulano parente valente apenas nasceu numa época que os curumins eram perseguidos e mortos sem piedade e ainda bem bebês. A índia sua mãe Caferana fulana tembetás de adorno nos lábios quando deu à luz prevendo esse sacrifício ficou com pena e o depositou escondeu numa lapa lá no meio do mato uma gruta que nem onça-pintada ia lá serra do Jacamim. Todo dia secretamente a mãe levava comida e fazia companhia por umas horas e o amamentava. O fim do mundo ou onde o céu descansava sobre a terra. Até um tempo transcorrido tudo ia bem. Quando finalmente se tornou moço um certo dia foi descoberto pelas outras mulheres da tribo iatê que o seduziram. Foram brincar no rio Japurá e nadaram como os peixes, sapipocas, piraputangas, surubins, acariaçus... Sendo assim, o caso chegou aos ouvidos dos governadores que foram obrigados pelo santo do fogo ou filho do sol a pegá-lo e eliminá-lo. Mataram Jacaruaru fulano parente valente a transgressão custou caríssimo e o jogaram na cachoeira.
        Gostava de planejar o que poderia me acontecer de então para diante e até nossos dias. Se me conhecia já era bicho escaldado e nem ia tomar nenhuma iniciativa sem me consultar. Esperava esperava as previsões do acaso e a determinação do imponderável. Com uma supercarga de planos e voos e horas e horas de paralisia sem ver o horizonte sem me mexer da frente da rua Pacatuba. A partir daí foi uma corrida a pé dromoterapia contra o tempo.
        Um dia pela manhã foi o sol desceu do oco e apareceu para a tribo uanano. E o tupã-beraba tinha planos secretos que só diziam respeito aos homens. Duas cunhãs nem respeitaram o sigilo dos rituais masculinos foram espiar e depois fofocar. Curiosas foram curiosar onde nem deviam ir nem foram chamadas. Grandes festas rituais dos homens cantos e danças e jogos de instrumentos que eram proibidos para as fêmeas presenciar. Manter a boca fechada era o respeito às leis às normas dos santos. Nem demorou muito foram descobertas e denunciadas pelos agentes secretos do tupã-cunun o todo-poderoso sol. A partir daí acabaram sumariamente julgadas e jogadas inapelavelmente nas águas turbulentas do rio Paru, que vão dar ainda hoje em dia na cachoeira Acutumã.
        Porque o fundamento fundamental do tal e qual interfuncional entrequerer-se aconteceu mesmo somente numa pequena fase de nós. Sendo que depois ou antes tudo voltou ao normal e ao sossego. E o que eu fazia ou desfazia ou deixava de fazer.
        Queria lhe dar uns beijos mas nem sei se ela gostava mesmo. E por que nem gostaria se era tão simpática. Xê estava uma pessoa desabilitada para habitar o tapiri desabitado. Que ela me falou nem vou negar, olhando lá longe para cima com os olhos sem ver e iluminados de imaginação extraterrestre:
        - Vou correr no campo vou voar no mar vou andar de cidade em cidade praticar ioga e lutar pelo verde, tarumã-do-mato, coari, pacupeva, piom-piom...
        - Mais longe que a tua é a rua Duque de Caxias em Urucará.
        - Vamos correr até a lua, bem!
        - Vamos correr em volta da árvore, meu bem!
        - Todo mundo se ilude pensa que sou de Pirenópolis mas na verdade nasci mesmo em Santa Rita do Pardo.
        - A rua dos Tingui-Botó é um planeta.
        Como dizem sim ou nem ou talvez nem vou mentir. A índia Bacaba optou procurou pelo caminho das crianças e teve um filho invisível. E foi longe demasia. Ela comeu um fruto de araticum-cortiça e ficou grávida e teve esse filho em nove meses. Se isso era verdade... Foi melhor dizer que sim e aceitar as consequências. Embora descobrissem que ela nem tinha marido. Diante disso a aldeia dos mauaiana toda nem teve outra alternativa e todos a desprezaram xingaram adjetivaram apontaram. E a julgaram e a declararam possuída do mal e para acabar com a pouca vergonha a empurraram dentro das espumas flutuantes da cachoeira.
        Tive de ir ontem, tenho e ir hoje, e hei de ir amanhã. Onde fica o palácio Iguaçu? Um azul macio branco navega de sol a sol o rio Cauamé por trás das árvores, meladinhas, acuris, jutaís-do-campo, alfazemas-bravas... os pássaros ariscos aproveitando a sombra, periquitos-tapuias, baguaris, corruchebas, guaxes... a latitude do palácio Rio Negro. O mais legal é que cada tal e qual puxa o seu próprio nome.
        Pelos mesmos motivos de sempre uma vez por mês se oferecia em sacrifício no altar da beleza ia ao cabeleireiro do outro lado da cidade na loja da feiticeira Ibabiraba. Que saía da realidade em obra de arte e artificial e pajelança. Praticamente sábado uma tortura extraterrestre selvagem sui generis. Enquanto eu me comportava me conformava em ver leitura para ler figuras nas revistas na internet. Os que acham bonito ou chique e as duas coisas. Depois de 3h e 30min tinha que valer a pena e sair sorrindo contente feliz, e elogiada, e agradecido.   
        Então, tal dia tal Ceuci índia mundurucu teve que visitar um anacê parente lá na outra palhoça extremidade do lado de lá da ocara. Aí, cruzou o terreiro aconteceu um tombo perdeu a virgindade. O diabo a calçou a prendeu e a roubou. Foi pro remanso do rio Cachorro e lá os peixes, pintado, jaú, matupiri, sarapó, etc., com ordem da boiúna, rasgaram sua barriga seu ventre. Ceuci fulana dos mundurucu comeu a fruta da cucura e se lambuzou. Ao voltar para casa noite alta ela contou tudo disse que comeu a fruta e o sumo lhe escorreu pelo pescoço peito corpo abaixo e invadiu o caminho das crianças. Mesmo com essas boas desculpas os familiares nem a perdoaram e a condenaram e ela foi jogada na cachoeira para festival anual da colheita e fartura dos monstros feitos de ita.
        O dia pareceu querer antes da hora. Quanto mais cedo o sol mais dia a dia pela frente e melhor. O sol subiu bem e resolveu andar andar... Que astro que vinha sempre. Clareza meridiana. O sol que andou de lado andou de frente andou devagar de trem de auto andou de tarde... Nasceu até flor de jacamincá no cabelo da guria:
        - O quê?
        - Queremos subir numa árvore?
        - Como?

        - Vamos escolher uma bem legal pra ta te ti to tu.