domingo, 27 de julho de 2025

A Glória III

 

 

                                                         

                                                                                 

                                                                                  “A estação das flores

                                                                                  Cede lugar ao verão;

                                                                                  Já ouço os seus rumores.”

                                                                       (Antônio Eduardo Leitão Navarro Lins)

 

            Helena e gosta disso. Há algumas coisas que nem vou mais repetir. Há algumas coisas que nem vou mais refletir. Há outras coisas que nem vou mais compartir. Há ainda coisas que nem vou mais relembrar. Helena e sabe disso.

            Temos coisas em comum bacanas e eu vejo isso ela diz isso.

            Tem muitas coisas pra negociar pra escolher pra louvar pra cantar em prosa e verso. Muitos desafios e também aventuras. Umas coisas são admiráveis e outras imprescindíveis. Umas coisas são maravilhosas e mais até espetaculares.

            Como eu gosto de passear com seus cabelos ao vento! E o dia ensolarado, sempre no verão de 35ºC. E o mar logo aí a praia de Jurerê. Uma rua bem movimentada a rua Muniz Barreto com o viaduto Santiago Dantas. Se nem pego praia nem vou à praia da Joaquina, pronto, fico desapaixonado das ideias e ou a questão na consciência.

            Sei que pode ser nem haja dúvidas sobre quem está bem ou melhor. E pode haver algo ou alga mais miraculoso? Pode haver igual ditoso.

            - Como vai a atual conjuntura costura? – fui eu que lhe perguntei, tentando tapeá-la iludi-la empulhá-la embrulhá-la descabelá-la.

            - Nem sei. E como isso lhe parece? – me falou ela respondendo, tentando me tungar lograr enganar gozar matricular pregar despregar compilar participar pedalar.

            Sendo assim, continuamos descendo a avenida Carlos Castelo Branco e bem arborizada e jipoúbas e raízes-de-teiú e arrudas-do-mato e aningaparas. Basicamente umas lojas e tendas e quitandas em a competição emulação disputa discussão.

            - Hoje em dia gostamos de estrelas... verificar as estrelas cadentes, o céu noturno a lua nova a lua minguante... Você concorda corda, meu bem?!

            - Hoje em dia é muito realizável factível exequível... assim, algumas coisas e outras nem tanto. Se é que me entende, amorzinho emotivo!

            - Oi!... Um certo e firme protagonismo de D, nem é?!

            - Ora!... É isso tudo e muito mais. Que você me entendeu com louvores!

            Tem um dia dois dias semanas e tudo mais que gosto de contar os ossinhos de Helena. Seus caprichos eu gosto de ouvir e debater e representar e atender. Eu gosto dela. Ela me faz bem. As suas curvas são muito apetitosas e tudo mais. Aqui tem uns olhos aqui uma boca outros peitinhos, e para que serve este umbiguinho?

            - Você sabe quantas vezes eu te amo? Me diga e nem me esconda nada.

            - Sério! Eu te amo de vezes um milhão-ão-ão!... Tantas vezes como uma lavoura um milharal. Tantas vezes que me debulho toda, valeu?!

            - Esse aspecto... ‘O teu pezinho bem juntinho com o meu!...’

            - Então, me diga uma coisa... Por quem vamos nos amar e adorar?

            - Nem é uma pergunta difícil, mas é uma resposta fácil!

            - Ah!... ‘Ah, se eu te pego!...’

            Sim, vamos a essas pandorgas pipas arraias que se veem no ar do céu...

            Eu presto... eu presto atenção muito no que eu digo muita.

            Nem há por que julgar ao tomar saborear ‘esleeeeme!...’ os sabores desse daquele sorvete e bem numa tarde de verão às 19h em a praia de Co-pa-ca-ba-na.

            - Mais de e menos de. Vamos caminhar aí na calçada da praça Curuca – sugeri eu mesmo e já pegando na sua mão ombro com ombro cara a cara de boca em boca.

            - Haja vista, meu bem! Que temos aqui, que perfumes aromas sipoúbas curiós transeuntes tunantes lero-leros trololós.

            - É D das espécies é D do mar é D dos pássaros é D da água e a chuva.

            - Oba!... O mais melhor mais forte mais ótimo dos fenômenos já criados.

            - E agora eu quero te pedir um beijo muito longo e distante deste planeta.

            - Sim, e digo mais. Eu ensino a dançar a rodar a girar a pular carnaval, oi!...

            Somente e só pouco resta além disso a dizer, obrigado!

                                                                       #

            Tudo é circunstância. Uma pá de coisas pra raciocinar. Talvez fosse isso.

            Infletir a voz e dizer ao espelho:

            - Oi!... Nos vemos ainda mesmo hoje e durante!

            Furta-passo, o passo do cavalo entre o galope e o trote. Sim, eficaz rápido prático seguro correto. Parece bom e cavalgada cavalar.

            O horizonte de quem; infinito infinidade infinitude e grande amplidão.

            A praça da Alfândega com a avenida Sepúlveda. O rio dos Patos com a cachoeira Salto Manduri a montanha Cabeça de Peixe. O perfil da mata junto aos morros com o céu. A reserva de preservação natural mata da Mercurial e pinhões-roxos, comigo-ninguém-pode, curuatingas, guabirobas-felpudas.

            De súbito e de revesgueio, o sol por trás do mar um leste e de revés de modo oblíquo soslaio revestrés obliquamente revesio esguelha. E moral ético justo.

            Peruei pelos jardins as plantas as flores muito florindo. E me perguntei:

            - Como assim?! E estes curubixás casulos de que tipo ou natureza?!

            O dia e uma ampla sugestão de luz e sol.

            Estacionei o carro ali no parque da universidade. Se nem me equivoco, na sombra pintada pontilhada entre as árvores. E caminhei até me encontrar dentro da sala de aula. Praticamente caminhei entre as árvores paus-d’arco-amarelos e as irapuãs ‘zu-zi-ziiii!...’ confusas dengosas incidentais obreiras. Fui pela calçada e subi dois quatro lances de escadas. Umas pencas reuniões de alunos alunas movimento falação.

            - Eta, eta o quê!... Pastel de queijo e garapa caldo de cana, um clássico!

            Cheguei na sala de aula e a vi bem ali pela frente na passagem perto da porta atravancando o caminho dos eleitos dos heróis dos poetas do futuro poeta urbano. Outros colegas de estudo e matérias afins. Senti que precisava urgentemente lhe chamar a atenção me envolver de alguma forma me atirar pra cima dela... Aliás, tive que lhe chamar a atenção de qualquer maneira. Então fui e foi esbarrei um pouco de leve com o braço direito... empurrei-a ‘uuuupa!...’ para o lado bem de propósito a fim de. E a resposta uma resposta dela veio pronta ágil comovente automática modo avião e era o que eu buscava o que eu queria e eu esperava:

            - Ei! Qual que é, meu?!

            Nem parei nem pensei duas vezes e fui andando nem liguei pra ela nem a olhei continuei e na minha... assim, desinteressado. Sentidos alertas olhos abertos ouvidos ligados e sem nem ligar pra nada opaco distante mesmo muito desinteressado. Passei fui indo sem me virar pra ela. Sem nem me tocar. Sem dar a mínima satisfação ou me dar conta de algo ou alguém e etc. Nem me virei pra trás nem dei bola nem dei pelota. E tudo dentro dos planos meus planejamentos objetivos. Muita ou pouca conclusão. E esperava que ela viesse atrás e assim como veio e chegou:

            - Olá! Você nem olha nem nada nem te ligo por onde passa?

            Me dignei parar olhar me voltei como quem se lembra de algo ou alguém muito remoto muito distante e assim mesmo sem querer. Parei e me voltei e lhe dei uma rápida olhada tipo ‘eu te conheço de outro carnaval?!’ E pensei o que devia dizer e se é que lhe devia uma satisfação. E aí, meu?! O que hablar? E se ela nem continuar me intimando se eu nem falar nada como vai ser? Tudo podia acabar ali mesmo antes de começar. A poucos centímetros um da outra. E eu e ela sozinhos pacíficos olhos nos olhos e bem pertinho quase se beijando. Provocando o destino. Como se nos conhecêssemos há muito e mas nem nos conhecíamos de nada nem nunca tínhamos nos falado, amém!

            - Lindas deusas belas nem perguntam nem respondem nem se comprometem... apenas existem e fazem milagres – foi o que me surgiu de súbito e lhe respondi na lata.

            Deixe ver o seu nome primeiro: Carolina ou Iracema ou Ana Paula ou Helena. Em que livro em que circunstância em que história ou lenda tinha ouvido lido esse nome próprio e bonito e maneiro e ideal e ‘muito prazer em conhecê-la!’

            E como debater uma conversa razoável? Por onde começo e por quê? Ela quer saber ou apenas me reconhecer? Por onde eu começo e continuo e otimizo?

            - Quem é você? E por acaso eu lhe conheço de algum sítio? – minha pergunta endereçada e com um olhar bem manso e aleatório interessado morno calmo.

            - Sim, já temos um motivo para diálogo. E ocupamos lugar no espaço, é.

            - Oi!... Você prefere sorvete de pitanga ou sonho com café expresso?, pergunta.

            - Olá!... Dentre as coisas que mais gosto está um suco de abacaxi, oquei!

                                                                       #

            A nossa excursão ia por diversos países da serra Gaúcha ou serra do Nordeste Gaúcho. Um ônibus lotado com a turma da sétima série a do colégio Ariano Suassuna. E bem de manhãzinha o sol se dispondo disposto um dia ótimo claro maneiro anfitrião.

            - Que se desfrute muito. E que chova ou faça sol.

            Eu esperava alguma atitude de Helena? Atitude algo alguma coisa uma iniciativa da minha parte de mim por mim mas... E sim devia carecia me lembrar... Pra falar sério de verdade verdadeira, eu nunca tinha tido a chance de pegar na mão dela. E que paciência, minha gente!

            - A e À e Há! E quando a paisagem enquanto passa...

            Naquela viagem naquela excursão estudantil naquele dia bom e propício nesse dia aí eu fiquei maravilhado e suspenso no ar. E de diversas maneiras e diversas vezes durante o trajeto. Muitas maneiras muitas versões de alegria e contentamento e euforia e certeza e esperança.

            O mundo lá fora passava em ritmo de paisagem a uns 80km por hora, ‘frum!, vruuuum!, vrum!...’ Eu olhava como quem pesca como quem precisa como quem sonha. Lá embaixo o rio Cachoeira o rio as pontes a paisagem miraculosa. A cachoeira do Salto São João e as cenas que me despertavam despertaram me despertam registro registrar. O córrego Água Clara e uma mata densa folheada a verde com árvores araucárias dispersas. Grandes km e de Acopiara (tupi-guarani, ‘aquele que cultiva a terra ou lavrador’) até o bairro Inocoop ou parque Cumbica, Guarulhos. Vamos combinar!

            Nem comentei nada com ninguém e ia pensando... Cheio de raciocínio e raciocinava pensava nem comentava nem ri nem ria minha cara conforme. Respirando inspirando forte fôlego ‘ufe!, ufe!, ufe!..’

            E pensando com as nuvens... som de água quicando na calçada ‘chuáaaa!...’ peguei no sono e ‘tchibum!...’

            De repente ela se sentou do meu lado. Alguém que estava aí havia saído e ela veio ocupou a poltrona. E ficamos curtindo a natureza através de a janela.

            Cabelos penteados à maneira de... seda. Brinco deste lado argolinha de prata igual... aliança. Os tênis tenista com figurinhas à moda de... escudo.

            Me lembro me recordo e nem posso me esquecer... Nunca tinha sentido isso e nem vinha ao caso. Talvez nem quisesse sentir nada e nem esperava por isso. Nem tinha noção nunca tinha sentido sem noção. Nem havia por quê. Já era um acaso.

            - Eu queria e quero recordar... este passeio e pra sempre – me posicionei me manifestei e me dirigindo dirigi a ela Helena.

            - Vamos tirar tantas fotos e coisa e tal que será difícil nem recordar, querido!

            - Uma vez eu naveguei navegava barco em o rio Truçu, já reparou?!

            - As velas eram brancas ou vermelhas ou lilases, posso ver para crer.

            - De fato o mundo é cheio de curiosidades. E meu coração ‘tuque-tuque!...’ Peguei pra mim que devo estudar consultar e aprender uma cidade por dia.

            - E apreciar experimentar saborear todas as gastronomias. Isto está um prato que é um acepipe. Isto é um paladar muito sublime.

            - Sim, conhecer o mundo longe de casa.

            - Casar e ter filhos e viver pra sempre eternamente igual que um rio Taquari.

            Mapa do globo terrestre planisfério. Planeza e planície algo plano qualidade plana. Tirar camoatim sem poncho é tarefa difícil.

            É tarde para perguntar?

            - Há 1 hora, à uma hora, a uma 1h!...

            Aliás, tem hotéis de luxo que parecem e são mesmo do outro planeta. Sempre temos hotéis de cinco estrelas com piscina tamanho família olímpica.

            No meio da multidão e tímido ou intimidado. Até hoje mas eu nem soube obter fazer diferente.

            A rua Senhor dos Passos e a praça Dom Sebastião. O lugar estava melhor que antes ou melhor que eu pensava. Reclamação das fantasias revindicação reivindicação.

            Esta é uma realidade por que sempre alimentei. E o tempo é um desses acontecimentos que nem se pode mentir.

            A uma certa hora da noite vindoura... tão-só parte pedaço da lua... Uma atmosfera rústica mambira sonsa tansa brincalhona. E prometendo para breve.

                                                                       #

            Estávamos eu e Helena aí mesmo pendurados na janela da sala de estar na casa de uma amiga festa de aniversário e um tanto de balbúrdia. Juntos perto nos atritando roçando ombro a ombro lado a lado olhando pela abertura escotilha aberta. Olhando olhávamos lá pra fora ou nem tanto, quem sabe pensando o que falar um pro outro. Aquele era um encontro foi que eu gostei. E lhe referi relatei contei dirigi:

            - Inda bem que estamos aqui... nesta festa... hein?! O mundo é dom!

            - Sim e tão-galante. Mas é aí que eu queria ser uma rainha... e passear com meu cachorro Avião. Você acha isso conveniente? Um parque com ponte pênsil no riacho...

            - Claro, e te juro. Eu mesmo queria ser o rei da cocada preta e branca. Em breve vou comprar um carro novo um carro melhor um carro caro. Quer vir junto comigo?

            - Oh, sim! Por certo que sim e talvez visitar umas tribos indígenas ou os povos originais, como se diz. Tem jeito de nos enamorarmos pra sempre.

            - Brincadeiras à parte... É bom viajar. Em boa medida.

- É bom ter as escolhas. Em boa sintonia.

            E me voltei para olhar a sala de estar as pessoas dançando brincando falando gritando sambando... Uns comiam doces outros sucos refris e cervejas. Outros dançavam muito bem. Ainda mais alguns já se beijando se beijavam se tocando...

            - Eu queria dançar com você... e você topa?

            Ela se voltou olhou pra mim mostrou a língua vermelha linda apetitosa sedutora me gozando e disse, cheia de imaginação:

            - Um som que nos leva a flutuar, entendo.

            E nos abraçamos e nos estreitamos e nos acossamos perseguimos caçamos. Nos estreitamos por 1 segundo 17 segundos 8 minutos. Mais que das outras vezes? Tanto e tal que seu cheiro ficou pela minha boca. Seu calor era bom foi ótimo e gostoso.

            - Olhe, benzinho!... O café da manhã e juntinhos, uau!...

            - Sim e muito. Que liberdade, meu doce e minha direção!

            A casa da amiga comum estava em festa e repleta de convidados, espalhados aí por toda parte, etc. O jardim tinha um caramanchão e fazia de entrada desde a rua Josué Guimarães. O pátio do lado leste nem tinha nada um terrão de terra vermelha e areia. O quintal com um parreiral ainda no verão desfolhado só no cabinho. O pomar mais atrás e carregado com árvores frutíferas comuns domesticadas ou endêmicas selvagens jabuticabeiras pitangueiras pequizeiros uvaieira... Do lado oeste a horta com plantas medicinais e hortaliças legumes abóboras melancias melões... Um tanto mais pra trás e mais aberto um campinho com 2 traves de gol e o potreiro com duas vacas leiteiras e um cavalo petiço. Subindo o morro e bem no tope, o capão a capoeira o matinho com as árvores típicas da região e janiparandibas caimitos oiticorós carvões-vermelhos...

            Quero queria ter tido tempo espaço asas pra viajar voar navegar nadar.

            De todo modo... a paisagem é boa de se ver admirar mirar. Que parece se parece bem como tal e qual. E me oferece me aparece descortinada ilustrada fantasiada. Me aparece panorâmica. Me parece formosa e Pindorama.

Um dia oito dias meses alguns anos e resolveram (quem foi?) tirar os matos desmatar abrir clareira para alojar os prédios as casas. A cachoeira do Salto Sete, o córrego Tanquinho. Então, as pedronas foram deslocadas desalojadas para dar lugar a paióis celeiros armazéns chácara fábrica telheiros galpões garagens silos. De lá de cima do morrinho veio abrindo um valo provocado pela erosão e a enxurrada já carregando arrastando carreando uma porção de pedras pedregulho tocos pedaços de floresta.

            Levei um tempo pra resolver e caminhar andarilho. E pensar pensando calculando medindo pesando. E de-boa com lembranças recordações saudades estudos.

                                                                       #

            Uma vez mais fomos visitar a biblioteca central da universidade. Antes nos encontramos na parada do ônibus ou na lancheria do bloco A de economia. Atravessamos a rua Diáfano e nos encaminhamos... lado a lado, apertados nos empurrando como dois adolescentes rindo ‘kjá-kjá-kjá!...’ Tive ganas de abraçá-la e sair rolando com ela aí na grama verde entre as plantas canteiros. Cócegas de alegria!

            - Cara, você tá muito fofa! Que perfume gostoso, ei!...

            - Sim e ma-ra-viiii-lha... É um pouco de lavanda com doce de rosas, é.

            - Meus parabéns! Todas as frutas.

            - Todos os cantos, também. E abraços!

            Uma vez mais fomos consultar os livros na biblioteca Cruz e Sousa e a literatura catarinense. Subimos de elevador e passamos o portal característico e escolhemos uma mesa com posição e vista para o pátio lá fora arborizado viçoso e cipós-guiras e manopés e braúnas e sabugueirinhos-do-campo e rabos-de-raposa... o córrego Oiti e já rebrilhando ao sol, os canteiros de flores e arbustos selecionados e um paisagismo desenhado e artístico. Nos distraímos com a vista e enquanto trocávamos sim trocamos umas conversas aleatórias e bem bom que se diga:

            - A gente nós eu e você poderíamos ir até a sorveteria e coisa e tal degustar sorvete de açaí, hem?!, hum!...

            - Concordo querida. Pra falar sério, nem tenho essa gana de estudar num dia num sol num calor como de hoje. Vamos andar pelo bairro pela cidade?

            - Ontem mesmo, e te conto... Uma vez mais eu fui passear na praça Ferreira Gullar, e que eu já sabia eu sei que tem um lanche muito gostoso e maneiro. E tem um cachorrão muito bom, prensado com salsicha e milho e ervilha e batata-palha e queijo ralado, hum!... Que que é isso, meu!

            - Falando em queijo ou pastel de queijo e caldo de cana, hum!... Olha, meu!...

            - Deve ser o único da cidade e olhe lá do Estado e ainda do país, su-ces-so!...

            - Eu mesmo adoro refeições fora de hora. Tipo almoçar às 16h quatro da tarde, é.

            O dia amornando e nós ainda nos olhando apenas desinteressados do estudo das consultas nos olhando de mansinho nos olhos namorando com a mesa entre nós cotovelos cadernos lápis canetas braços cruzados e olhos nos olhos frente a frente.

            - Sim, que você está este doce açucarada!

            - Ora, você já chocolate em tabletes ou bombons!

            - Provavelmente vamos cantar juntos, oi!...

            - Somente sempre temos uma ao outro... no universo, bacana!

            Um dia o dia nunca demora mais que o sol ou a chuva ou as estrelas. Quem tão pontual é o tempo. Tem muita gente que mora em Sorocaba (tupi, ‘lugar da rasgadura’) e Araçoiaba da Serra e Salto de Pirapora e beira margem ribeirinho do rio Cristalino...

            Eu a olhei... eu mesmo, eu a olhei bem dentro dos seus olhos brilhantes comoventes cintilantes lindos vi revi revisei um olhar de gata semiperigosa semidomesticada semipreciosa semiadormecida. E me senti herói ou superapaixonado.

            Juro que eu senti com estes meus olhos... dos olhos dela...

                                                                      

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