quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Seres Pendentes de Nuvens - (11)

 


 

            Tempos passados e eram bons tempos. Quando foram tempos. As datas que rolaram no tempo em o tempo. E já chegam até nós ainda hoje, engraçados engraçadas.

            Como se chama? O disco voador, 2 pratos fechando côncavo/convexo ou um contra o outro, aterrissa e sem estardalhaço em o pátio de o parque Rastaquera. Este o lugar manso mambembe localidade quase afastada de tudo ermo desabitado dos bípedes humanoides. Objetivamente umas 11h e 25min e quinta-feira de fevereiro do ano da graça de 2052. Vem de longe e chega chegando de onde vazio opaco de a Via Láctea. Como se diz? Carregando esperanças e ou curiosidades e ainda quem sabe meros tripulantes inusitados raros insólitos destemidos camuflados. Ensolarado que um dia aberto iluminado sem nuvens algumas aves migrantes abelhas polinizadoras. Interessante interessados que discreto sem ruído cinzento nada nem nada decorado sinalizado e mesmo praticamente inodoro. Como se fosse? A aeronave alienígena pousa na grama rente macia e mesma área de as capivaras. Mas nem é só sozinho isso.

            Acontecimentos bem exemplares. Pra onde se olhasse os olhos buscavam sempre se via panorama verde e o céu aquele dia azul radiante esplendoroso magnífico pacífico imaculado povoado populoso. A natureza quantidades amanhecendo madureza se desatarraxando. Raios solares qualificação aves espécies perfumes esclarecidos encantos mil tiquetaqueares elétricos voos sobrevoos caminhos difusos espalhados se espalhando nos 4 cantos divulgados disseminados. Milagres nada exemplares.

            E Gaipara era também conhecida na infância pré-adolescência como Gaita. Nunca se importou com este apelido. E nem lembrava como surgiu nem queria saber até onde chegaria. Que Gaita era parte de sua tenra idade, e ainda bem.

            A menina Gaita ia atravessar atravessando atravessou o território entre a casa dela da família ela os pais e a casa dos avós maternos da avó. O terreno era um potreiro e era um território gigantesco. Mais ou menos 250 metros de travessia em linha reta. Um ambiente também já conhecido. Tudo propriedade adquirida fazia um tempão pelos avós. Espaço neutro e pacífico capoeira e há muito pacificado. Quase uma aventura.

            Tanto que a menina já andara aí que nem tinha medo de passar andar passear mais uma vez. Reconhecia perfeitamente o caminho e ela mesma fez a trilha já bem batida. Um pouco de tudo um tanto de matinho arbustos pássaros incidentais e de repente uma surpresa - que nem se pode saber exatamente porque é uma surpresa, ora!

            - Olha aí a pitangueira, gente! Quando vai dar as pitangas, hein?! Tô esperando! - falava para ser ouvida pelas plantas pelas aves e também sozinha sem companhia.

            E ela parava diante da árvore observando o capricho vegetal de existir. Sempre a pitangueira aí e no mesmo lugar. Vivendo e uma vez por ano dando pitangas vermelhas deliciosas na primavera perto do verão os dias de muito sol calor mormaço. Que acolhia os pássaros e tesoureiras, corruíras, tico-ticos, pintassilgos, curiós, sanhaços-cinzas...

            - Oie!... Gosto de você! Quem vê quem viu... o bem-te-vi-do-gado!

            Gorjeios pipios gralhar acesos acendidos na manhã pegando fogo fogo. Que pássaros chegavam ou acordavam junto no suflagrante com os primeiros raios de sol e maracanãs, pixoxós, taperuçus-de-coleira-branca, arapongas-do-horto, pitiguaris, saíras-de-sete-cores, sapiticas. Pegou uma folhinha pra mascar. Eles têm autoridade ríspidos e vêm pôr a sonoridade alegria vibração no capãozinho, é. As tonicidades e acentos tônicos átonos, pretônicas subtônicas postônicas. Cada ave buscando seus interesses de momento seus afazeres diários e da porta pra fora. Umas vestidas de mais amarelo ou azul ou cinza ou escuro ou branco ou preto ou verde ou multicor. Comensais positivas.

            “Sonhei que estava navegando andando de canoa ou barco em pleno rio Palmital. Do nada largo apareceu um lago cercado de montanhas verdes e céu sem nuvens. Qual o mais verde? Qual o mais doce? Qual o mais prometedor prometia?”

            O que mais comovia a menina numa manhã dessas e de céu azul eram esses passarinhos procurando bichinhos no ar e ou as frutinhas da estação. Os insetos que se cuidassem. As frutinhas do mato e gabirobas, araticus-mirins, sete-capotes, guabijus.

            - Que eu gosto de jabuticabas. Quando dá no pé pego um monte e levo pra minha avó - comentava acentuava no passeio e solitária e guria, brilhante harmoniosa original jeitosa condescendente - Devo colher no pé subir no alto dos galhos carregados.

A menina Gaita (antropônimo escolhido pela avó materna) nem sabia a diferença entre silabada e silabação. A guriazinha nem distinguia fervido de férvido. Por isso gostava de dizer como ainda repetir explanar nos impulsos de voz impulsos expiratórios e com certa ironia deixando pra lá sacudindo os ombros o esqueleto:

- Azeite! A-zei-te!! - o porquê desta palavra escolhida aleatoriamente pouco se sabe ou nada ninguém sabe, e se especula.

“Sonhei que andava de bíci e pedalando subindo devagarzinho um morrinho que logo ficou um morro e em seguida um morrão. E era já uma montanha. Nem acabava mais, meu D! Por que tanta subida aclive, meu DNS! Ainda com sol e chuva, meu Pai!”

Parecendo sorrindo para todos os lados com os bem-te-vis-do-mato e perplexa atordoada siderada atônita. Vestindo uma bermuda com muitos bolsos, camisa com escudo de time de futebol, boné virado e tênis antiderrapante sem meias. As aves indo e vindo. O mundo das coisas paradas plantadas e outras ativas esvoaçantes. E essas palavras de sentido aéreo e voam voo voos creem abençoo veem preveem. Preponderando predominando já no caminho as ervas-lancetas e carrapichos e poejos.

- Olhem, minhas amigas e boas gentes! - a menina se dirigindo às plantas em geral - Eu já sei que as aves e os pássaros vêm buscar as frutas. Ora, já sei! Mas é que precisam comer, entendem?! Precisam comer e dar de comer aos filhotes parentes!

E completava de um jeito tão e muito galante apuro firmeza cautela simpatia:

- Agora. Outro sim! Pois sabem e têm razão porque são frutas frutinhas deliciosas apetitosas suculentas doces derretem na boca e dão água na boca, hum!...

            E quem dominava este espaço sócios deste terreno de capins ervas e capoeira em geral com poucas pequenas árvores, eram duas vacas de dar leite (a Vaquinha, a de manchas brancas e amarelas; a Bacana, toda na cor alaranjada). E um cavalo petiço de pelo marrom (nome Pardo). E comiam a grama o capim tenro do sítio o tempo todo e sem parar, praticamente. Se escondiam do calor entre as plantas com fruitinhas gulosas.

            - Vamos! Você é a caroba-de-cinco-folhas, te juro, hein!...

Um enorme gigantesco potreiro a ser explorado quando fosse possível. Cercado por fios de arame farpado e em alguns hectares. Uma tapada determinada escolhida para fins de pasto para os animais domésticos e já mencionados acima. Nem havia porteira ou cancela determinada para quem atalhava exatamente aí onde a menina tinha que cortar caminho e passar (verbo regular dentro do padrão modelo paradigma e ex: cantar obliquar, bater caber, partir abolir). O caso frequente era que a menina elegante vaporosa tinha de improvisar de passar pelos obstáculos da cerca entre os arames espinhentos. Estes percalços eram e são vantagens ou desvantagens de se morar no interior de uma cidade pequena e com potreiro no caminho para a casa dos avós.

“Sonhei que saía em busca em direção sentido pra EEEFM Gonçalves Dias e nem encontrava a porta, que porta?, a saída a entrada do quarto porta afora.”

Convenhamos! Com vêm amos. Amos vêm com. Com amos vem. Vem com amos. Vêm amos com. Con-ve-nha-mos! Sem destoar ou discordar.

            - Agora eu sei escrever um bocado de palavras. Com letras juntas e tal. E já desenho umas coisas e assim com casa chaminé porta janela telhado e árvore no quintal - a garotinha pouca sombra ia falando se distraindo dizendo lembrando relacionando as coisas que vinham à cabeça, e a ordem dos produtos e fatores ou nem por isso.

            O céu estava azul, uma ma-ra-vi-lha!... e muito sem nada pra mostrar de novidade noviço noviça. Uma nuvem fofa gordinha ali no lugar dela e parecendo feitio forma formato de algo de martelo marreta machado maçaneta dobradiça...

            - Oi! Sempre acho que as nuvens são feitas de milagres. E milagres de Quem!

            D criou e todos nós damos as mãos os beijos os sorrisos e os parabéns: ‘meus parabéns!’ Criou uma sorte de coisas reais sólidas longevas diferentes. Inventou na classe gramatical as palavras invariáveis: isto isso aquilo. E o que mais se admira nessa história e eu admiro muito mais, é que D descobriu coisas pra lá e pra cá de importantes inovadoras espetaculares necessárias importantes naturais essenciais. Tudo isso, sim!

            “Sonhei que precisava com fome almoçar e rápido quanto mais rapidamente rapidíssimo tomar banho levantar da cama vestir tomar café com leite pão com geleia de abóbora ou figo ou uva iogurte maçã tenra madura ou banana ou laranja e dar tempo de chegar no colégio 7h e 45min alcançar pegar o ônibus escolar alimentada atrasada, ufa!”

E tanto o Criador como suas criaturas coisas criadas são muito alucinantes e mesmo fantásticas do outro mundo. O Criador e as criaturas, que Ele é muito. Que D é demais e diligente esforçado cuidadoso. Que D conversa com a gente com os animais do mato com as aves com o tempo o clima as tempestades as marés e fases da lua...

            - A maioria das nuvens é que passam. E dizem que preferem ir a Rio Grande. Se eu embarcasse na nuvem eu ia até São Paulo e pra lá de Florianópolis - que a menina ia falando sozinha e tinha ainda vontade de voar nadar e mexer os braços agitadamente.

            Uma casa comprida da avó do avô maternos. Ia chegando e vendo. A casa entre algumas árvores frutíferas, frutas silvestres e domesticadas. Mais perto e distinguindo. A área varanda, que percorria toda a frente da casa e lugar de sentar tomar chimarrão observar a paisagem o horizonte o bairro. Com cadeira de balanço e encosto alto afofada de almofada e no inverno ainda pelegos e mantas cobertores de campanha.

            - Avião já me viu, já me ouviu... Avião sabe tudo antes dos donos, é.

            A avó estava na varanda de cara pro nascente e acomodada na sua cadeira de balanço (cadeira esta de pés meia-lua para dar mobilidade num pequeno impulso vais e vens móbil móbiles, objeto feito artesanalmente e muito usada nesta parte do país). Fosse como fosse, era manhã de sol e abelhas borboletas cigarras joaninhas libélulas. O dia recorria percorria o seu próprio e habitual rumo e formigas centopeias caramujos.

            - Sim. Quer ver que de repente o Avião, rau-rau-rau!... vem me buscar alcançar!

            “Sonhei que nadava na piscina tínhamos piscina limpa azul transparente gostosa ma-ra-vi-lha! E nadava nadando mergulhando quando mergulhava, caía na piscina e um peixe lá por baixo. Pular pulei pulava do trampolim com, tchibum!... Todos os meus colegas de aula algazarra amigas pandemônio o time inteiro de vôlei aquático alegria.”

Ali mesmo a menina encontrou a razão da sua visita. E dali onde preferia estar, a avó (etnóloga, que lecionara e estudava e ainda acreditava em etnias) podia ver parte do bairro Catequese. Óculos grandões com lentes esverdeadas pesadas para olhar longe e ver de perto, bifocais. Conhecia todo mundo do bairro e por nome e apelido endereço situação social em geral. Estavam dentro do bairro. O nome das poucas ruas. Os comerciantes que vendiam isso ou aquilo ou a peso ou a metro, atacado ou varejo.

            - Vó, como vai! Que que passa e repassa! - já gritava a guria saudando sorrisos.

            - Bom-dia!, minha flor sustentável - respondia vovó transbordando simpatia.

            - Sonhei que pedalava minha bíci e de mãos nos bolsos da jaqueta jeans...

            - Olhe lá, hem! Que perigo fora de propósito, meu tesouro mais valioso!

            - Mas era sonho foi um sonho. E pedalava adoidada descia a ciclovia e fazia curvas e mais curvas sem diminuir a velocidade veloz muito rapidamente...

            - Que caso de acontecer um desastre e mais alguma coisa, meu bem maior!

            - Dominava o guidom com a ginga do corpo os movimentos do quadril...

            - E se vinha alguém na contramão, meu sorteio de prêmio milionário!

            - Logo vi que meus cabelos voavam para o alto e esvoaçavam uma sensação de muita paz e de liberdade e de aventura e vento gostoso de encontro ao meu encontro...

            Quando D inventou o mundo a avó o avô apenas apenas tinham começado a viver. Dizem que era no tempo das carroças puxadas por bois em dupla. E demoravam para ir de um lado pro outro. E se plantava muito milho para dar de comer aos bois, movidos a pasto farelo de milho cascas de frutas. Contam que todos os avós iam à missa na igreja e rezar por dias melhores safra boa colheita ainda melhor bom tempo chuva na hora certa. Uns iam e voltavam de carroça puxada por cavalo, outros montados em cavalos ou burros, outros a pé e ou pegando carona de auto. Quem tinha automóvel era rico ou até ricaço. Poucos tinham charretes só para passear. Avião era o cachorrinho.

            - Como vai a vó o vô, hem?! Tudo e todos têm como vão e vêm como convêm?

            - Eu vou bem e estou indo, minha filha! Seu avô está ali no porão e está fazendo coisas e artes e etc. Avião está lá com ele e ajudando no que pode fazendo companhia. Tudo bem em casa e arredores, meu xodó?! (xodó: esta palavra de criação vernácula e que o povo achou por bem, por bem mesmo, inventar e usar quando se referir carinhosamente a alguém próximo e festivo aconchegante querido querida).

            - Eu colhi umas pitangas pra vova, aceita! São pitangas pitangas e tanto, vó!

            - Ah, me conte! Você sabe que eu prefiro pitangas... E também cerejas-do-rio-grande os butiás os araticuns-do-mato tarumãs araçás-de-coroa as gabirobas...

            Aí mesmo a manhã já estava boa de se olhar a partir da varanda da avó. Réstias de luz do sol lacravam o piso de ladrilhos em xadrez. Lá longe o horizonte com o morro lá longe cercando a cidade. Parecia um azul mais ou menos. Um ar azul sobre o morro mar de morros e que caía do céu sem muitas nuvens. Sem muitas nuvens. Um bochorno que no total era sufocante e um calor forte (forte: adjetivo que passa a ser advérbio). E a cidade conhecia todo mundo e chamava todos de cidadãos e cidadãs. Terrenos aquinhoados partilhados repartidos em lotes quinhões cotas porções pedaços partes para cada familiar e família. Eram conhecidos os integrantes da família x da família y da família w, e assim por diante. Uns iam estudar em Caxias do Sul outros em Passo Fundo e mais outros em São Leopoldo e até quem sabe Santa Maria ou Pelotas, já que a maioria ficava aqui mesmo cuidando de se virar com o que tinha à mão. O bordão o apoio cajado na estrutura familiar negócios da família. Raízes e tudo muito bem.

            - Até acho quê. A linguagem é humana. A língua ou idioma carrega o povo. A pessoa e eu e você a gente e cada qual a nossa fala é individual. É a fulana e o beltrano e sicrano(a) que falam quem fala, é isso?!

            - Oi!... Tanta gente que fala. Isso é mágico! Os cães gostariam de ir à escola, sei - a menina gostava de animais e em particular especialmente de cachorros.

            - Ora, se me lembro bem! Os livros enfeitam e decoram ornam ornamentam nossos sonhos fantasias, é. Os livros vêm para ilustrar nossos desejos - já dizia a avó, tomando seu chá de erva-cidreira-do-mato (chá, léxico de origem chinês).

            - Nós todos assim. O perfume de chá é delicioso e refrescante, hum!...

            Que que acontece apetece. A vó tinha ali 1 chaleira de lata polida de onde tirava os chás, o vô tinha 1 chaleira de ferro pesada de onde tirava onde quentava água pelando pro mate-chimarrão. Isso acontecia todos os dias no começo e fim do dia.

            Tinha um ritual no apreciar bebericar o chá. Dias que era chá de folha de laranjeira outra semana de carqueja-amargosa ou ainda macela-brava. Dependia muito da avó e dia a hora o humor. Dias de verão o chá frio. Bebia já meio adocicado aos golinhos ou mesmo na paciência na delicadeza das colherinhas colherzinha sorvendo com ruído e sempre sim, ‘iiiiis-his!...’ (sorvo comprido e feliz aconchegante, até com licença poética, o mais próximo possível do ruído de engolir ar e chá ao mesmo tempo, a onomatopeia). Cada cole finalizava com um desabafo de prazer de delícia de gostoso, ‘aaaah-seeee!...’ E cada pessoa com seus cacoetes e ou inspirações, até aí normal.

            “Sonhei que caíam nuvens e chovia muito chovia após chover. Chovia porque D mandava. Chovia caíam canivetes pentes cadernos lápis chapéus... E molhava chovia na horta na rua Ciro dos Anjos na praça João da Cruz e Sousa. Na praça tem um repuxo monumento obsoleto e uma septuagenária guarantã, entre mais outras tantas coisas.”

            Religiosa com espírito desenvolvido, a pessoa da avó era daquelas com ar superior sem falar nada. Uma aura mística que cativava a todos. Seu jeito de olhar seu jeito de falar de respeitar. Dócil cordata educada no sistema da paciência. Cultivava a coleção de estatuazinhas de santos(as) imagens quadros santinhos e acendia velas nos dias nas comemorações. Tinha predileção por São João Batista e Nossa Senhora da Conceição. Renovava as flores naturais e ou artificiais. Dias certos de rezar o terço.

            - Te digo, minha estrela brilhante! As coisas os poderes têm espírito e caminham de dia de noite. Ora, que dilema trilema! E respiram falam cometem barulho saravá fluidos mediúnicos com outras coisas misteriosas ou ocultas ou extraordinárias.

            - Olá!... Sou fã de música orquestrada com canto acompanhando. Como assobiam os pássaros e pipira-preta, pipira-de-prata, pipira-vermelha.

            - A Gaita quer um pedaço de nega maluca? - anunciou ao ar a senhora dona avó.

            - Só se for agora, vó! - e a menina saiu correndo pegar na geladeira o seu abastecimento aprovisionamento - Honestamente, juro que vai ser uma delícia!

            - Jesus, o Cristo! Com calma e com classe, hein?! - já exclamou a octogenária pessoa (exclamar; ex: movimento para fora, prefixo latino de forma primitiva).

            - Claro está que amo! Nem posso resistir. É o que sei fazer - dizia a menina enquanto já se servia do seu bolo preferido e com cobertura de merengue (dizer: é típico verbo irregular ou anômalo e fora do esquema) - Nem posso pensar outra coisa melhor.

            Avó fazia lanche pela tarde, invariavelmente bem pelas 16h (se nem fosse assim dava dor de cabeça), e era um preparo um pequeno acontecimento. Um granjeiro apicultor seu fulano Ivo Patrulha, morador do bairro de Três Mártires, lhe provisionava abastecia com o mel puro e honesto de abelhas irapuãs ou abelhas-mulatas silvestres. Ela a avó comia uma colher de sopa da bem cheia e com hora marcada. Escorregava o precioso líquido na fatia de pão caseiro que ela mesma amassava e assava no forninho do fogão à lenha. Café com leite e mel sobre pão preto pão branco pão de ló bolo de fubá. E duas frutas, uma banana e uma laranja. Quando nem era época de laranjas, rara a época sem esta fruta cítrica, comia duas bananas (que sempre é época de bananas). Fazia geleia de morango de laranja doce de coco doce de banana doce de abóbora, plantados colhidos na própria horta e acompanhamento exemplar.

            - Dia 5 e esse mês ou quinta-feira da próxima semana, sua mãe faz aniversário. Eu me lembro - narrava a avó - Sua mãe nasceu numa noite calma e de madrugada, 2h.

            - Isso aê!... E como que foi e foi tudo bem? A mãe chorou muito?

            - Uma noite fria, uma madrugada muito enluarada... Uma noite de verdade!

            - Tinha coruja ali por perto... Nem nada, vó, brincadeira, ra-já! ra-já! ra-já!...

            Agora mesmo olhando algumas plantas e árvores e alcaçuz-do-cerrado, violeta-branca-do-campo, juritiubim, oca, maria-mole. Aves ocasionais e esvoaçando aí e comodamente atrás de cumprir com seus deveres e direitos, coisas particulares e dependências, e bicos-grossos, corta-ventos, andarilhos, pombas-de-bando, tiribas, gralhas-azuis, godérios. Vamos esquematizar as camadas de aves e das árvores.

            “Sonhei em subir na árvore palmeira baguaçu. Peguei e subi. Bem no alto e avistei o bairro as ruas as casas o rio. Nem tem maiores rios no nosso bairro. Então, nem sei onde que era onde eu estava onde tudo se passou e meio confuso complexo.”

Fica diferente e na dúvida... Alguns insetos, muitos deles, arriscando a vida a existência a continuidade da prole e besouros e escaravelhos e borboletas-brancas e joaninhas. E dava gosto ver os colibris, estes sem nenhuma nenhuma lembrança de si mesmos e por que teriam. E o par de beija-flores-de-costas-violeta, fátuos vaidosos presunçosos presumidos, muito cuidadosos com seu território e defesa contra invasores. Todo no ar um gigantesco sistema vivente vigente. Tempo audaz tempos audazes.

            - Folhas verde-escuras! Observando mirando vendo algo especial, vó?

            - Saudades infanto-juvenis! Vejo estou vendo algo espacial, acredita?

            - Sonhei, pense comigo!

            - Sim, me comunique! Venha com esta, meu tempo de alegria!

            - Sonhei que tinha visto via bem de perto um ídolo. E pedia fotos e depois. E mais ídolos que compensavam todos os dias. Eram ídolos e ídolas. Era fã muito de seguir os famosos. Quando foi mais tarde, na minha longa vida, virei ídola ícone. Olha, hem! E tirei fotos vídeos entrevistas aniversários festas com mil dos meus fãs fanzocas.

            Vó e vô de Gaita tinham também ainda um casal de gatos. Uma miau mais um miau total fêmea e macho cuidando da casa. Os dois eram carijós e muito na deles, a Gandola e o Crivo. Pouco gostavam de brincar, que já fora constatado. Pulavam na janela da cozinha, que mais apreciavam perto do fogão e ou da comida, e olhavam lá fora o dia os movimentos lá fora de casa. Ela mais moralista e ele mais ou  menos peralta. Demolir demoliam (verbo defectivo ou sem conjugação completa) os aparatos ornamentos da casa toda. Às vezes assim apareciam com um rato entre os dentes, que a avó vendo mandava jogar fora. Comiam bem nem pensar em gororobas em casa eram bem cuidados tratados bem vistos nem tinha cabimento por que ficar atrás de caçar ratos pelos buracos tocas cafuas antros fendas esconderijos. E coitados dos ratos e suas famílias ratinhos desamparadas órfãos abandonados. Os ratos nem eram bem-vistos bem-vindos, porém nem assim perseguidos acossados. Um lar doce lar profundo.

            “Sonhei que ia de bíci morro abaixo e desabalada carreira, sem freios. Era um patinete ladeira precipitada com velocidade descontrolada. Um esqueite 4 rodinhas descendo sem parar furiosamente e, gente do céu!, que ve-lo-ci-da-de assombrosa!”

            No céu ali sobre tudo e todos, as raras nuvens meio que se dissipavam vaporosas ensaboadas afofadas. Tinha havia muitos lugares pra avó olhar e dali mesmo do seu posto sentinela de observação e o bairro em geral. Os lugares de olhar sempre os mesmos e acomodados pacíficos. Sempre iguais os mesmos pontos postos matinhos morros uma casa aqui e aquela lá. Mas era bom e ótimo para passar o tempo, assim.

            - Olhe, vó! Eu quero conhecer a cidade e lá dentro dela mesma, tá certo?!

            - Sim, mas ela é gigantesca! Oquei, porém a cidade meio que engana a gente!

            - Pois sim! Eu vou de bíci, hem?! A bíci me acompanhará, é.

            - Aí eu nem sei. Transfiro pra tua mãe e teu pai. Nem gosto de saber depois.

            - Nada. Eu acho que tá na hora de conhecer outras paisagens, nem?!

            - Estamos no século XXI. Ora, linda! Assim você me compromete, guria!

            - Tão comum, tão legal! Seria melhor ir com alguém que me acompanhe, né?!

            - Conquanto. De vagarzinho e pela sombra, também. Dê a ganja de telefonar.

            O casal de gatos veio ver quem estava aí de visita. Quando queriam bem atilados presentes ao vivo e nada passava sem que soubessem. E deixaram por um momento que a menina os acariciasse nas costas na cabeça entre as orelhas e só e mais nada. Já saíram fora e foram deitar perto dos pés da dona senhora avó. Mesmo a tradicional ou típica lassidão lassitude cansaço da raça. Vez ou outra eram de tipar consignar registrar os estofados os móveis com suas garras unhas de três listas de riscos riscados. E deixar as impressões gravadas lavradas escritas porque o lugar era deles e faziam o que lhes dava na telha. Os gatos nem têm dono(a). Esses felinos têm horas de refeição de segurança de convívio e são diferentes, é distinto. Ter gato em casa nem é pra amador principiante.

            - Atiça. O gato e a gata já brigaram hoje por qualquer coisa, vó?

            - Hoje ainda nem. E eu prefiro assim. Podem pular pra cá e pra lá e levar algum objeto com eles, entende?! Mas briga eu nem permito nem admito nem quero ver.

            - Ah, é?! Estão muito sossegados ultimamente, é. Pensam em quê?

            - Conforme o dia a dia. Gatos nem gostam de gente. Convivem e nem se importam. Aceitam e nem idolatram. Comem o que se lhes oferece mas nem tão nem aí, quer saber?! Os felinos são ternos fofos e autodidatas. Uns autoritários mais que outros.

            - Já falei que é melhor ter um cachorro ou vários, uns dois um casalzinho, hum!... Os cães são super-hiperativos, vó! Os cães interagem e gostam de companhia.

            - Fricotes, hem! Foi uma escolha. Seu avô sempre preferiu cachorros. Mas aí eu argumentei que os cães e gatos nem se combinam, têm hábitos distintos, até o convívio entres eles nem podia dar certo, tá entendendo?! Uma guerra de animais?

            - Uta! Já seriam muitos animais num lugar só, né?! Pretexto para generalizar.

- Quem me dera! Sempre há uma peleia entre as distintas raças, vamos dizer assim. Eles às vezes combinam se agarrar e fazer bagunça. Se agarram aí por baixo dos móveis e criam tantas desordens felgas desalinhos. Eu detesto briga, já falei!

            - Uma no-ve-la! Cachorros gostam de gente e nem sempre de gatos!

            - É, cachorros gostam de gente. Gostam toda vida e mais de quem lhes dá de comer. É o certo mesmo. Os canídeos respeitam a hierarquia da comida. E acho que todo mundo é assim. Eles nem se rendem. Efetivamente.

            Algumas vezes certos momentos e por dois ou três dias e noites a menina ficava aí na casa dos avós. Moravam perto, tá certo, mas era convidada a passar um fim de semana e ficava. Tinha um quarto já decorado para ela, a netinha mais próxima mais apegada mais rente mais presente na vida na casa dos avós. Eram íntimos e contentes.

            “Sonhei que andava caminhava passeava sobre o telhado lá de casa. Como sabem como se vê, a casa tem uma cobertura em forma de v invertido. Parecia passe de mágica e de repente aparecer no alto da cobertura. Fácil foi subir, perigoso era estar aí. E como cheguei a esse ponto de andar sobre o teto da casa? Só D saberia e nem me explica. Acho que aproveito a estada no alto da casa para tentar um diálogo com D. Vai que Ele aparece meio escondido ali entre a fumaça o vapor das nuvens, hem?!”

            Um dia que nasce e outro se finda. Os dias que nascem são maiores que os dias que se vão. O trem apita nas curvas nas pontes nas entradas das vilas. A locomotiva comboiando oitenta vagões. O rio Capivara e o distrito de Tarilândia em Jaru.

            - O dia que conheci e vi a praia de Tramandaí, olha!, já gostei de prima. Já falei tanto que gostei que já nem me lembro quando e quantas vezes, é. E você?, vó.

            - Me dei bem também com praias. Fui algumas vezes. Lembro também da praia em Tramandaí e Capão da Canoa e Cidreira... E sim, temos ido a outras.

            - Eia e viva! Logo vem o verão e as férias, tudo de uma vez só. Sou eu?

            - Uma vez na vida já fui à praia Arroio do Sal e Xangri-lá e Balneário Pinhal...

            Olhe só! A estradinha de chão batido e tráfego de carros passa perto da casa dos avós e separa o casarão do mato de pinheiros-do-paraná ou araucárias. Um bando sempre insistente de periquitos-de-asa-azul ou tuins e outro de curicacas sempre pela manhã e à tardinha. Uma algazarra que espanta a manhã e a tarde. Fazem de dormitório. Na época de pinhão, comem pinhões. Os pios e alardes das aves espancam as horas.

            “Sonhei que a cadeira andava sozinha nos 4 pés e falava pelo acento. E ainda a mesa da cozinha, andava nas 4 e discutia pelo vaso de flores naturais enfeitando no meio da tábua. E mais o sofá dialogando entre as duas almofadas.”

            O dia nem parecia mais o mesmo. Havia mudado muito e nem só pelas horas da tarde. As andorinhas-do-campo chabós taperás uiriris majores tinham de ir e se recolher da cena. Passava um ônibus na Buarque de Macedo vindo de Caxias do Sul, uma meia hora atrasado. As poucas nuvens abafavam o sol no vermelhão da tarde. Nadava forte valente um cardume de piracanjubas em o tranquilo rio Tamanduá. Vazava corrente sortudo o rio Sucuriú e um grupo bem nutrido esperto de candirus-vermelhos.

            “Sonhei que era estava um dia doce. Cheiro doce no ar de algodão doce. Tão doce adocicado como sorvete de açaí. Atravessei a rua Santos Dumont e busquei a padaria. Comprei três tipos de bolas de sorvete açaí manga jabuticaba pitanga.”

            “Sonhei que passei rapidamente pelo céu, dia de semana uma terça-feira ensolarada manhã agradável, e hablei com o SND. Sim, o céu logo ali. E D com amplos poderes. E D ensaiando chilreios de grimpeiro pedreiro sanhaço-de-fogo quete-do-sul.”

            Na volta, daí umas 2 ou 3 horas, ela a menina Gaipara ou Gaita queria voltar pela estrada, chão batido. Nem era recomendável. Embora a distância fosse a mesma. Era até arriscado pois passavam carros velozes e indiferentes. Era melhor mesmo aí pelo campinho e depois das cercas de arame farpado. Então ficou combinado pra sempre que ela viria pela ponte (ponte modo de dizer). Ficou acertado que este seria o caminho, pela estradinha trilha carreiro. Preferencialmente atualmente comodamente necessariamente (mente: sufixo adverbial que exprime circunstância de modo quantidade tempo). E muito simplesmente. E muito sem pensar duas vezes. E muito olhando borboletas.

            - Pode ir pelo potreirinho que eu fico de olho, tá!, Gaita - sempre dizia e acalmava a avó, acalmava também e mais a ela mesma - Você vai sem pressa e tudo bem. Você vai pela sombra. Vai mesmo e segurando a mão de D.

            - Digo bem. Sim e com certeza e pode deixar, vó! Até amanhã de manhãzinha!

            Na descida a menina parou no Ônibus. Ela chamava assim uma pedrona (pedrona: este substantivo se flexiona para indicar gênero número e grau)  pedra grande e longa (pedra grande: substantivo pedra com grau aumentativo analítico) que servia para imaginar um carro automóvel um coletivo um ônibus. Se acomodava na pedra e dirigia a máquina alavancando galhos dos arbustos ao redor. Que coisa maravilhosa! Que a menina preferia pensar que era um ônibus escolar e pronto. Assumia a pedra (radical latino; petra, pétreo petrificar petróleo - fonte: glp de dpc) e imaginava que ela mesma fosse a motorista a pilota a chofer a manobrista. Era da-hora!

            - Oquei! Vamos andando, vruuuuu!... vruuuuu-teeee!... - fazendo motor e demais ruídos típicos dos brutos autos ônibus caminhões rodando derrapando travando.

            - Raspe-se daqui pra longe! Nem me amole! Nem me alugue! Nem me censure!

            Algumas raízes que a menina fazia as vezes de guidão ou timão, caulezinhos que eram a alavanca das marchas ou pedais de embreagem acelerar frear. Uns liquens musgos para adornar. Umas trepadeiras para enfeitar. Umas florezinhas para embelezar florinhas florzinhas (estas duas últimas palavras são exemplos de formação linguística irregular ou anômala). Em meio das plantas dos arbustos os obstáculos da estrada.

            “Sonhei que gostaria de viajar de navio cargueiro ou petroleiro. Aqueles baitas navios piscinões superbanheiras supercargueiros levando centenas de contêineres. E nas horas de folga, muitas horas da noite e do dia, olhar o mar o azul o verde oceano. E porto de carga descarga de Santos Itajaí Suape Chibatão Paranaguá Itapoá Navegantes.”

            E ia subindo ou descendo morros. Correndo no asfalto. Dirigindo com categoria nas curvas. Quando ia como ônibus, parava nas estações nas paradas e embarcava outras pessoas outras fisionomias. Quando ia de caminhão, carregava muita carga e mercadoria e levava para longes lugares, Tapira, Ibiá, São Sebastião do Caí, Cacaulândia, Perdizes, Sacramento, Theobroma. Conhecendo povo gente e outras entidades instituições:

            - E aí, sabiás-barrancos! Vamos andar? Querem uma carona? Embarquem no meu ônibus superultrahipermegaturbo turbinado! E vruuuuu!... vruuuuu-teeeee!...

            Assim pegavam carona os besouros as borboletas as joaninhas os gafanhotos as cigarras as lagartas larvas vermiformes das mariposas. Nas paradas determinadas em vila e sítios, entravam as cutias emas tamanduás-bandeiras lobos-guarás e xaxins samambaias guanxumas capins-flechas macelas. E muito muito levando embora carregando andanças lá com ela dela e que sabia e já saberia.

            - Vamos, gente amiga! Última chamada porque tenho que fechar a porta! Apertem os cintos! E vruuuuu!... vruuuuu-teeeee!... - para todos os finais de fala e derradeiras palavras ela executava imitando a garganta apertada o barulho dos altos e superes motores do ônibus coletivo urbano ou intermunicipal ou turístico.

De noite acendia as luzes com algumas flores de caeté-de-talo-roxo, chá-da-terra, capim-membeca, iperana. Nem dava trela ao povinho à gentalha dos morcegos e bacuraus. Uma lua gigante e prateada feita de vidro branco. A lua e seu luar ganhando poeira de chão calcinado cinzento e poento poeirento poeiroso e acidentado crateroso. A lua ganhando balão (balão: substantivo aumentado ficticiamente e com exemplos, cartão caldeirão latão apagão capão) volume sopro enchimento e redonda limpa alcançável. Uma lua em portunhol, una luna, com crateras esconderijos de supernaves espaciais meganaves extraterrestres e outros bichos hipergigantes hiperatômicos hiper-robóticos.

“Oie!... Sonhei com chocolate. Uma visão da parte de cima do meu desejo meu gosto meu querer, primeira prateleira. Rua Tambiú e a chocolataria chocolateira chocolateiro. E comia todos os sabores ingredientes do chocolate, possíveis e impossíveis. Muito o em barras, em tablete. Sai a embalagem sai o papel laminado folha isolante e fica o chocolate pedindo água na boca.”

Na chuva a estrada ficava mais perigosa escorregadia, ligava o pisca de alerta os limpadores de para-brisa feitos de lianas e garras unhas-de-gato. O transito pesado engarrafado, outros automóveis tensos nervosos buzinando atribulados espirrando lama água barrenta das poças d’água da chuva. E só chove quando D quer e deseja e ordena.

            - Ufa! Ofegante, muito bem. Que vamos trabalhar e transportar mercadorias entregar encomendas em outras estradas deste Bezão, e vruuuuu!... vruuuuu-teeeee!...

            E no andar e dirigir por estes lugares conheceu paradas e estações rodoviárias e vilas e cidades e Aveiro, Urucurituba, Borba, Santo Antônio da Alegria, Patrocínio Paulista, Ariquemes, Itacoatiara (a economia do município gira, mas principalmente, em torno do cultivo e beneficiamento do guaraná. Uma exportação de quase 400 toneladas ao ano. E ainda se produzem, em pequenas escalas, culturas como avicultura e pecuária e pescado e apicultura de abelhamirins mirinzais (mirim: do tupi e quer dizer pequeno reduzido menor infantil pueril; substantivo com grau analítico  - fontes: dh, ibge).

            “Sonhei que derretia o sol eu mesma ao sol da manhã, todo o calor impossível. Tanto calor e bando de papagaios-de-peito-roxo papagaios-charões pica-paus-do-campo tapaculos-ferreirinhos chilreando chirriando crocitando palrando diletantes diletantismo ao mesmo tempo. Tanto barulho confusão, me escondia em meio da folhagem do jardim, tantos cheiros perfumes cores. Mergulhando no açude barragem, peixe de água doce. Tanto verão janeiro. Tanto sol solar de fevereiro, mês miniatura.”

            Nem falou em casa a vontade de conhecer a cidade no seu centro nervoso. E ir até lá de bíci pedalando e muito desenvolta. Preferiu nem criar polêmica. A avó sabia e sempre dava conselhos e dicas e recomendações. Com os pais ela Gaita ou Gaipara, xorte bege e camiseta do clube colorado com escudo de letras entrelaçadas, sempre empatava ou perdia e tinha que acatar. Com a avó bonachona (bonachona: substantivo aumentativo em linguagem emotiva e coloquial) sempre ganhava e fazia o que queria.

            - Veja! Como foi lá com vó e vô? Eles estão certinhos, tudo bem? - pergunta da mãe (radical grego, mãe: méter, metrós; ex, metrópole metropolitano - gramática dpc).

            - Até!... Foi que tá tudo bem e mandaram dizer que a festa do aniversário vai ter que ser lá. Foi a vó que convidou. Tem que acertar os melhores detalhes, então.

            - Do tempo e mais. Ela a vovó disse isso? Ela quer assim, ela disse, filhinha meu coração? - foi a mãe que assim expandiu (filhinha, substantivo em grau diminutivo sintético para transmitir carinho ternura afetividade afinidade emotividade).

            - Amenidade. Disse e repetiu várias vezes e é pra combinar melhor, né!

            Que o dia em casa já tinha coisas pra fazer. Nem tinha mascotes, ainda. O celular convidava as melhores amigas melhores momentos. Cuidar se a mãe se dirigia à cozinha e fazer um prato diferente especial decorado delicioso trabalhoso. Por exemplo, pastel de queijo (peso líquido 180g) e suco de abacaxi (500ml).

            “Sonhei que os animais do zoológico de Sapucaia do Sul... E havia tamanduá-mirim jiboia onça-parda gavião-carijó seriema tecelão surucuá-variado coruja-listrada... Uns indivíduos foram por terra outros por ar outros por água (estava mesmo uma despedida e tanto) e pegaram o rio Jaru a rua Voluntários da Pátria o céu tropical. A tabuleta no gramado convidava: ‘pise na grama com desenvoltura que ela merece’.”

            Antes de fazer a aventura urbana, a menina Gaita foi pra escola. E sempre ia de bíci porque era mais vantajoso e distintivo e móvel. Com a conhecida sobrecarga (sobre: em cima; prefixo latino de forma evoluída ou vernácula) da mochila e tudo dentro. O colégio Caiouá, do ensino fundamental, dá acesso por dois lados. Um pela avenida Presidente Vargas, subindo por uma escada alta bem pronunciada, e o outro lado de trás mais cômodo e quando e por onde entravam os carros motos e bícis. Assim preferia ir pelos fundos já na rua General Flores da Cunha. E bem menos movimentada. Com estacionamento e vaga garantida. Com vistas da horta e do jardim do pátio das quadras.

            - Oi! Que hoje teremos matemática, duas aulas; português uma aula; recreio; já depois do recreio educação física... vôlei ou futsal, duas aulas mais gostosas - Solilóquio da menina, enquanto entrava no pátio coberto interno pavilhão frente às salas de aula.

            E então, a manhã estava vazia. Toda particular e bela bonita para ser preenchida de verdade por coisas ornamentais e que tais. Umas nuvens no céu nem fazia diferença. Poucas nuvens com cara de coisa assim, tipo caminhão bitrem ou avião largando fumaça e vapor de fumaça ou uma árvore caída de lado ou um camelo pastando nuvens de algodão (algodão: palavra de origem árabe) e boi boiada nelore, etc., varal com diversas peças de roupa ou casa com mais portas que janelas. Nuvens com cara de bicho. O sol caramelo esbarrando ali. Algumas aves voando altas e em voos altos e rápidos perigosos difíceis e saíras-preciosas sanhaços-frades sanhaços-papa-laranjas.

            “Sonhei o jardim da horta no quintal da minha avó. E flores folhagens e remédios. Uma cestinha feita de taquara para carregar a colheita de cenouras couves-flores chicórias batatas-doces. Por quê? Por puro prazer de recolher flores por necessidade de comer orgânicos por precaução contra dor de barriga. Toda casa com pomar é assim. Toda casa com parreiral parreira de uvas é assim.”

            “Sonhei que eu e minha avó plantávamos uma árvore. Uma pequena cova muita terra revolvida e a mudinha tranquila verde belezinha. Regamos e mas chovia de vez em quando. Apareceram as flores carregada de flores amarelas verdes rosas... Fui no pé e colhi uma porção considerável de bergamotas. Depois subi subia no pé, entre ramos espinhosos espinhentos agulhas de furar a pele, trepando pelos galhos mais robustos. Tinha sempre uma bergamota mais alta inalcançável amarelada de sol.”

            No pátio em volta dos 4 blocos de salas de aula já respirava acelerado a correria dos alunos(as). Todos de pasta debaixo do braço e ou mochila nas costas e aguardando. No recreio era sempre maior o barulho o ruído o rebuliço nomerenta desleixo desbocada. E a chegada sempre um pouco travada e até muito lenta len-ta-men-te... quando da manhã sonolenta bocejante. Dependendo se fosse verão ou inverno. E tinha dias de chuva, ainda por cima. E tinha horas de fila no refeitório com suco de laranja ou uva ou abacaxi e sanduba reforçado de pão queijo tomate alface purê de batatas.

            - Nem comi direito. Que vai cair de fato na prova de H do B? Eu desconfio.

            - Olhe lá!... Acho que estou preparada e já decorei tudo, é. Alerta.

- Que capricho. Eu sempre confundo as datas. E será por quê? Isso me preocupa.

- Todavia! Nem se preocupe que as datas e números são o de menos numa prova. O resto é muito conteúdo. Pode crê, meu! Minha vó sempre diz...

            - Agora, você é melhor com números... e o portuga? Que bárbaro, hein?!

            - Sim, é a mãe natureza. Fazer o quê?! Minha avó entende de português, e sim senhora! Ela até já foi professora de português e aqui mesmo neste colégio, sabia?!

            - Original. O que ela acha da sorte de colidir com ortoepia prosódia ortografia? Quero ver como eu me saio dessa! Eu talvez precise de uma colinha, hem?!

            - Su-ces-so!... Segundo se decora e nada... para falar usamos sons ou fonemas, e para escrever usamos 33 letras ou sinais gráficos. Parece fácil mas é animal.

            - Bem estranho. E isso é bom ou ruim, hem?! Os chineses usam 500 caracteres!

            - Como vou saber? Vou pela minha avó. E ela acha legal isso tudo de letras e falas. Ela até diz que é preciso. Ela até recomenda que é necessário. Ela até dá exemplos de vogais semivogais e consoantes. Fico ouvindo mas é brabo, cara! E extravagante.

            - Situação mais surreal. Que absurdo, meu! Que viagem, meu!

            - Oi!... Se parece com. É o trabalho bárbaro do livro de gramática para registrar sistematicamente a língua ou idioma. Nem sei se é idioma ou língua, uma vez.

            - Quê?!! Sis-te-ma-ti-ca-men-te! Cara, meu, nem engrossa a parada! Real.

            - Ora! É a sobrevivência da espécie humana. Tem que considerar, então.

            - Que esperança. E é muita coisa pra eu carregar na mochila, tá ligada?!

            - Puxa vida, kjá-kjá-kjá!... Aqui quem fala é a Kica! E é da terra!

            - Garrafas pra vender? Meu nome é Elisabete, mas pode me chamar de Lisa!

            Depois dessa exposição pra lá de suficiente, as alunas(os) entraram para a aula e suas respectivas salas de aula. Cada turma com sua profe e suas responsabilidades e demais coisas por fazer. Uma delas, frequentada pela menina Gaita, já estava em forma e pronta para o combate o enfrentamento o confronto o atrito ou o que vinha pela frente, etc. E era o seguinte, nas palavras bem postadas da professora Cidinha Alva:

            - Oquei rei rei!... Vocês querem o ditado? Eu acho que sim. Quem diz que sim ganha uma bala de banana fabricada artesanalmente por minha mãe inventada pela avó.

            - Eu sempre me dou mal com ditados, é - o aluno Gui, da carteira 6, fila 2.

            - Como adivinhar, né! Vamos ao ditado, então! Eu vou ditar cinco palavras e sinônimos correspondentes. Vocês simplesmente escrevem e vamos ver depois no que estamos e vamos e ficamos e queremos ser, tá certo?! Três, dois e... um!

Um ou dois segundos de silêncio e expectativa. E os as estudantes que pareciam conformados(as) ou fulos da vida. Um ambiente com a poesia nos olhos e olhando de dentro pra fora. E o pensamento indo atrás dos olhos o visual. No final do qual depois dessa breve pausa a dona Cidinha Alva Conspícua prosseguiu e confirmou a fala. E eclodiram de dentro dela mesma estas palavras e significantes repercutindo:

- Hum!... Primeira palavra e suas consequentes correspondentes... Eu digo a palavra... Fragmento: excerto e extrato e trecho. Tá entendido, meus alunos e alunas?

“Sonhei que saía para passear com amigas colegas e até o Centro um sábado à tarde e tudo por um lanche sorvete no shopping Cinta-Larga. Nós 4 gurias eu Rê Esmeralda Pérola soberbas faceiras parando a cada mostruário em cada vitrina. Bem que gosto de passear. Caso de ficar atordoada tonta boboca pateta de ver as coisas.”

Entre umas palavras e outras havia a pausa. Em outras línguas ou idiomas se ensina desse jeito? É uma boa pergunta. Mas quem responde é que manda. Memorizar os sons é o mesmo que lembrar da grafia. A mestra articulava bem as sílabas e claramente e pausava. Quem sabe fala, quem compreende obedece. E a profe era boazinha e ditava o seguinte prosseguindo que ela mesma escolhera e tinha toda a razão:

- Hum!... Seguuuunda linha... Entalhar: lavrar, exarar - a profe com pausa e olhar preocupado esperando ser bem ouvida e compreendida.

“Sonhei que subia no alto da ubirarana e escalando como se escala um poste de luz uma antena de energia. Subir em árvore é legal e faz bem, já me sentia. Querendo alcançar o topo. E mexer botar a mão nas nuvens. Era aéreo demais. Ouvia diálogos pios em surdina das aves entre os galhos verdes. Uns pequeninos caxinguelês desferiam saltos mortais gestos elétricos pulos rápidos voos incríveis... queriam abraçar D!”

“Sonhei festar carnaval no clube Curupaíba. É muito procurado frequentado até por nem sócios. E muitos namorados se encontram lá. Muita gente se apaixona e tem amor à primeira vista. Começa a parada a função o baile e os pares se buscam.”

Como o céu está hoje em dia? Olha só!... Apareceram pássaros no alto do jacarandá. Nem nunca me esqueço. Saíram provieram pousaram provenientes de que parte do mundo? E eles cantam como se fossem bem felizes. Estão quicando de galho em galho. Parecem bichos alegres e contentes de existir. Se parecem com anus-brancos, papa-arrozes, curiós, pombas-galegas, besourinhos-de-bico-vermelho, chupins, bem-te-vis-de-três-riscas (que estes últimos diziam dizendo o seguinte se expressando nestes termos intraduzíveis, por hoje, para o nosso idioma, ‘gueteguêeeee!, gueteguêeeee!...’).

- Hum!... E temos o seguinte. Prestando a atenção que o problema merece. Voragem, remoinho vórtice... - professora CAC e seu espaço de atuação área de influência territorial e desenterrando (des-en-terrando: des, indica negação; en, indica para dentro) palavras termos nem se sabia de onde e para onde e por quê.

Bem que a aula foi em frente que as horas passavam como se passam sempre e rodeando com os ponteiros o bobo do relógio analógico ou simplesmente mandando números digitados luminosos. Que depois do tempo passar, já passou vem o passado (o passado: derivações impróprias, de particípio a adjetivo ou substantivo). Que a aula é boa quando termina no fim. A boa aula a boa (a boa: de adjetivo passa a substantivo) matéria a boa prova? A boa figura a boa bola a boa aula a boa matéria a boa turma.

“Sonhei que era um grande aniversário festivo bagunçado concorrido música eletrônica som alto caixas detonando. Brigadeiros à vontade. E rolava mais e rodava um rodízio de pizzas amigas mastigando escolhendo pedaços apetites triângulos recheios salgados com sabor de açaí com açaí por cima. Energéticos sucos e refris à vontade.”

O som estridente e alegre da campainha, ‘treee-iiiim!...’ Esse som metálico e ainda mais produzido pelos pés pela soltura da algazarra e a plenos pulmões e aparelho fonador os brônquios traqueias fossas nasais palato duro (céu da boca) véu palatino (língua lábios bochechas) dentes faringe epiglote cordas vocais laringe esôfago alvéolos glote úvula (outra campainha de cartilagem). Um sol o ar livre os sons ensolarados que faziam o dia parecer uma dádiva. As árvores esperando e parecendo oferecer frutas.

“Sonhei que andava de bíci. Quem nem gosta? Na chuva espargindo água das poças d’água. Na brita dando derrapadas. Na grama macia ensaiando cavalos de pau. Na calçada da fama deixando marcados os rastos rasuras ranhuras dos pneus balão.”

E olha que é um caminho a percorrer e correr, depois da aula! Todo um labirinto ou galeria com obstáculos preparados à feição ao feitio e específicos que devem ter o vezo o hábito a mania costume rotina de. Com encontros vocálicos inusitados fáceis ou difíceis quase normais ditongos tritongos hiatos. Tudo espontaneamente e de uma vez só e de supetão e de repente, ao som rascante irritante e alegre da campainha liberativa liberatória libertadora e até (já em alguns casos) salvadora de salvação São Salvador (outro nome de Nosso Senhor). Quem inventou a escola a sala de aula a matéria o ditado a prova, tudo isso e muito mais, foi um adulto sedentário um monge resignado.

“Sonhei que era um peixe piratinga e de pronto já sabia nadar muito bem e sonha visitar o mar. Acompanhava o rio no leito na calha e a minha maior ansiedade em ver sentir o mar. Um dia outro dia e noite chegaria nadaria até a baía no porto marítimo.”

De resgatar ou reaproximar (re-a-proximar: palavra com 2 prefixos; re, indica repetição; a, indica aproximação) ou repatriar os presos há muito encarcerados junto com os dignos viventes livres meninas e meninos que vão e vem e que podem ir para onde quiserem. Andar na rua olhar as vitrines libertados correr se se quer correr... Até os cachorros vira-latas na rua podem andar na deles e tudo bem. Liberdade nada mais é que voar e arredio-de-papo-manchado, marreca-cricri, capororoca, joão-da-palha.

“Sonhei antecipado com as férias de verão em plena Floripa, ainda praia da Daniela. Me antecipei e fui veranear no mato programa arborícola junto da cascata da Usina. Me adiantando ao cronograma e conhecer as montanhas de ferro de Tiradentes.”

            D perdoa quando é de perdoar remir a remissão ou remição. D negocia tudo mas depois de rezar e rezar muito contrito pesaroso arrependido(a). D é assim mesmo, igual a Ele e fulgurante que fulgura relampeja brilha fulge pega fogo atômico. D indica com seu dedo autoritário o que você e você vai ser e ter e existir.

            “Sonhei que minha mãe permitiu eu ter um mascote pequeno só meu. Eu podia decidir entre um cachorrinho gatinho porquinho ratinho passarinho. Fiquei tinha ficado na dúvida. Optei por um cachorrinho pequeno cor amarelo caramelo, o Tapuia.”

            Dia precavido e de sol como esse. Jornada do sol brilhante e um muito de luz por toda parte. Até mesmo para onde se difundirão todas as horas do dia deste dia. Cada 5 minutos 15 minutos... o tempo sempre indo e ralando... o tempo até pode correr... que o dia vai ensolarado e na temperatura aprazível. O dia notório. O dia jornaleiro.

            “Sonhei que a estrada vicinal de terra vermelha entre o bairro Sagrada Família e o bairro Santa Cruz precisava de atenção e aterro e manutenção. Depois veio o carro-pipa e baixou a poeira literalmente. Em seguida passou a patrola e nivelou a pista. Ainda aportou a tombeira/basculante para espalhar brita/cascalho e firmeza ao solo.”

            No meio da turma e de bicicleta, a garotinha Gaita já gostava de pedalar ao ar livre. E os altos papos que nem mais de dois ou três se entendiam. Uma falava de fruta e outro de automóvel e outra de filme na tevê. Todos ao mesmo tempo e com razão. Eram mesmo tarrã ou tachã, carqueja-de-escudo-vermelho, sargento, coleiro-do-brejo.

            - Eu, hem! Ninguém me convida para um sorvete de chocolate e baunilha? Oi!...

            - Uau!... Como o profe de bio descreveu falou das tartarugas-verdes, meu!

            - Nem seja por isso! O meu tio é preservacionista e cuida do parque Barigui, é. No devido falado parque convivem ratões-de-banhado marrecas-caneleiras viuvinhas-de-óculos joões-grandes ou maguaris mergulhões-de-orelha-branca socoís-amarelos.

            - Ou-ou-ou!... As paradas incríveis e versáteis, né?! Mas sim, é isso.

            Concordou com o tempo fazendo coro e periquitos-dos-cáctus, goderos, sabiás-ferreiros, gralhões, flautins, marias-faceiras. Muito real e cristal. Um vasto tempo diário. Com vontade de fazer prova de matemática tema ou sabatina ou dever de casa. Que treco é esse, meu?! Com paciência para fazer limpeza no quarto bem arrumadinho.

            A aeronave tipo exportação bate em a porta tutucar, ‘tutuque! tutuque!...’ O parque Rastaquera e toda uma situação em a chegada de viajantes do espaço turistas intergalácticos. Sim, muito desafiador. Salta pela porta basculante com rampa deslizante, um ser no mínimo estranho e luminoso: boitatá. Quem tem medo do boitatá? O bicho de outro planeta interplanetário boitatá ou fogo-fátuo fogo corredor abre os braços pra abraçar o ambiente em derredor e sorri. Neste planeta Terra, que ele pretende existir de agora em diante. Olha novamente em volta na redonda e sorri. Se veste já de fogo de muita luz e uma luminosidade azulada parecendo um fantasma uma entidade mística. Diz o ditado que vem para habitar os pântanos e banhados e várzeas chafurdar revolver os brejos. Sem crises existencialistas sem síndromes sintomas observáveis. Para sempre e todo o por vir com ideia sem tempo. Convenhamos, com este jeito e estilo vai ficar logo uma lenda legenda. Outra vez repara em derredor e de repente... de pronto e supetão, desaparece. Por que este salto no escuro salto espetacular? Olhe que bicho! Num passe de mágica repentino e, ‘puuufeeee!...’ Sim, quem sabe, está pra outra dimensão aqui perto de nós. Parede com parede. Quem complica? Quem justifica? Quem triplica? O casamento do boitatá com a mula sem cabeça. Eu, hem?!

            No início do sol acontece um pouco de nevoeiro. Que às 10h já se dissipava e foi valente destemido afoito ansioso. As doses de calor intensidade de luz foram essas aumentando gradativamente dentro do horário previsto. E o som ambiente de cigarras estourando, isso sim e também. E o esgotar (es-gotar: prefixo que indica separação; o esgotar: derivação imprópria, de infinitivo passa a substantivo) de sonidos intermitentes. Que o ar ficou veio a se impregnar de cores sabores perfumes buzinaços, e de uma placidez serenidade justamente da qualidade de plácido. Presumivelmente. Tanto no B como em outra parte do mundo e arredores. Tanto aqui e ali como bem pra lá acolá.

            “Sonhei eu mesma sujeita protagonista e acompanhada das melhores amigas. O melhor passatempo da cidade era passear andar na via principal avenida Tupiná, já em o entardecer de domingo verão. E pra quê? Bem, para ir a uma sorveteria um cachorrão uma padaria uma conveniência uma pracinha de alimentação.”

            No encontro familiar à beira-rio em o rio Retiro (no bairro Retiro), todo mundo ali reunido e se reconhecendo aos poucos. E eram os parentes e mais agregados de diferentes distâncias (no espaço e no tempo/idade) a grande família. E todo mundo falava bem de Gaita. Como se ouviu e se viu. E isso todos os dias nem só em público ou naquela festividade. Principalmente em casa, onde todos sabiam de suas qualidades intelectuais. Boa memória e aprendendo rápido. As habilidades já infusas natas na pessoa da menina. Que se ela ouvisse com certeza se daria por satisfeita. Aprender queria teclado a tocar. Como se vê e se ouve e assim se coloca, destacadamente:

            “Vem aqui Gaita, querem te conhecer melhor.” “Gaita aprende línguas com muita muita facilidade, precisam ver. Ontem mesmo já trocou um lero-lero com a amiguinha do iutúbi lá de Munique em a Alemanha.” “Ela decora absorve aprende como uma esponja, tá entendendo?!” “Ela ajuda em casa os afazeres varre o pátio rega as plantas põe água e comida no comedor dos passarinhos incidentais.” “Gaita está muito adiantada na escola. Sua mente está mais rápida que seus colegas da mesma idade.” “Se D quiser... e Ele há de querer, ela vai ser uma grande mulher uma grande pessoa um orgulho da família um orgulho nacional brasileiro.” “Ela tem tudo para ser um ícone uma marca país.” “Esta vai longe e até onde D demarcar.” “Por sorte ela quer ser ginasta. Eu aposto todas as minhas fichas que ela Gaita vai ser uma atleta olímpica.”

            - Gaitinha!... Me diga e nem me esconda nada, garotinha da titia - era a tia Platina (elemento químico de número atômico 78), por parte de mãe - Você quer adotar um cachorrinho pequinês pelo marrom e tal e coisa?, me diga! Você topa? Eu te doo.

            - Gente! Eu sempre aceito topo e mais até. O caso é que mamãe nem se anima...

            - Deixa comigo que eu a convenço, entende?! Ela só precisa ver o bichinho.

            - Eu digo sempre disse. Eles são muito legais os cães, eu sei. Gostam de gente.

- Fran-ca-men-te! Precisa ver o bem que fazem a uma pessoa que está sozinha no mundo ou desanimada. Os cães são fiéis amigos e nem largam nossa mão.

            - Ele tem nome? E já foi batizado? E com quem se parece? Está domesticado?

            Palavras bonitas para dizer e a qualquer hora do dia da noite e pelo tempo afora conversando com as pessoas e sobre isso e aquilo, etc: páramo, raconto, manjedoura, suspicaz, preceito, preito, cincerro, tanger, edil, almofariz, degringolar, simulacro, traquejo, boquiaberta (esta como formação de palavra por aglutinação, boca aberta).

            “Sonhei que era inverno e rigoroso frio escandaloso. Me enchi de arrepios calafrios tremendo batendo os dentes. Fui ver de comprar roupas quentes blusa jaqueta de nylon meias luvas pijamas gorro toca cobertor edredom cachecol xadrez preto e vermelho. Após esperava uma oportunidade abaixo de zero nevar nevasca e viajar a Gramado, Canela, Buri, Guapiara, Sete Barras, Eldorado, Ribeirão Grande.”

            “Sonhei que havia na pastelaria muitos todos os doces apetitosos do mundo massa-folhada quindim nega maluca sonho recheado com marmelada de marmelo. Na praça Sanã-Parda carrocinha vendendo milho verde pipoca na manteiga caldo de cana.”

            Uma bíci (bíci: palavra formada por redução de bicicleta) imensa uma gigante de duas rodas rodonas. Pedalava pela ciclovia longa gigantesca. Ensombrada pelas árvores gigantescas árvores monstros (monstro: substantivo passa a ser adjetivo) e açairana, almecegueira-de-minas, rabo-de-jacaré, estrela-do-norte, quina-vermelha, copaíba-jutaí ou pau-óleo, guarapiapunha-do-banhado. Imensas árvores em contraste com o céu.

            - Eu gosto de graça da cidade - já dizia a menina e no seu embalo astronômico.

            Gaita tinha o costume e a mania de idealizar aves com partes de vegetais e com qualidades humanas e que já podemos ver e rever assim mesmo e bico-de-ferro, suiriri-pequeno, caneleiro-de-chapéu-preto, pica-pau-verde-barrado, maria-leque, neinei.

            - Eu superentendo!

            Ela ia andando e tomando conta das coisas que via, tomando notas. Rolê de bíci e em que mundo! Cidade de numerosos jardins. O sol chantagista no seu apogeu cume fastígio e auge, porém frestando entre cortinas e ou venezianas. Pois a menina parecia nomear olhar contar e dar nome aos bois - vamos dizer assim! Para onde se dirigia? Chegava numa esquina de caminhos e parava... já pensando por quê? Outras pessoas exercitando ou acompanhando seus mascotes. Frequentadores inúmeros estavam aí para reforçar refocilar revigorar dar novas forças no mundo da manhã. Sempre pedalar se pedalava na cidade no planeta e que era é uma mania de-moda. Vir, vendo, visto.

            - Vou pedalar pelos espaços e subir em árvores nas paredes das casas e assustar cães e gatos e até emparelhar com passarinhos e aviões e nuvens... - quando a menina começa a descarrilar a emoção e imaginar ninguém a segura e vai longe e vai distante.

            A cidade no gps no mapa do Estado. Índios coroado já habitaram a zona do atual município. A povoação pelo homem branco europeu (italianos, alemães, poloneses, libaneses, africanos), foi posterior a 1898. Emancipação em 8 de setembro do ano de alta graça de 1928, a área é de 421, 146 km², altitude em 700 metros, clima subtropical úmido, densidade populacional atual em torno de 108,2 hab/km², idh em 2021 com 0,860 - considerado alto e mesmo muito bom. (Fonte: ibge).

            - Sim! Que acho bonito e coisa pra se apreciar com gosto redobrado, e um beijo!

            Quando parava numa confeitaria e gastava seus reais de consumo, hum!... era uma delícia e gulodice e guloseimas lambarices. E lambona lambuzona. Esta mesma guria. Que é ela mesma em carne ossos motivada. Alguém que aposta no futuro.

            - Então. Acho que quero ser artista de pintar e desenhar, é! Enfeitar paredes despovoadas. Entrar para as galerias e museus e exposições deste B. Uns shows!

            Esta cidade tem coração enorme e gigantesco. Capacidade de resolver suprimir dirimir questões como também incrementar novos desafios. O programa nuclear, por exemplo, era suscetível de vários conformes e acasos. A estrada de ferro ligando o porto de Santos ao Mato Grosso. A distância da cidade até a capital estadual é de 402 km, já com uma população de 27.700 hab, município 79ª em população no Estado e 1911ª do B, fuso horário é o mesmo de Brasília ou utc-3, coordenada longitudinal de 52º 04’ 09”, latitude de 28º 06’ 05” - fonte: ibge, fab. E sem se importar com isso, e muito importar com tudo. Importar mais caro que exportar. Exportar comodamente commodities.

            - Sempre procuro jogar bola e quero queria ser uma craque Pelé. Driblar todo mundo é uma coisa boa. Fazer gols é uma festa. E assim por diante até a seleção Canarinho - quando pensava assim a menina, podia contar (uma Pelé: substantivo próprio se torna comum), dormia com a bola do lado junto do travesseiro ou almofada.

            - Que idade tem a lua, hoje em dia? A lua toda, nova cheia minguante foice.

            - Meu!... Para onde vou enquanto durmo? Será que minha alma voa despega?

O rio Carreiro circula anda aí e deságua no rio das Antas, em zigue-zagues. O sortilégio a cor o som a densidade o calor a forma faz tudo parecer ótimo. Quem nem foi fazer piquenique à beira-rio debaixo das árvores frondosas, hem?! Nada que perime peremptório decisivo definitivo chocante. Com uma rede de deitar atada entre árvores fortes troncudas. Estimula fomenta promove desenvolve e galga o desenvolvimento. Uma araponga é bonita porque canta forte e voa; uma nuvem porque flutua e linda.

- Vou viajar para outras partes do mundo e muito trocando mímicas e sinais.

- Por quê... nuvem, com esse apelido? Sim, o nome lhe cai bem. Hoje.

- Ei!... Nuvem de onde? Nuvem de quem? Nuvem cor pele âmbar. Decisiva.

- Vai vê!... É sério, oi!... que se doaram ao trabalho de inventar o avião?

Cidade lugar que os prédios se acumulam em torno da praça. Carros com personalidade exclusiva. E várias praças expandem a mesma cidade que cresce exponencialmente. Rua Abílio Soares, cerca um instante da praça Estado da Palestina. Os aposentados fazendo um jogo de dominó. Os aposentados fazendo uma fezinha na lotérica “Chave da Boa Sorte” (chave: palavra latina de forma popular ou clave, na forma erudita). Tempo cronometrado e firme forte favorável tenso teso irresistível.

- Vamos deixar de comer carne, minha gente!! - era uma ideia e uma esperança da menina - Nem se deve fazer de menos de um bicho ou um animal irracional!!

- Eitcha!... Nem nada nem adianta insistir, gente nossa! Eu nem sei o que é be-lis-que-te... E a maioria da população nem mesmo ouvi falar ou viu escrever, é.

- Uaaaau!... Digo logo e de prima pela primeira vez, de uma vez.

Um dia o professor explicou em sala de aula: “Teu bife do meio-dia, parte de um cadáver e um assassinato um presunto, deve ficar no teu estômago mais 24h e até amanhã!” Então, acho melhor comer brotinhos frutas legumes raízes folhas flores sementes. E compensar com menos exercícios físicos mentais.

“Sonhei ontem mesmo que gostava gostaria de ser terapeuta. Mas agora mesmo penso e repito: o que faz uma terapeuta? Nem seria melhor jogar futebol feminino?”

Outras cidades em volta desta e que começaram em volta da praça e Maraial, Jaqueira, Catende (durante os festejos de Momo - com muito escárnio motejo desdém irrisão deboche -, a Mulher da Sombrinha, principal agremiação carnavalesca catendense, sai pelas ruas relembrando a lenda que marcou a população durante os tempos antigos (escabrosos toscos grosseiros canhestros desajeitados vorazes e destrutivos) da usina de açúcar e às margens famosas do rio Piranji - ibge, fgv), Xexéu, Água Preta, Cortês, Gameleira, Serafina Corrêa, distrito de Juquiratiba em Conchas, Montauri. Cada cidade com seu rio Paranapitanga e santo santa um casal de padroeiros.

- Oie!... Verdadeiramente. Gosto de sair de bíci porque é muito simples e rápido, então! - declarava a Gaita ou Gaipara, sempre acostumada com boné casquete boina barrete (e geralmente com escudo do time predileto e do coração paixão).

            Se fosse ao Clube Recreativo Solferino da Retreta, rua Segetal, já podia pegar a piscina; se se dedicasse ao pedal pedalar, nem veria o dia no parque Bimba-n’Água (projetado requerido concedido). Acompanhando a ciclovia do lado do canal paralelos casinhas de apoio ou quiosques de doces merendas conventículos conciliábulos e muito florido plantado de espécies e perobinha-do-campo, feijãozinho-bravo, açafroeira-da-terra, caucho, erva-lombrigueira, cravina-do-campo, fel-da-terra, butiazeiro. Linha férrea estrada de ferro longos dias de sorte para ver um trem intermodal, ‘galengalém! galengalém!... digo, ‘parlenparlém! parlenparlém!... traçando a vila Tsunhum-Djapá.

            “Sonhei que estava fora de mim e eu mesma. E buscava sonho e sonhar ou já sonhava com piscina praia ondas verão bronze. Era um fim de semana longe de casa e talvez Capão Bonito do Sul ou Capão Bonito (capão-bonitense). Outra vez com a família comparecendo envolvida junto compartilhando. Uma lancheria confeitaria ou pizzaria comendo repartindo escolhendo salgadas e ou doces e mistas.”

            “Sonhei pra frente, gente! No meu futuro casamento casarei com um peixe de aquário. Este ser mergulhado mergulhante mergulhador bem embandeirado bonito nas cores e nadadeiras. E depois disso nas aparências sociais, todos me olhando me olhariam de rabo de olho e do outro lado do vidro transparente. E eu nadaria com a família de parentes e as amigas que vinham me visitar, Rê Esmeralda Pérola. Meu noivo só podia ser um gato. Lugar de água doce filtrada e trocada duas vezes por semana. Quando muito quando nada, ambiente subaquático, eu muito nadava e nem chegava.”

A menina nem distinguia a verdadeira diferença entre homógrafo e heterófono. E o doce que Gaita mais ama e adora e deseja é o quindim. Quindim pela manhã é demais. Isso até faz ela fez parar... E pensou como a manhã é tão caprichosa. Nossa!

- Quindiiiim!!, pe-pe-pê!... Agora mesmo! - falou ela no meio do passeio e batendo a língua no céu da boca, nem muito glutona comilona edaz - Quindiiiim!!... (acento de insistência e enfático). - Um belo quindim aromático trescalante exalante.

            Um dia como outro qualquer? Avenida Paula Ferreira em o bairro Piqueri. Se engana quem olha de longe e ou de fora pra dentro, pois o dia contava já seis 6h e a cidade saía pra rua da Camarilha e outras mais. Aos poucos e decididamente. Como um renascer. Praça Comendador João Alves, os arredores a convergência de ruas indicando o alvo o ponto de partida. Pessoas rindo uma das outras e jocosamente. Pássaros quicando aí e catando restos de alimento e saracura-do-banhado, pia-cobra, marrecão, bate-bico, cisne-de-pescoço-preto, joão-pobre. Modorra da hora às 12 em o meio-dia (formação de palavras por composição e justaposição, ex: cantochão, mata-borrão). Ao todo ao longo do bom e vasto parque Buritizal, com nesgas de mata intocada.

            “Sonhei com minha avó e avô maternos. Ambos os dois o par sem se cansarem de si mesmos ou dos outros. E o encontro a reunião era na grama perto do riacho o açude. Diziam que aí nadavam à vontade uns lambaris jundiás bagres-moles traíras charutinhos ou mocinhas (ovovivíparos, listados manchados de verde e prata e azul...) cascudos muçuns ou peixes-cobras... e rãs-boiadoras lagartos-teiús-grandes. Dia aprazível preferível quente debaixo das sexagenárias canelas-brancas-do-brejo. E zumbidos, zu-iiiim!... de abelhas tubibas vespas cabatatus marimbondos. Meus avós nonagenários (e contando) otimistas e pacientes. Volta e meia aterrissava partia um pássaro, saracura-carijó, marreca-ananaí, socó-boi-baio, tico-tico-do-banhado.”

            “Sonhei com o meu probleminha uma questão de física ou matemática. Tive um teste que foi brabo de ver resolver pesar meditar. Nem gosto de comer salada folhas legumes raízes brotos sementes grãos. Achei depois desconfio que foi por conta ordem e sugestão de um filme que havia assistido. Tudo se passava num ambiente escolar.”

            Era aniversário de Gaita! Ela e mãe e pai estavam indo na loja de mascotes comprar um cachorrinho. Isso é difícil de fazer? Pode fazer toda a diferença. Quando alguém decide por uma ação desse tipo? Loja para cachorros com vendas de diversas e diferentes raças, com ou sem pedigree. Muito divertido e sensacional. Cachorros comprados adquiridos doados achados resgatados, e todos os feitios e idades e latidos.

            - Oi, bom dia! - já dizia e cumprimentava o atendente Vendola Breque - Bem-vindo e bem-vindas sejam! Temos tudo pra cachorro e inclusive várias raças nacionais e importadas para escolher e levar. Aproveitem. Olhem aqui a sorte que vocês têm!

            - Sim, senhor! - respondeu o pai de Gaita - Nós estamos interessados num cachorro pra família. Mais especificamente para minha filha Gaipara, a Gaita.

            - Um cão ou uma cadela, tanto faz. Quem decide é a aniversariante - assinalou a mãe - Com linhagem ou mesmo vira-lata. Cresce muito cresce pouquinho, igual.

            - Deixe ver. Um de tamanho médio, faz favor! - declarou a menina.

            - Oi! Tenho este cãozinho com cara de pedinte, vejam - explicava o veterinário - Recebi um telefonema na quinta-feira passada e me dirigi à ponte de ferro do trem e lá estava ele, paradinho olhando o rio das Almas. Nem me resistiu ou me deu trela. Se deixou pegar e peguei e o trouxe. Tremia olhar indiferente nem lambia nem latia. Agora já está aprendendo a confiar em pessoas. É muito carente de companhia de carinho de cuidados de dengos. Vai ser um ser canino afável bonito lento leve disciplinado fiel.

            - Que sorte sorteada... E ele olha a gente como se fôssemos parentes próximos...

            Então o vendedor e atendente, um dos donos do negócio e médico muito dedicado, foi na frente explicando e apontando cada um tal e qual o cãozinho a cadelinha e um e uma na gaiola em separado. Um canil e só se ouvia latidos, ‘au-au-au!...’ Entraram num recinto com dezenas de gaiolas cheias de cachorrinhos familiares, ordinários ou nobres, genealogia garantida ou mais ou menos. Cães maiores de voz grossa, cadelas dando de mamar, pelos lisos ou crespos, bicolores, olhares ansiosos.

            - É aniversário de Gaita e ela vai escolher um amiguinho ou amiguinha pra companhia, é - reafirmava e reexplicava a mãe da menina - Uma ótima amizade.

            - Meus sentimentos... Eles já têm nome? - acelerava o processo a Gaita.

            - Nem e de jeito nenhum! Quem dá o nome e batiza é o cliente! Jamais e sem dúvidas! Quem manda é o freguês e cliente! - completava o seu Vendola - É como um nascimento. Prezamos muito pelo envolvimento entre amigos amigas que se encontram.

            Era um latido só uníssono e em altos brados e decibéis. Todos os cães se manifestando ao mesmo tempo, ‘rau-rau-rau!...’ ‘clau-clau-clau!...’ Querendo ser vendidos comprados? Querendo ou nem ter dono ou dona? Ou era só uma apresentação de boas-vindas? Querendo pai e ou mãe. E todos falavam alto e ao mesmo tempo. E se assanhavam coçavam roçavam roíam arrepiavam picavam amolavam apertavam arranhavam desacatavam encabulavam vexavam. Uma língua de cachorro igual, embora com sotaques diferentes. Com tons de voz ou timbres diversos. E uns e umas ladrando mais grosso que outros e outras, ‘blou-blou-blou!...’ Aquele olhava tímido, esta olhava direto nos olhos do futuro amigo amiga. Uns mais dramáticos que os outros.

            - Confirmo, fregueses! Eles são espertos e muito queridos. Têm um latido ou ganido pra cada tipo de pedido ou apelo ou momento ou circunstância ou novidade...

            - Au-au-au!... “Ei!... Olhem pra mim! Me ofereço pra ocês! Olhem pra cá! Olá, patroa! Oi, patrão! Por um novo lar!” - um cãozinho médio ano e seis meses filhote de pastor alemão (era um dos que mais se ouvia ali entre a algazarra e confusão total de vozes latidos ganidos uivos - em tradução literal e simultânea do aplicativo).

            A jovenzinha Gaita se aproximou de uma jaula e ali tinha um pequeno cachorrinho vira-latinha. Os dois se olharam frente a frente e entre eles a grade. Será que compungidos? E se olhando de perto muito seriamente. A menina olhava, o cão cheirava. Nenhum dos dois falava nada. Se admiraram por um sincero e lento minuto. A menina já decorara e já sabia, que o alfabeto da língua portuguesa se compunha de 26 letras e mais de 30 fonemas. Porém nessa hora h ela já via nitidamente a história do seu mascote favorito e procurado. Era aquele mesmo. E lhe daria um nome perfeito e escolhido. Falaria com ele em todas as horas do dia e também algumas da noite.

            - Queira D! Qual o nome dele? Ele tem família? - pediu ela ao vendedor.

            - Oie! Nem tem nome. Está aí para ir contigo pra casa. Gostou dele? Ele já adorou você, repare. Você tem direito a batizá-lo. Escolha um nome de duas sílabas.

            O vendedor abriu a gaiola e deu o cão no colo da menina. Mas pra quê! Foi amor à primeira vista, à primeira pegada, ao primeiro contato, à primeira cheirada, lambida. Ele esticando o focinho cheirando muito, ela olhando muito. Olhos nos olhos (olho e olhos: substantivos com mudança de timbre no singular e no plural, metafonia) e que alegria recíproca. Ela contente de sorrir muito, ele contente de bater a cauda sem parar.

            - O que ele gosta de comer? Ele realmente gosta de mim? - algumas dúvidas da menina - O cão prefere morar em casa de família? Ele sente falta de gente?

            - Ele adotou você e espera tudo de você de agora em diante. Pode beijá-lo.

            - Hem!... Que que ele gosta de fazer? Ele brinca muito... e de quê? Olá!...

            Então e daí pra frente e para diante a menina já saiu da loja com o cãozinho nos braços e os pais com todos os apetrechos e utensílios pra cachorro. O vendedor de cachorros sabia vender. A família carregou carregaram lotaram atulharam encheram o auto de artigos de primeira necessidade. E voltaram pra casa rindo, ‘ahahah!...’ sem disfarce. Tudo documentado no caderno duerno pranchetinha com prendedor segurando papel para anotações. E selo fiscal estampilha certidão de nascimento idade atual cor do pelo dos olhos origem procedência filiação sexo estado civil. E podia. Pois nada!

            - Olhem, meus pais! Ele é tão quentinho e fácil de lidar... Que nome, hein?!

            D sabe por quê. E por que razão mandou o sol amanhecer 5h e 8min. Pontualidade solar a toda prova. E aqui e ali e acolá neste naquele local exatamente. Bom dia e boa tarde (bom, boa: substantivos biformes), como se costuma dizer. A balbúrdia das ruas a matéria do dia as pessoas se movimentando carros acelerados freios partidas desembraios desembraiar desembrear nas esquinas diante da avenida Cauixana. E o dia (substantivo comum) aberto com novidades esperadas aguardadas ansiadas e nem por isso sabidas. Moto-contínuo e moto-perpétuo. O dia seria outra vez aquele.

            - Upa! Jaqueta de nylon com franjas - comunicava Gaita, agora com xerimbabo. - Sim, seria bom que este cachorro pudesse dormir no meu quarto. Hem?!, meus pais.

            Muito movimento deixava a cidade agora e ia pra praia no fim de semana. E concitar convencer persuadir os membros da família, grandes e pequenos. Uns procuravam o litoral outros preferiam as montanhas o interior e Jacareacanga, Itaituba, Novo Progresso, Apiacás, Nova Olinda do Norte, Maués (em a margem direita do rio Maués-Açu, foi fundado o município em 1798. A distância da capital Manaus é 268 km, em linha reta; e 356 km pela via fluvial. São festas festividades municipais em homenagem a São Sebastião, 10 de janeiro; ao Divino Espírito Santo, 22 de maio; a São Pedro, 27 de junho; à padroeira NS da Conceição, 01 de dezembro). E um mundo todo tentando procurando esperando, agora mesmo. Nem se podia adiar. Aconchego.

            - Será que o nome serve... Bilboquê ou Pebolim! - declarava a menina Gaita, buscando o nome do cachorrinho guaipequinha - É um fofo é um brinquedo!

            No dia seguinte à compra do cão de estimação, a Gaita saiu com ele para passear. Se recomendava levá-lo cautelosamente na coleira na guia (guia: palavra simultaneamente com significados diferentes no masculino e no feminino. O guia, pessoa que guia os outros; a guia, correia que serve para conduzir o cão ou documento para efetuar pagamentos). E ela cumpria o que prometera. E já eram amigões.

            - Fique à vontade para andar e ou correr, Pebolim! Quer dizer... quase.

            Se ele já tinha nome? A noite toda ficaram pensando e a menina achou melhor nomeá-lo... Pebolim. Vejam bem! E por que desse nome? Três sílabas às vezes é meio inusual incomum. No fim das contas matemáticas e das possibilidades. Porém, a menina quis assim e assim vai ser como também será e mesmo se D quiser. Original.

            - Me acompanhe, pique-peque! pique-peque!... Aqui, vamos! Começando pela calçada esta mesma desta rua Guaraio com a praça do Quarup.

            E neste dia estavam aí. Desde a porta da garagem, ao nível do chão, e ali prontos mais que prontos para usufruir do passeio. Seria um passeio inédito e inaugural para ambos. Juntos e amigos para o resto de sempre, modificados. Comuns e modestos.

            - Pebolim! Vamos simbora passear que é bom. Caminhar é útil à sociedade, compreende?! Você pode ir na frente, se assim desejar e quiser, que eu lhe acompanho. Porém, guardadas as devidas correrias e proporções, tá ligado?! Vai nessa, meu!

            - Au-au-au!... “Vamos comer algodão-doce?” - indagou logo de cara o Pebolim (que logo logo atenderia como Pê, com toda a certeza. A lei do menor esforço para falar. O nome todo e completo quando o chamado fosse grave urgente nervoso).

            Desceram a rua Segar, e o lugar dos altos comércios de roupas. Sempre e primeiro pela calçada. As nuvens se esvaíam sem deixar rastos. De longe se ouvia o marulho sempre aí da corrente o caudal (o caudal, a caudal: substantivo comum de dois, gênero incerto ou flutuante) do rio Içá. Até atingirem o parque Bacanaço (bacanaço: substantivo com grau aumentativo sintético e assim como exemplos, barcaça gatarrão dentuça. Derivada de bacana: palavra-ônibus que qualifica pessoa como boa bonita afável interessante correta - fonte: dh), mais dois quarteirões adiante. Evitaram ir pela calçada caso de muito trânsito de outros pedestres. Pegaram o gramado pela beirada e cruzaram caminhos. Corriqueiro, comezinho, fácil e simples. Evitando bicicletas e atletas corredores e ou frequentadores apressados urgentes neurastênicos hipócritas.

            - Calma, Pebolim! - dizia ela pedia ela gritava às vezes, por causa do entusiasmo do cachorro - Sendo assim você me derruba e me arrasta, meu! Nem tanto ao vento!

            Embora nem conhecendo nada do lugar, o Pebolim se mostrava afoito afoito. E queria correr mais do que nunca. E pegar as coisas e etc. Dava um trote e olhava pra trás se certificando da presença da sua dona amiga companheira parceira mãe e protetora.

            - Bota botina de plástico com franja - pensava falava aérea a menina Gaita. - De repente posso te levar pro colégio? É uma, né, meu?! E você viralizaria, demais!

            Foram pelo meio do bosque já evitando o banhado por causa do atoleiro, eflúvios efluências miasmas fartum de vegetais em decomposição. Indefectíveis tais e quais os cardeal-do-banhado sabiá-do-banhado tico-tico-do-banhado amarelinho-do-junco gavião-do-banhado. Debaixo das árvores tudo bem cuidado para que os visitantes pudessem caminhar sem obstáculos e tudo podado limpo na sombra. Grama verde tenra bem cortada com máquina de cortar grama. Gente deitada sobre esteira toalha de banho e pegando sol e descansando na sombra. Procurando na internet. Comitiva séquito das formigas-correição por todo lado e dominando as entranhas da terra. Irrelevante.

            - Ora! Você vai conhecer a ponte pênsil. E liga um lado e outro do lago artificial - explicava a menina ao cão - Nada de birra, tá certo! Nada de me atropelar, tá vivo!

            E realmente a pontezinha balançou e o Pebolim quase quase desistiu. Reclamou um pouco, latiu grunhiu. De repente quis recuar. Titubeou um instante... olhou novamente a menina, viu que ela lhe dava moral... e prosseguiram. E a ponte mesmo balançava como balança uma balança um balanço gangorra de recreio, irrequieta.

            - Nem é legal, Pê! - declarou a menina (p, com ponto de articulação: bilabial, surda, oclusiva, oral) - Ainda bem que nem enjoa ou dá tontura desmaia, hem?!

            - Au-au-au!... “Eu pensei logo em desistir, é. Mas aí você me convenceu” - anúncio do Pebolim, tradução do latido para o latim vulgar ou português brasileiro.

            - Nada nos impede de sermos gente e cachorro, né?! Inda mais hoje em dia.

            - Lau-lau-lau!... “Será que todos nos olham e nos criticam, uma vez?!”

            O cão era raçudo (mesmo que sua linhagem tenha sido mudada ou misturada suposto ou espúrio, total: um vira-latinha) e nem tinha vertigem de lugares altos e periclitantes. Chegando ao fim da ponte o próprio mascote achou que deviam voltar e aproveitar melhor o balanço a ginga o requebrado o jogo de cintura. E como disse isso:

- Au!... “Eu nunca havia sentido isso, cara!” - ladrou com força e vontade e numa tradução simultânea do aplicativo do celular da guria.

- Pois muito me comove e muito me admiro. Digo que é apaixonante, querido!

            No dia a dia de casa, pronto, o Pebolim (substantivo e nome próprio) já estava bem e fazia, sim, parte da família como um filho um irmão um parente. E ele lutava por seu espaço dentro de casa, embora nem carecesse. E ele conferia tudo que estivesse ou aparecesse a sua frente ao seu alcance e dentro das suas 4 linhas de atuação. Tinha lá seu quarto e sua cama seu lugar seus brinquedos e horas de sono e relaxamento. Nada nem nada acontecia sem que soubesse. Carne viva! Era raro se surpreender com alguma coisa. As visitas eram inspecionadas minuciosamente e cheiradas com demorado do calçado ao chapéu ou do calipígio até o focinho. Caso a visita trouxesse consigo alguém da espécie logo se estabelecia uma disputa territorial, intransferível. O cão se comportava como se comportava a dona. Os bichos se olhavam se queriam conversavam como os donos. O comportamento do dono é seu cão e vice-versa.

            - Oxalá! Sábado de manhã vou à feira da rua prof Alfredo Gomes e compro legumes e folhas para o almoço de domingo. Eu raramente nem faço isso, meu amor.

            - Calor calorenta caloria-grama calórico calorama calorígero calorimetria.

            - Chinelo de pano com pompom ou rasteirinha de borracha com bandeirinha.

            - Hum! Antes de viajar e sequer decidir qual fim de semana, reservamos hotel.

            - Nem digam a ninguém, mas Balneário Camboriú é a Dubai brasiliana, é.

            - Pois é. Deixo e aprovo e recomendo e incentivo meu cão Pebolim a namorar... E depois ele pode apostar na loteria, quem sabe! A sorte também paga imposto, oquei?!

Será que cão duvida de alguma coisa? Deve pensar e avaliar e sopesar. Será que guaipeca sonha com algo ou alguém? Nem se sabe ao certo, mas deveria. Estudos de cientistas da universidade federal Santa Catarina indicam que sim, os cães realmente sonham e até demonstram preocupações e têm pesadelos inclusive insônias. Estudos antigos já queriam que o cão ou cadela pudesse um dia evoluir conseguir falar como um ser humano e que seu característico ladrar fosse registrado numa língua escrita.

- Você prefere rolar na grama ou na areia fofa, Pê?! Você tem medo de água?

            Quando Pebolim ficava sozinho, que a menina ia à escola, ele procurava ajudar a mãe ou o pai fazer as obrigações da casa e principalmente as refeições. Sempre atento na cozinha e debaixo da mesa de almoçar jantar lanchar. Cheirando tudo olhando namorando o que podia. Língua de fora e cauda batendo no ar. Saltitando (saltitar: verbo no diminutivo e sufixo r) para nem perder nada de novidade de cheiro de sabor de petiscos. Que sempre sobrava uma isca para provar um tira gosto. E sorria graúdo.

            - Veja lá! Nem se afobe, rapaz! - pedia recomendava a mãe.

            - Te comporte, meu! - se fosse o pai que estivesse ali preparando um prato.

            - Um dia você come em demasia e nem mais conseguirá subir a escada, hem?!

            - Nem adianta afirmar que fará dieta na segunda-feira, já te aviso! Oi!...

            A mãe trabalhava de manhã e ficava com ele na parte da tarde; o pai fazia o contrário. A menina estudava toda manhã e de vez em quando à tarde. Portanto, assim, toda hora tinha alguém por ele e ele com alguém. Precisava de uma namorada identificada com seu jeito suas características e aparências. Precisava e necessitava.

            - Adular e explorar. Vem, venha, vamos passear um pouquinho até o armazém - a mãe sentia falta de um produto ou ingrediente insumo - É só uma voltinha. Te levo na guia e você nem late pra ninguém nem provoque ninguém, ouviu?!

            - Olha, Pê! Vamos esperar o homem do gás ali na calçada no meio-fio, tá legal, topas?! - quando era com o pai - No máximo uns 15 minutos pegando sol. Que remédio!

            O sujeito o Pebolim era simpático e peso pluma. Com ele nem havia nem tinha tempo ruim. Seus olhos suas orelhas sua cauda a língua pendente, tudo eram sorrisos e satisfações felizes. Sempre sorrindo e para agradar ao freguês, inclusive visitas ou pessoas encontradas na rua no passeio no comércio no jardim. Era feliz de nascença. Lambia tudo que lhe agradava e de cara de pronto. Batia a cauda para tudo que lhe interessava e já queria pra si. Simpatizava com qualquer bicho ou pessoa ou coisa que lhe aparecia também simpático e amigável. Provocava no outro(a) empatia, também. Era um ser, no total, sociável confiável aprazível aconchegante moderado partidário.

            - Denota às vezes, e somente às vezes, certa ou quanta falta de paciência. Fera!

            - Contudo. Por que essa tal de impaciência pra chegar a algum lugar? Juro!

            Adorava dentista (substantivo derivado com sufixo nominal, dent-ista) e escova de dente, ou melhor, dentifrício ou pasta. Preferia sabores de menta e morango. Gostava de banho com água morna e sabão, muita espuma. Melhor quando alguém o lavava acariciando. Depois uma escova escovação bem demorada relaxante. Um cafuné ou cócega na barriga entre as orelhas nas costas. Um secador com vento quente do bom.

            - Você gosta de mim, Pê?! - perguntava-lhe uma vizinha, bajulando-o.

            - Tau-tau-tau!... “Mas é claro que sim e muito prazer em conhecê-la!” - já vinha a resposta do cão, e que o pessoal queria e podia traduzir literalmente.

            Se por acaso o Pebolim tinha medo da noite do silêncio noturno? E ficar sozinho tremelique no seu quarto ou preferir dormir junto da cama da patroazinha. Receio que esquecessem dele na hora de repartir o lanche a refeição de horário certo. Fugirem dele quando precisam viajar. Um ou uma intruso, mascote de um parente ou uma outra visita qualquer, tome seu lugar. Muito instinto olfato ouvido para se ligar 24h e 7 dias.

            - Ei, Pê! Olhe e escute bem! - a menina falando sério com Pebolim, ele muito olhando ela nos olhos nos gestos e etc - A partir de segunda você vai fazer sim uma dieta e rigorosa, tá ligado?! Está com sobre e obe, meu chapinha!

            - Sau-sau-sau?!... “Segunda? Mas logo amanhã? Logo eu? Por quê? Por favor!!”

            Focinho escuro úmido insinuante arrastando no chão, olhos doces acesos espertos noturnos, orelhas firmes altas parabólicas peludas, cauda aleatória elétrica vibratória histérica. Nem era mesmo de discussão, dissídio, dissensão, controvérsia, divergência. Longe e quilômetros de eclipsar-se, se ocultar e lerdeza, cólera, repúdio, aversão, picardia. Nem em casa nem na rua nem no shopping. Nem com gente nem com bicho ou outro cão. Quanto aos da mesma espécie preferia cheirá-los cercá-los e interagir. Quem sabe uma namorada, que todos precisam, hem?! Ponto.

            - Nem suba nos móveis nas coisas que é terminantemente proibido, ouviu, cara?!

            - Rau-rau-rau!... “Eu prefiro sofá e tapetes... por motivos óbvios, né, moçoila!”

            Talvez ele, o Pê, só queria mesmo brincar nesta vida. Brincar de pega-pega era sua melhor diversão. Toda hora esta diversão o encontrava pronto e disposto chispando pelos cantos corredor cômodos. E entretendo-se com uma bola de tênis, uma mania. Uns caracteres uma personalidade obsessiva e compulsiva. Mania de companhia, é.

            - Acho que o Pebolim gosta de farra e bagunça - conjeturava e definia a mãe.

            O cão era só coração, e assim: para a comida 100% os olhos a mente o olfato o paladar a vontade a água na boca; para com os da casa era fiel e dava a vida, quando já abastecido na hora combinada. E conversar com ele era fácil e mesmo engraçado. Todos faziam isso. Principalmente o pessoal da casa, já pela proximidade e intimidade:

            - Você, Pebolim, precisa de algo que eu nem percebi? Gosta de espelho?

            - Au-au-au!... “Assim de imediato... um sorvete de pequi caramelado, hum!...”

            - Você quer ser jogador de futebol?, Pê - indagava a menina Gaita, sua melhor amiga dentre as melhores donas - Pode ser o artilheiro do Colorado e da Seleção.

            - Au!... “Eu gosto também de natação. E nado muito bem cachorrinho, já sabe.”

            - Você é bom de matemática? Já frequentou aula de português brasileiro?

            - Mau-mau-mau!... “Nem funciono sem um petisco, quer saber! Oquei!...”

            - Que panca, meu! Que fuso horário diverso, cara! Que máxima atenção, hem?!

            Nesses casos ele se vangloriava. Era da sua índole. Gostava de se achar. Nem era de modéstia, pelo contrário. Muita ufania imodéstia jactância fidalguia. Muita flauta.

            - Quer ligar pra alguém, Pê?! Conheceu alguém feminina no parque que nem vi?

            - Au!... “Pois sim, agora que você falou... Me lembro de uma cadelinha poodle.”

            O leal da lealdade mais original e canina, o lealíssimo lealdoso lealista Pebolim, tinha medo lá fora na rua? Tinha medo de cavalo da brigada militar. Receio ou precaução dos animais de lata e motor. Desconfiava de porco coelho peru lhama paca anta capivara lagarto quatiaipé jacaré-de-papo-amarelo (substantivo epiceno e que se refere a um só gênero, tanto serve para macho como fêmea) e demais outros bichos domésticos ou do parque das Perdizes. Olhar de esguelha de revés posição oblíqua sobre os passos das pessoas estranhas ao seu redor. Sensação de perseguição perseguido por vespas marimbondos (esta palavra de origem africana) zangões abelhas aves de rapina e gavião-pega-pinto (substantivo composto), falcão-de-coleira, coruja-diabo.

            - Os tempos derivados e repartidos no cebolão. Pebolim sente muito as horas?

            - Rau!... “De repente uma água na boca em a hora certa e nem sei por quê.”

            Podia, claro que podia, ser pilhado em cima da cadeira lá na cozinha e debruçado sobre o tampão da mesa. Esperando achar esperançoso calculando querendo mais comida. Sedento faminto e guloso. Olhando as horas com esperança de comida.

            - Ei, chapa! Você nem era pra tá brincando no quintal? - a mãe, fazendo de desentendida - Corre lá vê se tem pandorga no ar entre nuvens e aviões folhas caindo.

            - Au-au-au!... “Eu me perdi da Gaita, é isso. Ela está demorando, será?”

            - Oie!... E sorria, você está sendo filmado! Sorria, demonstre interesse do bem!

            Um guaipeca gosta de novos ares. A menina e o cão gostavam de passear e em companhia uma do outro. O passeio sempre prometia. A praça Marquês do Herval. No caminho nada que fosse igual há ontem interessava. O dogue Pê se interessava absurdamente pelo voo das emplumadas e o ronco grosso dos autos. Também procurava detalhes e investigar o cheiro odor de outros animais e motos. Gostavam de acabar o rolê e na volta passar pelo camelô ambulante carrocinha do algodão-doce ou rapadura.

            - Até lá! Um dia te levaremos iremos veranear em Papanduva, papanduvenses.

            - Lau-lau-lau!... “Viajar é muito bom... Eu gosto de ir pegando vento na cara.”

            Nas horas de lazer, que eram exorbitantes, a família se reunia na sala de estar e nem necessariamente com comida no potinho na bacia na tigela. Em frente da tevê e assistindo qualquer coisa com cachorros ou desenho animado com animais divertidos aventureiros. Outras vezes na varanda admirando o zigue-zague da rua Bitácula-Bitaca, junto esquina fazendo um triângulo coa rua Doutor Catrambi. Às vezes saboreando um sorvete ou outro tipo de doce feito em casa caseiro. Pão caseiro com geleia de abacaxi.

            - Por que estou aqui? Por que voltei aqui? Por que nem sei o que fazer aqui?

A menina gostava de quindim, simples assim. A mãe gostava de açaí (e este tinha de comprar no mercado público rua João Teodoro e bairro do Brás). O pai gostava de bolo de chocolate ou mesmo sorvete de chocolate mouse de chocolate com bolacha maria e sagu de vinho tinto seco caseiro (estes últimos todos ao mesmo tempo misturados simultaneamente no mesmo potinho). O Pebolim gostava de tudo e mais um pouco, nunca satisfeito, sempre atento para nem perder nada ou nenhum.

- Ei!... Vamos até a cozinha preparar e tomar um café quente, sugeri.

- Olá! A dimensão de D dispersa em os nossos sentidos sensibilidades.

- Nem é orgulho. O mundo é uma direção e dois sentidos. Sem confundir.

- Quando for ao céu um dia. Os místicos nem se distraem nem se dispersam.

- Tau-tau-tau!... “E aquele pedaço de pizza que ficou do almoço, hem?!...”

            Faziam um concurso familiar pra ver quem era o mais guloso e glutão. Adivinha quem sempre ganhava e a anos-luz? Talvez o mais engraçado era saber quem chegava ou conseguia o segundo lugar. Depois de consumir respiravam com alívio.

            - Pebolim, você é muito rápido no gatilho! - declarava nessas horas o pai, e ria franco às bandeiras despregadas - Ora, seu poder de reação é o melhor do mundo.

            - Você, Pê, nasceu pra ganhar todas as corridas gastronômicas, e de todas as distâncias - a mãe entregando um troféu imaginário ilimitado rindo - Ahahahah!...

            - Teu nome é Merenda, meu preferido! - que a menina se empolgou e deu um beijo na boca do mascote e com ruído de beijo molhado - Esleeeeepe!...

            - Au-au,-au!... “Preciso comer pra ficar grande e um canzarrão!” - passando a língua felpuda comprida nos beiços da menina após o beijo na boca com delícia.

            Já o pulso do Pê acelerava ao máximo quando sentia hora do lanche. E latia pedindo ‘por favor!’, assim, coa língua de fora e cauda batendo no chão, como uma criança (substantivo sobre comum) desamparada carente indefesa esquecida:

            - Nau-nau-nau!... “Por favor, nem se esqueçam de mim!” - e muito dramático.

            O quindim tomou a forma da fôrma. E tudo bem e tudo pode como pôde. As papilas gustativas ou linguais (células receptoras do paladar - fonte, dh)  da guriazinha bem e bastante que se assanharam dando até água na boca. Massageando a mandíbula masseteres os músculos da mastigação e apegados. Prelibando um sucesso generoso.

            - Quer experimentar o nobre quindim?, sujeito insaciável - provocava a menina ao seu mascote preferido e único - Veja também como sou boazinha sou sua fã.

            - Iu-iu-iu!... “Nem me torture mais! Me deixe dar uma mordida” - dizia o cão, enjerizado encolhido tremendo de frio (?), e seu olhar era tudo isso de pura humildade carência esperança desejo sonho fantasia e - “Nhaque!, nhaque!... nhame! nhame!...”

            A alma (substantivo concreto) de Pebolim tinha somente oito meses. Já era taludo e bem tratado nutrido gordo forte e nada se perdia tudo se transformava.

            - Cão tem espírito, mãe? - a menina aproveitou um momento que o Pebolim nem estava por perto - Eu ouvi dizer que tem. Será?! Conforme o cão ou a cadela?

            - Por muito pouco. Eu creio piamente que tem alma, sim. E das boas.

            - Arre! O que é alma, pra falar sério?! O que é espírito pra falar a verdade?!

            - O importante o sério... Propriamente dita, a alma é o que move o Pê ou as pessoas em geral. Eu também me baseio em suposições e palpites de outros e de especialistas no assunto. Tais e quais como monges monjas padres freiras pastores pastoras. E principalmente as religiões ou filosofias budistas hinduístas lamaístas.

            - Ah é, é?! - só fez a menina, desanimada e cheia mais ainda de interrogantes.

            - É, fui longe demais no meu discurso. Embora nem tenha dito nada - concluiu a mãe e deu por encerrado o assunto - Vamos tomar café. E com bolo de chocolate recheado com amendoim plantado colhido recolhido torrado no sítio da tua tia Poá.

            - Por que entrei aqui? Por que eu? Por que entramos e saímos do mundo?

            - Murmúrios retinem como metais no metal. E tímida medrosa timorata.

            Que é inegável que o Pebolim e outros bichos tenham alma. Nem se pode duvidar e nem se deve negar. Tirar a alma do Pebolim seria muito cruel. Ele deve ter uma alma enorme e saliente e eficiente e boa muito boa. Uma alma de qualidade como uma alma de pessoa. E com alma espírito ele vai a todo lugar que quiser e preferir e escolher. Bem, quase todos os lugares. Pois que a alma de cada um tem seus limites e suas dependências naturais físicas terrenas. Que a alma é beleza (substantivo abstrato de qualidade). E nobre como tal. Que a alma é o tempo todo. A alma pega a forma do seu próprio objeto. A alma é uma energia elétrica. Uma alma precisa de outra alma, junto.

            - Pê! Se eu lançar uma bolinha de tênis ali você vai buscar pra mim? Vamos brincar de bola? Eu atiro e você mais disposto vai caçá-la, tá limpo?!

            - Blau!... “Pode ser quicando que gosto mais!” - e já Pebolim de boca aberta língua babando todos os dentes sorrindo e olhos brilhantes e todo ativado no turbo.

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