quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Seres Pendentes de Nuvens - (6)

 

                                               

                                                                      

            Quem na casa viu primeiro, ou percebeu na hora? Foram os cachorros que já sabiam acordam sempre na hora certa na mesma energia? Ou já era tarde e todos tinham mesmo que estar de pé de pé? Que tivessem paciência, mas já era hora de todos acordar!

            Por sorte que o dia vem vindo cheio de casas ao redor. As aves cantam quase nada por isso e geralmente pulam de galho em galho e vão almoçar em outra catedral. O mar marinho marítimo marinheiro marinha vem molhar a pontinha das próprias asas lãs pelos crinas algodões na areia fictícia da praia de Ipanema do sorriso de malícia.

            D é tudo mais o sol e o sistema solar e a Via Láctea, com ou sem tempo bom. A nuvem é tudo menos a chuva de verão. O sinuoso rio Caí é tudo menos o estuário Guaíba. A famosa rua Augusta é tudo menos o badalado bairro Cerqueira César. A grande lagoa dos Patos é tudo menos o charco oceano Atlântico. O verde mar é tudo menos as nuvens. As nuvens olham tudo e de repente se preparam para, ‘tchibum!...

            Uma pessoa ordinária mora na cidade. Um beija-flor-tesoura irisado mora em Flores da Cunha. Uma pessoa prática mora na roça plantando milho e sorgo. Uma cutia noite e dia mora na mata ciliar do rio Retiro. Uma pessoa pessoal mora no distrito de Ratones em Floripa. Uma quati mocinha tão galante mora no parque Barigui.

            D começou dizendo, campir perspectiva negócio extrarracional pastoril campino campo campestre. A drupa sou Eu. A drusa sou Eu. A campânula/redoma sou Eu.

            O mar pega um carreiro e desusado ultrapassado fiúsa fora de uso fora de moda, a terra pega outro ritmo e fiúza confiança fé fidúcia, o céu pega um corredor e verborreia verborragia loquacidade vaníloquo verbolório que fala em vão. O céu pega outro travessão e vaníssimo extremamente vão futilíssimo, a terra pega outra via e dubitável ambígua incerta imprecisa, o mar pega outro litoral e magano malandro.

            Trempe e Totó acordam automático sempre na mesma hora e juntos. Isso eles são diferentes dos humanos, têm horários têm relógio dentro de si mesmos e acordam sempre na mesma hora. E no caso, acordaram ao mesmo tempo exatamente às 6h e 16min. Abriram os olhos e olharam em volta, tudo quieto na casa. De acordo os dois, esperaram mais um pouco. Sem latir, mas com mimos e empurrõezinhos e chamegos e balançar de orelhas da cauda rolos e bocejos cheirando aqui e ali:

            - Uh-uh-uh!... “E daí? Essa é muito boa. Vamos esperar mais um pouco. Mais cinco minutos, reticência...” - resmungou cautelosa e achou melhor a Trempe.

            - Uh-uh-uh!... “Todos os dias é assim, sempre mais um pouco. Talvez mais 15 minutos. Ordens são ordens e em ordem.” - resmungou baixinho e desabafou o Totó.

            E esperavam ali, bem acomodados, mais o suficiente até que um dos humanos da casa se dignasse acordar acordar. Se olhavam entre eles, esperando. O queixo sobre as patas dianteiras. Olhavam a luz filtrada querendo se infiltrar pela veneziana de plástico, enquanto isso. Tudo era lento e lá fora de fora pra dentro vinha o som rechaço repúdio repelir dos carros rumores em o trânsito da rua Tiguera.

            Ouviram som no quarto do lado, dos mais grandes maiores os pais dos meninos, e foram no corredor ver quem era, dar o “bom dia!” do jeito canino doméstico. Pé ante pé, quatro por quatro, os ungidos foram ali no corredor cheirar e reconhecer (modelo de verbo regular da 2ª conjugação, ex: conhecer, beber, descer, crescer, comer) e se apresentar a quem aparecesse primeiro. Foi a mãe mesmo, Gaipara, e arrastando os pés em chinelinhas de pano, até o banheiro. Nem cumprimentou os bichinhos, nem nada de falar nada (eles tentaram se enroscar nos pés da mulher) e ela entrou para se demorar.

            - Uh-uh-uh!... “Nem nos viu, nem olhou pra baixo” - lamentou a Trempe.

            - Uh-uh-uh!... “Nem se ligou, nem te ligo” - reconheceu e retrucou o Totó.

            Os cães voltaram e quietos se instalaram se acomodaram no mesmo lugar perto da cama dos mais amigos e que era o lugar acostumado para eles e se deitaram esperando esperando. Mais queixo sobre as patinhas dianteiras e rabo entre as pernas. Mais algum tempo, e o tempo demorava demoraria. Deitados recostados em decúbito.

            - Uh!... “Ainda é cedo pra eles os humanos. É muito menos e pouco mais. Que impossível, exclamação!” - declarou resmungou Totó, se acomodando no pufe.

            - Uh-uh-uh!... “Eu já sabia. É sempre assim mesmo.” - suspirou e voltou a deitar na fofinha almofada a Trempe, olhos oblíquos enviesados pálpebras semicerradas.

            Mais algum tempo, mais quanto esperar, e a família toda reunida na cozinha praticando o desjejum. Os dois xerimbabos mais ansiosos que nunca e emboralá aproveitar o lindo dia de sol. Que já ia tarde, demorou! E manducando a ração diária e que cabe e mais o ar as folhas a rua o jardim a praça Paulo Alves Moreira.

            Os mamíferos cães são excelentes ouvidores, escutam muito bem. Todo mundo sabe disso e cheiram melhor ainda. Mas queriam ver o dia em loco e já andando nos caminhos, a distância da casa ao parque. Esta era a solicitação dos animais. Esta era o porquê da solicitude boa vontade empenho em agradar dos afilhados e batizados no rito sagrado sacramento do batismo. Ver ouvir pensar saber fazer. Transcrevo a transcrição:

            - Uh-uh-uh!... “Ouça e escute o que vai lá fora, Totó!” - ululava a Trempe.

            - Uh-uh-uh!... “Escuto e ouço sem poder fazer nada, exclamação! À primeira vista. Quer opinião?” - se desculpava ronronava sem culpa o Totó.

            - Uh!... “E por que estamos falando baixinho, reticência... Nem regateio.”

            - Uh-uh-uh!... “Porque é cedo, interrogação? Porque estamos em casa, ainda?”

            Bem depois, mais ou menos aí pelas oito, saíram os três habituais passeadores, os 2 cães e a menina Inajá. Era então o agora e daquela hora. Os tipos bem mais empolgados e felizes e alegres e sorrindo latindo ganindo ladrando o tempo sem fim o tempo todo. Amostras significativas de desejos. O mesmo roteiro e que sensação nova ou modificada, vivida na hora. Livres para andar ladrar e até correr trotar saltar pular fazer as visagens as coreografias gaifonices macaquices caretices. E que hão de permanecer ficar livres à curiosidade particular do povo população em geral.

            - Au-au-au!... “Eu quero saltar obstáculos! Boa noite!” - ladrou a Trempe.

            - Au!... “Eu já te digo! O túnel ferroviário do Sapê” - ganiu o Totó.

            Cheirando tudo pela frente e olhando de um ponto de vista baixo abaixo dos humanos, os cachorros nem tinham certas ideias ou visões que os humanos têm. Por exemplo, chegando na zebra para atravessar a avenida João Guimarães Rosa, tinham que esperar ordens de cima do alto da menina. Esperavam a pessoa responsável dar o primeiro passo e obedeciam seguiam o comando. Às vezes um pouco controvertido.

            - Au!... “Me vejo entrando num buraco e saindo lá na frente, como num túnel como num oco de cano de tubo de vala de valo de bueiro, reticência.”

            - Au-au-au!... “Me sinto voando vagando adejando, reticência.”

            Como bons ouvidores ouvintes, nenhum som lhes escapava e identificavam todos já ouvidos antes e sabidos. O som dos carros perturbava mas já sabiam. A voz dos humanos era diferente e cada um tinha um tom peculiar. O da dona, no caso, bem identificado sem dúvidas. E olhar olhavam bem enxergavam à boa distância e sem maiores problemas, apesar de baixos e rasteiros. As vantagens do cachorro.

            - Ih!... “Tá sentindo cheiro de que, meu velho, interrogação?” - foi Trempe.

            - Ih!... “Várias coisas, entre elas de pneu de carro. Por enquanto.” - o Totó.

            - Que que estão tramando vocês dois, hein?! - foi a menina tentando entender o que se passava na ideia dos dois guiados. - Algodão-doce só depois das 10h, oquei?!

            Os cachorros olharam pra ela a menina falante falando falou e disse, se entreolharam significativamente, continuaram andando e sempre na coleira conduzidos e os dois na mesma cordinha. Estava tudo bem e iam acostumados rumo do parque Barigui, o destino de todas as manhãs de sol. Algumas boas aparas de nuvens bem mais altas bem para o alto firmamento. A graça e graças a D, e mais além!

            Alguns lugares localizados vários muitos. Rua Carlos Machado de Bittencourt escadaria prédio edifício casa de telhado de telha fachada preservada carros 4x4 penca de bananas estacionamento de viés transversal calçada loja. Tão tudo isso tanto e é nada.

            A menina nem usava de ouvir música rádio, mas as notícias mesmo assim aconteciam e nem paravam. E se lia, se alguém parava pra ler, nas manchetes dos jornais vendidos nas esquinas pelos jornaleiros e suas ofertas de mãos cheias. Sendo que ultimamente se têm notícias atrevidas de movimentos místicos localizados nos mais diversos locais. Alguns de ontem e outros de hoje e fresquinhos novidade novidades (citando as fontes de apoio, ibge e fgv e idhu e pnud), convenientes convênios:

            “Movimento messiânico do Contestado. Um povo que se juntou em crise em Piratuba e Videira e Frei Rogério e Curitibanos e Pinheiro Preto e Alecrim.”

            “Movimento milenarista e messiânico chamado Caldeirão dos Jesuítas, em Crato-ce.”

            “Movimento popular com motivos místicos messiânico nomeado Pau de Colher, ocorrido em Casa Nova-ba (cidade que tem o maior rebanho de cabras da ba, milhares de cabeças e aumentando fornecimento provisão abastecimento; sendo que a Bahia tem e possui o maior rebanho de caprinos do br; e o br tem o maior e melhor rebanho de bodes e cabritas do hemisfério sul).”

            - Os arautos portadores de notícias avisos correios, hem!... meus xerimbabos.

            - Au!... “E que ninguém pode evitar, né, chaminé?!” - ditado da Trempe.

            - Uh-uh-uh!... “Pendente móbile de barrinhas de ferro, ti-lim!... hífen.”

            E já na altura da rua Francisco Licks, passando a rua do Oleiro e pouco pra lá da avenida Imperatriz Leopoldina, a menina admirou um prédio de fachada antiga velho bem localizado e bem característico bem conservado. Decidiu entrar, entraram. Na frente tinha um toldo de duas cores azul e branco dossel sobrecéu esparavel baldaquino que aparava a chuva e ou o sol. Na hora agora o sol solzinho e uma brisa quente. E era mesmo uma boa casa e um casarão muito bom sólido grandão construído com força e pedra angular. Preservado revitalizado arrumado com dotação da secretaria de a cultura. Uma escada da rua cruzando o umbral da porta pesada enorme até o primeiro andar. Prédio dos muito antigos e feito de pedras grandes enormes pesadas talhadas a mão artesanalmente. Passadas décadas. Pintado por fora de amarelo-claro e por dentro um marrom-clarinho sóbrio padrão. A construção toda servia de biblioteca e esse detalhe importante fez a menina entrar e escolher. Quem entrava quem entraram: os três, e convictos. A fortaleza já tinha nome e sobrenome, biblioteca Mário Quintana (emérito, sábio, sublime, eminente, cidadão condecorado e reconhecido declarado anjo ou arcanjo e comenda distinção  - quase quase canonizado milagreiro e natural de São Gabriel ou Alegrete ou Itaqui ou São Francisco de Assis ou Rosário do Sul ou Porto Mauá).

            - Uh-uh-uh!... “Vamos conhecer outras pessoas, só pode. Parece tudo muito distante e longe e deletério e elétrico e chamuscado.” - preveniu o Totó, cheirando e olhando muito interrogativo tudo em volta e receoso de latir se manifestar falar alto.

            - Uh-uh-uh!... “Preferia andar no meio do mato, é mais interessante. Parece tudo aleatório obsoleto e insalubre danoso aos pulmões e pouco responsável.” - respirou fundo e sentido o ar de guardado ou naftalina do recinto, a cadela Trempe.

            - Ih!... “Espero nem demorar acá, sabe, exclamação! É difícil, é temperamental.”

            - Uh!... “Nem se escutam os passarinhos, nem se sente o vento, nem se vê coisa nova e colorida. Eu por mim prefiro mil vezes jogar bola.” - lamentava a cadela.

            - Oh!... “Você sabe por que guardam esses livros todos? Devem estar todos muito antigos e velhos e passados. Sinto muito esses cheiros e odores e gogos.”

            - Auh!... “A menina está folheando alguns. Deve levar alguns pra casa. Já fez isso outras vezes, lembra?! Ela gosta de livro de capa dura os inquebráveis indomáveis.”

            - Uh!... “Então vamos demorar um bocado até chegar no parque e correr.”

            - Uh!... “Sempre se demora. É o que a guria pretende e quer fazer e faz. Ela mesma que se manda mandachuva manda tudo. Só nem manda nela mesma.”

            - Ih-ih-uh!... “Ela vai passar álbuns e revistas e brochuras em revista revisão.”

            - Ua-ua-ua!... “Tudo vai passar pelo seu crivo lá dela minucioso sério, é.”

            - Uh!... “Ela adora fabordão ou bordão, conte outra, exclamação! E digo mais.”

            - Ah!... “Ela pira com fábula ou fabela, só confere e confere só o confete!”

            Era duro ficar na expectativa no aguardo de outra pessoa. Os criados assim e assim ainda podiam conter a ansiedade de logo saírem dali. Sempre pensando lá fora. Cheios de ímpeto impetuosos corajosos e já queriam sair correndo e sem freios sem peias sem amarras. Sem armas brancas sem vazios falhas faltas deslizes lacunas.

            - Au-ah-oh!... “Se eu falar o que penso disso tudo, você nem vai acreditar.”

            - Ih-uh-au!... “Você pode confiar que estou pra ouvir e latir à vontade, é.”

            Eles os animais, cuidavam olhavam e cheiravam muito de perto o que a menina Inajá fazia andava parava olhava mexia. Ela pegava um livro e olhava a lombada, abria na página que aleatoriamente lia e relia. Depois olhava a capa decorava o título, guardava na estante. Iam de prateleira em prateleira e era tão lento assim para os mascotes que de vez em quando sentavam e pacientemente olhavam esperando e língua de fora, etc., as caudas balançando conforme. O tempo até se fazia sentir e ou cheirar.

            - Uh-uh-uh!... “Ela tá contando os livros que olha?” - dúvida do Totó. “Quer aprender novas aventuras e outros mundos. E isso é bom e ruim, é, reticência...”

            - Uh-uh-uh!... “Se ela soubesse o que procura o que procurar...” - criticou a Trempe. “Talvez óvnis ou reinos ou impérios ou mares nunca dantes navegados.”

            - Oh!... “Deve procurar ideias estanques fechadas encadernadas vedadas impenetráveis. Deve tudo e nem paga nada. Vai pra lá e volta pra cá.”

            - Au!... “Deve tá procurando enigmas mistérios charadas. Vai que acha e mais.”

            - Uh!... “Quem sabe quem viu um ideário de doutrina. Uma aventura, urra!”

            - Uh!... “Quem sabe quem viu um diário de aventuras e escritos feitos megalografias. Um conto que aumenta um ponto. Sim, um história com H maiúsculo.”

            O famoso sexto sentido dos animais lhes dizia que iam demorar pelo menos mais uma hora. E lá fora era uma hora a menos. E sentir o sol uma hora a menos. E histórias imaginárias imaginadas ao ar livre com imagens de arquivo sublimadas aéreas etéreas.

            - Oie!... Tá certo. Este livro foi escrito por uma poetisa ou uma poeta, Cecília Meireles - ensinava a menina, embora sem querer que os afilhados lessem livros como ela lia ou gostava de ler. - De tudo. Eu sempre gostei desse nome: Cecília Céci Ceci... Bonito nome, e um dia vou dar esse nome a uma pessoa que amarei muito muito. Já ouviram eu dizer de Ceci e Peri? De nada e por tudo. Eu já li uma história com eles juntos e inseparáveis, é. Inauguraram recomeçaram no mundo novo ou no novo mundo.

            E este livro fala de cidades antigas e ruas estreitas e ladeiras íngremes com capelas igrejas barrocas icônicas. Lembram de Marília e Dirceu? Quem escreveu Tomás Antônio Gonzaga. Cidades antigas no roteiro e Ibirité, Belo Vale, Moeda, Catas Altas da Noruega, Piranga, Ouro Branco, Santa Bárbara, Tucunduva. E daí lembro por pensar hoje em dia das cidades no futuro futuração suposição futuridade e Cacequi, Manoel Viana, Quaraí, Lajedinho, São Sebastião do Caí, Santa Rosa, Taparendi (dos tuparendienses). Tudo em si. Cidades comunidades com labirintos próprios.

            - Au-au!... “Que cidade já nem recebeu nome, interrogação?” - diz o Totó.

            - Au-oh-oh!... “Assim mesmo são tantas e todas, eu diria, exclamação!”

            - Ah-ah-ih!... “Que nem se sabe o nome inominado nem se conhece o nome... somente D, que eu saiba e me lembro, reticência.” - desabafa o legendário Totó.

            - Ih-ih!... “Que bacana nem ter nome e depois ser nomeada declarada, né?!”

            E os cãezinhos viram a menina pegar outros exemplares e falando e nem terminava a consulta a entrevista com livros a visita à biblioteca. Andavam entre as prateleiras cheias abarrotadas de livros e sem ânimo estado de soçobro. Seguiam a dona, ouviam viam e mal e mal podiam esperar. Agora mesmo ouviam e das partes do ouvido, externo médio interno, entravam os sons as palavras sonoras identificadas diferenciadas no canal do auditivo. E este mecanismo se agilizava ia acionado e movia o tímpano a bigorna o martelo o estribo (uma engrenagem) e o som domesticado aparado pela concha do caracol ou labirinto ou dédalo ou espiral ou cóclea. Tudo cientificamente provado. Tudo dominado e traduzido em forma de palavras que às vezes falavam aqui fora e todas às vezes passavam pelo cérebro engenho casa de máquinas. Umas já saíam limpas livres adaptadas e para se ouvir mesmo, seja em forma de música inaudita jamais ouvida escutada ou frenesi exaltação desvario faniquito. Quem ouve bem canta e:

            - Vamos e veremos, se for o caso. Oi!... Tenho que ler este Ubirajara, de um José de Alencar. Seria preciso. Eu desde cedo imediatamente verdadeiramente sempre gostei de história de índio autóctone. E lendas de bichos que se transformam viram árvores; árvores moitas ou sebes que se metamorfoseiam viram bicho porco-do-mato e cateto ou meio bicho meio gente tutu ou bicho-papão como boto iara caipora pé-de-garrafa. Jabuti ou jabota que fala como gente e gente que tem vida de cobra grande mboi-una (a cabeça presa dentro da igreja matriz e a cauda dentro nadando no rio Amazonas). Oie!... Parece tudo tão mágico! Se liga!... Parece, que nada, é tudo tão Marajó!

            - Au!... “Quero ir pra terra das perobas-bravas e Itatiaiuçu, exclamação!”

            - Ih-uh!... “Ora e ora! Pra lá com certeza ainda de Jacarepaguá!”

            - Oh!... “Nunca se sabe o que uma cidade Igarapé tem no fundo.”

            - Oh!... “Já nunca vamos saber o que uma gruta do Maquiné vê no fundo.”

            Na vontade de escolher novidades ou na dúvida de escolher antiguidades, a menina ia e se dirigia para as diferentes prateleiras armários estantes gavetas. Agora este livro em mãos é do conhecido literato Sílvio Romero. E este conhece o outro que se apresenta como José Veríssimo. Que reconhece Artur de Azevedo e Lúcio de Mendonça e Cruz e Sousa. Esses caras bem cabreiros astuciosos dissimulados. Joaquim Nabuco foi um fazendeiro dos quilombolas ou calhambolas e estudou na Europa e conheceu todos os livros e os debateu acostumado atreito habituado. E os assuntos e livros atuais que nem se tem ousadia de dizer que conheceu ou deixou de ler.

            - Au-au-au!... “O lago vai que está muito de boa e água quente e legal, hem?!”

            - Uh-uh-uh!... “A grama bem aparadinha manducada pelas capivaras, né, meu?!”

            - Olhem aqui praqui, gente! Um dia estes escritores já foram deste mundo, é.

E Nélida Piñon e Vilma Guimarães Rosa e Ledo Ivo e Maria de Lourdes Teixeira já encontraram esta uma árvore mágica e contaram a história da planta ou arbusto que dava o caro dinheiro-em-penca. Uma árvore qualquer tipo embaúba-fruteira que toda primavera dava dinheiro de montão e com direito a ser recolhido por quem chegasse primeiro ou tivesse bolso grande para guardá-lo. E as pessoas enricavam com o cabedal, gimbo, verba, bilhestro, bagalhoça, maquia, tubos, calique, cantante, cheta, cunfres... E se tudo isto fazia dinheiro contado e adquirido como folhas colhidas diretamente da planta original, que nem desfolhava no inverno. Bastava ter a sorte de cultivar esta planta no quintal que pronto a messe colheita seara estava pronta para a ceifa e apareciam os reais, dólares, pesos, sóis, ienes, euros, riais, yuans. E quanto custa uma árvore que frutifica enflora floresce medra faz crescer aparecer grana bufunfa arame fundos lençol óleo pasta tacho à vontade. E mais mirífico riqueza suntuosidade.

            A menina Inajá queria falar mais, porém achou que os cães estavam impacientes ansiosos por querer andar pelas costumeiras habituais trilhas do parque. Assim a guria escolheu um livro e o pôs na mochila, depois de registrá-lo no caderno da professora bibliotecária dona Guita Claustro, e saíram. Logo logo pegaram a rua Caiouá, fácil facilitada favorável de facilidades, o rumo certo e normal do parque e onde e como tudo pipiava cantava sorria palpitava respirava verde. As aves voavam e as árvores frutificavam. Os pássaros se digladiavam se enfureciam e mais cantavam vocalizavam.

            - Au-oh-oh!... “Agora acho que já é hora do lanche, você percebe?” - pergunta da Trempe, ansiosa empinada e mãos estendidas. “Sinto um cheiro de pão de queijo... no ar e na aura brisa aragem. Alguma coisa além de vegetais e legumes, né?!”

            - Au-ih-ih!... “Eu prefiro algodão-doce, igual da menina” - confessou o cão, ansioso rampante. “No máximo ou no mínimo uma cocada crocante, já viu?!”

            - Au!... “Sim, pode ser um bom suculento pé de moleque. Nem nego ou renego.”

            - Au!... “O que vem morre! Tenho fome e sede e apetite de sobra, exclamação!”

            Os cachorrinhos sabiam e reconheciam o lugar. (Que uma vez certa feita outra época e distante mesmo no tempo, habitavam pertenceu aos autóctones tribo pucobié-gavião). E ali mesmo neste instante do tempo hoje, os movimentos eram exclusivos de cada dia e as pessoas diferentes e os comportamentos dos humanos nem variavam autoamestrados. Tinha gente correndo pedalando passeando com seus mascotes conduzindo carrinhos de bebê sentando na grama rolando deitando pegando sol na cara se bronzeando. O lago no meio do arvoredo e o arvoredo em volta da água. O vento batendo nas folhas. Pássaros passando e piando e namorando aí. Todos defendendo seu dia, buscando o que precisavam buscar. Inquietos e risonhos. Cada um tinha seu dia e horas e assim procurava abraçar se soltar. Um dia gênio genial de piadas farsas farras e festival. Condições normais de temperatura e pressão, cntp. Prepor, pressupor, propor.

            - Olhem o que eu vi e recolho com delícia, meus caríssimos! - dizia a menina falando com seus xerimbabos e andando para uma sombra ali na árvore do parque.

Se assim achamos que essa uma árvore intelectual do tipo e espécie breu-sucuruba, e que dá dadivosa muitas palavras e vocábulos. Um vegetal tão necessário e fazendo sentido, significados significantes. Contando histórias de papel.

Era mesmo comprovadamente uma planta acadêmica (mimosa serena esplendida fagueira inspirada perfumada) e filha de gente livresca tais e quais os poetas Dante Milano, Olegário Mariano, Ciro dos Anjos, Mário Barreto, Visconde de Taunay. Vento mexendo as folhas passando as páginas. E o que nós temos com isso e o que teremos que fazer? O que nós ganhamos com isto se isto é? Que se faz com isso sem aquilo?

Tivemos e temos teremos que ela esta árvore (cheia de graça harmonia eflúvios majestade) troca as folhas que caem secas no outono e muda rapidamente na primavera em flores de pitorescos verbetes já pendentes dos galhos e ramos: toada, epigrama, soturno, socava, enrediça, hirto, lôbrega, sacho, himeneu, sopé. Cada palavra é uma janela que abre para a rua Raquel de Queirós. Árvore que planta frutas-palavras.

Uma árvore com frutas de nomeação e muitas vezes inextricáveis indestrinçáveis indescritíveis. E é mesmo uma árvore jovem e cheia das ideias e pitança, suru, porfiar, vasca, acerbo, sublevar, hiante, relicário, punga. E cada flor desta árvore infiltrada de cor única e sabor típico inigualável, e (“olhem quem vem aí e voando!”) que o digam os colibris e besourinho-de-bico-vermelho, besourinho-da-mata, rabo-de-espinho, estrelinha ou besourinho-zumbidor. Decorações de árvore e que podem ser recolhidos ao dicionário mais próximo. E o dicionário que virou virtual e mesmo pode ser encontrado na dúvida e amansa qualquer parada e questão e pergunta. Árvore que dá uma fruta fruto chamado verbo substantivo adjetivo. Surto surtes sortimos surtem.

- Agora me lembro de andar de bíci... Agora eu vi uma bíci pedalando aqui...

Umas coisas se vê e outras se conhece. Uns preferem a visão e outros a audição. Mais alguns a ilusão abusão que razão. Os xerimbabos, por sorte deles e destino, preferiam ver ouvir e cheirar. Eram os sentidos completos cá fora no dia a dia. Paladar e tato eram meio que secundários. Sempre interessados insistentes e garridos garridice petulantes com micagens saltitos gestos e meneios e ganidos cainhos. E para eles correr era um culto vocação missão, ah!, isso era e efetivamente. No caso de animais afilhados, temos que acrescentar mais o sexto sentido. E como explicá-lo? E como debatê-lo?

- Au-au-au!... “Tá vendo aquela família de porcos-espinhos? Estão ali, olhe lá, junto do jequitibá. É pai mãe e filhotes, uma ninhada” - indicou o Totó, esticando apontando com o focinho úmido intrometido. “Eles precisam estar aí, hem?!”

- Au-au!... “Sim, uma família e passeando em pleno dia. É raro e pode ter acontecido alguma coisa. Será que foram expulsos do esconderijo? Eu acho que sim” - queria saber e confirmar a Trempe, peludo pelo reparado e flocado em tufos aleatórios.

De fato um grupo de uns seis porcos-espinhos ou ouriços-cacheiros ou cuandus, grunhindo e grunhindo roncando cheirando o ar... desfilavam raros pelo tapete gramado entre amigas capivaras bem-te-vis-piratas marrecas-oveiras caboclinhos-de-papo-escuro lavadeiras-mascaradas pombas-gemedeiras neineis... E com gente incluída aí também, pegando um bronzeado que concede D, o Todo-Poderoso. Gente de fim de semana pegando uma cor e rachando manchando, eivando-se como fruta madura ao sol.

            O parque ali oferecia ainda oferece: excursões em barco, observação de animais, passeios guiados educativos para crianças, caminhadas pelas diversas diferentes trilhas, passeios com bícis alugadas, jardinagem e cultivo de orquídeas e bromélias em estufas.

            - Ah!... “Eu vou lá falar com eles e pedir saber qual que é” - pensou alto o Totó.

            - Au!... “Pois se a menina lhe der trela e linha e vez, entendeu?!” - lembrou a Trempe, língua de fora e olhos lacrimosos grandes atônitos com ótimas pestanas.

            - Ih!... “Eu nunca nunca conversei trelei tagarelei com esses tipos. E você? Parecem meio bichos do mato e perigosos. Te confirmo ou te afirmo, reticência...”

            - Oh-oh-oh!... “Pois eu nem quero. Dizem que flecham espinhos venenosos nos que se aproximam. A menina deve saber melhor. A humana tem meios de arriscar.”

            Então deixaram de lado a oportunidade de conhecer os porcos-espinhos. A menina nem se deu conta ou nem se interessou deveras. E os três foram andando pela trilha e meio que aleatoriamente. Era andar por andar. Conversando o que viam por acaso ou se lembravam por acaso. A mocinha fronte sobranceira elevada. Os mumbavos já satisfeitos e de uma animação intensa e a vivacidade alacridade. Se fosse o caso até podiam parar num lugar e ver de cerca perto rente. Foi o que que surgiu diante deles?

            - Au-ah-oh!... “Minhas condolências compaixão e pena a esses bichos meio selvagens e que vivem no parque no mato matinho” - consentia o Totó, num muxoxo.

            - Au-ih-ih!... “Amanhã ainda e ainda mais uma vez estarão ali e aqui e acolá pastando e pedindo esmolando aos frequentadores do parque, é. Uma rotina.”

            A menina tinha suas vontades e nem perdia de vista os interesses imediatos dos criados. E ela parou justamente diante da capelinha da santa. Algumas outras pessoas também faziam igual. Os animais ficavam de fora, caso a dona queria entrar ou precisava rezar. No alto da porta de entrada uma placa e “Nossa Senhora da Imaculada Conceição”. Um pouco abaixo e menos destacado, porém visível aos olhos atentos e “Tributo e ação voluntária dos amigos do parque, tementes a D. E que o céu proteja a todos.” (Este grupo de voluntários vigilantes do parque era composto por uma tropa competente e autorizada e que dava um verdadeiro show e mega ultra supernecessário).

            - Fiquem aqui e no meu aguardo, ouviram?! - decretou a mina, em missão.

E deste lado aí perto, dois canteiros simétricos exibiam plantas e flores já requintando embelezando, douradinhas-do-campo, sapiranguis, santas-fés, marcelas, sempre-vivas-da-serra, falsas-ervas-mate, pitas, cebolas-cecéns. Um perene zumbir zumbizar de abelhas zangões outros insetos ziziar fretenir de cigarras. O dia trescalava abundante. E por acréscimo e porque sim, zinzilular de passarinhos beija-flores-da-serra-pelada beija-flores-de-costas-violeta reis-do-bosque peiticas suiriris papas-lagartas. O sol já muito solar ensolarado. Fazia sombra também um jequitibá-de-agulheiro (e pendurado de ervas-de-passarinho), imburi, camboatá-de-folha-grande, taúva, mirindiba, cachimbo-de-macaco, mangue-do-pará. Cabia a lembrança de uma piscina azulzinha. Um aprazível lugar para descanso assentar ali no banco e parada para tomar fôlego e beber uma água de coco gelada servida e recomendada se recomenda.

            - Au-au-au!... “Ótimo! Finalmente vamos ver a casinha a lapa da santa, hem?!” - latiu a Trempe, firme nas 4 patas e possuída dessa ideia. “Hoje é um dia comum.”

            - Ih-uh-oh!... “Eu quero tanto conhecê-la por dentro e conferir tudo” - ladrou sorrindo o Totó, cauda vibrante acelerada como suas emoções. “Uma boa, é nem?!”

            Mas a menina Inajá os deixou ali na entrada e recomendou paciência, iterou:

            - É só esperar um minuto que volto já e já, tá legal?! Se comportem, oi!...

            Eles os cachorros espiaram na porta ou entrada da gruta. Havia um degrau e se nem eram convidados, esperaram convite. A santa em pé no fundo vestida com um traje manto largo azul e branco, lavada cora corar clareada. Ladeada de anjos e muitos anjos e anjas amigos ramos de flores. Um anjo da guarda mais grandote e de asas abertas imensas fazia as vezes de servo e salamaleques batendo leques ar condicionado refrescante refrigerante. Todos muito satisfeitos bem pintados decorados e alados.

            A santa no centro da navezinha parecia tão bonita! E parecia pequena e calma e quieta e paciente e muito jovem. Queria dizer e dizia: ‘Nem tem de quê, minha gente!’ Entravam pessoas e saíam pessoas da gruta. Uns traziam terços outros água e flores para pôr nos vasos. ‘Nem precisava, minha nossa!’ Rezavam mexendo os lábios, ajoelhados, falavam e escutavam, as mãos espalmadas sedentas segurando o céu. Levantavam com sinal da cruz se benziam e se despediam saíam. ‘Até amanhã, gente grande!’ Havia um ou mais mistérios ali. E caso os mistérios se revelem, ou são secretos segredos sagrados. Alguma pessoa entrava tirava o boné e parava em pé braços cruzados esperando olhando. ‘Seja bem-vindo, meu pessoal!’ Mas nem nada um humano podia entender. Era um geral conversar em voz muito baixa evocar agradecer adorar agraciar glorificar. Declarar falar à senhorita santa dos imprevistos acasos. E muita glória ao Pai e D!

            Como era aconchegante ficar ali, pelo menos tomar um fôlego, sair do sol forte, apreciar a calma, olhar a santa e sentir coisas boas, sentir a alma acomodar acomodada. A santa sorrindo e calma e pacífica e humilde e amiga, mansidão. Reaverei.

            - Ih-oh-oh!... “Eu nem tenho dia de cachorro dia santo, é” - confessou o Totó.

            - Ah-uh-uh!... “Estou contigo e conforme o calendário.” - recomendou Trempe.

            Logo agora que os cães resolveram cheirar mais ali. E andaram pra lá um puxando o outro que eram uma parelha e aonde um ia o outro se obrigava acompanhar e amarrados ajoujados e na marra. Regra número um do mais forte. Rodearam um pé de iaguarataí. Foi pouco, chegaram a rodear uma enorme árvore mangue-de-água-doce. E desceram mais um morrinho ladeira um solau meio escorregadio que vinha a estar em frente pela pendente. Um milhão de coisas aconteciam no vasto mundo, em um tempo.

            - Ah!... “Aonde estamos indo, cão Totó de D? Você sabe e você entende?” - perguntou Trempe. “Eu duvido! Nem só duvido como tenho medo de saber.”

            - Au-au-au!... “Eu nem sei. Mas pra que esperar eternamente a menina, hein?!, pergunta.” - respondeu arrogantemente o ansioso Totó, este mesmo primeiro e único.

            - Oh-ah!... “Pra lá fica o noroeste e a praia de Taperapuã, e nem sabemos nadar muito bem no mar agitado. Especialmente dentro das ondas de 6 a 7 metros, oi!”

            - Ih-ih-ih!... “E nem vamos atravessar minados territórios inimigos de outros tantos e perigosos intransigentes adversários. Ca-calma!, hífen e exclamação.” - latindo a Trempe, sempre lembrando que ladram uivam ululam batendo coas mãos no chão.

            O mar pega o atalho e aviltamento condição de baixeza vileza abjeção. A terra pega uma trilha e siderurgia aciaria aceria lugar forte de forjar temperar fazer aço. O céu pega o voo e inamolgabilidade qualidade caráter condição de inamolgável que nem é amolgável (f. dh). O céu pega um sítio e farola farolice palavreado conversa sem nexo conto pra boi e vaca dormirem ‘ninaniná!...’ papo-furado e lero-lero, a terra pega uma rota e conspícua claramente visível facilmente notada que salta à vista, o mar pega uma onda e compêndio resumo achincalhe achincalhado achincalhação.

            Pra noroeste quem sabe, pra norte assim e assim, pro sul um tanto fora de contexto e porém. Pra lá fica o curso do rio Cachoeira (valente de águas e piscoso e lambaris, surubins, anujás, piraíbas, poraquês, terecaís ou pitiús). E seria sim um longo exercício de pernas, “pra que te espero!”, até a cidade de Sento Sé e ainda Afrânio, Iaçu, Itaetê e toda aquela área de montanhas e vales e cânions e Nova Redenção e Marcionílio Souza e Boa Vista do Tupim (o município possui uma estrutura político-administrativa composta por um prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado diretamente por secretários municipais nomeados por ele; e pelo poder legislativo institucionalizado pela câmara municipal, órgão colegiado de representação dos munícipes que é composta por vereadores também eleitos - fontes: prefeitura, câmara, ibge, fiocruz, unb, butantan).

            Em vez disso aí (e por meio disso), os dogues seguiram o caminho mais fácil e mais ou menos em conta e sem parar e pegaram a rua do Monjolo. Com o cuidado de nem se enroscarem pois andavam presos à guia e atrelados um a outra. Quites na força e na vontade. Às vezes ele e depois ela, de repente ela via algo e depois ele que puxava. Cheiravam uma lixeira de comum acordo identificando ou nem compreendendo os fedores e gafeiras sarnas morrinhas. Se demoravam um instante a ver o trânsito de carros, nem se interessavam mais que dois minutos aqui ou ali. Foram cheirar degustar do aroma de uma touceira de arroz-do-campo. Quantos cheiros aí, quem predominava, animal ou máquina? Pracinha do Escovém e já subindo andarilhos um morro escarpado, declive aclive, talude. Mundo de chorumelas ninharias insignificâncias. Sociedade de bajuladores sabujos serviçais delatores. Grupos fechados em copas encopados, escolhas.

            - Au-au-au!... “Estou com fome e sede, esposa dileta e incansável colaboradora” - por fim falou muito e disse tudo o cordato Totó. “O que digo é humilde, é.”

            - Au-au-au!... “O teu pensamento você sabe que é o meu o meu direitinho” - trocou diálogo respondeu a Trempe, sempre e toda correta justa exata reta íntegra imparcial (são tantos sinônimos, sinonímia e os procurados fatos linguísticos).

            O casal de cães recém-casados, e agora soltos ou semissoltos. Parece que em liberdade casual. E aí na rua Aquário na beira dos matinhos na sarjeta chorume banha unto chorumento. Se falavam o necessário. Latiam com os bons-modos. Aprenderam assim ou preferiam assim. Queriam entrar numa lancheria, sonhando com sorvetes. Para que a fim de que (conjunção subordinativa com circunstância de final finalidade) os humanos os desnastrassem desenastrassem destrançassem desatassem. Altos prédios de empresas corporações instituições conjuntos habitacionais. Para que o tios bípedes os reconhecessem fossem bem lembrados e bem atendidos e bem-vistos.

            - Ah-au-uh!... “Tá vendo aquela rua ali? É a rua direta pro centro da cidade. Vamos nessa?! Eu sugiro e pra hoje. Chegaremos antes do sol se pôr, gente!”

            - Ih!... “Que aventura! Simboralá que estou com pressa!” - animação do Totó.

            A vida real e palpável viral vírus virótica virósica. O jogo jogado (jogo é substantivo homógrafo e heterofônico de jogo, do verbo jogar - iguais na escrita e diferentes no timbre das vogais) e o lambari pescado. A pedra como a pedra.

            De súbito e de fato pegaram a via expressa avenida Duque de Caxias. Cruzaram pelas listas da rua, os carros ali esperando de olhos vidrados, fabricados num lugar qualquer do abcd-sp. Tumulto assovios berros gritos vaia. Pegaram a calçada oposta e seguiram por entre pés humanos e árvores replantadas e jaborandis-do-mato, paus-ferros, rabos-de-cutia, araticunzeiros, rabugens. Muita gente reparando eles assim atados e por conta própria e vadios displicentes contentes independentes esportivos. As pessoas ainda achavam que os animais corriam risco desnecessário assim no meio do trânsito. E por que seguindo algum instinto ou curiosidade? Ficaram loucos ou foram abandonados ou estão perdidos perdidinhos e escabreados zangados enfurecidos. Propelidos pela ganância pela nostalgia pela esmola, impulsionados impelidos.

            - Oh-ah-ah!... “Que te parece?” - perguntou Totó, coroca decrépito paupérrimo dobrado em si mesmo lamuriento. “O mundo nos espera. Quem nos aguarda?”

            - Ah-ah!... “Também estou com fome. Esse trote todo me deu fome. Devemos parar e procurar algo” - consultava seu estômago íleo intestino entranhas, a Trempe.

            - Au!... “Você sabe procurar algo? O quê? Dá uma dica canina, reticência...”

            - Uh-uh-ah!... “Devemos pedir, quem sabe?! Latir é melhor que ladrar ou uivar ou rosnar ou ganir. Volto a dizer, estou com sede e eslepe! eslepe!... exclamação.”

            Sabendo ler os números e letras das placas dos carros, assim autos meio-quentes esquentados velozes pesados, ferozes como suçuaranas... E se prestassem atenção já saberiam consultariam outras informações e propagandas. E entendendo de sotaques já saberiam que vinham em bando de outros lugares cidades vizinhas e Castanhal, Bonito-pa, Tupandi (“luz do alto”), Harmonia, São João da Ponta (me contaram das fontes do ibge e fgv, este arraial foi elevado à categoria de município pela lei estadual número conferido informado no dia 18 de outubro ano 1989, se desmembrando assim de São Caetano de Odivelas). Estes espécimes de máquinas e seus ocupantes humanos amaxofóbicos vinham trazer coisas, buscar outras coisas e preenchiam o movimento incessante da cidade hospedeira. Vinham e chegavam e partiam, vaivém, por um dia e no máximo dois. Vendiam trocavam regateavam compravam comprovavam, e se despediam com forte aperto de mão e abraço. Isso e aquilo de logros tramoias cambapés rasteiras, são coisas que raro acontecem aconteciam muito raramente. Os dois lados venciam e se estabeleciam. Negócios são negócios, e amigos são outras partes. Fazer a calibragem medição correta do ecumenismo ecumênico, vamos dizer assim.

            - Oh!... “Que lugar é esse, meu caro Totó? Me diga e nem me esconda nada!”

            - Au!... “Acho que é isso mesmo... Acho pouco, ou seja, estamos perdidos.”

            - Au-au-ah!... “Então vamos voltar. É o que deu pra fazer e onde estamos e chegamos. O que temos pra hoje, seu Totó!” - exclamando firmando a cadelinha.

            - Ih-uh!... “Mas como voltar se estamos no meio do nada, e desnorteados!”

            - Au!... “Farejando, né, meu! Eu farejo tu farejas nós farejamos farejaremos!...”

            - Oh!... “Sim, se fosse fácil eu nem estaria perdido e você perdidinha, hem?!”

            Olharam em volta, olharam pros lados e a banda de atrás, giraram os tantos 360º. Tanto fazia como tanto fez. Nem sabiam onde estavam nem se deviam ladrar lamuriar por socorro. Na rua Brosladura os carros passavam como sempre, alguns buzinando e outros ouvindo música. No passeio da calçada as pessoas olhavam, algumas até com certo medo de serem mordidas. Outros cães latiam provocavam pediam briga mas os nossos passavam ao largo. Os cachorros vira-latas desocupados ficavam cuidando com o rabo do olho. Os cães acompanhados ou guiados e a passeio sentiam certo terror ou raiva e se protegiam atrás das pernas dos donos(as). Era toda uma gama um mundo acontecendo, convivialidade. Sem contar o quanto se farejava. Sem contar o quanto se andava. Sem contar as preposições propostas sugestões. Sem levar na conta as milongagens manhas dengues. E as aparências que importam e nem importam.

            - Oh-oh-oh!... “Vamos farejar aí por este sítio, hein e que tal?!” - indicou o Totó.

            - Ih-ih-ih!... “Calma, gente! Com tudo se pode! Oi!” - colocação da Trempe.

            Eram em dois um par atrelado porém podiam encarar o dia como um ser de duas cabeças. Na prática eram dois em um, e um de dois. Seguindo o fluxo e refluxo do tráfego, automóveis preenchendo sempre as faixas da pista, eles na calçada. Quiçá já tivessem pisado aquele lugar. Conheceriam um prédio ou outro pelo cheiro pelo feitio. Nem chique nem mique. Propriedades garagens pátios rodeados de muros altos.

            - Au!... “Nem sinto confiança nestas pessoas que olham pra gente, já viu?!” - então Totó se sentiu repentinamente desconfortável em plena avenida Afonso Pena.

            - Ah!... “Olhando bem, o que me confunde é que os mesmos que foram estão de volta e voltando. Por que uns vão e voltam e mais ou menos parecidos? Será isto justo ou estou delirando?” - comentava já estressada Trempe, olhando o vaivém dos veículos.

            - Oh!... “Estes automóveis são guiados desde dentro. É ridículo, exclamação!”

            - Au-au-au!... “Lá em casa tem um também e você já o conhece. Acho que nem é deste mundo. Mas parece estático dorminhoco semimorto, alguns momentos em.”

            - Au!... “E bebe mais que come. Bebe pra chuchu. E chega a bufar de tanto que é feroz. Bebe tanto muito e come graxa. Que calor, ahn!, reticência...”

            - Uh-uh-ah!... “Já fui de ter mais raiva de carros e motos e bicicletas, é.”

            - Ih!... “Lembra aquela vez que tentei morder um? Energia desperdiçada, ele nem te ligo. Me arrisquei à toa. Por nada por pouco nem quebro o dente da frente.”

            - Au-uh-uh!... “Mas que merecem, merecem! D inventa cada uma, né?!”

            Em frente da praça Urutu fica o Museu da República ou Palácio Catete. É um lugar famoso e concorrido. Este um prédio imponente de arquitetura neoclássica uma relíquia da construção mundial. Fazia e faz mesmo muita figura e esplende. As pessoas que passam pela primeira vez teimam em parar e ficar olhando, pensando em histórias, tirando fotografias registros recordações, arriscando comentários filosóficos. És guiado.

            - Ah-uh-oh!... “Passamos já aqui e neste lugar? Ó, hein?!, pergunta.”

            - Ih!... “Se você farejar direito vai ver que nem falá ladrá, minha deusa!”

            Os xerimbabos andavam aí e viam muita gente. Paravam tentando reconhecer a menina Inajá, que nem estava. Foram se infiltrando pelo labirinto desconhecido. Procuravam pelo menino Realejo, que também nem viram nem reconheceram. Depois o pai Tácito a mãe Gaipara a Gaita. Quem sabe e de araque por casualidade casualmente casual acaso casualmente. Quem vê viu o quê, desde ontem, e depois?

            - Oh!... “Preciso de uma aguinha e bem fresquinha. Estou com sede sedenta e me sentido seca por dentro por fora e suando em bicas bem ressecada com a língua presa.”

            - Ih-oh-oh!... “Nossa, meu! Essa nem nada, né?! Você já era camelo dromedário em algum lugar no passado deserto outra encarnação no verão de 38º?, interrogação.”

E sim então se preocuparam muito muitíssimo mesmo. Coisa de enlouquecer. E ver em tudo em pensar o pior. Perdidos abandonados em meio a uma cidade funcionando como uma máquina devoradora igual uma draga dragona dragagem.

            - Au!... “Por que nem param nem param nunca, e já, essa gente esses carros?! Isso me deixa tonta, sabe?! Fico sem faro e faminta! E até importunada ada! ada!...”

            - Uh-uh!... “Uma floresta com animais de aço e pessoas no bojo, é!”

            Olharam assim por tudo e ao redor... Avistaram por acaso uma torre gigante e se dirigiram pra lá. Os dois cães olhavam a gigante armação de ferro e nem paravam de admirar o quanto era bonita e distante do chão. Os olhos de ambos subiram até lá em cima no topo no auge no tope. Até mesmo as nuvens raspavam aí e chegavam ali perto e algumas já roçavam nas suas antenas de rádio e televisão e telefone e 8gê.

            - Au-au-au!... “Olhando de lá o quanto se pode ver, será, pergunta?!”

            - Ah-oh-ih!... “Eu nem nunca antes tinha visto um colosso destes, é!” - surpreendeu-se o Totó. “E mesmo assim de perto e até poder tocá-lo, exclamação!”

            - Ih!... “Acho que serve pra olhar longe e distante lá pra lá rumo da montanha. Mas como subir até em cima no alto no último andar, meu! Se paga um preço.”

            - Oh!... “Por que olhar tão longe e distante? Nem faz sentido. Tenho vertigem.”

            - Au!... “Deve de ser um passatempo que alguns gostam, os sem-vertigem.”

            - Oh-uh-ih!... “Será que sobem até lá e pulam? E voam como as harpias e gaviões e falcões? Podem ir longe e viajar muito até Igarapé ou Mário Campos. Podem se infiltrar pelo céu deserto grande enorme. Podem se desenvolverem, reticência...”

            - Ah-oh!... “Qualquer ave ou pássaro pode subir ali e pular dali sem maiores causas e consequências. Os urubus, já sabe!, nem se late. Estão por toda parte e espiando espiando espionando. Hoje mesmo eu queria ser um alado voar como estas aves asadas andorinha-do-campo urubuzinho ipequi sovi caboclinho-de-papo-branco tesoureira caboclinho-de-chapéu-cinzento bacurau perdizinho-do-campo maracanã-nobre. São tantos e tão satisfeitos que até perco a conta de contar um por uma, ufa!”

            - Au!... “E os lás aquis alis!” - resumiu breve sumariou sumariamente a Trempe.

            A cidade vivia toda essa gente e esses carros conduções conduzidas caronas passageiros. Mas a cidade nem se importava tanto tanto com todas essas pessoas e seus amestrados automóveis. Cada um por si e o sol sobre todo mundo. Uma gigantesca máquina de engolir seus próprios habitantes e etc. Modos de existência extravagantes ostentosos caricatos burlescos esborcinados balordos. Aporias e situações insolúveis, sem saída. Depois podia mesmo vomitá-los expeli-los de algum modo. Tudo muito ou pouco tumultuado, disfarces aparições contrastes aversões ambições. Mundialmente e francamente! A cidade e sua antena sintonizada. A cidade e a mistura demasiada.

            - Au-au-au!... “Dir-se-ia! Hum, quem sou eu nesta floresta? Um lugar.”

            - Oh-uh-uh!... “Então diga pra mim, minha apetite voraz! Um adiamento.”

            Uma hora pararam perto de um restaurante vegetariano O Alguidar, e cansados ressabiados esgotados desconfiados de procurar seus donos e sua casa o aconchego do lar. Ouviram barulho de talheres e pratos e gente manducando. Isso era preparo de comida e de comida eles precisavam e agora. A língua babava fora da boca salivava e pensaram procuraram cheiraram uma maneira de entrar. Ou será que tinham de pedir desde fora e em altos brados ganidos? Sim, cheiros exalações aromas que pruíam pruriam estimulavam atacavam contaminavam o olfato as papilas da língua áspera gustativas lingual. Algo alguma coisa ali no restaurante os atacava na vontade de comer.

            - Ah-oh!... “Este sabor de alimento... me deixa tonto achacado, meu bem!”

            - Au-uh-oh!... “Insuportável, insuportável... e digo mais, exclamação!”

Bochechas belfas caídas e babosas babando, ora bolas!, ficaram aguardando algum acontecimento que os pudesse favorecer. Quem sabe alguma oferta do dono do estabelecimento. Tem gente que ajuda os cães perdidos, então. Ao estacionamento chegavam clientes e fregueses tipos pessoas de todas as partes de em redor, Santa Maria do Pará e Peixe-Boi e São Miguel do Guamá e São Valentim e Terra Alta e Roca Sales (roca-salenses) e São Pedro da Serra e Barão. Os bichos de lata e latão e pneus deixavam esperando e os homens as mulheres entravam pelo vão de uma porta que se abria par em par automática sensorial. Era tudo tão assim ótimo e funcional! Tudo tão organizado e esperado! Tudo tão tecnológico e atual! Tudo tão com letreiros chamativos imagens convidativas figuras decorativas ilustrações memoráveis! Expressado!

            - Ih!... “E se a gente cainhar pra chamar a atenção do proprietário? É uma!” - entendia a Trempe, sentindo um cheiro de comida bem temperada em pleno ar. “Eu adoro polenta junto com o molho e a carne moída. E tenho sede desde ontem, é.”

            - Oh-ah!... “Estou com tanta fome que como qualquer coisa, uma pizza à portuguesa um ambúrguer um pastel de queijo. Pra beber pode ser água mesmo.”

            De repente no ar um ruído estalido cadente e do nada apareceu a Inajá e foi...

            - Ah, são vocês mesmos! Hein, minha gente?! - gritou a menina e feliz.

            - Au-au-au!... “Finalmente você chegou e veio, menina!” - os cães em euforia conjunta latindo latiram ao mesmo tempo uníssonos. “Que sorte! Que alegria!”

Podia ser um susto para ambos, mas foi assim um encontro amigável e com muitos abraços risos e latidos amistosos. Um encontro e reencontro pra se recordar. Mas que os três passaram sufoco, ah!, isso sim e muito. Foi um reencontro como um amor à segunda vista. Todo mundo se abraçando era perfeito. Que muito bonito e demais!

            - Que que deu em vocês, minha gente do céu e da terra?! - questionava a menina ao mesmo tempo que os abraçava e os queria bem os acarinhava. - Vocês sumiram lá da igrejinha e assim de repente sem mais aquela! Onde se viu uma coisa dessas, gente! Sem avisar nada e ninguém?! Põem a patinha no meu coração! Deduzam atinem, hein?!

            Aproveitaram o ensejo a oportunidade e, à maneira de como à guisa de, entraram na próxima sorveteria para degustar um delicioso sorvete valendo 4 conchadas para cada um. Que a guria nem poupava esforços para agradar. Descontando tudo na mesada do pix. De depois a consciência verifica melhor se foi pouco e em demasia. Universalmente. Que está estava florido florente flóreo florescente perfumoso.

            Quando ouve escuta música, você sente o quê? Quando olha aprecia um quadro um painel, vai lá na galeria de artes ver os trabalhos de pintura, o que você pensa?

            Enquanto o mundo gira e as coisas vão em frente. Dia macio tangível apetecível apetitoso suculento, para os íntimos, tipo manhã de domingo. Um bando de arirambas-pintadas assumiu a copa da goiaba-do-mato. Autos automóveis comportados já guiavam seus condutores aos horizontes e Santo André, Reriutaba, São José do Sul, Santo Cristo, Varjota, Hidrolândia, Ipu (do tupi é ‘água que surge, que borbulha’ - fonte: Francisco da Silveira Bueno, lexicógrafo filólogo ensaísta poeta). De repente enquanto as horas gingam meneiam facaia faca-maruja requebram bamboleiam. Que que é, meu!

            A propósito destes fatos: encontra procura fazer o mapa astrológico; um cardápio com receitas testadas com êxito e sucesso; viajar ao exterior é mais chique do que se imagina; fazer reclamar apontar apoiar determinar resolver antes que seja tarde.

            Um tatuaíva faz buraco na terra fofa e em profundidade, um quatipuruzinho-bigodeiro fareja e procura buscar comer jabuticaba no pé, a onça-pintada feminidade aparece pintou posou pousada, sentada pacificamente como fazem igual os cães dogues, bem no meio da praça Ergonomia de a cidade progressista legendária de Brumadinho (brumadinhenses, lugar da cachoeira do ribeirão Casa Branca). Sendo que o município estava naqueles dias a semana dedicada à festa do pinhão e com ótimas atrações para locais e turistas de todas as idades gincana roda-gigante trem maria-fumaça tobogãs escaladas caminhadas maratona da terceira idade pesque-pague... A multidão que brincava e se divertia passava lazer aí identificou já-já a felina e imediatamente telefonaram encheram a caixa postal da polícia. Em menos de 10 minutos o logradouro abarrotou de policiais e corpo de bombeiros e academia militar das Agulhas Negras-aman os professores do colégio Dinágrafo os alunos da faculdade de neurologia e demais curiosos que turistavam e estes mesmos misturados do mundo inteiro país Estado e comarcas ao derredor sendo as mais notadas Jesuânia, Congonhal, São Sebastião da Bela Vista, Natércia (natercianos), Careaçu. A oncinha aparecida levou um tiro relaxante tranquilizante à queima-roupa e exatos exatamente na paleta omoplata espádua testavilhou caducou catou cavaco vacilou oscilou se desorientou e... desmaiou.

            D é assim exato como o pintam: centrípeto, axípeto e centrífugo, axífugo. Senhor rico em patrimônio experiência espírito espiritualidade espiritualmente. E sabe sábio na prática na teoria todos os ofícios e profissões. As ideias que vêm todas de raiz. Respostas rápidas. Tanto faz nascer em Salvador do Sul ou Novo Machado. Pode se afastar do sol e se aproximar da lua. Pode brotar da terra ou emergir do mar. Aprecia todas as seleções, mas nem torce pra nenhuma. E no mais... sai dessa, chapa!

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            Uma história original e baseada em fatos reais verdadeiros comprovadamente verídicos e acontecidos de verdade conhecido de um público restrito e agora divulgado no iutúbi internet redes sociais. Que é para o deleite desfrutar de toda a gente a galera visível e invisível, pessoal ou impessoal virtual. E começamos do começo, 25 de agosto do ano dos nossos acontecimentos. Sucessos fresquinhos novos recém, amém!

E vamos lá, sem delongas com entusiasmo coragem certeza agilidade e mesmo até a bravura. Quase quase uma epopeia larga e heroica e quem duvida uma saga. Trecheio muito cheio bastante cheio de coragem marra disposição. Nem nada de longe essa de enganar manguear iludir. Sem fugir garfiar escapar e safar-se. Já dizendo com augúrios de sucesso para o ano todo e de norte a sul e leste a oeste. É da emo!

O mar pega um canal alas de goiabas-de-anta mais barbas-de-tigre e conjunto de coisas confusas desordenadas trapizonga (f. dh). A terra apanha uma estradinha poeirenta e escárnio caçoada troça zombaria perfídia deslealdade. O céu adquire uma vereda e cogita pensa em pensa sobre pensa a respeito. O céu pega uma ponte pênsil e trêfego astuto esperto trefo, a terra pega sem largar uma linha férrea e lôbrega escura sombria camuflada, o mar pega uma corrente e sum mais alto elevado superior.

D veio de velho de longe universal e chegou chegando a estes lugares do nada e tudo. Já a casa Dele tem 1 mesa e 2 xícaras 4 cadeiras de alto espaldar (pra que quatro cadeiras?) 1 tevê na sala de estar (melhor lugar da nuvem) 1 no quarto de dormir (precisa uma na cozinha) 20 janelas abertas com brisas com ventos com vistas espetaculares para as mil e uma maravilhas naturais 12 portas por onde de repente Ele pode sair a passear voar trotar. Já aqui embaixo a praça da Bandeira (terrena terráquea bem em Nova Prata) quieta sossegada pq arborizada cerca da prefeitura e bancos e lojas do comércio hotéis farmácias restaurantes. Daí mesmo as ruas raiam em todas as direções bairros. Os pássaros sobem e descem sobrevoam os arbustos as árvores. Tem um espelho d’água pras pessoas e mascotes se admirarem os 365 dias do ano. Mais canteiros do jardim com plantinhas e flores bromélias orquídeas. Bancos de madeira e de concreto com a colaboração do comércio local famílias empresas marcas anúncios. Acontecem turistas de outras lonjuras. A praça da Bandeira, com bandeira hasteada bem forte e grande no mastro, está rodeada de prédios e edifícios e casas. Aí mesmo se faz acontecem as festas mais importantes feira do livro danças folclóricas comícios comemorações de emancipação natal fim de ano reveillon... Uma vez e outra as crianças dos colégios perto vem passear e curtir os brinquedos. Nos dias de verão de sol as cigarras cantam até explodir. As pessoas vão e vêm no comum do dia a dia. De noite saem as estrelas mas muito distantes e competem com as luzes dos postes luminárias coloridas que pendem da árvore símbolo da praça o ipê-amarelo. E é um sonho sonhado.

            Quando o táxi que os levaria ao aeroporto chegou, a família Macuxi já estava à porta do condomínio a postos atentos em posição. Malas e sacolas embrulhos malaria para dentro do maleiro. Algumas despedidas e os abraços os beijos os apertos de mão os “até logo!” “vão e voltem com D!” “que vá tudo bem e que D os acompanhe!” “ainda nos veremos e em breve!” “Oie!...” “boas férias e desfrutem, tchaaaaau!...” “intéeee!...”

E uns vizinhos o jardineiro do prédio o síndico senhor Adunco Concoidal e sua prestativa senhora Lauda Cabidela, ficaram lá atrás e olhando até que estes nossos amigos fizessem a curva da rua do Chupitar. Incluindo inclusive a cachorrinha mascote dos dois velhinhos a fofa e sempre disposta metida de gorra de aliada (amiga dos xerimbabos da família viajeira viajante turistas compulsivos) a bem tratada Brida. Todos abanando com mãozinha (a patinha da cadelinha, língua de fora) e sorrisos pacíficos amigáveis aprazíveis de boas vibras. Semblantes rostos radiosos suspirosos.

            Agora sim todos dentro cabiam mais ou menos o pai Tácito na frente a mãe Gaipara atrás com o filhos Realejo e Inajá e colaços enjeitados o Totó e a Trempe. Bem amontoados empacotados, já cabiam e tudo bem. Estupendo estupendamente.

- Oi!... Pode mandar brasa lenha na caldeira, motora! - determinou o pai.

- Ei! Será que nem esquecemos de algo importante? Pensem bem! - a mãe e sua ansiedade suas preocupações de última hora. - Acho bom parar... e mesmo voltar!

- Veja! Eu quero aprender a surfar, tá limpo! - já determinava um motivo para concordar em ir à praia, este Realejo. - É o meu sonho eu sonho e que sonhos!

- Oquei!... Primeiro aprender a nadar no mar, depois veremos - mãe consciente.

            De Betim para o mundo e via aérea. O céu de brigadeiro tipo assim auriazul. E rua São Francisco pra em seguida contornar a praça Victor Meirelles de Lima e pegar sem pressa a avenida Porto Alegre. Como sardinha em lata, a família ia se despedindo olhando o que passava e as ruas a estrada para Lagoa Santa e arredores Ribeirão das Neves e Contagem e Pedro Leopoldo e Arroio do Meio. Uns olhares se adaptando aos novos ares que iam surgindo, novos lugares, novidades no passeio no panorama.

            - Olhem mesmo e vejam, gente! Sempre inauguraram novo shopping... Caserna & Confederado! - salientava a mãe Gaipara. - Bem que minhas amigas já me indicavam e recomendavam. Os produtos vêm do mundo inteiro, os preços são acessíveis.

            - Um luxo! Mais do que tu pensas! Lá dentro dizem tem até um cartódromo e aulas de pilotagem, entendem?! - confessava o pai Tácito.

            - Por que nem falou antes, né?! Oi! Já estou na idade de dirigir, hem?! - reclamava o Realejo, que pensa querer tudo saber e experimentar e provar.

            - Ora! Sempre frequentado pelo imperador e pela imperatriz, a nobreza, o clero, os soldados e o povo - definia a mãe. - Reis e rainhas do carnaval e magníficos majestosos augustos. Gente famosa da elite artística. Gente animada gente endinheirada.

            - Sim, desde logo! Assim é e continuará sendo - emendava o pai. - Os caras de espíritos esclarecidos prudentes e diria até aristocráticos aristocracia esnobes.

            - Confesso. Que há de ficar guardado à curiosidade material, né?!

            O carro andava no asfalto e faltava pouco até Confins, passando num, vuuuuum!... por Vespasiano e São José da Lapa e Encantado e Coronel Pilar e Juatuba. Ao longo da rua longa. Entrechoques de informações informes avisos anúncios anunciando pechinchas ofertas notícias em primeira mão cartões de crédito descontos.

            - Já passamos a serra do Curral? Já passamos a lagoa Vargem Bonita? - perguntava Inajá, dando o ar da graça e sonolenta lenta quase parando olhar morno lá pra fora mosquito na vidraça do carro a 70 por hora. - Já passamos a lagoa de Cima?

            - Confio quê. E praticamente já estamos perto do rio Pará - considerou o pai.

            - Bonecos! As partidas e idas são sempre desgastantes e... - a mãe Gaita.

            Chegaram ao aeroporto e o bicho estava pegando, ou seja, um formigueiro em trânsito buliçoso assanhado atacado. Passageiros em pânico em transe e com cargas carregamentos cestas pichorras cântaros e telefonando procurando fazendo o chequim e tudo ao mesmo tempo. Terminais de passageiros todos congestionados filas para conferir passagens atendimentos informações telas com os voos atualizados atrasados no horário. Aeronaves librando-se nos ares taxiando e azoinando os ouvidos. As companhias oferecendo vantagens bônus pronto atendimento aviando despachando expedindo expurgando e tudo pago depois do carnaval ou somente lá na páscoa.

            - Oi!... Vamos a um lanche frugal com suco de caju? - sugestão elegante da mãe.

            A família se juntou perto dum guichê e para logo adiantar agilizar as passagens as bagagens e os afilhados. Entraram de permeio se entremearam intercalaram numa fila de uma companhia conhecida e aguardaram a vez. Que muitos faziam a mesma coisa e se perdia muito tempo. E as boas teorias parece que vão e vêm.

            - Oquei!... Trempe e Totó vão ficar bem, pode deixar! - entendia o pai Tácito.

            - Sim, claro, efetivamente. E eles vão num compartimento de bagagem e carga uma espécie de xelma protegida condicionada, e muito confortável e apropriada - já dizia um funcionário da companhia aérea, um tricenal seu Rui Epônimo.

            - Hem! E eles nem sofrem estresse, gente?! - temia a mãe Gaipara ou Gaita.

            - Que Trempe e Totó possam latir à vontade e sem medo, hum!... -  a Inajá.

            - Nem é justo que Totó e Trempe nem venham junto em cima como os outros passageiros as pessoas normais, né?! - a desilusão do pobrezinho coitadinho tímido Realejo. - Nem é justo e é injusto injustíssimo sem nada nenhuma justiça!

            - Bichos de estimação deste tamanho do Totó e da Trempe, devem e precisam ir no compartimento de carga. É regra e norma e lei federal, mesmo internacional. Nem podemos ser diferentes, né?! - arriscou dizer e retorquir mais um dos funcionários.

            - Que pena. E se acontecer um desastre aéreo? Quem os salvará? - boa pergunta da Trempe, menina sempre antenada nos acontecimentos de antes durante e depois.

            - E as gaiolas nem se abrem automaticamente, hein?! - contrapôs o Realejo.

            - Enfim, o mundo ainda nem evoluiu a ponto de. Vamos torcer e muito.

            - D e suas histórias fantásticas espetaculares! D sabe d+! E indubitável.

            As questões das despedidas e da separação dos cães foram longas e arrastadas desanimadas desanimadoras amadoras. E nem digo mais. Precisou que todos fossem abraçá-los acariciá-los acarinhá-los prometer tudo que precisava prometer, e etc. Já tinham esta experiência mas sempre incomoda sempre gera desconforto de ambas as partes. O isolamento incomoda e é duro. Alguém sempre acha que os bichos nem entendem e podem se magoar demais. Portanto, nem se tem outro jeito maneira.

            Daí todos foram ao lavabo ao banheiro. Já na sala de embarque, ampla e irrestrita. E iriam outras vezes mais vezes até o voo partir (modelo de verbo regular da 3ª conjugação, ex: repartir, dirigir, dividir, exigir, transferir). Sempre se tem angústia em pegar o banheiro do avião e em pleno voo. É melhor fazer antes e se prevenir. Perto do portão de embarque e sempre vigiando o voo, alguém sempre atento. Melhor assim.

            - Enquanto isso... o Totó e a Trempe vão viajar o tempo todo no escuro, hem?!

            Enquanto isso o grupo de 4 andando para passar o tempo. Nem faltava muito, só uma hora. E queriam conhecer todas as lojas quiosques e olhar acompanhar das janelas panorâmicas os pousos e decolagens ou mesmo arremetidas. Sentaram junto ao balcão de uma pastelaria doceria lancheria confeitaria Dona Cota-Parte. Que me abstenha.

            - Bitoques. Nem vamos comer demais senão se passa mal lá nas alturas. Recomendo e que me obedeçam, hein?! - aventava e sugeria já enfatizando a mãe.

            Outras famílias mais ou menos numerosas. Pessoas sozinhas tentando se distrair com celular com jornal com livro e inventando quimeras. O livro mais deixado esquecido dispensado nas poltronas de avião? E sempre a preferência por assistir tirar um registro do pouso da decolagem neste momento. Quem vinha de lá... um artista de tevê um cantor e banda um time de futsal ou vôlei? Seguiam trotavam deslizavam os grupos trupes conjuntos pares trios quartetos e passeando, passos sem pressa.

            - Ora, meu! Como serão estarão os voos daqui 50 anos? - Tácito queria saber e perguntava, puxando papo-furado gastando bocejos. - Prometo que vou pensar nisso.

            - Eu já vi um filme que os aviões sobem e desaparecem muito rapidamente - lembrou um filmaço o Realejo. - Supersônicos e a jato. Sem muito esforço ou fumaça.

            - Oi!... Nem havia piloto copiloto e atendimento a bordo. Tudo no esquema on line - declarou a Inajá, percuciente perspicaz e tem mesmo muita agudeza de espírito.

            - Que vai ter um tráfego aéreo muito engarrafado, ah!, isso vai! - alertava a mãe.

            Passavam aí os passageiros e todos muito distraídos consigo mesmos ensimesmados. Uns até famosos, um time de basquete feminino uma banda de pagode um ator de teatro que faz também televisão e anúncios pro governo. Provavelmente um time de handebol. Daí a pouco podia aparecer um time de futebol série a ou b ou c ou d.

            - Gente! E como serão os pastéis daqui 50 anos? A mesma receita o mesmo sabor os mesmos procedimentos de fritura e etc.?! - pai Tácito sempre provocando a patota. - Pastel com caldo de cana garapa, conte comigo até debaixo d’água.

            - Nem há outro sinal, né?! Assim terão inventado outros sabores de pizza de pão de queijo de sorvete e mais - imaginava a Inajá. - E a fama do açaí será mundial mundialmente universal universalmente. Tudo conta. Tudo faz parte.

            - Taí! Eu tinha esquecido o futuro. Agora me lembrei dele, taí! Eu, hem!...

            - Uau!... Foi o futuro que lembrou da gente, daí! - achou melhor a mãe.

            - Ah, vai! O futuro é um compromisso e tanto, hein?! Onde nós estamos?!

            - Calma e sentido! Teorema logicamente proposição demonstrável, oquei?!

            - Sim. Vamos com essa. Sereno sério verdadeiro superior tomando licor, é.

            Tinha mais um tempo e o incômodo de ficar parado estacionado no mesmo lugar e ainda por cima e mais isso, esperar esperar acatar aguardar (tantas vozes várias vezes). Sempre se anda em procura de distração. Uma livraria oferecia revistas jornais gibis e os livros de esquecer no assento da aeronave. Um lugar que todos acham, um altar com santos e santas de várias preferências e ocasiões. Sobre um andor ou charola ou padiola e à disposição disponíveis para atendimento frente a frente. Metade da população nem é frequentadora de igrejas ou templos ou santuários, mas todos passam e fazem o sinal da cruz molhando as pontas dos dedos na pia de água benta. Atrapalhar nem atrapalha, então se acaso! Nunca é demais fazer uma política com o céu. E quem tem, tem!

            - Está fazendo muito sol lá fora. Ainda bem que estamos no condicionado, é.

            - Faltam menos de 15 minutos, praticamente. Vamos avistar o rio Atibaia?

            - Acho melhor já entrarmos na fila. Vai quê! Imenso céu de anil, parabéns!

            Entraram na fila e lá na frente os funcionários conferiam passagem documento e “boa viagem!” que todos respondiam claramente “obrigado(a)”. Um corredor ou manga até o avião e a escolha acaso sorteio de os números em os assentos e ou poltronas.

            - Deixa ficar na janela?, mãe! - queria a Inajá. - Eu quero ver a lagoa da Pampulha e de cima, olhar de ave águia-cinzenta, uh-aaaau!... Que legal!

            - Eu quero ficar na janela, mãe! - também queria o Realejo. - Quero só ver como se espalha aquele oceano na costa e mar azul, rã-ruuuu!... Que leveza, né?!

            Uma filhote com o pai e outro filhote com a mãe. Dois casais e os pedintes ganharam a preferência da janela lugar preferido escolhido. Um par de um lado direito e outro do lado esquerdo. Assim foi determinado. Contentando a todos. E oxalá!

            - Vai dar pra ver muita coisa pois nem tem nuvem no céu - reparou Inajá.

            - Quero ver se vamos passar sobre bh. Acho que sim! E acho bom! Oquei!...

            - Apertem os cintos. No caminho pelo alto no visual em miniatura já passaremos no mínimo por Doutor Ricardo e Colinas e Santa Tereza e Imigrantes e São Valentim do Sul - elencou e relacionou o pai. - O restante vai surpresa, naturalmente.

            - Se bobear ainda teremos um lanche a bordo. Um bauru com tomate e cebola...

            - Impacientes e irresignados. Rezem ore tenham paciência espere e verão, hum!

            Como saber antes o que vem depois? Por sorte que o dia vem rodeado de casas prédios árvores carros fábricas viadutos... Como saber depois o que já veio antes?

            O sol acorda cedo pra dormir até tarde de tardinha lusco-fusco. A lua levanta junto com as estrelas molhadas nicadas bicadas picadas. Apor antepor contrapor.

            E exultei! Estava aí e volto a ficar aqui e o tempo atropelador atropelando atropelou me atropela. Tudo eu e eu nada. Isto é a mesma coisa de sempre e finito.

            Sem demora o avião começou a se mexer e lentamente habitual, se fingindo manhoso sorna. Como um gigante devagar e sempre. Pesado pesadão carregado de gente e carga e toneladas. Um desafio pela frente e nas alturas. Voar mais alto que as nuvens, se for permitido. Gente que olha pela janela e se empolga com as coisas pequenas lá embaixo. Passageiros que nunca pensaram em voar como os pássaros.

            - Eu adoro viajar de avião. Quando nem chove venta... que daí vai que balança...

            - Oquei! Nem sei se gosto ou nem gosto... Preciso viver para crer, é.

            - Navegaremos voaremos em instantes. E afrontando o futuro. Marcharemos para lá - entregou o Tácito. - E em linha reta ou com pequena curva na menor distância.

            - Desanuviados desnublados sem nuvens e céu limpo impecável transparente...

            - Confere. Céu capacitado avião capaz pilotos capazes horizonte firme...

            Logo o avião pegou a cabeceira da pista. Que coisa rara! Sempre o avião ficou com os motores furiosos e no máximo. Que coisa real! Todo de metal tanque cheio asas turbinas par de pilotos focados as costas no encosto da poltrona celulares modo avião. E quase sem aviso aviso mesmo... arrancou para o fim da pista em frente e em carreira de cem metros rasos. Recorde de velocidade! Pegando velocidade de quem ia definitivamente se atirar nos braços do ar... tremendo trepidando um pouco... e o sossego de subir no vazio sem peso e leve... a barriga o corpo com a impressão sem peso flutuando alçando voo... Que coisa legal! Com força nos motores e subindo. As casas virando caixinhas de fósforos a cidade como vila de brinquedo de montar maquete. Tudo mais conforme visto de cima. Frio na barriga uma fisgada incômoda e um vácuo desolador no estômago, justamente tudo momentâneo esquisito desafiante sem volta. No bojo da nave no estômago do pássaro no bucho da baleia voadora. A sensação de voar e voar é chique e desejo de consumo. Sem tempo! Lacônico!

            - Estou dentro engolido por uma ave gigante e pós-moderna contemporaníssima!

            - Que ideia, pai! Que é! - reclamou a mãe, preocupada em verificar o tamanho dos prédios das ruas da cidade inteira os talhões de terra cultivados os cercados cercanias sertão e sem falar das montanhas a serra do Espinhaço e Barão de Cotegipe e Jacutinga e Barra do Rio Azul e Guaporé e rio Salgado mais o açude Tatajuba.

            O atendimento a bordo no meio do trajeto é um ritual e uma atração à parte. Os vídeos os filmes o lanche o almoço os sucos de maracujá de laranja a água de coco o sorvete de açaí com pitanga. Nada mais acontece. Por mais alto que está, nada a ver.

            - Em caso de emergência fique calmo - dizia de-boa, em bom brasileiro e ou inglês, a comissária de bordo no crachá dona Abuta Fasquia. - Sigam as instruções.

            O avião estabilizou e todos ficaram mais calmos ou procuraram procurando se distrair alguma coisa pra fazer. Voo cruzeiro, 10.000 metros (30 mil pés), velocidade de 850 km/h (450 nós) - que é o que dizem que fazem e o procedimento padrão.

            Nunca se sabe o que um avião é no fundo. Que há de ficar isento à curiosidade popular/impopular. Hoje, hoje mesmo, as coisas ficam e vão voltar pra mudança.

            Que a mãe ajeitou a aconchegante almofada de pescoço no encosto e fechou os olhos castanhos. O pai Tácito escolheu um filme “Os Párias”, com ambientação no século 20 e cenário num lugar qualquer da meia-ilha caribenha. A menina olhava pra fora pra fora... e tentava identificar aquele rio... nem identificou nem adivinhou nem poderia acertar o rio Gualaxo do Sul, perto o rio do Carmo e já no município de Acaiaca (termo palíndromo e tupi-guarani quer dizer, “cedro-brasileiro”). O Realejo já tinha encontrado um gueime jogo de mata-mata e estava muito a fim entretido com o negócio uma disputa entre duas comunidades rivais “Lãs Churras” versos “Os Marchetados”. Estes jogos de guerra, e tudo nada sem as evasivas ou de modo vago os subterfúgios.

            - Que rio é aquele aí, pai? Será o rio Paraíba do Sul? Pode ser, nem? - menina Inajá muito interessada em aprender geografia topografia ecologia bacias hidrográficas.

            - Hum!... Deixe ver... É, é o rio Itabapoana... entre rj e es. Que do tupi é “corrente de água de rio”, numa tradução livre e vulgar. Que vamos fazer, né?!

            - Que curioso, né, pai?! Olha!, é uma boa duma vantagem saber disso e vendo por cima igual um drone uma ave harpia... Uau!... que que é isso meu pai!

            - Vai serpenteando pro mar, é. E cada pouco e pouco recebendo adjutórios.

            - É como igual... achar uma agulha num palheiro, eu digo. Incríiiivel!...

            - Verga mas nem quebra. Corre mas nem cansa. Arrasta mas nem perde.

            - E vive da própria chuva. Inacreditável! E direitinho sem mais aquela...

            - Entra e sai estação, ano a pós ano, lua após lua, copa do mundo empós...

            - É mesmo. A pergunta com esclarecimento... Quem inventou o espaço aéreo?

            - Aí você me arrasa, bebê! Acho que vou meditar mais um pouco, já viu?!

            A situação era de pedir calma e paciência para o pensamento. E se distrair com algum passatempo insosso. Tem gente que acha difícil e pena. Muitos preferem dormir cochilar, se for o caso. Poucos vão tentando sustentar uma conversa... que às vezes incomoda o vizinho de voo. Outro tenta filosofar sobre tudo e nada. Este sicrano de terno e gravata careca óculos escuros bigode fino brinco na orelha, debalde invectiva convida insiste mesmo persiste reclama que o seu ouvinte meio ouvidos moucos escute ouça suas aventuras por outros voos passados antigos voados milhas e milhas. Sobre o mar montanhoso de Minas, serra do Mar, e tudo bem. As montanhas em ondas de ferro.

            - Um dia um garoto igual a mim, sonhou chegar ao espaço o cosmos e como astronauta ou cosmonauta. O caminho em terra, estudar muito. Chegou um belo dia e viajou para o espaço interestelar. Ficou em órbita. Olhou pra Terra, era uma bola como todos afirmavam. Sonhou que ao voltar realizaria um sonho de infância. Estudou num colégio perto de casa e todas as tardes jogava pelada no campinho. Já projetava jogar muita bola chegar num grande clube da primeira divisão e virar um craque. E sempre.

            - Oi!... Deixem que me apresente. Eu mesmo o degas, sou e me batizaram Meco Boa Maquia. Eu entendo muito de estereótipos. Querem debater sobre isto sobre este assunto, senhores e senhoras? - era um rapazola da poltrona 18 (que na cultura oriental tudo que tem oito dá muita sorte e riqueza), com uma postura um recacho de arrogante vaidade ou fatuidade. - Viajo povos culturas hábitos costumes que me surpreendem.

            - Ótimo, né?! Olhando daqui... o chão mudou muito. Desde a última vez... Sim, estou ultrapassado defasado atrasado descompassado. O rio dos Papagaios, que pinta e borda e costura e Balsa Nova e Contenda e Porto Amazonas e Campo Largo, uai!...

            - Cultura popular, hem! Um fato de todo em tudo extraordinário extravagante.

            - É nosso e bonito! Quantidade há mais de 500 anos e 5 séculos de história, é.

            - Sim, comer açaí. Os ultrajovens e a praia favorita. Que deitam e descansam.

            O pai Tácito pegou no sono e o filme ia sozinho, no mas. O Realejo ia ao banheiro perto da cabine do comando e isso mexia com sua curiosidade - esperava espiar alguma coisa (e quem sabe alertar sobre um perigo iminente). A irmã se voltou para dentro e pensava quando chegar a Cabo Frio ou Bertioga ou Paranapuã ou Maranguape (nem sabia ao certo quem vinha primeiro como era na sequência). A dona Gaipara fazia tricô ou crochê (dobadeira dobadoura urdideira tecedeira, coisa para relaxar, produto de ornar enfeitar ataviar embelezar, um assento de panela cor verde-escuro), para nem pensar no avião caindo se esborrachando se espatifando mil pedaços sem sobrar nada tudo caquinho (como já cansara de ver em filmes de premonição e longas-metragens e encontros do outro mundo com extraterrestres noites obtusas).

            - Em instantes estaremos passando com o carrinho dos lanches e bebidas, obrigada! - comunicou pelo interfone a aeromoça dona Pantomima Alcova, e uma voz calma suave em surdina bem de titia empostada radialista comunicadora de primeira.

            O Tácito sonhava suas peripécias mais Gaipara e viajando de motorhome trailer motocasa veículo recreativo e desde o Chuí (constituída principalmente de brasileiros uruguaios e árabes palestinos)  até o Oiapoque (em tupi, ‘casa dos waiãpi’). Esse tempo de expansão foi entre a lua de mel, durante a lua de mel, e o advento do primeiro rebento filhote herdeiro descendência cria. Aí voltaram pra casa e se preparar para a maternidade e paternidade. Mas que o gosto de viajar ficou, ficou. Graças por sorte a um dispositivo simples, o desejo. Viajar com a própria casa e sem roteiro fazendo a rota na hora no dia conhecendo o vasto B. Por sorte graças a um dispositivo simples, a sorte.

E sempre vêm chegam as lembranças os lugares as estradas que andaram cidades que passaram conheceram viram a placa na beira do caminho no acesso entrada/saída no pórtico característico... ‘conheça e desfrute de Vespasiano Corrêa, Erval Grande (o município possui os seguintes rios, rio Toldo rio Douradinho rio Jacutinga rio Lajedo Grande), Itatiba do Sul, Faxinalzinho, Paraí... Sonhava Tácito com direito a diálogo e riso e surpresas boas a maioria maior parte boas recordações da aventura. Aventuras repartidas com as redes sociais os inscritos os seguidores do canal ativar o sininho.

            - Se olharem pelas janelas ou escotilhas, e isso dos dois lados da nave, verão que estamos sobrevoando a lagoa Feia. Ela é enorme e pois tem esse apelido mas é um nome carinhoso do pessoal da região. É alimentada majoritariamente pelos rios Macabu e Ururaí... triiiimm!... (som de campainha desligando) - a fala bem postada voz tranquila como água de poço acalanto da amigalhona Leiva Chimpada, comissária de bordo e nem aeromoça (que este um apodo é pejorativo escandaloso e nem gostam preconceituoso jocoso desvairado em desuso politicamente incorreto e mesmo já em alguns casos faltar com o respeito acinte provocação provocador, ínfero-lateral).

            - A mãe nem acha que devia ser um nome mais bonito pra lagoa, nem?! - questionava a menina Inajá, sempre atenta às injustiças praticadas aí no mundo. - Pobrezinha da lagoa e seu montão de água boa limpa pura incolor transparente saborosa.

            - E ela já se acostumou. Vai fazer o quê?! - lembrou a mãe. - É coisa da política.

            - Por-ce-la-na!... Tem que mudar o nome para... uma sugestão muito simples: mudar para Bonita. Ora, uma lagoa Bonita! Sem ironia. Uma lagoa universal.

            - Oquei! Vai falar com o senhor ibge e seus geógrafos de topônimos, então!

            - Quê?! Por mim, ainda hoje. Onde ele mora? Em Botucatu, Entre Rios do Sul, Ponte Preta, Campinas, Campinas do Sul, David Canabarro, Vila Flores? Me diga!

            A vida a existência a sorte de mais de 110 pessoas fora alguns mascotes do compartimento de bagagem, cruzava os ares ali pela tríplice fronteira de mg-rj-es. Lá no fundo da charneca do poço do fojo do gorgomilo, vamos dizer assim e sem aversão antipatia ojeriza, umas montanhas bonitas um verde eclético um rio serpentina a reserva biológica ambiental de Guaçuí. De repente aponta aparece ao lado o Pontal de Atafona, que Atafona distrito de São João da Barra, um aparte um pedaço de terreno atufado atulhado entupido de areia areal e guloso lambaz lambareiro de oceano e água salgada.

            - Quem vive em Atafona deve ser tudo gente boa, é - solilóquio de madame Gaipara, ou falando para seu artesanato, parado parado no meio vai nem vai. - Nossa! Que que é isso! Morar no litoral a praia o mar as aves marinhas os barcos os navios cargueiros. Parece coisa do outro mundo e de pessoas privilegiadas. Eu sim queria assim, ufa! Pegar a balsa o catamarrã para encontrar uma ilha ou outra ilhota.

            Daí a mãe suspirou mais um pouquinho escorregou um tanto na poltrona e voltou para a sua manufatura. O pai soprava fundo seu fôlego de maratonista de motorhome, e pra cima pra baixo do B. A Inajá prestava atenção que tem gente que nem consegue se acomodar parar de andar sai do banco poltrona e vai ao banheiro e volta e mexe e encosta em a outra poltrona acento falar com alguém e volta e senta e levanta e vai dali uns 15 minutos ao banheiro e blatera e blasona e cachina, etc., parando às vezes para logo lembrar e seguir e continuar. E o Realejo já perdeu as contas a noção de tanto que jogou que perdeu que trocou de jogo que passou para a tevê os filmes gravados do canal multisséries desenho animado e de viajantes do tempo uns seres que tinham o poder do teletransporte e virtuais ou invisíveis ou transparentes como vidro de durabilidade diversa e infalíveis contra quaisquer tiros e armas atômicas ácidas e superpoderosas. Era possível ter os poderes de destruição que eles os banditos tinham.

            - Senhoras e senhores passageiros... por favor, apertem os cintos que estamos fazendo procedimento para pousar no aeroporto Eurico de Aguiar Salles. Oquei, tá certo! O céu está muito aberto e a temperatura em Vitória-es está na casa dos 20ºC. Obrigada pela atenção e por escolher nossa companhia... triiiiimm! tliiiimm!...

            Tudo lá fora um horizonte. Tudo horizontes tudo gente tudo povoado tudo rios e estradas ziguezagueando. Umas têm nome outras são familiares contubérnio coabitação familiaridades outras são próximas parecem familiares ainda que soa familiar.

            - Nem olhe agora... mas... o poço daqui até a terra é imenso. Que que é isso!

            - Te apoio! E que é mesmo surreal... hem?! Ao mesmo tempo... mágico.

            Se você repara bem na paisagem arbórea arboral, o que te chama a atenção? Que todas as plantas são verdes ou que na vegetação predomina o verde? Se você olha o rio desde cima com olho de como se fosse um pássaro um gavião-de-aruá, o que te desperta a atenção? Que o rio sabe seu caminho e segue pro mar? Que o rio é mais sábio do que parece? Que a montanha atrapalha mas nem desgasta? Se alguém pronunciar... “porrrrta!”, você acha que é um uma viajante do espaço aéreo natural de sp e fala cacuminal consoantes cacumes cacuminalidades? Originário de Paulínea ou Cosmópolis ou Nova Odessa ou Elias Fausto? Fala urbana ou rural? Fala padrão ou informal? Duas excessivas uma explicativa a prolixidade. Fala temporal ou secular? Quem argumenta.

            Trinta minutos depois a família no chão e com os cachorros sãos e salvos. O reencontro com os bichos foi muito contente comovente e de ambos os lados; passageiros de classe econômica ou quinta categoria, nem importava. Vem de lá aquele abraço com ledo sorriso. Os cães domésticos sentem tanta saudade de seus donos, é!

            - Como foi a viagem, Trempe e Totó? - a menina tentando reatar a confiança nas crias. - Eu senti muita muito falta de vocês, e podem ter certeza do que falo! Vocês são o meu tudo o meu chão o meu amor a minha paixão o meu negócio o meu mistério, é.

            - Da próxima vez vocês ficarão junto da gente, valeu?! - prometeu o Realejo, já meio emocionado com o reencontro. - Pagaremos o que for! Pagaremos adicional!

            O que passava pela testa moleira testo dos cachorros era lamentar o tratamento indevido fora de contexto. Um focinho tolo estólida cara, olhar que ressuma ressumbra transparece o sandeu a sandice a toleima. Porém tudo voltou ao normal e os donos voltaram e tudo foi restabelecido. No fim e ao cabo, isto é o que importa. Até acharam que tinham sido abandonados, mas nem. Entre mortos e feridos, ninguém se machucou. É assim o mundo. É como funcionam as coisas, propriamente. E que nem se repita. O mundo dos cachorros e mascotes em geral são os braços afagos carinhos dos seus donos, e atrelado a isso a hora da refeição e na hora certa habitual sem falta.

            - Au-lau-lau!... “Nem queiram saber a metade da história e o que passamos” - dizia ululava o Totó, e poder-se-ia traduzi-lo. “É como perder parente, entendem?!”

            - Isto merece uma comemoração! - gastou o pai. - Um sorvete es-pe-ta-cu-lar!

            - Oi!... Então pode ser uma pizza gigante tamanho família - completou a mãe.

            - E olhe que a Trempe e o Totó merecem e merecem mesmo! - enfatizou a Inajá, depois de mais uma vez beijar e rebeijar as mãos as orelhas a boca... dos afilhados.

            - Que os dogues escolham o que querem comer e beber - propôs a Gaipara.

            - Oh, sim! Já da minha parte sugiro um sorvete de 4 a 5 conchinhas, e só pelo começo! - ideia de Realejo e que todos riram, gargalharam, cascatearam, comemoraram.

            - Vamos nessa, kjá-kjá-kjá!... E é mais que bom à beça, gente! Oquei!...

            - Qual que é, meu! Deixem eu falar... Minha família sempre decide por mim...

            Saíram do saguão para a rua Latagão, e o trânsito tomou conta um tumulto só e constrangedor. Foram pegar um carro a uma locadora: Ronda & Cinge veículos. Acomodaram a bagagem centos balaios e cada um no seu lugar preferido ou que puderam alcançar. Papai de chofer, dirige e guia mãos no timão. Avenidas movimentadas por todos os lados semáforos enchendo o gargalo até saturar. Por este lado, aquele outro, aí mais adiante, dobra contornando a praça Teleológica e as avenidas Macu-Nadebe com a Cornélio Pires, à vista o parque Pedra da Cebola e com exemplares e vestígios de mata atlântica e de restinga e ubiratãs, cotós, laranjeiras-do-mato com amigação das guirarepotis, vassourinhas-doces, canaranas (me contaram esses dias e as fontes compensam a lealdade: ibge, ah, fgv, unb), avenida Comissário Octávio Queiroz, a rótula ou praça Wolghano Netto e isto ainda no centro quente gigante da cidade de Vitória (capital espírito-santense ou capixaba). Uma capital ilhada e ponteada.

            - Uai!... E esta é uma ilha, a ilha de Vitória. E daí, gente?! - interrogava a Inajá, como querendo dizer que se vai e se escapa de uma ilha para procurar outra.

            - A ilha que vamos é praticamente deserta e menor menor, né?! - explicava o pai. - Nada a ver, uta! Uma ilha menos concorrida menor pronta pra sonhar.

            - Puxa vida! Nem precisava dizer, todavia! Aventuras e outras informalidades.

            - Uma ilha lembram perigos riscos tesouros piratas baús e outras descobertas.

            - Confere! Sim, porque todos temos uma ilha dentro da gente. E muito legal.

            O carro seguia o caminho previamente planejado no mapa no gps e assim por diante o combinado. Seguindo o fluxo o roteiro. Tudo que uma cidade grande tinha de exagero estava ali e lojas de vestuário, brinquedos, roupas prontas, ferramentas, hotéis, tele-entrega e um magote amontoado porção de quiosques. A avenida pesada movimentada Fernando Ferrari. Uma ponte que dizem a ponte da Passagem. Uma ilha a ponte as pontes o continente. Um aglomerado de gente que se fosse pensar...

            - Dia claro está! Eu nem falei que era uma ilha?! - degustava a mãe diante do interesse dos filhos e animais irracionais olhando o mar o canal sob o elevado.

            - Uma ilha é sempre engraçada, ahahahah!... - ria o Realejo, fazendo todos rirem especialmente latir Totó e Trempe. - Uma ilha de arcas e moedas enterradas perdidas.

            - Quem sabe, né?! Uma confraria de caçadores de tesouros e outros trecos...

            Agora sem dúvidas a avenida NS da Penha e a rodovia do Sol. E a cidade e sua gordura iam ficando pra trás aos poucos desinchando espaçando e tomando trocando sons mais suaves e tons mais leves. Para daí em instantes chegarem à famosa e denominada decantada, br-101 (e de um só trago sorvo hausto haurido), ‘vru-ruuuu!...’

            - Justamente. Podemos e devemos parar pelo caminho até o destino final, tá legal?! - lembrava o pai. - É só pedir que a gente estaciona onde a família achar melhor.

            - Oquei!... Pode correr a 100 por hora? Manda vê e pé embaixo, pápi!...

            - Sensacional! Pode cantar pneu na curva, riu-uiiii-uiiii!... Ótima ideia...

            Logo de passagem por Muquém de São Francisco, acharam melhor dar uma paradinha um descanso endireitar o esqueleto à beira do caminho. Estacionaram o carro num espaço apropriado, um belvedere um ponto de vista um sítio com árvores mata e imbaúbas e embiras e chupa-ferros e touceiras de cirreias e um descampado um haras cheio de cavalos alimárias de raça puros-sangues pastando ou trotando batendo as mãos e os pés disparando, ‘popotocó! popotocó!...’ relinchos, ‘ih-éeeeee!...’ e guinilhas marchas estrupidos. Mesmo agora erguendo a testa comprida as orelhas acesas alertas e com tudo bem dispostos cheios de saúde e vigor nos trejeitos caretas gaifonas visagens rezingas, já assim verdadeiros exemplares indomáveis irretocáveis impressionantes garbosos colossos. O potreiro com exemplares de encher os olhos... impressionante.

            - São e salvos! Bem sortudos fortes fornidos estão aí estes tipos, hein?!

            - Veja! De ótima raça e estirpe e linhagem e boa cepa - conferia a mãe.

            - Podem atingir uma boa velocidade. Uau!... Bem estumados provocados estimulados açodados, podem passar rapidamente dos 80 km/h - colocava o pai Tácito.

            - Quantos dinheiros gimbos jimbos jimbongos jimbras vale este plantel, né?!

            - Acreditem. No tempo dos tememinó abaré uanano... nem havia cavalos, hem!

Quando o carro para, o navio atraca, o avião pousa, o trem estaciona. Como convencer concitar persuadir o espírito que os olhos nem cansam de olhar?! E por que paisagens vales verdes mato com passarinhos rio gingando retouçando entre tudo isso. Lugar que escolheram morar e criar raízes as jacitarapuís, cipós-de-carijós, jarapés ou capins-sapês, cabos-de-lança, braquinemas, parietárias-verdadeiras, epicaules (do tipo parasitas ou epífitas). Lugar que decidiram ficar e voar revoar os sabiás-do-banhado as siriritingas ou os bem-te-vis-rajado os inambuus os ajuruetês ou papagaios-verdadeiros. Estes tinham uma sorte uma magia um encanto, rindo estridentemente rinchavelhando retinindo trilando. Toda uma flora e fauna um povo aclimatado inspirado reflexivo gente seres de bom-senso e boa vontade já gratificando dando alvíssaras. Que D sabe leva defende salva e faz tudo. Que D pintou bordou ornou e ainda confere diariamente.

            - Credo! Um dia vamos comprar um cavalo, tá certo?! - decidia, empolgando, o Tácito. - Acho um animal muito nobre e digno, hem?! Já parecem semideuses?!

            - Ora e ora! Teremos os cavalos de olhar, fosforescentes, animais de hipódromo de feira de exposição; e os cavalos mansos pangarés sendeiros, para andar de montaria.

            - Ué e opa!... Uma boa coleção de pelos e castas laias jaezes feitios.

            - E passear de charrete com uma boa parelha e vendo conferindo a propriedade. Igual que faziam os grandes fazendeiros da época antiga, sabem?! - emendou a mãe.

            - Uma charrete chique de 4 rodas e uma parelha de equinos no cabresto brida rédeas freio cabeção arreios estribos. Tudo de apetrechos, pelegos buçal buçalete focinheira fiador cedeira cernelha barrigueira cilha sela. Eu me lembro do meu pai falando da época do meu avô. Foi aí esses dias e eu era garoto e eu ainda queria ser boiadeiro cavaleiro amansador de muares. O craque do rodeio de peões em Barretos.

            - Nem me fale em tanta coisa por fazer nesta pequena parte do dia, né?! - completava a Gaipara, Gaita. - Uma aventura que podia ser e mais. Uma pena pena!

            - Por que nem andamos a cavalo já e agora? - pergunta pertinente de Realejo.

            - Coitados dos cavalinhos, nem merecem! - sentenciou a Inajá. - Devem ficar azoados enfadados aborrecidos e com vontade de dar um coice. Eu nem me admito.

            - Você tem razão. Eu vi uma entrevista de uma famosa que comprou um cavalo e tem pena de andar nele. Ela disse, e abre aspas: “Eu tenho receio e dó e pena de ofender a alma do meu cavalo, o Mufumbo.” E completo: eu também teria.

            - Já o cavalo nunca se queixa nem se aporrinha apoquenta aborrece - colocou a mãe Gaipara (se, se: próclises, colocação dos pronomes oblíquos átonos).

            - Outrossim! Tem cavalo que gosta do dono. E aprecia ser mimado todo dia.

            O mar pega uma maré e tenta eliminar as ervas daninhas monda arranca corta joga as raízes ao sol quente, a terra pega um vale uma várzea e conspira cabala intriga faz de conta, o céu pega um sopro pé de vento e cupincha comparsaria parça parceiro.

            Tinham que chegar à ilha prometida antes do anoitecer. E se acomodar na casa de aluguel. E chegar sem atropelos. E a distância ainda requeria demandava os km. Entre o ponto que estavam e o destino lá na frente, cruzariam por pontes morros túneis montanhas cidades e Buritirama e Mansidão e Cotegipe e Barra-ba (que esta já foi Vila de São Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande) e Pilão Arcado e Porto de Moz.

- Pa-lan-quim! Velejar é melhor que voar, ou vice-versa? - refletia o Tácito.

            - O quê, pai? Tá falando sozinho ou eu acho que sim?! - perguntou a mãe.

            - Estava pensando alto e aleatoriamente - explicava Tácito. - Eu mal conheço estes litorais do Espírito Santo. Isso, eu quase desconheço os litorais da ba de se de al.

            - Rímula! Que me conta? E no final das contas... Primeiramente se.

            - Convido, oquei?! Céu mar terra, cada 1 vale por si só e então nem vale 1 pelos outros 2. Vou te contar: curioso imprevisto extraordinário sensacional espetacular.

            - Sim, é isso mesmo. Me desvaneço. Ato de influir influxo influência, noé?!

Quando se aprende na História com h maiúsculo que o padre Anchieta andava aí catequizando (voz ouvida estentórica possante retumbante, abuna e ou abaré) os autóctones os tamoio os potiguar os caiapó-pau-d’arco os aticum-umã; fé e espada. Ensinava religião e português aos índios e aprendia tupi-guarani ou nheengatu cacofonias. Troca de presentes enfeites pinturas desenhos corporais e às vezes brabos bravos troca de flechaços clavas bordunas tacapes tangapemas. Mais ou menos assim. Boatos? E meritório honra ao mérito digno de apreço favor elogio recompensa.

            - Que coisa! Isso faz uns séculos e tanto, gente! - digeria a Gaipara. - Eu tenho saudades hoje daquela época tão... tão tumultuada ou mais tumultuada. Guerras de índios contra brancos, invasão de piratas europeus excomunhões anátemas maldições.

            - Topo! O litoral infestado de corsários e piratas valentões brigões - já respirou fundo o pai. - Sempre me lembro disso, tá?!... Sempre quero ler sobre, oquei?!...

E bucaneiros e espadachins com as tatuagens cicatrizes estigmas garruchas bacamartes marcas sinais de lutas por onde passavam e já tinham passado. E abordagens abalroamentos tumultos confas bafafás bagunças, rapinagens raptos e rapineiros. E sequestradores de vilas povoados e troca de tiros flechaços canhonaços. As frotas de caravelas naus navios a vela e de bandeira amiga ou inimiga bandeira negra da caveira com as tíbias cruzadas. Dizer tudo em cinco minutos é, ufa!, cansativo extenuante.

            - Caluda! Tesouros enterrados nas ilhas de areia fofa. É o que viemos buscar com nossas férias de verão, gente boa! - afirmava colaborava a mãe. - Nem sei se é verdade que ainda existem, mas que estão por toda parte, ah!, isso eu tenho certeza.

            - Têm piratas de São Pedro da Aldeia? - boa pergunta da Inajá. - Quem me dera!

            - Ou-ou-ou!... Tem um mapa do tesouro pra acompanhar de perto, hem?! - boa questão questionamento de Realejo. - E com gritos de encontreeeeei, oh-oh-oh!...

            - Praticamente. E estamos em busca de um antro uma caverna uma furna uma pedra com marca de giz gizada riscada e rabiscada em x. Alguém me acompanha?

            - Oi!... Pago pra ver. Assim parece bom e boa coisa pra se fazer, é.

            - De praia todo mundo curte. De folga todo mundo entende e aceita, ahahah!...

            E continuaram avançando continuando a avançar pela rodovia duplicada e um ícone do país, br-101. Recém já passando passaram por Wanderley e mais à frente ainda passariam de passagem, sem paradas, por Morpará e Ibotirama e Melgaço (melgacense). Que pareciam todas iguais e no mesmo dia no mesmo tempo e Pereiro e Cedro e Poço Dantas e Iguatu (que o município prestigiava patrocinava apoiava divulgava a festa da mexerica da erva-mate do doce ou geleia de jabuticaba da colheita da cana-de-açúcar de NS das Mercês de São Sebastião o carnaval a micareta rodeio de peão olimpíada de matemática). Sobre o rio Téa em a ponte em arcos um cartão-postal, parada para uma pose a foto um vídeo. Todo um conjunto uma obra arquitetônica e talvez até no mesmo espaço no mesmo sonho e logo plasmadas modeladas na consciência memória.

- Juízo, hem! A estrada sem um fim, pelo jeito - queixa de Realejo.

- E tem os seus encantos e curiosidades e novidades. Viajar é um privilégio. É um modo bom de viver - filosofando a mãe Gaipara. - É um estilo perfeito, né, calé?!

- Um compromisso. Oquei?! Nosso sonho vai se realizar! No caminho de!

            Uma chuva boa no entardecer e quase chegando chegavam à ilha de Pargos. Esta a ilha pretendida e premiada concretamente efetivamente. Chuva boa refrescante e melhor ainda polvilhando o ambiente. Chuva ótima de boa qualidade. Assim mesmo para sopear e frear a sufocante temperatura o estonteante clima a quente estação, detendo sofreando contendo a estação quente. O sol solenizador solenidade, retroalimentação autorregulação, ora aparece ora se esconde entre as nuvens. E cheia no rio Uneiuxi e vazante no rio Jurubaxi. Está esperando o quê?

            E chegaram à cidade de Cabo Frio (nome prenome sobrenome pseudônimo heterônimo e que no caso distingue um lugar específico topônimo na carta no mapa geográfico). Era pelo pronto retorno das 17 horas. A bela ponte Feliciano Sodré, capela de NS da Guia, a rica e badalada praça das Águas, avenida Hilton Massa e a Almirante Barroso, ilha do Japonês. E tudo em pouco tempo, meia hora, alguns minutos, reticência... Os elogios os louvores se distribuem com gosto e satisfação resonância.

- Vejam! O município das mil ilhas e ou arquipélago sorteado! - anunciou o pai.

            - Mil ilhas? Nem é muita ilha e demais?, ahahahah!... - alertava a mãe.

            - Bem, acho mesmo que são umas cem ou cento e dez... aí-aí, entende, amorzinho, tchutchinha?! - emendou o Tácito, orgulhoso dos seus cálculos e agrados.

            - Na real eu só ouvi hablar de duas ou três, sendo sincera - voltava Gaipara, e assim era a índole dela do seu jeito de dizer falar do seu modo de contar recontar.

            E podiam realmente ter escolhido e se abrigado nas ilhas de todo tipo e tamanho que havia muitas no mar em pleno oceano. Cada uma com sua peculiaridade, tá justo!, a ilha dos Dois Irmãos e dos Capões e do Gravatá e de Âncora... mais um rosário delas uns búzios jogados na magia imaginação da sorte da criação dos 7 dias divinos de D.

            - Uaaaau!... Sempre se chega? Aqui mesmo o paraíso gastou tudo que podia!...

            - D tá vendo! Que os astros e estrelas nos favoreçam! Igual que hoje!

            Deixaram definitivamente o carro na garagem oficina loja da locadora Cônsul-Alinhavar (esta empresa atende todo o B e desde novembro de 1960, transportar aduzir conduzir trazer levar) da rua Miguel de Oliveira Couto no bairro Cabotino Boêmio. E aí mesmo já imediatamente pegaram o catamarrã Cabriolar e já para a ilha de Pargos, que era o ponto final e por umas semanas. Dias parecidos e de crebros recorrentes frequentes gorjeios dos pássaros terrícolas e arborícolas das aves marinhas e praianas e serranas. Uma brisa um vento forte com sobe e desce da maré. O mar sempre aí.

            - Caminhem, venham, aviem-se! - já o pai tentando acelerar os retardatários. - Caminhar mais uns metros e estaremos lá perfeitamente. Já podemos ir relaxando.

            - Amanhã de manhã estaremos são e salvos - amaciava o ânimo da galera a mãe.

            - Que ilha nos espera? - pensou alto a Inajá, carinha sincera de milagre e feitiço.

            - Quê? E nem é assim? - perguntou Realejo, determinado a dormir dormir.

            - Gente! Digo muito e nem justifico nada - o pai Tácito, desistindo de pensar.

            - Cem por cento, concordam? Haverá êxito, teremos sucesso, surtirá efeito - a Gaipara e Gaita, tentando quem sabe e sim incutir influir no ânimo da galera.

            - Hum!... Se viu isso onde? Pra que tanta noção?! Vou abrir os braços, enfim!

            Olhar o céu noturno os movimentos cósmicos, vamos dizer assim. Demora tarda tardinhar e à tardinha de tardezinha. As sombras vão subindo do chão com o cair do sol do dia lá no poente oeste. As corujas-buraqueiras esperando na porta da toca. Pirilampos vaga-lumes despertando entre as macegas maceguento macegal capins-de-burro carquejas-amargosas quinas-do-campo guaximas vassourinhas-miúdas anzóis-de-lontra. Morcegos ruflando asas em voos temerários e procurando frutas flores doces néctares nos pomares jardins jardinetes. Um grupo de tatuetês (cinco deles e fortes grandes brutos) em direção o cemitério as catacumbas mausoléus tumbas. E assaltar roubar (às costas a picareta pá enxada quicés sacos de linhagem) e ir a despojar espoliar saquear defraudar os indefesos falidos defuntos mortos(as) em suas crateras seus buracos covas.

            No alto e os distantes anos-luz, presas bordadas tecidas cerzidas na pele do firmamento, as estrelas aparecendo desencantando encantadas. Estrelas em silêncio. E como brilham rutilam! Em sossego e na sombra do universo. Vamos contá-las e perder o senso?! E é isso mesmo que elas pretendem. Elas parece que são todas e tantas. E agora estrelas-cadentes outros aerólitos meteoritos naves espaciais óvnis os tantos nem identificados. Os cães ladrando uivando rangendo os caninos para a noite e interrogando ou interpretando. O planeta Terra invadido por seres invisíveis mundos paralelos. Noite clara aberta estrelada e do nada propício favorável para aparecer discos voadores extraterrestres ou fantasmas corpos insepultos e todas as coisas seres dos outros mundos, além aquém. Como é isso possível? Com que se justifica? Onde moramos?

            Segundo sabem relatam discutem os entendidos e me contaram os documentários aí, e em séculos os gregos egípcios persas: a constelação do Escorpião está assim mesmo desenhada cintilante no zodíaco. E como uma figura mesmo. Em o mês de novembro o sol cruza passa sobre essa tal e qual Escorpião. A distância de nós é muito vasta grande demasiada enorme alterada e elevada para se medir mensurar com perfeição perfeitamente precisão de acordo com nossas medidas comuns. Nesta honesta constelação aracnídea, estão as mais bonitas espectrais atrevidas radiantes das 3 chuvas meteóricas de meteoros. Quem acredita que se habilite! Mas enfim, isso impressiona muito e difere do corriqueiro. E temos aí em Escorpião a estrela Sargas, que na bandeira do B representa o Estado de Alagoas. Outra é Antares, estrela super mega ultragigante e que se vê da terra maravilhosamente. E estão aí imediatamente para todos desfrutar e cansar de olhar. E pouco se sabe a respeito dessas caras desses caras. Trouxéramos.

            Devidamente acomodados e instalados, a família só tinha que comer e dormir para amanhã aproveitar o dia de sol. O cansaço da viagem ajudaria a pegar o sono direitinho. Um pealo um tombo. Daqui até lá embaixo! Sonhos fagueiros meigos. Dormir e sonhar o onírico dos mundos. Embalados em cadeira de balanço.

            - Vige! Uma comidinha leve pra dormir logo logo - decidiu a mãe Gaipara.

            - Eu já tô indo, meu! - o Realejo, já se despedindo com até mais.

            - Então durma bem e até manhazinha, tá certo?! - incentivou o pai Tácito.

            - Oi, gente! Posso dar mais ração pros cachorros? - argumentou Inajá.

            E aí se ouviu um pio de suindara lá fora lá fora. A família ficou ouvindo caso a coruja piasse mais. Os cachorros comiam ração e bebiam água na tijelinha compartilhada, como bons bebês como casal comportado. E a suindara voltou a piar chirriar outras oportunidades. Quer dizer que a noite era dela, e mais além. E o fremir a voz das ondas do mar, ‘bro-lo-lôoooo!...’ que estavam ali por perto também.

            Esperaram tudo, telegrafaram ponto, apoiaram todo, consertaram tanto.

            A noite longa de noite comum avançada os olhos acesos luminosos da onça-pintada... já a felina totalmente sentada igual costumam os cães caninos... bizoiavam reparavam olhavam vasculhavam aí mesmo bem pertinho a ponta de areia a praia da Tartaruga. O mar batia roupa nas pedras as ondas rolavam areia areal expandiam real a primeira a principal a primazia da enseada. Com a participação da lua nova das corujas insones dos morcegos famintos sedentos rasantes. Passava passou por acaso entre idas e vindas uma bacurau-rabo-maculado que notou viu identificou a fêmea felina aí... esta observando admirando bisbilhotando o acaso o caso a caso do mar marítimo... e logo de pronto fez foi a ave telefonar telefonou informou aos órgãos públicos competentes competitivos comprometidos os agentes do código civil. Sem delongas tardar 10 minutos já chegava surgiam chegou resgate por terra e mar e ar, terramarear, a polícia local especializada especialista técnica um helicóptero sobrevoando com holofotes potentes e, ‘vru-vru-vruuuu!...’ motores pesados este um auxílio de Lavras da Mangabeira e marinheiros da marinha mercante num bote de borracha com dois salva-vidas uniformizados da cidade de Venha-Ver a ongue defensora pesquisadora dos felinos da nossa fauna oriunda de Portel os tantos jornais impressos e saites e blogues e iutúbis diretamente oportunamente pressurosamente de Portão e Itu e Bagre e Breves e Jacinto Machado e Gurupá e Balneário Gaivota e Botucatu. A oncinha felina feminiforme feminilizada fera tomou um tiro com remédio tranquilizante inofensivo (pegou exatamente efetivamente no lado altura das costelas) que a balançou abalou... e a fez gingar ensaiar titubear uns passos passinhos vacilantes e... desmaiou.

                                                                       #

            A suindara Tenência, bendita acreditada pressentida identificada audível auditada e pousada na fronde no galho da frondosa peroba-de-lagoa-santa. Aí mesmo dentro do complexo de folhas e galhos da musculatura cerne da planta a galhada, a coruja espiava a lua crescer subir nascer emergir do oceano. E era estonteante a cena o cenário no geral da noite. E a ave espiava com intervalos de 5 minutos. Nem só espiava, piava e se mexia mesmo tudo a cabeça indo e vindo pra cá pra lá se retorcendo rodopiando abrindo/fechando as asas irrequieta fazendo lá os seus fáceis 360º.

            - Uiiiii-ui-ui!... Que lua temos hoje, nossa mãezinha! - piou chiou a emplumada para si mesma, solilóquio com suas limpinhas fofinhas peninhas pluminhas.

            O mar pega um retalho retrato retão e floresce prospera já florido luzente venturoso, a terra pega uma trilha pátula franqueada e modelo método forma volume estilo aparência transparência, o céu pega um refúgio seguro e desconhecido inteligente decifrável simpático antipático invisível visível já prístino antigo prisco desusado.

            Existem coisas diversas e D nem carece de revela inventa naturaliza corrige esquenta transforma soma orienta aceita multiplica consente acerta valoriza. Existem coisas diversas e D nem carece de capeba, bicuíba-cheirosa, palmeira-barriguda, sebastião-de-arruda, tento-das-campinas, erva-de-santa-luzia, moreira, caçoca.

            Avião nem quer voar, mas aterrissa. Macaco jurupixuna nem quer nadar, mas pular. Gente nem quer trabalhar, mas brincar. Mar nem quer agitar, mas espraiar.

            Como saber antes o que vem depois? Por sorte que a noite vem rodeada de mucuras saruês timbus taibus ticacas sariguês. Como saber depois o que já veio antes?

            Quando se pensa que o mundo está cheio satisfeito realizado pleno, eis que vem alguém ou algo do nada e limpa o terreno e planta um canteiro hífen (hífenes, hífens) hifenação hifenização hifenizado hifenizar. Perdido entre os rios entre fluviais afluentes deltas labirintos charcos pântanos alagados banhados mangues restingas e hiférese redução supressão de fonemas diminuição hiferésico hiferético.

            E quando a lua nova ia subindo a falda da colina, aí mesmo na ilha dos Pargos, a suindara se animou dançou um cateretê ou catira e se adiantou rafando os tambores:

            - Oi!... E aí, lua Província! Que deslumbrante vem surgindo, hein?! Que D te proteja, amém! - a coruja e a lua já se conheciam de outras eras e noites e horas extras.

            - Estou bem e animada para o baile, é. Vem junto ou vai ficar aí cuidando de cemitério? - a lua falava e ia se ajeitando no topo do morro, de onde via melhor o mar.

            E de fato aí pelo chão de novembro em diante, quer dizer, passando aí por baixo da árvore e sem mais cerimônia, um grupo de tatus-de-rabo-mole, talvez uns cinco... 1 e 2 e... uns oito, contando bem, caminhavam rumavam séquito para o jardim da paz. Por hoje e por enquanto maganos velhacos ardilosos vigários vigaristas. E de ferramentas nas costas na carapaça ou escudo (casco com 6 ou 8 cintos de placas móveis e cabeça cônica achatada orelhas pequenas rabo curto mãos e pés de garras longas potentes). E cavar escavar profundidades geologias minerais veios minérios mineração jazidas.

            - É, a noite vai ser longa e de trabalho árduo escavando a terra úmida - dizia a coruja Tenência, apontando com a asa os escavadores. - Que tipos estropiados, né?!

            - Singela. Eu mesma nem quero ver, tá certo?! - já dispensava afastava a lua Província, e se benzendo. - Credo em cruz! Meu caminho é pelo alto e sem tropeços mau tempo intempéries. As estrelas me conduzem me guiam, mas eu mesma prefiro olhar pro mar e os oceanos. O mundo marinho é nossa matéria-prima primitiva.

            - Oi!... Que você vai longe isso vai, né?! E pensando bem... bem pensado, é.

            - Sim. Pensando bem... pra que pensar, hem?! Vou longe e descubro todo o país. Já conhece a floresta Amazônica? Ou nem é pro te bico... brincadeiriiiinha!

            - Nem tô aí, meu! Nasci coruja e suindara terminarei ficando. Nada a ver!

            - Tudo a ver, guria! Eu vejo tudo e todos. Se você soubesse, cara!

            - Indique-me! - solicitava a suindara Tenência (me: ênclise, pronome átono posposto ao verbo). - Mesmo entre nuvens, me indique! Bem bolado e chamariz.

            - Viva!... Vou te indicar e providenciar um harém de por quês, tá legal?!

            - Enfado eu? Nunca se sabe o que um céu é no fundo. Imagino respostas e tal.

            - Opa! Que há de ficar isenta à curiosidade zodiacal galáctica interestelar...

            As noites boas da Via Láctea e grande magnífica horizontal e larga e precisa e nobre e clara claríssima, são longas e duram tardam a noite toda. Como nesse dia que tem 24h. E a lua respirava e deduzia isso, e a coruja respirava inspirava e deduzia isso. Os instintos à flor da pele. E a pele clara enluarada transparente prateada, e as plumas penas fofíssimas camufladas carijós. E muito quando sim levar as lampas lâmpadas, pelo talvez desenxabidas patuscadas e baldados esforços levar na balda nos flancos.

            - O provimento. Um montão de estrelas uma enxurrada e numerosa quantidade, hein?! - proclamou disse a coruja Tenência (teônoma), prudente providente previdente.

            - Tem graça! Pois as mesmas cinco pontas tentam me escorjar mixar cercear rentear cortar cerce aparar meu deslumbre meu prateado - proclamou e falou a lua Província (teopsia), parte divisão seção da noite noturna. - É admirável compreensível!

            Já amanheceu dia ensolarado e dia ensopado. Zumbidos tipo formas zumbido cor de cada bicho principalmente insetos, ‘ruíiiii-ti-ti-ti!...’ O dia a dia gasta algumas horas pra ir e vir, quis ir pro norte e pro sul ao mesmo tempo mas nasceu no leste e mora no oeste. O cão vê a transformação das horas e late mil palavras num largo latido ladrar. O graxaim uiva mil tons diferentes num longo interminável uivo, ‘uíiiii-vooo!...’ Uma igreja ou templo leva 500 anos saudáveis sãos e salvos para chegar a 1cidade.

            Aproveitando que a noite estava em início de temporada de tempo e contagem, outro bando de tatus-pelados ou tatupebas, pressionados pelo destino ou o acaso, vinham se encaminhando e para roubar o cemitério e antes os defuntos(as). Com o acompanhamento visual e ciciado chilreado das aves noturnas empoleiradas aí e os caburés-de-orelha as corujas-diabo os noitibós os bacuraus-de-asa-fina. Empoleirados envoltas sobre a cumeeira de uma casa na calha de um prédio no galho de uma árvore, circunjacentes circunvizinhos. E prevendo muita falcatrua antevendo armadilha fraude coita embuste roubo profanação de defuntos e tumbas camucins barrancos.

            Os habitantes do planeta representam se deixam a conhecer se justificam pelos números identificados por números um número de vários dígitos. Contabilidade de D? Os humanos são da casa dos 400, as árvores da ala dos 20.000, os insetos do tipo 800. As profecias falam de números e suas colocações na paisagem no espaço sideral, etc. Cada categoria de número ou números fala de uma legião de seguidores curtidores.

            O sol nasce vai e dorme porque precisa se pôr sair e amanhecer. Dia confirmado e de manhã, a família Macuxi acordou cheia de planos e projetos e perspectivas futuras. Tudo arranjado dentro do pensamento e planificado planejando de antemão. Café da manhã na cozinha, a casa das férias e o veraneio na ilha separados do orçamento desde o começo do ano e contado gota a gota contando com tudo e etc. Que coisa espetacular! Na parede entre a geladeira e o balcão da pia a folhinha numerada datada de desfolhar. Os grasnados pios gritos dos teréu-teréus em o jardim gramado, especialmente mundialmente. E olhando o dia o tempo como algo a percorrer a ser perseguido.

            - Oquei! Comer para ficar forte e sair aí pelas praias. São muitas e esperando por nós - animava a mãe, Gaipara. - Que ninguém se desgarre se desprenda, porém!

            - Com cores e sabores, hem?! Os xerimbabos vão junto, óbvio, e o isopor tá lotado de mantimentos - explicava o pai Tácito. - Já partir partindo, hu-uuuu!...

            - Hum!... Dá chance para um aparte, né! Cada um que cumpra seu dever.

            Era já sol lá fora! Domingos feriados e dias de guarda, assim todos os dias da semana. Quem diria morar na beira do mar na praia da Florestinha! Como explicar isso já realizando um sonho de desde sempre? Pegando já de manhã a rua do Areeiro, logo ainda em frente de casa, e em vista do mar chegando chegando lá do fundo e entre árvores e sacambus, rabos-de-iguana, flores-de-madeira, favas-de-besouro.

            - Nem já falei?! Aqui o mar convive conosco com os humanos o dia todo, é.

            - Oi, gente! Sei sabido dos sábios sabichões que o mar começou o tempo, né?!

            Fora e ali fora das 4 linhas da residência, uma ilha cheia de possibilidades uma ilha ilhoa ilhada rodeada de praias orla por todos os lados. Tinha vila com moradores gente que vivia do turismo da pesca pescadores arrendavam barco guiavam turistas pelo mar ensinavam a surfar atendiam restaurantes alugavam casas. E a ilha isolada como um ícone do paraíso. Rodeada de mar e oceano por todos os lados redundante (que é para afirmar o que todo mundo já sabe, mas que faz efeito reiterar). Praias enseadas trapiches estuário mangues dominados pelas marés siris moluscos caranguejos mergulhadores.

            - Hein?!... Lugar onde as ondas vagas se quebram rebentam arrebentação, pois.

            - Xi, uei!... O que é a sorte? Propor e propõe mais declara e decreta, né, meu?!

            Sol soberano vestido de ouro quilates e reino império nos 4 cantos do mundo. Muita labuta e faina em tantas horas de trabalho. Uma praia do Aljôfar, quase completamente deserta inédita exclusiva invicta e comprida extensa precisa limpa boa recém-feita lavada pela língua salgada do mar que veio várias vezes oportunidades em ondas, “eslooootes!...” passar a língua. Inda mais inda por cima esbatida pelo vento que era antártico. Uma ponta de mangue já preservado e dunas brancas atacadas de plantas baixas e ou rasteiras rastejantes rastejando dia e noite sem parar sem cessar e catingas-de-urubu, ervas-de-sapo, ararutas, jacitaras, malícias-de-mulher, catuabas.

            - Tempo tem! - empolgado o Tácito com o lugar a ilha a praia. - Tô curtindo como uma aventura, tão entendendo?! Ah, eu acho ótimo! E me deixo comover.

            - Tempo tem! - agora a mãe Gaipara a Gaita. - Me sinto e me passa a sensação sensacional que isso é pra sempre sempre, meus bens meus filhos meus tudo!

            No caminho pessoas da vila caiçaras ou turistas de outros rincões e distantes, gente de pele queimada bronzeada epicurismo hedonismo corpos curtidos de sol e sal e vento. Ficar à toa, horar, deixar o tempo passar e correr e se mandar se bandear. Pessoal descontraído e chegado recém de Gastão Vidigal, Cosmorama, Parisi, Valentim Gentil, Álvares Florence, Nhandeara (significa ‘nosso senhor’, etimologias e topônimos tupi-guarani no B). Já se abriam as portas das lojas padarias confeitarias bancos floriculturas.

Logo sensacionais as aleias de coqueiros por dentro dos sítios coqueiral e propriedades onde passam os triciclos quadriciclos e o perigo é o coco na cabeça. Aves esvoaçando perambulando pelo alto, horda sempre espreitando um bom bocado de peixe punçar de outro alimento e perspicazes percucientes, batuiruçus-de-axila-preta e gaivotas-rapineiras e atis e ajurucatingas e fragatas e trinta-réis-grandes. Voando de asas medidas esticadas em pleno ar espaço céu escorregadio liso de cor azul. Uns peixes de aventuras nas águas buliçosas das marolas e as jubartes com as crias amamentando.

Corriam para pegá-las, corriam para os pescar. Se contentavam agora com espreitar aves e peixes e mesóclises (intercalação pronominal átona): dir-se-ia, dir-lhe-ei, dir-lhe-ia, far-se-ia, vender-lhe-ei, chamá-lo-ia. O que é o mar oceanográfico?

            - Contentar-nos-emos! - disse a mãe Gaipara, termo inusual incomum estranho.

            A fisionomia das nuvens. Cada tipo, hem!... Nuvens imitando objetos coisas casa automóvel flor pássaro navio telégrafo cântaro férula ou palmatória. As nuvens alvaiade indicando fantasia alegoria ilusão transfiguração e ideias aleatórias. Nuvens lembrando e fazendo apologia de ninho recâmera almadraque almofada pufe sofá-cama travesseiro, e até mesmo rede de deitar. Acontecia às vezes que uma camuá alta crinuda vestindo cocar derrubasse um coco dois cocos e cocos assim. Ilustríssimas autoridades.

            No fim da manhã e no almoço meio-dia, um restaurante autosserviço e pronta-entrega churrascaria Senda da Estiva, os seis 6 familiares família já estavam diante e cada qual do seu prato colhido ali no bufê e preferido. Preferido também para os cachorros, coisa de respeito com os bichos (tinha uma baia preparada especial somente para mascotes). E tudo em cores cheiros gostos sabores e bom apetite. Melhor repasto, nem eles próprios teriam se concedido. Quando deram acordo, já 12h ultrapassavam.

            - Vocês viram os hidroaviões pousando decolando, uma coisa diferente - lembrava o Tácito. - Eu vou voar num desses e é hoje ou amanhã. Me acompanham?!

            - Mas é pra já! - se empolgou o Realejo. - Voar é comigo e eu gosto, oi!...

            - Demorô, meu! - a Inajá. - Voar e aterrissar na água é para poucos! Concordo.

            - Embora! São os seus os meus, mãezinha e filhos e afilhados, os nossos 700 mangos pilas pacotes vinténs - pôs tudo na ponta do lápis o papaizão. - Sei nem, hein?!

            - Hu-la-láaaaa!... - interjeição de mamãezona temerosa com as economias indo embora. - Em boa hora e é uma vez na vida!... Também nem sei, hem?! Confio.

            - Ou então a gente vai na micareta comprar os abadás personalizados entradas camarote tudo incluído e à vontade servidos por garçãos garçonetes camareiros frigobar jantar e bainheiro privativo dá pra levar amigos xerimbabos... ufa! - detalhava o pai.

            - É pôr na balança e ver o que dá, tá certo?! - empatava a mãe. - Par ou ímpar?

            - Eu prefiro andar de hidroavião, é único e difícil de conseguir outro - escolhia a menina Inajá. - Ver lá de cima como um drone é legal e, vru-vu-vuuuu!...

            - Eu também acho melhor voar junto com os atobás-pardos, hem?! - dizia a mãe.

            - Já que eu prefiro alguma coisa eu prefiro os dois 2, e pronto! - apontou com os dedos o Realejo. - Vamos ver as ilhas pingadas aqui e ali, gente!

            - Sim. Quero-lhe muito bem, amável! Astrofísica e física cósmica.

            Vai-se embora o sol e vem a lua. De que forma? Maravilhas e arroubos êxtase enlevo. Diziam que o sol nem cria casca. Se lembraram bem dos dias, eram parece que longos lentos. As horas foram-se dissipando, as horas se foram dissipando, as horas foram se dissipando, as horas foram dissipando-se. E era válido cabido admissível tinha cabimento. Pôr do sol semivelho acalentando o horizonte. Sol motorzinho de tudo.

De noite já tinham voado de hidroavião e muito maneiro. Foi uma volta de meia hora e valeu a pena. E já se aprontavam para o carnaval e ouviam o batuque anunciando alegria e descontração. Na árvore vizinha da casa, a rasga-mortalha (seus olhos e olhar de lanterna furta-fogo) já saía da toca no tronco e declarando, ‘ru-roooor!...’ seu som preferido conhecido tipo rasgando roupa. E se empoleirou no galho mais em vista das estrelas e apreciar estrelas disputando com lua. Olhos tomados grandes limpos de luar.

Na mesma hora dentro do prazo de tempo conforme, também o bando de tatus-cascudos (naturais de Tatuí-sp, tatuianos tatuienses), mais ou menos uns... cinco, apetrechos de escavação nos ombros nas carapaças nos cascos segurando firme o picão a picareta a enxada a foice o formão o caxeringuengue. Em a direção reta ao atoleiro báratro abismo voragem de cadáveres. Outras corujas mochos-carijós e pintas-cegas ficavam olhando só cuidando estupefatos soçobrados desalentados enquizilados arregalados os olhos amarelos e achando muito esquisito todo esse movimento fúnebre ou tétrico ou meia-notívago ou sacrílego ou paralisante ou pavoroso. Porém, achando também o... fazer o quê?! Porém, achando também o... que digo lá em casa?! Porém, o que concertar acondicionar retirar abjurar renegar tomar às de vila-diogo?!

            A rasga-mortalha (rm) olhou através da folhagem dançou a cabeça redonda pra cá pra lá girou espiou praticamente 360 graus... afinou a visão ultrapotente e escutou a estrela vésper (v) chamar conversa. Conversando como sempre faziam e mesmo na distância impensada impensável bate-papo indispensável uns 800 milhões de km:

            - Isso e parabéns!... Você aí, acesa e lanterna! Eternamente acendida pegando fogo e fogo! - rm se dirigindo à estrela v. - Faz tempo que sim, nem? Oquei!

            - Oi, pena-leve! Eu tenho sorte fui sorteada de ser gigante gigantérrima. Mais maior e mais longe que o sol, uns 801 bilhões de km. Pensa uma distância...

            - Outro patamar. Quem pode pode, quem nem pode que se coce, ahahahah!... - riu a bandeiras despregadas e se sacudindo toda a pequena ave noturna.

            - Além do mais... A distância e o tempo me favorecem e me são aliados, é.

            - Perco meu tempo falando com estrelas. Você nunca me compreende. Acho que nem tenho assunto pra tanta noite estrelada. Nem sei falar com estrela de pontas acesas.

            - Eu também nem sei nem. E com aves miúdas idem. Aves de voo curto, bah!...

            Olhando agora mesmo ali, mais um monte de tatupoiús ou tatupevas passando se dirigindo sem lei diretos exumadores ao cemitério e colher caçar verbos joias relógios utensílios de escrita palavras ainda úteis de valor aos já falidos ausentes aos desaparecidos mortos que foram sepultados tapados desligados. Buscando coisas enterradas e úteis. Buscando coisas enterradas e ainda utilizáveis. Catrapus!...

            - Daqui mesmo tenho uma visão de satélite ou de drone, como queira, de tudo que acontece na terra. É longe mas eu alcanço - mandava mensagem a estrela v. - Tudo e todos parecem paisagem filme foto vídeo. Sonolentos perto frente diante da tevê.

            - Que figura, meu! Com céu aberto e na oportunidade de ver tudo às claras, hem?! - retrucou arrepiada sacolejando sacudindo a cauda a ave coruja, também de ótimo sengo senso e sisuda atilada. - Tanto espaço vácuo sem-fim a ser preenchido.

            Sempre soprava uma brisa marinha aquela viração e ali agradava por causa do calor. Quando muito uns morcegos em voos temerários rasantes quase cegos atrás de namoro. Quando nada uns bacuraus endêmicos amigos da camuflagem pesquisando o trânsito de mosquitos borrachudos pernilongos moscas tavões mutucas e outros insetos invertebrados comestíveis. Quando nada uns fantasmas fugindo do jardim dos finados.

            - Gelosia. Seus olhos, madame, seus raios faiscantes e os demais, brilham intensamente até aqui na terra. É fato. Comparável ao ouro quilates do sol - coruja rm.

            - Oitenta. E sem a falsa modéstia nem há moedas dinheiro faz-me-rir que eu nem compre e pague com juros e correção monetária, se é que me entende?! - a estrela v.

            Àquela hora da noite, e no céu noturno, passou rápido um avião de carreira. Ia pro continente e com uma meia volta no oceano. Dizem que é mais seguro e o tráfego menos intenso menos congestionado. A barriga empanturrada de passageiros. Rumo de para pouso aterrissar aterrizar em Novo Oriente de Minas, que o aeroporto serve arredores e Catuji e Frei Gaspar e Itaipé e Ladainha. Paradas obrigatórias nas comarcas de Itambacuri e Franciscópolis e Mormaço e Poté (esta última e nem menos importante banhada pelo rio Todos os Santos - afluente do rio Macuri e por méritos próprios, sempre foi é e será - que nasce no distrito de Valão e chega a passar por Teófilo Otoni).

            - Oi! Em tese e teoria, veja bem, sou mais rica que você - lembrou a v, pujante vigorosa poderosa dominadora empoderada. - Eu, hem?! Conservo meu brilho eterno.

            - Pra tu vê e dizê! Quanto mais longe melhor e mais feliz e idem - completou a rm, encoberta encapotada vestindo emplumada uma capa um curu.

            - Mas e de repente nem vamos nos perder em discussões aí! Só falei porque você me vê mas porém nem me conhece. Nem sabe do meu íntimo. Só isso somente, tá?!

            - Deixe. Isso nem me aflige nem me toca nem tô aí e olhe lá. Sou eu que tenho que me tocar que estou falando com uma estrela... empolgada rainha e distante.

            - Oquei! Você nem entendeu o que eu quis dizer... Nem quero que se ofenda e...

            A copa a fronde das árvores a cabeleira de folhas selvagens brilhavam na luz das estrelas e de repente a lua nova. Era tudo brilhante e noturno, nem sei como. O mar rugia de vez em vez e de quando em quando de marola em marola. O que comigo, e também no caso cá entre nós, faz dele um senhor de velhas barbas brancas que se estendem em ondas preguiçosas relaxadas na areia fofa também branca ou dourada.

            - Estou contigo e sempre e nem abro. Digo isso e na menor distância - vésper.

            - Você, você mesma fabrica futuro? - rasga-mortalha, e seu olhar telescópico.

            - Eu? Olha que pergunta... para se pensar na resposta... Que ideia afortunada!

            - Abertas as portas em portarias... Particularmente, acho sim que fabrica!

            Um momento a coruja perdeu de vista a luz da estrela. Uma nuvem passageira entrou aí de passagem pela frente sem aviso tapando a visão. Sempre sopra um vento que nasce no oceano. Parece que surge do nada no meio do mar. E também carrega carrega o tempo. Nuvens que deliram na ventania e depois correm pra lá, desistem. O tempo vai e consegue o que quer, e nem espera. Tanta coisa acontecendo, né, gente!

Mas logo depois de 4 horas se restabeleceu o contato interplanetário. Nesse meio-tempo nesse intervalo das voltas e giros dos ponteiros, a rasga-mortalha foi até ali dar uma volta sobrevoando seu território policiar catar uns insetos incautos chupar uma fruta beber um mosto de uva fresca. Deu um giro por sobre o campo dos defuntos. Família inteira de tatus-mulitas ou tatuíras inspecionavam uma zona do cemitério ou trincheira neutra. Queriam chegar mesmo e literalmente fundo na investigação subterrânea. Enterradas ali mil e oitocentas palavras ou verbetes em desuso, joias relíquias de outros tempos épocas que se atavam cachorros com linguiça. Substantivos que sofreram a peste da moda do tempo da era analógica, para se dizer de alguma maneira algum modo, e foram inumados assim na cova rasa mota amota nas aterroadas barrancos cupins e no comum do olvido. Sumir com palavras nem é estranho, eu.

            - Você já vê D, dona v, desde aí do seu posto no meio do oceano celestial e vazio? - pergunta de rm, valendo um milhão de reais e um curso de filosofia na ufsc.

            - Graças a D! E claro que vejo! Ele se parece e é muito lampeiro lesto apressado.

            - Jura?! Vê e ouve escuta percebe? Trocam algumas palavras acordos dicas?

            - Oie!... Tenho dito e nem confia? Ele se parece e é uma árvore saguaraji.

            - Ahahah!... Me diz me fala me convence do índice remissivo...

            - Viva e deixe nascer! Ele se parece e é amador amor amoroso amores amado.

            - Tanto tanta, né?! Já foi dito que ainda há muito vazio no espaço, oi!...

            - Que gentileza! D em o tempo, sapo no tanque, e aí caiu o sossego. É legal.

            - É o Bem-Bom, né?! Oi!... Ele pensa compara recomenda requer diz desdiz rediz decreta ordena que se cumpra. Quem ouviu ouviu, quem antes pelo contrário...

            As estrelas são feitas de pedras incandescentes. Mais provavelmente são feitas de diamante puro, que nem quebram nem desvalorizam nem saem de moda nem acabam nunca. Estrelas que parecem também muito eternas eternizadas universais. Nem só distantes e incendiadas, mas também perenes. Acesas alertas pulcras majestades.

            - Veja! Você vive viverá quanto tempo, assim, por alto, dona estrela vésper?

            - Ca-ran-gue-jo-las! Pra você ter uma ideia, eu vi a Terra se formar tomar corpo arredondar tomar fôlego e se enrolar toda nos séculos e séculos. Tenho tudo anotadinho apontadinho. Foi ontem, assim, no meu tempo de estrela estela estelar estelante. Oi!...

            - Nem sabia. E você nem nunca se pronunciou a respeito. Que que é isso, meu?!

            - Ahahah!... Minha modéstia nem me permite nem me deixa nem me autoriza.

            - Arre! Você no mínimo sabe o dobro do que diz, confere?! Que natureza, cara!

            - Pelo consenso. Tenho os muitos afazeres, minha cara caríssima! Outrossim!...

            Já pelas 4h e 20min e os uns tatus, de distintas famílias de distintos grupos trabalhadores, iam se retirando dos buracos furos tocas e saindo pegando o caminho de casa do lar ou mesmo diretos em rumo de distinto distrito ou bairro chamado Amangar ou do mercado público Libambo. E vender seus produtos do furto e retirado e do alheio que se apropriaram. As horas se adivinham nesse tempo escorrendo.

O grupo ia meio cansadão calado. E sacos nas costas de palavras soantes e antigas que serviram e agora nem prestam mais. Nem prestam tanto. O total do achado escavado reaproveitado. Termos e expressões nem sempre vistas em dias de hoje: inanidade, demagogia, hecatombe, rebelião, combustor, cartório, represália, meirinho, abolir, engafecer letra de câmbio. E catadas vindas das profundezas dos livros mais antigos autores esquecidos anotadores perdidos no tempo: ornejar, tapigo, arcano, verga ou viga, camueca, fanfarrão, desforra, cacholeta, remoque. Quer se queira ou nem, quer se aperte preme premi algumas e outras em série ou sequência relacionadas como estas aqui presentes e vêm elas: alfaiate, carretel, paletó, colete, ombreira e costurar, cozer. E com valor de mercado dependendo do comprador e da oferta e procura, garantir e afiançar. Palavras arrancadas aos punhados e impossível discutir com elas e ao mesmo tempo todas juntas. As que viveram batalhas, tá ligado?!, enunciados e formas livres, livre arbítrio: luxação, estertor, remordimento, lúgubre, exacerbação, colata ou colo. Expressões versáteis unidades da língua, porém com óleo na pista, marcas de travada e derrapagem: escrúpulo, calcinar, estancar, perverso, refluir, maquinar, escorropichar. Oferta imperdível e variedade de frutas e legumes e folhas e raízes e sementes caroços.

            - Uma pajé da pajelança me disse me convenceu que eu vou virar uma estrela e lá longe aí junto de você no céu. Saiba disso também e saiba ainda hoje, comadre!

            - Ora o que, meu! Como vai ser? Alerta alertando!... Você tem tudo e tem mais do que eu e fica se queixando, ave de rapina - raiou a estrela v, já meio que pensativa e olhar distante já cruzando toda a galáxia e outras constelações.

            - Ufa!... Eu posso voar e procurar outro sítio, mas sempre aqui por perto.

            - Brilho mais e bem longe no espaço, porém nem tenho parceiro por perto, é.

Amanhecendo e os tatus indo pra casa. Era uma exumação diferente e delirante e literária o que faziam, vamos ser francos. O governo as autoridades a academia os coveiros nem tomavam conhecimento paralisados paralíticos, e creio que nem buscavam saber com covardia da noite. E eram os tatus (mamíferos xenartros da família dos dasipodídeos) os escavadores violadores de túmulos (e que vinham desde todas as partes do país) e que causavam causadores dos estragos fúnebres. E por enquanto os que nem se inteiravam disso do problema da questão, mal e mal sabiam ou previam o tremor horror terror pavor pasmo susto estupor torpor. Tanto escavavam solapavam que provocariam em breve um solavanco na cidade. E onde negociavam eles os tatus os seus sacos e malas e sacolas das palavras descarnadas esqueléticas retiradas dos caixões esquifes sepulturas lousas gavetas mortuárias? Pechinchavam aí e ali mais acolá.

Vamos ver o que opina o sol. Um horário bom pras aves da terra do mar acordar. Vamos ver o que o sol tem a dizer. Pássaros possíveis despertando e corrupiões, iraúnas-do-bico-branco, encontros, tiês-caburés, tuins, beija-flores-vermelhos.

            O mercado paralelo ou mercado nem oficial, comprava tudo que vinha do cemitério do jardim silencioso qualquer palavra antiga. Qualquer coisa que dissesse ou dissera ou lembrava uma pronúncia um significado significante um resmungo uma onomatopeia e etc., sonoplastias. Como exemplo já relatamos aqui, e lembrando aos menores de idade nem tentarem decorar em casa, os seguintes nomes da era do fogo: quartola ou ancoreta, pábulo, grelar, despicar ou vingar, quengo, anaçar. Cada palavra aí relacionada e ditada vale seu peso em ouro e já calculando o tempo e o lugar e o autor e a importância da obra onde o exemplar apareceu. Tem gente que busca palavras com rede de pescar. Muita gente ganha e merece ganhar (modelo de verbo regular da 1ª conjugação, ex: lavar, caçar, salvar, saudar, cantar, suar) a vida e sustenta família com este trabalho de catador catalogador. Um ofício que os tatus dominam o mercado.

            - Isto tudo isto mesmo é o que eu queria pra mim. Deve ser melhor que voar e ser pássaro - revitalizou a coruja, olhar agudo e profundo se aprofundando na noite estrelada. - Digo com certa pena pois adoro ser ave adoro o que faço o que sinto, mas...

            - Uau!... Mas os orgulhos são parecidos. E todo orgulho é igual a outro e no fundo valem mesmo o mesmo. Qualquer orgulho ou vaidade é semelhante comparável. E enfim, já mudei de ideia e várias vezes me vi em mão dupla contradição. Me separei e fui estou morando no vácuo para ter meu próprio espaço... in-co-men-su-rá-vel!

            - Opa!... Incomensurável! Onde você arranjou esta palavra total? Eu vi, hein?!

            - Comprei. Adquiri. Negociei com um tatu marambá que nem vem mais cá!

            - Força do hábito, né, comadre?! E que destreza! É explicativo e eu explico...

            - É ou nem é, noé! Somente só para quem disponha de algum algo, oquei?!

            Rolava o mar no oceano. Corria o vento em pleno ar atmosfera. O tempo nem tinha com que se identificar. A noite e seus cochichos sussurros resmungos assombros sombras imperfeitas e também anônimas. Cidade adentro, mar adentro, lua adentro; casa afora, porta afora, rua afora, mundo afora. Tanta coisa de zombaria que até me esqueço.

            - Mereço, sim! Porém eu acho que você é mais do que é. Representa mais. Você é ídolo de muita gente heroína entidade máxima símbolo uma deusa. Você é única! - bateu bico a ave de asas nas costas empoleirada no mais teso tenso hirto duro pragmático dos galhos da frondosa pau-de-cortiça ou xixá ou folha-santa.

            - Isso pode ser, tenho fãs, admito. Agora eu já brilho a centenas de trilhões de anos. Então são situações sistemas esquemas destinos e muito longe de compreendermos. Meu, acho que entramos numa espiral! E sem volta, dando mil voltas.

            - 2x2:5. Aqui na terra seria entrar no mato sem cachorro, num beco sem saída.

            - Eu imagino. Quanto tempo somos uma estrela? Quanto tempo nem durmo?

            Outras estrelas arrastavam, no bom sentido do arrastão, seus brilhos esplendores estrelados e famosos pela noite em voga em processo amanhecendo. Seres humanos preocupados apontavam suas lunetas superpotentes para descobrir onde estavam o que fazer o que comer o que vestir com quem andar e etc. E as pessoas dizem e fazem coisas lunáticas para achar uma estrela nova uma estrela perdida, terráqueos bisonhos bizarros. E trocam o dia pela noite e avançam madrugada afora adentro bisbilhotando admirando as constelações e galáxias e nebulosas. A noite as noites infantil uma criança.

            - Puxo pelo céu, cara! Na verdade sempre olho para você porque você me inspira e me ajuda a vencer o dia a dia, é. E é claro que daria tudo para ter a tua experiência. A dúvida é grande como o mistério do eterno, né?! A dúvida e o tempo passa, hem?!

            - Luz viajante! Olha o papo da garota, meu! Será que eu te dou um retorno amanhã neste mesmo horário? Te liga, mana! Vamos hablar de futebol e gol.

            - Oi!... Você é uma máquina! E muito potente! - desabafa a ave de rapina.

            - Fábrica de máquinas. Máquina cósmica e que se move ou sobrevive por conta própria, isso sim. Até aí você chegou e bateu o martelo - descontou a estrela v.

            - Vê. Que você vê no futuro? O futuro vem te ver? O teu caso com o futuro?

            - Ei!... As mesmas perguntas de sempre e repetidas recorrentes. Mas recomendo.

            - Que sorte! Se você tiver uma resposta... me aproveite se aproveite de mim.

            - Hoje me consagro. Pois o futuro a D pertence. E D vem veio antes das coisas.

            - Aí eu vi a certeza! Oi!... Essa nem vale, né, batizada vésper vênus vespertina!

            - Então eu creio na velocidade da luz. E ponto. E vou, fui... tchaaaau!

            E o silêncio do universo precisa ser respeitado. O Adm universal assim deseja e recomenda. Quantos centilhões de desertos por esses confins bilionários! Quanta terra prometida por entre este apagado vácuo bordado de astros e estrelas e esferas!

            Mês de maio e trovoadas relâmpagos chuvas por todo mês de maria e a femínia onça-pintada, ali sentada na chuva como um cão como um gato como uma canguçu, em plena meio da rodovia sp-561 ou Jarbas de Morais. Chovia. Sem aviso prévio estacionou chegou ali se acomodou na pista bem sinalizada na ampla área ao redor do agro de agricultura da cana-de-açúcar e produção de álcool etanol combustíveis renováveis marcando os limites agricultáveis dos vizinhos irmãos municípios de Urânia (uranienses) e São Francisco e Estrela d’Oeste banhadas as comunidades pelos ribeirões Quebra-Cabaça e o Perobinha. Chovia. Quem sabe provavelmente pode ser estivesse ali prestando depoimento à chuva ao temporal pelo preto e amarelo molhado ensopado ou estaria meditando na chuva agradecendo esperando alagada encharcada ao amor de sua selvagem trajetória. Chovia. A estrada pouco movimentada àquela hora da manhã às 8h em ponto mas surgiu testemunha ocular um automóvel emplacado de Paranapuã e com seu condutor Nico Zagal e este senhor parou intrigou remoeu considerou e resolveu chamar a brigada. Chovia. Depois de dois décimos em minutos se apresentaram as autoridades policiais locais estaduais e federais o corpo de bombeiros de Aspásia o padre da igreja Santa Luzia o pastor do templo JC Salvador a companhia seguradora de segurança profissional predial patrimonial Catucanhém (endereço rua Valparaíso com a travessa Serafim Terra no bairro Jardim Botânico) os iutúbis bisbilhoteiros os saites que tratam de mascotes e ou animais autóctones a sucursal da televisão canal 02 com sede em Dirce Reis o presidente da escola de samba Acadêmicos da Orgia Palaciana (aop) a associação dos moradores da rua Antônio Balde (ou Antônio Joaquim de Oliveira) da promissora localidade de Pontalinda. Chovia. A onça f feminil (olhos de ouro quilates luzes que vêm do interior do centro miolo profundo do ser abrindo piscando cor reflexos janelinhas estrelas fogueirinhas de papel) levou um tiro de tranquilizante um dardo certeiro com crinas fios sintéticos azuis bem debaixo do papo no pescoço no gogó sentiu engoliu em seco ou tentou engolir a saliva titubeou perdeu a coordenação nas mãos e nas patas a cauda o rabo trançou salamaleques esquisitos vacilou procurou os lados em a esperança de uma escapada um trote como último recurso e... desmaiou.

            No mundo dos cães, só o olfato importa e interessa. No mundo das aves, só asas que voam e importam. No mundo das plantas e árvores, só a água que chove e interessa. E temos uma hora para pensar e escrever, escrever e ler, ler e meditar. Fazermo-lo.

            Eu olho o que virá e logo breve amanhã. É um acontecimento um evento. Me interessa e me diz respeito? Sim, pode ser, mas nem me pertence. Nem me pertence.

                                                                       #

            O grupo de tatus-de-mão-amarela já se aproximava do cemitério terra inculta sáfara agreste cheiro forte pitiú empestando o meio ambiente, do lado do morro no centro meiúca da ilha dos Pargos. A latitude e longitude são as mesmas e a meses. O que modifica é o vento de leste ou noroeste, conforme. Vasto mar e Atlântico, são peixes teleósteos perciformes da família dos esparídeos (fonte: dh) e pargos-vermelhos e pargos-lisos e pargos-brancos e pargos-olhos-de-vidro e pargos-mirins e pargos-cachuchos. Protozoários, de vida aquática livre ou parasitária, são microrganismos unicelulares e eucariontes e heterotróficos; ou seja, quase nada!

            Uma paturiaçu menininha foi no lago ou remanso do rio Tietê e o jacaré-de-papo-amarelo devorou ela, ‘nhame! nhame!...’ Depois veio um pequeno tracajá mocinho e a puxou pelo topete ou cabelos até a margem sobre a grama ou as plantinhas aquáticas aguapés. Chegando em casa dentro da capoeira touceira de juquiris a paturiaçu contou tudo pra mãe marreca-cabocla. A mamãe a lembrou sintonizou que se o réptil a devorou ela nem poderia ter sido salva pelo tracajazinho, ‘entende?!’. Então, aí sim, a paturiaçu de asas grandes e penas impermeáveis disse e com razão que o que a salvou de fato naquela hora foi saber mergulhar e nadar ao mesmo tempo, ‘foi!...’.

            D também revoluciona quando preciso e matemático. Mas quando o mar existe e se cria, faz o vento e as nuvens trazerem a chuva. De supetão de súbito de repente já estão todos aí e atuando representando acontecendo. Então o mar marítimo conta até 10 e aos poucos caso a caso vai recuando maré vai embora por hora e retardando vazando adiando o vento as nuvens, ‘vu-vo-viiiii!...’ O senso também colabora e ajuda.

            Repare e olhe mesmo! Tem gente, ô se tem!, que gasta horas joias porque gosta do mar olhar o mar pechinchar o mar. Tem cão canino que fica de olho vidrado no patrão/dono/tratador para ver como quando aonde vai ser a próxima refeição. Tem gente nova ou velha que guarda o amanhecer aurora pra ver de perto em loco ao vivo a segunda-feira. Tem mar azul ou verde que vaivém vai e volta ondula mareia mil vezes a cada hora para rever abiscoitar o areal dos sonhos a praia da Daniela. No fim e ao cabo para terminar e concluir, tem muita coisa objeto que sem ver ou ter faz sentido, ora!

            Neste agora verão poranga as aves topetinhos-vermelhos voltavam retornavam adiantadas para o tal e qual acasalamento. No verão trinca-ferro-da-serra que vem, e vai vir o calor com tudo em cima, as aves beija-flores-de-orelha-violeta já voltam retornam outras senhas outras aladas outras penas e plumas e mais ainda outras vezes. No verão ajajá do ano passado as aves beija-flores-tesoura-verdes estarão chegarão carregadas de namorar e com asas voos planos esperanças renovadas esmeraldas brilhantes.

            Um domingo iniciou a semana o dia com 1 rio Paraopeba correndo escorrido perene uma piscina cheia azulada piscosa e, ‘tchibum!...’ Que rio é este aí que deve vende vem com cachoeira corredeira usina hidroelétrica barragem, hein?! Que música vem o som é esta que canta entoam os mais finos finórios passarinhos, hem?! Que árvores são estas com flores e frutos e espécies espalhadas aí, tá me entendendo?!

            O sol se ia e se mandava. A que os pássaros terráqueos se dedicavam cantar e inhambuxororó, pica-pau-verde-barrado, casaca-de-couro, saracura-três-potes, jacucaca. O sol exercitava desengonçado seus últimos raios reflexos acordos ensejos respeitos. O que é o astro-rei? O sol histórias sagas contos imagens cenas episódios capítulos.

            Dezoito e trinta passadas e os tatus pegarão no trampo aí exatamente às 19h. Tudo estava bem estavam no horário em tempo de chegar sem pressa e a noite ia ser daquelas estreladas céu aberto até o fundo da retina do Senhor. O bando tinha assim mesmo um número de 8 indivíduos, machos e fêmeas, par a par. A idade variava de 2 a 5 anos de idade. O pai e a mãe (ambos de Araruama) tinham cinco primaveras, mas nasceram no verão; os três filhotes do casal, dois varões e uma fêmea nasceram de uma vez só. Mais o outro casal, comadre e compadre, naturais de Armação dos Búzios e com uma filhote. Os apetrechos do ofício de escavar presos às costas e comuns a esses tipos de exploradores garimpeiros tumbeiros jornaleiros de lua luar de estrela a estrela.

            - Acho que logo logo veremos a estrela da tarde ou vésper - lembrou tatu-1.

            - Pudera, sim. E aí em cima no susto subida das 19h - avaliou a tatua-1.

            - Ou-ou-ou!... Dá muita sorte, dizem. Eu nem sou supersticioso, mas arranho 3 vezes na madeira, rangue! rangue! rangue!... - disse o tatu-2. - Ainda assim...

            - Be-le-za! Que o céu se encha de estrelas, uma vez! - empolgou a tatua-2.

            Antes de chegar, acerca do ossuário e cemitério católico e cristão, o crepúsculo vespertino, cruzaram pela vila caiçara de pescadores. Um povoado o bairro dos Guizos e com casas de moradores locais ou de aluguel pousadas e restaurantes lojas de conveniência vendas onde se negociavam o pescado fresco as sardinhas as tainhas as traíras-do-mar ou tiraviras e outros frutos do mar. Sempre atacados desde o alto por aves marinhas semiterrestres famintas insistentes teimosas peraltas choronas, ‘griaaaau! griaaaau!...’andorinhas-do-mar, papagaios-do-mangue, tesourões, gavião-carrapateiro.

            - Etchéeee!... Hum!... - espirou ruidoso o tatu-2. - Os mistérios encapsulados, é.

            - Saúde!! - responderam em coro o tatu-1 as tatuas-1 e 2. - E sucesso, amém!

            - Oi!... Nem é saúde, é alergia à terra do cemitério - se desculpou o tatu-2.

            -  Hum! Sempre temos teremos esse cuidado e esse prejuízo - destacou a tatua-2.

            - É, sim! - afirmação da tatua-1 e tatu-1 também concordando com a cabeça, estas partes do corpo fora do casco carapação carapaça. - Os climas derivados radicais.

            Estavam perto e chegando mais e de mansinho. Sempre pelas beiradas da praça Euphly Jalles a rua alameda da Conjuminância pelo passeio lajeado pela calçada. No alto duma curupitã, num poleiro da sua predileção e lá empoleirada, avistaram a indefectível coruja uma caburé-de-orelha. Nem se cumprimentaram e cada um na sua.

            - Eia!... Que esta nem pode faltar e antes da gente chegar, né?! - analisou e comentou e criticou o moleque tu-2. - Quem sabe um dia serei uma ave de rapina, né?!

            - Dizem que dá sorte. É a nossa mascote de ‘boas-vindas!’ - falou a guria tua-1.

            Entraram no cemitério (destino final de muitas palavras verbos adjetivos...) por uma abertura lateral no muro. Assim evitavam o choque físico com os coveiros que por sorte ou azar ainda poderiam estar no emprego. Foram até a área norte do jardim da paz celestial, lugar previamente demarcado por eles e para evitar briga com outros grupos de rapinadores contrabandistas sacoleiros mãos-leves usurpadores larápios ladrões.

            - Muito bom, gente! Nem há ninguém no nosso pedaço - disse desabafou tatua-1.

            - Oba!... E tenho meu pensamento livre para apreciar meu trabalho - tatu-2.

Aí jogaram as ferramentas no chão e sentaram uns minutos para descansar da caminhada da longa andada. Ainda faltavam 15 minutos para a hora da largada (horário estipulado por eles mesmos e com juízo) e que gostavam de cumprir à risca. Pulamos.

            - Gosto de trabalhar na terra seca. Dá poeira levanta pó, mas consigo ser mais ágil e rápido e eficiente - diz tatu-1, olhando para o tanto a ser escavado aí a sua frente.

            - É, quando chove vira uma porcaria. Uma pocilga, literalmente - tatua-1.

            No horário estipulado combinado, os machos pegaram das pás e começaram a escavar. A maioria das sepulturas, nesse local aí, eram montinhos rasos. E nem davam muito trabalho. Uns cinco minutos de exercício e tudo resolvido se resolvendo. Pegaram com as ferramentas e jogaram a terra mais ali adiante, onde nem estorvava. Afastaram as urtigas e as malcuidadas roseiras, as pedras de mármore as tábuas podres a lama o lixo a poeira os cacos de tijolos as pedras. Os filhotes acompanhavam o processo o desenrolar dos acontecimentos e um deles pelo menos já sentia vontade de comer o lanche e ou se desfazer da gulodice. Nem disse nada, o coitadinho. Sabia que era muito cedo e poderia ser mal interpretado e assim repreendido. Se distrair com a labuta alheia.

            Então o trabalho de exumação ou ressurreição dos mortos (verbos, numerais, advérbios) e das mortas (expressões, palavras em geral), nem era tão difícil e trabalhoso, vale a redundância. Custava um pouco de suor e sujar as garras, mas todo esse esforço tinha lá a sua recompensa econômica financeira pecuniária (dinheiro, grande catalisador e estimulador e incentivador do empreendedorismo). E quando batiam com a pá na caixa de madeira de lei... era um alívio e uma comemoração e um arrepio de prazer.

            - Ora, ora! Já temos a primeira colheita de mortas e defuntas! - vibrou o tatu-2.

            Foram ver de perto e abriram o caixão com pé de cabra. Cada tumba ou caixão continha um certo número de defuntas(os). Dependia muito do tamanho da caixa ou mesmo o momento do enterro a época o ano o século a década... Todas as letras já devidamente em branco estado de putrefação em estado de esqueletos branquinhos descarnados de beleza e até de sentido ou mudando de significado e etc., coisa e tal.

            - Su-ces-so, gente!... Que temos aqui, meu queridos! - dizia a tatua-2.

            - Oi!... Vamos ver... e conferir... já contando - interessada a tatua-1.

            E foram retirando as defuntas pobres podres do interior da cápsula da caixa quadrada, e uma por uma, variedade de tipos e modelos e significantes, umas guerreiras de outros carnavais tradicionais: moafa, rapsódia, muquirão, pez, buído, exsudar, sopitar, estafermo ou apalermado. Colisão de palavras bárbaras, ciclo de palavras válidas ou inválidas, corrida de palavras soltas livres destemidas. Palavras (expressão nome interjeição termo), mortas e enterradas, estão vazias esvaziadas de sentido?

            - Uai!... Bom que as palavras morrem e são enterradas pra que a gente possa ter um comércio, hein?! - arriscou dizer o tatu-1. - Seja a ocasião que faz o ofício.

            - Oh!... As palavras deviam viver eternamente. Eu, tatua-1, acho! Porém...

            - Porém o fim é assim e nós lucramos com desenterrá-las, tá certo?! - tatua-2.

E a grosso modo, as mesmas palavras ainda diziam representavam pareciam eram assim, e de volta ao mundo dos vivos ao ar puro. Sempre indivíduos e individualmente umas aparições devidas indevidas: tablado, perfídia, pilhéria, picadeiro, pirralho, taciturno, obturar, inóspito, mister. São palavras já difíceis de pronunciar num mundo mudado alterado netizado como temos hoje em dia. São expressões que já perderam a substância a essência de agradar significar esclarecer. Foram se isolando do seu substrato instintivo do psique. Nem se utilizam mais e pronto ponto. O significado e a sonoridade nem atrai mais os usuários os escrevinhadores os falantes os comunicadores os palestrantes os locutores e narradores. E sua grafia ortografia perdeu o senso o juízo a razão de ser a forma (ou fôrma) de ser. Embora a mesma mensagem.

- Oquei! Sinfonicamente os céus orquestrados e cor e som, é. - tatua-1.

            Outra lógica provavelmente assumida, e nem sempre bastarda, era que a decomposição das mortas dos desaparecidos subia do subsolo das entranhas da terra do solo e passava a contaminar o ar respirável a atmosfera a cidade. E tudo isso, pensa bem!, jogado na ilha e transportado levado de cá pra lá pelos ventos ou pelas água das chuvas e correntes marinhas. Era tudo uma lógica possível sim e ou periclitante.

            - Palavras aposentadas e distantes de nós mortais e que ainda disparam causam estragos como metralhadoras detonando metralhando - na interpretação da tatua-1.

- Sim, um ra-pa-ta-táaaa!... supermetralhado. E eu pegaria aqui citaria agora mesmo algumas para exemplo e ilustração de comentário: alancear, regozijo, infâmia, mundano, lacaio, canalha, ignomínia, ogiva, maranha - expandiu o tatu-2.

            - Oxaláaaa!... Acho cá comigo se uma palavra provê ajuda atende supre... ela pode e deve andar aí na boca do povo, tá! - comentou anunciou a tatua-1.

            - Mas bah tchê, guria!... Uma duas centenas de palavras... nem nada atrapalham. Quanto mais melhor - esta a ideia de tatu-1, apadroando apadrinhando prestigiando patrocinando seu ganha pão seu produto de troca de câmbio e de fazer mânei.

            E o grupo só estava no começo da labuta e transpirando. Outros cofres casulos cubos viriam. Outras amostras de velharia se desenterrariam. Mais defuntas para exumarem. Com cuidado para nem exporem as múmias ao ar salgado e livre do litoral, vai que o choque de realidade e as desintegrem virando pó. E aí todo o serviço todo o esforço o suor do rosto nem valeria a pena. Todo cuidado com as relíquias.

            - Oi!... Temos aqui um exemplar muito peculiar... - mostrava certa palavra a tatua-2. - Vejam que produto: encomiar... que quer significar ou dizer também elogiar e louvar. Agora por que enterrar a dita cuja, encomiar? Nem é falta de humanidade? Eu pergunto e eu respondo, opinião: é! Pobre da palavrinha, meu! Hein, meus patrícios?!

            - Respeito sua inquietude e assino embaixo - se manifestou solidária a tatua-1.

            - Todo cuidado é muito pouco. E reparem nesta lista de boa conduta, meus caros e caras: elação, elevação, altivez, orgulho. Nem é legal? Por que entraram em desuso e em desalinho? Nem tô entendendo, gente! - repassava novamente o tatu-2.

            - Tenho até que concordar contigo e registro. Olhem e cheirem e toquem: alarve e grosseiro e parvo; aluir e sacudir e abalar; azoinar e bezoar e zoar. São trios, meus tios! Trios de violeiros caipiras performáticos? - mostrava exibia e perguntava interrogava inquiria o tatu-1 - Vamos sair da zona de conforto, pessoal! Tirem uma foto!

            Os filhotes, desses tatus-de-mão-amarela, ficavam espreitando os pais os tios os grandes. Meio que isolados. Qualquer coisa que lhes eram solicitadas já se posicionavam a favor e prontamente. Seguiam o exemplo dos mais velhos dos maiores dos coroas dos pais. Ficavam aí catando e ajudando alcançando e pegando ferramentas. Limpavam as defuntas do encardido da terra da sujeira do fosfato de anos a fio guardadas no fundo do poço tentando aliviar da ferrugem do anonimato da perseguição política do deboche acadêmico da gíria inovadora. Falavam muito entre eles pirralhos e com os velhos os da terceira idade mais com monossílabos gestos sinais macaquices. Volta e meia, quando os pais se distraíam, brincavam com velhas e deterioradas palavras que começavam com vogais: esmo, arrojo, âmbito, algor, aplacar, inculcar, espadanar. E sem saber o significado, se eram palavras duras ou suaves, enfim.

            - Ei!... Pai, esse buraco pode chegar a encontrar petróleo? - pergunta do tu-1.

            - Petróleo, filhote?! - respondia o pai dele o tatu-1. - Nós estamos na subida do morro. Acho brabo espirrar gasolina benzina querosene daí de baixo. Somente terra vermelha adubo humo húmus e pedras basálticas basalto. Mas sonhar nem custa...

            Daí um minuto já esbarravam com outra urna úrnula repleta de objetos obsoletos ou ditos arcaicos. Destampavam e sempre havia uma surpresa ou o sentimento de que as palavras podiam vir acompanhadas de aranhas escorpiões vermes lacraias tesourinhas centopeias minhocas sapos lagartixas lombrigas. Então, quando isso acontece, uns se recolhem se afastam e só os mais destemidos trabalham. Alguns adultos até aproveitam e fazem um lanche rápido, exemplos para os mais novos os pequenos tatus.

            - Que temos aqui... - ciscava separando afastando os objetos encontrados o tatu-2. - Esta caixa este pacote embrulho presente veio provavelmente de uma família rica ricaça poderosa abastada virtuosa de posses. Senão, vejamos aí: pajem, solenidade, fidalgo, púrpura, vassalo, salamaleque, gabola, comenda, ordenança, cocheiro, sege.

            - Outrossim! Por que estas morreram? - pergunta do tu-2, mostrando as mãos as garras cheias de exemplares ultrapassados expressões perdidas no tempo e no espaço.

            - Eu vejo... ah!, sim. Benemérita... be-ne-mé-ri-ta! É que é uma palavra religiosa e as religiões estão sendo muito caçadas e pressionadas ultimamente, é. Eu vejo assim, nem sei vocês amigos minha gente - informou o pai do menino, seu tatu-2.

            - É, pode ser, compadre - declarou tatu-1. - O pessimismo parece que está vencendo. A falta de ídolos santos sagrados consagradas santas. Ninguém vai à missa.

            - Oi!... Nem há quase quase nenhum mais seminário pra seminaristas, sabem! As irmãs de caridade estão atendendo a domicílio. Agora seria patrocínio ou apoio. Mudaram as razões? Nem sei, mas mudaram os valores... os impostos. Para nem pagar imposto se aposta em patrocínio e nem em beneficência benemerência. Acho eu, nem tenho certeza certeza - anunciava a dona tatua-1 e mãe da tua-1e do tu-1 e tu-2.

            - Concordo mesmo. Falando nisso, olhem aqui... Tenho e temos uns exemplos e tipos que atendem ao que estávamos conversando: lecionar, capelão, comungar, bonomia, abnegado, asilado, cordial, desvelo, preceito - dizia e mostrava o tatu-2.

            - Aqui neste jazigo jaz jazem jazer jazidas arqueológicas jazidos paleontológicos - sintonizava o tatu-1. - Este jazigo e monumento funerário trás contrastes feros e vejamos: embate, flagelo, assecla, possesso, pasmo, sanha, atrocidade, remorso, imolar.

            - No nosso dia a dia nem precisamos destas palavras. Mas porém deve de haver gente e em alguma parte que as adora, né?! - articulava a nobre tatua-2. - É o que penso.

            Chegavam aí já pelas 21h e 45min. Alguns deles já estavam mostrando certo cansaço e fadiga. Os filhotes é que procuravam brincar de outras coisas e jogar bolita subir e descer os montes de terra escorregando no tobogã, mas sem ir muito longe que já vinham gritos fremido de alerta. Podiam se perder por esses túneis abertos, catacumbas destroçadas, pilhas de caixotes despregados, tumbas partidas ao meio, buracos e mais buracos, crateras lunares, sumidouros iguais os labirintos, caçapas, arapucas.

            - Ou-ou-ou! Estas foram atacadas de cupins ou térmitas, e muito difícil de ter algum valor. Mesmo um valor sentimental, eu diria - dizia e atrevidamente apresentava a mãe tatua-2. - Dificilmente posso ler e já se esfarelam nas minhas unhas: híspida, suíças, soturno, cordura, necrotério, engelhado, lustro, venerar, sarro, engulho, baça. Vamos ter de vender com desconto, eu suponho. Vamos vender no ‘leve 5 e pague 1’.

            - Por mim, né! Jogue-as fora. Tenho coisas melhores e em alto preço para apresentar - recomendava a dona tatua-1. - Olhem estes substantivos concretos, se nem são umas graças: apólice, infante, monturo, promontório, marchante, madeixa, caixeta.

            - Aguardem aguentem essas ensopadas de pranto alagadas de lamentos: infortúnio e paupérrimo e misantropo e franzino e decrépito e desamparado e mendicidade e indigente e escarnecido - tantas palavras baixos-astrais fizeram o tatu-2 cansar perder o ar e pedir água mineral. - Juro que nem sou dicionarista enciclopedista etimologista... Como chama mesmo de fato um aleatório colecionador de palavras?

            Perguntar a uma 1 palavra pelas palavras. O que uma palavras acha de outra palavra. Passando as palavras em revista e de palavra em palavra, que acham as palavras nos seus significados mais profundos íntimos? As palavras termos têm verdades aos montes verdades amontoadas? E tem uma 1 palavra pelas outras? Um som que resuma o que as outras poderiam pensar? As palavras os nomes podem e devem galgar penedos as alturas das estrelas vertiginosas dos astros longos oblongos que sempre fará bem. Palavras são gritos barulho sons onomatopeias sonoplastia concertos orquestrados.

            - Ei!... Ovações orações e geniais. De repente exaltação vira torcer e torce retorce destorce seja torcedor de torcicolo, é. - materializava sua empolgação a tatua-2.

            Porque vamos e viemos, é um caso sério lidar com significados e quando nem precisamos deles, ou dela ou dele. Ninguém merece passar por isso. Todo dia e a qualquer hora ficar pensando abobrinhas e largar indiretas. Ninguém nasceu com palavras na boca. Então, por que essa razão toda? Parece melhor e mais importante que o ar que se respira a água que se bebe o chão que se caminha caminhamos e se pisa.

            - Sim. Uma fauna verbal pré-histórica nos acompanha - achou o hilário tatu-1.

            - O nosso melhor cliente lá de Carambeí, ele mesmo neto de enciclopedista, nos pede sempre as palavras mais esquecidas e até difíceis de lembrar o significado o entendido o compreendido: perdulário, borboletear, marinhar, guarida, incude, baga, engolfar, rediviva - gastou mesmo o verbo nesta hora o tatu-2, este seu nome próprio personativo de batismo. - Mesmo espero nem misturar confundir complicar embaraçar.

            - Olá!... Temos ótimos clientes em Rio Negrinho e em todo o vale do Itapocu.

            - Eu lembro das distintas Mercedes, Pato Bragado, Berizal, Rio Pardo de Minas.

            - Oquei! E tudo que vem para somar progredir mudar... - relatava tatu-2.

            - Efetivamente, uai!... Mais o resto de passagem que já vem ver em o devir.

            Durante a noite se adiantando, talvez umas 23h, a cobiça dos cobiçosos levou a crer e fazia crer que eles se encontravam se achavam entravam num estado de êxtase de impunidade imunidade ou de direito por aquilo que estavam roubando se apropriando subtraindo. Se é que sempre me explico. E assim nem olham mais para o lado e o exercício que é noturno e escondido e perigoso passa a ser normal como um ganha-pão corriqueiro qualquer e tradicional. Assim também agem outros larápios tais como podemos citar os funcionários públicos os colaboradores de muito tempo de suas empresas e na mesma função os políticos de todas as esferas os escrevinhadores copiadores e mais vendidos os entendidos que querem ser doutores plagiadores (que estes últimos os mais notórios emblemáticos sem constrangimento e nem há dúvidas).

            - Ah, quer saber? Pra que tantas palavras e dizeres e ditos, senhores? - tatu-1.

            Como e se sabe um filhote já pensou sobre isso, escavando demasiado se pode sim chegar a achar água ou petróleo ou fósseis de dinossauros ou um tesouro de jesuíta. Todos os quatro filhotes ali eram ágeis e arteiros. E um futuro longo pela frente.

            - Os tesouros os piratas os imperadores... Isso tudo seria muito bom... - tatua-2.

Também se pode encontrar relíquias e pedaços de construções muito antigas perto junto ao mesmo tempo que tumbas de palavras. Mas o que intriga muitos analistas desse sistema de perfuração e catação captação, e que se pode e se deve um dia uma hora um minuto acontecer por acaso, é sim chegar também ao inferno ao panelão da sopa ardente ao lugar do diacho pé-cascudo dragão mafarrico jurupari a casa do diabo o cornudo. E pode ser que já chegaram alguns. E outros, nem sempre os mesmos, encontraram os caldeirões fumegantes do submundo. O que se sabe nem se sabe, só se especula: se alguém chegou nem pôde voltar ou nem quis voltar. E a meu ver, hem!

            - Agora eu vi vantagem, gente boa, uaaaau!... - vibrou seu grito de entusiasmo o tatu-1. - Achei palavras escritas em tijolinhos, que coisa! Cozinhados em forno brando.

            E mostrava as peças com os nomes escritos. Passava a mão para tirar o barro ou a sujeira o esterco o húmus o adubo de terra roxa. Pareciam originais bem conservados.

            - Viva a sorte grande, né, meu?! E nem só tijolinhos de barro cozido, temos azulejos... olhem, tabuinhas muito bem conservadas ao lado de desenhos estampas xilogravuras ou espécie de taxidermia! - voltava a mostrar todo eufórico e triunfal.

            - Que lega! Nos conta tudo e nem faça tanto mistério, senhor tatu-1 - miou a tatua-1, lhana franca sincera singela e favorita do consorte companheiro cônjuge.

            - Sim, senhora, minha querida esposa! E temos aqui uns dizeres sugestivos e a pedido dos ouvintes: abastança, sindicar, padroeiro, opulência, praxe, setuagenário, garridice, encruzar e encruzilhar. Palavras e nomes que merecem nova oportunidade na vida antes que na morte. Palavras são destinos que estão e nem se apagam mais, é.

            - Vale dizer e digo que vêm com origem e etimologia, hem?! - questão do tatu-2.

            - Olha que nem, meu caro colega cavoucador cavouqueiro escavador - seguia explicando e relatando o esforçado tatu-1. - Cada uma devia representar uma conduta e determinada e escolhida por algum motivo oculto secreto. E assim, naquele dia naquele mês naquele ano. Para uma cidade uma pessoa um povoado uma comemoração.

            - Eu acho isso muito tocante e bonito e interpretativo, é - lembrou a tatua-2.

            - Mais que isso só dois disso, ahahahahah!... - nem se conteve o filhote tu-2.

            Tudo isso vale valia alguma coisa pra alguém em algum lugar, só procurar ofertar oferecer candidatar. É o que se pensa. É o que se sabe. É o que eles procuram encontrar no cemitério no terreno terreiro de todos e de ninguém. E corre solto o mercado aberto fechado negro branco pardo de ações paralelo e etc. Como se diz e se comprova; se há procura há oferta, se há quem compra há quem vende. E se nem tem pra oferecer, se fabrica. Se nem há fábrica para o produto, se dá um jeito. Palavras nem faltam no mercado mas sempre cabem mais algumas. Dois milhões de palavras novas neologismos são plantadas todos os anos e pelo menos umas cem ou cento e vinte vingam nascem crescem e frutificam proliferam dão cria se renovam e respiram.

            - Vejam! Vamos às mercadorias mercados de Jales e Santa Salete...

            E alguns minutos antes da meia-noite, que ninguém nem eles queriam pagar o pato ou ver para crer, pegaram rapidinho suas tralhas e despojos e objetos amealhados e se mandaram do local. Que as almas das palavras podiam agarrá-los pelas garras e patas ou petas! Enfim, o que D dirá diz diria sobre tudo isso?! Horas mortas da noite...

            - O último apague a luz e as pegadas! - alguém algum tatu gritou de gozador.

            As palavras foram feitas a nossa imagem e semelhança. Então, nem se deve nem devemos nos queixar. Expressões verbo vocábulo dizem muito de nós os moscões, óbvio. São nossas traduções mais aceitas mais humanizadas que os uivos zurros brados grunhidos grunhires gritos aplausos vivar vivas ovacionar matraqueares crocitares.

            - Valeu tudo! Com o devido respeito e assim, hem! D que sabe de todas as palavras e o diabo das que foram ao seu encontro por livre e espontânea escolha - já coloca colocando o filosofo de horas indeterminadas incertas, tatu-2.

            - Oquei!... Quem tem palavras vai a sp e volta, hem?! - decretou a tatua-2.

            Saídos do mundo dos mortos e dos escombros malcheirosos, e pela portinhola detrás, pretendiam ainda jantar numa barraca tenda quiosque de a beira-mar. Assim andaram mais uns dois km e, passando por baixo do cupuaçueiro, avistaram sem dúvidas sem querer a presente suindara. E ela estava ali e olhando como faz olhar. Se cumprimentaram como conhecidos de vista, vista grossa, haja em vista, ter debaixo das vistas, à vista desarmada, vista periférica, até a vista e até lá em Boa Vista-rr:

            - Oi, nossa comadre e de filha de D! Boa noite, dona emplumada suindara!

            - Boas noites, turma jovial e proba da espécie dos tatus! Folgo em revê-los!

            O tatu-1 parou e se voltou, o grupo também resolveu parar, pararam. O que que tatu-1 queria fazer pensou resolver? E ele perguntou, se dirigindo à coruja empoleirada:

            - Opa!... Vai umas palavras aí, de presente e doação? Aceita? É de coração!

            - Olha, o que vem do coração é verdadeiro. Posso? - piou a coruja, e já voando, ‘flo-plo-ploooo!...’ de encontro aos presentes às ofertas aos prêmios. - E que honra!

            E a ave escolheu algumas e outras e as mais significativas ou intrigantes. Reparou algumas e mais estas e aquelas. Se decidiu por estas mesmas: sutil, mimosa, delicada, meiga, gentil, esbelta, avoada. Sorriu agradeceu mandou um beijo e voou de volta ao poleiro preferido, toda empolgada e renovada. Contente com as dádivas. Olhando e reolhando revirando interpretando alisando acarinhando as dádivas presentes.

            - Crei-crei-crei!... Legal! Muito me alegram o dia e a noite estas mesmas palavras, gente! - ainda agradecia a ave noturna, sempre lhana suave risonha fofa.

            Sem se deterem mais, já a família pegava a rua Salvador de Menezes de Mendonça e seguia bem no meio da vila Ônix. Sempre pela sombra para nem esbarrar com espécies contrárias ou inoportunas importunas ingratas que vivem para pedir favores empréstimos obséquios. E quem caminha alcança e quem anda avança e quem tem quatro pernas nem precisa voar, chegaram ao dito redito boteco e lancheria Regatas, comércio do amigo velho (tatupeba) Mamute. Era sim um recinto honesto honestíssimo.

            - Salta o de sempre e para todos, seu Mamute! Boa nota, amigão! - quem gritou ainda chegando foi o tatu-1, líder do bando, largando o saco de palavras no chão.

            - Opa, gente nossa! É pra já e agorinha mesmo imediato! - pronto respondeu no mesmo tom o proprietário, matreiro manhoso bicheiro (funcionário da coletoria e também escrivão, durante o dia). Boas noites, fregueses! Há quanto tempo, hein?!

            - Desde ontem, ahahahah!... - que todos acharam hilário e todos sempre acham de repetir a mesma gozação em uníssono. - E no mais, tudo bem?! Tudo oquei?!

            - Toca aqui! Muitas palavras apreendidas? Cataram algumas estapafúrdias? - estendia a manopla de gigante o Mamute, e de fato pegava com tudo e apertava até estalar os ossos do oponente e fazia questão. - Pelos fardos cheios abarrotadíssimos e transbordantes, a colheita deve ter sido bem grande e rica e maravilhosa, hein?!

            - Agora! Certos efes-e-erres, minudências detalhes malbaratos - disse tatua-2.

            - Ka-ra-ka-kaaa!... Qual o quê! Quer algumas pra pensar ou recordar ou ilustrar? Pode escolher à vontade e esteja à vontade e a gosto - convidou o tatu-2.

            - Confia? Pois vou escolher mesmo. Deixe ver... e dá licença. Salve salve, gente!

            E desceu um pf redondo e piramidal para todos. Cada tatu com sua fome seu olho grande na barriga. Cada um tinha sua bebida preferida refrigerada e já sabida. Os desnutridos absorveram comeram tudo e sem deixar sobras ou migalhas. Só uma coisa é mais importante que comer: apetite. Só uma coisa e melhor que comer: fome.

            - Fico com esta aqui - explicou seu Mamute. - É para minha filha que estuda em Mesópolis. Ela sempre me pede: patentear. Que tal? Esta palavra rende rendas e prendas. Vou mandar pelo correio vou embalar direitinho vou fazer surpresa.

            - Upa!... Boa escolha para uma estudante. Ela estuda o quê? - perguntou tatua-1, e devia ter por essa ocasião uns quatro anos de idade (uns: artigo indefinido plural).

            - Estuda biologia e botânica. Quer ser cientista e descobrir uma vacina, pode?!

            - Hora boa. Nem só pode como vai acontecer. Escolha mais, leve estas, uma só é pouco para tanto estudar e analisar: inquirir, arvorar, elevar, exaltar, levantar, alardear.

- Sim. Cada palavra remete a um mundo à parte um mundo de mundos e fundos - completou a tatua-1. - Cada coisa deste mundo existe com seu nome nomeado(a).

            Manhãzinha e o bruxulear bruxuleio da madruga. Ali aqui e outros lugares do país, já saía a noite para adentrar iniciar o dia. Para lá e alguns lugares da longitude e latitude o rio Tajapuru o rio Cajari o rio São José dos Dourados, acordavam ribeirinhos cidades povos e Afuá, Carazinho, Vitória do Jari (acesso a partir de Belém: de barco, com 12h, partindo dos portos de São Domingos e Bom Jesus e Tamandaré e Custódio e Comercial e Mundurucus e Ankel; ou avião, 40 minutos, saindo do aeroporto Júlio César - fontes: senatram, ibge, pnud, idh-m). Uma 1 manhã para muitos afazeres.

Na saída aquele pedido solicitação favor obséquio e já normal:

            - Ora essa e me diga logo. Caso descaso o seguinte... Põe na conta, seu Mamute!

- Afortunadamente e em tempo. No dia de são nunca te pagaremos e com juros!

            - Já sei, tô ligado! Podem deixar e obrigado! Voltem sempre! Tá tudo em casa!

            Uma araracanga imita um gurandi-azul, uma dormideira imita um caacambuí, um tracajá imita uma jabota, uma juruva imita um juruva, uma azulona imita um ubu.

E quem nem quer ir de visita visitar turistar por São João do Paraíso, Ninheira, Rondon, Corupá (tupi: ‘lugar de muitas pedras ou paradeiro de seixos rolados’), cachoeira do Salto Grande, praia artificial Anita Wanderer em o lago de Itaipu.

- O dinheiro nem é problema - achou dizer o tatu-1. - Problema é pagar.

- É solução, kjá-kjá-kjá!... - completou o tatu-2. - E soluços solavancos sustos.

Todavia nem só de tatus é feita a história dos temas e motes e enredos com ou sem busca de palavras nomes verbos expressões vocábulos. Alguns passageiros e tripulantes soldados marinheiros viajantes turistas ainda estavam em terra. E tinham planos de chegar ao destino locativos e Mazagão, Almeirim, Nova Castilho, Utinga (tupi: ‘águas claras ou rio branco’), Floreal, Magda, Votuporanga (tupi: ‘bons ventos, bons ares, brisas suaves; morro bonito’ - fonte, tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro). E o mundo um mundo tão atrativo, hem?! Creiam, digamos, abstínhamo-nos.

            Para os brasileiros(as) da época monárquica, Dom Pedro II era um pai e avô. Todas as cidades todas falam do sabor de todas as suas ruas logradouros avenidas praças igrejas estádios clubes escolas repartições públicas, do sabor da terra, do sabor. O sol tem sorte recém e a cada dia quando no caminho conhece o diário da casa o lar o pessoal da casa o mascote da família. O mundo cheio de novidades e no capricho.

            Devo calar-me, devo me calar, devo-me calar. Comigo a sorte chegou à casa das aves e apacanins, marrecas-dos-pés-encarnados, araras-verdes, inhambus-tonas. Recusaram um milhão de reais pela casa e móveis. Voltei a casa, fui para casa, fico em casa, saio de casa. Vi e revi no terreiro de casa que as aves são bem mais arriscas que os mamíferos. Ouvia e via as aves belas emplumadas cantoras mais competentes. Solerte, ir e vir variar variedades voltar voltear revoltar revolução volutas.

            O que se projeta o que se acha justo e honesto e direito o diabo diabada nem aceita e diz nunca, o manfarrico chavelhudo cafuçu brazabum temba peneireiro lá-de-baixo. O que se quer o diacho nem aceita, o taneco bute farrapeiro moleque-de-surrão nico. O que tem de ser o dialho nem cogita, o provinco capa-verde azucrim zarapelho debo. O que se tenciona o diabro nem cisma, o romãozinho dubá carocho berzabu.

            Bem no início da jogada no meio da quadra poliesportiva de vôlei, debaixo da rede ao lado da rede que divide, no princípio do lance no meio do ginásio Gigantinho (perto da praça Jovino Maria da Costa e cerca da escola estadual Benevenuto Alves Moreira), a onça-pintada e já sentada pachola como de hábito os cães. Que aguardava aí? As atletas jogadoras para treino da terça-feira? Aí aguardava quê? Esperava pacientemente e sem comer manducar nacos pastos sequer um chocolate um sorvete de pequi um pastel de queijo com garapa. Logo as luzes se acenderam e eis que surgem umas voleibolistas que já se espantam alertas quase em pânico com a felina feminina moça ou menina. Juraram por D as jogadoras de vôlei que ligaram imediatamente o mais rápido possível sem demora aos órgãos competentes encarregados de casos assim. Chegaram polícias locais motorizados com motos bicicletas carros camburões e mais reforços anunciando sirenes em altos ruídos vindos de Vitória Brasil o corpo de bombeiros a defesa civil um comando do terceiro exército com base em Canoas ongues saites blogues iutúbis de diferentes marcas e procedências e interesses. A onça levou um tiro, ‘pleeee-te!... ou bleeee-que!...’ um tirombaço tiraço no cocuruto atrás assim ali da cabeça no cachaço que a fez tirar pra dançar gingar de-sen-ca-mi-nhar e... desmaiou.

Se você reparar seguido sempre de forma continuada na noite, o que vem até tua cabeça das ideias? Já sei, e é o que se passa comigo. Que os fins justifiquem os seios. E que o universo arredonda os astros. Que tudo dará certo e como está desenhado no frontispício frontaria fachada portada. E assim mesmo e para agradar o Quem!

            Que todos os ingredientes estão aí, e oi!...

                                                                       #

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