Quem na casa viu primeiro, ou percebeu
na hora? Foram os cachorros que já sabiam acordam sempre na hora certa na mesma
energia? Ou já era tarde e todos tinham mesmo que estar de pé de pé? Que
tivessem paciência, mas já era hora de todos acordar!
Por sorte que o dia vem vindo cheio
de casas ao redor. As aves cantam quase nada por isso e geralmente pulam de
galho em galho e vão almoçar em outra catedral. O mar marinho marítimo
marinheiro marinha vem molhar a pontinha das próprias asas lãs pelos crinas algodões
na areia fictícia da praia de Ipanema do sorriso de malícia.
D é tudo mais o sol e o sistema
solar e a Via Láctea, com ou sem tempo bom. A nuvem é tudo menos a chuva de
verão. O sinuoso rio Caí é tudo menos o estuário Guaíba. A famosa rua Augusta é
tudo menos o badalado bairro Cerqueira César. A grande lagoa dos Patos é tudo
menos o charco oceano Atlântico. O verde mar é tudo menos as nuvens. As nuvens
olham tudo e de repente se preparam para, ‘tchibum!...
Uma pessoa ordinária mora na cidade.
Um beija-flor-tesoura irisado mora em Flores da Cunha. Uma pessoa prática mora
na roça plantando milho e sorgo. Uma cutia noite e dia mora na mata ciliar do
rio Retiro. Uma pessoa pessoal mora no distrito de Ratones em Floripa. Uma
quati mocinha tão galante mora no parque Barigui.
D começou dizendo, campir
perspectiva negócio extrarracional pastoril campino campo campestre. A drupa
sou Eu. A drusa sou Eu. A campânula/redoma sou Eu.
O mar pega um carreiro e desusado
ultrapassado fiúsa fora de uso fora de moda, a terra pega outro ritmo e fiúza
confiança fé fidúcia, o céu pega um corredor e verborreia verborragia
loquacidade vaníloquo verbolório que fala em vão. O céu pega outro travessão e vaníssimo
extremamente vão futilíssimo, a terra pega outra via e dubitável ambígua
incerta imprecisa, o mar pega outro litoral e magano malandro.
Trempe e Totó acordam automático
sempre na mesma hora e juntos. Isso eles são diferentes dos humanos, têm
horários têm relógio dentro de si mesmos e acordam sempre na mesma hora. E no
caso, acordaram ao mesmo tempo exatamente às 6h e 16min. Abriram os olhos e
olharam em volta, tudo quieto na casa. De acordo os dois, esperaram mais um
pouco. Sem latir, mas com mimos e empurrõezinhos e chamegos e balançar de
orelhas da cauda rolos e bocejos cheirando aqui e ali:
- Uh-uh-uh!... “E daí? Essa é muito
boa. Vamos esperar mais um pouco. Mais cinco minutos, reticência...” - resmungou
cautelosa e achou melhor a Trempe.
- Uh-uh-uh!... “Todos os dias é
assim, sempre mais um pouco. Talvez mais 15 minutos. Ordens são ordens e em
ordem.” - resmungou baixinho e desabafou o Totó.
E esperavam ali, bem acomodados,
mais o suficiente até que um dos humanos da casa se dignasse acordar acordar.
Se olhavam entre eles, esperando. O queixo sobre as patas dianteiras. Olhavam a
luz filtrada querendo se infiltrar pela veneziana de plástico, enquanto isso. Tudo
era lento e lá fora de fora pra dentro vinha o som rechaço repúdio repelir dos
carros rumores em o trânsito da rua Tiguera.
Ouviram som no quarto do lado, dos
mais grandes maiores os pais dos meninos, e foram no corredor ver quem era, dar
o “bom dia!” do jeito canino doméstico. Pé ante pé, quatro por quatro, os
ungidos foram ali no corredor cheirar e reconhecer (modelo de verbo regular da
2ª conjugação, ex: conhecer, beber, descer, crescer, comer) e se apresentar a
quem aparecesse primeiro. Foi a mãe mesmo, Gaipara, e arrastando os pés em
chinelinhas de pano, até o banheiro. Nem cumprimentou os bichinhos, nem nada de
falar nada (eles tentaram se enroscar nos pés da mulher) e ela entrou para se
demorar.
- Uh-uh-uh!... “Nem nos viu, nem
olhou pra baixo” - lamentou a Trempe.
- Uh-uh-uh!... “Nem se ligou, nem te
ligo” - reconheceu e retrucou o Totó.
Os cães voltaram e quietos se
instalaram se acomodaram no mesmo lugar perto da cama dos mais amigos e que era
o lugar acostumado para eles e se deitaram esperando esperando. Mais queixo
sobre as patinhas dianteiras e rabo entre as pernas. Mais algum tempo, e o
tempo demorava demoraria. Deitados recostados em decúbito.
- Uh!... “Ainda é cedo pra eles os
humanos. É muito menos e pouco mais. Que impossível, exclamação!” - declarou
resmungou Totó, se acomodando no pufe.
- Uh-uh-uh!... “Eu já sabia. É
sempre assim mesmo.” - suspirou e voltou a deitar na fofinha almofada a Trempe,
olhos oblíquos enviesados pálpebras semicerradas.
Mais algum tempo, mais quanto
esperar, e a família toda reunida na cozinha praticando o desjejum. Os dois xerimbabos
mais ansiosos que nunca e emboralá aproveitar o lindo dia de sol. Que já ia
tarde, demorou! E manducando a ração diária e que cabe e mais o ar as folhas a
rua o jardim a praça Paulo Alves Moreira.
Os mamíferos cães são excelentes
ouvidores, escutam muito bem. Todo mundo sabe disso e cheiram melhor ainda. Mas
queriam ver o dia em loco e já andando nos caminhos, a distância da casa ao
parque. Esta era a solicitação dos animais. Esta era o porquê da solicitude boa
vontade empenho em agradar dos afilhados e batizados no rito sagrado sacramento
do batismo. Ver ouvir pensar saber fazer. Transcrevo a transcrição:
- Uh-uh-uh!... “Ouça e escute o que
vai lá fora, Totó!” - ululava a Trempe.
- Uh-uh-uh!... “Escuto e ouço sem
poder fazer nada, exclamação! À primeira vista. Quer opinião?” - se desculpava ronronava
sem culpa o Totó.
- Uh!... “E por que estamos falando
baixinho, reticência... Nem regateio.”
- Uh-uh-uh!... “Porque é cedo, interrogação?
Porque estamos em casa, ainda?”
Bem depois, mais ou menos aí pelas
oito, saíram os três habituais passeadores, os 2 cães e a menina Inajá. Era
então o agora e daquela hora. Os tipos bem mais empolgados e felizes e alegres
e sorrindo latindo ganindo ladrando o tempo sem fim o tempo todo. Amostras
significativas de desejos. O mesmo roteiro e que sensação nova ou modificada,
vivida na hora. Livres para andar ladrar e até correr trotar saltar pular fazer
as visagens as coreografias gaifonices macaquices caretices. E que hão de
permanecer ficar livres à curiosidade particular do povo população em geral.
- Au-au-au!... “Eu quero saltar
obstáculos! Boa noite!” - ladrou a Trempe.
- Au!... “Eu já te digo! O túnel
ferroviário do Sapê” - ganiu o Totó.
Cheirando tudo pela frente e olhando
de um ponto de vista baixo abaixo dos humanos, os cachorros nem tinham certas
ideias ou visões que os humanos têm. Por exemplo, chegando na zebra para
atravessar a avenida João Guimarães Rosa, tinham que esperar ordens de cima do
alto da menina. Esperavam a pessoa responsável dar o primeiro passo e obedeciam
seguiam o comando. Às vezes um pouco controvertido.
- Au!... “Me vejo entrando num buraco
e saindo lá na frente, como num túnel como num oco de cano de tubo de vala de
valo de bueiro, reticência.”
- Au-au-au!... “Me sinto voando
vagando adejando, reticência.”
Como bons ouvidores ouvintes, nenhum
som lhes escapava e identificavam todos já ouvidos antes e sabidos. O som dos
carros perturbava mas já sabiam. A voz dos humanos era diferente e cada um
tinha um tom peculiar. O da dona, no caso, bem identificado sem dúvidas. E
olhar olhavam bem enxergavam à boa distância e sem maiores problemas, apesar de
baixos e rasteiros. As vantagens do cachorro.
- Ih!... “Tá sentindo cheiro de que,
meu velho, interrogação?” - foi Trempe.
- Ih!... “Várias coisas, entre elas
de pneu de carro. Por enquanto.” - o Totó.
- Que que estão tramando vocês dois,
hein?! - foi a menina tentando entender o que se passava na ideia dos dois guiados.
- Algodão-doce só depois das 10h, oquei?!
Os cachorros olharam pra ela a
menina falante falando falou e disse, se entreolharam significativamente,
continuaram andando e sempre na coleira conduzidos e os dois na mesma cordinha.
Estava tudo bem e iam acostumados rumo do parque Barigui, o destino de todas as
manhãs de sol. Algumas boas aparas de nuvens bem mais altas bem para o alto
firmamento. A graça e graças a D, e mais além!
Alguns lugares localizados vários
muitos. Rua Carlos Machado de Bittencourt escadaria prédio edifício casa de
telhado de telha fachada preservada carros 4x4 penca de bananas estacionamento
de viés transversal calçada loja. Tão tudo isso tanto e é nada.
A menina nem usava de ouvir música
rádio, mas as notícias mesmo assim aconteciam e nem paravam. E se lia, se
alguém parava pra ler, nas manchetes dos jornais vendidos nas esquinas pelos
jornaleiros e suas ofertas de mãos cheias. Sendo que ultimamente se têm
notícias atrevidas de movimentos místicos localizados nos mais diversos locais.
Alguns de ontem e outros de hoje e fresquinhos novidade novidades (citando as
fontes de apoio, ibge e fgv e idhu e pnud), convenientes convênios:
“Movimento messiânico do Contestado.
Um povo que se juntou em crise em Piratuba e Videira e Frei Rogério e
Curitibanos e Pinheiro Preto e Alecrim.”
“Movimento milenarista e messiânico
chamado Caldeirão dos Jesuítas, em Crato-ce.”
“Movimento popular com motivos
místicos messiânico nomeado Pau de Colher, ocorrido em Casa Nova-ba (cidade que
tem o maior rebanho de cabras da ba, milhares de cabeças e aumentando
fornecimento provisão abastecimento; sendo que a Bahia tem e possui o maior
rebanho de caprinos do br; e o br tem o maior e melhor rebanho de bodes e
cabritas do hemisfério sul).”
- Os arautos portadores de notícias
avisos correios, hem!... meus xerimbabos.
- Au!... “E que ninguém pode evitar,
né, chaminé?!” - ditado da Trempe.
- Uh-uh-uh!... “Pendente móbile de
barrinhas de ferro, ti-lim!... hífen.”
E já na altura da rua Francisco
Licks, passando a rua do Oleiro e pouco pra lá da avenida Imperatriz Leopoldina,
a menina admirou um prédio de fachada antiga velho bem localizado e bem
característico bem conservado. Decidiu entrar, entraram. Na frente tinha um
toldo de duas cores azul e branco dossel sobrecéu esparavel baldaquino que
aparava a chuva e ou o sol. Na hora agora o sol solzinho e uma brisa quente. E
era mesmo uma boa casa e um casarão muito bom sólido grandão construído com
força e pedra angular. Preservado revitalizado arrumado com dotação da
secretaria de a cultura. Uma escada da rua cruzando o umbral da porta pesada
enorme até o primeiro andar. Prédio dos muito antigos e feito de pedras grandes
enormes pesadas talhadas a mão artesanalmente. Passadas décadas. Pintado por
fora de amarelo-claro e por dentro um marrom-clarinho sóbrio padrão. A
construção toda servia de biblioteca e esse detalhe importante fez a menina
entrar e escolher. Quem entrava quem entraram: os três, e convictos. A
fortaleza já tinha nome e sobrenome, biblioteca Mário Quintana (emérito, sábio,
sublime, eminente, cidadão condecorado e reconhecido declarado anjo ou arcanjo
e comenda distinção - quase quase
canonizado milagreiro e natural de São Gabriel ou Alegrete ou Itaqui ou São
Francisco de Assis ou Rosário do Sul ou Porto Mauá).
- Uh-uh-uh!... “Vamos conhecer
outras pessoas, só pode. Parece tudo muito distante e longe e deletério e
elétrico e chamuscado.” - preveniu o Totó, cheirando e olhando muito
interrogativo tudo em volta e receoso de latir se manifestar falar alto.
- Uh-uh-uh!... “Preferia andar no
meio do mato, é mais interessante. Parece tudo aleatório obsoleto e insalubre
danoso aos pulmões e pouco responsável.” - respirou fundo e sentido o ar de
guardado ou naftalina do recinto, a cadela Trempe.
- Ih!... “Espero nem demorar acá,
sabe, exclamação! É difícil, é temperamental.”
- Uh!... “Nem se escutam os
passarinhos, nem se sente o vento, nem se vê coisa nova e colorida. Eu por mim
prefiro mil vezes jogar bola.” - lamentava a cadela.
- Oh!... “Você sabe por que guardam
esses livros todos? Devem estar todos muito antigos e velhos e passados. Sinto
muito esses cheiros e odores e gogos.”
- Auh!... “A menina está folheando
alguns. Deve levar alguns pra casa. Já fez isso outras vezes, lembra?! Ela
gosta de livro de capa dura os inquebráveis indomáveis.”
- Uh!... “Então vamos demorar um
bocado até chegar no parque e correr.”
- Uh!... “Sempre se demora. É o que
a guria pretende e quer fazer e faz. Ela mesma que se manda mandachuva manda
tudo. Só nem manda nela mesma.”
- Ih-ih-uh!... “Ela vai passar
álbuns e revistas e brochuras em revista revisão.”
- Ua-ua-ua!... “Tudo vai passar pelo
seu crivo lá dela minucioso sério, é.”
- Uh!... “Ela adora fabordão ou
bordão, conte outra, exclamação! E digo mais.”
- Ah!... “Ela pira com fábula ou
fabela, só confere e confere só o confete!”
Era duro ficar na expectativa no
aguardo de outra pessoa. Os criados assim e assim ainda podiam conter a
ansiedade de logo saírem dali. Sempre pensando lá fora. Cheios de ímpeto
impetuosos corajosos e já queriam sair correndo e sem freios sem peias sem amarras.
Sem armas brancas sem vazios falhas faltas deslizes lacunas.
- Au-ah-oh!... “Se eu falar o que
penso disso tudo, você nem vai acreditar.”
- Ih-uh-au!... “Você pode confiar
que estou pra ouvir e latir à vontade, é.”
Eles os animais, cuidavam olhavam e cheiravam
muito de perto o que a menina Inajá fazia andava parava olhava mexia. Ela pegava
um livro e olhava a lombada, abria na página que aleatoriamente lia e relia.
Depois olhava a capa decorava o título, guardava na estante. Iam de prateleira
em prateleira e era tão lento assim para os mascotes que de vez em quando
sentavam e pacientemente olhavam esperando e língua de fora, etc., as caudas
balançando conforme. O tempo até se fazia sentir e ou cheirar.
- Uh-uh-uh!... “Ela tá contando os
livros que olha?” - dúvida do Totó. “Quer aprender novas aventuras e outros
mundos. E isso é bom e ruim, é, reticência...”
- Uh-uh-uh!... “Se ela soubesse o
que procura o que procurar...” - criticou a Trempe. “Talvez óvnis ou reinos ou
impérios ou mares nunca dantes navegados.”
- Oh!... “Deve procurar ideias
estanques fechadas encadernadas vedadas impenetráveis. Deve tudo e nem paga
nada. Vai pra lá e volta pra cá.”
- Au!... “Deve tá procurando enigmas
mistérios charadas. Vai que acha e mais.”
- Uh!... “Quem sabe quem viu um
ideário de doutrina. Uma aventura, urra!”
- Uh!... “Quem sabe quem viu um
diário de aventuras e escritos feitos megalografias. Um conto que aumenta um
ponto. Sim, um história com H maiúsculo.”
O famoso sexto sentido dos animais
lhes dizia que iam demorar pelo menos mais uma hora. E lá fora era uma hora a
menos. E sentir o sol uma hora a menos. E histórias imaginárias imaginadas ao
ar livre com imagens de arquivo sublimadas aéreas etéreas.
- Oie!... Tá certo. Este livro foi
escrito por uma poetisa ou uma poeta, Cecília Meireles - ensinava a menina,
embora sem querer que os afilhados lessem livros como ela lia ou gostava de
ler. - De tudo. Eu sempre gostei desse nome: Cecília Céci Ceci... Bonito nome,
e um dia vou dar esse nome a uma pessoa que amarei muito muito. Já ouviram eu
dizer de Ceci e Peri? De nada e por tudo. Eu já li uma história com eles juntos
e inseparáveis, é. Inauguraram recomeçaram no mundo novo ou no novo mundo.
E este livro fala de cidades antigas
e ruas estreitas e ladeiras íngremes com capelas igrejas barrocas icônicas.
Lembram de Marília e Dirceu? Quem escreveu Tomás Antônio Gonzaga. Cidades
antigas no roteiro e Ibirité, Belo Vale, Moeda, Catas Altas da Noruega,
Piranga, Ouro Branco, Santa Bárbara, Tucunduva. E daí lembro por pensar hoje em
dia das cidades no futuro futuração suposição futuridade e Cacequi, Manoel
Viana, Quaraí, Lajedinho, São Sebastião do Caí, Santa Rosa, Taparendi (dos
tuparendienses). Tudo em si. Cidades comunidades com labirintos próprios.
- Au-au!... “Que cidade já nem
recebeu nome, interrogação?” - diz o Totó.
- Au-oh-oh!... “Assim mesmo são
tantas e todas, eu diria, exclamação!”
- Ah-ah-ih!... “Que nem se sabe o
nome inominado nem se conhece o nome... somente D, que eu saiba e me lembro,
reticência.” - desabafa o legendário Totó.
- Ih-ih!... “Que bacana nem ter nome
e depois ser nomeada declarada, né?!”
E os cãezinhos viram a menina pegar
outros exemplares e falando e nem terminava a consulta a entrevista com livros
a visita à biblioteca. Andavam entre as prateleiras cheias abarrotadas de
livros e sem ânimo estado de soçobro. Seguiam a dona, ouviam viam e mal e mal
podiam esperar. Agora mesmo ouviam e das partes do ouvido, externo médio
interno, entravam os sons as palavras sonoras identificadas diferenciadas no
canal do auditivo. E este mecanismo se agilizava ia acionado e movia o tímpano
a bigorna o martelo o estribo (uma engrenagem) e o som domesticado aparado pela
concha do caracol ou labirinto ou dédalo ou espiral ou cóclea. Tudo
cientificamente provado. Tudo dominado e traduzido em forma de palavras que às
vezes falavam aqui fora e todas às vezes passavam pelo cérebro engenho casa de máquinas.
Umas já saíam limpas livres adaptadas e para se ouvir mesmo, seja em forma de
música inaudita jamais ouvida escutada ou frenesi exaltação desvario faniquito.
Quem ouve bem canta e:
- Vamos e veremos, se for o caso.
Oi!... Tenho que ler este Ubirajara, de um José de Alencar. Seria preciso. Eu
desde cedo imediatamente verdadeiramente sempre gostei de história de índio
autóctone. E lendas de bichos que se transformam viram árvores; árvores moitas
ou sebes que se metamorfoseiam viram bicho porco-do-mato e cateto ou meio bicho
meio gente tutu ou bicho-papão como boto iara caipora pé-de-garrafa. Jabuti ou
jabota que fala como gente e gente que tem vida de cobra grande mboi-una (a
cabeça presa dentro da igreja matriz e a cauda dentro nadando no rio Amazonas).
Oie!... Parece tudo tão mágico! Se liga!... Parece, que nada, é tudo tão
Marajó!
- Au!... “Quero ir pra terra das
perobas-bravas e Itatiaiuçu, exclamação!”
- Ih-uh!... “Ora e ora! Pra lá com
certeza ainda de Jacarepaguá!”
- Oh!... “Nunca se sabe o que uma
cidade Igarapé tem no fundo.”
- Oh!... “Já nunca vamos saber o que
uma gruta do Maquiné vê no fundo.”
Na vontade de escolher novidades ou
na dúvida de escolher antiguidades, a menina ia e se dirigia para as diferentes
prateleiras armários estantes gavetas. Agora este livro em mãos é do conhecido
literato Sílvio Romero. E este conhece o outro que se apresenta como José
Veríssimo. Que reconhece Artur de Azevedo e Lúcio de Mendonça e Cruz e Sousa. Esses
caras bem cabreiros astuciosos dissimulados. Joaquim Nabuco foi um fazendeiro
dos quilombolas ou calhambolas e estudou na Europa e conheceu todos os livros e
os debateu acostumado atreito habituado. E os assuntos e livros atuais que nem se
tem ousadia de dizer que conheceu ou deixou de ler.
- Au-au-au!... “O lago vai que está
muito de boa e água quente e legal, hem?!”
- Uh-uh-uh!... “A grama bem
aparadinha manducada pelas capivaras, né, meu?!”
- Olhem aqui praqui, gente! Um dia
estes escritores já foram deste mundo, é.
E Nélida Piñon e Vilma Guimarães Rosa e
Ledo Ivo e Maria de Lourdes Teixeira já encontraram esta uma árvore mágica e
contaram a história da planta ou arbusto que dava o caro dinheiro-em-penca. Uma
árvore qualquer tipo embaúba-fruteira que toda primavera dava dinheiro de
montão e com direito a ser recolhido por quem chegasse primeiro ou tivesse
bolso grande para guardá-lo. E as pessoas enricavam com o cabedal, gimbo,
verba, bilhestro, bagalhoça, maquia, tubos, calique, cantante, cheta, cunfres...
E se tudo isto fazia dinheiro contado e adquirido como folhas colhidas
diretamente da planta original, que nem desfolhava no inverno. Bastava ter a
sorte de cultivar esta planta no quintal que pronto a messe colheita seara
estava pronta para a ceifa e apareciam os reais, dólares, pesos, sóis, ienes, euros,
riais, yuans. E quanto custa uma árvore que frutifica enflora floresce medra
faz crescer aparecer grana bufunfa arame fundos lençol óleo pasta tacho à
vontade. E mais mirífico riqueza suntuosidade.
A menina Inajá queria falar mais,
porém achou que os cães estavam impacientes ansiosos por querer andar pelas
costumeiras habituais trilhas do parque. Assim a guria escolheu um livro e o
pôs na mochila, depois de registrá-lo no caderno da professora bibliotecária
dona Guita Claustro, e saíram. Logo logo pegaram a rua Caiouá, fácil facilitada
favorável de facilidades, o rumo certo e normal do parque e onde e como tudo
pipiava cantava sorria palpitava respirava verde. As aves voavam e as árvores frutificavam.
Os pássaros se digladiavam se enfureciam e mais cantavam vocalizavam.
- Au-oh-oh!... “Agora acho que já é
hora do lanche, você percebe?” - pergunta da Trempe, ansiosa empinada e mãos
estendidas. “Sinto um cheiro de pão de queijo... no ar e na aura brisa aragem.
Alguma coisa além de vegetais e legumes, né?!”
- Au-ih-ih!... “Eu prefiro
algodão-doce, igual da menina” - confessou o cão, ansioso rampante. “No máximo
ou no mínimo uma cocada crocante, já viu?!”
- Au!... “Sim, pode ser um bom
suculento pé de moleque. Nem nego ou renego.”
- Au!... “O que vem morre! Tenho
fome e sede e apetite de sobra, exclamação!”
Os cachorrinhos sabiam e reconheciam
o lugar. (Que uma vez certa feita outra época e distante mesmo no tempo,
habitavam pertenceu aos autóctones tribo pucobié-gavião). E ali mesmo neste
instante do tempo hoje, os movimentos eram exclusivos de cada dia e as pessoas
diferentes e os comportamentos dos humanos nem variavam autoamestrados. Tinha
gente correndo pedalando passeando com seus mascotes conduzindo carrinhos de
bebê sentando na grama rolando deitando pegando sol na cara se bronzeando. O
lago no meio do arvoredo e o arvoredo em volta da água. O vento batendo nas
folhas. Pássaros passando e piando e namorando aí. Todos defendendo seu dia,
buscando o que precisavam buscar. Inquietos e risonhos. Cada um tinha seu dia e
horas e assim procurava abraçar se soltar. Um dia gênio genial de piadas farsas
farras e festival. Condições normais de temperatura e pressão, cntp. Prepor,
pressupor, propor.
- Olhem o que eu vi e recolho com
delícia, meus caríssimos! - dizia a menina falando com seus xerimbabos e andando
para uma sombra ali na árvore do parque.
Se assim achamos que essa uma árvore
intelectual do tipo e espécie breu-sucuruba, e que dá dadivosa muitas palavras
e vocábulos. Um vegetal tão necessário e fazendo sentido, significados
significantes. Contando histórias de papel.
Era mesmo comprovadamente uma planta
acadêmica (mimosa serena esplendida fagueira inspirada perfumada) e filha de
gente livresca tais e quais os poetas Dante Milano, Olegário Mariano, Ciro dos
Anjos, Mário Barreto, Visconde de Taunay. Vento mexendo as folhas passando as
páginas. E o que nós temos com isso e o que teremos que fazer? O que nós
ganhamos com isto se isto é? Que se faz com isso sem aquilo?
Tivemos e temos teremos que ela esta
árvore (cheia de graça harmonia eflúvios majestade) troca as folhas que caem
secas no outono e muda rapidamente na primavera em flores de pitorescos
verbetes já pendentes dos galhos e ramos: toada, epigrama, soturno, socava,
enrediça, hirto, lôbrega, sacho, himeneu, sopé. Cada palavra é uma janela que
abre para a rua Raquel de Queirós. Árvore que planta frutas-palavras.
Uma árvore com frutas de nomeação e
muitas vezes inextricáveis indestrinçáveis indescritíveis. E é mesmo uma árvore
jovem e cheia das ideias e pitança, suru, porfiar, vasca, acerbo, sublevar,
hiante, relicário, punga. E cada flor desta árvore infiltrada de cor única e
sabor típico inigualável, e (“olhem quem vem aí e voando!”) que o digam os
colibris e besourinho-de-bico-vermelho, besourinho-da-mata, rabo-de-espinho,
estrelinha ou besourinho-zumbidor. Decorações de árvore e que podem ser
recolhidos ao dicionário mais próximo. E o dicionário que virou virtual e mesmo
pode ser encontrado na dúvida e amansa qualquer parada e questão e pergunta.
Árvore que dá uma fruta fruto chamado verbo substantivo adjetivo. Surto surtes
sortimos surtem.
- Agora me lembro de andar de bíci...
Agora eu vi uma bíci pedalando aqui...
Umas coisas se vê e outras se conhece.
Uns preferem a visão e outros a audição. Mais alguns a ilusão abusão que razão.
Os xerimbabos, por sorte deles e destino, preferiam ver ouvir e cheirar. Eram
os sentidos completos cá fora no dia a dia. Paladar e tato eram meio que
secundários. Sempre interessados insistentes e garridos garridice petulantes
com micagens saltitos gestos e meneios e ganidos cainhos. E para eles correr
era um culto vocação missão, ah!, isso era e efetivamente. No caso de animais
afilhados, temos que acrescentar mais o sexto sentido. E como explicá-lo? E
como debatê-lo?
- Au-au-au!... “Tá vendo aquela família
de porcos-espinhos? Estão ali, olhe lá, junto do jequitibá. É pai mãe e filhotes,
uma ninhada” - indicou o Totó, esticando apontando com o focinho úmido
intrometido. “Eles precisam estar aí, hem?!”
- Au-au!... “Sim, uma família e
passeando em pleno dia. É raro e pode ter acontecido alguma coisa. Será que
foram expulsos do esconderijo? Eu acho que sim” - queria saber e confirmar a
Trempe, peludo pelo reparado e flocado em tufos aleatórios.
De fato um grupo de uns seis
porcos-espinhos ou ouriços-cacheiros ou cuandus, grunhindo e grunhindo roncando
cheirando o ar... desfilavam raros pelo tapete gramado entre amigas capivaras
bem-te-vis-piratas marrecas-oveiras caboclinhos-de-papo-escuro
lavadeiras-mascaradas pombas-gemedeiras neineis... E com gente incluída aí
também, pegando um bronzeado que concede D, o Todo-Poderoso. Gente de fim de
semana pegando uma cor e rachando manchando, eivando-se como fruta madura ao
sol.
O parque ali oferecia ainda oferece:
excursões em barco, observação de animais, passeios guiados educativos para
crianças, caminhadas pelas diversas diferentes trilhas, passeios com bícis
alugadas, jardinagem e cultivo de orquídeas e bromélias em estufas.
- Ah!... “Eu vou lá falar com eles e
pedir saber qual que é” - pensou alto o Totó.
- Au!... “Pois se a menina lhe der trela
e linha e vez, entendeu?!” - lembrou a Trempe, língua de fora e olhos lacrimosos
grandes atônitos com ótimas pestanas.
- Ih!... “Eu nunca nunca conversei
trelei tagarelei com esses tipos. E você? Parecem meio bichos do mato e
perigosos. Te confirmo ou te afirmo, reticência...”
- Oh-oh-oh!... “Pois eu nem quero.
Dizem que flecham espinhos venenosos nos que se aproximam. A menina deve saber
melhor. A humana tem meios de arriscar.”
Então deixaram de lado a
oportunidade de conhecer os porcos-espinhos. A menina nem se deu conta ou nem
se interessou deveras. E os três foram andando pela trilha e meio que
aleatoriamente. Era andar por andar. Conversando o que viam por acaso ou se
lembravam por acaso. A mocinha fronte sobranceira elevada. Os mumbavos já satisfeitos
e de uma animação intensa e a vivacidade alacridade. Se fosse o caso até podiam
parar num lugar e ver de cerca perto rente. Foi o que que surgiu diante deles?
- Au-ah-oh!... “Minhas condolências
compaixão e pena a esses bichos meio selvagens e que vivem no parque no mato
matinho” - consentia o Totó, num muxoxo.
- Au-ih-ih!... “Amanhã ainda e ainda
mais uma vez estarão ali e aqui e acolá pastando e pedindo esmolando aos
frequentadores do parque, é. Uma rotina.”
A menina tinha suas vontades e nem
perdia de vista os interesses imediatos dos criados. E ela parou justamente
diante da capelinha da santa. Algumas outras pessoas também faziam igual. Os
animais ficavam de fora, caso a dona queria entrar ou precisava rezar. No alto
da porta de entrada uma placa e “Nossa Senhora da Imaculada Conceição”. Um
pouco abaixo e menos destacado, porém visível aos olhos atentos e “Tributo e
ação voluntária dos amigos do parque, tementes a D. E que o céu proteja a
todos.” (Este grupo de voluntários vigilantes do parque era composto por uma
tropa competente e autorizada e que dava um verdadeiro show e mega ultra supernecessário).
- Fiquem aqui e no meu aguardo,
ouviram?! - decretou a mina, em missão.
E deste lado aí perto, dois canteiros
simétricos exibiam plantas e flores já requintando embelezando,
douradinhas-do-campo, sapiranguis, santas-fés, marcelas, sempre-vivas-da-serra,
falsas-ervas-mate, pitas, cebolas-cecéns. Um perene zumbir zumbizar de abelhas
zangões outros insetos ziziar fretenir de cigarras. O dia trescalava abundante.
E por acréscimo e porque sim, zinzilular de passarinhos
beija-flores-da-serra-pelada beija-flores-de-costas-violeta reis-do-bosque
peiticas suiriris papas-lagartas. O sol já muito solar ensolarado. Fazia sombra
também um jequitibá-de-agulheiro (e pendurado de ervas-de-passarinho), imburi,
camboatá-de-folha-grande, taúva, mirindiba, cachimbo-de-macaco, mangue-do-pará.
Cabia a lembrança de uma piscina azulzinha. Um aprazível lugar para descanso
assentar ali no banco e parada para tomar fôlego e beber uma água de coco
gelada servida e recomendada se recomenda.
- Au-au-au!... “Ótimo! Finalmente
vamos ver a casinha a lapa da santa, hem?!” - latiu a Trempe, firme nas 4 patas
e possuída dessa ideia. “Hoje é um dia comum.”
- Ih-uh-oh!... “Eu quero tanto
conhecê-la por dentro e conferir tudo” - ladrou sorrindo o Totó, cauda vibrante
acelerada como suas emoções. “Uma boa, é nem?!”
Mas a menina Inajá os deixou ali na
entrada e recomendou paciência, iterou:
- É só esperar um minuto que volto
já e já, tá legal?! Se comportem, oi!...
Eles os cachorros espiaram na porta
ou entrada da gruta. Havia um degrau e se nem eram convidados, esperaram
convite. A santa em pé no fundo vestida com um traje manto largo azul e branco,
lavada cora corar clareada. Ladeada de anjos e muitos anjos e anjas amigos ramos
de flores. Um anjo da guarda mais grandote e de asas abertas imensas fazia as
vezes de servo e salamaleques batendo leques ar condicionado refrescante
refrigerante. Todos muito satisfeitos bem pintados decorados e alados.
A santa no centro da navezinha
parecia tão bonita! E parecia pequena e calma e quieta e paciente e muito
jovem. Queria dizer e dizia: ‘Nem tem de quê, minha gente!’ Entravam pessoas e
saíam pessoas da gruta. Uns traziam terços outros água e flores para pôr nos
vasos. ‘Nem precisava, minha nossa!’ Rezavam mexendo os lábios, ajoelhados, falavam
e escutavam, as mãos espalmadas sedentas segurando o céu. Levantavam com sinal
da cruz se benziam e se despediam saíam. ‘Até amanhã, gente grande!’ Havia um
ou mais mistérios ali. E caso os mistérios se revelem, ou são secretos segredos
sagrados. Alguma pessoa entrava tirava o boné e parava em pé braços cruzados
esperando olhando. ‘Seja bem-vindo, meu pessoal!’ Mas nem nada um humano podia
entender. Era um geral conversar em voz muito baixa evocar agradecer adorar
agraciar glorificar. Declarar falar à senhorita santa dos imprevistos acasos. E
muita glória ao Pai e D!
Como era aconchegante ficar ali,
pelo menos tomar um fôlego, sair do sol forte, apreciar a calma, olhar a santa
e sentir coisas boas, sentir a alma acomodar acomodada. A santa sorrindo e calma
e pacífica e humilde e amiga, mansidão. Reaverei.
- Ih-oh-oh!... “Eu nem tenho dia de
cachorro dia santo, é” - confessou o Totó.
- Ah-uh-uh!... “Estou contigo e
conforme o calendário.” - recomendou Trempe.
Logo agora que os cães resolveram
cheirar mais ali. E andaram pra lá um puxando o outro que eram uma parelha e aonde
um ia o outro se obrigava acompanhar e amarrados ajoujados e na marra. Regra
número um do mais forte. Rodearam um pé de iaguarataí. Foi pouco, chegaram a
rodear uma enorme árvore mangue-de-água-doce. E desceram mais um morrinho
ladeira um solau meio escorregadio que vinha a estar em frente pela pendente.
Um milhão de coisas aconteciam no vasto mundo, em um tempo.
- Ah!... “Aonde estamos indo, cão
Totó de D? Você sabe e você entende?” - perguntou Trempe. “Eu duvido! Nem só
duvido como tenho medo de saber.”
- Au-au-au!... “Eu nem sei. Mas pra que
esperar eternamente a menina, hein?!, pergunta.” - respondeu arrogantemente o
ansioso Totó, este mesmo primeiro e único.
- Oh-ah!... “Pra lá fica o noroeste
e a praia de Taperapuã, e nem sabemos nadar muito bem no mar agitado.
Especialmente dentro das ondas de 6 a 7 metros, oi!”
- Ih-ih-ih!... “E nem vamos
atravessar minados territórios inimigos de outros tantos e perigosos
intransigentes adversários. Ca-calma!, hífen e exclamação.” - latindo a Trempe,
sempre lembrando que ladram uivam ululam batendo coas mãos no chão.
O mar pega o atalho e aviltamento
condição de baixeza vileza abjeção. A terra pega uma trilha e siderurgia
aciaria aceria lugar forte de forjar temperar fazer aço. O céu pega o voo e
inamolgabilidade qualidade caráter condição de inamolgável que nem é amolgável (f.
dh). O céu pega um sítio e farola farolice palavreado conversa sem nexo conto
pra boi e vaca dormirem ‘ninaniná!...’ papo-furado e lero-lero, a terra pega
uma rota e conspícua claramente visível facilmente notada que salta à vista, o
mar pega uma onda e compêndio resumo achincalhe achincalhado achincalhação.
Pra noroeste quem sabe, pra norte
assim e assim, pro sul um tanto fora de contexto e porém. Pra lá fica o curso
do rio Cachoeira (valente de águas e piscoso e lambaris, surubins, anujás, piraíbas,
poraquês, terecaís ou pitiús). E seria sim um longo exercício de pernas, “pra
que te espero!”, até a cidade de Sento Sé e ainda Afrânio, Iaçu, Itaetê e toda
aquela área de montanhas e vales e cânions e Nova Redenção e Marcionílio Souza
e Boa Vista do Tupim (o município possui uma estrutura político-administrativa
composta por um prefeito eleito por sufrágio universal, o qual é auxiliado
diretamente por secretários municipais nomeados por ele; e pelo poder
legislativo institucionalizado pela câmara municipal, órgão colegiado de
representação dos munícipes que é composta por vereadores também eleitos -
fontes: prefeitura, câmara, ibge, fiocruz, unb, butantan).
Em vez disso aí (e por meio disso),
os dogues seguiram o caminho mais fácil e mais ou menos em conta e sem parar e
pegaram a rua do Monjolo. Com o cuidado de nem se enroscarem pois andavam
presos à guia e atrelados um a outra. Quites na força e na vontade. Às vezes
ele e depois ela, de repente ela via algo e depois ele que puxava. Cheiravam
uma lixeira de comum acordo identificando ou nem compreendendo os fedores e gafeiras
sarnas morrinhas. Se demoravam um instante a ver o trânsito de carros, nem se
interessavam mais que dois minutos aqui ou ali. Foram cheirar degustar do aroma
de uma touceira de arroz-do-campo. Quantos cheiros aí, quem predominava, animal
ou máquina? Pracinha do Escovém e já subindo andarilhos um morro escarpado,
declive aclive, talude. Mundo de chorumelas ninharias insignificâncias.
Sociedade de bajuladores sabujos serviçais delatores. Grupos fechados em copas
encopados, escolhas.
- Au-au-au!... “Estou com fome e
sede, esposa dileta e incansável colaboradora” - por fim falou muito e disse
tudo o cordato Totó. “O que digo é humilde, é.”
- Au-au-au!... “O teu pensamento
você sabe que é o meu o meu direitinho” - trocou diálogo respondeu a Trempe,
sempre e toda correta justa exata reta íntegra imparcial (são tantos sinônimos,
sinonímia e os procurados fatos linguísticos).
O casal de cães recém-casados, e
agora soltos ou semissoltos. Parece que em liberdade casual. E aí na rua Aquário
na beira dos matinhos na sarjeta chorume banha unto chorumento. Se falavam o
necessário. Latiam com os bons-modos. Aprenderam assim ou preferiam assim. Queriam
entrar numa lancheria, sonhando com sorvetes. Para que a fim de que (conjunção
subordinativa com circunstância de final finalidade) os humanos os
desnastrassem desenastrassem destrançassem desatassem. Altos prédios de
empresas corporações instituições conjuntos habitacionais. Para que o tios
bípedes os reconhecessem fossem bem lembrados e bem atendidos e bem-vistos.
- Ah-au-uh!... “Tá vendo aquela rua
ali? É a rua direta pro centro da cidade. Vamos nessa?! Eu sugiro e pra hoje.
Chegaremos antes do sol se pôr, gente!”
- Ih!... “Que aventura! Simboralá que
estou com pressa!” - animação do Totó.
A vida real e palpável viral vírus
virótica virósica. O jogo jogado (jogo é substantivo homógrafo e heterofônico
de jogo, do verbo jogar - iguais na escrita e diferentes no timbre das vogais)
e o lambari pescado. A pedra como a pedra.
De súbito e de fato pegaram a via
expressa avenida Duque de Caxias. Cruzaram pelas listas da rua, os carros ali
esperando de olhos vidrados, fabricados num lugar qualquer do abcd-sp. Tumulto
assovios berros gritos vaia. Pegaram a calçada oposta e seguiram por entre pés
humanos e árvores replantadas e jaborandis-do-mato, paus-ferros, rabos-de-cutia,
araticunzeiros, rabugens. Muita gente reparando eles assim atados e por conta
própria e vadios displicentes contentes independentes esportivos. As pessoas
ainda achavam que os animais corriam risco desnecessário assim no meio do
trânsito. E por que seguindo algum instinto ou curiosidade? Ficaram loucos ou
foram abandonados ou estão perdidos perdidinhos e escabreados zangados
enfurecidos. Propelidos pela ganância pela nostalgia pela esmola, impulsionados
impelidos.
- Oh-ah-ah!... “Que te parece?” -
perguntou Totó, coroca decrépito paupérrimo dobrado em si mesmo lamuriento. “O
mundo nos espera. Quem nos aguarda?”
- Ah-ah!... “Também estou com fome.
Esse trote todo me deu fome. Devemos parar e procurar algo” - consultava seu
estômago íleo intestino entranhas, a Trempe.
- Au!... “Você sabe procurar algo? O
quê? Dá uma dica canina, reticência...”
- Uh-uh-ah!... “Devemos pedir, quem
sabe?! Latir é melhor que ladrar ou uivar ou rosnar ou ganir. Volto a dizer,
estou com sede e eslepe! eslepe!... exclamação.”
Sabendo ler os números e letras das
placas dos carros, assim autos meio-quentes esquentados velozes pesados,
ferozes como suçuaranas... E se prestassem atenção já saberiam consultariam outras
informações e propagandas. E entendendo de sotaques já saberiam que vinham em
bando de outros lugares cidades vizinhas e Castanhal, Bonito-pa, Tupandi (“luz
do alto”), Harmonia, São João da Ponta (me contaram das fontes do ibge e fgv, este
arraial foi elevado à categoria de município pela lei estadual número conferido
informado no dia 18 de outubro ano 1989, se desmembrando assim de São Caetano
de Odivelas). Estes espécimes de máquinas e seus ocupantes humanos amaxofóbicos
vinham trazer coisas, buscar outras coisas e preenchiam o movimento incessante
da cidade hospedeira. Vinham e chegavam e partiam, vaivém, por um dia e no
máximo dois. Vendiam trocavam regateavam compravam comprovavam, e se despediam
com forte aperto de mão e abraço. Isso e aquilo de logros tramoias cambapés
rasteiras, são coisas que raro acontecem aconteciam muito raramente. Os dois
lados venciam e se estabeleciam. Negócios são negócios, e amigos são outras
partes. Fazer a calibragem medição correta do ecumenismo ecumênico, vamos dizer
assim.
- Oh!... “Que lugar é esse, meu caro
Totó? Me diga e nem me esconda nada!”
- Au!... “Acho que é isso mesmo... Acho
pouco, ou seja, estamos perdidos.”
- Au-au-ah!... “Então vamos voltar.
É o que deu pra fazer e onde estamos e chegamos. O que temos pra hoje, seu
Totó!” - exclamando firmando a cadelinha.
- Ih-uh!... “Mas como voltar se estamos
no meio do nada, e desnorteados!”
- Au!... “Farejando, né, meu! Eu
farejo tu farejas nós farejamos farejaremos!...”
- Oh!... “Sim, se fosse fácil eu nem
estaria perdido e você perdidinha, hem?!”
Olharam em volta, olharam pros lados
e a banda de atrás, giraram os tantos 360º. Tanto fazia como tanto fez. Nem
sabiam onde estavam nem se deviam ladrar lamuriar por socorro. Na rua
Brosladura os carros passavam como sempre, alguns buzinando e outros ouvindo
música. No passeio da calçada as pessoas olhavam, algumas até com certo medo de
serem mordidas. Outros cães latiam provocavam pediam briga mas os nossos
passavam ao largo. Os cachorros vira-latas desocupados ficavam cuidando com o rabo
do olho. Os cães acompanhados ou guiados e a passeio sentiam certo terror ou
raiva e se protegiam atrás das pernas dos donos(as). Era toda uma gama um mundo
acontecendo, convivialidade. Sem contar o quanto se farejava. Sem contar o
quanto se andava. Sem contar as preposições propostas sugestões. Sem levar na
conta as milongagens manhas dengues. E as aparências que importam e nem
importam.
- Oh-oh-oh!... “Vamos farejar aí por
este sítio, hein e que tal?!” - indicou o Totó.
- Ih-ih-ih!... “Calma, gente! Com
tudo se pode! Oi!” - colocação da Trempe.
Eram em dois um par atrelado porém
podiam encarar o dia como um ser de duas cabeças. Na prática eram dois em um, e
um de dois. Seguindo o fluxo e refluxo do tráfego, automóveis preenchendo
sempre as faixas da pista, eles na calçada. Quiçá já tivessem pisado aquele
lugar. Conheceriam um prédio ou outro pelo cheiro pelo feitio. Nem chique nem
mique. Propriedades garagens pátios rodeados de muros altos.
- Au!... “Nem sinto confiança nestas
pessoas que olham pra gente, já viu?!” - então Totó se sentiu repentinamente
desconfortável em plena avenida Afonso Pena.
- Ah!... “Olhando bem, o que me
confunde é que os mesmos que foram estão de volta e voltando. Por que uns vão e
voltam e mais ou menos parecidos? Será isto justo ou estou delirando?” -
comentava já estressada Trempe, olhando o vaivém dos veículos.
- Oh!... “Estes automóveis são
guiados desde dentro. É ridículo, exclamação!”
- Au-au-au!... “Lá em casa tem um
também e você já o conhece. Acho que nem é deste mundo. Mas parece estático
dorminhoco semimorto, alguns momentos em.”
- Au!... “E bebe mais que come. Bebe
pra chuchu. E chega a bufar de tanto que é feroz. Bebe tanto muito e come
graxa. Que calor, ahn!, reticência...”
- Uh-uh-ah!... “Já fui de ter mais
raiva de carros e motos e bicicletas, é.”
- Ih!... “Lembra aquela vez que
tentei morder um? Energia desperdiçada, ele nem te ligo. Me arrisquei à toa.
Por nada por pouco nem quebro o dente da frente.”
- Au-uh-uh!... “Mas que merecem,
merecem! D inventa cada uma, né?!”
Em frente da praça Urutu fica o
Museu da República ou Palácio Catete. É um lugar famoso e concorrido. Este um
prédio imponente de arquitetura neoclássica uma relíquia da construção mundial.
Fazia e faz mesmo muita figura e esplende. As pessoas que passam pela primeira
vez teimam em parar e ficar olhando, pensando em histórias, tirando fotografias
registros recordações, arriscando comentários filosóficos. És guiado.
- Ah-uh-oh!... “Passamos já aqui e
neste lugar? Ó, hein?!, pergunta.”
- Ih!... “Se você farejar direito
vai ver que nem falá ladrá, minha deusa!”
Os xerimbabos andavam aí e viam
muita gente. Paravam tentando reconhecer a menina Inajá, que nem estava. Foram
se infiltrando pelo labirinto desconhecido. Procuravam pelo menino Realejo, que
também nem viram nem reconheceram. Depois o pai Tácito a mãe Gaipara a Gaita.
Quem sabe e de araque por casualidade casualmente casual acaso casualmente.
Quem vê viu o quê, desde ontem, e depois?
- Oh!... “Preciso de uma aguinha e
bem fresquinha. Estou com sede sedenta e me sentido seca por dentro por fora e
suando em bicas bem ressecada com a língua presa.”
- Ih-oh-oh!... “Nossa, meu! Essa nem
nada, né?! Você já era camelo dromedário em algum lugar no passado deserto
outra encarnação no verão de 38º?, interrogação.”
E sim então se preocuparam muito
muitíssimo mesmo. Coisa de enlouquecer. E ver em tudo em pensar o pior.
Perdidos abandonados em meio a uma cidade funcionando como uma máquina
devoradora igual uma draga dragona dragagem.
- Au!... “Por que nem param nem
param nunca, e já, essa gente esses carros?! Isso me deixa tonta, sabe?! Fico
sem faro e faminta! E até importunada ada! ada!...”
- Uh-uh!... “Uma floresta com
animais de aço e pessoas no bojo, é!”
Olharam assim por tudo e ao redor...
Avistaram por acaso uma torre gigante e se dirigiram pra lá. Os dois cães
olhavam a gigante armação de ferro e nem paravam de admirar o quanto era bonita
e distante do chão. Os olhos de ambos subiram até lá em cima no topo no auge no
tope. Até mesmo as nuvens raspavam aí e chegavam ali perto e algumas já roçavam
nas suas antenas de rádio e televisão e telefone e 8gê.
- Au-au-au!... “Olhando de lá o
quanto se pode ver, será, pergunta?!”
- Ah-oh-ih!... “Eu nem nunca antes tinha
visto um colosso destes, é!” - surpreendeu-se o Totó. “E mesmo assim de perto e
até poder tocá-lo, exclamação!”
- Ih!... “Acho que serve pra olhar
longe e distante lá pra lá rumo da montanha. Mas como subir até em cima no alto
no último andar, meu! Se paga um preço.”
- Oh!... “Por que olhar tão longe e
distante? Nem faz sentido. Tenho vertigem.”
- Au!... “Deve de ser um passatempo
que alguns gostam, os sem-vertigem.”
- Oh-uh-ih!... “Será que sobem até
lá e pulam? E voam como as harpias e gaviões e falcões? Podem ir longe e viajar
muito até Igarapé ou Mário Campos. Podem se infiltrar pelo céu deserto grande
enorme. Podem se desenvolverem, reticência...”
- Ah-oh!... “Qualquer ave ou pássaro
pode subir ali e pular dali sem maiores causas e consequências. Os urubus, já
sabe!, nem se late. Estão por toda parte e espiando espiando espionando. Hoje
mesmo eu queria ser um alado voar como estas aves asadas andorinha-do-campo
urubuzinho ipequi sovi caboclinho-de-papo-branco tesoureira
caboclinho-de-chapéu-cinzento bacurau perdizinho-do-campo maracanã-nobre. São
tantos e tão satisfeitos que até perco a conta de contar um por uma, ufa!”
- Au!... “E os lás aquis alis!” -
resumiu breve sumariou sumariamente a Trempe.
A cidade vivia toda essa gente e
esses carros conduções conduzidas caronas passageiros. Mas a cidade nem se
importava tanto tanto com todas essas pessoas e seus amestrados automóveis.
Cada um por si e o sol sobre todo mundo. Uma gigantesca máquina de engolir seus
próprios habitantes e etc. Modos de existência extravagantes ostentosos caricatos
burlescos esborcinados balordos. Aporias e situações insolúveis, sem saída. Depois
podia mesmo vomitá-los expeli-los de algum modo. Tudo muito ou pouco
tumultuado, disfarces aparições contrastes aversões ambições. Mundialmente e
francamente! A cidade e sua antena sintonizada. A cidade e a mistura demasiada.
- Au-au-au!... “Dir-se-ia! Hum, quem
sou eu nesta floresta? Um lugar.”
- Oh-uh-uh!... “Então diga pra mim,
minha apetite voraz! Um adiamento.”
Uma hora pararam perto de um
restaurante vegetariano O Alguidar, e cansados ressabiados esgotados
desconfiados de procurar seus donos e sua casa o aconchego do lar. Ouviram
barulho de talheres e pratos e gente manducando. Isso era preparo de comida e
de comida eles precisavam e agora. A língua babava fora da boca salivava e
pensaram procuraram cheiraram uma maneira de entrar. Ou será que tinham de
pedir desde fora e em altos brados ganidos? Sim, cheiros exalações aromas que
pruíam pruriam estimulavam atacavam contaminavam o olfato as papilas da língua
áspera gustativas lingual. Algo alguma coisa ali no restaurante os atacava na
vontade de comer.
- Ah-oh!... “Este sabor de
alimento... me deixa tonto achacado, meu bem!”
- Au-uh-oh!... “Insuportável,
insuportável... e digo mais, exclamação!”
Bochechas belfas caídas e babosas
babando, ora bolas!, ficaram aguardando algum acontecimento que os pudesse
favorecer. Quem sabe alguma oferta do dono do estabelecimento. Tem gente que
ajuda os cães perdidos, então. Ao estacionamento chegavam clientes e fregueses tipos
pessoas de todas as partes de em redor, Santa Maria do Pará e Peixe-Boi e São
Miguel do Guamá e São Valentim e Terra Alta e Roca Sales (roca-salenses) e São
Pedro da Serra e Barão. Os bichos de lata e latão e pneus deixavam esperando e
os homens as mulheres entravam pelo vão de uma porta que se abria par em par
automática sensorial. Era tudo tão assim ótimo e funcional! Tudo tão organizado
e esperado! Tudo tão tecnológico e atual! Tudo tão com letreiros chamativos
imagens convidativas figuras decorativas ilustrações memoráveis! Expressado!
- Ih!... “E se a gente cainhar pra
chamar a atenção do proprietário? É uma!” - entendia a Trempe, sentindo um
cheiro de comida bem temperada em pleno ar. “Eu adoro polenta junto com o molho
e a carne moída. E tenho sede desde ontem, é.”
- Oh-ah!... “Estou com tanta fome
que como qualquer coisa, uma pizza à portuguesa um ambúrguer um pastel de
queijo. Pra beber pode ser água mesmo.”
De repente no ar um ruído estalido
cadente e do nada apareceu a Inajá e foi...
- Ah, são vocês mesmos! Hein, minha
gente?! - gritou a menina e feliz.
- Au-au-au!... “Finalmente você
chegou e veio, menina!” - os cães em euforia conjunta latindo latiram ao mesmo
tempo uníssonos. “Que sorte! Que alegria!”
Podia ser um susto para ambos, mas foi
assim um encontro amigável e com muitos abraços risos e latidos amistosos. Um
encontro e reencontro pra se recordar. Mas que os três passaram sufoco, ah!,
isso sim e muito. Foi um reencontro como um amor à segunda vista. Todo mundo se
abraçando era perfeito. Que muito bonito e demais!
- Que que deu em vocês, minha gente
do céu e da terra?! - questionava a menina ao mesmo tempo que os abraçava e os
queria bem os acarinhava. - Vocês sumiram lá da igrejinha e assim de repente
sem mais aquela! Onde se viu uma coisa dessas, gente! Sem avisar nada e
ninguém?! Põem a patinha no meu coração! Deduzam atinem, hein?!
Aproveitaram o ensejo a oportunidade
e, à maneira de como à guisa de, entraram na próxima sorveteria para degustar
um delicioso sorvete valendo 4 conchadas para cada um. Que a guria nem poupava
esforços para agradar. Descontando tudo na mesada do pix. De depois a
consciência verifica melhor se foi pouco e em demasia. Universalmente. Que está
estava florido florente flóreo florescente perfumoso.
Quando ouve escuta música, você
sente o quê? Quando olha aprecia um quadro um painel, vai lá na galeria de
artes ver os trabalhos de pintura, o que você pensa?
Enquanto o mundo gira e as coisas
vão em frente. Dia macio tangível apetecível apetitoso suculento, para os
íntimos, tipo manhã de domingo. Um bando de arirambas-pintadas assumiu a copa
da goiaba-do-mato. Autos automóveis comportados já guiavam seus condutores aos
horizontes e Santo André, Reriutaba, São José do Sul, Santo Cristo, Varjota,
Hidrolândia, Ipu (do tupi é ‘água que surge, que borbulha’ - fonte: Francisco
da Silveira Bueno, lexicógrafo filólogo ensaísta poeta). De repente enquanto as
horas gingam meneiam facaia faca-maruja requebram bamboleiam. Que que é, meu!
A propósito destes fatos: encontra
procura fazer o mapa astrológico; um cardápio com receitas testadas com êxito e
sucesso; viajar ao exterior é mais chique do que se imagina; fazer reclamar
apontar apoiar determinar resolver antes que seja tarde.
Um tatuaíva faz buraco na terra fofa
e em profundidade, um quatipuruzinho-bigodeiro fareja e procura buscar comer
jabuticaba no pé, a onça-pintada feminidade aparece pintou posou pousada,
sentada pacificamente como fazem igual os cães dogues, bem no meio da praça
Ergonomia de a cidade progressista legendária de Brumadinho (brumadinhenses,
lugar da cachoeira do ribeirão Casa Branca). Sendo que o município estava
naqueles dias a semana dedicada à festa do pinhão e com ótimas atrações para
locais e turistas de todas as idades gincana roda-gigante trem maria-fumaça
tobogãs escaladas caminhadas maratona da terceira idade pesque-pague... A
multidão que brincava e se divertia passava lazer aí identificou já-já a felina
e imediatamente telefonaram encheram a caixa postal da polícia. Em menos de 10
minutos o logradouro abarrotou de policiais e corpo de bombeiros e academia
militar das Agulhas Negras-aman os professores do colégio Dinágrafo os alunos da
faculdade de neurologia e demais curiosos que turistavam e estes mesmos
misturados do mundo inteiro país Estado e comarcas ao derredor sendo as mais
notadas Jesuânia, Congonhal, São Sebastião da Bela Vista, Natércia
(natercianos), Careaçu. A oncinha aparecida levou um tiro relaxante
tranquilizante à queima-roupa e exatos exatamente na paleta omoplata espádua
testavilhou caducou catou cavaco vacilou oscilou se desorientou e... desmaiou.
D é assim exato como o pintam:
centrípeto, axípeto e centrífugo, axífugo. Senhor rico em patrimônio
experiência espírito espiritualidade espiritualmente. E sabe sábio na prática
na teoria todos os ofícios e profissões. As ideias que vêm todas de raiz.
Respostas rápidas. Tanto faz nascer em Salvador do Sul ou Novo Machado. Pode se
afastar do sol e se aproximar da lua. Pode brotar da terra ou emergir do mar. Aprecia
todas as seleções, mas nem torce pra nenhuma. E no mais... sai dessa, chapa!
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Uma história original e baseada em
fatos reais verdadeiros comprovadamente verídicos e acontecidos de verdade
conhecido de um público restrito e agora divulgado no iutúbi internet redes
sociais. Que é para o deleite desfrutar de toda a gente a galera visível e
invisível, pessoal ou impessoal virtual. E começamos do começo, 25 de agosto do
ano dos nossos acontecimentos. Sucessos fresquinhos novos recém, amém!
E vamos lá, sem delongas com entusiasmo
coragem certeza agilidade e mesmo até a bravura. Quase quase uma epopeia larga
e heroica e quem duvida uma saga. Trecheio muito cheio bastante cheio de
coragem marra disposição. Nem nada de longe essa de enganar manguear iludir.
Sem fugir garfiar escapar e safar-se. Já dizendo com augúrios de sucesso para o
ano todo e de norte a sul e leste a oeste. É da emo!
O mar pega um canal alas de
goiabas-de-anta mais barbas-de-tigre e conjunto de coisas confusas desordenadas
trapizonga (f. dh). A terra apanha uma estradinha poeirenta e escárnio caçoada
troça zombaria perfídia deslealdade. O céu adquire uma vereda e cogita pensa em
pensa sobre pensa a respeito. O céu pega uma ponte pênsil e trêfego astuto
esperto trefo, a terra pega sem largar uma linha férrea e lôbrega escura
sombria camuflada, o mar pega uma corrente e sum mais alto elevado superior.
D veio de velho de longe universal e
chegou chegando a estes lugares do nada e tudo. Já a casa Dele tem 1 mesa e 2
xícaras 4 cadeiras de alto espaldar (pra que quatro cadeiras?) 1 tevê na sala
de estar (melhor lugar da nuvem) 1 no quarto de dormir (precisa uma na cozinha)
20 janelas abertas com brisas com ventos com vistas espetaculares para as mil e
uma maravilhas naturais 12 portas por onde de repente Ele pode sair a passear
voar trotar. Já aqui embaixo a praça da Bandeira (terrena terráquea bem em Nova
Prata) quieta sossegada pq arborizada cerca da prefeitura e bancos e lojas do
comércio hotéis farmácias restaurantes. Daí mesmo as ruas raiam em todas as
direções bairros. Os pássaros sobem e descem sobrevoam os arbustos as árvores.
Tem um espelho d’água pras pessoas e mascotes se admirarem os 365 dias do ano.
Mais canteiros do jardim com plantinhas e flores bromélias orquídeas. Bancos de
madeira e de concreto com a colaboração do comércio local famílias empresas
marcas anúncios. Acontecem turistas de outras lonjuras. A praça da Bandeira,
com bandeira hasteada bem forte e grande no mastro, está rodeada de prédios e
edifícios e casas. Aí mesmo se faz acontecem as festas mais importantes feira
do livro danças folclóricas comícios comemorações de emancipação natal fim de
ano reveillon... Uma vez e outra as crianças dos colégios perto vem passear e
curtir os brinquedos. Nos dias de verão de sol as cigarras cantam até explodir.
As pessoas vão e vêm no comum do dia a dia. De noite saem as estrelas mas muito
distantes e competem com as luzes dos postes luminárias coloridas que pendem da
árvore símbolo da praça o ipê-amarelo. E é um sonho sonhado.
Quando o táxi que os levaria ao
aeroporto chegou, a família Macuxi já estava à porta do condomínio a postos
atentos em posição. Malas e sacolas embrulhos malaria para dentro do maleiro.
Algumas despedidas e os abraços os beijos os apertos de mão os “até logo!” “vão
e voltem com D!” “que vá tudo bem e que D os acompanhe!” “ainda nos veremos e
em breve!” “Oie!...” “boas férias e desfrutem, tchaaaaau!...” “intéeee!...”
E uns vizinhos o jardineiro do prédio o
síndico senhor Adunco Concoidal e sua prestativa senhora Lauda Cabidela,
ficaram lá atrás e olhando até que estes nossos amigos fizessem a curva da rua
do Chupitar. Incluindo inclusive a cachorrinha mascote dos dois velhinhos a
fofa e sempre disposta metida de gorra de aliada (amiga dos xerimbabos da
família viajeira viajante turistas compulsivos) a bem tratada Brida. Todos
abanando com mãozinha (a patinha da cadelinha, língua de fora) e sorrisos
pacíficos amigáveis aprazíveis de boas vibras. Semblantes rostos radiosos
suspirosos.
Agora sim todos dentro cabiam mais
ou menos o pai Tácito na frente a mãe Gaipara atrás com o filhos Realejo e
Inajá e colaços enjeitados o Totó e a Trempe. Bem amontoados empacotados, já
cabiam e tudo bem. Estupendo estupendamente.
- Oi!... Pode mandar brasa lenha na
caldeira, motora! - determinou o pai.
- Ei! Será que nem esquecemos de algo
importante? Pensem bem! - a mãe e sua ansiedade suas preocupações de última
hora. - Acho bom parar... e mesmo voltar!
- Veja! Eu quero aprender a surfar, tá
limpo! - já determinava um motivo para concordar em ir à praia, este Realejo. -
É o meu sonho eu sonho e que sonhos!
- Oquei!... Primeiro aprender a nadar no
mar, depois veremos - mãe consciente.
De Betim para o mundo e via aérea. O
céu de brigadeiro tipo assim auriazul. E rua São Francisco pra em seguida
contornar a praça Victor Meirelles de Lima e pegar sem pressa a avenida Porto
Alegre. Como sardinha em lata, a família ia se despedindo olhando o que passava
e as ruas a estrada para Lagoa Santa e arredores Ribeirão das Neves e Contagem
e Pedro Leopoldo e Arroio do Meio. Uns olhares se adaptando aos novos ares que
iam surgindo, novos lugares, novidades no passeio no panorama.
- Olhem mesmo e vejam, gente! Sempre
inauguraram novo shopping... Caserna & Confederado! - salientava a mãe
Gaipara. - Bem que minhas amigas já me indicavam e recomendavam. Os produtos vêm
do mundo inteiro, os preços são acessíveis.
- Um luxo! Mais do que tu pensas! Lá
dentro dizem tem até um cartódromo e aulas de pilotagem, entendem?! -
confessava o pai Tácito.
- Por que nem falou antes, né?! Oi!
Já estou na idade de dirigir, hem?! - reclamava o Realejo, que pensa querer
tudo saber e experimentar e provar.
- Ora! Sempre frequentado pelo
imperador e pela imperatriz, a nobreza, o clero, os soldados e o povo - definia
a mãe. - Reis e rainhas do carnaval e magníficos majestosos augustos. Gente
famosa da elite artística. Gente animada gente endinheirada.
- Sim, desde logo! Assim é e
continuará sendo - emendava o pai. - Os caras de espíritos esclarecidos
prudentes e diria até aristocráticos aristocracia esnobes.
- Confesso. Que há de ficar guardado
à curiosidade material, né?!
O carro andava no asfalto e faltava
pouco até Confins, passando num, vuuuuum!... por Vespasiano e São José da Lapa
e Encantado e Coronel Pilar e Juatuba. Ao longo da rua longa. Entrechoques de
informações informes avisos anúncios anunciando pechinchas ofertas notícias em
primeira mão cartões de crédito descontos.
- Já passamos a serra do Curral? Já
passamos a lagoa Vargem Bonita? - perguntava Inajá, dando o ar da graça e
sonolenta lenta quase parando olhar morno lá pra fora mosquito na vidraça do carro
a 70 por hora. - Já passamos a lagoa de Cima?
- Confio quê. E praticamente já
estamos perto do rio Pará - considerou o pai.
- Bonecos! As partidas e idas são
sempre desgastantes e... - a mãe Gaita.
Chegaram ao aeroporto e o bicho
estava pegando, ou seja, um formigueiro em trânsito buliçoso assanhado atacado.
Passageiros em pânico em transe e com cargas carregamentos cestas pichorras
cântaros e telefonando procurando fazendo o chequim e tudo ao mesmo tempo.
Terminais de passageiros todos congestionados filas para conferir passagens
atendimentos informações telas com os voos atualizados atrasados no horário.
Aeronaves librando-se nos ares taxiando e azoinando os ouvidos. As companhias
oferecendo vantagens bônus pronto atendimento aviando despachando expedindo
expurgando e tudo pago depois do carnaval ou somente lá na páscoa.
- Oi!... Vamos a um lanche frugal
com suco de caju? - sugestão elegante da mãe.
A família se juntou perto dum guichê
e para logo adiantar agilizar as passagens as bagagens e os afilhados. Entraram
de permeio se entremearam intercalaram numa fila de uma companhia conhecida e
aguardaram a vez. Que muitos faziam a mesma coisa e se perdia muito tempo. E as
boas teorias parece que vão e vêm.
- Oquei!... Trempe e Totó vão ficar
bem, pode deixar! - entendia o pai Tácito.
- Sim, claro, efetivamente. E eles
vão num compartimento de bagagem e carga uma espécie de xelma protegida
condicionada, e muito confortável e apropriada - já dizia um funcionário da
companhia aérea, um tricenal seu Rui Epônimo.
-
Hem! E eles nem sofrem estresse, gente?! - temia a mãe Gaipara ou Gaita.
- Que Trempe e Totó possam latir à
vontade e sem medo, hum!... - a Inajá.
- Nem é justo que Totó e Trempe nem
venham junto em cima como os outros passageiros as pessoas normais, né?! - a
desilusão do pobrezinho coitadinho tímido Realejo. - Nem é justo e é injusto
injustíssimo sem nada nenhuma justiça!
- Bichos de estimação deste tamanho
do Totó e da Trempe, devem e precisam ir no compartimento de carga. É regra e
norma e lei federal, mesmo internacional. Nem podemos ser diferentes, né?! -
arriscou dizer e retorquir mais um dos funcionários.
- Que pena. E se acontecer um
desastre aéreo? Quem os salvará? - boa pergunta da Trempe, menina sempre antenada
nos acontecimentos de antes durante e depois.
- E as gaiolas nem se abrem
automaticamente, hein?! - contrapôs o Realejo.
- Enfim, o mundo ainda nem evoluiu a
ponto de. Vamos torcer e muito.
- D e suas histórias fantásticas
espetaculares! D sabe d+! E indubitável.
As questões das despedidas e da separação
dos cães foram longas e arrastadas desanimadas desanimadoras amadoras. E nem
digo mais. Precisou que todos fossem abraçá-los acariciá-los acarinhá-los prometer
tudo que precisava prometer, e etc. Já tinham esta experiência mas sempre
incomoda sempre gera desconforto de ambas as partes. O isolamento incomoda e é
duro. Alguém sempre acha que os bichos nem entendem e podem se magoar demais.
Portanto, nem se tem outro jeito maneira.
Daí todos foram ao lavabo ao
banheiro. Já na sala de embarque, ampla e irrestrita. E iriam outras vezes mais
vezes até o voo partir (modelo de verbo regular da 3ª conjugação, ex: repartir,
dirigir, dividir, exigir, transferir). Sempre se tem angústia em pegar o
banheiro do avião e em pleno voo. É melhor fazer antes e se prevenir. Perto do
portão de embarque e sempre vigiando o voo, alguém sempre atento. Melhor assim.
- Enquanto isso... o Totó e a Trempe
vão viajar o tempo todo no escuro, hem?!
Enquanto isso o grupo de 4 andando
para passar o tempo. Nem faltava muito, só uma hora. E queriam conhecer todas
as lojas quiosques e olhar acompanhar das janelas panorâmicas os pousos e
decolagens ou mesmo arremetidas. Sentaram junto ao balcão de uma pastelaria
doceria lancheria confeitaria Dona Cota-Parte. Que me abstenha.
- Bitoques. Nem vamos comer demais
senão se passa mal lá nas alturas. Recomendo e que me obedeçam, hein?! - aventava
e sugeria já enfatizando a mãe.
Outras famílias mais ou menos
numerosas. Pessoas sozinhas tentando se distrair com celular com jornal com
livro e inventando quimeras. O livro mais deixado esquecido dispensado nas
poltronas de avião? E sempre a preferência por assistir tirar um registro do
pouso da decolagem neste momento. Quem vinha de lá... um artista de tevê um
cantor e banda um time de futsal ou vôlei? Seguiam trotavam deslizavam os
grupos trupes conjuntos pares trios quartetos e passeando, passos sem pressa.
- Ora, meu! Como serão estarão os
voos daqui 50 anos? - Tácito queria saber e perguntava, puxando papo-furado
gastando bocejos. - Prometo que vou pensar nisso.
- Eu já vi um filme que os aviões
sobem e desaparecem muito rapidamente - lembrou um filmaço o Realejo. - Supersônicos
e a jato. Sem muito esforço ou fumaça.
- Oi!... Nem havia piloto copiloto e
atendimento a bordo. Tudo no esquema on line - declarou a Inajá, percuciente
perspicaz e tem mesmo muita agudeza de espírito.
- Que vai ter um tráfego aéreo muito
engarrafado, ah!, isso vai! - alertava a mãe.
Passavam
aí os passageiros e todos muito distraídos consigo mesmos ensimesmados. Uns até
famosos, um time de basquete feminino uma banda de pagode um ator de teatro que
faz também televisão e anúncios pro governo. Provavelmente um time de handebol.
Daí a pouco podia aparecer um time de futebol série a ou b ou c ou d.
- Gente! E como serão os pastéis
daqui 50 anos? A mesma receita o mesmo sabor os mesmos procedimentos de fritura
e etc.?! - pai Tácito sempre provocando a patota. - Pastel com caldo de cana
garapa, conte comigo até debaixo d’água.
- Nem há outro sinal, né?! Assim
terão inventado outros sabores de pizza de pão de queijo de sorvete e mais -
imaginava a Inajá. - E a fama do açaí será mundial mundialmente universal
universalmente. Tudo conta. Tudo faz parte.
- Taí! Eu tinha esquecido o futuro.
Agora me lembrei dele, taí! Eu, hem!...
- Uau!... Foi o futuro que lembrou
da gente, daí! - achou melhor a mãe.
- Ah, vai! O futuro é um compromisso
e tanto, hein?! Onde nós estamos?!
- Calma e sentido! Teorema
logicamente proposição demonstrável, oquei?!
- Sim. Vamos com essa. Sereno sério
verdadeiro superior tomando licor, é.
Tinha mais um tempo e o incômodo de
ficar parado estacionado no mesmo lugar e ainda por cima e mais isso, esperar
esperar acatar aguardar (tantas vozes várias vezes). Sempre se anda em procura
de distração. Uma livraria oferecia revistas jornais gibis e os livros de
esquecer no assento da aeronave. Um lugar que todos acham, um altar com santos
e santas de várias preferências e ocasiões. Sobre um andor ou charola ou
padiola e à disposição disponíveis para atendimento frente a frente. Metade da
população nem é frequentadora de igrejas ou templos ou santuários, mas todos
passam e fazem o sinal da cruz molhando as pontas dos dedos na pia de água
benta. Atrapalhar nem atrapalha, então se acaso! Nunca é demais fazer uma
política com o céu. E quem tem, tem!
- Está fazendo muito sol lá fora.
Ainda bem que estamos no condicionado, é.
- Faltam menos de 15 minutos,
praticamente. Vamos avistar o rio Atibaia?
- Acho melhor já entrarmos na fila.
Vai quê! Imenso céu de anil, parabéns!
Entraram na fila e lá na frente os
funcionários conferiam passagem documento e “boa viagem!” que todos respondiam
claramente “obrigado(a)”. Um corredor ou manga até o avião e a escolha acaso
sorteio de os números em os assentos e ou poltronas.
- Deixa ficar na janela?, mãe! -
queria a Inajá. - Eu quero ver a lagoa da Pampulha e de cima, olhar de ave
águia-cinzenta, uh-aaaau!... Que legal!
- Eu quero ficar na janela, mãe! -
também queria o Realejo. - Quero só ver como se espalha aquele oceano na costa
e mar azul, rã-ruuuu!... Que leveza, né?!
Uma filhote com o pai e outro
filhote com a mãe. Dois casais e os pedintes ganharam a preferência da janela
lugar preferido escolhido. Um par de um lado direito e outro do lado esquerdo.
Assim foi determinado. Contentando a todos. E oxalá!
- Vai dar pra ver muita coisa pois
nem tem nuvem no céu - reparou Inajá.
- Quero ver se vamos passar sobre bh.
Acho que sim! E acho bom! Oquei!...
- Apertem os cintos. No caminho pelo
alto no visual em miniatura já passaremos no mínimo por Doutor Ricardo e
Colinas e Santa Tereza e Imigrantes e São Valentim do Sul - elencou e
relacionou o pai. - O restante vai surpresa, naturalmente.
- Se bobear ainda teremos um lanche
a bordo. Um bauru com tomate e cebola...
- Impacientes e irresignados. Rezem
ore tenham paciência espere e verão, hum!
Como saber antes o que vem depois?
Por sorte que o dia vem rodeado de casas prédios árvores carros fábricas
viadutos... Como saber depois o que já veio antes?
O sol acorda cedo pra dormir até
tarde de tardinha lusco-fusco. A lua levanta junto com as estrelas molhadas
nicadas bicadas picadas. Apor antepor contrapor.
E exultei! Estava aí e volto a ficar
aqui e o tempo atropelador atropelando atropelou me atropela. Tudo eu e eu
nada. Isto é a mesma coisa de sempre e finito.
Sem demora o avião começou a se
mexer e lentamente habitual, se fingindo manhoso sorna. Como um gigante devagar
e sempre. Pesado pesadão carregado de gente e carga e toneladas. Um desafio
pela frente e nas alturas. Voar mais alto que as nuvens, se for permitido.
Gente que olha pela janela e se empolga com as coisas pequenas lá embaixo.
Passageiros que nunca pensaram em voar como os pássaros.
- Eu adoro viajar de avião. Quando
nem chove venta... que daí vai que balança...
- Oquei! Nem sei se gosto ou nem
gosto... Preciso viver para crer, é.
- Navegaremos voaremos em instantes.
E afrontando o futuro. Marcharemos para lá - entregou o Tácito. - E em linha
reta ou com pequena curva na menor distância.
- Desanuviados desnublados sem
nuvens e céu limpo impecável transparente...
- Confere. Céu capacitado avião
capaz pilotos capazes horizonte firme...
Logo o avião pegou a cabeceira da
pista. Que coisa rara! Sempre o avião ficou com os motores furiosos e no
máximo. Que coisa real! Todo de metal tanque cheio asas turbinas par de pilotos
focados as costas no encosto da poltrona celulares modo avião. E quase sem
aviso aviso mesmo... arrancou para o fim da pista em frente e em carreira de
cem metros rasos. Recorde de velocidade! Pegando velocidade de quem ia
definitivamente se atirar nos braços do ar... tremendo trepidando um pouco... e
o sossego de subir no vazio sem peso e leve... a barriga o corpo com a
impressão sem peso flutuando alçando voo... Que coisa legal! Com força nos
motores e subindo. As casas virando caixinhas de fósforos a cidade como vila de
brinquedo de montar maquete. Tudo mais conforme visto de cima. Frio na barriga
uma fisgada incômoda e um vácuo desolador no estômago, justamente tudo momentâneo
esquisito desafiante sem volta. No bojo da nave no estômago do pássaro no bucho
da baleia voadora. A sensação de voar e voar é chique e desejo de consumo. Sem
tempo! Lacônico!
- Estou dentro engolido por uma ave
gigante e pós-moderna contemporaníssima!
- Que ideia, pai! Que é! - reclamou
a mãe, preocupada em verificar o tamanho dos prédios das ruas da cidade inteira
os talhões de terra cultivados os cercados cercanias sertão e sem falar das
montanhas a serra do Espinhaço e Barão de Cotegipe e Jacutinga e Barra do Rio
Azul e Guaporé e rio Salgado mais o açude Tatajuba.
O atendimento a bordo no meio do
trajeto é um ritual e uma atração à parte. Os vídeos os filmes o lanche o
almoço os sucos de maracujá de laranja a água de coco o sorvete de açaí com
pitanga. Nada mais acontece. Por mais alto que está, nada a ver.
- Em caso de emergência fique calmo -
dizia de-boa, em bom brasileiro e ou inglês, a comissária de bordo no crachá
dona Abuta Fasquia. - Sigam as instruções.
O avião estabilizou e todos ficaram
mais calmos ou procuraram procurando se distrair alguma coisa pra fazer. Voo
cruzeiro, 10.000 metros (30 mil pés), velocidade de 850 km/h (450 nós) - que é
o que dizem que fazem e o procedimento padrão.
Nunca se sabe o que um avião é no
fundo. Que há de ficar isento à curiosidade popular/impopular. Hoje, hoje
mesmo, as coisas ficam e vão voltar pra mudança.
Que a mãe ajeitou a aconchegante
almofada de pescoço no encosto e fechou os olhos castanhos. O pai Tácito
escolheu um filme “Os Párias”, com ambientação no século 20 e cenário num lugar
qualquer da meia-ilha caribenha. A menina olhava pra fora pra fora... e tentava
identificar aquele rio... nem identificou nem adivinhou nem poderia acertar o
rio Gualaxo do Sul, perto o rio do Carmo e já no município de Acaiaca (termo
palíndromo e tupi-guarani quer dizer, “cedro-brasileiro”). O Realejo já tinha
encontrado um gueime jogo de mata-mata e estava muito a fim entretido com o
negócio uma disputa entre duas comunidades rivais “Lãs Churras” versos “Os
Marchetados”. Estes jogos de guerra, e tudo nada sem as evasivas ou de modo
vago os subterfúgios.
- Que rio é aquele aí, pai? Será o
rio Paraíba do Sul? Pode ser, nem? - menina Inajá muito interessada em aprender
geografia topografia ecologia bacias hidrográficas.
- Hum!... Deixe ver... É, é o rio
Itabapoana... entre rj e es. Que do tupi é “corrente de água de rio”, numa
tradução livre e vulgar. Que vamos fazer, né?!
- Que curioso, né, pai?! Olha!, é
uma boa duma vantagem saber disso e vendo por cima igual um drone uma ave
harpia... Uau!... que que é isso meu pai!
- Vai serpenteando pro mar, é. E
cada pouco e pouco recebendo adjutórios.
- É como igual... achar uma agulha
num palheiro, eu digo. Incríiiivel!...
- Verga mas nem quebra. Corre mas
nem cansa. Arrasta mas nem perde.
- E vive da própria chuva.
Inacreditável! E direitinho sem mais aquela...
- Entra e sai estação, ano a pós
ano, lua após lua, copa do mundo empós...
- É mesmo. A pergunta com
esclarecimento... Quem inventou o espaço aéreo?
- Aí você me arrasa, bebê! Acho que
vou meditar mais um pouco, já viu?!
A situação era de pedir calma e
paciência para o pensamento. E se distrair com algum passatempo insosso. Tem
gente que acha difícil e pena. Muitos preferem dormir cochilar, se for o caso.
Poucos vão tentando sustentar uma conversa... que às vezes incomoda o vizinho
de voo. Outro tenta filosofar sobre tudo e nada. Este sicrano de terno e
gravata careca óculos escuros bigode fino brinco na orelha, debalde invectiva
convida insiste mesmo persiste reclama que o seu ouvinte meio ouvidos moucos
escute ouça suas aventuras por outros voos passados antigos voados milhas e
milhas. Sobre o mar montanhoso de Minas, serra do Mar, e tudo bem. As montanhas
em ondas de ferro.
- Um dia um garoto igual a mim,
sonhou chegar ao espaço o cosmos e como astronauta ou cosmonauta. O caminho em
terra, estudar muito. Chegou um belo dia e viajou para o espaço interestelar.
Ficou em órbita. Olhou pra Terra, era uma bola como todos afirmavam. Sonhou que
ao voltar realizaria um sonho de infância. Estudou num colégio perto de casa e
todas as tardes jogava pelada no campinho. Já projetava jogar muita bola chegar
num grande clube da primeira divisão e virar um craque. E sempre.
- Oi!... Deixem que me apresente. Eu
mesmo o degas, sou e me batizaram Meco Boa Maquia. Eu entendo muito de
estereótipos. Querem debater sobre isto sobre este assunto, senhores e
senhoras? - era um rapazola da poltrona 18 (que na cultura oriental tudo que
tem oito dá muita sorte e riqueza), com uma postura um recacho de arrogante
vaidade ou fatuidade. - Viajo povos culturas hábitos costumes que me
surpreendem.
- Ótimo, né?! Olhando daqui... o
chão mudou muito. Desde a última vez... Sim, estou ultrapassado defasado
atrasado descompassado. O rio dos Papagaios, que pinta e borda e costura e
Balsa Nova e Contenda e Porto Amazonas e Campo Largo, uai!...
- Cultura popular, hem! Um fato de
todo em tudo extraordinário extravagante.
- É nosso e bonito! Quantidade há
mais de 500 anos e 5 séculos de história, é.
- Sim, comer açaí. Os ultrajovens e
a praia favorita. Que deitam e descansam.
O pai Tácito pegou no sono e o filme
ia sozinho, no mas. O Realejo ia ao banheiro perto da cabine do comando e isso
mexia com sua curiosidade - esperava espiar alguma coisa (e quem sabe alertar
sobre um perigo iminente). A irmã se voltou para dentro e pensava quando chegar
a Cabo Frio ou Bertioga ou Paranapuã ou Maranguape (nem sabia ao certo quem
vinha primeiro como era na sequência). A dona Gaipara fazia tricô ou crochê
(dobadeira dobadoura urdideira tecedeira, coisa para relaxar, produto de ornar
enfeitar ataviar embelezar, um assento de panela cor verde-escuro), para nem
pensar no avião caindo se esborrachando se espatifando mil pedaços sem sobrar
nada tudo caquinho (como já cansara de ver em filmes de premonição e
longas-metragens e encontros do outro mundo com extraterrestres noites obtusas).
- Em instantes estaremos passando
com o carrinho dos lanches e bebidas, obrigada! - comunicou pelo interfone a
aeromoça dona Pantomima Alcova, e uma voz calma suave em surdina bem de titia
empostada radialista comunicadora de primeira.
O Tácito sonhava suas peripécias
mais Gaipara e viajando de motorhome trailer motocasa veículo recreativo e
desde o Chuí (constituída principalmente de brasileiros uruguaios e árabes
palestinos) até o Oiapoque (em tupi, ‘casa
dos waiãpi’). Esse tempo de expansão foi entre a lua de mel, durante a lua de
mel, e o advento do primeiro rebento filhote herdeiro descendência cria. Aí
voltaram pra casa e se preparar para a maternidade e paternidade. Mas que o
gosto de viajar ficou, ficou. Graças por sorte a um dispositivo simples, o
desejo. Viajar com a própria casa e sem roteiro fazendo a rota na hora no dia
conhecendo o vasto B. Por sorte graças a um dispositivo simples, a sorte.
E sempre vêm chegam as lembranças os
lugares as estradas que andaram cidades que passaram conheceram viram a placa
na beira do caminho no acesso entrada/saída no pórtico característico... ‘conheça
e desfrute de Vespasiano Corrêa, Erval Grande (o município possui os seguintes
rios, rio Toldo rio Douradinho rio Jacutinga rio Lajedo Grande), Itatiba do
Sul, Faxinalzinho, Paraí... Sonhava Tácito com direito a diálogo e riso e
surpresas boas a maioria maior parte boas recordações da aventura. Aventuras
repartidas com as redes sociais os inscritos os seguidores do canal ativar o
sininho.
- Se olharem pelas janelas ou
escotilhas, e isso dos dois lados da nave, verão que estamos sobrevoando a
lagoa Feia. Ela é enorme e pois tem esse apelido mas é um nome carinhoso do
pessoal da região. É alimentada majoritariamente pelos rios Macabu e Ururaí...
triiiimm!... (som de campainha desligando) - a fala bem postada voz tranquila
como água de poço acalanto da amigalhona Leiva Chimpada, comissária de bordo e
nem aeromoça (que este um apodo é pejorativo escandaloso e nem gostam
preconceituoso jocoso desvairado em desuso politicamente incorreto e mesmo já
em alguns casos faltar com o respeito acinte provocação provocador,
ínfero-lateral).
- A mãe nem acha que devia ser um
nome mais bonito pra lagoa, nem?! - questionava a menina Inajá, sempre atenta
às injustiças praticadas aí no mundo. - Pobrezinha da lagoa e seu montão de
água boa limpa pura incolor transparente saborosa.
- E ela já se acostumou. Vai fazer o
quê?! - lembrou a mãe. - É coisa da política.
- Por-ce-la-na!... Tem que mudar o
nome para... uma sugestão muito simples: mudar para Bonita. Ora, uma lagoa
Bonita! Sem ironia. Uma lagoa universal.
- Oquei! Vai falar com o senhor ibge
e seus geógrafos de topônimos, então!
- Quê?! Por mim, ainda hoje. Onde
ele mora? Em Botucatu, Entre Rios do Sul, Ponte Preta, Campinas, Campinas do
Sul, David Canabarro, Vila Flores? Me diga!
A vida a existência a sorte de mais
de 110 pessoas fora alguns mascotes do compartimento de bagagem, cruzava os
ares ali pela tríplice fronteira de mg-rj-es. Lá no fundo da charneca do poço
do fojo do gorgomilo, vamos dizer assim e sem aversão antipatia ojeriza, umas
montanhas bonitas um verde eclético um rio serpentina a reserva biológica
ambiental de Guaçuí. De repente aponta aparece ao lado o Pontal de Atafona, que
Atafona distrito de São João da Barra, um aparte um pedaço de terreno atufado
atulhado entupido de areia areal e guloso lambaz lambareiro de oceano e água salgada.
- Quem vive em Atafona deve ser tudo
gente boa, é - solilóquio de madame Gaipara, ou falando para seu artesanato,
parado parado no meio vai nem vai. - Nossa! Que que é isso! Morar no litoral a
praia o mar as aves marinhas os barcos os navios cargueiros. Parece coisa do
outro mundo e de pessoas privilegiadas. Eu sim queria assim, ufa! Pegar a balsa
o catamarrã para encontrar uma ilha ou outra ilhota.
Daí a mãe suspirou mais um pouquinho
escorregou um tanto na poltrona e voltou para a sua manufatura. O pai soprava
fundo seu fôlego de maratonista de motorhome, e pra cima pra baixo do B. A
Inajá prestava atenção que tem gente que nem consegue se acomodar parar de
andar sai do banco poltrona e vai ao banheiro e volta e mexe e encosta em a
outra poltrona acento falar com alguém e volta e senta e levanta e vai dali uns
15 minutos ao banheiro e blatera e blasona e cachina, etc., parando às vezes
para logo lembrar e seguir e continuar. E o Realejo já perdeu as contas a noção
de tanto que jogou que perdeu que trocou de jogo que passou para a tevê os
filmes gravados do canal multisséries desenho animado e de viajantes do tempo
uns seres que tinham o poder do teletransporte e virtuais ou invisíveis ou
transparentes como vidro de durabilidade diversa e infalíveis contra quaisquer
tiros e armas atômicas ácidas e superpoderosas. Era possível ter os poderes de
destruição que eles os banditos tinham.
- Senhoras e senhores passageiros...
por favor, apertem os cintos que estamos fazendo procedimento para pousar no
aeroporto Eurico de Aguiar Salles. Oquei, tá certo! O céu está muito aberto e a
temperatura em Vitória-es está na casa dos 20ºC. Obrigada pela atenção e por
escolher nossa companhia... triiiiimm! tliiiimm!...
Tudo lá fora um horizonte. Tudo
horizontes tudo gente tudo povoado tudo rios e estradas ziguezagueando. Umas
têm nome outras são familiares contubérnio coabitação familiaridades outras são
próximas parecem familiares ainda que soa familiar.
- Nem olhe agora... mas... o poço
daqui até a terra é imenso. Que que é isso!
- Te apoio! E que é mesmo surreal...
hem?! Ao mesmo tempo... mágico.
Se você repara bem na paisagem
arbórea arboral, o que te chama a atenção? Que todas as plantas são verdes ou
que na vegetação predomina o verde? Se você olha o rio desde cima com olho de
como se fosse um pássaro um gavião-de-aruá, o que te desperta a atenção? Que o
rio sabe seu caminho e segue pro mar? Que o rio é mais sábio do que parece? Que
a montanha atrapalha mas nem desgasta? Se alguém pronunciar... “porrrrta!”,
você acha que é um uma viajante do espaço aéreo natural de sp e fala cacuminal
consoantes cacumes cacuminalidades? Originário de Paulínea ou Cosmópolis ou
Nova Odessa ou Elias Fausto? Fala urbana ou rural? Fala padrão ou informal?
Duas excessivas uma explicativa a prolixidade. Fala temporal ou secular? Quem
argumenta.
Trinta minutos depois a família no
chão e com os cachorros sãos e salvos. O reencontro com os bichos foi muito
contente comovente e de ambos os lados; passageiros de classe econômica ou
quinta categoria, nem importava. Vem de lá aquele abraço com ledo sorriso. Os
cães domésticos sentem tanta saudade de seus donos, é!
- Como foi a viagem, Trempe e Totó?
- a menina tentando reatar a confiança nas crias. - Eu senti muita muito falta
de vocês, e podem ter certeza do que falo! Vocês são o meu tudo o meu chão o
meu amor a minha paixão o meu negócio o meu mistério, é.
- Da próxima vez vocês ficarão junto
da gente, valeu?! - prometeu o Realejo, já meio emocionado com o reencontro. -
Pagaremos o que for! Pagaremos adicional!
O que passava pela testa moleira
testo dos cachorros era lamentar o tratamento indevido fora de contexto. Um
focinho tolo estólida cara, olhar que ressuma ressumbra transparece o sandeu a
sandice a toleima. Porém tudo voltou ao normal e os donos voltaram e tudo foi
restabelecido. No fim e ao cabo, isto é o que importa. Até acharam que tinham
sido abandonados, mas nem. Entre mortos e feridos, ninguém se machucou. É assim
o mundo. É como funcionam as coisas, propriamente. E que nem se repita. O mundo
dos cachorros e mascotes em geral são os braços afagos carinhos dos seus donos,
e atrelado a isso a hora da refeição e na hora certa habitual sem falta.
- Au-lau-lau!... “Nem queiram saber
a metade da história e o que passamos” - dizia ululava o Totó, e poder-se-ia
traduzi-lo. “É como perder parente, entendem?!”
- Isto merece uma comemoração! -
gastou o pai. - Um sorvete es-pe-ta-cu-lar!
- Oi!... Então pode ser uma pizza
gigante tamanho família - completou a mãe.
- E olhe que a Trempe e o Totó
merecem e merecem mesmo! - enfatizou a Inajá, depois de mais uma vez beijar e
rebeijar as mãos as orelhas a boca... dos afilhados.
- Que os dogues escolham o que
querem comer e beber - propôs a Gaipara.
- Oh, sim! Já da minha parte sugiro
um sorvete de 4 a 5 conchinhas, e só pelo começo! - ideia de Realejo e que
todos riram, gargalharam, cascatearam, comemoraram.
- Vamos nessa, kjá-kjá-kjá!... E é
mais que bom à beça, gente! Oquei!...
- Qual que é, meu! Deixem eu
falar... Minha família sempre decide por mim...
Saíram do saguão para a rua Latagão,
e o trânsito tomou conta um tumulto só e constrangedor. Foram pegar um carro a
uma locadora: Ronda & Cinge veículos. Acomodaram a bagagem centos balaios e
cada um no seu lugar preferido ou que puderam alcançar. Papai de chofer, dirige
e guia mãos no timão. Avenidas movimentadas por todos os lados semáforos
enchendo o gargalo até saturar. Por este lado, aquele outro, aí mais adiante,
dobra contornando a praça Teleológica e as avenidas Macu-Nadebe com a Cornélio
Pires, à vista o parque Pedra da Cebola e com exemplares e vestígios de mata atlântica
e de restinga e ubiratãs, cotós, laranjeiras-do-mato com amigação das
guirarepotis, vassourinhas-doces, canaranas (me contaram esses dias e as fontes
compensam a lealdade: ibge, ah, fgv, unb), avenida Comissário Octávio Queiroz,
a rótula ou praça Wolghano Netto e isto ainda no centro quente gigante da
cidade de Vitória (capital espírito-santense ou capixaba). Uma capital ilhada e
ponteada.
- Uai!... E esta é uma ilha, a ilha
de Vitória. E daí, gente?! - interrogava a Inajá, como querendo dizer que se
vai e se escapa de uma ilha para procurar outra.
- A ilha que vamos é praticamente
deserta e menor menor, né?! - explicava o pai. - Nada a ver, uta! Uma ilha
menos concorrida menor pronta pra sonhar.
- Puxa vida! Nem precisava dizer,
todavia! Aventuras e outras informalidades.
- Uma ilha lembram perigos riscos
tesouros piratas baús e outras descobertas.
- Confere! Sim, porque todos temos
uma ilha dentro da gente. E muito legal.
O carro seguia o caminho previamente
planejado no mapa no gps e assim por diante o combinado. Seguindo o fluxo o
roteiro. Tudo que uma cidade grande tinha de exagero estava ali e lojas de
vestuário, brinquedos, roupas prontas, ferramentas, hotéis, tele-entrega e um
magote amontoado porção de quiosques. A avenida pesada movimentada Fernando
Ferrari. Uma ponte que dizem a ponte da Passagem. Uma ilha a ponte as pontes o
continente. Um aglomerado de gente que se fosse pensar...
- Dia claro está! Eu nem falei que
era uma ilha?! - degustava a mãe diante do interesse dos filhos e animais
irracionais olhando o mar o canal sob o elevado.
- Uma ilha é sempre engraçada,
ahahahah!... - ria o Realejo, fazendo todos rirem especialmente latir Totó e
Trempe. - Uma ilha de arcas e moedas enterradas perdidas.
- Quem sabe, né?! Uma confraria de
caçadores de tesouros e outros trecos...
Agora sem dúvidas a avenida NS da
Penha e a rodovia do Sol. E a cidade e sua gordura iam ficando pra trás aos
poucos desinchando espaçando e tomando trocando sons mais suaves e tons mais
leves. Para daí em instantes chegarem à famosa e denominada decantada, br-101
(e de um só trago sorvo hausto haurido), ‘vru-ruuuu!...’
- Justamente. Podemos e devemos
parar pelo caminho até o destino final, tá legal?! - lembrava o pai. - É só pedir
que a gente estaciona onde a família achar melhor.
- Oquei!... Pode correr a 100 por
hora? Manda vê e pé embaixo, pápi!...
- Sensacional! Pode cantar pneu na
curva, riu-uiiii-uiiii!... Ótima ideia...
Logo de passagem por Muquém de São
Francisco, acharam melhor dar uma paradinha um descanso endireitar o esqueleto
à beira do caminho. Estacionaram o carro num espaço apropriado, um belvedere um
ponto de vista um sítio com árvores mata e imbaúbas e embiras e chupa-ferros e
touceiras de cirreias e um descampado um haras cheio de cavalos alimárias de
raça puros-sangues pastando ou trotando batendo as mãos e os pés disparando, ‘popotocó!
popotocó!...’ relinchos, ‘ih-éeeeee!...’ e guinilhas marchas estrupidos. Mesmo
agora erguendo a testa comprida as orelhas acesas alertas e com tudo bem
dispostos cheios de saúde e vigor nos trejeitos caretas gaifonas visagens
rezingas, já assim verdadeiros exemplares indomáveis irretocáveis
impressionantes garbosos colossos. O potreiro com exemplares de encher os olhos...
impressionante.
- São e salvos! Bem sortudos fortes
fornidos estão aí estes tipos, hein?!
- Veja! De ótima raça e estirpe e
linhagem e boa cepa - conferia a mãe.
- Podem atingir uma boa velocidade. Uau!...
Bem estumados provocados estimulados açodados, podem passar rapidamente dos 80
km/h - colocava o pai Tácito.
- Quantos dinheiros gimbos jimbos
jimbongos jimbras vale este plantel, né?!
- Acreditem. No tempo dos tememinó
abaré uanano... nem havia cavalos, hem!
Quando o carro para, o navio atraca, o
avião pousa, o trem estaciona. Como convencer concitar persuadir o espírito que
os olhos nem cansam de olhar?! E por que paisagens vales verdes mato com
passarinhos rio gingando retouçando entre tudo isso. Lugar que escolheram morar
e criar raízes as jacitarapuís, cipós-de-carijós, jarapés ou capins-sapês,
cabos-de-lança, braquinemas, parietárias-verdadeiras, epicaules (do tipo
parasitas ou epífitas). Lugar que decidiram ficar e voar revoar os
sabiás-do-banhado as siriritingas ou os bem-te-vis-rajado os inambuus os
ajuruetês ou papagaios-verdadeiros. Estes tinham uma sorte uma magia um
encanto, rindo estridentemente rinchavelhando retinindo trilando. Toda uma
flora e fauna um povo aclimatado inspirado reflexivo gente seres de bom-senso e
boa vontade já gratificando dando alvíssaras. Que D sabe leva defende salva e
faz tudo. Que D pintou bordou ornou e ainda confere diariamente.
- Credo! Um dia vamos comprar um
cavalo, tá certo?! - decidia, empolgando, o Tácito. - Acho um animal muito
nobre e digno, hem?! Já parecem semideuses?!
- Ora e ora! Teremos os cavalos de
olhar, fosforescentes, animais de hipódromo de feira de exposição; e os cavalos
mansos pangarés sendeiros, para andar de montaria.
- Ué e opa!... Uma boa coleção de
pelos e castas laias jaezes feitios.
- E passear de charrete com uma boa
parelha e vendo conferindo a propriedade. Igual que faziam os grandes
fazendeiros da época antiga, sabem?! - emendou a mãe.
- Uma charrete chique de 4 rodas e
uma parelha de equinos no cabresto brida rédeas freio cabeção arreios estribos.
Tudo de apetrechos, pelegos buçal buçalete focinheira fiador cedeira cernelha barrigueira
cilha sela. Eu me lembro do meu pai falando da época do meu avô. Foi aí esses
dias e eu era garoto e eu ainda queria ser boiadeiro cavaleiro amansador de
muares. O craque do rodeio de peões em Barretos.
- Nem me fale em tanta coisa por
fazer nesta pequena parte do dia, né?! - completava a Gaipara, Gaita. - Uma
aventura que podia ser e mais. Uma pena pena!
- Por que nem andamos a cavalo já e
agora? - pergunta pertinente de Realejo.
- Coitados dos cavalinhos, nem
merecem! - sentenciou a Inajá. - Devem ficar azoados enfadados aborrecidos e
com vontade de dar um coice. Eu nem me admito.
- Você tem razão. Eu vi uma
entrevista de uma famosa que comprou um cavalo e tem pena de andar nele. Ela
disse, e abre aspas: “Eu tenho receio e dó e pena de ofender a alma do meu
cavalo, o Mufumbo.” E completo: eu também teria.
- Já o cavalo nunca se queixa nem se
aporrinha apoquenta aborrece - colocou a mãe Gaipara (se, se: próclises, colocação
dos pronomes oblíquos átonos).
- Outrossim! Tem cavalo que gosta do
dono. E aprecia ser mimado todo dia.
O mar pega uma maré e tenta eliminar
as ervas daninhas monda arranca corta joga as raízes ao sol quente, a terra
pega um vale uma várzea e conspira cabala intriga faz de conta, o céu pega um
sopro pé de vento e cupincha comparsaria parça parceiro.
Tinham que chegar à ilha prometida
antes do anoitecer. E se acomodar na casa de aluguel. E chegar sem atropelos. E
a distância ainda requeria demandava os km. Entre o ponto que estavam e o
destino lá na frente, cruzariam por pontes morros túneis montanhas cidades e
Buritirama e Mansidão e Cotegipe e Barra-ba (que esta já foi Vila de São
Francisco das Chagas da Barra do Rio Grande) e Pilão Arcado e Porto de Moz.
- Pa-lan-quim! Velejar é melhor que voar,
ou vice-versa? - refletia o Tácito.
- O quê, pai? Tá falando sozinho ou
eu acho que sim?! - perguntou a mãe.
- Estava pensando alto e
aleatoriamente - explicava Tácito. - Eu mal conheço estes litorais do Espírito
Santo. Isso, eu quase desconheço os litorais da ba de se de al.
- Rímula! Que me conta? E no final
das contas... Primeiramente se.
- Convido, oquei?! Céu mar terra,
cada 1 vale por si só e então nem vale 1 pelos outros 2. Vou te contar: curioso
imprevisto extraordinário sensacional espetacular.
- Sim, é isso mesmo. Me desvaneço.
Ato de influir influxo influência, noé?!
Quando se aprende na História com h
maiúsculo que o padre Anchieta andava aí catequizando (voz ouvida estentórica
possante retumbante, abuna e ou abaré) os autóctones os tamoio os potiguar os
caiapó-pau-d’arco os aticum-umã; fé e espada. Ensinava religião e português aos
índios e aprendia tupi-guarani ou nheengatu cacofonias. Troca de presentes
enfeites pinturas desenhos corporais e às vezes brabos bravos troca de
flechaços clavas bordunas tacapes tangapemas. Mais ou menos assim. Boatos? E
meritório honra ao mérito digno de apreço favor elogio recompensa.
- Que coisa! Isso faz uns séculos e
tanto, gente! - digeria a Gaipara. - Eu tenho saudades hoje daquela época
tão... tão tumultuada ou mais tumultuada. Guerras de índios contra brancos,
invasão de piratas europeus excomunhões anátemas maldições.
- Topo! O litoral infestado de
corsários e piratas valentões brigões - já respirou fundo o pai. - Sempre me
lembro disso, tá?!... Sempre quero ler sobre, oquei?!...
E bucaneiros e espadachins com as
tatuagens cicatrizes estigmas garruchas bacamartes marcas sinais de lutas por
onde passavam e já tinham passado. E abordagens abalroamentos tumultos confas
bafafás bagunças, rapinagens raptos e rapineiros. E sequestradores de vilas
povoados e troca de tiros flechaços canhonaços. As frotas de caravelas naus
navios a vela e de bandeira amiga ou inimiga bandeira negra da caveira com as
tíbias cruzadas. Dizer tudo em cinco minutos é, ufa!, cansativo extenuante.
- Caluda! Tesouros enterrados nas
ilhas de areia fofa. É o que viemos buscar com nossas férias de verão, gente
boa! - afirmava colaborava a mãe. - Nem sei se é verdade que ainda existem, mas
que estão por toda parte, ah!, isso eu tenho certeza.
- Têm piratas de São Pedro da Aldeia?
- boa pergunta da Inajá. - Quem me dera!
- Ou-ou-ou!... Tem um mapa do
tesouro pra acompanhar de perto, hem?! - boa questão questionamento de Realejo.
- E com gritos de encontreeeeei, oh-oh-oh!...
- Praticamente. E estamos em busca
de um antro uma caverna uma furna uma pedra com marca de giz gizada riscada e
rabiscada em x. Alguém me acompanha?
- Oi!... Pago pra ver. Assim parece
bom e boa coisa pra se fazer, é.
- De praia todo mundo curte. De
folga todo mundo entende e aceita, ahahah!...
E continuaram avançando continuando
a avançar pela rodovia duplicada e um ícone do país, br-101. Recém já passando
passaram por Wanderley e mais à frente ainda passariam de passagem, sem
paradas, por Morpará e Ibotirama e Melgaço (melgacense). Que pareciam todas
iguais e no mesmo dia no mesmo tempo e Pereiro e Cedro e Poço Dantas e Iguatu
(que o município prestigiava patrocinava apoiava divulgava a festa da mexerica
da erva-mate do doce ou geleia de jabuticaba da colheita da cana-de-açúcar de
NS das Mercês de São Sebastião o carnaval a micareta rodeio de peão olimpíada
de matemática). Sobre o rio Téa em a ponte em arcos um cartão-postal, parada
para uma pose a foto um vídeo. Todo um conjunto uma obra arquitetônica e talvez
até no mesmo espaço no mesmo sonho e logo plasmadas modeladas na consciência
memória.
- Juízo, hem! A estrada sem um fim, pelo
jeito - queixa de Realejo.
- E tem os seus encantos e curiosidades
e novidades. Viajar é um privilégio. É um modo bom de viver - filosofando a mãe
Gaipara. - É um estilo perfeito, né, calé?!
- Um compromisso. Oquei?! Nosso sonho
vai se realizar! No caminho de!
Uma chuva boa no entardecer e quase
chegando chegavam à ilha de Pargos. Esta a ilha pretendida e premiada
concretamente efetivamente. Chuva boa refrescante e melhor ainda polvilhando o
ambiente. Chuva ótima de boa qualidade. Assim mesmo para sopear e frear a
sufocante temperatura o estonteante clima a quente estação, detendo sofreando
contendo a estação quente. O sol solenizador solenidade, retroalimentação
autorregulação, ora aparece ora se esconde entre as nuvens. E cheia no rio
Uneiuxi e vazante no rio Jurubaxi. Está esperando o quê?
E chegaram à cidade de Cabo Frio
(nome prenome sobrenome pseudônimo heterônimo e que no caso distingue um lugar
específico topônimo na carta no mapa geográfico). Era pelo pronto retorno das
17 horas. A bela ponte Feliciano Sodré, capela de NS da Guia, a rica e badalada
praça das Águas, avenida Hilton Massa e a Almirante Barroso, ilha do Japonês. E
tudo em pouco tempo, meia hora, alguns minutos, reticência... Os elogios os
louvores se distribuem com gosto e satisfação resonância.
- Vejam! O município das mil ilhas e ou
arquipélago sorteado! - anunciou o pai.
- Mil ilhas? Nem é muita ilha e
demais?, ahahahah!... - alertava a mãe.
- Bem, acho mesmo que são umas cem
ou cento e dez... aí-aí, entende, amorzinho, tchutchinha?! - emendou o Tácito,
orgulhoso dos seus cálculos e agrados.
- Na real eu só ouvi hablar de duas
ou três, sendo sincera - voltava Gaipara, e assim era a índole dela do seu
jeito de dizer falar do seu modo de contar recontar.
E podiam realmente ter escolhido e
se abrigado nas ilhas de todo tipo e tamanho que havia muitas no mar em pleno
oceano. Cada uma com sua peculiaridade, tá justo!, a ilha dos Dois Irmãos e dos
Capões e do Gravatá e de Âncora... mais um rosário delas uns búzios jogados na
magia imaginação da sorte da criação dos 7 dias divinos de D.
- Uaaaau!... Sempre se chega? Aqui
mesmo o paraíso gastou tudo que podia!...
- D tá vendo! Que os astros e
estrelas nos favoreçam! Igual que hoje!
Deixaram definitivamente o carro na
garagem oficina loja da locadora Cônsul-Alinhavar (esta empresa atende todo o B
e desde novembro de 1960, transportar aduzir conduzir trazer levar) da rua
Miguel de Oliveira Couto no bairro Cabotino Boêmio. E aí mesmo já imediatamente
pegaram o catamarrã Cabriolar e já para a ilha de Pargos, que era o ponto final
e por umas semanas. Dias parecidos e de crebros recorrentes frequentes gorjeios
dos pássaros terrícolas e arborícolas das aves marinhas e praianas e serranas.
Uma brisa um vento forte com sobe e desce da maré. O mar sempre aí.
- Caminhem, venham, aviem-se! - já o
pai tentando acelerar os retardatários. - Caminhar mais uns metros e estaremos
lá perfeitamente. Já podemos ir relaxando.
- Amanhã de manhã estaremos são e
salvos - amaciava o ânimo da galera a mãe.
- Que ilha nos espera? - pensou alto
a Inajá, carinha sincera de milagre e feitiço.
- Quê? E nem é assim? - perguntou
Realejo, determinado a dormir dormir.
- Gente! Digo muito e nem justifico
nada - o pai Tácito, desistindo de pensar.
- Cem por cento, concordam? Haverá
êxito, teremos sucesso, surtirá efeito - a Gaipara e Gaita, tentando quem sabe
e sim incutir influir no ânimo da galera.
- Hum!... Se viu isso onde? Pra que
tanta noção?! Vou abrir os braços, enfim!
Olhar o céu noturno os movimentos
cósmicos, vamos dizer assim. Demora tarda tardinhar e à tardinha de tardezinha.
As sombras vão subindo do chão com o cair do sol do dia lá no poente oeste. As
corujas-buraqueiras esperando na porta da toca. Pirilampos vaga-lumes
despertando entre as macegas maceguento macegal capins-de-burro
carquejas-amargosas quinas-do-campo guaximas vassourinhas-miúdas
anzóis-de-lontra. Morcegos ruflando asas em voos temerários e procurando frutas
flores doces néctares nos pomares jardins jardinetes. Um grupo de tatuetês
(cinco deles e fortes grandes brutos) em direção o cemitério as catacumbas
mausoléus tumbas. E assaltar roubar (às costas a picareta pá enxada quicés sacos
de linhagem) e ir a despojar espoliar saquear defraudar os indefesos falidos defuntos
mortos(as) em suas crateras seus buracos covas.
No alto e os distantes anos-luz,
presas bordadas tecidas cerzidas na pele do firmamento, as estrelas aparecendo
desencantando encantadas. Estrelas em silêncio. E como brilham rutilam! Em
sossego e na sombra do universo. Vamos contá-las e perder o senso?! E é isso
mesmo que elas pretendem. Elas parece que são todas e tantas. E agora
estrelas-cadentes outros aerólitos meteoritos naves espaciais óvnis os tantos nem
identificados. Os cães ladrando uivando rangendo os caninos para a noite e interrogando
ou interpretando. O planeta Terra invadido por seres invisíveis mundos
paralelos. Noite clara aberta estrelada e do nada propício favorável para
aparecer discos voadores extraterrestres ou fantasmas corpos insepultos e todas
as coisas seres dos outros mundos, além aquém. Como é isso possível? Com que se
justifica? Onde moramos?
Segundo sabem relatam discutem os
entendidos e me contaram os documentários aí, e em séculos os gregos egípcios
persas: a constelação do Escorpião está assim mesmo desenhada cintilante no
zodíaco. E como uma figura mesmo. Em o mês de novembro o sol cruza passa sobre
essa tal e qual Escorpião. A distância de nós é muito vasta grande demasiada
enorme alterada e elevada para se medir mensurar com perfeição perfeitamente
precisão de acordo com nossas medidas comuns. Nesta honesta constelação
aracnídea, estão as mais bonitas espectrais atrevidas radiantes das 3 chuvas
meteóricas de meteoros. Quem acredita que se habilite! Mas enfim, isso
impressiona muito e difere do corriqueiro. E temos aí em Escorpião a estrela
Sargas, que na bandeira do B representa o Estado de Alagoas. Outra é Antares,
estrela super mega ultragigante e que se vê da terra maravilhosamente. E estão
aí imediatamente para todos desfrutar e cansar de olhar. E pouco se sabe a
respeito dessas caras desses caras. Trouxéramos.
Devidamente acomodados e instalados,
a família só tinha que comer e dormir para amanhã aproveitar o dia de sol. O
cansaço da viagem ajudaria a pegar o sono direitinho. Um pealo um tombo. Daqui
até lá embaixo! Sonhos fagueiros meigos. Dormir e sonhar o onírico dos mundos.
Embalados em cadeira de balanço.
- Vige! Uma comidinha leve pra
dormir logo logo - decidiu a mãe Gaipara.
- Eu já tô indo, meu! - o Realejo,
já se despedindo com até mais.
- Então durma bem e até manhazinha,
tá certo?! - incentivou o pai Tácito.
- Oi, gente! Posso dar mais ração
pros cachorros? - argumentou Inajá.
E aí se ouviu um pio de suindara lá
fora lá fora. A família ficou ouvindo caso a coruja piasse mais. Os cachorros comiam
ração e bebiam água na tijelinha compartilhada, como bons bebês como casal
comportado. E a suindara voltou a piar chirriar outras oportunidades. Quer
dizer que a noite era dela, e mais além. E o fremir a voz das ondas do mar, ‘bro-lo-lôoooo!...’
que estavam ali por perto também.
Esperaram tudo, telegrafaram ponto,
apoiaram todo, consertaram tanto.
A noite longa de noite comum avançada
os olhos acesos luminosos da onça-pintada... já a felina totalmente sentada
igual costumam os cães caninos... bizoiavam reparavam olhavam vasculhavam aí
mesmo bem pertinho a ponta de areia a praia da Tartaruga. O mar batia roupa nas
pedras as ondas rolavam areia areal expandiam real a primeira a principal a
primazia da enseada. Com a participação da lua nova das corujas insones dos
morcegos famintos sedentos rasantes. Passava passou por acaso entre idas e
vindas uma bacurau-rabo-maculado que notou viu identificou a fêmea felina aí...
esta observando admirando bisbilhotando o acaso o caso a caso do mar marítimo...
e logo de pronto fez foi a ave telefonar telefonou informou aos órgãos públicos
competentes competitivos comprometidos os agentes do código civil. Sem delongas
tardar 10 minutos já chegava surgiam chegou resgate por terra e mar e ar,
terramarear, a polícia local especializada especialista técnica um helicóptero
sobrevoando com holofotes potentes e, ‘vru-vru-vruuuu!...’ motores pesados este
um auxílio de Lavras da Mangabeira e marinheiros da marinha mercante num bote
de borracha com dois salva-vidas uniformizados da cidade de Venha-Ver a ongue
defensora pesquisadora dos felinos da nossa fauna oriunda de Portel os tantos jornais
impressos e saites e blogues e iutúbis diretamente oportunamente pressurosamente
de Portão e Itu e Bagre e Breves e Jacinto Machado e Gurupá e Balneário Gaivota
e Botucatu. A oncinha felina feminiforme feminilizada fera tomou um tiro com
remédio tranquilizante inofensivo (pegou exatamente efetivamente no lado altura
das costelas) que a balançou abalou... e a fez gingar ensaiar titubear uns
passos passinhos vacilantes e... desmaiou.
#
A suindara Tenência, bendita
acreditada pressentida identificada audível auditada e pousada na fronde no
galho da frondosa peroba-de-lagoa-santa. Aí mesmo dentro do complexo de folhas
e galhos da musculatura cerne da planta a galhada, a coruja espiava a lua
crescer subir nascer emergir do oceano. E era estonteante a cena o cenário no
geral da noite. E a ave espiava com intervalos de 5 minutos. Nem só espiava,
piava e se mexia mesmo tudo a cabeça indo e vindo pra cá pra lá se retorcendo
rodopiando abrindo/fechando as asas irrequieta fazendo lá os seus fáceis 360º.
- Uiiiii-ui-ui!... Que lua temos
hoje, nossa mãezinha! - piou chiou a emplumada para si mesma, solilóquio com
suas limpinhas fofinhas peninhas pluminhas.
O mar pega um retalho retrato retão
e floresce prospera já florido luzente venturoso, a terra pega uma trilha
pátula franqueada e modelo método forma volume estilo aparência transparência,
o céu pega um refúgio seguro e desconhecido inteligente decifrável simpático
antipático invisível visível já prístino antigo prisco desusado.
Existem coisas diversas e D nem
carece de revela inventa naturaliza corrige esquenta transforma soma orienta
aceita multiplica consente acerta valoriza. Existem coisas diversas e D nem
carece de capeba, bicuíba-cheirosa, palmeira-barriguda, sebastião-de-arruda,
tento-das-campinas, erva-de-santa-luzia, moreira, caçoca.
Avião nem quer voar, mas aterrissa.
Macaco jurupixuna nem quer nadar, mas pular. Gente nem quer trabalhar, mas
brincar. Mar nem quer agitar, mas espraiar.
Como saber antes o que vem depois?
Por sorte que a noite vem rodeada de mucuras saruês timbus taibus ticacas
sariguês. Como saber depois o que já veio antes?
Quando se pensa que o mundo está
cheio satisfeito realizado pleno, eis que vem alguém ou algo do nada e limpa o
terreno e planta um canteiro hífen (hífenes, hífens) hifenação hifenização
hifenizado hifenizar. Perdido entre os rios entre fluviais afluentes deltas
labirintos charcos pântanos alagados banhados mangues restingas e hiférese
redução supressão de fonemas diminuição hiferésico hiferético.
E quando a lua nova ia subindo a
falda da colina, aí mesmo na ilha dos Pargos, a suindara se animou dançou um
cateretê ou catira e se adiantou rafando os tambores:
- Oi!... E aí, lua Província! Que deslumbrante
vem surgindo, hein?! Que D te proteja, amém! - a coruja e a lua já se conheciam
de outras eras e noites e horas extras.
- Estou bem e animada para o baile,
é. Vem junto ou vai ficar aí cuidando de cemitério? - a lua falava e ia se
ajeitando no topo do morro, de onde via melhor o mar.
E de fato aí pelo chão de novembro
em diante, quer dizer, passando aí por baixo da árvore e sem mais cerimônia, um
grupo de tatus-de-rabo-mole, talvez uns cinco... 1 e 2 e... uns oito, contando
bem, caminhavam rumavam séquito para o jardim da paz. Por hoje e por enquanto
maganos velhacos ardilosos vigários vigaristas. E de ferramentas nas costas na
carapaça ou escudo (casco com 6 ou 8 cintos de placas móveis e cabeça cônica
achatada orelhas pequenas rabo curto mãos e pés de garras longas potentes). E
cavar escavar profundidades geologias minerais veios minérios mineração
jazidas.
- É, a noite vai ser longa e de
trabalho árduo escavando a terra úmida - dizia a coruja Tenência, apontando com
a asa os escavadores. - Que tipos estropiados, né?!
- Singela. Eu mesma nem quero ver,
tá certo?! - já dispensava afastava a lua Província, e se benzendo. - Credo em
cruz! Meu caminho é pelo alto e sem tropeços mau tempo intempéries. As estrelas
me conduzem me guiam, mas eu mesma prefiro olhar pro mar e os oceanos. O mundo
marinho é nossa matéria-prima primitiva.
- Oi!... Que você vai longe isso
vai, né?! E pensando bem... bem pensado, é.
- Sim. Pensando bem... pra que
pensar, hem?! Vou longe e descubro todo o país. Já conhece a floresta
Amazônica? Ou nem é pro te bico... brincadeiriiiinha!
- Nem tô aí, meu! Nasci coruja e
suindara terminarei ficando. Nada a ver!
- Tudo a ver, guria! Eu vejo tudo e
todos. Se você soubesse, cara!
- Indique-me! - solicitava a
suindara Tenência (me: ênclise, pronome átono posposto ao verbo). - Mesmo entre
nuvens, me indique! Bem bolado e chamariz.
- Viva!... Vou te indicar e
providenciar um harém de por quês, tá legal?!
- Enfado eu? Nunca se sabe o que um
céu é no fundo. Imagino respostas e tal.
- Opa! Que há de ficar isenta à
curiosidade zodiacal galáctica interestelar...
As noites boas da Via Láctea e
grande magnífica horizontal e larga e precisa e nobre e clara claríssima, são
longas e duram tardam a noite toda. Como nesse dia que tem 24h. E a lua
respirava e deduzia isso, e a coruja respirava inspirava e deduzia isso. Os
instintos à flor da pele. E a pele clara enluarada transparente prateada, e as
plumas penas fofíssimas camufladas carijós. E muito quando sim levar as lampas
lâmpadas, pelo talvez desenxabidas patuscadas e baldados esforços levar na
balda nos flancos.
- O provimento. Um montão de
estrelas uma enxurrada e numerosa quantidade, hein?! - proclamou disse a coruja
Tenência (teônoma), prudente providente previdente.
- Tem graça! Pois as mesmas cinco
pontas tentam me escorjar mixar cercear rentear cortar cerce aparar meu
deslumbre meu prateado - proclamou e falou a lua Província (teopsia), parte
divisão seção da noite noturna. - É admirável compreensível!
Já amanheceu dia ensolarado e dia
ensopado. Zumbidos tipo formas zumbido cor de cada bicho principalmente
insetos, ‘ruíiiii-ti-ti-ti!...’ O dia a dia gasta algumas horas pra ir e vir,
quis ir pro norte e pro sul ao mesmo tempo mas nasceu no leste e mora no oeste.
O cão vê a transformação das horas e late mil palavras num largo latido ladrar.
O graxaim uiva mil tons diferentes num longo interminável uivo,
‘uíiiii-vooo!...’ Uma igreja ou templo leva 500 anos saudáveis sãos e salvos
para chegar a 1cidade.
Aproveitando que a noite estava em
início de temporada de tempo e contagem, outro bando de tatus-pelados ou
tatupebas, pressionados pelo destino ou o acaso, vinham se encaminhando e para
roubar o cemitério e antes os defuntos(as). Com o acompanhamento visual e ciciado
chilreado das aves noturnas empoleiradas aí e os caburés-de-orelha as
corujas-diabo os noitibós os bacuraus-de-asa-fina. Empoleirados envoltas sobre
a cumeeira de uma casa na calha de um prédio no galho de uma árvore,
circunjacentes circunvizinhos. E prevendo muita falcatrua antevendo armadilha
fraude coita embuste roubo profanação de defuntos e tumbas camucins barrancos.
Os habitantes do planeta representam
se deixam a conhecer se justificam pelos números identificados por números um
número de vários dígitos. Contabilidade de D? Os humanos são da casa dos 400,
as árvores da ala dos 20.000, os insetos do tipo 800. As profecias falam de
números e suas colocações na paisagem no espaço sideral, etc. Cada categoria de
número ou números fala de uma legião de seguidores curtidores.
O sol nasce vai e dorme porque
precisa se pôr sair e amanhecer. Dia confirmado e de manhã, a família Macuxi
acordou cheia de planos e projetos e perspectivas futuras. Tudo arranjado
dentro do pensamento e planificado planejando de antemão. Café da manhã na
cozinha, a casa das férias e o veraneio na ilha separados do orçamento desde o
começo do ano e contado gota a gota contando com tudo e etc. Que coisa
espetacular! Na parede entre a geladeira e o balcão da pia a folhinha numerada
datada de desfolhar. Os grasnados pios gritos dos teréu-teréus em o jardim
gramado, especialmente mundialmente. E olhando o dia o tempo como algo a
percorrer a ser perseguido.
- Oquei! Comer para ficar forte e
sair aí pelas praias. São muitas e esperando por nós - animava a mãe, Gaipara. -
Que ninguém se desgarre se desprenda, porém!
- Com cores e sabores, hem?! Os
xerimbabos vão junto, óbvio, e o isopor tá lotado de mantimentos - explicava o
pai Tácito. - Já partir partindo, hu-uuuu!...
- Hum!... Dá chance para um aparte,
né! Cada um que cumpra seu dever.
Era já sol lá fora! Domingos
feriados e dias de guarda, assim todos os dias da semana. Quem diria morar na
beira do mar na praia da Florestinha! Como explicar isso já realizando um sonho
de desde sempre? Pegando já de manhã a rua do Areeiro, logo ainda em frente de
casa, e em vista do mar chegando chegando lá do fundo e entre árvores e
sacambus, rabos-de-iguana, flores-de-madeira, favas-de-besouro.
- Nem já falei?! Aqui o mar convive
conosco com os humanos o dia todo, é.
- Oi, gente! Sei sabido dos sábios
sabichões que o mar começou o tempo, né?!
Fora e ali fora das 4 linhas da
residência, uma ilha cheia de possibilidades uma ilha ilhoa ilhada rodeada de
praias orla por todos os lados. Tinha vila com moradores gente que vivia do
turismo da pesca pescadores arrendavam barco guiavam turistas pelo mar
ensinavam a surfar atendiam restaurantes alugavam casas. E a ilha isolada como
um ícone do paraíso. Rodeada de mar e oceano por todos os lados redundante (que
é para afirmar o que todo mundo já sabe, mas que faz efeito reiterar). Praias
enseadas trapiches estuário mangues dominados pelas marés siris moluscos caranguejos
mergulhadores.
- Hein?!... Lugar onde as ondas
vagas se quebram rebentam arrebentação, pois.
- Xi, uei!... O que é a sorte?
Propor e propõe mais declara e decreta, né, meu?!
Sol soberano vestido de ouro
quilates e reino império nos 4 cantos do mundo. Muita labuta e faina em tantas
horas de trabalho. Uma praia do Aljôfar, quase completamente deserta inédita
exclusiva invicta e comprida extensa precisa limpa boa recém-feita lavada pela
língua salgada do mar que veio várias vezes oportunidades em ondas, “eslooootes!...”
passar a língua. Inda mais inda por cima esbatida pelo vento que era antártico.
Uma ponta de mangue já preservado e dunas brancas atacadas de plantas baixas e
ou rasteiras rastejantes rastejando dia e noite sem parar sem cessar e
catingas-de-urubu, ervas-de-sapo, ararutas, jacitaras, malícias-de-mulher,
catuabas.
- Tempo tem! - empolgado o Tácito
com o lugar a ilha a praia. - Tô curtindo como uma aventura, tão entendendo?!
Ah, eu acho ótimo! E me deixo comover.
- Tempo tem! - agora a mãe Gaipara a
Gaita. - Me sinto e me passa a sensação sensacional que isso é pra sempre
sempre, meus bens meus filhos meus tudo!
No caminho pessoas da vila caiçaras
ou turistas de outros rincões e distantes, gente de pele queimada bronzeada
epicurismo hedonismo corpos curtidos de sol e sal e vento. Ficar à toa, horar,
deixar o tempo passar e correr e se mandar se bandear. Pessoal descontraído e
chegado recém de Gastão Vidigal, Cosmorama, Parisi, Valentim Gentil, Álvares
Florence, Nhandeara (significa ‘nosso senhor’, etimologias e topônimos
tupi-guarani no B). Já se abriam as portas das lojas padarias confeitarias
bancos floriculturas.
Logo sensacionais as aleias de coqueiros
por dentro dos sítios coqueiral e propriedades onde passam os triciclos
quadriciclos e o perigo é o coco na cabeça. Aves esvoaçando perambulando pelo
alto, horda sempre espreitando um bom bocado de peixe punçar de outro alimento
e perspicazes percucientes, batuiruçus-de-axila-preta e gaivotas-rapineiras e
atis e ajurucatingas e fragatas e trinta-réis-grandes. Voando de asas medidas
esticadas em pleno ar espaço céu escorregadio liso de cor azul. Uns peixes de
aventuras nas águas buliçosas das marolas e as jubartes com as crias
amamentando.
Corriam para pegá-las, corriam para os
pescar. Se contentavam agora com espreitar aves e peixes e mesóclises (intercalação
pronominal átona): dir-se-ia, dir-lhe-ei, dir-lhe-ia, far-se-ia, vender-lhe-ei,
chamá-lo-ia. O que é o mar oceanográfico?
- Contentar-nos-emos! - disse a mãe
Gaipara, termo inusual incomum estranho.
A fisionomia das nuvens. Cada tipo,
hem!... Nuvens imitando objetos coisas casa automóvel flor pássaro navio
telégrafo cântaro férula ou palmatória. As nuvens alvaiade indicando fantasia
alegoria ilusão transfiguração e ideias aleatórias. Nuvens lembrando e fazendo
apologia de ninho recâmera almadraque almofada pufe sofá-cama travesseiro, e
até mesmo rede de deitar. Acontecia às vezes que uma camuá alta crinuda
vestindo cocar derrubasse um coco dois cocos e cocos assim. Ilustríssimas
autoridades.
No fim da manhã e no almoço meio-dia,
um restaurante autosserviço e pronta-entrega churrascaria Senda da Estiva, os seis
6 familiares família já estavam diante e cada qual do seu prato colhido ali no
bufê e preferido. Preferido também para os cachorros, coisa de respeito com os
bichos (tinha uma baia preparada especial somente para mascotes). E tudo em
cores cheiros gostos sabores e bom apetite. Melhor repasto, nem eles próprios
teriam se concedido. Quando deram acordo, já 12h ultrapassavam.
- Vocês viram os hidroaviões
pousando decolando, uma coisa diferente - lembrava o Tácito. - Eu vou voar num
desses e é hoje ou amanhã. Me acompanham?!
- Mas é pra já! - se empolgou o
Realejo. - Voar é comigo e eu gosto, oi!...
- Demorô, meu! - a Inajá. - Voar e
aterrissar na água é para poucos! Concordo.
- Embora! São os seus os meus,
mãezinha e filhos e afilhados, os nossos 700 mangos pilas pacotes vinténs - pôs
tudo na ponta do lápis o papaizão. - Sei nem, hein?!
- Hu-la-láaaaa!... - interjeição de
mamãezona temerosa com as economias indo embora. - Em boa hora e é uma vez na
vida!... Também nem sei, hem?! Confio.
- Ou então a gente vai na micareta
comprar os abadás personalizados entradas camarote tudo incluído e à vontade
servidos por garçãos garçonetes camareiros frigobar jantar e bainheiro
privativo dá pra levar amigos xerimbabos... ufa! - detalhava o pai.
- É pôr na balança e ver o que dá,
tá certo?! - empatava a mãe. - Par ou ímpar?
- Eu prefiro andar de hidroavião, é
único e difícil de conseguir outro - escolhia a menina Inajá. - Ver lá de cima
como um drone é legal e, vru-vu-vuuuu!...
- Eu também acho melhor voar junto
com os atobás-pardos, hem?! - dizia a mãe.
- Já que eu prefiro alguma coisa eu
prefiro os dois 2, e pronto! - apontou com os dedos o Realejo. - Vamos ver as
ilhas pingadas aqui e ali, gente!
- Sim. Quero-lhe muito bem, amável!
Astrofísica e física cósmica.
Vai-se embora o sol e vem a lua. De
que forma? Maravilhas e arroubos êxtase enlevo. Diziam que o sol nem cria
casca. Se lembraram bem dos dias, eram parece que longos lentos. As horas
foram-se dissipando, as horas se foram dissipando, as horas foram se
dissipando, as horas foram dissipando-se. E era válido cabido admissível tinha
cabimento. Pôr do sol semivelho acalentando o horizonte. Sol motorzinho de
tudo.
De noite já tinham voado de hidroavião e
muito maneiro. Foi uma volta de meia hora e valeu a pena. E já se aprontavam
para o carnaval e ouviam o batuque anunciando alegria e descontração. Na árvore
vizinha da casa, a rasga-mortalha (seus olhos e olhar de lanterna furta-fogo)
já saía da toca no tronco e declarando, ‘ru-roooor!...’ seu som preferido
conhecido tipo rasgando roupa. E se empoleirou no galho mais em vista das
estrelas e apreciar estrelas disputando com lua. Olhos tomados grandes limpos
de luar.
Na mesma hora dentro do prazo de tempo
conforme, também o bando de tatus-cascudos (naturais de Tatuí-sp, tatuianos
tatuienses), mais ou menos uns... cinco, apetrechos de escavação nos ombros nas
carapaças nos cascos segurando firme o picão a picareta a enxada a foice o
formão o caxeringuengue. Em a direção reta ao atoleiro báratro abismo voragem de
cadáveres. Outras corujas mochos-carijós e pintas-cegas ficavam olhando só
cuidando estupefatos soçobrados desalentados enquizilados arregalados os olhos
amarelos e achando muito esquisito todo esse movimento fúnebre ou tétrico ou
meia-notívago ou sacrílego ou paralisante ou pavoroso. Porém, achando também o...
fazer o quê?! Porém, achando também o... que digo lá em casa?! Porém, o que
concertar acondicionar retirar abjurar renegar tomar às de vila-diogo?!
A rasga-mortalha (rm) olhou através
da folhagem dançou a cabeça redonda pra cá pra lá girou espiou praticamente 360
graus... afinou a visão ultrapotente e escutou a estrela vésper (v) chamar
conversa. Conversando como sempre faziam e mesmo na distância impensada impensável
bate-papo indispensável uns 800 milhões de km:
- Isso e parabéns!... Você aí, acesa
e lanterna! Eternamente acendida pegando fogo e fogo! - rm se dirigindo à
estrela v. - Faz tempo que sim, nem? Oquei!
- Oi, pena-leve! Eu tenho sorte fui
sorteada de ser gigante gigantérrima. Mais maior e mais longe que o sol, uns
801 bilhões de km. Pensa uma distância...
- Outro patamar. Quem pode pode,
quem nem pode que se coce, ahahahah!... - riu a bandeiras despregadas e se
sacudindo toda a pequena ave noturna.
- Além do mais... A distância e o
tempo me favorecem e me são aliados, é.
- Perco meu tempo falando com
estrelas. Você nunca me compreende. Acho que nem tenho assunto pra tanta noite
estrelada. Nem sei falar com estrela de pontas acesas.
- Eu também nem sei nem. E com aves
miúdas idem. Aves de voo curto, bah!...
Olhando agora mesmo ali, mais um
monte de tatupoiús ou tatupevas passando se dirigindo sem lei diretos
exumadores ao cemitério e colher caçar verbos joias relógios utensílios de
escrita palavras ainda úteis de valor aos já falidos ausentes aos desaparecidos
mortos que foram sepultados tapados desligados. Buscando coisas enterradas e
úteis. Buscando coisas enterradas e ainda utilizáveis. Catrapus!...
- Daqui mesmo tenho uma visão de
satélite ou de drone, como queira, de tudo que acontece na terra. É longe mas
eu alcanço - mandava mensagem a estrela v. - Tudo e todos parecem paisagem
filme foto vídeo. Sonolentos perto frente diante da tevê.
- Que figura, meu! Com céu aberto e
na oportunidade de ver tudo às claras, hem?! - retrucou arrepiada sacolejando
sacudindo a cauda a ave coruja, também de ótimo sengo senso e sisuda atilada. -
Tanto espaço vácuo sem-fim a ser preenchido.
Sempre soprava uma brisa marinha
aquela viração e ali agradava por causa do calor. Quando muito uns morcegos em
voos temerários rasantes quase cegos atrás de namoro. Quando nada uns bacuraus
endêmicos amigos da camuflagem pesquisando o trânsito de mosquitos borrachudos
pernilongos moscas tavões mutucas e outros insetos invertebrados comestíveis.
Quando nada uns fantasmas fugindo do jardim dos finados.
- Gelosia. Seus olhos, madame, seus
raios faiscantes e os demais, brilham intensamente até aqui na terra. É fato.
Comparável ao ouro quilates do sol - coruja rm.
- Oitenta. E sem a falsa modéstia
nem há moedas dinheiro faz-me-rir que eu nem compre e pague com juros e
correção monetária, se é que me entende?! - a estrela v.
Àquela hora da noite, e no céu
noturno, passou rápido um avião de carreira. Ia pro continente e com uma meia volta
no oceano. Dizem que é mais seguro e o tráfego menos intenso menos
congestionado. A barriga empanturrada de passageiros. Rumo de para pouso aterrissar
aterrizar em Novo Oriente de Minas, que o aeroporto serve arredores e Catuji e
Frei Gaspar e Itaipé e Ladainha. Paradas obrigatórias nas comarcas de
Itambacuri e Franciscópolis e Mormaço e Poté (esta última e nem menos
importante banhada pelo rio Todos os Santos - afluente do rio Macuri e por
méritos próprios, sempre foi é e será - que nasce no distrito de Valão e chega
a passar por Teófilo Otoni).
- Oi! Em tese e teoria, veja bem,
sou mais rica que você - lembrou a v, pujante vigorosa poderosa dominadora
empoderada. - Eu, hem?! Conservo meu brilho eterno.
- Pra tu vê e dizê! Quanto mais
longe melhor e mais feliz e idem - completou a rm, encoberta encapotada
vestindo emplumada uma capa um curu.
- Mas e de repente nem vamos nos
perder em discussões aí! Só falei porque você me vê mas porém nem me conhece.
Nem sabe do meu íntimo. Só isso somente, tá?!
- Deixe. Isso nem me aflige nem me
toca nem tô aí e olhe lá. Sou eu que tenho que me tocar que estou falando com
uma estrela... empolgada rainha e distante.
- Oquei! Você nem entendeu o que eu
quis dizer... Nem quero que se ofenda e...
A copa a fronde das árvores a
cabeleira de folhas selvagens brilhavam na luz das estrelas e de repente a lua
nova. Era tudo brilhante e noturno, nem sei como. O mar rugia de vez em vez e
de quando em quando de marola em marola. O que comigo, e também no caso cá entre
nós, faz dele um senhor de velhas barbas brancas que se estendem em ondas
preguiçosas relaxadas na areia fofa também branca ou dourada.
- Estou contigo e sempre e nem abro.
Digo isso e na menor distância - vésper.
- Você, você mesma fabrica futuro? -
rasga-mortalha, e seu olhar telescópico.
- Eu? Olha que pergunta... para se
pensar na resposta... Que ideia afortunada!
- Abertas as portas em portarias... Particularmente,
acho sim que fabrica!
Um momento a coruja perdeu de vista
a luz da estrela. Uma nuvem passageira entrou aí de passagem pela frente sem
aviso tapando a visão. Sempre sopra um vento que nasce no oceano. Parece que
surge do nada no meio do mar. E também carrega carrega o tempo. Nuvens que
deliram na ventania e depois correm pra lá, desistem. O tempo vai e consegue o
que quer, e nem espera. Tanta coisa acontecendo, né, gente!
Mas logo depois de 4 horas se
restabeleceu o contato interplanetário. Nesse meio-tempo nesse intervalo das
voltas e giros dos ponteiros, a rasga-mortalha foi até ali dar uma volta
sobrevoando seu território policiar catar uns insetos incautos chupar uma fruta
beber um mosto de uva fresca. Deu um giro por sobre o campo dos defuntos.
Família inteira de tatus-mulitas ou tatuíras inspecionavam uma zona do
cemitério ou trincheira neutra. Queriam chegar mesmo e literalmente fundo na
investigação subterrânea. Enterradas ali mil e oitocentas palavras ou verbetes
em desuso, joias relíquias de outros tempos épocas que se atavam cachorros com
linguiça. Substantivos que sofreram a peste da moda do tempo da era analógica,
para se dizer de alguma maneira algum modo, e foram inumados assim na cova rasa
mota amota nas aterroadas barrancos cupins e no comum do olvido. Sumir com
palavras nem é estranho, eu.
- Você já vê D, dona v, desde aí do
seu posto no meio do oceano celestial e vazio? - pergunta de rm, valendo um
milhão de reais e um curso de filosofia na ufsc.
- Graças a D! E claro que vejo! Ele
se parece e é muito lampeiro lesto apressado.
- Jura?! Vê e ouve escuta percebe?
Trocam algumas palavras acordos dicas?
- Oie!... Tenho dito e nem confia?
Ele se parece e é uma árvore saguaraji.
- Ahahah!... Me diz me fala me
convence do índice remissivo...
- Viva e deixe nascer! Ele se parece
e é amador amor amoroso amores amado.
- Tanto tanta, né?! Já foi dito que
ainda há muito vazio no espaço, oi!...
- Que gentileza! D em o tempo, sapo
no tanque, e aí caiu o sossego. É legal.
- É o Bem-Bom, né?! Oi!... Ele pensa
compara recomenda requer diz desdiz rediz decreta ordena que se cumpra. Quem
ouviu ouviu, quem antes pelo contrário...
As estrelas são feitas de pedras
incandescentes. Mais provavelmente são feitas de diamante puro, que nem quebram
nem desvalorizam nem saem de moda nem acabam nunca. Estrelas que parecem também
muito eternas eternizadas universais. Nem só distantes e incendiadas, mas
também perenes. Acesas alertas pulcras majestades.
- Veja! Você vive viverá quanto tempo,
assim, por alto, dona estrela vésper?
- Ca-ran-gue-jo-las! Pra você ter
uma ideia, eu vi a Terra se formar tomar corpo arredondar tomar fôlego e se
enrolar toda nos séculos e séculos. Tenho tudo anotadinho apontadinho. Foi
ontem, assim, no meu tempo de estrela estela estelar estelante. Oi!...
- Nem sabia. E você nem nunca se
pronunciou a respeito. Que que é isso, meu?!
- Ahahah!... Minha modéstia nem me
permite nem me deixa nem me autoriza.
- Arre! Você no mínimo sabe o dobro
do que diz, confere?! Que natureza, cara!
- Pelo consenso. Tenho os muitos
afazeres, minha cara caríssima! Outrossim!...
Já pelas 4h e 20min e os uns tatus,
de distintas famílias de distintos grupos trabalhadores, iam se retirando dos
buracos furos tocas e saindo pegando o caminho de casa do lar ou mesmo diretos
em rumo de distinto distrito ou bairro chamado Amangar ou do mercado público
Libambo. E vender seus produtos do furto e retirado e do alheio que se apropriaram.
As horas se adivinham nesse tempo escorrendo.
O grupo ia meio cansadão calado. E sacos
nas costas de palavras soantes e antigas que serviram e agora nem prestam mais.
Nem prestam tanto. O total do achado escavado reaproveitado. Termos e
expressões nem sempre vistas em dias de hoje: inanidade, demagogia, hecatombe,
rebelião, combustor, cartório, represália, meirinho, abolir, engafecer letra de
câmbio. E catadas vindas das profundezas dos livros mais antigos autores
esquecidos anotadores perdidos no tempo: ornejar, tapigo, arcano, verga ou
viga, camueca, fanfarrão, desforra, cacholeta, remoque. Quer se queira ou nem,
quer se aperte preme premi algumas e outras em série ou sequência relacionadas
como estas aqui presentes e vêm elas: alfaiate, carretel, paletó, colete,
ombreira e costurar, cozer. E com valor de mercado dependendo do comprador e da
oferta e procura, garantir e afiançar. Palavras arrancadas aos punhados e
impossível discutir com elas e ao mesmo tempo todas juntas. As que viveram
batalhas, tá ligado?!, enunciados e formas livres, livre arbítrio: luxação,
estertor, remordimento, lúgubre, exacerbação, colata ou colo. Expressões
versáteis unidades da língua, porém com óleo na pista, marcas de travada e
derrapagem: escrúpulo, calcinar, estancar, perverso, refluir, maquinar, escorropichar.
Oferta imperdível e variedade de frutas e legumes e folhas e raízes e sementes
caroços.
- Uma pajé da pajelança me disse me
convenceu que eu vou virar uma estrela e lá longe aí junto de você no céu.
Saiba disso também e saiba ainda hoje, comadre!
- Ora o que, meu! Como vai ser?
Alerta alertando!... Você tem tudo e tem mais do que eu e fica se queixando,
ave de rapina - raiou a estrela v, já meio que pensativa e olhar distante já
cruzando toda a galáxia e outras constelações.
- Ufa!... Eu posso voar e procurar
outro sítio, mas sempre aqui por perto.
- Brilho mais e bem longe no espaço,
porém nem tenho parceiro por perto, é.
Amanhecendo e os tatus indo pra casa. Era
uma exumação diferente e delirante e literária o que faziam, vamos ser francos.
O governo as autoridades a academia os coveiros nem tomavam conhecimento
paralisados paralíticos, e creio que nem buscavam saber com covardia da noite. E
eram os tatus (mamíferos xenartros da família dos dasipodídeos) os escavadores
violadores de túmulos (e que vinham desde todas as partes do país) e que causavam
causadores dos estragos fúnebres. E por enquanto os que nem se inteiravam disso
do problema da questão, mal e mal sabiam ou previam o tremor horror terror
pavor pasmo susto estupor torpor. Tanto escavavam solapavam que provocariam em
breve um solavanco na cidade. E onde negociavam eles os tatus os seus sacos e
malas e sacolas das palavras descarnadas esqueléticas retiradas dos caixões
esquifes sepulturas lousas gavetas mortuárias? Pechinchavam aí e ali mais
acolá.
Vamos ver o que opina o sol. Um horário
bom pras aves da terra do mar acordar. Vamos ver o que o sol tem a dizer.
Pássaros possíveis despertando e corrupiões, iraúnas-do-bico-branco, encontros,
tiês-caburés, tuins, beija-flores-vermelhos.
O mercado paralelo ou mercado nem
oficial, comprava tudo que vinha do cemitério do jardim silencioso qualquer
palavra antiga. Qualquer coisa que dissesse ou dissera ou lembrava uma
pronúncia um significado significante um resmungo uma onomatopeia e etc.,
sonoplastias. Como exemplo já relatamos aqui, e lembrando aos menores de idade
nem tentarem decorar em casa, os seguintes nomes da era do fogo: quartola ou
ancoreta, pábulo, grelar, despicar ou vingar, quengo, anaçar. Cada palavra aí
relacionada e ditada vale seu peso em ouro e já calculando o tempo e o lugar e
o autor e a importância da obra onde o exemplar apareceu. Tem gente que busca
palavras com rede de pescar. Muita gente ganha e merece ganhar (modelo de verbo
regular da 1ª conjugação, ex: lavar, caçar, salvar, saudar, cantar, suar) a
vida e sustenta família com este trabalho de catador catalogador. Um ofício que
os tatus dominam o mercado.
- Isto tudo isto mesmo é o que eu
queria pra mim. Deve ser melhor que voar e ser pássaro - revitalizou a coruja,
olhar agudo e profundo se aprofundando na noite estrelada. - Digo com certa
pena pois adoro ser ave adoro o que faço o que sinto, mas...
- Uau!... Mas os orgulhos são
parecidos. E todo orgulho é igual a outro e no fundo valem mesmo o mesmo.
Qualquer orgulho ou vaidade é semelhante comparável. E enfim, já mudei de ideia
e várias vezes me vi em mão dupla contradição. Me separei e fui estou morando
no vácuo para ter meu próprio espaço... in-co-men-su-rá-vel!
- Opa!... Incomensurável! Onde você
arranjou esta palavra total? Eu vi, hein?!
- Comprei. Adquiri. Negociei com um
tatu marambá que nem vem mais cá!
- Força do hábito, né, comadre?! E
que destreza! É explicativo e eu explico...
- É ou nem é, noé! Somente só para
quem disponha de algum algo, oquei?!
Rolava o mar no oceano. Corria o
vento em pleno ar atmosfera. O tempo nem tinha com que se identificar. A noite
e seus cochichos sussurros resmungos assombros sombras imperfeitas e também
anônimas. Cidade adentro, mar adentro, lua adentro; casa afora, porta afora,
rua afora, mundo afora. Tanta coisa de zombaria que até me esqueço.
- Mereço, sim! Porém eu acho que
você é mais do que é. Representa mais. Você é ídolo de muita gente heroína
entidade máxima símbolo uma deusa. Você é única! - bateu bico a ave de asas nas
costas empoleirada no mais teso tenso hirto duro pragmático dos galhos da frondosa
pau-de-cortiça ou xixá ou folha-santa.
- Isso pode ser, tenho fãs, admito.
Agora eu já brilho a centenas de trilhões de anos. Então são situações sistemas
esquemas destinos e muito longe de compreendermos. Meu, acho que entramos numa
espiral! E sem volta, dando mil voltas.
- 2x2:5. Aqui na terra seria entrar
no mato sem cachorro, num beco sem saída.
- Eu imagino. Quanto tempo somos uma
estrela? Quanto tempo nem durmo?
Outras estrelas arrastavam, no bom
sentido do arrastão, seus brilhos esplendores estrelados e famosos pela noite
em voga em processo amanhecendo. Seres humanos preocupados apontavam suas lunetas
superpotentes para descobrir onde estavam o que fazer o que comer o que vestir
com quem andar e etc. E as pessoas dizem e fazem coisas lunáticas para achar
uma estrela nova uma estrela perdida, terráqueos bisonhos bizarros. E trocam o
dia pela noite e avançam madrugada afora adentro bisbilhotando admirando as
constelações e galáxias e nebulosas. A noite as noites infantil uma criança.
- Puxo pelo céu, cara! Na verdade
sempre olho para você porque você me inspira e me ajuda a vencer o dia a dia,
é. E é claro que daria tudo para ter a tua experiência. A dúvida é grande como
o mistério do eterno, né?! A dúvida e o tempo passa, hem?!
- Luz viajante! Olha o papo da
garota, meu! Será que eu te dou um retorno amanhã neste mesmo horário? Te liga,
mana! Vamos hablar de futebol e gol.
- Oi!... Você é uma máquina! E muito
potente! - desabafa a ave de rapina.
- Fábrica de máquinas. Máquina
cósmica e que se move ou sobrevive por conta própria, isso sim. Até aí você
chegou e bateu o martelo - descontou a estrela v.
- Vê. Que você vê no futuro? O
futuro vem te ver? O teu caso com o futuro?
- Ei!... As mesmas perguntas de
sempre e repetidas recorrentes. Mas recomendo.
- Que sorte! Se você tiver uma
resposta... me aproveite se aproveite de mim.
- Hoje me consagro. Pois o futuro a
D pertence. E D vem veio antes das coisas.
- Aí eu vi a certeza! Oi!... Essa
nem vale, né, batizada vésper vênus vespertina!
- Então eu creio na velocidade da
luz. E ponto. E vou, fui... tchaaaau!
E o silêncio do universo precisa ser
respeitado. O Adm universal assim deseja e recomenda. Quantos centilhões de
desertos por esses confins bilionários! Quanta terra prometida por entre este
apagado vácuo bordado de astros e estrelas e esferas!
Mês de maio e trovoadas relâmpagos
chuvas por todo mês de maria e a femínia onça-pintada, ali sentada na chuva
como um cão como um gato como uma canguçu, em plena meio da rodovia sp-561 ou
Jarbas de Morais. Chovia. Sem aviso prévio estacionou chegou ali se acomodou na
pista bem sinalizada na ampla área ao redor do agro de agricultura da
cana-de-açúcar e produção de álcool etanol combustíveis renováveis marcando os
limites agricultáveis dos vizinhos irmãos municípios de Urânia (uranienses) e
São Francisco e Estrela d’Oeste banhadas as comunidades pelos ribeirões
Quebra-Cabaça e o Perobinha. Chovia. Quem sabe provavelmente pode ser estivesse
ali prestando depoimento à chuva ao temporal pelo preto e amarelo molhado
ensopado ou estaria meditando na chuva agradecendo esperando alagada encharcada
ao amor de sua selvagem trajetória. Chovia. A estrada pouco movimentada àquela
hora da manhã às 8h em ponto mas surgiu testemunha ocular um automóvel
emplacado de Paranapuã e com seu condutor Nico Zagal e este senhor parou
intrigou remoeu considerou e resolveu chamar a brigada. Chovia. Depois de dois
décimos em minutos se apresentaram as autoridades policiais locais estaduais e
federais o corpo de bombeiros de Aspásia o padre da igreja Santa Luzia o pastor
do templo JC Salvador a companhia seguradora de segurança profissional predial
patrimonial Catucanhém (endereço rua Valparaíso com a travessa Serafim Terra no
bairro Jardim Botânico) os iutúbis bisbilhoteiros os saites que tratam de
mascotes e ou animais autóctones a sucursal da televisão canal 02 com sede em
Dirce Reis o presidente da escola de samba Acadêmicos da Orgia Palaciana (aop)
a associação dos moradores da rua Antônio Balde (ou Antônio Joaquim de
Oliveira) da promissora localidade de Pontalinda. Chovia. A onça f feminil (olhos
de ouro quilates luzes que vêm do interior do centro miolo profundo do ser
abrindo piscando cor reflexos janelinhas estrelas fogueirinhas de papel) levou
um tiro de tranquilizante um dardo certeiro com crinas fios sintéticos azuis
bem debaixo do papo no pescoço no gogó sentiu engoliu em seco ou tentou engolir
a saliva titubeou perdeu a coordenação nas mãos e nas patas a cauda o rabo
trançou salamaleques esquisitos vacilou procurou os lados em a esperança de uma
escapada um trote como último recurso e... desmaiou.
No mundo dos cães, só o olfato
importa e interessa. No mundo das aves, só asas que voam e importam. No mundo
das plantas e árvores, só a água que chove e interessa. E temos uma hora para
pensar e escrever, escrever e ler, ler e meditar. Fazermo-lo.
Eu olho o que virá e logo breve
amanhã. É um acontecimento um evento. Me interessa e me diz respeito? Sim, pode
ser, mas nem me pertence. Nem me pertence.
#
O grupo de tatus-de-mão-amarela já
se aproximava do cemitério terra inculta sáfara agreste cheiro forte pitiú
empestando o meio ambiente, do lado do morro no centro meiúca da ilha dos
Pargos. A latitude e longitude são as mesmas e a meses. O que modifica é o
vento de leste ou noroeste, conforme. Vasto mar e Atlântico, são peixes
teleósteos perciformes da família dos esparídeos (fonte: dh) e pargos-vermelhos
e pargos-lisos e pargos-brancos e pargos-olhos-de-vidro e pargos-mirins e
pargos-cachuchos. Protozoários, de vida aquática livre ou parasitária, são
microrganismos unicelulares e eucariontes e heterotróficos; ou seja, quase
nada!
Uma paturiaçu menininha foi no lago
ou remanso do rio Tietê e o jacaré-de-papo-amarelo devorou ela, ‘nhame!
nhame!...’ Depois veio um pequeno tracajá mocinho e a puxou pelo topete ou
cabelos até a margem sobre a grama ou as plantinhas aquáticas aguapés. Chegando
em casa dentro da capoeira touceira de juquiris a paturiaçu contou tudo pra mãe
marreca-cabocla. A mamãe a lembrou sintonizou que se o réptil a devorou ela nem
poderia ter sido salva pelo tracajazinho, ‘entende?!’. Então, aí sim, a
paturiaçu de asas grandes e penas impermeáveis disse e com razão que o que a
salvou de fato naquela hora foi saber mergulhar e nadar ao mesmo tempo, ‘foi!...’.
D também revoluciona quando preciso
e matemático. Mas quando o mar existe e se cria, faz o vento e as nuvens trazerem
a chuva. De supetão de súbito de repente já estão todos aí e atuando
representando acontecendo. Então o mar marítimo conta até 10 e aos poucos caso
a caso vai recuando maré vai embora por hora e retardando vazando adiando o
vento as nuvens, ‘vu-vo-viiiii!...’ O senso também colabora e ajuda.
Repare e olhe mesmo! Tem gente, ô se
tem!, que gasta horas joias porque gosta do mar olhar o mar pechinchar o mar.
Tem cão canino que fica de olho vidrado no patrão/dono/tratador para ver como
quando aonde vai ser a próxima refeição. Tem gente nova ou velha que guarda o
amanhecer aurora pra ver de perto em loco ao vivo a segunda-feira. Tem mar azul
ou verde que vaivém vai e volta ondula mareia mil vezes a cada hora para rever
abiscoitar o areal dos sonhos a praia da Daniela. No fim e ao cabo para
terminar e concluir, tem muita coisa objeto que sem ver ou ter faz sentido,
ora!
Neste agora verão poranga as aves topetinhos-vermelhos
voltavam retornavam adiantadas para o tal e qual acasalamento. No verão
trinca-ferro-da-serra que vem, e vai vir o calor com tudo em cima, as aves
beija-flores-de-orelha-violeta já voltam retornam outras senhas outras aladas
outras penas e plumas e mais ainda outras vezes. No verão ajajá do ano passado
as aves beija-flores-tesoura-verdes estarão chegarão carregadas de namorar e
com asas voos planos esperanças renovadas esmeraldas brilhantes.
Um domingo iniciou a semana o dia
com 1 rio Paraopeba correndo escorrido perene uma piscina cheia azulada piscosa
e, ‘tchibum!...’ Que rio é este aí que deve vende vem com cachoeira corredeira
usina hidroelétrica barragem, hein?! Que música vem o som é esta que canta
entoam os mais finos finórios passarinhos, hem?! Que árvores são estas com
flores e frutos e espécies espalhadas aí, tá me entendendo?!
O sol se ia e se mandava. A que os
pássaros terráqueos se dedicavam cantar e inhambuxororó,
pica-pau-verde-barrado, casaca-de-couro, saracura-três-potes, jacucaca. O sol
exercitava desengonçado seus últimos raios reflexos acordos ensejos respeitos.
O que é o astro-rei? O sol histórias sagas contos imagens cenas episódios
capítulos.
Dezoito e trinta passadas e os tatus
pegarão no trampo aí exatamente às 19h. Tudo estava bem estavam no horário em
tempo de chegar sem pressa e a noite ia ser daquelas estreladas céu aberto até
o fundo da retina do Senhor. O bando tinha assim mesmo um número de 8
indivíduos, machos e fêmeas, par a par. A idade variava de 2 a 5 anos de idade.
O pai e a mãe (ambos de Araruama) tinham cinco primaveras, mas nasceram no
verão; os três filhotes do casal, dois varões e uma fêmea nasceram de uma vez
só. Mais o outro casal, comadre e compadre, naturais de Armação dos Búzios e
com uma filhote. Os apetrechos do ofício de escavar presos às costas e comuns a
esses tipos de exploradores garimpeiros tumbeiros jornaleiros de lua luar de
estrela a estrela.
- Acho que logo logo veremos a
estrela da tarde ou vésper - lembrou tatu-1.
- Pudera, sim. E aí em cima no susto
subida das 19h - avaliou a tatua-1.
- Ou-ou-ou!... Dá muita sorte,
dizem. Eu nem sou supersticioso, mas arranho 3 vezes na madeira, rangue! rangue!
rangue!... - disse o tatu-2. - Ainda assim...
- Be-le-za! Que o céu se encha de
estrelas, uma vez! - empolgou a tatua-2.
Antes de chegar, acerca do ossuário
e cemitério católico e cristão, o crepúsculo vespertino, cruzaram pela vila caiçara
de pescadores. Um povoado o bairro dos Guizos e com casas de moradores locais
ou de aluguel pousadas e restaurantes lojas de conveniência vendas onde se
negociavam o pescado fresco as sardinhas as tainhas as traíras-do-mar ou
tiraviras e outros frutos do mar. Sempre atacados desde o alto por aves
marinhas semiterrestres famintas insistentes teimosas peraltas choronas, ‘griaaaau!
griaaaau!...’andorinhas-do-mar, papagaios-do-mangue, tesourões, gavião-carrapateiro.
- Etchéeee!... Hum!... - espirou ruidoso
o tatu-2. - Os mistérios encapsulados, é.
- Saúde!! - responderam em coro o
tatu-1 as tatuas-1 e 2. - E sucesso, amém!
- Oi!... Nem é saúde, é alergia à
terra do cemitério - se desculpou o tatu-2.
-
Hum! Sempre temos teremos esse cuidado e esse prejuízo - destacou a
tatua-2.
- É, sim! - afirmação da tatua-1 e
tatu-1 também concordando com a cabeça, estas partes do corpo fora do casco
carapação carapaça. - Os climas derivados radicais.
Estavam perto e chegando mais e de
mansinho. Sempre pelas beiradas da praça Euphly Jalles a rua alameda da
Conjuminância pelo passeio lajeado pela calçada. No alto duma curupitã, num
poleiro da sua predileção e lá empoleirada, avistaram a indefectível coruja uma
caburé-de-orelha. Nem se cumprimentaram e cada um na sua.
- Eia!... Que esta nem pode faltar e
antes da gente chegar, né?! - analisou e comentou e criticou o moleque tu-2. -
Quem sabe um dia serei uma ave de rapina, né?!
- Dizem que dá sorte. É a nossa
mascote de ‘boas-vindas!’ - falou a guria tua-1.
Entraram no cemitério (destino final
de muitas palavras verbos adjetivos...) por uma abertura lateral no muro. Assim
evitavam o choque físico com os coveiros que por sorte ou azar ainda poderiam
estar no emprego. Foram até a área norte do jardim da paz celestial, lugar
previamente demarcado por eles e para evitar briga com outros grupos de
rapinadores contrabandistas sacoleiros mãos-leves usurpadores larápios ladrões.
- Muito bom, gente! Nem há ninguém
no nosso pedaço - disse desabafou tatua-1.
- Oba!... E tenho meu pensamento
livre para apreciar meu trabalho - tatu-2.
Aí jogaram as ferramentas no chão e
sentaram uns minutos para descansar da caminhada da longa andada. Ainda
faltavam 15 minutos para a hora da largada (horário estipulado por eles mesmos
e com juízo) e que gostavam de cumprir à risca. Pulamos.
- Gosto de trabalhar na terra seca.
Dá poeira levanta pó, mas consigo ser mais ágil e rápido e eficiente - diz tatu-1,
olhando para o tanto a ser escavado aí a sua frente.
- É, quando chove vira uma porcaria.
Uma pocilga, literalmente - tatua-1.
No horário estipulado combinado, os
machos pegaram das pás e começaram a escavar. A maioria das sepulturas, nesse
local aí, eram montinhos rasos. E nem davam muito trabalho. Uns cinco minutos
de exercício e tudo resolvido se resolvendo. Pegaram com as ferramentas e jogaram
a terra mais ali adiante, onde nem estorvava. Afastaram as urtigas e as
malcuidadas roseiras, as pedras de mármore as tábuas podres a lama o lixo a
poeira os cacos de tijolos as pedras. Os filhotes acompanhavam o processo o
desenrolar dos acontecimentos e um deles pelo menos já sentia vontade de comer
o lanche e ou se desfazer da gulodice. Nem disse nada, o coitadinho. Sabia que
era muito cedo e poderia ser mal interpretado e assim repreendido. Se distrair
com a labuta alheia.
Então o trabalho de exumação ou
ressurreição dos mortos (verbos, numerais, advérbios) e das mortas (expressões,
palavras em geral), nem era tão difícil e trabalhoso, vale a redundância. Custava
um pouco de suor e sujar as garras, mas todo esse esforço tinha lá a sua
recompensa econômica financeira pecuniária (dinheiro, grande catalisador e
estimulador e incentivador do empreendedorismo). E quando batiam com a pá na
caixa de madeira de lei... era um alívio e uma comemoração e um arrepio de
prazer.
- Ora, ora! Já temos a primeira
colheita de mortas e defuntas! - vibrou o tatu-2.
Foram ver de perto e abriram o
caixão com pé de cabra. Cada tumba ou caixão continha um certo número de
defuntas(os). Dependia muito do tamanho da caixa ou mesmo o momento do enterro
a época o ano o século a década... Todas as letras já devidamente em branco
estado de putrefação em estado de esqueletos branquinhos descarnados de beleza
e até de sentido ou mudando de significado e etc., coisa e tal.
- Su-ces-so, gente!... Que temos
aqui, meu queridos! - dizia a tatua-2.
- Oi!... Vamos ver... e conferir...
já contando - interessada a tatua-1.
E foram retirando as defuntas pobres
podres do interior da cápsula da caixa quadrada, e uma por uma, variedade de
tipos e modelos e significantes, umas guerreiras de outros carnavais
tradicionais: moafa, rapsódia, muquirão, pez, buído, exsudar, sopitar,
estafermo ou apalermado. Colisão de palavras bárbaras, ciclo de palavras
válidas ou inválidas, corrida de palavras soltas livres destemidas. Palavras (expressão
nome interjeição termo), mortas e enterradas, estão vazias esvaziadas de
sentido?
- Uai!... Bom que as palavras morrem
e são enterradas pra que a gente possa ter um comércio, hein?! - arriscou dizer
o tatu-1. - Seja a ocasião que faz o ofício.
- Oh!... As palavras deviam viver
eternamente. Eu, tatua-1, acho! Porém...
- Porém o fim é assim e nós lucramos
com desenterrá-las, tá certo?! - tatua-2.
E a grosso modo, as mesmas palavras ainda
diziam representavam pareciam eram assim, e de volta ao mundo dos vivos ao ar
puro. Sempre indivíduos e individualmente umas aparições devidas indevidas: tablado,
perfídia, pilhéria, picadeiro, pirralho, taciturno, obturar, inóspito, mister.
São palavras já difíceis de pronunciar num mundo mudado alterado netizado como
temos hoje em dia. São expressões que já perderam a substância a essência de
agradar significar esclarecer. Foram se isolando do seu substrato instintivo do
psique. Nem se utilizam mais e pronto ponto. O significado e a sonoridade nem
atrai mais os usuários os escrevinhadores os falantes os comunicadores os
palestrantes os locutores e narradores. E sua grafia ortografia perdeu o senso
o juízo a razão de ser a forma (ou fôrma) de ser. Embora a mesma mensagem.
- Oquei! Sinfonicamente os céus
orquestrados e cor e som, é. - tatua-1.
Outra lógica provavelmente assumida,
e nem sempre bastarda, era que a decomposição das mortas dos desaparecidos subia
do subsolo das entranhas da terra do solo e passava a contaminar o ar
respirável a atmosfera a cidade. E tudo isso, pensa bem!, jogado na ilha e
transportado levado de cá pra lá pelos ventos ou pelas água das chuvas e
correntes marinhas. Era tudo uma lógica possível sim e ou periclitante.
- Palavras aposentadas e distantes
de nós mortais e que ainda disparam causam estragos como metralhadoras detonando
metralhando - na interpretação da tatua-1.
- Sim, um ra-pa-ta-táaaa!...
supermetralhado. E eu pegaria aqui citaria agora mesmo algumas para exemplo e
ilustração de comentário: alancear, regozijo, infâmia, mundano, lacaio,
canalha, ignomínia, ogiva, maranha - expandiu o tatu-2.
- Oxaláaaa!... Acho cá comigo se uma
palavra provê ajuda atende supre... ela pode e deve andar aí na boca do povo,
tá! - comentou anunciou a tatua-1.
- Mas bah tchê, guria!... Uma duas
centenas de palavras... nem nada atrapalham. Quanto mais melhor - esta a ideia
de tatu-1, apadroando apadrinhando prestigiando patrocinando seu ganha pão seu
produto de troca de câmbio e de fazer mânei.
E o grupo só estava no começo da
labuta e transpirando. Outros cofres casulos cubos viriam. Outras amostras de
velharia se desenterrariam. Mais defuntas para exumarem. Com cuidado para nem
exporem as múmias ao ar salgado e livre do litoral, vai que o choque de
realidade e as desintegrem virando pó. E aí todo o serviço todo o esforço o
suor do rosto nem valeria a pena. Todo cuidado com as relíquias.
- Oi!... Temos aqui um exemplar
muito peculiar... - mostrava certa palavra a tatua-2. - Vejam que produto:
encomiar... que quer significar ou dizer também elogiar e louvar. Agora por que
enterrar a dita cuja, encomiar? Nem é falta de humanidade? Eu pergunto e eu
respondo, opinião: é! Pobre da palavrinha, meu! Hein, meus patrícios?!
- Respeito sua inquietude e assino
embaixo - se manifestou solidária a tatua-1.
- Todo cuidado é muito pouco. E
reparem nesta lista de boa conduta, meus caros e caras: elação, elevação,
altivez, orgulho. Nem é legal? Por que entraram em desuso e em desalinho? Nem
tô entendendo, gente! - repassava novamente o tatu-2.
- Tenho até que concordar contigo e registro.
Olhem e cheirem e toquem: alarve e grosseiro e parvo; aluir e sacudir e abalar;
azoinar e bezoar e zoar. São trios, meus tios! Trios de violeiros caipiras
performáticos? - mostrava exibia e perguntava interrogava inquiria o tatu-1 - Vamos
sair da zona de conforto, pessoal! Tirem uma foto!
Os filhotes, desses tatus-de-mão-amarela,
ficavam espreitando os pais os tios os grandes. Meio que isolados. Qualquer
coisa que lhes eram solicitadas já se posicionavam a favor e prontamente.
Seguiam o exemplo dos mais velhos dos maiores dos coroas dos pais. Ficavam aí
catando e ajudando alcançando e pegando ferramentas. Limpavam as defuntas do
encardido da terra da sujeira do fosfato de anos a fio guardadas no fundo do
poço tentando aliviar da ferrugem do anonimato da perseguição política do
deboche acadêmico da gíria inovadora. Falavam muito entre eles pirralhos e com
os velhos os da terceira idade mais com monossílabos gestos sinais macaquices.
Volta e meia, quando os pais se distraíam, brincavam com velhas e deterioradas
palavras que começavam com vogais: esmo, arrojo, âmbito, algor, aplacar,
inculcar, espadanar. E sem saber o significado, se eram palavras duras ou
suaves, enfim.
- Ei!... Pai, esse buraco pode
chegar a encontrar petróleo? - pergunta do tu-1.
- Petróleo, filhote?! - respondia o
pai dele o tatu-1. - Nós estamos na subida do morro. Acho brabo espirrar gasolina
benzina querosene daí de baixo. Somente terra vermelha adubo humo húmus e
pedras basálticas basalto. Mas sonhar nem custa...
Daí um minuto já esbarravam com
outra urna úrnula repleta de objetos obsoletos ou ditos arcaicos. Destampavam e
sempre havia uma surpresa ou o sentimento de que as palavras podiam vir
acompanhadas de aranhas escorpiões vermes lacraias tesourinhas centopeias minhocas
sapos lagartixas lombrigas. Então, quando isso acontece, uns se recolhem se
afastam e só os mais destemidos trabalham. Alguns adultos até aproveitam e
fazem um lanche rápido, exemplos para os mais novos os pequenos tatus.
- Que temos aqui... - ciscava
separando afastando os objetos encontrados o tatu-2. - Esta caixa este pacote
embrulho presente veio provavelmente de uma família rica ricaça poderosa
abastada virtuosa de posses. Senão, vejamos aí: pajem, solenidade, fidalgo,
púrpura, vassalo, salamaleque, gabola, comenda, ordenança, cocheiro, sege.
- Outrossim! Por que estas morreram?
- pergunta do tu-2, mostrando as mãos as garras cheias de exemplares
ultrapassados expressões perdidas no tempo e no espaço.
-
Eu vejo... ah!, sim. Benemérita... be-ne-mé-ri-ta! É que é uma palavra
religiosa e as religiões estão sendo muito caçadas e pressionadas ultimamente,
é. Eu vejo assim, nem sei vocês amigos minha gente - informou o pai do menino,
seu tatu-2.
- É, pode ser, compadre - declarou tatu-1.
- O pessimismo parece que está vencendo. A falta de ídolos santos sagrados
consagradas santas. Ninguém vai à missa.
- Oi!... Nem há quase quase nenhum
mais seminário pra seminaristas, sabem! As irmãs de caridade estão atendendo a
domicílio. Agora seria patrocínio ou apoio. Mudaram as razões? Nem sei, mas
mudaram os valores... os impostos. Para nem pagar imposto se aposta em
patrocínio e nem em beneficência benemerência. Acho eu, nem tenho certeza
certeza - anunciava a dona tatua-1 e mãe da tua-1e do tu-1 e tu-2.
- Concordo mesmo. Falando nisso,
olhem aqui... Tenho e temos uns exemplos e tipos que atendem ao que estávamos
conversando: lecionar, capelão, comungar, bonomia, abnegado, asilado, cordial,
desvelo, preceito - dizia e mostrava o tatu-2.
- Aqui neste jazigo jaz jazem jazer
jazidas arqueológicas jazidos paleontológicos - sintonizava o tatu-1. - Este
jazigo e monumento funerário trás contrastes feros e vejamos: embate, flagelo,
assecla, possesso, pasmo, sanha, atrocidade, remorso, imolar.
- No nosso dia a dia nem precisamos
destas palavras. Mas porém deve de haver gente e em alguma parte que as adora,
né?! - articulava a nobre tatua-2. - É o que penso.
Chegavam aí já pelas 21h e 45min.
Alguns deles já estavam mostrando certo cansaço e fadiga. Os filhotes é que procuravam
brincar de outras coisas e jogar bolita subir e descer os montes de terra
escorregando no tobogã, mas sem ir muito longe que já vinham gritos fremido de
alerta. Podiam se perder por esses túneis abertos, catacumbas destroçadas,
pilhas de caixotes despregados, tumbas partidas ao meio, buracos e mais buracos,
crateras lunares, sumidouros iguais os labirintos, caçapas, arapucas.
- Ou-ou-ou! Estas foram atacadas de
cupins ou térmitas, e muito difícil de ter algum valor. Mesmo um valor
sentimental, eu diria - dizia e atrevidamente apresentava a mãe tatua-2. - Dificilmente
posso ler e já se esfarelam nas minhas unhas: híspida, suíças, soturno,
cordura, necrotério, engelhado, lustro, venerar, sarro, engulho, baça. Vamos
ter de vender com desconto, eu suponho. Vamos vender no ‘leve 5 e pague 1’.
- Por mim, né! Jogue-as fora. Tenho
coisas melhores e em alto preço para apresentar - recomendava a dona tatua-1. -
Olhem estes substantivos concretos, se nem são umas graças: apólice, infante,
monturo, promontório, marchante, madeixa, caixeta.
- Aguardem aguentem essas ensopadas
de pranto alagadas de lamentos: infortúnio e paupérrimo e misantropo e franzino
e decrépito e desamparado e mendicidade e indigente e escarnecido - tantas
palavras baixos-astrais fizeram o tatu-2 cansar perder o ar e pedir água
mineral. - Juro que nem sou dicionarista enciclopedista etimologista... Como
chama mesmo de fato um aleatório colecionador de palavras?
Perguntar a uma 1 palavra pelas
palavras. O que uma palavras acha de outra palavra. Passando as palavras em
revista e de palavra em palavra, que acham as palavras nos seus significados
mais profundos íntimos? As palavras termos têm verdades aos montes verdades
amontoadas? E tem uma 1 palavra pelas outras? Um som que resuma o que as outras
poderiam pensar? As palavras os nomes podem e devem galgar penedos as alturas
das estrelas vertiginosas dos astros longos oblongos que sempre fará bem.
Palavras são gritos barulho sons onomatopeias sonoplastia concertos
orquestrados.
- Ei!... Ovações orações e geniais.
De repente exaltação vira torcer e torce retorce destorce seja torcedor de
torcicolo, é. - materializava sua empolgação a tatua-2.
Porque vamos e viemos, é um caso
sério lidar com significados e quando nem precisamos deles, ou dela ou dele.
Ninguém merece passar por isso. Todo dia e a qualquer hora ficar pensando
abobrinhas e largar indiretas. Ninguém nasceu com palavras na boca. Então, por
que essa razão toda? Parece melhor e mais importante que o ar que se respira a
água que se bebe o chão que se caminha caminhamos e se pisa.
- Sim. Uma fauna verbal
pré-histórica nos acompanha - achou o hilário tatu-1.
- O nosso melhor cliente lá de
Carambeí, ele mesmo neto de enciclopedista, nos pede sempre as palavras mais
esquecidas e até difíceis de lembrar o significado o entendido o compreendido:
perdulário, borboletear, marinhar, guarida, incude, baga, engolfar, rediviva -
gastou mesmo o verbo nesta hora o tatu-2, este seu nome próprio personativo de
batismo. - Mesmo espero nem misturar confundir complicar embaraçar.
- Olá!... Temos ótimos clientes em
Rio Negrinho e em todo o vale do Itapocu.
- Eu lembro das distintas Mercedes,
Pato Bragado, Berizal, Rio Pardo de Minas.
- Oquei! E tudo que vem para somar
progredir mudar... - relatava tatu-2.
- Efetivamente, uai!... Mais o resto
de passagem que já vem ver em o devir.
Durante a noite se adiantando,
talvez umas 23h, a cobiça dos cobiçosos levou a crer e fazia crer que eles se
encontravam se achavam entravam num estado de êxtase de impunidade imunidade ou
de direito por aquilo que estavam roubando se apropriando subtraindo. Se é que
sempre me explico. E assim nem olham mais para o lado e o exercício que é
noturno e escondido e perigoso passa a ser normal como um ganha-pão corriqueiro
qualquer e tradicional. Assim também agem outros larápios tais como podemos
citar os funcionários públicos os colaboradores de muito tempo de suas empresas
e na mesma função os políticos de todas as esferas os escrevinhadores
copiadores e mais vendidos os entendidos que querem ser doutores plagiadores (que
estes últimos os mais notórios emblemáticos sem constrangimento e nem há
dúvidas).
- Ah, quer saber? Pra que tantas
palavras e dizeres e ditos, senhores? - tatu-1.
Como e se sabe um filhote já pensou
sobre isso, escavando demasiado se pode sim chegar a achar água ou petróleo ou
fósseis de dinossauros ou um tesouro de jesuíta. Todos os quatro filhotes ali
eram ágeis e arteiros. E um futuro longo pela frente.
- Os tesouros os piratas os
imperadores... Isso tudo seria muito bom... - tatua-2.
Também se pode encontrar relíquias e
pedaços de construções muito antigas perto junto ao mesmo tempo que tumbas de
palavras. Mas o que intriga muitos analistas desse sistema de perfuração e
catação captação, e que se pode e se deve um dia uma hora um minuto acontecer
por acaso, é sim chegar também ao inferno ao panelão da sopa ardente ao lugar
do diacho pé-cascudo dragão mafarrico jurupari a casa do diabo o cornudo. E
pode ser que já chegaram alguns. E outros, nem sempre os mesmos, encontraram os
caldeirões fumegantes do submundo. O que se sabe nem se sabe, só se especula:
se alguém chegou nem pôde voltar ou nem quis voltar. E a meu ver, hem!
- Agora eu vi vantagem, gente boa,
uaaaau!... - vibrou seu grito de entusiasmo o tatu-1. - Achei palavras escritas
em tijolinhos, que coisa! Cozinhados em forno brando.
E mostrava as peças com os nomes
escritos. Passava a mão para tirar o barro ou a sujeira o esterco o húmus o
adubo de terra roxa. Pareciam originais bem conservados.
- Viva a sorte grande, né, meu?! E
nem só tijolinhos de barro cozido, temos azulejos... olhem, tabuinhas muito bem
conservadas ao lado de desenhos estampas xilogravuras ou espécie de taxidermia!
- voltava a mostrar todo eufórico e triunfal.
- Que lega! Nos conta tudo e nem
faça tanto mistério, senhor tatu-1 - miou a tatua-1, lhana franca sincera
singela e favorita do consorte companheiro cônjuge.
- Sim, senhora, minha querida esposa!
E temos aqui uns dizeres sugestivos e a pedido dos ouvintes: abastança, sindicar,
padroeiro, opulência, praxe, setuagenário, garridice, encruzar e encruzilhar. Palavras
e nomes que merecem nova oportunidade na vida antes que na morte. Palavras são
destinos que estão e nem se apagam mais, é.
- Vale dizer e digo que vêm com
origem e etimologia, hem?! - questão do tatu-2.
- Olha que nem, meu caro colega
cavoucador cavouqueiro escavador - seguia explicando e relatando o esforçado tatu-1.
- Cada uma devia representar uma conduta e determinada e escolhida por algum
motivo oculto secreto. E assim, naquele dia naquele mês naquele ano. Para uma
cidade uma pessoa um povoado uma comemoração.
- Eu acho isso muito tocante e
bonito e interpretativo, é - lembrou a tatua-2.
- Mais que isso só dois disso,
ahahahahah!... - nem se conteve o filhote tu-2.
Tudo isso vale valia alguma coisa
pra alguém em algum lugar, só procurar ofertar oferecer candidatar. É o que se
pensa. É o que se sabe. É o que eles procuram encontrar no cemitério no terreno
terreiro de todos e de ninguém. E corre solto o mercado aberto fechado negro
branco pardo de ações paralelo e etc. Como se diz e se comprova; se há procura
há oferta, se há quem compra há quem vende. E se nem tem pra oferecer, se
fabrica. Se nem há fábrica para o produto, se dá um jeito. Palavras nem faltam
no mercado mas sempre cabem mais algumas. Dois milhões de palavras novas
neologismos são plantadas todos os anos e pelo menos umas cem ou cento e vinte
vingam nascem crescem e frutificam proliferam dão cria se renovam e respiram.
- Vejam! Vamos às mercadorias mercados
de Jales e Santa Salete...
E alguns minutos antes da
meia-noite, que ninguém nem eles queriam pagar o pato ou ver para crer, pegaram
rapidinho suas tralhas e despojos e objetos amealhados e se mandaram do local.
Que as almas das palavras podiam agarrá-los pelas garras e patas ou petas!
Enfim, o que D dirá diz diria sobre tudo isso?! Horas mortas da noite...
- O último apague a luz e as pegadas!
- alguém algum tatu gritou de gozador.
As palavras foram feitas a nossa
imagem e semelhança. Então, nem se deve nem devemos nos queixar. Expressões
verbo vocábulo dizem muito de nós os moscões, óbvio. São nossas traduções mais
aceitas mais humanizadas que os uivos zurros brados grunhidos grunhires gritos
aplausos vivar vivas ovacionar matraqueares crocitares.
- Valeu tudo! Com o devido respeito
e assim, hem! D que sabe de todas as palavras e o diabo das que foram ao seu
encontro por livre e espontânea escolha - já coloca colocando o filosofo de
horas indeterminadas incertas, tatu-2.
- Oquei!... Quem tem palavras vai a
sp e volta, hem?! - decretou a tatua-2.
Saídos do mundo dos mortos e dos
escombros malcheirosos, e pela portinhola detrás, pretendiam ainda jantar numa
barraca tenda quiosque de a beira-mar. Assim andaram mais uns dois km e,
passando por baixo do cupuaçueiro, avistaram sem dúvidas sem querer a presente
suindara. E ela estava ali e olhando como faz olhar. Se cumprimentaram como
conhecidos de vista, vista grossa, haja em vista, ter debaixo das vistas, à
vista desarmada, vista periférica, até a vista e até lá em Boa Vista-rr:
- Oi, nossa comadre e de filha de D!
Boa noite, dona emplumada suindara!
- Boas noites, turma jovial e proba
da espécie dos tatus! Folgo em revê-los!
O tatu-1 parou e se voltou, o grupo
também resolveu parar, pararam. O que que tatu-1 queria fazer pensou resolver? E
ele perguntou, se dirigindo à coruja empoleirada:
- Opa!... Vai umas palavras aí, de
presente e doação? Aceita? É de coração!
- Olha, o que vem do coração é
verdadeiro. Posso? - piou a coruja, e já voando, ‘flo-plo-ploooo!...’ de
encontro aos presentes às ofertas aos prêmios. - E que honra!
E a ave escolheu algumas e outras e
as mais significativas ou intrigantes. Reparou algumas e mais estas e aquelas.
Se decidiu por estas mesmas: sutil, mimosa, delicada, meiga, gentil, esbelta,
avoada. Sorriu agradeceu mandou um beijo e voou de volta ao poleiro preferido,
toda empolgada e renovada. Contente com as dádivas. Olhando e reolhando revirando
interpretando alisando acarinhando as dádivas presentes.
- Crei-crei-crei!... Legal! Muito me
alegram o dia e a noite estas mesmas palavras, gente! - ainda agradecia a ave
noturna, sempre lhana suave risonha fofa.
Sem se deterem mais, já a família
pegava a rua Salvador de Menezes de Mendonça e seguia bem no meio da vila Ônix.
Sempre pela sombra para nem esbarrar com espécies contrárias ou inoportunas
importunas ingratas que vivem para pedir favores empréstimos obséquios. E quem
caminha alcança e quem anda avança e quem tem quatro pernas nem precisa voar,
chegaram ao dito redito boteco e lancheria Regatas, comércio do amigo velho
(tatupeba) Mamute. Era sim um recinto honesto honestíssimo.
- Salta o de sempre e para todos,
seu Mamute! Boa nota, amigão! - quem gritou ainda chegando foi o tatu-1, líder
do bando, largando o saco de palavras no chão.
- Opa, gente nossa! É pra já e
agorinha mesmo imediato! - pronto respondeu no mesmo tom o proprietário,
matreiro manhoso bicheiro (funcionário da coletoria e também escrivão, durante
o dia). Boas noites, fregueses! Há quanto tempo, hein?!
- Desde ontem, ahahahah!... - que
todos acharam hilário e todos sempre acham de repetir a mesma gozação em
uníssono. - E no mais, tudo bem?! Tudo oquei?!
- Toca aqui! Muitas palavras
apreendidas? Cataram algumas estapafúrdias? - estendia a manopla de gigante o
Mamute, e de fato pegava com tudo e apertava até estalar os ossos do oponente e
fazia questão. - Pelos fardos cheios abarrotadíssimos e transbordantes, a
colheita deve ter sido bem grande e rica e maravilhosa, hein?!
- Agora! Certos efes-e-erres,
minudências detalhes malbaratos - disse tatua-2.
- Ka-ra-ka-kaaa!... Qual o quê! Quer
algumas pra pensar ou recordar ou ilustrar? Pode escolher à vontade e esteja à
vontade e a gosto - convidou o tatu-2.
- Confia? Pois vou escolher mesmo.
Deixe ver... e dá licença. Salve salve, gente!
E desceu um pf redondo e piramidal
para todos. Cada tatu com sua fome seu olho grande na barriga. Cada um tinha
sua bebida preferida refrigerada e já sabida. Os desnutridos absorveram comeram
tudo e sem deixar sobras ou migalhas. Só uma coisa é mais importante que comer:
apetite. Só uma coisa e melhor que comer: fome.
- Fico com esta aqui - explicou seu
Mamute. - É para minha filha que estuda em Mesópolis. Ela sempre me pede: patentear.
Que tal? Esta palavra rende rendas e prendas. Vou mandar pelo correio vou
embalar direitinho vou fazer surpresa.
- Upa!... Boa escolha para uma
estudante. Ela estuda o quê? - perguntou tatua-1, e devia ter por essa ocasião
uns quatro anos de idade (uns: artigo indefinido plural).
- Estuda biologia e botânica. Quer
ser cientista e descobrir uma vacina, pode?!
- Hora boa. Nem só pode como vai
acontecer. Escolha mais, leve estas, uma só é pouco para tanto estudar e
analisar: inquirir, arvorar, elevar, exaltar, levantar, alardear.
- Sim. Cada palavra remete a um mundo à
parte um mundo de mundos e fundos - completou a tatua-1. - Cada coisa deste
mundo existe com seu nome nomeado(a).
Manhãzinha e o bruxulear bruxuleio
da madruga. Ali aqui e outros lugares do país, já saía a noite para adentrar iniciar
o dia. Para lá e alguns lugares da longitude e latitude o rio Tajapuru o rio
Cajari o rio São José dos Dourados, acordavam ribeirinhos cidades povos e Afuá,
Carazinho, Vitória do Jari (acesso a partir de Belém: de barco, com 12h,
partindo dos portos de São Domingos e Bom Jesus e Tamandaré e Custódio e
Comercial e Mundurucus e Ankel; ou avião, 40 minutos, saindo do aeroporto Júlio
César - fontes: senatram, ibge, pnud, idh-m). Uma 1 manhã para muitos afazeres.
Na saída aquele pedido solicitação favor
obséquio e já normal:
- Ora essa e me diga logo. Caso
descaso o seguinte... Põe na conta, seu Mamute!
- Afortunadamente e em tempo. No dia de
são nunca te pagaremos e com juros!
- Já sei, tô ligado! Podem deixar e
obrigado! Voltem sempre! Tá tudo em casa!
Uma araracanga imita um
gurandi-azul, uma dormideira imita um caacambuí, um tracajá imita uma jabota,
uma juruva imita um juruva, uma azulona imita um ubu.
E quem nem quer ir de visita visitar
turistar por São João do Paraíso, Ninheira, Rondon, Corupá (tupi: ‘lugar de
muitas pedras ou paradeiro de seixos rolados’), cachoeira do Salto Grande,
praia artificial Anita Wanderer em o lago de Itaipu.
- O dinheiro nem é problema - achou
dizer o tatu-1. - Problema é pagar.
- É solução, kjá-kjá-kjá!... - completou
o tatu-2. - E soluços solavancos sustos.
Todavia nem só de tatus é feita a
história dos temas e motes e enredos com ou sem busca de palavras nomes verbos
expressões vocábulos. Alguns passageiros e tripulantes soldados marinheiros
viajantes turistas ainda estavam em terra. E tinham planos de chegar ao destino
locativos e Mazagão, Almeirim, Nova Castilho, Utinga (tupi: ‘águas claras ou
rio branco’), Floreal, Magda, Votuporanga (tupi: ‘bons ventos, bons ares,
brisas suaves; morro bonito’ - fonte, tupinólogo Eduardo de Almeida Navarro). E
o mundo um mundo tão atrativo, hem?! Creiam, digamos, abstínhamo-nos.
Para os brasileiros(as) da época
monárquica, Dom Pedro II era um pai e avô. Todas as cidades todas falam do
sabor de todas as suas ruas logradouros avenidas praças igrejas estádios clubes
escolas repartições públicas, do sabor da terra, do sabor. O sol tem sorte
recém e a cada dia quando no caminho conhece o diário da casa o lar o pessoal
da casa o mascote da família. O mundo cheio de novidades e no capricho.
Devo calar-me, devo me calar,
devo-me calar. Comigo a sorte chegou à casa das aves e apacanins,
marrecas-dos-pés-encarnados, araras-verdes, inhambus-tonas. Recusaram um milhão
de reais pela casa e móveis. Voltei a casa, fui para casa, fico em casa, saio de
casa. Vi e revi no terreiro de casa que as aves são bem mais arriscas que os
mamíferos. Ouvia e via as aves belas emplumadas cantoras mais competentes.
Solerte, ir e vir variar variedades voltar voltear revoltar revolução volutas.
O que se projeta o que se acha justo
e honesto e direito o diabo diabada nem aceita e diz nunca, o manfarrico
chavelhudo cafuçu brazabum temba peneireiro lá-de-baixo. O que se quer o diacho
nem aceita, o taneco bute farrapeiro moleque-de-surrão nico. O que tem de ser o
dialho nem cogita, o provinco capa-verde azucrim zarapelho debo. O que se
tenciona o diabro nem cisma, o romãozinho dubá carocho berzabu.
Bem no início da jogada no meio da
quadra poliesportiva de vôlei, debaixo da rede ao lado da rede que divide, no
princípio do lance no meio do ginásio Gigantinho (perto da praça Jovino Maria
da Costa e cerca da escola estadual Benevenuto Alves Moreira), a onça-pintada e
já sentada pachola como de hábito os cães. Que aguardava aí? As atletas
jogadoras para treino da terça-feira? Aí aguardava quê? Esperava pacientemente
e sem comer manducar nacos pastos sequer um chocolate um sorvete de pequi um
pastel de queijo com garapa. Logo as luzes se acenderam e eis que surgem umas
voleibolistas que já se espantam alertas quase em pânico com a felina feminina
moça ou menina. Juraram por D as jogadoras de vôlei que ligaram imediatamente o
mais rápido possível sem demora aos órgãos competentes encarregados de casos
assim. Chegaram polícias locais motorizados com motos bicicletas carros camburões
e mais reforços anunciando sirenes em altos ruídos vindos de Vitória Brasil o
corpo de bombeiros a defesa civil um comando do terceiro exército com base em
Canoas ongues saites blogues iutúbis de diferentes marcas e procedências e
interesses. A onça levou um tiro, ‘pleeee-te!... ou bleeee-que!...’ um
tirombaço tiraço no cocuruto atrás assim ali da cabeça no cachaço que a fez
tirar pra dançar gingar de-sen-ca-mi-nhar e... desmaiou.
Se você reparar seguido sempre de forma
continuada na noite, o que vem até tua cabeça das ideias? Já sei, e é o que se
passa comigo. Que os fins justifiquem os seios. E que o universo arredonda os
astros. Que tudo dará certo e como está desenhado no frontispício frontaria
fachada portada. E assim mesmo e para agradar o Quem!
Que todos os ingredientes estão aí,
e oi!...
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