quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Seres Pendentes de Nuvens - (12)

 

                                               

 

            Quando eu te disser... Se eu falar ninguém acredita. O parque Rastaquera foi premiado com um disco voador dos bons, ao natural. Sim, a peça gigantesca caiu dos ares siderais veio do cosmos e adentrou o sistema solar já escolhendo a Terra. Pousou e abriu uma escotilha diminuta... Que aí vaza um ser lá de dentro do interior, um tripulante. Pula fora da nave navegante e dá um pulo espetacular... já uma mula sem cabeça e uivando (?), ‘u-ruuuu! u-ruuuu!...’ Querem crer ou nem. E está aí bem pulada relinchando, ‘ih-éeee!...’ e no lugar da cabeça uma labareda. A superstição prevê dá a entender que está aí quem sabe mula de padre. Sempre no começo (fonte: dh) da noite de quinta-feira até o fim da noite de sexta-feira. A lenda jura que esta espécie seria uma mulher modificada amaldiçoada um monstro. Quem a vê de longe identifica como bem uma burrinha que galopa, ‘paco-to-tá! paco-to-tá!...’ os cascos ferrados e aí pelo interior da roça zona da sua preferência estrada de chão batido a área de atuação. Como uma fantasma sem cabeça e despejando fogo lança-chamas. Assombra quem encontra ao acaso, os animais as pessoas e bufa assopra: ‘Me dá tua camisa!, me passe o teu dinheiro!, me devolva a minha bolsa! me descola aí seu cinto com fivela e tudo!...’ E assim por diante sem sossego histérica. Quem sabe quem vê, no lugar da cabeça tem fogo chama labareda língua de fogo. Quem aí no sítio já vai ver burrinha correndo no pasto à noite? Uma vez por semana terá que sair e assombrar todos que encontrar. Quem tem medo de mula sem cabeça? Se tem medo nem sai na sexta-feira escura, pronto. A mula sem cabeça vai casar casará com o caipora? Tem gente que conta e aumenta um ponto. Ora se tem alienígena que vem do céu assombrar aqui!

            Por uns dias de férias chegou uma parente e pousou duas noites com a família. Foi tudo bem e a família retribuía as visitas indo lá, Itabira (em tupi, ‘a pedra que brilha’), onde morava a tia Âmita. Era uma troca justa e as famílias que se dão bem fazem isso costumeiramente. Coisa de se copiar porque é muito legal. Crêssemos.

            - Oie! A tia cumpriu a promessa e veio nos visitar. Obrigada e parabéns!

            - Eu já tinha dito e repetido que um dia faria uma surpresa. Espero que agradável. Eu nem gosto de chegar e estragar tudo. Eu sou eu foi meu pai que me fez!

            - Nem falar, tia Âmita. Nós vamos inclusive dar um rolê pela cidade e etc.

            - Como adivinhou meu gosto. Isso tudo muito me anima, é. In-vul-ne-rá-vel!

            - Vê! Se tenho sim uma dificuldade já em desenhar... - lembrava a menina Gaita - Acho que seria, sério!, desenhar a letra h. Pois que deixo na dúvida parecido com b.

            - Olha só que coincidência, sobrinha! Eu nem prefiro o número 7. Me diz!

            E aí a credulidade é fácil e imediata. Como quando ela a tia Âmita, por parte de pai, falou e discorreu sobre os benefícios do remédio tal que ajuda combater em o combate (combater, combate: substantivo de derivação regressiva, pós-verbal ou deverbal) das dores lombares gastrite artrites diarreias depressão azias má digestão. Muito recomendado já acompanhado de muita fé e orações e boas vibrações. Total: R$140,00 e uma caixinha com 10 frascos cada frasco 20 comprimidos. Tomar uma vez por dia sempre depois do café da manhã. Nem pode esquecer que o tratamento e orações e de orar. Se por acaso parar de tomar o corpo ficará débil, se tomar mais de um por dia sobrecarregará o organismo. Aceita pix e ou dinheiro à vista. Pode pedir pela internet.

            - Vou lá pegar o dinheiro - disse a mãe, saindo para buscar a bolsa no quarto de dormir - Só um instantezinho. Eu já estava precisando de um remédio assim e eficaz.

            - Olha! Você pode ler o endereço virtual e pedir mais e o quanto quiser, parente!

            Que a menina Gaita era esperta, ah!, isso era. E todavia meio que confundia esses hiatos de sinérese e diérese. Que a professora preceituou o seguinte: as palavras com acento tônico respeitam as oxítonas paroxítonas proparoxítonas. E os alunos, e ela Gaita, inocentemente aquiesceram e confirmaram e disseram que sim. Então, aula concluída aula dada. Missão cumprida. Trabalho de sabatina na quinta-feira, sem falta.

            - Quando voltaremos ao assunto? - questionou a profe - Olhem na agenda de aula, gente! Quando retornaremos a recordar a explicação? Tenho sempre que alertar.

            A máquina aperfeiçoada azeitada está aos poucos transferindo seus passageiros imigrantes clandestinos. O parque Rastaquera (dia e noite), bem localizado (flora e fauna), bem arborizado e candeias-de-caju, panapaná de borboletas labaredas, caxinguelês, coaracimimbis, guaporangas, bem-te-vis-do-chão, bem-casados... E risca aí solteirão o famoso rio Retiro afluente do rio das Antas. Então, vejam todos, a caipora pisa cá fora. Que coisa, meu! Sim, entidade secreta fantástica espetacular sem igual na Terra. Chega chegando de chegada. Desde já aceita prefere a floresta como seu doce lar e residência. Tanto e assim que dará azar para caçadores mateiros trilhadores garimpeiros. Caipora ou caapora na relação genitiva que remete ao ‘habitante do mato’, caso dela. Uma caipora já se perde diante de tanta mata: haveria possibilidade de mais e procriação de caaporas? A idade dela atual varia entre 19 e 91. Ela prefere e adora e gosta viajar pelo território já geralmente embarcada num cateto ou porco-do-mato ou queixada. Ocupa e atua nesta área. Reconhece que nem tem tempo. Já se apega tanto quanto muito ao mundo animal e florestal que nem cogita sair mudar trocar. O pessoal que invade floresta deverá temê-la e muito, vamos pôr assim. E a respeitará também. Que sorte será topar com ela em pleno matinho. E o bicho ou a pessoa se assombrará: ‘É ela!’ Sim, óbvio, um ser diferente extravagante extraordinário urgente e demais raridades pessoais. Nada da sua fisionomia faz sentido. Adquire repentinamente forte relação de confiança com os habitantes da floresta e nada a ver com os urbanos pessoas e animais domésticos. Será por quê? Hoje alguém já pode investigar. Esta caipora nem tem família, ou seja ou melhor ou é, veio de passageira estranha e do outro mundo ou mesmo de outra galáxia. Gosta muito, como se disse, de mato e nada nem um pouco de praia e asfalto e apartamento e centros comerciais. Ser notório cor pinhão com longa cabeleira trançada de lianas ramos verdes flores floridas bonitas.

            Então que apareceu em casa da Gaita da família no pátio da residência, um animal pré-histórico. Na verdade um tatu da espécie peba, tatupeba (léxico de origem tupi). Apareceu do nada mesmo. E já estava aí. Que queria ou nem queria? Oxalá!

            - Opa! Aprendi na escola que há diferença entre geografia e biografia - marchou a menina, já avisando avistando a mãe o pai interessados no aprendizado da guria.

            - A porta está fechada mas nem trancada. Vagueza vaga vaguidade vaguidão vagueira. Minha filha filhinha, escute a mãe. E é pra levar pra sempre, viu?!

            - É o quê?! Afável dócil brando tíbio brandura. Faça o que digo e esquece o que eu faço, meu doce de abóbora. Seremos cidadãos nova xavantenses em Nova Xavantina.

            E o bicho tatu ali e pedindo o de-quê. Foi o Pebolim quem o encontrou, uma manhã bem cedo, amanhecer (verbo incoativo inicial inceptivo) pra lá de esperançoso. E se viram e um nem entendeu o outro. Pensaram que eram inimigos desde sempre, embora nem nunca tinham cruzado ou se visto antes? Vai ver que sim. Vai ver o quê?!

            - Au!... “Você aqui? Quem é você? Você é da floresta ou da cidade?”

            - Chempe!... “Acho que sim. Mas eu acho muito e mil coisas por dia.”

            - Rau-lau-nau!... “Tal e qual! Você quase tem um cascão e poucos pelos, meu!”

            - Chempe!... “Pura pelagem! Você anda em 4 pernas bem distantes do chão, é!”

            Será que o mundo precisava de outro projeto? O sol sabia por que sim sabia. O astro-rei nunca se apressa e está sempre seguro do horário e na mesma velocidade adequada já acostumada habitual necessária justa eficiente. Tanto na rua tanto na cidade como no mundo que só D conhece. Sol hirto tenso espetado retesado estacado imóvel. Conforme se diz e se fotografa, sol de Três Barras e Mafra e Santa Teresinha e Santa Teresinha de Itaipu (itaipuenses). Por mais que gritassem pipilassem as aladas anus-pretos carquejas-de-bico-amarelo gavião-caramujeiro marrecas-de-cabeça-preta.

            - A convivência com os tipos. Nem refugue evite adie protele postergue.

            - Tente ao menos. Em casa ou na rua, as horas perfeitas ou eternas ou necessárias. Esquece o contrário infenso hostil oponente adverso. Tão gigantesco!

            Enlevo de pouca duração. Sim, é possível. Arroubamento, este também. Êxtase no auge da mania de querer. Quase um doce certo faceiro alegre gritante alheamento. Doravante está permitido esperar que caia o tesouro do céu. Esperar a esmeralda.

            - Vamos decolar pra que parte do planeta, hum!... Barra do Garças, Novo São Joaquim, Major Vieira, Itaiópolis, Monte Castelo. Em obediência a ordens superiores.

            Surgiu a menina Gaita, mesmo momento do tatu. Ficou pasma e alerta. Reconheceu de outras fotos e pesquisas e documentários de tevê. Se aproximou com as mãos livres e desarmadas e pé ante pé. Se aproximou fortalecida com a coragem. Tentando saber o que ocorria e curiosa. Tentando organizar (verbo que exprime, entre outras noções, a prática de ação) as ideias dentro do raro que via com que se deparava. Sem outra experiência semelhante ou parecida. Perguntando como só sabia perguntar:

            - Pois você veio de onde? Como chegou até nós? Está perdido? Está procurando alguém? Você é um tatu ou uma tatua? - a menina encheu o tatu de perguntas.

            Pois era um tatu. Que o tatupeba nem sabia traduzir a fala da menina nem a garotinha sabia como decifrar idioma de tatu. Até porque tatus falam pouco e resmungam mais. Tatus se agitam e cavoucam. Até porque tatus nem são de conviver com pessoas e outros animais domésticos. Esta espécie animal nem considera o homem os humanos os seres bípedes ditos humanoides como confiáveis. Que é mesmo, hem!

            - Você me entende? Como se chama vossa excelência? Você vem de Guapó? Você está sozinho nesta aventura? Está longe ou perto de casa? Onde moram seus parentes? Me diga de uma vez onde você habita e mora? - Gaita perguntava como uma máquina de perguntas disparando metralhando ao redor e sem parar, ‘ta-ra-ráaaa!...’

            O bicho tatu olhava a menina e procurava ler seus lábios, já que raramente existem tatus que foram à escola aprender línguas. O bicho tatu ouvia mas nem compreendia. O tatu olhava a sua volta temendo passar por um sufoco ou ser aprisionado. Os bichos do mato nem querem saber de pessoas e vida doméstica.

- Como chama seu dono ou dona? Você é natural de Osasco, bairro Presidente Altino? Você é mamífero? - a Gaita continuava sem entender o caso e ainda perplexa.

            E quando nem há explicação ou solução, solucionado está. Então, os três acabaram ficando aí e começaram a se entrosar. Ficaram no pátio e começaram a brincar. Logo brincaram aí mesmo os três novos amigos. A menina com mania de menina, o cão com hábitos de cão, o tatu com costumes de cavoucador escavador. E alguma linguagem universal de grunhidos macaquices mímicas, se comunicavam:

            - Chempe!... “Vou escavar aqui nesta área do pátio, tá limpo?!” - demonstrava indicava com sinais o tatu e quem compreendesse que compreendesse, está feito.

            - Mas por que fazer buraco desnecessário, caro amiguinho tatu? E aliás, qual o seu nome pra que eu possa te conhecer melhor?, me diga! - já a menina queria entrar na mente do novo inquilino da casa (os graus dos substantivos: casa, casarão, casinha).

            - Chempe!... “Escavo porque gosto de raízes novas macias saídas da terra, é.” - continuava desenhando no ar com as patinhas o novo frequentador da área.

            - Nem pode escavar por escavar! E escavar sem apresentação da sua pessoa? Que ridículo, meu! - a menina queria as conversas as apresentações e etc.

            - Chempe!... “Que esta mania de nomes e apelidos e sobrenomes é coisa de dono, tá entendendo?!” - sempre macaqueando sinais e gestos o encouraçado, aliás, todo sujo empoeirado embarrado no trabalho de escavador e lidar com o produto terra.

            - Oi!... Como faz pras pessoas... digo, os tatus te chamarem pra conversa? Como dizem? Ei, você! Vem cá cavar comigo e etc? É assim, sem mais particularidades? - era ainda a guriazinha tentando puxar assunto - O celular deve ter um tradutor de tatutês.

            - Chempe!... “Tatupeba no máximo no máximo resmunga um som sem eco e coisa parecida, chempe!...” - o tatu sempre começava suas considerações gestuais com esses ruídos baixinhos, umas marcações de fala cacoete mania e conformes.

            Que a menina Gaita nem sabia separar iminente de eminente. Palavras bonitas de dizer pronunciar e: translineação, presépio, eletroímã, espoleta, oleogravura, votivo, mafuá. E telefonava com seu telefone (palavra termo léxico de origem grego) última geração acompanhado de capinha moda time de futebol. Formas de plural que são capazes de ir muito longe no espaço e no tempo (até como decoração que faz sentido): ermitão, ermitões ermitãos ermitães; ermitã ermitoa. E distintos até demais. E impacientes. Tão distintos e impassíveis que significados significam.

            - Sim, calcula esta, meu amigo ocasional! Oquei!... Tenho certeza que você é inocente, viu tatu da capa encouraçada! Nem é fugitivo ou espião ou vadio.

            - Chempe!... “Tomara que se estabeleça uma conversa mais ou menos, e por favor!” - temia o tatupeba em vista de tantas perguntas e problemas de relacionamentos ali entre eles. - “Meu mundo nosso mundo é a mistura de mato/urbano, entende?!”

            Que este país tinha e tem muito espaço e em todas as direções que se olha. E os tatus eram presentes de norte a sul e de leste a oeste, uma cruz. As pessoas conheciam e reconheciam tatus. Gente ia ao zoológico ver tatus brincar de cavoucar o interior dos jardins. Pessoas iam ao parque Marinha do Brasil e para ver tatus procurar frutas sob as árvores frutíferas. Cidadãos e cidadãs sabiam dos seus tatus e isso em Apuí, Juruti, Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Altinópolis, São Sebastião do Paraíso (as manifestações culturais do município são a folia de Reis e a festa do Divino Espírito Santo - esta última ocorre sempre 50 dias após as comemorações da páscoa. Acontecem as congadas, festividade inaugurada pelos escravizados africanos. Estas homenagens comemorativas abrigam muita gastronomia com comidas típicas - fonte: ibge, inmet).

            - Olhe, tatu oriundo! Você talvez e assim quem sabe nem vem do distrito do Sacomã o bairro Vila Vermelha a rua Max Berg ou rua Bogaert... Dizem que na praça Flávio Pereira Lalli tem muita espécie parentes seus e com renome municipal estadual federal, quem sabe! Pode dizer que eu acredito em você, sério! Se veio do interior do espaço sideral, veja bem!, também nem tem de quê. - a menina Gaita ou Gaipara rezava pedia implorava por um canal de entendimento na babel linguística fala/gestual.

            - Chempe!... “Escuto muito bem e igual me agrada os gestos e atos de boa companhia.” - expressava o bicho encouraçado atento focado nos amiguinhos.

            Como nesses casos do tatu aparecido no quintal, a menina optou por integrá-lo enturmá-lo à família à equipe ao plantel (substantivo coletivo) à turma aos brinquedos. Chamou os pais e os pais o conheceram. E foi adotado em casco e couraça, e lhe deram um lugar para conviver. Um bicho do mato na vida da família era importante e sim.

            - E ele é ele ou é ela? - indagou na dúvida a mãe. - Parece ele, no entanto.

            - Possivelmente é ele - arriscou dizer e afirmar o pai. - Fêmeas nem saem sozinhas de casa e se aventurar no sertão. Nem preciso examinar mais de perto e digo, é macho. E o fato de estar perdido mais ou menos pelaí é o seguinte: está adolescendo.

            - Mas por que como quem sabe quem viu? - questionou a mãe, sorrindo.

            - Acho também porque usa de barba e longos pelos na cara, ora! - concluiu o pai, sorrindo e se dando por satisfeito - Eu presumo. Eu me convenço rapidamente.

            Quem olhava o (artigo definido) tatupeba achava um (artigo indefinido) bicho estranho. Mas legal. Será que os órgãos competentes o ibama a pf a fab a feb ou sei lá dos municipais estaduais federais vão aceitar essa relação? Parecia lógico e até de bom-tom que soubessem por iniciativa da família. E que viessem saber pessoalmente e ao vivo que por terceiros. Já pensou se fossem denunciados e virassem suspeitos de tráfico contrabando mercado clandestino? E sim, grave seria e o pior poderia cair sentenças sobre as cabeças (cabeça: substantivo simples e primitivo). Outrossim!

            - Acho que é difícil ser tatu, minha gente! - questionava a Gaita. - Então, reparem, todo o tempo olhando pra baixo e cheirando e se esquivando de quem vem...

            A menina achou que tinha que lhe dar um nome e foi pensando. O tatu nem queria nome? Os pais foram consultados mas acharam melhor ela mesma escolher. Que se os tatus nem usavam nomes? Bem, os tatus nem usavam nomes. Ela usava nomes:

            - Que nome, minha ideia? - pensando alto a menina - Nomear ainda hoje.

            - Escolhe um nome do teu agrado, filha! Um nome comum e fácil, faz favor!

            - Que nome, hein?! Nem tenho ideia nem tenho como saber se tatu leva nome próprio disso ou daquilo - a menina cheia de dúvidas e incertezas - Com o que vou me inspirar? Serão três letras ou três sílabas? Será nome apelido do tupi-guarani?

            - Nem precisa ser agora nesta hora, pode ser mais tarde e mesmo amanhã - dizia a mãe - Vai ver que ele ou ela nem está com pressa. Quem sabe quem viu, né?!

            - Vou pensar mesmo. Agora mesmo estou pensando. Nem deixo de pensar. E vou achar um nome próprio e bonito para ele o tatupeba. Quer ele queira ou nem. Porque se ele nem quer, eu quero. Se ele fica com a gente terá um nome e bom nome.

            O universo nem investiga nada, o mundo pergunta tudo e tudo são respostas. Tem gente que indaga sobre tudo e nada. O universo universal é uma incógnita. Há lugares novos que nem conhecemos mas devíamos devemos conhecer e Cocalinho, Campinápolis, Água Boa, Rio do Campo. Muito espaço amplo enorme pra respirar.

            - Sim, acho e suponho que os tatus gostam de comer o mesmo que a gente.

            A menina tinha sempre muito bom humor. E preferia ver o mundo como uma criação. Um mundo real. E o mundo real tinha nome e endereços. Nada de coisas aleatórias. Nada de coisas esvoaçantes (esvoaçar: verbo frequentativo) gotejantes periclitantes reticências... E os mistérios são ótimos decifrados matematicamente.

            - Um nome tem um amigo conhecido. Um amigo se chama pelo nome e ou pelo apelido - assim raciocinava a garotinha Gaita - Que maravilha de exportação!

            Passou uma hora e logo algumas horas de adaptação e o tatupeba já se sentia bem e envolvido. Brincava no pátio com o cão Pebolim e ambos se davam bem. Brincavam os três e pelo quintal pela sala de estar da residência e foram pra cá pra lá. Algumas artes ou brincadeiras que os dois pudessem participar com iguais condições. A casa tinha muitas flores, e vasos com plantas floridas. O jardim era bem cuidado e o verde tomava conta da habitação até onde podia. E as flores largavam muito perfume e cores nos ambientes, principalmente no externo. Vinham insetos e passarinhos para reconhecer visitar o lugar e besourinhos-de-bico-vermelho, anuus, cabeças-secas, periquitões, curicacas, mães-de-sabiá, chapéus-de-couro. A família tinha 1 coleção de orquídeas (glamorosas) pela qual já alguns parentes haviam oferecido milhões e ofertas.

            - Au-au-au!... “Sou tão ágil como você! Sou menos cascudo que você! Eu gosto de demolir vasos de barro cozido e objetos de vidro!” - já articulava o Pebolim (flexionando os adjetivos em grau comparativo de igualdade e de inferioridade).

            - Chempe!... “Sou mais encorpado robusto que você! Sou maior maioral que o próprio planeta e mesmo por dentro da terra!” - sugeria e imitava macaqueava mimicava o tatupeba (flexionando os adjetivos em grau comparativo analítico e sintético).

            Observando melhor o novo amigo ou irmão, a menina parou com a mão segurando o queixo e muito pensativa. Teve vontade de ligar pra alguém. E de repente chegou a uma conclusão. E tinha já o nome do novo mascote xerimbabo:

            - Você vai ser o Amistoso! - e ela nomeou o tatupeba - A-mis-to-so!

            Os dois mascotes tinham uma amizade rara e já em processo. Quando se poderia saber que um cão podia pode ser irmão de um tatu? Uma fraternidade secular. Uma igualdade existencial. Uma semelhança milenar. Um acaso inquebrável intraduzível indecifrável. Uma solidariedade rica e riquíssima, amável e amabilíssima (linguagem enfática). Uma amizade sem responsabilidade, diga-se de passagem.

            - Au-au-au!... “É, nós cães e cadelas nem gostamos de descascar abacaxis. Nem gostamos de fazer dietas ou regimes de emagrecimento” - explicava Pebolim.

            - Chempe!... “Então, os tatus se refugiam na terra e nas profundidades. E nem gostamos de plantar mas de colher e coletar.” - explicava o tatu Amistoso.

            Assim e então, o tatupeba nomeado Amistoso. Se se dava bem com o cão Pebolim, este farejador e aquele fuçador. Até porque os dois farejavam  e rolavam na terra o dia todo se metendo onde nem eram chamados e os focinhos úmidos pela casa toda e o quintal. Passeavam na rua Cauchorana. O cão numa guia e o tatupeba na outra. Um corria para a esquerda o outro já pela direita. Um ia à frente, outro procurava avançar. A menina no meio termo e entre os dois e assim por diante. E o tempo fluía pensativo argumentativo. Paravam em cada árvore tronco em pé.

            - Digo isso, oi!... Eu nem queria passar tanto tempo sem ver e sair com vocês.

            - Au-au-au!... “O casarão da esquina é muito alto! Digo que o casarão da esquina é altíssimo!” - opinião traduzida do Pebolim, enquanto trotavam pela calçada (flexão dos adjetivos no grau superlativo absoluto analítico e sintético).

            - Chempe!... “O muro do casarão é o mais alto de todos! O muro do casarão é maior de todos!” - gesticulava insistentemente o Amistoso (flexão dos adjetivos no grau superlativo relativo de superioridade analítico e sintético).

            - Lau-lau-lau!... “A garagem é menos alta de todas as construções da área, uh!”

            - Nada passa despercebido na rua. A guarita do vigia é menos alta de todas as edificações da rua (flexão do adjetivo em grau superlativo relativo de inferioridade).

            Gaita parecia nem fazer diferença entre os dois mascotes. Adorava os dois ao mesmo tempo e da melhor forma. Lotada cheia cheíssima cheiíssima de razão.

            - Oi!... Vocês querem ir ao zoológico ver outros bichos e animais? - a menina perguntava e fazia a maior arte para ser compreendida pela dupla - Eu prefiro ficar andando no parque, porém... vocês que decidem. E devem decidir ainda hoje.

            - Chempe!... “Lá no zoológico ocasionam outros tatus de amostra?”

            - Zau-zau-zau!... “Eu só vou se a menina prometer sorvete de açaí com pequi!”

            Sim, era tudo que D sempre quis. No caminho até alcançar o zoológico tinha todo um mundo de aparências e realidades. Rua Almirante Alexandrino, bairro Santa Teresa. Espaços aéreos altos superiores azul-ferrete. Árvores esparsas, nobres senhoras, que os pássaros vinham visitar de visita a miúdo amiúde. Passarinhando aí e marrecas-rabo-de-espinho frangos-d’água-carijó mergulhões-caçadores bem-te-vis-do-gado.

            - Olá!... Todos tantos ornados adereçados enfeitados ajaezados. Lembrai-vos!

Logo ali uma fazenda sítio com égua e cavalo (plebeia e plebeu, plebeus; flexão biforme do adjetivo em gênero), ovelha e carneiro (folgazã ou folgazona e folgazão), cabras e bodes (bode corresponde a hircino: este adjetivo erudito), vacas e bois (estes substantivos heteronímios de radicais diferentes), pavoas e pavões (sagrados sacratíssimos), peruas e perus (magníficos magnificentíssimos), leitoas e leitões (superalimentados), mulas e mulos (livres libérrimos de ricos), abelhas e zangões (bela belo belíssimos), papagaia e papagaio-verdadeiro (arremedadores). E mais, serão quantas pessoas funcionários colaboradores e mascotes viviam moravam ali? O dia seria outra vez muito quente. Diário de grandes feitos. Um sol de muitos tempos em jornada e amarelo dourado ouro quantos e tantos quilates. Vamos lá! E avançamos.

- As pessoas os protagonistas encontraram a desordem na ordem. Reparem!

Depois de olhar a fazenda agropastoril e detidamente, cujas partes talhões estavam atropelados de obras e cultivos, continuaram a caminhada. Era uma propriedade autossuficiente. Olhadas olhares sem freios miradas desenfreadas infrenes.

            - Por que vocês dois nem arranjam umas namoradas, hein?! - pergunta da menina aos dois mascotes, e olha!, à queima-roupa à queima-pestana.

            Boa proposta da guria. Ótima recomendação porque ninguém pode viver sozinho e solitário e solteirão solteirona neste mundo. Quem nem tem ninguém consigo já é um songamonga. E tinha que haver resonância nos dois tipinhos, é. Sim e por favor!

            - Au-au!... “Já estou comprometido com uma cadelinha, mas só depois que eu e ela fizermos 1 ano de idade, é.” - o Pebolim foi o mais rápido na resposta e respondeu assim - “Até lá eu quero engordar uns oito kg. Até lá eu quero adquirir um pé de meia.”

            - E como se chama onde mora a raça tem muitos irmãos e irmãs? - as perguntas inconvenientes ou nem da menina - Tudo implica uma relação de famílias.

            - Sau-sau-sau!... “Ela se chama Bitola, mora na Groló, raça mesma que a minha ou seja dos cães e cadelas xepeiros, muitos irmãos e irmãs e que estão dispersos por este mundão aí. Uma esperta e linda exemplar e nos conhecemos na EEEB Almirante Bacelar entre as avenidas Paraíso e Protásio Alves, Viamão. Conheçam e visitem.”

            - Você a viu já a conheceu se correspondem já trocaram olhares? - realmente a menina se metia na vida privada dos seus mascotes, e olha!, com tudo com muito interesse muito interesse - Nunca vi você mandar recados telefonar e etc.

            - Rau-lau-tau!... “Claro que sim e exatamente. Você também já a conhece ou deve se lembrar dela.” - adiantou o cão, para surpresa da menina Gaita.

            - Como assim, eu a conheço?! - surpresa surpresa da guriazinha tão galante.

            - Cau-cau!... “Eu e Bitola fomos parar e morar lá na loja dos mascotes, hem!”

            - Na loja de mascotes, foi, é isso?! E você jura de patas juntas?! Ela tava lá!

            - Au-au-au!... “Vocês a família toda estiveram olhando tudo e ao redor... Assim como eu e tu nos conhecemos. Ela estava lá do lado sempre ali e me cheirando.”

            - E se chama Bitola? Como assim? Ela já tinha nome? Nome é tudo, gente!

            - Nau-lau!... “Já disse o nome dela é Bitola. Foi assim que ela se apresentava nas horas de recreio. A gente estabeleceu uma confiança legal e amistosa, entende?!”

            - E você, Pebolim, como se apresentou? Como é teu verdadeiro nome sobrenome? Que surpresa, meu! Por favor, nem me esconda nada. Que sorte!

            - Dau-rau!... “Eu me chamava Ração. Era assim que o lojista falava comigo... ‘olha a ração!’ Peguei esse nome pra mim. E foi o nome que inventei um nome que me ocorreu na hora h. Mas juro que Pebolim é mais justo e mais aconchegante, valeu!”

            - Ué!... Agora mesmo me passa um filme na minha mente... Filme com hd!

            - Lau-lau-lau!... “Nem entendo nada nadica de filmes, mas gosto de assistir.”

            A menina esperou um pouco. Era muita informação a respeito da vida privada particular íntima do seu mascote Pebolim. E então ela esperou a poeira baixar. Foi até muita conversa e perífrase prolixidade circunlóquio, palavras em demasia.

            - De mais a mais, me sinto confiante com confiança coragem ideia sonho.

Enquanto isso o sol caía descambava tombava desabava despencava. O dia escapava pela tangente. Que era o sol, este gigante gigantesco gigantérrimo senhor de tudo parceiro de todos. E se o sol soubesse o bem que é. Se o sol soubesse o bem que faz. Se o sol soubesse o bem que gera. Se o sol soubesse o bem que ilumina iluminando. Que o sol é superior a todos os sóis. Assim o sol, do tamanho de uma estrela boa.

- Ver!... Chapéu de palha trançada de carnaúba aparando a cabeleira alaranjada.

            E os três, a menina os 2 xerimbabos, perambulavam aí. A troca de conversa o diálogo o bate-papo sempre traduzido pelo celular da menina, e simultaneamente. Sopro dos pulmões ar pela garganta gutural e o som da voz. Dava um trabalho perguntar e fazer todo o processo ajeitar todo o mecanismo o esquema o sistema e etc. E entender os gestuais as mímicas do tatupeba também era uma outra história artística. Que as linguagens são enormes e complexas. Perguntar apontar o celular e ler a tradução. Olhar as caras e bocas e fazer a transposição para o português vernáculo. E que novidades!

            - Tenho em mente fazer uma tatuagem no braço e duas uma em cada braço.

Toda e qualquer coisa que chamava a atenção impingia obrigava os caminhantes às novas sensações. E como que se lembrassem de mais alguma coisa que ficara pendente suspensa, a chefa do grupinho voltou ao assunto interrompido. Uns desenhos para mostrar e croquis riscos pontos volutas acantos florões traços circunferências. Se voltando para o tatupeba Amistoso e inquirindo-o:

            - E você, Amistoso! Já tem uma namorada em vista? Me diga - a menina entrava agora na particularidade do tatupeba, ou queria forçosamente saber de tudo.

            - Chempe!... “Pois eu tive mas briguei sem paciência com ela, é.”

            - Mas como assim brigar, meu?! Que coisa feia! Posso saber o motivo por que pelo qual vocês se desistiram? Nem gosto que peleiem! Nem gosto de folia!

            - Chempe!... “Nada de repreensão censura reprimenda, eu explico. Nada de rebordosa, eu vou tentar me explicar. Nada de mais que o B é nosso!”

            - Nem é legal brigar, né, gente?! Nem devem fazer semelhantes coisas - a menina nem podia pensar em desavenças e controvérsias e picaretagens.

            - Champe!... “Eu namoro... acho que ainda namoro. Sabe que nem sei!” - pois o tatu Amistoso estava confuso, ou encabulado, ou vexado, ou tímido, ou sonolento.

            - Vou te ajudar, tá, Amistoso, meu amigo! Do começo... Vocês eram namorados ou noivos ou casados? - a menina se metia na vida particular do tatu e isso era claro.

            Champe!... “Eu a conheço desde sempre - Amistoso lembrava de tudo e procurava desabafar - A gente nós nos conhecemos já desde pequenos filhotinhos de ninhos próximos. Minha mãe conhecia muito bem a mãe dela, nossa vizinha, éramos vizinhos. Muitos tatus em um pouco espaço de tocas e buracos, é.”

            - Então foi muito logo que já se conheceram e começaram a se ver conversar...

            - Champe!... “Pois é isso aí. E depois os dias e dias de escavar cemitério. Crescemos juntos e cavando os buracos tal qual e igual e parecido como fazem nossos pais e parentes. Afinal e desde o começo dos séculos e séculos, os tatus vivem escavando e fazendo a vida no subsolo ou em túneis e buracos esconderijos, etc.”

            - De leve leve, meu amigão! Nem acredito no que estou ouvindo. Nem acredito naquilo que estou vendo. Você e sua família... a família dela... ce-mi-té-rio!...

            - Chempe!... “Certos tipos de tatus, como eu mesmo me acho, já podem ter várias... amigas.” - declarou Amistoso nos seus trejeitos e gestos universais.

            - Prossiga, faz o favor! Eu acho que é uma boa história, a de vocês dois.

            - Champe!... “Trabalhávamos juntos e as famílias se conheciam muito. Sempre juntos.” - tatupeba Amistoso, assim assim, meio que titubeou e desconcentrado.

            - Vocês brigaram ou nem se entenderam mais. Romperam o namoro, é isso?

            - Champe!... “Cada um foi prum lado e eu me perdi. Acabei no quintal da casa de vocês a tua família e cá estou. A coisa toda nem é tão legal totalmente.” - parece que Amistoso nem queria mais falar, nem queria mais lembrar e ou lamentar.

            O tatupeba Amistoso mostrou o anel no dedo anular. Como ninguém tinha já visto aquele detalhe? E então queria dizer que estava comprometido? Um detalhe.

            - Olha só, meu! Que novidade verdadeira e bonita, cara! - a menina deu os parabéns e acabou parabenizando cumprimentando o seu amistoso amigo Amistoso.

            A pré-adolescente Gaita nem tinha provas suficientes para discordar das atitudes de Amistoso. Nem houve provas suficientes contundentes para sentenciar o réu relapso.

            - Muitas coisas estão no mundo é mais para se aprender e ir aprendendo, é - menina conformada ajuizada e com uma visão mais ampla do caso - Suponho supondo.

            Aí, por acaso e sem querer em muitos casos, umas quantas árvores imbuias. A chuva vinha sempre na hora boa. Uma chuva caída do céu e rápida, caiu e deitou correr pelas valas valetas sarjeta bocas de lobo. O trovão estrondo reverberou ecoou. Um bando consistente ruidoso aéreo de papagaios-verdadeiros os ajurujurás cruzaram a sexta-feira sextou fim de expediente na orla atlântica e voltavam pro mato os ninhos na mata atlântica. Ela a chuva chuvarada nem sabia que queria tanto e contínua.

            - Pela reação ele tem falado ela tem dito coisas que merecem analistas, é.

            Quem via daqui dali o rio Miranda, abúlico sem vontade indiferente partindo se distanciando ziguezagueando. Os aborígenes da tribo cadiuéu e seus desenhos corporais enfeites linguagem visual adornos mostras triângulos esferas diademas frisos.

            - O sol está pedindo arrego ou se acomodando nos montes e serras, deste lado.

            - Champe!... “Eu tinha 5 meses. Meu avô me levou ao parque Rastaquera. Muitas árvores ali em pezito. Calculei e interroguei: Aqui é que tem muito tatu?”

            A tarde estava terminando junto com a chegada da noitinha. O sol se recuperou da chuva instantânea. Uma calma gostosa na tarde gostosa caminhando gostoso. O sol se curvava se dobrava se flexuava. Era hora de. Todos pensavam assim e esmeralda-do-bico-vermelho, anus-corocas, coruíras, tchintchorrintchos. A araucária grandona grandalhona gigantesca e bonitona. O córrego corrente no canal com seus peixes e cascudos lambaris traíras bagres pintados, piscoso ribeirão Feijão. Nesse córrego riachinho já houve e havia muito ouro, uma vez uma oportunidade antigamente. Ouro separado do cascalho. Altos quilates concentrados no fundo lodo de a represa do Broa.

            - Sou uma boa mocinha e lhes dou chances que devem aceitar, entendem?!

            - Au-rau-tau!... “Imagem e paisagem e vista tridimensional, oquei?!”

            - Champe!... “Por que motivos tantas pessoa e bichos moram aqui?, oi!”

Povo serrano, gente da serra, pessoas indivíduos que moram habitam na serra. E dentro da propriedade se vislumbrava curuiris (altas supremas sumas) árvores de folhas verde-escuras. Nas árvores e pelo chão saltitando quicando os canários-da-terra (magros macérrimos) com suas belas penas amarelo-gualdas ou jalde ou jalne amarelo-ouro. Incidindo os raios ultravioletas que davam enriqueciam com uma alegria sem-par.

- Vamos aguardar e capturar os últimos e brilhantes raios solares solar divinos.

            Passeio vamos dizer, suave e preciso e primoroso. Bom e ótimo como são os sorvetes no verão, célebres celebérrimos como o açaí do norte paraense (adjetivo pátrio), incríveis incredibilíssimos cobertos de mel ou caramelados. E o rolê existiu e foi feito. Hoje assim na terra como no céu. Em breve brevemente logo dentro de imediatos minutos a janela a porta do sol se cerraria fechará correndo sobre o trilho, automática.

            - Quem você prefere mais, Gaita? - pergunta de uma vizinha moradora mais próxima, dona Aninha da Refinaria - Entre o cão versus o tatu sempre haverá disputas.

            - Eu acho que o mais importante é que eles se sintam bem um ao lado do outro e ambos comigo, entende?! - explicava a menina, sempre de olho atento nos dois arteiros e levados - E eu vou atrás de namoradas para os dois, pode crer dona Ana.

            - Adoro os teus mascotes, embora nem os conheça perfeitamente intimamente interativamente - conversava a mesma mulher, ali mesmo do lado da cerca acerca do jardim da horta do quintal chacrinha (teu: pronome adjetivo pessoal reto com função subjetiva; o: pronome substantivo pessoal oblíquo com função objetiva).

            - Eles estão numa fase da vida que precisam fazer uma transição, isto é, pensar em uma profissão pro futuro ter responsabilidades de família. Estudar arrumar emprego acasalar, nessa ordem - explicava declaravam e explicavam a menina e seus pais (pessoas do discurso ou pessoas gramaticais) - É uma aposta no escuro, e sempre.

            Amistoso, o tatupeba, tinha os olhos opacos de sombrosas pestanas. Acredito que umas pestanas mais estranhas que já vi. Os olhos inteligentes sempre inquietos atentos. Dentes proeminentes e fortíssimos. Resmungava o tempo todo e sua voz sumida, ‘chempe! chempe!...’ Mais por mímicas e trejeitos que por sons distinguíveis. Era caloroso como se estivesse sempre pegando fogo num vapor de fogo tênue forno perene. Uma baba de canto de boca por demais amarelada e meio incoerente ou inconveniente. Rosto esbelto e afilado. Carapaça provida de pelos esparsos hirtos duros. Uma fuselagem típica dos xenartros, sinceramente. Bicho tão distinto e solene e identificado rebelde insurreto. E um exemplar típico sobrevivente da pré-história.

            - Prefiro assim. Tem bastante açúcar. Está ótimo. A fé acompanha o gosto, hem!

            - Chempe!... “Sabe, nem consigo me conformar que o trabalho enobrece o tatu.”

            - Zau-tau-tau!... “Coisa que nem gosto é viajar de avião. Trem mais ou menos.”

            Olha que o Amistoso gostava de escavar. E ele preferia conversar sobre o quê? Acho que talvez sobre a terra solos chão logística e túneis. Tentava umas escavações ao pé do muro ou de alguma árvore com grossas raízes. Mas bastava perceber que estava fazendo coisas erradas naquele ambiente e furando o jardim sem necessidade que se mancava se dava conta e parava. Cavar então era sua força nativa nata indomável.

            - Sim e por quê? Logo se vê que Amistoso vem das angusturas desfiladeiros passagens estreitas vales profundos locas e muitos subterrâneos escondidos.

Sim e sinceramente, ali era havia uma terra que suas garras podiam dar conta. E podia caçar suas comidas suas presas favoritas, os lacraus lacraias aranhas escorpiões escaravelhos mariposas ou as ubiraçocas gusanos as rugas marandovás. Com os quais se deliciava mais que comer comida de gente ou ração de cachorro.

- Embora nem recusasse os presentes ofertas donativos esmolas oferendas.

            Do momento que Gaita ou Gaipara chegava do colégio, então ali pelas 17h, até todos irem dormir, havia muito agito giro dos 360º na casa. Muita brincadeira e correria esconderijos camuflados. Todos queriam aproveitar o tempo juntos. E a menina lhes dava muita atenção e aconchego. E a menina se distribuía pelos dois atentos mascotes.

            - Ora! Já nas férias escolares de verão, iremos passar passear à beira do rio Lobo. Ou mesmo subiremos a montanha e até lá em o distrito de Itaqueri da Serra, Itirapina, chão dos itirapinenses, tupi ‘morro pelado’ - e Gaita fez gestual balançando a cabeça.

            - Chempe!... “Você promete e tem de cumprir que promessa é dívida, oquei?!”

            - Jau-jau-jau!... “A menina é doce amiga carinhosa como pessoa e gente, é!”

            O cão Pebolim inventava perseguição da sala pro quintal, e do quintal voltava pra sala de estar. O tatupeba Amistoso preferia brincadeira de se camuflar nos canteiros de flores e escavar o terreno fofo ao pé das tenras juquiris ou verdinhas navalheiras-moles. Ambos, os dois e um e outro, (ambos ou ambas são termos que podem aparecer como numerais - fonte: glp¨dpc) armavam emboscadas pra menina tentar descobri-los.

            - Sinceramente e acreditem. Nem vamos bater nas flores e plantinhas, tá certo, gente?! - a menina buscava preservar a integridade física das plantas e ao mesmo tempo nem conter tolher a sobra de energia dos seus xerimbabos bem nutridos - Nada de pespegar dar com força impingir aplicar às pobrezinhas verdinhas plantinhas, tá limpo?!

            - Chempe!... “Nem só de ervas ou folhas ou frutos vive um tatu, concluo.”

            - Au-au-au!... “Um cão também tem suas preferências e prioridades, oi!”

            Todos os vegetais são conscientes de seu ambiente e profundamente. Eles atraem com suas flores bonitas coloridas bem atrativas aos polinizadores, sejam as abelhas borboletas colibris bingas chupa-flores cuitelinhos guainumbis. As abelhas (lh, palatal sonora lateral constritiva oral) produzem o mel que é útil a tanta gente tantos bichos. Um lugar local bonito bem tratado e que promete cumpre o encontro do céu.

            - Temos pássaros os cantos os chilreios espalhados se manifestando nítidos cristalinos no ar calmo da manhã. Trilares piares assim intangíveis no ar da tarde.

            Muitas vorás-cavalos, ‘zuziiim!...’ e mais de variadas espécies de abelhas frequentavam ali o jardim da casa. Todas no mesmo processo de colher pólen e néctar. As bichinhas voavam de flor em flor e isso custava um trabalhão e o labor lá delas. O corpinho do inseto gera uma eletricidade estática no voo e isso faz com que os grãos de pólen se aderem se apeguem aos seus pelinhos eriçados. Enquanto a abelha procura o néctar, seu corpo colhe e carrega o pólen que irá nutrir suas larvas lá no ninho.

            - Como insetos tão pequenos e organizados sabem fazer tanta coisa, hem?! - que a Gaita estava atacada, no bom sentido, nem sabia por que de quantos e tamanhos incríveis sonhos fantasias de futuro - O pintor dos detalhes foi D, sem dúvidas!

            - Clau-clau!... “Tenho o defeito de ter muito receio de abelhas e mosquitos.”

            - Chempe!... “Minha avó uma feita me disse: ‘As abelhas são organizadas ao máximo.’ E eu respeito o que minha avó já sabia de muito pensar e saber.”

            O dia seria outra vez costumbrista. O tempo fluía legítimo e eclético. O dia seria outra vez conforme o caso. O tempo fluía lento e ao acaso de si mesmo. O dia o tempo se confrontando, acareação. Um dia e outro também lado a lado ou sobrepostos.

            - Vamos procurar aventura. Vocês querem aprender subir em árvores? Uma boa!

            - Au!... “Eu fico olhando os pássaros e isso me dá uma vertigem sem tamanho.”

            - Champe!... “Minha ideia é ter paciência e esperar que as frutas caiam do pé e pronto, legal. Me amarro em guabirobas goiabas-do-mato araçás, jabuticabas...”

            Ali hoje a nave estrangeira precisamente recarregando as baterias, descansando aguardando estacionada e ligada na tomada da área de serviço público, já ainda no seu périplo viagem turística de longa duração pelo universo vazio profundo. O negrinho do pastoreio (este um apelido, sem nome de batismo propriamente dito), isento de pai e mãe e órfão abandonado, se afasta da aeronave pula fora e aí pisa no parque Rastaquera. E vai sai andando curioso cheio das curiosidades descobrindo aventuras. Já sem noção perdido, segue sim senhor no rumo do nariz e buscando horizonte querendo reconhecer o sítio. Certo ou errado. Como um ente exótico ao mundo terráqueo. E aqui vai andando caminhando ao deus dará e sem precisão previsão de chegada em algum lugar específico. Para o negrinho do pastoreio tudo é está novo novidade um mundo inédito novo em folha e fascinante. E nem questiona por que aqui ali agora e neste lugar. Talvez até quem sabe nem nunca se adaptará a este planeta terreal terrenal. Chegara chegando de longe do nada de dentro do universo insolúvel para trabalhar de peão e de grátis numa estância. Sim, uma conjunção de fatores aleatórios acasos surreais o trouxe até este lugar no meio de umas terras potreiro em o pampa. O parque Rastaquera é enorme. Dentro desta reserva da biosfera uma fazenda de criação de gado e criação de ovinos e criação de equinos. Logo ele que sempre pretendeu pretendia querer ser vegetariano e vinha de um distante planeta/mundo vegano. Está aparece topa conhece em o caminho a fazenda do Cavalo Baio. Pura sorte ou acaso de curioso andante. E entregue adotado escravizado pelo estancieiro, o dono/patrão do lugar. Parece mesmo que o esperavam. Coisas do sorteio espontâneo do divino espírito santo. E o negrinho do pastoreio já vai pro pastoreio e posto a pastorear, pastor a vigiar o gado no pasto. Conhece os tipos cavalos manada tropa e que muito o interessam. E sabe fica sabendo que cavalos são entes deste e nem nada de outro lugar incomum. Igual mesmo dos outros tripulantes da nave-mãe viajantes colegas de jornada, chega vem sem mala e cuia. Aparece chega pra ficar e se incorporar. Uma lenda com legenda icônica de conto histórico digno de notas.

            Um dia assim e assim o tatupeba Amistoso sumiu da casa sumiu do convívio da família humana. Um dia sem um outro item qualquer, um dia normal e comum e qualquer. Uma certa hora todos foram verificar... e nada. Correram pro quintal e seguiram um rastro uma pista umas pegada bem de tatu e que levava a um buraco perto do muro. Junto dum pé de arbusto embira-branca ou ibiratinga. Por baixo do muro de concreto e tijolos o buraco continuava e saia já perto da rua do Caixote. Foi o que era. Era o que acontecera. E por quê? Por que Amistoso desistira, por que escapara por livre e espontânea vontade? Evadiu-se. Deitou o cabelo, como se diz na gíria coloquial. Preferiu assim e assim se foi. Desistiu desencanou. Foi igual que quando veio, ‘plufe!...’

            - Que sujeito levado da breca, meu! E eu que o adorava! - sentiu a menina.

E Gaita nunca mais o viu. E Amistoso nunca mais foi visto pela família. Evadira-se. Junto com fugir o sumir submergir. E o abster-se abstendo-se e que se abstenha. A galera a família ficou com aquele travo de saudade no espírito, hum!...

            - Olha, gente! O Amistoso deu no pé! - a Gaita ficou de cara e mesmo chateada apalermada palerma - Nem posso crer nem posso justificar nem posso me conformar.

            Convidaram o Pebolim para dar uma olhada cheirada farejada. Onze dias de estadia do tatu, undécimo ou décimo primeiro dia do bom e do melhor. Cinco refeições por dia, cinco (numeral cardinal) quinto (ordinal) quíntuplo (multiplicativo) quinto (fracionário). E o cão fez seu papel de perdigueiro e procurou o que lhe foi pedido e foi toca adentro e voltou e concluiu, se sacudindo tremendo todo sujo de lama:

            - Lau-cau-dau!... “É, deu no pira! Escafedeu-se e algo mais. Foi aí mesmo que cavou e sumiu. Na calada da manhã ensolarada, é. No pleno apetite da cereja de o bolo do dia, é.” - se sentindo o centro das atenções da família e protagonista, pois os cães gostam muito de executarem tarefas e que os elogiem ou lhes deem iscas petiscos estas gratificações ou aqueles prêmios (este esta aquele aquela: pronomes demonstrativos).

            - Nem precisava escapar sorrateiro, se fosse o caso. Era só dizer que ia embora, assim como chegou, etc., ao invés de banalizar - dizia meia aborrecida a mãe.

- Sim, sim! Levaríamos ele de carro, até. Era só dizer aonde queria ir e chegar... - completou o pai, aborrecido desanimado frustrado e um pouco perdido sem chão.

            - Muito que foi mimado cocado cafuné, esse tipo encourado - relembrava a mãe.

            - Oie!... Muito que foi acolhido este prognata queixudo - disse o pai.

- Amistoso vai mandar notícia e dizer que está tudo bem. Que saiu sem dizer para onde ia porque nem tinha como se despedir, etc. - declarou a menina, já meio que analisando sob o ponto de vista conformado e aceitando o ocorrido sem poder discernir discriminar sem sal insípido insosso insulso - Ora bolas e vejamos por outro ângulo!

- Era um sujeito com uma vida incontável. E do ponto de vista humano, misteriosa enigmática cheia de contrastes - declarou o pai, a mão segurando o queixo.

Tudo era azul como um domingo de sol sem nuvens. Automóveis desfilavam na avenida Presidente Vargas e respeitando os sinais as esquinas os cães com seus donos pela guia. E moradores com seus trajes abrigos de esporte esportivos esperando o clássico futebolístico das 16h. Vitrinas das lojas vendendo oferecendo ofertando descontos em as roupas leves do verão em pleno ato dos apóstolos. Praça da Bandeira com bandeira tremulando espanejando pintando ouro e verde. Prendada menina de bíci e seu obediente mascote e os dois conformes deixando atrás o rasto a alegria de existir.

- Um dia quer que te ensine a pedalar, Pebolim! Te prometo que é 10!

- Au!... “Eu sempre quero aprender a pedalar e correr com vento na cara, meu!”

Até os passarinhos sabiam que era domingo o dia todo. O domingo estava escrito em a rua Apolinário Porto Alegre e no céu azul (azul: adjetivo flexionado em gênero uniforme). Umas vão e partem e desaparecem e desabitam e migram, outras ficam. Estas aves são as mesmas que aqui estavam bebericando beliscando catando sementes ontem e neste mesmo horário, senhores! O divino sabe o quanto as cigarras, de vida arriscada, podem querer ser renitentes teimosas. Os olhos das aves a ave o corpo da alada ia e vinha alongava e subia parava e continuava e arapaçus, tiribas, gavião-caboclo, canjicas, jandaias-de-testa-vermelha, papa-formigas-vermelho, uacacus ou anambés-roxos. Todas as asas intensas e solícitas. E voar urgente e praticamente.

- Vamos até lá e passar o rio Passa-Cinco, seguuuura! - a Gaita empolgada.

- Lau!... “Nessas horas e dias de verão... sim, uma chuva cairia bem e ótimo!”

            O bulício o agito do trânsito habituado arraigado inveterado pela rua do Caixote e a praça Renê Barreto a rua João Pereira zona oeste bairro da Lapa que apresenta diversos equipamentos culturais e tendal da Lapa e estação ciência e museu do Relógio e museu Espírita e danças afro-brasileiras (afro-brasileiro: adjetivo composto e com o primeiro elemento reduzido e invariável). O terminal rodoviário Lapa de Baixo, ligava com o Estado e mais amplo o país e mais longe o mundo e Patos, São Tomás de Aquino, Capetinga, Pratápolis, Fortaleza de Minas, Itamogi, Analândia.

            - Efetivamente. Temos projetos e os planos objetivos sem falta nem faltarão.

            De nome Gaita a garotinha de cor bronzeada, sentia dificuldade em distinguir os vocábulos rizotônicos dos arrizotônicos. Gostava e se sentia melhor quando podia usar palavras com j: traje, alforje, conjetura, gorjeio, lojeca, granjear. Seus olhos olhavam seus ouvidos ouviam e escutavam e as expressões brotavam do nada das coisas das formas das folhas da paxiúba do cambará-de-meia-légua do camapu das asas do canto dos pássaros e saíras-lagartas capitães-castanhos arirambas-da-mata bicos-de-brasa.

            - Até agora até hoje, nem sei por que uma nave espacial ainda nem me abordou.

            - Au!... “Nunca vi nave espacial. Acho mesmo que cachorro é extraterrestre daqui. Já pensou, menina, eles chegarem e encontrarem tanta fauna variada?”

            Os dias se passam entre si e se renovam, uns mais outros menos. Que tempo! A menina a família achou que nem mais deviam pensar ainda nisso da fuga do tatu ou tatuagem. Deixar os palpites e nem apurar mais nada (nada: pronome indefinido substantivo). Devia ter tido lá as suas razões as timidezes para dar no pé ou nas patas.

            - Ué!... Talvez Amistoso tenha se deslocado para outros arredores, né?! Tipo assim e Marechal Thaumaturgo, Envira, Jordão, Colinas do Sul, Nova Roma...

            - Lau-clau-clau!... “Eu concordo e lembro de lugares que poderia ir ou já ficar e morar tipo distrito de Itaim Bibi, Caucaia do Alto distrito de Cotia, parque Itapetinga...”

            - Amistoso parecia satisfeito com nosso convívio nossa casa e jardim nosso tratamento nosso modo de ser - falou o pai, pensativo (nosso, nossa: pronomes possessivos) - Pelo menos eu acho e digo e argumento. Me parece que precisava ir.

            - Será que nem sentiu saudade da família lá dele e ficou constrangido em se despedir? Pode ser - debatia a mãe, braços cruzados - Eu acho e afirmo que foi melhor assim. Nem devemos julgar os outros sem saber as profundas razões.

            - Ele brincava muito bem. Gostava e se divertia, eu vi - declarou a menina.

            - Blau-blau-blau!... “Acho também que se molestou com a falta de parentes, é.” - ladrou o Pebolim, sentado na cauda e ali de frente pros humanos da família.

            E que isso mexeu com o ânimo da família, sim, mexeu e desanimou. Até porque o tatupeba nem dava conta de estar aborrecido com a casa. Nunca se mostrou amofinado chateado apoquentado. Talvez sim um pouco ou tanto quanto indeciso irresoluto para certas (certo, certa: pronomes indefinidos adjetivos) horas da noite madrugada... E ninguém o pilhou cometendo malandrice maroteira iniquidade maldade injustiça mesmo quando ficava sozinho no pomar. E ninguém o flagrou tentando coisas fora da ordem como negociatas trapaças e truques trutas. Nada foi confirmado de se assenhorear monopolizar açambarcar estocar comidas alimentos mantimentos em causa própria e particular exclusiva. Nem contrabandos falsificações contrafeitos escamoteações.

            - Tau-au-au!... “Acho que preferiu cavar em outra freguesia, é. E deve ter-se enfastiado enfarado entediado. Eu nem sou tatu, mas confirmo que é assim.”

            - Só a gente tinha familiar da espécie tatu. E estava sempre de-boa para brincar.

            - O mais sério. Ele nasceu no mato e pra lá que ele foi e se sentir melhor.

            - Quem sabe um dia ele sente saudade e volta. Será bem recebido outra vez.

            - Oie!... Com pompa e circunstância e ostentação aparato - registrou a mãe.

            - Uh!... Que nós nem queremos ir à forra às forras e nem pensamos em revides vinganças descontos - empenhava sua palavra o pai - Que volte quando achar melhor.

            O inquérito fora instaurado. Depois de 2 dias de investigações denúncias e contradenúncias, o mesmo inquérito foi arquivado. E dois dias repassados são duas jornadas um bocado de tempo e sempre alguma coisa de peso. Essas autoridades cogitaram deliberaram, cabeças cefálicas pensantes e muito traquejadas acabadas científicas fantasiosas combinadas cadenciadas, e lavraram os termos consequentes. Uns até pediram calmante o elixir paregórico. Cem dias úteis de trâmites e esforços sobre-humanos, cem ou cento e centésimo e cêntuplo e centésimo. Ou seja, para nada.

            E isso é que é! E assim sim é que foi.

            Que o caso que a família morava perto ou cerca de 4 quarteirões do cemitério. Um lugar como se sabe. Ali nesse local caem os casos mais difíceis ou mais raros acabrunhantes morféticos da história. Vão aí as promissórias sem solução, outras contingências, os fatos sucintos, os casos da vida irreal. Que ninguém queria ou todos relutavam em visitar a horta onde os tatus trabalhavam e ganhavam seu sustento. Que zero é numeral. Os parentes e conhecidos que passavam ali por força da amizade já sabiam das estias belisárias ao perdedor. Os vendedores de flores (pessoas de cargo título idade sexo dignidade), ambulantes itinerantes, no dia 2 de novembro, em toda a extensão da calçada e ruas adjacentes, davam um ar de normalidade conformidade humanidade humildade. O umbigo do mundo da paz celestial era dividido ao meio por larga avenida coberta pérgula pérgola galeria coberta de barrotes onde circulavam trepadeiras que davam flores em dada época do ano. Tanta paz e pra quê, hem?!

            Até um qualquer dia! Até um dia qualquer!

            Falar sério falar a verdade, Amistoso gostava de se entreter entretenimento. E preferia jogos de futebol na tevê a cabo pague para ver, o jardim botânico de Porto Alegre na rua Doutor Salvador França, caminhar na grama da praça Dom Feliciano e mesmo junto do portão (feição rococó) de Mestre Valentim, recepções em geral e mesmo diplomáticas de relações exteriores nos salões do palácio Itamaraty, recitais musicais com repertórios eruditos, encontros consonantais tipo: grama-de-folha-larga, monograma, organograma, programa, grama-forquilha, pentagrama, gramatiqueiro.

            Beleza frugal, sensações frugais, caminho frugal, frugal ocasião. E frugal nadar nada como peixe. Frugal voar voo de beija-flor-de-gravata-vermelha.

            Já alguns dias parte da paisagem em o parque Rastaquera, a nave-mãe parecida com um monte um morro uma pq colina cinzenta pelada lisa metálica. Dia e noite e já tomara chuva e sol, vento e granizo. Hoje despeja desovando sua cota de alienígena diário, a iara ou uiara. Parecida ou aparentada de índia moça cunhantã. Adaptada ao ar e à água, anfíbia. Jovem jovial surpreendente cantora, ‘oláaaa... queeee paisageeeem... queeee seeee mostraaaa... verdeeee!...’ Assim, anda dois passos com pés de pato e mergulha no lago artificial do mesmo parque Rastaquera. Se mistura com peixes, imediatamente. De bípede logo muda as mãos braços e pernas em nadadeiras barbatanas e cauda de peixe. Nada nadar de braçada entre já seus novos coleguinhas e piamparas piaus piabas bogas piaparas canivetes piraparas tanchinas. Os cabelos... os mesmos longos pretos. Da cintura para cima índia e outra metade peixe. E passa os períodos da manhã e tarde ali submersa submergida mergulhada linda senhora das águas. Amiga e fã e parente dos peixes e do mundo subaquático de água doce, ‘blu-blo-bloooo!...’ E diante das noites ela emerge para conversar com a lua, talvez. Pentear os cabelos com espinha de peixe trançar as longas crinas se olhar no espelho das águas cantar suas canções preferidas assoviar, ‘olhaaaa... que luaaaar... magistraaaal, seeeem iguaaaal... maioraaaal!...’ Iara ou mãe-d’água, ser liberto viajante das estrelas interestelar, se adapta se adaptará ao mundo do pântano das cascatas e beiras de rios lagos alagados. Cor tom esverdeado pegada de limo viscosa pegajosa lima limão. E mais uma alternativa vinda do espaço profundo cosmos e demais universos, ‘quandoooo.... eeeeu pensoooo eeem... na-mo-raaaar... queeee alegriaaaa!...’ Habitar é útil o planeta terráqueo que muito carece de atrações inusitadas imperfeitas exóticas e que dão muito o que falar e criam polêmicas, ‘queeee... estrelaaaas ceeeem miiiil... noooo céeeeu... fe-no-me-naaaal!...’ Acontecimento corriqueiro, basta a noite aparecer pintada de estrelas e quem sabe o surgimento da lua... que iara sobe das águas doces e senta na plataforma na pedra no trampolim do lago, ‘justoooo... queeee pensoooo eeeem... uuuum botoooo... tantoooo peixeeee... tantoooo moçoooo... tantoooo brotoooo!...’ Em modelo atriz de amostra de pose para as estrelas para a lua para os grilos os vaga-lumes os bacuraus os morcegos as suindaras corujas-do-mato corujinhas-do-campo. Supermodelo fotográfico... ‘venhoooo... daaaas águaaaas profundaaaas... maaaas sonhoooo... coooom meeee casaaaar... noooo maaaar!...’ Onde iara está com a cabeça?

            O tatupeba Amistoso saiu pelo buraco já dito e manjado pegando a rua Caixote rumo do jardim da paz eterna e a paz dos pacíficos pacificados. Podia ser rastreado, sem despistar e deixando pistas, se comprometendo com a exposição ao sol da tarde? Vai ver que isso era de menos. E já estava chegando. Do lado pelo acostamento entre o capim-gomoso uns prédios do ex-cotonifício algodoaria em desuso da rua Olegário Mariano. Junto podemos pensar e temos de convir que o preço de ser atacado por um cão vadio era alto e possível. Só imaginar se imaginou sendo atacado por um guaipeca vagal e se empolou se abespinhou num rompante. Porém os riscos são conforme a aventura.

            “Considerações à parte... desconsidero! Chempe!... Chempe!...” - gesticulando pensando resmungando sempre trotando no trote e solito pensativo em o mas.

            E Amistoso seguiu sua filosofia sua ideia e seu rumo seu faro ou bússola interior. Pelo menos uma vez cruzou o asfalto, chapa quente fervente. A plasta negra matéria moldável e meio derretida de piche (feito de alcatrão ou terebintina) pegajoso substância resinosa ou betume asfalto pez mineral viscoso já se atrevia se grudava colava nas suas mãos e patas. Relando roçando roçagando a barriga no chão. Sem distinguir torso de dorso. Pretendia conhecer ou conhecia o mapa da área como a palma da sua garra, rua Alberto Coelho da Cunha, altura do bairro Granja Viana e ‘lepe! lepe!...’ ligeirinho. Autos que vinham ou que iam, frascários devassos levianos libertinos, ‘tru-ru-ru!...’ Sempre firme na ideia e focado no alvo a atingir, inflexível inexorável implacável, ‘lepe! repe!...’ Portando quem via seu tipo físico cascudo podia ter dúvidas do seu vigor e persistência, mas o seu espírito nem se deixava abalar derrotar sujeitar debelar esbagaçar deturpar. Já adentrando em a rua Alfredo Ceschiatti e rente ao parque linear Tiquatira (nomeadamente Engenheiro Werner Eugênio Zulauf, entre os distritos de Penha e Cangaíba). Um tatu como os demais, todavia com um destino identificado. Um útil descendente de ascendentes ancestrais e mesmo tino.

            “Perder o ânimo descoroçoar desacoroçoar nem é para tatus que nascem tatupebas. Chempe!... Chempe!...” - as 4 perninhas ligeiras  num pensamento prevenido.

            Suas conturbadas relações com os homens em geral, e nem específicas (pois fora legal sua estadia na casa da última família), nem o amedrontavam. Tinha boa memória e isso era importante para se precaver desconfiar. Olhos pequenos de botõezinhos abotoados, ‘lepe! mepe!...’ As recordações lembranças reminiscências anamneses servem para dar casca (e um trocadilho) para o sujeito. Que D lhe abençoe!

            “Pelo contrário, reinvenção reinventar. É fibra orgulho força teima. Chempe!... Chempe!...” - um tanto ou quanto atordoado pelo calor pelo sufoco da caminhada.

            Já o astro mamífero xenartro, Amistoso para os amigos, seguia o caminho olímpico dos que vão pra roça, movimentada avenida Alfredo Varela de Vilares, aqui o museu João Batista Conti, ruídos zumbidos de autos em altos decibéis. Denotando qualidade estado condição e tudo na mesma palavra e os sinônimos: casca e carapaça. E alma de atributos como a calma o decoro a compostura a hombridade. Uma hereditariedade coas características atávicas adquiridas transmitidas latentes atavismo.

            “Posso levar alguns sustos... mas devo continuar... Chempe!... chempe!...”

            O bairro Tatuquara (toca de tatu) e mais ou menos equidistante da rodovia do xisto ou br-476. Reserva parque do Bugio (refúgio de vida silvestre) pilhava de cantos gralhares chilrares zumbidos e povoado de tiês-bicudos, pica-paus-da-taboca, papagaios-de-cabeça-laranja, soldadinhos-do-araripe, rolinhas-do-planalto. O calor a temperatura alta o mormaço fazia a flora e fauna pachorrenta ronceira indolente vagarosa preguiçosa e barbudos-pardos, freirinhas-de-cabeça-castanha, codornas-carapés, sanãs-de-cara-ruiva. Era preciso que alguém criasse e cuidasse de dádiva.

            “Quem foi que me disse e falou... que a sorte é de quem faz e acontece?”

            Sendo que depois de um trotezinho de uma meia-hora, Amistoso chegava ao cemitério. Correria encontrões e afobação esbarrando aqui e ali. Nem só destino final como destino laboral, o seu caso. Escurecia o sol queria se ausentar crepúsculo e as duas casal par de suindaras estavam já espiando do alto da árvore paxaú. Junto com o sol caindo a noitinha as corujas de olhos luminosos uma garoa tipo apaga-pó chuvisco de molhar cachorro ou chove nem molha. Nuvens pesadas contra o escudo da lua.

            “Caindo a tarde dentro da onda da noite, é. Chempe!... Chempe!...”

            Parelha casada de muitos anos suindaras e das aves monogâmicas. Com família dos titonídeos e encontrada espalhada pelas cavernas e matas de muitos Estados da federação. Gostam de telhados de celeiros torres de igrejas e outros pontos altos e sossegados se embiocar para vigiar o ambiente de caça de pesca de espezinhar de bulir. Leves de ser e voar plumas de voar desenxabidas e fintam ganham beliscam pegam furtam vasculham quebram retiram estraçalham tripudiam. Naturais de diferentes localidades cercanias arautos espalhando denunciando avisos mensagens e Abadia de Goiás, Aragoiânia, Cezarina, Campestre de Goiás, Trindade, Brotas, Varjão (o local primitivamente se chamou Fazenda Salobro, e que foi dividida em Salobro de Cima e Salobro de Baixo. No quinhão da fazenda Salobro de Cima surgiu uma área conhecida como Vargem Grande, Varjão - fontes: ibge, dicionário ah). Num átimo vão e voltam com uma isca no bico na garra do pé. Formam casais sólidos e se tornam pais extremosos e dedicados. Por nada ocasional uma mãe coruja um pai coruja.

            “Sorrio o meu sorriso melhor que as OlhOs grandes estão me vigiando me acompanhando. Um e outra câmaras duplas me filmando. Chempe!... Chempe!...”

            O tatupeba Amistoso entrou pelo portão e pegou (verbo de ação) uma passarela qualquer e transversal à avenida dos caramanchões. Na verdade sempre farejando já estava (verbo de estado ou situação) ciente do que queria e precisava fazer. Andou aí e procurando um lugar. O jardim do silêncio um labirinto pingado de plantas e árvores pericazinhos e guatambus e cipós-d’alho ou segurelhas-bravas e acariçobas e ataúbas. Ventava (verbo de fato ou fenômeno) imperava o tempo eterno, capelas e túmulos e cruzes cristalizados estátuas bustos anjos e outros modelos. Estrelas do céu eram pontos de luz muito miúdos minutíssimos e alucinantes. Sempre um ar sem graça cinza capiongo deprimido escanzelado destituído de vaidade ou bazófia presunção. Sempre um mundo à parte. Sempre um lugar pacífico. Sempre um lugar sem luxos.

            “Ofertas e preços baixos regateios pedidos liquidações queima de estoques e leite-de-pato. Chempe!... Chempe!...” - um retiro e solo ficando mais frio, esquentando.

Conseguiu encontrar o buraco movongo que procurava. Estava procurando sua turma. Seus sócios parentes família. E que estavam aí escavando as tumbas. Uma paz ali que falta ao ser vivo em geral. E quando chegou e apareceu já foi saudado por isso e antes tarde que nunca e quem tem bom faro e vivo sempre aparece regressa:

            - E aí, tio Tu! - tatupeba Amistoso foi abordado e saudado pelo parente sobrinho o Tu-2 - Que se passa, véio! Onde estava e esteve nessa neblina cerração, tio?!

            - Mora! Chegamos atrasados alguns dias mas estamos aqui e vamos ao trabalho, é - esclareceu esclarecia já se desculpando pela demora o Amistoso.

            - Conte o que aconteceu, gente! Você se separou de nós, et cetera e tal - já pedia outro da turma, a cunhada Tua-1, com cabelo capilar solto despretensioso espalhado (você, v.: pronome de tratamento familiar e íntimo ou informal; você vosmecê vossamercê) - Geralmente necessariamente os parentes aparecem na hora do bem bom!

            - Nem falei, gente, que ele chegaria mais tarde feliz e cansado?! - brincava o Tu-1, irmão mais velho de Amistoso (tio Tu) - Por este cara eu ponho minha mão no fogo.

            - Viajou por lugares, tio Tu? - quem perguntava era a sobrinha a caçula da família, Tua-2 - Me trouxe o doce que eu pedi, coberto de açúcar sacarino?, hum!...

            Agora e finalmente, Amistoso tinha conseguido chegar ao cemitério para trabalhar com a família. Um lugar que mais entra e menos sai; tem quem entra e nem sai. Um punhado apanhado de 5 tatus e já incluindo ele mesmo. Nomeadamente era ele Amistoso ou tio Tu, o irmão Tu-1 a cunhada Tua-1 o sobrinho Tu-2 e a caçula sobrinha Tua-2. Profissão e ofício o seguinte: cavoucar ou caçar palavras enterradas onde (pronome relativo) houvesse cemitérios ou jardins da paz. Nem mais nem menos.

            - Para trabalhar aqui de lua a lua nem carecemos de documentos e autorizações.

            - Oie!... Estendo a garra a pata e arranco umas expressões de antigamente.

            - A bênção, meu pai e minha mãe. Gosto de palavras com esse e dois esses.

            - Qual o quê! Prefiro nomes feios e até de baixo calão, está?!

Tio Tu o Amistoso havia se perdido e todos ficaram muito preocupados com sua sorte. Pensaram o pior, ou seja, que tinha sido caçado sequestrado raptado assassinado e outros péssimos resultados e ou prejuízos e virado espetinho churrasquinho. Os tatus nem eram pessimistas, mas tudo levava a crer numa arriscada aventura existencial.

            - Puxa! Folgamos em vê-lo assim barrigudo, parente mais próximo - dizia entre jocoso e pesaroso o familiar Tu-1, vestindo vestido de um suéter de lã cor acaju.

            - Xi! Me perdi e acabei sendo requisitado para hóspede ou mascote numa casa de gente pessoas humanos. Fiz companhia a uma família e junto com um cão cachorro jaguara - se explicava o Amistoso, e já encabulado desapontado constrangido.

            - O quê?!, tio. Um cachorro e logo um cachorro?! D me livre e guarde! - assustada com a aventura do tio a caçulinha tatu Tua-2, arrepiada e cheia dos tremeliques, olhos cor azul-pavão e bem arregalados (que: pronome interrogativo).

            - Ufa! Aposto que deu muita briga mesmo - completava a cunhada, mãos ou garras de unhas longas, boné de time de futebol, camiseta gelo e calças verde-oliva.

            - Até que nem, mas também nem foi lá estas coisas maravilhosas ótimas, né?!

            E esta recepção dos familiares meio que picou os sentimentos de Amistoso. Por mais explicações por mais razões que tivesse, eles sempre poderiam desconfiar que ele tinha desaparecido para fugir ao trabalho em a cova. Afinal já se comemorava a terceira milésima ducentésima quadragésima quinta noite, faça chuva ou faça lua cheia, de labuta naquele requintado lugar lúgubre. Todos da família colaboravam ou botavam as patas, já que podiam fazê-lo. A família e o trabalho são as prioridades, e ponto.

            - Caramba! Eu peço desculpas pelo atraso e tudo mais, gente! - era Amistoso tentando se redimir diante dos parentes mais próximos - Acaso me acostumei com os humanos e os bons tratos comida boa na hora certa e sem precisar trabalhar, entendem?!

            - Eta! Depois até cabe uma resenha. Depois vamos rir disso tudo e até beber um vinho tinto seco de mesa. Agora vamos escavar, tá certo?! - exigiu o chefe do grupo ou Tu-1, olhos pequenos redondos fixos pensativos (exigiu: 3ª pessoa do singular, ele exigiu; em o pretérito imperfeito do modo indicativo na terceira conjugação, ir).

            - Buscaremos o parque Passaúna a praia da Cocanha a praia da Ponta Aguda e relaxaremos. Efetivamente - concordava concluía de sua parte a dona Tua-1.

            - Procuraremos o enrocado rio Juqueriquerê a praia do Capricórnio a praia Pedra do Sino - lembrou reviveu a mocinha caçula Tua-2, sempre sorridente e gentil.

            - Só um detalhe... gostei! - interferia palpitava o famoso Amistoso ou tio Tu.

            Os humanos, nós mesmos e prontos, nascemos com coisas para fazer e dentro do possível dentro do prazo ou tempo permitido. Realizaremos o que está escrito e o que já está determinado anotado na caderneta da sorte? Pois o que somos também vamos ser e seremos. O ovo que nasce da galinha já sabe a ave que vai ser. E assim por diante.

            Os tatus respiram muxoxam riem resmungam interpretam um pouco até cantam. A lua certinha retinha redonda igual um prato decorado de cavernas. As corujas-buraqueiras olham sacam cuidam esperam conferem secam e sempre espreitam ou alisam bicam coçam as penas plumas. De dia de noite aí a paisagem, verde vista do alto e boa pra tudo. Mesmo de vez em quando e aqui ali acolá e trombeteira, coroa-de-frade, mamoneira-miúda, aricuriroba, vassourinha-do-campo. Verdade, e de fato.

            - E comer tapioca com doce de leite. Suco de caju refri de caju torta de caju sorvete de caju - babava sob pressão da água na boca a irrequieta Tua-2.

            - Sim, e os brinquedos do parque das águas termais! - acudia previa o Tu-2.

            - Uau!... O parque unidade de conservação Pedra Grande... e nostalgia.

            - Uma e outra vez. Estância climática/turística de Alto Paraíso de Goiás...

            E tatupeba Amistoso pegou e foi com tudo pra dentro da cova e mergulhou fundo no túnel. Com suas garras e unhas potentes era já uma boa mão na roda. Tentando tirar o tempo perdido ou atrasado e mostrar aos parentes aos sobrinhos que nem era de preguiça. Tinha que compensar o que os outros da família estavam na frente e tinham executado. Nem devia mais explicações mas se sentia em dívida débitos.

            - Diga, tio Tu - falou a sobrinha Tua-2, aos jovens a curiosidade - É difícil viver numa casa de gente e junto com cachorro? Gostaria de saber. Foi fácil e assim, assim?

            - Oh!... Acho que tive mais sorte que juízo - respondia Amistoso - Pois que peguei e dei sorte de encontrar, por acaso sem querer, uns humanos que respeitam tatus. Fizeram de tudo pra que eu me sentisse em casa. Eu poderia viver lá pra sempre.

            - Oi! Sempre é tanto tempo!... - sobrinho Tu-2, olhando pra noite profunda.

            - Apoiado! Em casa deles, é isso, né?! - retificava tornava exato harmônico o parente Tu-1 - E sim, comida na hora certa e barriga cheia. Lugar confortável pra deitar.

            O trabalho de depredação era árduo e duro e cheio de poeira ciscos e detritos. Até encontrar uma mina de palavras. Até bater (verbo no infinitivo forma nominal, presente impessoal) numa caixa puída de defuntas palavras expressões locuções termos vocábulos, todas juntas e determinadas. Aí paravam todos e já avaliavam o tesouro encontrado. Analisavam e contavam e lustravam e limpavam e admiravam os ossos encontrados. Sempre as novidades se desenterram, desenterradas, desenterrando.

            - Olhem aqui, gente! - dizia a Tua-1, senhora fêmea de espírito fluido receptivo solerte e bem-dotada de cérebro cerebral - Temos um bom lote de palavras e de muitas procedências, tanto do ar como da terra do mar do céu: propiciatório, verborrágico, repelão, datilógrafa, requisição, planômeno, geringonça, caxangá, pique, anualizar.

- Hum!... Diante de uma recepção dessas e em número avultadíssimo, franqueia-se o recinto. Pois é - avaliava rapidamente o Tu-1, pai dos tatuzinhos e esposo e irmão maior - Vamos sujar as garras, claro que sim! Vamos revitalizar este ossuário.

- Olhe! São múmias interessantes e de muita história, literalmente - conjeturava o Tu, ou Amistoso (conjeturar: verbo da 1ª conjugação (ar) vogal temática (a), a mais prolífica - fonte: glp¨dpc) - São termos e significantes que explodem minha mente, é.

            - Epa!... Deve ter mais. Venham ver e comprovar - foi o chefe Tu-1 que chamou aos funcionários familiares parentes (chamou: verbo na voz ativa).

            - Ah, sus!... Sem dúvida que por mais que se conheça, sempre há novidades ou relíquias a nosso favor, né, gente?! - respondia o Tu, empregado que foi chamado pelo patrão/irmão (chamado: voz passiva) - É um fato! É um aparato! É um prêmio!

            - Ui!, que me feri me bati nesta palavra: batifundo. Já conheciam? - se queixou mostrando as unhas, a dama e senhora da tropa e mãe Tua-1(se feriu: voz reflexiva).

            - Céus, éteres e ares!... Quero mostrar mais outras e que acabo de desenterrar - negociava com a curiosidade do grupo o seu Tu-1 (seu: forma de tratamento reduzida de senhor), sorriso maroto no rosto lívido - Hoje é meu dia de sorte sorteado, parabéns!

            - Calma! Vai e destrava desembucha e me diga e nos diga, solerte irmão de sangue - declarava o Amistoso - Os significados são mais nobres que os significantes.

            - Puxa vida! Pois encontrei e tenho em minhas mãos sujas de terra roxa, e já palavras de cabelo barba e bigode: muquifo, coió, pixote, lambujem, corriola, tênia, amásia - e Tu-1 erguia as palavras aos céus da noite estrelada, que de repente nem sabia administrar seu entusiasmo e euforia e alegria ou êxtase diante da família.

            - Nossa mãe!... Vão dar bom preço e que sucesso no mercado concorrido da palavra, hum!.. - avaliou Amistoso, olhar cobiçoso e de viés curto médio e longo prazos.

            - Sensacional!... E aqui está uma hora e tanto cansativa e já um pouco puxada. Mas se vale a pena? Venderemos em Feijó aos feijoenses feijoacas feijoanos, cujo lema congrega o seguinte: ‘gente unida, cidade melhor!’ - Tu-1, suado e repirando fundo.

            Sem dúvidas que o sucesso no trabalho gera muita alegria e uma sensação de realização conforto futuro. Poderiam ver e prever umas tais e quais (tal e qual: locuções pronominais indefinidas) cócegas de grana calique bilhestro cheta lençol milho pecúnia zinco marco massa e dinheiro de plástico dinheiro trocado dinheiro vivo dinheiro de São Pedro dinheiro miúdo dinheiro conversível dinheiro a risco. Lucro e mais-valor mais-valia. Os resultados derivados se formam com juros e as taxas dos primitivos.

            - Viva!... Os mercados estão sedentos de termos de outros tempos - lembrava Tua-1, acariciando as nobres palavras encontradas e resgatadas (interjeição de alegria).

            - Ué!... Me lembro dos compradores de longes paragens e Estados do norte oeste sudeste - acariciava a ideia de preços e aumentos e ofertas o tio Tu ou Amistoso.

            - Upa! Sem dúvidas que temos um tesouro significativo, e literal literalmente em as mãos ou patas da frente, para mudarmos as nossas sortes - vibrava o pai irmão esposo o seu Tu-1, olhar cravado e perdido no imenso sucesso por vir.

            - Arre!... A cotação das moedas estrangeiras vão nos ajudar a exportar para o longínquo oriente - adiantava e declinava a dona Tua-1, olhos de cifra olhar de cifrões.

Era pra se antever prever presumir os lugares de maior comércio e negócios como São José de Espinharas, São Mamede, São José do Bonfim, Malta, Quixaba, Cacimba de Areia, São Pedro (dados do departamento de ciências atmosféricas da ufcg, mostram que o município apresenta um clima com média pluviométrica anual de 848.4 mm e temperatura média anual de 25ºC), Catingueira, Mãe d’Água, Charqueada.

- Sim, simpáticos parentes próximos, somos premiados pelos erros alheios. Graças às palavras descartadas atiradas fora - dizia e explicava o pai Tu-1 (somos: presente do indicativo do verbo ser, geralmente um verbo auxiliar).

            - Ih!... Concordo e identifico e recomendo, estamos pensando o túmulo como fonte de riqueza e blam-blam-blam!... - determinava a Tua-1, rosto frisado crispado de emoção pura (estamos: presente do indicativo do verbo estar, um verbo auxiliar).

            - Aleluia! Temos muito trabalho pela frente, emboralá! - atalhou o Amistoso, sem perder o tino dos negócios das somas multiplicações (temos: verbo auxiliar, ter).

            E a estrela guia da sorte ou da competência havia (havia: verbo auxiliar, haver; pretérito imperfeito do indicativo) chegado àquele cafundó obscuro. Caída cadente do céu constelado. Materializado em nomes vocábulos prenhes de vaidade veleidade leviandade volubilidade. Quem sabe até pulhas cafajestes calhordas velhacos lordosos.

            - Atenção! O jogo calhou - sentenciou tamborilou Amistoso (interjeição de advertência) - Minha vontade é e sempre será tem sido me tornar ser um grande jogador.

            - Ai de mim e graças a D! Somos tatus e temos que reconhecer nossa estrela cintilante - declarou o Tu-1 - Meu sonho é morar em Rio Claro e cultivar batatas-doces.

            - Bravo! Vencemos naquilo que somos bons. Esta é nossa lida e nossa sina e nossa história - lembrou a mãe Tua-1 - E nunca deixaremos de rebolar nos esforçar nos torcer nos destorcer contorcer e nos virar em mais de um e cada qual, amém!

            - Alô! Para um tatu a vida e a existência nem são fáceis - acrescentou Tu-1.

            - Opa!... O tempo demora se você nem quiser! O tempo que se encontra, a mais das vezes e segundo sinto, inclinado de mau jeito pendido penso - declamou Tua-1.

            - Ué!... Quando olho e escuto e penso... me lembro de palavras, então - Tua-2, tatuzinha já toda malaca fraca dengosa mole molenga franca branda moleca pixote.

            - Es-ca-le-ta... palavra de teatro e por quem até hoje tenho 1 carinho imenso especial e cheio de prêmios premiações resultados brinquedos graças surpresas que sim saltam aos olhos oculares - declarava a mãe e esposa e cunhada, Tua-1.

            E tudo que vemos são palavras/signos. Vamos e venhamos. E ouvimos palavras e o pensamento relaciona já com marcas registradas. Morando dentro de um dicionário, então nem é nada. Visualizando lá fora está uma paisagem insólita, outro planeta, raro mercado de oferta e procura. Sim, uma palavra leva a outra e seja na reta triângulo círculo ou talvez. Viralizar com palavras é construir casas empreender edificar harmonizar consertar desobstruir. E dar tempo ao tempo, viajar. Palavra é solução solvente/insolvente. E palavra mesmo, no duro, é a outra.

            - Des-car-ri-la-do... Vejo uma coisa e tenho 1 palavra por ela - disse Tu-1.

            - Arrematar... Como entender o silêncio sem uma palavra certa perfeita, né?! Sem palavras sem gestos sem mímicas sem sombras - conversa tio Tu ou Amistoso.

            As boas horas foram passando. Vocábulos sepultados na memória da terra esquecida deserta improdutiva. Palavras, meros sonhos sonhados, até então até aquela hora. E onde trabalhava um cavavam dois três... ou dez. Na cova nem mais que insuscetíveis incapazes e... já nem eram a mesma coisa de outras histórias contos notícias falas e discursos, bem verdade. Perdendo tempo ganhando ferrugem mofo pátina e... prelazia, prelado, madrepérola, gorgorão, soslaio, espiantar, encafuar, estamenha. Estas estavam debaixo da terra no submundo e sumidas sim, fazia algumas décadas. E entre uma ruma rima de papéis carcomidos saltou na hora h e aos olhos esbugalhados narizes compridos: pulhador, pulhar pulhastro pulhice, pulhista, trocista. Umas poucas horas. Perdidas sim havia um século e picos, sim senhores!

            - Rua, gente! Tocando pra frente! - animava o Tu-1, focinho empinado e olhos redondos - Colhemos o máximo e deixamos o mais para amanhã e em outra oportunidade. De qualquer modo devemos estar contentes e agradecer o criador maior.

            - Ah!... Vamos no embalo! - rebotou a Tua-1, a fuça já fuçara os achados os ataúdes - Que o dia de amanhã ou depois já tem o seu tempo está na agenda.

            - Pois nem! A muamba já vai embalada e devidamente - Amistoso, zonzeira entre os já cansados neurônios fatigados - Meu cansaço honesto honestíssimo, opa!...

            Andar no caminho da jornada e segui-la ouvi-la servi-la fazer parceria tratá-la, sim, eram negócios de milhões e bons. (Os verbos e suas flexões ou formas se deu o nome chamam de conjugações: pessoas do discurso, primeira - eu e nós, segunda - tu e vós, terceira - ele e eles; número, singular e plural; tempo, presente pretérito ou passado e futuro; modo, indicativo e subjuntivo e imperativo; voz, ativa e passiva e reflexiva). Lidar com palavras perdidas no fundo do deserto subterrâneo nem sempre comove as pessoas. Mesmo palavras expressões com ainda uma boa e nobre lenha pra queimar.

            - Digo aos meus irmãos em JC que estou pronto a partir e ainda hoje logo - credenciava o Amistoso e se dirigindo ao casal titular do grupo e ou etc.

            - Quem sabe cavoucaremos aqui outra vez, hem?! - Tu-1, falando de um jato.

            - Ora, meu! Será que o jardim secou ou foi interditado para nós? - quis compreender indagou a senhora Tua-1 - Parece que sobram mais covas por explorar!

            - Como os tamanduás-bandeiras que nem destroem todo o cupinzeiro, os tatus também nem esgotam a sua mina de tesouros, é - justificou o Tu-1, sorrindo rindo.

            - Olhem pra cima. O parque celeste está verde azul céu estrelado infinito.

Este rio é o rio Taquari e é uma corrente santa sagrada para os povos se batizar batismo batizado batizando (formas nominais do verbo: infinitivo, gerúndio, particípio). A avenida a rua Francisco Belisário Soares de Sousa e viadutos, todos apareciam diante da praça Ramos de Azevedo em o bairro da República (este local como um alvo). As plantas ciliares as árvores também são santas predestinadas e tinhorões, tiriricas, tentos-das-campinas, espinhos-marianas, caixetas, embiruçus. Digo o rio digo a estrada como modos de caminho e destino, uma vez. A praia do Forte, a tenda a areia o mar a onda.

- Podemos contar calcular somar o quanto nos foi... bão a colheita recolha?

- Como segurar cauterizar aplainar os pecados capitais da soberba e vaidade.

- O amor-próprio é infinito. Formas figuradas de ideias, alegorias.

- Nossa matéria espiritual: purgação penitência danação martírio; união iluminação confirmação magia; místico misticismo - filosofando a Tua-1, sonhadora.

- O jardim dos tatuís alastrado de flores e folhas coberto cheio repleto completo.

            E o grupo de parentes cavoucadores, insolváveis inadimplentes insolventes, fizeram um inventário um caderninho de anotações muito útil no caso: precatório, rogatório (r, alveolar sonora vibrante constritiva oral), súplica, invocação. Tinham em mente nem se perder do passado no presente para o futuro. Hora horário cordial.

            - Agora cada um com seu fardo ou saco de aniagem, hem!... E carregado de palavras obsoletas, porém altas relíquias - declarou encabulada a Tua-1.

            - Veem bem!... Todo mundo carregando seu peso em ouro, ou mercadorias e sem fricotes faniquitos histerias chiliques - lembrou jocosamente Tu-1, hilaridade.

            - Arre, ora bolas! Estou com fome de café com pastel de queijo - disse a mimada Tua-2 (interjeição de impaciência ou aborrecimento ou desagrado).

            - Sentido! Quero o bom do melhor e servido na mesa com garção ou garçonete 5 estrelas - sonhou alto o Tu-2, uma longa proeminente caradura cara de pau e com nariz comprido e tudo - Vossa excelência tem recipiente caneca púcaro decorado, olhe!

            - Outra vez! Vamos parar no caminho e que merecemos tirar a barriga da miséria - mandou o Tu-1, zonzo tantã estropiado e tropicando resvalando de cansado cansaço.

            - E admirando olhando a paisagem nem mais nem menos que oito metros da beira-mar ou a orla da Lagoa da Conceição - cantou a Tua-1, rindo sorrindo e doce.

            O dia era uma coisa várias mas nem entendia de nada. Assim já ao natural. As horas rodavam funcionavam vasculhavam iluminavam e se abalavam. Se se atilassem podiam aguentar o repuxo. A rua principal, e ali subindo rua Amador Bueno, convidava piscava cantarolava provocava. Lojas fechadas por todos os lados e dormindo.

            - Outro sim! Nesta hora cai bem e melhor uma sopinha de letrinhas, oquei?!

            - Acredito que sopa levanta o ânimo e destrói o mau humor o pesadelo e reforma reanima escamoteia reinicia o sujeito mal parado mal-humorado atrabiliário...

De quando em quando um ônibus cheio de passageiros, bem-ajambrados bem-aventurados abonados desabonados. Os prédios verticais alcançavam a lua as estrelas os aviões as nuvens. Aviões com rastro de fumaça. Desciam e subiam pelas calçadas laterais os cidadãos as cidadãs naipes miúdos graúdos, e contemporizando. A praça Francisco Glicério uma vintena (outros ex de substantivos coletivos numéricos: dúzia e novena e biênio e trimestres) de periquitinhos-de-vassoura ou tuins, viradores espertos safos. Com respeito e consideração, deixassem os acontecimentos se justificarem.

- Então vem daí o seu interesse pelo sistema de declaração verbal comunicação?

- Eu mesmo me vejo no centro nervoso dos acontecimentos olho do furacão.

- Acho, nem sei em que tempo se perdeu ou se acho, acho que estamos no caminho certo e isso é sempre uma questão de honra para nós os tatus e escavadores.

- Olhe só! Escute esta! É provejo provês provê provemos provedes proveem, oi!

            O sol sorrindo de leste para oeste. Sorrindo para quem encontrasse e ia encontrando na parábola no arco do fuso horário. As árvores respiram pelas folhas, os cães pela boca, os peixes pela boca e pele, a água também respira na superfície epiderme se mexendo em ondas. E todos aprenderam a respirar aqui mesmo neste mundo. Um corpo respira pela alma toda. Temos fôlego para mais um século.

            - D respira onipresença onipotência! Eis o mistério do mundo e do outro mundo!

            - Com D nem se brinca, se respira. D é meiguice solicitude armistício segurança.

            - Nossa relação com Ele é que é meio ou tanto quanto piegas pieguice, finito.

            O grupo de tatus a mão cheia os 5 trabalhadores das profundezas se encaminhavam andavam no rumo de casa ou de um restaurante madrugador. Uma manhã sim sonolenta biliosa clara com alguns pássaros já e já marcando território e curicas-urubus, patos-mergulhões, bicudos, barbudos-de-coleira, mutuns-do-sudeste. Bandos deles se transladavam migravam para Teresina de Goiás, Cavalcante, Pauini.

            Do ambiente chegava o vento. E de repente cantos de pássaros centenas de ruflares e trissares diferentes todos e muitos uma máquina de sons e corneteiro-da-mata, choca-de-garganta-preta, mãe-de-taoca-cristada, aracuã-guarda-faca. Do nada o silêncio e nem mais um pio. De súbito a correnteza do rio Camaquã (Camacuã) a cascata a chuva. Sim, curioso a memória do tempo as divisões das horas dos dias ano após ano.

            Antes de ir. De fora... está muito tudo quanto enormemente esquisito e ou patrocinado. Às vezes se viaja de trem maria-fumaça e Tarauacá, Ipixuna, São João d’Aliança, parque Edmundo Zanoni, cachoeira do Macaquinho. De repente passamos pela estrada br-280 e Niquelândia, Eirunepé, Atibaia (tupi, ‘rio manso e agradável’) e ou visitamos a cachoeira de São Vicente (catarata dos Couros). Desembarcamos do barco do navio em Porto Walter (porto-waltense) e conhecemos a cachoeira São Bento. Vamos a pé pedestre pela calçada no trotezinho exercitando e ou de bíci em a ciclovia entre o rio Itajaí-Mirim e a concorridíssima avenida Bepe Rosa, Brusque.

            O parque Rastaquera (grande área verde que também conjuga reserva das tribos aricapu e miriti-tapuia) está num daqueles dias admiráveis agradáveis e já na tardezinha caindo para pôr o sol (astro solar equilibrado ativo vulcânico sólido solidificado bonançoso plugado religioso atômico filósofo ególotra egocêntrico). Já súbito de repente a nave-mãe abre a porta desliza a rampa e despeja enxota um ente diferente chamado curupira ou currupira. Ele quase nem fala pois está aí sozinho e procurando o que fazer e por que e para onde e com quê. Estava na fila pra descer e desceu. Com que pula da portentosa banheira voadora e sai quicando correndo rolando como bola ou metamorfoseado em tatu-bola. É craque em se transformar se disfarçar e pegar a aparência de outro ser, tipo árvore ou bicho (pixuna, escama-vírgula, ariramba-pequena, louro-canga-de-porco). Curupira (anão de postura ortostática ereta em pé) quase uma entidade da mata, precisa se acostumar ao ambiente terráqueo. Cabelos vermelhos e cor tão intensa brilhante que costuma pegar fogo em fogo-vivo. Justo agora quando nem está acompanhado de outros animais, ele já prefere falar sozinho resmungar assoviar e imitar outros coleguinhas da turma e de sua estima, ‘vriu-vriu-vriiiiuuuu!...’ É assim que ele funciona na prática, praticamente o dia todo. Curupira precisa gostar deste planeta, tudo novo pra ele, pois é aqui que vai ficar e morar e perpetuar. Curupira casaria com a mula sem cabeça? Detalhe importante que quando caminha e nem vai de carona em um cateto ou capivara ou anta ou tamanduá-bandeira, deixa rastos estranhos com seus pés ao revés. Esta é uma tática e ou característica bem pessoal e inédita e exclusiva, bem boa mesmo e fascinante que chama nossa atenção. Deixa pistas claras por onde anda mas pegadas falsas, convenientemente. Faz isso de propósito para confundir seus implacáveis perseguidores, os caçadores invasores predadores depredadores da floresta da flora e fauna. Assim você visualiza e vai vendo, verificando.

            A menina Gaita ficou um tempo (efeito retroativo nesta história neste causo) um dia até dois pensando na ausência na falta que o tatupeba, o Amistoso, causava no seu ânimo. E pensava longamente nesses últimos dias. Porém nem se podia lamentar muito tempo. As coisas aconteceram e fim de história ou começo de outras. Pra frente!

            - Seria bom ser tatu? - perguntava pra ela mesma, perguntava para o cão Pebolim - Os tatus têm causos e mais fábulas também. Temos que contar com os tatus.

            - Au-au-au!... “É melhor voar, né?! Correr atrás de bolinhas de tênis nem dá camisa a ninguém!” - articulava o cão, seu espírito cristalino e beatificado e suave.

            - É bom viajar - completava a menina Gaita, a mais cortejada mimada acarinhada da família - Embora eu nem tenha asas e prefiro avião. Se fosse só isso!

            - Sau-sau-sau!... “É legal ser prudente! É legal ter um algo de lógica!” - esclarecia de sua parte o cão, ele era contra e a favor da simpatia indelével.

            - Quando penso em viajar logo sonho com Caetanos (caetanenses), Anagé, Corumbataí, Ipeúna. Ouço o borbulhar da correnteza as cachoeiras do rio Gavião.

            - Lau-lau-lau!... “Pode ser já, menina Gaita. Estou contigo e nem abro. Avante!”

            E o tempo pode estar usando o comum ou o quente, analógico ou comercial, conforme ou simples, solar ou insípido, convexo ou destemperado, contente ou invernal, compacto ou estofado... Porque o bicho que engoliu, ou onde se está inserido, nem deglutiu nem regurgitou. O tempo é matéria de estudos e ciência especializada.

            - Sonho mil coisas que gostaria de fazer e nem tenho esse tempo todo, está!

            - Rau-au-au!... “O futuro do presente, fá-lo-ei fá-lo-ás fá-lo-á fá-lo-emos fá-lo-eis fá-lo-ão. Mas também aconselho a nem se desesperar por pouca coisa, é.”

            Oito benefícios que uma alma suave e terna e tenra de menina pode contribuir para com a humanidade em geral: uruense ou natural de Uru-sp, marambaia ou restinga língua de praia, desvanecimento ou vaidade, excogitar ou imaginar, amistar ou fazer amigos, cognato ou rês reses, tuxaua ou morubixaba, vigilenga ou tipo de embarcação. Conferem certos criadores amadores criatórios autorizados para aves da fauna local conservação ex-situ (em cativeiro ou fora do lugar de origem) anilhar o canário-da-terra (ave mais fotografado do B), o tiziu o curió o papa-capim para competições de canto.

            - Duas malas nem são bastantes para os presentes que quero trazer, entende?!

            - Bau-au-au!... “Voltaremos de onde e bastante satisfeitos e festivos e otimistas.”

            De muitas maneiras sim se pode. Rua Cônego Eugênio Leite, bairro Pinheiros. Árvores naturais e tabebuias, cajazeiras, árvores-de-coral, baunilhas, jutaís-pororocas, e quietas paradas vendo desfrutando. Pessoas escamosas abespinhadas difíceis no trato. Trilhos do trem desde a Vila Perus e zona noroeste. Um trânsito confuso mocorongo esfacelado espezinhado azucrinado esculachado caricato. De dia poeira e trânsito insatisfeito grande gigantesco, de noite luzes carros dirigindo ruas casas descansando.

            - Devo descer o rio de Contas e alcançar Mirante e Caetité e Rio de Contas.

            - Au!... “Acho que devo uma explicação: eu tenho receio vertigem de alturas.”

            - Mas a gente nós vamos passear sossegados. Preferiremos os shoppings as lojas de departamentos as melhores praças de Bom Jesus da Serra, Tanhaçu, Maceió.

            - Sau!... “Minha mãe gostava muito de passear perto de pastelarias docerias, é.”

            Um lugar ou gleba ou rincão ou pago de o país do B já chamam mandioca à macaxeira, macaxeira à capivara, capivara ao trator de esteira, o trator de esteira à maitaca-do-sul, maitaca-do-sul à muirapiranga, muirapiranga ao pirarucuboia, pirarucuboia ao terreno baldio. Terreno este que cabe tudo e bombona, miiologia, tico-tico-do-piri, lunauta, alto-fundo, artesanalidade, laboratorista, ribeirar, micranalisador.

            - Confesse, vai! Você também tomou um susto grande quando se deparou com o tatu Amistoso, hein?! De minha parte confirmo que lembrei dos bichos pré-históricos.

            - Nau-au-au!... “Que vou ganhar no natal?, menina. Se fosse escolher preferiria bolo de chocolate com camadas de doce de leite. Uma delícia incomparável!” - sugeria colocava ansiosamente o cão Pebolim, receoso alérgico aos bichos selvagens.

Pebolim e seus encontros, rápidos ou nem tanto, de grau abaixo de zero. Felinos grandes ou pequenos médios selvagens e até os domesticados (estes sempre em bandos e nunca atacam sozinhos) e vespas cavalo-de-cão (com casinhas penduradas nas paredes ou abas de residências) e corujas murucututus (olhos acesos de tocaia nos começos de noite altos galhos das árvores) e gavião-de-anta (rondando desde o céu entre as nuvens, piando, ‘pinhéeee!...’), que estes e aqueles vez e outra ou de quando em quando o cão já os encontrara encontrava no caminho. Recuar adiar protelar a decisão.

            - Vamos tirar férias e no rumo de Saquarema, praia de Itaúna. E já pesquisei e ouvi falar - informava a Gaita a Gaipara, luz acesa de esperança firme brilhante na ideia.

            - Cau-cau-cau!... “O mar é de ondas brabas e oscilantes? Oxigenando o mar.”

            - Oie!... O mar a praia o tempo o sol os sorvetes de açaí... são indescritíveis - sonhava a menina e adiantada acordada e olhos no horizonte no horizonte.

            - Tau-au-au!... “Já sei nadar, se for o caso! Já sei pegar uma onda, se precisar!”

            Os gatos e cães de rua tipo coiós de mola, procurativos procurando o sol. E caídos tontos se arrastando na madorna e intenções secretas maturando maturando. Escarrapachados basbaques sondando conchavando. Rua comprida dinâmica incendiada agitada às vezes furiosa zoeira zoada. Já pois o dinheiro ali corre solto e caraminguás e biscates bicos virações. E sem pensar duas vezes. E sem se iludir com naves espaciais.

            - Temos o sol o mar e as horas de lazer. O dia vem da noite e vice-versa.

            - Lau-au-au!... “Queria muito nascer na tribo dos taurepangue ou pemom...”

            A sensação dormida de gatos e cães, grandes gordos generosos glamorosos. Também gostam de passar o tempo em passatempos, e engoiados ficarem retraídos. Os dois grupos tinham sido vistos na praça da Gafieira (tempo composto da voz passiva - fonte: glp’dpc). Vontades escondidas nuns disfarces mudos maliciosos frouxos desnecessários. Uns mimados cheios de manhas negaças engendrando gerando criando produzindo laborando elaborando as mais finas trapaças. Se se batessem entre eles num arranca rabo a valer e deveras, zoada de fazer barulhos azoada, muito provavelmente os cães perderiam e correriam fugiriam. Dois grupos rivais e conviventes.

            - Tenho estudado muito e mais tanto, neste inverno - comprovava a Gaita (exemplificando verbos no tempo composto de voz ativa).

            - Glau-glau-glau!... “O tempo se ocupa, hem! O tempo voltou a circular, e conforme.” - sentenciava o cão (locução verbal ou conjugação perifrásica).

            Que uma Gaita pegou seu amigo Pebolim e foram andar no parque Uruitá (do tupi, ‘cesto grande’). Fazia manhã e a manhã de sol (rico grande poderoso) respirando ar puro. Visão poetizável. Os cantos matutinos, ao mesmo tempo junto com as iniciais cintilações do dia, vinham em ondas capazes e choquinhas-dublês, pavós, surucuás-variados, corocoxós, papa-taocas-do-sul, catirumbavas, garrinchas-trovão, cochis-de-garganta-branca, canários-baetas, juritis-grandes, rabaçãs, periquitos-testinhas.

            - Nem vejo vantagens assim... voadoras, para sonhar ser uma ave passarinho...

            - Au!... “Sim, concordo, em que voar se temos pés bons pés e patas pra andar?!”

            Nem me pertence. Quando teve pena autocomiseração compaixão e alegria orgulho satisfação de si dos outros de quem nem conheceu. Nem me pertence.

            - Você nem acha, Pebolim, que D mandou as pessoas morar onde nascem?

            - Blau!... “Eu acho que os cães devem sim passear com seus amigos humanos.”

            Um parque batizado Rastaquera, 5 vezes mais e enorme grandão e bem arborizado regado povoado reserva da biosfera rico em flora e fauna nativas coisa e tal. Que a nave-mãe, engenho engenhoso desde o outro mundo outra galáxia, despeja aqui uma galera e tanto de seres entes descolados e muito supershows. E o saci, que é um deles especial, superdeve ter sua chance e seu dia seu momento. Como acontece vem acontecendo, o saci-tererê ou saci-pererê salta da nave e ma-ra-vi-lha... sai quicando numa perna só, ‘tique! tique!...’ Um guri pretinho negrinho, ‘tique! tique!...’ vai pulando performando do seu jeito característico folclórico. Fuma sem pitar um cachimbo e usa uma toca vermelha torcedor do Colorado, inclusive seu mascote exemplar. Tem simpatia pelas crianças e poderes mágicos magníficos fantásticos espetaculares. E a habilidade de assobiar, ‘fliiiiu! fliiiiu-iu-iu!...’ imitando os pássaros. De noite prefere fazer despacho macumba e deixar oferendas presentes regalos (fruta da estação refri cerveja quiche amendoim bolacha farofa arroz charque licor iogurte) aos santos e santas afros, sempre à beira dos caminhos ou nas esquinas de ruas pouco movimentadas. Faz estes pedidos convites solicitações orações para ganhar atenção da iara e ou da mula sem cabeça (com quem, dependendo e conforme, pretende casar). Também, nas quartas-feiras e ou domingos, com objetivo de vencer um jogo de futebol importante para o campeonato. Outrossim, com pesos e metas diferentes, faz parte do jogo o ganhar o perder o empatar. E saci, muxuango ou habitante do mato e mesmo do campo, sai aí pelaí imitando os bichos dizendo e chilreando latindo coaxando miando relinchando mugindo. Aos poucos aprende a morar aqui mesmo na Terra, e igual em o modo terráqueo. Quando as coisas vão bem e acontecem de acordo com seu gosto e temperamento e já alcançando os objetivos felizes otimistas que busca e buscava, ele ri muito solto à vontade gargalha e gargalha, ‘khá-khá-khá!...’ a bandeiras despregadas.

            Século 21 um pouco mais adiantado. Já o sol mega elemento estelar (radiante confiante) e longe longe tinha noção do seu dia a dia e esparzia raios de ultravioleta e outros calores com cores. Como as aves (deslumbradas identificadas) sabiam desde cedo cedo disseminar sua alegria entoada e bacurau-de-rabo-branco, codorna-mineira, bicudo-encarnado, jacu-estalo-de-bico-vermelho, bicudinho-do-brejo-paulista. Sem parar o rio corrente (varonil) sempre focado espargindo salpicando borrifando seu rumo do mar, efetivamente. Como assim na parede o cromo cromático cromadas todas as cores (experimentais) se posicionando aspergindo carnaval farra fanfarra.

            Que foi descrito já por si só é indescritível!

                                                                       #Final

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