quarta-feira, 19 de fevereiro de 2025

Seres Pendentes de Nuvens - (8)

 

                                              


                                              

            Quanto ao grupo valoroso de um punhado de 5 casais amigos, na quarta-feira de cinzas e justamente e nem por acaso, foram e decidiram passar o dia de carnaval na ilha do Governador em rj. Mais precisamente numa praia, a praia da Bica. Passariam à ilha igualmente de barco barcaça em vez de ir de carro ou de lotação.

            - Quem vai à praia da Bica... tem que beber água da bica! - lembrava Gaipara.

            - Hoje é carnaval e água da bica nem é o meu primeiro pensamento, tá legal?! - foi a saída encontrada pelo Tácito, sicrano de múltiplas facetas e personalidades.

            Chegou o dia umas boas 24h que tem um tal e qual tempo e sim choveu dinheiro e reponte parada e andada ou mesmo enxotar gado animais em certa direção, repica-ponto excelência perfeição, vaqueano tapejara baqueano. E a bênção esportiva do dinheiro e rio Jaguari-Mirim, paricarana, guaraná-timbó, Nicolau Vergueiro, Tio Hugo, Ernestina, pajaú, camoatim boca-torta enxu-da-beira-do-telhado canguaxi tipo de vespa.

            Depois outro dia em frente de ontem, no caso hoje, veio o mar a enseada idêntica à praia o banho de mar nas férias da semana. Nem tanto escolas de samba avenida Bicho-Carpinteiro, frege nas tascas tavernas e becos e ou servidões e garruchas e ou bacamartes e as janelas e ou platibandas com gelosias e ou treliças. Têm-se lembrado.

            Assim mesmo, pegaram o catamarrã e rumaram para o recanto da ilha em busca de sossego e praia. A intenção era curtir a areia e seus quiosques, como aquecimento, e de noite o carnaval no Clube de Regatas Tiara da Úsnea. E de intenções o céu nem permitia, embora dias de festas carnavalescas aspergindo bom humor benquerença. Porém o inferno estava cheio pleno e abarrotado de mariolas micheiras mandriões malandros(as), aventureiros sulfurosos, cavilosos fingidas dengosas. Havia semanas que a vila estava lotada. Era carnaval e carne crua. Movimentos gente turistas pessoal descendo desde Mogi Guaçu, Aguaí, Porto Ferreira, Ipanguaçu, Serafina Corrêa.

            - Vamos conferir com modéstia. Oi!... Potentados têm ilhas e mansões, é certo certo correto - já dizia a Gaipara, tessitura rica da pele do rosto e xale nos ombros.

            - Carambolas e etc! Sempre há as belezas naturais, é certo sim corretíssimo - meio que rechaçava o Tácito, preparado no topete e guedelha e gaforinha.

            - Gosto de peixe. De há muito sonho este fim de semana ou este fim de carnaval.

            - Frutos do mar, é. O sol nos acompanhará para nem atrairmos suspeitas, hem?!

            Ir ao encalço de sorte no amor e paixão? Ir no rasto na pista vestígio de alegria festa e outras cositas más. Bálsamo para os sentidos. Alvoroço do mar agitação sobressaltos da embarcação. Cheiro de maresia marinha e as aves piando grasnando o tempo todo, pilotos-pardos, tiribiques. A gaivota fica ali flutuando sobre as ondas as rochas com as ondas e por um tempo, até mergulhar e quem sabe pescar seu peixe. Franjas das ondas em espumas, barcos e canoas de pescadores audazes, recifes escolhos baixios à flor da água. A mira o escopo o alvo o objetivo era mesmo a pequena praia e vila de pescadores. Em dois tempos. Embarcações navios barcos a motor barcos a vela zarpando para o alto-mar. Amuradas mastros cobertas de veleiros repletos de aves arriscas bruaá confuso arruaceiras em busca de comida sortida e outros petiscos.

            - Apogeu. Minha avó parte de mãe, dona matrona Ana Ancoreta, sempre me falava deste lugar - comentava Tácito. - E eu sempre quis ver com meus próprios. Com olhos meus de ver. Flanar perambular pelas ruas pequenas flanear flainar.

            - Ih, nossa!... É um lado da ilha do Governador que nunca tinha ouvido falar as tais e quais oitivas - dizia a Gaipara. - Me parece que só de pescadores e banhistas nativos. Casebres improvisados feitos de fieiras de palha palhoças junto ao mar.

            - Deixar-se a mercê de quê? Talvez dos assuntos mais importantes da pesca.

            - Eta a bênção! Das graças e virtudes e valores e festa de Iemanjá. Reconheço.

            - Viva, ué!... Eu sempre tenho interesse nesses encontros com religião santos ou santas e as águas. Sempre tive isso de querer o místico misticismo e palimpsestos segredos secretos, entende?! Enigmas mistérios sorte de acertar na loteria...

            - Oferendas para a deusa das águas é tudo de bom coração nestes dias de folia.

            - Espero e alcanço que nem vai chover, é. Tenho aqui uma anotação de advogado. Por que nem chove hoje, dias pluviais de chuva e o pluviátil? Bru-bruuuu!...

            - Estou sonhando tranquila. São poucos e raros os carnavais que nem chove de chover chover. Geralmente chove e chove muito, chove o que D manda e avisa.

            D aconteceu e superiormente antes de tudo com sua tarimba e ou conhecimento. No início veio o mar depois a ilha em seguindo veio o peixe os frutos do mar, para desembarcar numa praia. Mesmo agora hoje quando chegaram os visitantes tripulantes de diferentes embarcações. Procedentes de todo ou várias partes do país.

            - Vamos buscar mais iremos por mais. E  você, meu sorvete de açaí, é uma ilha e a minha ilha - como Tácito pode ser romântico na tarde de sol e ainda 14h e 20min.

            - Preciso sentar na sombra e respirar fundo e... Sorvete de açaí é boa é tentação nesta hora de calor - diz ela, surripiando uma colherada do parceiro. - Minha sorte.

            - Oquei, minha fofa! Você é esta minha ilha intocada e pouco vista - ele põe a mão no peito sobre o próprio coração. - E uma vasta aventura pra sempre, digo.

            - Lá vem discurso. Pode continuar. Bebo água de boião. Tomo água de caneca.

            - Oi! Ilha nova de paisagem deslumbrante. Veja bem. E rosada de pele doce suave quentinha por todos os lados. Pele levada de calor e meigamente queimada de sol bronzeadinha que à farta e à qual beijo com gosto cuidado e lambo e me delicio. Claro, se os deuses me permitirem e concordarem e me derem a este direito e dever, amém! Pelo menos uma vez ao ano sair para a praia. E de um dia pro outro eu pretendo continuar sempre contigo, benhe! Isso tudo dito sem plágio ou pastiche, efetivamente.

            - Aliás, praias de sol o ano inteiro. Vamos estender a rede de deitar de dormir.

            - Gente faceira. Um sol de cabelos ao vento, vru-vu-uuuu!... Duas lagoas de águas cristalinas, pla-xe! pla-xe!... Com brisa marinha embarafustando atropelando as flâmulas galhardetes pendões, si-si-si!... Aves marinhas, oue! oue!... em bando voantes voadura gestos jeitos coreográficos redondos artísticos perfeitos amorosos sinceros.

            - Olhe pra mim! Que só tenho olhos cuidados amores para você, diga-se.

            - Psiu!... Seremos e queremos a sereníssima tranquilidade de água de tanque de piscina. Um refúgio. Caminhar na praia como no paraíso intocado praticamente intangível dos protagonistas Aldraba e Aldrabão. Mais pra lá inclusive da própria origem do humilde humílimo evangelho. Tosquiando nuvens com os olhos de ver.

            O barco chegando ou cada vez mais perto do atracadouro e cais e trapiche e píer. As pedras sobrando das águas como iguais cabeças raspadas de monstros seres mitológicos cérebros sem cachola riscados das anfractuosidades. Pedras batidas das ondas mais furiosas no passar dos dias dos anos dos séculos. Enfeitadas de mariscos ou rodeadas de corais, farta pesada cheia, caranguejos guaiamus. Sempre sempre assaltadas por ondas ferozes raivosas malvadas (donas de baraço e cutelo) e que murmuram palavrões cabeludos, fazendo a perfídia com o vento das tempestades. Cobertas de caca de aves do mangue e ou marinhas palmípedes e clones, urubus-de-cabeça-vermelha e gaivotas e trinta-réis e fragatas e andorinhas-do-mar. Os peixes cardápio geral.

            O vento brabo irritadiço já açoitava furioso com pressa com determinação. Golpes de sopro insistentes matemáticos dentro da vontade própria acelerados críticos. O bafão o assobio o grito riscando as pedras da beira-mar. Esquisito agredindo torcendo e com força forçando bagunçando tudo que se opunha tudo que existia a sua frente. Ondas açoitando golpeando zimbrando vergastando a orla os limites da cidade.

            A parte esta da ilha tinha um farol de 25 metros. A torre do farol com uma cúpula de vidro e que distribuía alerta luz lume orientação às embarcações navegações noturnas. Do lado as casas dos faroleiros, encostadinhas no alto do morro do outeiro umas nas outras, pintadas de branco janelas de caixilhos e cobertas de telha vermelha. Uma igreja que nem poderia faltar à fé do caiçara. E que recebem todos os dias esses turistas e curiosos e veranistas. Pouco pouco fora afastado distante do continente voltados para a baía de Guanabara. O vento fazia ramalhar as árvores dos quintais pomares praças alamedas e sumarés, acariúbas, carrapichos-de-beiço-de-boi.

            - A praia reaparece como uma ilha dentro da ilha - definia Gaipara, lenço largo azul com pintas traços riscas de outra cor preta enrolado na cabeça protegendo os cabelos negros fartos. - Uma praia frequentada pela elite local.

            - Quê! Tenho às vezes nostalgia... acho que pode ser mesmo esta a palavra. Nostalgia de morar assim e num lugar como este. Acho que é ancestral ou paranormal.

            - Nem fale. Como se um dia voltaria a fazer isso e tal coisa, né?! Arrepio.

            - Exatamente. Como uma história perdida ou já vista, agora revista. Arrepiado.

            - Pois então... Quando foi pássaro e agora é gente. Quando foi árvore e peixe.

            - Isso mesmo. Quem te contou? A alma sabe que é eterna e vai e volta, né?!

            - Ora e ora bolas. Como querer tanto sonhar muito que acaba conseguindo.

            - Perfeito. Pegou o meu sentido, é. Oie!... Eu te amo! E tanto e tão muito.

            Nenhuma vista de baleias amamentando suas crias de tonelada e meia. Entidades marinhas deusas ou Iemanjá, tampouco e nenhuma nem vestígio. A quantidade de vagas vagalhões lugares ásperos entrechoques de ondas fervilhantes e turbilhonando nas pedras e explodindo estourando de encontro aos corais arrecifes os promontórios.

            - Uh!... Viver todos os dias com o mar agitando aí. Sim, já outra moda moderna.

            - Quero crê. Mar em o quintal e ao alcance da mão. Mar doce lar. E viro surfista.

            A igreja o templo preparado para uma missa liturgia testemunhos. No livro hagiológio catálogo dos santos(as), constava dia de São Cristóvão. O mesmo santo que atravessou as águas com JC ao ombro. O vento marinho tocando esvoaçando as vestes brancas dos crentes frequentadores. As autoridades locais deram ordens para serem soltos todos os bagunceiros toquistas baderneiros batedores de carteira larápios.

            No adro pátio externo da casa do S, um grupo de tatus-cascudos vendiam palavras (colhidas na hora lá na fímbria da mata antigo cemitério) e já prontas lavadas desinfetadas para os crentes exorcizarem durante o culto e amarrarem no pulso ou pendente do pescoço da cintura: gume, maça, canhenho, enteada, lanceta e cutelo, lumbago, lúgubre, valhacouto, vigarista, gonzo, babujar, escrutínio. E diziam assim aos seus possíveis futuros clientes em potencial, falando mais que ‘o homem da cobra’:

            - Xiii-riiim! Xiii-riiim!... Aleluia, irmãs e irmãos! Nem temam com as palavras que pouco e nada conhecemos os significados. Nem temam a possível e impossível sorte de pensamentos e ilusões que elas nos proporcionam. Nem fizeram nada de mais. Você irá com a palavra agora, vá com ela agora. Antes que os bisbilhoteiros cheguem lá, a onça já bebeu a água benta. Derramem os santos óleos e vão em paz, amém!

            No interior da nave, o padre e ou o pastor rezaram uma missa o culto ecumênico com pregação no ouvido do fiel. E por todos os pescadores e por mais ainda todos os pecadores viciados achacados extorquidos fazedores de caveira amarfanhados. Pediam ao S e em nome Dele os que perpetraram cometeram coisas inaceitáveis os que babataram tentearam apalparam sondaram coisas alheias os que cometeram atrocidades os atrozes truculentos desumanos os que nem ouviram nem quiseram escutar e ouvir quando foram chamados para acudir e atender. Então todos muita gente muitos, ergueram as mãos os braços para o alto. Tantos e tantas desse jaez dessa laia. Até lá em cima às alturas das altas esferas bem em o alto do céu azul. E rogavam por nós, rogamos e roguemos. Batendo batemos no peito para afirmar e pedir um arrego ao divino, é.

            - Opa!... Sejamos discretos e prudentes - disse o padre, olhando todas as gentes todos nós com tranquilidade. - Sejamos mais humildes que vaidosos. Nem pode haver uns sem as outras. Nos abraçamos como irmãos e irmãs em JC. Louvamos ao S.

            - D e eu. E vamos dar graças aos peixes de cada dia em nossa mesa - dizia o pastor, braços abertos crucificado no ar espectro aparição, abençoando as tainhas da cesta aos seus pés. - A multiplicação dos peixes por JC foi de fato e ainda hoje é um acontecimento um milagre. Somente JC teve a ousadia e tem o direito de fazer milagres.

            - A trindade toda total. E nem cometeremos pecados heresias sacrilégios. Seja com atos ou com palavras e omissões. Nem sejamos hereges e blasfemadores e impuros. Nem usamos de subterfúgios, firulas rodeios circunlóquios manipulações ameaças.

            - E nem seremos ludibriadores cometendo pecados mortais contra a santa fé que a todos nos alimenta. E que esta sempre nos tira da bruma do nevoeiro da escuridão e nos mostra nos conduz aqui na terra pelo caminho certo e nos levará nos alçará ao céu.

            Todos se houveram (como verbo pronominal: proceder, portar-se, lidar, desincumbir-se, sair-se) com perfeita dignidade. Parecia haver mais turistas do que nativos, ali na capela. Mais ou menos topatingas rostos brancos que caras pretas.

            - Queira o S! Porque o céu foi feito para quem acredita Nele no céu.

            Depois do culto, o foguetório o clangor estridente das buzinas dos carros o bimbalhar dos sinos o alarido das gentes a alegria da banda tocando as músicas solfejos interpretações de samba os mais pedidos no carnaval. E descendo as escadas o morro até as casas de pasto restaurantes. Uma multidão de pessoas entre o sagrado e o profano, crentes e pagãos. Fidalgas e açafatas muito serenas e catitas e louçãs. Vestidos de branco e de ouro, o burel e o buril. Sorriam suave doce bem melífluo simpáticos.

            - Ei!... Por que toda onça-pintada é filha de D? E sempre foi.

            - Hum!... Por que uma onça-pintada bebe água benta? Ou também a água da pia.

            - Por que cada onça-pintada carece de 4 km² como área de atuação exclusiva?

            - Uau!... Por que lembrar da onça-pintada se há tantas feras felinas aí e com nome e sobrenome e apelido? Ou será apenas um modo de falar e ou ver as coisas?

            - Xi, hem! Quanto vale um par casal de onças-pintadas na natureza? Eu diria.

            O vento cômodo e vivaldino. Assim a ilha neste estado o dia sem nuvens e comemorando as festas de momo. Hoje o dia acomodado cúmplice de rainhas e do rei do carnaval. Realiza nobres e gestos dignos reais ares imponentes altivos empertigados surpreendidos imperiais. Dia de folia e dia de festa, as duas coisas ao mesmo tempo e agora. Quase nada de nuvens passeando no alto. Uma ou duas pinceladas de branco no azul quase quase de brigadeiro. Garças e gaivotas e trinta-réis-grandes assobiando esganiçados glotes entupidas a choldraboldra um sarrabulho em busca de mais peixes sardinhas de graça baratas grátis. Barquinhos pintados dentro do mar de azul. Gastronomia cozido buchada das entranhas dos animais trubufus. E quantidade que farta fartadela fartão. Fetichismo religioso e culto aos objetos sagrados, hierática.

             Se se faz mister molhar os pés tirar as chinelinhas de dedo e entrar no mar pisar a areia de conchas. E é neste dia santo que se oferece graças à deusa dos orixás Iemanjá. Vestes soltas e folgadas e brancas com detalhes em ouro quilates sobre a anatomia mais natural mais livre mais em liberdade. Cobertos de poesia lírica religiosa amorosa romântica filosófica popular social. Os foliões decidiram: brincariam todos até o dia seguinte. Pegariam da santa rainha do mar até o rei momo e suas princesas consortes.

            - Qual que é! Sempre foi assim e continuará a ser até amanhã - criticava Tácito.

            - O que exatamente? Tá falando do céu a terra as gentes? - Gaipara queria compreender onde ele estava ou aonde queria aportar. - Estamos em estado de festão.

            - Oquei e por quê? Digo isso assim porque somos bípedes ainda... no fundo no fundo, toscos e sem remédio. É isso. Birutas de posto de gasolina, entende?!

            - Tal e qual!... Bípedes cabeçudos sem asas vestimentas nos ombros espáduas.

            - Epa! Há algo aí, e o que mais? Bípedes sem penas ou pitecoides. Oi!...

            - Sentinela na porta no portão... Cada um por si e D por todos, axioma.

            - Vê! Joga o jogo coletivo mas quer atrair as atenções só para si, cabotinismo.

            - Hoje está mais presente e arredores. Irrequietos insofridos que nem se contêm.

            - Vamos ao que dizer. Esperando o churrasco e servidos antes dos outros.

            - Corpos atléticos preparados definidos bronzeados e lustrosos luzidios brunidos.

            No meio da tarde subiram ao seminário de franciscanos capuchinhos a fim de ouvir uma palestra motivacional. Era um lugar de retiro e paz e muita gente procurava passar ali o carnaval as festas os dias de momo e anarquia. Para fugir da folia mesmo. Depois da cidade fora na periferia subindo sempre em caracol e espiral tanto pelas escadarias a pé como pelo asfalto em automóveis. Passando um rio cruzando pela ponte moderna sobre a corrente do rio Piauitinga. Aros de bicicleta no mundo redondo rodando em torno do dia do sol dos jardins. Metrô monotrilho sobre avenida Inajarana-Inajazal estação Boa Esperança linha 15 prata. Sobre os trilhos e a 70 km/por hora.

            - Você mesmo... Uma cidade começa num morro no alto, e sempre.

            - Nem pense 2x. Uma cidade começa numa aldeia e termina numa metrópole.

            - Segundo me disseram e eu sei... A cidade começa sempre à beira de 1 rio.

            - Caramba. Você aí... A praça principia na cidade distribuindo ruas e casas.

Uma construção enorme gigante antiga outões laterais varandas copiares copiaras alpendres passadiços e construída enfiada no meio de um bosque de pinheiros-do-paraná e outras árvores e plantas palmas vergônteas ornamentais pássaros jardim bem-cuidado e alamandas, arlequins-pequenos, maria-é-dia, ximango-branco, pitiguaris, angelins-pedras, acariçobas-da-miúda, papa-sebos, aroeiras-do-sertão, ferreirinhos, pitombeiras, sucupiras-da-praia, guarés, jitós, esponjas-d’água-doce ou cauxis. As árvores parece que olham as gentes. E olham, veja! Como também sem falta, do mesmo modo irrefragável e incontestável, uma pequena fonte ou laguinho chafariz para as escudelas-da-água as baronesas e aguapés crautás os marimbondos-caçadores os paturis e irerês e marrecas-piadeiras os cucus os bicos-assovelados. As aves olham as gentes. Quantas orquídeas e bromélias acondicionadas em estufas e telheiros e coberturas.

- Uai!... Todos sabem em que ambiente estamos em que mundo pousamos. Em que esta parte do todo nos criaram, o planeta - já falava a Gaita, unhas cortadas rente.

- Água claras! Águas de maio. Outro dia eu vi que nosso universo é uma lágrima do suor de D. E que dimensão, Cristo-Rei! E entre D e o resto ia e vai um longo percurso espaço tempo a serem preenchidos povoados habitados. Amém!

- Eia!... E era nosso D? E Ele estava sozinho no mas? Que espaço vazio, meu!

- De repente tudo certo. D ali estava e gigante, senhores! E estava brincando sozinho em um deserto cercado de montanhas áridas antigas secas marrons rochosas.

- Gente do céu! Ele estava descansando? - pergunta de Gaipara, lambendo os nós dos dedos das mãos as duas e uma de cada vez. - Aí que tá, meu! Que coisa, né?!

- Hum!... Aparentemente estava distraído se distraindo com alguma coisa móvel manuseável pequena e que... nem identifiquei corretamente. Talvez sim, acho que nem.

- Em vez! Parecido com quê, essa tal e qual coisa? Eu cheia de perguntas.

- Acho que pedrinhas gravetos folhas secas ou algo desse tipo, assim.

- Xô!... Decerto estava plantando uma árvore uma folhagem... Isso acontece muito depois do inverno, chegando o verão - a mãe, dando de ombros.

- Mas era foi tão... Me pareceu um algo um pouco distraído ou cansado ou...

- São os teus pressentimentos. D é assim mesmo, gente! Vai por mim, te digo!

- E se sonhei foi um relâmpago corisco. Mas juro que vi D. Suponho acho que foi a primeira 1ª e única vez. Oba!... E Ele me viu me percebeu me entendeu me amou.

- Oi!... Um dia desses todos nós vamos vê-Lo! É assim mesmo e eu te garanto.

- Pois se Ele tiver tanto tempo pra isso! Alto lá! D é grande em toda parte, é.

- Até logo! Todo o tempo do mundo. E o próprio tempo é Ele, ahahah!... - ria muxoxava a Gaipara, cara e olhos feitos como esperta, cílios aumentados.

- Sim, eu sei. Acredito acho que sim. Vamos! Vamos aonde e por quê.

- Oh! e justamente. Preparando, quem sabe que vê, tanta coisa quê - completava a mãe, e assim mesmo muito esperta. - Estamos buscando nos distrair, hem?!

            Cães só passeavam com seus donos madrastas profissionais de passeio. Os cães só pensam em si. O cão olha o dono(a) a cada 15 segundos (cada: pronome indefinido com valor distributivo). Nem havia descrer da amizade de ambos, dono e cão animais.

            - Daqui mesmo se vê o mar e grande extensão de oceano - conferiu Gaipara, tirando umas fotos para as redes sociais e amigos que colaboravam com o canal.

            - Olhem tudo em volta! E o domínio da cidade ao lado do mar e até onde a vista alcança - completou o Tácito, se posicionando de perfil dentro do autorretrato com o fundo no mosteiro envolvido com as árvores. - Eu e meu fundo de azul mar céu.

            - Olá!... E é natural que nossa alma sobrevoe tudo e mais um pouco. Quê?

            - D sobrevoa aí. Porque o silêncio faz parte da paz. E vice-versa. E aposto.

            Chegaram na portaria mostraram o ingresso de entrada e acompanharam um guia local, um aprendiz embuçado com o típico capuz. Seguindo até o salão do auditório. Tudo muito simples sem muitas alfaias uma humildade sem muita cor e cadeiras brancas de plástico e muita seriedade e muito honesto sem pressa nada assim perfunctório e... como se diz sempre nestes casos, bem austero comedido comum simplificado. Lugar reservado para meditação e rezar dos muitos mistérios. A luz vinha da palavra emissão das palavras repetidas prosódia mantras e de acordo pelos monges franciscanos. Quem acredita procura e acha, oquei?! Outras pessoas também já aguardavam ali, hóspedes do hotel/pousada. Nem se ouviam crianças, e uma raridade.

No estacionamento no pátio os carros emplacados ônibus de excursão e vinham de longe ou mais longe que hoje e Arauá, Boquim, Picada Café, Estância, Lagarto, Pedrinhas (pedrinhe-se, diz um dizer uma legenda na entrada desta cidade. Pois a lenda conta ainda das pedras misteriosas de Pedrinhas, que conseguem esconder tapar cobrir sepultar assim mesmo tesouros botijas repletas do metal precioso - fontes: ibge, fgv), Salgado, Presidente Lucena, Itabaianinha, Riachão do Dantas. Pessoal da serra da Piedade. Maior número vinha já recomendado indicado com referência. Todos os dias todas as horas sempre havia ali junto alguém à disposição do hóspede do hotel.

            - Vê. Eu fico imaginando estes monges aqui o dia todo recolhidos em nome do S - confessou Tácito a sua amada Gaipara, um bem perto da outra e muito amarrados.

            - Ah! Eles têm várias outras atividades, lecionam estudam fazem horta vendem os produtos na feira do centro da cidade organizam peregrinações a Aparecida...

            - Confirmo. Quero dizer que é uma vida um propósito uma missão religiosa dedicada dedicação exclusiva a D. Espécie semelhante uma outorga divina? Poderes transferidos concedidos e adquiridos? Eu nunca teria pensado nisso. E acho bem difícil.

            - Altos mistérios. Dizem que D é que chama chama... e quem ouve e escuta e compreende o chamado atende, atende. Eu, se fosse comigo, atenderia atenderia.

            - Oi!... Mas que é difícil, isto é. Segregados, talvez. Muita responsabilidade?

            - A recompensa está no céu, para quem crê e acredita e aposta nisso. Oremos!

            O mosteiro dos capuchinhos era sim um centro de salvação. E de certeza. E de aprimoramento. As gentes vinham para buscar o sossego e a segurança espiritual. Chegavam de todos os lugares e ambientes e já perdidos atrapalhados. Os que se sentiam em apuros os que se viam às rascas (como se dizia antigamente e no passado). Navegavam o rio Juruá rio Iaco e vinham desde Sena Madureira e Santa Rosa do Purus e Manoel Urbano e Bom Jesus do Amparo. O seminário aí e um lugar escolhido.

            - Ahn!... Se eu pudesse crer até pagaria pra ver. Acho que isso de santo e santa e sacrifícios e monges e monjas eremitas e ermitões, já devia de estar em extinção.

            - Procure acreditando. As pessoas nem vivem sem religião. Tenha fé, meu!

            - Opa! Eu vivo. Tu vives. Ele vive... E sei que jamais vivemos tanto e tão.

            - Apre! Vivemos sem igreja, é diferente. Todo mundo na hora h faz o sinal da cruz ou outro sinal qualquer da religião. Ninguém é diferente e indiferente nesse porém.

            - Sim, quando a água bate no porão... Vamos ver para crer, então.

            - Meu D! É por isso que estamos aqui. Nem só de pão... Nem só de vinho...

            - Assim você é minha meia laranja. E que delícia de pessoa. Aleluia!

            - Puxa! Por se acaso, devemos escutar. Minha alma deve sim existir, amém!

            Chegou o padre e todos ficaram de pé e praticamente em silêncio respeitoso. Começaram rapidamente pelas apresentações. Podiam ficar à vontade. E o ponto de vista do clima temperatura lá fora dentro do colégio e seminário. Então, erguendo um tema. O monge ou frei vestia uma batina marrom longa da cabeça aos pés, incluindo o capucho solto para trás. Os pés uma sandália marrom de couro. Tudo nele com os sinais de vida modesta simples penitente. E sem particularidades vaidades hierarquias.

            - Meu nome é Antônio Gibão Pitinga. Assim todos me chamam irmão Tôni. Estou residindo aqui desde há 5 anos, vindo de São Leopoldo. Natural de Simão Dias. Sou epicurista por ofício e cuido das nossas abelhas, bizzzz!... Mas acima de tudo de um modo de viver vida monástica e religiosa e devotada ao S, óbvio. Atendendo o povo da melhor forma possível e saindo alguma vez em missão pelo país para onde for designado e ou escolhido ou convidado. Com muita responsabilidade e felicidade. Nem somente sendo como demonstrando. Compromisso comprometimento e submissão.

            Todos ali no máximo da atenção e olhando pra ele, Frei Tôni apicultor e outros afazeres da casa religiosa. Já levando na cacunda nas costas na carapaça uns 60 anitos e pedalando. Cada monge com sua cela e bem rústica. Prédio que se destaca na paisagem onde só vivem os sacerdotes preparados para auxiliar os de alma débil. Conhecimentos espirituais infusos conhecimentos religiosos conhecimentos naturais naturalmente. Talento profissão ou ofício vocação... vocação de religioso. Ter-se-iam lembrado.

            - Podemos falar de prodígios dos profetas, hem? O estro o gênio criador de poemas poesias inspiradas nas palavras de luz divina. Conversamos sobre estes sábios que viviam no mundo da pedra, em cavernas frias e profundas, carregando massas imensas volumes moles enormes nas costas. Se sentiam bem se fazendo de animais de carga para salvar as pessoas a humanidade. Pregados nas altas montanhas penhascos perto de rios rio Chandless rio do Roque. Os fatos sobrenaturais que presenciaram. Suas conversas com o alto com os enviados de D. Escrevendo a palavra ditada no milagre.

            O frei andava de cá para lá no palco no pequeno estrado posto ali na sala de encontro de conversa de palestra. Muito compenetrado no que falava. Já preparado. Caminhava dois passos falando e parava. Olhava a assistência. Começava a falar e retomava os passos em vaivém. Olhava a assistência, mão no crucifixo palavras inspiradas verdades luminosas iluminado. Com a graça divina, quem sabe, e mais:

- Que vocês procuram aqui e hoje? Alguma pergunta, pra começar? Fabricamos caçuás e grajaus e garajaus de todo tipo e finalidade. Agora mesmo já atendemos pedidos a domicílio de urupemas sururucas essas mesmas peneiras feitas de palha ou fibra ou embira. Podem comprá-los e enchê-los apojá-los com nossos doces de abóbora jabuticaba caju guabiju. Podem adquiri-las levá-las amojá-las com as laranjas nossas deliciosas pitombas e que vocês mesmos colhem no pé no pomar na chácara na horta.

            - Ué!... A onça-pintada reza a lenda? - destravou quebrou o gelo alguém aí.

            A fala mansa e pausada, sem remoques ou muxoxos indiretas subentendidos. Como quando se fala pra criança ver ouvir e entender, enfatizando enfático. Ou quando se explica a um forasteiro gente que nem fala a língua e sempre com vagar cuidado lentamente pausado. Fala cuidadosa e palavras prudentes. Dizem que já curou doentes desenganados dos médicos e que vinham visitá-lo desde Suzano, Ferraz de Vasconcelos, Igrejinha, Parobé, Ribeirão Pires (que ribeirão veio de um ribeirão todo mundo sabe e entende, e veio de pires ainda uma questão controvertida controvérsia com um Salvador Pires e outro Antônio Pires de Ávila. Sim, a conferir! - fonte: ibge.)

            - No verão passado nós fomos à terra santa, eu nós meus amigos aqui do seminário e outros convidados de outras paróquias e comarcas. Chegamos à cidade sagrada dividida de Jerusalém. Cidade controvertida sagrada santa repartida. Estávamos todos tremendo de medo de ansiedade de curiosidade. E olhem que era a minha quinta oportunidade, pela quinta vez. A adrenalina lá em cima. Eu olhava o chão onde pisava como se fosse dádiva. Eu olhava o chão onde pisara JC. Nós rezávamos o tempo todo e a cada passo. Cada planta cada pedra tinha tudo a ver. Andando calçados na sandália da humildade. Tudo tocávamos, pedras monumentos igrejas santuários criptas tumbas.

            - Oi! Dizem, eu nunca fui e pretendo um dia, que passa muita gente. Tudo virado num formigueiro... Muitos multidão de viadores viajantes romeiros peregrinos(as).

            - Sim. Embora vivamos isolados aqui no alto do morro e no seminário, tendo nossa uma vida discreta e serena, somos mensageiros da palavra da luz. E JC revelou que precisamos estar no meio do povo e participar interagindo fazendo o melhor. Esta a parte que nos toca, os monges que seguem o caminho de São Francisco de Assis.

            - Boa!... E por que uns são felinos e outros nem têm dentes, frei? Dúvida.

            - Oquei! São Francisco de Assis gostava de animais, independentemente? E como lidava com as diferentes espécies, especialmente as feras famintas furiosas?

            - Graças ao S! Alguns se nutrem de grãos e folhas. Os carnívoros comem uns e outros, literalmente. Uns vivem isolados e outros em comunidade. Uns são solitários sozinhos outros(as) agem em bando matilha grupo partido caravana conjunto.

            Este último o Tácito inquiridor e curioso. Se se convertesse ao isolamento, como seria nesses tantos dias e anos? Uma vida monástica sem conforto sem namoradas sem pecado e de muito recolhimento e penitência. Como seria outra forma de ser e ter. Acreditando em algo que nem vê, e rezar. Quem pergunta quer saber.

            - Quando chegamos ao rio Jordão, e ficamos sabendo que aí JB batizou o nosso Senhor JC... juro pra vocês que eu derreti. E meus irmãos monges também choraram. E muitos turistas gente do povo visitantes de outras religiões... Porque a gente nós todos sabíamos que tudo tinha começado aí mesmo... nos banhos das águas do rio Jordão, entre Israel e Jordânia. E nos ajoelhamos todos ali no meio das pedras e rezamos como tinha de ser. Chorando e rezando como crianças desamparadas... ou encontradas. É proibido por lei do país levar embora terra areia pedras expropriar roubar aqueles sítios.

            - Oi! Me parece que essas coisas nem existem, sabe, seu Tôni. Eu acho que tudo nem passa de lenda, conto das mil e uma noites, parábolas, profecias, pergaminhos...

            - Oxalá! Proezas e gestas e façanhas dos santos e santas os mártires...

            - Com Ele! Nos lugares que podíamos e mais queríamos já andávamos descalços. Sentindo o chão mesmo como é e deve ser. A terra as pedras santas sagradas místicas. Acampamos no alto da colina mais icônica para os católicos e cristãos. Ali mesmo onde JC foi morrer foi morto para nos salvar nos dar a redenção. Caminhamos descalços aí e o dia todo, praticamente. Sentamos nas pedras, acariciamos as pedras, deitamos nas pedras, almoçamos nas pedras. Dormimos debaixo do céu acampados em meio às pedras pedregulho, e fazia uma noite muito estrelada. Muito transparente. E procurando uma estrela cadente. Várias estrelas guias. Nos sentíamos, eu me sentia parte da história mais sensacional vivida pela humanidade. É como uma razão de viver. É como nascer de novo, é como ressuscitar. É pertencer ao suprassumo ao ser universal.

            - Então... Uma das coisas mais comoventes que eu acho... E me rendo.

            - Oquei! Chegando em casa eu preciso virar vegana vegetariana convicta, sim!

            - Digo mais. Parece a lua. Parece espacial. É um lugar assim e único no mundo, lunar. Ali nasceram algumas das maiores religiões do homem. E por quê? Somente D é que sabe. Quanto a nós pecadores e pedintes e passageiros, temos que trabalhar nosso coração na humildade. Na razão da fé e na humildade. É um mundo novo ali rodeado de pedras que viram testemunharam os acontecimentos. E por que como a nossa compreensão é muito ínfima. O nosso entendimento é muito pouco e só vemos o que está diante do nosso nariz na frente do nosso nariz. Somos uns grãos de areia rolando no deserto. E logo logo vamos embora e deixar para trás tudo e nada que nem podemos carregar. Nem levaremos nada nem o dia de sol ensolarado a tarde de chuva chuviscando cruviana chuva miúda garoa. E tínhamos que andar bater pernas tocar as pedras ver com os olhos de ver. Muita história em poucas horas, muito sentimento, muita paixão. O chão as pedras tão próximas do S. E rezar é pedir agradecer.

            - Oh, mãe! Nada mais importa. E o que se exporta... é o coração.

            - Claro. Vou vender meu colar minha pulseira meus brincos meus cordões. Vou doar meus anéis broches grampos tiara. Nem posso mais com tudo isso, e muito peso.

            - Vim de longe e tudo mais... Me envergonho dos meus dias de fausto.

            - Confere. Tudo responde agora à luz e claramente, óbvio.

            - Sim. Chegando àquele gólgota calvário, e parando ali naquele cenário palco do maior drama que a humanidade já presenciou... mais uma e outra vez me joguei ao chão... todos nós nos jogamos ao chão de cascalho pedregulho... Lugar do martírio sacrifício onde fizeram a caveira de JC. E na subida no caminho até a colina todos os passos... As palavras os gestos as imprecações atiradas como pedras e paus assim e patíbulo, volúpia, luxúria, deleite, réprobo, traição, lascívia. De dia o sol forte o calor modorra a claridade ofuscante, de noite o frio o congelador as trevas densas brumas.

            - Tal e qual. Que idade tinha o mundo nesse então? No fragor da refrega!

- Verdade? Que nada, uma inércia hibernação paralisia calcinação.

- E mais. Basta de escaramuças de valentões batutas destemidos intimoratos.

- Bravos, apoiado. Sem o Salvador tudo era pneu e oblívio. Tudo era um mundo perdido e protocolos, fuzarcas, vassalos, inócuos, mequetrefes, beleguins, pífios.

            - Vejam e vejamos. Mas é uma catarse que a humanidade necessitava e foi sempre naquele lugar e naquela idade imorredoura. O resto nem sabemos. Natural que a cada dia vamos aprendendo mais. Os sábios de antes e de hoje, sages sabedorias. E o que é mais importante que tudo... a fé que se move. O mar praia cidade ruas cordilheira montanha. Segure, como diz a canção fazendo plágio, “segure na mão de D e vai!... Siga adiante... e nem olhes para trás!...” Mundo incongruente espedaçado, porém. Às vezes as partes separadas assim ao vivo se conectam se colam se colocam novamente no enredo e tudo fará poderá fazer sentido. Característica de humanidade que se move e muda mudança. Porque ainda assim vamos em paz. O Dono da casa está em casa!

            - Glória e aleluia! Sempre achei entendia que esta canção estava muito bonita. Mas é mais do que eu pensava. É a canção que fala de-verdade. Fala e vai diretamente.

            - Upa e avante! É uma canção aliada de nosotros. Que contempla a nós todos.

            - Quando calha do sol vestir o oeste de laranja pinta uma noite de idade de ouro.

            - Juntos e justos. Vamos cantar de novo e cantar uma composição que sempre nos eleva e suave nos leva leves aos céus. Céus consagrados do nosso agrado, graças!

            - Isso é JC! Apenas um homem e com sua palavra e seu exemplo conquista meio mundo. Vamos parar e pensar. Magotes de gente amontoamentos hoje agora porção considerável de pessoas pensam nele como um verdadeiro D. Vamos parar e pensar toda vida. Ele cura os de maus-bofes os de maus-gênios macambúzios taciturnos reimosos renitentes. Todos estão em aprendizado em processo, os pudicos melindrosas os recatados escrupulosas os punguistas trombadinhas. Isso sem falta e urgentemente.

            - Oquei! Cifras, dinheiros, valores... Sempre contas a pagar. Sempre esses cálculos a embatucar os miolos. O dia de amanhã o dia de amanhã e outro dia.

            - Me olhando por dentro e no íntimo... Se pensarmos bem, a gente nem sai daqui hoje. Quem sabe pra sempre. Oi!... É o que acho. Ou nos modificamos completamente.

            As palavras flutuavam o mistério se movia o frei exercitava os desenhos no ar. As pessoas ali presentes meio que viajando por sobre a prancha a embarcação a plataforma das palavras das figuras das imagens dos enigmas labirintos as histórias.

            - Ufa!... É a primeira oportunidade que tenho aqui - dizia a moça Tainá, olhos olhar interessante brilhantes. E nasceu origem terra natal Caeté ou caeteense (tupi: ‘mato verdadeiro’), padroeira NS do Bom Sucesso. - É a primeira vez que venho aqui.

            - Que venho aqui.

            - Toda a satisfação do mundo. E daqui subindo e mais... Exclamativo.

            - Satisfação e exclamativo.

            - Olhe só. Agora hoje em dia moro aqui perto venho de Bom Despacho (bom-despachense, lema: ‘fé energia trabalho’. É o que estou tendo e ou ainda procurando.

            - Aqui perto.

            - Ou-ou-ou! Vim com esta certeza: D e Nosso Senhor o Pai do céu sim existe.

            - Com esta certeza.

            - Vou fazer 50 amanhã e o dia inteiro. Recomendo. Antes tarde que cedo.

            - Fazer cinquenta anos.

            - Ah, sim! O destino tem a força que D dá e nos entrega e nos consola.

            - Tem a força.

            - Sou profissional da área militar do exército brasileiro, posto patente oficial coronel Diluvião Melança Tainá. Ainda casada e bem casada. Sua criada e no respeito.

            - Patente oficial coronel.

            - D nunca acaba. D nem abandona quem cedo madruga. Me reservo esta crença.

            - Cedo madruga.

            - Diz que está aí para remover montanha. Está aí para, que diz!, reorganizar montanha. Está para aí, diz quê, recolocar montanha. E depois falam bem Dele.

            - Remover as montanhas.

            - Devo crer num mundo de luz e alvorecer... O alvorecer no som da luz...

            - Mundo de luz.

            - Hem! O rio passa por nós o rio com a gente dentro navegando navegamos...

            - O rio passa a gente.

            ‘Terá realmente piado a coruja? Será a mesma que piava há 5 dias?’ - Graciliano Ramos. Todas as noites havia batuques das escolas de samba; havia foliões que se dedicavam a beber mais e muito (verbo haver impessoal na 3ª pessoa do singular, quando significa existir); o momo houve por bem reconsiderar seu aparato nos desfiles. ‘As quaresmeiras abrem as flores depois do carnaval, os ipês abriram ainda em junho’ - Raquel de Queirós (elipse de zeugma: os ipês... ‘as flores...’, omissão de termo já referido na frase que podemos subentender no contexto). Guaratuba, (‘ajuntamento de guarás’), praia de Caieiras praia Mansa de Caioba ilha Capim de Cima - fonte: ibge.

            Nem me pertence. Assim, o que me serviria desejaria gostaria nem me pertence.

            No alto as nuvens encorpadas gordas sigilosas gigantes, como igual bichos enormes monstruosos pançudos barrigudos, como nuvens grandes inchadas portentosas.

                                                                       #

            Assim, foi tudo muito rápido. Se conheceram no carnaval do clube Sociedade Recreativa Ramalhete Morigerado, se agradaram e decidiram morar juntos e por que nem... casar, juntar os trapos? E quem casa... quer casa! Foram morar no condomínio Platibanda, da rua Barão de Ladário, em o já tradicional bairro do Marinheiro Quinca. Anunciaram aos interessados colocaram o aviso para os paroquianos... Sem mais delongas, marcaram a data expediram os convites a igreja as dependências do clube que os apresentou em plena festa. E pronto. Poucos salamaleques e ornamentos. Ponto.

            Chegou o dia matemático insólito raro divino e choveu dinheiro (pra que tanta precisão de grana?) e trote chasqueiro, cavalo lobuno ou cinza-escuro, aporrear desancar espancar aporretar, haragano, tablada, boliche, furungar fuxicar remexer futricar. E a bênção do ótimo dinheiro e rio da Cachoeirinha, corticeira, usina hidrelétrica de Marimbondo, Icém (icense, ‘água doce’), joão-do-norte, miudinho, maria-preta.

Foi amor à primeira vista pista beijo. E ponto. E a lua de mel ia ser num motorhome viajando pelo país. Sem tirar nem pôr. Assim como está escrito. E deu! Onde há amor e paixão, dizem os especialistas, nem há também calculo matemática crédito e débito regulamentos. Uma duas... cinco... sem tirar de dentro. E tenho dito!

- Oi! Os deuses se foram bastante ótimos. Alguém admirou ouviu... a tarde cair?!

- Ah, temos a lista otimista enorme e olhe! Um acidente incidente, ou algo?!

Uma trupe de empertigados saltimbancos acrobatas malabaristas malabares contorcionistas rufiões e fazendo caretas caras e bocas ali na praça Chinó da Sedição. Vamos arrefecer esfriar entibiar desalentar. Estrelas altas apontando luzes dizendo brilhos apostando eternidades. Nuvens enfeitadas nos arremates arredondados, luzes.

            E a noite começava e a noite era aquela mesma, prostrada. Era uma noite universal, porém fanada murcha sem frescor. Uma noite de lua cheia e desoras. Uma noite completa completíssima. Daquelas mesmas que nem se esquece e jamais se olvida. Vozes sons de fala música gritaria risos demorados tudo ao redor dos noivos. Homônimos e intercessão ou interseção, cismo ou sismo. Vinte e cinco graus centígrados no ambiente todo festivo comemorativo divertido. Vamos cotejar paragonar comparar confrontar. Corpos ensaiando passos pra cá pra lá e todos esperando meme.

            - Oi!... Quem vem lá?! Quem vem ali?! Evém os tais e quais!

            - Meu D, como os noivos estão bem arrumados! E sem tirar os olhos um da outra. Como num compromisso sério. Como num anúncio sério de casamento.

            - Palavra, meu! Ela voz abemolada e vestida trajada de saco de aniagem e pálio azul-marinho lhe fazendo a sombra suave, kjá-kjá-kjá!... Expresso e expressado.

            - Ultra! Ele uma boa bisca? Sujeito viril varão priápico libertino eufórico.

            - Oie!... Vai durar muito? Se conheceram num carnaval e aqui mesmo no clube.

            - Sim, pois foram feitos metades da mesma laranja colhida no pé no pé!

            - É mesmo, ora! Laranja-mimosa, laranja-docinha, laranja-do-céu!

            - Ué!... Vão ter filhos e um casal, Pedro e Patrícia. Parecidos e ao mesmo tempo.

            - Chega pra cá! Gêmeos múltiplos de quatro quíntuplos. E muito idênticos.

            - Sucesso! Pois ter gêmeos parecidos entre si e com os pais é uma... dádiva.

            - Uaaaau!... E depois com caráter temperamento e manias trejeitos...

            As gargalhadas ali estavam o que de mais a mais demandavam em demasia. Tudo realmente importante e necessário? Todos na estica; os homens de gravata borboleta, as mulheres de salto agulha. Parabéns! Um ou dois acontecimentos que se guardariam para sempre, ‘ahahah!...’ Discursos e promessas rindo a bandeiras despregadas. Se nem distinguiam vivido e vívido. E depois? E na sequência? E a seguir? Papagaios-caboclos e rindo se agitando e piando papagueando como os periquitos-de-santo-antônio (onde se põe hífen, sistema ou regra ou órgão ou endosso ou óvni vindo de Júpiter - período sinódico ou tempo que um corpo do sistema solar demora para passar pela Terra e pelo sol em 398,88 dias, período orbital em 4 321,552 dias e 11,85920 anos: fonte, isbn - mas que têm variados e achados ex e arqui-hipérbole, retro-olhar, super-requintado, circum-murado, Brasil-bom-de-bola). Quem tinha mais garrafas vazias para vender ou trocar? Quem apostava, ‘kjá-kjá-kjá!...’ apostou?

            - Seu penteado é novo? - perguntava o convidado xy, voz branda abrandada.

            - Sim e nem. A moda vem desde o distrito de Costinha, Lucena. Conhece? Já ouviu? - noticiava ela a convidada wy, reparando num táxi que passava em o espaço.

            - Seus olhos são bem grandes - notou ele, soltando largando a cabeça para trás.

            - Hum!... Então vamos fechá-los, oquei?! - lançou ela, apressada se agitando.

            - Que lindos lábios umedecidos... - desejou xy, olhando o céu a rua a lua.

            - Geralmente. Cortei o cabelo por causa do calor - acertou wy, atirando um rápido olhar em volta. - E realmente me sinto mais fresca e aprazível e agraciada, sim.

            A igreja o altar o padre e seus paramentos o templo todo decorado e conforme manda o figurino o protocolo a moda o bom juízo os bons costumes paradigma. Depois no salão de festas do Ramalhete Morigerado e junto à rua Major Miguel Nunes Vidigal. Tinha o casal de mocinhos e protagonistas. Tinha havia os convidados os outros integrantes do baile. Tricas conversas dicas sem importância. Recomendações profiláticas. A banda Quiti, ali num estradinho ao canto da grande peça, meio obliterados meio socados de lado. Desde forró até roque, de marchinhas até sertanejos e passeando pelas românticas que a noite pedia um rosto colado juntinho arrasta-pé.

            - Minha nossa! Onde está e foi parar o meu pai? Papaaaaiii!... Oi!...

            - Arre!... Quando chegará o bolo de andares e famoso esperado solicitado?

            - Então, cambada! O que vem primeiro, o churrasco a sobremesa a sopa de capelétis? Sem esquecer a ceva véu de noiva gelo trincando que é de praxe, né?!

            - E as enxovalhadas alcoviteiras? ‘Longe vá temor servil!’, cito citação.

            - Epa!... Farofices farófias e conversês proseios aleatórios indistintos...

            - Por que nem sentamos mais perto da cozinha? Sentindo, menhã! menhã!...

            - Por que nem nos acomodamos mais perto dos noivos pombas-asas-brancas?

            - Por que nem nos afastamos desta banda barulhenta? Hein?! Uta!...

            - Um repertório nervoso crápula devasso e ignomínia opróbrio. Aplausos!...

            - Psiu!... Vale tudo nem vale nada o libelo a desonra desdouro labéu escárnio.

            - Quem vem de lá e daqui? Um legado do delegado renegado? Perdão!

            Gente e convidados importantes vieram de outros lugares e já convidados os parentes amigos(as) contraparentes. Os convites foram divulgados em as comarcas e Abadia dos Dourados, Grupiara, Romaria, Douradoquara, Patrocínio, Iraí de Minas, Estrela do Sul, Monte Carmelo (a principal atividade econômica deste município é a produção de artefatos de cerâmica, e também é destaque a produção de café).

            - Veja, bem meu bem! Você só precisa me olhar dentro dos olhos e me dizer sincero olhando pra mim de verdade, diga: ‘Eu te amo!’ (De fato ele a encarou, e decidido, falando falou que a amava. Bem terno ternamente. Que ela pudesse sossegar.)

            Colocaram pelo menos uma grande sopeira no centro de cada mesa comprida 3m. Uma mesa à parte em destaque repleta de sobremesas quitutes doces e salgados. Outra um pouco menor com licores para os tragos de abrir apetite de estalar a língua caipirinhas com bagaço de limão verde pequeno. O churrasco seria servido no tradicional espeto corrido ou rodízio. Um lauto rega-bofes, e cá pra nós!

            - Gente! Acho que vou comer só saladas. Escolhendo cores. Estou com uma barriga... veja! Deve de ser a cerveja e ou o sedentarismo. Enfim, amanhã é segunda.

            - Vou comer o que tiver o que puder como se nem tivesse houvesse amanhã. Segunda-feira eu vejo o estrago e em que pé ficamos. Necessito comer melhor. Assim.

            - Eu sempre me interesso muito muito pelo lado b das festas e eventos, hum!...

            - Outrossim! Querem comprar? Em oferta! Vendo minha frota de embarcações e navios, galeão galeota fragata brigue nau iate cruzador. Estado de flutuação, oquei!

            - Uai!... Faço bustos estátuas de ferro ferrada ferral na ferraria ferrajaria.

            - Oi! De quem é filha aquela menininha ali em si feliz sorridente cheia de dentes, ou melhor, janelinha aberta em os dentinhos da frente? Muito gracinha mesmo.

            A menininha na mira e em questão estava mesmo na idade da beleza e da meiguice e da fofice. Era de ir até ela e pegá-la no colo. E tinha cabelos longos suaves tenros e demasiadamente vermelhos. Nem tinha ar de rica e rainha e princesa herdeira das Casas de Bourbon e Bragança. Tinha sardas no rosto acariciante e sorriso sempre pronto de garotinha muito tão galante predileta fofa faceira. Passava pra lá de querida.

            - Quem? Vamos fazer uma assim mesmo... mor?! Co-me-ça-mos!...

            - Por que pedem dinheiro pra comprar o que e pagar o quê? Estou bem.

            - Viva! Você já experimentou sorvete de pitangas? Re-co-men-do!!

            - Cem pratas! Prometi nunca mais tomar sorvete... até o natal. Quero ver se aguento e passo lisa pelas ofertas e tentações. É duro, meu! E nem é de hoje, meu!

            Os músicos do grupo Quiti, endiabrados por tudo e nada, pararam com o som e foram aos talheres. Eram seis e salivando. Um deles abriu uma latinha de cerveja e riu alto, ‘ahahah!...’ o lance abrupto fez explodir e esguichou o líquido por todos os lados e inundou algumas pessoas próximas que ainda assim riram muito com ele, ‘kjá-kjá-kjá!...’ O mesmo músico pegou e bebeu mesmo no bico e estalou os beiços em demonstração de delícia, ‘eh-éeeee!...’ Tudo muito rústico abrupto e de improviso.

            - Ei! Vamos chamar o garção pra nossa mesa? Nem podemos ficar esperando.

            - Caçamba e caiçara! A ceva tem de estar glacial de gelada. Quero uma fria, frígida. Polar da Antártida! E fran-ca-men-te! E sor-ri-den-te-men-te!

            Um neném chorava e se retorcia no colo da mãe materna maternal. Outra criança brincava com carrinho de plástico debaixo da mesa de sobremesas, ‘vru-huuuu!... ‘infêeee!... urum-ruuuu!...’ Tinha pelo menos mais uma que dormia ali no carrinho de bebês enfeitado de chocalhos fitas e adesivos. Uma bela senhora dava de mamar a um menininho de colo, ‘upa-upa!...’ Um pai cuidava de olho atento na guriazinha sob os pratos de doces. A avó balançava o berço admirando encantada ninando o pimpolho dormindo dentro do ninho toquinha azul na cabeça, e repetia palavras dela estrofes tartamudeava ronronava, ‘rói! rói! rói!...’ Em volta mais outros rumores mexericos transpiravam tramitavam completavam, ‘mi-mi-môooo!’, ‘turuliiii-lo-liiii!...’

            - Pois sim. Os noivos têm a mesma altura, e isto é raro. Medem bem mais que um metro e oitenta e cinco e vão gerar filhos mais altos ainda. Bom pros rebentos - explicava o tio da moça seu Eventual de Bedel, meio de lado com a cabeça assim.

            - Alguém trás pra mim! Depois vamos pedir a música que dançamos pela vez primeira? Lembra, dengo? Eu estava de verde e você de branco dos pés à cabeça. Eu estreava minhas lentes de contacto - explanava a tia da moça dona Joveva, apoiando o queixo com as mãos os dedos entrelaçados. - Eram estreias e coisas, qua-qua-quáaaa!...

            - Você me olhava de soslaio... Eu te olhava procurando uma saída pela janela...

            - Oie, benhe! É que estava alta do chão e um pouco tocada alcoolizada...

            - Por D e por sorte! Meus sapatos resvalavam e você pisou bem certinho no meu dedão. Uaaaau!... Lembro que ainda hoje me dói agora, é. Dia ou noite inesquecível!

            Barulhos indistintos ou distintos no tumulto da festa. Conversas entrecruzadas e atritos de talheres nos pratos e porcelanas. Uma criança gritava alto, um adulto ria alto.

            - O buquê sai ou nem sai, gêntem? Também preciso casar e coçar, ora bolas!

            - Ou-ou-ou!...Você prefere biscoito ou bolacha? Com mel ou açúcar?

            - E você, que nem nega um prato e que tem um bom garfo... Você comeria espaguete alho e óleo com acompanhamento de jiló? Que receita, hem?!

            - Quê! O pessoal, este povo de Buíque, gosta de cair no pagode. Sãos e salvos!

            - Pois que sim. Um cafezinho sempre vem muito bem e obrigada!

            Se esperava mais se esperava tudo se aguardava a noiva jogar os sapatos ou o véu ou as luvas. Se esperava mais se reparava muito mais. Onde vamos parar esperando? Por que esperar pelos outros? Que esses noivo e noiva merecem tudo isso?

            - Cruzes, e ora essa! Quem é aquele o nome dele dos bigodes efígie à Rio Branco, da moeda? Barão ou visconde, nem me lembro. Mas muito imparcial.

            - Sei, é. Acho que havia mais de um... Estiveram em o império e ou república?

            O noivo a noiva e pombinhos, sentimentais ao extremo, inovaram e foram beber o espumante na taça fina alta elegante trançando os braços. E riam riram muito, ‘tcha-ra-rá!...’ E eram acompanhados com risos vaias gritos e o escambau. Eram muito festejados. Parecia então tudo muito da-hora. E era. Risos soltos, ‘ran-rá! ran-rá!...’

            De súbito rapidamente ela riu alarmada, ‘ma-ra-rá! ma-ra-rá!...’ e ele disse na sequência imediatamente sem pestanejar sem mandar dizer e de frente a frente:

- Você ri tão gostoso... hum! E eu gosto, oi! Você me dá sede ao... pote!

            O par a parelha lado a lado e como duas araras-vermelhas-grandes. Pronto, se entregaram os troféus aos vencedores do concurso (com o pronome apassivador se, associado a um verbo ativo da 3ª pessoa, temos a voz passiva pronominal). Teria estado ele feliz o rei solar? (Teria estado: verbo auxiliar no futuro do pretérito composto do indicativo) O casal de araras-azuis-grandes também compartilhou e ganhou os vivas aplausos serpentinas confetes e, ‘barabambam! barabambam!...’ de batuques batucadas.

            - Oh, sim! Meu tudo limpo nobre generoso amistoso amigão! Plete! plete!...

            - Ora, amor meu bem! Perfeitamente esportivo esporte! Miau-miaaaau!...

                                                                       #

            Alguns dias depois, uns 3 meses, tudo dentro de uma rotina organizada cronograma. E esperando que do céu caísse uma mala de dinheiro? Os dois trabalhavam no comércio e quando era noite acontecia tudo de bom. Nada de achaques ou mal-estares. Nada ainda de emboanças lero-lero conversa fiada. Tudo estava dentro do esquema e ia bem feliz, se pode apostar. Confiavam um na outra. Concretamente há paciência e curiosidade porque porém pode nem durar pra sempre e um dia se acabar. Tudo vai bem ia bem mas um dia após o outro e um dia de cada vez, assim é.

            Chegou o dia sempre de manhã e imaturo reivindicando e choveu dinheiro e insofismável incontestável indiscutível irrefutável, inserto incluído encarte, encordoar-se zangar-se chatear-se, estrovenga estrupício coisa esquisita. E a louvável bênção em dinheiro e moção proposição projeto medida emenda decreto resolução.

            Nós membros da família tínhamos a tapera bem lá no meio do mato. A tapera nos visitava pelo menos uma vez ao ano quando da safra das laranjas. Quando muito a família tinha contando com o mato pegando tudo de uma vez a tapera e as laranjas.

            Então, antes e antecipando esse dia... resolveram sair na frente e tomaram a melhor decisão naquela altura do campeonato: viajar aí pelo B e de motorhome.

            - Oquei, muié! Tanta gente faz isso e se dá bem! - acreditava Tácito.

            - É pegar e ir, muito mais que isso nem é! - acreditava Gaipara a Gaita.

            Os físicos os corpos se acham se atraem e mais e mais as almas. As mãos eram gramaticais e os dedos finos suaves (elipse do verbo eram: figura de construção, omissão de um termo facilmente subentendido). O avião é uma ave de rapina sem penas e plumas depenado (uso de figuras de linguagem ou figuras de estilo, estilística). Foram com os próprios pés e a vontade (pleonasmo, palavras redundantes).

            A quietude da noite da noite suave. Havia um modo estilo acontecimento um jeito de estrela cadente e anônima. Um rio encabulado lento até lento demais. Aconteciam novidades em Nova União, Cabedelo, Leandro Ferreira, Araújos.

            Queriam muito viajar e conhecer os lugares, sim. Barragem de Guarapiranga (tupi, ‘guarás vermelhos’) é um bairro do distrito de Jardim São Luís, na zona sul do município de sp no Estado de sp, subprefeitura de M’Boi Mirim (fontes: ibge, dhpt; dicionário histórico de palavras do tupi). Nem tinham ainda os filhos. Podiam aguentar com umas economias guardadas, sei lá!, uns 6 meses. Mandariam vídeos para a internet. Mostrariam os pontos turísticos em parceria com as prefeituras. Visitar logo logo e Taquara, Três Coroas, Nova Hartz, Santa Maria do Herval, Linha Nova (o município foi povoado por imigrantes alemães a partir da década de 1840, tendo se tornado sede da primeira cervejaria do Estado). Estendendo o mapa sobre o plano tábua da mesa.

            - Se nem é agora nem será nunca no futuro! - Gaipara, apostando nessa ideia.

            - O futuro se decide agora! - Tácito, acreditando que iria dar certo. - Oi!...

            - Epa! Nem devemos adiar os sonhos! O sonho é grande é pequeno, vamos lá!

            - Eta! O que poderia dar fora dos planos e metas?, pergunta.

            - Que temos leis fases momentos oportunidades de cigarra e de formiga, né?!

            - E pontos de vista em Barão de Cocais, Santa Rita, Sabará, Martinho Campos.

            E foram com a cara de pau e a bendita coragem dos malucos que nem têm nada a perder. Exatamente como todos assim fazem e vão. Assim como se diz e sem disparates. Nem iam ficar aí de canturiões se desafiando para o resto longo dos dias vindouros. Marcaram o dia na folinha até aprontarem os últimos compromissos aprestos apetrechos que nem podiam deixar pra trás. Podiam até dar várias e variadas explicações sobre a decisão. Várias versões sobre o mesmo tema, e por dentro e por fora. Uma dissertação por dia. E todas mais ou menos parecidas, então. Primeiro se precipitaram.

            - Gosto muito do nosso país. O hino me comove e nem sei de onde tiro isso.

            - Oh! Vamos organizar em setores em regiões em biomas em estradas federais.

No dia mesmo sem lenga-lenga e delongas, pegaram a rodovia br-153 ou Transbrasiliana ou Bernardo Sayão ou Belém-Brasília ou Presidente João Goulart, 8 Estados (pa, to, go, mg, sp, pr, sc, rs), 5ª maior do país e liga Marabá-pa ao município de Aceguá-rs, 3.585 km. E passa por Passo Fundo, Marília, São José do Rio Preto, Goiânia, Anápolis, Palmas, Araguaína, Imperatriz, Belém. Pontos turísticos mais visitados e recomendados são as Caldas Novas/Rio Quente-go, Pirenópolis, Goiás Velho, Jalapão, Filadélfia, Chapada das Mesas. Um trecho entre Marabá e São Domingos do Araguaia se junta com a br-230 ou Transamazônica (rodovia transversal).

            - Oie!... Estamos aqui no posto de combustíveis Cavalo-do-Cão, da companhia abastecedora Caçununguçu. É o nosso primeiro vídeo e esperamos que gostem. Deem um laique apertem o sininho comentem no chate compartilhem e nos acompanhem pelo iutúbi. Obrigada, gente! - Gaipara toda empolgada avançada e avançando avante.

            - Ola!... Estamos muito felizes e esperamos agradar a todo mundo. Sabemos que é difícil contentar a todos mas ainda assim gravamos esses vídeos com muito carinho. Nos acompanhem também pelos outros dispositivos das redes sociais. Amém! - Tácito muito excitado com o momento e até fazendo um pelo sinal (coisa rara e difícil de vê-lo cometer acometido). - Nem nunca demais aproveitar e repetir: se inscrevam no canal.

            E foram filmando a saída do posto e pegando a rodovia famosa br-153. O trecho compreendia entre Arcoverde e Sertânea e já ultrapassando a ponte sobre o rio Cordeiro. Depois postaram esse vídeo e tiveram um retorno já imediato muito bom. E se sentiram agradavelmente realizados realizando realistas ao extremo. Rei e rainha da cocada preta e ou branca (perífrase, expressão que designa o ser por meio de algum atributo ou fato que o celebriza ou celebrizou). Estava um céu sem nuvens e favorável abençoado.

            - Nem acredito!! - gritou Gaipara. - Preciso me beliscar. A melhor decisão que tomamos, benhe! Marque este calendário no dia, hem?! Uaaaau!...

            - O começo diz tudo, mor! Quando começa bem vai longe o negócio! - juntou Tácito, criando uma perspectiva otimista. - Arredonde um círculo em volta deste dia!

            - Claro. A próxima cidade é São José do Hortêncio, entramos nem entramos? Que vai ser? Hein?! Precisamos comprar uns mantimentos pro almoço de logo mais.

            - Caramba! Que região agrícola estamos, se nem me falha a memória? Mais uns km e conheceremos Sapiranga e Luz e Moro Reuter e Rio Tinto. É logo ali, gente!

            A tarde se afundou numa parte do fim do dia e todos nós e comigo dentro. Os viajantes rodavam pela estrada como se nem houvesse amanhã. Era tão pra eles! E nem tinham pressa de chegar de partir de nada nada e nunca. Que maravilha! Assim que eles gostavam e queriam proceder prazer. Assim eu queria ser. Assim todos somos.

            Sol pilhado de novo aceso novidade, lua pilhada sem sombrinha. Sol decente honesto, lua fidelíssima preciosíssima. Sol banhado dourado em ouro quilates, lua refletida de prata prateada bandeja de prata. Sol de verão, lua de praia.

            - Qual! Já deixo esquadro e compasso; pego na enxada; vou vender autos caros: tudo é serviço - versão declamada por Gaipara, passando os dedos entre os cabelos.

            - E tal e qual! Ver a estrada sob meus pés, nem tem sensação melhor. Oh!, me dá imenso lazer. É outro mundo melhor! - Tácito mãos ao volante e olhos no caminho.

            - D me leva eu leeeeveeee!... Várias coisas para pensar... deixa pra lá!

            - Confidencialmente. A ideia é nem olhar o gps as metas os objetivos - Tácito falava e se referia do sistema de posicionamento global. - Conseguiremos nos isolar do mapa dos dias das horas dos jornais e dos orçamentos? Conseguiremos curtir cada dia sem antes ou depois? Será fácil ou difícil existir viver com o básico? Isso faz parte.

            O motor o giro da máquina acelerando fazendo o tradicional barulho o som da fera. As rodas calotas pneus as polias as correias a velocidade combinada com o tráfego com a pista com a exigência da estrada. O veículo comendo asfalto feito animal mesmo predador movido a petróleo gasolina carvão benzina querosene bateria solar. E estava mesmo, doravante. Tantas estradas por este e outros labirintos. E também a dádiva.

            Dentes de serrote, cair num logro, nariz de avião, pescoço de girafa, virar um vaso de cabeça para baixo: catacreses, palavras e expressões no sentido abusivo abusão - fonte dh. A pavoa é e sempre foi uma jardineira ambulante (metáfora: figura de palavra ou tropo, desvio ou giro mental característico entre dois seres ou fatos).

            Passaram alguns municípios assim de sobreaviso e ainda se decidiam em qual deles parar para o pernoite. Que tal esse, quem sabe aquele, pode ser o outro e mais um ou dois que estão à frente. Foram indo até o sol cair, e passaram por Águas Belas e Pedra e Tupanatinga (a vegetação predominante era a floresta subcaducifólia e caducifólia e a caatinga em certas áreas - fonte: ibge). Decidiram por este último afinal e o dia terminava com um pôr do sol gigantesco e imperdível impecável. Que aquela noite, se se realizasse o escrito, seria uma noite de um milhão de estrelas astros constelações plêiades supernovas nebulosas galáxias. Vai ver que sim, obrigado!

            - Puxa vida. Tinha uma lenda uma história apócrifa ou sei lá, que dizia que as estrelas conversavam entre si - dizia a Gaipara. - Eu acho isso sensacional!

            - E o que elas trocavam nas ideias ideais? Assim, somente com D, né?!

            - Sobre tudo. O dia a dia de uma estrela de longo alcance. O nada.

            - Quem me dera, hem?! Por exemplo? - provocou o Tácito.

            - Psiu!... Segundo a lenda ou legenda, elas falavam da situação política cósmica. Relatavam cada uma seu ponto de vista a anos-luz de distância. As intrigas conspirações delações dos astros e das nebulosas. Sistemas espoliadores escroques vazios.

            - D ouvia via mas nem estrilava e se imiscuía nessas picanhas e picuinhas?

            - Se eram ninharias, sei lá, né?! Nem posso alcançar esta dimensão. Mas onde há interesses políticos sempre vai haver conjura conspiração inconfidência indiscrição.

            - Oh! As tais e quais trapaças e caramboladas. Que lustrem as principais.

            Àquela hora, quase nada, a lua sozinha. E daí?! Fulano ou fulana na sacada do apartamento e olhando a noite: tomando uma copa de espumante (metonímia: o continente pelo conteúdo ou o espumante contido na copa). Lua sem pestanejar.

            - Onde estamos? Onde estávamos? Onde e com quem, meu bem?!

            - Que se representa e representamos. Acho que agora é sua vez de colocar os argumentos capciosos sofismas paralogismos. Diga lá e reinicie, bem bom!

            - É uma sociedade, que eu me refiro. Reza a lenda que os clubes estão lotados de candidatos ilegíveis. Uns graxains, energúmenos, farofeiros, bruacas, cocorocas, tredos.

            - Dúvida? Duvido. Mas aonde caminhamos pra isso? De onde participamos?

            - Ô de casa! O espaço aí em cima no céu no alto o todo do cosmo é um lugar locais em ebulição. Movimento incessante sarabanda e uma grande imensa roda-viva de acontecimentos astronômicos. Haja vista os buracos e vácuos.

            - Reincidentes e vão e vêm como um cachorro querendo morder o rabo. Ora!...

            - Sus! Para nossos mundos e padrões, muito acelerados açodados apurados.

            - Em Raposos ou Moema, a moça Tamara sonha com o rapaz Antônio.

            - E a Tamara é natural de Rio Acima e o Antônio é de Santo Antônio do Monte.

            E o silêncio se restabeleceu. Ficaram os dois o casal imaginando estrelas. Enquanto o carro cumpria mais uns km. E ouvindo estrelas. Acima de tudo olhando estrelas olhando as noites. Calculando dali uma hora a entrada da lua, estrangeira apoplética perplexa atônita. O silêncio revelando as estrelas cadentes em imaginação. Enquanto o auto motorhome respirava e bebia combustível biomassa e morro acima abaixo asfalto liso grudento. As encostas esbarrondadas desmoronadas de terreno escabroso escarpado os declives e aclives prontos à feição para avalanches.

            - Mil sortes! Há moradias dispersas aí, em qualquer ponto aí. Espelhem.

            - Mil faixas etáticas etárias! Umas com internet outras sem, ou muito antes pelo contrário. Os mesmos lazeres e sonhos e projeções e compromissos. Se tu estiveres.

            Antes do anoitecer antes de enfadarem-se enfastiarem-se entediarem-se ou desprecatarem-se descuidarem-se desprevenirem-se, antes mesmo (se se tivesse paciência para nem parar!), entraram na cidade e foram percorrendo aleatoriamente as ruas. Tanta coisa. As veias e artérias a rua André Gouveia a rua Safira a rua Paula Nery rua Papangu a praça Rosa Alves da Silva a avenida Lins Vasconcelos o viaduto do Capulho de Truz... e igrejas de outras religiões casario do centro mais antigo patrimônio tombado (antigo gasto usado vilipendiado) prédios e lojas de departamentos. Aqui vendem todas as roupas vestuários modas tendências e ali cestos balaios picuás e pipas barris aduelas. Calçadas contando árvores ruas arborizadas e mamoeiros-do-mato ou jacaratiás, mulungus, ouricuris, carapetas-verdadeiras, muirajuçaras (esta pendurada de parasitas os acutirembiús). Rua acompanhando o comércio diverso diversificado.

            - Uh!... Olhe isso, meu bem querer! Temos uma comunidade buliçosa...

            - Sim, parece uma cidade modelo de amostra e pequena só no nome!

            Cãezinhos são como iguais às plantinhas: precisam de cuidados supremos (ex de comparação: figura de palavra ou tropo). ‘Vozes veladas, veludosas vozes, / volúpias dos violões, vozes veladas / vagam nos velhos vórtices velozes, / dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas’ - Cruz e Sousa (onomatopeia: palavra que imita o som ou a voz natural dos seres, recurso fonêmico ou melódico). A noite e o dia, a lua e o sol; estes estas e aqueles aquelas sempre se enamoram (antítese, expressão de sentido oposto).

            No geral as cidades se parecem, tá certo?! Do alto são todas confortáveis e cada coisa no lugar devido. De perto são hospitaleiras e as pessoas são de uma classe laia estofo de primeira. De longe valem a pena e com poucas raras incompatibilidades. As viagens chegadas e partidas ensinavam que era assim. Com quê, então, etc e tal!

            - Bravo! Se entra pela entrada e se sai pela saída. Decore, hem!...

            - Oie! Quando muito quando pouco ambas as portarias serventia portões da casa.

E rodaram e foram e voltaram pela avenida Marquês de Monte Alegre. Lojas de joalheiros lapidários artesãos filigraneiros filigranistas. Pararam por oportunidade numa sorveteria da avenida Algaravia do Alvaiade esquina com a rua Cabrocha Magrém. Que a Gaipara tinha sonhado em tomar um sorvete de caju com pequi. E já estavam nessa altura assim propensos inclinados a dar uma paradinha seja onde for com que for.

            - Puxa!... Onde é a prefeitura, senhora? - pergunta de Gaipara à dona da loja.

            - Prontamente! Descendo a rua da Mouraria Ipeca e subindo a travessa Pardieiro do Prognata, logo ali - explicava a senhora em questão, ornada de joias berloques dixes. - Mas primeiro entrem e tomem um suco um refri algo pra comer um pastel um sanduba um bauru... entrem, entrem, minhas gentes! Aprocheguem-se! Se aproximem!

            - Gente! Tem bolo de fubá? Tem torta de chocolate? Tem quindim caramelado?

            - É certo que tenho e feito hoje mesmo, moço! A casa é bem sortida, reparem!

            - Bravo, bravo! Se for boa eu recomendarei no vídeo, tá certo?!

            - Xi!... Filma eu!! E filma nóis! Vamos quebrar a tal da dieta em mil fatias.

            Estacionaram ali e ficaram curtindo a cidade nesta parte e por partes e a partir daquele ponto de vista. Vamos por partes! E até fizeram um vídeo para mandar aos amigos seguidores. Repetiram o pedido de sorvetes, jabuticabas com açaí. Arrolaram outras coisas por levar e comer e degustar. Preços escorchantes abusivos pra esfolar vivo? Mas tinha remédio e tinha pechincha. Mas tinha sobremesa e quitutes iguarias.

            - Olhe! Podemos mostrar sua loja e recomendar aos nossos seguidores, dona...

            - Sim. Meu nome é Carpa de Carpina, e nome da loja, e sua criada para atendê-los e toda gente que vier - declarava a proprietária e dona e chefe do estabelecimento, muito cheia e precisa nas garrulices tagarelices loquacidades.

            - Outra vez! Cidade boa de se viver e fazer lazer, né, dona Carpa?!

            - Pureza pura sorte! Agora chegou minha vez de recomendar. É muito aconchegante e de pouco movimento. Muito sossegada e cômoda. Aqui tudo é perto e barato e bonito - a dona Carpa, e sestrosa manhosa ronhosa. - E endereço na rua Guajaraí-da-Várzea e número tal e qual. Receberei de braços abertos, oquei?!

            - Licença! Dizem que morou aqui o jogador de futebol... como mesmo o nome... jogou na seleção e na Arábia Saudita ou Emirados Árabes Unidos ou Catar ou Egito...

            - É o Aval, um meio campista apoiador. Craque de bola. Ótimo! Morou aqui conosco e mais que isso: é filho da terra. Nasceu foi mesmo ali no bairro do Conúbio da Concubina. Eu mesmo conheci sua mãe e sua avó, gente boa - dizia a dona da sorveteria, inzoneira sonsa enredadora manhosa toda prosa conversadeira famosa.

            - Cumpriremos! E ele vem visitar os amigos e jactar-se e erigir-se, oi?!

            - Nem nada. Acho que esqueceu dos parentes e amigos. Ficou com o rei na barriga, locupletou-se abarrotou-se enriqueceu-se. Nem quer saber da patuleia da ralé da plebe - criticou a dona Carpina, afoitamente ardentemente estouvadamente.

Quase escurecendo, as luzes dos postes e das casas iam sendo acesas automaticamente. Breve os viajantes procurariam uma praça sossegada ou mesmo um posto de gasolina e aportar. Gerações de avoantes esvoaçavam aí, miríades. Procuravam as árvores da calçada as plantas dos jardins e praças e inhames-de-folha-roxa-pintada, fragueiros, pequiás-tanhos, buchos-de-boi, maracujás-mirins, juás-listrados. Pássaros frugívoros carpófagos e granívoros, oportunistas. Chegavam de onde e descansavam. Aterrissavam um bocado e logo saíam aos montes bando fazendo coreografias revoluções revoltas e mais voltas. Fácil de acreditar. Fácil de fotografar. Atoar e atuar.

Nesse tempo nesse período chegou à loja um tatu, já de certa rodagem idade dos seus 15 ou 16 anos, vinha trazendo na guia um seu gatinho estimado e passeando os dois exercitando. Nem se sabe por que, o tatu e o casal de viajantes se cumprimentaram e já tiveram um papo uma conversa rolou e estavam conversando como se já se conhecessem de muito. E estimado isso com estimado pra lá e pra cá se estimaram:

            - Como era mesmo essa vida de cemitérios, seu tatuxima? - pergunta do Tácito.

            - Ousei orei rezei mirei! Um trabalho como outro qualquer, meus amigos. A gente se acostuma. Muito bom! Era eu e meus familiares parentes amigos próximos. Tudo ia bem quando nem chovia. Na chuva as coisas são diferentes, inundação enxurrada umidade alagamento poças-d’água bomba-d’água tudo encharcado complicado e o pó a poeira vira lama barro. As coisas são assim. As coisas e os objetos.

            - Lá hoje! E vocês iam catar palavras para revender, é? - dessa vez a curiosidade de Gaipara. - Que tipo de palavras ou expressões ou termos? Verbos, conjunções?

            - Ora, gente! Muito tatu e de todas as partes deste mundo procuram os cemitérios para catar vocábulos e conectivos e substantivos adjetivos... para revender. É uma tendência uma lógica da espécie, vamos dizer assim. Tchau e bênção!

            - Furta cor! Mas nas noites bem escuras... assim, nem dá um medinho de mexer com catacumbas carneiros covas sepulturas necrópoles casulos sarcófagos urnas...

            - Lei e ordem! Olhamos no escuro e é muito fácil. Então é o lugar de repouso da parte corpórea ossos das palavras. E como eu disse e reafirmo: no começo é tenebroso e horripilante, depois passa como se fosse um domingo de tarde no parque do Aqueduto. Nem nada me paralisa necrofobia os temores mórbidos os termos nauseabundos e necromancia necrofilia necrofagia. Oie!... e passei noites memoráveis escavando aí.

            - Outro assim! A abl concorda com isso? Eles nem vêm atrás de vocês com advogados, detetives, comissários, etc? Olhe, eles mandam e exigem em tudo!

            - Su-ces-so! Eles até incentivam esse negócio. Querem mesmo o resgate das palavras. Acho que sentem saudades. A exumação desenterramento desenterrar é um ato de caridade para com esses termos nomes todos. Eu classifico como um trabalho de salvação. Estamos constantemente salvando expressões e significados significantes.

            - Mas, assim, depois de um tempo e umas décadas, as palavras nem sentem o ar puro? Quer dizer, elas nem se deterioram? Nem se esbodegam escangalham arruínam?

            - Suspiros e suspeitas! Pois é, que todo cuidado é pouco e mais alguma coisa!

            Sentados ali diante da sorveteria. Os três mais o gato mascote favorito apaniguado protegido (nomeado Macajá, e fora encontrado abandonado à beira do rio Arari) mascote adestrado do tatuxima. Noite penetrando nos poros da cidade e mudando o comportamento do povo. As ruas indo e voltando sentidos norte e sul. Os transeuntes de carro bicicleta moto e a pé. A maioria a pé carregando sacolas bolsas de couro ou cartão ou plástico. A mistura das diferentes profissões e ofícios e nobiliaristas, bufões, estribeiros, vendeiros, estalajadeiros, taverneiros, simuladores de tráfego. Tudo se movimentando e conforme uma máquina que nem pode parar. A cidade um animalão.

            - Tarda mas nem falha, hum!... As pessoas nos levam na flauta e achincalham ridicularizam. Nos provocam acintosamente. Nos jogam impropérios. Um preconceito alto e grosso e enorme. Nos tomam em conta de profanadores da morte de túmulos e tumbas. Pois na verdade salvamos palavras da extinção e do completo esquecimento do completo isolamento térmico. Os livros novos os textos atualizados, merecem certos floreios de palavras difíceis. Ninguém quer escrever palavras de antanho. Todo mundo tem medo da idade. Todos querem ou lembram ter nascido ontem. Concordam, né?!

            - Imaginava mesmo! Dá uns exemplos, seu tatuxima - pedia o Tácito - Vamos mostrar no vídeo e pro mundo todo admirar. Olhe pra câmera e fale e diga escreva.

            - Agora mesmo e já. Querem comprar algumas? Tenho lá em casa da família um montão guardadas embalsamadas mumificadas estaqueadas. Aproveito e lhe apresento o resto do bando... hem?! Que acham? Podem jantar conosco, e seria uma honra! Então?!

            - Oie!... Se nem for ilegal e fora da lei... - falou a Gaipara - As palavras educam.

            - Quero só ver! - abria o jogo o Tácito. - Uma reserva vocabular... seria isso?

            - Eia, sus! Eia, coragem! Cáspite! - interjeicionou o tatu exumador.

            Embarcaram todos no motorhome e foram a convite de tatuxima para a casa deste mesmo. Seguiram suas orientações até a vila do Badofe, rumo noroeste, pegando toda vida a rua Manilha Conspícuo. Acontece que era uma rua pouco trafegada calçada de paralelepípedos e nas cercanias periferia da cidade. Rodeando já o morro do Biombo.

            - Sim e nem. A cidade vem crescendo e se expandindo pros lados de cá, é.

            - Uau!... Logo nascerá outro bairro residencial, né, seu tatuxima. Quem sabe!

            Muito dinheiro pra se gastar numa cidade. As responsabilidades do poder público. Nomes de praças e nomes de ruas. Iam inaugurar a estação Varginha do trem urbano e quem sabe antes de abril. Tanto e tão o dinheiro gasto na logística. Um distrito de Grajaú, zona sul, uns 5km do centro nervoso fervoroso buliçoso da cidade.

Apearam da casa-veículo. Como referência um galpão semiabandoando e dentro uma velha descaroçadora de algodão, estralejando estalando crepitando no seu trabalho. E desceram uma rampa para uma brenha se embrenharam no meio de um socavão espécie de lapa gruta grotão biboca onde se escondia ou era efetivamente a morada residência buraco da família tatuxima. Residência humilde porém nem pagava aluguel, toca buraco próprio. Terra batida vermelha com grama gramíneas na entrada/saída.

            - Bom, gente! Cheguem, aprocheguem! Deixem-me apresentar a turma pra vocês meus convidados e visitas - e o tatuxima foi apontando os integrantes da família que iam chegando e com um aperto de pata e de mão sorrindo uns aos outros.

            - Oi!... Família caprichada, seu tatuxima - elogiou a Gaipara ou Gaita.

- Vindo do céu! Esta e a esposa do que vos fala, tua-1 ou imperatriz. Este aqui o caçula ou infante, tu-4 e vem mais este o tu-1 ou herdeiro do trono, e a tuazinha-1, e por fim a tuazinha-2. São seis, ao todo um total de 6 e somos meia-dúzia contados numa mão mais 2. Brincadeiras à parte, esta a família que mais adoro e pela qual para a qual com a qual cavouco cavoucamos. É bom demais! Digo bom porque ótimo é demasia.

            Cada um se aproximava e tentava sorrir dava a patinha de garras compridas unhas afiadas diziam algo muxoxavam estalavam a língua um certo burburinho animado e diziam o básico tuncos e nesta hora. Pareciam meticulosos pacíficos e felizes.

            - Oquei! A casa é humilde mas hospitaleira, gente boa! - manifestou a tua-1.

            Depois das apresentações e os primeiros contatos, seu tatuxima levou as visitas o casal de viajantes para seu atelier e resolveu mostrar todo o seu acervo. Palavras de todo tipo e principalmente um museu delas, letras ou sílabas. Uma manada imensa delas e de todos os pelos e pelagens e barulhentas assuadas ou charivaris anciãs curvadas murchas embirradas autoritárias arrimadas encarquilhadas órfãs escovadas chamuscadas aleijadas frustradas pachorrentas taumaturgas enxovalhadas esdrúxulas catastróficas.

            - Olhem, pessoal e gente ordeira antropoides! Se agarrem! - colocava o tatu pai - Tenho algumas expressões poliglotas: olvido, global, federal, novela, oval, íris, polo, planeta. Estas poliglotas, como o nome já diz, servem para outros idiomas e nem só o português. Têm um charme diferente, concordam? São entendidas nos cinco continentes e mais além, quiçá em Marte. - completando a explicação e falação de tatuxima, quarto planeta do nosso sistema solar e com dois satélites, Fobos e Deimos (f. dh).

            - Nós usamos muito no dia a dia - justificava Tácito. - Por exemplo, eu lembro e assim do dia a dia: vídeo volume radio universal cosmo... O mundo todo conhece.

            - Eu gosto destas palavras. E aprecio expressões no geral porque elas contêm histórias formidáveis. Elas contam coisas de altos tempos, né?! - expandia Gaipara.

            - Apelo pedido! Também gosto de ouvi-las contar de si e das relações entre elas - falava a tua-1, esposa tatuxima - Prefiro especialmente as de cunho específico nomes técnicos profissionais, vamos dizer. Posso dar como exemplo a palavra raquidiano (líquido raquidiano localizado na coluna vertebral), a palavra meninge (tipo de membrana que envolve o encéfalo e também a medula espinhal: dura-máter, aracnoide, pia-máter). São coisas ou artes que estão aí e nem tomamos conta. Olhar dicionário pra mim é como, sempre foi, olhar estrelas. É assestar os olhos ao telescópio monóculo binóculo à luneta diante do céu noturno. Facilita. É fácil e comovente. Investigativo.

            - É, é possível! Eu nunca pensei estas palavras que você acaba de mencionar. Digo ou repito, in-crí-vel! - dona Gaipara estava realmente interessada nas palavras técnicas e usadas somente por técnicos das devidas áreas profissionais específicas. - Vamos e chegamos em lugares trafegamos caminhos que nem em sonhos, uau!...

            - Vejam os palíndromos. Quando criança e tenra idade - declarava o tatuxima -, eu brincava muito com eles. E eu adoro estes aqui, olhem: reviver, raiar, radar, ovo, mamam, omissíssimo, sopapos, anilina, aibofobia, salas. E, sem remédio, provocam gargalhadas, ahahahaah!... E fazem alergias cócegas na garganta, kjá-kjá-kjá!...

            - Digo. Chamam a gente de tumbeiros quando querem ser preconceituosos ou racistas. Nos atacam nos nomeiam de profanadores de palavras. Na verdade o que deveriam levar em conta é que somos recicladores de expressões termos e nomes - tentava esclarecer, até certo pondo mostrando sua mágoa com a humanidade, a tua-1.

- ‘Os deuses no canto do piaga!’ Na verdade verdadeira, nós colocamos para reviver ressuscitando as palavras de morte morrida ou morte matada ou morte asfixiada - reordenava o tatu pai. - Esta é a pura verdade e realidade do nosso trabalho. Ninguém é dono da sorte de ninguém. Ninguém merece o descenso descensão rebaixamento.

- Assiste ao réu! Um trabalho sujo de terra e esterco mofo, mas que tem sua valia no mundo de hoje - emendou a tua-1. - A autópsia. As palavras nem morrem, e ponto.

- Né, gente digna?! Quem pensa na atualidade palavras como: reiúna, furdunço, mofina, quiproquó, esganiçado, infame, bizu, arengar, micróbio, sopesar, perdigodos, embuste... hein?! São velhos termos que significam. Nomeiam coisas estranhas? Sim, nomeiam, mas são úteis. O povo nem pode perder estas histórias de termos históricos.

- Oi!... Gosto muito de palavras com h na frente - quis declarar a Gaipara - Vejo aqui uns termos perigosos ou intransigentes como, hediondo horrível hórrido horrendo horripilante hiante híspido hirto. Parecem tirados de uma história de horror, né?!

            - O adjetivo afoito, por ex - exemplifica o tatuxima - Afoito é ousado destemido valente. O fulano é afoito. Mas uma fruta nem nunca pode ser afoita? Vejam que alegria e que sorte tem a palavra de significar determinada específica matéria, hem?! E assim pensando se pode dizer com certeza: a palavra tem alma, elas significam ser e estar.

            - Se denomina! Segundo as boas línguas, temos muito que ainda aprender com: marchante, puxavante, chouto, arção, marrã, marrucho, acuruí - noticiava dona tua-1.

- Apoio! Recíproco reciprocidade e fazendo raras concessões, uma vez.

- É isso. Deixem nos comentários amigos do iutúbi - pediu o Tácito.

            Os mausoléus de famílias inteiras de palavras. As capelas e capelinhas conforme as posses das expressões. As caixas caixões estojos árculas sempre repletos de caracteres advérbios interjeições nomes relacionados: grilheta grilhão argola elo anel; rígido relho inflexível; rusga burla chantagem; endereçar enviar encaminhar.

            - Uh!... Salvar palavras traz bons presságios para a sociedade e humanidade e as letras - concluía o tatu pai-patrão patriarca - É pegar ou largar? Prefiro levar adiante.

            - Diferir diferiu! Vou requisitar meus cavalinhos de presépio - brincou a tua-1 e mãe, sua ideia descreveu o seguinte que segue - E tenho disponível disponho vou dispor, aqui nos aposentos das teúdas e manteúdas: desfecho, conveniente, inculcar, empatia. Quando e onde com quem quiserem ou quisessem. Um guerê-guerê falatório.

            - Se pode dizer! Nossos amigos e seguidores(as) do canal vão comprar muitas palavras antigas, podem deixar e podem crer - prometia o Tácito, coração batendo.

            O buraco do tatuxima era um armazém em forma de labirinto. Lá por dentro do barranco existiam mil e uma passagens e corredores e galerias e becos. Uma verdadeira biblioteca nacional com prateleiras estantes repletas. Um transtorno de nomes pendentes aí e para exame pesquisa análise. Tanto para literatos como para médicos advogados físicos químicos botânicos investigadores taxistas. Tanto de humanas como de exatas.

            - Raros são os dias! Tenho outro xodó - dizia e explicava tatuxima - São estes aforismos, adivinhação máxima sentença apotegma ditado. E conforme convenha.

            - Falando em ditado - já emendou Tácito - Me lembro que na aula, lá no começo de tudo, eu tinha muito receio de errar a grafia de algumas. Tive um trauma por muito tempo com palavras de letras repetidas, dois erres dois esses, até para silabar. E me deparo aqui com várias delas: missa, missal, cassineta, girassol, carrossel, concorrer, socorrer, esbarrar. Isto ficou indelével no meu instinto intuição percepção. Meu raciocínio funciona preventivo contra ou a favor dessas expressões. É psicológico.

            - Arrevesar, pôr às avessas - exemplificava Gaipara, buscando na estante e até para completar o exemplo a exposição do esposo - Significando ainda inverter, colocar ao revés. O mestre a professora ficava lá na frente da sala de aula e recitava tudo isso. Era pesado, gente! É estressante. Era alucinante, meus amigos! É constrangedor.

            - Caso o tempo esteja bom! E a gente sabia o que estava pra acontecer daí uns dias uma semana? - interrogava o Tácito - Vou dizer: os verbos!

            - Nossa! Os verbos e conjugá-los. Isso muito particularmente me atenazava a mente. Como estas umas palavras já criavam outras iguais ou da mesma família? - lembrava Gaipara - Gente de fora nem piava nem cantava nem mugia nem tossia.

- Última acepção! Ou tudo era muito lindo ou tudo era muito louco, dependendo da apresentação ou aceitação. E até cair a ficha, meu?!, ia uma história comprida e a gente passava perrengue - colaborou contribuiu o Tácito, mão segurando o queixo.

            Passeavam entre caixas e mais caixas cheias de palavras em desuso. Umas se deixavam pegar e os convidados até se interessavam, côvado parolar lingueta versátil pachola cataclismo litografia saraivada saraiva. Quando alguém criou tal nome, já pensava que ela poderia desaparecer como uma moda passageira? Sempre é frustrante.

            - A qual delas!... Tive muito trabalho com os achados - explicava o pai tatuxima - Agora estou meio que parado no ofício, mas já fui mais ativo e procurava vender tudo que catava. E percorria as ruas e casas e instituições tentando me desfazer das carradas de palavras. Íamos à feira na rua Baía de Todos-os-Santos ou no museu antropológico ou na biblioteca municipal Murilo Mendes e tínhamos endereços de colecionadores professores de literatura fanáticos por nomes antigos termos inéditos e específicos de certa idade ou data e tantas e tantos mais. Era e é todo um tema. Todo um modelo.

- Opa, nossa!... As faculdades eram minhas clientes preferidas preferenciais, sempre lhes vendia bem e muito caro - ajuntou a mãe tua-1 - Colecionadores excêntricos, exportadores de nomenclaturas, acadêmicos esnobes, servidores públicos. As expressões regionais ainda hoje vendem mais e uma barbaridade. Pudera.

            - Juro e me deixem confessar - confessava o Tácito - Tenho também uma certa predileção ou mania ou queda por palavras compostas. Vejam estas que estou olhando aqui mesmo e já: porta-cabide, meia-voz, circum-navegar passo-fundense, anda-corre-voa, grã-fino, abóbora-menina, água-de-colônia, pós-datar, pan-mágico, conta-fios. Todas têm aquele peso a mais, entende?! Tipo gêmeas, juntas de boi, casal de araras.

            - Oie!... Palavras que caíram do cavalo e faz tempo, hem?! - colocou a tua-1 - Nomes que nos lembram o calão a cavaqueira o cavaco o bate-papo pedante ramerrão.

            - Se atentem! Nós somos uma palavra ou duas, quando nem números - lembrava Gaipara - Palavra ou nome somado ao número mais numeral. E isso é tão diferente do que sonhamos! Do que sonhamos e desejamos e do ideal. Por mais quê.

            - Oxalá! Acho que há palavras de sobra - achou o Tácito - Aí que umas e outras se extraviam se perdem anódinas insignificantes se vão e nem voltam. Tens razão.

            - Sim! E quando sobram palavras é porque falta dizer falta ser e ter - empinava o nariz a Gaipara - Sempre gostei de dicionários e ou enciclopédias. Sinto muito mas nem colaboram mais, assim, em pessoa pessoalmente. Agora é tudo no virtual digital.

            - Oquei! E a palavra é pequena fica miúda, se o que se fala vai embora acaba...

            Quando estamos viajando o tempo nem passa e nem conta muito menos contamos. Tudo é motivo de passatempo. E nos distrai tudo o que vemos. As pessoas são todas boas e indiferentes. Todas iguais e rindo. Os caminhos são novos únicos diferenciados. Tanto à beira-mar como no interior pelo fundão do sertão. O sol amanhece e o dia se desenrola na tarde e vem a noite estrelada ou enluarada. Pode chover? Chove. Pode fazer ainda mais calor? Quase sempre. E todavia entretanto.

            Nossas matas são conhecidas como selvas e florestas e Amazônia Legal (polissíndeto: repetição intencional, no caso conjunção e). ‘Se acha Ana Maria comprido longo, me trate por Naná’ - Ciro dos Anjos (silepse de gênero ou concordância ideológica). Astrônomos como Ronaldo de Freitas Mourão invadem a intimidade de estrelas astros planetas asteroides cadentes (hipérbole ou afirmação exagerada). O profeta falou e disse boas maldições (paradoxo ou oximoro, contrassenso). O rio Jacuí roubou a cena com esta nesta última enxurrada (personificação ou prosopopeia ou animização, empresta alma aos seres inanimados). Rua Padre João Manuel e praça Adolfo Bloch em o bairro Jardim América. Ora se!...

            Menos de dez pessoas e oito cães mascotes estavam olhando. Vago imaterial longe alto espiritual celeste celestial. Coleções de tampinhas de garrafa selos cartões-postais relógios de pulso. Giro turístico pelas imediações e Serra (serranos), Dores do Indaiá, Santa Bárbara, Taquaraçu de Minas, ilha do Eixo em Bayeux (Baiê).

            Chegou o dia vazio de milagres e choveu dinheiro e chavão, óbvio, estereotipo, trivialidade; sinhá, sinhara, sinhazinha, sinhá-moça; tolderia, tenda, barraca. E a oportuna bênção do dinheiro e guaxupé, irapuã, guarupu, abelha-mulata, uruçu.

            Então, já era o dia seguinte e inédito novo em folha. Nem foi necessário esperar tanto. E providências a tomar. Uma noite sobre tudo e o pensamento acorda mais sensato. O cérebro pensando melhor o assunto a matéria. E é o que se faz. Olhar para ver os pássaros desorganizados em diferentes espécies e cada qual mais temperamental e japacanins, fim-fins, tico-ticos-de-bico-amarelo, polícias-inglesas-do-sul, japus. Vinham comer sementes ou frutinhas nos poleiros do juçaral e araticum-da-água e cutiti e chichá e jarrinha-de-franjas e bolaina e ipecacuanha-verdadeira. E é o que faziam os guaxes e azulões e tempera-violas e inhumbus-pebas e picaçus e canários-do-sapé.

            - Outra vez! Se hoje é assim, amanhã será e pode ser assado - maneira de começar uma conversa e logo de manhã o Tácito (ironia, intenção sarcástica).

- Bom dia, amigo, como está nesta manhã aconchegante! - cumprimentava a Gaipara, coçando o sono nos olhos (apóstrofe: figura de pensamento, emoção paixão).

- Como se sabe? A lua onde tu moras, nela eu já dormia! - (anacoluto: quebra do fio da frase ou termo sem nexo sintático).

- Até parece escolherem o caso. Tão pesada me sou que já sombra tenho - (inversão: figura de construção, o termo preferido vem no início da frase).

- Mas haverá para nós, os que viajam, alguma recompensa? - (silepse de pessoa).

- Que lindo esse seu lenço branco e vermelho. Quem sabe... quem viu depois de... do... hem!... - (reticência: suspendendo o pensamento).

            Pela br-153 tinha muitas etapas. O casal viajante gostou do que viu. Algumas cidades tipo a Sete Barras ou mesmo Ibiúna ou Piedade. E pararam para comprar no mercado alguns alimentos mais baratos. Juquiá sempre registrou índices pluviométricos anuais entre 1.200 a 1.700mm (dados fornecidos pelo ibge e de domínio público aproveitados por quaisquer, e nem adianta dizer o contrário emitir proferir diverso). Em São Miguel Arcanjo, estavam ainda na edificação do anjo, alto pesado imponente fascinante mirante colossal módico chinfrim exíguo purgador oftalmológico. Nos entroncamentos rodoviários, que sempre são muito atraentes e esperançosos, sempre se pode assim ter várias opções de cidades tais e quais como, Capão Bonito e Pilar do Sul e Itapetininga e Miracatu e Tapiraí (que em tupi é ‘rio das andorinhas’). Pouco show? Hein?!, confesse. Comemore com 15 tiros de arcabuz, esta arma portátil.

            - Bom dia, geeeente! Sabem com quem estão falando?! - Gaipara se anunciando para os seus seguidores - Tenho as novidades que aos pouquinhos, pim-pim!...

            - Olá, pessoaaaal! Adivinha quem fala! - Tácito fazendo o mesmo e além.

            - A la puxa, tchê!... Tudo bem aí? Aqui tudo ótimo e digo mais!

            - Aqui é assim e está melhorando hora a hora. Quem sabe pode o futuro dizer.

            - Confesso. Estamos aqui em plena prefeitura e acabamos de acertar um acordo para mostrarmos pra vocês a cidade e seus pontos turísticos mais importantes - discursa a Gaipara - De modos que assim... venham conhecer com a gente. Venham mesmo!

            - Oie!... E como o dia está uma delícia, é só embarcar no nosso motorhome e embora conhecer tudo sobre o melhor que esta cidade tem a oferecer. Simboralá!

            - Bravos e apoiados! Vamos andar por esses caminhos planícies planaltos...

            - Sem mera dúvida, gente! Vamos singrar percorrer abrir caminhos navegando.

            Dia prometia muito sol e calor e mormaço e muita cor. Grãos de pólen grãos de pó em suspensão no ambiente, levemente. A temperatura começou logo pela manhã nos 25ºC e já-já passaria dos 29ºC. Ótimo dia para fazer de tudo o que se pensa fazer, saltar correr pular molhar-se derrubar deitar-se soltar-se escorregar felicitar-se poetar desinibir-se retificar. Pois aí estava a cidade, que nem se conformava e continuava a crescer. Ela sempre está de sobrepeso (eufemismo: circunlocução amena polida politicamente correta). Desenxabida e para todos os lados que se olhe que se olhasse.

            - Os louvores! Há quem diga que estamos felizes - expressava o Tácito.

            - E há os que querem fazer o mesmo que nós, ou seja, viajar por este Bezão. Eu digo uma coisa a mais: é só decidir que sim e sair de uma vez e pronto, gente! - esclarecia e declarava complacente a Gaipara - Eu sorrio você sorri sublimes.

            - Olá!... E agora vamos apresentar a nossa guia turística. A palavra é feminina ou masculina, a guia ou o guia? E que irá nos levar a todos os lugares lindos e maravilhosos desta cidade linda e aconchegante e hospitaleira... Desta vez...

            - Dizem as línguas que sou o guia turística, hein?! Pode ser? Será? Oi!...

            - Ah, se você diz e nem fica vermelha... - descontou irônica Gaipara ou Gaita.

- Pois é, gente! E vocês vão ver que cidade, meus caros fregueses! Ó de casa!

- Hem! Para nossos amigos do iutúbi ela se chama, Cléo! - apresentava o Tácito.

            - Vê veem bem! É a nossa amiga e cicerone que se chama, Cléo Bolandeira. Ela vai nos guiar por tudo pela cidade os lugares o parque do Mundéu e assim por diante. Nem percam nada e compartilhem, fazendo um favor! - interpretava Gaipara.

            - Espanto espantar! Nem percam esta dica, gente! Nem se percam de nós!

            - Salve! Venham todos e de montão! - convidava muito simpática a Cléo.

            - Caramba e puxa vida! Sim e acima de tudo, irmãos e irmãs! Vamos cruzar terçar atravessar os convites aos nossos familiares e amigos! Que me desculpem!

            Assim mesmo, estavam todos os três na caminhonete e seguiam pela cidade rodando ruas e avenidas. Agora na avenida da Bagaceira do Macaná, que onde era o centro atravancado encalacrado nervoso da cidade o comércio as lojas caras os bancos os prédios mais altos os escritórios e oficinas. A manhã o dia o sol despertando todo um ecossistema local. Todo um sistema urbano gigante confuso... e muito bom.

            - Oie!... Aqui frente da praça Cambembe Bambo, este complexo de vidro fumê, são realizados os eventos mais relevantes, carnaval shows musicais de todo tipo fandangos cheganças marujadas discotecas tiro de laço... A seguir a biblioteca Olavo Bilac, uma homenagem ao poeta brilhante que cantava as estrelas, numa antiga casa estilo colonial e que foi já há algum tempo tombada como patrimônio da cidade. Foi inclusive reformada recentemente com a ajuda da população através de doações. Suas bandeiras e caixilhos envidraçados das janelas adrede feitos para a entrada de mais luz.

            Deste modo chegaram ainda na feirinha do Alfenim, na travessa da Cacimba Avariada. Muitos quiosques vendendo apetrechos para arrieiros almocreves e produtos domésticos práticos caseiros doces salgados mezinhas artesanato de barro cozido de fibra de latão de couro ou afins, cordas cabrestos selas látegos chicotes de 4 tentos surrões talabares cinturões boldriés candeeiros grisetas luminárias ardósias ou lousas talhas tachas cuias alforjes macetes sovelas peças de estopa. Tantas coisas e muito úteis ou bolachas-quebradas bagatelas. Todos dando preço esperando pechincha. Todos animados atentos aos possíveis clientes. Tudo sorridente e feliz como giz do chafariz.

            - Visitem apreços. Vocês têm oportunidade de ver e comprovar o que se produz no interior do município. Desde compotas conservas mais queijos embutidos marmeladas geleias e assim por diante. E o produto do produtor direto ao consumidor sem intermediários - resaltou o guia turística Cléo, que nem se vexa engajada na hora de promover engrandecer sua cidade sua gente sua história e memórias.

            - Alternativas. Um centro de compras mágico, eu diria - completou o Tácito.

            - Perfeito, seu Tácito. Vamos mais aqui à frente, vou lhes mostrar a lojinha da Flor-Santa e que pertence à dona Maria Estafeta. Ela tem a sorte de entender os entes e seres invisíveis fantasmas. Vamos ver se ela nos atende e nos concede previsões.

            - O céu a terra! Já me arrepio toda, olha, olhem!... - declarou a Gaipara.

            Entraram na loja e foram diretos na dona Maria, ali presente toda no aparato pompa ostentação já vestida de conforme como uma matrona baiana saia rodada. Nos braços cheia dos apetrechos de braceletes e pulseiras douradas, e tilintando, ‘trililim!...’

            - Olá, dona Maria! - o guia turística foi saudando e apresentando os visitantes - Este casal de iutúbis veio de longe para conhecer a mãe dos passes mágicos. E gostariam de uma consulta, se nem for incômodo pra minha querida senhora.

            A matrona em questão dona Maria Estafeta, sorriu e foi realmente cumprimentar os turistas. Levava ainda um terço com contas azuis no pescoço a cruz enorme estendida no peito gigantesco entre mamas gigantes. Um turbante característico e imponente dando ao todo uma aparência sem dúvidas de mãezona afro dos orixás. Todos sentiam a santidade e a autoridade da mãe de santo. D também D gosta D ostentação.

            - Oxalá e axé, minhas gentes! Querem um conselho a decifração de um enigma a revelação de um sucesso ou o que mais do futuro. É só pedir, meus filhos! - falou e disse a dona Maria, sacudindo as grandes argolas de ouro pendentes das orelhas - Óbvio que estou ótima e muito disposta. Confere que estou muito atenta e bastante ligada.

            Os convidados os três se aproximaram mais e sentaram em volta da mesa redonda toda decorada com vasos de flores cheirosas perfumosas olorosas embasadas nos incensos. A mãe Maria olhou todos os clientes nos olhos... pegou de um chocalho e bimbalhou, ‘tri-li-lim!...’ repicou badalou três vezes para cada um e umas ali presentes.

            - Oxalá e axé, minhas pessoas! Vamos rezar em uníssono o ‘pai nosso que estais no céu!...’ Depois conversaremos o que quiserem saber. Depois é agora, hem?!

            No término da reza fizeram o sinal da cruz acompanhando a sacerdotisa descendente de africanos angolanos. Se deram as mãos por cima da mesa e fizeram a oração introdutória com pedidos de respeito aos orixás. A sacerdotisa olhou a todos bem dentro dos olhos e aguardou o pedido, incentivando, emburrando com o queixo:

            - Oxalá e axé, meus amigos e amigas! Quem tem dúvida que manifeste a questão... Desbarate o que lhe aperreia a mente. Depois vem agora, hum!...

            - Dona Maria, eu queria saber se vou ter filhos e se eles terão longa vida e sucesso nas profissões que escolherem - curiosidade de Gaipara, muito sempre toda vida atenta rigorosa aos detalhes minudências minúcias. - É meu sonho ter os rebentos.

            Dona mãe Maria sorriu para a pergunta um pouco insólita incomum infrequente. Se aprontou, acendeu com 1 fósforo uma vela azul dentro de um pote azul. Pegou de uma cumbuquinha no bidê ou mesinha de cabeceira ali junto dela e diluiu uns líquidos de cores diversas vazados de garrafinhas diferentes e que na cabeça dos visitantes podia ser algum produto mágico ou purificador de ambientes. Só então a mulher se postou quieta e de semblante concentrado, olhos firmes olhando o nada, talvez pensando na resposta à pergunta da cliente. Se ouvia uma mosca rodar aí e mais lá longe lá fora no horizonte o ruído dos autos. D gosta D economiza D anota?

            - Oxalá e axé, meus patrícios e patrícias! O casal está ansioso por filhos rebentos prole. E eu acredito que em breve brevíssimo tempo isso se dará. Logo virá o segundo. Primeiro uma menina e depois o menino. Quanto ao futuro dos pimpolhos anjos... a D pertence. Até onde vai meu olhar, serão saudáveis e com honestas carreiras. Oxente!...

            O casal ali presente, Gaipara e Tácito, o par se entreolhou admirado e perplexo com a eloquência e rapidez da resposta. Os dois cônjuges ficaram se encarando com os lampejos nos olhos olhares e bocas abertas. E depois olharam a sacerdotisa. E agora nem tinham como reagir. Era tudo um sonho um sonho. Queriam a resposta e a resposta veio, assim, na lata e de bate-pronto. D gosta D jeitoso D interessa.

            - Oxalá e axé, meus xodós! Vocês estão de passeio e a natureza está agindo reagindo, isto é normal - completou matreiramente a dona Maria, toda envolta em feitiços mágicas mandingas visões predições vaticínios argúcias apólogos sortilégios.

            - Olha, dona santa! - conseguiu proferir a Gaipara - Eu acredito e muito obrigada por tudo. Foi muito importante esta consulta... nem tenho palavras. Foi um prazer.

            - Oxalá e axé, meus caros caríssimos! Que bom que era isso que vocês queriam ouvir - emendou a feiticeira e xamã e sacerdotisa - Depois está agora!

            - A gente sempre sonha em ter uns filhos, um casal, na verdade - sentiu dizer do fundo do coração o Tácito - Acrescentar criaturas do próprio sangue ao mundo... olha!, é algo sublime e que me arrepia. E sinto que terei muito a acrescentar ao mundo, é.

            - Oxalá e axé, gente do céu da terra! Quando eu olho pra alguém eu vejo o futuro dessa pessoa. É um dom que tenho e adquiri aperfeiçoei ainda em criança. Eu vejo os anseios dessa mesma pessoa e até seu livre arbítrio alvedrio motopróprio. O que ela quer e sonha. Os olhos são reflexos da alma, já se sabe e se comprovou. Então, basta uma imagem e eu antevejo até onde essa pessoa pode ir. Do começo ao fim, e ‘o caminho a verdade e a vida’. Nos olhos de cada ser, esses poços transparentes da alma, é que aparecem as respostas os reflexos rechaços ricochetes que brotam no íntimo mais profundo. E isso, creiam-me, é bom e é ruim. E que D nos ilumine a todos e sempre! D que sabe tudo e fez da terra nosso lar nosso lugar nosso sustento. Depois vê agora!

            - Todo o meu coração lhe deseja muita paz e saúde, dona Maria! - desabafa Gaipara - A senhora é boa e merece tudo de bom por divulgar coisas nobres.

            - Oxalá e axé, minhas saudades desde já! Voltem sempre e saibam que posso fazer outras revelações. Posso limpar o caminho afastar maus olhados desobstruir casas e lugares de trabalho. Mesmo à distância. Tenho prazer em servir meus clientes e atendo até mesmo via on line. Gosto muito de limpar o caminho dos meus filhos queridos. Eu ajudo a prevenir contra impertinências desconfortos incômodos e desconchavos desajustamentos disparates esclareço imprevistos súbitos e intempestivos. Colaboro com tudo que o cliente a cliente desejar e precisar, amém! Depois edita agora!

            Os visitantes e agora clientes se despediram agradeceram e deixaram, sempre deixaram, uma contribuição uma doação às crianças amparadas pela mesma dona Maria a adivinha. Era presidente da Associação Amparo aos Órfãos do Sagrado Coração de Maria. Se aceita ajuda diretamente no quericolde o pix a conta bancária números na tela. Para quem quer visitar e saber das crianças atendidas basta que chegue ao endereço abaixo rua Borrasca do Cambito no bairro da Suumba Reimosa. Também se aceitam alimentos e produtos de limpeza, entregues na portaria. D gosta D conversa D ajusta.

            - Isso me deixa pensativa, sabe - ia dizendo a Gaipara - Bem que a gente quer!

            - Sim. Também acho que nasci para isso, e poucas outras coisinhas...

            Foram rodando de motorhome e chegaram a uma via, rua das Lava-Pés, que a compenetrada guia mandou parar frear estacar. Desceram para tirar fotos e fazer um vídeo mais específico abrangente panorâmico. Era a rua mais emblemática da cidade e toda caprichada preservada revitalizada com casario do tempo do século XIX, começo da república, rua da Contrição. Obviamente chegavam ali passavam aí os contritos pesarosos arrependidos ou resignados.

            - É, como estamos vendo, é a rua da igreja matriz. O templo foi inaugurado com a vila e recebeu várias modificações, porém pequenas, ao longo dos tempos. Temos dois padroeiros, Santo Antônio e NS da Conceição. Assim, festejamos dois dias de feriados religiosos ao longo do ano. Podemos entrar e ver os vitrais as relíquias deixadas pelos devotos e outras faianças muito ricas e apreciadas pelos peregrinos que vêm de todos os rincões e recantos do mundo. Prescrever e proscrever, cesta e sesta, vultoso e vultuoso.

            - Oie!... D é o mesmo na igreja nos búzios na pajelança - lembrou o Tácito.

            Sem dúvida entraram no santuário e todo um clima santo santificado sagrado e consagrado. Que maravilha! Réstias de luz se estreitavam esgueiravam se infiltravam resvalavam (destilar filtrar coar) raiavam pelas janelas coloridas vitrais que contavam a história da crucificação e muito mais. Depois o altar com uma enorme cruz no centro feita de mármore branco estriado. Tudo enfeitado paramentado caprichado decorado. Lembrando e promovendo as epístolas testamentos evangelhos. Capelas para os diversos santos católicos de devoção auréolas aureolados como São Cristóvão, Santa Clara, Santa Luzia, São Jorge, São Benedito, São Sebastião, Santa Efigênia, Santa Bárbara. Cada tal e qual com seu nicho e suas flores suas velas acesas os pedidos dos devotos colocados na frente e bem à vista do santo ou santa. Reparando bem o canto de algum passarinho as missas (galhetas, turíbulos e outros aviamentos) liturgia ritual confissões batizados. O templo os santos sempre todo o tempo já guardados admirados por tantos eclesiásticos (paramentos bordados, sobrepeliz, roquete) acólitos e muitos(as) papa-hóstias papa-missas papa-santos(as). Enchia a nave o som gravado de uma ária arieta para ópera opereta, elevando purificando ainda mais a sensação de culto de oração místico misticismo. E isso, hoje em dia, emociona a alguém qualquer.

            Soltando dali do templo e catedral, e já pegando a rua da Perfunctória, foram convidados pelo guia turística Cléo para um almoço no restaurante Bico-de-Proa - a casa mais típica da cidade e de propriedade da vovó Macajuba Cancela. Onde se come o melhor ensopado de camarão do planeta. E os detalhes do tempero, ‘hum!...’ cheiro de comida e perfumaria no ambiente. Os deuses tinham tido parte nisso? (verbo auxiliar pretérito mais-que-perfeito composto do indicativo). Suntuosos(as) deuses e deusas cascateavam a alegria dos bons pratos, ‘kjá-kjá-kjá!...’ pintados nas paredes decoradas.

            - Oh!... E muito recomendado por todos os clientes e fregueses! - atestava a ótima cicerone - Segundo o site do guia gastronômico estadual, um dos melhores pratos da região do cacau. Sim, senhores e senhoras! Podemos ir agora e comprovar!

            Foram entrando e também apresentados à dona e proprietária, vovó Maca (como gostava de ser chamada simplesmente), no seu traje normal vestido de filó ou tecido de tule transparente e colete roxo com atacadores bem fixos presos atados.

            - Sejam bem-vindos! Vocês podem se servir com tudo e com o melhor. Nossos pratos mais apreciados são os que levam frutos do mar e com alguns ingredientes especiais segredos da casa. Apreciem nos temperos e comam à vontade e bom apetite!

            - Com certeza dona Maca. O seu restaurante é muito bonito e aconchegante - registrava o Tácito, já olhando em volta e por tudo - Vamos colocar no iutúbi, dona!

            - Anseio e aspiro. Espero com ansiedade seus manjares, dona Maca - declarava Gaipara - O cheiro dos temperos das comidas me deu fome com água na boca. Isto aqui vai rodar pelo mundo, minha amiga. Ora, se vai! Ora, se pode e com certeza!

            Meia hora ali no rega-bofes mais melhor da cidade e da região e do país. No meio do tempo nesse meio-tempo, caiu uma chuva... uma tempestade uma borrasca... O estrondo no céu cresceu, cresceu, e veio na velocidade do raio do relâmpago (repetição: figura de construção ou de sintaxe). Sem dizer ‘chuva vai!’, caiu mesmo um chuvão com poderosa e pesada fumaça ou cortina d’água. Lavando chão e céu e por incríveis 15 a 20 minutos contadinhos. Caiu por completo e ali mesmo despejada, total. Alagando enxurrada com petulância empáfia arrogância bravata. Nem nada que se podia fazer. Como veio, se foi. E no ar os perfumes os sabores de chuva e terra molhada.

            O mundo dando ordens dicas: beba coma venda compre aposte jogue invista assista respire transpire. Cidade com seus dramáticos prédios altos edificados; por que esta cidade é reconhecida e o festival da cerveja, monumento aos imigrantes, carnaval fora de época micareta, passeio ciclístico e ciclovia mais longa do país, piscinas termais, preservação da mata atlântica e do endêmico mico-leão-da-cara-preta.

            Chegou o dia que D manda e choveu dinheiro e chasque mensageiro próprio. E a digna magnífica bênção em dinheiro e mangangava ou vespa-de-rodeio, mamica-de-cadela, Nova Granada, Olímpia, Onda Verde, gonçalo-do-campo, guatambu.

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