segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

A Lenda da Noite (juvenil)





            Há muitos anos distante de nós, e de todos nós, e até dos nossos avós, também do nosso mundo, e do nosso tempo, viveu uma lenda: a lenda da noite.
Pois, antes da existência da noite, da escuridão das noites, viviam principalmente três coisas boas:
Primeira coisa - o sol totalmente dourado, pintado de ouro puro; segunda coisa - o céu totalmente azul, azul-azul; terceira coisa - de vez em quando a doce e refrescante chuva tocada de vento, chuva e vento.
Todas essas três coisas eram coisas sempre boas e diárias, praticamente.
Faltava, então, a noite. Quede a noite?!
E antes da existência das noites, não viviam principalmente três coisas boas e ótimas:
Primeira coisa - a lua prateada com seu véu de luar, lua cheia lua minguante; Segunda coisa - as estrelas diamantinas distantes e eternas e piscantes, estrelas cadentes; Terceira coisa - as corujas caburés, os morcegos assobiadores, os lobisomens uivadores, os chupa-cabras esquivos, as mulas sem cabeça chamejantes, os sacis arteiros.
Todas, enfim, coisas essas noturnas e boas e bonitas e necessárias.
            A menina Lilás, andar ondulante e bonito, vendendo um pouco daquela alegria, batom café ou chocolate nos lábios, pegou da sua mochila e foi pro céu. Assim, tão rápido. Era cedo ainda. Foi a pé. 
E ela subiu até as nuvens escalando pelos fios de chuva. Teve o perigo dos raios e trovões, brum! brum!... e clarões com estrondos e estardalhaços, drum! drum!... os ventos soprando em volta, despenteando os cabelos, vrou! vrou!... mas, graças à sorte, tudo correu bem.
Dezenove, vinte, vinte e um, trocentos degraus... Os tênis rinchando ou rangendo - tanto faz -, chuva caindo nos olhos, sem capa de chuva amarela. Que história era aquela? Não era muito longe. A guriazinha, muito à vontade, chegando lá em cima no céu.
Lá em cima a paz eterna e infinita. Muito silêncio, e silêncio mesmo, silêncio pra valer, silêncio insuportável, sossego bom, silêncio do espaço aberto, silêncio aéreo, silêncio oco, silêncio de nada.
Lilás caminhou à direita e à esquerda pelos corredores enfumaçados e enevoados e nublados. Andou por enredados labirintos. Eram as nuvens aqui e ali enfeitando todo o espaço, céu pontilhado de branco algodão-doce.
A guria tocava as nuvens com a ponta dos dedos. Tocava com responsabilidade. As nuvens soltando fumaça.
Então, a Lilás olhou para todos os lados e concluiu, para si mesma:
- É, o céu é infinito e sossegado e importante.
E a menina ainda andou muito em volta e aí para aí. Na ideia da Lilás, moendo e remoendo, muitas dúvidas e grandes dúvidas e outras perguntas sem respostas.
            Não adiantava ela sentir susto de altura. Não adiantava a menina sentir receio de pisar o chão fofo das nuvens. Não adiantava Lilás sentir espanto ao nem ver de cara os limites infinitos do céu. Um lugar moderno avançado azul e branco. Era isso mesmo e essas coisas, etc.
Em dado momento deu de cara com o seu gênio ambicioso, gaudério, maléfico, instintivo, preguiçoso - denominado: Contrário ou Inhapa. Este gênio olhava a terra e, enquanto olhava, tocava viola ou violão ou violino - instrumentos de corda muito antigos. Lilás perguntou:
            - Seu anjo Contrário! Tô procurando Deus. Você sabe por onde Ele anda?
            O anjo Contrário, também conhecido como Inhapa, largou o acordeão e, preguiçosamente, veio ver de perto do que se tratava. Falou num portunhol impecável, pero no mucho:
            - Que pasa, chiquita? Que desea usted acá en las nubens? No sabe que es proibido a los humanos pasar de la tierra al cielo?
            - Simples, amigo anjo Contrário. Quero é falar com o Superior, o Todo-Poderoso. Tenho esse direito. Não me negue. Também sou filha de Deus.
            - Que pasa, niña? Dios esta mui ocupado, demasiado ocupado. Mira, Él tiene que cuidar de todo y de todos. No puede, entiendes?
            - Mas Nosso Senhor vai arrumar um tempinho pra me receber. Mesmo porque não vou Lhe encher a paciência com lenga-lengas molengas. Ainda por cima o meu assunto é sério, urgente, importante, decisivo, primitivo. Vamos, me favoreça, vá chamá-Lo!
            - Ah! es asi. Bueno. Es mejor que usted se vaya porque esta perdiendo su tiempo. Vuelva!
            - É rúim, hein! Só saio daqui depois de falar com o Senhor dos exércitos, o Criador dos céus e mares e continentes, e ponto.
            Dito isso, Lilás sacou seu terrível espelho portátil de cabo e partiu para cima do anjo vagal. O gênio, de nome Contrário ou Inhapa, para se defender, também exibiu o seu anel de diamantes cheio de brilhos de sol. E os dois se atracaram, se digladiaram, se batucaram, se espadanaram, se empurraram, se divertiram. 
            - Vá chamar o Divino, eu quero, taque! paque!... Lhe falar, e tome, taque! paque!...
            - No llamo a nadie, zique! zaque!... ni aquí ni en la China, y tome, zique! zaque!...
            Lutavam já por um bom tempo, quando o anjo Contrário se distraiu, pisou em falso, pisou num buraco de nuvem e despencou das nuvens. Descuidado desarrumado desajeitado, pisou no vazio.
Lilás, também surpreendida e aérea, se voltou, olhou para trás, e uma luz muito intensa encheu seus olhos. Catou os óculos escuros na mochila, colocou-os no nariz e pôde ver... oh! era o seu anjo da guarda, o seu anjo Favorável, o querubim Acendrado. Vinha todo lindo lindo e brilhante e perfeitamente iluminado como só os anjos do bem podem ser, levitando com asas enormes do tipo tuiuiu, auréola, saiote, aura, etc, brilhos próprios.
            - É você mesmo, anjo Favorável?
            - Querubim, faz favor! Sim, sou eu mesmo em luz e asas.
            - Você percebeu que assustou o meu gênio avesso? Como foi que ele se desequilibrou e resvalou?
            - Talvez porque anda fazendo coisas contraditórias, não sei.
            - Já senti que melhorou o astral. Você é o melhor pra mim - disse Lilás.
            - Deus Nosso Senhor, o Íntegro, sabe que sou bom, tenho grandes qualidades e nasci para voar, acompanhar e servir.
            - Maravilha. Então, você pode me ajudar. Seguinte. O caso é que preciso falar com o Infinito e é urgente. Gostaria de encontrá-Lo ainda agora. Sabe, o céu é imenso, provavelmente sozinha irei me perder por aí. Dá essa força?
            - Impossível, menina Lilás.
            - O quê?! Qual é o problema? Não se pode falar com o Pai, o Criador, é?
            - Você pode falar com o Todo-Poderoso, mas somente orando, e lá da terra. Pessoalmente não dá. O Rei dos reis tem muitas ocupações, o mundo todo pra olhar, entendeu?! Compreendeu?! Pescou?! Sacou?!
A menina olhou em volta procurando alguma coisa ainda que não viu nem cheirou nem sentiu nem conversou. Talvez querendo insistir mais um pouco. E ela acrescentou:
            - Puxa, queria tanto falar com o Onipotente, o Completo! Que frustração.
            - Olhe. O que você me pede vai além das minhas funções. Sou seu protetor, posso fazer milagres, mas não posso desrespeitar as regras e graças do céu. E o que é afinal que você tanto quer falar com Deus, posso saber?
            - O caso é que, nós lá da terra, precisamos da noite. É urgente. Sabe, agora vivemos somente de sol a sol, o dia sem fim, a luz, o calor, o verão, os raios ultravioletas, sol rachando as pedras do chão, sol de vinte e quatro horas, sol de chapa, um calor de 45°C na sombra. Gostaríamos de ter o outro lado do dia, gostaríamos da noite, a lua, as estrelas, os grilos, e de dormir no fresquinho, dormir no escuro, entende?! Precisamos ter noites e noites. O dia casado com a noite. O sol separado da lua e das estrelas. Doze horas de sol e mais doze de lua e estrelas. Chover pode chover de dia ou chover de noite, dia e noite, dias seguidos.
            O gênio, grandes asas sossegadas nas costas, as mãos enfiadas nos bolsos da veste de luz, andou até ali e voltou. Retornou até lá. Pensando, pensando. Pensava muito e se distraía em pensamentos. O anjo bom piou:
            - O caso realmente é interessante.
            - Não falei?!
            - Mas donde tiraram essa idéia? Quem disse pra vocês que a noite existe? Quem explicou, a vocês lá da terra, que o céu esconde a noite? - perguntou Acendrado.
            - São lendas antigas, histórias de índios tiriyó ou asurini, contos fantásticos, incríveis, extraordinários. São lendas contadas desde sempre pelos piagas, pelos caciques, pelas índias velhas.
            - Lenda indígena sobre a existência da noite, é?
            - E será que poderei ser recebida e perguntar a Deus pessoalmente?
            - Calma, vamos pensar... - o anjo Favorável queria ganhar tempo.
            E o anjo Favorável caminhou pelas nuvens. Pensava, pensava. Ia e vinha de mãos nos bolsos da veste de luz. Era bom caminhar nas nuvens. Era ótimo andar nas nuvens. Dali mesmo, Lilás espiava a terra lá bem no fundo. A terra era redonda azul enigmática. A menina ainda foi narrando:
            - Seguinte. Como se sabe, agora, lá na terra, não temos noite, só o dia interminável. Contam que o Divino criou certa feita a noite, há muito tempo atrás. Mas aí ela se perdeu, ou foi perdida, talvez roubada, escondida, raptada ou esquecida. Uns dizem que tá adormecida no fundo do grande rio Negro. Outros que uma tribo de índios uriús a aprisionou dentro de um pote de barro. Uma terceira hipótese relata que Deus, temendo mais pecados do homem, a trouxe de volta, fazendo com que desaparecesse. De certo mesmo nada se sabe. Tudo ficou no mistério e na lenda. Muitas pessoas se perderam nos labirintos dos caminhos tentando encontrá-la. Ninguém viu o menor vestígio da noite encantada. Muitas aventuras aconteceram na tentativa de encontrar a noite, mas até hoje nada. Enfim, a noite sumiu, desapareceu, se escafedeu. É isso o que se sabe, o que se pode contar da noite.
            - Noite, mistério, procura...
            - Nós, lá na terra, precisamos muito muito da noite. Já pensou a vida sem lua, estrelas, estrelas cadentes, constelações, assombrações, vaga-lumes, caburés, grilos, piuns, jaguamitingas, morcegos, iaras, sacis?!
            - Deixe ver... tô pensando... (Pausa). Aguente um minutinho que preciso dar um telefonema.
            O gênio Favorável foi ali no lado e puxou o celular. Lilás espiou ainda a terra. A pequena terra lá no fundo do poço do céu. Uma terra toda desenhada no espaço, pendurada no vazio do espaço, uma bolinha azul solta no espaço.
            O sol ia voando numa rede de ouro. Um riso no mundo, de mundo novo, e de outro mundo. O sistema solar todo ouro. O dia pintado com amarelos e vermelhos e brancos e azuis. E ouro sobre azul. Logo logo a terra também toda azul e verde.
Muito silêncio no céu. Um ou dois por cento de nuvens no espaço. Era cedo ainda. Domingo. Uma formiga subindo a parede azul-clarinha do céu. E a formiga parecia procurar qualquer coisa de-comer. Um besourinho-da-mata veio procurar o néctar. Um bando de borboletas-do-manacá.
            O querubim Acendrado estava para um lado, celular no ouvido e concentrado numa conversa. Falava com alguém coisas que a menina não podia ouvir. Conversava com tal alguém já há uns quinze minutos. Já se entendia que discutia, sussurrava, ficava até vermelho, até mais calmo, calmo, muxoxava, e por fim, num muito obrigado mesmo, encerrou o papo e desligou. Chegou para junto de Lilás e disse, falou, gorjeou:
            - Negócio seguinte. Conheço um lugar aqui no céu onde existe um exemplar da noite. Deve ser uma sucata de noite. Não é, portanto, grandes noites, grandes coisas, uma noite pra lá de encantada. Nem de perto uma das mil e uma noites. Mas, me explicaram por telefone, que já é uma boa noite, noite legal, noite agradável, noite legível, noite completa. Assim, vou levar você até esse lugar, até esse exemplar. Simbora.
            - Ufa! Até que enfim vejo uma luz. Pensei que ia precisar de chorar.
            - Calma que o céu é nosso.
            Não era comum terráqueas falar com anjos ao vivo. E tudo corria bem. Lilás já acostumava o andar sobre o ondulado fofo das coxilhas aéreas.
Caminharam por nuvens de lá, corrimões enevoados, próprio de lugares entre nuvens, à beira de constelações importantes, nenhuma casa, cidade ou país pelo caminho, tudo silêncio e alto e azul perfeito, nada de padaria para parar e tomar um sorvete de jabuticaba ou pequi. Uma vez ou outra se via uma asa-delta, uma cambuci voadora, um casal de trinca-ferro, um santo apressado, um avião 14-Bis, uma cambacica, mil e duzentas borboletas-rubis.
E os dois entraram num sítio aclimatado e verde, bonito, cheio de árvores e rios e montanhas, tudo muito magnífico, cheiroso, sonoro e espaçoso. Por ali estavam todos os animais da água doce ou salgada, peixe-boi, icanga, arraia, pitiú, sardinha, baleia azul, curimatã, baleia jubarte, peixe-espada; e coisas da terra, caraguatá, lobo-guará, onça-pintada, tatu-mulita, ubacaba, caxinguelê, sagui, urucum, jauari, canela-rosa, jacaratiá, guapeba, taiuiá-de-cipó, beldroega; e do espaço aéreo, jacuguaçu, jacutinga, tangará, araçari, mutum, udu, tiziu, curió, sanhaço-de-coqueiro, adivinha-quem-vem-hoje, bico-virado-fino. Havia todos os bichos que se pode lembrar e os que nem lembraríamos. Quem lembraria das formigas sarassará-de-pernas-ruivas? Quem lembraria de cavalo pilungo, ou de cavalo lobuno? Quem lembraria de vaca hosca? Um parque zoológico muito melhor e muito maior e muito bom mesmo.
            Lilás parou olhando tudo muito bem. E se assustou de tanta novidade. E era muito legal mesmo. E desabafou, uta! perguntando:
            - É desse lugar que nascem os animais pra povoar a terra?
            - Mas sempre se guarda um casal pra semente, que é pra não se perder a fórmula, o dna.
            - Que maravilha! Que fantasia! Que domingo! Parece um zoológico, uma floresta, um campo, uma serra, um chapadão, uma restinga, uma caatinga, um beira-mar, um rio, tudo no mesmo canto.
            Assim, chegaram a uma pequena gruta na montanha Pedra do Sino e lá encontraram o caroço de tucumã que, segundo se sabia, aprisionava a noite. Pois o caroço de tucumã estava ali, soltinho e paradinho e peladinho, numa prateleira. O caroço parecia coisinha sem importância. Aparentemente. E parecia também esperar por alguém. Sossegadamente.
            - Aqui está o caroço que esconde a noite. É todo seu, menina.
            - Nossa! Que emoção, que nervoso, que tremor. E não pesa quase nada... será que é mesmo... posso sacudi-lo?
             A menina Lilás experimentou sacudir o tal caroço de tucumã, tim! tim!... e não deu em nada; depois escutou, tem! tem!... e não identificou. O coquinho ainda piou um pio, tiu! tiu!... que a menina entendeu nem que sim nem que não. Que noite tinha ali dentro do coquinho de tucumã? Vai saber!
O anjo Favorável captava no ar todas as ideias da menina Lilás. O anjo Favorável lia pensamentos, lia a mente das pessoas, lia a alma dos mortais, entendia tudo de Lilás. Então, foi explicando:
            - Não abra agora senão você vai se perder, escurecerá tudo, breu puro, noite fechada.
            - Tá certo. É a ansiedade, a curiosidade.
            A menina respirou fundo, olhou o objeto em suas mãos e o guardou na mochila. Nunca pensara fazer aquilo um dia, ou seja, segurar a noite nas mãos. Disse ao querubim Favorável ou Acendrado:
            - Então, tá feito. Devo partir. É agora ou nunca.
            O querubim Acendrado a levou até um lago, ali mesmo no zoológico olímpico. Desse lago - que parecia a lagoa Mirim - partiam para a terra vários arco-íris, diferentes arcos-da-velha. Se despediram:
            - Muito obrigada, meu anjo da guarda. Sem a sua ajuda...
            - Boas noites. Sonhem com os anjos.
            - E você não quer descer comigo?
            - Mas eu tô sempre do seu lado, não sabe?
            - Esqueci. Me passô.
            - Na terra eu não apareço, é outro plano. Fico mais é nos bastidores, atrás das câmaras, espiando da consciência, confundido com a sua própria sombra. Mas estou sempre por perto.
            - Paciência - suspirou a menina.
            A menina abraçou o querubim, lhe deu uns beijos, tepe, tepe, tepe!... ganhou outros, tepe, tepe, tepe!... Eram almas gêmeas.
            - Até a próxima, gênio Favorável.
            - Ficarei sempre ao seu lado, se lembre disso. Sou seu calor, sua aura, seu ombro direito. Segurarei sempre sua mão. Sou sua voz ou palavra de autoconfiança, de autoestima.
            A menina ia partir para baixo. Olhou as horas no relógio de pulso. Procurou ver a direção e o sentido do vento. Pensou e lembrou mais uma coisa, falou de novo:
            - Ah!, mais uma coisa.
            - Fale.
            - E o meu gênio Contrário, aquele que caiu da nuvem, e fala portunhol, que que foi feito dele? Estará bem? Não quebrou o braço, quer dizer, a asa?
            - Deve tá na terra lhe aguardando, quem sabe no fundo de um poço, dentro dum dia de chuva ou ainda fingindo de estátua em alguma praça. Mas não tema, tudo está bem. Faz parte.
            - Falô, então. F-o-i: fui!!
            Lilás, com o coquinho de tucumã na mochila, óculos escuros para não sofrer de luz forte, montou no dorso do arco-íris, um arco de sete cores definidas - o querubim Favorável até lhe deu um empurrãozinho para pegar impulso, pegar no tranco -, e de lá de cima veio a menina, desceu com tudo, desceu céu abaixo, como num tobogã listrado, sem freios, aeiouuuuuu!!...

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