E o Rir Normal e o
Pode Ser e o Trivial
As
fantasias... Eu sonhos nem diria. Eu diria as ideias de viagem que eu tinha. E
como tinha partir! E tinha. E tenho.
Meu
tio Açu estava na calçada da rua Tuvira, em frente de casa, a casa lá dele, o nosso
bairro São Cristóvão - que é tudo de bom - a par do parque da Jureia-Itatins. Estava
mesmo, ali de bobeira, parado, esperando nem sei o quê. Esperando cair a mala
do céu? Eu cruzei por ele, etc e tal, cumprimentando-o:
-
Ti-tio! A la putcha, tchê!
-
Buena, guri!
Até aqui eu
sonhara, a partir daí eu fiquei pensando quando já acordado. O quarto ainda na
sombra, o meu desassossego aos sabiás-laranjeiras, tuís, pipiras, corruíras, chupins,
bem-te-vizinhos-de-asa-ferrugínea...
Meu tio Açu era
aposentado. Minha tia Mandi era dona-de-casa aposentada e costurava pra fora.
Minhas duas primas: a Bodoquena, a mais velha, loura, casada, dois filhos, uma
menina e um menino. A outra prima era a Jiqui, loura também, separada, três
filhos, duas meninas e um menino. Ambas as duas moravam de aluguel nem sei
onde, uma no bairro Santa Cruz e outra a Jiqui em a cidade vizinha de Vila
Flores.
Conversávamos
eu e tio. Havia um circo na vizinhança e meu tio parecia querer ir lá
bisbilhotar. Ele me disse assim:
-
É, chegou o circo. Vem comigo, guri.
Rodeamos
o Grande Circo Piracanjuba bem no terreno desocupado de uma rua dos Tupinambá.
Os animais eram diferentes e de outros planetas. Dois tigres de bengala: os
dois na jaula imunda: um deitado e dormindo ou quase dormindo e a outra indo e
vindo: esta parecia meio doida. Outra jaula sujesmunda: dois avestruzes: olhos
grandes: olhares desamparados: caras de aloprados. Outra jaula encardida: um
urso preto: balançava a cabeça como em badalo tremia o corpo todo parecendo um
bêbado: todo lelé da cuca. Nas baias emporcalhadas os camelos, lhamas, cavalos,
burros, pôneis, bodes, ovelhas... Numa corrente comprida arrastada enrolada num
poste um macaco asiático com nariz diferente, esqueci a espécie. Nem, acho que
nem era babuíno. Nem sei se era o mandril. Devia de ser uma espécie original tailandesa
ou vietnamita ou laosiana ou cambojana ou mianmarense.
Meu
tio esse gostava de contar piadas. Especialidades: piada de bêbado e piada de
corno (melhor de bêbado corno ou corno bêbado): uma era mais pornô que a outra,
dependendo do ambiente e do público. Mas era muito talentoso e ainda esforçado.
Fazia toda sorte que contava piada e eu o achava especialista. Se aposentou
trabalhando de gerente numa madeireira que faliu por falta de matéria-prima
araucária que dizimaram na região toda começando lá desde o princípio início do
século XX. Aquela horinha as serrarias estavam falindo por falta de madeira
regulamentada. Nem perguntei se meu tio fora bem muito bem ótimo ou por um triz
ou mais ou menos com tanta idade na madeireira serraria Bacupari dos irmãos
Carapitaia. Talvez meu tio nem soubesse mesmo o que era sonhar com outra sorte.
E foi levando até ali, nem é?! Levou levando a sorte que o levava. Deixou de
fumar quando o médico o assustou com umas fotografias de pulmão escuro nublado
malhado amarrotado. Tio Açu compreendeu que nem podia beber e fumar do mesmo
jeito na mesma medida e proporção que fazia desde adolescente. Aí, parou de
fumar. Beber ainda bebia seus vinhos durante as refeições seus martelinhos ali
no boteco da esquina o Itariri propriedade do seu Tóni Sapopema. Dizia pra mim
pros outros que o vinho era coisa do céu e fazia bem o médico até indicara
recomendara liberara um copo de vinho em cada refeição.
Minha
tia Mandi natural de Ibimirim sempre fora uma pessoa de falar baixo porque nem
era surda. Quando ria ela segurava o riso para nem se sacudir toda embora
também nem fosse grande. Mas ela, apesar de boa gente, nem era engraçada. Passava
se queixando, naqueles últimos tempos, de dores na coluna, dores de cabeça,
cansaço, inchaço das pernas e pois bem continuava costurando pra fora. Nem queria
pedir dinheiro ao marido para aquelas pequenas coisinhas, dizia. E o dinheiro
andava raro e raso e difícil e arisco e desconfiado. Assistia televisão à noite
novela bíblica depois da janta. Nem costurava à noite porque fazia mais mal pros
olhos do que bem pro bolso.
Bodoquena
nem sei se estava amando ainda e vice-versa o mesmo bagaceira. Nem era muito
íntimo para procurar saber das fofocas e nem queria ou nem precisava. Aquela
prima em aquela altura - nunca se sabia até onde ia o amor ou a vontade de amar
-, com o Tijuca. Eles tiveram dois filhos, o Pium e a Jericoacoara. Bodoquena
vivia muito em casa, para as coisas da casa e do marido e dos filhos. Quase nem
se divertia. Nem, nem se divertia, a nem ser com a tevê ou o maridozinho. Eu
achava que a sorte poderia ser menos tediosa, se ela procurasse. Era toda para
os filhos. Nem tinha sonhos próprios. Esperança de ir andando até os noventa
anos. Então, faltavam mais quarenta e cinco.
Já
a outra prima, a Jiqui, se separara a pouco tempo e trocava constantemente a
cor do cabelo. Um ano, um ano e dois meses, por aí. Estava descasada do Ubatuba.
Os três filhos do casal já foram os sonhos dos sonhos: a Jatobá, a Araçagi e o Cáceres.
Jiqui trabalhava no colégio Tiradentes nos dois períodos da manhã e da tarde. Era
bibliotecária e nem tinha tempo de ler os livros que dizia interessantes e
honestos. Fez faculdade de biblioteconomia em Caxias do Sul e tudo tal e qual quando
ia lá três dias por semana durante oito anos. Legal, mesmo. Tempos atrás de
onde eu lembro, era a mais alegre da família do meu tio, fazia perguntas
engraçadas, dançava ouvindo o rádio, parecia ser muito ativada, era uma
promessa incomum de sucesso raro na família talvez até uma menina prodígio.
Quando eu era pequeno eu a seguia às matines do cinema. Muitas vezes. Era a
minha prima favorita e doce e comprava sorvete seco pipoca puxa-puxa balas de
castanha-do-pará... Depois o tempo falou mais alto, sabe como é. Jiqui nem
pensava mais em casar. Queria conhecer outras terras e outros hemisférios e
Peruíbe e o portal dimensional Pedra da Serpente e a praia de Caramborê e assim
por diante. Nem sei se de vez em quando voltava e passava uma noite com o ex.
Acho que sim. Que que tenho com isso! Aquela prima era mesmo muito desamparada
cabeça de vento. Queria ser forte, mas nem podia sozinha. Três filhos nem era
pra qualquer uma. E, me recordo agora, e ela era muito alegre e festiva na
infância adolescência, brincava de balanço, adorava carnaval e saía fantasiada
de pirata ou beduíno ou índio pariqui. Quando a revi tentava disfarçar os
cabelos que já vinham brancos com cores engraçadas e até surpreendentes. Mas tinha
um corpo em forma, seco, duro, pura madeira de lei, como guamirim, cambuim,
peroba, jacarandá-da-bahia... O filho mais velho devia ter em torno de quinze
anos àquela horinha. Eu apostava que se arrependera de ter tido tantos filhos.
E também de ter casado com o Ubatuba. Os sonhos dela passaram a ser os dos
filhos. Então, deixa eu perguntar, eu pergunto e o que conto com isso:
O
Tijuca, esposo de dona Bodoquena, era um cara meio quieto. Tinha uns anos a
mais que ela e um metro e setenta e poucos. Nem terminara de crescer. Eu nem lembro
onde a prima o arranjara, Itariri ou Itanhaém ilha de Queimada Grande onde vive
a Jararaca-Ilhoa sei lá. Ou se foi ele que a descobriu. Um dia vi falar que iam
casar. E de lá uns dois meses casaram. Fui na festa e me lembro e tudo era uma
bagunça. Mas festa de casamento é festa esquisita e pronto. E o tal e qual
Tijuca era o cara que comia e ia comendo muito a minha prima. Nem tinha nada
com o caso, e nem nada que me interessasse. Mas também nem achei nada
engraçado. Tijuca trabalhava com o velho dele, o seu Jirau. Marceneiros desde
sempre e para todo o sempre e após todas as reencarnações. Dava para fazer um
bom dinheiro no ritmo das formiguinhas. Tijuca seguiu o ofício do pai assim
mesmo naturalmente. Tijuca, eu olhava o cara, e esse tipo era que comia a minha
prima e ia comendo pintchando talvez quase todos os dias insistindo durante
horas a fio. Mas vai aonde, meu?! E o queco?! Tijuca sempre trabalhou mais o
pai dele. Brigaram várias vezes, mas nunca se separaram. Teve uma vez que
quase, mas aí entraram os parentes, a mãe Manacaparu, e tudo se ajeitou. O
velho queria entregar tudo de mão-beijada ao filho e se mandar vender tudo se
mudar ou dar a parte dele e ir para outro lugar quem sabe pescar surubis no rio
Guaraú morar noutro Estado quem sabe em Manhumirim ou Cerro Azul ou Tenente
Portela... Mas foi só um momento repentino de insolação. Ainda bem.
O
Ubatuba trabalhava com o jogo do bicho. Era uma coisa muito incerta e ilegal na
verdade. Às vezes os da doze caíam em cima, o que eu já acho certo - afinal qual
que é do jogo de azar, né?! E o Ubatuba saía pela cidade, repartições,
consultórios, bares, barbearias, padarias, cafés, principalmente nos botecos frequentados
por desocupados esses os apostadores mais certos. Fazia, nem sei se faz ainda.
Uma cara que nem mais o vejo por aí, por ali, por acolá. Um preguiçoso, na real.
Minha prima já me dissera uma vez que Ubatuba era um frustrado. Eu perguntei
frustrado de quê? E ela respondeu: frustrado de nem poder ter sido um grande jogador
de futebol. Bem que ele tentou, jogou na escolinha do clube Bossoroca lá de
Vacaria, jogou futsal aqui no próprio União, arriscou a sorte nas peneiras dos
clubes mega da capital, depois os de Caxias do Sul, depois ainda os de Pelotas
e Santa Maria. Mas, quando nem é pra ser nem acontece, fazer o quê. Quando D
quer ele mesmo aponta o dedo e nem precisa que ninguém. Últimos anos deu pra
beber e brigar com as pessoas por motivos de política, motivos fúteis, motivos
aleatórios. O irmão dele o Mucujê fora deputado estadual pelo PDT na época da
volta da democracia. Brigar sempre brigava, mas beber só nesses últimos tempos.
Tinha mês numa birosca e outro na outra e depois na outra e assim por diante
passou e repassou toda a cidade e todos os botecos e todos os desocupados já o
conheciam de nome e apelidos. Uma vez ou outra ia até em casa, via os filhos, via
a ex e dava uma, conforme, né e tal. Mas ele já enganava bem com uma tal moreninha
chamada Curiúva. Quando porém nem se toleravam sob um mesmo teto, nem.
Os
filhos de Bodoquena e Tijuca eram crianças normais, aceitáveis, chatas,
buliçosas, e graças aos céus, muito destruidoras, uns tsunamis por onde
passavam e isso era saúde de corpo e espírito. O tempo faz quebra-cabeça na
minha cuca, é a verdade. Pium, o primeiro, e por ser menino, era e era o mais
mandão, o mais parecido com capeta com curupira com jurupari. A guriazinha, a Jericoacoara,
muito bonitinha e fofinha e fingida, chorava por qualquer coisa e jogava o que
tinha na mão. Assim de longe e já limpinha, de roupa limpa, perfumadinha,
parecia gente muito boa e até promissora podia ser no futuro o que quisesse uma
modelo uma atriz uma interprete da mpb. Pareciam até umas iaras ou sacis de
conto de vovó, coisa bonita, preciosa, bonita mesmo. Pium já ia à escola e
jogava bola com a camisa do clube mega da capital. Sabia tudo a respeito. Jericoacoara,
um pouco menor, ainda nem ia ao colégio, frequentava uma creche e desenhava e
pintava e armava. Já sabia ler, pintar, contar até uma certa altura. E sabia
xingar quase como o irmão.
Os
rebentos de Jiqui e Ubatuba eram mais espalhados e mais confiantes. Pais
separados sempre contribuem e bastante para piorar os filhos. Criança ou
adolescente já era sempre dureza, já era coisa braba e mais pais separados,
hein?, tá brincando, nem é! Então, tenho a dizer que Jatobá era muito
pertencida. Novinha e cheia de frescuras e gritinhos. Tinha uma pose ensaiada,
dura, como se tivesse engolido uma espada de metal. Quer dizer, nem sempre, que
essas coisas só se faz quando se lembra. A Araçagi, que detestava e brigava
quem a chamasse de araçá-do-campo!, um pouco mais crescidinha que a irmã, já
tinha o seu ficante e era o Caoba. Namoravam só no colégio e olhe lá, que os
pais dela nem toleravam tão cedo os beijinhos pra cá e pra lá. O Cáceres, mais
velho, um dia pretendera cuidar e pajear as irmãs. Levou um fora, brigou mesmo
um dia com a araçá-do-campo!, e nunca mais quis saber de nada. E dizia a plenos
pulmões: que sumam da minha frente ou o quê! Mas Cáceres queria mesmo ser
piloto de caça da força aérea a FAB. Parece que tinha um curso na base aérea de
Canoas e ele queria voar e haja dinheiro. Vira certa vez um documentário e nem esqueceu
e queria muito ser um piloto de caça só para dar banda pelaí e fazer barulho no
céu. Namorava a Sucupira a doida a biruta (segundo a visão da Araçagi) se beijavam
com chicletes e tudo na boca, no mínimo.
Meu
tio Açu, então tá!, era sempre a mesma figura. Igual igual até na frente das
visitas:
-
E você, guri! Tá pintchando? Ó, hein?!
-
Positivo positivo!
-
Quando eu era da tua idade eu entregava leite e até fazia em troca, é.
***
O
sol novamente se aprontou moderno e se esparramou desde o início dos nossos primeiros
aniversários. As plantas começaram a pipocar, timboúva, uruá, jatobá-do-campo,
baru, vinhático, barbatimão, embiri, coriana-branca... As aves e pássaros
começaram a participar no espaço aéreo para outros lugares, jaó, sofrê,
catirumbava, arara-de-barriga-amarela, papagaio-do-mangue,
pica-pau-de-penacho... a gralha-azul grasnou riu fantasiosa... mesmo o tesourão
símbolo do Pernambuco. O vento carregava esses ruídos todos.
O
que que é o sol, pessoal?!
Uma
beleza de luz o dia no meio as aves em silêncio de calor. Uma monotonia de
mormaço. Nem abelhas nem arabés nem borboletas. Cigarras serrando a sombra no
pé de velame.
Depois
o rio. O rio Piqueri caminhando dentro de si ensimesmado e todo ele comprido
como a estrada como o rio. Os mosquitos-pólvora em enxame na praia bonita
entardecer. As garças-brancas subindo os degraus secos dos ribeirinhos juqueris.
Foi
ali foi aqui que D iniciou...
Assim
de acordo com isso, a ave xenxém olhou e pensou árvores. Uma árvore conversava
com congonhas, catiguás, angelicós, cutúbeas, tarumãs-tuíras, bicuíbas...
Cunhantaim
tupiniquim Juriti saiu cedo conforme e se despediu dos seus pessoais. Na tribo
dos arara-do-aripuanã parou para comer tapioca com cobertura de
formiga-quenquém.
Alguém
aí falou beiju ela ouviu atenta ela ouviu.
Pronto,
cruzou o rio Japurá, rio banzeiro, foi visitar os catauixi. Estes estavam em
festa do milho o abati e rodavam em volta da fogueira dia e noite tocavam um
tambor feito de tronco oco de tururi. Nem deu para dormir direito no espesso
alto das folhagens da tabebuia.
Amiga
do vento gostava de cata-vento e asas abertas ao vento. E nem desperdiçava um evento.
Amiga do vento e da manhã nova amiga do rio feita de perguntas dona da estrada
dos ares amiga das árvores sócia do rio se despediu da tribo se despediu por
hoje por enquanto pegou o espaço baixo entre nuvens brancas também passageiras.
-
A lua Jaci protetora dos vegetais.
Ainda
mais alguns meses e foi pousar no país dos ofaié-xavante. Chegou pelo ar na
terra dos ofaié-xavante.
-
Aqui que tem escola de paraquedismo?
Caiu
do alto a chuva amanda cantante chuva comum do dia a dia. Os rios se encheram
de soluços. A arapaçu-de-listras-brancas piou o normal, o caneleiro-cinzento
silencioso. A uru-do-campo voou rasante, o caminheiro zumbiu balançou os galhos
finos do araçá-pedra. E Juriti só queria conhecer a terra olhando de cima.
A
cunhataim Juriti mais dias menos dias alçou desceu a serra da Tormenta e
encontrou aterrissou no campo dos guticraque. Os aruanás subindo a areia branca
da enseada. O rio Grajaú quebrado de espelhos de vidrinhos estilhaços ao sol.
-
É aqui que inicia a parte da frente do sol?
O
tempo-oceano rola pedra, o rio-montanha rola pedras esmeraldas, o vento-árvore
rola poeiras vermelhas das pedras brancas.
-
E é aqui que inicia a parte descendente da chuva?
Num
dia de chuva já se desfazendo numa semana que ela morava de grátis na oca dos
xipaia. Comia amora-do-mato no café da manhã coisa para ninguém acreditar.
Índia
antiga dona Mara xipaia conversava de noite volta da fogueira alma anga solta
olhos além anomati perdidos. Naquela noite contou o que já ouvira das avós.
Apontou o dedo quá para o fogo e disse:
-
Olhem lá a cunhantã Chiú. Tinha esse nome porque chorava muito quando criança e
deva muito trabalho para as avós. Era tão bela quando cunhantã, era tão bela
que chegava a parar o sol e o sol vinha todo dia apenas para vê-la de perto. O
sol vinha lá de fora todo dia chuva ou faça sol somente para admirá-la. E
ficava parado no meio-dia todo dia mirando a beleza da cunhantã. Então, um belo
dia, Chiú foi para o mato e nem nunca mais voltou nem nunca mais foi vista.
Dizem que preferiu virar colibri imortal. Dizem que nem preferiu mais ser gente
de decidiu virar beija-flor-de-fronte-violeta. Dizem que virou guanumbi de voos
velozes e que podia pairar no ar igual cuitelinho. Bastava cunhantã Chiú tocar
nas árvores para elas crescer rápido rapidíssimo.
A
Juriti tinha de piar e conversar e rir e perguntar qualquer coisa ser vivo
ouvir coisas precisava mesmo.
E o rir inconfundível
e o muito pessoal e o intransferível.
***
Se me calar,
consinto; se me ausentar, perco a bolada: e pois assim justamente o quanto nem
saberei de nada.
Se eu erro,
aprendo; se as coisas me erram, desaprendo: e pois então sou uma sucessão de erratas
nesta instância superior da era.
Estamos na
superfície do céu e já no futuro efeito estufa do talvez quase quem sabe do
modo subjuntivo.
E dá vontade
de rir. E sei que isso de rir também sou eu é meu. Então nem rio nem lago nem oceano
nem céu espelhado no mar.
Pronto,
percebia. Graças aos santos ou às santas, percebia que - e já fazia uns meses,
hein?!, e estávamos nesse mesmo barco - que a Enigmática escrevia com a
canhota. E se achava. E eu tinha mesmo certeza que se comportava com isso.
Escrevia com a esquerda enquanto o cabelo caía cascata para o lado assim cachoeira
deslizando.
Eu
nem tinha consciência do que estava perto de mim, ou longe de mim, ainda mais
distante, se existia jeito de futuro. Nem tinha consciência que o tempo nem
passando passava.
E
assim por diante. No começo eram cataratas que viraram árvores. Que viraram
macacos e papagaios. Depois vieram as pacas os quatis e os jabutis. Os peixes
nem podiam faltar na mecânica do progresso. E assim por diante. Lá embora pelos
fins dos 400 milhões de anos apareceram os humanos. O que o casal de h foi
almoçar no restaurante do futuro. E assim por diante. Porque após os humanos já
vieram as estrelas muito para lá de distantes. E assim por diante. E os homens
se atiraram de joelhos nas escadarias de pedras rolaram no chão e adquiriram
asas de tamanho a escolher. Os h sobrevoaram longas praças e visualizaram algumas
cidades, São José de Piranhas, Serra Grande, Pitimbu, Campo Alegre de Lourdes,
Adrianópolis... Os olhos os olhares os sorrisos complacentes. E assim por
diante.
Meu
lugar de ilusões, de miragens... e me perguntava:
-
Que estou e para que vou, hem?!, hem?!...
E
Enigmática, espantosamente para uma guria linda, era muito boa de notas. Gostava
de todas as matérias, até onde se podia perceber, até onde eu podia alcançar.
Concentrada, esperta, deveres de casa sempre em dia copiava tudo do quadro-negro.
A melhor e a mais linda, só isso. Muito apreciada pela torcida uniformizada.
Intocável, me parecia. E doce, me apetecia. A beleza tinha novidades, se
modificava com as horas, a luz as luzes, com os dias, com o curso de inglês,
com a noite, conforme o verão ou o inverno. Uma menina bela tem cores, tem luz
própria, tem ímã, tem carisma, tem dedo de D. Tem mundo próprio e distante e
enigmático.
E
o rir tratável e o confortavelmente condicionado e o disponível e o normal.
Que
tipo de cara Enigmática estaria procurando pensando? Seria eu, no caso? Isso
muito me preocupava me abalava. Porque todo mundo procura e está à procura de
alguém de algo do que pensar ou do que fazer, certo?! E ela procurava procurava,
eu tinha certeza. Se é que já nem encontrara, né!
Quanto
pairar, voar, contornar, sobrevoar no céu de Enigmática? Tive uma esperança, perfeitamente,
ora! Tinha uma esperança, e clara, ora!
Esse
labirinto todo, e então tá, foi antes do ano 86 durante o ano de 85.
O
sol tem o dever dos rios, os rios dos animais, os animais das plantas, as
plantas dos ventos, os ventos dos homens, os homens da compra e venda e
financia com os aviões barcos carros bicicletas. A paisagem toda ocupada.
Esta
árvore tem ego, esta cidade tem ego.
A
realidade tinha seus fatos ou suas dez provas obrigatórias provas de fogo rede
de intrigas. O real, seu exercício diário e claro, era para a sorte toda. Fazia
de conta que tolerava e ia em frente. Queria me ver cheio de recursos e
esbanjar os poderes totais. Enfim, coisas que eu nem sabia definir direito.
***
Na
local e natural cidade de Nova Prata, ao primeiro dia do mês de novembro do ano
de mil novecentos e oitenta e nove, centésimo nonagésimo quinto aniversário da
independência e centésimo primeiro aniversário da república. E outras coisas
que fiquei sabendo somente mais tarde.
Eu,
sempre eu mesmo, o meu primo Mbéru, sempre ele mesmo, focamos o boteco tia
Guapira e entramos. Cheio de maloqueiros que pelo amor de D! Todos os
maloqueiros da paróquia, da comarca, da freguesia e comportava mais. Todos os
bagaços desta parte da cidade e reunidos no mesmo lugar e horas inúteis.
O
primo Mbéru chegou chegando e já foi cumprimentando o primeiro cara que achou pela
proa, um cara ali todo faceiro e distraído, de costas para a porta. O
cumprimento? Um tapa nas costas de doer até a alma do sapato. Assim mesmo,
taaaaau!... O cumprimentado, que eu nem
conhecia, andou assim como que um pato-do-mato com faca nas costas. Depois ele
parou, ficou sentindo muito, olhos revirados, se voltou para o dono do
cumprimento, nem riu, fez careta, fez cicatriz na boca, esqueceu o trago que
bebia, reconheceu o amigo da onça meu primo e nem disse nada na hora escorria
do canto da boca uma gosma um fio verde-violeta de baba.
Há
como tem pessoal e como acontece gente no mundo que pergunta por que D inventou
de projetar na face do planeta a barata a lesma o piolho o caranguejo a
segunda-feira o senador brasileiro...
O
boteco era isso mesmo. Uma casinha de madeira na beira do asfalto da RS-470
hoje BR-470, uma varanda na frente, o banheiro, um salãozinho com lâmpadas
fluorescentes, uma tevê no alto com campeonato nacional, quatro cinco mesinhas
com cadeiras de plástico da cervejaria um balcão de fórmica azul e vitrine de
pastéis sanduíches sonhos cartuchos de bolachas doces e salgadas atrás do
balcão uma parede com abertura para uma cozinha onde se preparava o melhor
mondongo da periferia. Gente de bando que vinha chegava de madrugada do baile
tortos de trago comer o mondongo e queijo ralado com pão de padaria da tia
Guapira.
Governado
o boteco pela própria dona e mais a Pacu duas senhoras de além 70 e aquém 90 uma
ou duas gurias atendiam os fregueses nas mesas conforme o dia da semana
dependendo do acaso além dos 40 e aquém dos 60. Esse o lugar entre dois postos
de gasolina ali na boca da noite até as seis da matina beira da faixa e entrada
estrada Pinheiro Machado para os distritos ou bairros do Gramadinho e do
Gramado nem sei mais qual vem primeiro, etc.
Todas
as noites, para marcar presença, chegavam os brigadianos paramentados num carro
verde, 2 ou 3 polícias, ninguém dava por eles, a babel babilônia continuava na
mesma zoada chegavam, vinham até o balcão, cumprimentavam a tia Guapira e a
Pacu com um aceno leve, tomavam um cafezinho por conta dez minutos mais cinco
minutos iam embora.
No
salãozinho cheio e apinhado e mal cheiroso e relaxado e mal acostumado, um
mundo de pelos-duros, dentes-secos, bocas-de-lobo, cabeças-de-porco,
amarra-cachorros, casacas-de-ferro, bichos-de-sete-cabeças, a tevê passando futebol
do regional, um e outro dormindo bêbado na cadeira com a cabeça no braço sobre
a mesa, e bate-papo e bate-boca e assobios de bugio gargalhadas de bode
grasnados de carancho risadas de cavalo guinchos de papagaio-charão gritos de curicaca
pios de pato-mergulhão.
Aí,
no dia daquela mesma noite, o mesmo famigerado cara que havia sido
cumprimentado pelo meu primo quando entramos, chegou por trás e na moita e largou
um tapão nas costas do desinfeliz do meu primo Mbéru, taaaaauuu!... Eu mesmo
senti o tapa e achei que fora mais forte que o do meu primo, muito mais forte,
deu até para ouvir de longe que eu tava e foi mesmo um cumprimento de levantar a
alma do sapato.
Quando
chega quando parte os aviões estremecem o bairro. De dia a pessoa param para
olhar de noite acordam para escutar. Quando o avião está no chão quando está
longe os cães continua a latir.
Que
fazer se o mundo é assim mesmo, hem?
E
meu primo deu oito ou nove passos para a frente cinco ou seis para o lado de lá
olhos arregalados para o alto a língua de fora como do totó as costas como de
um pato-bravo com faca nas costas. Acho que meu primo nem chorou de grande
vontade que teve aí na hora agá de desistir sim de tudo e virar em nem sei o
quê. Nem uivou por falta de fôlego. Nem tossiu por falta de memória. Nem
desmaiou porque a multidão sem querer o amparou. Nem se urinou mesmo com toda a
cerveja nos cornos por falta de nem sei mais o que diga. E meu primo ficou
andando e andou mais de nove metros empurrado pra cá e pra lá assim mesmo como
um marreco com faca nas costas. Se voltou, olhou o algoz, riu com um riso de
aço, suspirou muito, sentindo muito, as cadeiras fracas imagino, um sorriso de
gelo com limão e cachaça demorou mesmo dez minutos para falar as primeiras
palavras de um pato-de-crista esfaqueado pelas costas:
-
Essa nem nem, meu!
E
continuava sem parar um barulho ambiente de conversas um mercado livre público
de bebuns urros de anta grunhidos de porcos-do-mato berros de capincho chirriar
de jacu ulular de lobo-guará grulhar de mãe-da-lua tevê no jogo que gol de quem
e ninguém nem tava nem aí nem nada.
***
Nem
acredito nesses milênios e anos com números coincidentes e tais e quais. Quando
quanto sei que o mundo precisa acabar e recomeçar nem sei. Agora comigo eu sei
que o mundo começou num dia claro claro no meio da floresta depois da chuva com
as árvores molhadas tocaris, camboatãs-da-serra, canudeiros, sete-cascas,
sete-sangrias... rio Ribeira de Iguape passarinhos piando e voando em
trigonometrias arriscadas os tais e quais chauás, surucuás-de-cauda-preta,
arumarás, marrecas-pé-vermelho... e os serelepes sempre ativos
saguis-de-duas-cores e os sorrateiros espertos mocós, etc.
Apontaram
disseram elegeram a ele o cacique da tribo. Deixaram ele rodeado no círculo no
meio do povo que o queriam como líder batiam nas suas costas chamavam-no de ru
ou pai. Construíram uma oca melhor e mais espaçosa com abertura no teto para sair
a fumaça. Aprovaram que tivesse mais de duas cunhãs quem sabe três ou quatro. E
ele escolheu três cunhantãs lindas e um casal de papagaios-de-cara-branca como
mascotes.
Depois
pediram que falasse ao pessoal o que ele sentia o que ele pretendia o que ele
achasse e ele falou. No centro da ocara tinha uma centenária
castanheira-do-maranhão. Ele disse que ia se recostar enquanto o povo voltaria
ao trabalho do dia a dia. Recomendou que era bom pescar o suficiente para
aquele dia e noite e que desse para toda a tribo se alimentar. E todos
obedeceram sem um pio sem um olhar sem um gesto.
As
mulheres foram fazer potes de barro como sempre faziam. Foram na capoeira fazer
coivara para abrir roça. Foram plantar milho. Foram colher mandioca. E cuidar
da curuminzada. Os homens foram caçar no mato e preparar pari para peixes. E
preparar arcos e flechas. E derrubar árvore para fazer ubá. A curuminzada foi
subir em árvore nadar no rio procurar jiquitaia tanajura.
Um
dia se juntaram e foram até a montanha buscar mel. Lá também encontraram umas
cascatas e umas piscinas. Dormiram ali passaram a noite olhando estrelas a lua
e escutando o céu escuro. Pajé piaga contou história e outras histórias e que
vinham já desde os ancestrais:
-
E aconteceu que as coisas sumiram no deserto, que do deserto voltaram todas as
coisas já como estavam durante o dia e sem tirar nem pôr...
-
Quem passeia aqui somos a gente e de noite é a onça-parda o curupira de cabelão
vermelho pitanga...
-
Tupã habita a terra viaja no sol respira no vento fala pelas águas e chuvas e
cascatas e rios e mortos manus...
-
Quem mais corria era o sol... em seguida logo logo atrás vinha a lua...
Daí
por diante o cacique o pajé os velhos as velhas da tribo faranacaru passaram a
nomear os astros em primeiro lugar os entes sobrenaturais os bichos do chão as
árvores as aves os peixes os lugares de atração turística...
Muitos
dias se passaram. Os dias seguiam as noites e estas àqueles e assim por diante
então parecia que havia ligação entre as coisas entre as coisas todas coisa com
coisas. O sol a lua os planetas as estrelas tinham tudo a ver com tudo isso. O
mundo se movia contínuo para nem parar mais.
Quando
conseguiam algum triunfo algum feito uma boa caça uma boa pesca festejavam o
aruanã e dançavam em volta da fogueira a noite toda durante três dias e três noites.
O
povo o pessoal comia os bichos e as plantas e era obrigado a memorizá-los e
imitá-los e sonhá-los e saber o que os bichos e as árvores queriam ou nem
queriam.
***
Nuvens
amazônicas trovejaram no teto neopratense e nem sobrou mais céu algum caiu toda
a água de uma vez alagou veio de vendaval levou de enxurrada.
Depois, na
altura da noite, choveu muito, choveu como sempre, choveu e ventou barbaridade
fazendo os tais e quais assobios uivos zunidos. Choveu ainda mais e rajadas de
vento a cento e vinte por hora atravessando abalroando obstáculos da geografia.
Foi
assim que nasceu Capoeiras, antigo nome da cidade. E um temporal em rebuliço em
turbilhão dizem que derrubou tudo pela frente e só foi renascer e parar nos capoeirões.
Oitenta e sete
casas destelhadas pelo bairro já no outro dia e árvores deitadas na rua mais
outros destroços entulhos restos espalhados como em guerra firme.
Dia
novo, dia claro, dia de ar compenetrado. E assim o azul era esplêndido. E as
coisas quietas todas meio desarvoradas descabeladas desbragadas esperavam
socorro e reparos.
Os
moradores se encontraram na rua todos se perguntaram era só uma a pergunta sem
resposta pronta:
-
Que será que é essa lua, hem?
***
Os
imortais passados se empenharam muito e muitos anos na engorda dos diferentes
animais existentes na natureza, cutias, jacarés-de-papo-amarelo, peixes
diversos, tatus, seriemas, xem-xens... Os campos eram amplos e o pasto farto
farto de capim-rei. Todo bicho se desenvolvia. As aves sempre planando sem
velocidade olhando as cascatas contornando os pés-de-serra acompanhando o
rastro do rio Açungui. E nem era mais possível inventar mais nada e outras e
algumas coisas para colorir.
Então,
um dia todos os mortais h resolveram de-boa fazer uma festa, sacrificar os
animais abundantes, comer carne à vontade e beber fermentado de milho e até
cair. Uma festa grande, uma festa total, para comemorar a fartura de comida e
bebida e que atravessava as coxilhas dos pampas.
E
os mortais h comeram as partes mais macias e apetitosas dos animais. A gordura
e os ossos puseram fogo para dar fumo aos imortais passados e que já moravam
nas nuvens.
Uma
tal mortal h ex-árvore araticum-folha-de-salgueiro voltou encarnou e já era sua
sexta vez na terra. Agora foi viver pessoalmente em a cidade de Monte Horebe e que
gostava de colecionar pedras enfeitava a casa com as mais diversas pedras
encontradas. Amontoava dinheiro para nas férias do fim do ano viajar ao país do
caldo de cana lá no continente dos dias sempre renovados e por vir. Todos os
dias raiando o sol ou caindo a chuva saía de casa o apê do prédio Juri antes de
chegar à rua entre o saguão e o portão se abraçava com a carnaubeira. Abraçava
durante uns poucos minutos suficientes olhava para as folhas longas
farfalhantes olhava o céu através dos galhos em arco e murmurava e sorria e
então partia para o trampo e etc.
Os
esses imortais passados, por terem sido enganados no churrasco com a pior parte
dos animais, se revoltaram com os mortais h e prometeram e queriam e resolveram
vingança e se vingar.
Os
imortais passados eram muitos e muito poderosos e mágicos e todos ficaram
zangadíssimos e precipitados afobados atropelados com muita ira. Furiosos e
violentos, os imortais passados cuspiram marimbondos e vespas e zangões,
trescalando alhos pelos olhos, raios pelos bugalhos, chispas pelas órbitas. Os
imortais passados só pensavam em fazer maldades contra a terra e seus
habitantes mortais h, bobos mortais h, lerdos mortais h, inúteis mortais h,
processadores de bosta mortais h.
Os
mortais h, percebendo que a coisa nem ia bem e podia piorar, pensaram então num
bom sacrifício de animais para agradar aos imortais passados. Talvez animais
inteiros e domésticos? Nem deu certo. Talvez crianças mortais h com efeitos especiais?
Nem deu certo. Talvez meninas-moças mortais h bonitas singelas perfumadas
tangalantes? Nem deu certo. Mas porém essa atitude já ia tarde e o caso nem
podia mais ser revertido.
Foi
assim que na calada da noite, sem ruídos, sem grilos, sem pio de caburés, sem
suspeitas, entraram no mundo muitas coisas graves e outras ainda mais
horrorosas. Os ventos, antes calmos e ordeiros, viraram do avesso e sopraram
com furor em todas as direções em redemoinho. As montanhas explodiram e
despejaram lama e lava incandescente. Os terremotos racharam a terra e
derrubaram as casas as árvores no passeio público e incitaram os tsunamis. O
chão se abriu em dolinas afundamentos sumidouros cavernas. O dilúvio invadiu
agricultura e matas e cidades e repartições públicas, inundou tudo, matando
muitos animais domésticos animais selvagens derrubando árvores inutilizando
construções e empobrecendo e diminuindo ainda mais os mortais h.
E
assim como veio a tempestade parou porque assim são as explicações.
E
quando tudo parecia perdido, foi que surgiu um imortal passado arrependido ou
condoído. Com dó dos fracos e tolos mortais h. E esse imortal passado tapou as
maiores cachoeiras do céu e acendeu o fogo brando e azul do sol.
Cada
mortal h se orientou movimentou pelo surgir renascer dirigir subir do sol. As
terras do calor das palmeiras dos cipós das árvores tiraram frutas passaram a
dar mais frutos pássaros sombras remédios das suas faculdades mentais.
Assim
mesmo, de lá para hoje, os mortais h vêm pisando em ovos os crus e as omeletes.
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